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Governo quer Enem obrigatório para avaliar educação básica

Governo quer Enem obrigatório para avaliar educação básica | Inovação Educacional | Scoop.it

O MEC (Ministério da Educação) planeja tornar o Enem obrigatório a todos os estudantes concluintes do ensino médio público após definir o uso do exame como parte do sistema de avaliação da educação básica.
A decisão de integrar o Enem ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) foi oficializada em portaria publicada no Diário Oficial de terça-feira (31). A equipe do ministro Camilo Santana ainda não fechou, no entanto, os detalhes técnicos de como isso vai ocorrer —e há muitos desafios.

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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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Privacidade e Proteção de Dados de Crianças e Adolescentes —

Privacidade e Proteção de Dados de Crianças e Adolescentes — | Inovação Educacional | Scoop.it
Crianças e adolescentes integram, de forma cada vez mais intensa, ambientes digitais e conectados. Seus dados pessoais vêm sendo tratados nos mais diferentes contextos, o que propicia a criação de perfis desde o início de suas vidas. Para além de terem rastros digitais proporcionalmente maiores que as gerações anteriores, esse grupo ainda apresenta uma camada extra de vulnerabilidade, tendo em vista o seu estágio especial de desenvolvimento.
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Relatório diVerso | A proteção de crianças e adolescentes no metaverso

Relatório diVerso | A proteção de crianças e adolescentes no metaverso | Inovação Educacional | Scoop.it
Dados da Panorama Mobile Time/Opinion Box 2021 já mostrou que 37% das crianças de 10 a 12 anos no Brasil que possuem acesso a um smartphone passam mais de 4 horas na frente da tela por dia, bem como pesquisas que indicam que a realidade virtual é 44% mais passível de ser criar hábitos de dependência do que jogos em que não há aplicação dessa tecnologia. 

Está no ar o relatório “A proteção de Crianças e Adolescentes no Metaverso” produzido por Maria Mello, João Francisco de Aguiar Coelho, Thaís Rugolo e Alan Pessoa dentro do projeto “diVerso: Laboratório de Estudos sobre Metaverso”. O estudo explora os potenciais positivos e negativos para o desenvolvimento das múltiplas infâncias dentro do metaverso, bem como indica caminhos possíveis para seu melhor uso e impacto em crianças e adolescentes. 
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Today, 6:27 PM
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Relatório | O que você não sabe, mas deveria saber sobre Blockchain?

Relatório | O que você não sabe, mas deveria saber sobre Blockchain? | Inovação Educacional | Scoop.it
Você já se perguntou o que é a tecnologia blockchain? E para quê serve? Já pensou que muitos dos serviços que são utilizados no dia a dia se baseiam em blockchain ou podem se valer dessa tecnologia para melhorar a sua segurança e transparência? E se, ainda, dissessem que diversas empresas, inclusive órgãos do governo que você se relaciona diariamente, implementam esta solução a fim de oferecer serviços melhores? 
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Today, 6:25 PM
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Relatório | Pluralidade: tecnologia e o futuro da democracia —

Relatório | Pluralidade: tecnologia e o futuro da democracia — | Inovação Educacional | Scoop.it
Em parceria com o Brazil Institute do Wilson Center e a Fundação RadicalxChange, realizamos, em junho, o evento Pluralidade que contou com o lançamento do livro “Plurality”. No encontro, tivemos a presença de pensadores contemporâneos para compartilhar perspectivas sobre tecnologias emergentes e inovação, como a Audrey Tang, ex-Ministra de Assuntos Digitais de Taiwan, e Glen Weyl, fundador do Collaboratory for Plural Technologies da Microsoft Research. Este intercâmbio resultou em um relatório que captura as principais políticas discutidas.
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Today, 5:50 PM
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Relatório | IA no mercado de trabalho: quem ganha, quem perde — e quem fica para depois

Relatório | IA no mercado de trabalho: quem ganha, quem perde — e quem fica para depois | Inovação Educacional | Scoop.it
A Inteligência Artificial está transformando radicalmente o mundo do trabalho — e o Brasil não está imune a essa revolução. O relatório “IA no mercado de trabalho: quem ganha, quem perde — e quem fica para depois” oferece um diagnóstico inédito e fundamentado sobre como essas mudanças tecnológicas estão impactando a empregabilidade, a produtividade e as desigualdades em nosso país. Com base em dados de instituições como o FMI, OIT, Banco Mundial e experiências internacionais, o estudo apresenta uma análise profunda dos riscos e oportunidades da IA, com foco em trabalhadores em situação de vulnerabilidade.
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Today, 5:50 PM
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Relatório | Plano de Ação - IAí?

