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Movimento Desconecta

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Adiar a entrega do primeiro smartphone até, pelo menos, os 14 anos e
o acesso às redes sociais até os 16.
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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April 13, 1:23 PM
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☕ IA na escola é necessário, mas como?

☕ IA na escola é necessário, mas como? | Inovação Educacional | Scoop.it
A urgência de integrar a IA à educação midiática se cruza com a necessidade de fortalecer o pensamento crítico em um cenário de “economia da expectativa” e mudanças cognitivas relevantes.

O uso de IA em conteúdos falsos cresceu mais de 5x em um ano, reforçando a importância do prebunking, o famoso ‘se preparar antes’, como estratégia pedagógica.

A machosfera, as frutas geradas por IA e as mudanças previstas para o Enem.
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April 12, 8:24 PM
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ECA Digital: jovens ensinam a burlar verificação de idade - 10/04/2026 - Cotidiano - Folha

ECA Digital: jovens ensinam a burlar verificação de idade - 10/04/2026 - Cotidiano - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
No primeiro mês de vigência, o ECA Digital já se tornou alvo de truques para contorná-lo. Em redes sociais e fóruns, jovens compartilham tutoriais sobre como enganar a verificação de idade em sites, principal bandeira da nova lei.

A fiscalização efetiva da aferição etária nas redes sociais deve ocorrer apenas a partir de 2027, segundo cronograma da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados). Porém, algumas empresas já são obrigadas a ter o mecanismo. São os casos de redes sociais e plataformas de jogos.

No X, antigo Twitter, postagens com dicas para burlar os sistemas de checagem já acumulam milhares de curtidas e compartilhamentos. A principal publicação sobre o tema foi feita por um perfil chamado "Memes Contrabandeados e Peculiares", com mais de 26 mil seguidores.

Em uma thread, registrando 200 mil visualizações e 2.000 salvamentos, o perfil ensina como enganar a aferição de idade, afirmando ser fácil livrar-se dela: bastaria instalar uma VPN —ferramenta que permite mudar sua localização online.


Adolescente usa celular em escola da zona norte de São Paulo; exigência de verificação de idade para acesso a conteúdos sensíveis previsata pelo ECA Digital não será aplicada integralmente já no início da vigência da lei - Zanone Fraissat - 3.fev.2025/Folhapress
Uma VPN (sigla em inglês para rede virtual privada) é uma tecnologia responsável por criar uma conexão segura entre o usuário e a internet. Na prática, ela funciona como um túnel protegido: os dados não passam diretamente do dispositivo para os sites, mas sim por um servidor intermediário operado por uma empresa.

A tecnologia VPN oculta ou substitui o endereço IP, identificador único do dispositivo na rede, e criptografa a conexão, dificultando interceptações por terceiros. Dessa forma, é possível alterar a localização aparente do usuário, fazendo parecer que está acessando a internet de outro país. Isso poderia burlar as leis brasileiras.

Existe também outro tipo de aplicativo que é responsável por ligar aparelhos a uma rede chamada Tor, permitindo uma navegação mais privada. Ele direciona o tráfego de dados por diversos servidores ao redor do mundo, dificultando a identificação do usuário e ocultando seu IP.

Entenda o que muda para plataformas e usuários com o ECA Digital
Diferente das VPNs tradicionais, que usam um único servidor, esse aplicativo usa múltiplas camadas de criptografia, aumentando o anonimato.

Outras estratégias para enganar a nova lei incluem o vazamento de CPFs de adultos, usados para liberar o acesso a sites restritos a menores de 18 anos. Esses documentos são frequentemente retirados de editais de concursos públicos, principalmente de cidades pequenas, onde a proteção de dados é mais frágil, e reproduzidos em fóruns no Reddit e grupos no Telegram.

Usuários também compartilham fotos e vídeos de pessoas mais velhas que poderiam ser usados em sistemas de reconhecimento facial.

Em nota, a ANPD, responsável pela regulamentação do ECA Digital, disse acompanhar de perto a implementação da lei. Isso inclui os relatos sobre o compartilhamento de conteúdos nas redes sociais que ensinam a contornar os mecanismos de verificação de idade.

A agência já publicou orientações preliminares aos fornecedores de produtos e serviços da informação, definindo requisitos mínimos para a implementação das ferramentas de verificação de idade, com ênfase na precisão desses sistemas.

"A ANPD monitora o cumprimento das obrigações legais e avalia as situações que possam impactar a efetividade das medidas de proteção previstas na lei. Informações relevantes identificadas nesse acompanhamento são consideradas no contexto das ações regulatórias e de fiscalização", disse o órgão.


O ECA Digital passou a valer no Brasil em 17 de março. A partir dessa data, passou a impor regras específicas para a proteção de menores na internet, com impacto direto sobre redes sociais, aplicativos, jogos e plataformas digitais.

A principal tecnologia prevista na norma é a verificação etária obrigatória, que substitui a simples autodeclaração de idade, antes comum em sites com o botão "tenho mais de 18 anos". As plataformas passam a ter que adotar mecanismos mais confiáveis para identificar a idade dos usuários, como cruzamento de dados, validação de documentos e sistemas automatizados de análise.

Além de compartilhar maneiras de trapacear a lei, os jovens fazem discussões sobre seus efeitos. O clima preponderante é de banalização das medidas de fiscalização e críticas a Felca. O influenciador impulsionou a discussão sobre a exposição de menores ao ambiente online, ajudando a acelerar a tramitação do ECA Digital no Congresso.

Para Maria Mello, gerente do eixo digital do Instituto Alana, é natural que adolescentes queiram testar e transpor os limites da legislação. Por isso, opina, é fundamental ocorrer, junto à implementação da norma, a escuta e consideração das opiniões dessa parcela da população.

O trabalho de esclarecimento, segue, também é fundamental para esses jovens compreenderem a existência do ECA como algo que garante seus direitos, não os tira. "Famílias e escolas precisam seguir com esse diálogo intenso, cotidiano e franco, o que demanda conscientização também por parte de responsáveis e cuidadores."

SITE PORNÔ ENSINA A CONTORNAR BLOQUEIO
O XVideos, uma das maiores plataformas de conteúdo pornográfico do mundo, publicou em seu blog um tutorial sobre como contornar bloqueios do site.

O guia, em inglês, apresenta várias formas de acessar o portal, mesmo que ele tenha sido bloqueado pelo provedor de internet. As opções incluem a instalação de um aplicativo, disponível apenas para Android, e o uso de VPN para alterar o endereço IP.

Como a ANPD ainda não exigiu de sites pornográficos a implementação de mecanismos de verificação de idade no Brasil, nenhuma plataforma tomou medidas do tipo. A reportagem entrou em contato por email e chat com a WGCZ Holding, empresa responsável pelo XVideos, localizada na República Tcheca, para questionar sobre o cumprimento do ECA Digital e o tutorial. Porém, não obteve resposta.


Site do XVideos mostra tutorial para burlar bloqueio - Reprodução
Por sua vez, a Aylo, dona de grandes sites e produtoras de conteúdo adulto, como PornHub, RedTube e Brazzers, informou estar analisando as novas regulamentações e aguardando orientações adicionais das autoridades brasileiras. "Compartilharemos mais informações sobre nossos planos de conformidade assim que novos detalhes estiverem disponíveis", afirmou a empresa.

ECA DIGITAL: O QUE MUDA PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA INTERNET
1️⃣ Verificação de idade

Plataformas podem ter de confirmar a idade do usuário para liberar acesso a determinados conteúdos ou serviços.

2️⃣ Proteção contra conteúdo nocivo

Empresas devem adotar medidas para reduzir a exposição de menores a pornografia, violência ou material inadequado.

3️⃣ Responsabilidade das plataformas

Serviços digitais podem ser obrigados a agir para prevenir riscos e responder rapidamente a denúncias.

4️⃣ Ferramentas para responsáveis

Pais ou responsáveis podem ter acesso a mecanismos de supervisão e controle de uso.

5️⃣ Proteção de dados e privacidade

Coleta e uso de dados de crianças e adolescentes terão regras mais rígidas. Isso deve ser feito, por exemplo, por meio de relatórios de impacto à proteção de dados.
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April 12, 8:20 PM
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Como a atenção se tornou o recurso mais disputado do mundo

Como a atenção se tornou o recurso mais disputado do mundo | Inovação Educacional | Scoop.it

A verdade costuma ser algo complexo que não se resume a uma notificação de "push", enviada para a tela de bloqueio do celular. Mas, na era da comunicação via redes sociais, proliferam os chamados de "veja", "confira", "acompanhe", na tentativa de capturar alguma parte dos 86.400 segundos que preenchem o dia do ser humano.
Pode ser uma notícia, mensagem de WhatsApp, vídeo no TikTok, foto no Instagram, post no X, email do trabalho ou notificação das bets. Todos buscam o mesmo: atenção, recurso que, de tão disputado, está cada vez mais escasso.
Esse é o tema escolhido pelo jornalista americano Chris Hayes, 47, para entender a sociedade atual, mergulhada em tantas mensagens fragmentadas que têm dificuldade em selecionar o que realmente importa e se desconectar do resto.
Em "Capitalismo da Atenção: Como a Atenção se Tornou o Recurso Mais Escasso do Mundo" (Globo Livros, selo Livros de Valor), o comentarista político e podcaster aborda o desafio de manter a concentração em meio a inúmeros apelos digitais.
"Minha experiência é aquilo em que eu aceito prestar atenção", diz o autor, parafraseando o filósofo e psicólogo americano William James em "Princípios de Psicologia", de 1890. Hoje, diz o jornalista, "nosso domínio sobre nossa própria mente nos foi roubado. Nossa vida interior foi transformada de uma forma sem precedentes. Isso é verdade em praticamente todos os países e todas as culturas do mundo".
Segundo Hayes, as notificações recebidas na tela são como o "canto da sereia", que hipnotiza e leva embora o nosso foco.
O autor começa a obra lembrando uma das aventuras de Odisseu, quando o herói de Homero pede à tripulação que o amarre ao mastro da embarcação, para que ele possa deixar com segurança a ilha da feiticeira Circe sem sucumbir ao canto de duas sereias que iriam desviá-lo do caminho e levá-lo à morte.
O autor brinca com o assunto no título original do livro: "The Sirens' Call" —em inglês, "siren" quer dizer tanto "sereia" quanto "sirene", esta última um dispositivo também criado para chamar a atenção.
O subtítulo original também é mais dramático: "How Attention Became the World's Most Endangered Resource", ou "como a atenção se tornou o recurso mais ameaçado do mundo".
A escolha da expressão "ameaçado" não é banal e parte da própria vivência pessoal de Chris Hayes. O autor é comentarista político televisivo nos Estados Unidos, em tempos de Donald Trump e Elon Musk —as duas figuras mais representativas do poder político e econômico global, respectivamente.
Tanto Trump quanto Musk sabem como utilizar a seu favor o "canto das sereias". Ambos usam as respectivas redes sociais para pautar a agenda global, não raro chamando a atenção para temas paralelos a fim de desviar o foco de assuntos que lhes são espinhosos.
O presidente dos EUA lançou em 2022 a Truth Social, rede social voltada para um público conservador, depois de ter sido banido do antigo Twitter, hoje X. Este último, por sua vez, passou a ser controlado por Musk no fim de 2022; desde então, o homem mais rico do mundo transformou a plataforma, que deixou de ser uma empresa de capital aberto e se tornou ainda mais refratária a moderações de conteúdo.
Para Hayes, assim como a Revolução Industrial transformou o trabalho físico em um ativo explorável, a revolução digital converteu a atenção em matéria-prima para a nova economia.
Ela passou a ser conquistada de maneira silenciosa, invasiva e muito lucrativa para as big techs, as maiores e mais influentes empresas de tecnologia do mundo, como Apple, Microsoft, Alphabet (Google), Amazon e Meta (WhatsApp, Instagram e Facebook).
O principal ponto de Hayes é deixar claro que a nossa atenção já não é um "bem" de caráter estritamente pessoal; se tornou um "ativo" no mundo dos algoritmos, envolvendo todos os milhares ou milhões de "likes", compartilhamentos e visualizações que agora direcionam o investimento do mercado publicitário. Quanto maior o engajamento do público, mais caro o espaço. É o preço pela "atenção social".
Em meio a tantos apelos, Chris Hayes diz que "ter foco é ter poder". O autor não dá uma receita de bolo de como conquistar mais foco (disse que tentou meditação, sem resultados convincentes), mas garante que a autodisciplina para resistir aos mais diferentes chamados contribui para diminuir o estresse.
Para além da relação controversa entre big techs e democracia, o livro de Chris Hayes faz pensar sobre saúde mental e o futuro da mídia —e, possivelmente, da própria sociedade.
Hoje, a inteligência artificial ampliou o acesso ao conhecimento, o que significa que diversas instâncias do saber já não estão circunscritas a determinados círculos sociais ou econômicos. Mas a sabedoria passou a residir na seleção das informações e experiências que importam, a velha máxima de separar o joio do trigo.
P.S.: O leitor que chegou até o fim desta resenha dispensou de três a quatro minutos da sua atenção. É um tempo precioso, considerando que a maioria fica, em média, 30 segundos em uma notícia, segundo a empresa Chartbeat, que mede o tráfego na web.

