Inovação Educacional
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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Educação a Distância, a necessidade de novas evidências de qualidade | ABED

Educação a Distância, a necessidade de novas evidências de qualidade | ABED | Inovação Educacional | Scoop.it

O Ensino Superior brasileiro passa por um momento de inflexão. Alguns dos fatores se destacam, tais como as mudanças no perfil dos estudantes, demandas inéditas da sociedade, profissões em mutação, criação de novas ocupações e famílias ocupacionais, além dos desafios trazidos pelas plataformas digitais de cursos que oferecem cursos massivos abertos online com novas arquiteturas curriculares e fortes conexões com o mundo do trabalho.
Para quem acredita e participa há muitos anos do movimento de ampliação da Educação a Distância (EAD) no país, como muitos de nós que estamos na Associação Brasileira de Educação a Distância – ABED, os embates públicos recentes na imprensa e as medidas tomadas pelo Ministério da Educação (MEC) em relação à modalidade parecem revelar certo paroxismo do Governo Federal ao tentar lidar com a complexidade crescente do Ensino Superior do país.
De um lado, a pressão gerada pela dívida histórica do não atendimento da demanda por mais matrículas e pessoas bem formadas.
Do outro, a avaliação de que muitos dos que se formam hoje no Ensino Superior presencial e EAD poderiam estar melhor preparados para o pleno desenvolvimento de seu potencial e para cooperar com os desafios da competividade trazidos pela Economia Digital.
Faz-se necessária uma ampla discussão nacional para enfrentar essa inflexão do setor, diante de um cenário em que os diplomas não necessariamente abrem mais as melhores portas de trabalho como antes, que o analfabetismo funcional se faz presente em muitas universidades — devido aos déficits de aprendizagem não resolvidos no Ensino Médio —, bem como a ociosidade crescente de vagas e a evasão muito elevada nas IES públicas e privadas.
Em 2022, 72% das novas matrículas em cursos de graduação nas IES particulares ou comunitárias nos país foram na EAD.
Em 2022, a população de matriculados na Graduação EaD chegou a 4.148.677 pessoas, enquanto o ensino presencial tinha 3.218.403 estudantes em cursos presenciais das IES particulares e comunitárias — vide o gráfico a seguir.
A necessidade de atualizar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes)
É preciso aperfeiçoar a avaliação do Ensino Superior brasileiro, pois apenas a promulgação dos atos regulatórios sem uma mudança nos processos de supervisão não é suficiente para garantir a melhor qualidade dos cursos.
Existem cursos de ótima qualidade sendo ofertados na EAD.
A experiência ensina que uma IES que é boa no ensino presencial costuma ser melhor ainda na modalidade a distância. A recíproca também é verdadeira.
Quem é ruim no ensino presencial tende a ser péssimo na educação a distância.
De acordo com o Tribunal de Contas da União — TCU, a verificação da qualidade dos cursos presenciais e a distância, bem como das Instituições de Ensino Superior, precisa de amplo aperfeiçoamento para realmente ser aferida de maneira mais confiável no Brasil.
Está assim escrito, com todas as letras, no Acórdão TCU 658 / 2023, de 05 de abril de 2023.
É altamente recomendável que os conselhos estaduais de educação e as diretorias regionais de ensino vinculadas às secretarias estaduais de educação possam participar da fiscalização das milhares de denúncias que o MEC recebe semanalmente. A estrutura atual do Ministério da Educação não permite a tempestividade necessária para verificar os casos alarmantes que surgem no cotidiano.
O Brasil é o único país de dimensões continentais e megapopulação que mantém um sistema centralizado de acreditação, financiamento e avaliação do Ensino Superior.
China, EUA, Índia e Rússia têm nas províncias ou estados um protagonismo maior, o que permite tratar perfis e vocações diferentes de Instituições de Ensino Superior de formas específicas e mais alinhadas às demandas do desenvolvimento regional sustentado.
Um dos destaques do TCU faz alusão à necessidade de incluir mais indicadores e evidências específicas dos cursos a distância no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), algo que a Associação Brasileira de Educação a Distância — ABED tem primazia em poder colaborar, com isenção e competência.
Ampliar a transparência e a participação cidadã no acompanhamento do Ensino Superior atende, dentre outros instrumentos legais, ao disposto no Decreto nº 11.529, de 16 de maio de 2023, que institui o Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal e a Política de Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal. Em seu Artigo 10º, Inciso III, diz que “A Política de Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal compreende a abertura de bases de dados produzidos, custodiados ou acumulados pela administração pública federal, para promover pesquisas, estudos, inovações, geração de negócios e participação da sociedade no acompanhamento e na melhoria de políticas e serviços públicos.”
Ao consultarmos as melhores práticas de avaliação de qualidade da EAD estabelecidas por diversos governos e entidades científicas pelo mundo afora, percebemos que a diferença entre ser uma instituição educacional ou uma empresa jornalística, uma editora, um museu ou uma biblioteca está no PROFESSOR e nas relações de ensino-aprendizagem estabelecidas entre seres humanos.
A equação a ser resolvida está entre atender a uma maior quantidade de discentes e aumentar a qualidade dos resultados educacionais mantendo-se a sustentabilidade. Dando maior protagonismo aos estudantes, docentes e corpo tutorial nesse processo.
Nesse sentido, apresentamos a seguir um conjunto de perguntas que podem nortear a implementação de novos indicadores que permitam aferir, em tempo real, evidências mais claras sobre a qualidade de cursos EaD, com a ampliação da participação direta de estudantes e professores, algo exequível de se implementar com várias das ferramentas tecnológicas hoje disponíveis.
INDICADORES DE QUALIDADE ESPECÍFICOS PARA A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, INCLUSIVE, CURSOS OU COMPONENTES CURRICULARES HÍBRIDOS
1 - Mediação
a) Quantos alunos são acompanhados por professor ou corpo tutorial?
b) Qual a carga horária atribuída por professor/tutor por estudante?
c) Qual o perfil e o papel do corpo tutorial?
d) Qual a carga horária síncrona (presencial ou a distância) e qual sua frequência?
e) Qual a qualidade da interação em termos de profundidade, abrangência e velocidade das respostas ou orientações aos discentes?
2 - Autoria
a) Qual a participação dos estudantes, docentes e corpo tutorial do curso na produção do material didático?
b) Qual o período e taxa de atualização do material didático?
c) Como a Inteligência Artificial foi incorporada na produção de material didático?
d) Quão digitalmente é enriquecido e interativo o material didático?
e) O material didático promove o protagonismo do estudante e a adoção de metodologias ativas?
3 - Personalização
a) Qual a tempestividade e a acurácia do suporte técnico e administrativo oferecido aos estudantes?
b) O ambiente virtual de aprendizagem e outros sistemas informatizados têm um design centrado no estudante?
c) Os estudantes têm acesso personalizado aos docentes, tutores humanos ou virtuais supervisionados por seres humanos, materiais didáticos e avaliações de aprendizagem?
4 - Egressos
a) Como incluir os estudantes e egressos para realizarem avaliações que sejam visibilizadas pela sociedade, sem intermediários, de sua experiência com a IES?
b) Quais são os progressos alcançados pelos egressos em termos pessoais e profissionais, nos 10 anos seguintes após concluírem seus cursos?
c) Quais as demandas sociais e econômicas priorizadas por região do país?
d) Quais cursos e perfis de egressos devem ser priorizados, por região, em políticas de fomento para a formação?
Todas essas perguntas podem gerar indicadores que precisam e podem ser aferidos cotidianamente, sendo visibilizados para a população em geral com a clareza que a Política Nacional de Dados Abertos determina para aumentar o fornecimento de informações e estatísticas sob o controle do Estado. Isso aumenta a transparência pública, o acesso do cidadão e incentiva o controle social.
Luciano Sathler é membro do Conselho de Ética e Qualidade da ABED (2023 até o presente), do Conselho Deliberativo do CNPq (2020 até o presente) e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais (2023 até o presente). Foi o primeiro pró-reitor de Educação a Distância do Brasil.

