O ciclo de 2026 traz como destaque a ampliação das etapas de monitoramento e planejamento realizadas pelas redes de ensino, que passam a executar ações no módulo Enec do Simec, além de atividades no módulo Educação Conectada. O envio do monitoramento da Enec ao MEC também passa a ser um dos critérios de classificação das escolas para participação na política.
Participação – A partir de 15 de abril, as secretarias estaduais e municipais de educação deverão acessar o Simec para atualizar os dados de contato da rede e preencher o monitoramento da conectividade no módulo Enec. Também caberá às redes indicar o articulador local da política, selecionar e enviar ao MEC as escolas que participarão do ciclo de 2026 e acompanhar o processo realizado pelas unidades escolares.
As escolas selecionadas deverão acessar o PDDE Interativo para preencher o monitoramento, realizar a adesão à PIEC 2026 e elaborar o Plano de Aplicação Financeira (PAF), documento que orienta o uso dos recursos. O cumprimento de todas as etapas pelas redes e pelas escolas é obrigatório para a participação no ciclo da política.
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As “Recomendações para Formação Docente em Inteligência Artificial (IA) na Educação Básica” apresentam diretrizes para apoiar redes de ensino, formuladores de políticas públicas e instituições formadoras na construção de percursos formativos éticos, críticos e contextualizados sobre IA. O documento é fruto de um processo colaborativo entre instituições comprometidas com a educação, apoiado por evidências coletadas junto a professores da Educação Básica, por meio de grupos focais e levantamento nacional. Alinhadas à BNCC Computação, as recomendações defendem uma formação em IA integrada às práticas pedagógicas e à gestão educacional, considerando impactos sociais, culturais e éticos dessas tecnologias. A publicação reforça a formação docente como eixo central para o uso pedagógico qualificado da IA, destacando a necessidade de programas contínuos que fortaleçam competências digitais e promovam uma incorporação crítica, significativa e transformadora da IA na educação.
Volto ao tema da coluna anterior para apresentar alguns dados que sustentam minha convicção de que as cotas são a mais eficiente e eficaz política pública já adotada pelo Estado para fazer frente ao fosso de desigualdades que nos caracteriza enquanto sociedade.
Como se sabe, até o fim dos anos 1990 o perfil acadêmico dos alunos das nossas universidades federais era composto majoritariamente por jovens brancos, filhos das classes média e alta.
Com a lei 12.711/2012, que instituiu a reserva de 50% das vagas nas universidades e institutos federais a alunos oriundos do ensino médio público, essa realidade mudou radicalmente.
Campus Quitaúna da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em Osasco - Rafaela Araújo - 1.ago.24/Folhapress Hoje, os estudantes autodeclarados pretos, pardos e indígenas correspondem a 52,4%. E são pessoas majoritariamente das classes D e E, ou seja, a renda média é inferior a dois salários mínimos.
Estudo realizado em 2023 pelos doutores Inácio Bó e Adriano Souza Senkevics mapeou a contribuição das cotas para tornar menos desigual o acesso ao ensino superior no Brasil.
Segundo os autores, com as cotas, o número de pessoas pretas, pardas e indígenas ingressantes nas universidades aumentou 279%.
Quando observados os candidatos oriundos de famílias de baixa renda, o crescimento foi de 235%.
Mas o maior impacto das cotas se deu entre pessoas com deficiência: o aumento do número de aprovadas foi de 1.030%.
Outro documento elucidativo é o livro "O Impacto das Cotas: Duas Décadas de Ação Afirmativa no Ensino Superior", organizado pelos sociólogos Luiz Augusto Campos e Márcia Lima.
A publicação desmistifica uma das maiores falácias contra as cotas: a do desempenho inferior dos cotistas. É verdade que estudantes cotistas ingressam nas universidades federais com notas menores no Enem, mas também é fato que essa diferença some ao longo do curso.
Esses e outros dados deixam evidente que cotas étnico-raciais são um instrumento fundamental para fazer frente ao racismo no Brasil.
Marina encarava a tela do laptop com a visão turva. No seu apartamento em Pinheiros, o som de uma goteira na cozinha compassava sua ansiedade. O prazo para a entrega de sua coluna no Jornal da Metrópole venceria em duas horas. No colo, seu gato de estimação exigia uma atenção que ela não podia dar; o animal andava prostrado, e a preocupação com a saúde dele, somada a uma pilha de boletos e uma gripe mal curada, drenava qualquer resquício de criatividade. O tema que ela havia escolhido —"A Permanência da Poética de João Cabral de Melo Neto no Caos Urbano"— parecia, naquele momento, uma tarefa hercúlea.
Do outro lado da cidade, Ricardo, colunista do concorrente Diário Nacional, vivia um colapso simétrico. Entre uma obra barulhenta no andar de cima e o fim traumático de um relacionamento que ainda ecoava em notificações no celular, ele não conseguia alinhar três frases coerentes. Ironicamente, ele escolhera o mesmo assunto para a edição de domingo: o rigor de João Cabral diante da desordem moderna. Era uma efeméride literária que ambos não podiam ignorar, mas a mente de Ricardo estava seca como o sertão do poeta pernambucano.
Obra da exposição Pixel Park: SuperUber Arte e Tecnologia, realizada no Instituto de Artes Interativas (iAi), em São Paulo - Fred Chalub - 13.ago.09/Folhapress Exaustos e operando no modo de sobrevivência, ambos tiveram a mesma ideia, quase que por instinto de preservação profissional. Marina abriu uma aba de inteligência artificial. Ricardo fez o mesmo.
Marina digitou: "Escreva uma coluna de 2.500 caracteres sobre a influência da poesia de João Cabral de Melo Neto na estética contemporânea, focando a precisão técnica contra o excesso de informação digital. Use um tom sofisticado e melancólico".
Ricardo, buscando o mesmo atalho, formulou um comando assustadoramente similar: "Crie um texto de opinião com cerca de 2.500 caracteres discutindo como o rigor seco de João Cabral de Melo Neto dialoga com o barulho da era digital. O tom deve ser intelectual e levemente nostálgico".
A IA processou os pedidos em segundos. Para Marina, entregou um texto intitulado "A Faca Só Lâmina no Ruído de Fundo". Para Ricardo, gerou um ensaio chamado "A Arquitetura do Silêncio em Tempos de Algoritmo". Apesar de os títulos sugeridos serem diferentes, o corpo do texto era uma construção matemática baseada nos mesmos bancos de dados e nas mesmas probabilidades sintáticas.
Sem tempo para revisões profundas, Marina apenas ajustou um parágrafo, mudou uma vírgula de lugar e enviou o arquivo. Ricardo fez uma leitura diagonal, deu um "copiar e colar" e despachou o email para o editor.
Na manhã de domingo, o desastre se materializou no papel e no pixel.
