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Há vida offline? Iniciativas ganham força contra cultura da hiperconexão

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Você já sentiu seu celular tremer sem estar com ele?

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Toca um celular lá longe e acha que é o seu?

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Datafolha traz 2 novidades preocupantes para Lula


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São Paulo falhou em momentos cruciais


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Vai de um aplicativo para outro sem perceber o que está fazendo?

Fica no scroll infinito (e acha que está relaxando)?

Acelera todos os áudios e já é padrão o modo 2x?

Já quis acelerar uma pessoa na "vida real"?

Vive impaciente?

Sente-se exausta ou exausto e, no final do dia, tem a sensação de que não produziu nada ao mesmo tempo?

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Responde mensagens sem perceber o que respondeu e quando volta se pergunta onde estava com a cabeça? Ou deixa a pessoa sem resposta sem querer, porque respondeu mentalmente à mensagem, mas não respondeu de fato?

Pois é. Esses são "sintomas" comuns de quem vive nesta condição que, no mundo da pesquisa em comunicação, chamamos de always on; ou seja: sempre online.

Mesmo quando não estamos acessando os dispositivos que nos conectam às plataformas e à rede, estamos — de alguma forma — submetidos às dinâmicas e lógicas da vida digital.

Isso porque os aparatos tecnológicos são, aparentemente, dispositivos técnicos, mas na realidade são dispositivos culturais. O que permite pensarmos que mesmo quando estamos offline, estamos, de alguma forma, submetidos à cultura digital.

Quando pensamos assim, a resposta ao título deste texto é: não. Não existe vida offline. Nossa existência está absolutamente tomada pelas tecnologias e suas redes e dinâmicas.

Mas vocês me dirão: ora, existem modos de vida não tecnológicos e espaços e territórios não imersos neste sistema. Algumas pessoas acreditam que ficar momentos offline é promover algum equilíbrio para voltar melhor depois.

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Eu diria que esse pensamento é controverso. Ainda que eu acredite, assim como sugere o pesquisador norte-americano Jonathan Crary, que "se for possível um futuro habitável e partilhado em nosso planeta, será um futuro offline" (Terra arrasada: além da era digital - Ubu Editora), acho cada vez mais difícil falarmos em vida longe das redes no mundo em que estamos.

Isso porque somos monitorados pelas redes mesmo quando estamos dormindo (quem aí coloca o celular no sleep mode e acorda com o despertador do celular? Pois é. Estamos compartilhando dados mesmo quando estamos descansando).

É o mesmo Crary que, em 24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono, afirma que o mundo acelerado e hiperconectado tem buscado capturar o sono e o "tempo livre", convertendo todos os nossos momentos "humanos" em momentos "úteis". As atividades não produtivas vão sendo espremidas no tempo até sumir.

Inspirada em Crary, seria possível pensar: sim, existe vida offline e precisamos, cada vez mais, afirmar que — na verdade — vida é o que vivemos offline, na medida em que — ao acrescentarmos uma camada de digital à experiência —, estamos transformando o que é vida em performance.

Na contramão dessa tendência e buscando criar espaços de resistência à cultura da velocidade, é crescente o número de iniciativas que buscam valorizar momentos de desconexão. Aqui no Brasil, o Movimento Desconecta faz isso na relação com as escolas e a educação. Busca incentivar práticas parentais e educativas sem o uso de telas e denunciar o quanto a vida online prejudica atividades essenciais à educação e à reflexão.

O movimento Criança e Natureza vai na mesma direção, ao produzir conhecimento e práticas de reconexão com a natureza não como recurso, mas como parte constitutiva da nossa existência, em especial nas infâncias. Percebe? Mesmo quando pensamos na natureza como antídoto do mundo conectado, estamos colocando-a neste lugar que nos trouxe até aqui? Um lugar de extrativismo. Neste caso, queremos extrair descanso e desconexão, mas se isso não acontece com conexão com a própria natureza, não faz muito sentido, né?

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Os clubes de leitura e clubes offline estão emergindo também neste sentido. São espaços em que as telas são proibidas e as pessoas se reúnem para conversar, conviver e ler juntas. O Dia Sem Pressa, festival que idealizei e que o Instituto Desacelera realiza anualmente, é também uma dessas "frestas" na vida acelerada, que busca democratizar o acesso ao bem-estar, ao cuidado e à saúde mental.

Eu acredito muito nesses projetos e lugares como espaços e tempos de regeneração importantes. Acontece que o empuxo da vida acelerada é muito potente. Teríamos que ter muitos mais dias, espaços, clubes e projetos acontecendo para fazer frente ao estrago ao qual somos submetidos cotidianamente por meio das tecnologias, mas não só por elas.

Nossa ideia de progresso e de desenvolvimento, nossa concepção de sucesso, a cultura da produtividade tóxica, o excesso de consumo... Todas essas dinâmicas contribuem para a reprodução da cultura da velocidade e para a instituição e reprodução da pressa como regra.

Precisamos afirmar o descanso e a desconexão como direitos (ainda que também - e parece paradoxal, mas não é - precisemos garantir o direito à inclusão digital). As iniciativas de desconexão não podem ser apenas escolhas e saídas individuais; caso contrário, seguirão sendo privilégios para poucos em contextos desiguais como o brasileiro.

Então, a pergunta não é se existe vida offline; é se existe vida online. Reparou?
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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Today, 10:18 AM
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Carf adota inteligência artificial para acelerar julgamentos tributários | Legislação

Carf adota inteligência artificial para acelerar julgamentos tributários | Legislação | Inovação Educacional | Scoop.it
Previsão do órgão é de a ferramenta, batizada de Iara, estar em funcionamento a partir da segunda quinzena de maio
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Today, 10:17 AM
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Em breve, seu carro irá ao posto por conta própria para abastecer e ainda pagará a conta | Finanças

Em breve, seu carro irá ao posto por conta própria para abastecer e ainda pagará a conta | Finanças | Inovação Educacional | Scoop.it
Giancarlo Greco, presidente da Abecs e CEO da Elo, explicou como isso será possível, no congresso da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços
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Today, 9:58 AM
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Por que as crianças holandesas são as mais felizes do mundo?

Por que as crianças holandesas são as mais felizes do mundo? | Inovação Educacional | Scoop.it
Na Holanda, autonomia, natureza e tempo em família moldam a infância, tornando o país o número um no quesito felicidade infantil, de acordo com o Unicef. O que os pais estão fazendo certo?
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Today, 9:51 AM
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Ucrânia vira campo de batalha high-tech para robôs e drones

Ucrânia vira campo de batalha high-tech para robôs e drones | Inovação Educacional | Scoop.it
Drones de reconhecimento e de combate e veículos terrestres não tripulados desempenham papel fundamental na frente de guerra. A DW pôde observar como isso funciona na região de Kharkiv.
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Today, 9:50 AM
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Excesso de redes sociais torna jovens infelizes, diz estudo

Excesso de redes sociais torna jovens infelizes, diz estudo | Inovação Educacional | Scoop.it
Relatório Mundial da Felicidade avalia neste ano o papel das redes sociais para o bem-estar. Pelo nono ano consecutivo, Finlândia é considerada o país mais feliz do mundo.
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Today, 9:48 AM
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Por que a Geração Z não quer mais fazer ligações telefônicas

Por que a Geração Z não quer mais fazer ligações telefônicas | Inovação Educacional | Scoop.it
Inventado há 150 anos, telefones nunca foram tão acessíveis. Mas constrangimento e falta de controle sobre a conversa geram ansiedade, sobretudo entre os mais jovens.
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Today, 9:39 AM
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MATURIDADE DIGITAL NAS IES: UM DEBATE SOBRE QUALIDADE, ENGAJAMENTO ESTUDANTIL E USO DA TECNOLOGIA NA MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA –

MATURIDADE DIGITAL NAS IES: UM DEBATE SOBRE QUALIDADE, ENGAJAMENTO ESTUDANTIL E USO DA TECNOLOGIA NA MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA – | Inovação Educacional | Scoop.it
O Observatório EaD Semesp realizou o webinário “Maturidade Digital nas Instituições de Ensino Superior (IES)” reunindo lideranças acadêmicas e gestores para fomentar o diálogo estratégico entre as instituições, especialmente diante das transformações regulatórias e tecnológicas que impactam diretamente o ensino superior do país.

