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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Today, 6:43 AM
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Integrada às Forças Armadas, holding Gaesa gerencia cerca de 40% do PIB e constrói luxuosos hotéis, em contraste com extrema escassez e apagões. Mas para onde vão os lucros da empresa?
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Today, 6:39 AM
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Para obter o que você quer de forma rápida e eficiente, especialistas em inteligência artificial recomendam, entre outras coisas, dar exemplos e manter a neutralidade.
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Inovação Educacional
Today, 6:25 AM
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O Grupo Uninter de ensino superior teve receita bruta de R$ 1,85 bilhão em 2025. Segundo dados do seu balanço, isso representa um crescimento de 26,1% em relação a 2024. A receita líquida foi de R$ 839 milhões e o ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), de R$ 187,3 milhões.
Prédio do MEC (Ministério da Educação), em Brasília - Ricardo Della Coletta-30.mai.19/Folhapress O crescimento dos resultados aconteceu em um ano considerado de transição para o setor, devido à aprovação do marco regulatório do EAD. Este alterou as regras para ofertas de cursos à distância e obrigou instituições de ensino a aumentar a carga de atividades presenciais. A Uninter atribui parte do desempenho financeiro a investimentos anteriores feitos em infraestrutura física.
O lucro líquido do grupo no exercício foi de R$ 121 milhões e a base de alunos chegou a 729 mil, sendo que o número de novos estudantes cresceu 19,8%.
1 7 Como funciona o Sisu, sistema do MEC de seleção para universidades
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... A expansão da base de alunos foi impulsionada pela migração de cursos a distância para os formatos presencial e semipresencial, além da maturação de graduações na área da saúde. Medicina Veterinária, Biomedicina e Farmácia foram citadas como vetores de crescimento. Em 2024, a instituição havia criado superpolos na área da saúde em todo o Brasil, combinando aprendizado on-line com atividades em laboratórios nos polos de apoio.
Com sede em Curitiba, a Uninter possui atualmente 14 polos no exterior, distribuídos entre Estados Unidos, Europa e Japão.
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April 20, 5:47 PM
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A infância e a adolescência representam fases delicadas da formação de uma pessoa: é durante esse período que a personalidade, as habilidades sociais e a resiliência costumam ser desenvolvidas. No entanto, essa efervescência emocional também torna os jovens mais vulneráveis diante de eventos estressores ou traumáticos. E, segundo estudo publicado em março, nos Cadernos de Saúde Pública, o Brasil vive um momento crítico de crescimento nos casos de lesões autoprovocadas. Por meio da análise de registros entre 2013 e 2023 do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), que abrange principalmente dados do Sistema Único de Saúde (SUS), pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) identificaram que as internações relacionadas a esse tipo de ocorrência aumentaram em 44,3%, enquanto as mortes tiveram uma elevação de 26,3%. No total, o país documentou nessa série histórica 18.382 internações e 261 óbitos. “Comportamentos autolesivos podem ser compreendidos como uma forma de lidar com um sofrimento emocional intenso, complexo e que não pode ser explicado por uma única causa”, analisa a médica Gabriela Garcia de Carvalho Laguna, que faz residência em Medicina de Família e Comunidade na UFSB e assina como autora correspondente do artigo. Vários fatores podem ter contribuído para o crescimento das internações e óbitos ao longo da década. Os processos biológicos relacionados à construção da identidade e do senso de pertencimento são apenas a ponta do iceberg. De acordo com a Cartilha para prevenção da automutilação e do suicídio, do Ministério da Saúde, a vulnerabilidade de crianças e adolescentes aos sofrimentos psicológicos pode ser intensificada por negligência parental, conflito familiar, preconceito, exposição à violência (psicológica, física ou sexual), problemas de saúde, abuso de álcool e outras substâncias, privação de sono, transtornos mentais e até uso excessivo das redes sociais. O acesso facilitado à tecnologia ajuda a aproximar pessoas e estimular conversas. Por outro lado, também pode criar ambientes hostis, marcados por isolamento, pressão estética e agressões recorrentes. “O bullying é muito mais do que ‘zoar’ e ser ‘zoado’. Existe uma violência, não apenas física, mas também psicológica, muito intensa. Há um estado de submissão ao agressor, em que a vítima se sente quase como refém”, pontua o psiquiatra Elton Yoji Kanomata, professor do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (IIEP), do Einstein Hospital Israelita. Não à toa, a tendência de aumento das internações foi mantida praticamente durante toda a década. A única exceção é o ano de 2020, reflexo da subnotificação dos registros em meio ao enfrentamento da pandemia de Covid-19. “Provavelmente, os dados foram defasados pela sobrecarga dos serviços de saúde e pela redução do acesso a cuidados e redes de proteção, como as escolas”, avalia Laguna. “O maior número de mortes nesse ano sugere, porém, que os casos de autolesão foram mais graves, possivelmente associados às dificuldades de lidar com adversidades e gerenciar desafios psicossociais potencializados pela pandemia, incluindo isolamento social, dificuldades econômicas, conflitos interpessoais e maior tempo de uso das redes sociais.” Do ponto de vista demográfico, o levantamento mostra que adolescentes de 15 a 19 anos, moradores das regiões Sul e Sudeste, foram os mais atingidos. Embora as internações tenham sido mais comuns entre o sexo feminino, os óbitos ocorreram com maior frequência entre os meninos, o que indica diferenças no padrão e na gravidade das tentativas de mutilação e suicídio. Verificou-se ainda que pretos e pardos lideravam tanto os números de internações quanto os de mortes. Experiências de racismo, desigualdades socioeconômicas, desemprego parental e falta de acesso a direitos básicos, como saúde, educação, moradia e alimentação, foram diretamente relacionados ao sofrimento mental dessa população. Sinais de risco e quando buscar ajuda Alterações de humor — marcadas, sobretudo, por episódios de ansiedade, irritabilidade e tristeza —, isolamento social, perda de vínculos de amizades, recusa em sair de casa, queda no rendimento escolar, diminuição de energia e aumento no tempo de consumo de telas são alguns dos sintomas típicos apresentados por pessoas em sofrimento psicológico. E merecem atenção. Não existe um “passo a passo” para identificar se alguém está passando por algum tipo de vulnerabilidade emocional que pode levar a práticas de autolesão. Cada pessoa tem suas particularidades e, por isso, deve ser acompanhada considerando suas características específicas. Daí a importância da presença e participação de pais e mães no desenvolvimento infantil. “Devemos respeitar a privacidade e estimular a autonomia e a independência dos jovens, mas isso não significa não saber nada sobre a vida deles”, observa Kanomata. Quando o sofrimento já é perceptível, mas não parece afetar a rotina, é recomendado que os responsáveis procurem conversar com professores e a coordenação pedagógica da escola. Assim, a instituição pode ficar mais atenta às dinâmicas do aluno frente à sala de aula e aos seus colegas. Já quando o quadro apresenta maior gravidade, deve-se buscar ajuda profissional na área da saúde mental. Não existe um fluxo único a ser seguido: pode-se procurar por um psiquiatra ou um psicólogo. O ideal é que ambos sejam acionados, não necessariamente ao mesmo tempo. “O direcionamento de políticas públicas para estratégias de prevenção na atenção primária pode contribuir para reduzir as internações hospitalares por autolesão, além de melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos jovens”, ressalta Gabriela Laguna. “Precisamos investigar situações de vulnerabilidade, como o bullying, e intervir precocemente, antes que a autolesão se estabeleça como mecanismo de enfrentamento.” Também é essencial fortalecer a capacitação profissional para o acolhimento e manejo desses quadros, bem como ampliar programas de tratamento aos comportamentos autolesivos. Isso inclui, por exemplo, expandir o acesso ao suporte médico, psicológico e à psicoeducação, além de integrar iniciativas intersetoriais envolvendo escolas, organizações não governamentais e instituições privadas. “Sofrimento emocional todos nós enfrentamos. O grande desafio é diferenciar quando esse problema se torna desproporcional, gera dor intensa e leva à disfuncionalidade”, aponta o médico do Einstein. “A partir do momento em que surgem sinais, é fundamental existir um canal de comunicação aberto entre pais e filhos, afinal, são eles que podem oferecer rede de apoio e auxiliar na busca por ajuda adequada.”
