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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Inovação Educacional
January 7, 3:58 PM
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Há cinco meses no cargo de presidente de Assuntos Globais da Microsoft, Lisa Monaco está no controle de um arsenal de recursos que faz jus à sua missão na companhia: comandar estratégias internacionais para tornar o ciberespaço um lugar mais seguro e cultivar o relacionamento com governos e organizações civis em torno de parcerias capazes de acelerar a adoção de novas tecnologias, em particular a inteligência artificial (IA). É, em resumo, a face institucional da empresa de US$ 3,5 trilhões, uma das mais valiosas do mundo.
Monaco está acostumada à pressão. Ela cresceu nos arredores de Boston, Massachusetts - “é uma cidade muito pequena, devem caber umas dez iguais em São Paulo”, comenta - mas passou boa parte da carreira em Washington, DC, onde trabalhou durante duas décadas no serviço público. Foi assessora sênior de segurança nacional no segundo mandato do presidente Barack Obama e atuou como vice-procuradora-geral na administração Joe Biden.
Em setembro, seu nome despertou curiosidade depois de Donald Trump conclamar publicamente que a Microsoft a demitisse. Na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que o cargo dava a Monaco acesso a informações governamentais confidenciais, já que a Microsoft atende o governo dos Estados Unidos, e a chamou de “ameaça à segurança nacional”.
Não foi o primeiro ataque. Trump já havia revogado as autorizações de segurança de Monaco e de outras pessoas que atuaram em administrações anteriores. Na era Biden, ela trabalhou diretamente com o então procurador-geral Merrick Garland - que conduziu a reação do Departamento de Justiça aos ataques ao Capitólio, em janeiro de 2021 - e foi uma figura de ponta na resposta aos responsáveis.
O Norte global está adotando e usado a IA a uma taxa duas vezes maior do que o Sul global” “Meu trabalho na Microsoft está focado em atividades internacionais. Não trabalho com nenhum contrato do governo dos Estados Unidos”, diz ela, quando perguntada sobre o impacto da declaração de Trump em sua vida. A Microsoft não comentou o assunto na época, mantendo-a como uma de suas principais executivas globais.
Graduada em Ciências Humanas pela Universidade de Harvard, com doutorado em Direito pela Universidade de Chicago, Monaco diz que a IA traz tanto oportunidades como riscos e que é preciso treinar cada vez mais pessoas para que a tecnologia seja usada de forma responsável. Em São Paulo, ela anunciou uma parceria com o Serviço Nacional da Indústria (Senai), que prevê capacitar 50 mil pessoas em cibersegurança até o fim deste ano. O projeto inclui o treinamento de docentes e um curso on-line para alunos e não alunos do Senai.
Monaco diz que a inteligência artificial está sendo difundida mais rapidamente que qualquer outra tecnologia na história, mas não de maneira igualitária. “O Norte global está adotando IA ao dobro do ritmo do Sul”, afirma.
O Brasil, onde quase 16% da população economicamente ativa usa inteligência artificial regularmente, tem chances de se tornar líder internacional na área, enfatiza. A taxa é superior à de países como China e Índia, mas ainda há 85% de espaço praticamente inexplorado.
Expandir a IA em escala global requer que informações em vários idiomas, incluindo português, estejam disponíveis para alimentar os modelos de linguagem que servem de motor à tecnologia. Relatório da Microsoft mostra que, atualmente, 50% desses dados estão em inglês, embora só 5% da população mundial seja falante do idioma. É um evidente desequilíbrio. O estudo revela que em países onde majoritariamente se falam idiomas com baixa presença digital a adoção de IA ocorre a um ritmo 20% mais lento que em países cuja língua mostre grande disponibilidade de dados.
A maior parte dos dados para IA está em inglês. Português é pouco. É preciso reverter essa tendência” Fazer esse balanceamento implica questões como direitos autorais e compensação financeira a quem provê as informações. Nos Estados Unidos, diz Monaco, as plataformas de mídia social afetaram duramente a indústria de notícias, que vem encolhendo. “Temos de compensar os criadores de conteúdo e, ao mesmo tempo, garantir que não estejamos promovendo uma regulação que ‘estrangule’ a inovação”, afirma a executiva, que esteve recentemente em São Paulo.
A seguir, os principais trechos da entrevista.
Valor: O que traz a senhora ao Brasil?
Lisa Monaco: Sou nova neste cargo, que reúne [gerenciar] nossa experiência em cibersegurança e a equipe de engajamento global da Microsoft em 50 países. Venho para interagir com autoridades governamentais, clientes, nossa equipe local. A missão é ganhar e sustentar a confiança dos clientes, governos e comunidades que servimos.
Valor: Qual a importância do Brasil para a Microsoft?
Monaco: Já estamos aqui há 36 anos, então esse é um compromisso de longo prazo para ajudar a impulsionar a economia brasileira. Basta olhar ao redor e ver o quão empolgante é isso. Em 2024, [o CEO] Satya Nadella esteve aqui, em setembro, para anunciar um investimento de quase R$ 15 bilhões em IA e computação em nuvem, com a construção de três centros de dados no Estado de São Paulo. [O aporte] vai impulsionar e alimentar a infraestrutura de IA e nuvem que, por sua vez, será um ecossistema que desenvolvedores e startups do país poderão usar para impulsionar seu crescimento e a economia baseada em IA.
Valor: E quanto ao programa de capacitação anunciado por ele no ano passado?
Monaco: O anúncio era de treinar 5 milhões de brasileiros até 2027 e, assim que cheguei, perguntei à equipe: Como estamos indo? Já chegamos à metade [da meta], com 2,5 milhões de brasileiros treinados. O mais importante é que 800 mil deles receberam certificação que pode se traduzir em emprego real. Treinamento é importante, mas como isso se traduz em produtividade e emprego? É nisso que estamos focados. [Como parte dos meus compromissos] estou lançando um programa no Senai [Serviço Nacional da Indústria] para oferecer treinamento e educação a jovens em cibersegurança, porque, no fim das contas, as pessoas não vão usar tecnologia em que não confiam. E elas precisam estar preparadas para prosperar nessa economia digital, o que significa ter as habilidades para entender de onde vêm as ameaças e usar a tecnologia de forma responsável.
Valor: Que áreas de atividade podem se beneficiar mais da inteligência artificial, principalmente no que se refere a projetos públicos?
Monaco: As oportunidades são ilimitadas, da biotecnologia e indústria farmacêutica até agricultura, medicina, segurança pública, educação. Por exemplo, professores podem usar IA para apoiar seus planos de aula e ajudar a corrigir trabalhos escolares - algo transformador por si só. Já vimos os benefícios da IA em diagnósticos médicos e há ganhos enormes a serem obtidos na manufatura. Não há limites.
Valor: Com que velocidade a IA vem sendo adotada?
Monaco: Recentemente lançamos um relatório de nosso “think tank” interno, chamado Instituto de Economia da IA, para estudar quão ampla e rapidamente a IA está sendo adotada pela população trabalhadora. O que descobrimos foi muito interessante. A IA está sendo difundida nas economias e países mais rapidamente que qualquer outra tecnologia, mais que a eletricidade, a máquina a vapor, a internet. Mas não está sendo difundida de maneira uniforme. O Norte global está adotando e usando IA a uma taxa duas vezes maior que o Sul global.
Valor: E o Brasil?
Monaco: A boa notícia é que o Brasil está posicionado para ser líder nesse espaço. Nosso estudo revelou que quase 16% - 15,5% - da população brasileira em idade economicamente ativa usa IA em seu trabalho. É uma taxa mais alta que a da Índia ou China. Isso mostra que a economia brasileira tem sede de IA. Mas também mostra que ainda há 85% de potencial a explorar.
Valor: Quais são os principais riscos ou ameaças da IA?