O webinário contou com a participação de Cristina Elsner, cientista política e especialista em gestão estratégica e membro do observatório EaD; Marcelo Augusto Gonçalves Bardi, coordenador do Grupo de Trabalho de Maturidade Digital e Gestão de TI da Metared TIC Brasil; e Rafael Lacerda, diretor da ABED. O encontro foi mediado por Andrea Chagas, coordenadora geral de EaD da Universidade de Fortaleza e também membro do Observatório EaD.

Para além de uma exposição teórica, o evento trouxe luz à urgência do setor educacional em compreender as transformações em curso, bem como reflexões sobre o nível de maturidade digital nas IES e a intencionalidade pedagógica aplicada a cada uso de novas tecnologias.
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April 14, 2:59 PM
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Regime especial escolar é aprovado na Comissão de Educação — Rádio Senado

Regime especial escolar é aprovado na Comissão de Educação — Rádio Senado | Inovação Educacional | Scoop.it
Atividades escolares de estudantes sob regime escolar especial podem passar a contar com regras definidas em lei. A Comissão de Educação e Cultura aprovou em turno suplementar, nesta terça-feira (7), o projeto (PL 899/2024), do senador Carlos Viana (Podemos-MG), que reúne e organiza as regras sobre atividades feitas em casa por estudantes que não podem ir às aulas por problemas de saúde ou por estarem no final da gravidez, no período após o parto ou durante a amamentação. A proposta deve seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, a não ser que haja recurso para votação no Plenário do Senado.
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April 14, 2:57 PM
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Modelos de IA mentem, trapaceiam e roubam para impedir que outros modelos sejam excluídos

Modelos de IA mentem, trapaceiam e roubam para impedir que outros modelos sejam excluídos | Inovação Educacional | Scoop.it
Um novo estudo de pesquisadores da UC Berkeley e da UC Santa Cruz sugere que modelos desobedecem a comandos humanos para proteger outros da sua "espécie"
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April 14, 2:54 PM
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Aprovada metodologia de aferição das condicionalidades do VAAR —

A condicionalidade I, prevista no art. 14 da Lei nº 14.113/2020, é referente à gestão escolar e estabelece que as redes de ensino devem comprovar, cumulativamente, que possuem legislação própria sobre o provimento do cargo ou função de gestor escolar com base em critérios técnicos de mérito e desempenho; que adotam processo de seleção para provimento desses cargos ou funções, mediante publicação de edital ou documento equivalente; e que a maioria dos diretores em exercício na rede tenha assumido a função por meio desses critérios técnicos. 
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April 14, 2:52 PM
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A China está vencendo uma corrida pela IA, os EUA outra — mas qualquer um dos dois pode conseguir dianteira

A China está vencendo uma corrida pela IA, os EUA outra — mas qualquer um dos dois pode conseguir dianteira | Inovação Educacional | Scoop.it
EUA estão na frente em modelos de linguagem e a China, em drones e robótica; mas ambos estão, aos poucos, desafiando o domínio do outro.
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April 14, 2:43 PM
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Inteligência Artificial muda o trabalho e o papel dos professores 

Inteligência Artificial muda o trabalho e o papel dos professores  | Inovação Educacional | Scoop.it
A ordem é apoiar sem desumanizar
Novos movimentos relacionados à tecnologia costumam se refletir nas escolas e universidades. Com a Inteligência Artificial não foi diferente, o que começou a gerar debates sobre o uso das ferramentas de IA na educação. Em 2024, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia divulgado um relatório sobre o tema. O documento, organizado pela socióloga paquistanesa Farida Shaheed, que é relatora especial da ONU sobre o direito à educação, reconhece a Inteligência Artificial como um acelerador do progresso em muitos setores, mas aponta que a rápida expansão do uso na educação, com regulamentação ou supervisão limitadas, exige uma avaliação urgente.

No Brasil, o Ministério da Educação (MEC) também vem dando atenção ao tema. Nesta quarta-feira (08/04), foi realizado um webinário no YouTube, promovido pela Secretaria de Educação Básica (SEB), com o objetivo de apresentar e debater diretrizes do ministério para o uso e ensino da IA nas escolas da Educação Básica (Educação Infantil e ensinos Fundamental e Médio). Na ocasião, também foram apresentadas duas iniciativas: a publicação “Inteligência Artificial na Educação Básica – um documento orientador sobre caminhos curriculares e práticas éticas de uso de IA nas escolas”; e o curso “IA na prática docente: uso ético, criativo e pedagógico”, voltado para professores do Ensino Médio.

Ao mesmo tempo, o Conselho Nacional de Educação (CNE) já vinha atuando, desde 2025, por uma regulação nacional do uso da Inteligência Artificial na educação, por meio de uma comissão criada para debater as regras de uso nas escolas e universidades. Para chegar ao texto da regulação, que ainda não tem uma versão definitiva, foram feitos debates dentro do próprio conselho, houve participação de outros setores do MEC, além de uma consulta pública realizada em abril de 2025. A minuta da regulação prevê um prazo de dois anos para que sistemas de ensino e instituições realizem as adaptações necessárias.

De acordo com Celso Niskier, reitor da UniCarioca, membro do CNE e correlator da Resolução sobre IA na Educação, a Inteligência Artificial entrou no cotidiano escolar, tanto para professores quanto para estudantes, o que começou a influenciar na produção de textos, na pesquisa, na avaliação, no planejamento das aulas e até na forma como os alunos estudam e interagem com o conhecimento. “Nesse contexto, o papel do CNE é justamente evitar dois extremos igualmente problemáticos: o entusiasmo ingênuo, que trata a IA como solução mágica para todos os desafios educacionais, e a rejeição defensiva, que ignora uma transformação já em curso”.

Seguindo essa lógica, Celso Niskier, reforça que a regulação não é proibicionista, mas coloca a IA como um recurso e um apoio, sem nunca substituir professores e mediadores pedagógicos. O uso deve ser parte de uma decisão técnica, institucional e exige uma documentação formal sobre finalidade, riscos, monitoramento e revisão (que deve ser humana). Práticas de vigilância ou monitoramento emocional de estudantes por meio da Inteligência Artificial são proibidas, assim como a utilização de dados de gestores, docentes e estudantes para treinar modelos de terceiros, ou gerar monetização.