Relatório | Plano de Ação - IAí? | Inovação Educacional | Scoop.it
O projeto IAí? Construindo Oportunidades para Todos no Mercado de Trabalho, do ITS Rio em parceria com a Fundação Arymax e a Fundação Grupo Volkswagen, investiga como a inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho e propõe estratégias para garantir que ninguém fique para trás. A iniciativa combina pesquisa, diálogo com especialistas e políticas públicas, além de recomendações práticas para trabalhadores, empresas e governos.
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Relatório | Mutirão TecnoClima

Relatório | Mutirão TecnoClima | Inovação Educacional | Scoop.it
O TecnoClima Brasília marcou uma etapa decisiva do Mutirão TecnoClima rumo à COP 30, reunindo Governo Federal, sociedade civil, academia, juventudes e povos e comunidades tradicionais para discutir como ciência, tecnologia e inovação (CT&I) podem impulsionar uma implementação climática justa. O encontro consolidou Brasília como um ponto de convergência entre conhecimento técnico e saberes tradicionais, destacando que a ação climática deve ser guiada por evidências, mas também por equidade e justiça social.
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Today, 5:48 PM
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From Cash to Code PIX

From Cash to Code PIX | Inovação Educacional | Scoop.it
Os pagamentos digitais, especialmente o Pix, lançado pelo Banco Central do Brasil (BCB), se tornou parte do cotidiano urbano no Brasil, das grandes redes aos pequenos comércios, das áreas centrais às periferias. Mas o que essa transformação revela sobre a cidade, as desigualdades digitais e o poder dos dados?

Em um novo policy brief, Pacôme Trousselle, pesquisador visitante do ITS Rio, analisa como os pagamentos digitais reconfiguram a economia urbana do Rio de Janeiro. O estudo mostra que, embora o Pix amplie o acesso a transações financeiras, sua apropriação é desigual e depende de conectividade, dispositivos, confiança e governança algorítmica.

Apesar da adoção massiva do Pix (46% dos pagamentos no varejo no Brasil em 2023, contra 22% em dinheiro), o uso permanece desigual entre territórios e grupos sociais. O Rio ilustra como essas inovações criam novas oportunidades econômicas ao mesmo tempo em que reconfiguram desigualdades urbanas. Em distritos bem conectados, os pagamentos instantâneos reforçam a inclusão financeira; já em áreas de baixa renda (zonas periféricas e assentamentos informais, comumente chamados de favelas), a divisão digital limita a apropriação. Paralelamente, a expansão do Pix gerou novas dependências (redes móveis, dados, plataformas) e levanta questões de governança urbana: o Banco Central, bancos, fintechs e gigantes da tecnologia passam a cogerir os fluxos monetários, em um equilíbrio delicado entre inclusão e vigilância.
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YouTube: Políticos terão acesso a rastreador de deepfake

YouTube: Políticos terão acesso a rastreador de deepfake | Inovação Educacional | Scoop.it
Figura pública poderá revisar vídeos detectados com seu rosto e pedir remoção em casos de conteúdo gerado por IA
Empresa afirma que solicitações serão analisadas segundo suas diretrizes; lista de que tem terá acesso não será divulgada
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ANCINE divulga Panorama do Mercado de Vídeo por Demanda no Brasil 2025

ANCINE divulga Panorama do Mercado de Vídeo por Demanda no Brasil 2025 | Inovação Educacional | Scoop.it

ANCINE publicou, no Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual - OCA, o Panorama do Mercado de Vídeo por Demanda no Brasil 2025. O estudo apresenta uma análise ampliada do segmento de mercado, a partir da avaliação de 106 plataformas que operam no Brasil - uma ampliação de 46 plataformas em relação ao panorama de 2024.
O levantamento realizado pela Secretaria de Regulação reúne dados coletados em agosto de 2025, aprofundando o monitoramento iniciado em 2022 e também realizado em 2023 e 2024, possibilitando, entre outras análises, a comparação da oferta e da presença de obras brasileiras nas plataformas avaliadas durante o período.

