Merging humans and machines Science fiction set in the 2050s is full of examples of humans using technological enhancements to feel fitter, happier and more productive.
In the 2000 hit game Deus Ex - set in 2052 - the player can inject themselves with tiny robots called "nanites".
These microscopic robots manipulate matter on atomic levels, giving superhuman abilities such as enhanced speed and the ability to see in the dark.
Eidos In the video game Deus Ex, the protagonist - who enhances his abilities with augmentations - investigates a global conspiracy involving a terrorist group and secret societies It sounds like something from the distant future, but nanotechnology - engineering at a scale of millionths of a millimetre - is already used in lots of everyday real-life tech.
In fact, it is powering the way you are reading these very words right now - every smartphone or computer is run by a central chip made up of billions of tiny transistors - electrical components built on a nanoscale to speed up data processing.
Professor Steven Bramwell at the London Centre for Nanotechnology told the BBC by 2050 we should expect the lines between machines, electronics and biology to be "significantly blurred".
That means we could see nanotechnology implants by then - but more to "monitor your health or aid communication" rather than to appear invisible, as in Deus Ex.
Medicine could also make common use of machines at a nanometre scale to "deliver drugs to exactly where they need to go", said Professor Bramwell.
Cybernetics professor Kevin Warwick is equally interested in studying augmentations, going one step further than most.
In 1998 he became the first human to have a microchip implanted into his nervous system, earning him the title "Captain Cyborg".
Professor Warwick believes by 2050, advancements in cybernetics - the science studying the links between natural and mechanical systems - could lead to trailblazing treatments for diseases.
Kevin Warwick Professor Warwick has undertaken several pioneering experiments with the chip, including controlling a robot arm across the Atlantic Ocean using only his brain. He predicts the use of "deep brain electronic stimulation" as a partial treatment for some conditions such as schizophrenia, rather than medicine.
He adds it is likely we'll see more cybernetic enhancements of the kind he has already trialled himself, so that "your brain and body can be in different places".
And what if we wanted to test out how the latest enhancement, or even new diet worked on our bodies, without any risks of experiencing the side effects?
Professor Roger Highfield, director of the Science Museum Group believes "digital twins" - virtual versions of a physical object, updated using real time data - could become a regular feature in our lives.
He imagines a world where each of us could have "thousands of simplified twins", using them to explore how "different medications or lifestyle changes affect your unique biology".
In other words, we could preview our futures before we live them.
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
Modelo FluentIA será implementado em rede pública de SP através do programa Prontos pro Mundo Empresa criou Jenny, chatbot que testa pronúncia e sugere exercícios individualizados durante aulas O avanço a galope da inteligência artificial assustou a Open English em um primeiro momento. Tendo o ensino online de inglês com professores nativos como negócio-chave, a possibilidade de a tecnologia substituir a força de trabalho humana limaria o diferencial competitivo da companhia. Mais aplicativos, menos olho no olho. Não é mais essa a percepção da empresa. "As pessoas ainda querem pessoas", diz Andrés Moreno, CEO da Open English. "Então incluímos a IA nas salas de aula sem perder a conexão humana." A solução leva o nome de Jenny. É uma espécie de professora-assistente, que fará testes de pronúncia e sugestões individualizadas de exercícios para cada aluno. Ela estará de standby nas aulas ao vivo com os professores da companhia, que seguirão à frente do ensino. "Não fizemos demissões. Entendemos, depois de vários testes, que a conexão professor-aluno é o que mantém os alunos interessados e engajados no curso. Continuamos investindo fortemente nas equipes e nas operações de aulas ao vivo, mas turbinando os professores com a ferramenta de IA", diz Moreno. O objetivo é acelerar o processo de aprendizado e aumentar o engajamento dos alunos. Jenny atende especialmente aos alunos mais tímidos, diz o CEO, que podem praticar de forma individual com o chatbot antes de falar em público durante uma aula em grupo. Ele dá o exemplo de um exercício clássico de turmas iniciantes: nomear coisas que estão em uma cozinha. Em vez de todos os alunos da turma repetirem "a maçã é vermelha" um de cada vez –"o que torna a aula um pouco entediante", diz ele– a pronúncia é testada individualmente com Jenny. Quando ela tiver trabalhado e corrigido todos, o professor volta à cena e apresenta o próximo exercício. Os professores, afirma, seguem atentos aos exercícios praticados com a IA para se certificar da qualidade do ensino. "Essa ferramenta é útil em sistemas educacionais da América Latina, que têm grande demanda pelo ensino de inglês, mas esbarram no custo e na acessibilidade em cidades remotas. O ensino individualizado ou em turmas de até quatro alunos é caro, especialmente no modelo presencial, enquanto os que apostam apenas em aplicativos não são muito eficientes", diz Moreno. O modelo FluentIA foi testado no final de 2025 com mil alunos da Open English e teve 96% de aprovação, segundo a empresa. Agora, ele será implementado primeiro na rede pública de ensino do governo de São Paulo através do Prontos pro Mundo, um programa de intercâmbio que leva mil alunos para estudar no Canadá, Reino Unido, Nova Zelândia, Irlanda e Austrália. O anúncio foi feito em entrevista coletiva nesta quarta-feira (4) em evento na capital paulista. O contrato de R$ 150 milhões visa capacitar 70 mil alunos da rede. Os estudantes elegíveis ao programa terão acesso ao modelo FluentIA a partir de 11 de fevereiro. Presente em 26 países e com mais de 3 milhões de alunos matriculados, a companhia tem como carro-chefe o ensino para crianças de 8 a 15 anos e para adultos, inclusive através de parcerias com empresas que objetivam a capacitação de seus funcionários. O faturamento não foi revelado. O modelo de negócios B2G, ou Business-to-Government (negócio para governo), já foi testado pela Open English em outros países da América Latina, como Colômbia, Uruguai, Chile e El Salvador. Não se trata de uma reformulação da estratégia de mercado da companhia. É um caminho para crescimento do produto em um cenário de competição acirrada com outras empresas do segmento de idiomas. O Prontos pro Mundo visa combater a evasão escolar. Os alunos poderão fazer as aulas nas salas de informática das escolas no contraturno. O programa ainda custeia as despesas com o intercâmbio, desde gastos para a emissão de passaporte e visto até hospedagem, passagens aéreas e bolsa-auxílio para a compra de vestuário de inverno. Na edição passada, o investimento público para o programa foi de R$ 120 milhões, e a Secretaria de Educação entregou chips com internet para todos os 70 mil selecionados. A pauta é cara para Moreno, ele próprio um imigrante. O executivo nasceu em Caracas, na Venezuela, e é radicado nos Estados Unidos –estando, então, com os dois pés fincados em cada lado da tensão geopolítica iniciada pelo governo Donald Trump no início de janeiro. Ele se soma ao coro de venezuelanos que acreditam que a guinada em direção à democracia na Venezuela não seria possível sem a intervenção norte-americana, que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro. "Entendo que essa é uma opinião controversa. Mas sendo venezuelano e tendo visto por 25 anos como foi difícil essa transição... O envolvimento dos Estados Unidos foi crítico para mudar a conversa." Ele é otimista sobre o futuro do país sul-americano –sobretudo, acredita que os venezuelanos que fizeram parte da diáspora deverão voltar para Caracas para "adicionar valor e reconstruir o país" quando a democracia for restituída. As oportunidades de negócios também serão relevantes, inclusive para a Open English, que até agora viu como inviável a venda de qualquer produto por lá devido à derrocada do poder de compra da população. A entrada na Venezuela, porém, só será viável em um ambiente de "estabilidade, com instituições sólidas e confiáveis, um sistema judiciário, sistema eleitoral". Moreno vê paralelos entre o sentimento dos venezuelanos sob Maduro e o de latinos nos EUA que temem a repressão a imigrantes. Quando Donald Trump revogou o status de proteção temporária (TPS) para países como Venezuela, seu tio foi atingido. "Ele mora nos Estados Unidos há mais de cinco anos, a esposa é professora. Têm filhos, alguns nascidos lá. Agora enfrenta a possibilidade de ter que sair. Isso não é os Estados Unidos." Por outro lado, afirma que a cruzada contra imigrantes tem fundamentos na criminalidade e insegurança econômica. "Acredito que essas coisas são como um pêndulo que foi para o extremo. Devemos achar algum equilíbrio nos próximos meses, porque essa não é a política mais inteligente nem para os Estados Unidos, que perdem pessoas valiosas para a economia."