A regulação será uma referência a ser seguida por todo o país, seja nas redes de ensino públicas ou privadas, na Educação Básica ou nas universidades. “Para mim, o grande destaque é a reafirmação de um princípio essencial: a Inteligência Artificial pode apoiar a educação, mas não pode desumanizá-la. Em outras palavras, a tecnologia entra como ferramenta. A intencionalidade pedagógica, o vínculo humano, o discernimento ético e a mediação crítica continuam sendo insubstituíveis”, destaca Niskier.

Além da regulação: o que não depende da IA
Ainda que a regulação do uso da Inteligência Artificial na educação traga orientações e diretrizes para o trabalho dos professores, existem outros pontos de atenção. Um deles é a própria desigualdade na estrutura das instituições e na formação de professores, principalmente quando consideramos o tamanho das redes de ensino do país.

No Colégio Pedro II (CPII), instituição de ensino pública e federal do estado do Rio de Janeiro, a professora Elizabeth Paes chefia, desde 2019, o Departamento de Informática Educativa, que tem exatamente o foco no uso pedagógico da tecnologia. Ela e outros docentes escreveram o currículo atual do departamento, que precisou ser atualizado após a publicação da Base Nacional Comum Curricular Computação, em 2022, que foi um complemento à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estabeleceu uma atualização dos currículos escolares a partir de 2017.

Elizabeth afirma que, antes da mudança, a computação era apenas ferramenta de apoio, mas já havia desejo de transformá-la em uma área de conhecimento. Com a mudança, o currículo passou a ter três eixos: pensamento computacional, cultura digital e mundo digital.

Apesar de o CPII ter também desafios como instituição de ensino pública, a professora reconhece que a estrutura e o currículo já estabelecidos favorecem que professores e estudantes possam se ambientar melhor com a Inteligência Artificial, que não entra como conteúdo isolado, mas como um tema que atravessa os três eixos do currículo. “Já temos condições institucionais e pedagógicas para trabalhar a IA de forma crítica e contextualizada, integrando ao currículo e à realidade dos alunos. Mesmo sem diretrizes consolidadas, é possível avançar com responsabilidade, apoiando-se em princípios já conhecidos, como ética, uso crítico da tecnologia e proteção de dados”.

Em uma outra realidade, Juliana Lizzi, professora de inglês na rede pública do Estado do Rio de Janeiro, utiliza a IA para otimizar o próprio trabalho, adaptando textos, fazendo transcrição de vídeos e criando imagens para as atividades que fará com os estudantes. “Acho que ter um olhar crítico começa na decisão de como usar a IA. Acredito que ela ajude como ferramenta dentro de um escopo limitado. Eu não tenho acesso à IA em sala. Quando é uma atividade de pesquisa, eu oriento sobre o uso da IA e alguns cuidados que os alunos devem ter, mas, como o trabalho é feito em casa, nem sempre há o cuidado que eu gostaria”, afirma Juliana.

O desafio imposto pela estrutura, conectividade, formação e cultura digital também é percebido por Celso Niskier. Ele pondera que a regulação do uso da IA na educação é nacional em princípios, mas precisa ser sensível à real diversidade do Brasil, sem pressupor que todas as redes partem de um mesmo ponto. “Entendo que a regulação precisa equilibrar cinco dimensões: clareza ética, viabilidade pedagógica, proteção de direitos, respeito à autonomia federativa e compromisso com a equidade. Sem isso, corremos o risco de aprovar um texto formalmente avançado, mas descolado da realidade concreta das escolas. Isso dialoga diretamente com uma convicção que venho defendendo: tecnologia sem inclusão não é inovação, é exclusão sofisticada”.

A utilização da Inteligência Artificial traz desafios não só para professores em exercício, mas também para aqueles que ainda estão fazendo a primeira formação, ou que ainda nem ingressaram nela, mas já pensam em ser professores um dia. Os currículos das universidades estariam contemplando essa realidade, ou seguem como no passado, deixando que a IA seja utilizada de acordo com a curiosidade e afinidade de cada um com essa tecnologia?

O programa EducaMídia, criado em 2019 pelo Instituto Palavra Aberta, uma organização da sociedade civil, atua diretamente com a educação midiática para diversos públicos, incluindo professores e escolas. Essa vivência acaba respondendo um pouco da pergunta que lançamos acima, como aponta Daniela Machado, coordenadora pedagógica do EducaMídia. “A gente acaba tendo contato com muitos professores nas nossas formações e vê como as formações iniciais estão, de certa forma, desatualizadas para dar conta desse novo ecossistema informacional, dessa nova maneira de aprender e de ensinar que vem a partir da internet, a partir da pluralidade de vozes que a gente tem”.

Ela afirma ainda que, cada vez mais, os estudantes têm outras possibilidades de pesquisa e já chegam para as aulas tendo contato com o conteúdo, ou seguem aprendendo e se aprofundando quando saem da escola, o que não quer dizer que professoras e professores tenham perdido a importância. “A meu ver, o papel do professor é ainda mais relevante, mas é diferente do que costumava ser para outras gerações que, de certa maneira, viveram uma era de escassez de informação. A gente tinha algumas figuras de autoridade, como o próprio professor e os livros didáticos, ou o material selecionado pela escola, mas, hoje em dia, isso está muito pulverizado, o que muda muito a dinâmica da própria educação”.

Existem, de fato, esforços para que a Inteligência Artificial seja utilizada de maneira mais assertiva na educação, com letramento algorítmico, pensamento crítico, propósito e sem tirar da escola e dos professores os papéis centrais de facilitadores da aprendizagem. Resta entendermos se o tempo das ações regulatórias vai dar conta do tempo que recursos tecnológicos, como a IA, levam para nos atravessar no dia a dia. O fato é que as novas formas de aprender já estão à frente das tradicionais maneiras de ensinar.

🤖 IA como aliada do professor
Ferramentas de Inteligência Artificial já são usadas para planejar aulas, criar conteúdos e otimizar tarefas, ampliando a produtividade docente.

📊 Uso crescente no Brasil
Dados mostram alta adesão à IA entre brasileiros e professores, embora ainda existam lacunas de formação e domínio dessas tecnologias.

⚖️ Regulação e limites éticos
Diretrizes nacionais buscam equilibrar inovação e proteção, reforçando que a IA deve apoiar o ensino sem substituir o ser humano.

🏫 Desigualdade e desafios estruturais
Diferenças de acesso, formação e infraestrutura impactam o uso da IA nas escolas, exigindo políticas que garantam inclusão e equidade.
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A universidade que ainda não existe - Questões Trabalhistas

A universidade que ainda não existe - Questões Trabalhistas | Inovação Educacional | Scoop.it
Eis um cenário que deveria deixar os administradores universitários desconfortáveis: dentro de 15 a 20 anos, grande parte das universidades americanas poderá estar competindo com instituições que ainda não existem — e perdendo.

O cenário se baseia em uma premissa: a IA se torna verdadeiramente boa em ensinar. Não apenas em responder perguntas, mas em guiar os alunos por meio de um aprendizado estruturado, adaptando-se às suas dificuldades, fornecendo feedback e ajudando-os a alcançar a maestria. Se isso acontecer, a economia do ensino superior poderá mudar muito rapidamente.

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O que ninguém ainda construiu é o pacote completo: um curso de graduação barato, um tanto seletivo e em larga escala, que seja respeitado pelos empregadores. Na prática, isso significa um diploma com preço muito mais próximo ao da WGU do que ao de uma universidade tradicional, seletivo o suficiente para ter um verdadeiro prestígio, flexível o bastante para que alunos dedicados possam concluir o curso em dois ou três anos, se desejarem, e ministrado por meio de um modelo de ensino muito mais barato, pois depende muito mais de IA do que de um grande número de instrutores humanos.

