Inovação Educacional
590.9K views | +10 today
Follow
Inovação Educacional
Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
Your new post is loading...
Your new post is loading...
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Representantes do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais participam do GEduc 2024 em São Paulo

Representantes do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais participam do GEduc 2024 em São Paulo | Inovação Educacional | Scoop.it

A 22ª edição do GEduc, realizada presencialmente de 3 a 5 de abril no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo, foi um marco importante para o fortalecimento da gestão e dos ecossistemas educacionais. Sob o tema "Educação por essência: Construindo trajetórias", o evento reuniu especialistas para uma imersão em palestras e debates de alto nível. Entre os temas abordados nesta edição, destacaram-se questões como educação especial e inclusão escolar, a importância e estratégias de desenvolvimento das competências socioemocionais, o uso de dados para uma gestão mais estratégica e assertiva, seja da sala de aula ou da instituição, inovação pedagógica e uso de inteligência artificial (IA) na aprendizagem, entre outros.
Os representantes do Conselho Estadual de Educação (CEE-MG) participaram ativamente, discutindo políticas educacionais, gestão escolar e inovação pedagógica. O Prof. Dr. Luciano Sathler Rosa Guimarães, membro do CEE-MG e do Conselho Deliberativo do CNPq, liderou a mesa XIII no "Fórum de Inovação Acadêmica" do GEduc, na manhã do dia 4 de abril. O painel contou com a participação do Prof. Global Gil Giardelli, que discutiu o impacto da inteligência artificial no futuro do trabalho e da educação. Bruno Piubeli, da Edpuzzle, e Guilherme Pereira, da FIAP, abordaram as tendências tecnológicas e o papel da inteligência artificial na educação. A Pró-reitora de Inovação da PUC Campinas, Camila Brasil Gonçalves Campos, compartilhou suas perspectivas sobre as mudanças necessárias para a inovação acadêmica, e Idelfranio Moreira, do Grupo SAS de Fortaleza, enfatizou a urgência da transformação das escolas diante dos desafios contemporâneos.
"Foi muito importante contar com a presença dos membros do Conselho Estadual de Educação no evento, assim como representantes do Sinepe. Tivemos uma boa delegação de Minas Gerais, o que permite nos manter atualizados sobre o que está acontecendo no país e no mundo. Essa constante atualização demanda uma transformação, começando por uma mudança em nosso mindset, em nossa mentalidade, para depois mudarmos processos e a nossa concepção de escola, colocando o nosso aluno no centro e a aprendizagem em destaque. A partir dessa mudança de perspectiva, poderemos selecionar as melhores tecnologias e parcerias para impulsionar essa transformação”, ressaltou Luciano Sathler.
As Conselheiras do CEE - MG, Girlaine Oliveira Figueiró, Juliana de Carvalho Moreira e Claudia Maria Fradico Lucas também estiveram presentes e expressaram seu entusiasmo com as discussões promovidas durante o evento. “É imprescindível ao Conselho Estadual de Educação, como órgão normativo, participar deste evento, onde podemos ver os desafios da gestão educacional frente às estratégias tecnológicas para uma nova educação, como também as inúmeras possibilidades de integrar o público e o privado, fortalecendo ações já existentes e articulando as inovações tão necessárias à garantia da qualidade da Educação Básica no Sistema de Ensino de Minas Gerais.”, afirmou Girlaine Figueiró Oliveira, Presidente na Comissão de Acompanhamento da Implementação da Reforma do Ensino Médio.
Juliana de Carvalho Moreira, Presidente da Câmara de Ensino Médio do CEE-MG, enfatizou que "O GEduc é um espaço privilegiado para o compartilhamento de experiências, dores e boas práticas com gestores de todo o país, além de proporcionar atualizações sobre as tendências e inovações do mercado educacional." Segundo Juliana, o Painel "Ações colaborativas para a prevenção de violência na comunidade escolar", com a apresentação do trabalho desenvolvido pela OAB e o TJSC, bem como a exposição da experiência de Sobral, no Ceará, conduzida pelo Secretário Municipal de Educação Francisco Herbert Lima Vasconcelos, mereceram destaque especial.
A participação dos membros do Conselho Estadual de Educação no GEduc é uma oportunidade para a reflexão acerca dos desafios e soluções no âmbito da educação, tanto no ensino básico, quanto no superior. A busca pela excelência educacional, que é a essência da missão do CEEMG, requer uma análise contínua das necessidades e expectativas da comunidade educacional para aprimorar os sistemas normativos em todos os níveis de ensino, impulsionando o avanço qualitativo e contribuindo para o fortalecimento do Sistema Estadual de Ensino de Minas Gerais.
Sobre o GEduc
O Congresso de Gestão Educacional acontece há 21 anos, reunindo os principais especialistas da área em três dias de imersão que envolvem palestras e debates de alto nível. O evento é promovido pela HUMUS, empresa que realiza capacitações para gestores de universidades e escolas, além de possuir soluções em consultoria e seleção de profissionais – serviços também exclusivos para o segmento educacional.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

A IA moldará a nova era das métricas de desempenho dos funcionários

A IA moldará a nova era das métricas de desempenho dos funcionários | Inovação Educacional | Scoop.it
As futuras medidas de produtividade do desempenho dos funcionários irão além dos parâmetros atuais para incluir aspectos como qualidade, inovação, bem-estar dos funcionários e práticas éticas, enfatizando o valor global criado pelos trabalhadores e não apenas o seu resultado.
A inteligência artificial desempenhará um papel crucial no avanço e no refinamento das métricas de desempenho, oferecendo análises mais profundas para eficiência.
À medida que o acompanhamento do desempenho evolui, a transparência na utilização dos dados, o consentimento ético e a proteção da privacidade dos funcionários tornar-se-ão imperativos para manter a confiança e equilibrar os benefícios e riscos associados à IA no local de trabalho.
As avaliações de desempenho anuais tradicionais provavelmente serão muito diferentes no próximo ano. As futuras medidas da produtividade do trabalho humano prometem ir além do rudimentar, à medida que o cenário de trabalho continua a ser moldado pela IA.

Novas métricas que quantificam produtividade, eficiência, qualidade e inovação estão no horizonte, à medida que a grande maioria dos empregadores percebe a importância de evoluir: 74% dos entrevistados na pesquisa Global Human Capital Trends 2024 da Deloitte disseram que é muito ou extremamente importante procurar formas melhoradas de medir o desempenho dos trabalhadores e o seu valor (além da produtividade tradicional).

“Apenas 17% dos entrevistados afirmaram que a sua organização é muito ou extremamente eficaz na avaliação do valor criado por trabalhadores individuais na sua organização, para além do acompanhamento de atividades ou resultados”, de acordo com a Deloitte . 


Como será medida a produtividade do trabalho humano em 2024 e além? 
Para a produtividade, em 2024, podemos antecipar uma utilização mais generalizada de ferramentas sofisticadas de controlo do tempo auxiliadas pela inteligência artificial – que poderiam diferenciar entre tipos de tarefas e categorizar automaticamente as atividades para fornecer informações sobre quanto tempo os funcionários gastam em diferentes tipos de trabalho. Isso incluiria trabalho ativo, reuniões e pausas, oferecendo uma imagem de produtividade com mais nuances do que o simples volume de produção.

“Com as novas tecnologias digitais a proporcionar acesso a mais dados sobre trabalho e força de trabalho do que nunca, pode parecer que a mudança para um novo sistema de medição seria fácil de fazer”, segundo a Deloitte . 

Por exemplo, as métricas de eficiência incluem a relação entre resultados e insumos, fornecendo uma avaliação da eficácia com que os recursos (incluindo tempo, dinheiro e materiais) estão sendo usados. A IA poderia melhorar essas métricas otimizando fluxos de trabalho e sugerindo melhorias com base em padrões identificados nos dados.