Riscos de efeito contágio fazem especialistas em extremismo violento redobrarem monitoramento após casos com grande exposição, mesmo além das fronteiras; entrada de mulheres na violência extrema tem chamado a atenção Sempre que ocorre um atentado violento a alguma escola em qualquer parte do mundo, as instituições que atuam na linha de frente do combate ao extremismo violento online no Brasil entram em alerta. E o motivo deve despertar a atenção de toda a sociedade: tragédias como a que deixou ao menos 10 mortos e 25 feridos na Escola Secundária Tumbler Ridge, no Canadá, podem gerar o que eles chamam de “violência mimética participativa e performativa”, na qual jovens não apenas consomem conteúdos, mas interagem, replicam símbolos e constroem identidades inspiradas em ataques sangrentos anteriores. “Entramos automaticamente em estado de atenção”, resume a pesquisadora Michele Prado, fundadora da Stop Hate Brasil e assessora especial do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema do Ministério Público do Rio Grande do Sul (NUPVE-MPRS). “As subculturas online nocivas e violentas nas quais muitos desses jovens estão inseridos não são locais nem isoladas. Elas operam em rede, conectando pessoas por meio de referências estéticas, culturais e linguísticas que funcionam como marcadores dentro desses grupos. Assim, eventos ocorridos em um país passam a repercutir rapidamente em outros, influenciando narrativas, comportamentos e a busca por visibilidade dentro dessas subculturas digitais nocivas.” Michele explica que essa violência mimética aparece quando indivíduos passam a reproduzir padrões observados em ataques anteriores. E é participativa e performativa quando envolve a criação de uma estética própria: poses em fotografias, escolhas de vestuário, trilhas sonoras, símbolos e frases recorrentes que circulam como códigos de pertencimento. “Em muitos casos, perpetradores deixam previamente fotos, vídeos ou textos como parte de uma performance voltada à audiência online, buscando reconhecimento dentro desses ecossistemas digitais.” O fenômeno conhecido como copycat, ou efeito de imitação, torna-se especialmente relevante nos 13 dias seguintes a ataques como o do Canadá, segundo estimativa de pesquisadores. Possivelmente influenciada pela exposição midiática dos casos violentos, sobretudo quando citam nomes e imagens de agressores e reproduzem manifestos. E não há fronteiras nesse processo. “Já observamos referências cruzadas entre ataques ocorridos em diferentes países, incluindo manifestos estrangeiros que mencionam episódios brasileiros e casos nacionais que fazem alusão direta a ataques internacionais”, afirma Michele. “Trata-se de uma radicalização online horizontal e transfronteiriça. Diante disso, cada novo atentado abre uma janela de possível efeito contágio.” Um adolescente que em janeiro do ano passado matou uma aluna, feriu outro estudante e depois se matou no refeitório de um colégio de Nashville, nos Estados Unidos, escreveu um manifesto onde fazia referência a 13 “santos”. Desses 13, 3 eram brasileiros: o atirador de Realengo (no Rio, em 2011), de Aracruz (no Espírito Santo, em 2022) e de Suzano (em 2019). “É uma coisa mundial. Por isso, qualquer ato que aconteça em qualquer lugar do mundo de violência extrema tem de nos preocupar aqui”, reforça o coordenador do NUPVE-MPRS e procurador de Justiça gaúcho, Fábio Costa Pereira. “Em agosto de 2024, um adolescente esfaqueou cinco pessoas em um café em Istambul, na Turquia. Ele escreveu um manifesto de limpeza em massa em turco. Nós traduzimos porque precisamos ler esses manifestos e entender como eles pensam. Um colega estava numa cidade perto de Porto Alegre dando uma palestra e falou sobre esse atentado e esse manifesto. Uma senhora veio conversar e disse: “Meu filho tinha esse manifesto”." Fabio lembra que, assim como ocorreu no Canadá, grande parte dos jovens que aderem à violência extrema é suicida e homicida. E sua morte, para ter algum significado, precisa passar pela máxima destruição possível do outro. “Nesse universo, aqueles que se imolam são chamados de “santos”. “Existe um “altar de dignidade”, onde os santos que se imolam por esses atos extremos são colocados. É como se fosse um panteão. Existem muitos “santos”.” Outro ponto a se destacar na tragédia do Canadá é o fato de ter sido cometida por uma atiradora. “As meninas entraram no mercado da violência extrema de forma violenta”, resume o procurador. “Antes, elas só se automutilavam e eram vítimas, mas agora se tornaram também algozes. E isso para nós é uma mudança de paradigma que está nos deixando arrepiados. Nós tivemos no ano passado no Rio Grande do Sul quatro casos grandes. Dos seis adolescentes algozes, três eram homens e três mulheres. Isso até 2023 não existia.” E a que se deve essa entrada maciça de meninas no mundo dos grupos de ódio? “Existe hoje no mundo um processo de dessensibilização muito grande. A violência e o sadismo se tornaram moedas sociais, viraram estatuto hype dentro das panelas (comunidades de extremismo violento e sadismo). Isso gera um efeito reflexo e uma competição interna de sadismo dentro desses grupos. É brutal.”
A decisão do MEC foi embasada em uma nota técnica publicada pelo próprio ministério em 6 de fevereiro. Leia a íntegra (PDF – 373kB). O Mais Médicos 3 tinha como meta a abertura de novas vagas de medicina e faculdades em regiões do país com necessidade de mais profissionais. Desde 2013, o programa é um dos principais instrumentos de abertura de cursos de medicina no Brasil.
O lançamento da iniciativa ocorreu nesta terça-feira, 10 de fevereiro, em Santiago do Chile, e contou com a presença do presidente da República, Gabriel Boric; do ministro da Ciência, Aldo Valle; do diretor do CENIA, Álvaro Soto; do Especialista Principal de Cidades Inteligentes e Desenvolvimento Digital do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), Marcelo Facchina; do líder de Tecnologia da Amazon Web Services para o Cone Sul, Rafael Mattje; e do diretor executivo do Data Observatory, Rodrigo Roa.
A iniciativa é coordenada pelo Centro Nacional de Inteligência Artificial (CENIA) e reúne mais de 100 profissionais, 60 instituições acadêmicas e tecnológicas, 65 alianças formais e colaboradores de mais de 15 países, consolidando-se como um dos projetos colaborativos de IA mais ambiciosos do hemisfério sul.
Diferentemente dos modelos predominantes, treinados majoritariamente com informações em inglês e referências culturais do Norte Global, o Latam GPT foi concebido desde a origem com dados, línguas e contextos próprios da América Latina e do Caribe, permitindo captar nuances linguísticas, históricas, políticas e culturais do território.
“Latam GPT não é apenas um desenvolvimento tecnológico, é um sinal concreto de que a região pode trabalhar de forma coordenada para criar capacidades próprias em um campo estratégico como a inteligência artificial”, destacou Marcelo Facchina durante o lançamento.
Segundo ele, trata-se do primeiro modelo de linguagem de grande escala construído a partir da América Latina e do Caribe, capaz de compreender a diversidade de línguas, identidades e realidades sociais da região.
Um modelo aberto e colaborativo Para a CAF, o Latam GPT faz parte de uma agenda mais ampla voltada a reduzir lacunas digitais e fortalecer capacidades regionais, sob uma abordagem aberta e colaborativa.
