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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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Inteligência Artificial na Educação: como preparar os jovens

Inteligência Artificial na Educação: como preparar os jovens | Inovação Educacional | Scoop.it
A capacidade que as ferramentas de inteligência artificial generativa têm, hoje, de gerar textos, imagens e mesmo conversas convincentes tem feito com que a linha que separa pessoas e máquinas esteja ficando cada vez mais difícil de distinguir. E isso muda tudo, especialmente na educação.

Com os limites entre o que é feito por humanos ou por uma IA cada vez mais “borrados”, aumentam os riscos de desinformação, manipulação e perda de confiança no mundo digital, principalmente entre crianças e adolescentes, que ainda estão aprendendo a definir em quem confiar e como diferenciar o que é verdadeiro ou falso.

Por isso, o letramento digital deixou de ser um tema complementar e passou a ser uma competência essencial. A urgência desse debate aparece em agendas globais, como relatórios recentes da OCDE sobre o futuro da educação, e também na Base Nacional Comum Curricular de Computação (BNCC Computação).

Dados divulgados no início de 2025 pelo professor Cameron Jones, da Universidade Stony Brook, em Nova York, mostram que a ferramenta de IA mais popular do mundo, o ChatGPT 4.5, da empresa OpenAI, foi considerada “humana” por pessoas em 73% das vezes em testes feitos para um estudo recente. Esta porcentagem foi, inclusive, maior do que a avaliação feita sobre textos criados por humanos tentando enganar as pessoas participantes.

Durante décadas, explica Jones, as pessoas foram ensinadas a confiar na intuição para perceber algo “estranho” ou “robótico” na internet, mas essa estratégia está perdendo força. “Muitos dos nossos participantes estavam muito confiantes de que poderiam identificar corretamente os modelos de IA, mas o desempenho deles foi muito ruim. Os resultados sugerem que nem sempre podemos confiar em nossas intuições humanas”, diz o autor do estudo.

O desafio se intensifica porque sistemas de IA também conseguem simular comportamentos humanos, incluindo expressões emocionais como alegria, tristeza ou desinteresse. Isso aumenta o potencial de influência sobre decisões, opiniões e percepções das pessoas.

 

Quando a imitação vira autoridade
Para Jones, os sistemas de IA conseguem modelar os estados mentais bem o suficiente para conseguir explorar e manipular as pessoas”. “Está se tornando cada vez mais desafiador distinguir entre sistemas que ‘realmente entendem’ o mundo e sistemas que estão meramente imitando a compreensão”, adverte. 

Paola Cantarini Guerra, coordenadora do Centro de Estudos Avançados do Direito e Inovação da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP, estudiosa do uso de IA na educação, reforça que o risco vai além do técnico. “Sistemas artificiais passaram a produzir respostas fluentemente persuasivas sem participar das práticas normativas que sustentam o conhecimento humano: justificação, responsabilidade, contestação e revisão. Quando fluência discursiva passa a ser confundida com autoridade cognitiva, o risco não é apenas educacional, mas civilizacional.”

Ou seja: quando a autoridade passa a ser baseada apenas em “quem fala bem”, e não em quem tem fundamento, responsabilidade e pode ser questionado, há riscos para toda a sociedade.

Essa capacidade de “falar” de forma convincente das IAs generativas sem ter a responsabilidade ética de um humano pode ser especialmente perigosa para crianças e jovens que estão em pleno desenvolvimento. Eles podem confundir uma boa performance comunicativa – o “parecer saber” – com uma fonte confiável justamente na idade em que estão aprendendo a avaliar o que é verdade.

 

É preciso ensinar a confiar no conhecimento
A questão, porém, não é tratar a IA generativa como vilã, mas sim impedir que ela ocupe um lugar de autoridade que não deveria ter. Este é um desafio que precisa ser enfrentado imediatamente – e a escola tem um papel muito importante neste processo.

Preparar estudantes para a era da inteligência artificial exige ir além do uso técnico das ferramentas. É necessário desenvolver habilidades que fortaleçam a capacidade de construir, avaliar e validar conhecimento de forma crítica e responsável.

A educação na era da IA deve, portanto, se concentrar na reconstrução das condições sociais que tornam o conhecimento confiável. Preservar o julgamento humano não é resistir ao progresso tecnológico, mas sim a condição para que este progresso não se torne nocivo.

Como sustenta a especialista Paola Cantarini Guerra, “precisamos, acima de tudo, de pensamento crítico, criatividade e imaginação”. Essas são as competências que nenhuma IA pode simular e que nenhuma política educacional pode deixar de cultivar.

 

Da detecção ao consumo crítico: como falar de IA na sala de aula
A boa notícia é que já existem caminhos estruturados para integrar inteligência artificial ao currículo escolar de forma ética e pedagógica.

A Nota Técnica “Educar na Era da Inteligência Artificial: Caminhos para a BNCC Computação”, lançada pela Fundação Telefônica Vivo em parceria com o Instituto IA.Edu e a Cátedra UNESCO de IA Desplugada na Educação, traz orientações para incluir a IA nos currículos escolares de forma ética, responsável e acessível.