Monaco: Toda tecnologia traz oportunidades e riscos. Brad Smith [vice-presidente do Conselho e presidente da Microsoft] escreveu um livro inteiro sobre isso - “Armas e Ferramentas [o futuro e o perigo da era digital, Alta Books, 2021]”. A IA é um grande exemplo desse tipo de dualidade. O que vemos no contexto cibernético é que a IA está sendo usada por agentes mal-intencionados para aprimorar seus ataques, aperfeiçoando-os por meio de engenharia social e phishing [golpes para obter dados confidenciais]. Mas a tecnologia também está ajudando a implementar defesas. Então, ajuda tanto no ataque quanto na defesa. Obviamente, já vimos que o uso irresponsável da IA pode acarretar riscos e, por isso, o foco da Microsoft é impulsionar a inovação responsável.
Valor: Como fazer isso?
Monaco: Acreditamos em estabelecer limites, em colocar barreiras tanto no desenvolvimento quanto na implantação e no uso responsável da IA. Novamente, há riscos e oportunidades incríveis, e precisamos estar atentos a ambos, porque, no fim das contas, as pessoas não vão usar tecnologia em que não confiam. Então é muito importante reconhecer essas preocupações e responder a elas.
Valor: Em muitos países, legisladores discutem a regulação da IA. Como evitar os potenciais danos do uso inadequado ou ilegal da IA, sem prejudicar o ritmo da inovação?
Monaco: A palavra-chave, que sempre devemos buscar, é equilíbrio. Precisamos dessas barreiras, de linhas bem definidas, porque isso é muito importante para os negócios e para a inovação. E precisamos que os legisladores - incluindo governo, formuladores de políticas etc. - promovam uma regulação equilibrada, favorável à inovação. Não defendemos ausência de regulação; defendemos inovação responsável, que vai fornecer limites e dar às pessoas a confiança de que podem usar essa tecnologia.
Valor: Um dos requisitos para treinar modelos de linguagem é expô-los ao máximo de informações, o que muitas vezes envolve utilizar dados protegidos por direitos autorais. Como estimular a diversidade das fontes de dados, garantindo os direitos autorais?
Monaco: Isso faz parte do equilíbrio que buscamos. Queremos proteger os direitos dos criadores e, ao mesmo tempo, beneficiar o desenvolvimento desses modelos a partir de materiais publicamente acessíveis. O que é especialmente importante é garantir acesso e apoiar o treinamento e desenvolvimento de modelos em todos os idiomas.
Valor: Por quê?
Monaco: A maior parte dos dados de treinamento e dos modelos de IA está em inglês. Obviamente, uma grande porcentagem da internet está em inglês; o português representa uma parte muito pequena. Precisamos reverter essa tendência, porque esses modelos só serão realmente benéficos se os dados representarem as pessoas e comunidades que buscamos atender. Isso é muito, muito importante. Uma das coisas que estamos fazendo, tanto aqui quanto em outros países, com o que chamamos de idiomas de poucos recursos, é ajudar a desenvolver modelos usando dados nesses idiomas.
Valor: Grupos jornalísticos de várias partes do mundo defendem que as empresas de IA deveriam, como norma, pagar pelo uso de seu conteúdo. O que a sra. acha?
Monaco: Uma das coisas que vimos ao longo do tempo é que a indústria de notícias - e isso é particularmente verdadeiro nos Estados Unidos - encolheu bastante como resultado do desenvolvimento de algumas plataformas de redes sociais e coisas do gênero. O que estamos tentando fazer é criar um canal para mais informação, para mais startups, para um volume maior de conteúdo em uma série de idiomas; e então fazer com que startups e desenvolvedores usem essa informação para impulsionar a produção desses modelos de IA. Acho que temos que compensar os criadores, e, voltando ao ponto que você mencionou, garantir que não estejamos promovendo uma regulação que de algum modo, como ouvi recentemente de um ministro, “estrangule” a inovação. Achei essa uma imagem muito viva, muito forte. O foco deve ser promover mais criatividade, mais produção, usando a tecnologia.
Valor: Neste ano teremos eleições gerais no Brasil. As redes sociais já desempenham um papel crucial nos campos político e ideológico. Que influência a IA pode ter nessas dinâmicas?
Monaco: Nos últimos anos temos observado historicamente como a IA tem o potencial de ser utilizada de maneira indevida, assim como outras tecnologias antes dela. Com isso, voltamos ao conceito de ferramentas e armas. Já vimos o potencial de gerar conteúdo sintético ou por IA. A Microsoft foi uma das pioneiras ao liderar o Tech Accord [lançado em 2018 e que hoje reúne 160 empresas], que defende a rotulagem de conteúdo [identificação de material produzido por IA], especialmente quando se trata de eleições. Vejo um grande benefício na transparência.
Valor: Meses atrás, o presidente Donald Trump disse publicamente que a Microsoft deveria demiti-la do cargo. Ele também a incluiu em uma lista de pessoas que trabalharam no governo e cujas autorizações de segurança foram revogadas. Como recebeu essa declaração e que impacto isso teve na sua vida?
Monaco: Meu trabalho na Microsoft está focado, como demonstra minha vinda ao Brasil, em atividades internacionais. Não trabalho com nenhum contrato do governo dos EUA. Visitei provavelmente outros seis ou sete países nos meus primeiros cinco meses no cargo. É um privilégio enorme realizar esse trabalho com a equipe fantástica do Brasil. Temos muito trabalho a fazer.
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Inovação Educacional
January 7, 3:37 PM
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Entre notificações incessantes, feeds infinitos e a cabeça tentando dar conta de várias tarefas simultâneas, estamos perdendo a capacidade de escutar com atenção. Essa dificuldade de ouvir o outro pode estar na raiz de muitos dos problemas que enfrentamos hoje: conexões superficiais, aumento dos divórcios, conflitos armados, polarização e solidão. Como resgatar a arte de ouvir em meio a tanta dispersão?
Por que não escutamos de verdade?
Além de incentivar interações mais rápidas e superficiais, o celular tornou mais fácil adiar conversas para um momento de maior disposição e interesse —algo impossível no contato olho no olho. No ambiente digital, também é comum ver diálogos se transformando em duelos de quem grita mais alto para defender seu ponto de vista.
The Summer Hunter "Uma das coisas que mais me preocupa é que as pessoas não se olham mais nos olhos", disse o físico, escritor e astrônomo Marcelo Gleiser em entrevista ao The Summer Hunter. "Quando você interage através de uma tela, está vendo apenas uma projeção plana de uma outra pessoa".
Ele explica que evoluímos durante 300 mil anos para podermos interagir de uma forma holística. Ou seja, a comunicação não se dá apenas com a voz ou as palavras: o corpo tem uma linguagem. Não interagir ao vivo e não ter uma troca direta de emoções é, no seu ponto de vista, uma perda muito perigosa para nossa humanidade.
Ao mesmo tempo, o ritmo acelerado da vida moderna, e o excesso de estímulos digitais têm sequestrado a nossa atenção. E o próprio fato de vivermos em um mundo cada vez mais barulhento interfere na escuta. Em meio a tantos estímulos sonoros, buscamos refúgio em fones de ouvido com cancelamento de ruído, criando bolhas individuais nas quais ninguém está realmente disposto a sequer perceber quem está à sua volta.
Fugindo do silêncio incômodo
Algumas vezes, o medo de ter que lidar com alguns segundos de silêncio nos leva a formular mentalmente uma resposta enquanto a outra pessoa ainda fala. Mas ouvir de verdade vai além de aguardar o momento certo de opinar. É estar presente, perceber os detalhes, captar as entrelinhas.
Além disso, apesar de serem incômodas, as pausas na comunicação são necessárias em certas situações. Algumas conversas exigem tempo para refletir e processar. Nesse sentido, o silêncio pode ser valioso, permitindo que os argumentos sejam avaliados com mais consideração.