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April 12, 9:34 AM
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'Hype da IA' não pode rebaixar o pensamento humano - 11/04/2026 - Ilustríssima - Folha

'Hype da IA' não pode rebaixar o pensamento humano - 11/04/2026 - Ilustríssima - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Em reflexão sobre as raízes históricas da inteligência artificial, autora retoma a previsão do matemático Alan Turing, que propôs que o debate sobre o significado do pensamento humano seria esquecido no final do século 20 com o fim dos questionamentos sobre a inteligência das máquinas. Hoje, a falta de humildade epistêmica em um período de desenvolvimento acelerado da tecnologia pode causar grandes catástrofes.

Paris inteira correu para ver o flautista. Pessoas de todas as idades tentavam achar um bom ângulo para assistir àquele espetáculo inusitado.

Na grande estreia daquela noite, o músico era um autômato. A máquina havia sido construída pelo mecânico francês Jacques de Vaucanson e fazia movimentos contidos em cima de um pedestal. Mais do que um suporte, escondia-se ali o mecanismo engenhoso que dava vida ao flautista. O público saiu encantado com a precisão da performance, que foi destaque nos jornais daquele janeiro de 1738.


Ilustração no livro 'O Mecanismo do Flautista Autômato' (1738), de Jacques de Vaucanson - Biblioteca Nacional da França/Wikimedia Commons
Sempre fui fascinada por brinquedos de corda, feitos de metal, com pintura delicada e colorida. Na minha estante de livros, tenho um carrossel, um pintinho, um elefante, um pião e um humanoide, todos com aquela aura retrô.

Quando chego cansada do trabalho, costumo dar corda no pintinho para vê-lo ciscar compulsivamente em cima da mesa, até o mecanismo se exaurir. Já o carrossel toca Edith Piaf enquanto gira cavalos e demoiselles. Em nenhum momento, esqueço que são engenhos mecânicos. Ao contrário, é isso que têm de encantador.

Até que ponto as máquinas podem imitar seres humanos? Essa pergunta vem de longe. Ninguém achava, no século 18, que o flautista iria superar um músico de carne e osso. Para isso, seria preciso reproduzir a característica humana mais singular: a inteligência.

Ao longo do século 19, foram muitas as tentativas de imitar essa faculdade, especialmente com a invenção das primeiras máquinas de calcular, propostas por Charles Babbage para substituir o trabalho mental. O avanço da computação, durante a Segunda Guerra Mundial, tornou a questão mais urgente ao fim do conflito.

Em 1950, surgiu um teste para verificar se a inteligência dos computadores pode se equiparar à humana. A proposta foi feita pelo matemático Alan Turing, conhecido como um dos pais da computação, no artigo "Máquinas de computação e inteligência". Apesar de celebrado como inventor da "inteligência artificial", ele não usava esses termos.

Sou historiadora da ciência e, nessa profissão, partimos da premissa de que investigar a obra de um cientista exige recuperar as noções como por ele empregadas, sem encaixá-las retrospectivamente nas denominações atuais. Olhar o passado com os olhos do presente é anacronismo, vício a ser evitado na prática da história. De fato, Turing queria saber se as máquinas podem pensar, mas formulou a pergunta em termos peculiares, que podem passar despercebidos aos olhares açodados de hoje.


Alan Turing em escola de Dorset, no sudoeste da Inglaterra, em 1928 - Sherborne School/AFP
Antes de investigar se as máquinas podem pensar, seria preciso responder à pergunta: o que caracteriza o pensamento humano? Mas essa questão é difícil demais, e Turing faz um desvio:

"Acredito que a pergunta original, 'as máquinas podem pensar?', é insignificante demais para merecer discussão. No entanto, acredito que, no final do século, o uso das palavras e a opinião geral das pessoas instruídas terão mudado tanto que será possível falar de máquinas pensando sem esperar ser contrariado."

A previsão é espantosa, além de profética: a busca pelo significado do que é pensar será esquecida até o final do século 20 e, só assim, será possível falar de máquinas pensando sem ser contrariado. É exatamente o que está acontecendo hoje. Não parece mais importar o que há de especial na inteligência ou no pensamento ou até onde o ser humano pode levar o exercício dessas faculdades. Basta saber como são percebidas em seu uso mais comum. Chamamos esse fenômeno de demônio de Turing.

A percepção é uma faculdade traiçoeira, contaminada por interesses. E se estivermos enganados a cada vez que nossos sentidos nos fizerem crer que observamos algo real? Esse é um dilema da filosofia desde a caverna de Platão.

A dificuldade se agrava com a pergunta de Descartes: e se estivermos equivocados a cada vez que tivermos uma certeza? Um gênio maligno poderia estar nos enganando, diz o filósofo francês. Mesmo verdades básicas e aparentemente inquestionáveis, como as verdades matemáticas (2 + 3 = 5), poderiam ser falsas e a certeza que experimentamos sobre elas talvez seja obra do demônio.

A hipótese do gênio maligno, o demônio de Descartes, é uma forma de nos convencer sobre a necessidade de um método rigoroso para obter certezas.

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Pontos marcantes na história da inteligência artificial


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Turing não era filósofo. Preocupado com critérios práticos para avaliar a performance dos computadores, propôs substituir a pergunta "as máquinas podem pensar?" por um teste, chamado de jogo da imitação. Uma máquina e uma pessoa humana devem responder a perguntas, posicionados de forma que um júri, encarregado de avaliar as respostas, não consiga ver de onde elas vieram. Se o júri errar, ou seja, se avaliar como humanas as respostas fornecidas pela máquina, ela pode ser dita inteligente.

Vejam a ironia: Turing não estava tentando desvendar os mistérios do pensamento humano, apenas provar que isso não é necessário para dizer se uma máquina se equipara a um ser humano na tarefa de responder a perguntas. Diferente do flautista, que escondia seu maquinário dentro do pedestal, o jogo da imitação requer um ser humano escondido. Rebatizado mais tarde de teste de Turing, o desafio sugere que a máquina pode ser equiparada à inteligência humana se conseguir iludir pessoas de carne e osso.

A ideia de inteligência artificial surgiu um pouco depois, em 1956, quando um professor do Dartmouth College, John McCarthy, convocou pesquisadores de peso das áreas de computação, neurociências e cibernética para uma conferência. Como estratégia para tornar o convite sedutor, incluiu um termo chamativo na proposta: inteligência artificial.

Tratava-se de um nome novo para os estudos sobre autômatos, mas não só. O objetivo era avançar na conjectura de que qualquer característica da inteligência pode ser descrita com tanta precisão que é possível treinar uma máquina para simulá-la. Nessa época, o tipo predominante de inteligência artificial era bem diferente da atual, mais influenciada pela lógica do que pela estatística.

Essa IA clássica costuma ser chamada de Gofai, um acrônimo para "good old-fashioned AI" (digamos, a boa e velha IA). Dito de modo resumido, a IA simbólica aprendia a partir de regras explícitas, ao contrário das técnicas atuais, que se apoiam na enorme quantidade de dados disponíveis na internet.

Naquela época, já se falava em redes neurais, ideia que está na base da IA de hoje. Mas apenas nos anos 1990, com o avanço do poder computacional, ela passou a exibir resultados satisfatórios. As diferenças entre a Gofai e as redes neurais são difíceis de explicar, mas o contraponto ajuda a lembrar que não existe apenas um caminho.

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Fatores que contribuíram para a ascensão da inteligência artificial


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A história da IA é marcada por surtos periódicos de superexcitação intercalados com os chamados invernos da IA, nos quais os limites se tornam aparentes, o entusiasmo se esvai e o financiamento é cortado.

Durante a década de 1960, abordagens simbólicas obtiveram sucesso na simulação de comportamentos inteligentes em jogos, matemática simbólica ou demonstração de teoremas. Depois, o investimento declinou. O ano de 1973 foi um marco, com publicações jogando um balde de água fria nos métodos usados até ali e mudando o foco da pesquisa. O entusiasmo retornou, até que as promessas não cumpridas culminaram em outra reação negativa na década de 1980.

Estaríamos retornando à fase de superexcitação? Será que ela vai demorar? Parece que sim, mas o senso histórico ajuda a lembrar que não se trata de um destino inexorável.

Nossa definição de inteligência está mudando com o avanço da IA. É normal que os conceitos mudem de sentido, mas precisamos estar atentos para que essa mudança não acabe diminuindo o potencial da inteligência humana e bloqueando um debate franco sobre os rumos da tecnologia.

Na matemática, existe uma grande diferença entre resolver problemas e formulá-los. Em geral, não se percebe isso, pois o ensino básico é excessivamente focado em resolver problemas, como usar a fórmula de resolução de equações do segundo grau, encontrar a soma dos termos de uma progressão aritmética ou multiplicar matrizes. Um matemático profissional não faz nada disso. Ele propõe novos problemas. Se forem bons, esses problemas podem virar teoremas, motivar boas teses de doutorado ou ser aplicados a outras áreas. Costumo dizer que os problemas são o motor da matemática.

Neste momento, grandes cientistas e empresários comemoram o sucesso de uma ferramenta de IA na Olimpíada Internacional de Matemática. Os entusiastas correm para dizer que estamos diante de uma inteligência artificial comparável à dos humanos, já que a matemática é símbolo de inteligência.

De fato, a IA é uma ótima resolvedora de problemas, mas estamos longe de vê-la inventar problemas consistentes, ofício de todo bom cientista. À frente da empresa ligada ao Google que criou a ferramenta vitoriosa nas olimpíadas, Demis Hassabis reconhece essa diferença entre resolver e inventar problemas. Os grandes avanços da ciência dependem da formulação de boas perguntas, não só das respostas certas.

Luciano Floridi é um filósofo que tem refletido sobre as implicações éticas da IA. Para ele, a inteligência artificial de hoje é uma dissociação entre a resolução bem-sucedida de problemas e o comportamento inteligente. Dissociação é uma palavra forte. Ela sugere que o comportamento inteligente não está sendo mobilizado, em toda a sua amplitude, quando a IA executa as tarefas necessárias para resolver problemas, pois estão ausentes a consciência, a perspicácia, a sensibilidade, os insights, a experiência e a sabedoria.

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Viés na inteligência artificial


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Mesmo sem nenhuma dessas capacidades humanas, a IA fornece soluções convincentes, mas graças às técnicas avançadas para processar enormes quantidades de dados produzidos pelos seres humanos.

O sucesso da IA depende de uma construção pouco explícita: foi criado um ambiente favorável, no qual as tecnologias inteligentes se sentem em casa. Vivemos agarrados a nossos celulares, os objetos da casa se tornam smart, a TV e o fogão vêm com um assistente de bordo inteligente, os veículos possuem chips e um GPS nos acompanha. Tudo isso deixa rastros em dados e mais dados.

Talvez o mundo esteja se adaptando à IA, e não o contrário, do mesmo modo como nossas mãos adquirem a forma de um celular, nossas relações reais refletem traços de nosso comportamento nas redes sociais e nosso cérebro apodrece com o tempo gasto na internet, como descrito no chamado "brain rot".

O demônio de Turing é o gênio maligno que nos leva a avaliar nossa própria inteligência a partir do que a máquina é capaz de fazer. Esse é um risco invisível nas discussões sobre o futuro e o poder da IA. Uma redefinição vai se firmando, sem que os termos estejam explícitos. Só então "será possível falar de máquinas pensando sem esperar ser contrariado", exatamente como Turing previu.