O documento organiza o ensino de IA em cinco dimensões principais:

Letramento em IA — compreender o que é IA, onde está presente e como funciona;
Papel dos Dados — entender como dados influenciam sistemas inteligentes;
Como a IA Funciona — conhecer algoritmos, modelos e lógicas de funcionamento;
IA em Sociedade — debater ética, impactos sociais e direitos digitais;
Criação com IA — desenvolver soluções e projetos com uso responsável da tecnologia.
Entre os exemplos práticos, destaca-se o “Detetive de Dados”, proposto para os anos iniciais do Ensino Fundamental. Nele, os estudantes coletam informações sobre os hábitos da turma, organizam em tabelas ou gráficos e respondem: “O que uma inteligência artificial recomendaria para a nossa sala de aula com base nesses dados?”. A atividade estimula raciocínio, compreensão de dados e entendimento de como sistemas de IA funcionam.

Para o Ensino Médio, a nota sugere que os estudantes atuem como auditores, pedindo à IA uma explicação científica e, em seguida, identificando afirmações que precisam de fontes, separando o que é consenso do que é polêmica e rastreando a origem das informações.

Ao comparar a resposta da IA com revisões científicas, relatórios de instituições confiáveis e artigos ou reportagens de fontes seguras, os estudantes percebem que falar bem não significa ter evidências sólidas. Essa prática desenvolve a habilidade de avaliar informação, não importa se ela vem de uma pessoa ou de uma máquina.
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Bebês expostos à pobreza têm atrasos no desenvolvimento motor aos 6 meses

Bebês expostos à pobreza têm atrasos no desenvolvimento motor aos 6 meses | Inovação Educacional | Scoop.it
“A maioria das mães expostas à pobreza era adolescente e não sabia como estimular os bebês após o nascimento. Durante as visitas, nós ensinávamos práticas simples, como colocar a criança de barriga para baixo, usar papel amassado como brinquedo ou conversar e cantar para o bebê. Todas as mães se mostraram muito receptivas, copiavam as ações durante as avaliações e passaram a interagir mais com os filhos, favorecendo seu desenvolvimento motor”, conta Silva, atualmente em pós-doutorado na Heinrich Heine University, na Alemanha.

Conhecidos como “tummy time”, os períodos curtos em que o bebê fica de bruços sobre um tapete, acordado e supervisionado, são indicados para fortalecer cabeça, pescoço, ombros, costas e braços, contribuindo para a preparação da musculatura e a coordenação necessárias para que o bebê seja capaz de rolar, sentar, engatinhar e ficar de pé.

“Em muitos lares, os bebês passavam mais tempo confinados em carrinhos, com poucas oportunidades para explorar o ambiente, fortalecer os músculos e experimentar diferentes formas de se mover, pois não havia espaço para isso”, afirma Silva.

O trabalho utilizou pela primeira vez no Brasil o Infant Motor Profile (IMP), instrumento desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Groningen, nos Países Baixos. Diferente de escalas que avaliam apenas se o bebê atingiu determinado marco motor, o IMP analisa também a qualidade dos movimentos – variação, fluidez, simetria e desempenho. Isso permite identificar precocemente riscos neuromotores, planejar intervenções mais precisas e acompanhar a evolução das crianças ao longo do tempo.
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February 20, 2:20 PM
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Transformar desigualdades exige convergência

Transformar desigualdades exige convergência | Inovação Educacional | Scoop.it
Nesse contexto, as organizações da sociedade civil que atuam nos territórios têm um papel fundamental. Por estarem próximas das comunidades, conhecem os desafios reais enfrentados por crianças e jovens e ajudam a construir soluções onde o poder público, muitas vezes, encontra limites. Esse trabalho, no entanto, só gera impacto duradouro quando está conectado às políticas públicas e fortalecendo sua implementação – não substituindo a atuação do Estado, mas o complementando e acelerando seus movimentos, criando soluções inovadoras para reduzir desigualdades e promover desenvolvimento.
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February 20, 2:14 PM
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Novo Plano Nacional de Educação (PNE) - Objetivos e Mudanças

Novo Plano Nacional de Educação (PNE) - Objetivos e Mudanças | Inovação Educacional | Scoop.it
O Plano Nacional de Educação (PNE) é o principal instrumento de planejamento da política educacional brasileira. Previsto na Constituição Federal e regulamentado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o plano define os resultados que o país pretende alcançar em dez anos. Seu objetivo é garantir que os avanços da Educação Básica e Superior no país sejam planejados, articulados e acompanhados com base em compromissos pactuados em âmbito federativo.
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February 20, 11:11 AM
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Aprender dá trabalho e requer atitude - 19/02/2026 - Priscilla Bacalhau - Folha

Aprender dá trabalho e requer atitude - 19/02/2026 - Priscilla Bacalhau - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Desde meus primeiros anos escolares, lembro-me do meu pai falando que para aprender de verdade era preciso mais do que só ouvir o professor em sala de aula. Pela sua experiência como estudante, ele dizia que era preciso escrever, praticar com exercícios e repetir os processos. Parecia muito trabalhoso para mim.

Mais tarde, como uma boa adolescente que contesta as orientações dos mais velhos, fui testar a tal teoria. Fazia provas sem ter estudado quase nada, apenas com o que tinha apreendido durante as aulas. Meu experimento às vezes era bem-sucedido, às vezes não. Em geral ficava aquele gostinho de que eu podia ter me saído melhor.

