Inovação Educacional
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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July 22, 12:51 PM
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Inserção no mercado de trabalho é o principal desafio para sustentabilidade do Bolsa Família

Inserção no mercado de trabalho é o principal desafio para sustentabilidade do Bolsa Família | Inovação Educacional | Scoop.it

Apesar de o Bolsa Família melhorar as condições de vida dos beneficiários e ter efeitos multiplicadores comprovados na economia, o programa de transferência com mais de 20 anos esbarra em um aspecto fundamental para a sustentabilidade desse salto: conduzir a maior parte dos beneficiários para o emprego formal. Hoje, apenas 4,33% dos adultos que recebem o programa trabalham com carteira assinada.
O Ministério do Desenvolvimento Social busca aumentar esse percentual. Além de parcerias com o setor privado para contratação de beneficiários, tem promovido cursos de capacitação para grupos específicos dentro do programa, como mulheres negras.
No fim de 2023, o Bolsa Família contava 55,74 milhões de pessoas beneficiadas pelo programa, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), das quais 29,07 milhões tinham entre 18 e 64 anos, o que representa 52,15% do total. Desses, apenas 1,26 milhão estava em empregos com carteira assinada, o que representa 4,33% da população em idade adulta.
Além desses, outros 106,88 mil - fora da faixa entre 18 e 64 anos - estavam registrados no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Hoje o programa possui cerca de 663,52 mil beneficiários a menos, totalizando 55,07 milhões de inscritos e 30,18 milhões entre 18 e 24 anos, o que representa 54,8% do total, segundo dados de junho. Os últimos números de beneficiários registrados no Caged disponibilizados pelo MDS, contudo, são os do fim de 2023.
Os beneficiários do Bolsa Família respondem pela grande maioria do Cadastro Único (CadÚnico), que reúne também quem recebe benefícios como o Minha Casa, Minha Vida e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Em todo CadÚnico, havia 98,2 milhões de pessoas no fim do ano passado, das quais 57,33 milhões tinham entre 18 e 64 anos, 58,38% do total.
Desse grupo, estavam no Caged 1,52 milhão, ou 2,65% das pessoas em idade adulta, além de outras 126,82 mil fora dessa faixa etária.
Em junho, o número de cadastrados foi para 97,02 milhões de pessoas, sendo 55,73 milhões (ou 57,44%) entre 18 e 64 anos.
Hoje 43,17% dos adultos incluídos no CadÚnico encontram-se ocupados no mercado de trabalho, em postos de trabalho formais e informais. A taxa de ocupação é similar entre os beneficiários do Bolsa Família e aqueles que não são: 43,10% e 43,37%, respectivamente.
Regra de proteção
Todos no Bolsa que estão trabalhando têm a perspectiva de deixar de receber o benefício dentro de dois anos. Isso porque, desde 2023, o programa passou a contar com a chamada regra de proteção.
Por ela, o beneficiário que consegue emprego e passa a ter renda per capita entre R$ 218 e meio salário mínimo continua recebendo metade do benefício pelo período de dois anos. Quem passa a ganhar mais de meio salário mínimo, deixa de receber o benefício, mas continua cadastrado no CadÚnico por 24 meses.
Segundo Alison Ramon Santos e Silva, diretor do Departamento de Apoio ao Empreendedorismo do MDS, a regra visa a proteger os beneficiários da alta instabilidade de sua participação no mercado de trabalho.
“A grande crítica que fazemos ao modelo anterior é que, assim que o beneficiário conseguia um emprego, saía do programa. E isso acaba sendo muito ruim, porque a inserção dessas pessoas no mercado é muito volátil”, diz Ramon.
“Com a regra, que existe desde 2023, se a pessoa tiver alguma intempérie e sair do emprego depois de alguns meses, ainda estará recebendo o benefício. Se seguir trabalhando, continuará no CadÚnico por dois anos, período que consideramos necessários para sua emancipação.”
Dados do MDS mostram que em maio havia 2,59 milhões de famílias sob a regra de proteção. Em junho, eram 2,58 milhões.
Ramon afirma que muitos beneficiários buscam hoje ser microempreendedores, em geral na área da alimentação. Segundo pesquisa feita pelo MDS e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o percentual de microempreendedor individual (MEIs) inscritos no CadÚnico é de 4,65 milhões, o que corresponde a 7,42% dos maiores de 18 anos no cadastro.
Pensando em ampliar a taxa de empregabilidade no setor formal, o MDS vem buscando parcerias com o setor privado para buscar uma porta de saída para os beneficiários.
“Lançamos há pouco a parte operacional do Acredita, iniciativa que disponibiliza crédito a inscritos no CadÚnico. E estamos trabalhando com empresas para estimular a contratação desses beneficiários”, diz, ao citar o Grupo Carrefour Brasil e a Coca-Cola Brasil. “Além disso, buscamos capacitar essas pessoas em parcerias com Amazon, Huawei, Sistema S, e institutos federais. Já temos 1,7 milhão nesses processos”
No âmbito da parceria com o MDS, o Grupo Carrefour contratou desde março de 2023 21 mil que recebem o Bolsa Família.
Kiko Campos, diretor de recursos humanos do grupo, conta que os beneficiários que chegam à empresa se mostram mais engajados que os demais iniciantes.
“Sentimos uma diferença na motivação dessas pessoas. Percebemos uma alegria a mais que os demais colegas que estão iniciando a jornada aqui”, conta, ao lembrar que a maioria começa em posições de entrada.
Como ocorreu com Josefa Matos, de 46 anos, funcionária de uma unidade Carrefour em Itu, interior de São Paulo.
“Trabalhava como autônoma, mas desde que meu pai, Miguel, de 79 anos, veio morar comigo, há cinco anos, tive de me inscrever no CadÚnico para receber o benefício”, conta Matos.
Até começar no Carrefour, em maio, Matos complementava a renda fazendo faxina, com o que ganhava cerca de R$ 1 mil mensais. Hoje recebe R$ 1.890 como celetista, vale transporte e vale alimentação, trabalhando na reposição de prateleiras e gôndolas do supermercado.
“Corri atrás de um serviço registrado [em carteira] para ter estabilidade, benefícios, convênio médico”, diz Matos, que estudou até o fim do ensino médio.
Esse é o seu segundo emprego com carteira registrada. O anterior havia sido dez anos atrás, em uma fábrica de cintos de segurança.
Pedro Fernando Nery, autor do livro “Extremos - Um mapa para entender as desigualdades no Brasil” e professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), afirma que sem o Bolsa Família seria muito mais difícil para essas pessoas conseguirem acessar o mercado de trabalho.
“Algumas pessoas são tão pobres que não têm dinheiro nem para procurar emprego. Passagens de ônibus ou impressões de currículos custam dinheiro, principalmente quando a busca é demorada”, argumenta.
“A miséria consome um espaço mental enorme das pessoas, e a busca por emprego exige planejamento e paciência. Para quem está matando um leão por dia, o Bolsa ajuda com a sobrevivência imediata e permite que o emprego seja um próximo passo.”
No estudo “Social programs and formal employment: Evidence from the Brazilian Bolsa Família program”, de 2020, os pesquisadores Anna Fruttero, Alexandre Ribeiro Leichsenring, e Luis Henrique Paiva sugerem que o Bolsa Família aumenta a probabilidade de os beneficiários conseguirem emprego formal, sobretudo os mais jovens.
Publicado como working paper do Fundo Monetário Internacional (FMI), o trabalho traz duas hipóteses para explicar isso: o fato de o Bolsa ajudar beneficiários a pagar o custo de buscar emprego e um fluxo mensal previsível de recursos, que permitiria beneficiários avaliarem melhor suas escolhas de longo prazo.
Por estar inscrita no Bolsa Família, Débora Ferreira, que trabalha na área de limpeza urbana em Juiz de Fora, em Minas Gerais, vislumbrou a possiblidade de ter um emprego melhor em um futuro próximo.
Ferreira é uma das beneficiárias que fazem o curso de capacitação de computação em nuvem, disponibilizado pelo acordo de cooperação técnica entre o MDS e a Amazon Web Services (AWS).
“Quando surgiu a oportunidade do curso eu estava desempregada e recebendo o Bolsa. Me interessei porque é sempre bom aprender coisas novas e não tenho habilidade na área de informática”, conta Ferreira, que tem 34 anos e está no CadÚnico desde que era criança e sua mãe recebia o Bolsa Família.
“A primeira parte do curso, de letramento digital, foi boa para eu me aprimorar. A segunda, de programação, será muito importante para avançar.”
Quando terminar o curso, voltado para mulheres negras, beneficiárias do Bolsa Família e que cursaram até o ensino médio, ela pretende buscar emprego na área de criação de sites e jogos.
“É bastante difícil, tem de ter muita dedicação. Mas é uma vantagem, um diferencial que terei”, conta Ferreira, que recebe R$ 1.346 mensais e vive com o marido e a filha de 3 anos.
Andrea Leal, gerente de programas massivos da empresa na América Latina, conta que a cooperação técnica com a Amazon existe desde agosto de 2023. Hoje são 25 mulheres em Juiz de Fora, no Recife e em Aripuanã, no Mato Grosso, no curso de introdução ao mundo digital, computação em nuvem e inteligência artificial generativa.
“Depois de formar as 500 mulheres beneficiadas pelo projeto até 2025, nosso objetivo é fazer ajustes, se houver necessidade, e buscar potenciais parceiros públicos e privados para ganhar escala”, conta.
Leal afirma que os principais resultados serão colhidos depois de seis meses de formação, mas o desenvolvimento de novas competências já é visível.
“Temos no programa mulheres que trabalham como diaristas, entraram no piloto com pouco ou nenhum conhecimento em tecnologia, e concluem a primeira trilha de aprendizagem sabendo criar planilhas, apresentações com slides, aptas a identificar notícias falsas e criando perfis profissionais no LinkedIn”, conta. “Depois da formação profissional, o progresso será ainda mais expressivo.”
Rafael Osório, técnico de planejamento e pesquisa da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), afirma que o valor pago pelo programa possibilita para que as famílias, ou pelo menos seus filhos, tenham condição melhor de encarar a disputa [por vagas] no mercado formal.
Mas alerta para a dificuldade de inserção desses beneficiários em empregos formais. “Imagine uma família composta por uma mãe solteira e seu filho. Surge uma vaga formal para trabalhar como caixa supermercado. Mas é do outro lado da cidade, e ela não encontra creche para a filha. Qual o cálculo que essa mulher fará? ‘Hoje recebo R$ 750, sendo R$ 600 de Bolsa Família e R$ 150 pela criança. Se eu pegar esse emprego do outro lado da cidade, terei despesa de deslocamento e alimentação, além de ter de pagar alguém para ficar com meu filho’. A decisão racional é ganhar um pouco menos e ficar com o filho”, afirma. “Esse emprego vai piorar a vida dela, não é uma boa [opção].”
Ele argumenta, no entanto, que ninguém deixa de pegar um bom emprego, sólido, com carteira assinada, e em condições favoráveis para se trabalhar, porque deixará de receber o Bolsa Família.
Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV Social), afirma que, além de pesquisas mostrarem que o emprego formal cresce mais onde há o Bolsa Família, o efeito multiplicador do programa na economia supera o de outros benefícios.
Estudo feito em 2013 por ele com outros pesquisadores mostra que cada R$ 1 gasto com o Bolsa Família faz o PIB crescer R$ 1,78. O efeito multiplicador do Bolsa Família sobre o PIB é maior do que os do BPC (R$ 1,19), do Seguro Desemprego ou do Abono Salarial (R$ 1,06), do Regime Próprio de Previdência Social (R$ 0,53), do Regime Geral de Previdência Social (R$ 0,52) ou do FGTS (R$ 0,39).
“Isso ocorre porque os pobres consomem uma parcela maior da renda do que os ricos”, diz Neri.
“Mas também tem outro tipo de efeito, que é o geracional. Isto é, filhos do Bolsa Família, que tinham entre 10 e 16 anos no começo do programa, que hoje têm emprego com carteira assinada. A evidência é que 47,6% dessas crianças que hoje são adultos estão no mercado formal. E isso não é pouca coisa.”