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Aluno apático: mais desafiador do que o "bagunceiro"

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Lutar para buscar a atenção de estudantes mais agitados é algo possível. No entanto, há pouco a se fazer para atrair interesse de quem odeia estar na escola.
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Educação tem ciência

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Políticas educacionais e as intervenções pedagógicas podem e devem ser baseadas em evidências científicas
Pense bem. Se o título deste artigo fosse “Saúde tem ciência” ou “Engenharia tem ciência”, por óbvio, ele provavelmente seria recusado pelo jornal. Mas com a educação não é assim. Geralmente, não se admite como pressuposto que as políticas educacionais e as intervenções pedagógicas podem e devem ser baseadas em evidências científicas. Essa concepção mal começa a tomar corpo em alguns países, e no mundo, com a criação pela Unesco da Aliança Global das Ciências da Aprendizagem para a Educação em 2023.
Trata-se de estimular cientistas de todas as áreas do conhecimento — pedagogia, linguística, economia, neurociência, ciências da computação e tantas outras — a inspirar-se em temáticas de repercussão educacional. É o que se chamaria de ecossistema de pesquisa translacional em educação, da ciência básica que estuda os mecanismos moleculares da memória até as práticas de sala de aula como reforço espaçado de conteúdos. Essa confluência necessária, no entanto, depende de iniciativas que articulem as ações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o Ministério da Educação. Editais que financiem pesquisas translacionais desse tipo poderiam ser articulados com bolsas especiais aos professores e gestores escolares que participem dos trabalhos. Tudo depende da criação de pontes (quem sabe um conselho interministerial) entre educação e ciência.
É a construção dessas pontes que almeja o Simpósio Educação Tem Ciência, que será promovido pela Rede Nacional de Ciência para a Educação em 8 de março. O evento faz parte da programação preliminar da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que pretende elaborar a Estratégia Nacional da área para os próximos dez anos. O simpósio será público, e dele surgirá um documento com sugestões para encaminhar aos dois ministérios envolvidos.
Alguns temas serão discutidos como exemplos. É o caso da relevância, comprovada pela ciência econômica, de investir na primeira infância para garantir melhores resultados na formação dos cidadãos do futuro. Também a necessidade de oferecer a aprendizagem inicial da relação entre fonemas e grafemas na alfabetização de crianças, baseada em estudos psicolinguísticos. Além disso, serão discutidas evidências de que as aulas de cada dia não devem se iniciar às 7h da manhã, pois nesse momento os alunos, principalmente os adolescentes, estão ainda semiadormecidos e inabilitados para uma aprendizagem produtiva. E, finalmente, estarão em pauta a inteligência artificial, os desafios e riscos que acompanharão sua adoção inevitável, se não pelos docentes, sem dúvida pelos próprios alunos.
Enfim, são infinitos os exemplos possíveis. O ponto crucial é que não há como fugir mais do fato estabelecido de que as políticas e práticas educacionais se tornam mais eficazes quando baseadas em evidências científicas. O Brasil não pode esperar mais o que o mundo já começa a realizar: colocar em sintonia e articulação as esferas de governo que tratam da ciência e as que tratam da educação. Isso não se restringe ao governo federal, mas também se aplica aos governos estaduais, quase todos providos de fundações de amparo à pesquisa e todos com secretarias de Educação estruturadas. O mesmo vale para os grandes municípios capazes de realizar ações conjuntas.
“Educação tem ciência” não é mais um mantra utópico de visionários. Tornou-se uma necessidade concreta do mundo real que se prepara para um futuro complexo. O futuro chega rápido, e os cidadãos devem ser capazes de lidar com ele utilizando as ferramentas da ciência e os caminhos da educação.
*Roberto Lent, professor emérito da UFRJ, é pesquisador do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino e coordenador da Rede Nacional de Ciência para a Educação

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'É libertador': as pessoas que abandonam redes sociais

'É libertador': as pessoas que abandonam redes sociais | Inovação Educacional | Scoop.it
Um número pequeno, mas crescente de pessoas está desistindo de Facebook, Twitter e Instagram.
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Dados do MEC revelam uma surpresa: o que está ocorrendo no ensino médio?