Após uma longa carreira como estudante, tendo tido minhas experiências ensinando, e hoje como pesquisadora em educação, aprendi sobre o potencial de metodologias ativas de ensino-aprendizagem. Colocar o aluno no centro do processo, para que aja como um criador de soluções, e não apenas como um receptor de conhecimento, contribui para a reflexão e a fixação dos conhecimentos.

Mas o mundo está mudando. Os estudantes de hoje têm à mão uma série de recursos que a minha geração sequer imaginava. Com o acesso a ferramentas de inteligência artificial generativa a um celular de distância, o processo de aprendizagem de novas habilidades já vem enfrentando novos desafios —e isso mesmo antes de resolvermos outros ainda mais elementares.


Sébastien Bozon/AFP
Controvérsias recentes viraram pauta em discussões sobre como os jovens são afetados. Desde 2025, uma lei federal restringe o uso de celulares nas escolas em todo território nacional. Este será o segundo ano letivo da restrição, que surgiu como resposta aos efeitos negativos do uso exagerado do celular e redes sociais na capacidade de concentração e saúde mental, principalmente de crianças e adolescentes.

Por outro lado, apenas proibir o uso nas escolas não resolve todos os problemas. Em um mundo que já não é mais analógico, a educação midiática e o letramento digital deixam de ser opcionais, sob o risco de restrições levarem ao aumento de lacunas entre quem tem acesso a recursos fora da escola e quem não tem. Formação docente adequada e atuação com as famílias também são indispensáveis.

Neste ano, o banimento de dispositivos eletrônicos em sala de aula chegou ao ensino superior em algumas faculdades privadas. É uma tentativa de recuperar a atenção de estudantes que chegam a essa etapa viciados nesses aparelhos. Uma medida que pode ser considerada polêmica, mas que pode ter resultados positivos e com o tempo ser flexibilizada.


Mais cedo ou mais tarde, a regulação chegará ao uso da inteligência artificial. Ainda sem tantas evidências sobre os efeitos no desenvolvimento dos jovens, mas já com indícios de que podem ser bastante prejudiciais. Quando um estudante sistematicamente recorre à IA para ler textos, resumir conteúdos e escrever, está perdendo oportunidades de aprendizagem. Não se aprende uma nova habilidade só recebendo respostas prontas, sem praticar —não sou mais adolescente para contestar isso.

Esses são desafios que educadores, pais e formuladores de política pública vão precisar enfrentar. O futuro da ciência, e da humanidade, depende do desenvolvimento de cérebros críticos e pensantes, e não preguiçosos, como a IA costuma nos deixar.
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February 20, 8:43 AM
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Enamed: curso privado vai pior que público em 94% da prova

Enamed: curso privado vai pior que público em 94% da prova | Inovação Educacional | Scoop.it
Mesmo com melhor perfil socioeconômico, os estudantes concluintes de medicina em cursos particulares tiveram desempenho pior do que os da rede pública em praticamente todas as questões do Enamed, a avaliação do MEC (Ministério da Educação).

Isso ocorreu em 85 das 90 questões válidas, o que corresponde a 94% da prova, segundo análise da Folha com base nos microdados do exame. Não houve diferença estatisticamente relevante nas outras perguntas.

Os resultados do Exame Nacional das Escolas Médicas foram divulgados em janeiro. Dos 107 cursos com notas 1 e 2, consideradas insuficientes, 87 são de instituições privadas com ou sem fins lucrativos, com mensalidades que chegam a R$ 17 mil. Houve divulgação para 350 cursos.


Estudantes de curso de medicina em faculdade privada na Bahia. - Rafaela Araújo - 4.jun.25/Folhapress
Pesquisas mostram que variáveis socioeconômicas estão associadas ao desempenho acadêmico de estudantes: quanto maior a renda e escolaridade dos pais, melhor o desempenho. Análises com o Enade (avaliação federal com concluintes de cursos de graduação) já identificaram relação significativa entre desempenho e os fatores socioeconômicos.

Isso é, inclusive, frequentemente relatado pelo setor privado para justificar resultados desfavoráveis a seus cursos nas divulgações do Enade. Mas o comportamento em medicina, a partir do Enamed, segue outra tendência.

Mais de 35% dos alunos dos cursos privados têm renda familiar superior a seis salários mínimos mensais. Nas públicas, essa é uma realidade de 19%.


Com relação à escolaridade, 36% dos estudantes de medicina privada têm mães com ensino superior. Esse percentual cai para 31% na rede pública. Os dados sobre perfil socioeconômico levam em conta o questionário de todos os aptos para a prova, e não só aqueles que tiveram desempenho considerado para o cálculo das notas.

Os dados mostram diferença também racial. Estudantes autodeclarados pretos e pardos são 27% nos cursos privados e 37% nas instituições públicas, que contam com cotas para ingresso.

O desempenho desfavorável dos alunos de medicina de cursos particulares, apesar de melhor nível socioeconômico, reforça o cenário de problemas de qualidade da oferta dessas graduações.

"A variável da escola parece ser mais determinante e afasta um pouco a discussão de que as escolas privadas seriam vítimas de um perfil de estudantes que trazem dificuldades para o ensino", diz o professor da USP Mario Scheffer, coordenador do estudo Demografia Médica no Brasil.