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July 22, 12:45 PM
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Reitor da UFF: 'A situação ainda exige atenção constante'

Reitor da UFF: 'A situação ainda exige atenção constante' | Inovação Educacional | Scoop.it

Após o fim da greve que atingiu todas as universidades e institutos federais do Brasil, no primeiro semestre deste ano, o reitor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Antonio Claudio da Nóbrega, conversou com a equipe do GLOBO-Niterói e analisou os cenários desafiadores causados sobretudo pelo achatamento orçamentário verificado nos últimos anos. Ele também falou de saídas que consolidaram a ampliação do apoio à produção científica e à assistência estudantil. Abordou ainda questões sobre os investimentos na infraestrutura dos campus após o governo federal anunciar, no mês passado, um aporte bilionário ao setor, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
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Em 2023, o orçamento aprovado foi de R$ 143,8 milhões. Como está essa situação hoje? Qual foi a verba repassada à UFF este ano?
Apesar da sinalização e dos esforços do governo federal em relação ao repasse orçamentário para as universidades, o valor disponibilizado em 2023 se mostrou insuficiente para a operação da universidade ao longo do ano. Nosso objetivo sempre foi o de preservar atividades essenciais, como assistência estudantil, ensino, pesquisa e extensão, além de assegurar o pagamento dos trabalhadores terceirizados. Este ano, o valor aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA) foi de R$ 177,5 milhões. Esse montante, embora ainda insuficiente, é um passo importante para seguirmos com nossas atividades e os planejamentos. No entanto, a situação ainda exige atenção constante.
A portaria lançada no ano passado, para fechar a torneira de gastos, surtiu o efeito esperado?
Conseguimos suavizar os impactos da limitação orçamentária, e as faturas dos meses de novembro e dezembro foram pagas este ano. Não temos qualquer dívida referente ao ano de 2023. O mais importante é que conseguimos manter ações essenciais, como assistência estudantil, ensino, pesquisa e extensão, operando normalmente. Além disso, o pagamento dos trabalhadores terceirizados não sofreu qualquer atraso. Atualmente, todos os contratos das empresas terceirizadas estão preservados.
Durante a greve deflagrada este ano, as entidades que atuaram no movimento chegaram a afirmar que a UFF só teria verba para funcionar até setembro. Isso é verdade?
Esta foi a primeira estimativa, feita no começo do ano e apresentada ao Conselho Universitário. Imediatamente após essa reunião, implementamos estratégias para racionalização das despesas da universidade. Além disso, o governo federal destinou recursos adicionais, ainda que limitados, para as universidades federais, incluindo a UFF. Esses recursos foram essenciais para manter nossas atividades básicas e evitar interrupções.
Nesse período também aconteceram avanços institucionais, como a aprovação da cota trans e a promessa de ampliação de moradias universitárias. Como o senhor avalia esses pontos?
Em relação às cotas trans, a UFF tem sido proativa. Formamos um Grupo de Trabalho, que reúne representantes da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, discentes e docentes, ampliando o debate sobre o tema. Também estamos trabalhando na criação de um vestibular indígena e quilombola, além de termos lançado um edital para um vestibular específico no curso de Licenciatura Interdisciplinar em Educação do Campo. Somos destaques em ações de inclusão dos refugiados no Brasil, sendo apontados pela Cátedra da ONU, em relatório de 2021, como líder nacional em revalidações de diplomas de pessoas nessas condições. Temos também a reserva de pelo menos 20% das vagas para candidatos negros em concursos públicos para docentes. E temos ainda a reserva de 50% das bolsas para alunos ingressantes por políticas de ação afirmativa nos programas de extensão, pesquisa e monitoria.
Quais são os principais pontos que destacaria nesse ciclo à frente da universidade?
Conseguimos fortalecer significativamente a pesquisa e a inovação, o que se refletiu no aumento da captação de recursos e na produção científica de alto impacto, tanto em âmbito nacional quanto internacional. Investimos também na infraestrutura dos campus e na modernização dos laboratórios, bibliotecas e salas de aula. Além disso, ampliamos significativamente nossos programas de extensão, levando o conhecimento produzido na UFF para além dos muros da universidade. Essas ações reforçam nosso compromisso com a inclusão social, de transformar a sociedade através da educação pública e de qualidade.
O governo federal aprovou investimento nas instituições federais através do PAC. Qual será o valor recebido pela UFF e como será investido na universidade?
Foi destinado o montante de R$ 37,5 milhões. Internamente, esses investimentos incluirão a provisão de equipamentos de esporte e cultura, a melhoria das salas de aula, a construção e reforma de alojamentos, o transporte intercampus e a expansão dos restaurantes universitários em todas as unidades da UFF. Seguimos em diálogo constante com o MEC, buscando não apenas a liberação dos recursos já aprovados, mas também novos investimentos e apoio contínuo para a operação da universidade.