Dados do MEC revelam uma surpresa: o que está ocorrendo no ensino médio? | Inovação Educacional | Scoop.it

Na nossa interpretação, a quebra de tendência nessa etapa resultou da decisão de um número significativo de famílias de atrasar a entrada das crianças na etapa durante o ensino remoto. A quebra de tendência é revertida já em 2022, mas não deixa de ser preocupante: a defasagem idade-série é o maior previsor de abandono escolar, de modo que essas cicatrizes seguirão constituindo um risco ao longo de toda a trajetória escolar desses alunos.
Já no ensino médio (1ª a 3ª série), ainda outro padrão revelador: se, assim como nos anos finais do fundamental, as matrículas também apresentaram enorme quebra de tendência em 2020 e 2021, tal quebra não foi parcialmente revertida em 2022 e sofreu apenas ligeira correção em 2023 – quando a taxa de abandono seguiu surpreendentemente menor que em um ano típico antes da pandemia.
Neste caso, nossa análise traz mais perguntas do que respostas. Será que mais alunos permaneceram em função de uma escola capaz de produzir mais engajamento, com expansão do ensino em tempo integral e da educação profissional e técnica – ainda uma fração pequena das matrículas, mas em rápida aceleração pós-pandemia?
Ou será que a redução drástica da repetência, minimizada nos anos anteriores diante do contexto pandêmico, foi na verdade um alento para uma fração significativa dos alunos que, de outra forma, chegariam com defasagem de idade em relação à etapa – e, assim, permaneceram na escola?
Ainda, se o aumento da permanência no ensino médio parece ótima notícia, será que os jovens estão mesmo aprendendo – sobretudo diante das enormes perdas acumuladas durante o ensino remoto?
Responder isso segue urgente, por dois principais motivos. Primeiro, para que tenhamos chance de endereçar os desafios que põem em risco as oportunidades dessa geração de acessar o direito à educação em iguais condições que as demais.
Segundo, para que possamos, quem sabe, identificar oportunidades de melhor garantir esse direito para todas as gerações – como, por exemplo, a revisão do regime de progressão dos alunos, com vistas a minimizar trajetórias irregulares e seus efeitos perversos sobre o abandono escolar, sobretudo dos mais vulneráveis.

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Escolas gratuitas de elite: metade dos colégios mais bem equipados do país é da rede pública, mostra ferramenta do GLOBO

Escolas gratuitas de elite: metade dos colégios mais bem equipados do país é da rede pública, mostra ferramenta do GLOBO | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma ferramenta elaborada pelo GLOBO com base nos dados do Censo Escolar, divulgados na última quinta-feira, aponta que um grupo seleto de escolas públicas do país conta com o melhor disponível em termos de infraestrutura. Entre o 2% das escolas mais bem equipadas do país, metade são de colégios das redes federal, estaduais e municipais.
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Colégio Santa Cruz e FACDO participam do Dia da Associação Nacional de Educação Católica

Colégio Santa Cruz e FACDO participam do Dia da Associação Nacional de Educação Católica | Inovação Educacional | Scoop.it
O Dia ANEC Tocantins contou ainda com a presença do professor, Doutor Luciano Sathler, que palestrou sobre a Identidade e missão da Escola Católica: os desafios e possibilidades com o uso da Inteligência Artificial.
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MEC prorroga por 90 dias suspensão de 17 graduações na modalidade EAD

MEC prorroga por 90 dias suspensão de 17 graduações na modalidade EAD | Inovação Educacional | Scoop.it
Apesar de as entidades que representam instituições particulares concordarem que deve haver melhorias, elas cobram do MEC iniciativas que avaliem a qualidade dos cursos e medidas que atinjam apenas as instituições de baixo rendimento. A criação de uma agência reguladora é considerada uma solução pelos dois lados, mas ainda é preciso discutir como se dará a atuação da autarquia.
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Quão próximo estamos do cenário ideal em educação?

Quão próximo estamos do cenário ideal em educação? | Inovação Educacional | Scoop.it

É no ensino fundamental que os gargalos na trajetória começam a ficar mais evidentes. Esta etapa é a mais longa da educação básica, concentrando mais de 26 milhões de estudantes, sendo mais de 80% na rede pública. O número de matrículas em tempo integral vem crescendo, tendo alcançado 16,5% no último ano. Este crescimento é positivo para viabilizar uma educação mais completa, mas ainda está aquém do esperado e extremamente desigual entre os estados.
Nesta etapa, muitos estudantes começam a ficar para trás. Devido a reprovações, já no 6º ano 16% dos estudantes não estão na idade certa para sua série. O atraso escolar traz diversos prejuízos para os estudantes, diminuindo o interesse pela escola e aumentando o abandono. Além disso, as desigualdades são alarmantes: a distorção idade-série é duas vezes maior entre estudantes pretos e pardos em relação a estudantes brancos.
Assim, muitos dos que chegam ao ensino médio estão atrasados. O Censo mostrou importantes avanços nas matrículas no ensino profissionalizante e integral, mas as taxas de reprovação e abandono seguem altas e desiguais. Os avanços precisam ser celebrados, mas um foco para combater desigualdades será imprescindível para que todos os estudantes possam vivenciar uma trajetória educacional regular.