Scheffer pondera que a ausência de informações individualizadas nos microdados dificulta análises mais aprofundadas, seja nas particulares ou nas públicas. Ele ressalta, no entanto, que os cursos com pior avaliação têm também indicadores inferiores relacionados ao percentual de docentes com doutorado e número médio de alunos por professores, além de serem instituições mais novas e com menor concorrência para ingresso.


A Folha mostrou que faculdades de medicina privadas criadas na última década, após a Lei do Mais Médicos (de 2013), e localizadas em cidades do interior, com menos de 300 mil habitantes, concentram os piores resultados no exame.

O economista Rodrigo Capelato, do Semesp (que representa mantenedoras do ensino superior privado), afirma que o número maior de estudantes nessas instituições impacta os resultados. "Quando se olha o universo de alunos do Enamed, a maioria está nas privadas. E, como há grande competição de ingresso nas públicas, maior tradição, gratuidade, elas ficam com os melhores alunos."

Dos 39 mil alunos que fizeram o Enamed, 24,5 mil são de cursos privados e 9.800, de públicos. Desses, 61% dos alunos das particulares tiveram desempenho adequado, percentual que foi de 81% na rede pública.

"Sem dúvida existem problemas de qualidade no sistema, porque cresceu rapidamente, que precisam ser olhados com cuidado, passar por supervisão, sanção. Mas é preciso cuidado nas comparações mais gerais", completa Capelato, ressaltando que a prova mede só uma dimensão da qualidade.

O Enamed teve 100 questões, mas sete foram anuladas e três desconsideradas pelo modelo matemático adotado na elaboração e correção. Para a análise das questões, a reportagem considerou como categoria privada instituições com fins lucrativos e também sem fins lucrativos.

O maior abismo entre alunos de cursos privados e públicos foi visto em uma questão sobre insensibilidade androgênica, termo médico sobre condição genética em que a pessoa tem genes e hormônios masculinos, mas o corpo não reage a esses hormônios.


Pergunta do Enamed com maior diferença de acertos entre alunos de cursos de medicina privados e públicos - Reprodução/Enamed
Nesse item, 50,4% dos participantes de instituições públicas obtiveram acertos em suas respostas. Nas privadas, o percentual de respostas corretas foi de 24,4%.

Outra questão com grande diferença abordou o luto e a conduta médica na atenção básica de saúde. A resposta correta ("acompanhar longitudinalmente para observação e ofertar apoio pela equipe da UBS") foi marcada por 72,6% dos participantes de instituições públicas, enquanto a taxa nas faculdades privadas foi de 55,1%.


Pergunta do Enamed com segunda maior diferença de acertos entre alunos de cursos de medicina privados e públicos - Reprodução/Enamed
Questionada, a Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares) disse por nota que considera "prematuro fazer inferências sobre diferenças socioeconômicas entre estudantes de instituições públicas e particulares". Para a entidade, essa não é uma metodologia implementada no Enamed e não há informações para mensurar o ponto de partida de ingresso dos estudantes.

O MEC dividiu os cursos do Enamed em cinco níveis. Os que ficaram nas faixas 1 e 2 não conseguiram que 60% dos seus estudantes alcançassem a proficiência mínima na prova e foram consideradas de desempenho insuficiente. As instituições reguladas pela pasta, que são 99, podem sofrer sanções.

Entidades que representam instituições privadas tentaram barrar na Justiça a divulgação dos resultados e questionaram, sobretudo, cálculos sobre a nota de corte, embora a análise das questões mostre um quadro genérico de diferenças de desempenho.

Os resultados do Enamed colaboraram para que o MEC suspendesse, neste mês, o edital para a criação de novos cursos de medicina por instituições privadas.
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February 20, 8:38 AM
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IA: leia carta de associações que negociam uso de conteúdo

IA: leia carta de associações que negociam uso de conteúdo | Inovação Educacional | Scoop.it
Associações de meios de comunicação, música e direitos autorais divulgaram nesta quinta-feira (19) um comunicado enviado a empresas de tecnologia para defender o uso remunerado do conteúdo de seus membros no treinamento de modelos de inteligência artificial.

A carta conjunta afirma que o uso não autorizado pode comprometer o ecossistema de produção jornalística e artística, desestimular a criação intelectual e violar direitos autorais.

Encaminhada às empresas em dezembro, a nota é assinada por entidades como ANJ (Associação Nacional de Jornais), Abramus (Associação Brasileira de Música e Artes) e Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição).
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February 19, 8:14 AM
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Deaths of Despair and the Role of Religion

Deaths of Despair and the Role of Religion | Inovação Educacional | Scoop.it
Anne Case and Angus Deaton coined the term “deaths of despair” for deaths related to suicide, drug use, and alcohol poisoning in their influential 2015 paper. They argued that such deaths often share a context of hopelessness and indifference toward living. Deaths of despair have increased dramatically over the past couple of decades, and especially so for white men and women without a college degree. Recent trends have in fact been so severe that they led to reduced life expectancies in the United States for three consecutive years, in 2015, 2016, and 2017. This is the longest consecutive decline since World War I. Our recent paper at the Human Flourishing Program at Harvard, just published this month in JAMA Psychiatry, which also ran a podcast, explores the potential protective power of religious community in preventing such deaths of despair.
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February 19, 7:49 AM
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Kids Are in Crisis. Could Chatbot Therapy Help? - The New York Times