A dificuldade de escutar também pode nascer de um mecanismo inconsciente de autoproteção. Ouvir o outro de forma profunda pode nos obrigar a confrontar sentimentos, assumir responsabilidades ou rever certezas confortáveis. Quando alguém expressa dor, frustração ou crítica, a escuta verdadeira exige vulnerabilidade. Assim, evitamos escutar para não ter que lidar com o desconforto que a honestidade do outro provoca.
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Por que é comum sentir angústia aos domingos? Como tornar o ambiente da academia menos tóxico? A importância de dar uma sumida para o bem da sua saúde mental O que perdemos
Quando escutamos com atenção, demonstramos à outra pessoa que nos importamos com ela —e isso gera trocas que realmente fortalecem laços e criam conexões profundas. Sem uma escuta atenta e envolvimento verdadeiro, conversas se resumem a trocas de informações. Ouvir também é o primeiro passo para compreender o outro.
Não por acaso, William Ury, cofundador do Programa de Negociação de Harvard, considera essa habilidade a ferramenta mais poderosa na resolução de conflitos. "No escutar atento, não escutamos apenas o que foi dito, mas o que não foi dito. Não escutamos apenas as palavras, mas o que há por trás delas. Escutamos as emoções, os sentimentos, e as necessidades subjacentes", disse ele no TEDx The Power of Listening.
Uma questão de treino
Para exercitar a escuta ativa, o primeiro passo é óbvio: ouvir atentamente o que o outro está dizendo — sem responder aquela mensagem de WhatsApp ou pensar na comida que está estragando na geladeira ao mesmo tempo. Além de fazer pequenas pausas para refletir quando necessário, é bom mostrar interesse fazendo perguntas.
Durante uma conversa, é natural lembrar de situações semelhantes que você ou pessoas próximas já viveram. Se compartilhadas de forma breve, essas histórias podem oferecer acolhimento, reforçar o que foi dito e até inspirar soluções.
No entanto, é preciso equilíbrio: se estender demais ou recorrer a esse hábito com frequência pode desviar o foco do outro e colocá-lo sobre você. Aqui, a regra é simples: ouvir mais e falar menos. Por fim, evite interromper. Esse é um gesto simples, mas poderoso: dar espaço para que a outra pessoa conclua seu pensamento permite que ela se expresse com clareza e segurança, criando um diálogo mais equilibrado e respeitoso.
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January 7, 3:31 PM
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Isso foi feito pela primeira vez na Suméria, 5.000 anos atrás. Mas o símbolo (0) que usamos hoje para esse fim remonta ao início da nossa era na Índia, onde era chamado "chúnia" ("vazio" ou "nada"). A essa altura, ainda não era considerado um número: não passava de uma representação simbólica da ausência (de unidades, de dezenas etc.). O novo conceito só começaria a ser tratado como número de verdade no século 7, quando o matemático indiano Brahmagupta (598–668) explicou como fazer operações com ele. Chegou ao Ocidente europeu durante a Idade Média, pelas mãos dos árabes, tendo sido popularizado pelo "Livro do Ábaco" do italiano Leonardo Fibonacci (1170-1250). Fibonacci o chamou de "zephirum", do que resultou o nosso "zero".
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January 7, 3:10 PM
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Um tribunal dos Países Baixos declarou inválido o matrimônio de um casal porque os votos, gerados por inteligência artificial, não incluíam as fórmulas legais obrigatórias. O casamento aconteceu em abril de 2025 em Zwolle, no norte do país. Como queria uma cerimônia civil, o casal pediu a um amigo que a celebrasse. O amigo recorreu ao ChatGPT para redigir os votos. No entanto, segundo uma sentença proferida ontem pelo tribunal de Zwolle, um requisito essencial foi ignorado: a inclusão de uma declaração legal na qual os contratantes afirmam que cumprirão todas as obrigações legais decorrentes do casamento.
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January 6, 8:18 PM
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Do ponto de vista neurocientífico, a procrastinação é um cabo de guerra entre dois sistemas. Um é o sistema de ameaça, ativado quando uma tarefa parece incerta, trabalhosa ou avaliativa. Isso gera pensamentos como “E se ficar péssimo?” ou “E se eu falhar?”. O outro é o sistema de recompensa, ativado por tudo o que parece bom agora (rolar o feed, arrumar coisas, trocar mensagens com amigos).
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January 6, 12:35 PM
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nos um livro (sem ser a bíblia) por vontade própria nos últimos 3 meses. A proporção que lia por vontade própria caiu 10% apenas nos últimos 5 anos. Quando questionados sobre porque não liam, chama a atenção na pesquisa brasileira que, entre 2019 e 2024, o principal aumento esteve concentrado nos motivos “porque não gosto” e “porque prefiro outras atividades” Tentativas recentes de reduzir uso de telas nas escolas sugerem que seus impactos sobre aprendizagem são enormes. Em estudo com Luca Moreno-Louzada, Thiago da Costa e Matthew Gentzkow, avaliamos o impacto da política de restrição ao uso de telas nas escolas introduzida pelo município do Rio de Janeiro a partir de agosto de 2023, um ano e meio antes da política nacional. Comparando escolas que ainda não tinham regras rígidas para o uso do celular antes da política com as demais, antes e depois do decreto municipal, mostramos que, se não havia diferença de trajetórias de aprendizagem ao longo do tempo entre um e outro grupo, nas escolas onde o uso tinha mais espaço para cair as notas dos alunos em testes padronizados avançaram 11% em Língua Portuguesa e mais de 25% em Matemática após as novas regras. Como 3 de 4 alunos brasileiros ainda estuda em tempo parcial, é natural imaginar que a aprendizagem siga acontecendo em casa, inclusive através da leitura. Se, contudo os adultos e idosos leem cada vez menos, no Brasil e no mundo - aprisionados em frente às telas (dos smartphones à televisão) -, como esperar que seus filhos desenvolvam o prazer pela leitura?
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January 5, 7:18 PM
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Ignoring the problem of online gullibility felt irresponsible – even negligent. How could the course deliver on its aim of helping students become “effective and responsible participants in American democracy” if it turned a blind eye to digital misinformation? At the same time, a major overhaul of a course that enrolls more than 4,000 students each year – with 15 instructors teaching 42 sections in person, online and in a hybrid format – would create a logistical nightmare.
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January 5, 7:16 PM
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Studies show that large language models do more than simply pass along information. Their responses can subtly highlight certain viewpoints while minimizing others, often without users realizing it.
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January 4, 7:24 PM
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Merging humans and machines Science fiction set in the 2050s is full of examples of humans using technological enhancements to feel fitter, happier and more productive.
In the 2000 hit game Deus Ex - set in 2052 - the player can inject themselves with tiny robots called "nanites".
These microscopic robots manipulate matter on atomic levels, giving superhuman abilities such as enhanced speed and the ability to see in the dark.
Eidos In the video game Deus Ex, the protagonist - who enhances his abilities with augmentations - investigates a global conspiracy involving a terrorist group and secret societies It sounds like something from the distant future, but nanotechnology - engineering at a scale of millionths of a millimetre - is already used in lots of everyday real-life tech.
In fact, it is powering the way you are reading these very words right now - every smartphone or computer is run by a central chip made up of billions of tiny transistors - electrical components built on a nanoscale to speed up data processing.
Professor Steven Bramwell at the London Centre for Nanotechnology told the BBC by 2050 we should expect the lines between machines, electronics and biology to be "significantly blurred".
That means we could see nanotechnology implants by then - but more to "monitor your health or aid communication" rather than to appear invisible, as in Deus Ex.
Medicine could also make common use of machines at a nanometre scale to "deliver drugs to exactly where they need to go", said Professor Bramwell.
Cybernetics professor Kevin Warwick is equally interested in studying augmentations, going one step further than most.