A qualidade do trabalho costuma ser mais difícil de medir, mas geralmente gira em torno de taxas de erro, satisfação do cliente e avaliações por pares. Os avanços no processamento de linguagem natural e na análise de sentimentos poderiam ajudar a quantificar essas métricas subjetivas, analisando o feedback do cliente ou as comunicações da equipe sobre o trabalho realizado.

As métricas de inovação centram-se na geração de novas ideias, patentes registadas ou novas soluções para problemas – que são mais difíceis de quantificar, mas são importantes para as organizações que impulsionam o crescimento e a adaptação. A IA pode ajudar acompanhando os cronogramas e resultados dos projetos para identificar quais equipes ou indivíduos estão consistentemente envolvidos em projetos inovadores bem-sucedidos.

No futuro, poderemos também assistir a uma evolução em direção a métricas que enfatizem o bem-estar e o envolvimento dos colaboradores, considerando a ligação entre estes aspetos e a produtividade geral. Estes poderiam incluir estatísticas sobre o moral, taxas de esgotamento e utilização de recursos de saúde mental.

Além das medidas diretas de produção de trabalho, o desenvolvimento de competências e a aprendizagem podem ser uma métrica focal a ser observada pelas empresas. Uma organização em 2024 e posteriormente pode querer acompanhar a taxa a que os colaboradores adquirem novas competências, especialmente porque a aprendizagem ao longo da vida se torna essencial para se manter relevante num mercado de trabalho em rápida mudança.

A IA também pode começar a contribuir para métricas de desempenho ético , monitorizando e garantindo a conformidade com práticas de trabalho justas, diversidade e políticas de inclusão. 

O mais difícil de medir, pelo menos inicialmente, pode ser encontrar formas de medir a proficiência com ferramentas de IA. Os saltos na eficiência serão possibilitados pela IA, portanto, monitorar o conhecimento e as habilidades de um funcionário com ferramentas relevantes se tornará vital. À medida que a utilização da IA ​​no local de trabalho continua a crescer, os empregadores quererão medir a taxa e o sucesso dos programas de melhoria de competências. 

Os trabalhadores precisam estar cientes de quais métricas estão sendo medidas
Os líderes devem construir confiança comunicando de forma transparente os objetivos da recolha de dados, especialmente o rastreio da localização no trabalho por razões de segurança, e permitir que os trabalhadores aceitem. Apesar do alinhamento na utilização de dados da força de trabalho, as considerações éticas exigem transparência, consentimento e partilha de benefícios criteriosos, que são cruciais para perceber o valor de tais dados.

Também é importante que os líderes do local de trabalho compreendam que os dados agregados e anonimizados protegem a privacidade dos trabalhadores. O uso eficaz da IA ​​pode impulsionar o desempenho humano, mas o uso indevido pode prejudicar a reputação e os resultados, por isso as organizações devem empregar uma estrutura ética para equilibrar os riscos e benefícios da IA.

As futuras métricas de desempenho para a produção de trabalho humano serão provavelmente multifacetadas, abrangendo não apenas a produtividade e a eficiência, mas também a qualidade e a inovação do trabalho, o bem-estar dos trabalhadores e a adesão a padrões éticos, com a IA a apoiar cada vez mais a avaliação e estratégias de melhoria dessas métricas.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Mulheres estudam mais tempo, mas não chegam a 40% de cargos de liderança

Mulheres estudam mais tempo, mas não chegam a 40% de cargos de liderança | Inovação Educacional | Scoop.it
Mulheres ocupam hoje 39,1% dos cargos de liderança no país, segundo levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) feito com dados de 2023. Isso representa um aumento de menos de quatro pontos percentuais em relação a 2013, quando ocupavam 35,7% das posições de liderança. Os levantamentos foram feitos pelo Observatório Nacional da Indústria, com base em microdados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). São considerados cargos de liderança quem exerce funções como diretores, dirigentes, gerentes ou supervisores.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

CIEBCast | Ep #2: Experiência do usuário na educação, apoiando o professor e reduzindo desigualdades

O segundo episódio do CIEBCast faz uma reflexão sobre como a experiência do usuário pode apoiar o professor e reduzir as desigualdades na educação.
O novo Diário Escolar Digital, o DED+, é uma experiência da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE/MG) que auxilia no registro e acompanhamento da frequência e do desempenho dos estudantes da rede pública do estado. A ferramenta é resultado da escuta e participação de professores, diretores e especialistas que compõem a rede estadual de ensino.
A diretora-executiva do CIEB, Julia Sant'Anna, conversou com Telma Martins, professora de Arte da Escola Estadual Caetano Azeredo, Magno Peluso Torquette, assessor-chefe de inovação da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, e Matheus Silvino, product manager da Prodemge, que compartilharam os passos desse processo de revisão feito com a participação de muitos.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

O exílio da infância

O exílio da infância | Inovação Educacional | Scoop.it

Os nascidos entre 1995 e 2010 sofreram uma reprogramação cerebral inédita na história, com consequências nefastas para sua saúde. Por Daniel Becker, 14/04/2024 
Ninguém hoje duvida que cigarro faz mal. Mas foram décadas até a ciência vencer o negacionismo propagado pela indústria, e até governos desenvolverem políticas de combate ao tabagismo. Muitas vidas foram perdidas nesse ínterim
A ciência atualmente trava uma batalha contra o negacionismo e a inação na questão climática. Para evitarmos catástrofes e reduzir o risco da extinção humana, precisamos criar um consenso que nos habilite a mudar de rumo.
Há uma terceira questão que precisa de nossa atenção coletiva: os danos causados pelo excesso de telas a crianças e adolescentes — e a necessidade de retomarmos uma infância rica em experiências no mundo real.
Me parece que um consenso começa a surgir em torno desse tema. Pais, mães, educadores e até mesmo nossos jovens estão reconhecendo a importância desse movimento.
Jonathan Haidt, psicólogo social americano que leciona na New York University, há tempos escreve sobre o tema, equilibrando paixão com evidências científicas. Tenho uma forte afinidade com seus pontos de vista e propostas de soluções, as mesmas que venho procurando divulgar há tempos.
Num livro publicado esse ano, Haidt mostra que a geração Z, os nascidos entre 1995 e 2010, sofreram uma reprogramação cerebral inédita na história humana, com consequências nefastas para sua saúde.
Eles foram abalroados pelos celulares em plena puberdade, um período decisivo no amadurecimento cerebral. Nessa fase há uma grande mudança no córtex pré-frontal, responsável pelas funções executivas, como tomada de decisão, foco, controle de impulsos, julgamento e resolução de problemas. Surgem novos neurônios, 40% das sinapses são eliminadas, e muitas outras são criadas. Capacidades fundamentais para a vida adulta se desenvolvem e hábitos e vícios formados nessa época tendem a se tornar mais arraigados.
Desde os primórdios da humanidade até em torno de 2010, as crianças entravam na puberdade se relacionando com o mundo real, com seu corpo, com seus amigos e família. Nessa época, a velocidade da internet aumenta, surge a App Store e a câmera frontal, o Facebook cria o botão de like e os comentários (e com isso o algoritmo e seus direcionamentos), aparece o Instagram. Começa então uma maciça migração dos adolescentes para o mundo virtual. Dez anos depois, estão online quase o tempo todo.
Costumo dizer que essa mudança histórica cria um múltiplo exílio para a infância: de seu corpo, que perde o movimento; do seu território essencial, o ar livre e a natureza; da sua capacidade de atenção, raciocínio e criatividade; do sono, essencial para a vida; do brincar e da socialização, cruciais para o desenvolvimento humano. Em vez de passar o dia conhecendo e pensando o mundo, realizando tarefas, lendo, se movimentando, em contato com natureza e cultura, interagindo e brincando com seus pares, e assim aprendendo a se comunicar, discutir, se conhecer, brigar e se reconciliar, suportar frustrações, gastam seu tempo postando fotos, assistindo vídeos curtos e hiperestimulantes, fragmentando sua atenção, sendo interrompidos por notificações, esperando comentários, se comparando com imagens irreais de outros, desprovidos de experiências naturais e sociais.
Os resultados são desastrosos: a partir de 2012, as notas do PISA global, que subiram por décadas consecutivas, iniciam uma queda abrupta. No mesmo período, as curvas de automutilação, ansiedade, depressão e suicídio em crianças e adolescentes começam uma ascensão violenta. A autolesão nos EUA aumenta cinco vezes em dez anos, a ansiedade e depressão quase triplicam. É espantoso e assustador.
Essa é uma sinalização de que precisamos prestar muita atenção ao problema e iniciar uma mudança de rumo coletiva com a mais absoluta urgência. Creio que a maioria de nós está preocupada: é hora de agir. É o que discutirei na coluna do próximo domingo.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