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Inovação Educacional
April 20, 5:47 PM
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Você nunca passou pela situação em que a pessoa com quem você supostamente está conversando, comendo, viajando de ônibus ou tomando um café, te ignora e começa a olhar o celular? Dá raiva, não é? O problema se tornou tão frequente que, em inglês, já deram um nome a isso: “phubbing”, que significa ignorar alguém usando o celular. Certamente algo parecido já acontecia antes, quando seu interlocutor se perdia lendo um livro ou desaparecia atrás de um jornal.
Carlos González: "Cada criança dorme o quanto precisa, você não precisa se preocupar" Mas, claro, nem os livros nem os jornais são tão atraentes e onipresentes quanto o telefone, com seus grupos de mensagens, redes sociais, informações e desinformações, vídeos de gatinhos... Fazem isso os amigos e colegas de trabalho, fazem isso os namorados e parentes. E nós, pais, também fazemos.
Pediatra espanhol reflete sobre o chamado "phubbing" — Foto: Freepik Fazemos isso o tempo todo. Olhamos para o celular com nossos filhos nos braços, olhamos para o celular enquanto empurramos o carrinho deles, olhamos para o celular ao lado do escorregador ou na sala de espera do pediatra. Perdemos seus primeiros passos porque estávamos assistindo a vídeos.
Às vezes, negligenciamos nossos filhos para assistir a vídeos... sobre como educar nossos filhos! Quando choram, em vez de consolá-los com nossa voz e nosso carinho, os anestesiamos com uma tela. Uma das primeiras frases de todas as crianças é “Olha, mamãe, olha, papai, olha o que eu faço!”, e agora elas são obrigadas a gritar cada vez mais alto.
Quando o único problema era a televisão, os cientistas já haviam observado que os pais que assistem mais à TV conversam menos com seus filhos, gritam e punem mais. E agora que computadores, consoles, tablets e telefones entraram na disputa, os estudos sobre o “parental phubbing” se multiplicam.
O celular dificulta o estabelecimento do vínculo mãe-filho, pai-filho. Quando os pais usam mais o celular, as crianças experimentam mais raiva e tristeza, desistem facilmente e deixam de buscar atenção. Adolescentes ignorados são mais propensos a sofrer depressão e a abusar, eles mesmos, dos videogames e do celular.
Muitas vezes, se fala do problema como se afetasse apenas as crianças. Como limitar o tempo de tela, como impedir que se viciem em videogames, como atrasar o acesso ao celular ou às redes sociais... Mas devemos reconhecer que o problema vem de muito antes. Que somos nós, os pais, que, desde o primeiro dia, devemos dar nosso tempo, nossa atenção e nosso exemplo.
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April 20, 7:54 AM
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O uso da inteligência artificial generativa já mostra um impacto negativo na empregabilidade e na renda de jovens brasileiros mais propensos a trabalhar em profissões nas quais o uso da tecnologia é maior. É o que mostram dados de estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, a partir de dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE. Os números revelam que brasileiros de 18 a 29 anos mais expostos a profissões nas quais o uso de IA é maior têm uma chance de emprego quase 5% menor do que tinham em um cenário pré-inteligência artificial. Para chegar aos resultados, o estudo analisou grupos de trabalhadores de perfis semelhantes entre 2022, logo antes do lançamento do ChatGPT, e 2025, com a diferença de que uma parte estava em profissões mais expostas à IA, como serviços de informação e financeiros, e outra parte não. O levantamento concluiu que, após o surgimento da IA, os trabalhadores mais expostos começaram a perder mais empregos que os demais. A renda desses trabalhadores mais expostos também foi quase 7% menor. Isso acontece, segundo o levantamento, porque a IA é excelente em executar as chamadas tarefas de entrada, como funções administrativas, de apoio e de serviços básicos, que costumam ser o primeiro passo na carreira de um recém-formado. "Os empregos de entrada no mercado de trabalho, que a IA consegue fazer melhor e [de modo] mais barato, são os mais substituíveis", afirma Duque. O trabalho aponta para um impacto muito pequeno da exposição à IA sobre a empregabilidade das demais faixas etárias. "O trabalhador mais velho, em geral, tem como função tomar decisões, não fazer os trabalhos mais básicos e burocráticos. E tomar decisões não é algo que se vê, ainda, na IA", diz o pesquisador. Sobre a queda da renda, a avaliação de Duque é que a tecnologia está reduzindo o valor das tarefas mais padronizadas, ou seja, exatamente aquelas que são a porta de entrada para muitas carreiras administrativas. O pesquisador afirma que os números devem ser vistos com cautela, já que a janela de dados disponíveis ainda é curta e os dados sobre as profissões mais expostas à IA são preliminares. "Mas sem dúvida é um pouco assustador já ver um impacto tão forte da IA sobre a empregabilidade", afirma o pesquisador. "Com o tempo, todos os tipos de trabalho, alguns mais do que outros, serão afetados." O estudo de Duque aprofunda um levantamento feito pelos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti, do FGV Ibre, que, com base em uma metodologia da OIT (Organização Internacional do Trabalho), concluiu que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre do ano passado. Isso é equivalente a 29,6% da população ocupada. Desse total, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição, em especial os mais jovens, mais escolarizados, na região Sudeste e trabalhando no setor de serviços, com destaque para informação e comunicação e serviços financeiros. O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, diz que a inteligência artificial está automatizando "rotinas mais repetitivas" e exercidas em "posições iniciais" no mercado de trabalho. "Não é algo exclusivo do Brasil. Já vinha sendo observado principalmente no mercado de trabalho americano." Pesquisa feita pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mostra que trabalhadores em início de carreira (entre 22 e 25 anos) em ocupações altamente expostas à IA, como desenvolvedores de software e representantes de atendimento ao cliente, sofreram declínios substanciais no emprego. A ocupação de jovens desenvolvedores de software, por exemplo, caiu quase 20% do final de 2022 até setembro de 2025. O levantamento mostra que, enquanto o emprego total na economia continuou a crescer de forma robusta, o crescimento para trabalhadores jovens estagnou desde o final de 2022. Imaizumi é autor de um estudo que, em maio de 2025, estimou o número de profissionais brasileiros expostos à IA sob diferentes níveis. Ao atualizar os dados para uma média do ano passado, ele calcula que 30,5% da população ocupada com trabalho no país possa ser afetada de alguma forma pela inteligência artificial e que uma parcela de 5,3% esteja sujeita a uma exposição maior, com alto risco de ter todas as suas tarefas automatizadas. Nesse grupo mais ameaçado, há grande presença de vagas no setor público, que contam com proteção maior do que na iniciativa privada, pondera Imaizumi. "Enxergo hoje um potencial muito grande de eficiência para o setor público. Como essas posições geralmente são mais protegidas, com pessoas concursadas, a gente pode ver uma migração de tarefas." Para Duque, é difícil saber quais serão as consequências do impacto negativo da IA sobre o trabalho do grupo. "Se os jovens já começam no mercado de trabalho com maiores dificuldades, isso tem consequências imprevisíveis", diz. "Eles já chegam com salários baixos e acumulam menos experiência do que no passado. Quando substituírem a antiga geração, muito provavelmente terão produtividade menor e menos poupança."
