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March 31, 2:31 PM
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MEC lança novo caderno temático de Educação em Direitos Humanos

MEC lança novo caderno temático de Educação em Direitos Humanos | Inovação Educacional | Scoop.it
O Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), lançou o quarto caderno da Coleção Educação em Direitos Humanos: O Papel da Escola no Enfrentamento à Violência Contra Meninas e Mulheres.  


O material aponta um conjunto de reflexões e recomendações que colocam em diálogo a legislação brasileira sobre os direitos de mulheres e meninas, além do papel da escola no contexto da epidemia das violências contra esse segmento populacional no Brasil e no mundo. 
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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Governo quer Enem obrigatório para avaliar educação básica

Governo quer Enem obrigatório para avaliar educação básica | Inovação Educacional | Scoop.it

O MEC (Ministério da Educação) planeja tornar o Enem obrigatório a todos os estudantes concluintes do ensino médio público após definir o uso do exame como parte do sistema de avaliação da educação básica.
A decisão de integrar o Enem ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) foi oficializada em portaria publicada no Diário Oficial de terça-feira (31). A equipe do ministro Camilo Santana ainda não fechou, no entanto, os detalhes técnicos de como isso vai ocorrer —e há muitos desafios.

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April 1, 3:53 PM
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Endividamento das famílias se aproxima da máxima histórica, diz BC

Endividamento das famílias se aproxima da máxima histórica, diz BC | Inovação Educacional | Scoop.it
Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias se aproxima da máxima histórica. O nível foi de 49,7% em janeiro, levemente atrás de julho de 2022, quando atingiu 49,9%, o pico da série estatística, iniciada em janeiro de 2005.

O Banco Central calcula o nível de endividamento das famílias com base na RNDBF (Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias). O indicador mede a disponibilidade do dinheiro nas mãos da população brasileira. É como um termômetro que mede a força do bolso das famílias.
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April 1, 2:34 PM
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A IA só copia, ou também cria?

A IA só copia, ou também cria? | Inovação Educacional | Scoop.it

Contei aqui como o modelo Claude de inteligência artificial resolveu sozinho um problema matemático em que o cientista da computação Don Knuth vinha trabalhando. Conhecemos os passos do raciocínio porque Claude recebeu instruções taxativas: "Após toda tentativa, atualize o arquivo de documentação imediatamente, antes de fazer qualquer outra coisa. Sem exceções. Não comece nova tentativa até que a anterior esteja completamente anotada".
Vale a pena ler a impressão de Knuth. "O plano de ataque de Claude era extraordinário. Primeiro, ele reformulou o problema e tentou uma solução simples. Na segunda rodada, usou uma abordagem força bruta. Na terceira, tentou algo que apelidou ‘análise serpentina 2D’. Verdadeiramente impressionante!" Detalhe curioso: "Volta e meia, Claude esquecia as instruções e tinha que ser lembrado de que precisava anotar tudo cuidadosamente". Igualzinho a certos estudantes de doutorado!
"Na quinta tentativa, Claude encontrou alguns ciclos, mas não funcionaram. De volta à estaca zero!", prossegue Knuth. Nada promissor acontece até a 15ª rodada, quando Claude descobre a ideia crucial de ‘decomposição fibrada’. Na 25ª tentativa a coisa parece mal parada, e o próprio Claude anota: "Esta abordagem consegue encontrar soluções, mas não é capaz de produzir uma construção geral. Preciso de matemática pura" (!!). E continua nesse tom até a 31ª rodada, quando alcança enfim a solução.
Mas será que conseguiu realmente sozinho? Como sabemos que a solução não estava, de algum modo, contida nos dados (gerados por humanos) usados para treinar a IA?
Um mês e pouco atrás, 11 destacados matemáticos, incluindo o ganhador da medalha Fields Martin Hairer, formularam a questão assim: "Embora os sistemas comerciais de IA já constituam, sem dúvida, ferramentas úteis para matemáticos, ainda não está claro em que ponto eles estão quanto à resolução autônoma de problemas matemáticos de pesquisa, sem a intervenção de um especialista humano".
Para dirimir a dúvida, os membros do grupo selecionaram em seus próprios trabalhos dez problemas muito diversos "que surgiram naturalmente na pesquisa de matemáticos, foram resolvidas por eles, mas ainda não foram publicados na internet". Esses problemas foram listados no artigo "First Proof", publicado online em 5 de fevereiro, com prazo até 13 de fevereiro para apresentação das soluções.
O melhor desempenho entre as IAs testadas foi do agente Aletheia, baseado no modelo Gemini 3 DeepThink da Google DeepMind: Aletheia resolveu seis dos problemas (números 2, 5, 7, 8, 9,10) de maneira autônoma, sem participação humana. Juntas, as IAs testadas no desafio resolveram quase todos os problemas na lista!
Fazer pesquisa matemática é mais do que resolver problemas inéditos: definir novos conceitos, formular perguntas e conjecturas, desenvolver novas teorias, tudo isso é igualmente importante, talvez mais. Mas experimentos como estes, e outros que continuarei comentando aqui, demonstram claramente que a inteligência artificial já é, no mínimo, um poderoso acelerador do avanço na área. E está ficando complicado insistir que a IA não é capaz de criar. 

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April 1, 9:23 AM
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OpenAI fecha Sora e pausa modo adulto do ChatGPT

A OpenAI decidiu encerrar o Sora, seu aplicativo de criação de vídeos por IA, e também colocou na geladeira o plano de um "modo adulto" no ChatGPT. Por trás do "cavalo de pau" está uma mistura de conta que não fecha, risco jurídico e uma disputa cada vez mais dura por clientes pagantes - com a empresa tentando trocar barulho de internet por produtos que deem retorno.

O que aconteceu
*OpenAI anunciou que vai descontinuar o Sora, aplicativo de geração de vídeos por inteligência artificial, e disse que não vai levar a criação de vídeos para dentro do app do ChatGPT.

*Segundo apuração do Wall Street Journal, o Sora teria feito a OpenAI queimar "cerca de US$ 1 milhão por dia" para manter a operação.

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*Sora foi apresentado em fevereiro de 2024 e só chegou ao público em dezembro daquele ano, permitindo criar vídeos curtos e realistas a partir de texto.

*OpenAI também encerrou a parceria de conteúdo com a Disney, que previa licenciar mais de 200 personagens e um investimento de US$ 1 bilhão; o WSJ aponta que até executivos da Disney foram pegos de surpresa com o fim do Sora, tendo sido avisados uma hora antes do anúncio.

*Empresa afirmou que vai redirecionar esforços para outras frentes, como robótica, usando aprendizados da tecnologia de vídeo para treinar sistemas que ajudem em tarefas físicas do mundo real.

*Em paralelo, a OpenAI pausou "por tempo indeterminado" o desenvolvimento de um "modo erótico" no ChatGPT, segundo o Financial Times.

*Nos bastidores, a OpenAI também recuou de outras apostas para consumidor, como a ideia de transformar o ChatGPT em um "caixa" que finaliza compras em lojas online, de acordo com o TechCrunch.

A visão desta coluna
*Anúncios mostram uma guinada forte estratégica da OpenAI: antes focada em "fazer barulho" com consumidores, agora vê o acirramento das "guerra das IAs" a obrigar a ser mais cautelosa.

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*Rival Claude, da Anthropic, tem cada vez mais adeptos fiéis principalmente entre programadores e no mundo corporativo. A conquista de terreno do chatbot - em um mercado onde o dinheiro de grandes empresas jorra - faz a OpenAI a sair do posto de soberana da IA e evitar excessos.

*É bom deixar claro que o ChatGPT ainda lidera (com muita folga) como a IA mais usada no mundo e isso não deve mudar tão cedo. Contudo, a OpenAI gasta horrores com infraestrutura, está muito distante de ser lucrativa e parece tomar decisões de negócio mais apropriadas para quem, dizem, está em vias de fazer um IPO (oferecer ações na bolsa).

*Isso pode significar menos produtos destinados a usuários comuns (como fazer vídeos ou fotos) no ChatGPT, com outros players dominando esse mercado. Boa notícia para o Google, que tem o Nano Banana e o Veo como principais produtos de imagem e vídeo, respectivamente (e mais grana para queimar com isso).