Nas bancas e nos feeds, as colunas dos dois maiores jornais do país eram espelhos perfeitos. O primeiro parágrafo de Marina começava: "Em um mundo saturado por estímulos visuais, a secura de 'Morte e Vida Severina' ressurge não como arcaísmo, mas como antídoto..." O de Ricardo, palavra por palavra, dizia o mesmo. As citações sobre o "engenheiro do verso" apareciam nos mesmos pontos. A conclusão sobre a necessidade de "esculpir o vazio" era idêntica.
1 5 IA já aparece em outdoors e carros autônomos pelo Vale do Silício
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... O escândalo foi instantâneo nas redes sociais.
Como você acha que os leitores reagiriam se descobrissem que ambos os textos foram gerados por IA?
P.S.: Coluna gerada por IA a partir de um prompt (que não mencionava João Cabral).
“Se há algo verdadeiramente novo na guerra dataficada, não é apenas sua capacidade destrutiva com base na análise massiva de dados, mas sua pretensão de eliminar o próprio conflito moral que historicamente acompanhou o ato de matar com fins militares”, escrevem Luiz Cesar de Queiroz Ribeiro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Nelson Diniz, professor do Colégio Pedro II, em artigo publicado por Observatório das Metrópoles, 02-04-2026.
Giancarlo Greco, presidente da Abecs e CEO da Elo, explicou como isso será possível, no congresso da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços
Na Holanda, autonomia, natureza e tempo em família moldam a infância, tornando o país o número um no quesito felicidade infantil, de acordo com o Unicef. O que os pais estão fazendo certo?
Drones de reconhecimento e de combate e veículos terrestres não tripulados desempenham papel fundamental na frente de guerra. A DW pôde observar como isso funciona na região de Kharkiv.
Relatório Mundial da Felicidade avalia neste ano o papel das redes sociais para o bem-estar. Pelo nono ano consecutivo, Finlândia é considerada o país mais feliz do mundo.
Inventado há 150 anos, telefones nunca foram tão acessíveis. Mas constrangimento e falta de controle sobre a conversa geram ansiedade, sobretudo entre os mais jovens.
O Observatório EaD Semesp realizou o webinário “Maturidade Digital nas Instituições de Ensino Superior (IES)” reunindo lideranças acadêmicas e gestores para fomentar o diálogo estratégico entre as instituições, especialmente diante das transformações regulatórias e tecnológicas que impactam diretamente o ensino superior do país.
O webinário contou com a participação de Cristina Elsner, cientista política e especialista em gestão estratégica e membro do observatório EaD; Marcelo Augusto Gonçalves Bardi, coordenador do Grupo de Trabalho de Maturidade Digital e Gestão de TI da Metared TIC Brasil; e Rafael Lacerda, diretor da ABED. O encontro foi mediado por Andrea Chagas, coordenadora geral de EaD da Universidade de Fortaleza e também membro do Observatório EaD.
Para além de uma exposição teórica, o evento trouxe luz à urgência do setor educacional em compreender as transformações em curso, bem como reflexões sobre o nível de maturidade digital nas IES e a intencionalidade pedagógica aplicada a cada uso de novas tecnologias.
Eaton: Aprecio essa distinção entre web e internet. Vamos analisar os cenários que você mencionou, quando fala sobre o potencial de dois grupos coexistindo: aqueles que se inclinam para a IA e aqueles que se afastam dela, sejam eles anti-IA ou não. Entendo que isso é hipotético, mas, na sua perspectiva, quanto disso você acha que acabará sendo baseado em classes sociais?
Estou pensando aqui em quem pode optar por participar e quem deve optar por não participar. O livro "Automating Inequality" de Virginia Eubanks me vem à mente. Como e onde esses sistemas se manifestam? Em seus cenários disciplinares, você tem alguma ideia sobre quem pode optar por participar ou não, ou algo semelhante?
Alexander: Para o cenário da disciplina, estou me baseando no trabalho do grande futurista James Dator, da Universidade do Havaí . Ele criou quatro arquétipos diferentes de como pensamos sobre o futuro e como o futuro de um sistema, um mundo ou um negócio pode se desenrolar. Um desses arquétipos é a disciplina.
Por disciplina, ele se refere a uma reorganização massiva em torno do controle de algo. Para mim, os exemplos clássicos são fortes reorganizações religiosas — não estou dizendo que sejam boas ou ruins — como a Reforma Protestante na Europa. Podemos pensar no Afeganistão. Para muitos futuristas, isso se manifesta em discussões sobre consumismo: e se uma sociedade caminhar rumo ao decrescimento ou à simplicidade voluntária?
Aqui, penso em como controlar a IA. Na verdade, temos muitos precedentes para isso. As pessoas costumam falar como se a tecnologia inevitavelmente saísse do controle, mas nem sempre é esse o caso. Regulamentamos muitas tecnologias e, em alguns casos, reprimimos a IA com rigor.
Volte aos anos 1940 e 1950 e verá pessoas completamente enlouquecidas com a energia atômica. Hoje, ela é massivamente regulamentada e, na verdade, bastante reduzida nos EUA e em outros países. Pense na biotecnologia, que é incrivelmente regulamentada e rigorosamente controlada. Ou pense em como é difícil construir uma bomba atômica no quintal de casa. Ainda bem que isso é verdade.
É possível que passemos a enxergar a IA dessa forma. Novamente, trata-se de uma questão de percepção. Que ela seja vista como algo ameaçador, não confiável, instável ou perigoso e, portanto, algo que desejamos conter e controlar. Existem diversos obstáculos e problemas relacionados a isso, mas esse é um caminho possível.
Também pode ser que isso aconteça de baixo para cima. As pessoas proclamam: "Estou rejeitando a IA". Já vi isso acontecer com alguns criadores de conteúdo digital: "Meu conteúdo é 100% gerado por humanos". Outros dizem: "O meu é 70% gerado por humanos — aqui estão as partes de IA". E aí você tem pessoas que simplesmente se vangloriam disso, que dizem: "É incrível o que eu consigo fazer". Tem gente que faz vídeos curtos e os transforma em curtas-metragens de vinte minutos. Podemos ver esse tipo de divisão se concretizar.
No meio acadêmico, já começamos a observar isso. Uma das coisas que me fascina nas respostas acadêmicas à IA é que uma grande maioria, cerca de 76%, das faculdades e universidades ainda não possui políticas estratégicas sobre IA. Venho acompanhando isso de perto desde que surgiu. A maioria das políticas que vemos são basicamente a política de integridade acadêmica: a política de "não trapacear" com "não trapacear com IA" inserida no meio.
Na verdade, a maioria das pessoas reclama que as universidades impõem a IA aos alunos, mas geralmente não é esse o caso. No geral, as universidades estão esperando para ver como isso vai se desenrolar. Elas delegam a tomada de decisões do nível estratégico para os dirigentes acadêmicos, que então a transferem para outros níveis. Às vezes, elas investem em desenvolvimento profissional, o que é ótimo, porque precisamos muito mais disso. Mas, na maioria das vezes, elas transferem a responsabilidade para as unidades: faculdades, escolas, departamentos, que por sua vez transferem para os departamentos individuais, e eventualmente a decisão chega aos professores individualmente.
