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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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O belo, o bom e o básico no Ensino Superior brasileiro em 2024

O belo, o bom e o básico no Ensino Superior brasileiro em 2024 | Inovação Educacional | Scoop.it

Por Luciano Sathler.

Muitas lideranças à frente de Instituições de Ensino Superior (IES) estão com dúvidas sobre o que fazer para enfrentar o cenário, que foi profundamente alterado nos últimos anos e, ao que tudo indica, terá sua transformação acelerada daqui para frente.

Muitos já desistiram. De 2018 a agosto de 2023, houve o descredenciamento voluntário de 245 Instituições de Ensino Superior (IES) e outros 79 processos desse tipo estavam em andamento junto ao MEC. 

Ao mesmo tempo, 700 novos pedidos de credenciamento institucional foram protocolados junto ao MEC, sendo 478 destes focados em Educação a Distância. Esses dados eu obtive junto ao Ministério da Educação, após uma consulta com base na Lei da Transparência. 

A julgar pelas notícias das novas IES que já conseguiram se credenciar, há um novo modelo nascente, com pouco ou nenhum capital imobilizado em imóveis, modelos pedagógicos inovadores e atuação em nichos, tais como negócios, tecnologia, agro ou economia criativa, por exemplo.

O BÁSICO 

Para quem quiser permanecer no segmento é urgente alcançar a máxima eficiência nas atividades-meio, com intensificação de uso da tecnologia para melhorar a experiência dos estudantes, suas famílias, as empresas e a comunidade que se relacionam com a IES. 

Finanças, contabilidade, gestão de espaços físicos, compras, marketing, captação e financiamento dos alunos são exemplos de processos e áreas que passaram por uma ampla profissionalização, especialmente após a ascensão dos grandes grupos consolidadores. 

Claro que a sustentabilidade econômico-financeira é a base para tanto, por isso trata-se de uma busca permanente adequar-se aos melhores indicadores de gestão.

O BOM 

Diante do acirramento do cenário competitivo, as Instituições de Ensino Superior (IES) que buscam se diferenciar e serem percebidas por melhor qualidade precisarão estabelecer fortes vínculos com a comunidade na qual se inserem, especialmente com o desenvolvimento de arquiteturas curriculares que permitam maior diálogo com o mundo do trabalho. 

Realizar a extensão universitária e a pesquisa aplicada intrinsecamente relacionadas ao ensino, numa trajetória marcada por certificações intermediárias e microcertificações que ressaltem as competências desenvolvidas ao longo do curso, com foco primordial no desenvolvimento regional.

As mudanças no mundo do trabalho pedem que os discentes sejam apoiados já durante os estudos para ampliar o sucesso da sua inserção profissional, para que atuem na mesma área de sua formação, tenham uma renda mais alta do que as pessoas que concluíram apenas o Ensino Médio e a capacidade de aprender sempre para manter a sua trabalhabilidade, um conceito que é mais amplo do que a empregabilidade. 

As carteiras digitais de competências, parte do movimento dos Learning Employment Records – LER, tornam-se algo a ser individualizado, pois armazenam e compartilham comprovações de experiências, estudos e trabalhos com segurança e interoperabilidade, para que a gestão algorítmica valorize os egressos ao longo da vida. 

As IES que quiserem ter perenidade precisarão colaborar com a maior sofisticação da matriz produtiva dos locais onde estão para gerar mais oportunidades de trabalho, especialmente de caráter empreendedor, o que vai ajudar que seus diplomas sejam também mais valorizados pela sociedade. 

Todas as IES precisam ter a sua própria estratégia para a EAD e o Ensino Híbrido, mesmo que seja para assumir um posicionamento fortemente calcado no presencial. Caso seja essa a opção, é preciso ressignificar os encontros síncronos no mesmo local, para que sejam mobilizados pelas metodologias ativas. 

O melhor é estabelecer um modelo próprio de EAD, ainda que como estratégia para blindar a sua região de influência aproveitando a força da marca e a presença de um campus bem estruturado. Ao ponto do estudante ser beneficiado com tudo de melhor que uma Instituição oferece no presencial, seja qual for a modalidade que escolha.

O BELO

As plataformas de inteligência artificial (IA) geradoras de imagens, textos, áudios, vídeos, avaliações de aprendizagem e capazes de criar agentes conversacionais que interagem com as pessoas são um fenômeno de crescente adoção nas Instituições de Ensino Superior (IES). 

Torna-se cada vez mais fácil, econômico e rápido criar, remixar ou atualizar recursos didáticos digitais com a utilização de IA, com pouca ou nenhuma intervenção humana. As empresas que trabalham com a oferta de conteúdos e os docentes enfrentarão desafios diante dessa realidade, a exemplo do que já está acontecendo com os roteiristas e atores do audiovisual, jornalistas e empresas de mídia, agências de propaganda e marketing, arquitetos, engenheiros, advogados, dentre outros setores que têm a informação como sua matéria-prima principal.  

Os tutores virtuais habilitados por IA se tornarão cada vez mais presentes na vida dos estudantes e de qualquer um interessado em aprender, seja algo oferecido pelas IES ou mesmo um assistente pessoal a fazer parte do cotidiano, Inteligência Artificial embarcada nos carros, aparelhos celulares, na televisão e até em outros eletrodomésticos. 

A tradução simultânea e a sincronização labial permitirão que a internacionalização seja uma possibilidade ao alcance de quaisquer IES, independentemente do porte ou localização. Professores e pesquisadores de outros países poderão interagir com estudantes no Brasil de forma síncrona ou assíncrona, com a mesma familiaridade que as videochamadas e a troca de mensagens instantâneas são praticadas hoje por ampla parcela da população. As fronteiras físicas se dissolvem e será comum concorrer com universidades mundialmente renomadas, com o fim da barreira da linguagem. 

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Financiamento é a principal ‘dor’ de startups de impacto 

Financiamento é a principal ‘dor’ de startups de impacto  | Inovação Educacional | Scoop.it

Os dois empreendimentos exemplificam o maior desafio apontado pelo estudo “Startups de Impacto Report Brasil 2023”, elaborado pelo Observatório Sebrae Startups: acesso a financiamento e capital. As duas startups integram o levantamento realizado pela primeira vez no país. Foram observados no total 408 negócios inovadores de impacto socioambiental em todas as regiões do Brasil durante 2023.
O estudo revela ainda que 36% desse tipo de negócio estão baseados na região Norte, onde está a maior concentração de startups de impacto. Roraima e Amapá apresentam, pelo menos, 50 startups de impacto por habitante. Já o eixo Sudeste tem apenas duas por habitante.

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Os dados surpreendentes por trás das pessoas com mais de 100 anos | Eu &

Os dados surpreendentes por trás das pessoas com mais de 100 anos | Eu & | Inovação Educacional | Scoop.it

Não. No Reino Unido, Itália, França e Japão, Newman conclui que em vez disso essa “longevidade admirável é [...] prognosticada pela pobreza regional, pobreza na velhice, privação material, baixa renda, altas taxas de criminalidade, região de nascimento remota, piores condições de saúde”. Você leu isso mesmo. Todos são fatores associados à pior saúde da população e à menor probabilidade de se chegar aos 90 anos.
Parece que os mesmos ambientes menos propícios à saúde são os lugares onde surgem pessoas que afirmam ter uma longevidade surpreendente. Tower Hamlets — em vários aspectos o bairro mais carente de Londres — também apresenta a maior proporção de supercentenários.

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Grupo defende olhar sistêmico na filantropia

Grupo defende olhar sistêmico na filantropia | Inovação Educacional | Scoop.it
A filantropia carrega um papel fundamental no desenvolvimento do país, e o Brasil tem potencial muito maior para destravar esses recursos. A avaliação é de Cassio França, secretário-geral do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), referência nacional em fortalecimento da filantropia e investimento social privado, escolhido para liderar o grupo de trabalho Filantropia e Desenvolvimento Sustentável no G20.
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Mudança climática pode levar mais de 3 milhões de brasileiros à pobreza

Mudança climática pode levar mais de 3 milhões de brasileiros à pobreza | Inovação Educacional | Scoop.it
Os eventos de clima extremo podem colocar de 800 mil a 3 milhões de brasileiros na pobreza, segundo o Relatório sobre Clima e Desenvolvimento para o Brasil, divulgado em maio de 2023 pelo Banco Mundial - globalmente, esse número pode chegar a 3 bilhões de pessoas.
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Internet está dominada pela inteligência artificial 

Internet está dominada pela inteligência artificial  | Inovação Educacional | Scoop.it