In 1998 he became the first human to have a microchip implanted into his nervous system, earning him the title "Captain Cyborg".
Professor Warwick believes by 2050, advancements in cybernetics - the science studying the links between natural and mechanical systems - could lead to trailblazing treatments for diseases.
Kevin Warwick Professor Warwick has undertaken several pioneering experiments with the chip, including controlling a robot arm across the Atlantic Ocean using only his brain. He predicts the use of "deep brain electronic stimulation" as a partial treatment for some conditions such as schizophrenia, rather than medicine.
He adds it is likely we'll see more cybernetic enhancements of the kind he has already trialled himself, so that "your brain and body can be in different places".
And what if we wanted to test out how the latest enhancement, or even new diet worked on our bodies, without any risks of experiencing the side effects?
Professor Roger Highfield, director of the Science Museum Group believes "digital twins" - virtual versions of a physical object, updated using real time data - could become a regular feature in our lives.
He imagines a world where each of us could have "thousands of simplified twins", using them to explore how "different medications or lifestyle changes affect your unique biology".
In other words, we could preview our futures before we live them.
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January 4, 7:15 PM
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O valor anual mínimo por aluno Fundeb (VAAF-MIN) nacional para o próximo ano é de R$ 5.962,79; e o valor aluno ano total mínimo nacional (VAAT-MIN) foi estabelecido em R$ 10.194,38.
Complementações da União Em 2026, o percentual de complementação da União atingirá seu valor máximo de 23% e contemplará cerca de 4 mil Municípios. A complementação segue sendo repassada em três modalidades:
1ª. Complementação-VAAF-Valor Aluno Ano Fundeb (10%): estimada em R$ 30,1 bilhões. Esses recursos beneficiarão 10 Estados e os seus 1.849 Municípios: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio de Janeiro.
2ª. Complementação-VAAT-Valor Aluno Ano Total (10,5%): estão previstos R$ 31,6 bilhões. Em 2026, serão beneficiados 2.479 Municípios em 26 Estados. Duas redes estaduais de ensino serão beneficiadas com esses recursos, a do Maranhão e do Piauí.
3ª. Complementação-VAAR-Valor Aluno Ano Resultado (2,5%): será de R$ 7,5 bilhões, beneficiando 3.034 redes de ensino, sendo 3.025 redes municipais nos 26 Estados e nove redes estaduais (Alagoas, Amazonas, Goiás, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná e Sergipe).
Em 2025, 136 Entes que receberam a complementação VAAR deixarão de receber esses recursos em 2026; por outro lado, 328 passarão a ser contemplados. Quanto à complementação VAAT, 179 Entes não terão mais esse repasse, enquanto 286 Municípios que não foram beneficiados no exercício anterior passarão a receber os recursos neste ano. Diante desse novo cenário, é fundamental que os Entes federativos estejam atentos às regras específicas de aplicação dos recursos, a fim de assegurar sua correta utilização e o cumprimento da legislação vigente.
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January 3, 9:28 AM
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Concentração de matrículas em grandes redes revela que mudanças estruturais dependem de vontade política, implementação competente e fortalecimento das diretorias regionais Por Priscila Cruz Estados e municípios que reúnem 37,6 milhões de matrículas podem puxar uma transformação sistêmica na educação — Foto: Gabriel de Paiva O Brasil tem 5.570 municípios, 26 estados e um Distrito Federal. São 5.597 entes federativos com rede de escolas públicas próprias, que totalizam 37,6 milhões de matrículas. Mas apenas 73 estados e municípios, 1,3% do total dos entes, concentram metade de todas essas matrículas da Educação Básica. Se Pareto postula que 20% das causas geram 80% dos resultados, na educação temos um “Pareto turbinado”. Esta não é uma mera curiosidade estatística, mas uma lente crucial para traçar caminhos para a melhoria da qualidade educacional diante da escala brasileira e da influência técnico-política que esses estados e grandes municípios têm nos municípios menores. Em outras palavras, 73 CPFs (sendo 27 governadores e 46 prefeitos) têm o mandato e, mais, a obrigação de mudar a educação brasileira. Não vejo impossibilidade alguma – nem de recursos, nem de clareza em relação às políticas que precisam ser bem implementadas – para termos no país uma revolução educacional em dez anos (um pouco mais de duas gestões). Temos bons casos de redes grandes e que devem ser disseminados, transformando boas práticas isoladas em políticas estruturadas, sustentáveis e escaláveis. Pernambuco é exemplo de Educação Integral; Ceará, de gestão escolar; Vitória, de formação docente; Londrina, de garantia de creche. A lista é extensa, felizmente, e não cabe aqui esgotá-la. Mas, com tantos bons exemplos, ficam duas perguntas óbvias: por que a maior parte desses 73 governadores e prefeitos não vão além da prioridade retórica e não são obsessivos na adoção competente dessas políticas? Por que a sociedade brasileira cobra tão pouco que a educação tenha melhores resultados, uma vez que são absolutamente possíveis? Como estamos dando especial atenção aqui às redes maiores, devo dizer que o gigantismo pode paralisar a gestão ou oferecer uma conveniente desculpa para a demora em apresentar melhores resultados. Pois bem, eis uma falha de gestão muito estudada pela recente, embora disponível, ciência da implementação: as instâncias intermediárias, comumente chamadas de diretorias de ensino ou subsecretarias, possuem um papel estratégico para a implementação eficaz das políticas educacionais, tanto quanto o órgão central, a secretaria de Educação. São elas que conectam o nível central às escolas, contextualizam políticas, apoiam diretores e permitem que mudanças cheguem à prática da sala de aula. Em redes grandes, essa camada não é acessória: é a espinha dorsal da transformação, reduzindo a distância entre formulação e prática, com apoio pedagógico contínuo e permitindo que cada território encontre o melhor caminho para implementar as políticas. Esse é o grande desafio para estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, que juntos concentram parcela expressiva das matrículas do país, mas que enfrentam grande dificuldade em avançar de maneira consistente nos indicadores de qualidade da educação. Implementação não é evento, é processo. Não se faz apenas com decretos, mas com equipes preparadas, diretoria regional fortalecida, profissionais bem formados, monitoramento e um ambiente que permita adaptação inteligente às realidades locais. Quando essa infraestrutura existe, a política pública ganha musculatura, deixa de depender de vontades individuais e passa a ser sustentada por cultura, que, uma vez consolidada, gera resultados duradouros. É preciso colocar em prática um esforço coordenado para escalar experiências exitosas. Elas precisam ser disseminadas, estudadas, reconhecidas como referências que inspirem adaptações adequadas ao contexto de cada rede (e não como modelos prontos, claro). O desafio de melhorar toda a educação brasileira pode parecer inalcançável quando visto em sua totalidade. Mas quando olhamos para as 73 redes que concentram metade dos estudantes, o quadro muda. Se essas redes avançarem com intencionalidade, apoio técnico e políticas bem implementadas, o efeito cascata será inevitável. E o país inteiro ganhará com isso. Ser grande não pode ser desculpa. Ser grande é responsabilidade.
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January 3, 9:20 AM
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O afundamento de Jacarta é consequência direta da interação entre fatores naturais e humanos. Dados do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, citados pela Wired, indicam que a extração excessiva de água subterrânea, o peso das construções e a subsidência natural dos sedimentos provocam taxas anuais de afundamento que, em algumas áreas, chegam a vários decímetros. Na zona norte, partes da cidade já estão abaixo do nível do mar.
A ausência de uma rede ampla de água potável força muitos moradores a recorrerem aos aquíferos, intensificando a retirada de água do subsolo e agravando o desequilíbrio geológico. Essa dinâmica, somada à urbanização acelerada, amplia a exposição da capital a riscos ambientais ao longo do século XXI.