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Robô no chão de fábrica

Robô no chão de fábrica | Inovação Educacional | Scoop.it
Microsoft, OpenAI e Nvidia estão entre os investidores que apoiaram uma startup do Vale do Silício que tem como objetivo colocar robôs humanoides movidos por inteligência artificial (IA) no chão de fábrica e transformar o mercado de trabalho mundial, informou o “Financial Times”. Nesta quinta-feira a Figure AI anunciou que levantou US$ 675 milhões de algumas das principais empresas de IA do mundo em uma nova rodada de financiamento que a avaliou em US$ 2,6 bilhões. A empresa planeja usar o capital para ampliar seu treinamento de IA, para manufatura de robôs e para contratar mais engenheiros. A startup fechou um acordo com a OpenAI para desenvolver “modelos de inteligência artificial de próxima geração para robôs humanoides” e assinou um acordo de infraestrutura de IA com a Microsoft. A Figure AI diz que seus robôs humanoides, capazes de realizar tarefas como colocar caixas sobre uma esteira transportadora, poderiam amenizar a escassez de mão de obra e ocupar até 10 milhões de postos de trabalho “indesejáveis ou inseguros” só nos Estados Unidos. Até 2030, o setor manufatureiro dos EUA terá 2,1 milhões de vagas de emprego não preenchidas, segundo um estudo de 2021 da Deloitte.
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Centro de pesquisa em ecologia quer ter voz em política pública

Centro de pesquisa em ecologia quer ter voz em política pública | Inovação Educacional | Scoop.it

O Instituto Serrapilheira, organização de incentivo à ciência no Brasil, apresentou na última semana, no Rio, o projeto-piloto de um centro de pesquisa em ecologia. Além de abrir novas frentes de pesquisa, a iniciativa busca influenciar políticas públicas e posicionar o país como líder no debate global sobre biodiversidade e manejo de florestas.
A expectativa é que o grupo possa contribuir com as diretrizes que o Brasil vai levar à COP16 de biodiversidade, na Colômbia, entre 21 de outubro e 1º de novembro de 2024. “Temos uma agenda concreta para apresentar este ano na COP16 e precisamos de um trabalho enxuto, com propostas que os pesquisadores da área gostariam que fossem adiante”, afirmou Bráulio Dias, diretor de conservação e uso sustentável da biodiversidade no Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
A COP16 ocorrerá dois anos após o acordo histórico da cúpula do Canadá, em que os países se comprometeram a conservar 30% dos solos e oceanos do planeta até 2030. A cúpula antecede a conferência do clima da ONU (COP29), em novembro, no Azerbaijão.
“Estamos trabalhando para ajudar a inserir a biodiversidade na agenda climática, no desenvolvimento econômico, no uso da terra e da água”, disse Gabriella Seiler, que lidera a criação do novo centro de ecologia do Instituto Serrapilheira. “É um tema estratégico para o Brasil e vamos fazer a ponte entre cientistas e gestão pública para fechar uma lacuna existente que limita avanços.”
O centro de referência, que reúne 13 cientistas brasileiros, deve ser lançado oficialmente neste ano. A sede será no Rio de Janeiro, com hubs em outras regiões para integrar pesquisadores em todo o país. “Há muita pesquisa sobre ecologia tropical e biodiversidade no Brasil, mas não há uma estrutura que una e integre pesquisadores”, afirmou o diretor-presidente do Serrapilheira, Hugo Aguilaniu.
Em evento fechado na terça-feira (20), os cientistas do centro apresentaram projetos para representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), Ministério da Fazenda e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
A secretária nacional de mudança do clima do MMA, Ana Toni, também provocou os pesquisadores. A pasta ajuda a coordenar toda a interface da política climática brasileira, com participação em conferências do clima (COPs) e preparação para o Brasil sediar a COP30 em Belém, em 2025.
“Estamos interessados em modelos que possam servir de referência para outros no mundo. Queremos abordar biodiversidade e florestas na COP30 e seria interessante um minigrupo de trabalho [do centro de pesquisa] para propor diretrizes”, disse Toni..
O centro de pesquisa já elencou eixos prioritários e começou a desenvolver uma ferramenta de monitoramento para restauração das florestas amazônicas. “Trata-se de um modelo ambicioso de como transformar o arco do desmatamento em arco de restauração”, explicou Marina Hirota, professora associada do Departamento de Física da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que faz parte do grupo à frente do modelo.
Hirota é uma das pesquisadoras que publicaram na revista “Nature” artigo sobre o ponto de não retorno da Amazônia. O estudo mostra que, até 2050, de 10% a 47% da floresta estará comprometida. Para manter a vegetação em pé, os esforços incluem restauração. É neste eixo que o modelo integrado do centro de pesquisa se debruça - e em como restaurar com eficiência para ganho de escala.
“O futuro será mais quente, com secas intensas e frequentes. Temos que considerar espécies [de vegetação] que tolerem esse cenário e sejam resilientes. Após anos de ciência pesada e de estudos, temos informação de ponta para quase 6 mil espécies de árvores, um conhecimento que pode guiar quais serão plantadas”, disse Adriane Esquivel Muelbert, professora da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, que integra o projeto.
A ferramenta será constantemente atualizada com imagens de satélite para o acompanhamento de restaurações nas áreas de interesse. A ferramenta deve ser aberta e para uso público, mas ainda está em estágios iniciais e deve ser refinada no próximo semestre.
Rafael Dubeux, chefe da assessoria especial do ministro da Fazenda, ressaltou que a aproximação com cientistas pode contribuir para os eixos de adensamento tecnológico e bioeconomia que compõem o plano para a transformação ecológica do governo federal. “Temos o desafio de converter a produção científica em produtos e serviços novos, e parte da política que precisamos desenhar deve integrar esses pontos”, disse.
Na avaliação de Kabil Kadri, superintendente da área de meio ambiente do BNDES, não há como chegar à transição energética e à redução de emissões de gases do efeito estufa abrindo mão do potencial de florestas nativas. “Com essa agenda, é comprovadamente possível solucionar questões econômicas, ambientais e sociais de uma só vez.”

