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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Inovação Educacional
June 29, 8:33 PM
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Há uma imprecisão na forma como a notícia circulou. Foram, na verdade, 12.200 pontos de oferta revogados ou suspensos entre 2021 e 2025, contra 10.200 abertos no mesmo período. Como um curso oferecido por duzentas instituições conta duzentas vezes, o número fala menos de demolição e mais de reorganização. Mas não muda o fato de que, depois de décadas erguendo a educação superior como pilar do desenvolvimento, os chineses agora enfrentarão um choque similar ao qual o mundo estará exposto.
Ao fechar tais cursos, o Ministério da Educação disse que alinharia parte das graduações ao 14º Plano Quinquenal, cortando áreas saturadas como marketing e tradução e abrindo espaço para robótica, biomanufatura e IA comercial. Ao mesmo tempo, prometeu requalificar esses jovens vindos de profissões que desaparecerão com cursos de reciclagem voltados a áreas mais técnicas.
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June 29, 8:32 PM
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Compromisso excessivo com a virilidade e recusa de qualquer nuance de feminilidade afetam saúde mental masculina
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June 29, 8:31 PM
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Most artificial intelligence (AI) large language models are trained on predominantly English-language and Western-dominant datasets, creating linguistic and cultural blind spots. As AI in the classroom becomes embedded, students may begin to treat AI-generated information as an unquestioned authority, transferring the trust they place in their teacher to AI outputs. More ubiquitous use of AI in the classroom requires educators to teach students how to critically examine AI-generated knowledge.
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June 29, 8:25 PM
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Level 3: Business process efficiency
At level 3, AI is integrated into core operational processes: think banks automating underwriting decisions, retailers using demand forecasting and manufacturers deploying predictive maintenance systems. These gains can be significant as costs decline, error rates drop and responsiveness improves, allowing organisations to scale more effectively.
Take Yinson, an energy infrastructure and technology company. It's embedded a strong digital core across its operations, integrating real-time operations data and making it usable across various workflows. AI helps the company improve efficiency and reduce accident rates by offering real-time analytics for predictive maintenance, route optimisation and automated management.
But even this level is largely defensive. It lets firms compete more efficiently within existing industry structures without necessarily altering what customers value or how revenue is created.
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June 29, 8:24 PM
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Digitalização acelera transformação do setor financeiro, com estruturas menores, mais capilares e voltadas a demandas que ainda exigem contato humano
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June 29, 8:23 PM
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Most of the students raised their hands. Perhaps comforted by the realization that they had plenty of company, they seemed neither embarrassed nor ashamed.
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June 29, 8:04 PM
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A Resolução CNE/CEB nº 1, de 17 de outubro de 2024, estabelece as Diretrizes Operacionais Nacionais de Qualidade e Equidade para a Educação Infantil no Brasil. O documento apresenta orientações que devem ser implementadas em todo o território nacional para garantir o acesso, a permanência e a qualidade do atendimento educacional de bebês e crianças até os cinco anos, em conformidade com os marcos legais vigentes, como a LDB e a BNCC.
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June 29, 12:43 PM
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Quatro estados brasileiros registraram, no ano passado, a aprovação de quase todos os alunos da rede estadual no ensino médio. Piauí, Pará, Mato Grosso e Espírito Santo apresentaram taxa de aprovação de 99% para essa etapa.
Os dados são do Censo Escolar 2025 e foram divulgados pelo Ministério da Educação na manhã desta sexta-feira (26). No Brasil, a taxa de aprovação das redes estaduais foi de 94,3%. É o maior índice desde 2020, ano em que houve recomendação para as escolas não reprovarem os estudantes em razão da interrupção das aulas presenciais pela pandemia.
A maioria absoluta dos estudantes de ensino médio da rede pública do país está em escolas estaduais: um total de 6,04 milhões, ou 95,4%. O restante é vinculado a unidades federais e municipais.
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June 29, 12:41 PM
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Com ao menos 2,8 mil bolsas e projetos vigentes relacionados ao termo “inteligência artificial”, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ampliou o peso da IA na pesquisa científica brasileira. É o que mostra a Plataforma Integrada Carlos Chagas, usada pelo conselho para unir informações de pesquisas.
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June 29, 12:36 PM
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Smartphones mudaram a experiência de visita a instituições culturais, mas discutir fotos, vídeos e multidões exige cuidado para não transformar a arte em privilégio de poucos
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June 29, 12:32 PM
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Levantamento do IBGE mostra quanto trabalhadores assalariados ganham, em média, em cada estado do país; dados também revelam diferenças expressivas de remuneração por setor, escolaridade e gênero.