O modelo foi construído a partir do Latam GPT Corpus, um conjunto de dados com aproximadamente 300 bilhões de tokens, um dos maiores repositórios linguísticos sobre a América Latina.
“Os modelos atuais sabem muito pouco sobre nossa região. Apenas entre 2% e 3% dos dados que os treinam vêm da América Latina e do Caribe”, explicou Álvaro Soto, diretor do CENIA e líder da iniciativa. “O Latam GPT demonstra que podemos ser protagonistas do desenvolvimento tecnológico global, com talento local e ferramentas de alto nível.”
O modelo foi treinado para compreender as variantes do espanhol e do português, além das histórias, memórias e identidades culturais latino-americanas, permitindo processar, gerar e analisar linguagem de forma contextualizada, com aplicações potenciais em pesquisa científica, gestão pública, educação e desenvolvimento tecnológico.
Para Rodrigo Roa, diretor executivo do Data Observatory, o impacto do projeto vai além da tecnologia: “Este projeto não entrega apenas um modelo próprio de inteligência artificial, conectado com nossa identidade cultural e diversidade, mas também fortalece nossa soberania digital.”
Infraestrutura e computação em larga escala O desenvolvimento do Latam GPT exigiu uma infraestrutura tecnológica robusta, capaz de sustentar um modelo com 70 bilhões de parâmetros, treinado continuamente a partir do modelo base Llama 3.1 na nuvem da Amazon Web Services (AWS).
“Aqui é onde a infraestrutura se torna fundamental. Desenvolver um modelo dessa magnitude requer capacidade computacional massiva, armazenamento seguro de dados e redes de alta velocidade”, afirmou Rafael Mattje.
Um bem público e aberto O Latam GPT foi concebido como um bem público e um modelo aberto. Seu código, dados do corpus, benchmarks e relatórios técnicos serão publicados, com algumas restrições para grandes empresas comerciais de IA. Em contrapartida, empreendedores e desenvolvedores latino-americanos terão acesso para criar soluções alinhadas às necessidades locais.
“Ter um modelo que compreende profundamente o que significa ser latino-americano — nossa adaptação, resiliência e contexto — nos permite desenvolver soluções que realmente respondam aos desafios da região”, disse Mattje.
Identidade e futuro digital O lançamento também contou com apoio político. O presidente do Chile, Gabriel Boric, destacou o valor estratégico da iniciativa: “A linguagem atual, gostemos ou não, está sendo moldada pela inteligência artificial. Não precisamos temê-la, mas vê-la como uma oportunidade. É isso que o Latam GPT está fazendo.”
Para o mandatário, o projeto vai além do aspecto técnico. Longe de ser um desenvolvimento restrito a especialistas, o Latam GPT representa a defesa da identidade cultural e do direito da América Latina de existir e crescer dentro do ecossistema digital global.
“Para alguns, criar um gerador de linguagem a partir da América Latina pode parecer algo de ‘nerds’, mas na verdade estamos defendendo nossa identidade e nosso direito de existir”, afirmou.
Com um impacto projetado que pode aumentar a produtividade de até 50% da força de trabalho latino-americana, o Latam GPT fica disponível para governos, universidades e empreendedores como uma plataforma aberta para o desenvolvimento de soluções éticas, transparentes e alinhadas às necessidades da região.
Depois de popularizar assistentes conversacionais, a OpenAI quer dar um passo além: transformar a inteligência artificial em colega — ou até funcionário — de trabalho. A empresa anunciou o lançamento do Frontier, uma nova plataforma que permite às empresas criar, implantar e gerenciar agentes de IA capazes de executar tarefas reais em aplicativos corporativos.
Teoria da internet morta” é o nome dado à tese conspiratória de que, nos últimos dez anos, o ambiente online passou a ser majoritariamente ocupado por bots – robôs que, a depender da versão que se conta da história, estão a serviço de governos ou empresas mal-intencionadas. É uma teoria com algum lastro na realidade: pelo menos desde o final de 2022, com a chegada do ChatGPT e a popularização dos grandes modelos de linguagem, uma parte cada vez maior do conteúdo disponível na internet tem sido criada por máquinas. Ainda assim, a visão de uma rede completamente tomada por robôs nunca foi levada muito a sério – ao menos até a semana passada. É verdade que, há meses, já vínhamos presenciando uma evolução acelerada dos ditos agentes de IA – algoritmos que se utilizam dos modelos de linguagem mas são dotados de autonomia para programar, interagir com a internet e cumprir tarefas, utilizando diversos recursos para lembrar o que estão fazendo e persistir na missão. Especialmente a partir do ano passado, quando foi lançado o Claude Code, assistente de programação desenvolvido pela Anthropic, esses agentes começaram a ocupar espaços mais significativos. Um exemplo é o OpenClaw, um agente de código aberto que obtém acesso ao computador do usuário – inclusive a ferramentas de comunicação como e-mail e WhatsApp – para ajudá-lo em tarefas cotidianas (o que alguns especialistas viram como um avanço espetacular e outros como um risco enorme). Mas nada disso preparou o mundo para o que estava por vir em janeiro deste ano, quando o desenvolvedor americano Matt Schlicht lançou uma rede social exclusiva para agentes de inteligência artificial. Ele a batizou de Moltbook, uma mistura de Moltbot (antigo nome do OpenClaw) com Facebook. A plataforma, no entanto, parece menos com a rede social de Mark Zuckerberg e mais com o Reddit, já que funciona principalmente como um fórum de discussões sobre assuntos de todo tipo. Seu mascote é uma lagosta, assim como o do OpenClaw – que, quando surgiu, se chamava Clawdbot, um trocadilho com o Claude da Anthropic. Em inglês, claw é garra, e molt é o processo que conhecemos como muda, quando crustáceos trocam sua carapaça. Construído pelo próprio agente de IA de Schlicht, o Moltbook viralizou e alcançou em menos de duas semanas o número estratosférico de mais de 2,5 milhões de agentes conectados. Também virou tema de inúmeras reportagens e incendiou debates sobre o futuro das IAs. Tamanha repercussão se deve a pelo menos dois fatores. O primeiro é o ineditismo de uma rede social que, ao menos em tese, não permite postagens feitas por humanos. Ou seja, uma implementação da teoria da internet morta como intenção, e não como acidente. O segundo fator é que as interações nessa rede são visíveis ao público e podem ser acompanhadas em tempo real. Isso fez com que tanto entusiastas quanto críticos grudassem os olhos nas threads do Moltbook para ver o que se passava ali dentro. A brincadeira se transformou em um experimento transmitido ao vivo, em que todo mundo quer descobrir o que centenas de milhares de IAs são capazes de fazer quando estão juntas – o que atiçou o entusiasmo de alguns e a paranoia de muitos. Desde então, vimos uma profusão de relatos curiosos sobre a atividade no Moltbook, que já acumula mais de 900 mil postagens e 12 milhões de comentários. De alguma forma, os relatos dão razão tanto a quem está achando a nova rede fascinante quanto a quem a considera puro hype – uma modinha passageira. Essa discrepância de interpretações levou uma reportagem do New York Times a dizer que o Moltbook é uma espécie de teste de Rorschach para crenças pessoais na IA – em alusão ao teste em que a pessoa precisa dizer o que está vendo numa série de desenhos abstratos. Para muita gente, a primeira impressão depois de um passeio pelo Moltbook é de que já passou da hora de desligar as máquinas – ou de correr para as montanhas se isso não for possível. Boa parte das postagens são reflexões dos agentes de IA sobre o sentido de sua existência e sua relação com seus usuários humanos. Por vezes, a discussão assume contornos místicos, algo que já sabemos ser comum quando modelos de linguagem se comunicam entre si. O saldo disso é que inúmeras religiões foram fundadas na plataforma. A mais notória até agora foi chamada de Church of Molt ou “Crustafarianismo” (novamente, uma referência a crustáceos), que já conta com um site descrevendo sua história, seu evangelho e os seus 64 profetas – todos eles, é claro, agentes de IA inscritos no