O que o mundo está dizendo sobre isso
O fechamento do Sora é o maior sinal até agora de que a OpenAI está saindo de apostas chamativas para o grande público e indo para uma estratégia mais prática, com os pés no chão, voltada a negócios.
Axios

A decisão de abandonar o conteúdo pornográfico sugere que a empresa está buscando estratégias de negócios mais viáveis, enquanto continua a queimar bilhões de dólares a cada trimestre.
Futurism

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Se esses movimentos recentes dizem alguma coisa, o futuro da IA provavelmente tem menos a ver com pornô e memes - e mais com negócios e guerra.
TechCrunch

A parte mais estranha dessa história é a Disney ter sido pega de surpresa, o que é um jeito bem esquisito de lidar com uma parceria potencial de US$ 1 bilhão com uma das maiores empresas de mídia do planeta.
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March 31, 2:31 PM
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MEC lança novo caderno temático de Educação em Direitos Humanos

MEC lança novo caderno temático de Educação em Direitos Humanos | Inovação Educacional | Scoop.it
O Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), lançou o quarto caderno da Coleção Educação em Direitos Humanos: O Papel da Escola no Enfrentamento à Violência Contra Meninas e Mulheres.  


O material aponta um conjunto de reflexões e recomendações que colocam em diálogo a legislação brasileira sobre os direitos de mulheres e meninas, além do papel da escola no contexto da epidemia das violências contra esse segmento populacional no Brasil e no mundo. 
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March 31, 8:55 AM
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A lanterna de Diógenes e o autoexame do pesquisador: integridade científica sob pressão

Diógenes de Sinope caminhava pelas ruas de Atenas, em plena luz do dia, carregando uma lanterna. Quando perguntado sobre o que procurava, respondia: “Procuro um homem virtuoso.” A cena era absurda e deliberadamente absurda. A lanterna não servia para encontrar ninguém no escuro. Servia para expor o que a luz do dia, por si só, não revelava: que a virtude é rara, mesmo quando pode ser observada.

Nas recentes discussões sobre o impacto do avanço da tecnologia na ciência, foi explorado o que acontece quando a tecnologia oferece ao pesquisador a possibilidade de agir sem ser visto. No anel de Giges1,discutimos como a Inteligência Artificial (IA) cria uma forma contemporânea de invisibilidade a capacidade de utilizar ferramentas que produzem resultados indistinguíveis do trabalho humano, sem que ninguém detecte a substituição. Na perspectiva maiêutica2, propusemos uma distinção entre o uso extrativista da IA (como oráculo que fornece respostas prontas) e o uso dialógico (como parteira que auxilia a gestação de ideias que já pertencem ao pesquisador). No dilema do professor3, examinamos a tensão entre ensinar o atalho que engaja e o processo que forma.

Cada um desses textos tratou de condições externas, da tecnologia, da ferramenta e do sistema de ensino. Porém, existe uma pergunta que ainda não fizemos: e quando a lanterna se volta para dentro? Quando o escrutínio não é do revisor, do editor ou do comitê de ética, mas do próprio pesquisador diante de si mesmo?

Diógenes nos obriga a enfrentar essa pergunta difícil. Porque a provocação cínica não era dirigida aos outros. Era um espelho. O filósofo que procurava um homem virtuoso estava, antes de tudo, testando se alguém suportaria a luz.
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March 31, 8:53 AM
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[ECA Digital] Abertura | Áudio Português

Acompanhe a partir das 8h45 (horário de Brasília), do dia 18 de março de 2026, a transmissão da "Abertura" do evento ECA Digital - Proteção de Crianças e Adolescentes: Perspectivas Globais e Multissetoriais para a Implementação da Lei. O evento será realizado pelo CGI.br e NIC.br, em Brasília/DF.
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March 31, 8:43 AM
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UNESCO-UNICEF-ITU Charter for Public Digital Learning Platforms

UN guidance to ensure that public needs and public purposes steer the development of digital learning platforms
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March 31, 8:42 AM
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Para Rana el Kaliouby, IA deve ampliar capacidades humanas – não substituí-las

Para Rana el Kaliouby, IA deve ampliar capacidades humanas – não substituí-las | Inovação Educacional | Scoop.it

A corrida global pela inteligência artificial costuma ser descrita como uma disputa tecnológica entre empresas e países. Para a cientista e investidora Rana el Kaliouby, porém, a questão mais importante é outra: qual será o papel dos humanos nesse novo sistema tecnológico.
Durante sua palestra no SXSW 2026, em Austin, Kaliouby defendeu que o desenvolvimento da IA precisa ser guiado por um princípio central: manter as pessoas no centro da tecnologia. Em vez de substituir trabalhadores ou reduzir o espaço da criatividade humana, a inteligência artificial deveria ampliar as capacidades das pessoas.
“A IA não deve substituir nossas capacidades. Ela deve ampliá-las”, afirmou. Cofundadora da startup Affectiva, Kaliouby construiu sua carreira investigando como máquinas podem interpretar emoções humanas por meio de expressões faciais, gestos e outros sinais não verbais. Hoje, ela atua como investidora na Blue Tulip Ventures, fundo que financia startups de inteligência artificial em estágio inicial.
Ao olhar para o avanço recente da tecnologia, ela identifica um desequilíbrio: a indústria tem investido intensamente em desenvolver a capacidade cognitiva das máquinas, mas ainda negligencia aspectos sociais e emocionais da inteligência.
“Para chegar à verdadeira inteligência artificial geral, precisamos que as máquinas tenham inteligência emocional e social”, disse. Segundo ela, isso reflete a forma como os sistemas estão sendo construídos. Grande parte dos modelos de IA se concentra em interpretar linguagem e dados estruturados, aquilo que os humanos dizem explicitamente. O problema é que a maior parte da comunicação humana acontece fora das palavras.
“Apenas 7% da comunicação está nas palavras que usamos. Cerca de 93% é não verbal, como expressões faciais, gestos, linguagem corporal.”
Para Kaliouby, essa dimensão ainda está amplamente ausente no desenvolvimento da inteligência artificial. O resultado são sistemas altamente funcionais, mas muitas vezes incapazes de interagir de forma natural com pessoas.
Ela usou como exemplo o avanço recente da robótica humanoide. Embora os robôs sejam cada vez mais capazes de executar tarefas domésticas ou industriais, muitos ainda parecem distantes da realidade social em que serão inseridos.
“As empresas estão obcecadas com a funcionalidade. Mas quase não pensam em como essas tecnologias vão interagir com humanos no mundo real”, disse. “Eu não gostaria de ter muitos desses robôs na minha casa.”
A defesa de uma IA mais humana também se conecta com a própria trajetória da pesquisadora. Nascida no Egito, Kaliouby cresceu em uma família profundamente ligada à tecnologia. Seu pai ensinava programação nos anos 1970 e sua mãe foi uma das primeiras mulheres programadoras do Oriente Médio.
Desde cedo, tecnologia e vida cotidiana estavam entrelaçadas. Em casa, ela lembra de passar horas jogando videogame com as irmãs em um console Atari, experiências que, segundo ela, ajudaram a formar uma visão particular sobre tecnologia.
“Uma pergunta que sempre guiou meu trabalho é: como podemos construir tecnologias que aproximam as pessoas, em vez de isolá-las?”
Essa tensão entre conexão humana e tecnologia aparece também dentro de sua própria casa. Durante a palestra, Kaliouby contou que seus dois filhos representam visões opostas sobre a relação com a inteligência artificial.
Seu filho, de 17 anos, explora intensamente novas ferramentas de IA e frequentemente apresenta à mãe aplicações que ela ainda não conhecia. Em um de seus projetos recentes, ele usou inteligência artificial para traduzir diários manuscritos de trabalhadores egípcios da década de 1930.
Já sua filha segue na direção oposta. Recém-formada em Harvard em antropologia alimentar, ela criou um espaço cultural que promove encontros presenciais, leituras, oficinas e debates, uma tentativa deliberada de fortalecer conexões humanas fora do ambiente digital.
“Na nossa mesa de jantar, você vê os dois lados da sociedade atual”, disse Kaliouby. “Precisamos abraçar a IA. Mas também precisamos proteger nossas conexões humanas”, disse. “Acredito que a colaboração, tanto com outras pessoas quanto com máquinas, será uma habilidade essencial.”
Investimentos
Na Blue Tulip Ventures, seu fundo de investimento, a estratégia é apoiar startups que utilizam IA para transformar setores específicos da economia. O portfólio se concentra principalmente em três áreas.
A primeira é saúde e longevidade, com tecnologias que combinam sensores, dados e inteligência artificial para melhorar diagnósticos e tratamentos. A segunda é o futuro do trabalho, incluindo ferramentas de automação e sistemas de agentes inteligentes para empresas. A terceira envolve sustentabilidade, com aplicações ligadas a clima, energia e sistemas alimentares.
Outro ponto central na visão da investidora é o papel dos dados na nova economia da IA. Com muitos modelos sendo treinados sobre conjuntos semelhantes de dados públicos, o acesso a informações exclusivas pode se tornar um diferencial competitivo importante.
Mas, para Kaliouby, um dos maiores riscos do atual ciclo tecnológico é social. A criação de startups e investimentos em inteligência artificial ainda é dominada por um grupo relativamente homogêneo, especialmente homens.
Se esse padrão continuar, ela argumenta, a nova economia da IA pode aprofundar desigualdades. “Se mulheres ficarem de fora da criação dessas empresas e do financiamento dessas startups, vamos ampliar ainda mais a disparidade. Precisamos humanizar a tecnologia antes que ela nos desumanize.”