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Publisher da Folha anuncia acordo com empresa de IA 

Publisher da Folha anuncia acordo com empresa de IA  | Inovação Educacional | Scoop.it
publisher da Folha e presidente do Conselho de Administração do Grupo UOL, Luiz Frias, disse na noite desta segunda-feira (30) que está prestes a fechar um acordo de licenciamento de conteúdo com uma empresa de inteligência artificial. Mas não revelou o nome da companhia.

Frias deu a declaração durante uma gravação ao vivo do programa A Hora, no Festival UOL Prime de Jornalismo. Ele e o diretor de conteúdo do UOL, Murilo Garavello, foram entrevistados pelos jornalistas Thais Bilenky e José Roberto de Toledo no auditório da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado), em São Paulo. O evento fez parte das celebrações de 30 anos do portal.


Da esq. para a dir: a jornalista Thais Bilenky, o publisher da Folha, Luiz Frias, o diretor de conteúdo do UOL, Murilo Garavello, e o jornalista José Roberto de Toledo, em gravação do programa A Hora, no Festival UOL Prime de Jornalismo - Mariana Pekin/Uol
"Parece que estamos assinando um contrato de conteúdo com… Posso dizer ou não posso dizer? Em vias de acertar um contrato de conteúdo com [uma empresa de] IA", afirmou Frias, o que fez Toledo insistir em saber mais detalhes.

"Assim que assinarmos, vocês vão ser os primeiros a saber", emendou.

A revelação veio assim que a inteligência artificial foi mencionada pela primeira vez, e o tema monopolizou quase toda a conversa entre o empresário e os jornalistas. A Folha já tem um acordo de conteúdo com outra empresa de IA.

Frias disse haver um "consenso praticamente estabelecido" de que a transformação trazida por essa tecnologia será maior do que a Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, ou o aparecimento da própria linguagem.

"Outro consenso também já bastante estabelecido é que, pela dimensão dessa transformação, ela precisa ser abraçada com muitos cuidados", disse.

Para Frias, a importância do conteúdo jornalístico para as empresas de IA —no treinamento de seus modelos de linguagem, por exemplo— é um indicador de que esse conteúdo não vai desaparecer na era da nova tecnologia.

"Ficaria preocupado se [essas empresas] não quisessem firmar contratos como esse a que me referi há pouco", disse. "A IA tem que trabalhar sobre uma gigantesca base de dados e uma capacidade de processamento também gigantesca. E ela se alimenta muito do jornalismo profissional. E o jornalismo continua investigando, fazendo as perguntas embaraçosas… Ou deveria."

A apropriação do conteúdo jornalístico por empresas de IA é um dos debates mais acalorados do mercado de mídia mundial. E há duas frentes de embate. Em primeiro lugar, está a apropriação de conteúdo jornalístico para treinar modelos de linguagem sem pagar por isso. Em segundo, vem o fato de os chatbots terem potencial para substituir os mecanismos de busca —o que faz soar o alerta para o modelo de negócios do jornalismo.

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O confronto entre empresas de IA e veículos de imprensa tem levado a disputas judiciais pelo mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, o The New York Times processa a OpenAI pelo uso de seus textos sem autorização pelo ChatGPT. Em agosto do ano passado, no Brasil, a Folha iniciou uma ação semelhante, requerendo que a dona do chatbot pare de coletar e usar, sem autorização e pagamento, o conteúdo do jornal.

Frias alertou que vê as ações judiciais como uma ferramenta importante quando houver uso indevido de conteúdo das empresas do Grupo Folha.

"Não é possível que uma tecnologia se aproprie de um conteúdo que custa caro para ser feito e o utilize para fins comerciais", afirmou.

O publisher reconheceu que a nova tecnologia vai forçar as empresas de mídia a passar por adaptações semelhantes às da época do surgimento do Google. Os mecanismos de busca, afinal, oferecem links e levam tráfego para os veículos de mídia, que podem monetizar a audiência. Já os chatbots entregam o conteúdo completo na sua própria interface.


"Não temos resposta sobre tudo o que vai acontecer e não sabemos direito a profundidade dessas mudanças. Mas a capacidade de se adaptar a elas vai ser fundamental", disse Frias.

Na entrevista ao videocast do UOL, o publisher da Folha também mostrou sua visão de como a IA deve ser usada pelos jornalistas —sem substituir o julgamento final de um profissional de imprensa.