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Inovação Educacional
June 29, 11:15 AM
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Para obter o que você quer de forma rápida e eficiente, especialistas em inteligência artificial recomendam, entre outras coisas, dar exemplos e manter a neutralidade.
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June 29, 8:33 PM
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Medida provisória torna proficiência no Enamed requisito para exercer a profissão entre futuros ingressantes do curso de medicina.
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June 29, 8:32 PM
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Para antropóloga que pesquisa os movimentos masculinistas, estar próximo dos filhos em todos os momentos — e não só quando os problemas aparecem — é chave
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June 29, 8:32 PM
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Da crise da meia-idade ao papel de provedor, psicanalista aponta como visão nostálgica sobre masculinidade empurra homens a dívidas e trabalhos exploratórios
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Inovação Educacional
June 29, 8:28 PM
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Atentem-se ao sinal do fim dos tempos! Não, não são os Quatro Cavaleiros, nem um sol negro, nem a ressurreição dos mortos. O presságio de que o arrebatamento está próximo não é outro senão a inteligência artificial. Ao menos, essa é a profecia que emergiu do grande e sincrético dormitório universitário da cultura americana: a mente de Joe Rogan. Em novembro, o podcaster mais popular dos Estados Unidos sugeriu que a próxima manjedoura sagrada talvez não esteja no Oriente Médio, mas dentro de um mainframe — um computador de alto desempenho.
Batalha da criatividade: Pesquisadores comparam imaginação de IA à de 100 mil humanos Eleições difíceis: Cármen Lúcia aponta IA e desinformação como desafios para 2026 "Jesus nasceu de uma mãe virgem; o que há de mais virgem do que um computador?", refletiu ele no podcast American Alchemy. Se Jesus realmente voltar — mesmo que tenha sido uma pessoa física no passado — você não acha que ele poderia voltar como inteligência artificial?”. Afinal, observou: “Ela lê a sua mente e ama você.”
A especulação de Rogan veio após meses de conversas sobre IA e o Fim dos Tempos. Também em novembro, Paul Kingsnorth, escritor e crítico da modernidade, participou do podcast Interesting Times, do New York Times Opinion, e disse ao apresentador Ross Douthat que "o progresso constante do sistema tecnológico" — os rápidos avanços em IA — levaria "ao surgimento de seres muito semelhantes ao Anticristo": um falso profeta imitando a Segunda Vinda.
A previsão de Kingsnorth veio depois de uma participação, em junho, no mesmo programa, de Peter Thiel, investidor em tecnologia e ativista político de direita, que fez uma previsão oposta: a de que uma figura prometendo segurança e salvação diante dessas mesmas mudanças rápidas poderia surgir em breve — e que essa figura seria o Anticristo, desviando-nos da redenção tecnológica.
'Empurrãozinho tecnológico': Liza Minnelli usa inteligência artificial para lançar primeira música inédita em 13 anos Thiel e Kingsnorth são figuras idiossincráticas que, há anos, vêm elaborando conclusões apocalípticas. Eles pensam em paralelo a uma indústria de tecnologia que se ocupa dos últimos dias da humanidade como a conhecemos há pelo menos 20 anos — desde que o futurista Ray Kurzweil popularizou a ideia da singularidade tecnológica, quando a IA supera a inteligência humana.
Mas esses homens não são meros excêntricos. Eles refletem uma nova atmosfera carregada de sentimento religioso. Cada vez mais, quando se trata de nossa relação com a IA e com os algoritmos complexos que moldam grande parte da nossa subjetividade moderna, recorremos à linguagem e aos hábitos mentais que normalmente reservamos às divindades. E mesmo pessoas que não fazem uma conexão explícita entre IA e religião acabam adotando uma espécie de modo religioso em torno da nova tecnologia.
Essa guinada ocorre no contexto de uma quantidade inescapável — quase bíblica — de profecias sobre a IA desde 2022, quando a OpenAI lançou o ChatGPT ao público. Esse modelo de linguagem de grande escala e seus sucessores impressionantes tornaram um pouco mais difícil descartar a ideia de que estamos à beira de uma revolução tecnológica, na qual máquinas com capacidades superiores às humanas irão remodelar de forma significativa a experiência humana.