Kids Are in Crisis. Could Chatbot Therapy Help? - The New York Times | Inovação Educacional | Scoop.it
Ashland, Ohio, is a small rural city where Akron Children’s Hospital has one of its 46 pediatric clinics. Last winter, I met Kristin Seveigny, the clinic’s mental-health therapist, in her office there. The hospital hired her two years earlier, at a time when the pandemic had exacerbated a nationwide crisis in adolescent mental health. From 2007 to 2021, according to the Centers for Disease Control and Prevention, suicide deaths among 10-to-24-year-olds increased more than 60 percent. In 2023, the agency reported that 40 percent of high schoolers felt persistently sad or hopeless; one in five had serious thoughts of suicide, and one in 10 had attempted it. Currently, the agency estimates that nearly one in five children in the United States ages 3 to 17 has at some point been diagnosed with a mental- or behavioral-health condition. Among adolescents, one in five reports having unmet health care needs.
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February 19, 7:39 AM
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5 perguntas para Amanda Askell, filósofa e pesquisadora da Anthropic

5 perguntas para Amanda Askell, filósofa e pesquisadora da Anthropic | Inovação Educacional | Scoop.it
Responsável pela segurança e alinhamento da Anthropic, pesquisadora explica como a IA aprende ética, bom senso e limites — sem virar paternalista
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February 19, 7:36 AM
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MDS lança Portal de Educação Empreendedora com cursos gratuitos —

MDS lança Portal de Educação Empreendedora com cursos gratuitos — | Inovação Educacional | Scoop.it
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Nacional de Inclusão Socioeconômica do MDS e o objetivo é dar apoio, autonomia econômica e contribuir para a geração de renda, especialmente para pessoas que estão em situação de vulnerabilidade social. A ideia reforça a proposta do programa Acredita, que prevê ações de capacitação para estimular a inclusão produtiva. 

Para o secretário nacional de Inclusão Socioeconômica do MDS, Luiz Carlos Everton, o portal complementa as capacitações que o Programa Acredita já oferece, além de ampliar e facilitar o acesso a conteúdos fundamentais para empreendedores.  “É esse conjunto de ações que está mudando o perfil dos nossos, do Cadastro Único. A prova disso é que, no ano passado, 98% do saldo positivo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) foi de pessoas inscritas no Cadastro Único, o que mostra que essa política está funcionando”, destacou.
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February 19, 7:34 AM
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The ghost in the machine

The ghost in the machine | Inovação Educacional | Scoop.it
Still, I believe it is time we explore the limits of this technology with the same scientific rigor we apply to any other breakthrough. We must ask ourselves: Did an AI actually write this? I told the machine exactly what to say. It shaped my language into the required format, but it created no new ideas out of whole cloth. Would the reaction be different if I had called over an intern, explained my vision in detail and asked them to draft the letter? Some might call that lazy, but it certainly wouldn’t provoke the visceral offense that the “AI” label does.
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Educação: pesquisa avalia níveis de bem-estar, bullying e vitimização em escolas brasileiras

Educação: pesquisa avalia níveis de bem-estar, bullying e vitimização em escolas brasileiras | Inovação Educacional | Scoop.it
Todo mês de fevereiro, as escolas reabrem suas portas para o início de um novo ano letivo. A iminência da volta às aulas, contudo, ainda é sinal de sofrimento para alguns alunos, em especial adolescentes. Para estes, em vez de expectativa, o que retumba no peito é medo. Receio de mais um ano de sofrimento, bullying e trauma. E o silêncio ainda é, na maioria das vezes, a única forma de resistência, pois muitas vítimas não conseguem verbalizar para professores, gestores escolares e pais o que está se passando com eles.
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A universidade de Newman na era da IA: o futuro chegou sem diretrizes

A universidade de Newman na era da IA: o futuro chegou sem diretrizes | Inovação Educacional | Scoop.it
No século XIX, o cardeal John Henry Newman - beatificado em 2010 pelo Papa Bento XVI e canonizado pelo Papa Francisco em 2019 - definiu a universidade como um lugar para a comunicação e circulação do pensamento por meio do convívio pessoal, no qual o intelecto pode vagar e especular com segurança, onde a investigação é impulsionada, as descobertas são verificadas e aperfeiçoadas, e o erro é exposto pela colisão da mente com a mente e do conhecimento com o conhecimento (JH Newman, Esboços Históricos , vol. III, Basil Montagu Pickering, Piccadilly, Londres, 1873, p. 15-17). As universidades são instituições estratégicas na formação da cultura e agentes-chave nos processos de mudança socioeconômica. A maneira como docentes e discentes vêm se relacionando com a inteligência artificial (IA), portanto, constitui um tema de crescente relevância.

Ainda são tímidas as iniciativas de estabelecer princípios e diretrizes para o desenvolvimento e a adoção da IA nas universidades mundo afora. Observa-se a predominância de princípios generalistas de pouca eficácia prática, com foco no uso de IA generativa em trabalhos acadêmicos, ausência de estruturas de governança e canais de atendimento - do esclarecimento de dúvidas ao acolhimento de denúncias de mau uso da tecnologia. A maioria das universidades estrangeiras licencia soluções de IA oferecidas pelos líderes da indústria - OpenAI, Google e Microsoft - e recomenda, ou limita, o uso a essas soluções. Em geral, os comitês de ética estão desatualizados, embora sejam responsáveis por avaliar e aprovar pesquisas e projetos.