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July 22, 12:34 PM
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Autores acadêmicos 'chocados' após Taylor & Francis vender acesso às suas pesquisas para a Microsoft AI

Autores acadêmicos 'chocados' após Taylor & Francis vender acesso às suas pesquisas para a Microsoft AI | Inovação Educacional | Scoop.it

Autores expressaram seu choque após a notícia de que a editora acadêmica Taylor & Francis, dona da Routledge, vendeu acesso às pesquisas de seus autores como parte de uma parceria de Inteligência Artificial (IA) com a Microsoft — um acordo avaliado em quase £ 8 milhões (US$ 10 milhões) em seu primeiro ano.
O acordo com a Microsoft foi incluído em uma atualização comercial pela empresa controladora da editora em maio deste ano. No entanto, acadêmicos publicados pelo grupo alegam que não foram informados sobre o acordo de IA, não tiveram a oportunidade de optar por sair e não estão recebendo nenhum pagamento extra pelo uso de suas pesquisas pela empresa de tecnologia. 
A Sociedade de Autores disse estar "preocupada em ver editoras assinando acordos com empresas de tecnologia sem consultar primeiro os autores e criadores".
A Dra. Ruth Alison Clemens, professora de literatura inglesa moderna cujo trabalho foi publicado pela Taylor & Francis e pela Routledge, afirmou que os autores não foram contatados sobre o acordo de IA.
Clemens disse  ao The Bookseller : "Eu só descobri isso pelo boca a boca nos últimos dias. Fiquei chocado que eles não tenham divulgado isso mais amplamente para seus autores, já que o uso de IA e LLMs é uma preocupação proeminente para pesquisadores acadêmicos hoje."
Um porta-voz do grupo Taylor & Francis, de propriedade da Informa — um grupo internacional de eventos B2B, serviços digitais B2B e mercados acadêmicos do FTSE 100 — confirmou ao The Bookseller que "está fornecendo à Microsoft acesso não exclusivo a conteúdo de aprendizagem avançado e dados para ajudar a melhorar a relevância e o desempenho dos sistemas de IA".
O  acordo , cujos detalhes foram publicados pela Informa durante uma atualização comercial em maio, afirma que a Informa receberá mais de US$ 10 milhões por "um acesso inicial aos dados" das obras às quais tem direitos, com um pagamento recorrente de uma quantia não revelada a ser feito ao longo dos três anos subsequentes.  
Quando contatada pelo The Bookseller, a Taylor & Francis disse que está "protegendo a integridade do trabalho de nossos autores e os limites à reprodução do texto literal, bem como os direitos dos autores de receber pagamentos de royalties de acordo com seus contratos de autoria".
A Informa espera que as receitas cheguem a pouco menos de £ 3,5 bilhões no atual ano fiscal, acima dos £ 3,2 bilhões em 2023.
Uma das maiores preocupações levantadas por Clemens é sobre se é possível para os autores da Taylor & Francis optarem por sair da parceria de IA com a Microsoft. Clemens disse  ao The Bookseller : "Não há clareza da Taylor & Francis sobre se uma política de opt-out está em vigor ou nos planos. Mas como eles não informaram seus autores sobre o acordo em primeiro lugar, qualquer política de opt-out agora não é funcional."
Barbara Hayes, CEO da ALCS
O Bookseller perguntou à Taylor & Francis se era possível optar por não participar e solicitou esclarecimentos sobre se os autores foram informados sobre o acordo de IA. O porta-voz da editora disse que não poderia fazer mais comentários. O Bookseller também contatou a Microsoft para comentar.
Clemens disse  ao The Bookseller que a resposta da comunidade acadêmica após sua publicação no X mostra que a questão "tocou um nervo, e autores ao redor do mundo estão preocupados com razão".
"Estamos em uma encruzilhada na produção e disseminação de conhecimento de pesquisa e, na minha opinião, o maior problema com esse acordo é a redução da pesquisa acadêmica em conteúdo bruto, do qual os dados podem ser extraídos e reembalados como conhecimento", disse Clemens.
Mia Gray, professora de geografia econômica na Universidade de Cambridge, escreveu no X: "Isso é perturbador e uma questão cada vez mais importante para os acadêmicos".
James McConnachie, autor e jornalista postou no X: "Autores: verifiquem seus contratos! Perguntem ao seu editor sobre sua política de IA."
Ambre Morvan, gerente sênior de políticas e consultor de contratos da Society of Authors, disse  ao The Bookseller : “A Society of Authors está preocupada em ver editoras assinando acordos com empresas de tecnologia sem consultar os autores e criadores primeiro”.
Ela acrescentou: "Há questões de direitos autorais, direitos morais e proteção de dados que precisam ser cuidadosamente consideradas, assim como questões sobre transparência e justiça de pagamento de usos (autorizados) por empresas de tecnologia. O impacto de tais usos nas vendas tradicionais do trabalho do autor e no futuro profissional do autor de forma mais ampla também deve ser considerado. Os criadores são a espinha dorsal de nossas indústrias criativas líderes mundiais, e não podemos enfatizar o suficiente a necessidade vital de protegê-los."
A Sociedade de Autores (SoA) pediu aos autores que "descobrirem que seu trabalho foi usado sem seu consentimento" que os contatem para obter orientação e os encorajou a responder a uma pesquisa atualmente conduzida pela Sociedade de Licenciamento e Coleta de Autores (ALCS) sobre opções de licenciamento coletivo para autores.
A CEO da ALCS, Barbara Hayes, disse ao The Bookseller: "Sabemos que os desenvolvimentos em tecnologias de IA generativas estão acontecendo rapidamente, com acordos entre editoras e empresas de tecnologia sendo assunto de reportagens regulares da mídia. Acreditamos que é fundamental que os interesses e direitos dos autores sejam totalmente representados nessas discussões e negociações, o que infelizmente é frequentemente o passo que falta no momento."
No início desta semana, o Copyright Clearance Centre anunciou a disponibilidade de direitos de reutilização de IA em sua  Licença Anual de Direitos Autorais (ACL) — que ele afirma ser "a primeira solução de licenciamento coletivo para o uso interno de materiais protegidos por direitos autorais em sistemas de IA". A licença fornecerá aos detentores direitos e remuneração por novos usos de seu conteúdo. 

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July 21, 8:20 AM
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Inteligência artificial não vai | Podcast | Rádio

Inteligência artificial não vai | Podcast | Rádio | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma pesquisa recente revelou que brasileiros e brasileiras discordam total ou parcialmente sobre o uso de inteligência artificial (IA) em casos de identificação de crimes, diagnóstico de doenças e análises de processos judiciais. 

Segundo o estudo realizado pela agência Ideia, em colaboração com o Brazil Forum UK, 40% do público se opõe ao uso da ferramenta na área da medicina e 20% questiona de forma parcial. Apenas 8% concordam totalmente. 

No entanto, a investigação, divulgada em maio deste ano, trouxe uma aparente contradição ao revelar, também, que o público não acredita que a IA pode aprofundar desigualdades de gênero ou raciais. Do total de entrevistados, apenas 34% apresentaram preocupações em relação a estes temas. 

"É interessante que, apesar de não reconhecer essas discriminações, o brasileiro não acredita nessa tecnologia”, afirma a professora Fernanda Rodrigues, doutoranda em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em entrevista ao programa Bem Viver desta segunda-feira (8).

Coordenada de Pesquisa do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (Iris), Rodrigues levou luz a um debate urgente a respeito de inteligência artificial: "Isso abre margem justamente para a gente debater o caminho para a solução, que tem a ver com essa questão do tecnosolucionismo". 

"O que é isso? Basicamente, a gente entender a tecnologia como um fim em si mesmo. Então, a tecnologia vai trazer o benefício, ela vai trazer o bem, ela pode. Mas a gente precisa analisar se realmente, no caso concreto, está servindo para todo mundo ou se está servindo apenas para uma parcela da população." 

Para a professora, é importante que a sociedade e as grandes empresas de tecnologias não acreditem ou invistam na IA como uma forma de resolução de problemas estruturais da sociedade, como o racismo e a misoginia.  

"O primeiro passo é entender que a inteligência artificial não é uma tecnologia desconectada da sociedade, pelo contrário. Ela é feita por pessoas humanas e ela também é inserida em um contexto dentro de uma realidade específica.” 

Ou seja, para a professora, combater a discriminação que a inteligência artificial tem potencilizado na internet não passa apenas pela regulamentação estatal e formalização de acordos éticos entre as empresas desenvolvedoras. 

"Essas discriminações potencializadas pela tecnologia vêm de diferentes fontes, como, por exemplo, a falta da diversidade no campo da tecnologia." 

A pesquisadora cita uma série de exemplos nos quais a IA reproduz comportamentos discriminatório já presentes na nossa sociedade. 

"Na segurança pública, a gente tem casos de tentativa de utilização de [IA no] policiamento preditivo – ferramenta utilizada com a intenção de prever onde teria a maior possibilidade de acontecerem crimes e aí destinar o policiamento específico para essa área." 

Segundo a especialista, a IA não tem sido capaz de impedir que comunidades já muito marginalizadas e vigiadas pela polícia continuem sendo penalizadas. Pelo contrário, essas ferramentas acabam intensificando ainda mais essa violação de direitos.