"Percebemos a tecnologia como uma ferramenta, deve ser usada para ajudar em pesquisa, no manuseio de dados volumosos. Mas ela não deve substituir o discernimento do jornalista sobre o que está escrevendo nem a revisão final do jornalismo", afirmou.

Diante do debate sobre as mudanças no mercado de trabalho, tema recorrente quando se fala de IA, Frias disse acreditar que dois traços fundamentalmente humanos serão cruciais nos empregos do futuro: resiliência e adaptabilidade.

"A própria história do ser vivo no planeta mostra que a resiliência é um atributo sobretudo humano. E, quanto à adaptabilidade, Darwin dizia que quem sobrevive não é o mais forte ou o mais inteligente, mas aquele que se adapta melhor às mudanças. Isso vale para a espécie humana."

Frias também se mostrou cauteloso nas apostas quanto à nova tecnologia e seus efeitos no mercado de trabalho. Apesar dos discursos de magnatas do Vale do Silício, ressaltou, a adoção corporativa da IA pode ser mais vagarosa.

"No caso do emprego, quem contrata e investe são as empresas. Elas costumam ser mais cautelosas e avessas ao risco do que o público em geral. Essa mudança será feita com essa ressalva. As empresas têm um cuidado maior com segurança. Vai acontecer, mas talvez não na velocidade prevista pelo Elon Musk."

O publisher concluiu sua fala com uma aposta sobre o futuro: para ele, "as coisas mais importantes" vão ser aquelas que o ser humano julgar como tais. "E a capacidade de perceber o que de fato é importante talvez seja uma característica mais humana do que algo que a máquina possa superar."
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Today, 3:57 PM
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As universidades e o desafio da desigualdade social 

As universidades e o desafio da desigualdade social  | Inovação Educacional | Scoop.it

Desde o surgimento dos primeiros agrupamentos humanos, a desigualdade tem sido uma marca das sociedades. Embora hoje esteja entre as prioridades de ação de muitos governos, ela persiste como um paradoxo que alimenta a concentração de riquezas. Poucas nações encontraram caminhos capazes de construir sociedades mais igualitárias e com baixa vulnerabilidade socioeconômica.
Atualmente, a desigualdade é tema de debate em universidades de várias partes do mundo. No entanto, durante boa parte de sua história, essas instituições atenderam a um segmento específico da população, a elite econômica, contribuindo para a estratificação social. No Brasil, não foi diferente. As universidades chegaram tardiamente ao país. A primeira faculdade criada, a Escola de Cirurgia da Bahia, surgiu em 1808, e o acesso ao ensino superior permaneceu, por muito tempo, restrito às elites.
Embora tardio, o Brasil adotou relativamente cedo o modelo de universidades públicas, em princípio abertas a todos. Na prática, porém, essas instituições continuaram acessíveis a uma parcela reduzida da sociedade, formada por jovens com boa escolarização básica, o que não correspondia à realidade da maior parte da população. Até meados do século 21, as universidades públicas eram poucas, e os cursos noturnos, quase inexistentes, dificultavam o acesso de pessoas de baixa renda que precisavam trabalhar.
Embora o sistema público de ensino superior tenha crescido na segunda metade do século 20, o padrão elitizado permaneceu. Foi apenas a partir da primeira década do século 21, com políticas como Sisu, Prouni, Fies e a Lei de Cotas, que houve ampliação do acesso de estudantes de baixa renda, pretos, pardos, indígenas e egressos de escolas públicas, especialmente nas universidades públicas.
Essas políticas alteraram o perfil do estudante universitário brasileiro. Hoje, a maioria das universidades públicas conta com programas de inclusão, apoio estudantil e permanência, tornando esse espaço historicamente elitista mais diverso e representativo da sociedade brasileira.
Apesar dos avanços, persistem barreiras importantes: a menor presença de estudantes socialmente vulneráveis nos cursos mais concorridos, como medicina, direito e engenharias; a limitação de recursos para políticas de permanência, como moradia, alimentação, transporte e materiais acadêmicos; e as dificuldades adicionais de acesso e permanência em universidades de maior prestígio.
Embora ainda haja muito a avançar, as universidades públicas brasileiras têm sido referência, em escala global, na democratização do ensino superior e do conhecimento científico. Ainda assim, é momento de olhar com mais atenção para a estrutura acadêmica. Cursos e disciplinas precisam ser revistos e reinventados em diálogo com as políticas públicas, as novas tecnologias, a sustentabilidade e, sobretudo, a equidade social.