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Inovação Educacional
April 20, 7:48 AM
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A adesão a ideologias deveria já ter sido elencada como uma forma de psicopatologia, causando perda cognitiva, humor histérico, inibição afetiva, incontinência verbal, redução da capacidade semântica, bipolaridade maníaco-depressiva. Um exemplo claro dessa psicopatologia social é a obsessão com a palavra "fascista" em certos meios, assim como na pandemia existia a obsessão com a defesa da cloroquina como medicamento que salvaria o mundo.
Hoje em dia, para muitos, existem galinhas fascistas, elevadores fascistas, sistemas solares fascistas. Na outra margem do rio dos idiotas, existem galinhas esquerdistas, elevadores esquerdistas, sistemas solares esquerdistas. Minha birra pessoal com essa gente infantil é que perdemos muito do nosso tempo com eles.
Ilustração de Ricardo Cammarota para coluna de Luiz Felipe Pondé de 20 de abril de 2026 - Ricardo Cammarota/Folhapress De forma mais sistêmica, penso, na base, o equívoco é maior do que parece. Trata-se de um erro filosófico que, como todo processo cultural, tem uma contrapartida nas palavras, textos, gestos, ideias que, com o passar do tempo e a circulação das pessoas, se transformam numa visão de mundo. Este processo se assemelha ao mecanismo epidemiológico de contágio por contato, via o ar que se respira.
Este equívoco específico gira ao redor da invenção da ideia de autonomia. Aliás, um livro que narra este processo de forma magnífica é "A Invenção da Autonomia", de J.B. Schneewind. Falar da história da filosofia moral moderna é falar de Immanuel Kant, sendo o filósofo o seu grande clímax.
1 4 Homo sapiens 'treinou' capacidades de colonizador
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... A ideia é que a autonomia moral humana é uma invenção, fruto de um longo processo europeu de pensamento e debate acerca da concepção de ser humano. Essa história atravessa gigantes da filosofia e teologia desde o século 16 até o século 18. De Maquiavel, Montaigne, Lutero, Calvino, Grotius, Hobbes, Locke, Rousseau, entre tantos outros, até chegar a Kant no final do século 18.
Erguendo-se contra a ideia de "miséria do pecado", a herança maldita agostiniana, este processo busca superar o marasmo da repetição infinita do mal em nós, para seguir em direção à possibilidade de um aperfeiçoamento da natureza humana via o uso da razão, sem vê-la como um pássaro de asa quebrada, como era vista ao longo da Idade Média.
Enfim, a coruja, ave da filosofia, parceira da deusa romana da sabedoria, Minerva, poderia voar livre, mesmo que só ao entardecer, como diria Friedrich Hegel já no século 19. Kant afirmará que somos capazes de introjetar a lei moral racional e agir a partir da condição de "maioridade". Só devo fazer o que todos podem fazer —imperativo categórico— e, portanto, realizar a razão prática.
A autonomia será, justamente, a superação do trauma de uma crença num livre arbítrio danificado pelo pecado original, em favor da crença numa livre escolha do bem moral, que, por ser um bem moral racional, só pode ser, portanto, de vocação universal.
Trocando em miúdos, somos seres individuais autônomos por sermos racionais, e não movidos por paixões, superstições, fé religiosa cega ou instintos.
Este é o indivíduo liberal da economia, crente num homem que faz escolhas racionais em favor da otimização do bem-estar. Liberalismo e utilitarismo de mãos dadas. A utopia socialista crê que só após a superação do capitalismo esse sujeito racional autônomo, de fato, nasceria.
Agora, venha cá. Voltemos ao que falávamos no início desta coluna. Dá para sustentar que empiricamente, ou seja, olhando o mundo à nossa volta, exista esse sujeito autônomo? Não que em alguns momentos, alguns de nós, não consigamos ser racionais em certa medida. Mas é difícil não suspeitar de que esse sujeito racional autônomo seja uma "bela" invenção "colonial" europeia, que nunca existiu, universalmente, nem na própria Europa.
Nelson Rodrigues, me parece, desvendou o mistério da racionalidade quando a comparou a uma ascese dolorosa como a santidade, cujo processo pode mesmo aniquilar o asceta, o devoto.
Esse sujeito autônomo pode parecer que existe quando escolhe um desodorante em detrimento de outro. Mas, na política, por exemplo, crer num sujeito que vota racionalmente e de forma autônoma é a mesma coisa que crer que a Terra é plana.
Adesão a ideologias é a prova da irracionalidade humana. Todo aderente a ideologia é um infantilizado. Crer que numa empresa a hierarquia escolha uns em detrimento de outros de modo racional, fazendo uso de uma racionalidade meritocrática, é a mesma coisa que crer em lobisomens.
O Homo sapiens é, afinal, uma espécie psicótica estruturalmente, delirante —e a modernidade é o pior dos seus surtos.
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April 19, 4:22 PM
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O modelo inclui duas ferramentas, que serão alimentadas pelos alunos e pelos professores ao final de cada ciclo letivo. Os formulários incluem perguntas fechadas e espaços abertos sobre aspectos como organização da disciplina, carga de trabalho, adequação ao currículo e possíveis sobreposições de conteúdo. As respostas são consolidadas em relatórios e gráficos, disponibilizados às coordenações de curso e às comissões de graduação, permitindo uma leitura mais sistemática do funcionamento das disciplinas. “É importante enfatizar que estamos falando de avaliação de disciplinas, e não de docentes. Houve um cuidado muito grande com o desenho da ferramenta e para que as perguntas realmente levem os participantes a olhar para a disciplina e para a sua contribuição no projeto pedagógico do curso, e não personalizar a avaliação”, afirma o pró-reitor de Graduação, Marcos Garcia Neira. A aplicação ocorre sempre após o encerramento das turmas, quando as notas já foram lançadas, o que busca garantir maior isenção nas respostas. Ao acessar o ambiente acadêmico do Sistema Júpiter, os estudantes são convidados a fazer suas avaliações.
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April 19, 4:12 PM
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Typically, enrollment in graduate school increases during recessions as workers seek to advance or to move to another industry with better career prospects or pay. Today, more people in a survey said they plan to go back to school within a year, even though the economy is doing well. Experts say young adults are exploring this option largely because they are worried about their job prospects despite the economy.