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‘Sou compulsiva’, diz chef Morena Leite; livros, eventos e relatos buscam desfazer mitos sobre distúrbios alimentares

‘Sou compulsiva’, diz chef Morena Leite; livros, eventos e relatos buscam desfazer mitos sobre distúrbios alimentares | Inovação Educacional | Scoop.it

O mais preocupante, na visão dos especialistas, é a ampliação da faixa etária de incidência. Um estudo publicado em fevereiro de 2023 na revista “Jama”, da Associação Médica Americana, que inclui dados de mais de 63 mil participantes nos cinco continentes, aponta que 22,4% de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos apresentam condições como anorexia, compulsão alimentar e bulimia ou uma combinação delas.
No Brasil, segundo as estatísticas, a anorexia incide sobre 0,5% a 07% da população, a bulimia se manifesta em 1% a 1,5%, e a compulsão, o transtorno mais comum, atinge entre 2% a 3,5% dos habitantes, conforme o tipo de estudo.
O fato de 90% dos distúrbios alimentares acometerem mulheres é inseparável do papel social que elas representam. A avaliação é do psiquiatra Táki Cordás, professor de pós-graduação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenador do Programa de Tratamento de Transtornos Alimentares (Ambulim), realizado pelo SUS no Hospital das Clínicas.
“Há fatores importantes como o subemprego, a violência, o abuso físico e psicológico, a gravidez precoce, a pobreza e até condições precárias de saneamento básico e moradia”, diz. Fora isso, também há fatores genéticos e hormonais: “A mulher tem duas vezes e meia mais depressão do que o homem e duas a três vezes mais pânico. Oitenta por cento das pessoas que têm transtornos alimentares têm depressão ou outros transtornos associados”.
A mudança da faixa etária nos últimos anos também chama atenção: “Antes o mais comum eram pessoas de 17 a 40 anos. Hoje a mulher de 40 está na academia malhando e a questão do peso e do corpo se estende até os 70. Ao mesmo tempo, a hipersexualização precoce aumenta o risco de qualquer transtorno psiquiátrico”.

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Poucos líderes estão preparados para os desafios da gestão de pessoas, diz pesquisa

Poucos líderes estão preparados para os desafios da gestão de pessoas, diz pesquisa | Inovação Educacional | Scoop.it

“Tem o que a empresa quer, o que o sindicato quer e, agora, tem o que as pessoas querem. Portanto, não basta mais o RH implantar algo de forma direcional na empresa”, afirma. “Tem que fazer uma leitura muito criteriosa, porque a cultura não vai ser mais única e os valores não vão ser mais um conjunto. É preciso decodificar ansiedades e expectativas para que a empresa possa responder. Tentar reunir interesses legítimos individuais e tornar isso uma forma harmoniosa de trabalhar em grupo é um grande desafio”.
Nesse sentido, Aere traça um paralelo com a questão dos benefícios oferecidos pelas empresas aos funcionários: “No passado, o benefício era algo muito mais padronizado. Hoje em dia, as pessoas já querem os seus benefícios de maneira mais individualizada. Por isso, é preciso sensibilidade para as pessoas de recursos humanos, além de capacidade de negociar”, define.

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Suplemento ao DigCompEDU sobre IA na Educação | AI Pioneers

Suplemento ao DigCompEDU sobre IA na Educação | AI Pioneers | Inovação Educacional | Scoop.it

O projeto europeu Pioneiros da IA na Educação e Formação acaba de lançar o Suplemento de IA ao Quadro Europeu de Competência Digital para Educadores (DigCompEDU), que descreve as aptidões e competências dos professores e formadores relacionados com Inteligência Artificial (IA) na Educação.
O suplemento IA na Educação agora criado procura completar e aperfeiçoar o atual quadro DigCompEdu da União Europeia, integrando competências críticas relacionadas com IA na educação, reconhecendo que a IA está a transformar rapidamente os processos de ensino e aprendizagem e que os educadores e formadores têm de estar equipados com competências para compreender, avaliar e utilizar as tecnologias de IA de forma eficaz e responsável.

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Expansão do ensino técnico propiciaria ganhos para toda a economia

Expansão do ensino técnico propiciaria ganhos para toda a economia | Inovação Educacional | Scoop.it

Expandir o ensino médio profissionalizante, que hoje abrange 8% dos concluintes da etapa final da educação básica e barra 4 em cada 5 adolescentes que pleiteiam cursá-lo, traria ganhos para toda a economia brasileira, com impacto moderado no gasto público.
Com o aumento das vagas no ensino técnico, o Produto Interno Bruto e o bem-estar se elevariam, enquanto a desigualdade salarial seria reduzida, segundo estimam Marcelo dos Santos, Sergio Firpo, Vitor Fancio e Clarice Martins, pesquisadores do Insper.
O estudo conduzido em 2022, financiado pelo Itaú Educação e Trabalho, realizou um exercício sobre o que ocorreria com grandes agregados econômicos do Brasil caso a oferta vigente de vagas para o ensino médio profissionalizante fosse duplicada ou triplicada.

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Half of College Grads Are Working Jobs That Don’t Use Their Degrees 

Half of College Grads Are Working Jobs That Don’t Use Their Degrees  | Inovação Educacional | Scoop.it
Choice of major, internships and getting the right first job after graduation are critical to career paths, new data show
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Desafio LED: veja como criar proposta para problemas da educação e concorra a até R$ 85 mil

Desafio LED: veja como criar proposta para problemas da educação e concorra a até R$ 85 mil | Inovação Educacional | Scoop.it
Prêmio total é de R$ 300 mil, que será dividido entre os participantes que apresentarem os melhores projetos com soluções para problemas da educação brasileira.
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Olimpíadas de matemática podem levar alunos à universidade

Olimpíadas de matemática podem levar alunos à universidade | Inovação Educacional | Scoop.it

Olimpíadas de matemática atraem milhões de estudantes todos os anos e, como em qualquer competição, premiam os melhores. Mas, para além de entregar medalhas, elas podem estimular nos alunos o estudo autônomo e o gosto pelo tema.
Eduardo Alves da Silva, 30, que hoje faz pós-doutorado em matemática na França, conta que se sentiu estimulado a aprender mais sobre a disciplina em 2005, com a primeira edição da Obmep (Olimpíada Brasileira de Matemática da Escola Pública). "Procurava sempre livros didáticos de séries mais avançadas. Participar da Olimpíada foi um desafio para mim, mas eu nem sabia o potencial que teria", diz. Ganhou uma medalha de prata, em 2008, e duas de bronze, em 2009 e 2011.