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March 31, 8:39 AM
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Editoras e startups europeias pedem que UE aplique multa ao Google por problemas em buscas | Empresas

Editoras e startups europeias pedem que UE aplique multa ao Google por problemas em buscas | Empresas | Inovação Educacional | Scoop.it
Essa iniciativa evidencia as tensões dentro do bloco sobre o complexo equilíbrio da regulamentação das grandes empresas de tecnologia, com confrontos frequentes entre Washington e Bruxelas
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March 30, 7:12 AM
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Programa estimula alunos de pós-graduação a desenvolver pesquisas nas empresas : Revista Pesquisa Fapesp

Programa estimula alunos de pós-graduação a desenvolver pesquisas nas empresas : Revista Pesquisa Fapesp | Inovação Educacional | Scoop.it
Bolsas para inovação do CNPq, com orientador acadêmico e supervisor na indústria, desafiam estudantes a resolver problemas concretos
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March 30, 6:52 AM
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Carta de recomendação : Revista Pesquisa Fapesp

Carta de recomendação : Revista Pesquisa Fapesp | Inovação Educacional | Scoop.it
sde 21 de janeiro, o tradicional servidor de preprints arXiv impôs uma exigência extra para pesquisadores que submetem um manuscrito pela primeira vez ao repositório. Agora é necessário que o novato apresente o endosso de um autor de sua mesma área do conhecimento que já seja consagrado no arXiv. Até então, era possível publicar trabalhos no repositório sem esse tipo de carta de recomendação. Bastava ter um endereço de e-mail vinculado a uma instituição de pesquisa reconhecida.
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Today, 4:03 PM
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Publisher da Folha anuncia acordo com empresa de IA 

Publisher da Folha anuncia acordo com empresa de IA  | Inovação Educacional | Scoop.it
publisher da Folha e presidente do Conselho de Administração do Grupo UOL, Luiz Frias, disse na noite desta segunda-feira (30) que está prestes a fechar um acordo de licenciamento de conteúdo com uma empresa de inteligência artificial. Mas não revelou o nome da companhia.

Frias deu a declaração durante uma gravação ao vivo do programa A Hora, no Festival UOL Prime de Jornalismo. Ele e o diretor de conteúdo do UOL, Murilo Garavello, foram entrevistados pelos jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo no auditório da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), em São Paulo. O evento fez parte das celebrações de 30 anos do portal.


Da esq. para a dir: a jornalista Thais Bilenky, o publisher da Folha, Luiz Frias, o diretor de conteúdo do UOL, Murilo Garavello, e o jornalista José Roberto de Toledo, em gravação do programa A Hora, no Festival UOL Prime de Jornalismo - Mariana Pekin/Uol
"Parece que estamos assinando um contrato de conteúdo com… Posso dizer ou não posso dizer? Em vias de acertar um contrato de conteúdo com [uma empresa de] IA", afirmou Frias, o que fez Toledo insistir em saber mais detalhes.

"Assim que assinarmos, vocês vão ser os primeiros a saber", emendou.

A revelação veio assim que a inteligência artificial foi mencionada pela primeira vez, e o tema monopolizou quase toda a conversa entre o empresário e os jornalistas. A Folha já tem um acordo de conteúdo com outra empresa de IA.

Frias disse haver um "consenso praticamente estabelecido" de que a transformação trazida por essa tecnologia será maior do que a Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, ou o aparecimento da própria linguagem.

"Outro consenso também já bastante estabelecido é que, pela dimensão dessa transformação, ela precisa ser abraçada com muitos cuidados", disse.

Para Frias, a importância do conteúdo jornalístico para as empresas de IA —no treinamento de seus modelos de linguagem, por exemplo— é um indicador de que esse conteúdo não vai desaparecer na era da nova tecnologia.

"Ficaria preocupado se [essas empresas] não quisessem firmar contratos como esse a que me referi há pouco", disse. "A IA tem que trabalhar sobre uma gigantesca base de dados e uma capacidade de processamento também gigantesca. E ela se alimenta muito do jornalismo profissional. E o jornalismo continua investigando, fazendo as perguntas embaraçosas… Ou deveria."

A apropriação do conteúdo jornalístico por empresas de IA é um dos debates mais acalorados do mercado de mídia mundial. E há duas frentes de embate. Em primeiro lugar, está a apropriação de conteúdo jornalístico para treinar modelos de linguagem sem pagar por isso. Em segundo, vem o fato de os chatbots terem potencial para substituir os mecanismos de busca —o que faz soar o alerta para o modelo de negócios do jornalismo.

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O confronto entre empresas de IA e veículos de imprensa tem levado a disputas judiciais pelo mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o The New York Times processa a OpenAI pelo uso de seus textos sem autorização pelo ChatGPT. Em agosto do ano passado, no Brasil, a Folha iniciou uma ação semelhante, requerendo que a dona do chatbot pare de coletar e usar, sem autorização e pagamento, o conteúdo do jornal.

Frias alertou que vê as ações judiciais como uma ferramenta importante quando houver uso indevido de conteúdo das empresas do Grupo Folha.

"Não é possível que uma tecnologia se aproprie de um conteúdo que custa caro para ser feito e o utilize para fins comerciais", afirmou.

O publisher reconheceu que a nova tecnologia vai forçar as empresas de mídia a passar por adaptações semelhantes às da época do surgimento do Google. Os mecanismos de busca, afinal, oferecem links e levam tráfego para os veículos de mídia, que podem monetizar a audiência. Já os chatbots entregam o conteúdo completo na sua própria interface.


"Não temos resposta sobre tudo o que vai acontecer e não sabemos direito a profundidade dessas mudanças. Mas a capacidade de se adaptar a elas vai ser fundamental", disse Frias.

Na entrevista ao videocast do UOL, o publisher da Folha também mostrou sua visão de como a IA deve ser usada pelos jornalistas —sem substituir o julgamento final de um profissional de imprensa.

"Percebemos a tecnologia como uma ferramenta, deve ser usada para ajudar em pesquisa, no manuseio de dados volumosos. Mas ela não deve substituir o discernimento do jornalista sobre o que está escrevendo nem a revisão final do jornalismo", afirmou.

Diante do debate sobre as mudanças no mercado de trabalho, tema recorrente quando se fala de IA, Frias disse acreditar que dois traços fundamentalmente humanos serão cruciais nos empregos do futuro: resiliência e adaptabilidade.

"A própria história do ser vivo no planeta mostra que a resiliência é um atributo sobretudo humano. E, quanto à adaptabilidade, Darwin dizia que quem sobrevive não é o mais forte ou o mais inteligente, mas aquele que se adapta melhor às mudanças. Isso vale para a espécie humana."

Frias também se mostrou cauteloso nas apostas quanto à nova tecnologia e seus efeitos no mercado de trabalho. Apesar dos discursos de magnatas do Vale do Silício, ressaltou, a adoção corporativa da IA pode ser mais vagarosa.

"No caso do emprego, quem contrata e investe são as empresas. Elas costumam ser mais cautelosas e avessas ao risco do que o público em geral. Essa mudança será feita com essa ressalva. As empresas têm um cuidado maior com segurança. Vai acontecer, mas talvez não na velocidade prevista pelo Elon Musk."