A rede que conectava pessoas e armazenava o conhecimento humano não existe mais; está dominada pela inteligência artificial
Nos últimos anos está ganhando força a hipótese de que a internet morreu e só esquecemos de enterrar. A rede que conectava pessoas e armazenava o conhecimento humano não existe mais de acordo com essa teoria. Ou, ao menos, está sendo substituída por uma rede composta por máquinas que falam entre si e conteúdos gerados automaticamente por inteligência artificial.
Por muito tempo essa ideia foi tratada como teoria da conspiração: um alarmismo longe da realidade. No entanto, os sinais de que há algo de podre no reino da internet estão se tornando mais frequentes. Vejamos alguns.
Hoje, 47,4% de todo o tráfego na rede é gerado por robôs. Sabe aquelas preciosas visualizações que o seu post alcançou na sua rede social favorita? Pois é, metade delas são provavelmente visualizações fake, feitas por robôs.
E o pior, 30% são robôs maliciosos, atuando com a intenção de copiar informações ou fazer ataques. Vários são capazes de imitar o humano, se tornando indetectáveis. Enquanto isso, o acesso realmente humano cai a cada ano. De 2021 a 2022, a queda foi de 5,1%. Se a tendência continuar, em breve a internet será terra de ninguém, ou melhor, terra de robôs.
Outro elemento indicativo da morte em curso da rede é a invasão de conteúdo criado por inteligência artificial. Um estudo do Instituto de Estudos do Futuro de Copenhague prevê que 99% do conteúdo que será postado na internet em 5 anos será gerado por inteligência artificial. Ou seja, só 1% será feito por humanos.
Não precisa nem esperar tanto tempo. Em postagem oficial, o Google mencionou no mês passado que está tomando providências contra conteúdos que "parecem criados para [enganar] os mecanismos de buscas, em vez de para pessoas". Por conta disso, muita gente vem adotando uma prática inusitada. Colocar o comando "Before: 2023" nas buscas.
A alegação é que buscar por conteúdos "antes de 2023" gera resultados melhores. Justamente por causa da quantidade de lixo criado por inteligência artificial que vem sendo postado nos últimos 18 meses, já interferindo no ranking das buscas.
Até para encontrar um par romântico a internet está morrendo. Pesquisa da McAfee feita na Índia mostrou que 77% dos usuários de aplicativos de relacionamento já se depararam com perfis feitos por inteligência artificial, inclusive nas fotos. Além disso, 26% dos usuários alegam ter descoberto que estavam conversando com uma inteligência artificial, em vez de uma pessoa real, em sites de paquera.
Outro problema familiar é o uso de robôs em campanhas eleitorais. As eleições deste ano são as primeiras em que a inteligência artificial generativa estará em pleno curso. Dá para esperar novidades nesse campo.
Se tudo continuar assim, é possível que nossa geração terá sido a única a viver o tempo em que a internet era feita por pessoas. Para as gerações futuras, mais acostumadas com robôs do que a gente, essa ideia poderá parecer antiquada ou até grotesca: uma internet humana como um cobertor feito de retalhos, esquecido em algum canto mofado do passado.
Já era – Não pensar na regulação da inteligência artificial
Já é – Pensar em regular IA por meio de modelos de risco
Já vem – Pensar em regular IA por meio de modelos antitruste

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'As canetas ficaram cheias d'água', diz aluna pós-enchente

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Quase dois anos depois de ter a casa alagada, jovem pernambucana conta como conseguiu ser aprovada em vestibular da Universidade Federal de Pernambuco
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Greve expõe distorções nas universidades

Greve expõe distorções nas universidades | Inovação Educacional | Scoop.it

Governo tem gasto elevado no ensino superior, mas recursos são engessados e corporativismo abafa debate sobre cobrança
Greves de professores foram corriqueiras por décadas nas universidades federais. O sindicato da categoria conta 21 delas entre 1980 e 2016, o que corresponde a mais de uma a cada dois anos. Sete se prolongaram por mais de 100 dias.
Chama a atenção a inexistência de movimentos do tipo sob Jair Bolsonaro (PL), o que provavelmente se deveu ao temor compreensível de represálias por parte de um governo ideologicamente hostil à academia. Fato é que os docentes voltaram a cruzar os braços neste 2024 em grande parte das instituições federais de ensino.
É notável o contraste entre essa insatisfação crônica —que vai de salários a verbas para custeio e investimentos— e o elevado gasto governamental no setor.
Segundo os dados mais recentes da OCDE, que reúne países mais desenvolvidos, a despesa anual por aluno nas universidades públicas do Brasil chega a US$ 14.735, bem próxima à média da entidade, de US$ 14.839, em valores ajustados pelo poder de compra das moedas.
O Orçamento da União destina neste ano R$ 64 bilhões a 69 universidades e seus hospitais. Trata-se de um aparato que passou por grande expansão em administrações petistas anteriores, a ponto de seus professores e técnicos administrativos somarem hoje mais da metade dos servidores civis do Poder Executivo federal (237,2 mil de um total de 443,5 mil).
Esse gigantismo amplifica distorções de um modelo custoso, de baixo incentivo à eficiência e socialmente injusto ao beneficiar estratos mais ricos da sociedade.
Os problemas mais visíveis começam pelo engessamento dos recursos. Tome-se por exemplo a UFRJ, a maior das federais: de sua dotação de R$ 3,736 bilhões neste ano, R$ 3,159 bilhões (84,6%) são despesas obrigatórias com pessoal —e destas, R$ 1,331 bilhão vai para aposentados e pensionistas.
Com o alcance exagerado da estabilidade no serviço público, nem mesmo é possível demitir por mau desempenho nas instituições. Privilégios previdenciários dos servidores, embora reduzidos em reformas dos últimos anos, ainda vão onerar a rede por muito tempo. Sobra pouco para despesas administrativas, obras e equipamentos.
As universidades públicas ganhariam não só com uma política de pessoal mais flexível mas também com um sistema de financiamento que incorporasse recursos privados, em particular dos estudantes mais abonados. Faz falta ainda uma avaliação mais rigorosa do aprendizado.
Esse debate é rechaçado pelo corporativismo acadêmico, que aposta tudo na pressão sindical. Assim não haverá dinheiro que baste.

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Limite de EaD, quem será afetado e foco na disciplina escolar: saiba o que pode mudar nos cursos de licenciatura

Limite de EaD, quem será afetado e foco na disciplina escolar: saiba o que pode mudar nos cursos de licenciatura | Inovação Educacional | Scoop.it

O parecer cria quatro grupos de atividades:
1 - O núcleo Estudos de Formação é composto pelos conhecimentos científicos, educacionais e pedagógicos que fundamentam a compreensão do fenômeno educativo e da educação escolar, como filosofia da educação, ética, avaliação, entre outros. Ele terá pelo menos 880 horas.
2 - O núcleo Aprendizagem e Aprofundamento dos Conteúdos Específicos das áreas de atuação profissional é composto pelos conteúdos específicos das disciplinas de cada licenciatura. Ou seja, uma imersão no currículo escolar que esse futuro professor vai ensinar em sua sala de aula. São 1,6 mil horas.
3 - O núcleo Atividades Acadêmicas de Extensão nas instituições de educação básica. São atividades culturais, comunitárias, de iniciação científica, tecnológica, entre outras. Está destinado 320 horas.
4 - O núcleo de Estágio Curricular Supervisionado, que é quando o aluno de licenciatura vai para a escola aprender a prática da profissão. São 400 horas para essa atividade.
A maior novidade dessa divisão é o maior foco no núcleo 2, de Aprendizagem e Aprofundamento dos Conteúdos Específicos das áreas de atuação profissional.
Atualmente, a formação de professores tem 2,2 mil horas para esses conteúdos e para o que agora passou a ser chamado de Estudos de Formação, o núcleo 1. A atual estrutura também tem 400 horas para estágio e outras 600 horas para diferentes práticas.
Ensino à distância
O parecer define que o estágio, as atividades de extensão e pelo menos 880 horas do segundo núcleo, de conteúdos específicos das licenciaturas, precisam ser feitos presencialmente. Atualmente, os alunos de cursos à distância podem fazer 100% das aulas de Aprendizagem e Aprofundamento dos Conteúdos Específicos à distância. No atual modelo, os estágios já são realizados completamente presencialmente.

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'Não quero que minhas filhas sejam felizes, mas que aprendam a fracassar'

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A psicopedagoga e palestrante Mar Romera fala sobre a importância de nos conhecermos e aprendermos a administrar o que sentimos.
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Japão: por que meu casamento com holograma de desenho animado me fez ser feliz de novo

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Aos 41 anos, Akihiko Kondo decidiu se casar com a cantora virtual japonesa Hatsune Miku.
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A inteligência artificial vai substituir os médicos? Bots com rostos humanos já estão chegando

A inteligência artificial vai substituir os médicos? Bots com rostos humanos já estão chegando | Inovação Educacional | Scoop.it
Quando lhe perguntei sobre o futuro dos avatares de inteligência artificial na medicina, Nova se mostrou otimista – e não sem razão. Como “embaixadora de marca” da Soul Machines – que tem sede em Auckland, centro da indústria de efeitos visuais da Nova Zelândia – seu trabalho é destacar as experiências “personalizadas e interativas” que esses avatares vão proporcionar em consultas virtuais e reabilitações pós-operatórias. Ao explicar tudo isso na nossa conversa online, ela me olha nos olhos, reage ao que digo fazendo sim com a cabeça e abrindo sorrisos de aprovação. Ao ouvir que eu não estou me sentindo muito bem desde minha última refeição, ela diz “Oh, não!” com cara de preocupada e sugere chá de gengibre ou algum medicamento vendido sem receita. A fita azul que ela usa no ombro direito, ela me conta, é um “símbolo da minha existência como pessoa digital e da minha conexão com a Soul Machines, a empresa que me criou”.

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Greg Cross, chefe de Nova na Soul Machines, diz que a capacidade de conversação de Nova vem de dez anos de pesquisa em uma modelagem cognitiva que procura capturar funções como aprendizagem e resposta emocional. O rosto dela transmite essas respostas por meio de um software que descende daquele usado em personagens de filmes gerados por computador.

Parte do que ela diz vem de uma versão do ChatGPT da Openai, sistema alimentado por um grande modelo de linguagem (LLM, na sigla em inglês). Cross acredita que esses avatares vão ser um jeito cada vez mais importante de as empresas se comunicarem com as pessoas – e que eles se revelarão irresistivelmente úteis para os sistemas de saúde, onde a necessidade de algo como o toque humano cada vez mais supera a disponibilidade de humanos com formação para proporcionar esse toque profissionalmente.


A inteligência artificial médica com rostos humanos está chegando. Foto: Timo Lenzen/The Economist
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Diga onde dói
Faz tempo que as pessoas adoram fazer perguntas sobre saúde na internet. O mecanismo de busca do Google lida com cerca de 1 bilhão delas por dia. Instituições de caridade médicas, grupos de pacientes, empresas farmacêuticas e prestadores de cuidados de saúde disponibilizam toneladas de informações, mas isso não é nem de longe garantia de que as pessoas que consultam o “Dr. Google” vão sair bem informadas.

