Os números das duas entidades mostram que o nível de instrução sobe no setor. Houve uma queda de 3,3% na população ocupada sem instrução, embora esse número ainda some 1,44 milhão, 5% do setor. Já os com nível superior, completo ou incompleto, foram a 4,94 milhões, 5,4% a mais, representando 17% do total. Os empregados sem carteira assinada somam 4,2 milhões, 1,7% abaixo do número do segundo trimestre de 2025, e os de carteira assinada atingiram 9,88 milhões, 0,5% a mais. A população ocupada do agronegócio aumentou para o recorde de 28,28 milhões, e inclui ainda empregadores, trabalhadores por conta própria, autoconsumo e trabalhadores familiares. As mulheres são 38% da força de trabalho.
Segundo Rosana Pinheiro-Machado, lógica de ‘plataformização’ gera exaustão, isolamento e a sensação de que é preciso estar sempre se promovendo para conseguir trabalhar.
No dia 30 de setembro de 2026, a professora Márcia Gorett Ribeiro Grossi participou da live Jornada Glocal da EaD, promovida pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED). O encontro contou também com a participação do professor Adelson, gerente do Núcleo de Educação a Distância (NEaD) do CEFET-MG, e teve a mediação do professor Luciano Sathler. Durante a transmissão, a professora Márcia apresentou dados e resultados de pesquisas desenvolvidas pelo grupo AVACEFETMG, compartilhando contribuições importantes para as reflexões sobre a Educação a Distância.
We were in the arms of an Angel with Sarah McLachlan + a Massey Hall filled to the rafters with Choir! Our long-awaited collab was everything we dreamed of + we raised close to $75,000 for the Sarah McLachlan School Of Music. It was a perfect evening celebrating a Canadian icon, one hell of a tune + the importance of music education. A very special thanks to everyone who made this extraordinary night happen. #neverstopsinging
Entre a Lei e a Rua é um curta-metragem documental produzido por Guilherme Simões como Trabalho de Conclusão de Curso em Relações Públicas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sob orientação da Prof.ª Dra. Luciana de Oliveira e do Coletivo e Pesquisa em Contexto de Risco, o Corisco. O filme aborda as intensas disputas de narrativa e o debate público em torno da aprovação da legislação de internação involuntária para a população em situação de rua e usuária de drogas na capital mineira (PL 174/2025).
Conquistar a diplomação também está longe de resolver as desigualdades. É o que mostra uma pesquisa, conduzida no Observatório de Desigualdades no Ensino Superior e Mercado de Trabalho do Insper, coordenado pela professora Ursula Mattioli Mello, também com apoio da FAPESP.
A equipe cruzou dados do Inep com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que reúne informações de todos os trabalhadores com carteira assinada no país, para reconstruir a trajetória de mais de 20 milhões de estudantes que ingressaram no ensino superior do Brasil entre 2010 e 2016, do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ao mercado de trabalho. O objetivo era entender se ter estudado na mesma turma aumenta a chance de colegas trabalharem juntos depois da formatura e, nesse caso, quais fatores influenciam mais.
A equipe analisou características como gênero, origem socioeconômica e raça, e descobriu que esta última é a que mais conta nessa equação. “As pessoas que são brancas acabam indicando mais colegas brancos. As pessoas que são negras acabam indicando mais colegas negros”, destaca Eloiza Almeida, pesquisadora do grupo.
O padrão, que os pesquisadores chamam de homofilia de rede, aparece mesmo em turmas universitárias que foram heterogêneas e tiveram a presença de pessoas de diferentes raças, rendas e origens. “Por mais que você tenha estudado com pessoas de outros grupos, você acaba tendo um relacionamento mais forte com tipos similares ao seu, e isso perdura após o ensino superior, no mercado de trabalho”, diz a pesquisadora.
Para confirmar que se trata mesmo de uma tendência, e não de coincidências, a equipe observa um momento específico da vida dos profissionais: a promoção para cargos com poder de contratação, como o de gerente. Quando um ex-aluno chega a essa posição, os dados mostram um aumento na contratação de pessoas da mesma turma e do mesmo curso naquela empresa. E o recorte racial se repete: gerentes não brancos alavancam mais a contratação de outros profissionais não brancos, ainda que tenham estudado com colegas dos dois grupos.