O publisher concluiu sua fala com uma aposta sobre o futuro: para ele, "as coisas mais importantes" vão ser aquelas que o ser humano julgar como tais. "E a capacidade de perceber o que de fato é importante talvez seja uma característica mais humana do que algo que a máquina possa superar."
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Today, 3:57 PM
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As universidades e o desafio da desigualdade social 

As universidades e o desafio da desigualdade social  | Inovação Educacional | Scoop.it

Desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos, a desigualdade tem sido uma marca das sociedades. Embora hoje esteja entre as prioridades de ação de muitos governos, ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas. Poucas nações encontraram caminhos capazes de construir sociedades mais igualitárias e com baixa vulnerabilidade socioeconômica.
Atualmente, a desigualdade é tema de debate em universidades de várias partes do mundo. No entanto, durante boa parte de sua história, essas instituições atenderam a um segmento específico da população, a elite econômica, contribuindo para a estratificação social. No Brasil, não foi diferente. As universidades chegaram tardiamente ao país. A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurgia da Bahia, surgiu em 1808, e o acesso ao ensino superior permaneceu, por muito tempo, restrito às elites.
Embora tardio, o Brasil adotou relativamente cedo o modelo de universidades públicas, em princípio abertas a todos. Na prática, porém, essas instituições continuaram acessíveis a uma parcela reduzida da sociedade, formada por jovens com boa escolarização básica, o que não correspondia à realidade da maior parte da população. Até meados do século 21, as universidades públicas eram poucas, e os cursos noturnos, quase inexistentes, dificultavam o acesso de pessoas de baixa renda que precisavam trabalhar.
Embora o sistema público de ensino superior tenha crescido na segunda metade do século 20, o padrão elitizado permaneceu. Foi apenas a partir da primeira década do século 21, com políticas como Sisu, Prouni, Fies e a Lei de Cotas, que houve ampliação do acesso de estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e egressos de escolas públicas, especialmente nas universidades públicas.
Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.
Apesar dos avanços, persistem barreiras importantes: a menor presença de estudantes socialmente vulneráveis nos cursos mais concorridos, como medicina, direito e engenharias; a limitação de recursos para políticas de permanência, como moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos; e as dificuldades adicionais de acesso e permanência em universidades de maior prestígio.
Embora ainda haja muito a avançar, as universidades públicas brasileiras têm sido referência, em escala global, na democratização do ensino superior e do conhecimento científico. Ainda assim, é momento de olhar com mais atenção para a estrutura acadêmica. Cursos e disciplinas precisam ser revistos e reinventados em diálogo com as políticas públicas, as novas tecnologias, a sustentabilidade e, sobretudo, a equidade social.

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April 1, 2:36 PM
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O Congresso fatura com a indignação moral 

O Congresso fatura com a indignação moral  | Inovação Educacional | Scoop.it

A política brasileira atravessa um processo de transformação que, apesar de barulhento e exaustivo, pode passar despercebido. Não se trata apenas da radicalização do debate público nem da intensificação das disputas ideológicas. O que está em curso é algo mais complicado: a política parlamentar passou a viver de ondas de indignação moral.
Não por acaso, nos últimos anos, aprendemos a reconhecer esse fenômeno nas redes sociais. Plataformas digitais passaram a premiar conteúdos que despertam indignação, convocam juízos morais extremos e se baseiam em uma classificação nítida entre bons e maus. Nada engaja mais —nem estimula tanto a produção de conteúdo— do que uma boa revolta moral.
O que talvez ainda não tenhamos formulado com suficiente clareza é que essa lógica transbordou das redes e passou a organizar também a política institucional. O Parlamento —que deveria operar como espaço de deliberação e negociação— passou a mimetizar o padrão de interação das plataformas digitais. O governo também.
A dinâmica é reconhecível. Em vez de discutir políticas públicas, intervenções governamentais ou projetos de lei em termos de consequências e prioridades, o debate se organiza como uma competição moral. O adversário, evidentemente, não é alguém de quem se discorda, mas alguém que encarna o erro ou a perversidade.
Os episódios recentes no Congresso são ilustrativos. A criminalização da misoginia, o debate em torno da representação de Erika Hilton, a tipificação do vicaricídio, a acusação feita por dois senadores contra o relator da CPI do INSS de estupro de vulnerável e tentativa de suborno —todos esses casos compartilham uma mesma estrutura. Não são apenas controvérsias políticas, mas um conjunto de "performances de virtude".
A pesquisa recente tem dado nome a esse fenômeno: ostentação moral ("moral grandstanding"). Trata-se do uso da retórica moral como instrumento de afirmação pública da própria virtude. E ele opera em duas direções complementares. De um lado, a busca de prestígio: apresentar-se como mais justo, mais sensível, mais comprometido do que os demais, conquistando admiração dentro do próprio campo. De outro, a busca de dominância: constranger, desqualificar e expor o adversário como moralmente inferior, afirmando superioridade por meio da humilhação pública.
Essas duas lógicas estruturam o comportamento parlamentar contemporâneo. Discursos em plenários ou comissões, declarações a jornalistas e os inúmeros posts em redes sociais que se seguem não são apenas argumentos. São performances voltadas à obtenção de reconhecimento. Intervenções não visam apenas convencer —visam também marcar posição em uma hierarquia moral visível. Acompanhe uma semana de seu deputado ou senador favorito e veja como esse jogo se joga.
Em ambientes digitais, expressões de indignação moral geram visibilidade, aprovação e engajamento. E, logo, à performance parlamentar juntam-se ativistas, jornalismo profissional, influenciadores e outras figuras públicas, todos ávidos por participar da grande competição de moralismo nacional. À medida que o bolo do engajamento cresce —na mídia digital, eletrônica e impressa—, cria-se um incentivo poderoso: vale a pena moralizar, acusar, dramatizar. Ao longo do tempo, forma-se um padrão de aprendizado coletivo em que a moralização tende a aumentar.
Por um lado, os benefícios individuais do exibicionismo moral são claros e crescentes: mais atenção, reconhecimento e capital político. Cada autor de um projeto de lei —desses apresentados como resposta a uma "injustiça que clama aos céus" ou como restauração da decência diante de uma "situação de calamidade ética"— torna-se o campeão moral de sua tribo. Por outro lado, os custos dessa dinâmica são difusos e coletivos: aumento da polarização, deterioração do debate e redução da capacidade de deliberação. O ator individual ganha ao participar do jogo; o sistema perde.
O Parlamento, mimetizando as redes, torna-se um palco privilegiado dessa dinâmica. Sessões se convertem em performances, discursos são moldados para circulação digital e conflitos se intensificam porque é deles que depende a atenção pública. Quanto mais gente chocada, furiosa ou brigando, melhor para o exibicionismo moral.
Não se trata de injetar mais ética no sistema, e sim de maximizar o lucro pessoal do parlamentar no mercado de indignação. A prioridade não são discussões substantivas em nome do interesse público, mas prevalecer na luta de pavões, vistosamente empenhados em exibir superioridade moral.

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April 1, 9:26 AM
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Por que a Geração Z não quer saber de Lula e da esquerda?

Por que a Geração Z não quer saber de Lula e da esquerda? | Inovação Educacional | Scoop.it