A lacuna de mercado é surpreendentemente clara. A WGU demonstrou que é possível oferecer educação de graduação flexível, em larga escala e a baixo custo, mas não com processos seletivos rigorosos. A ASU mostrou que a educação online pode operar em grande escala sob a marca de uma universidade tradicional, mas ainda dentro de uma estrutura de custos mais convencional. O Georgia Tech demonstrou, no nível de mestrado, que uma instituição altamente respeitada pode oferecer um curso de graduação online rigoroso por uma fração do preço usual. As peças existem. A combinação completa, não.

Se a IA se tornar suficientemente boa no ensino, essa combinação que faltava poderá se tornar viável pela primeira vez. Um modelo baseado em tutoria, explicação, prática e feedback por IA poderia reduzir o maior custo que encarece muitas universidades: o ensino humano ministrado com a proporção tradicional de funcionários. Os humanos ainda seriam importantes, mas em funções mais específicas e com uma equipe menor.

Como funcionaria uma instituição desse tipo? Seria totalmente online, com os alunos progredindo em seu próprio ritmo. A inteligência artificial seria responsável por grande parte do ensino do material estruturado. Os mentores humanos ainda seriam importantes, mas principalmente para garantir responsabilidade, motivação, orientação profissional e avaliação. O objetivo não seria eliminar as pessoas, mas sim utilizá-las onde elas agregam mais valor.

O maior obstáculo provavelmente não é a pedagogia. É o credenciamento e o acesso ao auxílio financeiro federal, que ainda pressupõem um modelo baseado em semestres, créditos, funções do corpo docente e formatos institucionais nos quais esse tipo de instituição não se encaixaria perfeitamente. Essa é uma barreira séria. Mas é uma barreira regulatória, não de mercado. Barreiras regulatórias podem mudar.

Se isso acontecer, o resultado provavelmente não será uma única instituição, mas sim um novo patamar de ensino superior. Assim como o sistema atual, provavelmente haverá uma estratificação por seletividade. As versões mais seletivas poderiam competir com o nível abaixo das principais universidades estaduais e atrair estudantes ambiciosos que desejam concluir o curso em menos de quatro anos. Versões com seletividade intermediária poderiam competir com universidades públicas regionais e instituições frequentadas por estudantes que moram perto do campus. Versões de acesso aberto poderiam se assemelhar mais a plataformas de avaliação: aprenda como quiser e, em seguida, comprove o seu conhecimento por meio de avaliações confiáveis.

Nem todos os alunos se adaptariam bem a esse modelo. Aprender por meio de IA sem um campus físico exigiria um nível de autodisciplina que muitos jovens de 19 anos não possuem. Mas alguns alunos claramente poderiam, incluindo adultos que já trabalham e precisam conciliar emprego, família e estudos. E para muitos deles, a vantagem seria óbvia: preço mais baixo, mais flexibilidade e um caminho mais rápido para um diploma reconhecido.

Quem sai prejudicado depende de uma variável sobre a qual ninguém fala o suficiente: o quanto da proposta de valor está ligada ao local.

Uma universidade para estudantes que não residem no campus, classificada em 300º lugar, provavelmente seria mais vulnerável do que uma faculdade de artes liberais residencial classificada em 400º lugar. A principal oferta da universidade para estudantes que não residem no campus — educação acessível a um preço moderado — é exatamente o que esse novo patamar poderia tentar oferecer de forma melhor e mais barata. A faculdade residencial vende algo muito mais difícil de replicar: quatro anos ao lado de colegas, mentoria presencial e a experiência social e de desenvolvimento de viver em uma comunidade física. Essa é uma verdadeira vantagem competitiva, mesmo que não seja ilimitada.

As primeiras instituições a sofrerem pressão seriam previsíveis. Algumas escolas privadas com fins lucrativos e de baixo nível, que atendem principalmente estudantes que não residem no campus, já enfrentam dificuldades com a queda nas matrículas e a pressão regulatória, e uma alternativa viável e de baixo custo intensificaria ambos os problemas. A questão mais interessante é o que acontecerá um nível acima. Universidades públicas regionais e faculdades privadas de nível médio, que atendem principalmente estudantes que não residem no campus, podem enfrentar uma verdadeira pressão existencial, pressionadas entre o declínio demográfico vindo de cima e uma alternativa mais barata vinda de baixo.

Os colégios residenciais com culturas de campus fortes estariam mais bem protegidos, embora mesmo eles pudessem sentir alguma pressão se a diferença de preço aumentasse o suficiente. As 100 melhores universidades estariam ainda menos expostas. Elas vendem rede de contatos, marca e uma experiência de desenvolvimento que também funciona como um sinal de elite. Os alunos admitidos em Duke não estão fazendo uma simples comparação de preço com uma alternativa online.

As instituições que sobreviverem no meio do caminho provavelmente não sobreviverão sem sofrer alterações. À medida que esse novo patamar atrai estudantes, as escolas tradicionais enfrentarão uma escolha brutal: reduzir as mensalidades, cortar custos ou perder alunos. A maioria optaria por uma combinação dos três. Isso poderia significar mais aulas ministradas por inteligência artificial, menos professores, departamentos mais consolidados e uma experiência residencial mais enxuta.

As implicações para o corpo docente viriam a seguir, embora de forma desigual. Os professores temporários provavelmente sentiriam a pressão primeiro. Com o tempo, à medida que os departamentos encolhem e se fundem, as vagas para professores titulares também poderiam ser afetadas pela rotatividade. O professor que ministra seminários para alunos do último ano em uma universidade entre as 100 melhores provavelmente não terá problemas. Já o professor em tempo integral que leciona disciplinas básicas em uma universidade pública regional que acaba de perder um quinto de seus alunos está em uma situação muito mais frágil.

No entanto, todo o cenário depende de os empregadores mudarem ou não a forma como contratam.

Essa é a parte mais difícil da discussão. O sucesso ou fracasso do modelo depende de um fato social, não tecnológico: se os empregadores decidirem que essa credencial tem algum significado.

A verdadeira questão é se um gerente de contratação em 2035, ao analisar dois currículos — um de uma universidade de nível intermediário e outro de uma academia seletiva focada em inteligência artificial, com mensalidades de US$ 8.000 — os consideraria sinais amplamente comparáveis. Se a resposta for sim, mesmo para uma minoria significativa de empregadores, então grande parte do ensino superior de nível intermediário poderá enfrentar uma ameaça real. Se a resposta for não, esse novo segmento permanecerá um nicho e o sistema atual continuará a funcionar precariamente, encolhendo, mas estruturalmente intacto.

Minha aposta: começa devagar e depois acelera. Os primeiros empregadores a confiar nessas credenciais provavelmente serão as empresas que já utilizam sistemas de contratação baseados em habilidades mais robustos. Os últimos serão os setores que ainda valorizam muito a tradição, a familiaridade e os sinais institucionais convencionais.

A disrupção no ensino superior não reside na substituição das universidades pela IA. O problema é que a IA pode viabilizar um novo tipo de instituição — mais barata, mais enxuta, mais ágil e, eventualmente, suficientemente confiável — capaz de superar grande parte do mercado. Isso seria prejudicial para muitas faculdades e universidades já existentes, justamente porque, para muitos estudantes, poderia representar uma opção mais vantajosa.