Lembrem-se de que isso está acontecendo em um contexto de sérias dificuldades financeiras. Investir em desenvolvimento profissional massivo e em uma reformulação institucional não é algo que muitos campi conseguem fazer. Quando isso afeta o corpo docente individualmente, chegamos a uma situação fascinante que, acredito, as pessoas não percebem completamente: a maior parte do corpo docente nos Estados Unidos não tem estabilidade no emprego. São professores adjuntos: pessoas que recebem salários baixíssimos, que geralmente não contam com apoio institucional em termos de escritórios ou equipe, muito menos com assistência médica ou previdência.
E essas pessoas estão, na prática, liderando a resposta da academia americana à IA, o que eu acho fascinante. Já tive algumas conversas muito estranhas sobre isso. Mas, dado esse processo de tomada de decisão distribuído — não exatamente de baixo para cima, mas muito disperso —, já vimos professores individualmente tomarem decisões muito diferentes.
Acabei de ver um professor criticando a IA como algo terrível e dizendo explicitamente: "Vocês não podem usar IA nesta aula. Precisam me escrever se quiserem uma exceção." E aí tem outros professores dizendo: "Vamos usar IA nesta aula." Outros ainda não têm política nenhuma a respeito.
Podemos ver essa divisão se manifestar cada vez mais. E é aí que os alunos realmente encontram problemas. Se você está fazendo uma aula de francês em que o professor diz que você pode usar IA, e depois vai para a aula de matemática em que o professor diz que não pode, você começa a ter que navegar entre onde pode e onde não pode usá-la. Se você usa IA na sua vida de forma mais geral, precisa criar caminhos e exceções. Isso é muito, muito desafiador.
E isso sem nem levar em conta a diferença entre o que os professores decidem fazer em suas aulas e o que os alunos fazem no resto de suas vidas. Conversei com muitos professores que baniram todos os dispositivos digitais de suas salas de aula por causa da IA. Eles pensam: "Certo, assim posso separar meus alunos da IA". Mas, no minuto em que os alunos saem da sala de aula, lá estão eles com seus celulares, tablets ou laptops, e alegremente voltam a usar o Gemini ou o Claude.
Podemos observar esse cenário disciplinar se concretizando de diversas formas. Podemos ver mais programas de escrita defendendo o uso mínimo ou nenhum de IA (Inteligência Artificial) na composição, especialmente na escrita transversal ao currículo. Podemos ver outras disciplinas, como economia e ciência da computação, pressionando por um uso maior de IA. Podemos, eventualmente, ver faculdades e universidades começando a tomar decisões importantes e institucionais sobre isso. Mas esse tipo de disciplina é algo que realmente precisamos antecipar.
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Eaton: E deixe-me aprofundar um pouco mais nesse ponto, porque quando penso nisso — e isso se relaciona com o trabalho docente em tempo parcial — esse trabalho também ocorre em maior escala em certas instituições do que em outras. Estou pensando em grandes instituições online, certo? Essas são quase inteiramente administradas por professores em tempo parcial.
Imagino que esses sejam também — pelo menos pelo que tenho começado a observar — os primeiros lugares a usar IA em diferentes partes do sistema de forma mais ativa. E o que estou tentando questionar é como a abordagem disciplinar pode nos ajudar a pensar sobre quem tem a opção de usar IA e quem não pode realmente tomar essa decisão, ou sente que não pode dizer não.
Um ponto a se considerar: começamos a observar isso no início dos anos 2000: a ideia de que algumas famílias ricas deliberadamente minimizariam o uso de ferramentas digitais para seus filhos. Isso, por si só, tornou-se um sinal de riqueza e status. Ao mesmo tempo, vimos mais ferramentas digitais sendo implementadas em contextos de baixa renda. E vimos isso se manifestar de diferentes maneiras.
Chris Gilliard fez um excelente trabalho mostrando como as tecnologias de vigilância são generalizadas, mas geralmente são direcionadas com mais intensidade para pessoas de baixa renda, enquanto pessoas muito ricas tendem a ter mais opções para escapar desse tipo de monitoramento. Podemos ver algo semelhante acontecendo aqui.
Se pensarmos no acesso ao ensino superior, em quem se sente capaz de arcar com os custos, em quem se sente preparado para isso, Robert Putnam documenta isso com muita atenção em " Our Kids" . Apesar de faculdades e universidades oferecerem diversos programas de auxílio financeiro, muitos estudantes de comunidades mais pobres nunca aprenderam sobre preparação para a faculdade no ensino fundamental ou médio. Mesmo que pudessem se candidatar, mesmo que tivessem chances de serem aceitos com um bom pacote de auxílio financeiro, muitas vezes não tinham a preparação necessária. Não tinham orientadores vocacionais. Não tinham professores que os incentivassem a seguir esses caminhos.
Poderemos presenciar o surgimento de uma divisão semelhante em torno da IA, especialmente em instituições e comunidades com dificuldades financeiras.
Neste momento, existem duas grandes forças que impedem o avanço. Uma delas é o medo. Essa sensação de que substituir educadores por IA é assustadora. Esse é um problema clássico. Temos duzentos anos de revoluções industriais debatendo o que significa substituir o trabalho humano pela tecnologia. É sempre um assunto tenso e carregado de ansiedade, envolvendo políticas trabalhistas e a opinião pública. Podemos até decidir, culturalmente, que amamos os professores e não queremos vê-los substituídos por máquinas.
Outro fator é a pressão financeira. Essas ferramentas são caras para serem implementadas em nível empresarial. Como indivíduos, podemos usar o ChatGPT gratuitamente ou a um custo muito baixo. Mas para um sistema escolar, o custo é exorbitante.
O sistema da Universidade Estadual da Califórnia fez um ótimo acordo financeiro com a OpenAI. De resto, todos os CIOs com quem converso dizem que isso é péssimo: eles não sabem o que fazer porque as ferramentas são muito caras, principalmente se você quiser algo realmente bom. Então, pode ser que, quando os preços baixarem ou se mais instituições de ensino decidirem usar ferramentas de código aberto, vejamos uma adoção mais ampla.
Eaton: Minha teoria é que houve um tempo em que dar acesso ao pacote Microsoft Office para todos os professores, funcionários e alunos era algo impensável, e agora é algo comum. Há algo semelhante aqui em relação a encontrar o preço ideal e planejar isso. Vimos o mesmo acontecer com as instituições que desenvolveram acesso total à internet no campus; tornou-se infraestrutura planejada. Mas, nesse ponto, eu me pergunto o que isso significará em termos de opções para as pessoas.
Mudando um pouco de assunto para a questão da resistência à IA na academia, vemos certas disciplinas, como a escrita (e com razão), expressando preocupação com essas ferramentas. Você percebe alguma variação significativa entre as disciplinas em relação ao interesse ou à resistência à IA? Existem áreas que, estruturalmente, estão posicionadas de forma diferente para reagir?