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Educação a distância ou educação "sem distância"? 

Educação a distância ou educação "sem distância"?  | Inovação Educacional | Scoop.it
Atualmente, essa modalidade responde por mais de 60% do total de alunos matriculados em cursos superiores no Brasil, consolidando-se como a principal forma de ensino desde 2019, conforme dados do Censo da Educação Superior de 2022
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Entender funcionamento do cérebro pode mudar como aprendemos matemática

Entender funcionamento do cérebro pode mudar como aprendemos matemática | Inovação Educacional | Scoop.it
Estamos apenas começando a aplicar descobertas como essas da ciência cognitiva para projetar materiais didáticos melhores e dar apoio aos professores para usá-los. O foco na matemática escolar faz sentido porque a matemática é uma disciplina obrigatória que muitas pessoas acham difícil de aprender.
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A proliferação da odontologia irresponsável

A proliferação da odontologia irresponsável | Inovação Educacional | Scoop.it

Quando decidi pela carreira de dentista, a competição por uma vaga era feroz. Hoje, as circunstâncias mudaram. O número de faculdades de odontologia cresceu vertiginosamente, o que poderia parecer que as portas da profissão se abriram para uma gama mais ampla de indivíduos. Mas o que se percebe é que há muitos profissionais mal preparados e, pior que isso, com atuação que passa longe dos princípios éticos —o que representa uma ameaça não apenas para a qualidade do serviço prestado, mas também para a saúde da população.
Por trás desse panorama, esconde-se uma obsessão desenfreada pela estética, alimentada pelas redes sociais, que vem transformando a odontologia em um espetáculo de horrores em que a prioridade é a quantidade de curtidas e compartilhamentos.
Nas redes, alguns "dentistas influenciadores" se destacam não pela excelência de seu trabalho ou do cuidado com os pacientes, mas pela autopromoção sem ética ou ciência. Esses profissionais divulgam serviços, vendem cursos e realizam postagens bastante controversas (para dizer o mínimo). Diante disso, surge uma questão crucial: onde está o limite? Há um desrespeito flagrante à resolução do Conselho Federal de Odontologia, que deveria ser uma espécie de guia de boas práticas.
Termos como "odontologia integrativa" e "terapia neural em odontologia" são apenas alguns exemplos do absurdo desfile de pseudociência que assombra a profissão. Parece que, no mundo digital, a credibilidade científica está sendo trocada pela promessa vazia de soluções milagrosas.
Essa atmosfera propícia à mercantilização da odontologia tem consequências nefastas. Casos recentes de fraudes milionárias e prisões relacionadas a negligências em tratamentos evidenciam o que acontece quando a ganância e a falta de ética se infiltram na profissão.
Temos de melhorar como sociedade, dando a devida importância à saúde bucal de todos: seguimos com uma população desdentada e sem acesso. Vemos profissionais sérios lutando para sobreviver com remunerações baixas, tanto em clínicas privadas como através de convênios, sem contar a falta de incentivos para que atuem na saúde pública. Os princípios do SUS —universalidade, integralidade e equidade— parecem distantes quando se trata das demandas de saúde bucal. Ou seja, não ganhamos nada com a expansão do número de dentistas.
Diante desse panorama, é de extrema importância que os dentistas que negligenciam os princípios éticos e colocam vidas em risco sejam submetidos ao devido processo legal, garantindo a integridade da profissão e a segurança dos pacientes.
Quando a sociedade, a mídia e os ministérios da Educação, do Trabalho e da Saúde pressionarão e trabalharão para buscar soluções efetivas para as causas de mortes e traumas resultantes de erros em procedimentos odontológicos?
Todos precisam responder ao caos que se instaurou na saúde; afinal, isso diz respeito não só a um aspecto da profissão, mas à vida humana.

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Brasil pode chegar a 20 milhões de crianças obesas em 2035

Brasil pode chegar a 20 milhões de crianças obesas em 2035 | Inovação Educacional | Scoop.it

O Brasil pode chegar a 20 milhões de crianças e adolescentes obesos em 2035, segundo projeção do Atlas 2024 da Federação Mundial da Obesidade (World Obesity Federation, na sigla em ingles, WOF), divulgado nesta quinta-feira (29). O estudo abrange dados de 186 nacionalidades e, segundo os autores, mostra um padrão no qual todos os países devem ser afetados por um expressivo aumento do índice de massa corpórea (IMC) da população.
A projeção alerta para uma crescente na última década, inclusive entre as nações mais pobres. No Brasil, o ganho de peso no segmento infanto-juvenil (de 5 anos a 19 anos de idade) pode ter uma salto de 34% de indivíduos com IMC alto em 2019 (o equivalente a 15,58 milhões de jovens) para 50% (20,39 milhões) em 2035.
Esses valores representam um crescimento de 1,8% ao ano entre 2020 e 2035, um índice muito próximo ao de adultos, cuja expectativa é de alta de 1,9% anuais no mesmo período.