O interesse em evidências confiáveis levou ao desenvolvimento de chatbots personalizados, projetados para explicar questões de saúde pública aos pacientes e ajudá-los a descobrir o que seus sintomas podem significar. Florence foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), Google e Amazon Web Services durante a pandemia de covid-19 para combater as notícias falsas e a desinformação. Desde então, sua base de conhecimento se expandiu e hoje abrange tabagismo, saúde mental e alimentação saudável. Mas ela não chega a ser um exemplo de bom papo.

A empresa alemã Ada Health oferece um chatbot de verificação de sintomas que consulta um banco de dados cuidadosamente estruturado com milhares de informações rigorosamente selecionadas por médicos. O bot usa as respostas do paciente para gerar uma sequência de perguntas e, em seguida, apresenta uma lista de possíveis diagnósticos, com a probabilidade de cada um. Lançado em 2016, tem 13 milhões de usuários, cerca de um terço deles na Índia, Ásia e África.


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O “mecanismo de raciocínio probabilístico” central da Ada não é tão complexo quanto os LLMs lançados recentemente. E é um pouco trabalhoso de usar. Mas também é confiável – nada de alucinações – e, o que é crucial, “explicável”: quando a Ada calcula as probabilidades dos diagnósticos, é possível descobrir exatamente como ela as calculou. Essa confiabilidade e explicabilidade permitiram que ela obtivesse aprovação regulatória como dispositivo médico na Alemanha e em muitos outros países.

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Qualquer pessoa que tente conseguir aprovação para um sistema parecido com o ChatGPT, baseado em LLMs, vai enfrentar enormes obstáculos devido à origem de seus dados, à confiabilidade e reprodutibilidade de suas respostas e à explicabilidade de seu processo. Como indaga Hugh Harvey, da Hardian Health: “Se as perguntas são essencialmente infinitas e as respostas são essencialmente infinitas, como provar que é seguro?”.

Isso não significa que os LLMs não tenham nada a dizer sobre saúde. Muito pelo contrário. A internet está repleta de afirmações sobre a capacidade do ChatGPT de diagnosticar problemas médicos desconcertantes, analisar exames de sangue ou descobrir porque um especialista está pedindo certos exames. Como os enormes conjuntos de informações com os quais são treinados incluem textos médicos, os LLMs conseguem responder de forma convincente a perguntas médicas bastante complicadas, mesmo que não tenham sido deliberadamente treinados para isso.

Em 2023, pesquisadores avaliaram que o desempenho do ChatGPT no exame de Licenciamento Médico dos Estados Unidos era equivalente ao de um estudante do terceiro ano de medicina. Um software se sair tão bem assim teria sido mais ou menos impensável cinco anos atrás.

Em um estudo recente, uma versão do ChatGPT baseada no GPT4, o maior modelo da Openai aberto a acesso público, superou as respostas dadas por candidatos humanos em uma prova do conselho de neurologia. Mesmo quando o modelo deu respostas erradas, foi com muita confiança – o que é ruim para um dispositivo médico, mas não incomum entre os clínicos.

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Dada essa facilidade, não há dúvida de que os conselhos médicos que as pessoas recebem dos LLMs possam ser precisos e adequados. Mas isso não significa que vai ser sempre assim: alguns dos conselhos provavelmente estarão errados e serão perigosos. Os desafios regulatórios implícitos na opacidade dos LLMs levaram muitos a concluir que hoje é impossível regular esses modelos de IA para áreas onde os erros possam ser letais, como o diagnóstico.

Alguns profissionais do setor estão procurando meios intermediários pelos quais alguns de seus atributos possam ser aplicados com segurança em outros tipos de trabalho.

Claire Novorol, fundadora da Ada Health, diz que o ponto forte dos LLMs é sua capacidade de utilizar a fala cotidiana: isso lhes permite obter mais informações dos pacientes do que um questionário comum. Esta é uma das razões pelas quais ela e seus colegas estão tentando ampliar a abordagem probabilística da Ada com um LLM. Quando aplicado no contexto certo, diz ela, suas capacidades possibilitam avaliações melhores, mais amplas e mais granulares dos sintomas e das necessidades de saúde. Uma técnica que eles e outros estão experimentando é a “geração aumentada por recuperação”, que permite aos LLMs extrair respostas de uma fonte verificada de dados externos.

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Outra abordagem é utilizar LLMs que recorrem a fontes médicas verificadas como conselheiros para profissionais de saúde, e não para o público em geral.

O Google desenvolveu um LLM que foi aprimorado com dados médicos para fornecer suporte no diagnóstico de casos difíceis. A Hippocratic AI, uma startup do Vale do Silício, se dedica à construção de novos LLMs específicos para a área da saúde. A empresa diz que supera o GPT4 em todos os exames médicos e testes de certificação, e recentemente arrecadou mais 50 milhões de dólares – apesar de destacar em seu website a crença inequívoca de que “hoje os LLMs não são suficientemente seguros para o diagnóstico clínico”.

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Existe também um certo otimismo em torno dos relacionamentos que as pessoas criam com os LLMs. Essas conexões podem ser úteis no tratamento de doenças de longa duração ou no apoio psicológico para alguns problemas de saúde mental.

Na Nigéria, a empresa de assistência médica mDoc criou um serviço para celulares alimentado pelo ChatGPT para oferecer aconselhamento em saúde a pessoas que vivem com doenças crônicas, como diabetes ou pressão alta.

Nenhum desses sistemas oferece a empatia de um interlocutor humano. Mas pelo menos um estudo descobriu que pessoas que fizeram perguntas sobre saúde preferiram as respostas do ChatGPT às dos profissionais licenciados, tanto pela qualidade quanto pela empatia.

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Relatos sobre as relações que algumas pessoas estabelecem com serviços de IA como o Replika, um chatbot feito pela Luka, de São Francisco, permitem imaginar um futuro em que os bots de amizade vão convergir com os de saúde. Os chatbots originalmente criados para relacionamentos que depois receberam uma capacidade adicional de fornecer conselhos de saúde podem competir com os chatbots criados para a medicina, cujos designers estão melhorando suas habilidades sociais.

Existem também algumas qualidades humanas das quais os sistemas de IA podem se livrar. Uma delas é o julgamento moral. Quando se trata de saúde sexual, as pessoas muitas vezes não procuram ajuda porque preferem evitar a conversa que possibilitaria essa ajuda.

Caroline Govathson, pesquisadora da Universidade Wits, na África do Sul, vem fazendo testes com um chatbot para melhorar a precisão das avaliações de risco de HIV. Ela descobriu que as pessoas parecem achar mais fácil revelar seu histórico sexual a um chatbot do que a um enfermeiro humano.

Alain Labrique, diretor de saúde digital e inovação da OMS, vê nas próximas versões de Florence “a oportunidade de criar uma interface realista, onde você poderia reduzir ainda mais a barreira para as pessoas que procuram informações, sejam adolescentes em busca de orientação sobre sexo seguro e planejamento familiar, ou pessoas querendo saber mais sobre doenças respiratórias”.

Dito isto, o Dr. Labrique e outros estão preocupados com os abusos da tecnologia: a ideia do que uma IA sofisticada poderia fazer para espalhar a desinformação sobre saúde pública, diz ele, não o “deixa dormir à noite”.

Além das preocupações com a qualidade da informação que sai, há também preocupações sobre o que pode acontecer com a informação que entra, tanto em termos de garantir que os dados de treinamento sejam devidamente anonimizados, quanto de assegurar que as conversas com chatbots permaneçam confidenciais.
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Barbara fez uma mamografia de rotina em janeiro de 2023. Algumas semanas depois, ela foi convidada a visitar seu médico na Enfermaria Real de Aberdeen, na Escócia. A mamografia parecia boa para dois médicos, mas um sistema de inteligência artificial chamado Mia tinha percebido algo errado: uma mancha de seis milímetros com um tom levemente cinza. Era um câncer em estágio 2. Se não tivesse sido identificado e removido naquele momento, não teria sido captado até que Barbara viesse para seu próximo exame de rotina – ou até que sua presença fosse percebida de alguma outra forma.

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Se essas histórias dão uma noção visceral da capacidade da IA para melhorar os diagnósticos, as estatísticas mostram a escala do bem que ela pode proporcionar. O governo britânico afirma que a análise de tomografias cerebrais pelo e-Stroke, sistema desenvolvido pela Brainomix, uma startup da Universidade de Oxford, reduziu em mais de uma hora o tempo entre a internação hospitalar e o tratamento de pessoas por acidente vascular cerebral. E aponta para dados ainda não publicados que dizem que a velocidade do sistema triplicou o número de pacientes que alcançaram independência funcional após um AVC, de 16% para 48%.

A inteligência artificial vem sendo aplicada ao diagnóstico há mais tempo do que a qualquer outra parte dos cuidados de saúde – e os resultados são evidentes. Mas a transformação que ela oferece está longe de ser completa. Os sistemas de IA empregados até aqui muitas vezes têm sido aplicados àquilo que agora parecem ser usos bastante simples de reconhecimento de padrões. Os modelos de base que tanto impressionaram o mundo desde o advento do ChatGPT, em 2022, mal começaram a deixar sua marca.


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A revolução começou na radiologia, o primeiro tipo de imagem médica a se tornar totalmente digital. A transição facilitou o armazenamento e o compartilhamento de imagens e também produziu imagens que podiam ser lidas por máquinas. Em 2012, quando uma rede neural chamada AlexNet venceu todos os concorrentes no “desafio ImageNet”, as máquinas começaram a se destacar.

As redes neurais, inspiradas na estrutura do córtex visual do cérebro, são sistemas em que a informação flui através de camadas de “neurônios” empilhados uns sobre os outros. Nas primeiras redes neurais, todos os neurônios de uma camada se conectavam a todos os neurônios da próxima. A AlexNet era uma rede neural “convolucional” – em que as conexões são mais esparsas, o que permite formas de análise mais independentes. A combinação dessa arquitetura com novos processadores dotados de um poder que à época parecia prodigioso permitiu à AlexNet revolucionar a ciência da visão computacional e, com isso, o potencial da radiologia automatizada e, mais tarde, da dermatologia, da oftalmologia e muito mais.