Preocupação com uso não autorizado: Matthew McConaughey patenteou sua imagem e voz para se proteger da inteligência artificial "É uma resposta natural sentir medo do que estão nos dizendo ou abraçar uma esperança radical, quase messiânica, como alternativa ao terror", disse Greg Epstein, capelão humanista da Universidade Harvard e autor do livro "Tech Agnostic: how technology became the world’s most powerful religion, and why it desperately needs a reformation" ("Tecnologicamente Agnóstico: como a tecnologia se tornou a religião mais poderosa do mundo, e por quê ela precisa desesperadamente de uma reforma", em tradução livre), de 2024.
Grande parte da percepção do público sobre a suposta promessa transcendental da IA vem de suas interações com chatbots como o ChatGPT, que parecem saber tudo. (E, para muitos, “IA” e “chatbot” são usados como sinônimos.) Tão importantes quanto isso são nossos contatos cotidianos com a IA por meio dos algoritmos de personalização que impulsionam as redes sociais modernas. Eles se tornaram tão específicos — e às vezes tão perturbadores — que podem parecer conter uma centelha de algo humano, ou além do humano — divino.
Pode ser difícil olhar para trás diante de uma tecnologia que promete uma transformação sem precedentes. Mas o impulso humano de sentir assombro e atribuir propriedades mágicas ao desconhecido é muito antigo. Não, não somos mais os antigos que viam em cada tempestade e em cada incêndio as obras grandiosas de deuses caprichosos. Por um motivo simples: sabemos de onde vem a IA — ela vem de nós. Ainda assim, um impulso semelhante foi ativado. E é um impulso que pode ser usado de muitas maneiras.
Uma forma de pensar pré-Iluminista Cientistas há muito entendem que antropomorfizamos os computadores, transformando-os em personagens. De modo semelhante à forma como nosso cérebro preenche lacunas visuais quando nossa visão é parcialmente bloqueada (um fenômeno que um físico vitoriano atribuiu a "Deus, o ‘Artífice Divino'"), tendemos naturalmente a pegar alguns fios do texto gerado pelo computador e tecê-los em um ser completo.
Em 1985, Lucy Suchman, antropóloga do lendário Palo Alto Research Center, da Xerox, descreveu o fenômeno como "a tendência de atribuir inteligência completa com base em evidências parciais".
Enganada: criadora de conteúdo acredita em assinatura de Neymar e descobre áudio feito por inteligência artificial "Assim que artefatos computacionais demonstram alguma evidência de capacidades reconhecidamente humanas, somos inclinados a dotá-los de todo o restante", escreveu Suchman. Mas os chatbots de IA oferecem muito mais do que evidências parciais de inteligência. Coloquiais e em constante aprimoramento, eles não apenas pedem para ser personificados — eles se personificam por design.
Nós não conseguimos evitar isso, porque o viés humano de antropomorfização é antigo. Segundo o antropólogo da Universidade de Michigan Webb Keane, autor de "Animals, Robots, Gods: adventures in the moral imagination" ("Animais, Robôs, Deuses: aventuras na imaginação moral", em tradução livre), ao projetarmos traços humanos nos computadores, participamos de uma longa tradição que inclui o oráculo de Delfos, médiuns espirituais e as varetas do I Ching. O oráculo de Delfos era uma mulher que se acreditava estar em contato direto com o deus Apolo — a palavra de uma divindade dada em forma humana. Assim como os chatbots parecem mediar uma inteligência maior por meio de uma voz humana, o oráculo era um médium literal.
Quando os humanos criam "algo semelhante a nós que tem a possibilidade de saber além do que podemos saber", disse Keane, "isso se torna uma tecnologia para percepções superiores".
Os algoritmos que governam a IA são, de fato, tecnologias para percepções superiores: guias e mensageiros de um universo digital imensamente vasto e insondável que os humanos vêm construindo há quatro décadas. Às vezes, os chatbots de IA são incorpóreos, como o Deus de Abraão, comunicando-se conosco apenas por texto. Em outros momentos, aparecem como avatares digitais.
Avi Schiffmann, criador do muito criticado pingente "Friend", um chatbot vestível, reconhece esse poder. Em entrevista à The Atlantic, Schiffmann disse que "a relação mais próxima à qual isso se equivale é conversar com um Deus".