Fernanda Rodrigues é mestre em Direitos da Sociedade em Rede e Graduada em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) / Comunicação/IRIS

Confira a entrevista na íntegra 

Como a inteligência artificial tem reproduzido ou potencializado comportamentos discriminatórios da sociedade?

O primeiro passo é entender que a inteligência artificial não é uma tecnologia desconectada da sociedade, pelo contrário. Ela é feita por pessoas e também é inserida em um contexto dentro de uma realidade específica. 

Boa parte das ferramentas de inteligência artificial se utiliza de uma base de dados que alimenta as informações sobre as quais ela vai gerar novos resultados, podendo ser previsões ou recomendações de determinados conteúdos.

Um dos principais problemas é que esses dados costumam refletir a nossa realidade. E se a gente vive numa sociedade racista, sexista, capacitista e que reproduz outros tipos de discriminação, é natural que esse tipo de tecnologia também acabe não somente reproduzindo, como potencializando essas discriminações. 

Um exemplo bem próximo da nossa realidade tem sido a questão do reconhecimento facial, principalmente utilizada para fins de segurança pública.  Temos diferentes estudos, inclusive um que virou referência na área foi de o de Joy Buolamwini  [canadense] e Timnit Gebru [etíope], são duas pesquisadoras negras estrangeiras que analisaram três sistemas comerciais de reconhecimento facial e identificaram que eles tinham maior índice de falibilidade sobre o rosto de mulheres negras do que sobre o rosto de homens brancos. 

Isso também foi analisado por outros pesquisadores que identificaram que esse mesmo reconhecimento facial tem grandes índices de falha sobre os rostos de pessoas trans. 

Ainda dentro da segurança pública, tem casos de tentativa de utilização de policiamento preditivo – ferramenta utilizada com a intenção de prever onde teria a maior possibilidade de acontecerem crimes e aí destinar o policiamento específico para essa área.  

Mas, independentemente do tipo de dado que alimenta essa ferramenta, a gente percebe que não tem sido suficiente para medir que comunidades que já são muito marginalizadas e muito vigiadas pela polícia sejam novamente penalizadas também através desses sistemas. 

Para mencionar ainda mais um exemplo, na IA para a saúde, já foi analisado um caso em que algoritmos utilizados para agilizar a avaliação de risco do paciente. E vimos que pessoas negras significativamente mais doentes estavam sendo colocados na mesma faixa de risco do que brancos. 

Eu falo muito aqui sobre os dados que alimentam as ferramentas, que eles são os maiores problemas, mas não se trata somente disso. 

Essas discriminações potencializadas pela tecnologia vêm de diferentes fontes, como, por exemplo, a falta da diversidade no campo da tecnologia. 

A gente tem ainda um setor da tecnologia muito composto, principalmente, por homens brancos, e não por pessoas atravessadas por outros marcadores sociais. 

Então, isso impacta na forma como aquela tecnologia é utilizada. O tecnosolucionismo e uma suposta objetividade da tecnologia também mascaram o fato de que ela pode produzir viés e isso pode interferir na interpretação humana sobre os seus resultados. 

A pesquisa mostrou que brasileiros e brasileiras reconhecem que a IA pode potencializar discriminações. Isso é positivo, certo?

Exatamente. Essa pesquisa vem em boa hora, porque ela denota a importância desse cenário que a gente está vivendo atualmente, que é a reconstrução de uma regulação para esses sistemas da inteligência artificial. 

Mas eu gostaria de destacar dois resultados que me chamaram a atenção olhando para essa pesquisa.  

O primeiro é que ainda há, na verdade, uma resistência das pessoas brasileiras em reconhecer que as tecnologias de IA podem aprofundar as igualdades e desigualdades, como por exemplo, desigualdade de gênero e a discriminação racial. 

As pessoas que concordam que as tecnologias podem potencializar esse tipo de discriminação ainda é inferior ao número das que discordam total ou parcialmente.  

Por outro lado, há uma desconfiança muito grande com a utilização de tecnologias para áreas que a gente vê hoje a IA sendo trazida como uma possível solução para problemas históricos. 

Por exemplo, para identificação de crimes, para agilizar diagnóstico de doenças e também para beneficiar análise de processos judiciais. A maior parte das pessoas, em torno de 60% dos entrevistados, afirmam discordar de que essa inteligência artificial possa auxiliar nesses casos. 

É interessante que, apesar de não reconhecer essa discriminação, o brasileiro não acredita nessas tecnologia. 

Isso abre margem justamente para a gente debater o caminho para a solução, que tem a ver com essa questão do tecnosolucionismo.  

O que é isso? Basicamente, a gente entender a tecnologia como um fim em si mesmo. Então, a tecnologia vai trazer o benefício, vai trazer o bem, e sim, ela pode, mas a gente precisa analisar se realmente, no caso concreto, está servindo para todo mundo ou se está servindo apenas para uma parcela da população.  

Além de tudo isso que você está trazendo, é importante o Estado firmar leis para regular a tecnologia?

A regulação é fundamental diante do cenário atual. Como a gente já mencionou, tem pessoas que já estão sendo efetivamente afetadas de forma negativa por essa tecnologia. 

É imprescindível que a gente consiga estabelecer uma regulação para garantir direitos mínimos frente a esses sistemas e também para assegurar que as pessoas possam ter um direito à responsabilização caso elas venham a ser prejudicadas. 

Por outro lado, eu entendo que a regulação é fundamental também para o próprio setor privado para que ele possa promover a inovação e o avanço tecnológico seguro. 

E numa escala de 0 a 10, você vê o Brasil em que estágio nessa formulação de legislações, para dar controle para todas essas questões que a gente está conversando agora? 

Olha, é difícil definir numa escala de 0 a 10. Eu acho que eu ficaria entre 7 e 8, porque a gente evoluiu bastante em relação ao que a gente tinha anteriormente. 

A discussão para regulação no Brasil da inteligência artificial ganhou folêgo principalmente a partir de 2020, com o Projeto de Lei  21/2020, mas muito voltado para princípios.  

Então, ele se assemelhava mais a uma carta de intenções em torno da IA do que, efetivamente, a uma regulação capaz de assegurar direitos e responsabilidades. 

Por outro lado, essas versões mais recentes que, inclusive, estão sendo discutidas em uma comissão temporária interna no Senado, já vão num caminho que eu entendo muito mais pertinente para o nosso contexto. 

É importante que tenhamos uma regulação nacional que faça sentido de acordo com as nossas especificidades, que atribua uma escala para o nível da tecnologia, por exemplo, considerado uma [IA] de risco excessivo, ou seja, que deve ser banida. E, principalmente, não deixar passar essa ideia de que a regulação barra a inovação. 

A gente pode ver daqui a alguns danos a inteligência artificial combatendo discriminações que estão normalizadas no mundo da internet?

Com certeza, eu acho que a gente precisa ser otimista nesse ponto e trabalhar nesse sentido justamente para ter uma regulação que nos auxilie com esses instrumentos para combater a discriminação. 

Usar a IA para outras finalidades, como, por exemplo, prever desastres naturais e condições climáticas, e aí tentar ajudar a população nesse sentido. Por exemplo, para conseguir compreender quais são as áreas de uma cidade que precisam de mais recursos para uma população que está desassistida. 

E nas escolas?

Em relação a IA no ensino, eu acho que, sim, ela tem um potencial muito grande. Inclusive a gente já teve recomendações de organizações internacionais sobre como utilizar a IA no ensino de forma adequada e não para reproduzir ou para vulnerabilizar ainda mais crianças e adolescentes. 

Um ponto positivo dessas versões mais recentes da regulação é justamente a necessidade de que o governo federal implemente estratégias para o letramento digital da população, incluindo ensino sobre a inteligência artificial com prioridade para o ensino básico. 

Se a gente tem dificuldade muitas vezes de compreender que nem tudo o que a tecnologia traz é absoluto, que as informações que estão ali devem ser questionadas e que ela não pode ser lida como um fim em si mesma, isso para crianças é ainda mais preocupante. 

E que a gente também não pode cair na tentativa de colocar IA a todo custo no ensino, tem que ver se ela é realmente necessária naquele contexto. Porque sim, a IA pode ajudar em alguma atividade, mas precisa ver se é preciso adicionar esse tipo de tecnologia ou se a gente tem alguma outra ferramenta que já dá conta.
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July 21, 8:18 AM
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O lado obscuro da expansão de datacenters na América Latina | Geral

O lado obscuro da expansão de datacenters na América Latina | Geral | Inovação Educacional | Scoop.it
O número de datacenters cresceu 628% no Brasil entre 2013 e 2023, segundo o Brazil Data Center Report, estudo da consultoria imobiliária JLL. O país é líder do setor na América Latina, e concentra cerca de 40% dos novos investimentos na área. De acordo com o Datacenter Map, empresa que mapeia datacenters ao redor do globo, atualmente são 135 instalações do tipo no país, a maioria no estado de São Paulo. Em segundo lugar na região vem o México, com 50 centros, seguido do Chile, que conta com 49.