Nesse cenário, a governança de IA torna-se urgente para enfrentar a tensão entre aproveitar oportunidades e mitigar riscos éticos, de privacidade, de exclusão digital e de ameaças à criatividade e ao pensamento crítico. A Association of Pacific Rim Universities (APRU) - formada pela Universidade de Sidney, Austrália, e pela Universidade da Colúmbia Britânica, Canadá - destaca a necessidade de uma estrutura de governança facilitadora, construída sobre elementos como cultura, regras, acesso, familiaridade e confiança, reunidos sob o acrônimo CRAFT (“Generative AI in higher education: Current practices and ways forward”, Janeiro de 2025, Generative AI in higher education Current practices and ...).

A questão da segurança da informação, preocupação prioritária do mercado, é minimizada nas universidades. A Check Point Research (CPR), braço de Inteligência de Ameaças da Check Point Software, em seu “Relatório Global de Inteligência de Ameaças” referente a setembro de 2025, sinaliza que o setor de educação foi, mais uma vez, o mais visado globalmente, com uma média de 4.175 ataques semanais por instituição - embora com queda de 3% em relação a 2024.

Na pesquisa acadêmica, a IA tem se revelado um instrumento transformador, permitindo novas descobertas e redefinindo formas de colaboração interdisciplinar. Pesquisadores de três instituições acadêmicas dos EUA - George Mason University, University Drive e Montgomery College - investigaram 116 universidades americanas classificadas como intensivas em pesquisa, buscando orientações sobre o uso de IA generativa (IAG). Os resultados, publicados em março de 2025 (“Generative artificial intelligence in higher education: Evidence from an analysis of institutional policies and guidelines”) indicaram que: a) a maioria (73,63%) incentiva o uso de IAG, com muitas oferecendo orientações detalhadas para a adoção em sala de aula (48,41%); b) mais da metade (65,56%) forneceu exemplos de planos de aula; c) metade (58,50%) forneceu exemplos de currículo e atividades que auxiliaram os professores a integrar e aproveitar essas soluções em suas praticas de ensino; e ) mais da metade (60.52%) abordou a ética em ampla gama de tópicos, incluindo diversidade, equidade e inclusão.

Pesquisa global da UNESCO, de setembro de 2025, revelou que quase dois terços das instituições de ensino superior que abrigam uma Cátedra UNESCO ou uma Rede UNITWIN já possuem orientações sobre o uso de IA ou estão em processo de desenvolvê-las.

Embora quase metade dos professores utilize IA em suas atividades - incluindo planejamento de aula, apoio à correção de trabalhos, detecção de plágio e tarefas administrativas -, a maioria se sente insegura ou hesitante, em parte pelo limitado conhecimento da tecnologia e pelas implicações nos direitos humanos, na democracia e na justiça social. Um em cada quatro entrevistados relatou problemas éticos enfrentados em suas universidades, que vão desde dependência excessiva até questões de autoria e viés em pesquisas.

A adoção de políticas e diretrizes institucionais em IA ainda é restrita: 19% indicaram a existência de política formal, e 42% relataram o desenvolvimento de diretrizes - tendência observada em instituições públicas e privadas. Chama a atenção o fato de que 70% das instituições na Europa e nos EUA possuem ou estão desenvolvendo diretrizes, contra apenas 45% na América Latina e Caribe - número significativamente menor entre as universidades brasileiras.

Entre as dez melhores universidades do mundo, Harvard possui o framework de diretrizes mais completo. Destacam-se: a) proteção de dados confidenciais - não se deve inserir dados classificados como confidenciais em soluções de IA generativa de acesso público; dados de nível 2 e superiores só podem ser utilizados após avaliação e aprovação pelo escritório de Segurança da Informação e Privacidade de Dados de Harvard; b) revisão do conteúdo antes de publicar ou compartilhar - o autor é responsável por qualquer material que inclua conteudo gerado por IA; c) respeito às políticas acadêmicas e administrativas locais da escola ou unidade sobre o uso de IA generativa; d) clareza dos professores com os alunos sobre as políticas relativas aos usos permitidos de IA generativa em sala de aula e em trabalhos acadêmicos, sendo os alunos encorajados a solicitar esclarecimentos a seus professores; e) atenção a ataques de “phishing” - mensagens suspeitas devem ser denunciadas em phishing@harvard.edu; f) utilização exclusiva de soluções previamente aprovadas, com cláusulas de proteção contratuais; g) assistentes virtuais de IA não devem ser usados em reuniões, com exceção de soluções aprovadas e protegidas por contrato; h) ao considerar a aquisição de uma solução de IA generativa não disponível, ou em caso de dúvidas, recomenda-se contactar o suporte institucional - todas as soluções de fornecedores devem ser avaliadas quanto à riscos pelo escritório de Segurança da Informação e Privacidade de Dados de Harvard antes de serem adotadas em projetos da universidade.

No Brasil, as principais universidades demonstram pouca maturidade em relação ao tema, com processos ainda preliminares de elaboração e implementação de diretrizes de governança em IA. Algumas instituições já aprovaram ou discutem regras para integrar a IA generativa ao ensino e à pesquisa; em sua maioria, contudo, trata-se de diretrizes principiológicas, sem mecanismos ou instrumentos de controle efetivo.