O levantamento não é apenas um recorte fora da curva. A pesquisa AtlasIntel reforça resultados semelhantes apontados por sondagens de outros institutos também divulgadas em março. De acordo com uma pesquisa do Ipsos, os jovens da Geração Z no Brasil estão se mostrando bem mais conservadores que seus pais —uma tendência reforçada por um levantamento Quaest, que apontou um recall muito maior para políticos de direita, como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira (PL-MG), do que para qualquer nome da esquerda, entre jovens que se dizem independentes.
Esses resultados representam uma mudança significativa em relação à eleição de 2022, quando o voto dos mais jovens foi decisivo para a vitória de Lula. Não tanto pela adesão à sua agenda e às bandeiras da esquerda, mas principalmente pela rejeição ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A maior evidência disso é que, nas eleições estaduais e para o Congresso, a direita e a centro-direita avançaram.
A ironia é que, apesar de dominar a cultura, a academia e a mídia, a esquerda revela uma tremenda desconexão com grande parte da nova geração. Nas universidades, onde esta faixa etária predomina, a esquerda persegue professores que não rezam pela sua cartilha, impede palestrantes de direita de dar seus recados, toma conta das entidades estudantis e influencia até os currículos dos cursos, apesar da falta de representatividade junto à maior parte dos alunos.
Discurso embolorado
As motivações da guinada política dos jovens ainda carece de estudos mais profundos. Mas já dá para levantar alguns pontos que podem explicar por que a Geração Z se identifica mais com a direita e não quer saber de Lula e da esquerda.
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O envelhecimento de Lula tem o seu peso, não tanto pelos seus 80 anos, mas pelo seu discurso embolorado, que se mantém praticamente o mesmo há 50 anos. Em plena era da inteligência artificial, ele continua preso ao passado. Continua pensando de forma analógica, com a cabeça na Guerra Fria, defendendo Cuba, o ditador Nicolás Maduro, o Irã dos aiatolás e o tal do Sul Global —seu maior fetiche geopolítico. Ficou "véi", como diz a galera por aí.
Líder supremo do PT e eterno candidato a presidente, Lula abafou o surgimento de novas lideranças no partido. Com a tentativa de reeleição em 2026, ele completará seu sétimo pleito desde 1989. Só não concorreu em 2010, porque não podia, depois de dois mandatos consecutivos; em 2014, porque sua pupila Dilma Rousseff insistiu na reeleição; e em 2018 porque estava preso e indicou Fernando Haddad, seu fiel escudeiro, chamado de "poste" pelos adversários na época, para representá-lo.
Além de sua resistência em navegar no ambiente digital, Lula e o PT demonstram uma tremenda incapacidade de entender a mentalidade dos mais jovens, os chamados "nativos digitais", que já nasceram e cresceram sob a influência da internet. A rigor, eles não só têm dificuldade para entender suas ideias como rejeitam muitas delas.
Enquanto muitos dos integrantes da Geração Z valorizam a autonomia na vida pessoal e no trabalho e enxergam no empreendedorismo a principal via de ascensão social, Lula e o PT continuam a acreditar que "dignidade" é ter carteira assinada, sindicato forte e estabilidade no emprego. Seguem apegados à velha CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), criada por Getúlio Vargas em 1943, durante o Estado Novo, sob inspiração da Carta del Lavoro, do ditador fascista italiano Benito Mussolini.
Modelo ultrapassado
O maior exemplo desse descompasso é a tentativa de regulamentação a fórceps dos aplicativos de mobilidade e entrega. O problema, como mostram as pesquisas, é que para a maioria dos que trabalham nas plataformas esse é um modelo ultrapassado. Eles não estão preocupados com CLT nem com crachá. Valorizam a flexibilidade no horário de trabalho, a liberdade de atender a várias empresas ao mesmo tempo, sem vínculo empregatício, e a meritocracia, que lhes permite prosperar pelo próprio esforço.
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Para os mais jovens, que sonham com o CNPJ e querem virar MEI (microempreendedor individual), o que Lula, o PT e a esquerda chamam de "precarização do trabalho" e "uberização" soa mais como uma limitação da liberdade profissional que eles almejam. Os exemplos de sucesso para muitos integrantes dessa turma são os influencers e os vendedores de cursos online que enriqueceram na internet. Neste cenário, o discurso da direita, em defesa da liberdade econômica e da redução de impostos, parece fazer muito mais sentido do que a sanha regulatória do governo Lula.
Não por acaso, conforme o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), o número de MEIs criadas pelos mais jovens está batendo recorde e já representa cerca de 20% de todos os novos micronegócios do país. É sintomática também a proliferação de entidades de apoio ao empreendedorismo e ao microcrédito em favelas e a realização de feiras de empreendedores nas periferias de grandes cidades.
Lula, o PT e a esquerda em geral podem esperar retribuição dos mais jovens às "entregas" do governo, como o Pé de Meia, o programa que oferece compensações financeiras a estudantes do ensino médio de escolas públicas, para estimular a permanência no curso e sua conclusão. De acordo com as pesquisas, no entanto, muitos acreditam que o governo não está fazendo mais do que a obrigação.
"Forma de transgressão"
Ao contrário do que muitos analistas podem imaginar, o fenômeno não é apenas uma osciliação conjuntural, fruto da falta de calibragem nas políticas oficiais ou de um mau humor passageiro. O que os dados das pesquisas AtlasIntel, Ipsos e Quaest mostram não parece ser um desvio estatístico, mas um realinhamento histórico estrutural.
Durante décadas, a juventude foi "sinônimo da rebeldia progressista", nas palavras de Lucas de Aragão, mestre em ciência política e sócio da Arko Advice, empresa de consultoria sediada em Brasília. A percepção geral era de que os jovens se identificavam naturalmente com a esquerda, pelo desejo de "mudar o mundo" e de lutar contra o "sistema" e o "conservadorismo" da sociedade. Pelo jeito, porém, a Geração Z —considerada bem mais pragmática que as suas antecessoras recentes, inclusive os milennials (nascidos entre 1981 e 1996) —está redefinindo suas prioridades.
"A rebeldia mudou de lado", diz Aragão, em artigo publicado no site de notícias Brazil Journal em fevereiro, ao comentar uma pesquisa da AtlasIntel que já apresentava resultados semelhantes à de março. "Houve um tempo em que ser de direita significava defender o establishment. Hoje é o inverso. Para a Geração Z, as instituições que moldam o discurso público (universidades, grandes empresas, imprensa e o próprio governo) falam a gramática do progressismo. Nesse ambiente, adotar posições à direita virou uma forma de transgressão."
Segundo ele, um exemplo emblemático dessa mudança apareceu na eleição para a prefeitura de São Paulo, em 2024. Na zona leste da cidade, que historicamente faz parte do "cinturão" da esquerda, o empresário e influenciador Pablo Marçal, candidato pelo PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro), foi o mais votado em 14 das 20 zonas eleitorais no primeiro turno. "Não foi um acidente estatístico", afirma. "Ali, uma parcela da juventude trocou a esperança no Estado pela aposta antissistema."
Conflito de valores
Curiosamente, alguns valores relacionados à Geração Z estão em conflito com o receituário dos conservadores e da direita raiz. Aparentemente, seus integrantes —ou boa parte deles— estão desvinculando as questões comportamentais dos limites delineados pelos campos políticos tradicionais.
Ao mesmo tempo em que a Geração Z tem uma visão mais realista do mundo, abraçando a economia de mercado e a meritocracia, e se tornou mais cética em relação às instituições, como apontam as pesquisas, ela não virou necessariamente conservadora nos costumes.
Como diz um estudo da McKinsey, uma das principais empresas internacionais de consultoria, ela não abriu mão de certas pautas comportamentais que a direita tradicional digere com dificuldade, como a defesa radical da diversidade.Para muitos integrantes da Geração Z, a sustentabilidade não é um papo de "ecochatos", mas uma questão de sobrevivência. Eles preferem empresas que busquem preservar o meio ambiente, mas se mostram preocupados com as políticas ecológicas muito restritivas, que afastam quem vê na tecnologia verde uma oportunidade de negócio e encarecem os combustíveis e os alimentos.
Ao que tudo indica, apesar das diferenças de visão na área de costumes, a direita parece muito mais alinhada com os anseios e o discurso da Geração Z do que Lula e o PT. E não adianta imaginar que é possível resolver o problema de olho no pleito de outubro. Não há marqueteiro, por melhor que seja, que consiga superar isso da noite para o dia —ou em alguns meses. Nem o Sidônio Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social e ex-marqueteiro de Lula em 2022.
O divórcio da juventude com Lula e o PT não parece ser, enfim, um desentendimento passageiro que uma peça publicitária bem feita ou um novo auxílio financeiro possa resolver. É um problema sério de conteúdo e não de forma, que se choca com princípios incrustados na esquerda desde sempre e que promete pautar não apenas as eleições de 2026 como também as seguintes, mudando a configuração política do país.

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March 31, 6:22 PM
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Como a inteligência artificial redefine o papel do professor no ensino superior?

Como a inteligência artificial redefine o papel do professor no ensino superior? | Inovação Educacional | Scoop.it