Alexander: Claro. São as duas culturas do livro " Duas Culturas" de C.P. Snow . A oposição à IA que tenho observado vem das humanidades. Vejo isso em estudiosos de estudos americanos como Matt Seybold , em estudiosos de literatura, filósofos, historiadores: pessoas ligadas à escrita, à retórica e à composição. De forma esmagadora, é daí que vem essa oposição agora. E ela se baseia em uma longa história de humanistas que se sentem desconfortáveis com a tecnologia ou se opõem a ela.
Dá para perceber isso quando você conversa com as pessoas. Elas dizem: "Chega, essa foi a gota d'água. Eu não gostava dos laptops na minha sala de aula, mas agora passamos dos limites."
As ciências sociais são interessantes. As que são mais focadas em métodos quantitativos tendem a se alinhar mais com as ciências exatas e são mais propensas a dizer: "Esta é uma ferramenta que estamos usando". Mas as ciências sociais não quantitativas — partes da sociologia ou da psicologia que não dependem muito de estatísticas — ainda não sei ao certo onde se encontram.
Mas eu realmente acho que este é o mundo de C.P. Snow; nós apenas vivemos nele. E faz sentido por muitos motivos. Você mencionou a escrita, mas também há uma forte camada política e institucional aqui. Um argumento que ouço de muitos humanistas é que eles se sentem atacados por suas administrações. Eles se sentem desfinanciados, desvalorizados e deixados de lado em favor de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Eles acham que isso é um erro: errado para universidades e faculdades e, francamente, desumano. E eles veem a IA como algo que lhes é imposto pelos administradores.
Há também uma dimensão política. Algumas pessoas associam a IA à direita, pensando no apoio republicano a ela ou nos líderes do Vale do Silício que se alinham com o governo Trump. Outras a associam ao capitalismo sob uma perspectiva diferente, vendo-a como capitalismo tardio — embora essa expressão em si tenha cerca de cem anos —, mais um exemplo de mercados substituindo o trabalho pelo capital e pela mecanização. Essa crítica política atravessa diversas disciplinas, mas a própria divisão disciplinar é bastante clara.
Compartilhar IA + Educação = Simplificado
Eaton: Pensando no capítulo sobre IA como um todo, e nessa ideia de buscar sinais e fazer uma análise de tendências futuras: que tipos de sinais os líderes institucionais devem observar para distinguir entre esses cenários em tempo real? Em que momento o planejamento estratégico deve mudar de antecipar um futuro para antecipar outro?
Alexander: Tenho um conselho muito impopular sobre isso: os campi precisam se mobilizar em torno da IA da mesma forma que fizemos durante a COVID. Precisamos de uma operação contínua de coleta de informações.
E não me refiro a "O Fred, da ciência da computação, pode nos dizer o que está acontecendo". Refiro-me a um esforço genuinamente interdisciplinar e diversificado, abrangendo múltiplas áreas. Deve ser um processo contínuo, com compartilhamento constante de informações sobre o que está acontecendo com a IA em todo o campus. Deve envolver a TI, a biblioteca, os designers instrucionais, pessoas de todas as disciplinas acadêmicas, das ciências sociais, das humanidades e das artes. Deve, sem dúvida, envolver alunos, assim como funcionários e professores.
Durante a COVID, muitas universidades criaram exatamente esse tipo de comitê ou equipe. Precisamos disso novamente, porque a IA é vasta, complexa e está evoluindo muito rapidamente. Sem esse tipo de coleta coletiva de informações, os campi estão navegando às cegas.
Uma segunda abordagem consiste em analisar em profundidade o uso da IA pela própria instituição . Atualmente, é muito difícil obter dados confiáveis sobre o uso real. Ao realizar pesquisas com as pessoas, deparamo-nos com os mesmos problemas que encontramos em pesquisas sobre ansiedade matemática, sexo ou uso de drogas: as pessoas têm todos os tipos de motivos para mentir.
Se você perguntar a um aluno: "Você usa ChatGPT ou IA generativa?" e ele achar que já ouviu dizer que é algo suspeito ou não confiável, ele pode responder que não, mesmo que use. Ou, se ele achar que usar IA demonstra que é inteligente e está pronto para o mercado de trabalho, pode exagerar na frequência com que usa. A situação é ainda pior quando você pergunta a professores ou funcionários.
Observo muitos professores e funcionários usando chatbots para tarefas bastante básicas, porém importantes: escrever propostas de financiamento, elaborar editais de licitação, analisar documentos complexos, gerenciar e-mails e manipular dados. Mas não temos boas pesquisas que registrem isso. Seria extremamente valioso que cada campus desenvolvesse maneiras de coletar e compartilhar essas informações localmente, para que as pessoas possam dizer: “Eis o que realmente está acontecendo. Eis como as pessoas estão usando essas ferramentas.”
Uma vez que isso esteja claro, as instituições devem observar uma série de sinais. Devemos prestar atenção à saúde financeira das empresas de IA generativa. Estamos em uma bolha ou caminhando para uma correção de mercado? Devemos acompanhar os modelos pedagógicos, desde a abordagem de Niall Ferguson em "The Cloister" e "The Starship" até as diversas maneiras pelas quais as pessoas estão ensinando escrita com IA, e questionar: esses benefícios superam os custos? Eles estão realmente ajudando os alunos?
E precisamos analisar o mercado de trabalho com atenção. Sei que, sempre que digo isso, as pessoas respondem: "O ensino superior não é treinamento para o mercado de trabalho". Mas preparar os alunos para o mercado de trabalho de diversas maneiras é uma parte fundamental da educação pós-secundária. Ignorar isso é irrealista. Os alunos estão refletindo muito sobre isso, não porque foram doutrinados, mas porque estão enfrentando uma economia difícil e dívidas reais.
Precisamos examinar o impacto da IA no mercado de trabalho. Onde estamos vendo a substituição real de empregos? Isso ainda não está claro. Onde a IA está sendo incorporada às tarefas cotidianas no ambiente de trabalho? Isso é mais difícil de rastrear, mas os economistas podem estudar esse assunto, e devemos aproveitar essa expertise. Então, com base em tudo isso, as instituições precisam ajustar suas estratégias de acordo.
Esses são alguns dos pontos-chave que os líderes devem observar.
Eaton: Última pergunta. Há sempre um certo tempo entre a conclusão de um livro e sua publicação. Surgiram outras ideias desde então, seja sobre o papel da IA no ensino superior ou sobre o auge do ensino superior de forma mais ampla?
Indique um amigo
Alexander: Sempre que você escreve um livro, ao contrário de criar conteúdo digital, há um intervalo de tempo, e isso sempre me preocupa. Uma coisa que realmente se destacou desde que o livro foi para a gráfica é que o ataque do segundo mandato de Trump ao ensino superior foi ainda mais severo do que eu esperava.