A força desse efeito varia por área. Em finanças, administração, economia, engenharia e tecnologia da informação, a indicação de colegas de turma é mais comum. “É normal uma pessoa chamar outra”, diz Almeida. Em educação e medicina, o efeito é menor. Não por falta de indicação, mas porque esses mercados têm menos empregadores e maior concentração regional, o que faz os profissionais se encontrarem de qualquer forma. Já no direito, área em que a literatura internacional aponta forte influência de redes na ascensão a sócio de escritórios, o efeito no Brasil é bem mais fraco do que em finanças ou em engenharia.
Na próxima fase da pesquisa, a equipe quer investigar se esse efeito de rede é igualmente vantajoso para todos os indicados. A hipótese é que profissionais pretos, pardos, indígenas e amarelos sejam direcionados a empresas ou posições com salários mais baixos do que os de colegas brancos formados na mesma turma. “A gente acha valioso estudar junto e que esse relacionamento se estenda para o mercado de trabalho. Mas, se nem todos estiverem em uma boa posição, do que adianta?”, resume a pesquisadora.
Instead of teaching how to solve mathematics exercises, we must assume the responsibility of being an expert in didactic mathematics teaching. Change our way of questioning, asking, raising the levels of response production, and promoting argumentation and critical analysis.
Learn about the pedagogical and ethical use of an AI-based academic tutor, designed from the student's and teacher's perspectives, to support students in individual study and in preparing for business class exams.
The university was born as a community dedicated to knowledge, but throughout history it has faced a constant tension between wisdom, skills development, and the demands of the social and economic system. This work examines the origins of universities, their historical transformation, and the importance of reclaiming a higher education that fosters critical thinking, autonomy, and human transformation, going beyond degrees and professional competencies.
O Einstein Hospital Israelita firmou um acordo de 20 anos com a Inspirali, empresa do grupo Ânima Educação, para prestar assessoria acadêmica a 15 cursos de medicina em seis estados brasileiros.
O tratado, anunciado nesta segunda-feira (19), prevê aprimorar currículos, capacitar professores e qualificar atividades práticas a partir de 2027.
O contrato envolve cursos que oferecem cerca de 2.000 vagas anuais. Exclusivo entre as instituições, ele tem renovação automática por mais 20 anos. São mais de 13 mil alunos em cursos distribuídos por São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Pará.
Complexo do Einstein Hospital Israelita, no Morumbi, zona sul de São Paulo; parceria com a Inspirali tem duração de 20 anos com renovação automática pelo mesmo período - Alberto Ricci - 4.fev.26/Divulgação/Einstein "A educação médica está em um momento decisivo, com o aumento da oferta de vagas e o incremento de vários instrumentos de avaliação, sendo o Enamed o maior sinal deles. Isso exige das escolas um novo patamar de qualidade", disse o presidente da Inspirali, Mauricio Escobar.
O acordo buscará levar práticas educacionais do Einstein a escolas médicas de diferentes regiões. O presidente do hospital, Sidney Klajner, afirma que a assessoria levará em conta as necessidades locais, com foco no aprimoramento dos currículos, na formação médica e na capacitação dos professores.
"Esse conhecimento, e entender as necessidades e demandas locais, é o que faz com que possamos assessorar a Inspirali nas peculiaridades das faculdades de cada região, com o intuito e o propósito de não apenas formar o médico, mas sim de transformar a saúde", diz.
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Carregando... Os estudantes que ingressarem em 2027 terão todo o ciclo formativo abrangido pela parceria, mas os já matriculados também poderão ser beneficiados, segundo Escobar. Ele cita como possibilidades novos instrumentos de avaliação, programas de reforço e melhorias curriculares.
O contrato prevê assessoria aos campos de prática e às atividades de internato, etapa em que os futuros médicos treinam sob supervisão em serviços de saúde. Ele não prevê, necessariamente, estágios ou internato na rede hospitalar do próprio Einstein.
"Eventualmente, pode existir alguma oportunidade, mas hoje não é o escopo", explica Klajner.
A Inspirali já oferece atividades práticas desde os primeiros períodos, em 14 Centros Integrados de Saúde (CIS) e hospitais parceiros do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo Escobar, os cursos contam com quase 650 cenários de prática.