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Today, 6:40 PM
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Relatório | O que queremos da Inteligência Artificial? Resultados e recomendações da consulta pública sobre a regulação da IA no Brasil em 2024

Relatório | O que queremos da Inteligência Artificial? Resultados e recomendações da consulta pública sobre a regulação da IA no Brasil em 2024 | Inovação Educacional | Scoop.it
A Inteligência Artificial (IA) está em um ponto crucial entre inovação e regulação, e o Brasil busca construir caminhos para uma possível regulação dessa tecnologia. O relatório final da Consulta Pública “O que queremos da IA?”, realizada pelo ITS Rio e pela Abranet em 2024, oferece um panorama detalhado das principais recomendações sobre esse tema em alguns eixos estratégicos, como clima, saúde, inovação e educação.
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Today, 6:33 PM
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Guia: Como apoiar a proteção de crianças e adolescentes online?

Guia: Como apoiar a proteção de crianças e adolescentes online? | Inovação Educacional | Scoop.it
O Redes Cordiais, em parceria com o Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), lança, nesta segunda-feira, dia 13 de janeiro, o “Guia para Influenciadores e Comunicadores: como apoiar a proteção de crianças e adolescentes online?”. A publicação surge em um contexto alarmante no Brasil: 42% das crianças e adolescentes já presenciaram discriminação online e 29% delas relataram já ter sido vítimas de situações ofensivas ou perturbadoras, segundo a pesquisa TIC Kids Online 2024. As denúncias de imagens de abuso e exploração sexual infantil na internet, já em 2023, atingiram um recorde histórico no país, ultrapassando 70 mil casos registrados, de acordo com a Safernet.
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Today, 6:30 PM
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Relatório | Como regular a Inteligência Artificial? —

Relatório | Como regular a Inteligência Artificial? — | Inovação Educacional | Scoop.it
A regulação da Inteligência Artificial (IA) é um dos principais assuntos dos últimos anos, mas ainda há uma compreensão reduzida sobre diferentes alternativas regulatórias para além da União Europeia. No Brasil, o Congresso Nacional vem concentrando esforços sobre o texto do Projeto de Lei nº 2.338 de 2023, que busca criar uma legislação ampla sobre o uso da tecnologia no país.
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Today, 6:26 PM
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Relatório | Sustentabilidade na era digital: superação de desafios para PMEs e EMDEs —

Relatório | Sustentabilidade na era digital: superação de desafios para PMEs e EMDEs — | Inovação Educacional | Scoop.it
Com o objetivo de oferecer orientações para melhorar os relatórios de sustentabilidade de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) e Mercados Emergentes e Economias em Desenvolvimento – Emerging Markets and Developing Economies (EMDEs, sigla em inglês), o ITS Rio, junto à  FGV Direito SP e com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), lança o relatório “Sustentabilidade na era digital: superação de desafios para PMEs e EMDEs”.

O estudo, que reúne as contribuições apresentadas no Policy Paper publicado pelo Grupo de Trabalho de Finanças Sustentáveis do G20 (SFWG) e foi construído a partir do debate com especialistas, propõe duas principais melhorias: criar padrões de relatórios que sejam mais simples e acessíveis para as PMEs e EMDEs e utilizar tecnologias digitais para melhorar a qualidade e o acesso às informações.
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Today, 6:23 PM
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Relatório do Seminário Internacional “Inteligência Artificial e Mudança do Clima”

Relatório do Seminário Internacional “Inteligência Artificial e Mudança do Clima” | Inovação Educacional | Scoop.it
Como a Inteligência Artificial pode acelerar a ação climática?
Para responder a essa pergunta, o ITS apresenta o relatório “Inteligência Artificial e Mudança do Clima”. O documento reúne as principais contribuições do seminário internacional realizado em Brasília, em 28 de janeiro de 2025 e destaca como a IA pode ser uma aliada estratégica no enfrentamento da crise climática. O evento foi organizado pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo MCTI, com apoio do ITS Rio, iCS e CGI.br.
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Relatório | Mutirão TecnoClima