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April 19, 9:04 AM
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O uso da IA (inteligência artificial) generativa nos games é tema recorrente de debate, tanto entre desenvolvedores quanto jogadores. Em meio a essa acalorada discussão, o estúdio brasileiro Arvore se propôs a testar a inovação e vem conseguindo quebrar preconceitos sobre o papel que essa tecnologia pode exercer no futuro do entretenimento digital.
No jogo de realidade virtual "Fabula Rasa", o jogador assume o papel de um prisioneiro em uma cidade de fantasia medieval prestes a ser executado. Seu objetivo é, usando apenas as palavras, salvar-se da prisão. Para isso, será preciso conquistar a simpatia do povo da cidade e, por fim, convencer o próprio rei a poupar sua vida.
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April 19, 8:57 AM
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A população de 60 anos ou mais no Brasil teve alta de 58,7% em um intervalo de 13 anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O contingente de idosos saiu de 22,2 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2025. O crescimento do grupo foi de 13 milhões no período. É mais do que a população inteira da cidade de São Paulo (11,9 milhões). As informações integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e mostram mais um exemplo do processo de envelhecimento dos brasileiros, já identificado em diferentes levantamentos do IBGE. O instituto destacou nesta sexta que a população com menos de 30 anos no país teve queda de 10,4% no intervalo de 2012 a 2025. O contingente recuou de 98,2 milhões para 88 milhões. Em termos absolutos, a redução foi de 10,2 milhões de pessoas nessa faixa etária. É mais do que a população inteira de 21 das 27 unidades da Federação. Com a baixa, o grupo de menos de 30 anos passou a representar 41,4% da população em 2025. A proporção era de 49,9% em 2012. No sentido contrário, os idosos subiram a 16,6% do total de habitantes. O patamar era de 11,3% em 2012. O país tem assistido a uma elevação na expectativa de vida, o que ajuda a entender o avanço dos mais velhos. Ao mesmo tempo, os mais jovens perdem espaço com a redução da fecundidade. O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE, avalia que o Brasil ainda não chegou ao fim do chamado bônus demográfico, mas, segundo ele, essa janela de oportunidades está se fechando. Bônus demográfico é uma expressão usada por especialistas para descrever períodos de alta proporção de pessoas em idade economicamente ativa frente a grupos etários teoricamente dependentes. Em outras palavras, o fenômeno se caracteriza por uma elevada participação de adultos na população, ante crianças e idosos, como indica análise do IBGE publicada em 2015. Em tese, a proporção maior de pessoas em idade ativa favoreceria o desenvolvimento econômico. Segundo Marcio Minamiguchi, gerente de estudos e análises da dinâmica demográfica do IBGE, não há uma definição única para estabelecer se o país já chegou ou quando poderá chegar ao fim do bônus. Isso, diz, depende dos critérios considerados em cada análise. "A ideia de fim do bônus depende muito da forma como o marcador para fim do bônus é definido. Não existe uma única definição e também não existe uma definição específica do IBGE." As estimativas da Pnad divulgadas nesta sexta apontam que os habitantes de 15 a 59 anos chegaram a 135,9 milhões no país em 2025, o equivalente a 64% do total. O número absoluto subiu apenas 0,1% ante 2024 (135,8 milhões). Já os grupos de 0 a 14 anos e de idosos de 60 anos ou mais somaram 76,7 milhões em 2025, correspondendo a 36% da população. O número absoluto cresceu 0,9% ante 2024 (76,1 milhões).
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April 19, 8:51 AM
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O consumo de livros avançou no Brasil em 2025. De acordo com a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, 18% da população com 18 anos ou mais adquiriu ao menos um livro nos últimos 12 meses, um crescimento de 2 pontos percentuais em relação a 2024, o que representa cerca de 3 milhões de novos consumidores no período. O estudo é uma iniciativa da Câmara Brasileira do Livro, com realização da Nielsen BookData.
“O crescimento de 3 milhões de novos consumidores em um único ano mostra que o livro mantém sua relevância e que há espaço consistente para a expansão do mercado editorial brasileiro”, afirma Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro. “Esse avanço é resultado de um ecossistema que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura.”
Entre os destaques do estudo está o protagonismo das mulheres pretas e pardas, que representam 30% do total de consumidores de livros e metade das mulheres que compram livros. As mulheres pretas e pardas da classe C formam atualmente o maior grupo consumidor do país. Considerando o recorte racial mais amplo, pessoas pretas e pardas, somadas, representam 49% dos consumidores de livros. “Por um lado, os resultados demográficos rompem alguns paradigmas e permitem que o setor desenvolva ações mais assertivas, direcionadas a quem de fato consome. Por outro, esses mesmos dados impõem dois desafios importantes: compreender por que o público masculino apresenta baixo nível de consumo e identificar caminhos para engajá‑lo e ampliar sua participação.” afirma Mariana Bueno, coordenadora de pesquisas econômicas e setoriais da Nielsen BookData.
A pesquisa também aponta que o maior crescimento ocorreu entre os jovens. As faixas de 18 a 34 anos avançaram, juntas, 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Para Sevani Matos, as comunidades virtuais têm papel central nesse movimento. “As redes sociais se tornaram uma porta de entrada importante para novos leitores. Criadores de conteúdo, recomendações online e comunidades virtuais têm ampliado o alcance da literatura, especialmente entre os mais jovens”. De acordo com Mariana Bueno, "Os livros de colorir são, sem dúvida, um fator relevante para esse crescimento. Mas os dados do varejo indicam que os títulos de ficção, especialmente os Young Adult, tiveram papel decisivo nessa alta. São obras voltadas a um público mais jovem e conectado, o que dialoga diretamente com os resultados observados na pesquisa Panorama”.
O estudo mostra também que 56% dos consumidores de livros costumam fazer compras em geral por meio das redes sociais. As mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% das consumidoras e 26% do total de consumidores de livros que compram por essas plataformas. Além disso, 70% dos consumidores de livros afirmam gostar de acompanhar lançamentos, principalmente por meio de sites de compras (34%), indicação de pessoas próximas (30%), livrarias (24%), e criadores de conteúdo (22%).
Outro dado relevante é o desempenho dos livros de colorir. Em 2025, 7,1% da população adulta, cerca de 11 milhões de pessoas, comprou ao menos um exemplar, o equivalente a 40% dos consumidores de livros, consolidando o segmento como um dos fenômenos recentes do mercado.
A livraria mantém papel estratégico na experiência de compra. Para 53% dos consumidores, é um espaço para relaxar e explorar sem pressa, enquanto 46% a associam à conexão com cultura e conhecimento. Na última compra de livro impresso, 53% adquiriram online e 47% presencialmente, evidenciando um mercado cada vez mais multicanal. “O livro não é apenas um produto, mas uma experiência cultural. Fortalecer livrarias, bibliotecas e políticas de acesso é fundamental para sustentar esse crescimento”, conclui a presidente da CBL.
Confira aqui a pesquisa completa.
Metodologia
Este estudo analisou o comportamento de compra de livros no Brasil através de uma metodologia rigorosa, envolvendo 16 mil entrevistas com pessoas maiores de 18 anos, cobrindo todas as regiões (Sudeste, Sul, Norte, Nordeste, Centro-Oeste) e estratos socioeconômicos (A, B, C, DE). O estudo, realizado entre 13 e 19 de outubro de 2025, incluiu tanto compradores quanto não compradores de livros, garantindo uma ampla representatividade com uma margem de erro de apenas 0,8% e um nível de confiança de 95%.