Como cidade costeira, Jacarta sofre ainda com inundações cada vez mais frequentes. A elevação do nível do mar, associada às mudanças climáticas e a episódios de chuvas extremas, transforma eventos antes pontuais em ameaças recorrentes à infraestrutura e à qualidade de vida, segundo análises da ONU citadas pela Wired.
Diante desse cenário, autoridades locais e nacionais apostam em soluções de grande escala. Entre elas está o chamado “Muro Marinho Gigante”, projetado para conter marés e incursões do oceano, além de programas de restauração dos rios urbanos para melhorar a drenagem. Há também investimentos na expansão do metrô e de trens leves, com foco em reduzir congestionamentos e poluição.
A iniciativa mais simbólica, porém, é a transferência parcial da administração federal para Nusantara, nova capital em construção na ilha de Bornéu. A proposta busca aliviar a pressão demográfica e econômica sobre Jacarta, embora enfrente entraves administrativos e não resolva, no curto prazo, a superlotação e os riscos ambientais da atual capital.
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January 7, 3:59 PM
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O hábito de assistir vídeos mudou radicalmente na última década. Isso começou com a chegada do Youtube, se consolidou com as plataformas de streaming e com a ascensão dos vídeos de formato curto, aqueles conteúdos de poucos segundos ou minutos típicos
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January 7, 3:40 PM
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Cultivar boas amizades ou relações familiares saudáveis requer saúde emocional para interagir com os outros sem irritação, ressentimento ou aquela sensação de estar cumprindo uma obrigação. É como se todos nós tivéssemos uma bateria social, cujo nível de energia varia conforme o uso e os momentos da vida. Por exemplo, depois de um fim de semana cheio de encontros, é importante ter momentos mais tranquilos. E, às vezes, os compromissos que a assumimos no piloto automático acabam adiando essa vontade legítima de passar um tempo cuidando da nossa própria vida.
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January 7, 3:33 PM
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Vivemos em um tempo que glorifica a velocidade: entregas em menos de 24 horas, áudios em velocidade 2x, feeds que recarregam em milésimos de segundo, remédios que prometem resultados imediatos. Nesse ritmo frenético, cultivar a paciência é um ato de resistência: com preparo mental para manter a calma e desacelerar, ganhamos clareza, fortalecemos relações e nos reconectamos com o tempo real das coisas.
A boa notícia é que, segundo um estudo recente da University of California Riverside, nos Estados Unidos, a paciência é uma forma de regulação emocional que nos ajuda a lidar com alguns tipos de sentimentos desagradáveis. E desenvolvê-la é uma questão de estratégia, não de virtude. Como conseguir essa façanha?
The Summer Hunter TIPOS DE PACIÊNCIA A paciência pode se manifestar de três formas diferentes. A primeira está relacionada à habilidade de manter a calma nas interações com outras pessoas, mesmo quando algum aspecto da personalidade delas (como o humor, o ritmo ou certos hábitos) provoca incômodo ou irritação. A segunda diz respeito à capacidade de atravessar momentos difíceis e, ainda assim, encontrar algum sentido ou aprendizado no processo —se aproximando da resiliência. Já a terceira envolve lidar com os pequenos aborrecimentos do dia a dia sem perder a linha.
RAÍZES DO PROBLEMA Não é só o fenômeno da aceleração do tempo que ajuda a explicar a atual falta coletiva de paciência. Nas últimas décadas, a lógica da produtividade extrapolou o campo do trabalho e, como consequência, passamos a sentir a necessidade de otimizar até mesmo os momentos de lazer e descanso. Quem nunca aproveitou as refeições para resolver pendências da vida adulta? Ou sentiu culpa por simplesmente não estar fazendo nada?
Tempos atrás, situações de espera exigiam que a paciência fosse exercitada na prática. Na fila do banco ou em um almoço sem companhia, restava pouco a fazer além de observar o ambiente ou se perder nos próprios pensamentos. Hoje, ao menor sinal de tédio, recorremos ao celular. A escassez de paciência ainda reflete — ao mesmo tempo em que alimenta — problemas psíquicos típicos dos nossos tempos, como ansiedade, estresse crônico, depressão e burnout.
COMPLICANDO A VIDA Quando estamos impacientes, nosso sistema nervoso fica em estado de alerta contínuo, o que dificulta a autorregulação emocional e intensifica os sentimentos de frustração, irritabilidade e inadequação. Isso pode gerar vários problemas, como decisões precipitadas, dificuldade para aprender coisas novas, desistência de projetos que demandam mais tempo para se concretizar e, principalmente, dificuldades nos relacionamentos.
1 11 Transtorno de ansiedade é caracterizado por preocupação excessiva e medo No transtorno de ansiedade, a preocupação excessiva torna-se um padrão, um hábito tóxico de sensações e pensamentos negativos, explica o psi mantia82/Adobe StockMAIS
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VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... A falta de paciência compromete nossa capacidade de tolerar quem está ao nosso redor, tornando o diálogo mais difícil e favorecendo o surgimento de conflitos. Não por acaso, de acordo com um estudo da Universidade Baylor, nos Estados Unidos, essa habilidade está ligada ao desenvolvimento da empatia e da generosidade — qualidades que nos permitem cultivar relações mais saudáveis e lidar melhor com frustrações e imprevistos.
CULTIVANDO A PACIÊNCIA Um primeiro passo pode ser listar o que faz você perder a paciência e se observar nesses momentos — sem autojulgamento. Esse exercício ajuda a interromper os ciclos de reatividade e irritação. Quando a impaciência surgir, vale tentar respirar devagar até acalmar o sistema nervoso e conseguir reavaliar a situação com mais clareza.
1 8 Estresse crônico é estopim para transtornos mentais Estresse crônico ocorre quando enfrentamos situações de tensão que se estendem por um longo período, como um problema financeiro de difícil enjoys25/Adobe StockMAIS
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VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Assumir uma postura mais paciente também está diretamente ligado a viver com menos pressa, respeitando o tempo das coisas e agindo sem atropelar o processo. Examine sua rotina para tentar diferenciar quando realmente precisa fazer algo imediatamente e quando está apenas correndo no piloto automático.
Acompanhar plantas germinando, crescendo e florescendo, por exemplo, ajuda a nos reconectar com o tempo natural da vida. Estudos como o "Gardening is beneficial for health: A meta-analysis", publicado no jornal ScienceDirect, mostram que cultivar um jardim ainda pode contribuir pro controle da ansiedade.
Esperar (o médico, o ônibus, a comida) sem recorrer às telas é uma ótima forma de exercitar esse "músculo", assim como praticar atividades físicas em silêncio, sem música ou podcasts. Um estudo realizado em Hong Kong ainda conseguiu provar que a atenção plena — ou seja, manter os pensamentos no momento presente, observando o ambiente e as pessoas ao redor — é capaz de reduzir significativamente a sensação de tédio.
E aí também entram os trabalhos manuais. Crochê, bordado, pintura, cerâmica: ter uma atividade dessas como hobby ajuda a acalmar a mente. Além disso, o processo de aprender, lidar com erros e até esperar para ver uma peça pronta é um treino e tanto.