Relatório | Mutirão TecnoClima | Inovação Educacional | Scoop.it
Para responder a essa pergunta, o ITS apresenta o relatório “Mutirão TecnoClima rumo à COP 30: navegando pelas águas da tecnologia climática brasileira”. O documento reúne as principais contribuições do evento realizado em Belém (PA), em 29 de maio de 2025, que destacou o papel fundamental dos povos e comunidades tradicionais para tecnologia e clima. O encontro reuniu acadêmicos, gestores públicos, formuladores de políticas, especialistas, representantes do terceiro setor, startups e lideranças tradicionais para debater soluções inovadoras e inclusivas no contexto amazônico e nacional. O evento foi organizado pelo ITS Rio, com apoio institucional do Instituto Clima e Sociedade (iCS) e Ministério das Relações Exteriores, 
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Relatório | ITS e Ronaldo Lemos lançam proposta de Infraestrutura Digital Pública para o Clima na COP30

Relatório | ITS e Ronaldo Lemos lançam proposta de Infraestrutura Digital Pública para o Clima na COP30 | Inovação Educacional | Scoop.it
O texto parte do diagnóstico de que as iniciativas climáticas globais estão fragmentadas e lentas. A proposta do Climate DPI é criar um “sistema operacional” para a ação climática mundial, interligando dados, finanças e inteligência digital. Um conjunto básico de “software do clima”, aberto para todos os países. Assim como rodovias e redes elétricas foram as infraestruturas do século XX, essa infraestrutura digital seria a espinha dorsal da transição verde no século XXI.
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Mudanças climáticas na percepção dos brasileiros 2025

Mudanças climáticas na percepção dos brasileiros 2025 | Inovação Educacional | Scoop.it
A pesquisa foi realizada pela Ipsos-Ipec com 2.600 entrevistados, de 18 anos ou mais, das cinco regiões do Brasil, entre os dias 10 de outubro de 2025 a 11 de novembro de 2025. As entrevistas foram realizadas por telefone com apoio de questionário eletrônico, no sistema C.A.T.I (Computer Assisted Telephone Interview).
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Today, 5:43 PM
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Relatório | Sandboxes Regulatórios de Inteligência Artificial

Relatório | Sandboxes Regulatórios de Inteligência Artificial | Inovação Educacional | Scoop.it

Os sandboxes regulatórios de inteligência artificial têm ganhado destaque como uma ferramenta para testar novas tecnologias em ambientes controlados, permitindo que governos, reguladores e empresas experimentem soluções inovadoras enquanto avaliam seus riscos e impactos. Inspirado em experiências já adotadas em setores como o financeiro, esse modelo busca equilibrar inovação e proteção de direitos, criando espaços de aprendizado antes da implementação em larga escala.
No campo da IA, os sandboxes podem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas mais informadas e adaptáveis, ao aproximar reguladores, pesquisadores e setor produtivo na análise de aplicações concretas da tecnologia. Em um momento em que o debate sobre governança de IA avança no Brasil e no mundo, esses mecanismos surgem como uma possibilidade para promover inovação responsável e fortalecer a construção de marcos regulatórios mais eficazes.

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Jovens fazem 'detox' de IA para voltar a pensar sozinhos

Jovens fazem 'detox' de IA para voltar a pensar sozinhos | Inovação Educacional | Scoop.it