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Inovação Educacional
Today, 9:01 AM
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Sistema Gestão Presente (SGP) é o nome de uma plataforma implementada pelo Ministério da Educação (MEC) para dar suporte a redes de ensino de todo o Brasil. Mas o Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou alguns possíveis complicadores na iniciativa, como uma forte dependência dos serviços da Amazon Web Services (AWS).
Com o SGP, as redes de ensino têm acesso e podem compartilhar dados sobre educação básica em nível nacional. Esses dados são usados para o estabelecimento de políticas públicas que combatem a evasão escolar ou para programas sociais como o Pé-de-Meia, só para dar alguns exemplos.
A relevância do SGP para o sistema educacional brasileiro não é questionada pelo TCU, portanto. O que está na mira do órgão é a abordagem técnica de implementação da plataforma, bem como falhas de validação de dados.
Sobre o último aspecto, chamou a atenção do TCU o fato de ser possível o registro de estudantes não autenticados ou até inexistentes no SGP. “Essa fragilidade pode levar a distorções nas análises e relatórios gerados e impactar a eficácia das políticas educacionais”, explica o órgão.
Outro problema encontrado é a deficiência na rastreabilidade dos dados, pois muitos dos registros são feitos por meio de planilhas, sem uso de bancos de dados estruturados ou sistemas de logs que permitam a identificação da origem daquelas informações.
Mas o uso da AWS como alicerce do Sistema Gestão Presente é tão ou mais preocupante, no entendimento do Tribunal de Contas da União.
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Inovação Educacional
Today, 6:41 AM
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Passar algum tempo com outras pessoas pode beneficiar nossa saúde física e mental, segundo o neurocientista Ben Rein.
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Inovação Educacional
Today, 6:31 AM
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O atual estraga-prazeres das narrativas do coração é o aplicativo social, do Tinder ao Instagram, com seus princípios dúbios e sua ilusão de oferta amplificada, a qual inflaciona o custo da oportunidade de se evoluir num relacionamento. Porém, um número cada vez maior de pessoas vem deixando de amar parceiros de anos ao tomar Ozempic e similares. Essas drogas agem nas redes neurais que operacionalizam o querer; não a abstração dos filósofos, mas o querer concreto, que faz alguém repetir um gesto, voltar a uma substância, precisar desesperadamente de alguém. Ao sequestrar a comunicação entre o intestino e o cérebro, elas acabam alterando a sinalização dopaminérgica que dá peso afetivo às experiências. O alvo é a fome, mas seu endereço coincide com o do amor. Nos consultórios americanos já existe um nome para isso: "Ozempic divorce". A pessoa começa na canetinha e, semanas depois, fala do parceiro com a perplexidade afetiva de quem menciona um colega de trabalho. Nenhuma consideração com os românticos ou Camões. Há quem culpe o cônjuge, que perdeu o bonde da mudança, mas as evidências negam essa hipótese. Tampouco se trata de anedonia, a incapacidade de sentir prazer comum aos indiferentes de alma. Um bom regime de injetáveis aumenta a satisfação pela via da confiança e da autoestima. O que o tratamento de fato mitiga é a limerência, a captura pela idealização, em que êxtase e desespero se alternam conforme o outro se aproxima ou se afasta. Ozempic tem uma sensibilidade especial aos amores de verão.
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Inovação Educacional
Today, 6:18 AM
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Relatórios recentes da Anthropic, empresa por trás do modelo Claude, trazem novas evidências sobre o impacto da inteligência artificial no trabalho. Os números são impressionantes: tarefas realizadas com auxílio de IA podem ser concluídas, em média, 80% mais rapidamente, e, sob certas hipóteses, a difusão dessas ferramentas poderia elevar o crescimento da produtividade do trabalho na economia americana para cerca de 3,2% ao ano na próxima década —aproximadamente o dobro do ritmo observado de 2021 a 2025, de 1,4% ao ano. À primeira vista, trata-se de uma transformação revolucionária, ainda que os ganhos em potencial variem substancialmente entre ocupações e tarefas. Para professores, por exemplo, estima-se que a elaboração de um conteúdo programático —que levaria cerca de quatro horas e meia— possa ser realizada até 96% mais rapidamente com o Claude, em pouco mais de dez minutos. Já para assistentes administrativos, tarefas como a produção de relatórios e textos apresentam economias de tempo em torno de 60%. Há, entretanto, motivos para cautela quanto à magnitude desses ganhos. As estimativas não consideram, por exemplo, o tempo que os trabalhadores levam para verificar e refinar os resultados gerados pela IA. Além disso, tarefas que não se beneficiam diretamente da tecnologia tendem a se tornar gargalos, limitando os efeitos sobre a produtividade agregada. Mais importante, porém, é que esses resultados pressupõem uma adoção ampla da IA na economia. Na prática, a difusão dessa tecnologia tem sido altamente desigual. Seu uso é mais intenso em países de renda elevada, com quase metade do uso global per capita concentrado em um grupo restrito de 20 países. Mesmo dentro dos países, a adoção se concentra em regiões e setores com maior presença de profissionais de formação técnica, como computação e matemática. O nível educacional do trabalhador importa, já que tarefas mais complexas exigem maior capacidade de interação com a ferramenta. Essa desigualdade de adoção traz implicações maiores. Se há uma curva de aprendizado no uso da IA, os primeiros países e indivíduos a adotá-la tendem a ser justamente os que mais se beneficiam dela —e a evidência disponível aponta nessa direção. Isso ocorre porque a ferramenta exige habilidades que são adquiridas por meio de uso e experimentação. Em outras palavras, quem sai na frente tende a permanecer à frente, já que a capacidade de extrair valor dessas tecnologias depende, de forma decisiva, do domínio acumulado no seu uso. Usuários mais familiarizados com a tecnologia não apenas a utilizam com maior frequência em atividades produtivas como também obtêm melhores resultados. Direcionam a ferramenta para tarefas mais complexas e de maior valor econômico e interagem de forma mais complementar à tecnologia. Aprendem, portanto, a usá-la melhor —e, ao fazê-lo, ampliam os ganhos que podem extrair dela. Assim, para que os ganhos do uso da IA se materializem de forma ampla, é importante que empresas e trabalhadores consigam incorporá-la ao processo produtivo. No caso brasileiro, os dados sugerem que estamos ficando para trás. Em termos de uso, o país ocupa a 61ª posição entre 116 economias, com um índice de utilização de 0,79, enquanto os Estados Unidos —quinto colocado— atingem 4,58. A conta de não termos avançado em uma educação de qualidade tende a se tornar cada vez mais elevada, já que os ganhos da adoção inicial da IA tendem a se perpetuar ao longo do tempo, amplificando as desigualdades.
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April 20, 5:47 PM
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Se você é mãe ou pai de um pré-adolescente ou adolescente, provavelmente já se preocupa com o que ele acessa no celular e no computador. E essa inquietação cresce quando surge a dificuldade de se aproximar, de entender seus pensamentos, amizades e hábitos digitais.