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Queda de matrículas evidencia atraso das reformas do ensino

Queda de matrículas evidencia atraso das reformas do ensino | Inovação Educacional | Scoop.it

O primeiro ano do governo Lula não foi positivo para a educação. Caiu o número de matrículas em todas as etapas do ensino básico, e a evasão escolar aumentou. A reforma do ensino médio empacou e o Plano Nacional da Educação (PNE) também rateia. Mais do que boa vontade, será necessário um esforço extra para tocar os projetos em frente e agilizar as mudanças prometidas para reverter esse quadro.
O Censo Escolar de 2023 divulgado na semana passada mostrou queda de 0,2% nas matrículas no ensino básico, de 47,4 milhões em 2022 para 47,3 milhões no ano passado. A redução se concentrou nas escolas públicas, que perderam cerca de 500 mil alunos, para 37,9 milhões, um recuo equivalente a 1,3%. Já as escolas privadas registraram aumento de 4,7% nas matrículas, para 9,4 milhões de estudantes.
O governo apressou-se em explicar que as famílias que matricularam seus filhos nas escolas públicas durante a pandemia estavam voltando para as instituições privadas. Mas a realidade é que essa conta não fecha. Além disso, antes da pandemia, em 2019, o número de estudantes do ensino básico era de 47,9 milhões, 600 mil a mais do que os matriculados no ano passado. O ministro da Educação, Camilo Santana, falou também do aumento da evasão escolar, que se estima em 450 mil alunos por ano no ensino médio.
A maior queda de matrículas ocorreu na Educação de Jovens e Adultos (EJA), de 6,9%, para 2,6 milhões, o menor número em 11 anos. Conhecida como a última oportunidade para quem não completou o ensino fundamental ou o médio na idade adequada, a EJA vê queda nos números de matriculados desde 2018. Houve recuo de matrículas também nas outras etapas da educação. No ensino fundamental, foi de 1,5%, para 26,1 milhões de matrículas em comparação com 26,5 milhões em 2022. No ensino médio, considerado mais desafiador pelos estudantes, a queda de matrículas foi de 2,4%, para 7,7 milhões.
Do lado positivo, as matrículas na educação infantil aumentaram 4,8%, notadamente na pré-escola. O crescimento das matrículas em creches, para crianças de até 3 anos de idade, foi de 4,7%, somando 4,1 milhões de crianças. Mas o número ainda está longe da meta de oferecer 5 milhões de vagas neste ano, previsto no PNE. A procura pelo ensino integral e profissionalizante também aumentou. No caso do ensino integral, as matrículas cresceram tanto no ensino fundamental quanto no médio, caso em que o índice foi de 21,9%.
O crescimento mais surpreendente foi o da demanda pelo ensino profissionalizante. As matrículas aumentaram 9,1% em 2023, para 2,4 milhões, em comparação com 2,2 milhões em 2022. Isso representa 11% das matrículas do ensino médio. O percentual certamente seria maior se houvesse mais vagas. Pesquisa feita pelo Ministério da Educação e Cultura mostrou o interesse de 80% dos jovens pela modalidade. A Lei 14.645, que estabelece diretrizes para o ensino profissionalizante, foi aprovada em julho de 2023 e sancionada em agosto, mas até agora aguarda regulamentação.
Outra questão urgente a ser encarada é a reforma do ensino médio, que começou a ser aplicada em 2022, mas foi suspensa em abril do ano passado porque, segundo o MEC, é questionada por alunos e professores. A “reforma da reforma” foi apresentada em outubro no Projeto de Lei 5.320, que redefine a Política Nacional de Ensino Médio, e está em análise na Câmara. Enquanto o projeto não anda, a vida de quase 8 milhões de estudantes do ensino médio fica em suspenso.
A maior oferta de ensino técnico-profissionalizante e a definição das regras do ensino médio fazem parte da solução de um dos piores problemas da educação no país, que é a evasão escolar. Enquanto não leva adiante essas questões, o governo recorre a um paliativo, o programa Pé de Meia, que instituiu estímulos financeiros para combater a evasão no ensino médio e incentivar a participação do Enem. O governo estima que 2,5 milhões de estudantes poderão ser beneficiados, ao custo anual de cerca de R$ 7 bilhões.
Ao falar sobre o programa, o presidente Lula justificou que a maior evasão escolar é no ensino médio. “Os meninos não gostam de fazer o curso inteiro e estamos tentando fazer os meninos se motivarem”, disse. Nesse ponto, o presidente se equivocou. Pesquisa feita pelo IBGE, em 2019, com pessoas de 14 a 29 anos e nível de instrução inferior ao ensino médio constatou que 39,1% deixaram a sala de aula pela necessidade de trabalhar e 29,2% pela falta de interesse.
É preciso também melhorar a qualidade do ensino. Na edição de 2022 do Pisa, que é aplicado exatamente a alunos do ensino médio, os brasileiros tiveram nota média 379 em matemática, 20% menor do que a média obtida pelos estudantes dos 81 países que participaram da prova da OCDE. Os brasileiros também ficaram atrás em leitura e ciência.
Aproximadamente 70 milhões de brasileiros não concluíram a educação básica, o que significa 35% da população, com impacto significativo na produtividade. A educação é mais eficiente a longo prazo para reduzir as desigualdades do que os benefícios sociais. Mais importante que a ajuda financeira para estimular o estudante a frequentar o ensino médio é oferecer uma educação que atraia o jovem e que realmente o ajude a se integrar ao mercado de trabalho.

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Em busca da educação de qualidade