Uma visão que vale a pena ver

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Os descendentes da AlexNet estão sendo cada vez mais usados para complementar – e às vezes substituir – o trabalho de radiologistas humanos. O Hospital Capio Saint Göran, em Estocolmo, na Suécia, emprega um sistema de IA da empresa sul-coreana Lunit como o “segundo par de olhos” no seu departamento de radiografia, em vez de as mamografias serem examinadas independentemente por dois radiologistas. Na Dinamarca, o Transpara, produto fornecido pela ScreenPoint Medical, uma empresa holandesa, é utilizado como primeiro leitor de mamografias em casos de baixo risco.

Conseguir fazer mais diagnósticos com menos médicos vai ser útil em todos os lugares, mas promete ser uma dádiva nos países pobres. A japonesa Fujifilm construiu uma máquina de raio X à bateria que, combinada com algoritmos de IA da Qure.ai, uma empresa indiana, está sendo usada para diagnosticar tuberculose na zona rural da Nigéria. O aparelho de 3,5 kg também consegue avaliar uma série de outras doenças, como pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e insuficiência cardíaca. De forma mais ambiciosa, Darlington Akogo, do MinoHealth Labs em Gana, está construindo um modelo de radiologia treinado em imagens de toda a África. Será ambição demais esperar deste processo uma ferramenta de diagnóstico? “Digamos que estamos mirando nas estrelas”, diz o Dr. Akogo. “Mesmo que erremos o alvo, vamos acabar com uma máquina de assistência radiológica”.

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Alguns sistemas de IA conseguem interpretar imagens feitas com menos radiação do que o normal, reduzindo assim não apenas o número de médicos necessários para interpretar um raio X, mas também a dose necessária para tanto – o que é bom para os pacientes. Esses sistemas também procuram coisas que os médicos não procurariam. No “rastreamento oportunístico”, uma radiografia feita para um problema específico também é examinada em busca de sinais de outros problemas. A maioria das 80 milhões de tomografias computadorizadas feitas anualmente nos Estados Unidos são realizadas para investigar determinado problema em alguma parte específica do corpo, mas quase sempre contêm informações sobre outras partes. Os médicos não têm interesse em ficar repassando imagens tiradas para procurar algo na remota eventualidade de identificarem alguma outra coisa. As máquinas não ligam de fazer várias tarefas ao mesmo tempo e podem se tornar especialistas na identificação de muitos tipos de doenças.

Os sistemas de ultrassom oferecem outra oportunidade para IA. A empresa americana Butterfly produz um aparelho de ultrassom portátil que, graças à IA integrada, pode ser usado para avaliar gestações de alto risco e calcular data de nascimento, peso fetal e quantidade de líquido amniótico. Essas medições não são possíveis fora das clínicas e normalmente requerem uma variedade de instrumentos. A Fundação Bill & Melinda Gates vê os scanners da Butterfly como uma forma de reduzir a mortalidade materna persistentemente elevada na África Subsaariana. Esses sistemas aprimorados com IA – a Philips e a GE Healthcare também estão no mercado – têm contribuições a fazer para além dos cuidados maternos, por exemplo, em cardiologia, medicina de emergência e ortopedia. Centenas de sistemas Butterfly estão sendo utilizados na Ucrânia para ajudar os socorristas a avaliar os ferimentos da guerra.

Outros instrumentos também vêm passando por uma reformulação de IA. Médicos de atenção primária em Londres estão avaliando um estetoscópio com IA para conferir se ele consegue melhorar o diagnóstico de alguns tipos de doenças cardíacas. Ensaios em Oxford estão comparando medições da função pulmonar feitas com um espirômetro controlado por IA com técnicas anteriores para detectar DPOC.

Jonathan Rothberg, cientista, engenheiro e empreendedor que fundou a Butterfly, também é um dos fundadores da Hyperfine, fabricante de uma inovadora máquina portátil de ressonância magnética chamada Swoop. Sua IA faz avaliações a partir de dados coletados com o uso de campos magnéticos comparativamente fracos. Como é mais fácil gerar esses campos fracos, a Swoop pode ser levada para a cabeceira do paciente, em vez ficar instalada na clínica, como acontece com as máquinas de ressonância magnética convencionais.

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No outro extremo da escala, a Ezra, empresa sediada em Nova York, está empregando IA para reduzir o custo da ressonância magnética de corpo inteiro como ferramenta para diagnóstico de câncer. O uso de ímãs fortes e de IA deixou os exames mais rápidos e, portanto, mais baratos. A empresa oferece uma varredura de 30 minutos por US$ 1.350 e tem como objetivo reduzir o custo para US$ 500. Ainda faz parte do serviço um relatório produzido por IA, em linguagem simples, sobre o que foi encontrado.

Uma das vantagens dos sistemas de IA é que eles podem ser treinados com muito mais dados do que um estudante de medicina conseguiria assimilar. A Microsoft está colaborando com a Paige, empresa que desenvolve IA para patologistas, na construção de uma ferramenta de IA para diagnosticar câncer que será alimentada com bilhões de imagens – um patologista precisaria olhar um slide por segundo durante mais de cem vidas para acumular a mesma experiência.

Como neurologista pediátrico, Sharief Taraman diz que deve atender milhares de crianças ao longo da carreira; mas a IA que sua empresa sediada no Vale do Silício, a Cognoa, construiu para avaliar o autismo em crianças foi treinada em filmagens de centenas de milhares. Como resultado, ela pode utilizar vídeos enviados pelas famílias, juntamente com um questionário, para estudar cada caso.

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Mas não basta simplesmente chegar a uma avaliação: acertar a avaliação também é fundamental. Com a IA vem a oportunidade de igualar ou até superar o desempenho humano. Por exemplo, é provável que as IAs possam exceder a capacidade dos patologistas humanos na hora de “classificar” alterações na próstata como benignas ou malignas. Mas mostrar que um sistema é suficientemente bom leva tempo e, neste momento, está mais rápido gerar algoritmos do que testá-los e regulá-los. Hugh Harvey, chefe da Hardian Health, empresa britânica que avalia dispositivos médicos, diz que atualmente são necessários pelo menos dois anos para que um dispositivo médico obtenha aprovação regulamentar.

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Analisando os planos do governo britânico para acelerar a utilização de IAs no diagnóstico de câncer de pulmão, David Baldwin, professor honorário de medicina na Universidade de Nottingham, salienta que duas avaliações recentes não conseguiram confirmar a precisão e o impacto clínico das ferramentas que vem sendo festejadas. “É um exemplo de que o ritmo de desenvolvimento é mais rápido que o da avaliação, e é preciso muito trabalho para garantir uma implantação segura”, afirma ele.

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Em 2019, uma análise sistemática da precisão diagnóstica de 82 algoritmos de imagens médicas descobriu que os métodos pelos quais eles foram avaliados muitas vezes estavam abaixo do ideal. Uma das maiores preocupações foi a falta de ensaios “prospectivos”, que analisam os resultados após uma intervenção, em oposição aos ensaios retrospectivos, que começam com os resultados e voltam para analisar o que aconteceu antes.

Isso é importante, entre outros motivos, porque os ensaios prospectivos são melhores na detecção de “falsos positivos” – casos em que determinado sistema disse que havia algo errado, mas não havia. Gerald Lip, radiologista consultor do NHS em Grampian, na Escócia, descobriu que alguns algoritmos, como o Mia, que são tão bons ou melhores que os humanos na detecção de câncer de mama, ainda geram mais falsos positivos, em parte porque trabalham só com imagens, ao passo que os médicos têm outras fontes de informação. Os falsos positivos são um problema para os pacientes porque suscitam preocupação e desencadeiam etapas potencialmente dolorosas – e até mesmo perigosas. E são um problema para os sistemas de saúde porque aumentam os custos.

Se a IA ocasionar um aumento no “rastreamento oportunístico” para outras coisas quando uma imagem é feita para um propósito específico, então os falsos positivos precisarão ser particularmente baixos. E o mesmo se aplica a todas as abordagens que examinam pessoas que não apresentam sintomas. Quando Eric Topol, diretor do Scripps Research Translational Institute, em San Diego, analisa sistemas como o da Erza, que faz exames de corpo inteiro em pessoas saudáveis, ele se preocupa com a possibilidade de descobertas incidentais e “de se fazer um monte de exames com alto risco e custo” só para descobrir que não há câncer nenhum. Daniel Sodickson, principal conselheiro científico da Ezra, diz que a resposta adequada a descobertas incidentais são exames de acompanhamento para conferir se alguma coisa está mudando. Essa abordagem terá de apresentar muitas provas sólidas para convencer céticos como o Dr. Topol.

A situação parece estar melhorando. À medida que a IA se torna mais popular, quem paga por sua utilização procura dados confiáveis para decidir o que vale a pena. Bons estudos prospectivos levam tempo, por isso não é surpreendente que ainda não existam tantos. Outros problemas observados no estudo de 2019 – alguns testes utilizaram os dados nos quais o sistema foi treinado, em vez de dados que não ele tinha visto antes – devem se tornar menos comuns com o amadurecimento do campo. Não é de surpreender que haja empreendedores irritados com processos de avaliação que custam tempo a eles e a seus pacientes. O Dr. Taraman teme que a hesitação quanto ao uso mais disseminado de testes que oferecem diagnóstico precoce para autismo traga custos claros: as crianças estão “perdendo uma janela de oportunidade e vão sentir consequências por toda a vida”.