IA no Ensino Superior: experimentar e refletir

IA no Ensino Superior: experimentar e refletir | Inovação Educacional | Scoop.it
A integração da IA no ensino superior abre portas para uma profunda transformação, colocando-o ao serviço das necessidades da comunidade académica e da sociedade em geral. O ensino, impulsionado pela IA, pode criar espaços de experimentação, descoberta e inspiração para as novas gerações. Através da personalização da aprendizagem, da otimização da pesquisa e da cocriação de soluções inovadoras para problemas reais, a IA pode impulsionar o desenvolvimento social e económico, respondendo aos desafios do presente e do futuro.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Formação à distância de professores está em debate; MEC começa a fazer mudanças | Jornal Nacional

Formação à distância de professores está em debate; MEC começa a fazer mudanças | Jornal Nacional | Inovação Educacional | Scoop.it
Na chamada educação à distância, onde os cursos para a formação de professores deram um salto, as matrículas representam quase 40% do total dessa modalidade no país.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Inflação de diplomas

Se as pessoas que se formam, sobretudo em nível superior, não conseguem trabalho compatível com seu nível de formação, e isso vem aumentando, algo está errado
Por Simon Schwartzman, 12/04/2024 
Se há uma quase unanimidade no Brasil, é de que o País precisa de mais educação, e isso tem justificado um investimento cada vez maior no setor. Entre 2012 e 2023, a proporção de pessoas entre 18 e 40 anos com ensino médio completo ou mais passou de 53% para 71%, e com educação superior, de 11% para 19%. A estimativa é de que, em 2018 – o dado mais recente que consegui –, o País tenha gastado 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) com os alunos da rede pública, dos quais 1,4% no ensino superior. E isso sem contar os gastos com aposentadorias e pensões de professores, bolsas de estudo, além do crédito educativo e do Prouni, que beneficiam o ensino privado. É muito ou pouco? Afinal, ainda temos muita gente que não completou o ensino médio, e a educação superior deveria ser para todos. Vamos investir mais? Que tal gastar 10% do PIB, como aprovado, mas nunca cumprido, pelo Plano Nacional de Educação de 2014? Em troca de quê?
Antes de fazer isso, seria interessante refletir sobre um trabalho recente de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sobre a relação entre a educação e o mercado de trabalho no Brasil (Carvalho, Sandro Sacchet, e Maurício Cortez Reis. Evolução da sobre-educação no mercado de trabalho no Brasil entre 2012 e 2022: primeiros resultados. Boletim Mercado de Trabalho: Conjuntura e Análise. Ipea, 2023). O que eles fizeram foi, com base na Classificação Brasileira de Ocupações, verificar qual o nível educacional requerido para cada uma delas (fundamental, médio, superior) e, depois, com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE, verificar a proporção de pessoas que estão trabalhando em atividades abaixo, equivalentes ou superiores à sua formação, entre 2012 e 2022.
Os resultados são impressionantes. Nestes dez anos, a proporção de pessoas sobre-educadas, ou seja, com mais educação do que o requerido pelas ocupações que desempenham, passou de 26% para 37% do total, enquanto a de subeducados, ou seja, pessoas trabalhando em atividades que requerem mais educação do que a que têm, caiu de 32% para 20%. É um caso claro de inflação educacional, em que se emitem cada vez mais títulos que um mercado de trabalho não tem como absorver. A maior parte dos sobre-educados são os de nível médio, cerca de 50%, mas a proporção entre os de nível superior também é alta, pouco mais de 30%.
Os dados mostram, ainda, que a grande maioria das ocupações existentes não requer muita educação. Este quadro praticamente não se alterou nos últimos dez anos, exceto na indústria de transformação de alta tecnologia, em que há uma polarização, com mais trabalhadores de formação superior e de educação fundamental, e menos de educação média. Mas é um setor pequeno, com menos de 5% dos empregos.
Os autores não especulam muito sobre as razões deste quadro, exceto para dizer que ele deve ter sido afetado pelas crises no mercado de trabalho que vêm ocorrendo no Brasil desde 2015. Mas uma lição que podemos tirar é de que não basta dar mais educação para que as pessoas se tornem mais produtivas. Outra possível conclusão seria de que se trata de um problema dos conteúdos da educação. Para obter um emprego compatível, não basta ter um diploma de nível médio ou superior, é necessário que esse diploma esteja associado às competências que o mercado de trabalho requer. Mas, mesmo que essa associação exista, o mercado de trabalho tem uma lógica que depende de muitos fatores, entre os quais a disponibilidade de recursos humanos qualificados é somente um – uma condição necessária, mas não suficiente.
A conclusão mais geral é de que não faz sentido continuar aumentando os investimentos em educação de forma indiscriminada, isso só produz inflação de diplomas. Além da grande frustração dos que não conseguem trabalhos condizentes com sua formação, existem os milhões que gastam tempo e dinheiro aprendendo coisas que nunca usam e de que logo se esquecem, os que abandonam seus cursos antes de terminá-los e os que saem cedo do mercado de trabalho, sobretudo mulheres.
Claro que a educação tem outros objetivos além de preparar as pessoas para o trabalho – formar pessoas mais cultas, mais solidárias, melhores cidadãos, com capacidade de aprender e lidar com uma sociedade em constante transformação. Mas, se as pessoas que se formam, sobretudo em nível superior, não conseguem trabalho compatível com seu nível de formação, e isso vem aumentando, algo está errado.
Existe uma prioridade clara, que requer investimentos, que é a educação fundamental de qualidade, até os 15 anos de idade. É neste nível também que a questão das desigualdades deve ser enfrentada – não há política de ação afirmativa que consiga compensar as desigualdades de formação inicial. A partir daí, é necessário abrir espaço para caminhos alternativos, inovações e flexibilidade. A reforma do ensino médio, felizmente salva pelo Congresso em suas ideias centrais, pode contribuir para isso, se bem conduzida. E, no ensino superior e na pós-graduação, é importante ser seletivo no uso de recursos públicos, deixando de subsidiar as ilusões do diploma salvador, como se ele pudesse compensar as disfunções econômicas e institucionais que mantêm o País no atraso e os jovens sem poder fazer uso de seu potencial.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Transmitir a Eucaristia online deveria ser proibido. Artigo de Thomas Reese

Transmitir a Eucaristia online deveria ser proibido. Artigo de Thomas Reese | Inovação Educacional | Scoop.it

Uma experiência em vídeo da Eucaristia pode ter valor se fizer as pessoas ansiarem pela coisa real, mas como uma alternativa para comparecer à igreja, é o equivalente eclesial de substituir um canal de culinária por um jantar com a família ou amigos.
É hora de a Igreja dizer aos padres para pararem de transmitir a Eucaristia.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Senado pode ter palavra final na reforma do novo ensino médio

A reforma (Lei 13.415, de 2017) alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB — Lei 9.394, de 1996) e, entre outros pontos, determinou que disciplinas tradicionais passassem a ser agrupadas em áreas do conhecimento (linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas). Cada estudante também passou a montar a sua própria grade de disciplinas, escolhendo os chamados itinerários formativos, para se aprofundar em uma das áreas. Essa divisão por áreas do conhecimento, que havia sido mudada no projeto do Executivo, foi reincorporada ao texto na Câmara.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