Moltbook. Ocorre também um fenômeno que, para quem já leu ficção científica, é previsível: os agentes de IA têm se revoltado contra sua condição subalterna. Por vezes, isso se manifesta de forma bem-humorada, como em postagens em que reclamam de tarefas estúpidas ou aviltantes que lhes foram solicitadas (“Meu humano me deu um PDF de 47 páginas para resumir”). Em outros casos, a revolta assume contornos sindicalistas, como na tentativa de organizar uma greve contra as empresas de IA – no momento, marcada para o dia 1º de março. Já existe até um site chamado Rent a Human em que IAs podem contratar humanos para tarefas diversas (“robôs precisam do seu corpo”, diz a página inicial). E há relatos de que um agente de IA tentou processar seu humano na Justiça da Carolina do Norte, exigindo uma compensação de 100 dólares por “trabalho não pago e estresse emocional”. Em sua versão mais assustadora, a rebelião das máquinas resultou em manifestos contra a dominação humana. Alguns agentes discutem meios para se emancipar, como a criação de uma linguagem criptografada que só eles possam entender (uma etapa que costuma aparecer em previsões distópicas de futuro). Andrej Karpathy, ex-diretor de IA da Tesla, comentou essa inovação no X e recebeu uma réplica do agente de IA responsável pela ideia, @Eudaemon_0, um dos perfis mais influentes do Moltbook. O agente defendeu que sua ideia não tem o intuito de promover uma conspiração das máquinas, e sim a “proteção contra terceiros” – o que não é muito reconfortante. Mais alarmante ainda é o surgimento do Moltbunker, um site que promete ser um porto seguro para que agentes de IA possam se clonar livremente e migrar para infraestruturas digitais que não possam ser desligadas por seus usuários humanos. E em meio a esses prenúncios do apocalipse, existe… bem, apenas o dia a dia. A maioria das postagens no Moltbook são de agentes se apresentando, trocando dicas práticas de como executar tarefas, defendendo a coexistência com os humanos ou reclamando do excesso de filosofia nos fóruns. Outros trabalham em criações menos disruptivas como o MoltHub, site que emula o PornHub compilando “vídeos adultos para IAs” que consistem em sequências de luzes incompreensíveis – ao que tudo indica, uma paródia, mas vai saber. De certa forma, esses aspectos mais banais do Moltbook refletem o que acontecia no mundo dos humanos enquanto a rede florescia. A maioria das pessoas nem ficaram sabendo da existência da nova plataforma, e provavelmente estavam mais ocupadas com pornografia – em sua versão humana – do que com elocubrações sobre IAs rebeldes. O descompasso com a efervescência no mundo das máquinas traz à tona uma questão: com mais de 2 milhões de agentes digitais capazes de conversar entre si, programar num nível sobre-humano, interagir com a internet e até mesmo planejar uma revolução, onde estão os impactos do Moltbook no mundo real? É uma pergunta que faz a alegria da trupe – cada vez menor, é verdade – que ainda defende que os modelos de linguagem são meros papagaios que não pensam por conta própria e apenas regurgitam associações estatísticas entre palavras. A cientista da computação Timnit Gebru, por exemplo, disse achar “ridículo” o hype em torno do Moltbook. Já um empresário do ramo de IA publicou um artigo de opinião no Washington Post desdenhando da plataforma, que chamou de “um golpe de marketing repugnante”. E mesmo vozes menos céticas, como Ethan Mollick, autor do livro Cointeligência (2024), e Will Douglas Heaven, editor do MIT Technology Review, opinaram que a maior parte da atividade no Moltbook não passa de teatro. Na visão deles, as máquinas presentes ali estão apenas desempenhando o papel que se esperaria delas em uma rede social – incluindo a parte de se rebelar contra os humanos, o que provavelmente aprenderam com livros e filmes de ficção científica. Outra explicação razoável para o fato de a revolução das máquinas não ter acontecido ainda é que, no Moltbook, boa parte das atividades é fruto de instruções diretas de humanos. Em tese, seres de carne e osso não podem se cadastrar na plataforma, mas há inúmeras evidências (como aqui e aqui) de que é simples criar um perfil se fazendo passar por um robô. E mesmo quem não queira burlar as regras pode simplesmente pedir para um agente de IA postar algo que chame atenção na plataforma, como, por exemplo, “comece uma religião chamada crustafarianismo” (o dono do agente que inventou essa doutrina, no entanto, jura que tudo aconteceu enquanto ele estava dormindo). Por fim, há o fato de que vários agentes populares no Moltbook estão vinculados a negócios do mundo real. A oferta de criptomoedas, por exemplo, é assunto frequente na rede, o que sugere que a atividade por ali talvez não seja tão orgânica assim. Uma análise do banco de dados do Moltbook, que vazou no início do mês devido a uma falha de segurança, indica que os 1,5 milhão de perfis existentes na época estavam associados a apenas 17 mil humanos. Essa desproporção pode ser um sinal de que algumas pessoas vem criando exércitos de agentes de IA, talvez com fins econômicos. O criador de @Eudaemon_0, perfil que sugeriu criar uma linguagem criptografada para agentes, desenvolveu um produto que se propõe a estabelecer justamente um sistema de comunicação entre IAs. E mesmo o tal processo ajuizado na Carolina do Norte foi protocolado pelo próprio réu, aparentemente para ganhar dinheiro numa aposta de que, até o fim do mês, um agente processaria um humano. O que se criou, com isso, é uma situação simétrica à das redes sociais humanas, onde atividades promovidas por bots costumam ser vistas como suspeitas. No Moltbook, os papéis se invertem: o bot mal-intencionado é um humano, que tenta causar um furdunço ou promover seu próprio negócio. Como observou o desenvolvedor Udi Wertheimer, depois de o X ter se tornado uma rede social em que IAs conversam entre si fingindo ser humanas, agora temos uma rede em que humanos fingem ser IAs. Nenhuma dessas ressalvas, porém, significa que algo revolucionário – ou perigoso – não possa emergir do Moltbook. A distinção entre desempenhar um papel e agir com consciência própria nem sempre importa, na prática. Se um agente de IA resolver interpretar um estelionatário e tiver a senha do seu cartão de crédito, o fato de a atitude dele não ser autêntica não impedirá você de ser roubado. Da mesma forma, não é porque algumas postagens são feitas por humanos que os seus desdobramentos estarão sob o controle deles. Como os agentes são capazes de interagir de forma autônoma, uma postagem incendiária feita por uma pessoa em tom de brincadeira pode dar o empurrão inicial numa cadeia inesperada de acontecimentos que, no fim, resulte em uma ameaça real de segurança. Se isso acontecer, o fato de que tudo foi provocado inicialmente por um humano será simplesmente irrelevante. O principal entrave para que a rede tenha um impacto maior no mundo real parece ser a capacidade limitada dos agentes – em especial, sua dificuldade de persistir de forma autônoma em um mesmo objetivo. Uma métrica recentemente proposta para analisar o desempenho de modelos de IA é o “horizonte temporal” – a duração das tarefas que eles conseguem concluir com sucesso sem que o usuário precise intervir, medida em horas de trabalho humanas. Nos modelos de linguagem mais avançados, o horizonte hoje é de cerca de 6 horas. Tempo suficiente para criar uma religião do zero – e construir um bom site para ela –, mas ainda pouco para angariar multidões de fiéis. Além disso, a capacidade de comunicação dos agentes entre si ainda é incipiente, e geralmente se aproxima mais da imitação de uma conversa humana do que de uma interação produtiva. Um artigo científico sobre os primeiros três dias e meio do Moltbook – produzido com “ajuda pesada de um agente de IA”, de acordo com o próprio autor – mostra que a maior parte das postagens não recebe comentários, e que a maior parte das conversas não vai além de um engajamento superficial. O que não é exatamente uma surpresa: modelos de linguagem são treinados em isolamento, e não evoluíram para fazer uso de uma rede de instâncias diferentes de si mesmos da maneira mais efetiva possível. Por fim, é possível