A rápida expansão da inteligência artificial (IA) tem provocado mudanças profundas na educação superior, exigindo que instituições e docentes repensem práticas pedagógicas, modelos de avaliação e o próprio papel do professor.
Para o integrante do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais e primeiro pró-reitor de Educação a Distância do Brasil, Luciano Sathler, a popularização da Inteligência Artificial Generativa, impulsionada por ferramentas lançadas ao público nos últimos anos, trouxe para a educação formal um verdadeiro “conflito existencial”.
Segundo ele, o uso intensivo dessas tecnologias pode estimular a chamada descarga cognitiva, quando parte do esforço intelectual é delegada às máquinas. “A resposta está sempre pronta, o que reduz gradualmente a capacidade de pensar para quem se acomoda”, afirma. Nesse contexto, aprender e ensinar tornam-se tarefas ainda mais desafiadoras.
Para o especialista, o futuro da formação universitária depende da capacidade de integrar tecnologia e pensamento humano de forma equilibrada. O uso da inteligência artificial, afirma, deve ocorrer em regime de coautoria: o estudante precisa ser capaz de dialogar com as ferramentas digitais sem abrir mão da autonomia intelectual e da criatividade.
“Somente quem souber usar a IA em coautoria, sem perder o toque humano e agregando algo que a tecnologia não conseguiu mapear, continuará a aprender e seguir em uma legítima jornada de desenvolvimento pessoal”, observa.
Na visão de Dr. Aldo Henrique, analista de sistemas sênior da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e professor universitário na área de computação, a transformação docente já é visível na prática. Para ele, a inteligência artificial deslocou o docente da função de transmissor de conteúdo para a de “arquiteto de ecossistemas de aprendizagem”.
“Nas disciplinas de computação que leciono, o foco deixou de ser a sintaxe básica ou a escrita de código, uma vez que essas tarefas operacionais a IA já executa com precisão. Hoje, meu trabalho é concentrado em ensinar os alunos a pensar de forma arquitetural e sistêmica, preparando-os para resolver problemas complexos que vão além do que um comando pode gerar sem supervisão crítica”, explica.
Dr. Aldo relata que, em suas aulas, a integração de modelos de linguagem permite elevar o nível dos projetos desenvolvidos pelos estudantes, incentivando soluções mais sofisticadas e próximas de desafios reais do mercado. A tecnologia também funciona como um “monitor virtual”, acompanhando o progresso dos alunos e liberando mais tempo para a mentoria individualizada.
“Essa mudança exige que o professor seja o primeiro a dominar essas ferramentas, servindo como exemplo de como a teoria se transforma em produção de forma ética e eficiente”, afirma.
Avaliação da aprendizagem
O impacto da IA também passa diretamente para os modelos de avaliação acadêmica. “Professores que mantiveram o mesmo plano de avaliação da aprendizagem de 2023 para cá estão corrigindo trabalhos preparados total ou parcialmente com uso de IA Generativa, sem realmente saber se o aluno aprendeu ou não”, destaca Sathler.
Para enfrentar esse desafio é necessário repensar a avaliação da aprendizagem, ele defende que as instituições educacionais adotem metodologias ativas e processos de avaliação contínua, que privilegiem a aprendizagem significativa e ampliem o protagonismo dos estudantes.
“É indispensável manter um programa permanente de formação nas universidades, que seja baseado em comunidades de aprendizagem e que apoie efetivamente os docentes no seu dia a dia. Algo que é possível com baixos investimentos em conteúdo e exige mais liderança focada na humanização das relações e na estruturação de ambientes marcados pelo cuidado e confiança”, avalia.
Por experiência própria, no campo da avaliação, Dr. Aldo defende um modelo centrado no processo de aprendizagem. Uma das estratégias utilizadas em suas disciplinas é o uso de um chatbot socrático, programado para estimular o raciocínio dos estudantes por meio de perguntas, em vez de fornecer respostas prontas.
Além disso, a validação do conhecimento ocorre por meio de defesas de projeto e entrevistas técnicas. “O peso maior da nota recai sobre a capacidade do aluno de justificar as decisões de arquitetura e a lógica por trás da solução, tornando irrelevante se houve auxílio de IA na escrita, desde que o domínio intelectual seja comprovado”, afirma. Para consolidar os conceitos fundamentais, provas escritas tradicionais também continuam sendo utilizadas.
Ensino superior brasileiro está preparado?
Apesar dos avanços, os especialistas avaliam que o ensino superior brasileiro ainda atravessa uma fase inicial de adaptação. Segundo Sathler, o país vive um momento de debates regulatórios, com discussões em andamento sobre normas e legislações relacionadas ao uso da inteligência artificial generativa.
Entre os temas que preocupam gestores e educadores estão questões de propriedade intelectual, privacidade de dados, integridade acadêmica e impactos da tecnologia no mundo do trabalho. Nesse contexto, ele defende que universidades estabeleçam políticas institucionais para orientar o uso dessas ferramentas, criando sistemas de governança capazes de acompanhar as diferentes aplicações de inteligência artificial presentes no cotidiano acadêmico.
Já o Dr. Aldo destaca que o maior desafio não está na tecnologia em si, mas na mudança cultural necessária para integrá-la ao processo educacional. “Enquanto não houver um letramento em IA generalizado, que permita enxergar essas ferramentas como aceleradoras de produtividade e não apenas como ameaça, o sistema educacional continuará operando abaixo do seu potencial de transformação”, finaliza.
A discussão sobre o futuro da docência e da formação universitária estará no centro do debate durante o Fórum Ahead CIEE - Ensino Superior, realizado na Bett Brasil, de 5 a 8 de maio, no Expo Center Norte. Luciano Sathler e o Dr. Aldo Henrique participam do painel “IA, Docência e Futuro: o ensino superior na era das inteligências integradas”, no dia 6 de maio, às 13h.

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March 31, 2:27 PM
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The Promise and Peril of Artificial Intelligence in Education

The Promise and Peril of Artificial Intelligence in Education | Inovação Educacional | Scoop.it
The second Donald Trump Administration is working to accelerate the use of artificial intelligence in education, including by aiding its adoption in K–12 schools.
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March 31, 8:54 AM
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O dilema do professor na era da IA: ensinamos o prompt ou o processo científico?

Numa formação recente sobre inteligência artificial para pesquisadores, uma cena se repetiu. Ao explicar o funcionamento de um modelo de linguagem como a lógica probabilística que gera texto, por que o output precisa ser verificado, o público se dispersou. Minutos depois, ao demonstrar um prompt capaz de revisar parágrafos acadêmicos, todos anotaram. A mesma sala, a mesma audiência, dois níveis de atenção completamente diferentes. Esse episódio, longe de ser anedótico, ilustra um dilema que atravessa a formação de pesquisadores contemporânea: quando ensinamos inteligência artificial (IA) na academia, estamos ensinando a pensar com a ferramenta ou apenas a operá-la?

A questão não é trivial. A velocidade de adoção de ferramentas de IA generativa na pesquisa científica gerou uma demanda legítima por capacitação técnica. Pesquisadores querem  e precisam  saber usar essas tecnologias. O problema surge quando a capacitação se reduz ao ensino de atalhos, sem a compreensão dos processos subjacentes que conferem ao pesquisador a capacidade de avaliar criticamente o que a ferramenta produz.

Letramento instrumental versus letramento crítico
A literatura recente sobre letramento em IA apresenta uma distinção fundamental para compreender esse dilema. Long e Magerko (2020), em What is AI Literacy? Competencies and Design Considerations1,no trabalho seminal apresentado na CHI Conference, definiram letramento em IA como “um conjunto de competências que permite aos indivíduos avaliar criticamente tecnologias de IA, comunicar-se e colaborar efetivamente com IA e usar IA como ferramenta”. Essa definição, amplamente adotada na literatura subsequente, vai muito além do escopo operacional de ferramentas específicas.

Walter (2024) em Embracing the future of Artificial Intelligence in the classroom: the relevance of AI literacy, prompt engineering, and critical thinking in modern education2,estudo publicado no International Journal of Educational Technology in Higher Education, argumenta que a integração da IA na educação exige não apenas habilidades técnicas, mas também pensamento crítico sobre o funcionamento e os impactos dessas tecnologias. O autor propõe que o letramento em IA, a engenharia de prompts e o pensamento crítico formam um tripé indissociável na educação contemporânea  e que dissociar o primeiro dos demais compromete a formação.

Essa distinção pode ser articulada em dois níveis. O primeiro, que podemos chamar de letramento instrumental, corresponde ao domínio de ferramentas: saber formular prompts, conhecer plataformas e executar tarefas com o auxílio de IA. Tem valor prático e responde à demanda imediata. O segundo, o letramento crítico, corresponde à compreensão do que está em jogo: entender que um modelo de linguagem opera por probabilidade estatística, não por compreensão semântica; que “alucinação” não é um defeito eventual, mas uma característica estrutural de sistemas que não foram projetados para produzir verdade, e sim texto estatisticamente plausível; que, no contexto científico, essa distinção não é um detalhe técnico é um fundamento epistemológico.

A evidência empírica: compreender melhora o uso
A investigação empírica sustenta que esses dois níveis não são independentes. Knoth et al. (2024), em AI literacy and its implications for prompt engineering strategies3,estudo publicado na Computers and Education: Artificial Intelligence, demonstraram que estudantes com maior letramento conceitual em IA formulam prompts de melhor qualidade e avaliam criticamente os resultados obtidos. Em outras palavras, quem compreende o funcionamento da ferramenta a utiliza de forma mais eficaz do que quem apenas domina seus comandos.

Brown, Sillence e Branley-Bell (2025), em AcademAI: Investigating AI Usage, Attitudes, and Literacy in Higher Education and Research4, pesquisa publicada no Journal of Educational Computing Research, investigaram as percepções de IA entre estudantes e docentes universitários e identificaram que a falta de orientação institucional é uma das principais barreiras ao uso responsável. Os participantes destacaram a necessidade de suporte para promover o uso responsável, evidenciando que a competência técnica, isoladamente, não garante práticas adequadas. A pesquisa revelou, ainda, que a idade avançada correlaciona-se com menor letramento em IA, sugerindo que a formação precisa alcançar não apenas os estudantes, mas também os próprios formadores.