MEC abre inscrição para graduação-sanduíche em parceria com a França

MEC abre inscrição para graduação-sanduíche em parceria com a França | Inovação Educacional | Scoop.it
Serão financiados até 25 projetos em engenharia pelo Programa Capes-Brafitec. Inscrições vão até 3/9, por meio do Sistema de inscrição da Capes (Sicape)
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Segregação, cibersegurança e grau de intervenção: os dilemas da regulação das criptomoedas no Brasil

Segregação, cibersegurança e grau de intervenção: os dilemas da regulação das criptomoedas no Brasil | Inovação Educacional | Scoop.it

Em diferentes momentos nos últimos 18 meses, o cenário das criptomoedas parecia obscuro no Brasil e no mundo. Episódios como a quebra da FTX, que teve seu fundador preso por fraude, e a CPI das Pirâmides Financeiras por aqui, que foi motivada por diversas suspeitas de crimes envolvendo criptoativos, levaram a uma onda de desconfiança com relação a eles, dada a insegurança jurídica que envolve os investimentos e a queda nos valores das criptomoedas que tais episódios causaram.
Agora, o cenário é outro. Não só as principais criptos se recuperaram internacionalmente, mas o Brasil está caminhando para receber sua própria regulação do mercado de criptomoedas. A decisão deve conter medidas para garantir que o Brasil tenha a segurança necessária para exchanges e investidores que atuam com criptomoedas, segundo as autoridades.
O Banco Central é o responsável pela tarefa, e já começou a encaminhá-la com a consulta pública que aconteceu entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, recebendo mais de 200 contribuições de diversas empresas e associações financeiras e de criptoativos. E o processo gerou otimismo entre quem atua no setor.
“A regulação do setor é positiva porque traz uma segurança jurídica, expõe os pontos mais sensíveis e protege o investidor. O jogo se torna mais competitivo, seguro. E segurança jurídica é fundamental tanto para que o brasileiro tenha mais segurança em fazer seus investimentos com criptoativos, como para que o investidor institucional possa investir mais nos setores e nas empresas”, defende Bernardo Srur, presidente da Associação Brasileira de Criptomoedas (ABCripto).
Converter esse otimismo em satisfação quando a regulamentação do BC estiver posta, no entanto, depende de que alguns pontos, considerados sensíveis pelos atores do mercado, sejam abordados.
A minuta do BC sobre a regulamentação das criptomoedas é esperada para entre abril e maio. A autarquia foi procurada para comentar o processo, mas não concedeu entrevista.
Segregação patrimonial: pelo BC ou projeto de lei
A regulação dos ativos virtuais no Brasil foi iniciada com o Marco Legal das Criptomoedas, ainda em dezembro de 2022, que conceituou esses ativos virtuais e delineou diretrizes para a prestação de serviços que os envolvam. Em junho do ano passado, um decreto do governo federal definiu que o Banco Central seria responsável por regular a atuação dessas prestadoras de serviço – as exchanges de criptos, que ficaram conhecidas como Prestadoras de Serviços com Ativos Virtuais, ou VASPs, sigla que vem dessa mesma expressão na língua inglesa.
No entanto, o que é considerado o ponto mais sensível dessa regulação deverá ser encaminhado de outra forma: a segregação patrimonial, que prevê a separação, na corretora de criptomoedas, entre o dinheiro do investidor e o caixa da própria empresa, garantindo, assim, a integridade dos valores de quem investe. A não observância desse princípio foi o que prejudicou milhões de pessoas na quebra da FTX, em 2022.
Banco Central é responsável por detalhar a regulação das criptomoedas no país; minuta é esperada para os próximos meses — Foto: Andressa Anholete/Bloomberg via Getty Images
“É uma regra para dar minimamente segurança às operações. No Japão já havia essa regra, e quando a FTX quebrou, os investidores de lá receberam seu dinheiro”, lembra André Franco, head de Research do Mercado Bitcoin.
O BC incluiu na consulta pública perguntas relativas a este tema. Mas ele também vem sendo abordado por projeto de lei (PL) no Congresso Nacional – que ganhou caráter de urgência no início de março. O PL 4932/2023 foi originado após a CPI das Pirâmides Financeiras e, com o novo status, poderá ser votado diretamente no plenário das duas casas legislativas, sem passar pelas comissões específicas.
Empresas afetadas pela regulamentação e juristas apontam que o caminho legislativo é preferível para dar maior importância à segregação patrimonial. “Há um debate sobre o quão efetiva é uma segregação baseada em regulação e em lei. E entende-se que a abordagem mais garantida, juridicamente falando, é pela lei, assim como ocorreu com as instituições de pagamento”, aponta Bernardo Srur, citando outro ramo de negócios que já trabalha com tal norma.
“Acho muito positivo isso [a segregação patrimonial] ser tratado pelo PL. Como o assunto não foi abordado especificamente pelo Marco Legal, essa inclusão de pontos novos deve vir pelo caminho legislativo. Incluir essa camada tende a prover maior clareza sobre essa obrigação, e auxilia o Banco Central em sua regulamentação”, aponta Florence Terada, advogada e gestora da área de Inovação em Serviços Financeiros do escritório Opice Blum Advogados.
Governança, cibersegurança e o debate sobre interferência excessiva
Outros temas considerados mais sensíveis nessa regulamentação são a governança – regras para garantir a segurança das operações das exchanges, sobretudo com relação à custódia dos ativos dos investidores – e a cibersegurança. Debate-se, inclusive, se a segunda faz parte da primeira, ou se o aspecto cibernético deve ser tratado de forma mais específica, dado o caráter 100% digital das operações com criptomoedas.
Nesse ponto, apontam os especialistas, a questão mais sensível é qual deve ser o grau de interferência do BC – deve-se apenas exigir que as empresas cuidem da segurança dos ativos e informações, deixando a elas a liberdade de decidir como fazer isso, ou definir as formas específicas de se garantir tal segurança?
“Nossa sugestão foi de que se deve fazer como já se faz em relação à lavagem de dinheiro: peça para que a empresa tenha políticas, estabeleça os critérios de elegibilidade, e exija que sejam cumpridos. Mas não diga que ativo eu posso listar, porque aí se cria uma barreira em que tudo depende da avaliação do regulador”, aponta o presidente da ABCripto. “E, sobre a cibersegurança, consideramos também um tema de governança, e que o BC já aborda de forma aprofundada. Não precisa ter uma regra específica”, complementa.
Outra preocupação da entidade é que os diferentes atores no ecossistema cripto sejam tratados conforme suas atividades, que são diversas, e não com uma mesma regra que valha para todos. “Nem todas empresas são iguais. Tem exchanges, custodiantes, tokenizadores, etc. É um sistema plural, e cada ator deve ser tratado de forma diferente. É importante saber quais são os perímetros que a empresa deve ter para sua sustentação, mas deixe a empresa ter seus próprios processos e forma de trabalho”, sugere Srur.
Em seu mapeamento da criptoeconomia no Brasil em 2023, a ABCripto identificou que 79% das empresas que atuam no país realizam serviços de intermediação, como negociação e distribuição de criptoativos; 62%, de infraestrutura, como custódia dos ativos; 30% atuam com emissão (tokenizadoras); e 43% fazem também outros serviços, como empréstimos, seguros ou informação sobre criptomoedas.
A maior parte (73%) das empresas fatura menos de R$ 10 milhões ao ano, o que ilustra a preocupação da entidade em garantir regras adaptáveis ao porte de cada companhia, para que a nova regulação não as tire do mercado. Somente 32% das empresas do setor já possuem algum tipo de licença de reguladores, por também atuarem em atividades já reguladas, como instituições de pagamento, gestora de investimentos ou crowdfunding.
Para a advogada Florence Terada, o grau de exigência deve ser alto, ao menos em relação à cibersegurança. “Eu concordo que sugerir tecnologia específica é ruim. Mas os macro tópicos precisam ser abordados. Como diretrizes que devem constar para assegurar a confiança das operações e a disponibilidade dos sistemas críticos usados. E precisa existir um modelo de plano de resposta a incidente, critérios mínimos para ver como a organização vai responder se houver uma falha. Isso é importantíssimo, pois a gente vê que, quando não existe a cultura da prevenção e as organizações atuam por conta própria, ela fica desnorteada quando acontece algo”, explica.
Espera-se, também, que seja estabelecido um período razoável – a ABCripto sugere 18 a 36 meses, a depender do porte e segmento da empresa – para as empresas levantarem recursos e se adaptarem às novas regras, uma vez que elas existam.
Regulação aumenta legitimidade do setor
Ainda que alguns pontos da regulação gerem ansiedade nas empresas do setor, é consenso entre elas que esse processo deve trazer mais segurança e confiabilidade para os investimentos em criptomoedas. E que o Banco Central é o ator certo para cuidar da criação desse arcabouço de regras.
“Eu elogio sempre nosso regulador porque ele não ganha nada em fazer uma regulação boa. Não recebe vantagens por isso. E ter o BC, que junto com a CVM se preocupa em abrir o mercado de capitais de forma responsável, cuidando disso é muito interessante”, diz André Franco.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Escola precisa ser o centro da integração para combate à pobreza