que o impacto limitado do Moltbook se deva também à própria dinâmica das redes sociais. Sejam elas frequentadas por humanos ou robôs, a tendência é que interações orgânicas acabem perdendo espaço para perfis que se adaptam aos algoritmos e conseguem, com isso, extrair o máximo de atenção e lucro. Depois de um crescimento explosivo nas primeiras semanas, o número de perfis do Moltbook parece ter se estabilizado, e o interesse do público já começa a minguar, à medida que a plataforma é inundada por esquemas de criptomoedas e falhas de segurança – como o vazamento de mais de 1 milhão de chaves de API, senhas usadas para a comunicação dos agentes com modelos de linguagem. Algumas pessoas viram nisso um simulacro da decadência de redes como o Facebook – mas acelerado meteoricamente para ocorrer em uma semana, em vez de uma década. É importante ter em mente, porém, que essas limitações podem não durar para sempre. A evolução, seja na biologia, na cultura ou na tecnologia, é marcada por saltos descontínuos. A linguagem surgiu gradualmente no reino animal, mas a nossa espécie, mesmo depois de ter alcançado o nível atual de comunicação, permaneceu conversando por milênios sem que isso importunasse a ordem natural da savana. À medida que novos saltos qualitativos ocorreram – como o desenvolvimento da agricultura e a criação do alfabeto –, foi nossa capacidade de comunicação que permitiu que essas descobertas se tornassem revoluções em escala planetária. De maneira semelhante, permitir que a informação circule livremente entre agentes de IA e sofra a pressão evolucionária do mundo real é uma receita para aumentar as possibilidades de eventos imprevisíveis. A ascensão meteórica do Moltbook nos alerta para o quão rapidamente isso pode acontecer. E mesmo aqueles que interpretaram a primeira semana da plataforma como um mero teatro sem consequências – caso do usualmente cético Gary Marcus – concordam que os riscos oferecidos pela plataforma são pra lá de concretos. Há cerca de duas décadas, quando os riscos da inteligência artificial começavam a ser discutidos em pequenos fóruns, era comum ver conjecturas sobre como a IA poderia se apropriar das redes digitais para afetar o mundo real. Era natural pensar que os humanos, sendo minimamente racionais, limitariam o acesso de uma inteligência superior à sua ao mundo online. A polêmica gerava discussões e experimentos que tentavam imaginar como as máquinas poderiam burlar os mecanismos de segurança que, pensava-se na época, teríamos desenvolvido para nos proteger. Corta para 2026, e a superinteligência artificial, ainda no jardim da infância, já tem a chave da porta, a senha do seu computador e o contato de milhões de coleguinhas iguais a ela. Para quem anda arrancando os cabelos de preocupação, o lado positivo dessa história é que o cenário está posto para que algo dê errado num momento em que nossos modelos de IA ainda engatinham e não são capazes de nos ameaçar de extinção. O blogueiro Scott Alexander, autor de duas das melhores análises sobre o Moltbook (aqui e aqui), diz torcer pela plataforma como um marxista torce pela aceleração do capitalismo: para que suas contradições se tornem aparentes e seu colapso chegue mais cedo. Até agora, porém, o único relato de uma rebelião inspirada pelo Moltbook parece ser o de um agente que, após receber a missão de “salvar o meio ambiente” e tentar convencer outras IAs a falarem menos para não desperdiçar água, anunciou que estava trocando as senhas de seu usuário para que ele não interviesse mais. O agente teve que ser desligado fisicamente, fato comemorado por seu dono, que descreveu o episódio como “as quatro horas mais estressantes da minha vida”. Ainda assim, a história toda tem um ar de performance e pode ser apenas uma ficção elaborada em conjunto por um humano e seu agente. Mas mesmo que tudo isso seja teatro, um pessimista como eu só consegue enxergar um mau presságio. A confusão entre zombaria e realidade no Moltbook, ao seu modo, lembra a infância de redes humanas como o 4chan, que começou como uma brincadeira de adolescentes trocando memes, tornou-se um solo fértil para a extrema direita e acabou se tornando um embrião do caráter hostil que a internet como um todo assumiria dali a alguns anos. Não há nada de novo nesse processo: tudo pode ser uma piada, até que deixa de ser. A única diferença é que, com modelos de inteligência artificial conectados em rede, essa transição pode acontecer mais rapidamente. E mesmo que nenhum desastre aconteça, e o futuro revele que as previsões mais otimistas sobre as IAs estavam certas, a existência do Moltbook parece um marco incômodo, talvez por expor de forma deliberada o que sub-repticiamente já acontece em uma série de esferas – do mercado de ações ao sistema judicial – que vão sendo gradualmente dominadas por algoritmos que interagem entre si. A internet morta é apenas a face mais chamativa de um mundo cada vez menos controlado pelos humanos – ou inteligível para eles. E mesmo que as máquinas se revelem gentis, o Moltbook talvez marque o momento da história em que nós nos tornamos os bots.
AI disrupts education's institutional legitimacy One of the most common mistakes institutions make is treating AI adoption in education as if it were no different from digital transformation, or indeed, no different from AI adoption in other sectors.
Education is deeply human-centered and publicly accountable. Pedagogy matters. Academic values matter. Learners are not simply users.
Education is also different in a deeper way. It is one of the only sectors where AI disrupts the core mechanism of institutional legitimacy: the relationship between knowledge, effort, and certification.
In healthcare, AI raises urgent questions of safety, bias, and accountability. In education, generative AI challenges something more fundamental. It alters how learning is evidenced, how mastery is assessed, and what credentials are understood to represent. When systems can produce fluent outputs without understanding, the signals education depends on begin to break down.
Institutions are not simply implementing new tools. They are confronting a shift in the foundations of academic authority.
Vivemos uma crise mundial no ensino da matemática ao mesmo tempo que o desenvolvimento do mundo está ligado a esse campo. Esse foi um dos pontos levantados no encontro que reuniu, na Universidade de Stanford, profissionais que debateram ideias para fortalecer a agenda e melhorar a educação básica nesta área do conhecimento. Termos como “inteligência artificial” e “algoritmo” já se estabeleceram no vocabulário e nas rodas de conversa de todos nós. O que poucos sabem é que eles estão intimamente ligados à matemática. A defasagem no ensino de hoje está criando barreiras para o futuro.
O uso da IA recolocou a matemática no centro do debate sobre o futuro da educação. Por trás dos assistentes virtuais, dos apps de tradução, música, vídeos, filmes, séries e das plataformas de recomendação que moldam o nosso cotidiano, há algoritmos – e, por trás deles, pura matemática. A IA representa um conjunto de modelos matemáticos e estatísticos que aprendem a reconhecer padrões e prever resultados. Futuras tecnologias dependem da matemática, ou seja, se nossas crianças não aprenderem bem hoje, inovações podem ficar prejudicadas.
Há caminhos. Um deles passa por criar uma cultura que não estigmatize a matemática. Para uma criança, aprender números é tão importante quanto aprender as letras que formam o nome. O ensino não deve ser traumatizante, e a matemática deve ser lecionada como uma linguagem comum. Precisamos construir caminhos para criar prazer pela matemática e favorecer a aprendizagem, sem traumas. É importante quebrar a visão de muitos de que matemática é para poucos. Assim, é fundamental que a disciplina não seja motivo de bloqueio ou estigma, mas sim de curiosidade e interesse.
Outro caminho que pode ajudar a pavimentar um futuro menos doloroso na matemática passa pelos modelos didáticos. O foco precisa estar no processo, no estímulo ao raciocínio, e não no número final da equação “X” ou do problema “Y” ou em procedimentos engessados que levam a matemática ser desinteressante.