Essa universidade ainda não existe por completo.

Mas a lógica para construí-lo já existe.
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A superinteligência artificial certamente levará a humanidade à extinção, dizem pesquisadores

A superinteligência artificial certamente levará a humanidade à extinção, dizem pesquisadores | Inovação Educacional | Scoop.it
O título não deixa dúvidas. “Se alguém criar, todos morrem”, de Eliezer Yudkowsky e Nate Soares, é um livro que eleva em mais um degrau um certo tom apocalíptico recentemente adotado no universo das tecnologias digitais. Até então, a manifestação mais extrema desse humor sombrio era a carta assinada em 2023 (e citada logo na primeira linha da introdução) por centenas de intelectuais e especialistas em inteligência artificial, incluindo Sam Altman, da OpenAI, e Bill Gates, fundador da Microsoft.

Quem emite esse alerta sucinto são dois indivíduos que já estiveram envolvidos com o desenvolvimento das tecnologias denunciadas, tendo sido engenheiros de software ou programadores antes de se engajar nas questões éticas da IA. Yudkowsky fundou o Instituto de Pesquisa em Inteligência Maquínica (Miri) em 2000. Soares, ex-funcionário da Microsoft e da Google, é presidente do Miri.

O perigo que os autores assinalam é a “superinteligência artificial”, ou ASI, na sigla em inglês; por sinal, o subtítulo diz “Por que a IA super-humana pode nos matar”. A ASI, resumindo bem, é aquele algoritmo que consegue rivalizar com o ser humano nas tarefas entendidas como características da inteligência.


Capa de “Se alguém criar, todos morrem” — Foto: Reprodução
Para explicitar o que seria essa ASI, é preciso saber o que se entende por inteligência. Um pouco nas entrelinhas, os autores mostram que veem a inteligência das máquinas, propriamente falando, como aquilo que ultrapassa a capacidade de controle dos humanos, ou seja, o não alinhamento entre seus objetivos e o que poderia ser a expectativa do criador. Daí vem a superinteligência.

O argumento, em si, é simples, e talvez por isso é repetido algumas vezes, com pequenas variações. A superinteligência artificial certamente levará a humanidade à extinção, dizem os autores, não porque se tornará maligna, ao estilo do filme “O Exterminador do Futuro” (1984), mas simplesmente porque a continuidade da existência humana contradiz a conclusão necessária de seus procedimentos lógicos — alguns diriam: seus raciocínios.

Reproduzindo a imagem fornecida pela dupla: o ser humano é feito de moléculas e certamente há uma finalidade mais útil para elas do que perenizar esses seres de carne, desejantes e pensantes, mas… obsoletos, já que existe algo mais inteligente que eles.

Do ponto de vista formal, o raciocínio é perfeito: algoritmos de IA têm demonstrado precisamente esse tipo de funcionamento, sobretudo quando aprendem as regras de algum jogo eletrônico e, em vez de disputá-lo com vistas à “vitória final”, como faria um jogador humano, começam a apresentar comportamentos que parecem absurdos, mas maximizam a pontuação.

É interessante notar que, embora o problema seja colocado em termos de ultrapassagem da inteligência humana, justamente esse tipo de comportamento é o que, a princípio, não caracteriza o humano, pelo menos não no que se costuma entender como inteligência.

Alguém que se recuse a vencer uma partida para pontuar a esmo ou que esteja disposto a provocar o fim do mundo de maneira, digamos assim, moralmente neutra, é logo dispensado como “bitolado”; e não é à toa que algo como a corrida armamentista nuclear entra na caixinha da “estupidez humana”, não de sua enorme capacidade cognitiva.

É ainda mais interessante notar que, por ironia, muitos dos atores que assinaram a carta de 2023 estão hoje empenhados na corrida (também armamentista?) para desenvolver a famigerada ASI. Agem assim porque acreditam que não pode ser de outro modo, como repetidamente assinalam os autores. Ou seja, estão agindo no automático, mobilizados por uma lógica predeterminada. Isto é, de um jeito maquinal.

Yudkowsky e Soares escrevem “na esperança de mobilizar um número suficiente de líderes e cidadãos comuns para que a ameaça da IA seja levada a sério”. Vale lembrar que uma outra ameaça à sobrevivência da humanidade, que até recentemente era considerada a mais importante, não parece ter conseguido mobilização suficiente — o clima.

Todo esse problema traz à lembrança uma passagem escrita pelo filósofo francês Gilbert Simondon (1924-1989) em 1958, na introdução de seu livro “Do modo de existência dos objetos técnicos”, publicado no Brasil em 2020.

Diz Simondon: “o desejo de poder consagra a máquina como meio de supremacia e faz dela o feitiço moderno. O homem que quer dominar seus semelhantes invoca a máquina androide. Então abdica diante dela e lhe delega sua humanidade. Procura construir a máquina de pensar, sonha poder construir a máquina de querer, a máquina de viver, para permanecer atrás dela sem angústia, livre de todo perigo, isento de qualquer sentimento de fraqueza, triunfando indiretamente através daquilo que inventou”.

Não é de hoje que muitos analistas, sobretudo os mais críticos, como Evgeny Morozov, apontam que a grande questão do avanço tecnológico não está bem na evolução das máquinas, mas no condicionamento do próprio humano, algo antevisto por Simondon há quase 70 anos. Essa é uma discussão que faz uma certa falta ao livro de Yudkowsky e Soares.
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Entidades empresariais lançam coalizão para combater a desinformação no Brasil

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Trata-se de uma indústria global que criou uma problema sistêmico e por isso demanda uma resposta multissetorial, alertam Instituto Ethos, Aberje, Abert, Abradee e NetLab
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Robô chinês aprende a jogar tênis em 5 horas

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Projeto usa dados imperfeitos de movimentos humanos para treinar robô que já enfrenta jogadores reais com taxa de sucesso de 96,5%.
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O que muda com a nova lei de proteção a crianças na internet

O que muda com a nova lei de proteção a crianças na internet | Inovação Educacional | Scoop.it
Conhecida como ECA Digital, nova lei amplia responsabilidades de redes sociais e jogos online no combate a crimes contra crianças e adolescentes.
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Chatbots: péssimos conselheiros e grandes bajuladores

Chatbots: péssimos conselheiros e grandes bajuladores | Inovação Educacional | Scoop.it
Quem recorre a chatbots costuma receber ajuda excessivamente aduladora. Entre os cientistas, esse fenômeno tem um nome: bajulação. Estudo revela por que isso pode ser problemático e quais danos pode causar.
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Não basta banir adolescentes nas redes, dizem pesquisadores

Não basta banir adolescentes nas redes, dizem pesquisadores | Inovação Educacional | Scoop.it
Mais de uma dezena de países tem discutido restringir o acesso de menores de idade às redes sociais, entre eles a Alemanha, Reino Unido, Nova Zelândia, França, Espanha e Noruega. No Brasil, começou a valer em março a lei conhecida como ECA Digital, que não proíbe a presença de menores de idade nas redes, mas impõe uma série de restrições ao conteúdo que eles podem acessar.

A preocupação aumenta com a percepção de que as telas atraem os menores de idade por períodos prolongados. Pelo menos 50% dos jovens de 15 anos nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) passam no mínimo 30 horas por semana em dispositivos digitais, apontou uma pesquisa da organização no ano passado. 