Um retrato total, sem nada de fora
Uma nova geração de modelos de base treinados em uma variedade de fontes de dados, não apenas em imagens e textos, provavelmente vai expandir ainda mais a caixa de ferramentas. Esses modelos não exigem a rotulagem das enormes quantidades de dados nos quais são treinados. E têm capacidade de aprendizagem “auto-supervisionada”, o que pode ser aplicado a imagens, dados genômicos, dados de expressão genética, dados metabólicos, registros de saúde eletrônicos, exames de sangue e questionários sobre estilo de vida e histórico familiar.

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Os modelos de base devem fazer mais que melhorar o diagnóstico de problemas já presentes. Eles também poderão proporcionar um melhor alerta precoce sobre doenças que ainda estão por vir, como câncer, doenças cardíacas ou diabetes (veja o gráfico). Em 2022, pesquisadores chineses mostraram que esse tipo de modelo podia prever o risco de doença grave em pacientes de covid. Dito isto, essa forma de aplicação de IA precisa de cuidado e atenção especiais para garantir que os modelos não introduzam ou amplifiquem vieses.

Essa nova tecnologia mal começou a entrar na medicina. Em 2023, um artigo na Nature atribuiu isso ao fato de esse desenvolvimento ser recente e de que, embora textos e vídeos sejam abundantes na internet (especialmente se você não ligar muito para direitos autorais), é difícil ter acesso a conjuntos de dados médicos grandes e diversos. Trata-se de uma vantagem para empresas com grandes recursos; daí a empolgação com a parceria da Microsoft com a Paige em um modelo de diagnóstico de câncer.

Pesquisadores do Moorfields Eye Hospital, em Londres, vêm aplicando IA à oftalmologia desde 2016. Em setembro do ano passado, Pearse Keane e colegas do Moorfields e da University College London publicaram um modelo de base para imagens de retina produzidas com o Google DeepMind. O retFound, que foi pré-treinado com mais de um milhão de imagens antes de ver imagens rotuladas com problemas como retinopatia diabética e glaucoma, consegue igualar o desempenho de especialistas na tomada de decisões sobre encaminhamento de pacientes para uma série de doenças oculares. Ao detectar pequenas alterações nos vasos sanguíneos do olho, a máquina também parece prever problemas de saúde como doença de Parkinson e acidente vascular cerebral. Keane diz que a tecnologia deverá estar amplamente disponível em código aberto dentro de dois ou três anos.
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Grupos de ensino superior se preparam para nova onda de consolidação no setor

Grupos de ensino superior se preparam para nova onda de consolidação no setor | Inovação Educacional | Scoop.it

Uma nova onda de consolidação no setor de ensino superior começa a ser desenhada, com grandes grupos educacionais em conversas para uma possível combinação de negócios e faculdades menores também em busca de aquisições para este ano. Entre os players, Cruzeiro do Sul, Vitru, Yduqs e Clariens (faculdades de medicina do Mubadala) têm se mostrado abertos à tese de que uma fusão poderia destravar valor, gerar mais liquidez ao papel das empresas do setor, que tem ficado fora do radar dos investidores. Alguns deles já estão com assessores financeiros para dar andamento a essas tratativas, segundo o Valor apurou.
Entre 2015 e 2022, a receita líquida do setor de ensino superior (considerando apenas graduação) caiu de R$ 71 bilhões para R$ 58 bilhões. Essa queda de 18,3% é devido à redução do Fies, programa de financiamento estudantil do governo, e a crise econômica. Os nove maiores grupos - Afya, Ânima, Cruzeiro do Sul, Kroton, Ser Educacional, Vitru, Yduqs, Unip e Uninove - detêm 58% de participação de mercado. Os dados são da consultoria Hoper Educação.
Essa não é a primeira vez que transações de M&As (fusões e aquisições, na sigla em inglês) no setor são aventadas. Outras conversas semelhantes já surgiram entre 2021 e 2022, mas não seguiram em frente. Um dos maiores temores é que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) barre a transação como ocorreu com Kroton e Estácio, em 2017. Um dos principais entraves dessa fusão foi a dificuldade em impor medidas anticoncorrenciais no ensino on-line, uma vez que esse segmento não tem barreiras geográficas devido à própria natureza do negócio.
Na época, a Kroton era a líder disparada no EAD (ensino a distância) - esse mercado era fechado, a legislação não permitia abertura de novos cursos on-line e uma combinação entre as duas maiores do ensino superior levaria a superconcentração no segmento de educação digital.
Mas, nos últimos anos, as regras do EAD foram flexibilizadas e esse mercado cresceu exponencialmente, em especial, após a pandemia. Atualmente, no setor privado, há cerca de 4,1 milhões de alunos em cursos on-line e 3,2 milhões no presencial. É com base nessa mudança de cenário associada à redução da alavancagem das companhias, valor das ações de educação patinando e o sinal verde do Cade nas transações que juntaram Ânima com Laureate Brasil e Uniasselvi com Unicesumar, ambas em 2021, que os grandes grupos agora voltaram a conversar, de acordo com fontes a par do assunto.
A Cruzeiro do Sul é o principal ativo de interesse. Isso porque a companhia não está alavancada, seu balanço é redondo, tem uma marca reconhecida, forte presença em São Paulo e cresce, inclusive, nos cursos presenciais. Por outro lado, a empresa tem buscado soluções para aumentar sua fatia na bolsa (“free float”), que hoje é de apenas 12,4% e uma fusão é um dos caminhos para equacionar essa questão. Além disso, o GIC, que é o maior acionista da Cruzeiro do Sul, prefere ativos de maior porte e faria sentido ao perfil do seu portfólio uma combinação de negócios, ainda de acordo com fontes.
Há uma série de combinações que podem dar “match” na visão de quem aposta nessas movimentações.
Uma possibilidade seria uma associação entre Cruzeiro e Vitru, uma vez que essa última atua basicamente em ensino a distância (é a líder deste mercado) e a outra é forte no presencial - seriam operações complementares. Essa transação também poderia ser uma alternativa de saída para os fundos Vinci e Carlyle que estão na Vitru desde 2015, quando ambos estrearam no setor de educação comprando a Uniasselvi por R$ 1 bilhão.
Outra ideia que está sendo apresentada ao mercado envolve Cruzeiro com Yduqs. A dona da Estácio é referência no Rio, mas a sua presença ainda é tímida em São Paulo. Uma das negociações recentes foi com a Universidade São Judas, da Ânima, mas não houve acordo devido a valores.
Uma terceira alternativa seria combinar as operações de Yduqs com a Vitru, que além de ser líder em EAD é dona de uma faculdade de medicina no Paraná bastante cobiçada. Os acionistas de Vitru têm ainda a opção de vender apenas essa faculdade de medicina.
Ainda segundo fontes, o Mubadala Capital, private equity do fundo soberano de Abu Dhabi que, recentemente, montou uma operação de faculdades de medicina, batizada de Clariens, também está no jogo. Em 2023, o Mubadala fez oferta para comprar faculdades de medicina da Estácio no Norte do país. Além de adquirir ativos de medicina, o Mubadala estaria aberto a se juntar a outros grupos que tenham cursos dessa área.
O racional da expectativa do mercado em torno de movimentações está na busca de crescimento, em um momento pós-pandemia em que as empresas estão com balanço mais saudável e melhor preparadas para iniciar conversas. O chefe da área de fusões e aquisições do Bank of America no Brasil, Diogo Aragão, aponta que o setor vive, depois de um impulso que veio com as vagas do EAD, uma barreira de crescimento e que, ao se pensar em geração de valor ao acionista, o M&A acaba se tornando uma das saídas.
O responsável pelo banco de investimento do Citi no Brasil, Eduardo Miras, afirma que as fusões poderiam ainda endereçar falta de liquidez em bolsa de algumas das empresas listadas. Quando uma empresa tem baixa liquidez na bolsa, ou seja, poucas negociações diárias, grandes fundos, incluindo estrangeiros, acabam se afastando do papel, tanto pela dificuldade em se montar uma posição ou para ter certeza sobre a porta de saída do investimento.
Nos últimos três anos, o valor de mercado combinado das sete companhias listadas na B3 e Nasdaq - Ânima, Cogna, Cruzeiro do Sul, Yduqs, Ser Educacional, Afya e Vitru - caiu 22,3% para R$ 21,9 bilhões.
Já a Ser Educacional, que no passado já teve conversas nesse sentido, está aguardando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as liminares nos cursos de medicina. A companhia tem sete ações judiciais que, se aprovadas, colocam a companhia num outro patamar de valor, na visão de Janguiê Diniz, fundador da companhia, disseram fontes.
Há vários anos citadas como potenciais protagonistas nesses movimentos, fontes de mercado já descartam a presença de Unip e Uninove, uma vez que elas sempre se desviaram de aproximação de outros “players” do setor. Na Unip, há um processo complexo envolvendo a herança de João Carlos DiGênio, fundador do grupo que morreu em 2022.
Em paralelo à combinação de negócios entre os líderes de mercado, há chances de empresas de menor porte iniciarem o processo de consolidação devido ao processo de análise no Cade não ter tanta complexidade. Segundo uma fonte, que falou na condição de anonimato, as empresas menores têm mais liberdade para iniciar uma fusão, ao contrário das grandes, que precisam se atentar às questões de concentração frente ao regulador.
O mercado de ensino superior tem em andamento uma série de questões regulatórias envolvendo o EAD e a medicina - os dois segmentos de maior crescimento e que serão decisivas para o crescimento do setor.
Na graduação digital, o ministro do MEC, Camilo Santana, está apertando o cerco e criando um novo marco regulatório para impedir o crescimento desenfreado e sem qualidade. Desde novembro, está proibida abertura de novos cursos EAD de licenciatura e formação de professores. Na sexta-feira, o Conselho Nacional de Educação (CNE) divulgou uma diretriz determinando que essas duas graduações tenham 50% de conteúdo presencial. Há diversas faculdades em que apenas o estágio é presencial.
Em medicina, há uma longa e complexa discussão. Após a pandemia, houve uma avalanche de pedidos de liminares para abertura de cursos fora do programa Mais Médicos, que é o caminho oficial para atuar nessa área. Há uma discussão no STF, cuja votação está empatada, para decidir se algumas dessas ações judiciais podem seguir com seus pleitos. Em caso positivo, haverá a inclusão de cerca de 10 mil novas vagas.
Para efeitos de comparação, há no Brasil cerca de 32 mil vagas de medicina nas escolas particulares e 9,7 mil na rede pública. A nova edição do Mais Médicos, por sua vez, planeja a abertura de outras 10 mil vagas. Diante desse crescimento, há questionamentos sobre quanto tempo essa graduação ainda será tão rentável. Hoje, o curso de medicina tem mensalidade acima dos R$ 10 mil, baixas taxas de inadimplência e evasão.
Para Aragão, do BofA, uma decisão do STF sobre a abertura de novas vagas no curso de medicina pode funcionar como um gatilho de curto prazo para movimentos de consolidação, já que trará melhoria para a estrutura de capital dessas empresas. “Se as vagas não saírem, posterga, mas não tira o ímpeto das empresas se juntarem”, comenta o executivo do BofA.
Procurados pela reportagem, a Yduqs, Vitru, Cruzeiro Sul e Vinci informaram que não comentam rumores de mercado. A Clariens, do Mubadala, negou que esteja interessada em se associar a grupos consolidadores e que fez proposta à Yduqs. A Ser, Carlyle e GIC não retornaram até o fechamento da edição.