Takano afirma que a grande dificuldade do setor em todo o mundo é o alto consumo de energia. Alguns centros operam com mais de 100 megawatt (MW), o que pode representar mais que todos os gastos de uma cidade de pequeno porte. Daí, explica Takano, a atratividade do Brasil para o setor, já que a parcela de renováveis na matriz elétrica do país chega a 84,25%, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
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July 21, 8:17 AM
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Cinco mais ricos do mundo dobram patrimônio em 3 anos enquanto | Geral

Cinco mais ricos do mundo dobram patrimônio em 3 anos enquanto | Geral | Inovação Educacional | Scoop.it
A riqueza dos cinco mais ricos do mundo dobrou desde 2020, ao mesmo tempo que 60% da população mundial –cerca de 5 bilhões– ficou mais pobre. Isso é o que aponta o relatório Desigualdade S.A., divulgado nesta segunda-feira (15) pela organização internacional Oxfam.
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July 21, 8:11 AM
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Evolução do índice de capital humano anual para economia brasileira: 1995-2022

Neste estudo construímos o Índice de Capital Humano (ICH) para o Brasil, cobrindo o período de 1995 a 2022. Utilizamos os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e PNAD Contínua, ambas disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e adaptamos para o caso brasileiro a metodologia empregada por diversas organizações internacionais, como o Bureau of Labor Statistics (BLS). O ICH captura os movimentos estruturais da qualidade da mão de obra brasileira, dada a ampla abrangência temporal dos dados, e sua derivação é compatível com a metodologia usual de decomposição do crescimento econômico. Neste sentido, empregamos o ICH no ajuste do fator trabalho utilizado no cálculo da produtividade total dos fatores (PTF). Os resultados mostram que no período de 1995 a 2022 o ICH apresentou um crescimento anual médio de 2,2%. Além disso, a inclusão do ICH influenciou a dinâmica da PTF, que registrou queda anual média de 0,9% no período analisado
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July 21, 8:07 AM
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Censo 2022: analfabetismo entre quilombolas é quase três vezes maior do que na população total do país | Agência de Notícias

Censo 2022: analfabetismo entre quilombolas é quase três vezes maior do que na população total do país | Agência de Notícias | Inovação Educacional | Scoop.it
Em 2022, 1.015.034 pessoas quilombolas com 15 anos ou mais de idade viviam dentro e fora de territórios oficialmente delimitados. Desse contingente, 81,01% (822.319 pessoas) eram alfabetizadas e, consequentemente, 18,99% (192.715 pessoas) eram analfabetas. Dessa forma, a taxa de analfabetismo das pessoas quilombolas a partir de 15 anos de idade era 2,7 vezes superior à registrada na população total residente no Brasil.
Dentro dos territórios quilombolas oficialmente delimitados, a taxa de alfabetização das pessoas quilombolas com no mínimo 15 anos foi de 80,25%. Esse número é inferior à taxa de alfabetização dos quilombolas como um todo (81,01%) e ao índice de alfabetização da população total do país nessa faixa etária (93,0%).
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July 21, 8:05 AM
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Ao menos 110 morrem em protestos estudantis de Bangladesh

Ao menos 110 morrem em protestos estudantis de Bangladesh | Inovação Educacional | Scoop.it

Os protestos começaram devido à revolta de estudantes contra cotas controversas que reservam 30% dos empregos públicos para parentes daqueles que lutaram pela independência de Bangladesh, em 1971.
A agitação nacional —a maior desde que a primeira-ministra Sheikh Hasina foi reeleita este ano— também foi estimulada pelo alto desemprego entre os jovens, que representam quase um quinto de uma população de 170 milhões.
Alguns analistas dizem que a violência também é impulsionada por problemas econômicos mais amplos, como inflação alta e reservas estrangeiras em declínio.
Os protestos abriram antigas e sensíveis divisões políticas entre aqueles que lutaram pela independência de Bangladesh do Paquistão, em 1971, e aqueles acusados de colaborar com Islamabad.

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July 21, 7:51 AM
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Educação e crescimento econômico no Brasil

Educação e crescimento econômico no Brasil | Inovação Educacional | Scoop.it

A figura apresenta duas estatísticas para diversas economias. No eixo horizontal, a escolaridade da população, medida por anos médios de estudo. A informação foi obtida na base de dados do PNUD da ONU.
No eixo vertical, a evolução do produto anual por trabalhador. O produto por trabalhador é medido em dólares constantes de 2021, controlando-se por diferenças sistemáticas de custo de vida entre as economias. A informação foi obtida do Banco Mundial.
Para cada país, temos uma reta ligando dois pontos. O primeiro representa o par educação e produtividade do trabalho em 1991 e o segundo as mesmas estatísticas em 2022.
Por exemplo, para a Coreia do Sul, entre 1991 e 2022, a escolaridade da população elevou-se 3,2 anos, enquanto o produto por trabalhador cresceu US$ 56 mil. Cada ano a mais de escolaridade da população está associado à elevação do produto por trabalhador em US$ 17,6 mil.
Para o Brasil, a relação é menor: para uma elevação de 4,4 anos de escolaridade da população, o aumento de produtividade foi de US$ 7,6 mil, ou US$ 1,7 mil por cada ano de escolaridade a mais. Cada ano a mais de escolaridade correlaciona-se, na Coreia, a dez vezes mais produto por trabalhador do que no Brasil.
Uma possível explicação é que a qualidade da educação brasileira é muito baixa. No entanto, apesar de ser baixa, o retorno da educação medido pela elevação de salário associada à maior escolaridade do trabalhador é expressivo no Brasil.
De fato, estudo recém-publicado de colegas do Observatório da Produtividade Regis Bonelli do FGV IBRE elabora um indicador de qualificação da mão de obra para o Brasil que incorpora os ganhos salariais associados à maior escolaridade. O indicador teve um aumento de 81% entre 1995 e 2022, muito maior do que a elevação da produtividade do trabalho de 24% observada entre 1991 e 2022.

Ou seja, apesar da baixa qualidade da educação pública, o baixo crescimento nas últimas décadas não pode ser atribuído a ela. A evidência é que houve outros fatores que reduziram a produtividade.
Os economistas consideram uma medida de produtividade chamada de produtividade total dos fatores (PTF). A PTF mede a eficiência pela qual a economia combina capital e trabalho. Segundo o estudo, a PTF brasileira caiu 21% entre 1995 e 2022. No cálculo da PTF, foi empregado o indicador de qualificação da mão de obra do FGV IBRE.
Voltando para o gráfico desta coluna, nota-se que o México tem um comportamento bem próximo ao da economia brasileira. No caso mexicano, o produto por trabalhador caiu entre 1991 e 2022, enquanto a escolaridade da população se elevou.
Para o México, o estudo muito cuidadoso do economista mexicano Santiago Levy "Esforços mal recompensados: a ilusória busca pela prosperidade no México", de 2018, documenta que toda a legislação tributária e trabalhista se alterou na direção de estimular a alocação do capital e trabalho em unidades produtivas com menor eficiência. A PTF mexicana também caiu nas últimas duas décadas e meia.
A educação brasileira precisa melhorar muito. Mas ela tem entregado bons resultados. Trabalho de Rodrigo Soares, publicado em uma das melhores revistas acadêmicas do mundo, documentou que a melhora educacional foi o principal determinante da queda da informalidade nos anos 2000.
O crescimento depende das habilidades embutidas nos indivíduos, mas também depende de um marco legal e institucional que estimule a boa alocação dos fatores. Nas últimas décadas, pioramos muito nessa dimensão.