"Acho que essa é a potencialidade: aproveitar a assessoria do Einstein para aprimorar e enriquecer a experiência prática que oferecemos em nossos cenários de prática, sejam eles próprios ou em parceria com hospitais nas diferentes regiões", complementa Escobar.
1 7 Saiba o que é e como funciona o Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica)
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... O Einstein também participará da seleção e da formação de professores das graduações. "Vamos identificar lacunas e contribuir para que o professor seja ainda mais bem capacitado para lidar com as turmas. Se houver necessidade de contratação de um profissional, participaremos junto com a Inspirali para que ele seja selecionado da melhor maneira", afirma Klajner.
A Inspirali tem quase 1.300 docentes. Segundo Escobar, a assessoria poderá ampliar a formação em metodologias de ensino, métodos de avaliação e eventuais componentes curriculares.
O Einstein mantém sua graduação em medicina desde 2016. Segundo a instituição, o curso recebeu nota máxima no Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), na primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) e no CPC (Conceito Preliminar de Curso), indicador do Ministério da Educação.
A parceria também prevê a proposição de métodos para acompanhar seus resultados. "Iremos acompanhar se o desfecho está sendo aquele pretendido desde o início da relação. Esse acompanhamento vai incluir o maior número de indicadores possível para que a gente tenha a certeza de que o caminho está certo", diz Klajner.
As mudanças específicas de cada unidade dependerão desses levantamentos. Cada faculdade continuará responsável pelos cursos, diplomas e exigências do Ministério da Educação.
Plano de candidato é pagar valor para mães matricularem filhos em unidades privadas em locais com falta de vagas na rede pública Especialistas dizem que estudos internacionais apontam que medida pode ampliar o acesso ao ensino, mas não assegura ganhos de aprendizagem
A recente edição do Ranking Universitário Folha (RUF) novamente mostra a superioridade das instituições públicas do eixo Sudeste-Sul. Das 50 universidades mais bem avaliadas entre as 205 do país, 37 são federais; as três primeiras colocadas são as paulistas USP e Unicamp e a UFMG, em Minas Gerais.O fenômeno não é por si só um problema, já que países como Canadá, Austrália e China direcionam boa parte dos recursos a poucas universidades de excelência. No Canadá, em 2024, quase 80% do financiamento federal à pesquisa acadêmica foi destinado a 15 instituições.
Ainda que a produção científica por óbvio seja um aspecto fundamental, ela não esgota a função do ensino superior. Por isso, além da pesquisa, o RUF articula na avaliação outros quatro indicadores: ensino, inovação, internacionalização e mercado.
Em alguns deles, instituições privadas se destacam. Em mercado, a paulista Unip está no segundo lugar nacional, empatada com a UFMG e atrás apenas da USP.
Assim, emerge uma antiga questão abordada em pesquisas do setor. A heterogeneidade no ensino superior brasileiro, com diferentes tipos de instituições, objetivos e resultados, não é reconhecida de modo satisfatório pela legislação nem pelo sistema padronizado de avaliação do Ministério da Educação (MEC).
Uma pequena universidade no Amazonas, por exemplo, pode não ter produção científica robusta, mas ser essencial para a formação profissional num contexto mais sujeito a limitações.
Agrupar universidades a partir de semelhanças e diferenças pode trazer maior racionalidade às avaliações e orientar melhor as políticas públicas —nos Estados Unidos, a Carnegie Classification of Institutions of Higher Education, que distingue instituições segundo suas características e atividades, é utilizada para esses fins.
Outro ponto que desponta no RUF é a relevância social da pesquisa. Neste ano, foi incluído um novo critério na avaliação: o número de trabalhos científicos citados em documentos de políticas públicas de governos, ONGs e organizações no nível global.
Citações acadêmicas indicam impacto no campo científico, mais restrito, enquanto as citações em documentos desse tipo podem indicar o alcance da produção de conhecimento em questões mais práticas que afetam diretamente a sociedade.
O RUF revela complexidades e lacunas dos modelos de avaliação de um ensino superior marcado por diferenças que ainda precisam ser devidamente contempladas pelo poder público.
Muitos cristãos influentes, em fóruns que variam do TikTok e podcasts até o setor editorial, começaram a discutir se a inteligência artificial poderá ser um catalisador da destruição do planeta.
Em entrevista à BBC, Meredith Whittaker, chefe de fundação que criou aplicativo de mensagens criptografadas, afirma que riscos da inteligência artificial têm sido mal compreendidos.