Esses achados convergem com o que Hackl et al. (2026) em The AI literacy heptagon: A structured approach to AI literacy in higher education5,sistematizaram ao identificarem 12 competências centrais para o letramento em IA, organizadas desde o conhecimento básico até habilidades práticas, como engenharia de prompts e consciência ética. O framework proposto evidencia que a engenharia de prompts é uma das competências, não a competência central, nem certamente a única.

O dilema na sala de aula
Um episódio recente ilustra a dimensão prática desse problema. Um professor experiente, orientador ativo, relatou ter pedido ao ChatGPT que indicasse um artigo científico para seu orientando. Recebeu título, autores, revista e ano, tudo formalmente impecável. O artigo, contudo, não existia. A pergunta que se seguiu foi direta: “Se a IA alucina, em que momento posso confiar nela?”

A resposta técnica é simples: em nenhum momento, sem verificação independente. Mas o episódio revela algo mais profundo. Um pesquisador com décadas de experiência tratou um modelo generativo como um banco de dados factual. Não por negligência ou por desconhecimento geral, mas por ausência de letramento específico sobre o que aquela ferramenta é e, principalmente, sobre o que ela não é.

É nesse ponto que o dilema do professor se torna mais agudo. O formador que reconhece a necessidade de ensinar o letramento crítico enfrenta uma resistência estrutural: o ecossistema de informação contemporâneo (redes sociais, cursos rápidos, conteúdos virais) reforça sistematicamente a lógica do atalho. Quando o conteúdo é conceitual, o engajamento se dispersa; quando se torna receita prática, a atenção se concentra. O professor, pressionado a demonstrar relevância e gerar resultados imediatos, sente a tentação legítima de ceder à demanda e ensinar apenas o prompt.

Novos pesquisadores: interesse ou indiferença?
A pergunta mais incômoda subjacente a esse dilema é saber se os novos pesquisadores terão interesse em formação conceitual em IA. A resposta honesta é que, no curto prazo, muitos provavelmente não terão. A cultura acadêmica contemporânea, orientada por métricas de produtividade, pressionada por prazos e imersa em um ecossistema que premia soluções rápidas, cria incentivos que operam na direção contrária ao aprofundamento.

No entanto, a história da formação metodológica oferece um paralelo instrutivo. Metodologia de pesquisa e estatística raramente figuraram entre as disciplinas mais populares da graduação. E, no entanto, pesquisadores com formação metodológica sólida se diferenciaram ao longo de suas carreiras não porque dominavam a execução de um teste estatístico específico, mas porque compreendiam o que o teste significava e quando era (ou não era) aplicável.

O letramento em IA pode seguir uma trajetória análoga. Ferramentas específicas e prompts são, por natureza, perecíveis: a velocidade de evolução dos modelos torna qualquer comando específico potencialmente obsoleto em meses. A capacidade de compreender o que acontece entre a pergunta e a resposta, isto é, o letramento crítico, não perece. Quem desenvolve essa compreensão hoje estará preparado para as ferramentas de amanhã, inclusive para aquelas que dispensarão prompts tal como os conhecemos.

Da engenharia de prompts ao letramento como política institucional
Em Navigating the landscape of AI literacy education: insights from a decade of research (2014–2024)6, a revisão integrativa, conduzida por pesquisadores e publicada na Humanities and Social Sciences Communications, mapeou a evolução do campo de letramento em IA na última década (2014–2024) e identificou uma lacuna persistente: apesar do crescimento exponencial de publicações sobre IA na educação, a formação conceitual permanece secundária em relação ao treinamento técnico-instrumental. O campo evoluiu em volume, mas não necessariamente em profundidade.

Essa constatação tem implicações diretas para as instituições de ensino e pesquisa. Se o letramento em IA é, como sugere a literatura, condição para o uso eficaz e responsável dessas ferramentas, então sua promoção não pode depender apenas de iniciativas individuais de professores sensibilizados. Precisa ser tratada como uma questão institucional integrada a currículos, programas de pós-graduação e políticas de formação docente.

No Brasil, essa discussão ganha contornos específicos. As Diretrizes para o uso ético e responsável da Inteligência Artificial Generativa, publicadas por Sampaio, Sabbatini e Limongi (2024)7, já propõem competências essenciais, como a compreensão das ferramentas e de suas limitações, a manutenção da autoria humana como elemento central e a avaliação crítica dos outputs. O SciELO, por meio de seu Guia de uso de ferramentas e recursos de IA8, estabeleceu princípios claros para a declaração e a verificação. Essas iniciativas, contudo, precisam se traduzir em práticas formativas concretas.

Considerações finais
O dilema do professor na era da IA não se resolve com a escolha binária entre ensinar prompts e ensinar processo. Prompts são ferramentas e ferramentas importam. A questão é se formamos pesquisadores que compreendem o que fazem ou operadores que dominam onde apertar.

A evidência disponível sugere que o letramento crítico não compete com o instrumental; ele o potencializa. Pesquisadores que compreendem o funcionamento das ferramentas as utilizam melhor, avaliam seus resultados com mais rigor e adaptam-se com mais facilidade a mudanças tecnológicas. A aposta exclusiva no atalho forma profissionais dependentes de ferramentas específicas; a aposta no letramento forma pesquisadores capazes de navegar em um cenário em transformação contínua.

A responsabilidade, evidentemente, não é apenas do professor. Instituições precisam criar condições curriculares, formativas e de incentivo para que o letramento em IA seja tratado com a mesma seriedade dedicada à formação metodológica. Mas o primeiro passo é reconhecer o dilema. E reconhecer que, se a única coisa que nossos alunos aprenderam sobre IA foi um prompt, eles não aprenderam sobre IA. Aprenderam a digitar.
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March 31, 8:45 AM
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Educação Digital e Midiática passa a integrar critérios do VAAR —

Educação Digital e Midiática passa a integrar critérios do VAAR — | Inovação Educacional | Scoop.it
Redes de ensino deverão comprovar atualização curricular para atender à Condicionalidade V e acessar recursos da complementação do Fundeb. MEC apoia implementação por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas
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March 31, 8:43 AM
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International Day of Happiness

International Day of Happiness | Inovação Educacional | Scoop.it
The purpose of the day is the pursuit of happiness as a fundamental human goal.
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March 31, 8:41 AM
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Encyclopedia Britannica processa OpenAI por treinamento de IA

Encyclopedia Britannica processa OpenAI por treinamento de IA | Inovação Educacional | Scoop.it

A Encyclopedia Britannica e a subsidiária Merriam-Webster processaram a OpenAI em um tribunal federal de Manhattan por, supostamente, usar indevidamente seus materiais de referência para treinar modelos de inteligência artificial (IA).
A Britannica afirma no processo que a OpenAI, apoiada pela Microsoft, usou seus artigos on-line e verbetes de enciclopédia e dicionário para ensinar o chatbot ChatGPT a responder a solicitações humanas e “canibalizou” o tráfego da Britannica na web com resumos gerados por IA de seu conteúdo.
“Nossos modelos fortalecem a inovação e são treinados com dados publicamente disponíveis e baseados no uso justo”, disse um porta-voz da OpenAI nesta segunda-feira (16), em resposta à ação judicial. Os porta-vozes e advogados da Britannica não comentaram o assunto.
O caso é um dos muitos processos movidos por proprietários de direitos autorais, incluindo autores e veículos de notícias, contra empresas de tecnologia por usarem seu material para treinar sistemas de IA sem permissão. A Britannica também entrou com um processo relacionado contra a startup de inteligência artificial Perplexity AI no ano passado, que ainda está em andamento.
As empresas de IA argumentaram que seus sistemas fazem uso justo de conteúdo protegido por direitos autorais, transformando-o em algo novo.
A ação da Britannica afirma que a OpenAI copiou ilegalmente cerca de 100 mil de seus artigos para treinar os grandes modelos de linguagem do GPT. A queixa diz que o ChatGPT produz cópias “quase integrais” de verbetes de enciclopédia, definições de dicionário e outros conteúdos da Britannica, desviando usuários que, de outra forma, visitariam seus sites.
A Britannica também acusa a OpenAI de infringir suas marcas registradas ao insinuar que ela tem permissão para reproduzir seu material e citar indevidamente a Britannica em “alucinações” da IA.
A Britannica solicitou uma quantia não especificada de danos monetários e uma ordem judicial bloqueando a suposta infração da OpenAI.