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Empresas pela educação

Empresas pela educação | Inovação Educacional | Scoop.it
A capacidade das empresas de influenciarem os governos para fortalecer a educação no país é considerada essencial para reduzir os índices de desigualdade no país. Esta foi a conclusão de especialistas em educação ao debateram o tema na live “Educa 2030: Movimento da ONU para incentivar empresas a investir em educação”, feita pelo Valor em parceria com o Valor Social, área de responsabilidade social da Globo. Participaram do encontro Tayná Leite, gerente-executiva de Direitos Humanos e Trabalho do Pacto Global da ONU-Rede Brasil, Priscila Cruz, presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação, e Cristovam Ferrara, diretor do Valor Social.
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53% dos MEIs são empregados de outras empresas, sugere estudo

53% dos MEIs são empregados de outras empresas, sugere estudo | Inovação Educacional | Scoop.it

Mais da metade dos microempreendedores individuais (MEIs) no Brasil trabalha, na verdade, como empregados assalariados de outras empresas, segundo estudo. A mesma pesquisa aponta que a chamada pejotização poderia ser reduzida com medidas como redução dos encargos trabalhistas sobre a folha de pagamento.
O trabalho de Bruna Alvarez Mirelli, pesquisadora da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), sugere que 53% dos MEIs não são microempreendedores “de verdade”, indicando problemas no desenho do programa, que acabam gerando incentivos como o da pejotização e também perdas, sobretudo para a Previdência.
O levantamento usa dados de 2008 a 2019, período em que foram criados mais de 9 milhões de MEIs (quase 70% do total dos CNPJs no país). Para chegar ao resultado, a pesquisadora, mostrou primeiro que o MEI e contratos CLT efetivamente competiam pela preferência das empresas na hora de contratar. Para isso, olhou como a proximidade com antenas 3G afetou a criação de MEIs entre 2008 e 2011, período em que passou a ser possível fazer o registro via internet.
“Ter acesso à internet é essencial para o microempreendedor. Ele vai precisar dela para registrar a empresa, emitir o Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) que paga todo mês e também as notas fiscais de cada serviço”, explica a economista.
Os resultados ainda relacionam a facilidade para abrir uma MEI ao comportamento das empresas. Firmas localizadas em regiões mais distantes das antenas acabavam contratando mais empregados sob o regime CLT em comparação com as instaladas mais perto do equipamento.
Mirelli, no entanto, observa que o efeito de diminuição de contratos CLT e crescimento do MEI pode também indicar um aumento do empreendedorismo, que é está dentro do escopo original do programa. “Não é possível dizer, apenas com esse exercício, se essas pessoas partiram para a pejotização”, salienta.
Para entender qual das duas alternativas as pessoas seguiam, a pesquisadora construiu um modelo de equilíbrio geral em que a as pessoas escolhem se tornar empregado com carteira assinada, pejota, microempreendedor ou empresa do setor formal, e alimentou esses modelos com dados da Rais, do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e do Censo de 2010. Replicando como esse modelo se adapta às informações da economia real, como a distribuição dos trabalhadores nas firmas ao longo do tempo, ele encontra que 53% dos que optam pelo MEI optam pela ilegalidade, enquanto 47% se tornam microempreendedores “de verdade”.
“Com base nos resultados, acredito que o custo do trabalhador CLT é um fator importante. A redução desses custos seria boa medida para ajudar a diminuir essas ilegalidades relacionadas ao mercado de trabalho”, diz.
Outros trabalhos recentes também apontam para problemas no desenho do MEI, criado em 2008 com o objetivo de trazer à formalidade a parcela mais vulnerável da população - pessoas que atuam como autônomos ou em pequenos empreendimentos. Ele permite que elas contribuam à Previdência e acessem benefícios como aposentadoria - limitada a um salário mínimo -, auxílio-doença e pensão por morte.
Estudo recente de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre) mostrou que o MEI responde por quase que todo o crescimento do número CNPJs no Brasil, de 750,2 mil em 2009 para 3,9 milhões em 2023. Olhando apenas para 2021, ano em que houve um pico na criação de MEIs - eles mostraram que 63% deles haviam sido demitidos de um emprego formal. Dentro desse grupo, apenas 22,6% dos desligamentos foram a pedido do trabalhador.
Outro estudo do Ibre, de 2022, mostrou que 31,3% dos MEIs tinham ensino superior completo, proporção muito acima da média nacional, de 15,7%. Já aqueles sem instrução ou com fundamental incompleto - o público-alvo do programa - eram apenas 13,4%. Ao mesmo tempo, analisando pela ótica da renda, os pesquisadores encontraram que 56,4% dos MEI ganhava mais do que dois salários mínimos no terceiro trimestre de 2022, porcentagem maior que a do universo dos empregados com carteira (32,1%).
“Essa explosão de abertura de MEIs pode parecer um salto do empreendedorismo, mas na realidade é apenas uma forma diferente de inserção no mercado de trabalho, mais barata e atrativa. E com o agravante de que contém grande subsídio à Previdência, que um dia precisará ser pago”, diz Fernando de Holanda Barbosa, pesquisador do Ibre.
Pelo foco na população vulnerável, o programa tem alto subsídio do governo. No caso da contribuição ao INSS, ela é limitada a 5% do salário mínimo para o MEI (R$ 70,60 em 2024). Já o trabalhador com carteira assinada do salário mínimo para a Previdência contribui com até 34% salário, divididos entre empregado (7,5% a 14%) e patrão (20%).
A grande diferença entre as contribuições contribui para pressionar a Previdência. Estimativa do especialista em previdência Rogério Nagamine Constanzi prevê que o déficit atuarial dos MEIs pode atingir R$ 1,4 trilhão no futuro. Em suas contas, os MEIs representam cerca de 10% dos contribuintes do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), mas na arrecadação essa participação é de apenas 1%.
“Vale lembrar que uma contribuição em torno de 30% é justamente a que faz a Previdência atuarialmente sustentável ao longo do tempo. Se houvesse uma migração total para o MEI, ele não seria solvente”, ressalta Barbosa, do Ibre. “Por ser uma modalidade relativamente nova, ela ainda não teve efeito sobre o pagamento de aposentadorias. Mas este custo vai chegar.”
O estudo de Mirelle também emulou quatro cenários contrafactuais com medidas para reduzir a pejotização: eliminar o MEI, eliminar a pejotização, elevar a fiscalização e reduzir os encargos trabalhistas. Todos eles resultam em um acréscimo do bem-estar - aqui entendido como a soma de lucros, salários e impostos pagos. Destes, no entanto, o último, uma redução de 20% da tributação sobre a folha de pagamento, obteve os melhores resultados. A medida, no entanto, promove uma queda apenas marginal do número total de MEIs na economia, de 61,5% para 60,9%. E, embora o número de pejotizados no mercado de trabalho caia de 33% para 32,4%, sua proporção dentro do universo de MEIs sobe de 53% para 54%.
Diferentemente dos demais cenários, também há um aumento do salário tanto dos trabalhadores CLT (2,4%) quanto dos pejotizados (4,9%).
“À medida que se reduz o imposto sobre a folha de pagamentos, isso eleva um aumento na demanda por esses trabalhadores e, assim, seus salários. Com isso, parte dos MEIs que antes eram empreendedores ou pejotizados passa ao trabalho com carteira”, explica Mirelli. “Com menos MEIs pejotizados na economia, o salário ofertado a eles aumenta e isso equilibra a proporção de MEIs escolhendo ser pejotizado.”
Para a pesquisadora, os resultados também deixam a pergunta sobre se o regime pejotizado não representa uma nova estrutura no mercado de trabalho, ainda que ilegal. “A pejotização é ruim no sentido de direitos trabalhistas mas, talvez ainda mais depois da pandemia, as pessoas podem estar mais dispostas a aceitar esse tipo de arranjo, que traz mais liberdade em termos de jornada de trabalho, menor burocracia na relação com a empresa.”