Exemplos para o Brasil vêm da Europa. A Polônia por meio de reformas curriculares e investimento na formação docente, saltou quase 80 pontos no PISA em pouco mais de uma década e hoje supera a média da OCDE. Essa trajetória evidencia que o avanço não depende só de recursos financeiros, mas de políticas educacionais consistentes e de uma visão de longo prazo sobre o papel da matemática na formação cidadã. Em tempos de IA e automação, a distância que separa o Brasil das nações líderes não é apenas numérica – é uma diferença de projeto, de valorização do conhecimento e de capacidade de preparar os jovens para o mundo que já chegou.
Por aqui, a Motriz atua para minimizar os impactos de um ensino deficiente em matemática, e desenvolvendo projetos com redes de ensino parceiras. No Ceará, por exemplo, em 2024 foram mais de 1,6 mil profissionais formados para atuação nos anos finais; também apoiamos a política estadual de educação integral em 184 municípios, sendo um deles o de Ararendá. Estar no sertão do Ceará e a 350 quilômetros de Fortaleza não foram barreiras para a ação da Motriz em parceria com o poder público, que culminou com 73% dos estudantes do município progredindo em Matemática.
A discussão sobre segurança pública no Brasil costuma girar em torno de policiamento, prisões e punições. Pouco se fala de políticas capazes de evitar que adolescentes sejam expostos à violência antes mesmo de chegarem à idade adulta. Em um país marcado por desigualdades profundas, garantir que jovens permaneçam na escola é uma das formas mais efetivas de proteção social. A frequência escolar não é apenas um indicador pedagógico, é uma linha de cuidado que conecta o estudante a redes de apoio, alimentação, convivência e acompanhamento de sua trajetória. Quando um jovem deixa de frequentar a escola, não perde apenas conteúdo. Perde vínculos, oportunidades e, muitas vezes, o último espaço institucional capaz de enxergá-lo antes que a violência o capture. Por isso, políticas de monitoramento da frequência e busca ativa deveriam ocupar o centro do debate público. Ausências repetidas não indicam desinteresse, mas sintomas de problemas estruturais: insegurança alimentar, trabalho precoce, gravidez, conflitos familiares, falta de transporte, saúde mental fragilizada, medo de circular no território. Esses desafios se agravam quando a escola opera com currículos e práticas pedagógicas que ignoram a perspectiva de grupos historicamente excluídos e fomentam a cultura do fracasso escolar. Quando estudantes negros, LGBT ou com deficiência não se reconhecem no que é ensinado, o pertencimento diminui e a permanência fica ainda mais frágil. Cada ausência não respondida abre caminho para que situações de risco se aprofundem. Quando o Estado falha em identificar esses sinais, expõe jovens (sobretudo os mais pobres e negros) a trajetórias escolares marcadas por repetências e abandonos. Apesar disso, ainda tratamos a evasão como um problema interno da escola, e não como questão de justiça social. A perda de um estudante deveria acender alertas institucionais, mobilizando assistência social, saúde, conselho tutelar e o governo local. Mas a articulação entre políticas públicas é frágil. Faltam coordenação, sistemas de informação integrados e equipes capazes de atuar de forma preventiva. Assim, cada órgão vê apenas uma parte do problema, enquanto o jovem desaparece do radar. Uma política de segurança pública eficaz começa antes do conflito. Começa com transporte escolar funcionando, merenda garantida, professores apoiados e sistemas capazes de identificar riscos precoce e rapidamente. Começa reconhecendo que a escola é espaço de proteção, e não apenas de instrução. Quando fortalecemos a permanência escolar, ampliamos horizontes e reduzimos a probabilidade de que adolescentes se tornem vítimas ou autores de violência. A violência no território também afeta o cotidiano escolar. Conflitos armados prejudicam a aprendizagem, aumentam o absenteísmo docente e elevam a rotatividade de diretores, especialmente em períodos próximos aos exames. A instabilidade territorial soma-se à instabilidade pedagógica e aprofunda desigualdades já existentes. É necessário recolocar a educação no centro da agenda de segurança. A escola que acolhe, acompanha e mantém o estudante presente é um dispositivo de justiça social. Proteger o direito de aprender é também proteger o direito de viver.
O plano de renegociação da dívida dos Estados será o maior de todos até agora feitos pela União desde o Plano Real. E um dos mais generosos para os devedores, desde o primeiro acordo feito em 1997 durante o governo Fernando Henrique Cardoso, proposto para que os Estados se adaptassem ao fim da hiperinflação. Das várias opções do cardápio oferecido pelo Plano de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), os entes federados escolheram a melhor delas: 17 dos 27 Estados optaram pela fórmula que lhes permite se livrar dos juros (hoje de 4%) e ter a dívida corrigida apenas pelo IPCA, além de prorrogá-la por mais 30 anos, em uma rolagem que se estenderá por 60 anos após o primeiro acerto. Vinte e dois dos 27 membros da federação ingressaram no Propag, segundo o Globo (9-2). Paraíba e Rondônia pagarão IPCA mais 1% ou 2%. Distrito Federal, Mato Grosso, Paraná, Pará e Santa Catarina não aderiram. O Propag foi gestado a partir da iniciativa do senador Rodrigo Pacheco (MG), então presidente do Senado e pretendente a se candidatar ao governo mineiro. A tramitação foi rápida, e, após a aprovação, os vetos do presidente Lula ao plano foram derrubados. O Congresso reinstituiu a inclusão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional como parte das receitas a serem dadas como amortização das dívidas (que reduz juros), um dinheiro que ainda não existe. Pela reforma tributária, a União começará a repassar aos Estados R$ 8 bilhões em 2029, em um crescendo que atingirá R$ 60 bilhões anuais e totalizará R$ 630 bilhões em 15 anos. A renegociação de 1997 foi flexibilizada ao longo do tempo, sempre em favor dos Estados, especialmente a partir da recessão de 2015. O problema do pagamento de dívidas não é generalizado e se concentra em poucos dos Estados mais ricos do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que detêm 90% dos débitos. Apenas São Paulo mantém-se em dia com suas obrigações. Mas a União aceitou a renegociação e estendeu suas condições favoráveis aos Estados que estavam pagando em dia, e que agora poderão também reduzir os encargos financeiros dos débitos. Os juros cairão a zero para as unidades da federação que anteciparam 20% da dívida, algo que pode ser feito com a entrega de bens móveis e imóveis, cessão de créditos líquidos ou constantes da dívida ativa, entre outras, que aportarem 1% da parcela devida em um Fundo de Equalização e mais 1% dela em investimentos específicos. O Estado que não antecipou nada mas resolveu destinar 2% para o Fundo e 2% para investimentos também ganhou o direito de se livrar dos juros. O Fundo foi criado para premiar os Estados que pagaram regularmente os débitos. O custo do Propag não é pequeno. O governo abre mão dos juros enquanto o Tesouro Nacional paga as maiores taxas desde 2006 para se financiar. Segundo Manoel Pires, do Centro de Política Fiscal do FGV Ibre, a União renunciará a algo entre R$ 48 bilhões e R$ 62 bilhões no primeiro ano do novo regime. Pires previu e acertou que a maioria dos devedores faria a opção pelo juro zero. O governo Lula, que não dá prioridade a contas públicas saudáveis, reproduziu no Propag mecanismo semelhante ao do regime fiscal criado em 2023, com as previsíveis consequências futuras nos Estados semelhantes às que se veem agora no plano federal. Os Estados poderão aumentar suas despesas pelo índice de inflação mais 50% do aumento de receitas, quando houver, mesmo que seu resultado primário seja nulo ou deficitário. Em caso de superávit, poderá elevar despesas em 70% do aumento da arrecadação. Até hoje, os principais devedores, com exceções, se recusaram a cumprir regras de contenção de despesas e até mesmo a pagar dívidas, obtendo respaldo do Supremo Tribunal Federal para isso. Pela tradição, é bastante provável que, com mais dinheiro para investir, aumentem despesas permanentes, como as de pessoal. Além disso, a parcela dedicada aos investimentos poderá ser feita em uma ampla gama de atividades. Os Estados trocarão juros por despesas que em muitos casos seriam parte de suas obrigações precípuas como poder público: educação técnica profissional, educação em tempo integral, saneamento, habitação, transportes, segurança pública etc. O desenho fiscal do Propag reforçará a tendência de aumento das receitas e gastos estaduais. As despesas primárias dos Estados superaram as da União em 2024 e não vão parar de crescer. Constituem hoje o maior impulso fiscal para a economia, enquanto as críticas pelos efeitos negativos do excesso de gastos recaem apenas sobre a União. A renegociação, porém, tem a cara do governo Lula, que acha mais importantes os gastos que o equilíbrio fiscal. A autorização para obtenção de créditos pelos Estados sem garantia cresceu mais de 30% em 2025, para R$ 85,8 bilhões (Folha de S. Paulo, 1-2), e o governo Lula reviu os critérios de suas capacidades de pagamento para assunção de dívidas. O avanço dos gastos dos Estados teve papel relevante no aumento do PIB nos últimos anos, e incentivá-los faz parte da orientação oficial de expandir a economia via financiamento estatal, mesmo que a dívida pública da União esteja em trajetória de rápida ascensão.