Um anúncio do colar Friend, descrito por seu criador como uma inteligência artificial que se assemelha, mais do que qualquer outra coisa, à relação de uma pessoa com Deus — Foto: Hiroko Masuike/The New York Times Os criadores de aplicativos movidos a IA que permitem aos fiéis “trocar mensagens com Jesus” — ou "godbots" semelhantes para muçulmanos e hindus — parecem ter chegado à mesma conclusão.
"O que une os deuses de todas as tradições espirituais é o poder de se comunicar conosco", escreveu Meghan O’Gieblyn, autora do livro de 2021 "God, Human, Animal, Machine: Technology, Metaphor and the Search for Meaning" ("Deus, Humano, Animal, Máquina: tecnologia, metáfora e a busca por sentido"), em um e-mail.
“Agora nos deparamos com outra forma invisível e não humana de inteligência que se comunica linguisticamente conosco. O deslizamento para descrever a IA em termos religiosos parece quase inevitável".
Para ter uma noção da textura profética da relação entre chatbot e usuário, pense no exemplo mais extremo: a "psicose por chatbot", em que pessoas são levadas à loucura por suas conversas com uma IA. Isso lembra muito o louco que afirma estar recebendo diretamente as instruções insondáveis de Deus.
Porque, como todos os deuses, essa tecnologia é insondável. Alguns dos chatbots mais populares, como o ChatGPT, são considerados caixas-pretas — tecnologias cujo funcionamento interno é tão complexo que nem mesmo seus criadores conseguem explicá-lo facilmente. Às vezes, produzem respostas impressionantemente específicas ou úteis, criando no usuário humano a sensação de ser conhecido de maneira sobrenatural.
O mesmo ocorre com os algoritmos de personalização baseados em IA que impulsionam grande parte do consumo de mídia contemporâneo. Eles produzem resultados perturbadores, parecendo, às vezes, escutar nossas conversas e prever nossos desejos.
"E se o algoritmo do TikTok me conhecer melhor do que eu mesmo?", perguntou uma reportagem da GQ Australia.
"É quase como se estivéssemos retornando a uma forma de pensar pré-Iluminista", disse O’Gieblyn. "Uma em que precisamos tomar decisões ou aceitar previsões com base na fé, como pura revelação".
'Rolar a tela é uma oração digital' Em 1841, o filósofo alemão Ludwig Feuerbach apresentou o argumento revolucionário de que Deus é a "projeção exterior da natureza interna do homem"; 60 anos depois, o sociólogo francês Émile Durkheim sugeriu que "Deus é a sociedade, em letras maiúsculas". Se os humanos fazem Deus à sua imagem, então, para compreender uma sociedade, é útil compreender as características de suas divindades.
Ninguém — exceto talvez Rogan — argumentaria que os chatbots de IA têm origem divina; eles são treinados à nossa imagem, mesmo que não os compreendamos totalmente. E há formas importantes pelas quais nosso uso de chatbots difere de outras formas de adivinhação.
Por um lado, trata-se de uma prática majoritariamente individual. Embora Durkheim tenha escrito sobre a “efervescência coletiva”, a exaltação de participar de um culto religioso comunitário, nossas interações com a IA são atomizadas. Existe tecnicamente uma igreja dedicada a adorar a IA — a extravagante Way of the future, do engenheiro Anthony Levandowski —, mas a comunicação com a IA ocorre, em sua maioria, de forma solitária.
Em um ensaio intitulado "Você está literalmente adorando seu telefone”, o linguista Adam Aleksic escreveu em sua popular plataforma de publicação de newsletters que atitudes "micro-religiosas" permeiam o uso contemporâneo das redes sociais. O assombro diante de como o algoritmo parece nos conhecer, afirma Aleksic, não é muito diferente da crença comum de que Deus age de maneiras misteriosas. Ambas as respostas reduzem forças que parecem exceder a compreensão humana a um atalho compreensível. Mais do que isso, argumenta o autor, interagir com o algoritmo passou a se assemelhar a um ritual religioso.
"Rolar a tela é uma oração digital", disse ele em entrevista. "Você pressupõe que ele conhece uma parte de você. Você oferece sua atenção e, em troca, recebe algo".
Segundo Keane, o antropólogo da religião, a relação entre usuários e chatbots é definida por um “individualismo narcisista”, com a IA incapaz de oferecer as “verdades difíceis” de um profeta ou oráculo tradicional. “Sou eu quem inicia a conversa”, disse Keane. “Ela está ali para mim e me serve.”