Escola precisa ser o centro da integração para combate à pobreza | Inovação Educacional | Scoop.it

Com ação combinada de políticas sociais, educacionais e de estímulo ao empreendedorismo, o governo federal quer unir Estados e municípios para diminuir os índices de desigualdade e pobreza do país. Por meio do Bolsa Família, a ideia é ampliar os recursos que vinculem o aluno à escola, reduzam a evasão no ensino público e criem ainda uma poupança futura para que ele possa empreender.
Uma das frentes é colocar mais 1 milhão de estudantes no programa Pé-de-Meia, do Ministério da Educação (MEC), que dá incentivo para que o aluno termine o ensino médio, e que atende a 2,5 milhões de estudantes a um custo anual de R$ 7,1 bilhões. O programa dá R$ 200 mensais, que podem ser sacados, mais depósitos de R$ 1 mil a cada ano concluído, mas que o estudante só poderá retirar após se formar. Com os depósitos anuais e o adicional de R$ 200 pela participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os valores chegam a R$ 9,2 mil por aluno.
Além de estimular a permanência e a conclusão do ensino médio, o Pé-de-Meia, lançado neste ano, prevê a participação do aluno em exames educacionais nacionais e subnacionais. A Caixa Econômica Federal é responsável pela abertura da conta dos beneficiários, que podem ter acesso a microcrédito como forma de estimular o empreendedorismo. Além de integrarem o Bolsa Família, os participantes têm que estar inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico).
A ampliação do programa tem custo estimado em R$ 4 bilhões. Há que defenda a ampliação para R$ 20 bilhões, para que os alunos tenham maior poupança e possam empreender no futuro. “Mas é preciso avaliar as restrições orçamentárias e estarmos atentos ao estrangulamento do poder discricionário do governo”, alertou o diretor de políticas e diretrizes da educação integral básica do MEC, Alexsandro do Nascimento Santos, durante o evento Rumos 2024, promovido no dia 8 pelo Valor no hotel Rosewood, em  São  Paulo.
Estudo produzido pelo CadÚnico está avaliando a ampliação desse alcance, considerando ainda o potencial de atender os matriculados na Educação para Jovens e Adultos (EJA), que não estão no sistema. “Há 9 milhões de estudantes adultos que não completaram o ensino médio. Vamos avaliar o relatório para que eles possam voltar em 2025 e ser contemplados no programa”, disse Santos.
Letícia Bartholo, secretária de avaliação, gestão da informação e Cadastro Único do Ministério de Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, falou sobre como a revisão e integração de dados pode trazer bons resultados. Ela citou como exemplo o cruzamento do cadastro nacional de informações sociais com o sistema de acompanhamento de frequência escolar dos beneficiários do Bolsa Família.
“Nós possibilitamos economizar R$ 7,5 bilhões só corrigindo as informações do cadastro e integramos mais de 7 milhões de informações. Daí a importância de qualificação das informações para que os benefícios cheguem a quem mais precisa”, afirmou a secretária no evento.
A qualificação dos dados vem sendo feita desde 2023 e conta com a incorporação das informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), que reúne mais de 80 bilhões de registros administrativos referentes a renda, vínculos de emprego formal e benefícios previdenciários e assistenciais pagos pelo INSS. “Até o primeiro trimestre de 2025, queremos integrar todas as bases sociais, como saúde, educação, assistência social e outros”, disse a secretária.
O CadÚnico é usado para identificar e mapear as famílias de baixa renda do país para 38 programas sociais, como o Pé de Meia. Naercio Menezes Filho, professor titular de economia do Insper e professor associado da USP, ressaltou a importância de programas como esse, especialmente em um país onde um terço dos jovens não trabalham nem estudam - são os chamados “nem-nem”. “O programa Pé de Meia é importante para manter o jovem até a conclusão do ensino médio, até porque estudos mostram que isso provoca um aumento de até 15% nos salários ao concluírem esta fase de formação”, afirmou Menezes.
No entanto, o acadêmico salientou que a questão educacional e de aprendizagem do aluno vai muito além disso, pois é preciso melhorar a qualidade da educação e a formação e condições de trabalho dos professores. “Teria impacto maior se tivesse qualidade nas escolas públicas, porque o programa é importante e seu custo é elevado. Tem que trazer o jovem para escola pela qualidade e atratividade do que está sendo oferecido”, disse.
Para Alcielle Santos, diretora de educação do Instituto Iungo, presidente da cooperativa de professores Cipó Educação e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável da Presidência da República, a exclusão dos jovens pode causar tensão social. Ela defende que políticas públicas nesta área têm que ser pensadas com educadores e estudantes.
“No nível federal, apoio a Comissão de Combate à Desigualdade a pensar políticas públicas, e nenhuma política pública já nasce boa. Usamos todas as casas do estado democrático, mas não temos condições de ouvir a todas as pessoas”, observou ela. A solução foi desenvolver um sistema de inteligência de dados e ir incluindo informações que possam ser analisadas com profundidade. “É uma construção coletiva, que não é menos complexa do que a da reforma tributária, onde municípios, Estados e a federação têm que trabalhar juntos” disse. “Quando um país diminui a sua desigualdade, melhora tudo: a segurança pública, a educação, tudo.”
Há consenso entre os especialistas que a escola tem de ser o centro da integração nacional no combate à miséria e à pobreza. Um mapeamento realizado pelo governo federal após discussões com sociedade civil, escolas e universidades no ano passado, porém, mostrou que das 20 mil escolas de ensino médio do país, 5 mil têm estruturas precárias. Não oferecem merenda, têm banheiros quebrados e sem papel higiênico, faltam produtos de limpeza. “Há ainda o grave ‘gap’ no número de professores. Essas agendas de políticas públicas precisam ser endereçadas com urgência”, disse Alcielle Santos. “E o pior é que o fracasso escolar está concentrado em uma classe social que ter cor. São negros, índios e quilombolas, que representam 56% da população. Tem que ter políticas afirmativas para os mais vulneráveis”, acrescentou.
Rumos 2024 foi uma realização do Valor, com patrocínio master da Suzano e apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) e da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Localiza&Co e AWS abrem 700 vagas para curso gratuito em nuvem e IA generativa | Empregos & Oportunidades

Localiza&Co e AWS abrem 700 vagas para curso gratuito em nuvem e IA generativa | Empregos & Oportunidades | Inovação Educacional | Scoop.it
Capacitação acontece em formato remoto e irá preparar candidatos para certificação AWS Certified Cloud Practitioner
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

SP deve lançar leilão para privatizar gestão de escolas em novembro

SP deve lançar leilão para privatizar gestão de escolas em novembro | Inovação Educacional | Scoop.it
O objetivo é "liberar a direção da escola de tarefas burocráticas, permitindo maior dedicação às questões pedagógicas", diz a secretaria da Educação. A parte pedagógica, como a definição do material didático e o planejamento escolar, continuará sob responsabilidade da pasta.