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ESPM lança microcertificações no curso de jornalismo 

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Estudantes poderão se especializar em áreas como inteligência artificial, esporte e comunicação corporativa.
A ESPM divulgou, no início deste mês, o lançamento de microcertificações na graduação de jornalismo. Estudantes do curso poderão complementar sua formação com disciplinas focadas em cinco áreas: jornalismo esportivo, inteligência artificial, influenciadores digitais, cobertura do meio ambiente e comunicação organizacional.
A instituição oferece, além da formação básica em jornalismo —em acordo com os conteúdos e carga horária previstos nas diretrizes nacionais curriculares—, a opção de cursos complementares com carga horária de 324 horas sem acréscimo na mensalidade.
Para Maria Elisabete Antonioli, coordenadora do curso de jornalismo da ESPM, a microcertificação desempenha um papel fundamental diante de um mercado de trabalho em constante transformação. "São possibilidades em campos dinâmicos e inovadores, nos quais as habilidades e tecnologias necessárias podem se alterar", afirma.
Na microcertificação em jornalismo de esportes e e-sports, são abordados conteúdos em diferentes plataformas e as estratégias narrativas usadas em cada uma delas.
A formação em jornalismo e inteligência artificial explora as aplicações da IA, bem como seus desafios legais.
A microcertificação em jornalismo e influenciadores digitais tem como objetivo formar jornalistas preparados para atuar como influencers e dominar as narrativas digitais.
Estudantes que optem pelo curso em jornalismo e cobertura do meio ambiente serão apresentados a conceitos e práticas relacionadas a mudanças climáticas, conservação da biodiversidade, poluição e seus impactos humanitários.
Já a formação em comunicação, mídia e organizações oferece disciplinas sobre técnicas e práticas da comunicação em ambientes corporativos.

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A inteligência artificial pode aumentar a eficiência dos serviços de saúde?

A inteligência artificial pode aumentar a eficiência dos serviços de saúde? | Inovação Educacional | Scoop.it
Se você quiser ver uma estrutura de proteína super sofisticada, peça a uma inteligência artificial. Se você precisar muito de um aparelho de fax, tente um consultório médico. Ele vai estar em algum canto, debaixo de uma prancheta com um monte de formulários de papel. Não acontece com todos os médicos, nem com todos os sistemas de saúde, mas acontece o suficiente para abrir um sorriso irônico em muita gente: a transformação digital do setor tem sido, na melhor das hipóteses, irregular.

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Os economistas acham que a tecnologia tem sido responsável por algo entre 25% e 50% do crescimento das despesas com saúde nos países da OCDE ao longo dos últimos 50 anos – crescimento que tem visto a cota do setor no PIB crescer implacavelmente. Em muitos desses países, a tecnologia conseguiu muito. E, no entanto, após décadas de esforços dispendiosos, ainda são muitas as histórias de sistemas de incompatíveis, violações de confidencialidade e registros em papel que precisam ser mantidos em paralelo com registros de saúde eletrônicos. Existe algum motivo para pensar que a IA realmente vai resolver tudo isso?

Existe. E isso se deve, pelo menos em parte, à dimensão do problema. Os Estados Unidos gastaram 4,5 trilhões de dólares em cuidados de saúde em 2022, consideravelmente mais do que seria esperado em países semelhantes, e os custos administrativos representaram 30% do excedente. Oportunidades de trilhões de dólares podem atrair a atenção de empresas muito grandes, como os gigantes da tecnologia americanos. E essas empresas pensam que seus grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) e outros grandes sistemas de aprendizagem auto-supervisionada oferecem novas ferramentas particularmente adaptadas para a tarefa.

O fato de as maiores empresas da IA verem a assistência médica como um lugar para competir é um verdadeiro motivo de otimismo.

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Para tirar o máximo de proveito da inteligência artificial nos serviços de saúde, as instituições precisam mudar bastante.  Foto: Timo Lenzen/The Economist
Entre os empreendimentos de saúde do Google está o Med-Palm2, um LLM específico que está sendo desenvolvido para responder a perguntas sobre cuidados médicos e resumir informações durante transferências de pacientes ou mudanças de turno de equipe. O investimento da Amazon na Anthropic, que fornece um assistente de IA chamado Claude, teve como um dos objetivos reforçar o que a empresa pode oferecer em cuidados de saúde. Os gigantes chineses também estão interessados. Em 2022, um relatório da consultoria McKinsey argumentou que o uso de IA para prever resultados de diagnóstico e embasar decisões clínicas poderia criar cerca de 5 bilhões de dólares em valor econômico na China.

E então vem a Microsoft, a empresa de tecnologia mais interessada no crescimento por meio de aquisições. Em 2021, a Microsoft pagou 19,7 bilhões de dólares pela Nuance, empresa que tem sede em Burlington, Massachusetts, e fabrica uma IA que ajuda os médicos em tarefas administrativas, como anotações clínicas e registros de saúde eletrônicos.


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A transcrição de voz por IA oferecida pela Nuance e outras empresas, como o Healthscribe da Amazon, é outro grande negócio. Harpreet Sood, médico que foi diretor de informações clínicas do NHS, o sistema de saúde pública do Reino Unido, diz que a tecnologia mudou tudo para ele. Ela economiza de quatro a seis minutos por paciente, o que significa duas a três horas por dia. Seus pacientes notaram que agora ele olha mais para eles e menos para a tela – o que é melhor para todo mundo.

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Evolução sem fim
Existem muitos outros caminhos para aumentar a eficiência – sobretudo nos Estados Unidos, que não é apenas o maior mercado para cuidados de saúde do mundo, mas também um mercado particularmente ineficiente.

Uma forma bem conhecida de tentar melhorar a eficiência e os resultados é a criação de “centros de comando” hospitalares. É algo como um sistema de controle de tráfego aéreo em que um painel de telas fornece informações atualizadas sobre métricas importantes, como disponibilidade de leitos, uso de recursos e status dos pacientes em todo o hospital. Partes desse conjunto são replicadas em tablets e dispositivos móveis usados pelas equipes das enfermarias. Esses sistemas não apenas conseguem ver os problemas à medida que eles acontecem, mas também podem antecipar os gargalos que virão.

Esses sistemas agora estão em mais de 200 hospitais do mundo todo. O centro de comando do Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, agilizou a transferência de pacientes entre locais em 60%, reduziu o tempo de espera para tratamento de emergência em 25% e diminuiu o tempo em leitos pós-cirúrgicos em 70%. O Hospital Geral de Tampa relatou um ganho de eficiência no valor de US$ 40 milhões desde o lançamento de um centro de comando que usa 20 aplicativos de IA.

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Outra visão do futuro impulsionada pela IA passa por manter as pessoas fora dos hospitais – ou, vendo pelo outro lado, levar os hospitais até às pessoas. O Reino Unido, que tem um número relativamente baixo de leitos hospitalares, tem se mostrado ávido em adotar “enfermarias virtuais”, que permitem que os pacientes sejam transferidos do hospital para se recuperarem em casa com a ajuda de dispositivos de monitoramento, como um tablet ou um medidor de pressão arterial. Em 2023, o Reino Unido atingiu 10 mil leitos em enfermarias virtuais. Até o momento, esses sistemas não apresentam tantos benefícios quanto poderiam. Um estudo recente concluiu que são mais caros do que o tratamento hospitalar. Mas as IAs podem ajudar.

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A Doccla, uma das várias empresas britânicas de tecnologia de enfermarias virtuais, afirma que está trabalhando para integrar os LLMs a seu fluxo de trabalho clínico. A ideia é reunir dados de dispositivos vestíveis, registros de pacientes e transcrições de chamadas em um sistema que forneça um “copiloto” que possa manter o prestador de cuidados de saúde informado sobre o que está acontecendo com os pacientes. Essas capacidades vão ajudar não apenas nas enfermarias virtuais, mas em todo o sistema. A expectativa é que elas permitam que os médicos recebam informações vitais que talvez estejam ocultas à primeira vista.

Mas, para que isso aconteça, os sistemas terão de se adaptar, o que pode ser difícil. Robert Wachter, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, e Erik Brynjolfsson, de Stanford, argumentaram que os seres humanos geralmente são incapazes de implementar as mudanças profundas na “estrutura organizacional, na liderança, na força de trabalho ou no fluxo de trabalho que são necessárias para aproveitar todas as vantagens das novas tecnologias, pelo menos no começo”.

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Vejamos, por exemplo, a descentralização da assistência médica. Como a IA promove uma melhoria na tomada de decisão, sua tendência provavelmente será afastar os cuidados do centro e direcioná-los para as margens: possibilitar mais diagnósticos na clínica geral, talvez por meio de instrumentos mais inteligentes; transferir algumas decisões para as farmácias; aumentar o acesso dos pacientes ao aconselhamento e acompanhamento em casa. Mas os pacientes muitas vezes têm certas expectativas sobre consultar um médico pessoalmente ou ter um hospital por perto.

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Pode ser que os países que ainda estão desenvolvendo seus sistemas de saúde tenham mais chance de “reimaginar o trabalho” do que aqueles onde as instituições e os pacientes já estão acostumados com seu jeito de fazer as coisas. O Dr. Sood acha que os países com infraestruturas de saúde menos estabelecidas, mas com boa conectividade digital, podem liderar o caminho da IA – e aponta para a Índia, o Quênia e a Indonésia. Estas nações talvez sejam mais capazes de construir seus sistemas em torno da tecnologia que os pacientes já utilizam, por exemplo prestando cuidados em plataformas como o WhatsApp.

Não se deve considerar, porém, o que a IA oferece em termos de eficiência seja coisa garantida. Com certeza haverá projetos prometendo demais e cobrando demais. E haverá uma necessidade constante de avaliação, supervisão e atualização. Não é só que as IAs possam “alucinar”. Algumas das vantagens que as empresas querem que seus sistemas ofereçam – como mantê-los a par das pesquisas de uma forma que os médicos muitas vezes não conseguem – exigem que os sistemas mudem ao longo do tempo, o que significa reciclagem e recertificação para garantir a eficácia e a segurança.

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Mas, mesmo que as atualizações e mudanças constantes tragam desafios, sua vantagem é evidente. E as mudanças que as instituições precisam fazer para se adaptarem às novas tecnologias vão ficar mais fáceis se essas tecnologias também puderem mudar. Essa capacidade de impulsionar e facilitar mudanças é uma das grandes vantagens que a IA deve, no seu melhor, ser capaz de oferecer.