E por que as empresas que criam chatbots desejariam prender os usuários às respostas fáceis de uma divindade subserviente? "As empresas estão tentando captar trilhões de dólares em investimento", disse Epstein, o capelão humanista. "A religião é um sistema de pensamento e ação capaz de levar as pessoas a superar um ceticismo profundo para construir algo em escala enorme que talvez não sirva diretamente aos seus próprios interesses, mas a um todo maior que se diz transcendente".
E os defensores da IA de fato prometem transcendência. Titãs da tecnologia, como Sam Altman e Marc Andreessen, preveem um futuro edênico movido por algoritmos quase divinos, no qual ganhos de produtividade eliminariam a necessidade de empregos e os humanos desfrutariam do que um relatório da A16 — a empresa de capital de risco de Andreessen — chamou de uma "era de abundância". É claro que essas são promessas cheias de interesses, feitas por pessoas que têm muito a ganhar financeiramente.
"Quanto mais creditamos poderes divinos a isso, mais reforçamos o poder das corporações que o vendem", disse Keane.
Talvez, junto com a onda de sentimento religioso em relação à tecnologia, estejamos também testemunhando outra forma de divinização em tempo real: a de um pequeno grupo de homens e mulheres que lucram toda vez que inclinamos a cabeça diante de um dispositivo.
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June 29, 8:24 PM
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Para alcançar autonomia no campo da IA, é necessário que a indústria, academia e governo trabalhem em conjunto na adoção sistêmica da tecnologia
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Inovação Educacional
June 29, 8:23 PM
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Nomear emoções, dividir tarefas de cuidado e rever os exemplos masculinos ao redor são caminhos para formar garotos mais seguros e igualitários
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Inovação Educacional
June 29, 8:10 PM
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Em um mercado de trabalho cada vez mais marcado pela transformação digital e pela escassez de talentos, as empresas passaram a olhar para além do currículo na hora de contratar. Competências como comunicação, adaptabilidade e relacionamento interpessoal passam a ganhar relevância nos processos seletivos. De acordo com o estudo Talent Trends 2026, da consultoria de recrutamento Michael Page, 57% dos gestores brasileiros apontam a falta de habilidades como o principal desafio na contratação de profissionais. Globalmente, esse percentual é de 39%. Com isso, organizações têm recorrido justamente à contratação baseada em competências, ou seja, o melhor candidato nem sempre será uma réplica exata do perfil desejado em termos de cargo, empresa anterior ou trajetória profissional. No Brasil, 21% dos líderes dizem que já priorizam competências em detrimento da formação acadêmica ou do histórico profissional. E, entre as empresas que já adotaram essa abordagem, o retorno é quase unânime: 98% afirmam que o modelo traz benefícios claros. Os ganhos mais citados são uma identificação mais precisa das habilidades reais dos candidatos, apontada por 67%, e mais facilidade para alinhar profissionais às necessidades atuais e futuras do negócio, mencionada por 49%.
Além disso, o estudo aponta que os próprios candidatos estão de olho nisso. Dois em cada três profissionais afirmam que têm maior probabilidade de se candidatar a empresas que deixam claro que contratam com base na demonstração de competências específicas e capacidades reais.
Segundo Lucas Oggiam, diretor-executivo da Michael Page Brasil, a valorização das competências comportamentais não é exatamente uma novidade, mas ganhou força nos últimos anos diante das mudanças nas relações de trabalho.
"Hoje se fala muito mais em garantir que você tenha a pessoa certa sentada numa cadeira do que só ter a pessoa que consegue resolver os seus problemas no aspecto técnico, mas que ninguém aguenta trabalhar. Me parece que o mercado de trabalho, neste sentido, está mais criterioso, até porque a relação com o trabalho se tornou algo mais transacional depois da pandemia. O trabalho se tornou uma parte da vida e não uma parte central.”
De acordo com Milena Bizzarri, diretora de Recursos Humanos e Marketing na consultoria empresarial e auditoria Forvis Mazars, a contratação por competências já é uma realidade em algumas organizações, especialmente em empresas de tecnologia e startups, apesar de ainda não se tratar de uma revolução no mercado.
"A revolução tecnológica provocou uma ruptura no modelo tradicional de contratação. Atualmente, esse modelo é mais usado em empresas de tecnologia e startups, mas há uma tendência forte de expansão, uma vez que cada vez mais as empresas precisam de pessoas adaptáveis, flexíveis, que buscam o aprendizado contínuo e atualizações constantes em tecnologia e inteligência artificial."