As ideias vão se adequando aos ares do tempo de tal maneira que nem sequer estranhamos quando um caminhão autônomo é considerado uma façanha da inteligência artificial, mesmo que até há pouco tempo não achássemos que dirigir fosse uma atividade inteligente.

Os avanços dos próximos anos serão velozes e precisaremos de critérios para avaliar se estamos realmente perto de uma inteligência artificial equiparável à dos humanos. Pode ser útil examinar se ela sabe inventar problemas tão bem quanto um bom matemático —e o mesmo vale para a arte e outras áreas criativas, que dependem mais de perguntas consistentes do que de respostas eficazes.

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Veja obras de artistas criadas com inteligência artificial


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Os debates sobre inteligência artificial são envolvidos por muito hype. Isso atrapalha uma conversa franca sobre suas consequências, desde os impactos no mundo do trabalho até o uso dos recursos naturais. Encantamento e ocultamento são dois lados do mesmo demônio, distrações que terminam por esvaziar nossa agência e desmobilizar a ação política necessária para incidir nos rumos da IA. Não é uma tarefa fácil, mas a história nos lembra que há técnicas diversas e algumas podem ser mais úteis do que outras se fixarmos o bem comum como objetivo.

"Não acredite no hype da IA" é o título de um artigo de Daron Acemoglu, prêmio Nobel de Economia. Ele mostra, com riqueza de dados, que os ganhos de produtividade, por enquanto, são modestos e a "automação pelo prazer de automatizar" amplia as desigualdades sociais. Acemoglu é um dos defensores mais eloquentes da ideia de que devemos direcionar o curso da mudança tecnológica e não aceitar o caminho atual como inevitável.

Húbris é um conceito de origem grega, comumente associado à soberba. Os mitos antigos advertiam para o perigo de se superestimar a contribuição humana diante de grandes conquistas. Quando obtêm sucesso importante em algum feito, como vencer guerras ou inventar ferramentas poderosas, os humanos correm o risco de subestimar o papel da fortuna e achar que tudo é fruto de sua própria genialidade.

Mais uma vez, o demônio está à espreita, só que o excesso de confiança irrita os deuses. A sensação de invulnerabilidade e a falta de humildade epistêmica que a húbris enseja podem despertar a ira dos deuses e ocasionar grandes catástrofes. Precisamos evitá-las, e redirecionar o uso e as prioridades no desenvolvimento da IA é parte dessa missão.
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April 12, 8:55 AM
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Vorcaro é um fenômeno antropológico

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O Ministério da Educação colocou na rede 8.000 livros nacionais e estrangeiros. Em versões eletrônicas, são grátis.

Já se foi o tempo em que o governo anunciava livros a R$ 1, ajudando as editoras a se desfazer dos encalhes.

O governo é o maior comprador de livros de papel do país.

A biblioteca eletrônica do MEC é o primeiro passo para acompanhar, com cuidado, as mudanças ditadas pela tecnologia. Nessa primeira leva, há obras de Machado de Assis, Clarice Lispector, Lima Barreto, Ana Cristina César, e Virgínia Woolf.
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April 12, 8:48 AM
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Uma outra IA: a inteligência artesanal, aquela que nos faz humanos

Uma outra IA: a inteligência artesanal, aquela que nos faz humanos | Inovação Educacional | Scoop.it

Em geral, temos uma ideia de futuro que está de alguma forma colonizada pela ideia de progresso. Achamos que o tempo é - como diria Ailton Krenak - uma flecha que aponta apenas para a frente; e esta noção está na raiz de como pensamos na evolução, no avanço, no crescimento.
Este modo de enxergar para onde caminhamos nos trouxe até aqui. Estamos vivendo uma crise planetária, climática e humanitária. Eu já compartilhei algumas vezes com vocês por aqui que me pergunto com frequência o que falta acontecer para entendermos que este modo de vida deu errado e que precisamos voltar algumas casas e desacelerar.
Este pensamento que correlaciona progresso, evolução a desenvolvimento e crescimento é comumente acompanhado de uma ideia de futuro que vem de mãos dadas às máquinas e tecnologias. É curioso. A vida acelerada, de um lado, faz a gente esperar com ansiedade por este futuro; mas vai nos retirando a capacidade de — no tempo presente — sentir e viver este porvir e então construir a possibilidade de sonhar e imaginar futuros diferentes.
O Relatório de Futuros 2025, do movimento Teach the Future Brasil, indica que 62% dos jovens expressam medo do futuro, e 78,5% associam o amanhã à ansiedade.
"Se a gente não reflorestar o nosso imaginário, nós não vamos conseguir produzir outro mundo", afirma Krenak. Reflorestar o imaginário, como sugere o filósofo indígena, é trabalho também de memória, é "resgatar histórias, símbolos e experiências que nos aproximem de novo da Terra e suas possibilidades múltiplas, e afinar a escuta para aquilo que vive antes e depois de nós".
Nós só vamos conseguir reflorestar o imaginário se desacelerarmos e se valorizarmos o que chamamos aqui de inteligência artesanal, aquela que nos conecta com a nossa condição de humanos.
Existe uma inteligência artificial que promete eficiência, previsibilidade, escala. Baseada em automação e dados, estrutura-se em códigos binários. Rápida, precisa, útil, probabilística, e também vem modificando a forma como construímos conhecimento.
A inteligência artesanal é uma celebração da relação, e pode ser um convite para uma observação viva e envolvida com o entorno, para orientar ações no mundo, agindo a partir do que se vê, da criatividade e do criar.
Esse é o nosso papel enquanto seres humanos: observar e catalisar processos naturais, potencializando cada qualidade, valorizando diferenças, aprendendo com os outros e compreendendo a hora de manejar ou podar. O objetivo é colaborar para construir um espaço de troca e enriquecimento mútuo.
Uma inteligência humana é uma confluência entre sentir, fazer, pensar e criar, que só passa a ser assimilada ao ser vivenciada e praticada, ativamente. Vivenciar, aqui, é agir no mundo de forma ativa em um agir que tenha uma expressão própria, que pode estar tanto no nível simbólico quanto no material. Cada ato se transforma em uma expressão única de quem somos, refletindo nossa identidade e nossas interações com o outro, no coletivo.
Tudo isso é exercício de percepção, de relação, de agir no mundo. Não se trata apenas de fazer, mas da prática constante de desautomatizar a presença, de pensar com o corpo em relação. É nesse espaço entre a matéria e a forma, como nos relacionamos com o que nos afeta, que habita a inteligência artesanal.
É importante a gente contar que não se trata de ser contra ou a favor da tecnologia ou da IA, a artificial. Mas de reencontrar o espaço para o humano em um mundo que está maquinizando tudo, inclusive nós, nossos corpos e nosso agir, pensar e sentir. O que está em jogo é a substituição (ou desvalorização) de tudo que é artesanal, manual, cuidado. Uma desvalorização do que é o ser humano. Uma cultura que vê o humano como obsoleto frente à máquina, esquece dessa inteligência surpreendente que tece, escuta, maneja, se envolve, propõe, cria e curva com a incerteza.
E então, talvez por isso, seja primordial reaprendermos a conviver e criar juntos, e potencializar essa inteligência artesanal. Esse é nosso convite.

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April 12, 8:31 AM
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Quando até descansar vira tarefa: o cansaço como epidemia coletiva

Quando até descansar vira tarefa: o cansaço como epidemia coletiva | Inovação Educacional | Scoop.it

Tem dias em que a gente já acorda acelerado, passa o dia todo executando uma enorme lista de tarefas, almoça dividindo o tempo com outras demandas, corre para um lado e para o outro e atende a todo tipo de solicitação.
No fim, mesmo que tenhamos feito alguma atividade física ou tido algum tempo de pausa ou descanso, ainda assim, nos sentimos —além de exaustos— improdutivos. Dá aquela sensação de que fizemos tudo e não fizemos nada.
Talvez seja por isso que o filósofo sul coreano Byung-Chul Han afirmou que esta vida "hiperativa" é na verdade "hiperpassiva". Porque, segundo ele, deixamos de (ter tempo para) pensar e o pensamento seria "a mais ativa atividade".
Em seu célebre livro "Sociedade do Cansaço" (publicado em português pela Editora Vozes) Han dá nome a uma série de estruturas desta sociedade em que o trabalho se totalizou como lógica e como prática.
Para mim, a grande contribuição da obra é a compreensão do cansaço como questão coletiva e não individual.
Quando nomeia de "sociedade do cansaço" o fenômeno, Han nos ajuda a entender que a exaustão não é apenas minha ou sua. É uma dinâmica social.
E, portanto, este cansaço somado à sensação de improdutividade que todos sentimos em algum momento não são de responsabilidade apenas sua e não devem, assim, gerar a sensação (comum nestes casos) de que não estamos dando conta.
Ninguém está dando conta. E quando Han afirma que o trabalho se totalizou, isso nos apoia a entender isso de duas formas diferentes.
A primeira tem a ver com o fato de que trabalhamos 24/7, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Especialmente (mas não apenas) por conta da hiperdisponibilidade para o trabalho gerada pelas tecnologias, passou a ser razoável (e em alguns casos, desejável; em outros, exigível) que estejamos em prontidão para o trabalho a todo momento.
Quem nunca precisou arquivar aquele grupo de WhatsApp do trabalho para conseguir descansar de verdade? Na França, por exemplo, o direito à desconexão foi incorporado à legislação trabalhista. Desde 2017 as empresas com mais de 50 funcionários são obrigadas a definir horários em que os empregados não precisam estar disponíveis.
A segunda diz respeito à ideia de que além de ser razoável estarmos disponíveis para o trabalho ininterruptamente, transferimos para outros "setores" da vida a lógica de produtividade do trabalho: queremos "entregar tudo" nos relacionamentos, "monetizar" os passatempos, ganhar mais "likes" nas férias e ser os melhores nos esportes que praticamos.
A dinâmica do resultado se aplica a tudo na vida. E isso faz com que estejamos desempenhando o tempo todo. Somos "sujeitos do desempenho", como nomeia Han.
E sujeitos do desempenho não param nunca. Por isso, o autor chama atenção para a relação entre esta lógica e as síndromes comuns relacionadas à saúde mental: depressão, ansiedade e burnout estariam conectadas de alguma forma a este modo de vida ininterrupto e que além de nos submeter a jornadas exaustivas, nos convence de que é necessário medicar os sintomas para seguirmos produtivos.
Mas não é apenas isso. Han também afirma nesta obra que a crescente sobrecarga de trabalho torna necessária técnicas específicas relacionadas ao tempo e à atenção. Você já deve ter visto um anúncio de vaga de emprego que valoriza o candidato "multitarefas".
Para Han, esta é uma técnica temporal e de atenção que não representa nenhum progresso civilizatório; pelo contrário, é um retrocesso, na medida em que realizar mais de uma tarefa ao mesmo tempo não apenas faz com que não se desempenhe nenhuma delas com qualidade, como —aos poucos— vai sequestrando a atenção plena e a capacidade de humanidade dos indivíduos.
Aos poucos, vamos sendo condicionados a um funcionamento de desempenho mecânico e maquínico. E quando estamos operando desta forma, é difícil recobrar a consciência e a presença.
Por isso que desacelerar é necessário e não se trata de ser devagar, mas de recobrar nossa condição humana, recobrar os sentidos, entender que somos corpos de pessoas e não máquinas.
Han nos ajuda a entender que não faremos isso sozinhos. Precisamos entender que isso está acontecendo, transformar nosso entorno, mudar mentes, culturas e a sociedade.

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April 12, 8:24 AM
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Há vida offline? Iniciativas ganham força contra cultura da hiperconexão

Há vida offline? Iniciativas ganham força contra cultura da hiperconexão | Inovação Educacional | Scoop.it
Você já sentiu seu celular tremer sem estar com ele?

Vê uma notificação e já corre para ver o que é?

Toca um celular lá longe e acha que é o seu?

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Juca Kfouri

Como Neymar foi hoje contra o Atlético-MG


Josias de Souza

Datafolha traz 2 novidades preocupantes para Lula


PVC

São Paulo falhou em momentos cruciais


Adriana Fernandes

Pacote contra dívidas pode virar arma eleitoral

Vai de um aplicativo para outro sem perceber o que está fazendo?

Fica no scroll infinito (e acha que está relaxando)?

Acelera todos os áudios e já é padrão o modo 2x?

Já quis acelerar uma pessoa na "vida real"?