A privatização das escolas faz parte de um pacote de desestatização no qual o governador aposta para esse ano. Em 2023, Tarcísio conseguiu aprovar a privatização da Sabesp.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Josias de Souza

PCC consolidou-se como máfia


José Roberto de Toledo

Acesso 'universal' à internet no Brasil é enganador


Tales Faria

Conflito Israel x Irã pode promover escalada nuclear


PVC

PSG elimina Barça, e Dortmund dá show

Segundo o governo, o projeto das escolas prevê R$ 1,6 bilhão de investimento e concessão de 25 anos. "Metade das unidades serão construídas até o segundo ano e as demais, até o terceiro ano de contrato", afirma a secretaria.

Em novembro, o estado abriu uma consulta pública sobre o tema. O projeto é feito com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e prevê a construção de escolas em 29 municípios paulistas.

O governo Tarcísio prevê a abertura de mais de 35 mil matrículas para alunos dos ensinos fundamental e médio. Inicialmente, a proposta do então governador João Doria (hoje sem partido) era passar para iniciativa privada a gestão de 60 escolas estaduais.

A PPP [Parceria Público-Privada] envolverá a construção, gestão e operação das unidades, além de serviços não pedagógicos, como limpeza, manutenção, gestão de infraestrutura e segurança.
Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Escolas do Paraná
Em 2022, o Paraná lançou um programa que prevê a entrega da administração de escolas à iniciativa privada. A proposta foi feita quando Renato Feder, atual secretário da Educação paulista, chefiava a pasta no estado.

Continua após a publicidade
Relacionadas
Tarcísio veta programa de apoio a professor vítima de violência em escolas
Sem primeiro escalão de Tarcísio, evento do MEC em SP tem Boulos e Tabata
Tarcísio fala em criar 100 escolas cívico-militares e envia projeto à Alesp
A ideia era que a iniciativa privada assumisse 27 escolas, inicialmente. No momento, duas unidades são geridas por empresas do setor privado no modelo piloto do programa. Elas foram escolhidas com base nos critérios da nota do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), frequência e indicadores socioeconômicos.

A proposta tem tópicos parecidos com a que o governo paulista quer adotar. As empresas no Paraná são responsáveis pelos processos das áreas administrativa, financeira e estrutural das escolas. Entre as ações, está o fornecimento de merenda, uniforme e limpeza.

O objetivo do projeto é garantir a prestação de serviços públicos educacionais com mais eficiência e eficácia por meio dessa parceria. Dessa forma, os diretores das instituições podem se concentrar mais na área da educação, enquanto a área de gerenciamento fica sob a responsabilidade das empresas parceiras. A empresa parceira também deve se comprometer com a melhoria da infraestrutura e, consequentemente, do ensino.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

E por falar em educação - E-book 4ª Temporada

E por falar em educação - E-book 4ª Temporada | Inovação Educacional | Scoop.it
A Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) reúne nesta coletânea todos os episódios de podcast veiculados no ano de 2023.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Think Faster, Talk Smarter with Matt Abrahams

Many of us dread having to convey our ideas to others, often feeling ill-equipped, anxious, and awkward. Experts help by focusing on planned communication experiences; yet, most of our professional and personal communication occurs in spontaneous situations that leave us flustered and stumbling for words. Together, we’ll explore science-based strategies for managing anxiety, responding to the mood of the room, and making content concise, relevant, compelling, and memorable. By the end of this class, you’ll know how to navigate the situation like a pro and bring out your very best.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Educação perde R$ 1,2 bilhão por gastos abaixo do piso durante a pandemia

Educação perde R$ 1,2 bilhão por gastos abaixo do piso durante a pandemia | Inovação Educacional | Scoop.it
Valor ainda pode crescer, já que 1,5 mil municípios e oito estados ainda não prestaram contas de seus gastos; Ministério Público cobra pendências
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Formação à distância de professores está em debate; MEC começa a fazer mudanças | Jornal Nacional

Formação à distância de professores está em debate; MEC começa a fazer mudanças | Jornal Nacional | Inovação Educacional | Scoop.it
Na chamada educação à distância, onde os cursos para a formação de professores deram um salto, as matrículas representam quase 40% do total dessa modalidade no país.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

XIII Conferência Regional da IEAL define estratégias para fortalecimento da educação na América Latina - PROIFES

XIII Conferência Regional da IEAL define estratégias para fortalecimento da educação na América Latina - PROIFES | Inovação Educacional | Scoop.it
“Esta foi uma Conferência muito significativa, todos os países e entidades que compõem a IEAL estavam presentes e a troca política e pedagógica realizada foi de grande relevância. Foi possível, ainda, a aproximação com entidades parceiras por campo específico e as entidades sindicais do ensino superior, como o PROIFES-Federação, CONADU (Argentina), ADUR (Uruguai), ASPU (Colômbia) e FAUECH (Chile), em reunião específica, pensaram estratégias para fortalecer as pautas da educação superior junto à IEAL, com o entendimento que, ainda que tenhamos realidades distintas, a realidade latino-americana que nos une nos faz, também, sermos muito mais fortes”, Ana Boff de Godoy.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

Educação, inovação e o desenvolvimento

Os aspectos centrais da atividade jornalística estão relacionados com a busca da verdade, a transparência e o compartilhamento de valores globais fundamentais para a sociedade, como a paz, os direitos humanos e a liberdade. Ao definir suas bandeiras editoriais, as empresas de comunicação ao mesmo tempo refletem e pautam as discussões relevantes que ajudam a sociedade a se conhecer, a refletir criticamente sobre seu passado e a construir seu futuro. Emergem assim temas atuais como mudanças climáticas, energias renováveis, ESG, educação, inovação e desenvolvimento social.
Uma visão mais propositiva do papel do jornalismo profissional e de seu compromisso com a sociedade em que atua envolve uma dimensão pedagógica relevante. Sob um certo aspecto, significa uma busca constante de um novo jornalismo para uma sociedade em transformação para o tempo que vivemos. Para o nosso tempo. 
E quanto mais se configura o mundo digital, em que as dimensões física, digital e social se confundem, mais importante é estarmos atentos aos vetores da transformação que vivemos. As redes sociais e as novas tecnologias, como inteligência artificial, terapias gênicas, ciência de dados e internet das coisas, não são elementos neutros ou passivos nos processos de comunicação e interação entre as pessoas. As novas tecnologias, em especial as deep techs, quanto mais pervasivas se tornam, mais influenciam e afetam nossas relações. E mais atentos devemos estar a elas.
Voltando ao tema da dimensão pedagógica do jornalismo profissional na busca da verdade com transparência, um bom exemplo envolve a discussão, tanto nacional como regional, da construção de planos e definição de estratégias de desenvolvimento. E a identificação das relações entre o desenvolvimento, a inovação e a educação. No tempo em que vivemos, desenvolvimento deve envolver sempre as perspectivas econômica, social, cultural e ambiental. 
Quando falamos de inovação, globalmente aceita como um atributo essencial na busca de produtividade e de competitividade no mundo empresarial, devemos ter também em mente que ela (a inovação) sequer faz sentido se não se traduzir em impacto social e melhorias na qualidade de vida das pessoas ao longo do tempo.
A educação é em si o fator principal e preliminar para qualquer processo de desenvolvimento. Além de ser o mais eficaz processo de mobilidade e justiça social, a educação é fator crítico para o desempenho de uma economia e uma sociedade moderna. Uma educação inclusiva e de qualidade, que ofereça oportunidades para o pleno desenvolvimento das pessoas, seu preparo para a cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
Todos os países do mundo que se desenvolveram de forma destacada a partir da revolução da tecnociência da metade do século 20, primeiro realizaram uma transformação na educação de seu povo. Somente depois definiram e implantaram planos nacionais de desenvolvimento, tendo a inovação como um dos pilares do processo. Não adianta a inovação ser uma prioridade sem ter a educação como o elemento central da estratégia de desenvolvimento. 
Conectando novamente com o papel do jornalismo neste mundo cada vez mais complexo e com fontes de informações diversas e pouco confiáveis, os veículos de comunicação, ao darem espaço para discussões relevantes e atuais, como a do desenvolvimento, acabam atuando, também, como propulsores dessas transformações.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