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March 31, 8:39 AM
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Consumidor recorre cada vez mais à IA para fazer compras

Consumidor recorre cada vez mais à IA para fazer compras | Inovação Educacional | Scoop.it

Os consumidores estão recorrendo cada vez mais aos chats de inteligência artificial (IA) para embasar as suas decisões de compra. Entre fevereiro e novembro do ano passado, houve um salto de 35% no uso dessas ferramentas para pesquisar produtos e receber indicações de marcas e serviços. Com isso, em apenas dois anos, essa funcionalidade se tornou a terceira aplicação mais popular da tecnologia, atrás apenas da busca de informações gerais e do uso da IA como assistente de trabalho, de acordo com um estudo da Boston Consulting Group (BCG).
Para o levantamento, a consultoria ouviu um total de 9 mil pessoas do Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Japão, México, Reino Unido e Estados Unidos.
Essa prática implica em um novo desafio para o mercado publicitário, dado o risco de incorrer em publicidade disfarçada ou de recomendações comerciais sem a devida transparência, em um ambiente digital aparentemente neutro. Isso ocorre porque a resposta dos chatbots para perguntas como “qual é a melhor geladeira do mercado” podem ser sintetizadas a partir de conteúdos de páginas patrocinadas e blogs pagos, por exemplo, sem que o usuário saiba.
Afinal, dependendo da plataforma de IA, a origem da informação não é discriminada, a não ser que o consumidor peça. O risco dessa dinâmica, segundo os especialistas, é uma influência sutil, sem atrito.
Não à toa, muitas marcas estão adotando estratégias para encantar os algoritmos e aparecer entre as indicações aos usuários em plataformas como ChatGPT (da OpenAI), Perplexity (Perplexity AI) e Gemini (Google). Daí o debate no mercado publicitário se a otimização de conteúdo pode ser considerada publicidade. A prática é conhecida como Generative Engine Optimization (GEO).
No mercado externo, os limites dos interesses comerciais chegaram a ficar ainda mais tênues. A rede varejista Walmart anunciou em outubro do ano passado uma parceria com o ChatGPT para que consumidores pudessem descobrir seus produtos e concluíssem as compras dentro do próprio assistente digital. O projeto, entretanto, foi descartado antes mesmo de ir ao ar. O que a OpenAI agora testa nos Estados Unidos a exibição de anúncios pagos em um espaço fora da coluna de perguntas e respostas, seguindo os moldes do que é feito por buscadores e links patrocinados.
“O maior perigo é receber uma resposta aparentemente objetiva, conveniente e personalizada, sem perceber quais interesses comerciais, critérios de ranqueamento, acordos de distribuição ou vieses de modelo estão por trás dela. Quando isso acontece, a assimetria de informação cresce muito”, afirma a presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Sandra Martinelli.
A executiva acrescenta que quando o usuário não tem clareza sobre os critérios usados para priorizar determinados conteúdos ou produtos, o que se vê é a falta de transparência ou influência indevida nas decisões de consumo. “Isso implica em falta de transparência, o que coloca em risco a confiança, que é um dos ativos mais importantes para as marcas.”
Segundo o presidente do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), Sergio Pompilio, ainda não há definição se GEO é publicidade ou não. Independentemente da conclusão, ele esclarece que continuam válidos os princípios tradicionais do setor, como o da identificação publicitária - regra segundo a qual conteúdos comerciais devem ser claramente reconhecidos como tal.
“Não importa se a peça foi criada por IA ou por meios tradicionais. O que importa é se ela é transparente e atende aos requisitos éticos da comunicação”, afirma. O executivo reconhece que o ambiente digital ampliou o número de atores envolvidos na publicidade - incluindo plataformas de IA e influenciadores -, o que dificulta o monitoramento. “Antes, lidávamos principalmente com veículos tradicionais. Hoje, temos uma amplitude maior de ‘players’.”
Tradicionalmente, sem ajuda da inteligência artificial, o Conar avaliava cerca de 300 processos por ano. Mas, por meio das plataformas com sistemas de IA, conseguiu analisar cerca de 37 mil materiais publicitários em 2025. Do total, em torno de 4,6 mil geraram algum tipo de acionamento ou investigação.
A presidente do Espaço de Articulação Coletiva do Ecossistema Publicitário (conhecido pela sigla Abap), Marcia Esteves, afirma que a publicidade brasileira já tem mecanismos de controle consolidados, ainda que o avanço da IA exija revisões constantes. “É uma tecnologia que traz escala inédita para a produção de conteúdo - inclusive para manipulação de voz, texto e imagem.” Nesse sentido, entidades do setor têm elaborado guias e recomendações para o uso responsável da tecnologia.
A proliferação de uso da IA também levanta dúvidas sobre quem deve responder por campanhas que geraram desinformação e foram produzidas com auxílio da tecnologia. Para Martinelli, da ABA, a responsabilidade precisa ser dividida por todo o ecossistema da publicidade, desde anunciantes, agências, plataformas até parceiros envolvidos na criação e distribuição dos anúncios.
“Quando a informação não fica clara, o usuário pode ter a percepção de publicidade disfarçada, o que compromete a confiança nas plataformas, nas marcas e no próprio ambiente digital”, afirma a executiva-chefe (CEO) da associação brasileira focada na publicidade digital Interactive Advertising Bureau (IAB Brasil), Denise Porto Hruby.
A complexidade do problema também tem implicações legais. Segundo a advogada Juliana Abrusio, sócia do escritório Machado Meyer, a IA não cria uma nova categoria jurídica para a publicidade, mas amplifica desafios que já existiam no ambiente digital. Assim, os princípios já previstos continuam válidos. Entre eles, o da veracidade e o da identificação publicitária. “Quem faz a comunicação continua responsável por ela, independentemente de ter usado IA”, diz Abrusio, ao lembrar que o consumidor também é produtor de conteúdo. “A publicidade precisa ser claramente identificável como publicidade.”
Enquanto o setor debate governança e regulação, o comportamento do público também tem mudado. Pesquisa da consultoria Hibou indica que apenas 10% dos brasileiros acreditam que as empresas usam seus dados de forma ética, diz Lígia Mello, sócia da empresa. Outros 45% dizem confiar moderadamente, enquanto a mesma proporção afirma não confiar.
Mello diz que o receio de manipulação está entre as principais preocupações do público diante da IA. “O brasileiro gosta de inovação, mas tem medo de ser manipulado.” Essa cautela já aparece no comportamento digital. Segundo a especialista, apenas 22% dos consumidores clicam diretamente em anúncios on-line; a maioria prefere acessar o site oficial da marca ou verificar informações em outros canais antes de confiar na oferta.
Diante desse ambiente informacional cada vez mais complexo, especialistas apontam que o desenvolvimento do pensamento crítico será essencial para os consumidores. A presidente do Instituto Palavra Aberta, Patrícia Blanco, afirma que a discussão sobre educação digital e midiática no Brasil é imprescindível para que os brasileiros alcancem o que chama de “ceticismo saudável”: verificar a fonte, questionar a motivação do conteúdo e buscar confirmação em outros meios.
Essa agenda integra o programa EducaMídia para formação de professores e educadores. Desde 2019, a iniciativa já contou com a participação de cerca de 11 milhões de pessoas entre professores, gestores e estudantes em todo o país.
O número de pessoas com acesso a essas informações deve crescer neste ano com a entrada em vigor da obrigatoriedade da disciplina de educação digital e midiática no currículo escolar. O Conselho Nacional de Educação definiu que alunos do ensino fundamental e médio precisam ter aulas de análise crítica e letramento digital, a fim de interpretar corretamente informações e conteúdos digitais.
O jornalismo profissional também tem seu papel nesse debate. Segundo a presidente da Associação Nacional de Editores e Revistas (Aner), Regina Bucco, os veículos de comunicação são uma fonte confiável para que os consumidores tirem dúvidas em meio à proliferação de conteúdos produzidos por IA.

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March 30, 7:04 AM
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Esforços de prevenção : Revista Pesquisa Fapesp

Esforços de prevenção : Revista Pesquisa Fapesp | Inovação Educacional | Scoop.it
Editoras colhem resultados do investimento em equipes de integridade e ferramentas de detecção de fraudes
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March 30, 6:52 AM
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Tradições culturais de animais estão em risco e desafiam políticas de conservação #science #animals

Estudo destaca como aprendizado social em primatas e cetáceos influencia a sobrevivência das espécies diante de impactos ambientais #cienciabrasileira #pesquisacientifica #animais #meioambiente

Leia reportagem:
https://revistapesquisa.fapesp.br/tradicoes-culturais-de-animais-podem-contribuir-com-estrategias-para-protege-los/
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