As pessoas nascidas entre 1950 e 1970 têm maior resiliência emocional quando comparadas às gerações mais jovens. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica BMJ Mental Health. De acordo com esse trabalho, essa vantagem psicológica está ligada ao contexto em que cresceram: com mais autonomia, menos estímulos digitais e conexões sociais predominantemente presenciais. Segundo os pesquisadores, o segredo da inteligência emocional desse grupo envolve quatro pontos básicos. Primeiro, desde cedo eles aprenderam a lidar com a espera e imprevistos sem contar com gratificação instantânea. Eles também tiveram uma infância livre de redes sociais, o que protegeu o equilíbrio mental e a autoestima. Em terceiro lugar, a convivência e resolução de conflitos aconteciam predominantemente no meio presencial, construindo laços interpessoais mais sólidos e, por fim, essa geração atravessou fortes transformações o que lhes conferiu capacidade de adaptação a mudanças.
Un artista, al brindar su total energía al progreso de su arte y dejarse a sí mismo por completo en el proceso, termina consumido por aquello que al inicio era su fuente de motivación.
Tipo: Cortometraje Título: Burnout Técnica: Animación 2D Género: Drama Dirección: Lou Báez Producción: Sebastián Mimbrera Duración: 3:30 minutos Año de producción: 2023 País: México Idioma: Inglés Target: Jóvenes, adultos
Da startup chinesa que permite controlar humanoides apenas com o pensamento aos robôs da Sinova Labs na construção civil. Veja como braços robóticos esculpem mármore em Carrara em poucas horas e o teste de resistência onde um humanoide trabalhou 191 horas seguidas em um armazém.
Learning analytics allow us to make insights about the student experience from the data. With this, we can identify new variables that help institutions to better respond to the situations that students experience and make better decisions based on the analysis of the information.
Integrating digital tools into creative writing enables students to create interactive stories that extend beyond text, thereby expanding their possibilities for expressing ideas and emotions.
Evolving as a teacher entails transforming one's conception of teaching. Beyond merely incorporating technology or new materials, methodologies such as experiential learning require moving away from the traditional model and embracing a role that is more active, complex, and human.
São cerca de 38 milhões de pessoas, perto de 40% dos ocupados, sem carteira assinada, férias, descanso semanal garantido ou limite para a jornada. Também não estão no MEI e ficam sem acesso a benefícios como o salário-maternidade e o auxílio por afastamento. São ainda os mais vulneráveis: a informalidade incide mais entre pretos e pardos, jovens e idosos, os de menor escolaridade e no Norte e Nordeste.
Segundo, tratam cada regime de trabalho de forma isolada, quando, na verdade, o mercado de trabalho é integrado. A forma de contratação responde às regras. Para uma empresa, realizar uma atividade com empregados com carteira, com prestadores de serviço ou com trabalhadores informais envolve custos e obrigações próprios de cada modalidade. Assim, ao alterar os custos e benefícios de uma modalidade, a legislação muda a atratividade de todas as outras e desloca contratações e trabalhadores de uma para outra.
Essa dinâmica se aplica às mudanças recém-aprovadas. No fim da escala 6 por 1, a jornada cai e o salário se mantém. É de esperar que o aumento da remuneração por hora trabalhada, sem ganhos equivalentes de produtividade, leve as empresas a contratar menos ou a recorrer a vínculos sem as mesmas regras de jornada. Na expansão do MEI, a principal alternativa à carteira assinada fica mais barata, já que trabalhadores de renda mais alta passam a ter acesso a uma tributação muito inferior à do emprego formal. Enquanto uma mudança encarece o vínculo formal, a outra torna mais atrativo o que está fora dele. Não parece coincidência que tenham avançado juntas.
Nada disso é mera especulação. Na França, a redução da jornada de 40 para 39 horas em 1982, com manutenção dos salários, aumentou as demissões, sobretudo entre os trabalhadores de baixa remuneração. No Brasil, o MEI vem se expandindo há quase duas décadas sem conseguir retirar as pessoas da informalidade. Ao contrário, sua vantagem tributária estimula a substituição de vínculos CLT por contratos de prestação de serviços, aos quais os limites de jornada não se aplicam.