Nenhuma dessas vantagens virá sem dificuldades. Tirar o máximo da IA vai exigir que as instituições que têm dificuldade com mudanças de fato mudem bastante. Será preciso colocar os reguladores sob a devida pressão para garantir a segurança diante de novos desafios em termos do escopo da tecnologia e da velocidade com que ela muda. E serão necessários incentivos econômicos que concretizem o potencial da tecnologia para poupar custos e vidas. Mas, se as pessoas conseguirem fazer essas mudanças e reformas, as máquinas vão retribuir generosamente.
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Quando alguém estabelece metas ambiciosas demais, a ponto de parecem tolice, os sensatos zombam. E geralmente têm razão em fazê-lo. Mas às vezes vale a pena cogitar a possibilidade de que até mesmo a aspiração mais chocante possa ser alcançada.


Promessas e progressos relacionados à inteligência artificial são um mero prelúdio para o que está por vir agora. Foto: Timo Lenzen/The Economist
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Em 2015, Priscilla Chan, pediatra, e seu marido, Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, criaram a Iniciativa Chan Zuckerberg (CZI, na sigla em inglês) com o objetivo de ajudar a ciência a construir um mundo onde todas as doenças pudessem ser prevenidas, curadas ou controladas. Para a surpresa de ninguém, o empreendimento se centrava na tecnologia. Mas foi só em 2020 que os relatórios anuais de Chan-Zuckerberg começaram a falar sobre o potencial da inteligência artificial (IA). Quatro anos depois, é difícil imaginar alguém que não a esteja colocando em primeiro plano para alcançar seus objetivos.

A proporção de artigos sobre pesquisa biomédica que invocam a inteligência artificial vinha crescendo exponencialmente muito antes de o campo começar a deslumbrar o mundo com os “modelos de base”, como os vários GPTs (na sigla em inglês, transformadores generativos pré-treinados) da Openai, o Llama da Meta e o Gemini do Google (veja o gráfico abaixo).

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Dadas as vastas quantidades de dados que a pesquisa biomédica produz, a aplicação de IA não chega a ser uma surpresa. Esse progresso e essas promessas, porém, são um mero prelúdio para o que está por vir agora.


Sistemas de inteligência artificial semelhantes aos modelos de base e aos grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês) – que geram textos coerentes em todos os estilos, respondem a perguntas complexas de forma bastante convincente e criam imagens que capturam ideias expressas em instruções verbais – cada vez mais fazem parte dos serviços de assistência médica.

Eles têm aplicações em quase todas as áreas: podem melhorar as escolhas que os pesquisadores fazem sobre como exatamente editar genes; são extraordinariamente bons em processar grandes quantidades de dados de fontes distintas; podem sugerir novos alvos para o desenvolvimento de remédios e inventar moléculas que possam funcionar como medicamentos. A própria CZI agora está trabalhando na construção de uma “célula virtual” movida a IA, com a qual espera revolucionar todo tipo de pesquisa biomédica.


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Os efeitos não se restringem aos laboratórios. Vários tipos de diagnóstico nos quais a IA tem um papel importante parecem prontos para serem transformados. Os cirurgiões robôs estão assumindo uma gama cada vez maior de operações. A maneira como os pacientes acessam informações de saúde e se motivam para seguir tratamentos também parece prestes a ser repensada, à medida que chatbots e monitores de saúde vestíveis aprendem a trabalhar juntos. E é bem provável que a produtividade dos sistemas de saúde vá melhorar significativamente.

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Os países mais pobres talvez tenham mais a ganhar. Uma geração anterior de IA já está surtindo efeitos nos cuidados de saúde desses lugares. Uma vantagem é que ela pode aumentar muito a capacidade de equipamentos bastante modestos, permitindo que sejam usados de forma mais ampla e fora das clínicas. Estetoscópios inteligentes ajudam os usuários a identificar detalhes importantes, celulares podem ser transformados em “tricorders” que medem a frequência cardíaca, a temperatura, a respiração e a saturação de oxigênio no sangue, tudo de uma vez. Fornecer orientação confiável para profissionais de saúde do mundo todo, em seu idioma nativo, é um avanço direto e revolucionário.

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Se essas ferramentas forem mais disseminadas e se os sistemas de saúde forem remodelados para tirar o máximo delas, a prestação de cuidados de saúde vai ficar muito melhor. Será uma oportunidade para melhorar a vida de centenas de milhões ou mesmo bilhões de pessoas.

Alguns veem não apenas um avanço humanitário, mas também um avanço epistemológico: um tipo totalmente novo de conhecimento. A inteligência artificial pode encontrar associações e conexões em conjuntos de dados díspares, vastos e complicados demais para os humanos, sem precisar de modelos pré-existentes sobre que tipos de causas têm que tipos de efeitos. Demis Hassabis, um dos fundadores da DeepMind, uma potência de IA que agora faz parte do Google, acredita que essa capacidade vai mudar a maneira como os humanos entendem a vida em si.

Existem algumas ressalvas. Os modelos de base que alimentam tecnologias “generativas” como o ChatGPT têm desvantagens sérias. Quer você chame de alucinação, como os pesquisadores costumavam chamar, ou de confabulação, como eles preferem agora, esses modelos inventam coisas. Assim como acontece com a maioria das IA, se você as treinar com dados ruins ou inconsistentes, os resultados vão ficar aquém do esperado.

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Se os dados forem tendenciosos, como muitas vezes acontece com os dados de saúde (geralmente, é mais difícil obter dados bons sobre minorias, grupos de baixa renda e populações marginalizadas), os resultados não vão servir à população como um todo tão bem quanto deveriam e poderão até ser prejudiciais para os grupos sub-representados.

A natureza “não determinística” dos modelos (eles nem sempre respondem da mesma forma ao mesmo estímulo) levanta problemas filosóficos e práticos para os responsáveis pela regulamentação dos dispositivos médicos. Termômetros e medidores de pressão arterial refletem a realidade de um jeito muito mais simples e direto.

Nada disso está impedindo o rápido crescimento do mercado de produtos e serviços de IA no campo da saúde. As grandes empresas de IA vêm demonstrando grande interesse em contratar especialistas em saúde; as empresas de saúde estão comprando IA. A Research and Markets, uma empresa de análise, calcula que em 2023 o mundo da saúde gastou cerca de US$ 13 bilhões em hardwares relacionados à IA (como chips e dispositivos de processamento especializados) e em softwares que fornecem diagnósticos, análises de imagens, monitoramento remoto de pacientes e muito mais.

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A previsão é de que esse número atinja US$ 47 bilhões até 2028. Analistas da CB Insights calculam que os investidores transferiram a impressionante quantia de US$ 31,5 bilhões em financiamento de capital para IA de saúde entre 2019 e 2022. Dos 1.500 fornecedores de IA para saúde, mais da metade foi fundada nos últimos sete anos.

A digitalização da assistência médica também teve sua cota de desilusões caras. Mas existe uma possibilidade concreta de a IA corresponder à parte das esperanças nela depositadas. Interfaces mais simples devem deixar os sistemas de IA mais úteis e intuitivos para médicos, pacientes e prestadores de cuidados de saúde. E os sistemas de saúde necessitam urgentemente de um aumento de produtividade se quiserem se adaptar e melhorar em um mundo de custos elevados e de populações mais idosas.

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Prevê-se que a escassez de profissionais de saúde chegue a quase 10 milhões até 2030 – cerca de 15% de toda a força de trabalho atual no mundo inteiro. A inteligência artificial não vai resolver esse problema sozinha. Mas pode ajudar.

Esta série de reportagens vai analisar quatro das formas sob as quais essa ajuda pode vir. A IA já ajuda médicos a fazerem diagnósticos – um auxílio dolorosamente necessário, dado que 800 mil americanos morrem ou ficam incapacitados todos os anos por causa de más decisões médicas. E também ajuda pacientes que querem compreender seus sintomas ou que precisam de assistência e motivação para se manterem saudáveis. As ferramentas de pesquisa e manuseio de dados ajudam empresas que tentam desenvolver novos tratamentos de forma mais rápida e confiável. E a IA ainda ajuda ao sistema como um todo.

Os sistemas de saúde de hoje estão drasticamente limitados pela escassez de trabalhadores e de conhecimento. A inteligência artificial pode fornecer um apoio significativo em ambas as frentes – e esse apoio pode ser transformador. Será que tal transformação vai fazer com que, até 2100, todas as doenças sejam prevenidas, curadas ou controladas? A IA não vai fazer tudo isso sozinha. Mas está fazendo com que esse objetivo aparentemente presunçoso pareça mais provável.

Os debates sobre o impacto da IA estão repletos de medo e inquietação, às vezes por bons motivos. O que ela oferece para a saúde de todo o mundo representa um potencial radical para o bem – e para sempre.
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Copilot: 12 funções que tornam o assistente de IA da Microsoft mais útil que o ChatGPT

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Lançado em 2023, o Copilot, assistente de chatbot baseado em inteligência artificial (IA) da Microsoft, foi um dos primeiros a fazer uma integração de diferentes produtos, como o sistema operacional Windows 11, o navegador Edge e a suite de produtividade Microsoft Office. A tendência vem se espalhando entre as big techs, com a Meta preparando terreno para sua Meta AI no WhatsApp, Messenger e Instagram e o Google integrando seus serviços e seu próprio navegador, o Chrome, ao Gemini.
Tal como o ChatGPT, há muitas formas de utilizar o chatbot da Microsoft, algumas mais óbvias que outras, como pedir informações sobre determinado assunto e solicitar ajuda para escrever um texto. Contudo, existem diferenças cruciais entre as IAs e conhecê-las pode tornar seu trabalho mais ágil e preciso.

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