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July 20, 4:51 PM
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'A Microsoft destruiu minha vida online depois que liguei para Gaza'

'A Microsoft destruiu minha vida online depois que liguei para Gaza' | Inovação Educacional | Scoop.it
Palestinos que usam o Skype para ligar para familiares e amigos em Gaza estão sendo bloqueados e proibidos de usar produtos da Microsoft.
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July 20, 11:42 AM
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Inteligência artificial: o 'alfabeto' das baleias cachalotes revelado por IA

Inteligência artificial: o 'alfabeto' das baleias cachalotes revelado por IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Comunicação entre cachalotes pode apresentar estruturas similares às da linguagem humana.
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July 20, 11:37 AM
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WhatsApp GB: a versão pirata do aplicativo que abre as portas do celular para hackers

WhatsApp GB: a versão pirata do aplicativo que abre as portas do celular para hackers | Inovação Educacional | Scoop.it
WhatsApp GB se populariza com oferta de funções exclusivas, mas pode deixar celular vulnerável a ataques virtuais.
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July 22, 12:46 PM
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Situação precária da internet na escola pública desperta preocupação

Situação precária da internet na escola pública desperta preocupação | Inovação Educacional | Scoop.it

A internet por si só não pode trazer a melhoria na qualidade do ensino de que o Brasil precisa, mas sua ausência e precariedade na rede pública certamente tornam a tarefa mais difícil. Assim como outros programas de governo, o Escolas Conectadas foi lançado em Brasília em setembro do ano passado, com promessa de investimento para conectar a rede pública do ensino básico à rede de banda larga. Mais de nove meses depois de lançado, o cenário não é nada animador.
O Ministério da Educação (MEC) anunciou investimentos de R$ 8,8 bilhões para comprar equipamentos e treinar as equipes. É um volume razoável de recursos, cuja aplicação precisa ser feita com transparência e controle, para que não se repitam desvios já ocorridos na aquisição em massa de computadores por governos.
Precariedade: Internet em escolas públicas oscila entre falta de controle da qualidade e conexões ruins
Por enquanto, preocupa a lentidão na execução do programa. Levantamento do GLOBO a partir do Sistema de Medição de Tráfego de Internet (Simet) revelou que 81% das 71,1 mil escolas com dados disponíveis (ou 57,6 mil) têm conexão de qualidade “ruim” ou “péssima”. Apenas 19% (13,5 mil) contam com sinal de internet considerado “bom” ou “ótimo”. O Censo Escolar de 2023 encontrou 15,7 mil escolas desconectadas da rede, ainda na era analógica.
Outro problema grave é que os gestores das secretarias de Educação nos estados e municípios não monitoram a qualidade da conexão de 77.715 escolas, 48% dos 138 mil estabelecimentos de ensino do país. Isso acontece, segundo o MEC, porque elas não contam com o software que mede a velocidade de conexão. Mas essa tarefa é trivial. Pode ser realizada em dezenas de sites gratuitos por qualquer navegador.
Atenção especial precisa ser dada às regiões menos desenvolvidas. No Amapá, em 80% das escolas (ou 637 de 787) os gestores não sabem a qualidade da conexão à internet. O mesmo acontece em Roraima (86%) e no Acre (82%). O MEC diz que as primeiras a ser atendidas serão as escolas sem banda larga, 79% das quais estão nas regiões Norte e Nordeste.
Conexão de baixa qualidade e falta de monitoramento da velocidade do acesso existem em todas as regiões, independentemente do estágio de desenvolvimento. A pior situação é a de Mato Grosso do Sul, onde 64% da rede escolar tem conexão de má qualidade. Mesmo em São Paulo o índice é de 51%, enquanto 36% dos estabelecimentos escolares não monitoram a velocidade de conexão. No Rio de Janeiro, os índices para os mesmos parâmetros são 48% e 38%. No Sul, o Paraná aparece com 57% de escolas mal conectadas e 23% sem monitoramento de velocidade.
O acompanhamento desses indicadores é importante para as secretarias de Educação saberem se as escolas têm condições de navegar na internet sem dificuldades. Mas isso de nada vale se não houver um projeto pedagógico competente, executado por bons professores, para que as ferramentas digitais resultem em aprendizado para os alunos.

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July 22, 12:43 PM
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Tempestade digital perfeita evidencia a necessária ligação entre educação e tecnologia

Tempestade digital perfeita evidencia a necessária ligação entre educação e tecnologia | Inovação Educacional | Scoop.it

Toda a educação é uma educação midiática, pois não podemos nos separar da realidade do nosso tempo em um ambiente cada vez mais conectado e digital.
A frase anterior poderia ser um presságio para o evento que sacudiu o planeta na madrugada da última quinta-feira, gerando temor em sistemas de segurança cibernética e transtornos para empresas aéreas, consumidores e usuários anônimos de qualquer plataforma on-line minimamente conectada a um sistema Windows.
No entanto, o comentário foi dito por Leo Pekkala, vice-diretor do Instituto Nacional do Audiovisual da Finlândia, durante um encontro internacional com representantes de mais de 40 países reunidos em Helsinki para compartilhar pesquisas e debater alternativas para a alfabetização da sociedade, justamente, quanto ao uso de mídias digitais.
O evento foi organizado pela DCN Global, sigla em inglês para uma Rede de Comunicadores Digitais, que surgiu em 2015 e desde então promove encontros com comunidades de profissionais de comunicação, ciência, tecnologia, inteligência artificial e, claro, professores comprometidos com o letramento de uma geração nativa de um ecossistema conectado.
O foco das ações da rede está baseado em três pilares: cidadãos informados, comunidades engajadas e sociedades resilientes. “Neste encontro nós queremos produzir e organizar treinamentos virtuais com parceiros locais.
Isso é muito importante para atuarmos de forma global, mas criando conteúdo e escutando principalmente as pessoas e os contextos do território”, afirma Alexandre Le Voci Sayad, jornalista brasileiro especialista em educação midiática e autor do livro “Inteligência Artificial e pensamento crítico”.
Sayad é membro da DCN e foi o curador do encontro, que contou ainda com representantes de instituições como a revista inglesa The Economist, a Associação Nacional de Educação Midiática dos EUA, a TV Deutsche Welle, da Alemanha, além de iniciativas livres com escolas e universidades de Camarões, Filipinas, Austrália, Canadá, Estônia, entre outros.
O Brasil foi representado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), com o professor Caio Marchi e o Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS), com Karina Santos, além da pesquisadora Dora Kaufmann, da PUC-SP, especialista nos impactos éticos da IA.
Caio colabora com o mapeamento de comunidades de práticas de educação midiática na América do Sul. “Tivemos um crescimento de 115 projetos relacionados à alfabetização midiática e informação entre 2019 e 2023, com colaboração de muitas escolas e redes parceiras que estão investigando o tema em seus currículos”, destaca o professor.
Caracterizada pelo conjunto de habilidades para acessar, analisar, criar e participar de maneira critica do ambiente informacional, a educação midiática vem ganhando cada vez mais contornos de solução para alguns dos principais desafios apontados pelo Relatório de Riscos Globais 2024, elaborado na última edição do Fórum Econômico Mundial.
Seria algo como a tempestade digital perfeita, pois envolve o combate à desinformação, os eventos climáticos extremos e a polarização da sociedade. Se somados e colocados em um mesmo caldeirão das mídias sociais, os três temas têm potencial gigantesco para abalar o estruturas do ecossistema digital em uma escala ainda maior do que o evento da CrowdStrike, quando houve falha em ferramentas de prevenção de ataques hackers, pois os efeitos se auto-alimentariam com postagens, produção e distribuição de conteúdo fora dos contextos em plataformas digitais e ambientes de aprendizagem, sobretudo em anos com eleições e com a explosão da inteligência artificial, como em 2024.
“Nós não ensinamos sobre o que pensar, mas sobre como pensar”, afirma Carolyn Wilson, diretora-executiva da Fundação McLuham. “É isso que estamos tentando mostrar aos estudantes, como o conhecimento histórico é construído a partir de fatos, datas e acontecimentos. Precisamos questionar isso sempre com responsabilidade”, complementa Julia Nitz, professora da Universidade Halle-Wittenberg, da Alemanha.
Desde outubro de 2023 o governo federal conta com um primeiro esboço de abordagem ao tema como política pública, trata-se da Estratégia Brasileira de Educação Midiática, desenvolvida pela Secretária de Comunicação Social da Presidência da República, a partir de consulta pública e alinhamento com diretrizes da Base Nacional Comum Curricular.
Recentemente, foi organizado pelo Instituto Palavra Aberta, organização que produz discussões e materiais didáticos para educadores sobre alfabetização midiática, a segunda edição de um encontro internacional sobre o tema no Rio de Janeiro.
Em meio à previsão de cenários caóticos com as crises cibernéticas, conectar o pensamento crítico à profusão de mídia no ambiente digital pode ser um bom começo para minimizar os impactos da tempestade. Precisamos acompanhar a previsão do tempo enquanto há tempo para educar.

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July 21, 8:22 AM
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A promessa de uma IA humanizada ou de uma humanização projetada? –

A promessa de uma IA humanizada ou de uma humanização projetada? – | Inovação Educacional | Scoop.it
A London School of Economics promoveu o encontro Living in the Past: exploring memory in humans, animals, and artificial agents, nos dias 20 e 21 de maio. Entre os especialistas estavam Nicola Clayton, Felipe De Brigard,  Zaferinos Fountas,  Johannes Mahr e  Ida Momennejad. O tema da memória foi abordado por diversas perspectivas, buscando responder às principais inquietações, como: por que revivemos o passado; por que não vivemos apenas o momento; qual é o sentido de dedicar recursos mentais para armazenar informações sobre o passado; outros animais fazem isso ou insistir no passado é uma inovação (evolutiva) exclusivamente humana; ou, ainda, o que acontece quando construímos esse tipo de memória em agentes não humanos (IAs)?