Para contextualizar: nos últimos dois anos, dediquei-me bastante a este tema. Promovi uma ampla leitura online aberta do Projeto 2025. Conduzi uma série de sessões do Fórum de Tendências Futuras, onde tentamos analisar e antecipar como seria um governo Trump 2.0. Acertamos em muitos pontos, mas alguns desdobramentos foram ainda mais longe do que prevíamos. Muitas dessas pressões estão acelerando o declínio do ensino superior americano.
Se eu pudesse voltar no tempo, teria enfatizado isso ainda mais no livro.
Uma segunda observação diz respeito à transformação estrutural do ensino superior. O Centro de Pesquisa do National Student Clearinghouse divulgou um novo relatório estimando que o número total de matrículas retornou a níveis próximos aos de 2019. Mas o formato do ensino superior mudou.
Eles destacam alguns pontos-chave. As maiores fontes de crescimento nas matrículas não foram faculdades de artes liberais nem universidades de pesquisa de ponta (R1). Em vez disso, foram faculdades comunitárias, impulsionadas principalmente pela dupla matrícula, na qual essas faculdades oferecem cursos para alunos do ensino médio. O crescimento também foi impulsionado por certificados e qualificações de curta duração. Não se trata de estudantes migrando em massa para doutorados ou mesmo mestrados; as matrículas em mestrados estão começando a declinar. E nem mesmo são principalmente os diplomas de bacharelado. São os diplomas de nível técnico e qualificações abaixo desse nível.
Estamos vendo o ensino superior se transformar em direção à preparação para o mercado de trabalho, e vemos estudantes, famílias e seus apoiadores enfatizando a preparação para a carreira em um nível nunca antes visto. Essa é uma transformação qualitativa. Eu falo sobre isso no livro, mas gostaria de ter enfatizado mais como uma consequência da transformação quantitativa.
Esses são dois pontos importantes. Um terceiro é o ensino online. Não falo muito sobre isso neste livro. Abordei o assunto extensivamente nos meus dois livros anteriores, mas a educação online explodiu. É enorme. Acho que as pessoas não percebem totalmente o quanto as aulas online se tornaram um pilar do ensino superior americano. E como a IA se interconecta com isso — como ela a remodela — ainda é uma questão em aberto.
Eaton: Acho que isso é um sinal para IA ativa e outra conversa que pode ser três vezes mais longa!
Em meio à preparação das candidaturas para as eleições, o Todos Pela Educação apresenta propostas técnicas que devem ser consideradas centrais pelo próximo ciclo do governo federal para avançar na qualidade da educação. O material foi divulgado nesta terça-feira (14), em evento que marca o lançamento da iniciativa Educação Já nas Eleições 2026. O documento Dois Movimentos, Uma Só Agenda reúne contribuições de 60 nomes — entre especialistas, gestores públicos e parlamentares com diferentes visões e vinculações políticas, incluindo ex-ministros da Educação — além de 20 organizações da sociedade civil, e busca qualificar o debate público e orientar a formulação de propostas das campanhas.
O material aponta que, apesar de avanços recentes, especialmente no acesso e na trajetória escolar, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais, com baixos níveis de aprendizagem e desigualdades persistentes. Diante desse cenário, o documento propõe uma nova agenda sistêmica para a Educação Básica, com políticas articuladas e foco absoluto na aprendizagem e no desenvolvimento integral dos estudantes.
Além disso, pela primeira vez uma equipe de psiquiatras foi contratada para analisar o modelo em suas interações e determinou que ele tem uma "personalidade neurótica relativamente saudável" e que em apenas 2% dos casos ele recorre a reações consideradas imaturas (agressividade, negação etc). Claro que tudo isso faz parte também do "marketing do medo" e do "marketing da estranheza" que as empresas de IA executam como ninguém. Especialmente quando querem vender seus produtos para governos e para as maiores empresas do planeta.
O STF (Supremo Tribunal Federal) definiu nesta quinta-feira (16), por unanimidade, que professores temporários da educação básica também devem receber o piso nacional da educação, que tem valor, hoje, de R$ 5.130,63.
Pouco menos da metade dos docentes da rede pública trabalham nesse tipo de regime, que tem crescido no país. A realidade foi criticada pelos ministros.
De acordo com a tese julgada, o valor do piso nacional previsto na legislação de 2008 aplica-se a todos os profissionais do magistério público da educação básica independentemente da natureza do vínculo firmado com a administração pública.
A corte fixou ainda, por maioria, um limite de 5% de cada unidade federativa para a cessão de professores efetivos para outros órgãos dos três Poderes.
Sala de aula na Escola Estadual Ensino Fundamental e Médio Primo Bitti, em Aracruz (ES) - Karime Xavier - 08.mai.23/Folhapress Dos 1.908.735 professores de escolas públicas na educação básica no Brasil, 43% são de contratos temporários (813.010), segundo o Censo Escolar de 2025.
A situação é mais intensa nas redes estaduais, em que 49% dos 686.156 docentes são de contratos temporários.
O ministro Alexandre de Moraes foi o relator do caso e deu o voto que foi seguido por todos os colegas.
Para o relator, estados e municípios têm deturpado decisões do Supremo para tornar o que deveria ser excepcional a regra.
"Há, obviamente, uma margem de temporários para cobrir férias, doenças. Mas não é possível esse desvirtuamento. Isso leva à precarização do trabalho docente, que já convivem com salários menores, menos direitos trabalhistas, instabilidade. E essa alta rotatividade também dificulta o processo de ensino e aprendizagem", disse Moraes.
Ao acompanhar, Dino apresentou a proposta para que a corte fixasse um limite de 5% para a cessão de professores efetivos, a fim de evitar a substituição excessiva por temporários. Ele fois eguido pela maioria dos ministros —votaram contra André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Edson Fachin. Este ponto tem validade até que uma lei seja editada para regulamentar a matéria.
No início da sessão, o plenário ouviu as sustentações orais de entidades representativas de professores e de trabalhadores da educação.
folhajus A newsletter sobre o mundo jurídico exclusiva para assinantes da Folha
Carregando... O caso debatido pelo STF teve origem na demanda de uma professora temporária de Pernambuco. Por ter sido remunerada com salário abaixo do piso nacional do magistério, ela pediu o pagamento dos valores complementares e sua repercussão nas demais parcelas salariais.
Nos autos, o estado alegou que a jurisprudência do Supremo diferencia o regime jurídico-remuneratório de servidores temporários do aplicável aos servidores efetivos e afirmou que professores temporários não integram a carreira. Pernambuco decidiu não fazer uma defesa oral no plenário.
Além disso, sustentou que a extensão do piso aos temporários violaria o texto do Supremo que veda ao Judiciário aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia, a Súmula Vinculante 37. No estado, 52% dos professores que atuam em escolas públicas são temporários, segundo o Censo.
O STF tem jurisprudência no sentido de diferenciar o regime de contratação temporária de servidores pela administração pública do regime aos servidores efetivos.
A corte já havia afastado os pagamentos do 13° salário e o terço de férias a essa categoria, mas ainda não tinha analisado especificamente se a diferenciação valia também para a incidência do piso nacional dos profissionais.