Detox sempre foi sinônimo de limpar o organismo. Depois das festas, muita gente corta açúcar, álcool e ultraprocessados para "reiniciar" o corpo. Mas e se o exagero não for alimentar? E se o excesso for de respostas prontas, textos estruturados e ideias entregues em segundos?
Nas redes sociais, cresce o número de jovens que dizem estar fazendo um "desmame" da inteligência artificial. O motivo: a sensação de que já não conseguem mais pensar sozinhos.
Foi o que levou Gabriela Nunes, 26, a publicar um vídeo no TikTok contando que decidiu reduzir drasticamente o uso do ChatGPT. "A inteligência artificial entrou na minha vida num contexto de trabalho, em que eu precisava escrever textos e montar propostas. Ele virou parte vital da minha rotina. A primeira aba que eu abria no computador era a IA", relata.
Com o tempo, algo começou a incomodar. "Meu cérebro achou ótimo não precisar pensar. E eu percebi que não estava mais conseguindo criar nada, nem pensar em coisas básicas do dia a dia", diz a influenciadora.
O vídeo viralizou —e não foi um caso isolado. Basta buscar pela expressão "vício em IA" para encontrar dezenas de relatos semelhantes.
Entre eles está o de Vinicius Amorim, 22, universitário. "Eu senti que estava ‘emburrecendo’ no momento em que fui redigir uma redação para uma entrevista. Meu pensamento estava lento", diz.
Segundo ele, a dependência foi gradual. "Passei a delegar à IA todos os tipos de tarefas possíveis. Já não sabia mais identificar quais pesquisas e projetos eram realmente feitos por mim", conta ele, que descreve uma sensação de inferioridade intelectual. "Eu acreditava que ela pensava e realizava tudo muito melhor do que eu."
Há um ano, Vinicius tenta se desvincular das ferramentas. O processo, segundo ele, é desconfortável. "É como se eu estivesse reaprendendo a pensar. Em muitos momentos, me sinto frustrado e chego a acreditar que sou uma fraude", lamenta.
Ele explica que o reconhecimento profissional passou a gerar culpa. "As pessoas me admiram, mas eu sei que a maioria dos feitos aplaudidos foi realizada por um robô."
Se alguns tentam reduzir o uso, outros optam por rejeitar a ferramenta desde o início. É o caso de Kawany Nascimento, 22, assistente em uma empresa de comunicação. Ela observa colegas utilizando IA para tarefas cotidianas. "Reconheço um texto feito por inteligência artificial de longe", afirma.
Para Kawany, o problema vai além da praticidade. "Estamos entregando para as máquinas o nosso papel como pensador", avalia. "É assustador as pessoas não olharem para isso com uma perspectiva mais crítica."
Ao mesmo tempo, ela admite sentir pressão. Quando expõe sua posição, ela diz que costuma ser vista como "careta" ou "extremista". "Tenho aquela sensação de que, se continuar com esse pensamento, profissionalmente, vou parar no tempo", conta. "Falam: ‘É só usar para te auxiliar’."
Entre o ganho de produtividade e o risco de acomodação, o equilíbrio parece ser o ponto central. Pedro Gabriel Miziara, 28, produtor e diretor com mais de 200 mil seguidores no TikTok, descreve a ferramenta como algo que pode facilmente sair do controle. "Não é uma muleta, é uma cadeira de rodas completa", compara.
Ele conta que usa IA como assistente para revisar textos ou verificar se cumpriu um briefing, mas evita delegar a criação inteira. O que mais o incomoda é a homogeneização. "As respostas são muito homogêneas. Se todo mundo usa sem critério, vira tudo igual. A gente não quer uma internet onde tudo soa igual", diz.
Pedro também relata já ter recebido roteiros e briefings claramente produzidos por IA. "Tem vícios de linguagem que a gente reconhece", afirma. "Fico triste quando percebo esse caminho mais preguiçoso."
Para a psicóloga clínica e educacional Daniela Pereira, o fenômeno tem nome: terceirização cognitiva. "O cérebro humano é econômico; ele sempre busca o caminho que exige menos esforço", explica. "Se existe uma ferramenta que organiza ideias e entrega tudo estruturado, é natural que ele passe a usá-la com frequência."
O problema surge quando aparece a sensação de incapacidade sem a ferramenta. "A autonomia mental se desenvolve no esforço, na tentativa e no erro. Quando esse treino diminui, pode surgir a sensação de ‘eu não sei pensar sozinho’. Muitas vezes, não é que a pessoa não saiba —ela desaprendeu a sustentar o esforço de pensar."
Daniela explica que pode haver uma espécie de dependência funcional. Em adolescentes, o impacto pode ser maior, já que habilidades como argumentação e raciocínio abstrato ainda estão em formação. "Não é química, mas a pessoa começa a sentir que só consegue produzir se estiver com a IA aberta", afirma.
Os sinais de alerta incluem dificuldade de iniciar tarefas sem consultar a IA, desconforto diante de perguntas abertas e sensação de "branco" mental quando se está sozinho com o próprio pensamento. "A pergunta central é: a ferramenta está ampliando o pensamento ou substituindo?", diz a psicóloga.

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Entre o streaming e o cinema, a quem se destina a atenção?