Pesquisadores da Cátedra Oscar Sala do Instituto de Altos Estudos (IEA) da USP investigaram 69 universidades federais, 38 estaduais, 35 católicas e 16 particulares, em busca de normas, resoluções, guias, manuais e diretrizes para o uso da IA generativa em atividades acadêmicas. Do universo pesquisado, apenas sete instituições tinham elaborado algum tipo de documento: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e Centro Universitário SENAI Cimatec.

Entre as universidades brasileiras, a liderança cabe à UFMG, única instituição que já conta com diretrizes de uso da IA em todas as suas instâncias. Em 2024, foi criada a Comissão Permanente de Inteligência Artificial, desdobramento da comissão temporária constituída em novembro de 2023, que havia estabelecido recomendações iniciais para o uso da tecnologia. Formada por representantes de diferentes unidades acadêmicas, a Comissão tem como objetivo elaborar uma política de IA. Entre maio e julho de 2025, foi realizado o primeiro mapeamento sistemático sobre o uso da tecnologia na universidade. O Relatório “IA na UFMG: percepções da comunidade acadêmica” (IA na UFMG: percepções da comunidade acadêmica), entregue em setembro de 2025, detalha como a comunidade tem incorporado a IA às rotinas acadêmicas e administrativas, aponta tendências e lacunas que deverão orientar novas ações institucionais, e alerta que, embora a familiaridade com a IA generativa seja crescente, o uso ainda é desigual entre perfis e áreas de conhecimento.

Esse conjunto de iniciativas e os diversos fóruns de debates promovidos no âmbito da UFMG resultaram no documento “Recomendações para o Uso de Ferramentas de Inteligência Artificial nas Atividades Acadêmicas na UFMG”, com diretrizes específicas para o ensino, a pesquisa, a extensão e a administração. O documento ressalta a importância da capacitação em IA de docentes e corpo técnico.

Enquanto instituições como Harvard já operam com frameworks consolidados de governança de IA, a maioria das universidades brasileiras ainda carece de políticas institucionais efetivas - com a exceção da UFMG. Nesse contexto, recomenda-se às universidades a criação de comissões multidisciplinares para elaboração de políticas de governança de IA; o desenvolvimento de programas de formação continuada em letramento de IA para docentes e gestores; e a integração das diretrizes de IA aos projetos pedagógicos. A universidade do futuro será aquela que, sem perder sua essência, souber integrar a inteligência artificial à inteligência humana em favor de uma sociedade mais justa, plural e democrática.
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February 20, 2:22 PM
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Fundação Estudar cria Climate Fellow, programa voltado à formação de jovens para soluções climáticas

Fundação Estudar cria Climate Fellow, programa voltado à formação de jovens para soluções climáticas | Inovação Educacional | Scoop.it
A Fundação Estudar lança no dia 4 de fevereiro uma nova vertical do Programa Líderes Estudar, o Climate Fellow, dedicada à formação de jovens que atuam ou pretendem atuar em soluções para as mudanças climáticas. A iniciativa busca financiar estudos, formações e experiências práticas voltadas às emergências do clima e amplia o escopo histórico da instituição.
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February 20, 2:20 PM
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Instituto lança ferramenta para detecção de imagens e vídeos manipulados por IA

Instituto lança ferramenta para detecção de imagens e vídeos manipulados por IA | Inovação Educacional | Scoop.it
O Instituto da Hora lançou nessa quinta-feira (5) uma ferramenta de rastreio e detecção de imagens e vídeos manipulados por Inteligência Artificial. Chamado “HoraLab — Rastreabilidade Digital”, o sistema se baseia na matemática e na arquitetura de dados, sem utilizar nenhuma IA. O funcionamento do novo instrumento foi detalhado por Nina da Hora, cientista da computação e diretora do instituto, no Estúdio CBN.
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February 20, 1:06 PM
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Inteligência artificial já afeta empregos para estudantes na Irlanda, diz governo

Inteligência artificial já afeta empregos para estudantes na Irlanda, diz governo | Inovação Educacional | Scoop.it
O forte mercado de trabalho da Irlanda está relativamente mais exposto à IA do que a média das economias avançadas
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February 20, 8:52 AM
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Hospital usa realidade virtual para reabilitar pacientes

Hospital usa realidade virtual para reabilitar pacientes | Inovação Educacional | Scoop.it
Por meio da tecnologia, o paciente é "teletransportado" para uma realidade bem distante da vivida em um leito de hospital, reduzindo a ansiedade, a percepção de dor e aumentando a adesão aos exercícios propostos pelos fisioterapeutas.
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February 20, 8:41 AM
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Amazon supera Walmart e é maior empresa do mundo em vendas

Amazon supera Walmart e é maior empresa do mundo em vendas | Inovação Educacional | Scoop.it
A Amazon destronou oficialmente o Walmart do posto de maior empresa global em receita, um marco que atesta a escala massiva que o gigante do e-commerce e computação em nuvem alcançou desde seu humilde começo em 1994 como uma livraria online na garagem de Jeff Bezos na região de Seattle.

O Walmart, que foi a maior empresa em vendas por mais de uma década, reportou nesta quinta-feira (19) vendas de US$ 713,2 bilhões (R$ 3,72 tri) nos 12 meses encerrados em 31 de janeiro. A Amazon, que opera em um ano fiscal encerrado em dezembro, reportou no início deste mês vendas de US$ 717 bilhões (R$ 3,74 tri) em 2025.