1 4 Educação no Brasil
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Pela regra atual, o piso nacional dos professores é reajustado com base na variação do Fundeb (principal mecanismo de financiamento da educação).
Em janeiro, o governo Lula (PT) aumentou o salário dos professores da educação básica da rede pública em 5,4%, valor acima da inflação e que representa alta de R$ 262,86.
Apesar da medida provisória editada, a maioria dos professores da educação básica estão nos estados e municípios, a quem cabe a decisão de fato de fazer os reajustes.
O Relatório Educacional Pearson 2025 traz tudo o que você precisa saber para garantir o sucesso de sua instituição nos próximos anos. O relatório da Pearson traz, pela primeira vez, os insights de mais de 14.000 alunos, professores e tutores sobre os desafios e soluções para o aprendizado do futuro. Estamos vivendo um momento de transformação na educação, e agora é a hora de preparar sua instituição para os próximos dez anos.
Eis um cenário que deveria deixar os administradores universitários desconfortáveis: dentro de 15 a 20 anos, grande parte das universidades americanas poderá estar competindo com instituições que ainda não existem — e perdendo.
O cenário se baseia em uma premissa: a IA se torna verdadeiramente boa em ensinar. Não apenas em responder perguntas, mas em guiar os alunos por meio de um aprendizado estruturado, adaptando-se às suas dificuldades, fornecendo feedback e ajudando-os a alcançar a maestria. Se isso acontecer, a economia do ensino superior poderá mudar muito rapidamente.
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O que ninguém ainda construiu é o pacote completo: um curso de graduação barato, um tanto seletivo e em larga escala, que seja respeitado pelos empregadores. Na prática, isso significa um diploma com preço muito mais próximo ao da WGU do que ao de uma universidade tradicional, seletivo o suficiente para ter um verdadeiro prestígio, flexível o bastante para que alunos dedicados possam concluir o curso em dois ou três anos, se desejarem, e ministrado por meio de um modelo de ensino muito mais barato, pois depende muito mais de IA do que de um grande número de instrutores humanos.
A lacuna de mercado é surpreendentemente clara. A WGU demonstrou que é possível oferecer educação de graduação flexível, em larga escala e a baixo custo, mas não com processos seletivos rigorosos. A ASU mostrou que a educação online pode operar em grande escala sob a marca de uma universidade tradicional, mas ainda dentro de uma estrutura de custos mais convencional. O Georgia Tech demonstrou, no nível de mestrado, que uma instituição altamente respeitada pode oferecer um curso de graduação online rigoroso por uma fração do preço usual. As peças existem. A combinação completa, não.
Se a IA se tornar suficientemente boa no ensino, essa combinação que faltava poderá se tornar viável pela primeira vez. Um modelo baseado em tutoria, explicação, prática e feedback por IA poderia reduzir o maior custo que encarece muitas universidades: o ensino humano ministrado com a proporção tradicional de funcionários. Os humanos ainda seriam importantes, mas em funções mais específicas e com uma equipe menor.
Como funcionaria uma instituição desse tipo? Seria totalmente online, com os alunos progredindo em seu próprio ritmo. A inteligência artificial seria responsável por grande parte do ensino do material estruturado. Os mentores humanos ainda seriam importantes, mas principalmente para garantir responsabilidade, motivação, orientação profissional e avaliação. O objetivo não seria eliminar as pessoas, mas sim utilizá-las onde elas agregam mais valor.
O maior obstáculo provavelmente não é a pedagogia. É o credenciamento e o acesso ao auxílio financeiro federal, que ainda pressupõem um modelo baseado em semestres, créditos, funções do corpo docente e formatos institucionais nos quais esse tipo de instituição não se encaixaria perfeitamente. Essa é uma barreira séria. Mas é uma barreira regulatória, não de mercado. Barreiras regulatórias podem mudar.
Se isso acontecer, o resultado provavelmente não será uma única instituição, mas sim um novo patamar de ensino superior. Assim como o sistema atual, provavelmente haverá uma estratificação por seletividade. As versões mais seletivas poderiam competir com o nível abaixo das principais universidades estaduais e atrair estudantes ambiciosos que desejam concluir o curso em menos de quatro anos. Versões com seletividade intermediária poderiam competir com universidades públicas regionais e instituições frequentadas por estudantes que moram perto do campus. Versões de acesso aberto poderiam se assemelhar mais a plataformas de avaliação: aprenda como quiser e, em seguida, comprove o seu conhecimento por meio de avaliações confiáveis.
Nem todos os alunos se adaptariam bem a esse modelo. Aprender por meio de IA sem um campus físico exigiria um nível de autodisciplina que muitos jovens de 19 anos não possuem. Mas alguns alunos claramente poderiam, incluindo adultos que já trabalham e precisam conciliar emprego, família e estudos. E para muitos deles, a vantagem seria óbvia: preço mais baixo, mais flexibilidade e um caminho mais rápido para um diploma reconhecido.
Quem sai prejudicado depende de uma variável sobre a qual ninguém fala o suficiente: o quanto da proposta de valor está ligada ao local.
Uma universidade para estudantes que não residem no campus, classificada em 300º lugar, provavelmente seria mais vulnerável do que uma faculdade de artes liberais residencial classificada em 400º lugar. A principal oferta da universidade para estudantes que não residem no campus — educação acessível a um preço moderado — é exatamente o que esse novo patamar poderia tentar oferecer de forma melhor e mais barata. A faculdade residencial vende algo muito mais difícil de replicar: quatro anos ao lado de colegas, mentoria presencial e a experiência social e de desenvolvimento de viver em uma comunidade física. Essa é uma verdadeira vantagem competitiva, mesmo que não seja ilimitada.
As primeiras instituições a sofrerem pressão seriam previsíveis. Algumas escolas privadas com fins lucrativos e de baixo nível, que atendem principalmente estudantes que não residem no campus, já enfrentam dificuldades com a queda nas matrículas e a pressão regulatória, e uma alternativa viável e de baixo custo intensificaria ambos os problemas. A questão mais interessante é o que acontecerá um nível acima. Universidades públicas regionais e faculdades privadas de nível médio, que atendem principalmente estudantes que não residem no campus, podem enfrentar uma verdadeira pressão existencial, pressionadas entre o declínio demográfico vindo de cima e uma alternativa mais barata vinda de baixo.
Os colégios residenciais com culturas de campus fortes estariam mais bem protegidos, embora mesmo eles pudessem sentir alguma pressão se a diferença de preço aumentasse o suficiente. As 100 melhores universidades estariam ainda menos expostas. Elas vendem rede de contatos, marca e uma experiência de desenvolvimento que também funciona como um sinal de elite. Os alunos admitidos em Duke não estão fazendo uma simples comparação de preço com uma alternativa online.
As instituições que sobreviverem no meio do caminho provavelmente não sobreviverão sem sofrer alterações. À medida que esse novo patamar atrai estudantes, as escolas tradicionais enfrentarão uma escolha brutal: reduzir as mensalidades, cortar custos ou perder alunos. A maioria optaria por uma combinação dos três. Isso poderia significar mais aulas ministradas por inteligência artificial, menos professores, departamentos mais consolidados e uma experiência residencial mais enxuta.