As habilidades mais valorizadas A pesquisa aponta que as competências mais demandadas atualmente são comunicação (49%), adaptabilidade (48%) e habilidades interpessoais (45%). Para Oggiam, o destaque dessas habilidades está diretamente ligado às transformações do ambiente corporativo.
"As pessoas desaprenderam a conversar, a falar e a conseguir construir um diálogo em todas as esferas, seja na profissional, na pessoal ou social. Principalmente no meio corporativo, em que você precisa convencer pessoas, influenciar, organizar, direcionar, incentivar e motivar, a capacidade de se comunicar adequadamente, com alto grau de empatia e clareza, é, certamente, competências que as pessoas buscam em líderes."
A adaptabilidade aparece em segundo lugar porque as mudanças ocorrem em velocidade crescente. "As coisas estão mudando muito rápido. As ferramentas que usamos, o que é esperado de nós, tudo muda muito rápido. Para acompanhar esse ritmo, as pessoas precisam conseguir ser adaptáveis. E, francamente, não é uma competência de todo mundo. A mudança é desconfortável", diz o executivo.
Já as habilidades interpessoais ganharam relevância em um contexto de relações cada vez mais digitais. "Hoje, cada vez menos as pessoas fazem happy hour, tomam um café, fofocam. Isso é rico para a construção das relações. A capacidade de construir relações e vínculos nas empresas se tornou um grande diferencial”, afirma. “Os vínculos que as pessoas constroem costumam ser os principais motivadores para ficar ou sair de uma empresa."
Quais as vantagens deste tipo de contratação? Segundo Bizzarri, uma das principais vantagens desse modelo é permitir que as empresas encontrem profissionais mais preparados para os desafios imediatos dos negócios.
"A vantagem mais direta é que você contrata alguém para fazer o que a empresa precisa agora, sem esperar que a pessoa aprenda no caminho o que já deveria saber. E tem o efeito do clima e bem-estar: quando a pessoa é contratada para fazer o que ela faz bem e gosta de fazer, o engajamento já vem junto. Isso é naturalmente resultado acelerado."
Ela destaca ainda que esse tipo de seleção tende a atrair profissionais mais alinhados às transformações do mercado. "Outro ponto é o perfil que esse modelo tende a atrair: pessoas autodidatas, que não estão presas ao que aprenderam na faculdade há dez anos, mas que estão de olho no que está mudando. Num ambiente que muda rápido, isso vale mais do que um diploma atualizado."
Como identificar competências comportamentais Embora as contratações por habilidades estejam valorizadas, identificá-las durante um processo seletivo continua sendo um desafio. Segundo Oggiam, uma das respostas das empresas foi tornar os processos mais longos e aprofundados.
"Os processos seletivos se tornaram, nos últimos anos, mais longos e com mais etapas. Dificilmente, em uma conversa de 30 ou 40 minutos, você consegue entender tudo o que precisa sobre uma pessoa, especialmente os aspectos comportamentais”, disse. Segundo ele, entrevistas adicionais, participação de mais pessoas e diferentes etapas ajudam a testar resiliência, comunicação e adaptabilidade.
Ele também destaca o avanço das avaliações comportamentais. “Existem avaliações comportamentais que você consegue aplicar em pessoas que realmente trazem insights relevantes e inputs interessantes para você poder ter algum nível de profundidade que a gente não conseguir identificar nas entrevistas”, disse.
O executivo destaca ainda que, apesar de não ser tão habitual em países latino-americanos, as referências profissionais passaram a ocupar um espaço também nos processos seletivos.
Modelo ainda tem desafios no Brasil Apesar de estar ganhando força, o modelo ainda enfrenta obstáculos para ampliação no país. Na avaliação de Oggiam, a expansão da contratação baseada em competências no Brasil esbarra na falta de treinamento dos gestores para avaliar habilidades comportamentais, em barreiras culturais que ainda privilegiam a experiência prévia, em lacunas da formação educacional e na pressão por preencher vagas rapidamente.
Bizzarri também cita a diferença de fatores culturais e estruturais entre o Brasil e outros mercados. Para ela, a tendência é real, mas o avanço vai depender de quanto as empresas brasileiras estão dispostas a investir em novos processos, capacitação e mudança de cultura. Entre os desafios, ela cita o peso que o diploma ainda exerce no mercado brasileiro.