Pessoas passando em frente a unidade da Amazon Go em Nova York - Spencer Platt - 28.jan.26/Getty Images via AFP
Bezos estudou cuidadosamente Sam Walton, fundador do Walmart, e adotou muitas de suas estratégias de negócios enquanto construía sua empresa. Na última década, a receita da Amazon cresceu em um ritmo quase dez vezes maior que a do Walmart, impulsionada pela migração dos gastos dos consumidores das lojas físicas para sites e pelo rápido crescimento de seu negócio de computação em nuvem, a AWS (Amazon Web Services).

Amazon e Walmart competem diretamente por consumidores. A Amazon é a maior varejista online, com site e aplicativos móveis atraindo 2,7 bilhões de visitas por mês. O Walmart é o maior varejista físico do mundo, com mais de 10 mil lojas e clubes de compras globalmente. Ambas as empresas geram a maior parte de sua receita nos EUA.

O Walmart está tendo mais sucesso no desenvolvimento de sua operação virtual do que a Amazon está tendo na criação do negócio de lojas físicas, apesar da aquisição do Whole Foods Market em 2017.

Mas a história da receita tem mais a ver com a dominância da Amazon em computação em nuvem, um negócio no qual o Walmart não compete. Sem a AWS, a receita da Amazon em 2025 teria sido de US$ 588 bilhões (R$ 3 tri). Portanto, sua ascensão se baseia em grande parte na importância dos data centers como infraestrutura crítica na era da IA.


"Esta é uma vitória vazia", disse Kirthi Kalyanam, diretor executivo do Retail Management Institute da Universidade de Santa Clara. "A Amazon não venceu o Walmart no jogo do varejo. Apenas os superou em receita ao lançar um novo negócio no qual o Walmart não opera."

Ser a maior empresa em receita representa principalmente escala e alcance ao consumidor, e não é necessariamente valorizado pelos investidores. Antes do Walmart, a Exxon Mobil e a General Motors tiveram essa distinção, que traz consigo maior escrutínio político e expectativas dos clientes. A Nvidia é a empresa mais valiosa do mundo, com uma capitalização de mercado de US$ 4,5 trilhões (R$ 23,5 tri), mais que o dobro da Amazon e mais de quatro vezes maior que a do Walmart.

Bezos, que ultrapassou pela primeira vez Bill Gates, cofundador da Microsoft, como a pessoa mais rica do mundo em 2017, atualmente ocupa a quarta posição entre os mais ricos, com ativos estimados em US$ 228 bilhões (R$ 1,1 tri) que estão em grande parte vinculados às suas participações em ações da Amazon, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index.
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February 20, 8:34 AM
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BNDES aprovou R$ 4,7 bilhões para IA no atual governo Lula

BNDES aprovou R$ 4,7 bilhões para IA no atual governo Lula | Inovação Educacional | Scoop.it
Deste total, R$ 3 bilhões foram para projetos intensivos em IA e o restante para iniciativas que continham a tecnologia em parte.

Entre os projetos intensivos em IA, o financiamento foi de R$ 1 bilhão para integradores e desenvolvedores, R$ 552 milhões para hardware e R$ 474 milhões para infraestrutura. Na parte de equity, o banco atuou via a subsidiária BNDESPAR.

O governo Lula tem apresentado o tema como uma prioridade. O presidente viajou à Índia para uma cúpula sobre IA.
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February 19, 7:51 AM
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Por que estamos lendo menos e entendendo menos, segundo estudos

Por que estamos lendo menos e entendendo menos, segundo estudos | Inovação Educacional | Scoop.it
Diversos indicadores mostram que os adultos também estão dedicando menos tempo à leitura, especialmente por prazer. Alguns exemplos:

Um amplo estudo sobre uso do tempo, com base em diários de mais de 236 mil americanos, revelou que a proporção de adultos que leem por prazer em um dia comum caiu de cerca de 28% em 2003 para apenas 16% em 2023 — uma queda de aproximadamente 40% em duas décadas.
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February 19, 7:48 AM
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3 formas comprovadas pela ciência para pegar no sono mais rápido

3 formas comprovadas pela ciência para pegar no sono mais rápido | Inovação Educacional | Scoop.it
Pare de usar telas uma hora antes de dormir, tanto para reduzir a exposição à luz azul quanto para desacelerar mentalmente.
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February 19, 7:38 AM
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Corrida pela IA coloca quem trabalha por conta própria na frente

Corrida pela IA coloca quem trabalha por conta própria na frente | Inovação Educacional | Scoop.it
Sem amarras corporativas, empreendedores solo adotam IA mais rápido, ganham produtividade e criam novos produtos e fontes de renda
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February 19, 7:34 AM
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Preserving learning in the age of AI shortcuts —

Preserving learning in the age of AI shortcuts — | Inovação Educacional | Scoop.it
In podcast, teachers talk about how they’re using technology to supercharge critical thinking rather than replace it 
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February 19, 7:33 AM
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AI tools that ease caregiver burnout

AI tools that ease caregiver burnout | Inovação Educacional | Scoop.it
How AI‑powered “smart home” technologies could improve safety and ease caregiver burden for people with Alzheimer’s and other types of dementia
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