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January 7, 3:13 PM
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O alerta está sendo dado por roteiristas de vários países: ao apresentarem seus projetos às plataformas de streaming, elas estariam pedindo um "dumb down" nas histórias, termo em inglês que significa "deixar mais idiota". A ideia é que os filmes e séries têm que ser superficiais o suficiente para servirem como segunda tela para os espectadores –a primeira, claro, é a tela do celular, com seus vídeos curtos, redes sociais e WhatsApp. Vários fatores estariam levando a essa demanda perversa dos streamings. Primeiro: as plataformas precisam mais de quantidade do que de qualidade. Elas precisam ter um mínimo de lançamentos a apresentar ao assinante todo mês, para ele sentir que a mensalidade está valendo a pena. Segundo, e mais importante: elas estaria percebendo que, entre a TV e o celular (ou entre conteúdos longos e curtos consumidos no próprio celular), nosso cérebro cada vez mais fragmentado sempre vai preferir a segunda opção. Os mais saudosistas lembram de outra grande mudança de hábito. Hoje em dia, vemos muito mais séries "maratonáveis" (lançadas na íntegra para vermos de uma vez só) do que aquelas que eu chamo de "padrão HBO", canal que ainda lança um episódio por semana de suas séries premium. Nessa lógica, para maratonar, uma série "leve" é mais vendável do que uma mais densa. Imagine maratonar em um fim de semana uma temporada inteira de histórias densas como "Breaking Bad", "Mad Men" ou "Game of Thrones". É como enfiar barriga adentro dois quilos de peru de Natal numa tacada. Toda vez que eu ouço essa expressão, "produto de segunda tela", fico pensando que esse foi justamente o DNA das novelas de TV. Desde sempre, elas são feitas para repetir informações da trama –não porque a dona de casa esteja no celular, mas porque está cuidando da panela no fogo ou botando a mesa para o jantar, escutando mais do que olhando para a TV. Mas as novelas podem ter mais de 150 capítulos; já nasceram com essa natureza "água no feijão". De uma série de no máximo 13 episódios, não é crime nenhum esperar mais. O BURACO NEGRO DOS STORIES Voltando ao celular: não sei se vocês já tiveram essa impressão, mas há alguns anos percebi que o meu grau de absorção (ou de vício mesmo) nos stories do Instagram depende muito do meu grau de cansaço. Se estou bem disposto, consigo ficar três minutinhos vendo os stories dos meus amigos e sair. Quando estou exausto, porém, esse algoritmo insano de vídeos curtos pode me prender por 40 minutos, uma hora, às vezes mais. Daí sempre voltamos a uma questão ainda sem reposta definitiva: a nossa fragmentação visual, o hábito de vídeos curtos, é algo prejudicial à nossa saúde mental? Ou isso é apenas o futuro que já chegou, a geração Z e as que vem depois dela têm apenas um modo diferente de consumir imagens, e pessoas como eu estão sendo apenas velhos chatos e ultrapassados? Se você tem mais de 30, deve ficar mais com a primeira hipótese; se é mais jovem, fica com a segunda. Os mais catastrofistas dizem que o "dumb down" tem gerado mais séries medíocres, e que vamos ver cada vez menos séries densas com histórias complexas. Tenho minhas dúvidas. Posso até concordar que "The White Lotus" é bem mais facinha de ver do que "True Detective", por exemplo.
Mas ano ano passado também tivemos "Pluribus" e "Ruptura" (AppleTV), "Adolescência" (Netflix), "O Urso" (Disney+), e no Brasil séries de narrativa mais sofisticada como "Pssica" (Netflix) e "Reencarne" (Globoplay). Ou seja: séries e filmes mais inteligentes vão continuar a ser feitos; a quantidade de séries ruins em volta delas é que deve aumentar.
Estou tentando ser minimamente otimista, mas também não dá pra negar que vivemos tempos mais superficiais. Só me resta deixar aqui a sugestão: ao começar um filme ou uma série em casa, tente deixar o celular de lado por um tempinho. Se o futuro for só dos vídeos curtos, tenho medo de que em 2050 ainda vamos ver um filme da franquia dos "Teletubbies" vencer o Oscar.
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January 6, 8:22 PM
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Pesquisadores do MIT estudaram como modelos de linguagem (como o ChatGPT) influenciam os processos cognitivos quando interagimos com eles. A principal descoberta é ao mesmo tempo perturbadora e promissora: a IA não apenas fornece informações; ela também molda a maneira como organizamos e avaliamos nossas próprias ideias.
De acordo com experimentos, quando os usuários recebem sugestões de IA, tendem a adotar suas estruturas de raciocínio, padrões argumentativos e até mesmo seu estilo de escrita. Isso pode aumentar a produtividade, mas também pode prejudicar habilidades como memória de trabalho, capacidade de sintetizar informações e tolerância à complexidade.
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January 6, 12:37 PM
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Esse regime agravado de responsabilidade dos sócios de instituições financeiras adotado no Brasil é um dos pilares da solidez de nosso sistema, foi reconhecido internacionalmente e copiado por outros países. Por tal regime, em resumo, quem quiser criar um banco para captar poupança popular perde o benefício da separação patrimonial, segundo a qual apenas o patrimônio da pessoa jurídica responde pela dívida. Assim, se o banco é liquidado, não apenas os bens da instituição, mas os de seus gestores e controladores são tornados indisponíveis, para garantia de sua responsabilidade. O processo passa então a correr seu curso normal, até que, ao final, pagos os credores, o que sobejar seja devolvido aos sócios. É fundamental, por isso, que o STF e o TCU recuem da indevida interferência no processo de decretação e condução da liquidação do Banco Master, que atinge em cheio a lógica de uma estrutura fundamental do sistema financeiro, e coloca em risco um modelo de proteção da poupança popular reconhecido como um dos melhores do mundo.
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January 6, 12:32 PM
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A principal explicação para o reajuste menor é a queda no indicador conhecido como Valor Anual por Aluno (VAAF). A Lei do Piso (11.738/2008) calcula o aumento do salário com base no crescimento do VAAF de um ano para o outro (2024 x 2025). Por isso, a redução acabou achatando o percentual do reajuste para este exercício.
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January 5, 7:17 PM
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Thompson Morrison: A recent study from MIT’s Media Lab has ricocheted around the news outlets. In that study, Your Brain on ChatGPT, researchers studied the impact of using AI for essay writing with students from five colleges. The results were troubling; there was a significant decline in neural activity and retention by those students who depended on LLMs for writing. In other words, their level of thinking decreased. The warning from this study is real: if we continually offload tasks that typically require deep thinking to a computer, we run the real risk of decreasing our own capacity as thinkers and creative problem solvers.
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January 5, 6:53 PM
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Não é a máquina que escreve como nós, somos nós que escrevemos como máquinas; a tecnologia não venceu por genialidade, mas por conformidade A IA não ameaça a literatura, ela revela a fragilidade de uma literatura que abdicou do risco em nome da legibilidade A pergunta "foi um humano ou foi uma inteligência artificial?" tornou-se a nova tchutchuca dos salões da cultura contemporânea, mas só serve para provocar espanto, gerar cliques e alimentar a falsa ideia de que estamos diante de um duelo histórico. Não estamos. O confronto não é entre inteligência artificial e literatura. É entre literatura e a sua própria acomodação estética. Muitos textos que são hoje escritos com IA são bons. Fluentes. Sensíveis. Reconhecíveis. Eles funcionam porque obedecem com precisão aos códigos dominantes da boa escrita atual —introspecção moderada, emoção legível, imagens cotidianas, conflito psicológico quase domesticado. São textos que não erram, mas é exatamente aí que reside o problema. A IA não venceu por genialidade; venceu por conformidade. Aprendeu rápido porque o terreno estava muito nivelado. Durante décadas, oficinas literárias, MFAs ("masters of fine arts") e os mercados editoriais mainstream promoveram o padrão de escrita "correta". Pessoal, mas não excessivamente; emocional, mas não delirante; sóbrio, mas não demasiadamente elegante. O que daí resultou foi uma prosa treinada para agradar —e tudo o que é treinável é, por definição, imitável. Não foi a inteligência artificial que inventou esse estilo, ela apenas o replica com a imparável eficiência algorítmica. Mas o mais preocupante na geração de textos por IA —inclusive os literários— não assenta em questões técnicas, mas sim culturais. Se repararmos bem, em toda a história da humanidade, a literatura que importa nunca foi apenas bem escrita; foi perigosa. Criou atrito. Produziu ruído. Há, claro, quem celebre a literatura automática como democratização criativa, mas esses confundem acesso com profundidade. A IA amplia possibilidades formais, sim. O que ela não faz —ainda— é escrever contra algo. Não conhece custo, vergonha, memória traumática nem a violência de expor uma verdade que não cabe no consenso. O seu texto não sangra porque não tem corpo. O nosso, quando vale a pena, tem. Para os salões das academias, o que realmente desconforta e desconcerta não é descobrir que uma máquina escreve bem. É perceber que ultimamente aceitamos como literatura uma escrita previsível; tão previsível que pode ser reproduzida por um modelo estatístico. A IA não ameaça a literatura. Ela revela a fragilidade de uma literatura que abdicou do risco em nome da legibilidade e —mais preocupante ainda— uma sociedade que trocou a profundidade pela atenção. Porque o que verdadeiramente nos devia chocar não é a inteligência artificial escrever tão bem; é nós descobrirmos que escrevemos mal o suficiente para sermos substituídos sem resistência. A máquina não invadiu a literatura —ela foi convidada! Por uma prosa domesticada, treinada para agradar e incapaz de ferir. Enquanto chamarmos "boa escrita" ao que não arrisca, a IA continuará a passar por boa autora. A verdadeira literatura começa exatamente onde o cálculo falha —no ponto em que escrever ainda implica exposição, perda e a coragem de sustentar frases e textos sem garantia de sentido ou de consenso. Como este.