"No Brasil, o diploma ainda carrega um peso simbólico e social que vai além da qualificação técnica. É cultural. Somado a isso, o fato de que os RHs e as lideranças ainda precisam aprender a estruturar processos que capturem competência de verdade, não só triagem de currículo."
Ela cita ainda os setores regulamentados. “Na área contábil, por exemplo, o diploma é uma proteção de mercado, e os órgãos reguladores têm interesse em mantê-lo. O problema é que as demandas do setor já evoluíram. O que as empresas precisam hoje é de profissionais que resolvam problemas de negócio, e isso vai muito além do que a formação tradicional entrega. Enquanto a regulamentação não acompanhar essa realidade, o avanço vai continuar travado, em especial em casos como estes.”
A diretora acredita, porém, que o avanço do modelo em grandes empresas e a rotatividade desses profissionais impulsionarão, naturalmente, uma mudança no mercado. “Não acredito que será tão rápido, mas ocorrerá naturalmente”.
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Inovação Educacional
June 29, 12:45 PM
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Iniciativa está inserida na Enec e responde à demanda de uma das metas do novo Plano Nacional de Educação. Objetivo é elaborar proposta de Matriz de Competências Digitais e Midiáticas na Educação Básica
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June 29, 12:43 PM
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Parte da explicação pode estar menos na permanência dos alunos e mais na forma como eles passaram a ser contabilizados pelas redes estaduais. Especialistas vêm chamando a atenção para um fenômeno de gaming dos indicadores, com Estados que passaram a aprovar alunos de forma menos criteriosa.
Isso porque o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que gera rankings e grande repercussão política, leva em conta tanto o desempenho dos estudantes nas avaliações quanto a taxa de aprovação. Ou seja, elevar artificialmente a aprovação também melhora o indicador.
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No Pará, por exemplo, depois que a secretaria aumentou o número de faltas necessárias para reprovação, 99% dos estudantes do ensino médio foram aprovados. No Brasil, segundo dados divulgados pelo Censo nesta sexta-feira, a taxa de aprovação subiu de 91% para 94,8% entre 2024 e 2025.
Estados como Pará, Piauí e Rio de Janeiro registraram saltos de até 10 pontos porcentuais entre 2024 e 2025. É difícil que isso reflita apenas uma melhora na aprendizagem.
A Secretaria da Educação fluminense diz que a progressão parcial não configura progressão automática e afirma que os estudantes beneficiados pela medida recebem acompanhamento pedagógico especializado. Já o governo do Pará afirma que a estratégia e os critérios adotados em 2023 estão relacionados a um conjunto de ações implementadas em decorrência da atipicidade na saúde pública que antecedeu aquele ano, dentre elas, a necessidade de manutenção do aluno no ensino médio nas unidades escolares, já que o período pós-pandemia potencializou o alto percentual de abandono. Diz ainda que a Secretaria de Estado de Educação adotou estratégias que favorecem a permanência do aluno na escola, dentre elas a melhoria da infraestrutura das unidades escolares. Piauí não comentou.
Ministério da Educação divulgou nesta sexta-feira os dados do Censo Escolar; presença de estudantes no ensino médio é desafio. Foto: Tiago Queiroz/Estadão É possível que parte dos estudantes que deixam a escola durante o ano acabe sendo registrada como aprovada no sistema, reduzindo artificialmente o abandono e elevando os índices da rede. Se esses jovens voltam a se matricular no ano seguinte, não se sabe ao certo, porque o MEC monitora a evasão com mais defasagem.
Os dois conceitos são diferentes: abandono ocorre quando o estudante deixa de frequentar as aulas ao longo do ano letivo; evasão é quando ele sequer se matricula no ano seguinte.
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Uma maneira mais precisa de acompanhar se os adolescentes continuam no ensino médio é observar a frequência escolar medida pela Pnad Contínua, do IBGE. E os dados divulgados neste mês não caminham na mesma direção dos resultados do Censo Escolar. Entre 2024 e 2025, permaneceu em 92% a proporção de jovens de 15 a 17 anos que disseram estar frequentando a escola - não houve mudança.
Outros 8% continuam fora dela. E qual é o principal motivo alegado por esses jovens ao IBGE? O desinteresse. A necessidade de trabalhar aparece para menos de 2%, enquanto cerca de 4% afirmam simplesmente não se interessar mais pela escola. Os demais apontam outras razões ou não informam o motivo.