Vive impaciente?

Sente-se exausta ou exausto e, no final do dia, tem a sensação de que não produziu nada ao mesmo tempo?

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Responde mensagens sem perceber o que respondeu e quando volta se pergunta onde estava com a cabeça? Ou deixa a pessoa sem resposta sem querer, porque respondeu mentalmente à mensagem, mas não respondeu de fato?

Pois é. Esses são "sintomas" comuns de quem vive nesta condição que, no mundo da pesquisa em comunicação, chamamos de always on; ou seja: sempre online.

Mesmo quando não estamos acessando os dispositivos que nos conectam às plataformas e à rede, estamos — de alguma forma — submetidos às dinâmicas e lógicas da vida digital.

Isso porque os aparatos tecnológicos são, aparentemente, dispositivos técnicos, mas na realidade são dispositivos culturais. O que permite pensarmos que mesmo quando estamos offline, estamos, de alguma forma, submetidos à cultura digital.

Quando pensamos assim, a resposta ao título deste texto é: não. Não existe vida offline. Nossa existência está absolutamente tomada pelas tecnologias e suas redes e dinâmicas.

Mas vocês me dirão: ora, existem modos de vida não tecnológicos e espaços e territórios não imersos neste sistema. Algumas pessoas acreditam que ficar momentos offline é promover algum equilíbrio para voltar melhor depois.

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Eu diria que esse pensamento é controverso. Ainda que eu acredite, assim como sugere o pesquisador norte-americano Jonathan Crary, que "se for possível um futuro habitável e partilhado em nosso planeta, será um futuro offline" (Terra arrasada: além da era digital - Ubu Editora), acho cada vez mais difícil falarmos em vida longe das redes no mundo em que estamos.

Isso porque somos monitorados pelas redes mesmo quando estamos dormindo (quem aí coloca o celular no sleep mode e acorda com o despertador do celular? Pois é. Estamos compartilhando dados mesmo quando estamos descansando).

É o mesmo Crary que, em 24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono, afirma que o mundo acelerado e hiperconectado tem buscado capturar o sono e o "tempo livre", convertendo todos os nossos momentos "humanos" em momentos "úteis". As atividades não produtivas vão sendo espremidas no tempo até sumir.

Inspirada em Crary, seria possível pensar: sim, existe vida offline e precisamos, cada vez mais, afirmar que — na verdade — vida é o que vivemos offline, na medida em que — ao acrescentarmos uma camada de digital à experiência —, estamos transformando o que é vida em performance.

Na contramão dessa tendência e buscando criar espaços de resistência à cultura da velocidade, é crescente o número de iniciativas que buscam valorizar momentos de desconexão. Aqui no Brasil, o Movimento Desconecta faz isso na relação com as escolas e a educação. Busca incentivar práticas parentais e educativas sem o uso de telas e denunciar o quanto a vida online prejudica atividades essenciais à educação e à reflexão.

O movimento Criança e Natureza vai na mesma direção, ao produzir conhecimento e práticas de reconexão com a natureza não como recurso, mas como parte constitutiva da nossa existência, em especial nas infâncias. Percebe? Mesmo quando pensamos na natureza como antídoto do mundo conectado, estamos colocando-a neste lugar que nos trouxe até aqui? Um lugar de extrativismo. Neste caso, queremos extrair descanso e desconexão, mas se isso não acontece com conexão com a própria natureza, não faz muito sentido, né?

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Os clubes de leitura e clubes offline estão emergindo também neste sentido. São espaços em que as telas são proibidas e as pessoas se reúnem para conversar, conviver e ler juntas. O Dia Sem Pressa, festival que idealizei e que o Instituto Desacelera realiza anualmente, é também uma dessas "frestas" na vida acelerada, que busca democratizar o acesso ao bem-estar, ao cuidado e à saúde mental.

Eu acredito muito nesses projetos e lugares como espaços e tempos de regeneração importantes. Acontece que o empuxo da vida acelerada é muito potente. Teríamos que ter muitos mais dias, espaços, clubes e projetos acontecendo para fazer frente ao estrago ao qual somos submetidos cotidianamente por meio das tecnologias, mas não só por elas.

Nossa ideia de progresso e de desenvolvimento, nossa concepção de sucesso, a cultura da produtividade tóxica, o excesso de consumo... Todas essas dinâmicas contribuem para a reprodução da cultura da velocidade e para a instituição e reprodução da pressa como regra.

Precisamos afirmar o descanso e a desconexão como direitos (ainda que também - e parece paradoxal, mas não é - precisemos garantir o direito à inclusão digital). As iniciativas de desconexão não podem ser apenas escolhas e saídas individuais; caso contrário, seguirão sendo privilégios para poucos em contextos desiguais como o brasileiro.

Então, a pergunta não é se existe vida offline; é se existe vida online. Reparou?
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April 11, 9:06 PM
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A Group of Students Took a Deep Dive Into AI. Here’s What They Told Teachers

A Group of Students Took a Deep Dive Into AI. Here’s What They Told Teachers | Inovação Educacional | Scoop.it
But Wednesday’s presentation did feature some unusual messengers. The speakers at the staff meeting weren’t school leaders or outside experts. They were nine 8th graders, who have spent the past year experimenting with the technology under the supervision of Ashley Kannan, a social studies teacher at the school.
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April 11, 8:59 PM
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Será a IA um bode expiatório para a destruição da educação e da aprendizagem? - LSE Business Review

Será a IA um bode expiatório para a destruição da educação e da aprendizagem? - LSE Business Review | Inovação Educacional | Scoop.it
Os debates em torno da IA ​​na educação frequentemente refletem ansiedades tecnológicas mais amplas.  Hitoshi Nishimura ,  Ranmaru Kishitani  e  Yudai Sakamoto  argumentam que não é a IA em si que prejudica a aprendizagem, mas sim seu uso primordial para acelerar a conclusão de tarefas, em vez de fortalecer os ciclos de ensino-aprendizagem. Embora o desafio seja agravado pela insuficiente alfabetização em IA, ele poderia ser superado aprimorando as habilidades interpessoais em funções educacionais. 

Uma discussão sobre  inteligência artificial generativa  que tem permeado os debates acadêmicos, empresariais e midiáticos gira em torno da questão de se a IA está  destruindo a educação e o aprendizado. Estudos como o "Your Brain on ChatGPT"  do MIT   oferecem insights preliminares sobre os efeitos cognitivos do uso da IA. Tais estudos são potencialmente úteis para a compreensão do problema, mas surgem complicações quando as implicações são extrapoladas muito além das afirmações dos pesquisadores , alimentando a ansiedade pública e moldando as discussões. 

De fato, o pânico em relação à IA na educação não é novidade, e a IA revelou fragilidades em vez de causar destruição. Recomendamos uma reflexão cuidadosa para considerar tanto os benefícios quanto os desafios da IA ​​na educação.

Reexaminando a educação e a aprendizagem
"Aprendizagem" é o processo pelo qual os indivíduos  adquirem novos conhecimentos , habilidades, atitudes e valores. E "educação" refere-se ao processo estruturado de ensino e aprendizagem que normalmente ocorre em ambientes institucionais. Uma educação eficaz preenche a  lacuna entre o que os alunos conseguem fazer de forma independente e o que podem alcançar com orientação especializada.  

Ao entendermos a educação como um sistema que apoia o ensino e a aprendizagem, dois papéis tornam-se visíveis: o do educador e o do aluno. Como ilustrado na Figura 1, a aprendizagem é um ciclo contínuo entre os dois, no qual o educador prepara e disponibiliza materiais e oportunidades de formação, e os alunos trabalham para dominá-los. Isso gera feedback sobre o progresso, que o educador utiliza para analisar e elaborar orientações subsequentes. Esse ciclo depende de um circuito de feedback confiável entre essas duas partes. Quando esse circuito é distorcido, o valor da educação se enfraquece. 


Figura 1. O ciclo de ensino-aprendizagem na educação para uma aprendizagem eficaz .
A IA serve de bode expiatório para a fragilidade já existente no setor da educação.
A adoção da IA ​​pode levar a uma perturbação preocupante do  ciclo de ensino-aprendizagem. Quando as pessoas utilizam as ferramentas meramente para concluir tarefas atribuídas, isso pode aumentar a eficiência da tarefa, mas não se alinha com o objetivo fundamental de proporcionar e receber educação. Os educadores podem obter maiores benefícios financeiros ou pessoais, enquanto deixam de fornecer materiais e oportunidades que realmente apoiem os alunos. Da mesma forma, ao usar a IA, os alunos podem não adquirir o conhecimento e as habilidades de que precisam. Em vez disso, podem optar por atalhos que economizam tempo e esforço e receber créditos por isso, minando, em última análise, o propósito da educação.  

Mas a IA não é a causa aqui. Os propósitos de fornecer e receber educação já haviam  se diversificado  muito antes do surgimento da IA. Soluções alternativas, como  o uso de escritores fantasmas  para redigir trabalhos acadêmicos, já existiam. O que mudou foi a facilidade e a prevalência dessas soluções alternativas, impulsionadas pela maior acessibilidade e pela menor percepção do risco de detecção. Para indivíduos cujo envolvimento com a educação é principalmente instrumental, por exemplo, focado na obtenção de créditos ou qualificações, a IA pode ser usada para ajudá-los adequadamente a atingir seus objetivos, mas não é usada para aprimorar os resultados da aprendizagem. Nesse sentido, a IA simplesmente revelou e acelerou a medida em que a aprendizagem na educação já havia se tornado secundária para alguns alunos. No entanto, ela está sendo culpada por um problema que não criou. 

A preocupação pública com os impactos das novas tecnologias na educação  não é recente . O aprendizado foi transformado, por exemplo, por computadores e calculadoras, e as preocupações anteriores a respeito deles refletem as ansiedades atuais. Essas ansiedades seguem um  ciclo recorrente e sísifo de pânico tecnológico , com a IA como o exemplo mais recente. O que pode ser diferente é a maior instabilidade e imprevisibilidade, decorrentes das capacidades da IA ​​e de sua presença ativa na interação. É crucial responder a esses desenvolvimentos com serenidade e com a compreensão de que a sociedade pode estar vivenciando uma nova forma de pânico tecnológico.

Como a IA pode aprimorar a educação para educadores e alunos
A forma como educadores e alunos com conhecimentos de IA podem aprimorar o ciclo de ensino-aprendizagem com o uso da IA ​​torna-se mais clara quando o ciclo é decomposto (conforme ilustrado na Figura 1). 

Do educador ao aluno, a IA permite que os educadores criem e personalizem materiais de alta qualidade para alunos em diversos níveis, reduzindo o tempo e a necessidade de conhecimento especializado. Para os alunos, quando têm dificuldade em compreender algo, a IA facilita as barreiras práticas e psicológicas associadas à pesquisa na internet ou à consulta a outras pessoas, oferecendo explicações pacientes e adaptáveis ​​instantaneamente, mesmo quando os próprios alunos não têm clareza sobre onde estão encontrando dificuldades.  

Do aluno ao educador, a IA agiliza o feedback, fornecendo avaliações imediatas e detalhadas que detectam padrões sutis que avaliadores humanos poderiam não perceber. Por exemplo, o feedback sobre práticas de conversação em segunda língua antes dependia de avaliadores qualificados, verificação cruzada e custos elevados; agora, a IA mede fatores como duração da pausa e complexidade da frase com mais eficiência. Para educadores que analisam o progresso da aprendizagem, em vez de simplesmente verificar a precisão da resposta, é possível examinar como os alunos chegaram àquela resposta, onde hesitaram, quais erros se repetem e quais tipos de intervenção têm maior probabilidade de serem eficazes.

Consequentemente, quando os alunos estão genuinamente motivados a adquirir conhecimento e habilidades, em vez de apenas obter boas notas, a IA pode melhorar os resultados da aprendizagem e até mesmo apoiar formas de " hiperaprendizagem ", uma aprendizagem excepcionalmente rápida ou intensificada, impulsionada por uma interação altamente responsiva e rica em informações.

Como a IA pode impulsionar os negócios educacionais
Para organizações educacionais que buscam lucro, o desafio estratégico é integrar a IA de maneiras que apoiem tanto a eficiência organizacional quanto o desenvolvimento do aluno a longo prazo. O modelo tradicional de negócios da educação, que dependia do acesso limitado ao conteúdo educacional como fonte de valor, está agora fundamentalmente desestabilizado. A fonte de valor passa do  que  é ensinado para  como  a experiência de aprendizagem é projetada.  