Um novo estudo conduzido pela pesquisadora Soraia Marioti propõe ampliar esse olhar. Mais do que analisar os impactos das telas e das redes sociais, a pesquisa investiga a relação entre pais e filhos adolescentes. Entre agosto e outubro de 2025, foram ouvidos 1.180 pais e mães de todas as regiões do país.
O trabalho também incluiu 56 entrevistas com famílias e a consulta a psicólogos e pedagogos. O foco não esteve apenas no comportamento dos adolescentes, mas no que está por trás das decisões, ou da ausência delas, por parte dos adultos.
72% dos adolescentes brasileiros passam entre duas e seis horas por dia em frente às telas — Foto: Freepik Os dados revelam que 72% dos adolescentes brasileiros passam entre duas e seis horas por dia em frente às telas, sendo que 25% ficam entre quatro e seis horas. Esse padrão se mantém estável independentemente de gênero, região, renda familiar ou tipo de escola. Em outras palavras, o tempo de exposição digital na adolescência já se consolidou como um comportamento nacional.
Há, porém, um ponto de atenção importante. A partir dos 14 anos, cresce de forma significativa o número de jovens que ultrapassam seis horas diárias de uso. YouTube, com 89%, e WhatsApp, com 86%, lideram como os espaços mais frequentados no dia a dia. Em seguida aparecem Instagram, com 72%, e TikTok, com 69%, reforçando o protagonismo das redes audiovisuais. Entre os jogos online, o Roblox se destaca, com 54%, especialmente entre os mais novos.
Efeitos no comportamento Quando o assunto são os efeitos desse uso, o alerta é ainda mais forte. Apenas 4% dos pais afirmam nunca ter observado sintomas relacionados ao excesso de telas. Isso significa que 96% já perceberam algum impacto no bem-estar dos filhos. Entre os sinais mais comuns estão dificuldade de concentração, relatada por 52%, irritação ou agressividade, com 48%, ansiedade, com 47%, e mudanças repentinas de humor, com 38%.
Para Soraia, trata-se de um desafio coletivo. “Estamos lidando com uma indústria da tecnologia extremamente mais poderosa que as famílias. Seria injusto colocar toda essa responsabilidade apenas nas mãos dos pais. Por isso, movimentos de regulação, como o ECA digital, são tão importantes. É um processo parecido com o que aconteceu com o cinto de segurança ou o cigarro. Primeiro vêm os limites mais claros, depois, ou ao mesmo tempo, a mudança cultural”, afirma, em entrevista exclusiva à CRESCER.
Sobre os pequenos Outro dado chama atenção. A infância digital está começando cada vez mais cedo. Quase metade dos pais, 47%, relata que os filhos passaram a ter contato mais intenso com telas entre 1 e 3 anos. Outros 34% dizem que isso aconteceu antes mesmo do primeiro ano de vida. O acesso mais tardio é minoria: 12% entre 4 e 7 anos e apenas 7% após os 7 anos.
Diante desse cenário, a orientação é clara. Adiar ao máximo o uso de telas na primeira infância, escolher com mais critério os conteúdos consumidos, buscar informação sobre o que está em alta entre os jovens e, principalmente, manter uma presença constante. Não apenas reagir quando algo dá errado, mas construir um diálogo contínuo e proativo no dia a dia.
A pesquisa também reforça um ponto importante. Esse cuidado ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. “São as mães que estão mais presentes nas reuniões, nos grupos de WhatsApp, nas conversas com a escola e no acompanhamento emocional e digital dos filhos. Isso faz com que a educação midiática se torne mais uma camada da sobrecarga feminina. Quando falamos de novas formas de educar, também estamos falando de dividir responsabilidades e repensar a parentalidade como um todo”, conclui Soraia.
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April 20, 7:57 AM
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Quer saber se uma cidade é saudável? Basta olhar para uma única variável: se há crianças andando livremente pelas ruas, sem a supervisão dos pais. Essa variável tem até nome técnico: "mobilidade infantil independente" (em inglês, o acrônimo é CIM). Um estudo clássico da Fundação Nuffield analisou o tema de forma comparativa em 16 países. O estudo pesquisou 18 mil crianças e seus pais para entender sua mobilidade. Até hoje, é o maior esforço internacional de mapear a questão. Os achados são tristes para o Brasil. Os países foram divididos em três grupos: topo, intermediário e inferior. No topo, aparece a Finlândia. Lá, aos sete anos a maioria das crianças já anda ou pedala sozinha pelas ruas. Aos dez anos, já pegam transporte público sem supervisão dos pais. No grupo de alta mobilidade, está o Japão. Lá, 70% das crianças vão à escola a pé. Outro dado que chama a atenção é a liberdade de circulação noturna. As crianças japonesas saem sozinhas também à noite, inclusive no transporte público. Há até um reality show da Netflix sobre o tema, chamado Crescidinhos. O programa acompanha crianças de 2 a 5 anos fazendo sua primeira andança sem a supervisão de adultos. Em um dos episódios, uma garota de quatro anos pega um ônibus sozinha para visitar a mãe no hospital. O Brasil aparece no grupo de países com menor mobilidade infantil independente. E vale notar: não é que não haja crianças nas ruas das nossas cidades. Estudos brasileiros mostram que ir à pé para a escola e circular pelas ruas é comum no Brasil. No entanto, essa prática acontece por necessidade, não por escolha. Quando uma criança finlandesa anda um quilômetro para ir à escola, está exercendo sua liberdade. Já a maioria das crianças brasileiras faz isso por razões inversas: por impossibilidade de escolha. Seja porque não há transporte público disponível, seja porque estar na rua é a única opção. Para piorar, um estudo feito no Brasil por Cibele Macêdo e colegas com 1.700 crianças de idade média de 11 anos mostrou um dado preocupante. Brincar sozinho nas ruas, nos parques ou em espaços abertos está diretamente relacionado ao bem-estar subjetivo das crianças. Só que há uma ressalva fundamental: quando a mobilidade é sinal de autonomia, o efeito é de fato positivo. Quando é forçada por precariedade (a criança precisa se deslocar sozinha porque não tem outra opção), o efeito no bem-estar subjetivo é negativo. Esse é um achado que não aparece nos estudos europeus. Diante disso, o que fazer? Os dois maiores inimigos das crianças nas cidades são o trânsito e a segurança pública. É preciso cuidar de ambos. Além disso, a criança autônoma precisa ser vista como um indicador central de qualidade urbana, como foi feito com sucesso na Colômbia. No Brasil, cidades como Fortaleza, Recife e Rio têm iniciativas como o projeto Caminhos da Escola, que reforça a "andabilidade" no entorno de algumas escolas municipais. O cardápio de medidas eficazes é vasto. Inclui as mais de 60 "play streets" de Londres, que fecham semanalmente algumas ruas para brincadeiras e circulação infantil, a redução da velocidade para 30 km/h em algumas vias, as bibliotecas-parque de Medellín e os superquarteirões de Barcelona. O que não dá é ficar do jeito que está e aceitar que as cidades brasileiras sejam 100% inadequadas para crianças.