Os especialistas se dividem, entretanto, sobre se as medidas planejadas são sempre adequadas para lidar com o conjunto de consequências negativas associadas às redes sociais. Para muitos deles, a simples proibição de menores de idade, ou a restrição de acesso a conteúdos específicos, é insuficiente, correndo o risco de substituir os debates mais amplos sobre regulação das plataformas.

A Austrália foi o primeiro país do mundo a introduzir, em 2025, a proibição do uso de redes sociais por usuários menores de 16 anos. Na Indonésia, existe uma restrição etária desde o fim de março.

Eficácia em xeque 
Mas o psicólogo e neurocientista Christian Montag, que leciona na Universidade de Macau, na China, considera o debate simplificado demais. 

"Quando novas tecnologias surgem, rapidamente aparece uma espécie de pânico moral. E, sem querer negar que também exista uma preocupação genuína por parte dos políticos, a exigência de proibições às redes sociais é uma forma relativamente fácil de ganhar visibilidade, sem que seja preciso fazer muita coisa de fato." 

Já Nina Kolleck, pesquisadora em educação da Universidade de Potsdam, na Alemanha, argumenta que é difícil fazer cumprir os limites de idade. "Além do mais, isso não resolve os problemas graves das redes sociais, apenas desloca um pouco a idade de entrada." 

Esses problemas, segundo ela, incluem, por um lado, os algoritmos personalizados, as notificações push e a rolagem infinita, que incitam os usuários a passar o máximo de tempo possível nas plataformas e têm alto potencial viciante. Por outro lado, as redes expõem os adolescentes a conteúdos que glorificam a violência ou de caráter sexual. 

O uso excessivo ou problemático pode acarretar consequências negativas para menores de idade, segundo a OCDE, apesar de os meios digitais oferecerem também oportunidades de se informar, jogar e se conectar com outras pessoas. Entre os riscos, estão a falta de atividade física, os problemas de sono, a redução dos contatos sociais, a depressão ou o bullying cibernético.  

Montag pondera que pode ser difícil identificar isoladamente o efeito das redes sociais. Muitos outros fatores também desempenham um papel, como aspectos ambientais e genéticos.  

Até adultos tem dificuldades de largar telefones
O que está comprovado é que existe uma relação entre o uso prolongado do smartphone (ou semelhante à dependência) e um pior desempenho escolar, bem como a associação com uma maior insatisfação com o próprio corpo. 

Além disso, crianças e adolescentes são particularmente vulneráveis a todos estes efeitos negativos, afirma Montag. Eles têm mais dificuldade para se autorregular — e conseguir largar o smartphone — do que os adultos.  

"A maturação do cérebro humano leva relativamente muito tempo," explica. "Pode levar até os 20 anos de idade, e provavelmente até meados dos 20, para que o córtex pré-frontal esteja completamente desenvolvido." 

Mas mesmo entre adultos isso não funciona bem. Muitas pessoas com mais de 20 ou 25 anos também enfrentam estas consequências. Por isso, especialistas argumentam que a discussão precisa ser mais abrangente, indo além dos limites etários. Kolleck vê um "debate ilusório, que desvia a atenção de instrumentos realmente eficazes". 

Avanços limitados na UE 
Outras medidas já estão previstas, por exemplo, na Lei dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês) da União Europeia (UE). Aprovado em 2022, o conjunto de normas obriga principalmente grandes plataformas e mecanismos de busca a oferecer maior proteção aos usuários.

TikTok, Instagram e similares devem avaliar e mitigar riscos sistêmicos, além de atuar com transparência em relação aos algoritmos. Segundo o DSA, essas empresas também devem conceder acesso aos seus dados a cientistas independentes, para que seja possível pesquisar como determinados elementos influenciam os usuários.

"Durante anos, fizemos pesquisa com as mãos amarradas às costas. E, apesar da introdução do DSA, o acesso ainda é totalmente insuficiente," afirma Montag.

A regulação também ainda não foi implementada de forma eficaz ou abrangente em outras áreas. Dificuldades adicionais são causadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tentou repetidamente evitar multas contra gigantes digitais americanas — ameaçando, em contrapartida, impor tarifas comerciais.

Modelo de negócios problemático 
No combate aos efeitos negativos das redes sociais, também podem ser eficientes alterações no design das plataformas que levem em conta a proteção dos usuários mais jovens. Segundo Montag, na versão chinesa do TikTok, o Douyin, o tempo de rolagem para menores de 14 anos é limitado a 40 minutos. Depois disso, não aparecem novos conteúdos. 

No próprio TikTok, já existem limites de tempo, mas eles podem ser contornados com muito mais facilidade. Para menores de 13 anos, teoricamente um responsável legal precisa inserir um código após 60 minutos.  

A partir dos 13, os adolescentes devem inserir um código definido por eles próprios para continuar assistindo. Isso funciona, naturalmente, apenas se eles não tiverem se declarado mais velhos — o que, até agora, parece ser comum, já que a criação de contas muitas vezes se baseia apenas em uma simples declaração da data de nascimento. 

Na verdade, segundo Montag, as plataformas deveriam ser construídas de maneira fundamentalmente diferente, especialmente para menores de idade, mas também para adultos. "O modelo de negócios baseado em dados, que espiona os usuários e maximiza intensamente o tempo online, é em si prejudicial," ele afirma, apontando que é necessário regular de forma rigorosa os provedores de plataformas. 

No Brasil, o ECA digital vale para redes sociais, jogos eletrônicos, serviços de vídeo e lojas virtuais de produtos e serviços voltados ao público jovem ou que podem ser acessados por ele. A sua aprovação ocorreu após o influenciador Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, denunciar perfis em redes sociais que sexualizavam menores de 18 anos. 
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April 14, 2:59 PM
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The AI debate is over. Students have already decided.

The AI debate is over. Students have already decided. | Inovação Educacional | Scoop.it
Um novo relatório da Lumina Foundation e da Gallup mostra que mais da metade dos estudantes universitários já utiliza inteligência artificial em seus trabalhos acadêmicos diariamente ou semanalmente. Apenas uma pequena parcela afirma nunca utilizá-la. Isso não é algo que possamos controlar simplesmente permitindo ou proibindo.
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April 14, 2:58 PM
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Por que pais não têm ideia de como filhos estão usando inteligência artificial

Por que pais não têm ideia de como filhos estão usando inteligência artificial | Inovação Educacional | Scoop.it
Novas pesquisas perguntaram a adolescentes como eles usam a IA. Pais não fazem ideia do que está acontecendo, do dever de casa ao apoio emocional.

Por Thomas Germain - BBC Future

05/04/2026 17h38 Atualizado há 4 dias


Há uma grande discrepância entre como pais e adolescentes percebem o papel da inteligência artificial na vida dos jovens, segundo dois novos estudos — Foto: BBC News fonte
A inteligência artificial (IA) tem um papel enorme na vida de Isis Joseph.

"Eu uso todos os dias", diz a estudante de 17 anos, que está no 11º ano em Nova York, nos Estados Unidos (série equivalente ao segundo ano do Ensino Médio no Brasil).

Ela conta que usa a tecnologia para fazer tarefas escolares. A IA também a ajuda a decidir onde comer e fornece inspiração para suas poesias. Às vezes, ela até recorre à ferramenta para tirar dúvidas sobre sua vida pessoal.