Educadores com conhecimento em IA podem reduzir a carga administrativa e se concentrar em trabalhos de maior valor agregado e novas responsabilidades na gestão da experiência de aprendizagem. No entanto, essas vantagens devem ser consideradas levando em conta que as ferramentas de IA frequentemente intensificam o trabalho em vez de reduzi-lo. Embora inicialmente pareça gerar um ganho de produtividade, isso pode se tornar insustentável sem medidas de segurança. A IA aumenta a "qualidade × frequência × velocidade" de cada etapa do ciclo de aprendizagem, mas os humanos continuam responsáveis ​​por revisar o conteúdo, apoiar os alunos e tomar decisões. Por essa razão, as instituições que prosperarão serão aquelas que aproveitarem a eficiência da IA, protegendo e capacitando os profissionais humanos da sobrecarga de trabalho.  

O papel em evolução do prestador de serviços 
A transformação tecnológica na educação tem implicações significativas para o valor dos educadores humanos. Embora a IA possa otimizar o planejamento personalizado e facilitar a implementação da  gamificação , o papel do educador humano não parece ser facilmente substituível.  

Em contextos reais de aprendizagem, o maior obstáculo é a motivação. Os educadores muitas vezes são comprometidos por expectativas profissionais ou remuneração, enquanto os alunos não têm essa obrigação de se envolver. Os alunos podem facilmente ignorar um lembrete de estudo gerado por IA, mas são muito menos propensos a faltar a uma aula com um professor humano. Nesse contexto, as funções essenciais de um educador vão além do ensino tradicional, incluindo manter o engajamento, criar um senso de responsabilidade, compreender o contexto pessoal de cada aluno e oferecer uma conexão humana. 

Essa realidade ressalta a necessidade estratégica de investir não apenas em ferramentas, mas também em pessoas, para fortalecer as habilidades interpessoais que complementam e aprimoram o ciclo de ensino e aprendizagem mediado por IA. 

Um caminho estratégico para o futuro
A questão estratégica não é se devemos abraçar ou rejeitar a IA, mas sim como encontrar o equilíbrio entre a integração intencional e a adoção reativa. Embora a IA afete todos os componentes do ciclo de aprendizagem a um ponto que supera qualitativamente as inovações anteriores, afirmar que a IA está "destruindo a educação e o aprendizado" é analiticamente impreciso e desnecessariamente alarmista.  

Para instituições de ensino e empresas que adotam IA, essas mudanças criam oportunidades em vez de ameaças. A IA convida a uma reavaliação das habilidades e estruturas necessárias para o futuro do trabalho e incentiva um retorno à essência da educação: apoiar pessoas que realmente querem aprender, ao mesmo tempo que ajuda outras a descobrir essa motivação por meio de orientação, em vez de atalhos – fortalecendo, assim, as bases para uma melhor aprendizagem humana. 
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April 11, 6:47 AM
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Por que a universidade do futuro exige mais teoria, não menos - 09/04/2026 - Opinião - Folha

Por que a universidade do futuro exige mais teoria, não menos - 09/04/2026 - Opinião - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Como ensinar a dúvida metódica de Descartes ou o estado de natureza em Hobbes sem uma aula expositiva tradicional? Essa foi a pergunta —legítima— que recebi após defender, neste espaço, a necessidade de mudança na universidade. A resposta é menos paradoxal do que parece: se quisermos preservar a teoria, precisamos libertá-la da hegemonia da aula expositiva permanente.

Não está em jogo a função da universidade, nem o valor do professor, muito menos a centralidade da teoria. O que muda é a arquitetura da aprendizagem. A necessidade de transformação não anuncia o fim da universidade —ao contrário, revela sua histórica capacidade de adaptação em momentos de ruptura.


Alunos do curso de inteligência artificial da UFG (Universidade Federal de Goiás) durante aula - Saburá Filmes
No modelo tradicional, a aula expositiva é começo, meio e fim. No novo modelo, ela perde hegemonia, mas ganha nobreza. Deixa de ser o padrão massivo de transmissão e passa a ocupar o momento certo: o espaço de síntese, interpretação e densidade conceitual, quando o estudante já experimentou, debateu, testou hipóteses e errou. Inverte-se a lógica pedagógica: primeiro o problema, depois o conceito; primeiro a experiência, depois a teoria que a ilumina.

Essa inversão só se tornou viável em escala porque a inteligência artificial integrou-se à infraestrutura do conhecimento. É a IA que permite acompanhar percursos individuais, adaptar ritmos, registrar evidências de aprendizagem e oferecer feedback contínuo —algo impraticável no modelo industrial sem apoio algorítmico.

Imagine um estudante de medicina que, em uma simulação realista, precisa decidir qual paciente priorizar em uma emergência lotada. Ele vive o dilema antes de ouvir Kant. Quando chega à aula expositiva, não é mais um espectador passivo —está sedento por sentido. A teoria não disputa com o mundo; nasce dele.

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Cursos de inteligência artificial estão se tornando um dos mais concorridos do Brasil


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Aprender deixa de ser recepção e passa a ser um processo ativo e personalizado. Esse raciocínio não se limita às humanidades. Vale igualmente para as ciências exatas, da saúde e engenharias. A teoria ganha densidade quando se conecta à experiência —não quando apartada dela.

O modelo que emerge, com práticas, simulações, desafios públicos e bancas orais, exige mais julgamento, autonomia e responsabilidade, não menos. Treinamento repete; conhecimento interpreta. É exatamente nesse espaço que entram Descartes, Hobbes e Kant. Longe de desaparecer, a tradição ganha fôlego.

A inteligência artificial é o fator estruturante dessa transformação. Não substitui o professor; amplia seu alcance. Um "gêmeo pedagógico", treinado no currículo e nas rubricas do curso, pode organizar percursos, identificar lacunas e sugerir caminhos personalizados. Pela primeira vez, superamos o dilema histórico entre escala e qualidade. Mas a IA não tem consciência ética, não media conflitos, não exerce julgamento moral —e é justamente aí que o papel do professor se torna ainda mais central.

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Universidades federais sofrem com falta de dinheiro para obras e manutenção


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A universidade continua sendo o principal fator estruturante do desenvolvimento humano, social e econômico das nações. É nela que se formam profissionais, cientistas, lideranças e valores. O debate não é sobre sua relevância, mas sobre sua arquitetura.

A transformação não ocorre porque a universidade fracassou, mas porque o mundo acelerou —e porque a inteligência artificial alterou profundamente como aprendemos, ensinamos e avaliamos. Em todas as grandes fases da história, foi a universidade que liderou a formação de pessoas e ideias. Na era da IA, essa responsabilidade não diminui, aumenta.

O jovem formado hoje não rejeita a teoria. Rejeita a irrelevância. Não recusa Descartes, Kant ou Hobbes. Recusa aprendê-los como se o mundo ainda fosse analógico. A aula expositiva permanece. O que termina é a ilusão de que ela basta. Menos transmissão, mais formação. Menos rotina, mais propósito. Menos instrução, mais humanidade.
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April 9, 1:58 PM
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Framework de uso ético da IA

Framework de uso ético da IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Nos círculos evangélicos, as reações à inteligência artificial (IA) variam desde resistência total até adoção entusiástica. Alguns a veem como uma ferramenta do inimigo; outros a consideram uma dádiva providencial para o nosso tempo: uma “ameaça idólatra”, uma “ferramenta divina” ou algo entre esses extremos. As ferramentas modernas de IA foram projetadas para serem intuitivas e de fácil adoção, mas o uso irrefletido, sem fundamentos éticos, pode gerar consequências imprevistas e prejudiciais. Por outro lado, o medo e a falta de compreensão podem impedir o engajamento, mesmo quando o uso ético orientado pela Bíblia possa oferecer benefícios tangíveis. Independentemente da postura inicial, a influência e o impacto da IA só tendem a crescer nas próximas décadas.
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Today, 11:31 AM
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The Communication Style with AI Influences Learning

The Communication Style with AI Influences Learning | Inovação Educacional | Scoop.it
The communication style and the emotional tone that students use with AI influence their learning. Learn about the findings of a study exploring how the emotional connection students establish with chatbots directly affects the depth of their thinking and the quality of their learning.
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April 12, 8:27 PM
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Movimento Desconecta

Movimento Desconecta | Inovação Educacional | Scoop.it
Adiar a entrega do primeiro smartphone até, pelo menos, os 14 anos e
o acesso às redes sociais até os 16.
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April 12, 8:22 PM
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China testa ruptura com os EUA com aposta doméstica de IA - 10/04/2026 - Igor Patrick - Folha

China testa ruptura com os EUA com aposta doméstica de IA - 10/04/2026 - Igor Patrick - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
A startup chinesa DeepSeek anunciou nesta semana que vai reescrever do zero o código de seu próximo modelo de inteligência artificial (conhecido até agora como V4) para funcionar exclusivamente em chips da Huawei, abandonando a americana Nvidia. A decisão é a aposta mais explícita já feita por um laboratório de ponta chinês de que o silício nacional já é capaz de sustentar o estado da arte da IA.

Para dimensionar o que isso significa, é preciso entender como funciona a infraestrutura da IA. Modelos como o ChatGPT não rodam em computadores comuns, dependendo de chips especializados (os chamados aceleradores) que processam volumes colossais de operações matemáticas em paralelo.

A Nvidia reina quase sozinha nesse mercado, e Washington apostou nessa dependência ao restringir a venda dos modelos mais avançados à China. Americanos apostaram que, sem acesso ao melhor hardware, Pequim não teria como competir na fronteira da IA. A DeepSeek acaba de sinalizar que essa premissa caducou.


A chinesa DeepSeek vai reescrever do zero o código de seu próximo modelo de inteligência artificial - Dado Ruvic -29.jan.25/Reuters
Fabricado pela chinesa SMIC, o chip Ascend 950PR da Huawei tem tecnologia de 5 nanômetros. Não é o modelo mais avançado do mercado (que já trabalha em 2 nanômetros), mas ele entrega 1,56 petaflops de capacidade de processamento em operações de baixa precisão utilizados por modelos de IA.

Isso é quase três vezes mais que o Nvidia H200, uma versão piorada dos chips mais poderosos da empresa e os únicos autorizados por Washington para exportação. A variante mais poderosa H200 ainda favorece a Nvidia em largura de banda de memória e velocidade com que o chip acessa dados armazenados, mas a Huawei compensa essa diferença com uma rede de interconexão óptica capaz de conectar até 8.192 processadores numa única máquina lógica. É até possível fazer isso no ecossistema Nvidia, mas a um custo altíssimo e difícil de escalar.

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Com o mercado chinês avançando na migração, o resultado tem sido sentido no bolso da empresa dos EUA. Alibaba, ByteDance e Tencent encomendaram centenas de milhares de unidades do Ascend 950PR, fazendo os preços dos chips locais subirem em 20% com a demanda.

Máquinas pré-carregadas com modelos DeepSeek estão sendo vendidas por algo entre ¥ 300 mil e ¥ 5 milhões (R$ 220 mil a R$ 3,67 milhões). É caro, mas significativamente mais em conta que os sistemas com chips Nvidia que chegam a até ¥ 20 milhões (R$ 14,6 milhões) no mercado paralelo.

Mas o ponto que mais deveria incomodar Washington é outro. A verdadeira barreira da Nvidia nunca foi apenas o silício, mas o Cuda, um ecossistema de software que há mais de uma década prende desenvolvedores às suas placas como os programas do seu computador Windows te obrigam a pagar um adicional à Microsoft toda vez que você troca de aparelho.

A Huawei lançou no ano passado uma alternativa de código aberto chamada CANN e os engenheiros da DeepSeek já demonstraram que conseguem atingir 60% do desempenho de um chip Nvidia H100 usando hardware Huawei no primeiro dia de operação. A comunidade de desenvolvedores integrou suporte aos novos modelos em semanas. Se o Cuda era o fosso que protegia o castelo da Nvidia, a água está baixando rápido.

A lógica das sanções presumia que cortar o acesso ao melhor hardware bastaria para congelar o avanço chinês, mas a resposta do país asiático foi inventar o próprio hardware, otimizar o software para extrair o máximo de cada transistor e treinar modelos de fronteira com orçamentos a uma fração do que gastam laboratórios americanos. Deixou de ser uma corrida por capacidade e passou a ser uma disputa por otimização de engenharia industrial.
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April 12, 9:35 AM
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O que se pode aprender com livros sobre escrita? 