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April 20, 7:50 AM
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Em tempos em que o Conselho Nacional de Educação discute regras para o uso da inteligência artificial no ensino superior e diversas instituições europeias debatem e lançam relatórios e recomendações sobre essa temática, a questão tornou-se incontornável. Docentes de algumas das principais universidades portuguesas publicaram um manifesto que dialoga com preocupações também presentes nos países lusófonos. Em janeiro de 2026, assinaram o manifesto "Por um Ensino Superior Humanizado", no qual defendem a proibição da inteligência artificial generativa (IAG) nos processos de ensino-aprendizagem no ensino superior. Segundo o documento, os alunos teriam se tornado vítimas do que denominam "dilúvio digital", expostos ao "facilitismo" e à "desonestidade intelectual", formando aquilo que, de modo provocativo, chamam de "cretinos digitais". Para os professores, surgiria o confronto com "trabalhos artificiais sistematicamente nivelados pela mediania de um chatbot" e a crescente dificuldade de identificar fraudes acadêmicas —o que fragilizaria a avaliação, um dos pilares da vida universitária. No plano institucional, criticam o que chamam de capitalismo acadêmico hegemônico e a proliferação de regulamentos cuja eficácia consideram limitada. Esse posicionamento contrasta com o debate desenvolvido no Colóquio "Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes no Ensino Superior", realizado em fevereiro de 2026 pelo Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), em parceria com o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. O encontro reuniu docentes, investigadores e dirigentes universitários de países lusófonos da África, Europa, América e Ásia. No colóquio, os participantes —dentre eles os autores deste artigo— reconheceram o potencial inovador da IAG, mas também alertaram para riscos concretos: a terceirização da formação intelectual, impactos sobre a integridade científica e a ampliação de práticas negacionistas em um contexto já marcado pela desinformação. A pergunta que atravessou os debates foi direta: o que deverá fazer a universidade? Fingirá que graduandos, mestrandos e doutorandos não utilizam ferramentas de IAG? Agirá como se essa transformação não estivesse em curso? Banir essas ferramentas pode gerar uma sensação de controle que dificilmente se sustenta na prática. Pode ser até a forma mais fácil. Mas estudantes continuarão a utilizá-las; professores podem oscilar entre punições seletivas e o simples fechamento de olhos. O risco é empurrar o problema para uma zona de clandestinidade, onde ele se torna ainda mais difícil de acompanhar. O ponto de partida discutido no colóquio foi outro. A inteligência artificial é uma invenção humana. A questão não é ignorá-la, mas apreender como incorporá-la na melhoria da aprendizagem e no campo da pesquisa científica. Há um desafio geracional e institucional: conhecer a tecnologia, compreender seus limites e utilizá-la com critérios. Não se trata de celebrá-la de forma ingênua, tampouco de bani-la como se fosse possível apagar sua presença. Além de investir em regulação e integridade científica, as universidades precisam adotar medidas concretas. Algumas instituições já oferecem a seus estudantes, de forma pioneira, plataformas integradas de ferramentas de IAG, garantindo acesso mais equitativo e evitando que apenas quem pode pagar por versões avançadas desses sistemas disponha de recursos tecnológicos que ampliem suas possibilidades de aprendizagem e produção acadêmica. Trata-se de um caminho que vai além da regulação: democratizar o acesso também é enfrentar desigualdades que atravessam o próprio sistema universitário. O dilema não está entre proibir ou liberar tudo. Está em saber como a universidade quer conviver com uma tecnologia que já atravessa salas de aula, centros de pesquisa e práticas científicas —e que dificilmente desaparecerá por decreto.
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April 20, 7:40 AM
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The scene is as old as warfare itself. Two soldiers, hands in the air, surrendering and carefully following the orders barked at them by the other side. Except in this case, there were no human captors in sight. Instead, the two Russians were submitting to Ukrainian land robots and drones controlled by a pilot from the safety of a position miles away from the front line.
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April 19, 4:18 PM
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Foi aprovada no Conselho de Pós-Graduação e Pesquisa (CPGPq) da Unifesp a Resolução nº 17/2025, que estabelece as diretrizes para uso de Inteligência Artificial Generativa (IAG) na pesquisa e na pós-graduação da instituição. O documento, elaborado pelo Escritório de Integridade Acadêmica da Unifesp, tem por objetivo estabelecer orientações claras para o uso responsável e transparente de ferramentas de IAG na produção de artigos, relatórios, trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses.
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April 19, 9:21 AM
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A Amazon divulgou nesta semana sua tradicional lista de livros mais vendidos do ano e, em 2025, o topo do ranking trouxe algo incomum: dois volumes da coleção de livros de colorir Bobbie Goods, criação de Abbie Goveia.
"Do Dia para a Noite" e "Dias Quentes" ocuparam as primeiras posições. Um terceiro livro, "Isso e Aquilo", ficou no oitavo lugar.
Estande dos livros de colorir Bobbie Goods na editora HarperCollins durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro - Walter Porto/Folhapress As vendas virtuais de livros hoje são majoritárias em relação às lojas físicas, e a Amazon é a principal plataforma onde esse comércio é realizado, então a amostra é significativa.
A coleção Bobbie Goods, editada no Brasil pela HarperCollins, atrai tanto jovens e crianças quanto adultos em busca de alívio de estresse e um passatempo estimulante.
1 6 Livros de colorir voltam à moda com geração Z
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Estes títulos derrubaram o campeão do ano passado, o devocional "Café com Deus Pai", do pastor Júnior Rostirola, publicado pela editora Velos, que caiu para o terceiro lugar da lista.
O livro, que já é recorrente nas listas da varejista, é referência no segmento religioso, mas não resistiu à explosão dos bichinhos fofos que tomaram conta das redes sociais.
A coleção Bobbie Goods é marcada por u estética minimalista fofa e a promessa de relaxamento. A é tendência impulsionada por redes sociais como TikTok e comunidades de cuidados pessoais.
tudo a ler Receba no seu email uma seleção com lançamentos, clássicos e curiosidades literárias
Carregando... A best-seller americana Colleen Hoover também aparece no quarto lugar com o romance "Verity", história de uma escritora que se envolve numa teia de confusões de uma família aparentemente perfeita, que tem previsão de chegar ao cinema em 2026.
"A Hora da Estrela", de Clarice Lispector, é a única ficção brasileira a aparecer na lista, em sétimo lugar, sendo esta a primeira vez que o livro atinge o top 10.
O ranking ainda tem obras como o clássico "A Metamorfose", de Franz Kafka, e livros de desenvolvimento pessoal como "A Psicologia Financeira", de Morgan Housel, "Hábitos Atômicos", de James Clear, e "O Homem mais Rico da Babilônia", de George S. Clason, indicam que o apetite por auto-aperfeiçoamento continua em alta.