As implicações para o corpo docente viriam a seguir, embora de forma desigual. Os professores temporários provavelmente sentiriam a pressão primeiro. Com o tempo, à medida que os departamentos encolhem e se fundem, as vagas para professores titulares também poderiam ser afetadas pela rotatividade. O professor que ministra seminários para alunos do último ano em uma universidade entre as 100 melhores provavelmente não terá problemas. Já o professor em tempo integral que leciona disciplinas básicas em uma universidade pública regional que acaba de perder um quinto de seus alunos está em uma situação muito mais frágil.
No entanto, todo o cenário depende de os empregadores mudarem ou não a forma como contratam.
Essa é a parte mais difícil da discussão. O sucesso ou fracasso do modelo depende de um fato social, não tecnológico: se os empregadores decidirem que essa credencial tem algum significado.
A verdadeira questão é se um gerente de contratação em 2035, ao analisar dois currículos — um de uma universidade de nível intermediário e outro de uma academia seletiva focada em inteligência artificial, com mensalidades de US$ 8.000 — os consideraria sinais amplamente comparáveis. Se a resposta for sim, mesmo para uma minoria significativa de empregadores, então grande parte do ensino superior de nível intermediário poderá enfrentar uma ameaça real. Se a resposta for não, esse novo segmento permanecerá um nicho e o sistema atual continuará a funcionar precariamente, encolhendo, mas estruturalmente intacto.
Minha aposta: começa devagar e depois acelera. Os primeiros empregadores a confiar nessas credenciais provavelmente serão as empresas que já utilizam sistemas de contratação baseados em habilidades mais robustos. Os últimos serão os setores que ainda valorizam muito a tradição, a familiaridade e os sinais institucionais convencionais.
A disrupção no ensino superior não reside na substituição das universidades pela IA. O problema é que a IA pode viabilizar um novo tipo de instituição — mais barata, mais enxuta, mais ágil e, eventualmente, suficientemente confiável — capaz de superar grande parte do mercado. Isso seria prejudicial para muitas faculdades e universidades já existentes, justamente porque, para muitos estudantes, poderia representar uma opção mais vantajosa.
O título não deixa dúvidas. “Se alguém criar, todos morrem”, de Eliezer Yudkowsky e Nate Soares, é um livro que eleva em mais um degrau um certo tom apocalíptico recentemente adotado no universo das tecnologias digitais. Até então, a manifestação mais extrema desse humor sombrio era a carta assinada em 2023 (e citada logo na primeira linha da introdução) por centenas de intelectuais e especialistas em inteligência artificial, incluindo Sam Altman, da OpenAI, e Bill Gates, fundador da Microsoft.
Quem emite esse alerta sucinto são dois indivíduos que já estiveram envolvidos com o desenvolvimento das tecnologias denunciadas, tendo sido engenheiros de software ou programadores antes de se engajar nas questões éticas da IA. Yudkowsky fundou o Instituto de Pesquisa em Inteligência Maquínica (Miri) em 2000. Soares, ex-funcionário da Microsoft e da Google, é presidente do Miri.
O perigo que os autores assinalam é a “superinteligência artificial”, ou ASI, na sigla em inglês; por sinal, o subtítulo diz “Por que a IA super-humana pode nos matar”. A ASI, resumindo bem, é aquele algoritmo que consegue rivalizar com o ser humano nas tarefas entendidas como características da inteligência.
Capa de “Se alguém criar, todos morrem” — Foto: Reprodução Para explicitar o que seria essa ASI, é preciso saber o que se entende por inteligência. Um pouco nas entrelinhas, os autores mostram que veem a inteligência das máquinas, propriamente falando, como aquilo que ultrapassa a capacidade de controle dos humanos, ou seja, o não alinhamento entre seus objetivos e o que poderia ser a expectativa do criador. Daí vem a superinteligência.
O argumento, em si, é simples, e talvez por isso é repetido algumas vezes, com pequenas variações. A superinteligência artificial certamente levará a humanidade à extinção, dizem os autores, não porque se tornará maligna, ao estilo do filme “O Exterminador do Futuro” (1984), mas simplesmente porque a continuidade da existência humana contradiz a conclusão necessária de seus procedimentos lógicos — alguns diriam: seus raciocínios.
Reproduzindo a imagem fornecida pela dupla: o ser humano é feito de moléculas e certamente há uma finalidade mais útil para elas do que perenizar esses seres de carne, desejantes e pensantes, mas… obsoletos, já que existe algo mais inteligente que eles.
Do ponto de vista formal, o raciocínio é perfeito: algoritmos de IA têm demonstrado precisamente esse tipo de funcionamento, sobretudo quando aprendem as regras de algum jogo eletrônico e, em vez de disputá-lo com vistas à “vitória final”, como faria um jogador humano, começam a apresentar comportamentos que parecem absurdos, mas maximizam a pontuação.
É interessante notar que, embora o problema seja colocado em termos de ultrapassagem da inteligência humana, justamente esse tipo de comportamento é o que, a princípio, não caracteriza o humano, pelo menos não no que se costuma entender como inteligência.
Alguém que se recuse a vencer uma partida para pontuar a esmo ou que esteja disposto a provocar o fim do mundo de maneira, digamos assim, moralmente neutra, é logo dispensado como “bitolado”; e não é à toa que algo como a corrida armamentista nuclear entra na caixinha da “estupidez humana”, não de sua enorme capacidade cognitiva.
É ainda mais interessante notar que, por ironia, muitos dos atores que assinaram a carta de 2023 estão hoje empenhados na corrida (também armamentista?) para desenvolver a famigerada ASI. Agem assim porque acreditam que não pode ser de outro modo, como repetidamente assinalam os autores. Ou seja, estão agindo no automático, mobilizados por uma lógica predeterminada. Isto é, de um jeito maquinal.
Yudkowsky e Soares escrevem “na esperança de mobilizar um número suficiente de líderes e cidadãos comuns para que a ameaça da IA seja levada a sério”. Vale lembrar que uma outra ameaça à sobrevivência da humanidade, que até recentemente era considerada a mais importante, não parece ter conseguido mobilização suficiente — o clima.
Todo esse problema traz à lembrança uma passagem escrita pelo filósofo francês Gilbert Simondon (1924-1989) em 1958, na introdução de seu livro “Do modo de existência dos objetos técnicos”, publicado no Brasil em 2020.
Diz Simondon: “o desejo de poder consagra a máquina como meio de supremacia e faz dela o feitiço moderno. O homem que quer dominar seus semelhantes invoca a máquina androide. Então abdica diante dela e lhe delega sua humanidade. Procura construir a máquina de pensar, sonha poder construir a máquina de querer, a máquina de viver, para permanecer atrás dela sem angústia, livre de todo perigo, isento de qualquer sentimento de fraqueza, triunfando indiretamente através daquilo que inventou”.