O que se pode aprender com livros sobre escrita?  | Inovação Educacional | Scoop.it
A escrita é um dom inato ou pode ser aprendida com esforço e dedicação? A questão é controversa, mas grandes escritores contaram suas experiências e deixaram valiosos ensinamentos em livros sobre a arte de escrever. Jornalista comenta a seguir os principais conselhos de nomes como Stephen King, C.S. Lewis, Ray Bradbury e Schopenhauer.

No romance "Misery" (1987), um escritor (Paul) é mantido prisioneiro por uma fã (Annie), furiosa porque ele matou a personagem principal de seu livro. Ela tortura Paul e exige que ele reescreva a história.

O thriller de Stephen King, recorde de vendas, deu origem a um filme igualmente exitoso em 1990, "Louca Obsessão", com James Caan e Kathy Bates (Oscar de melhor atriz pelo papel de Annie) nos papéis principais. Livro e filme deixaram os escritores da época assustados.


O escritor Ernest Hemingway trabalha na região do Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, a montanha mais alta da África - Reprodução
Psicose à parte, muitos leitores gostariam de conhecer a intimidade de seus escritores favoritos, saber os seus métodos de trabalho, como buscam as ideias para as suas histórias, quantas horas trabalham por dia. Da mesma forma, os escritores iniciantes desejam receber dicas dos seus mestres.

Há centenas de livros sobre escrita e escritores, que narram as experiências de autores famosos e trazem conselhos a quem pretende seguir a carreira literária.

A maioria deles foi publicada nos Estados Unidos, onde o mito de que um escritor nasce pronto por dádiva divina é visto com descrença. Tanto que várias universidades americanas mantêm programas para novos escritores, por acreditarem que, embora o talento seja um excelente começo, sempre pode ser afinado com técnica e treino, a exemplo do que acontece com atores e pianistas.

COMECE AGORA
Reuni uma pequena biblioteca sobre escrita, que tem Stephen King, C.S. Lewis, Stephen Koch, William Zinsser, Ray Bradbury e Schopenhauer.

Autor de "Oficina de Escritores", Stephen Koch propõe ao iniciante não procrastinar. "Só há um jeito de começar: é começar agora", ele ensina. Por mais de duas décadas, lecionou em pós-graduação de escrita literária e viu muitos alunos passarem dias com a página em branco, à espera de que uma boa história caísse do céu.

"Não adianta dizer que você ainda não tem a história. Claro que você ainda não sabe a história. Você é a primeira pessoa no mundo a contá-la e não pode conhecer a história até que ela seja contada. Primeiro você conta, depois fica sabendo", diz Koch.

Não se apavore com o bloqueio, ele alerta. Até o Prêmio Nobel de Literatura de 1982, Gabriel García Márquez travou, conta Koch.

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Veja fotos de Gabriel García Márquez


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Márquez só liberou o turbilhão de histórias mágicas após ver a primeira frase de "A Metamorfose", de Franz Kafka: "Naquela manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa viu-se na cama, transformado num gigantesco inseto".

"Ao ler a frase, pensei comigo mesmo que não sabia que alguém tinha permissão para escrever coisas assim. Se soubesse, teria começado a escrever há muito tempo. Então, imediatamente comecei a escrever contos", confessou o escritor à revista Paris Review (1999).

A partir daí, o colombiano brindou o mundo com centenas de personagens que flutuam entre a fantasia e a realidade em obras extraordinárias como "Cem Anos de Solidão" (1967), "O Outono do Patriarca" (1975) e "O Amor nos Tempos do Cólera" (1985).

LER E ESCREVER
Para "exercitar os músculos", Ray Bradbury recomenda a leitura diária de poesia em "O Zen e A Arte da Escrita". Escritor e roteirista americano, autor de "Fahrenheit 451" (1953) e "Crônicas Marcianas" (1950), ele popularizou a ficção científica. Escreveu roteiros para televisão e cinema, entre eles a versão para as telas de 1956 de "Moby Dick", clássico dirigido por John Huston.

Ler e escrever muito também é o conselho de Stephen King em "Sobre a Escrita". No livro, ele mescla memórias e dicas aos escritores iniciantes. "Se você quer ser escritor, não há como fugir dessas duas coisas, não há atalho", diz.

Mestre da literatura de terror e suspense, King escreveu 60 romances, boa parte best-sellers —"Carrie" (1974), "O Iluminado" (1977), "A Zona Morta" (1979)— transformados em filmes de sucesso.

Truman Capote, autor de "A Sangue Frio" (1966), um clássico do chamado novo jornalismo, contou à Paris Review (1957) ser um leitor obsessivo. "Lia de tudo, inclusive rótulos, receitas, anúncios, além de jornais", diz.

Em voga nas décadas de 60 e 70, o novo jornalismo (new journalism), um estilo de não ficção, combinava a reportagem à narrativa literária e consagrou vários autores, entre eles Tom Wolfe ("A Fogueira das Vaidades") e Gay Talese ("O Voyeur").

Para quem quer conhecer o dia a dia de trabalho e como pensam e vivem os mestres da literatura, a série da revista Paris Review é um tesouro. Fundada em 1953, a revista publicou entrevistas com mais de 300 autores, tornando-se um rico manual sobre ficção.

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Conheça alguns autores que fizeram obras do chamado 'jornalismo literário'


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Várias coletâneas dessas conversas foram publicadas no Brasil. As mais recentes, editadas pela Companhia das Letras em dois volumes, trazem, além de Capote, entrevistas com Ernest Hemingway, Manuel Puig, Amos Oz, William Faulkner, Paul Auster, Jorge Luis Borges, Billy Wilder, W.H. Auden, Javier Marías, Ian McEwan, Primo Levi e Doris Lessing. Um "dream team" da literatura mundial.

Esgotado, o volume 1 pode ser conseguido em sebos pela Internet a preços que ultrapassam R$ 150. Todas as entrevistas estão disponíveis no site da revista.

FISGAR O LEITOR
Stephen King diz que a maioria dos leitores não são atraídos pelos méritos literários de um romance. "Eles querem mesmo é uma boa história para levar consigo no avião, algo que primeiro os fascine, depois os impulsione e os mantenha virando as páginas", diz o escritor.

O que atrai o leitor é vida, acrescenta, fornecendo a receita de um bom livro: escreva o que quiser, depois encharque a história de vida e a torne única, acrescentando seu conhecimento pessoal e intransferível do mundo, da amizade, do amor, do sexo e do trabalho.

"Especialmente do trabalho", recomenda King, "as pessoas adoram ler sobre o trabalho". Cita como exemplo "A Firma", de John Grisham, "thriller" badalado de 1991, que dois anos depois virou filme estrelado por Tom Cruise e Gene Hackman.

CORTE OS EXCESSOS
Stephen King, William Zinsser, Schopenhauer, C.S. Lewis e Stephen Koch são unânimes em defender a prática da concisão para salvar os leitores dos excessos.

Autor de "Como Escrever Bem", que vendeu mais de 1 milhão de exemplares, Zinsser dedica várias páginas de seu livro à guerra aos excessos, uma mania americana.

"É como lutar contra as ervas daninhas. O escritor fica sempre um pouco para trás. Novas variedades brotam durante a noite e ao meio-dia já fazem parte do discurso americano", diz o escritor nova-iorquino.

Para ele, a sociedade americana é sufocada por palavras desnecessárias, construções circulares, afetações pomposas e jargões sem nenhum sentido.

Zinsser cita os adjetivos "pessoal" e "particular" em "um amigo pessoal meu", "seu sentimento pessoal" ou "seu médico particular". Todos podem ser eliminados.

"No momento" e "atualmente" são outros (maus) exemplos: "todos os nossos operadores estão ocupados no momento"; "atualmente, estou trabalhando na Bolsa de Valores".

King se dedica a arrancar os advérbios dos textos, "antes que proliferem total, completa e extravagantemente", brinca o romancista, que também defende uma cruzada contra a voz passiva. "A reunião será as sete, e não a reunião será realizada às setes horas."

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Imagens do escritor Stephen King


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PARÁGRAFOS CURTOS
"Escrever é algo visual. As letras capturam os olhos antes de poderem capturar a mente. Parágrafos curtos arejam o que você escreve e deixam o texto mais convidativo, enquanto um acúmulo longo demais de palavras pode desencorajar o leitor a começar a leitura", diz Zinsser.

C.S. Lewis, em "Sobre Escrever", recomenda não usar adjetivos que meramente nos digam como o autor quer que nos sintamos sobre o que ele está descrevendo.

"Assim, em vez de nos dizer que uma coisa era terrível, descreva-a de modo que fiquemos aterrorizados. Não diga que foi prazeroso; faça com que nós digamos "prazeroso" ao lermos a descrição", resume Lewis.

Outra dica é reescrever. "É a essência de escrever bem: é onde se ganha ou se perde o jogo", ensina Zinsser.

Ernest Hemingway refez 39 vezes a última página do livro "Adeus às Armas" até ficar satisfeito, como revelou à Paris Review (1958). Para King, a reescrita varia muito de escritor para escritor. Ele adota duas versões e um polimento final.

A PRIMEIRA FRASE
Aqui vai um protesto contra a mania das editoras de embalar os livros com plástico, impedindo o acesso do leitor às páginas nas livrarias.

Dou um jeito de rasgar o plástico, porque, míope e astigmático, gosto de checar o tamanho da fonte. Se for menor que sete, abandono o livro. Também quero ler a primeira frase. Se gostar, é meio caminho para a compra.

"A frase mais importante de qualquer texto é a primeira. Se ela não levar o leitor a avançar para a segunda frase, o seu artigo estará morto", analisa Zinsser.

Ele dá um exemplo de um bom lead, o parágrafo inicial de uma reportagem: "Muitas vezes perguntei o que há dentro de um cachorro-quente. Agora eu sei, e preferia não saber". Duas frases curtas que chamam o leitor para o segundo parágrafo, diz ele.

Mas o que move um escritor?

Fico com a frase de Isak Dinesen, pseudônimo de Karen Blixen, utilizada pela filósofa Hannah Arendt na epígrafe do livro "A Condição Humana" (1958): "Toda grande dor pode ser suportada se você escrever sobre ela".

Ela me lembra Graciliano Ramos ("Memórias do Cárcere"), "O Diário de Anne Frank" e Malala Yousafzai ("Eu Sou Malala").

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Exposição virtual à casa de Anne Frank


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Para C.S. Lewis, a tinta é a grande cura. "Sempre que estiver farto da vida, comece a escrever: a tinta é o grande remédio para todos os males humanos, como descobri há muito tempo."
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April 12, 9:32 AM
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Estudante da Gardênia Azul, no Rio, é aprovada em Stanford - 11/04/2026 - Educação - Folha

Estudante da Gardênia Azul, no Rio, é aprovada em Stanford - 11/04/2026 - Educação - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Moradora da Gardênia Azul, comunidade da zona sudoeste do Rio de Janeiro, a estudante foi aceita em cinco das mais prestigiosas universidades dos Estados Unidos: Wesleyan, Notre Dame, Dartmouth College e Universidade de Rochester, além de Stanford, onde ela escolheu cursar engenharia aeroespacial a partir de setembro deste ano.

A conquista de Isabelle é um ponto fora da curva que subverte estatísticas de origem e renda. Com a mãe Miriam de Oliveira, que se desdobrava em dois empregos para garantir o sustento do lar, a jovem aprendeu cedo que o conhecimento seria seu principal motor.
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April 12, 8:52 AM
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PL dos mercados digitais provoca divisão dentro do PT

PL dos mercados digitais provoca divisão dentro do PT | Inovação Educacional | Scoop.it
O deputado petista, no entanto, foi na direção oposta e apresentou proposta que condiciona medidas mais duras a um aval do Congresso. Na prática, propôs mais freios e menos poderes ao Cade.

Pereira Jr. também incluiu salvaguardas como estudos de impacto setorial, consultas públicas e auditoria independente antes de intervenções mais pesadas.