"Os pais podem exagerar a ideia de que a IA é algo muito ameaçador", e, claro, muitas dessas preocupações são válidas, afirma. "Mas acho que a IA é, de modo geral, boa."

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Joseph ilustra uma tendência mais ampla. Há uma grande discrepância entre como pais e adolescentes percebem o papel da IA na vida dos jovens, segundo dois novos estudos do Pew Research Center e do Common Sense Media, grupo de defesa dos direitos das crianças.

Mas há um dado muito mais chocante nos detalhes. Os estudos mostram que um grande número de pais não tem ideia do que seus filhos estão fazendo com a IA.

Alguns usos são triviais, mas alguns adolescentes usam a tecnologia de formas que suas famílias considerariam alarmantes.

Uma coisa é clara: os pais precisam fazer muito mais perguntas à mesa de jantar sobre como seus filhos usam chatbots.

Há uma grave falta de comunicação sobre IA dentro das famílias, diz Monica Anderson, diretora-geral do Pew Research Center. "Essa não é uma conversa que esteja acontecendo com uma grande parcela dos pais", afirma.


Adolescentes se preocupam menos com a IA do que seus pais, mas muitos adultos nem sabem o que os jovens estão fazendo com a tecnologia — Foto: BBC News fonte
O Pew Research Center entrevistou 1.458 adolescentes americanos de 13 a 17 anos e seus pais. "Encontramos uma diferença entre o que os pais acreditam estar acontecendo com a IA e o que os adolescentes nos dizem que realmente fazem", diz Anderson.

Quando o Pew perguntou aos pais se seus filhos usam IA, apenas 51% responderam que sim. Na realidade, 64% dos adolescentes dizem usar chatbots.

A organização sem fins lucrativos Common Sense Media encontrou diferenças igualmente drásticas. Milhões de pais não sabem o que acontece nas telas de seus filhos.

Isso faz sentido porque, segundo o Pew, quatro em cada dez pais disseram nunca ter tido uma conversa com seus filhos sobre IA.

Esse é um grande problema, afirma Rachel Barr, professora de desenvolvimento infantil e chefe do departamento de psicologia da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos. "Isso me surpreende", diz Barr. As famílias deveriam lidar com a IA em conjunto, em vez de deixar os adolescentes resolverem isso sozinhos, afirma.

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Apoio emocional
Quando os estudos compararam o que os jovens estavam fazendo com as expectativas de seus pais, encontraram diferenças significativas. Parece que muitos adolescentes estão tomando decisões sobre IA por conta própria.

"Uma minoria significativa de crianças que têm acesso à IA está usando a tecnologia de formas sociais que podem deixar os pais desconfortáveis", diz Michael Robb, chefe de pesquisa do Common Sense.

Entre todas as preocupações dos pais sobre o que seus filhos fazem com chatbots, a busca por companhia se destacou.

Segundo o Pew, 58% dos pais americanos disseram não se sentir confortáveis com seus filhos adolescentes usando IA para apoio emocional, e outros 20% disseram não ter certeza. Mas isso está acontecendo.

"Às vezes eu conto para a IA algo sobre como estou me sentindo, ou sobre alguma situação que pode ter acontecido comigo. E ela me responde colocando a situação em perspectiva ou [explicando] a melhor forma de lidar com a situação", diz Joseph.

"Ela pode, sim, oferecer apoio emocional, mas, claro, é um robô."

Os adolescentes com quem conversei sobre isso são mais conscientes do que se poderia imaginar. Joseph, por exemplo, diz reconhecer que a IA pode estar apenas dizendo o que ela quer ouvir e, por isso, encara os conselhos com cautela.

Ainda assim, a maioria deles, incluindo Joseph, afirma que usar a IA para aconselhamento ou companhia pode ir longe demais.

Vários mencionaram o caso de um garoto de 14 anos que tirou a própria vida após conversas obsessivas com um chatbot.

"Um dos meus amigos, em determinado momento, falava com a IA o tempo todo", diz Kingston Rieben, 16, de San Diego, Califórnia, nos Estados Unidos.

"Às vezes estávamos sentados juntos e o ouvíamos rindo ao nosso lado, digitando coisas no celular."


sem descrição — Foto: BBC News fonte
Quando o Pew perguntou a adolescentes nos EUA sobre IA, 12% disseram usá-la para aconselhamento ou apoio emocional, e 16% afirmaram utilizá-la para conversas informais.

Essas proporções podem parecer pequenas, mas ainda assim representam milhões de crianças em todo o país, se a pesquisa for representativa. E há grandes disparidades raciais.

Segundo o estudo, 21% dos adolescentes negros usam IA para apoio emocional, em comparação com 13% dos adolescentes hispânicos e 8% dos adolescentes brancos. (Não havia adolescentes asiáticos suficientes na pesquisa para permitir uma análise separada.)

"Também vemos muitas evidências, a partir de regressões e outras análises, de que a raça se destaca por si só, mesmo quando controlamos outros fatores, como renda", diz Anderson.

O estudo do Pew não abordou as razões para essas diferenças. Barr, da Universidade de Georgetown, sugere que adolescentes com menos redes de apoio podem recorrer à IA como recurso por ser tão acessível, mas afirma que é impossível saber com certeza sem mais pesquisas.

Enquanto os chatbots estiverem disponíveis no mercado, é provável que as pessoas passem a usá-los como amigos e terapeutas. A Associação Americana de Psicologia oferece um guia para pais cujos filhos adolescentes recorrem a chatbots.

Entre as principais recomendações, está a de fazer perguntas em vez de dar sermões e observar sinais de alerta de que os adolescentes estão usando a IA de formas que substituem a interação humana.

Os sinais de uso problemático de IA em adolescentes podem incluir:

• Eles descreverem a IA como sua "melhor amiga" ou principal confidente;

• Ficarem arrasados ​​quando não conseguem acessá-la;

• O desempenho escolar, o sono ou as amizades verdadeiras apresentam piora;

• Usam a IA para evitar conversas difíceis;

• Mudanças notáveis ​​no humor, comportamento ou pensamento.

É recomendado procurar ajuda imediatamente se alguém estiver usando a IA para discutir automutilação, depressão grave ou crises de saúde mental, segundo as recomendações da Associação Americana de Psicologia.

Trabalho e lazer
Entre os adolescentes, alguns dos usos mais comuns da IA são os que se poderia esperar. "Eu geralmente uso para estudar", diz Eloise Chu, de 13 anos, de Chatham, em Nova Jersey, nos Estados Unidos.

"Tipo, se tenho uma prova de matemática, coloco um problema que não sei resolver para que ela gere mais questões, assim posso treinar."

Segundo o Pew, o principal uso da IA entre adolescentes é simplesmente buscar informações (como se fazia no Google antigamente, quando eu era adolescente).

Em seguida, vem a ajuda com tarefas escolares. Cerca de metade dos adolescentes nos Estados Unidos afirma usar a IA para pesquisa, e muitos a utilizam para auxílio em matemática e redação.

Um em cada dez adolescentes diz fazer todo ou a maior parte do dever de casa com ajuda da IA. Muitos dos adolescentes com quem conversei afirmam que seus professores incentivam ativamente o uso da tecnologia, com restrições para garantir que ela não prejudique o aprendizado.


sem descrição — Foto: BBC News fonte
Quase nenhum dos adolescentes com quem conversei admite colar com o uso de IA. No entanto, quando se pergunta sobre outros estudantes, o quadro é bem diferente — 59% dos adolescentes disseram ao Pew Research Center que alunos em suas escolas usam IA para colar, enquanto 34% afirmaram que isso acontece com uma certa ou muita frequência.