Além disso, a adaptação do cinema a uma nova realidade tecnológica já está acontecendo de outras formas. Algumas produções têm apresentado mudanças em razão da diminuição do interesse da audiência nos filmes de longa duração. Isso, contudo, não resulta apenas do streaming. Quem esteve recentemente em uma sala de cinema percebe que ela já não é tão silenciosa (nem escura) quanto costumava ser. O filme agora disputa atenção com algo que não existia quando o cinema se consolidou: a presença constante do celular.
Em um artigo recente da revista do jornal francês Le Monde, pais afirmam não conseguir manter os seus filhos jovens por muito tempo concentrados em assistir a um filme e atribuem a responsabilidade às redes sociais pela falta de atenção de seus filhos. O acúmulo de conteúdos rápidos e o vício em telas são os principais fatores relatados pelos entrevistados. Neste caso, as plataformas de compartilhamento de vídeo seriam a parte mais importante desta equação.
Em uma análise semelhante, no entanto, um pouco mais preocupante, é a reportagem do jornal The Atlantic de janeiro de 2026. A notícia retrata a crise de atenção vivenciada por estudantes de faculdades de cinema. Professores mencionam desistência dos alunos em acompanhar as obras que fazem parte do currículo universitário. Em outros termos, aqueles que serão futuros criadores de obras cinematográficas não conseguem permanecer assistindo filmes longos como antes.
Essa condição nos sinaliza que a mudança no formato das obras cinematográficas talvez não seja apenas consequência de uma demanda da audiência, porém resultado de uma alteração estrutural na sua forma de criação. Afinal, aqueles que produzirão obras também farão parte de uma sociedade que, de modo geral, talvez não goste de criações longas. A adaptação da produção cinematográfica pode fazer parte de um processo orgânico, não necessariamente benéfico, que nasce tanto do público quanto de quem produz os filmes.
De todo modo, independentemente das proposições sobre o futuro da produção, quando analisamos a exibição, uma certeza que temos é que, em meio à transição tecnológica e à crise de atenção, as salas de cinema são fortemente impactadas. Em razão disso, a regulamentação do setor audiovisual se mostra ainda mais essencial. Uma das principais demandas do PL 2.331/2022, nesse viés, aborda justamente a extensão da janela de exibição, período exclusivo entre o lançamento nas salas e a chegada ao streaming.
Na proposta do PL, os filmes precisam ser disponibilizados por pelo menos nove semanas no cinema antes de entrarem no catálogo das plataformas. Quando a gente pensa nos 6 anos que separavam o E.T. do cinema de sua fita de vídeo, parece inacreditável. Mas a realidade se impõe e a medida representa uma necessidade que visa equilibrar o setor e garantir a sustentabilidade das salas de exibição.
No fim das contas, a disputa entre cinema e streaming talvez seja menos uma batalha tecnológica do que uma disputa pela atenção do público. As salas de cinema oferecem uma experiência coletiva, contínua e concentrada; as plataformas digitais competem em um ambiente fragmentado, no qual filmes disputam espaço com séries, vídeos curtos e redes sociais.
É nesse contexto que a regulação do setor audiovisual ganha importância. Medidas como a definição de janelas mínimas de exibição ou a criação de regras para as plataformas de VOD não dizem respeito apenas à economia da indústria, mas também à preservação de um ecossistema cultural mais diverso.
O cinema já sobreviveu à televisão, ao videocassete e ao DVD. Provavelmente também sobreviverá ao streaming. Mas sua sobrevivência dependerá de algo mais complexo do que tecnologia: da forma como conseguimos proteger, valorizar e reorganizar a atenção do público em um mundo cada vez mais saturado de telas.

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Governo quer Enem obrigatório para avaliar educação básica

Governo quer Enem obrigatório para avaliar educação básica | Inovação Educacional | Scoop.it

O MEC (Ministério da Educação) planeja tornar o Enem obrigatório a todos os estudantes concluintes do ensino médio público após definir o uso do exame como parte do sistema de avaliação da educação básica.
A decisão de integrar o Enem ao Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) foi oficializada em portaria publicada no Diário Oficial de terça-feira (31). A equipe do ministro Camilo Santana ainda não fechou, no entanto, os detalhes técnicos de como isso vai ocorrer —e há muitos desafios.

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April 1, 3:53 PM
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Endividamento das famílias se aproxima da máxima histórica, diz BC

Endividamento das famílias se aproxima da máxima histórica, diz BC | Inovação Educacional | Scoop.it
Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias se aproxima da máxima histórica. O nível foi de 49,7% em janeiro, levemente atrás de julho de 2022, quando atingiu 49,9%, o pico da série estatística, iniciada em janeiro de 2005.

O Banco Central calcula o nível de endividamento das famílias com base na RNDBF (Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias). O indicador mede a disponibilidade do dinheiro nas mãos da população brasileira. É como um termômetro que mede a força do bolso das famílias.
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