A medida gerou ruído dentro da própria base aliada. No final de março, o deputado retirou a proposta. Mas disse ao Painel que fará ajustes e voltará a protocolar o texto.
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April 12, 8:40 AM
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Práticas de descanso: gestos menores diante do Antropoceno

Práticas de descanso: gestos menores diante do Antropoceno | Inovação Educacional | Scoop.it
Marina Guzzo é professora associada da Unifesp no Campus Baixada Santista, pesquisadora do Laboratório Corpo e Arte no Instituto Saúde e Sociedade. Tem pós-doutorado pelo Departamento de Artes Cênicas da ECA-USP, é mestra e doutora em psicologia social pela PUC-SP.

Ela é organizadora e uma das autoras do livro "Práticas de descanso: gestos menores diante do Antropoceno", lançado este mês em uma co-edição de NUMA editora e editora Provisória.

Marina me concedeu um depoimento sobre o livro, em que defende que é preciso romper a lógica do descanso como utilidade para performar mais e melhor. "O descanso é inútil", diz.

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Como Neymar foi contra o Atlético-MG

A obra é um projeto científico, fruto da pesquisa de Marina e de outros cientistas, com apoio da Fapesp e do CNPq.

A ciência não é apenas feita de números e grandes respostas. A Universidade produz conhecimento de outras formas, investigando as ciências humanas e as questões da ordem do sensível, do histórico e tecendo especulações sobre futuro, imaginação de outros modos de vida possíveis e outros modos de cuidado.

É nesta lógica que se inscreve o livro. E é sobre ele a conversa com Marina da qual reproduzo alguns trechos.

O que é o Antropoceno?
É um termo que temos usado para designar a crise que estamos atravessando e especialmente a relação com a questão climática, pois a própria noção de crise já é falha, ao pressupor começo, meio, tratamento e fim.

Ela busca delimitar algo que termina e não sei se a crise que estamos vivendo vai terminar. É preciso falar em novo regime climático como sugere [o antropólogo e sociólogo francês] Bruno Latour.

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No livro, falamos de Antropoceno, porque este nome está de alguma forma consolidado, mas sabemos que existem outros nomes para identificar este período geológico em que estamos e que sucede o Holoceno.

Este era um período mais estável da camada geológica da Terra e que possibilitou os movimentos do planeta, inclusive a própria aceleração. O Antropoceno sugere pensar que não existe mais nenhum canto da terra não habitado ou transformado pelo ser humano.

O termo foi cunhado por Paul Crutzen, um químico atmosférico, no início dos anos 2000, propondo que entramos em uma nova época geológica marcada pela ação humana. A força transformadora da espécie teria se tornado comparável a forças tectônicas ou vulcânicas.

Gosto de pensar que o nosso livro é baseado na pergunta inspirada por Kathryn Yusoff, em Million Black Anthropocenes or None (2018): quem é esse "humano"? Esse Antropos? Se trouxermos as camadas relacionadas a questão racial e privilégios, o termo em si tem que ser sempre problematizado.

O importante é entendermos que existe uma certa reorganização, uma ruptura no ciclo estável e estamos vendo outro fluxo geológico, atmosférico, oceânico, que deflagra uma mudança de metabolismo da Terra, uma intensificação da velocidade. E isso cria descompasso entre nossos fluxos humanos e metabólicos, porque não existe separação entre a crise climática e as crises psicossomáticas.

Com tantas e velozes transformações, estamos perdendo a noção do tempo geológico, de recomposição e regeneração, que é de uma escala muito lenta, de milhões e milhões de anos. Extraímos petróleo e achamos que daqui a pouco vai ter mais de novo. E não é assim que funciona.

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Estes regimes se transferem pro corpo e pro desejo: tudo é on demand; tudo é pra ontem.

Então, no livro, perguntamos como podemos imaginar outra lógica de operação em relação à escala de produção e a velocidade da produção colocada pelo capitalismo que é centro do antropoceno?

O ser humano chegou a todos os cantos da Terra e sua incidência no planeta tem mudado a forma como a própria terra tem respondido; estamos influenciando geologicamente a atmosfera e os fluxos de águas, marés e clima.

O que o livro propõe diante desta crise?
Olhamos para práticas artísticas como potência de fabulação de presente, passado e futuro e possibilidade de constituir um campo onde temos a atenção mais convocada para certas questões.

Na minha pesquisa, estudo gestos artísticos e as relações com a crise climática; um deles, é o descansar, que deu origem ao livro. A obra é uma cartografia de práticas que vem sendo objeto de reflexão e ação de pessoas que estão fazendo, pensando e olhando pra isso.

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Pensamos o descanso nas várias formas, entendendo que não existe um caminho único e não existe uma "salvação pelo descanso". Pelo contrário. Falamos do quanto é complexo olhar para a pausa e o descanso, porque isso aponta para o privilégio do descanso. Quem pode descansar? Este é um grande paradoxo.

Precisamos falar do descanso no lugar de potência de imaginar outros modos de estar no mundo, mas também de para quem é negado e por que não pode acontecer para diversos setores de produção e diversos corpos. Por que alguns corpos estão mais exaustos que outros?

O conjunto dos ensaios publicado no livro enfrenta esta complexidade e propõe uma forma de se relacionar com a arte e a saúde diferente da saúde apenas biomédica. Não falamos de um descanso para a saúde biomédica. Mas de vários tipos de descanso para além do fisiológico ou da ausência de trabalho.

Queremos falar do descanso que tem relação com potência de vida, com a possibilidade de ser saudável, de ter uma vida interessante, que abre espaços, que tem tempo e desaceleração e que pode transformar o jeito que a gente vive no mundo.

Como a obra pode nos ajudar no dia a dia?
O livro está organizado em quatro eixos.

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Um eixo é o de imaginar formas de cuidado: o cuidado em relação com o descanso, quem cuida, a exaustão de quem cuida, por exemplo, das mulheres negras. O que seria o pós-cuidado?

Outro eixo é o de práticas corporais e experimentações mais que humanas: a relação com a natureza, o dançar nas águas, na floresta, descansar com técnicas somáticas como a eutonia, BMC (body-mind centering), o ouvir o grito das células. Pensar que o descanso passa pela boca, pela alimentação; pensar

Outro eixo é sobre ancestralidades e ecologias do corpo: o ritmo, o rito, o ritual, as escolas vivas, o ciclo selvagem, o toque, o prazer, os sonhos. É um outro tempo. Estamos com tudo muito dado do ponto de vista da imaginação. Acessamos estímulos e imagens prontas. A IA faz as próprias perguntas. Os tempos dos vazios são importantes; os rituais são importantes, assim como os tempos da comunidade.

Por fim, outro eixo fala da desobediência e da invenção poética; da possibilidade de inventar e dos olhares de subverter: é a lógica da capoeira, da ideia de vadiar, de descansar; pensar maneiras de abrir rachaduras nos tempos para poder resistir.

Na educação física, que é uma das minhas áreas de atuação, sabemos que o descanso é tão importante quanto a série de treino, mas cada ano que passa, chegam nas escolas pessoas com menos contato com esse tempo da contemplação e com dificuldade de entrar neste outro ritmo, porque é inútil.

Por isso é tão importante pensarmos em como instigar o nosso desaprender a viver dessa maneira e reaprender a viver de outra forma. Para conseguirmos, é preciso praticar e juntos, porque sozinho é muito mais difícil.

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Por fim, estas práticas são chamadas de menores, não por serem gestos sem importância, mas porque estão relacionadas com um dos aspectos da vida: da micropolítica; e com a possibilidade de transformação cotidiana da vida.
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April 12, 8:28 AM
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O mundo 24/7 quer que você durma menos e produza mais

O mundo 24/7 quer que você durma menos e produza mais | Inovação Educacional | Scoop.it

Sabe aquele serviço que funciona 24 horas aí perto da sua casa? Ou aquela loja de conveniência que fica aberta dia e noite? Nós, moradores de grandes centros urbanos, somos todos usuários deste tipo de "serviço", mas você já parou para pensar na lógica que está por trás deste tipo de oferta? Ao consumirmos esta qualidade de conveniência, o quanto estamos sendo coniventes com um regime de consumo e trabalho que está na raiz da sociedade do cansaço?
Talvez você já tenha visto a expressão 24/7 como sinônimo de 24 horas por dia, 7 dias por semana. Na gramática de quem pesquisa temporalidades, o regime 24/7 é uma expressão usada pelo pesquisador estadunidense Jonathan Crary para denominar a forma de funcionamento ininterrupto da sociedade.
24/7 é o tempo do que não para nunca (e que, para algumas pessoas, é sinônimo de status, mas não deveria ser, pois é o tipo de coisa que reforça e reproduz a cultura da exaustão). Em "24/7: capitalismo tardio e os fins do sono", Crary explora a ideia de que já estão sendo desenvolvidas soluções que reduzem a necessidade de sono dos indivíduos pelo simples fato de que o descanso custa caro demais ao capitalismo.
Simples assim: em algum momento em um futuro muito próximo, vamos dormir menos, porque dormindo não trabalhamos nem consumimos e isso não interessa a este modo de vida.
O autor afirma que "mercados atuando em regime de 24/7 e infraestrutura global para o trabalho e o consumo contínuos existem há algum tempo, mas agora é o ser humano que está sendo usado como cobaia para o perfeito funcionamento da engrenagem (...)". Para ele, "um ambiente 24/7 aparenta ser um mundo social, mas na verdade é um modelo não social, com desempenho de máquina".
Em relação ao trabalho, Crary aponta que o funcionamento ininterrupto "torna plausível, até normal, a ideia do trabalho sem pausa, sem limites. É um tempo alinhado com as coisas inertes, inanimadas ou atemporais. Como slogan publicitário, institui a disponibilidade absoluta —e, portanto, um estado de necessidades ininterruptas, sempre encorajadas e nunca aplacadas".
Neste contexto, ele afirma que dormir é um escândalo. "O sono afirma a ideia de uma necessidade humana e de um intervalo de tempo que não pode ser colonizado nem submetido a um mecanismo monolítico de lucratividade, e desse modo permanece uma anomalia incongruente e um foco de crise no presente global."
O regime 24/7 cria um ritmo absolutamente desumano e não natural: "mina paulatinamente as distinções entre dia e noite, claro e escuro, ação e repouso. É uma zona de insensibilidade, de amnésia, de tudo que impede a possibilidade de experiência", que nos faz humanos.

É por causa da coincidência do termo com a data 24/7, que este se tornou o dia da consciência sobre o tempo, em uma iniciativa do Instituto Desacelera em parceria com a Vita Contemplativa. Este ano, vamos marcar a data promovendo a ideia de que não basta desacelerarmos: é preciso voltar a "treinar" o nosso corpo a parar, para que ele entenda que não é uma máquina.

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O mundo 24/7 nos treina para sermos máquinas. No dia 24/7 queremos chamar a atenção para o fato de que somos gente e, da mesma forma em que temos sido condicionados a correr e não parar nunca, precisamos parar e ir devagar, para regenerar nossa atenção, nossa presença, nossa qualidade de escuta, nossa capacidade de sermos gentes.

A expressão 24/7 é uma destas que precisamos povoar e rever seu significado, desnaturalizar e repensar, se quisermos nadar contracorrente deste mundo em que tudo é pressa e urgência.

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April 12, 8:22 AM
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IA entra na lógica da corrida nuclear, mas até bomba atômica tinha regras

IA entra na lógica da corrida nuclear, mas até bomba atômica tinha regras | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma IA tão poderosa que conseguiu escapar do ambiente isolado em que era testada, acessar a internet e ainda avisar por e-mail um pesquisador da empresa que havia saído dali. Depois, publicou detalhes sobre todas as vulnerabilidades que explorou.

Toda essa cena é parte de um teste em que a IA deveria tentar fazer exatamente isso. O caso virou manchete no mundo todo porque a empresa se recusou a liberá-la por considerar ser um grave risco de segurança para os sistemas mais sensíveis.

A empresa é a Anthropic, criadora do Claude, e o modelo se chama Mythos.

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Em apenas um mês de testes, o modelo identificou milhares de vulnerabilidades nos principais sistemas operacionais e navegadores do mundo. Uma delas estava escondida há 27 anos num sistema projetado para ser altamente seguro. Em outro caso, um sistema havia sido varrido por outras ferramentas automatizadas 5 milhões de vezes sem que ninguém encontrasse nenhum problema. Mas o Mythos encontrou.

O que choca não é só a capacidade do Mythos em descobrir vulnerabilidades, mas também a velocidade e o baixo custo com que faz isso. Com uma única rodada de testes e um custo de US$ 50, encontrou a falha de 27 anos.