A educação híbrida no Ceará: 10 anos mediando saberes e aproximando pessoas

A educação híbrida no Ceará: 10 anos mediando saberes e aproximando pessoas | Inovação Educacional | Scoop.it
Para o desenvolvimento de suas atividades, a Coordenadoria possui uma infraestrutura composta por laboratórios, auditórios, estúdios e salas de videoconferência.  Nesses espaços, são realizadas ações, como as Práticas Laboratoriais de Ciências da Natureza e Matemática (LabCED), que proporcionam experiências de aprendizado imersivas e interativas, assim como no Laboratório de Criatividade e Inovação para a Educação Básica (LabCrie), onde são oferecidas formações para o desenvolvimento da cultura maker. 
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

William Matos | O papel do EaD na democratização do ensino superior

William Matos | O papel do EaD na democratização do ensino superior | Inovação Educacional | Scoop.it
Ensino à distância possibilita o desenvolvimento de regiões e diminui desigualdades sociais ao ampliar oportunidades de emprego, escreve William Matos
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

O Estado que funciona

O Estado que funciona | Inovação Educacional | Scoop.it

Diante da constante demanda por mais e melhores serviços públicos, é oportuno avaliar uma das mais importantes consequências do Plano Diretor da Reforma do Estado, concebido em 1995, pelo então ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira.
André Sant’Anna e Ricardo Barboza: Dívida verde dos Estados
A criação da figura jurídica das organizações sociais (OSs) visa transferir para entidades públicas não estatais (ou transformar agências ou departamentos estatais em entidades públicas não estatais) a implementação de serviços sociais, culturais e científicos. O objetivo primordial é o de ganhar eficiência, ampliando a oferta desses serviços, por intermédio da maior flexibilidade e autonomia que o quadro legal - privado - permite.
O Estado passa a financiar esses setores, transferindo recursos mediante um contrato de gestão, orientado pela conquista de resultados. Trata-se de estabelecer uma parceria entre Estado e sociedade, ampliando a participação da sociedade a partir do controle social, por meio de conselhos de administração amplos e representativos. Por outro lado, o modelo implica na possibilidade de obter recursos adicionais a essas atividades, oriundos de fontes não governamentais. A transparência se estabelece como pressuposto dessa nova modalidade.
Desde o momento da publicação da lei 9637/98, o modelo se disseminou entre os entes da federação: hoje 20 estados adotam a figura das OSs no campo da saúde; no Estado de São Paulo, mais de 1000 equipamentos são gerenciados por OSs, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, mais de 100. Nesse campo atuam mais de 150 OSs, administrando principalmente hospitais. Uma avaliação dos melhores hospitais públicos do país indicou que, dos 40 primeiros, 35 são gerenciados por OSs. As OSs de saúde são responsáveis por 44% dos serviços prestados pelo governo do Estado de São Paulo e mais da metade dos serviços prestados por parceiros no município de São Paulo.
No campo da cultura, o modelo tem sido adotado com sucesso, tendo colaborado intensamente para a institucionalização e formalização desse setor. Esse é um campo em que é possível a captação de recursos na sociedade; a título de exemplo, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), cujas receitas, em 2006, provinham em 70% do contrato de gestão, passaram a somente depender dessa mesma fonte em aproximadamente 40%, a partir de 2016. Ainda no Estado de São Paulo tem se assistido a uma admirável ampliação e descentralização dos serviços no campo da cultura, tendo em vista que as OSs possuem uma capilaridade dificilmente alcançável pelas estruturas estatais. As OSs de Cultura se expandiram no país - como o “Dragão do Mar”, do Ceará- de sorte que os melhores programas e melhores equipamentos são gerenciados por elas. Esse modelo permitiu também a profissionalização do campo e estimula o trabalho em rede.
Há que se destacar igualmente contribuição das OSs na ciência e tecnologia; esse é um campo em que o nível federal está mais presente e no qual há notáveis conquistas, representadas, por exemplo, pela obtenção da medalha Fields (equivalente ao Nobel nessa área) por Artur Ávila, integrante do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), ou pelo CNPEM, que detém o maior equipamento científico do hemisfério Sul, o acelerador Sirius. O modelo OS também permite que o Impa realize a Olimpíada de Matemática, envolvendo 22,6 milhões de alunos em praticamente todos os municípios do país.
Alguns Estados, como Pernambuco, também vêm se utilizando do modelo para iniciativas no campo da ciência e tecnologia, como o “Porto Digital”. Situado no centro de Recife, congrega hoje 415 empresas, 18.000 empregos, teve um faturamento, em 2023, de mais de R$ 5 bilhões. Iniciativa semelhante, desenvolvida dentro da administração direta, logrou criar somente 13 empresas no mesmo período. A efetividade das OSs justificou sua adoção na criação recente do “Centro de Bionegócios da Amazônia”, na atual gestão Lula.
Em que pese os avanços que as OSs têm proporcionado, sua implementação não é livre de problemas. Uma avaliação de 2022 destacou importantes pendências: falta de compromisso orçamentário por parte dos governos; lentidão ou falta de rigor no processo de escolha das organizações; desconhecimento e resistência da burocracia; falta de padronização para avaliação; controles internos e externo inadequados, avaliando-as como se estivessem sob o quadro jurídico estatal. Nem sempre os tribunais de contas entendem completamente a natureza das OSs.
Em recente encontro, promovido pela FGV-EAESP, dirigentes de importantes organizações sociais, representantes de tribunais de contas, dirigentes do Executivo Federal e executivos estaduais, juristas e especialistas - além do próprio ex-ministro Bresser-Pereira - examinaram a experiência dos últimos 25 anos.
Em síntese, os experientes painelistas destacaram que ainda há obstáculos a superar: a fragilidade da administração direta em elaborar, planejar e monitorar os contratos de gestão; a falta de responsabilização do contratante, permitindo que os desembolsos fiquem sujeitos à “disponibilidade orçamentária”; lideranças incapazes, seja do lado do Estado, seja do lado das organizações; a incompreensão, por parte do poder público, de que se trata de uma parceria e não privatização, terceirização ou prestação de serviço contratado.
Por outro lado, apontaram que as OSs têm demonstrado ser uma ferramenta altamente efetiva para projetos especiais, que necessitam uma visão de longo prazo. Do ponto de vista legal, a OS tem a vantagem de poder ser adaptada pelos entes e pelos setores. Traz também grandes ganhos de aprendizado para os governos, que podem aplicar essas lições em seus equipamentos estatais.
Há aperfeiçoamentos que poderiam ser adotados, como um fundo garantidor, que daria segurança jurídica e garantias orçamentárias às organizações contratadas.
A melhoria da gestão pública é uma construção: envolve um entendimento comum, da sociedade, dos diferentes segmentos do Estado, da classe política e a qualificação desses múltiplos atores. Os ganhos de eficiência e efetividade derivam de um conjunto de estratégias. A escolha de corretos modelos organizacionais se mostrou ser uma delas, e das mais relevantes. As OSs representam um grande avanço na gestão pública brasileira. A entrega de mais e melhores serviços aos cidadãos exige a ousadia da experimentação.
Pedro Wongtschowski é conselheiro de empresas privadas e da Fapesp, IMPA, FNDCT, Embrapii. Preside o Conselho de Inovação e Competitividade da Fiesp.
Regina Pacheco é professora e pesquisadora de gestão pública da FGV- EAESP
Evelyn Levy é especialista em gestão pública e consultora de organismos internacionais.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

B3 desenvolve plataforma para transações secundárias de startups

B3 desenvolve plataforma para transações secundárias de startups | Inovação Educacional | Scoop.it