Não é de hoje que muitos analistas, sobretudo os mais críticos, como Evgeny Morozov, apontam que a grande questão do avanço tecnológico não está bem na evolução das máquinas, mas no condicionamento do próprio humano, algo antevisto por Simondon há quase 70 anos. Essa é uma discussão que faz uma certa falta ao livro de Yudkowsky e Soares.
Trata-se de uma indústria global que criou uma problema sistêmico e por isso demanda uma resposta multissetorial, alertam Instituto Ethos, Aberje, Abert, Abradee e NetLab
Quem recorre a chatbots costuma receber ajuda excessivamente aduladora. Entre os cientistas, esse fenômeno tem um nome: bajulação. Estudo revela por que isso pode ser problemático e quais danos pode causar.
Mais de uma dezena de países tem discutido restringir o acesso de menores de idade às redes sociais, entre eles a Alemanha, Reino Unido, Nova Zelândia, França, Espanha e Noruega. No Brasil, começou a valer em março a lei conhecida como ECA Digital, que não proíbe a presença de menores de idade nas redes, mas impõe uma série de restrições ao conteúdo que eles podem acessar.
A preocupação aumenta com a percepção de que as telas atraem os menores de idade por períodos prolongados. Pelo menos 50% dos jovens de 15 anos nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passam no mínimo 30 horas por semana em dispositivos digitais, apontou uma pesquisa da organização no ano passado.
Os especialistas se dividem, entretanto, sobre se as medidas planejadas são sempre adequadas para lidar com o conjunto de consequências negativas associadas às redes sociais. Para muitos deles, a simples proibição de menores de idade, ou a restrição de acesso a conteúdos específicos, é insuficiente, correndo o risco de substituir os debates mais amplos sobre regulação das plataformas.
A Austrália foi o primeiro país do mundo a introduzir, em 2025, a proibição do uso de redes sociais por usuários menores de 16 anos. Na Indonésia, existe uma restrição etária desde o fim de março.
Eficácia em xeque Mas o psicólogo e neurocientista Christian Montag, que leciona na Universidade de Macau, na China, considera o debate simplificado demais.
"Quando novas tecnologias surgem, rapidamente aparece uma espécie de pânico moral. E, sem querer negar que também exista uma preocupação genuína por parte dos políticos, a exigência de proibições às redes sociais é uma forma relativamente fácil de ganhar visibilidade, sem que seja preciso fazer muita coisa de fato."
Já Nina Kolleck, pesquisadora em educação da Universidade de Potsdam, na Alemanha, argumenta que é difícil fazer cumprir os limites de idade. "Além do mais, isso não resolve os problemas graves das redes sociais, apenas desloca um pouco a idade de entrada."
Esses problemas, segundo ela, incluem, por um lado, os algoritmos personalizados, as notificações push e a rolagem infinita, que incitam os usuários a passar o máximo de tempo possível nas plataformas e têm alto potencial viciante. Por outro lado, as redes expõem os adolescentes a conteúdos que glorificam a violência ou de caráter sexual.
O uso excessivo ou problemático pode acarretar consequências negativas para menores de idade, segundo a OCDE, apesar de os meios digitais oferecerem também oportunidades de se informar, jogar e se conectar com outras pessoas. Entre os riscos, estão a falta de atividade física, os problemas de sono, a redução dos contatos sociais, a depressão ou o bullying cibernético.
Montag pondera que pode ser difícil identificar isoladamente o efeito das redes sociais. Muitos outros fatores também desempenham um papel, como aspectos ambientais e genéticos.
Até adultos tem dificuldades de largar telefones O que está comprovado é que existe uma relação entre o uso prolongado do smartphone (ou semelhante à dependência) e um pior desempenho escolar, bem como a associação com uma maior insatisfação com o próprio corpo.
Além disso, crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis a todos estes efeitos negativos, afirma Montag. Eles têm mais dificuldade para se autorregular — e conseguir largar o smartphone — do que os adultos.
"A maturação do cérebro humano leva relativamente muito tempo," explica. "Pode levar até os 20 anos de idade, e provavelmente até meados dos 20, para que o córtex pré-frontal esteja completamente desenvolvido."
Mas mesmo entre adultos isso não funciona bem. Muitas pessoas com mais de 20 ou 25 anos também enfrentam estas consequências. Por isso, especialistas argumentam que a discussão precisa ser mais abrangente, indo além dos limites etários. Kolleck vê um "debate ilusório, que desvia a atenção de instrumentos realmente eficazes".
Avanços limitados na UE Outras medidas já estão previstas, por exemplo, na Lei dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês) da União Europeia (UE). Aprovado em 2022, o conjunto de normas obriga principalmente grandes plataformas e mecanismos de busca a oferecer maior proteção aos usuários.
TikTok, Instagram e similares devem avaliar e mitigar riscos sistêmicos, além de atuar com transparência em relação aos algoritmos. Segundo o DSA, essas empresas também devem conceder acesso aos seus dados a cientistas independentes, para que seja possível pesquisar como determinados elementos influenciam os usuários.
"Durante anos, fizemos pesquisa com as mãos amarradas às costas. E, apesar da introdução do DSA, o acesso ainda é totalmente insuficiente," afirma Montag.
A regulação também ainda não foi implementada de forma eficaz ou abrangente em outras áreas. Dificuldades adicionais são causadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tentou repetidamente evitar multas contra gigantes digitais americanas — ameaçando, em contrapartida, impor tarifas comerciais.
Modelo de negócios problemático No combate aos efeitos negativos das redes sociais, também podem ser eficientes alterações no design das plataformas que levem em conta a proteção dos usuários mais jovens. Segundo Montag, na versão chinesa do TikTok, o Douyin, o tempo de rolagem para menores de 14 anos é limitado a 40 minutos. Depois disso, não aparecem novos conteúdos.
No próprio TikTok, já existem limites de tempo, mas eles podem ser contornados com muito mais facilidade. Para menores de 13 anos, teoricamente um responsável legal precisa inserir um código após 60 minutos.
A partir dos 13, os adolescentes devem inserir um código definido por eles próprios para continuar assistindo. Isso funciona, naturalmente, apenas se eles não tiverem se declarado mais velhos — o que, até agora, parece ser comum, já que a criação de contas muitas vezes se baseia apenas em uma simples declaração da data de nascimento.
Na verdade, segundo Montag, as plataformas deveriam ser construídas de maneira fundamentalmente diferente, especialmente para menores de idade, mas também para adultos. "O modelo de negócios baseado em dados, que espiona os usuários e maximiza intensamente o tempo online, é em si prejudicial," ele afirma, apontando que é necessário regular de forma rigorosa os provedores de plataformas.
No Brasil, o ECA digital vale para redes sociais, jogos eletrônicos, serviços de vídeo e lojas virtuais de produtos e serviços voltados ao público jovem ou que podem ser acessados por ele. A sua aprovação ocorreu após o influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, denunciar perfis em redes sociais que sexualizavam menores de 18 anos.
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