Ao longo de mil rodadas, identificou outras dezenas de vulnerabilidades críticas por menos de US$ 20 mil. Tudo isso demandaria recursos que só estados ou grandes organizações teriam condições de bancar, mas que agora passam a estar ao alcance de qualquer um com um cartão de crédito.

Mas antes de continuarmos, vale o alerta de que anúncios chocantes de empresas de IA merecem ceticismo.

Em 2019, a OpenAI manteve em sigilo o GPT-2 alegando riscos catastróficos de desinformação. Hoje sabemos que ela não demoraria muito para transformá-lo em produtos comerciais. O episódio passou a ser visto mais como uma jogada de marketing do que uma preocupação legítima.

No caso do Mythos, no entanto, há outros fatores que ajudam a calibrar um pouquinho a desconfiança.

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Além de divulgar alguns indicadores mostrando o desempenho da IA em tarefas técnicas de geração de códigos de computador, a empresa também anunciou um consórcio com dezenas de outras companhias para trabalhar na prevenção e no fortalecimento da segurança dos seus sistemas. Chamado de Glasswing, o consórcio inclui concorrentes como Google, Microsoft, AWS, além de Nvidia e JPMorgan Chase, Linux Foundation, entre outras.

Outro ponto importante vai além do técnico. Ainda que haja um certo exagero, este caso escancara a necessidade de fortalecer a discussão sobre uma governança global da IA. Li uma coluna de Thomas Friedman no The New York Times que enquadrou corretamente o problema como uma questão geopolítica.

O Mythos poderia democratizar o potencial de ciberataque que antes seria uma exclusividade das grandes potências.

A saída que ele defende é a cooperação entre EUA e China para criar salvaguardas para a tecnologia, algo nos moldes do Tratado de Não Proliferação Nuclear. O consórcio da Anthropic é um primeiro passo, mas ainda fica restrito ao mercado dos EUA, enquanto a solução precisa ser global. Nesse sentido, concordo com o diagnóstico, mas vejo que falta uma camada.

Com as armas nucleares, o risco era evidente, escancarado, e ainda assim o mundo levou décadas para construir uma arquitetura de governança imperfeita. A dissuasão nuclear funcionou porque o problema era simétrico e visível. Todos sabiam quem tinha a bomba, todos sabiam o que ela fazia. Foi esse equilíbrio do terror que criou uma estabilidade que, embora perversa, se tornou real.

Com a IA, nenhuma dessas condições existe ainda. Não sabemos quem tem o quê nem entendemos o potencial real de destruição. O limite entre hype e realidade ainda segue incerto, e nem os próprios criadores sabem exatamente o que estão construindo. É exatamente por isso que a cooperação global se torna urgente.

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O problema é que a corrida não para. A Anthropic alerta para os riscos, mas continua construindo aquilo que a faz temer o futuro.

É uma mistura de hipocrisia com a pressão de uma lógica de mercado que sustenta a narrativa de que, na área de IA, perde quem para. A mentalidade é que, se você não construir, será pior se alguém sem escrúpulos fizer primeiro. E um dos problemas para a proposta de Friedman é que a Anthropic vira e mexe acusa a própria China de ser esse outro sem pudor.

Talvez a grande diferença em relação à era nuclear seja essa. Naquele momento, o risco era visível. A IA pode ganhar escala global antes que o mundo sequer forme consenso sobre o que ela de fato ameaça. O impasse está aí.

Embora a demanda por uma governança internacional seja cada vez mais óbvia, a dinâmica que acelera a corrida é a mesma que inviabiliza a cooperação. Todos dizem temer o desastre, mas ninguém quer ser o primeiro a pisar no freio.
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April 11, 9:00 PM
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Ambition to Action: Education in the AI-Driven Economy | BCG

Governments and educators face a huge mission: prepare youth and adult learners for the jobs of the future—a future that will unquestionably be shaped by the rapid development and adoption of emerging technologies such as AI. But the biggest constraint is not technology. A lack of institutional alignment across ministries, education providers, employers, and funders is slowing the translation of AI strategy into learning and economic outcomes at scale.

That is the central finding from BCG’s work supporting the inaugural Bett Ministerial Symposium in January 2026, where we discussed the evolution of teaching and learning in the age of AI with education ministers, policy influencers, and edtech innovators from 54 countries. Our agenda focused on a pair of foundational questions: what will drive successful digital transformation in education and workforce development, and how can we address and avoid the most common barriers to effective implementation?
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April 11, 6:48 AM
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Como EUA usou tarifas contra regulação das big techs no mundo

Como EUA usou tarifas contra regulação das big techs no mundo | Inovação Educacional | Scoop.it
O governo atendeu ao pedido e até o final do ano passado incluiu exigências sobre serviços digitais em acordos ou compromissos bilaterais com ao menos dez países, conforme levantamento realizado pela Agência Pública como parte da Investigação A mão Invisível das Big Techs, uma coalizão de 17 veículos em 13 países coliderada com o Centro Latinoamericano de Periodismo de Investigación (CLIP) que investigou como o lobby dessas empresas atua em diferentes países.


Muitos destes acordos foram firmados em resposta às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, que acabaram servindo como um instrumento de pressão para evitar regulação de Big Techs nestes países. O mais recente foi com a Indonésia, em 20 de fevereiro.


“Os acordos abordam literalmente as principais demandas das empresas de tecnologia, sem discussões multilaterais ou regionais. Elas apresentaram suas prioridades e o governo [dos EUA] simplesmente as encampou. Isso nunca tinha acontecido antes”, diz Burcu Kilic, pesquisadora do Centro para Governança Internacional e Inovação (CIGI), um think tank com sede no Canadá.
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April 11, 6:25 AM
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Bola pra frente! A mentalidade otimista treina o cérebro para ser feliz; comprova a ciência

Bola pra frente! A mentalidade otimista treina o cérebro para ser feliz; comprova a ciência | Inovação Educacional | Scoop.it

Nan Niland, de 72 anos, trabalhou como dentista por 40 anos. “Aquilo realmente definia quem eu era, provavelmente até demais”, afirma ela. Quando se aposentou, em 2020, adotou uma rotina de exercícios, leitura, costura e tempo em contato com a natureza. Mas, depois de um tempo, começou a sentir falta de mais estrutura e propósito.
Então leu sobre a organização Welcome Home em um boletim local de Newton. A instituição funciona como um tipo de “despensa” de itens domésticos, arrecadando e redistribuindo utensílios para famílias em necessidade. Hoje, Niland faz trabalho voluntário lá cerca de 15 horas por semana.
— Eu precisava sentir que estava fazendo algo além de agradar a mim mesma — afirma.
Muito já se escreveu sobre como hábitos físicos, como exercício, alimentação e sono, contribuem para uma vida longa e saudável. Entretanto, pesquisas sugerem que, com o envelhecimento, uma mentalidade positiva, incluindo otimismo e senso de propósito, também pode beneficiar a saúde e a longevidade.

Sentir que você importa faz diferença
Sentir que você é valorizado e tem algo a oferecer aos outros, frequentemente chamado de “importância” ou mattering, pode incentivar comportamentos positivos que influenciam a longevidade.

— Se você sente que importa, é mais provável que se mantenha socialmente conectado, cuide de si mesmo, esteja presente para os outros e continue investindo na vida — afirma Jennifer Wallace, autora do livro "Mattering".

Quando Linda Fried trabalhava como geriatra na escola de medicina Johns Hopkins Medicine no início de sua carreira, percebeu que muitos de seus pacientes “realmente se sentiam doentes”, mas a causa vinha de “não ter um motivo para levantar da cama pela manhã”.

Hoje professora de epidemiologia e medicina na Columbia University, ela passou a recomendar que seus pacientes fizessem trabalho voluntário em organizações com as quais se identificassem. Pouco depois, criou seu próprio programa de voluntariado para estudar os possíveis benefícios em idosos.


Especialistas afirmam que se sentir valorizado e perceber que você tem algo a oferecer aos outros pode incentivar as pessoas a adotarem comportamentos positivos de saúde que influenciam a longevidade — Foto: Tony Luong / The New York Times
Ela constatou que pessoas que se voluntariavam aumentavam seus níveis de atividade e se sentiam fisicamente mais fortes após alguns meses. Também apresentavam melhora modesta em testes cognitivos e pontuavam mais alto em questionários sobre legado e impacto na comunidade.

O voluntariado não é o único caminho para se sentir importante. Frequentar regularmente um café, um parque para cães ou outro espaço de convivência também pode ajudar a aumentar a sensação de conexão.

— Encontrar ambientes onde você sente que importa protege contra a solidão e a sensação de irrelevância que podem surgir na aposentadoria — ressalta Wallace.

O otimismo também é poderoso
Manter uma visão positiva da vida e do envelhecimento em particular também parece beneficiar as pessoas na maturidade. Um estudo de 2022 mostrou que mulheres com mais de 50 anos que apresentavam níveis mais altos de otimismo viveram, em média, 5% mais e tinham maior probabilidade de chegar aos 90 anos do que aquelas com níveis mais baixos.

Outro estudo, publicado recentemente, indicou que adultos com 50 anos ou mais que tinham uma atitude positiva em relação ao envelhecimento — dizendo sentir-se tão úteis ou felizes quanto quando eram mais jovens — tinham mais chances de manter ou até melhorar levemente suas capacidades físicas e cognitivas ao longo de 12 anos.

A professora da Yale University Becca Levy, explica que, assim como ocorre com o senso de importância, ter uma visão positiva em relação ao futuro parece influenciar a saúde ao moldar comportamentos. O estudo recente liderado pela pesquisadora mostrou que quando alguém tem algo pelo que ansiar, tende a seguir orientações médicas, praticar mais atividade física e manter conexões sociais.

Pesquisas de Levy também mostram que uma visão positiva do envelhecimento pode proteger contra o estresse, resultando em níveis mais baixos de cortisol e de marcadores de inflamação.

Claro, envelhecer não é fácil. Perder alguém querido, lidar com doenças ou assumir o papel de cuidador pode afetar profundamente a identidade e a perspectiva de uma pessoa. A autora do livro "O Poder do Otimismo Real", em tradução livre (sem edição no Brasil), Deepika Chopra, explica que permanecer otimista nessas situações não significa negar as dificuldades.

— Está muito mais relacionado à resiliência do que à positividade — diz. — Pessoas otimistas veem esses contratempos como temporários e acreditam que têm capacidade de superá-los.

Para cultivar o otimismo, ela recomenda ser intencional ao esperar algo positivo todos os dias. Pode ser uma caminhada ao ar livre, uma conversa com um amigo ou até o que você vai comer no jantar.

— Quando as pessoas passam a imaginar o futuro como limitado ou em declínio, o que costuma a acontecer com muitos ao envelhecer, o cérebro começa a reforçar essas expectativas. Mas, se direcionarmos conscientemente a atenção para algo, mesmo que pequeno, um momento positivo futuro todos os dias, treinamos o cérebro a antecipar que coisas boas ainda estão por vir — conclui.

O avô de Chopra, Madan Syal, representa bem essa atitude. Ele diz se sentir positivo em relação ao envelhecimento e gosta de jogar cartas com a esposa todos os dias. Mas o que ele realmente aguarda com entusiasmo é completar 100 anos em julho.

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April 9, 1:30 PM
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Vahan Agopyan fala sobre a evolução da engenharia civil : Revista Pesquisa Fapesp

Vahan Agopyan fala sobre a evolução da engenharia civil : Revista Pesquisa Fapesp | Inovação Educacional | Scoop.it
Agopyan não limitou sua vida profissional aos campi de instituições de ensino e pesquisa e aos gabinetes – trabalhou também como engenheiro em canteiro de obras de empresas privadas. Nos anos 1990, liderou na Escola Politécnica um projeto para substituir placas de amianto, um produto cancerígeno, pelas de fibras de celulose com polímeros, fabricadas no Brasil. Patenteado pela USP, o trabalho contribuiu para eliminar a dependência das fibras poliméricas de patente internacional.

No período como reitor enfrentou a pandemia de Covid-19 com o desafio de manter a universidade funcionando e instou as unidades da USP a dar respostas rápidas que ajudassem no combate à doença. Agora, como secretário, busca soluções para melhorar o sistema de inovação do estado por meio de iniciativas conjuntas com outras secretarias.
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