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January 4, 7:18 PM
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Um dos pilares da Constituição foi o estabelecimento de bases para a construção de um sistema educacional público como direito básico universal garantido para todos os brasileiros. Esta pesquisa mostra os avanços possibilitados pelo texto de 1988 no direito à educação e em mecanismos de financiamento educacional, além de apontar os desafios que precisam ser enfrentados nessas áreas.
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January 4, 6:27 PM
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One risk is in the form of the commercialization of education. We are constantly reminded how the global market for AI in education will surge in the coming years, although it is important to remember that exaggerated claims about technology tend to go hand in hand with exaggerated estimates of its future global market size. We would be fooling ourselves if we thought AI companies are more concerned with educational outcomes than their bottom line. Meanwhile, with a few exceptions, consumer protection laws are still fragmented and opaque.
As we are beginning to realize, control of AI has also become a larger issue beyond consumption of goods, touching upon consumption of votes, with fact-checking on popular social media abandoned and users left to their own ‘devices’ in their search for reliable information. This quote by philosopher Hannah Arendt is a reminder:
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January 3, 9:24 AM
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Desde a primeira infância até o mercado de trabalho, oportunidades de formação e qualificação são distribuídas desigualmente, reforçando disparidades que vêm de berço e nada têm a ver com mérito ou esforço pessoal. Essa mensagem foi reforçada em novo relatório da OCDE, lançado na semana passada, com foco nas competências e habilidades de adultos (Skills Outlook 2025). O Brasil não participou do levantamento, mas não há dúvida — a partir do que temos de evidência de estudos nacionais — que as conclusões se aplicam também ao nosso caso. Uma das conclusões mais relevantes do estudo da OCDE é o fato de o nível socioeconômico (escolaridade e renda dos pais) ser o principal fator a explicar diferenças nas competências e habilidades dos adultos. Este é um fator sobre o qual indivíduos não têm nenhuma ingerência, e é algo verificado também nas análises sobre os determinantes do desempenho escolar. Aliás, antes mesmo do ingresso no ensino primário, diferenças significativas — e que nada têm a ver com esforço ou mérito — já são identificadas em crianças de 5 anos. O relatório cita que, nessa idade, filhos de pais de menor renda e escolaridade apresentasm atrasos em seu desenvolvimento cognitivo de até 20 meses de diferença na comparação com aqueles que tiveram a sorte de nascer num lar mais privilegiado do ponto de vista socioeconômico. O acesso a políticas eficazes na primeira infância é capaz de diminuir ou mesmo eliminar esses atrasos nos primeiros anos de vida. Mas isso demanda ações intersetoriais e de qualidade. Evidências de que isso é possível são alvissareiras, mas o desafio é que não basta resolver apenas as disparidades nesta etapa. Também no ensino primário e secundário o acesso a oportunidades é desigual, fato já conhecido, mas que não pode ser naturalizado. O estudo da OCDE mostra, porém, que o mesmo se dá na vida adulta, em relação a programas de treinamento profissional. Adultos que nasceram em lares com pais mais ricos e escolarizados também têm mais acesso a oportunidades de qualificação e requalificação. Outra constatação do estudo é que indivíduos com background familiar similar e com mesmo nível de competências e habilidades apresentam níveis de renda parecidos no mercado de trabalho. É um resultado, de certa forma, esperado, mas que não se verifica quando a comparação é feita entre homens e mulheres. Ou seja, mesmo apresentando características similares e mesmo nível de habilidades, mulheres, ainda assim, recebem menos do que os homens no mercado de trabalho. Há várias possíveis explicações para isso, e uma das mais relevantes é a segregação ocupacional, ou seja, o fato de elas estarem sub-representadas em carreiras de maior prestígio econômico. Nenhum país do mundo conseguiu eliminar por completo desigualdades. Essa é, provavelmente, uma meta impossível. Diferenças resultantes da competência, esforço ou de escolhas pessoais vão sempre influenciar os resultados em qualquer área. O problema não está aqui, mas, sim, na distribuição desigual das oportunidades. É nisso que políticas públicas precisam atuar, buscando corrigir injustas desigualdades herdadas de berço e perpetuadas ao longo da vida.
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January 3, 8:38 AM
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Construir uma máquina mais inteligente do que nós mesmos. É um tema secular, que inspira doses iguais de admiração e temor, desde os agentes em "Matrix" até o sistema operacional em "Ela".
Para muitos no Vale do Silício, esse tema ficcional fascinante está prestes a se tornar realidade. Alcançar a inteligência artificial geral, ou AGI (ou, indo um passo além, a superinteligência), é agora o objetivo singular das gigantes da tecnologia americanas, que estão investindo dezenas de bilhões de dólares em uma corrida frenética. E enquanto alguns especialistas alertam para consequências desastrosas do advento da AGI, muitos também argumentam que esse avanço, talvez a poucos anos de distância, levará a uma explosão de produtividade, com a nação e a empresa que chegarem lá primeiro colhendo todos os benefícios.
Essa agitação nos faz refletir.
Não se sabe ao certo quando a inteligência artificial geral poderá ser alcançada. Tememos que o Vale do Silício esteja tão obcecado com esse objetivo que esteja alienando o público em geral e, pior, deixando passar oportunidades cruciais de usar a tecnologia já existente. Ao se fixar exclusivamente nesse objetivo, nossa nação corre o risco de ficar para trás da China, que está muito menos preocupada em criar uma IA poderosa o suficiente para superar os humanos e muito mais focada em usar a tecnologia que já temos.
As raízes do fascínio do Vale do Silício pela inteligência artificial geral remontam a décadas. Em 1950, o pioneiro da computação Alan Turing propôs o jogo da imitação, um teste no qual uma máquina comprova sua inteligência pela sua capacidade de enganar interrogadores humanos, fazendo-os acreditar que ela é humana. Nos anos que se seguiram, a ideia evoluiu, mas o objetivo permaneceu constante: igualar o poder do cérebro humano. A IAG (Inteligência Artificial Geral) é simplesmente a mais recente iteração.
Em 1965, I.J. Good, colega de Turing, descreveu o que tornava tão fascinante a ideia de uma máquina tão sofisticada quanto o cérebro humano. Good percebeu que máquinas inteligentes poderiam se aprimorar recursivamente mais rápido do que os humanos jamais conseguiriam acompanhar, afirmando: "A primeira máquina ultrainteligente é a última invenção que o homem precisará fazer". A invenção que acabaria com todas as outras. Em suma, alcançar a Inteligência Artificial Geral (IAG) seria a oportunidade comercial mais significativa da história. Não é de se admirar que os maiores talentos do mundo estejam se dedicando a esse ambicioso empreendimento.