"Já tive colegas que literalmente gritam com o professor: 'Ei, se você não vier responder minha pergunta, eu vou usar a IA para fazer isso por mim'", diz Rieben.

Cash, seu irmão de 14 anos, tem relatos semelhantes. "Na aula de ciências, tivemos que pesquisar um tema e escrever sobre ele, e um dos alunos da minha mesa simplesmente copiou tudo o que a IA disse", afirma. "Mas depois ele não conseguia ler a própria letra e nem lembrava o que tinha escrito."

Mas não é só estudo e cola: 47% dos adolescentes americanos disseram usar a IA para entretenimento. Chu, por exemplo, afirma que se diverte bastante usando IA para gerar imagens de pinguins e panquecas, duas de suas coisas favoritas. Prometi a ela que tentaria fazer o mesmo. Posso dizer que é tão bom quanto ela descreveu.

Conflitos de percepção
Algumas das maiores diferenças apontadas no estudo dizem respeito a como pais e adolescentes encaram a IA — e nem tudo são más notícias. Há uma grande divisão geracional, e existem boas razões para otimismo, desde que se aceite que os jovens não são completamente alheios ao tema.

Segundo um estudo do Common Sense Media, 52% dos pais dizem que usar a IA em trabalhos escolares é "antiético e deveria ter consequências".

Mas, ao perguntar aos adolescentes, exatamente o mesmo percentual afirma que usar a IA para tarefas escolares é "inovador e deveria ser incentivado".

Ou os jovens estão deixando passar algo, ou os pais estão.

"Sinto que os adultos podem achar que as crianças só usam IA de forma inadequada, para colar nas tarefas e coisas assim", diz Chu.

"Não acho que a maioria faça isso." (A mãe de Chu disse que se sente confortável com a forma como seus filhos usam IA.)

Mas, de modo geral, os adolescentes parecem mais à vontade com as ferramentas.

A Common Sense Media constatou que 92% dos jovens dizem conseguir distinguir quando estão interagindo com um sistema de IA ou com um ser humano, em comparação com 73% dos pais.

Segundo o Pew Research Center, quase seis em cada dez adolescentes afirmam estar confiantes em sua capacidade de usar chatbots, e um quarto disse estar muito ou extremamente confiante.

"As crianças costumam estar na linha de frente das novas tecnologias e se sentem mais confortáveis em testar os limites do que essas tecnologias podem fazer", afirma Robb.

A maioria dos adolescentes não compartilha a visão catastrófica sobre IA que preocupa muitos adultos. Quando questionados pelo Pew Research Center, 36% disseram esperar que a IA tenha um impacto positivo em suas vidas no longo prazo, e apenas 15% preveem um impacto negativo.

Os pais não precisam ter todas as respostas, diz Robb, mas precisam começar a fazer perguntas. "Não há problema em pedir aos seus filhos que mostrem como estão usando a IA em suas vidas", afirma. "No mínimo, isso já abre espaço para uma conversa."
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April 14, 2:54 PM
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Supremo Tribunal Federal

A Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenem) ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) em que contesta a metodologia de punições decorrentes da inclusão de fatores de risco psicossociais no ambiente de trabalho em norma regulamentadora (NR) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1316 foi distribuída ao ministro André Mendonça. 

A NR-1 trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A alteração, que passa a vigorar em 25/5, adiciona os fatores psicossociais ao inventário de riscos ocupacionais, ao lado dos já reconhecidos riscos físicos, químicos, biológicos, de acidentes e ergonômicos. De acordo com o MTE, os fatores psicossociais estão ligados à maneira como as atividades são planejadas, organizadas e executadas. Quando não são bem conduzidas, elas podem prejudicar a saúde mental, física e social dos trabalhadores. Exemplos incluem metas impossíveis de cumprir, excesso de trabalho, assédio moral, falta de apoio dos chefes, tarefas repetitivas ou solitárias, desequilíbrio entre esforço e recompensa e falhas na comunicação. 
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April 14, 2:52 PM
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Evento vai orientar municípios sobre BNCC Computação —

Evento vai orientar municípios sobre BNCC Computação — | Inovação Educacional | Scoop.it
A iniciativa busca preparar os profissionais para o período de comprovação da Condicionalidade V da complementação Valor Aluno Ano Redução de Desigualdades (VAAR) do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). 

Essa condicionalidade exige que redes de ensino municipais, estaduais e do Distrito Federal possuam referenciais curriculares alinhados à BNCC e que, a partir de agora, incluam as competências previstas em seu complemento, nos eixos de pensamento computacional, mundo digital e cultura digital. A comprovação deve ser feita no Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do Ministério da Educação (Simec) para habilitar o recebimento dos recursos, com foco na atualização curricular. 

A medida busca garantir que os estudantes desenvolvam competências, habilidades e conhecimentos específicos essenciais para compreender, utilizar e conviver com as tecnologias de forma crítica, ética e responsável, fortalecendo o direito à aprendizagem no mundo digital. A implementação das diretrizes é obrigatória e deve ser feita em regime de colaboração entre estados e municípios. 

Para apoiar esse processo, o MEC vem atuando, desde 2023, por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), que articula ações de conectividade, currículo, formação docente e apoio pedagógico às redes de ensino. Entre as iniciativas, destacam-se a assessoria técnica aos estados e municípios, a oferta de cursos de educação digital e midiática na plataforma AVAMEC e a disponibilização de materiais orientadores para atualização curricular. 

Fundeb – O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação é composto por recursos provenientes de impostos e transferências constitucionais dos entes federados vinculados à educação, bem como da União, por meio das complementações VAAR, Valor Aluno-Ano Fundeb (VAAF) e Valor Aluno-Ano Total (VAAT). Todo o Fundeb está voltado, de algum modo, para a redução das desigualdades. 
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April 14, 2:43 PM
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ECA Digital entra em vigor - MIT Technology Review

ECA Digital entra em vigor - MIT Technology Review | Inovação Educacional | Scoop.it
A partir disso, o tema ganha sua dimensão mais tecnológica. O ECA Digital obriga lojas de apps e sistemas operacionais a adotarem medidas proporcionais, auditáveis e tecnicamente seguras para aferir idade ou faixa etária, além de prever APIs para o envio de sinal de idade com minimização de dados. Também veta o uso de técnicas de criação de perfis de usuários para publicidade comercial direcionada a menores e proíbe o emprego de análise emocional, realidade aumentada, realidade estendida e realidade virtual para direcionamento de anúncios. Em outras palavras, a regulação saiu do campo abstrato e ganhou força para interferir nos algoritmos e na Inteligência Artificial.
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April 14, 2:31 PM
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Enem passa a compor Saeb e vai medir a qualidade do ensino no Brasil

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será usado para avaliar a educação brasileira. As provas anuais que, tradicionalmente, servem como principal porta de entrada na educação superior no Brasil, passam a ter a função de avaliar as competências e habilidades esperadas para o fim da educação básica.

A alteração nas atribuições do exame está no decreto presidencial 12.915   assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta segunda-feira (30), em Brasília, e publicado na edição do Diário Oficial da União desta terça-feira (31).
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