Em busca da educação de qualidade | Inovação Educacional | Scoop.it

A qualidade da educação é dos determinantes mais importantes do crescimento econômico. Apesar de termos implementado várias políticas educacionais na direção correta, em linha com os principais estudos internacionais, nossos alunos ainda têm muitas dificuldades de aprendizado em todas as séries, como mostram diversas avaliações internacionais de aprendizado. Por que será que nossos alunos aprendem tão pouco na escola?
Vários estudos mostram que começar a frequentar escola mais cedo traz vários efeitos positivos no longo prazo, aumentando o desempenho dos alunos em testes padronizados, por exemplo. Dados do Censo Escolar de 2023 trazem boas notícias neste sentido, pois a porcentagem de crianças de 4 a 5 anos de idade que frequentam a pré-escola se recuperou após a pandemia, atingindo 91,5% das crianças atualmente.
Além disso, as reformas educacionais nas duas últimas décadas foram bem-sucedidas. Por exemplo, em 2005, Congresso Nacional alterou a idade de entrada dos alunos no ensino fundamental para 6 anos, aumentando, com isso, a duração do ensino fundamental de 8 para 9 anos. Assim, ao invés de cursar 3 anos na pré-escola e 8 no ensino fundamental, os alunos passaram a cursar 2 anos na pré-escola e 9 no ensino fundamental. Pesquisas que avaliaram os resultados desta política mostraram resultados bastante positivos no aprendizado de português e matemática, ainda que não o suficiente para mudar o patamar de aprendizado dos nossos alunos com relação aos países da OCDE.
Além disso, a idade a partir da qual as crianças devem entrar no ensino fundamental sempre foi objeto de muitos debates entre os pais e gestores nas secretarias de educação. Esta entrada depende do mês em que o aluno completa 6 anos de idade, mas cada Estado tinha uma data de corte diferente. Em 2010, o Conselho Nacional de Educação (CNE) determinou que apenas as crianças que completarem 6 anos de idade até o dia 31 de março podem ingressar no primeiro ano do ensino fundamental naquele ano. As demais deverão ser matriculadas na pré-escola e ingressar com 6 anos completos no ensino fundamental.
Em um novo estudo, comparamos crianças que fazem aniversário um pouco antes da data de corte para entrada aos 6 anos com os que fazem aniversário um pouco depois e, portanto tem que esperar um ano para entrar na escola1. Descobrimos que os alunos que entram no ensino fundamental um ano depois tendem a progredir mais rapidamente ao longo das series do que os seus colegas mais jovens, porque repetem menos de ano. Além disso, eles têm uma probabilidade maior de entrarem na faculdade. Ou seja, antecipar e homogeneizar a data de corte para todos os Estados foi uma medida acertada.
Não faltaram esforços nem recursos para melhorar o aprendizado no país, mas o progresso foi pequeno
Por fim, os recursos aplicados na educação básica aumentaram bastante nas últimas décadas, passando de R$ 278 bilhões em 2010 para R$ 361 bilhões em 2022. Como o número de alunos na educação básica está diminuindo, por conta da diminuição do número de crianças na população, o gasto por aluno aumentou ainda mais, tendo passado de R$ 5.400 para R$ 7.680 no mesmo período, um aumento de 42%. Se usarmos 2000 como base para comparação, percebemos que os gastos por aluno aumentaram mais de três vezes nos últimos 22 anos. A grande maioria destes recursos é usado para pagamento de professores, que, portanto, tiveram um grande aumento salarial no mesmo período.
Estudos internacionais recentes indicam que existe, de fato, uma relação positiva entre gastos com educação e o aprendizado dos alunos. Entretanto, no caso brasileiro, os resultados dos alunos em avaliações internacionais ficaram estagnados nas últimas décadas, mesmo após a pandemia. O curioso é que em outras áreas o Brasil avançou bastante. Por exemplo, há muito tempo temos um sistema de transferência de dinheiro mais eficiente do que o resto do mundo, primeiro com a TED e depois o Pix. Além disso, temos as urnas eletrônicas, a declaração eletrônica do imposto de renda e um sistema automatizado para ingresso no ensino superior a partir dos resultados no Enem (o Sisu), tudo isso construído no setor público. Porque será então que não conseguimos melhorar a educação?
Uma hipótese é que as políticas descentralizadas, que estão a cargo dos Estados e municípios, são mais difíceis de serem implementadas com sucesso. Por exemplo, em 2016 foi criado no Brasil o programa “criança feliz”, uma política de visitação domiciliar por agentes públicos para estimular o desenvolvimento infantil das crianças que vivem em famílias pobres. Programas como esse são o padrão-ouro entre as políticas para a primeira-infância e obtiveram resultados positivos em vários países do mundo, como Bangladesh, China, Colômbia, Índia e China. Na Jamaica, por exemplo, o salário do grupo de crianças tratadas pelo programa aos 22 anos de idade aumentou 34% com relação ao grupo de controle.
Entretanto, avaliações de impacto mostraram que o programa “criança feliz” não foi efetivo para melhorar o desenvolvimento infantil das crianças brasileiras. Isso aconteceu por problemas na sua implementação, relacionados principalmente com a gestão dos funcionários que trabalharam no programa. Vale notar que a pandemia agravou estes problemas de implementação, pois muitas visitas deixaram de acontecer ou aconteceram de forma remota. Porém, a cidade de Sobral, que tem uma ótima equipe de gestão pública, com resultados extraordinários na educação, também foi bem-sucedida na implementação do programa criança-feliz, com resultados bastante satisfatórios.
Em suma, não faltaram esforços nem recursos para melhorar o aprendizado dos alunos brasileiros nas últimas décadas, mas os progressos foram pequenos. Uma possível explicação para esse desempenho decepcionante é a falta de capacidade de gestão das equipes municipais que cuidam dos sistemas educacionais e que estão nas escolas. Precisamos fazer mais pesquisas para produzir evidências que podem ou não confirmar esta hipótese.

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Agropecuária registra menor número de trabalhadores desde 2012

Agropecuária registra menor número de trabalhadores desde 2012 | Inovação Educacional | Scoop.it
“Em um trimestre, a queda foi de meio milhão de trabalhadores na agropecuária. Quando vemos por lavouras, há recuo de pessoal ocupado este ano principalmente nas lavouras de milho e de café. Mas não dá para saber como foi nos outros anos”, disse a coordenadora das pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy.
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Educação: a professora que doou US$ 1 bi para quitar todas as mensalidades de alunos de medicina em faculdade dos EUA

Educação: a professora que doou US$ 1 bi para quitar todas as mensalidades de alunos de medicina em faculdade dos EUA | Inovação Educacional | Scoop.it
A professora emérita da Escola de Medicina Albert Einstein, no Bronx, herdou uma fortuna ao falecer seu marido e deseja que a doação possa possibilitar o acesso de jovens de todas as classes sociais à universidade
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