Assine a newsletter Opinião Hoje e receba análises de especialistas sobre as notícias e um guia sobre as principais ideias que moldam o mundo todas as manhãs de dias úteis. Receba as novidades na sua caixa de entrada. O modus operandi atual é construir a qualquer custo. Todas as gigantes da tecnologia estão na corrida para alcançar a Inteligência Artificial Geral (IAG) primeiro, erguendo centros de dados que podem custar mais de US$ 100 bilhões, e algumas, como a Meta, oferecendo bônus de contratação para pesquisadores de IA que ultrapassam US$ 100 milhões. Os custos de treinamento de modelos básicos, que servem como base de propósito geral para muitas tarefas diferentes, continuam a aumentar. A startup xAI, de Elon Musk, estaria queimando US$ 1 bilhão por mês. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, prevê que os custos de treinamento dos principais modelos cheguem a US$ 10 bilhões ou até mesmo US$ 100 bilhões nos próximos dois anos.
Sem dúvida, a IA já supera o ser humano médio em muitas tarefas cognitivas, desde a resolução de alguns dos problemas matemáticos mais complexos do mundo até a escrita de código no nível de um desenvolvedor júnior. Entusiastas apontam para esse progresso como prova de que a Inteligência Artificial Geral (IAG) está próxima. Ainda assim, embora as capacidades da IA tenham dado saltos extraordinários desde a estreia do ChatGPT em 2022, a ciência ainda não encontrou um caminho claro para construir uma inteligência que supere a humana.
Em uma pesquisa recente da Associação para o Avanço da Inteligência Artificial (AAAI), uma sociedade acadêmica que inclui alguns dos pesquisadores mais respeitados da área, mais de três quartos dos 475 entrevistados disseram que nossas abordagens atuais dificilmente levarão a um avanço significativo. Embora a IA continue a melhorar à medida que os modelos se tornam maiores e processam mais dados, existe a preocupação de que a curva de crescimento exponencial possa estagnar. Especialistas argumentam que precisamos de novas arquiteturas computacionais, que vão além daquelas que sustentam os grandes modelos de linguagem, para atingir esse objetivo.
O desafio de focarmos na Inteligência Artificial Geral (IAG) vai além da tecnologia em si, abrangendo as narrativas vagas e contraditórias que a acompanham. Previsões tanto alarmantes quanto otimistas abundam. Este ano, o projeto sem fins lucrativos AI Futures Project lançou o relatório “ IA 2027 ”, que prevê que uma IA superinteligente poderá controlar ou exterminar a humanidade até 2030. Quase simultaneamente, cientistas da computação de Princeton publicaram um artigo intitulado “ IA como Tecnologia Normal ”, argumentando que a IA permanecerá administrável num futuro próximo, assim como a energia nuclear.
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Phone Searches at the Border Are Up: How to Protect Your Privacy É assim que chegamos a este ponto estranho em que as maiores empresas do Vale do Silício proclamam prazos cada vez mais curtos para a chegada da Inteligência Artificial Geral (IAG), enquanto a maioria das pessoas fora da região da Baía de São Francisco ainda mal sabe o que esse termo significa. Há um abismo crescente entre os tecnólogos que acreditam na IAG — um mantra para os crentes que se veem na vanguarda da tecnologia — e o público em geral, que se mostra cético em relação à euforia e vê a IA como um incômodo em seu cotidiano. Com alguns especialistas emitindo alertas alarmantes sobre a IA, o público, naturalmente, está ainda menos entusiasmado com a tecnologia.
Agora vejamos o que está acontecendo na China. Os cientistas e formuladores de políticas do país não estão tão entusiasmados com a Inteligência Artificial Geral (IAG) quanto seus colegas americanos. Na recente Conferência Mundial de Inteligência Artificial em Xangai, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, enfatizou a “profunda integração da IA com a economia real”, expandindo os cenários de aplicação.
Enquanto alguns especialistas em tecnologia do Vale do Silício emitem alertas apocalípticos sobre a grave ameaça da IA, empresas chinesas estão ocupadas integrando-a em tudo, desde o superaplicativo WeChat até hospitais, carros elétricos e até mesmo eletrodomésticos. Em vilarejos rurais, competições entre agricultores chineses têm sido realizadas para aprimorar ferramentas de IA para a colheita; o aplicativo Quark, da Alibaba, tornou-se recentemente o assistente de IA mais baixado da China, em parte devido às suas capacidades de diagnóstico médico. No ano passado, a China lançou a iniciativa AI+, que visa incorporar a IA em diversos setores para aumentar a produtividade.
Não é surpresa que a população chinesa esteja mais otimista em relação à IA. Na Conferência Mundial de IA, vimos famílias com avós e crianças pequenas circulando pelos estandes, maravilhadas com as poderosas demonstrações de aplicações de IA e interagindo com entusiasmo com robôs humanoides. Mais de três quartos dos adultos na China afirmaram que a IA mudou profundamente suas vidas diárias nos últimos três a cinco anos, de acordo com uma pesquisa da Ipsos. Essa é a maior porcentagem global e o dobro da dos americanos. Outra pesquisa recente constatou que apenas 32% dos americanos dizem confiar na IA, em comparação com 72% na China.
Muitos dos supostos benefícios da IAG (Inteligência Artificial Geral) — na ciência, educação, saúde e afins — já podem ser alcançados com o aprimoramento cuidadoso e o uso de modelos poderosos já existentes. Por exemplo, por que ainda não temos um produto que ensine a todos os seres humanos conhecimentos essenciais e de ponta em seus próprios idiomas, de forma personalizada e gamificada? Por que não há competições entre agricultores americanos para usar ferramentas de IA para melhorar suas colheitas? Onde está a explosão cambriana de usos imaginativos e inesperados da IA para melhorar vidas no Ocidente?
A crença em um ponto de inflexão para a Inteligência Artificial Geral (IAG) ou superinteligência contradiz a história da tecnologia, na qual o progresso e a difusão têm sido incrementais. A tecnologia geralmente leva décadas para atingir o uso generalizado. A internet moderna foi inventada em 1983, mas só no início dos anos 2000 é que ela remodelou os modelos de negócios. E embora o ChatGPT tenha apresentado um crescimento incrível de usuários, um estudo recente do National Bureau of Economic Research mostrou que a maioria das pessoas nos Estados Unidos ainda usa IA generativa com pouca frequência.
Quando uma tecnologia finalmente se populariza, é aí que ela realmente muda tudo. Os smartphones conectaram o mundo à internet não por causa das versões mais potentes e elegantes; a revolução aconteceu porque dispositivos baratos e com capacidade adequada se proliferaram pelo mundo, chegando às mãos de moradores de vilarejos e vendedores ambulantes.
É fundamental que mais pessoas fora do Vale do Silício sintam o impacto benéfico da IA em suas vidas. A IAG (Inteligência Artificial Geral) não é uma linha de chegada; é um processo que envolve a difusão humilde, gradual e desigual de gerações de IA menos poderosas por toda a sociedade.
Em vez de apenas perguntarmos "Já chegamos lá?", é hora de reconhecermos que a IA já é um poderoso agente de mudança. Aplicar e adaptar a inteligência artificial atualmente disponível dará início a um ciclo virtuoso de maior entusiasmo público pela IA. E à medida que a fronteira avança, também devem avançar os nossos usos dessa tecnologia.
Enquanto as principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos correm em direção à meta incerta de serem as primeiras a desenvolver inteligência artificial geral, a China e seus líderes têm se concentrado mais na implementação de tecnologias existentes em setores tradicionais e emergentes, da manufatura e agricultura à robótica e drones. Estar excessivamente focado na inteligência artificial geral pode nos distrair do impacto cotidiano da IA. Precisamos buscar ambas as frentes.
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