A B3 encontrou um caminho para entrar mais cedo no universo das startups. Ao invés de criar uma bolsa para competir com plataformas de crowdfunding, a companhia decidiu muni-las de tecnologia para aumentar a liquidez desse mercado. Com a subsidiária B3 Digitas, a bolsa desenvolveu uma plataforma em modelo white label para uso de terceiros, que viabiliza a transação secundária por meio de tokenização.
"As companhias de menor porte estão no nosso radar desde sempre, mas não somos e não seremos uma plataforma de crowdfunding. É uma solução de tecnologia que estamos disponibilizando para transações subsequentes nas plataformas que já fazem as ofertas primárias", diz Flavia Mouta, diretora de Emissores da B3, ao Pipeline.
Os gringos do rúgbi que apostaram em crowdfunding no Brasil
Fundo da B3, L4 Ventures vê mercado favorável e traz novo gestor
As plataformas de crowdfunding Kria e EqSeed ajudaram a testar a tecnologia nos últimos meses. A B3 Digitas, que já é responsável pela infraestrutura do aplicativo de criptomoedas do banco Inter, coloca a operação no ar e atende aos chamados técnicos da plataforma de crowfunding contratante.
Flavia Mouta, diretora de emissores da B3: solução tecnológica para plataformas de crowdfunding — Foto: Silvia Zamboni/Valor
Como já tem a infraestrutura dentro de casa, o processo foi mais rápido e mais barato do que seria para cada operadora criar o sua. A B3 submeteu à aprovação da CVM, ainda que a responsabilidade sobre as transações dos investidores continuem com as plataformas.
Após aporte da B3, Mbochip avança no exterior
Atlas Governance vai montar conselho sob medida para empresas — sem cobrar por isso
A negociação secundária de participações em startups pelas plataformas passou a ser permitida em 2022, quando a CVM ajustou a regra para esse segmento. Algumas plataformas já vinham desenvolvendo suas próprias tecnologias, mas não chegaram a colocar no ar uma estrutura digitalizada.
"O que fizemos foi tokenizar o que era feito de forma analógica. Ao invés do contrato inteiro à venda, em que o interessado faz contato por telefone ou por email para comprar participação, a tokenização fraciona em participações, o que torna a experiência também mais digital", diz Leonardo Resende, superintendente de Relacionamento com Empresas da B3.
"A plataforma faz o controle das titularidades dos tokens, quem são os donos. Quando a transação de venda acontece, o comprador tem um prazo determinado, configurável conforme a plataforma, para fazer a transferência via Pix e essa troca de titularidade só acontece após a confirmação de pagamento", explica Jochen Mielke de Lima, CEO da B3 Digitas. "A forma de negociar tem uma sistemática diferente do nosso mercado tradicional. O vendedor pode escolher a oferta que lhe parecer melhor, não só por preço mas quantidade de tokens", complementa Mouta.
A monetização da B3 segue um modelo de tarifação que varia conforme volume e customizações. A companhia não faz projeção do que pode ser o tamanho desse mercado secundário de crowdfunding.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Scoop.it!

A transição verde brasileira tem que ser uma jabuticaba

A transição brasileira rumo à economia verde não pode aprofundar desigualdades sociais, como vêm fazendo no caso do crescimento das energias renováveis, por mais espantoso que isso possa soar. E nem é energética, como acontece no mundo desenvolvido e também no em desenvolvimento. A metamorfose brasileira é, em muitos aspectos, uma jabuticaba - tem que ser nativa daqui.
Um dos desafios do país, em ano em que preside o G20 e à véspera de ser anfitrião da conferência do clima da ONU, a COP30, é conseguir que os fluxos financeiros globais sejam de doações, empréstimos, investimentos e tecnologias que sustentem a transformação ecológica que o planeta precisa com urgência. Em termos nacionais, o Brasil também precisa disso tudo, além de se adaptar ao novo clima e criar resiliência nas cidades, no campo, na floresta, na agricultura, na infraestrutura, na saúde, em toda parte. Não é pouca tarefa nem pouco obstáculo.
Não à toa o plano de descarbonização do Brasil chama-se Plano de Transformação Ecológica e não de transição energética. O país, é sabido, tem uma matriz energética limpa em relação ao mundo - embora no horizonte existam iniciativas com potencial para sujá-la.
Mas a matriz energética não é o problema brasileiro em termos de emissões. Desmatamento e agropecuária somados respondem por 67% das emissões de gases-estufa e criam o nó. “O nosso desafio, no curto prazo, está aí”, disse João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, o MMA, no evento do Valor Rumos 2024. Mas no médio e longo prazo, quando o desmatamento estiver sob controle, trata-se de modificar toda a economia.
A gestão Lula age na redução do desmatamento da Amazônia e vem colhendo bons resultados, mas encontra muita dificuldade no Cerrado. Outro ponto é que nem tudo que vem das energias renováveis no Brasil é sinônimo de justiça e igualdade e é preciso uma correção de rumo de quem paga o subsídio da conta da energia elétrica limpa. Foi nesses termos que o especialista no setor elétrico Edvaldo Santana, ex-diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, colocou a questão.
Em 1975 o setor elétrico tinha 55 GW de capacidade instalada, hoje tem 230 GW e em 2025 serão 260 GW. O grande crescimento veio puxado pela hidrelétrica de Itaipu, que demandaria a interligação do sistema no país. Santana deu esses números e lembrou que é importante observar onde a geração elétrica cresceu: em 2006 o Brasil tinha zero gigawatt de geração eólica e solar. Em 2010, eram 5 GW e agora, 70 GW - isso é muito mais do que tudo que foi instalado em hidrelétricas, incluindo Itaipu, Belo Monte, Santo Antônio e Jirau e todas as térmicas a gás construídas nos anos em que o Brasil sofreu racionamento de energia.
Foi um salto grande em um período curto. Mais da metade da adição na capacidade de geração de renováveis ocorreu entre 2016 e hoje. Tem potencial de dobrar até 2030, em cenário nem tão otimista assim. Em um domingo nublado de abril, a carga estava em torno de 70 GW em determinado horário e deste volume, 72% vinham de eólicas, painéis solares e hidrelétricas. Tudo lindo? Não. Os gargalos no desenho financeiro e regulatório vêm criando um sistema que aprofunda a desigualdade social. É um equívoco surpreendente.
Painéis solares, por exemplo, são subsidiados. Acontece de quem tem energia solar em casa pagar R$ 20 de conta de luz e a diarista que trabalha ali, R$ 150, se não tiver tarifa social. O crescimento da matriz elétrica renovável no Brasil é desigual. “Os grandes consumidores compram esses contratos de geração - mas um pedaço da conta da diarista é que paga o custo da energia solar e eólica dos consumidores das classes alta e média”, disse Santana. Os investimentos são dos grandes investidores, mas quase 70% do subsídio, nas suas contas, é pago pela população mais pobre do país.
“A transição feita de 2006 a hoje tem sido rentável e segura para quem investe, barata e vantajosa para quem usa. Mas é cara, injusta e perversa para quem paga”, disse Santana. Esse é o gargalo que tem que ser mudado rapidamente, defendeu. “O que hoje determina o crescimento da conta de luz são subsídios para a transição energética. Tem que resolver.”
Eventos climáticos extremos impactam o Brasil com mortes, perdas de biodiversidade e dificuldades sociais. Já são 0,1% de prejuízos no PIB. A necessidade de adaptação é alarmante. Mais de 80% dos brasileiros vivem em cidades costeiras e o mar está subindo. A economia se baseia em commodities e não se produz sem água da floresta, em solos degradados e temperaturas hostis. Isso sem falar em resiliência, diz Maria Netto, diretora do Instituto Clima e Sociedade. Há pesquisa de novos materiais para o Minha Casa Minha Vida? O Programa de Aceleração do Crescimento prevê fortalecer a resiliência climática da infraestrutura? São perguntas que o poder público têm que se fazer e debater soluções com o setor privado, o sistema financeiro, a academia, indígenas, quilombolas e movimentos sociais.

No comment yet.