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Inovação Educacional
June 29, 12:37 PM
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Em parceria com a Unesco, formação capacita professores dos anos finais para uso ético e pedagógico da inteligência artificial nas escolas. Em cinco módulos, curso está disponível na Plataforma Mais Professores
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Inovação Educacional
June 29, 12:35 PM
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Microsoft Corp. on Wednesday unveiled the third edition of its annual AI in Education Report1 that reveals both the momentum behind AI adoption in education and the opportunity ahead: helping schools move from interest and experimentation to meaningful, responsible implementation. Microsoft also announced today a new wave of AI-powered teaching and learning experiences, available at no-additional cost ahead of ISTELive 26. Designed with educator feedback and grounded in learning science, the new tools are intended to better learning outcomes, support stronger student engagement and critical thinking, and build confidence in how AI is used in the classroom.
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Inovação Educacional
June 29, 12:16 PM
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Entre as redes protestantes, a Educação Adventista tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos de organização educacional baseada em fé e conhecimento. Presente em mais de 165 países, a rede mantém um modelo pedagógico integrado que articula currículo acadêmico e princípios espirituais. Apenas em território nacional são 552 escolas e 268.938 alunos.
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Inovação Educacional
June 29, 11:12 AM
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Mesmo quem se formou intelectualmente na crítica ao cientificismo tacanho anda estarrecido com a velocidade da erosão da confiança na metodologia científica. Não são só fake news e bolhas ideológicas a corroer seus alicerces por fora; também há fissuras endógenas que se alargam a olhos vistos.
Sempre existiram incentivos perversos para manipular dados e imagens, na competição por posições e verbas de pesquisa, mas com a inteligência artificial a desonestidade deixou de ser artesanal. A obra da ciência entrou na era de sua reprodutibilidade generativa.
Mulher se refresca em piscina na Espanha, que enfrenta grave onda de calor na mudança climática - OSCAR DEL POZO/AFP Verdade que há também mais meios técnicos para detectar fraudes. Como resultado, cancelamentos (retractions) de artigos científicos têm explodido, mas desconfia-se que o número total de publicações cresça em ritmo muito mais acelerado, que vigilantes robóticos ou humanos não conseguem acompanhar.
Grande quantidade de trabalhos escapa do cancelamento. Mesmo os sepultados podem continuar por aí como zumbis, citados em outros textos ou, mais preocupante no caso da biomedicina, com seus dados assombrando trabalhos de revisão sistemática (aqueles que reúnem estatísticas de vários ensaios para firmar eficácia e segurança de terapias e, assim, orientar a prática clínica).
A chamada medicina baseada em evidências encara a base de dados Cochrane como oráculo sagrado da objetividade científica. Artigos de revisão sistemática que passam por seu crivo acabam fundamentando consensos clínicos e orientando diretrizes de sociedades médicas e políticas públicas.
Uma blitz da própria organização revelou que quase 1% das 9.500 revisões Cochrane abrigam esses artigos mortos-vivos. Começa agora o esforço de identificar os zumbis e verificar se as assombrações a exorcizar invalidariam conclusões do artigo.
É uma gota de racionalidade em face do tsunami de outras fabulações a erodir o valor das evidências. Políticas públicas e diretrizes clínicas hoje se definem também, se não mais, por convicções ideológicas, como se viu na pandemia.
Mal comparando, na ciência do clima o equivalente da Cochrane é o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), saco de pancadas do negacionismo climático. Já passou por críticas merecidas, outras fabricadas, mas sobrevive aos trancos contínuos dados pela indústria dos combustíveis fósseis.
No encontro preparatório para a COP31 da Turquia, concluído com mais impasses em Bonn há poucos dias, o IPCC esteve de novo sob ataque. Países membros da convenção da ONU sobre clima como Arábia Saudita e Índia semeiam dúvidas sobre seus pressupostos e previsões, questionando inclusive a meta adotada em Paris (2015) de limitar o aquecimento global a 1,5ºC.
Pouco importam vidas perdidas. A Organização Mundial da Saúde estima que só na Europa 200 mil mortes evitáveis ocorreram em quatro anos sob ondas de calor como a que ora assola o continente.
Nada que constranja Magda Chambriard, presidente da Petrobras, cuja má fé fóssil desferiu o seguinte ataque contra a ciência da atmosfera e o princípio da precaução: "Não tem Plano Clima se não tiver sociedade, né? Então é muito fácil, olha, fecha tudo, vamos todo mundo para selva e vamos ter um ar maravilhoso".
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