Por razões de pertinência, me aterei a comentar alguns aspectos que me chamaram a atenção na apresentação da Dra. Momennejad — que, grosso modo, tratou da última questão mencionada acima, e que me fez refletir sobre outros assuntos relacionados à IA.

Ida Momennejad é a pesquisadora principal no Microsoft Research, New York. Seus interesses de pesquisa encontram-se na interseção entre reforço de aprendizagem, cognição humana e comportamento. Mais especificamente, ela estuda como os humanos e a IA constroem modelos de mundo e os utilizam na memória, na exploração do ambiente e no planejamento de ações. Ela desenvolve e testa algoritmos inspirados no cérebro e comportamento humanos para treinar, por exemplo, a IA para jogar videogame. A abordagem que ela propõe combina reforço de aprendizagem, redes neurais, LLMs, aprendizagem de máquina com experimentos comportamentais, fMRI (ressonância magnética funcional) e, ainda, eletrofisiologia do cérebro humano. Momennejad está empenhada, atualmente, em compreender mais profundamente como a memória episódica funciona em nós e como, a partir dela, conseguimos nos adaptar melhor às circunstâncias e ter mais flexibilidade em nossas tomadas de decisão sobre como agir para alcançar nossos objetivos.

A memória episódica é responsável por armazenar, por assim dizer, os eventos cotidianos que podem ser explicitamente declarados ou evocados. Esse tipo de memória coleciona experiências pessoais passadas que ocorreram em momentos e lugares específicos — como, por exemplo, uma festa de aniversário, um casamento, um beijo, uma viagem, um encontro etc. Ela está intimamente relacionada, ainda, à memória autobiográfica, que, por seu lado, é um sistema baseado na combinação das memórias episódica e semântica. Essas duas formas de memória também estão associadas a outros tipos de memória e a outras de nossas funções cognitivas como, por exemplo, o raciocínio, as capacidades de conceituar e julgar, o planejamento, entre outras.

A relação com as experiências pessoais faz com que a memória episódica seja especialmente importante de ser estudada pelos cientistas que pesquisam IAs, justamente porque, apesar de estarem cada vez melhores em correlacionar informações que nos ajudam com nossos problemas, elas ainda não apresentam nada que se assemelhe àquilo que conhecemos ou reconhecemos como perspectiva experiencial, ou seja, a perspectiva em primeira pessoa ou consciência, que nos habilita a dar sentido às coisas. Nós aprendemos com a experiência e esta, por sua vez, está acondicionada em nossas memórias, que nos fazem ser quem somos.

O grau de desenvolvimento que temos hoje ainda não permite que um modelo de IA generativa como o ChatGPT, por exemplo, reconheça ironia, humor, sarcasmo ou qualquer outra manifestação humana que independa das palavras que entram (no caso dos LLMs) em seu treinamento, e das correlações estatísticas que possam resultar disso. O ChatGPT, portanto, como não é dotado de qualquer perspectiva experiencial, não faz ideia das diferenças entre um soneto e uma receita culinária; ou das consequências de fornecer instruções sobre como construir uma bomba caseira a um adolescente. Ou seja, esse tipo de agente artificial não está apto a formar conceitos e/ou fazer qualquer tipo de julgamento — seja moral, ético, estético ou de qualquer outra natureza — sobre os conteúdos que é capaz de gerar.

O interesse dos cientistas que pesquisam IA, como Momennejad, é compreender profundamente como a memória episódica influencia a cognição humana e como se relaciona com outras funções cognitivas, e, a partir daí, desenvolver IAs com comportamentos mais parecidos com os nossos. No entanto, há grandes obstáculos que precisam ser contornados e/ou vencidos pela ciência. Ainda estamos compreendendo como funcionam e como estão relacionados os mecanismos da memória humana, e como eles influenciam a cognição; ainda pairam dúvidas plausíveis sobre a própria existência da consciência, e estes são apenas alguns problemas que influenciam nessa jornada. Os pesquisadores enfrentam, ainda, outras questões complexas, como, por exemplo, identificar quando e se conseguiram criar um agente artificial mais humanizado a partir dos parâmetros que estabeleceram; ou ainda, não se deixarem enganar e acreditar que conseguiram algum sucesso nesse propósito sem terem realmente chegado lá.

A crença de que estamos próximos de uma IA consciente povoa a mente de muitas pessoas — dos leigos, mas também de especialistas, que não estão imunes a enganos, vide o caso do engenheiro do Google demitido há dois anos por atribuir consciência ao chatbot que desenvolvia, e que nem mesmo possuía as habilidades de versões mais recentes de chatbots como o ChatGPT 4o, por exemplo.

Os problemas, com certeza, se avolumarão à medida que observamos a popularização dos chatbots com capacidade multimodal, operação em tempo real, e características de design antropomórficas, como vozes humanas, “personalidades” customizáveis e uma memória cada vez maior de “conversas” que imitam a dinâmica das interações sociais humanas. Isso pode nos tornar cada vez mais vulneráveis a manipulações algorítmicas, não tenho dúvidas; e, além de indesejável, isso pode ser muito mais perigoso do que imaginamos. No entanto, há um entendimento, que parece estar disseminado e consolidado (e não só no meio das empresas de tecnologia, mas este é um assunto para outro post), de que só se consegue combater esse tipo de problema com mais e melhores tecnologias, e eu concordo com isso, já que a alternativa é abandonar o desenvolvimento da IA, o que me parece uma possibilidade absurda e fantasiosa, sob qualquer ponto de vista.

Voltemos a Momennejad, que está empenhada em compreender melhor a habilidade que temos de usar algoritmos de aprendizagem que nos permitem planejar qualquer coisa a partir da memória. As perguntas que ela constantemente se faz são do tipo, “que algoritmos o cérebro usa?”; ou “como comparar algoritmos humanos e artificiais?”. Uma vez levantadas as hipóteses, ela constrói modelos computacionais a partir dessas perguntas e realiza testes que os comparam ao comportamento humano. Assim, ela consegue definir qual deles funciona de maneira mais parecida com nosso cérebro e traçar um caminho de reforço de aprendizagem para a IA. O resultado esperado é que a IA demonstre um tipo de comportamento mais humano; porém, não podemos nos esquecer que isso também significa que ela está sujeita a cometer e apresentar comportamentos indesejáveis, assim como os nossos.

Não tenho pretensão alguma de entrar em questões muito técnicas neste post, até porque não tenho conhecimento suficiente para isso. Minha intenção é apontar que, mesmo com experimentos comparativos bem estruturados, com equipes multidisciplinares compostas pelos maiores especialistas disponíveis em desenvolvimento de algoritmos, redes neurais e neurociência, além de muito dinheiro envolvido, Mommenejad e outros pesquisadores tão competentes e empenhados como ela enfrentam o problema de não conseguir determinar com precisão se as melhorias de comportamento de seus modelos significam qualquer passo em direção à humanização da IA. O que isso quer dizer? Quer dizer que os modelos podem simplesmente produzir as respostas comportamentais esperadas, mas continuar sem habilidade alguma de conceituar ou julgar aquilo que estão fazendo — quer dizer, sem conseguir atribuir qualquer significado aos conteúdos que geram.

Ainda há outro problema a ser enfrentado, que é o fato de, muitas das vezes, o reforço de aprendizagem dos LLM continuar a ser feito por gente como eu e você. Através das redes, geramos milhões de sentenças e damos feedback aos algoritmos com o polegar para cima ou para baixo, às toneladas, em publicações e comentários nos quais manifestamos concordância ou discordância sobre o conteúdo de um post ou o comentário de alguém. Alguns estudos já demonstraram que o reforço de aprendizagem realizado por humanos faz com que aumente a probabilidade de algoritmos apresentarem comportamentos estranhos, que simulam sinais de consciência, que parecem humanos, mas que, na verdade, são apenas resultado dos reforços que receberam dos usuários.

Repetir e remixar informações e/ou apenas imitar o comportamento humano não parece ser exatamente o tipo de inteligência que as pesquisas mais avançadas estão buscando dar aos algoritmos — até porque isso já foi alcançado e melhora a cada dia; e nunca é demais lembrar que nós, humanos, também aprendemos por repetição e imitação, e criamos coisas incríveis e de muito valor a partir de remixagens. Portanto, pode-se no mínimo dizer que há um consenso de que a IA realmente aprende.