Há, assim, uma tensão entre a proteção oferecida em cada vínculo e o número de trabalhadores alcançados, especialmente em um mercado com tantos regimes de contratação. Por isso, as políticas de mercado de trabalho precisam ser pensadas em conjunto, considerando não só a proteção que oferecem mas também quem fica de fora. Se cada regra altera os incentivos de todo o mercado, o caminho é aproximar, não distanciar, as formas de contratação em direitos, benefícios e tributação.
A alta informalidade sempre foi, e continua sendo, um dos principais problemas do nosso mercado de trabalho. O fim da 6 por 1 representa um avanço nos direitos trabalhistas. Mas, se o emprego com carteira der lugar ao trabalho informal e ao MEI, a nova jornada valerá para cada vez menos trabalhadores. Por que nossas políticas de mercado de trabalho continuam a ignorar aqueles que têm pouco ou nenhum direito trabalhista?
Resolução de centenas de problemas matemáticos deixou o mundo com mais soluções do que gente capaz de entendê-las O mesmo vai acontecer em todas as outras áreas em que a máquina consiga checar sozinha se acertou Visionário. O elogio mais cobiçado por aqueles que trabalham sentados vê seu valor desabar junto com os insights que o inspiravam. Onde existe uma mesa de reunião ou uma bancada tem uma nuvem acumulando ideias promissoras, não fosse por estarem empilhadas com outras tantas, igualmente criadas com inteligência artificial. A publicação das 370 soluções de problemas pela OpenAI no início do mês põe a matemática nesse circuito em que a abundância é tão grande que, nas palavras de um professor da Sorbonne, "se as IAs sumissem agora [...] o campo passaria os próximos dez anos tentando entender o que sobrou". Não se trata apenas do momento mais importante da história da disciplina, mas também daquele em que ficou claro que o jogo de resolver os grandes desafios está acabando para os humanos, com bolsa de pesquisa cancelada e carreira inteira varrida numa semana. Deixemos a tristeza de lado e fiquemos com as consequências. A entrada das máquinas no cume das exatas deixa o mundo com mais soluções do que gente para apreciá-las. O desconhecido, que era feito do que ninguém descobriu, passa a incluir também o que ninguém entendeu, dada a maneira pouco ortodoxa como a IA chega aos resultados. Uma professora do Texas que passou anos tentando provar uma das conjecturas que caíram agora recebeu a demonstração pronta e precisou de uma IA para lê-la. Essa mudança atinge o cerne da produção científica. Veja, o que a gente chama de entendimento é a integração de uma ideia a modelos mentais preexistentes, gerando a sensação de que as coisas se encaixam e diretrizes para a descoberta seguinte. O problema é que isso é incompatível com uma realidade em que resultados importantes e complexos se acumulam na nuvem, exigindo que algum sistema de capacidade sobre-humana, a própria IA, os conecte e nos devolva uma visão de conjunto. O conhecimento começa a avançar sem passar por nenhuma cabeça, conosco do lado de fora. A abundância muda também o tratamento do que já está pronto. Na programação, ninguém mais conserta código: o agente refaz do zero porque descobrir onde mexer no que está lá custa mais do que escrever de novo. A mesma regra valerá para as provas produzidas por IA, que não serão lidas porque sai mais barato pedir outra. Se hoje assusta ver a máquina realizar uma descoberta digna da medalha Fields (o segredinho é que a façanha saiu de milhares de tentativas, a maioria fracassada), em alguns anos ela fará o mesmo como etapa normal de um pedido do usuário, que vai tratar a resposta como descartável. De quebra, teremos mais incerteza. Um dia depois de soltar essa bomba, a OpenAI retirou três manuscritos porque um erro pequeno numa prova derrubou duas outras que dependiam dela. Numa pilha que ninguém lê, o erro lá de baixo sobe junto com a torre. Com isso, estaremos um pouco mais no campo das ciências inexatas, com efeitos colaterais que ninguém sabe explicar. Nada disso será exclusividade da matemática, mas valerá para qualquer área em que seja possível checar automaticamente se um resultado está certo. Este é o caso da física feita no papel: num estudo recém-publicado por 35 físicos, a IA resolveu 49 de 50 problemas inéditos, do tipo que só um punhado de especialistas sabe resolver, a menos de US$ 3 cada. Visionário, daqui a pouco, vai virar elogio de máquina.
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