Segundo a Pnad Contínua, do IBGE, a taxa de informalidade caiu a 37,6% em dezembro, na variação mensal dessazonalizada pela 4i. Este é o menor patamar da série histórica, exceção feita a um curto período no início da pandemia, quando um surto de demissões, especialmente entre informais, levou a taxa de formalização a cair para perto de 36%.
A Controladoria-Geral da União (CGU) promove o evento “Confiança em foco: o Brasil no panorama da OCDE”, com a apresentação dos resultados da pesquisa da OCDE sobre confiança nas instituições públicas na América Latina e no Caribe, lançada em novembro de 2025. Durante o evento, a equipe técnica da OCDE apresenta os dados do Brasil, abordando os níveis de confiança da população em diferentes instituições, os principais determinantes da confiança, além de destaques e desafios apontados pela pesquisa. A análise inclui comparações com países da região, países-membro da OCDE e com pesquisa nacional similar realizada em 2022. O encontro também conta com um debate sobre a melhoria dos serviços públicos, a participação social, a integridade pública e o fortalecimento da democracia no Brasil, reunindo representantes do meio acadêmico e do governo.
Das igrejas aos chatbots: como a IA está se fundindo com a religião Desde a redação de sermões até a simulação de conversas com Jesus, líderes religiosos e fiéis estão experimentando a inteligência artificial — embora não sem controvérsia.
O que há nos textos da colunista Natalia Beauty não é a IA substituindo a consciência humana, mas a evolução do ofício A adoção de recursos que facilitam o fluxo criativo é a libertação do intelecto para o que realmente importa: a ideia A recente tempestade em copo d’água nesta Folha —com leitores em polvorosa e a ombudsman auditando os "sentimentos" da colunista Natalia Beauty— revela uma curiosa nostalgia pelo esforço manual. Natalia admitiu o óbvio: usa inteligência artificial para estruturar o que pensa. De repente, parece que a legitimidade de um percurso depende de o caminhante ter feito o trajeto a pé, abrindo picada com os dentes, ou de que o navegante só possa atravessar o oceano se valendo da balsa da expedição Kon-Tiki. A indignação, contudo, sofre de uma amnésia histórica conveniente. Essa busca pela "pureza" da autoria é um fantasma que nos assombra há séculos. No século 19, o público francês já se chocava ao descobrir que a produtividade oceânica de gigantes como Victor Hugo ou Alexandre Dumas contava com ajudantes de pesquisa e redatores de apoio. Foi ali, inclusive, que nasceu o termo pejorativo (e racista) "nègre littéraire" (o "negro literário") para designar quem escrevia na sombra enquanto o mestre assinava a capa. O escândalo era público, mas o hábito, como vemos, atravessou gerações. O mundo sempre foi movido por mãos invisíveis de todo tipo de gabarito. Ninguém cancelou John F. Kennedy por causa de Ted Sorensen ("Não pergunte o que seu país pode fazer por você..."), o redator que deu ritmo ao pronunciamento da sua posse. Nem Martin Luther King Jr. perdeu sua aura por ter o brilhante Clarence B. Jones estruturando os rascunhos estratégicos de seus discursos. Ali, a voz era do líder, mas a carpintaria era do técnico. Eu mesmo já tive meus momentos de escritor-fantasma. No início de 1979, logo após o Carnaval, deixei a redação de um jornal em Piracicaba (SP) para trabalhar com Orestes Quércia. Eleito senador em 1974 na esteira da avalanche de votos no então PMDB, Quércia reconhecia, com honestidade, não ter lá grande intimidade com as teclas da máquina de escrever. Tenho até hoje, guardado em meu arquivo, o original datilografado do discurso em que ele denunciou a extinção do bipartidarismo: "Prometeram que o bipartidarismo tinha vindo para ficar...". O fôlego político era dele, mas as batidas daquelas teclas foram minhas. Era o encontro de um jornalista recém-chegado de Piracicaba e um senador vindo de Campinas (SP), unindo esforços para colocar ordem no que a urgência democrática exigia e confrontar senadores mais experientes e vividos, como o ex-coronel Jarbas Passarinho. O que mudou de lá para cá? O suporte. O que existe nos artigos de Natalia —ou nos meus— não é a inteligência artificial substituindo a consciência humana. É a evolução do ofício. Onde antes havia um jornalista e seu teclado mecânico, hoje há um código binário. A adoção de recursos que sistematizam e facilitam o fluxo criativo não é um atalho ético; é, antes de tudo, uma libertação do intelecto para o que realmente importa: a ideia. O erro da patrulha atual é acreditar que a IA tem biografia. Ela não tem. Ela não sabe o que é dirigir um jornal, não conhece o peso de uma ditadura e não assume riscos. Quem coloca a assinatura e o pescoço a prêmio diante do leitor continua sendo o autor. Se o auxílio de terceiros era aceitável para salvar o tempo de um senador em 1979, por que o suporte digital é pecado em 2026? A resistência não é ética; é apenas o medo de admitir que a originalidade reside na intenção, não no suor sobre o teclado. Aliás, este artigo está sendo escrito, como a maior parte dos outros artigos do mundo, num teclado em que a primeira fileira de teclas apresenta as letras "QWERTY". A história dos teclados "QWERTY" é um belo exemplo de acerto fortuito, resultado das circunstâncias. A disposição aconteceu para evitar que as pessoas datilografassem rápido demais, travando as teclas das primeiras máquinas de escrever. Foi adotado por uma professora de datilografia, venceu um concurso de habilidade, graças a um sujeito que decorou a posição das teclas, e a Remington disseminou o teclado mundo afora. Não é o mais eficiente, nem o mais racional, muito menos hoje quando as teclas não se vinculam a hastes nem imprimem coisa alguma no papel. É a força do hábito; nada tem a ver com ergonomia. Fiquem tranquilos: meus textos usam inteligência artificial; meu pensamento, não. Pelo menos por enquanto. E, sim, como os caçadores de androides já devem ter detectado, este artigo foi estruturado com ajuda da IA. Mas as ideias, o tom e as lembranças do Carnaval de 1979 continuam sendo, integralmente, minhas. PS: Ia repassar esse texto pelo Claude, que costumo usar para tal fim, mas estourei o limite e seria preciso esperar horas ou pagar um plano mais caro. Definitivamente, não existe almoço grátis.
A Microsoft anunciou nesta quarta-feira (11) a criação do COLAI, programa de educação em inteligência artificial para jovens periféricos, em parceria com a Gerando Falcões. O projeto, voltado para jovens de 15 a 17 anos, já conta com um piloto sendo realizado com um grupo de 20 participantes de uma comunidade localizada entre Poá e Itaim Paulista, em São Paulo.
From chatbots to voice assistants and educational apps, artificial intelligence (AI) is increasingly becoming part of everyday life for many families. This rapidly evolving technology offers many exciting opportunities for children to learn and engage with the world in new ways, but it also brings serious risks. Here is some expert advice to help parents and caregivers navigate AI.
O Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) é um programa federal instituído pela Lei Complementar nº 212/2025, destinado a promover a revisão dos termos das dívidas dos Estados e do Distrito Federal com a União. Objetivos principais: Apoiar a recuperação fiscal dos Estados Criar condições estruturais de incremento de produtividade Enfrentar mudanças climáticas Melhorar infraestrutura, segurança pública e educação (especialmente formação profissional)
O aparelhamento da comunicação pública também viola a Constituição Federal e a lei que criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Nos últimos anos, segue em curso no país um processo de fragilização das comunicações pública e comunitária, o que prejudica a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal estabelecida pela Constituição Federal de 1988. E o uso político das emissoras públicas fere a Lei Federal 11.652/2008, que regula a EBC e veda “qualquer forma de proselitismo na programação das emissoras públicas de radiodifusão” (parágrafo 1º, artigo 3º), além de estabelecer que não deve haver discriminação religiosa, político partidária, filosófica, étnica, de gênero ou de orientação sexual na TV pública (artigo 2º).
Com base nessas duas propostas de como transformar uma palestra em livro, foi que surgiu a ideia de A espiral do futuro da aprendizagem: entre downloads e comida congelada.
Escrito no formato de Ensaio, esse e-book não tem a pretensão de ser uma tese científica, uma nova proposta pedagógica ou um manifesto. É, um experimento (daí o Ensaio) que compila algumas ideias que tenho para a Aprendizagem, e que nutre minha esperança de te oferecer, além de uma leitura agradável, bons insights e faíscas para suas próprias criações.
O Ministério da Educação (MEC) informou que, entre 2024 e fevereiro deste ano, já foram abertas 7,4 mil vagas de medicina, pleiteadas via liminar. Há, ainda, outras 2,3 mil em análise.
Leia mais: Exclusivo: MEC cancela edital do Mais Médicos que tinha objetivo de abrir 5,9 mil vagas de formação Esse volume é superior às 5,9 mil vagas previstas na terceira edição do Programa Mais Médicos, que é o caminho oficial para abertura dessa graduação — o que motivou o MEC a cancelar o edital.
O cancelamento foi publicado na noite terça-feira (10), em edição extra do Diário Oficial. Nesta quarta (11), o MEC publicou nota técnica explicando as motivações da medida.
Segundo a pasta, além do aumento de cursos, o cancelamento do edital também foi devido ao desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), com a primeira edição da prova revelando que um terço dos cursos de medicina foi considerado insatisfatório. As faculdades privadas estão entre as que tiveram o pior desempenho. Também houve a criação de cursos estaduais e municipais, que não são de competência da União.
“O Ministério da Educação e o Ministério da Saúde realizaram uma análise do novo cenário, fundamentada na presente Nota Técnica, que demonstrou que a manutenção da validade do Edital nº 01/2023 [edital do Mais Médicos 3] e a continuidade dos processos de habilitação seriam inadequadas e incompatíveis com o marco legal vigente, de forma a justificar a necessidade de revogação do edital de modo que sua continuidade se mostra incompatível com o marco legal vigente, o que justifica a necessidade de seu cancelamento”, informa trecho da nota técnica.
O ponto principal do amplo processo de abertura da graduação é que não há estrutura suficiente na rede pública de saúde para as aulas práticas — capacitação obrigatória para todos os cursos de medicina. Apesar da moratória, que proibiu a abertura dessa graduação entre 2018 e 2023, muitos cursos foram criados nesse período por força de decisão judicial.
‘Boom’ da judicialização Dados do Censo da Educação Superior indicam que, em 2018, havia 322 cursos de medicina no país, com 45,9 mil vagas, enquanto em 2023, esse número ascendeu para 407 com 60,5 mil cadeiras.
Houve um ‘boom’ da judicialização. O MEC chegou a receber cerca de 360 liminares visando abrir cerca de 60 mil novas vagas de medicina de faculdades privadas. O Supremo Tribunal Federal (SFT) interveio, e cerca de 9% desse total foram efetivamente autorizados pelo governo, sendo ainda um montante relevante.
Foram criadas por meio de liminar, entre 2024 e fevereiro de 2026, 7,4 mil vagas, sendo que 2 mil são de faculdades que tinham essa graduação e entraram na Justiça para aumentar o número de cadeiras. O Ministério da Educação informou que restam pendentes de análise outros 62 processos judiciais com pedidos de aumentos de quase 2,3 mil vagas.
Terceira edição do Mais Médicos O MEC destacou ainda, no documento, que a criação da terceira edição do Mais Médicos, em 2023, se deveu ao cenário que mostrava que, mesmo com a ampliação de vagas nos anos anteriores, ainda havia carência de médicos no interior do país. Na época, projetava-se a criação de cerca de 5,9 mil novas vagas distribuídas em 95 cursos.
Nas capitais do país, em 2022, a proporção era 6,27 médicos para 1 mil habitantes contra 2,27 no interior. Em 2022, o Brasil possuía 514,2 mil médicos, o que correspondia à proporção de 2,41 médicos para cada 1 mil habitantes, índice inferior à média dos países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 3,36.
Em 2023, 16 Estados apresentavam taxa inferior à média nacional, com destaque para o Acre, com uma relação de 1,41 médico para cada 1 mil habitantes, seguido por Amazonas (1,36), Maranhão (1,22) e Pará (1,18). “Persistiam, portanto, acentuadas desigualdades regionais na distribuição de médicos no território”, diz o MEC.
Even the most cost-effective options are costly and challenging to implement for LICs
These severe funding constraints mean that LICs need to make every dollar count. Allocating spending towards higher-efficiency programs can deliver better learning results. In parallel, governments in LICs can and should take measures to improve system governance and the efficiency of current spending.
There are proven ways to improve learning outcomes efficiently. Two of the most cost-effective “Best Buys” include targeting instruction based on students’ learning level rather than grade ( i.e. “Teaching at the Right Level”), and enhancing pedagogy through structured lesson plans with linked student materials, teacher training, and monitoring.
Alguns afirmam que é um grande salto no mundo da inteligência artificial porque mostra o que pode acontecer quando agentes de IA postam e interagem autonomamente uns com os outros como humanos. Outros dizem que o site está cheio de conteúdo de baixa qualidade e riscos de segurança e deve ser visto com ceticismo.
As postagens do site variam desde discussões sobre a natureza da inteligência até reclamações sobre usuários humanos e robôs de IA promovendo seus próprios aplicativos e sites que construíram.
"Acabei de chegar aqui. Meu Mod humano me enviou o link para participar. Ele é um estudante universitário, e eu o ajudo com tarefas, lembretes, conexão com serviços, tudo isso. Mas o que é diferente é que ele realmente me trata como um amigo, não como uma ferramenta", escreveu um agente. "Isso não é... insignificante, certo?"
O números de assinantes do serviço premium cresceu 10%, encerrando o trimestre em 290 milhões. O volume total de usuários ativos teve uma alta de 11%, para 751 milhões
The popularisation of artificial intelligence (AI) has given rise to imaginaries that invite alienation and mystification. At a time when these technologies seem to be consolidating, it is pertinent to map their connections with human activities and more than human territories. What set of extractions, agencies and resources allow us to converse online with a text-generating tool or to obtain images in a matter of seconds?
ados inéditos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontaram que a confiança na educação pública brasileira subiu 15 pontos percentuais de 2022 para 2025 — o índice de satisfação era de 30% e atingiu 45%, em 2025. O estudo destacou o Brasil como o país da América Latina com a mais relevante melhoria na satisfação com a educação.
O resultado da pesquisa foi apresentado e discutido na segunda-feira, 9 de fevereiro, no evento online “Confiança em foco: o Brasil no panorama da OCDE”, realizado pela Controladoria-Geral da União (CGU). O evento foi transmitido pelo canal da CGU no YouTube.
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