O problema parece estar no que entendemos por humano, e se nos será possível (ou desejável, e até que ponto) “engenheirar” este conceito para dotar os algoritmos de alguns de seus (bons) predicados. Aí parece estar o segredo, a pergunta de trilhões e trilhões de dólares que ainda precisa ser respondida.
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July 21, 8:18 AM
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Big Techs pretendem definir padrões da IA na saúde. E nós? | Opinião

Big Techs pretendem definir padrões da IA na saúde. E nós? | Opinião | Inovação Educacional | Scoop.it
O Conselho Nacional de Saúde (CNS) instituiu a Câmara Técnica de Saúde Digital e Comunicação em Saúde (CTSDCS/CNS), excelente iniciativa. Segundo o comunicado à imprensa: “A Câmara Técnica surge da necessidade de discutir, apoiar e fortalecer o desenvolvimento de estratégias e ações nestas temáticas, em benefício do SUS e a partir da ótica do Controle Social.” O próximo passo da nova câmara é o lançamento do edital de chamamento para entidades e representações interessadas em compô-la. A importância deste espaço é incontestável, urgente e imprescindível.
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July 21, 8:18 AM
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Violência digital nos relacionamentos: por que é tão difícil | Geral

Violência digital nos relacionamentos: por que é tão difícil | Geral | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma pesquisa feita com mais de 2 mil estudantes nos Estados Unidos, em 2020, descobriu que 28% deles já foram vítimas de violências assim. Eles contaram que caso não respondessem rápido às mensagens de seus parceiros, eram punidos com violência física e xingamentos. Em alguns desses relacionamentos o acordo era baixar um aplicativo de GPS para mostrar onde estavam.
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July 21, 8:14 AM
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Participação dos salários no PIB brasileiro caiu 12% em cinco anos

Participação dos salários no PIB brasileiro caiu 12% em cinco anos | Inovação Educacional | Scoop.it

A participação dos salários dos trabalhadores do Brasil no Produto Interno Bruto (PIB) caiu 12,9% em cinco anos e chegou ao pior resultado em 16 anos. Este percentual vem caindo desde 2016, quando atingiu o pico de 35,5% do PIB. Em 2021, os salários despencaram para 31% do PIB.
Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) e o PIB é a soma de todas as riquezas produzidas no país. No mesmo período, o excedente operacional bruto das empresas, valor de onde as companhias extraem o lucro, aumentou a participação no PIB de 32,3% para 37,5%, representando um crescimento de 16% entre 2016 e 2021.
Ao comentar o dado, o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, argumentou que ele mostra a reversão da tendência de aumento da participação dos salários no PIB observada entre 2004 e 2016.
“A construção lenta e difícil que por 12 anos levou para mudar positivamente o peso da renda do trabalho no PIB foi rápida e abruptamente desmontada nos últimos anos de regressão neoliberal. O que terminou por recolocar novamente o Brasil entre os países de baixos salários, empregos precarizados e de multidões de sobrantes e sem destino”, comentou.
Entre 2004 e 2016, a participação dos salários no PIB cresceu 16,3%, saindo de 30,6% para 35,67%. Por outro lado, nesse período, a participação do excedente operacional bruto das empresas caiu 6,6%, passando de 34,6% para 32,3% do PIB.
Os dados do IBGE também incluem a variável “remuneração dos trabalhadores” que, além dos salários, incluem as contribuições sociais pagas pelos empregadores e governo por pessoa empregada. O indicador salário é destacado pelo fato de as contribuições não serem usufruídas diretamente pelas famílias dos trabalhadores.
Recessão e pandemia
A redução da participação dos salários no PIB é resultado da recessão econômica iniciada em 2015 e da pandemia, tendo sido influenciada também pela reforma trabalhista, avaliou o professor Pedro Paulo Zahuth Bastos, do Instituto de Economia da Universidade Estadual da Campinas (Unicamp).
Bastos argumenta que, com o aumento do desemprego no período, os trabalhadores perderam poder de barganha para recuperar os salários frente à inflação. Como o custo real dos salários caiu, o excedente das empresas aumentou.
“Quando tem muita gente procurando emprego, os trabalhadores não têm poder de barganha para aumentar o salário nominal de modo a recuperar a perda de renda real gerada pela inflação. Isso vai gerar um aumento da participação do excedente operacional bruto das empresas porque, em termos relativos, o salário real caiu”, explicou.
O economista da Unicamp considera ainda que a reforma trabalhista influenciou esse resultado por também reduzir o poder de barganha dos trabalhadores e acrescentou que a redução dos salários no PIB foi bem maior na pandemia que na recessão dos anos anteriores. “O choque da pandemia é maior ainda porque aumenta o desemprego, diminui a massa total de trabalhadores e também o rendimento real”, completou.
Desigualdade
O indicador da participação dos salários no PIB é determinante para medir o grau de desigualdade social de um país, avaliou Pedro Paulo Zahuth Bastos. Além de aumentar a desigualdade, o economista defende que a redução do poder dos salários é ruim para economia nacional.
“Quanto maior a renda do PIB gerado que vai para os trabalhadores, maior vai ser o gasto e, consequentemente, maior vai ser o mercado interno do Brasil. E quanto maior for o mercado interno, maior vai ser o incentivo para que aqueles lucros dos capitalistas sejam investidos para aumentar a produção”, destacou.
Para Bastos, o aumento do excedente bruto das empresas não necessariamente será reinvestido nas atividades que geram emprego. “Se eles tiverem mais lucro, mas não tiver mercado, eles vão simplesmente comprar ativos financeiros [como títulos da dívida pública]”, pontuou.
“[A redução dos salários no PIB] é ruim tanto do ponto de vista da sociedade, da saúde pública, do bem-estar social, da paz social, da criminalidade, da violência, quanto é ruim também para o crescimento econômico”, finalizou.

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July 21, 8:10 AM
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Censo 2022: Brasil possui 8.441 localidades quilombolas, 24% delas no Maranhão

Censo 2022: Brasil possui 8.441 localidades quilombolas, 24% delas no Maranhão | Inovação Educacional | Scoop.it
Em 2022 existiam 8.441 localidades quilombolas no território brasileiro, associadas a 7.666 comunidades quilombolas declaradas pelos informantes.
Região Nordeste conta com 5.386 localidades quilombolas, 63,81% do total, seguida pelo Sudeste, com 1.245 localidades (14,75%), e Norte com 1.228 (14,55%).
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July 21, 8:06 AM
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Censo: 1 em cada 5 quilombolas é analfabeto, diz IBGE

Censo: 1 em cada 5 quilombolas é analfabeto, diz IBGE | Inovação Educacional | Scoop.it

A taxa de analfabetismo dos quilombolas é 2,7 vezes superior à da população total do Brasil, indicou nesta sexta-feira (19) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ao divulgar novos dados do Censo Demográfico 2022.
Do contingente de 1 milhão de quilombolas de 15 anos ou mais, 192,7 mil não sabiam ler nem escrever um bilhete simples. Assim, o percentual de analfabetos foi calculado em 18,99% —aproximadamente 1 em cada 5.
A taxa é mais que o dobro do patamar de 7% verificado na população total da mesma faixa etária. Em termos gerais, o Brasil somava 11,4 milhões de analfabetos em 2022, em um total de 163 milhões de habitantes de 15 anos ou mais, conforme dados do Censo que já haviam sido publicados pelo IBGE em maio.

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July 21, 7:54 AM
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Reconstruindo a pós-graduação brasileira

Reconstruindo a pós-graduação brasileira | Inovação Educacional | Scoop.it
A evolução nos últimos anos é inegável, diante do cenário anterior. O enfraquecimento da educação superior e a diminuição da taxa de graduados, mestres e doutores no país nunca foi uma crise, mas um projeto, do qual devemos nos afastar para que o Brasil se torne um país mais justo e respeitado internacionalmente. Há muito trabalho pela frente, para continuar avançando e atendendo às demandas da comunidade acadêmica e da sociedade.
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July 20, 4:51 PM
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Pornô 'deepfake': o grupo brasileiro de ódio a mulheres que fabrica imagens falsas sob encomenda com IA

Pornô 'deepfake': o grupo brasileiro de ódio a mulheres que fabrica imagens falsas sob encomenda com IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Em comunidades no Facebook e no Telegram, usuários estão enviando fotos de mulheres do seu círculo para produzir manipulações digitais com conotação sexual.
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July 20, 11:47 AM
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Apagão cibernético global: problemas causados podem levar dias até serem corrigidos

Apagão cibernético global: problemas causados podem levar dias até serem corrigidos | Inovação Educacional | Scoop.it
Atualização do sistema da empresa de segurança CrowdStrike fez com que sistemas da Microsoft entrassem em 'tela azul'. Correção manual é necessária para que organizações e prestadoras de serviços globais voltem a operar normalmente.
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July 20, 11:41 AM
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O medicamento que pode retardar o envelhecimento

O medicamento que pode retardar o envelhecimento | Inovação Educacional | Scoop.it
Cientistas descobriram que um medicamento aumentou a esperança de vida dos animais de laboratório em quase 25%, resultado que os pesquisadores esperam que também possa retardar o envelhecimento humano.
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