Confira a lista completa abaixo:
MAIS VENDIDOS DA AMAZON EM 2025 "Do Dia para a Noite", livro de colorir da coleção Bobbie Goods "Dias Quentes", livro de colorir da coleção Bobbie Goods "Café com Deus Pai 2025: Porções Diárias de Transformação", de Júnior Rostirola "Verity", de Colleen Hoover "A Psicologia Financeira", de Morgan Housel "A Metamorfose", de Franz Kafka "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector "Isso e Aquilo", livro de colorir da coleção Bobbie Goods "Hábitos Atômicos", de James Clear "O Homem Mais Rico da Babilônia", de George S. Clason
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April 19, 9:01 AM
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Para Adriana Lisboa, traduzir é como dançar. Ora se aproxima, ora se afasta do texto original, sem perder o ritmo das palavras. Ao trabalhar com "As Noites Frias da Infância", a tradutora teve que aprender novos passos: escrito originalmente em turco, língua que ela não domina, o livro da escritora Tezer Özlü foi traduzido com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial. O gesto de Lisboa está no centro de um dilema que opõe tradutores e inteligência artificial no campo da literatura, uma relação equilibrada entre a viabilidade da IA como ferramenta de apoio e sua ameaça à qualidade e ao mercado de trabalho desses profissionais. Quando a Autêntica Contemporânea decidiu publicar Özlü, conta a editora Rafaela Lamas, não tinha relação de confiança com nenhum tradutor de turco. Ao convidar Lisboa para o trabalho, a proposta era partir da tradução em inglês, feita por Maureen Freely e consagrada pelo prêmio do National Book Critics Circle. Desconfiada da prática de tradução indireta, a tradutora buscou a versão em espanhol do texto, para comparação, o que revelou divergências de tom e significado. Então, recorreu à IA. "Quando eu encontrava discrepâncias com o original em turco, pedia que a IA me explicasse o original e as opções dos dois tradutores. Além disso, tive a fundamental colaboração do diplomata Marcus Vinícius Marinho, fluente em turco e leitor de Özlü, que leu não somente o original como também as traduções ao inglês, ao espanhol e ao alemão." Frequentemente comparado com "A Redoma de Vidro", de Sylvia Plath, por seu retrato brutal do feminino, "As Noites Frias da Infância" é o primeiro romance da autora turca, originalmente lançado em 1980 e com previsão para sair em junho no Brasil. Experiente, Lisboa já traduziu clássicos como "O Morro dos Ventos Uivantes" e "Jane Eyre", das irmãs Emily e Charlotte Brontë, e obras de vanguarda como "Hiroshima Meu Amor", de Marguerite Duras, e "Vidro, Ironia e Deus", de Anne Carson. A experiência com a máquina ensinou à tradutora que não é preciso optar pelos extremos. Entre aqueles que entregam tudo à IA e os que não querem ouvir falar na tecnologia, sua escolha é usá-la "como mera ferramenta, que não substitui o pensamento e as decisões criativas, mas pode ajudar a chegar a uma visão panorâmica de um tema, para aprofundar as pesquisas e a compreensão necessárias ao trabalho". "É um campo a ser explorado", diz ela. "Uma nova forma de dançar." A inteligência artificial, no entanto, inquieta tradutores pela ameaça existencial que representa para a categoria no mundo todo. Na Europa, empresas de tecnologia como Fluent Planet e Nuanxed estão sendo empregadas por editoras como HarperCollins France e Veen Bosch & Keuning para realizar traduções automáticas de romances. Uma pesquisa realizada pela Society of Authors, no Reino Unido, apontou em janeiro do ano passado que mais de um terço dos tradutores havia perdido trabalho para a IA generativa. No Brasil, o mercado ainda é conservador, mas traduções com IA sem autoria humana já figuram em obras de editoras comerciais como a Manole. Lenita Maria Rimoli Pisetta, professora de estudos da tradução na Universidade de São Paulo, considera contraproducente a postura de negação da tecnologia. Mas, como Lisboa, vê na IA "uma ferramenta, não fórmula mágica". Se antes a tradução literária era descartada em pesquisas sobre tradutores automáticos, como o Google Translate, hoje, com o avanço dos modelos de linguagem de larga escala (LLM), ela está em foco. É esse o objeto de estudo de Natália Carolina Resende, professora do Trinity College, na Irlanda. Segundo ela, a ferramenta é eficaz no processo de tradução porque serve à "automação do corpus de pesquisa", isto é, substitui a busca em dicionários ou glossários. Apesar de otimista, Resende compartilha resultados que problematizam o uso da ferramenta. Sua pesquisa mostra que textos traduzidos por IA têm características distintas das traduções humanas, como o uso de vocabulário limitado, frases longas e muitos adjetivos, marcas que fazem com que leitores prefiram o texto humano. Outro aspecto negativo está no efeito que a IA tem sobre o tradutor. Ao receber a solução da máquina, ele acaba não conseguindo pensar em alternativas. "É o que a psicologia chama de 'priming': o comportamento linguístico é influenciado por um estímulo anterior", um processo que mina o potencial crítico do profissional. Alison Entrekin, australiana que trabalhou por mais de dez anos em uma versão em inglês de "Grande Sertão: Veredas" a sair em breve, critica esse tipo de uso. "Quem terceiriza a primeira etapa da tradução deixa de exercitar essa parte do cérebro. A tendência é perdermos a habilidade de percepção. Se passo menos tempo com o texto, tenho menos compreensão." O consenso entre tradutores é que a máquina não tem como substituir o humano. Nos termos de Lisboa, "ela não pode simular a experiência vivida da linguagem e da leitura literária, nem a inserção do tradutor no tempo e na cultura como um sujeito histórico". "A tradução é um trabalho baseado na artesania" define a poeta e tradutora Prisca Agustoni, que traduz de italiano, francês, alemão, inglês e espanhol para português. Hoje, também se aventura na tradução do russo, idioma que não domina, em um processo parecido com o de Lisboa —a russa Maria Vragova faz uma tradução literal do texto, retrabalhada por Agustoni para afinar a sonoridade em língua portuguesa. Esse empenho a quatro mãos "permite trabalhar na fronteira movediça que é a tentativa de reproduzir a atmosfera do texto, mobilizando questões contextualizadas no tempo de quem as vive". "A IA não tem essas variantes", aponta Agustoni. Por mais que não use a tecnologia, a poeta a descreve com otimismo comedido. "Não sou das que acham que o mundo vai acabar por causa dela. Todo instrumento é útil para alguma coisa. Depende do uso que se faz." Resende reforça a visão das tradutoras: a IA sempre precisará da supervisão humana. Mas a opinião não é compartilhada por todos na indústria. "O problema é a ambição de empresas que, em vez de vê-la como ferramenta para estender a capacidade humana, incentivam a ideologia da substituição." O risco do emprego da IA como forma de cortar custos na cadeia do livro, pressionando por maior produtividade e precarizando o mercado, convive com a possibilidade de usá-la para expandir os horizontes da literatura, como fez Lisboa. Cautelosa, ela defende que seu exemplo não é generalizável. "Foi um processo trabalhoso, eticamente orientado e com supervisão de um colega fluente em turco." A tradutora também atenta para o possível "achatamento" dos textos por causa da tradução mediada. Entrekin usa sua experiência com Guimarães Rosa para defender que, quanto mais idiossincrático o texto, menos adequada é a ajuda da IA. "Ela busca o meio do caminho, que não é o da literatura. Queremos aquilo que a deixa brilhar e saltar da página." Crente de que a IA já domina o mundo criativo, Pisetta, a professora da USP, diz que a única maneira de controlar a máquina é conhecê-la, por isso incentiva o uso da tecnologia nas aulas. Face aos riscos, o que Lisboa propõe é "ir contra a corrente e falar cada vez mais sobre tradução, dar mais voz e destaque aos tradutores".
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April 19, 8:55 AM
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A população que mora sozinha no Brasil mais que dobrou no período de 2012 a 2025, saindo de 7,5 milhões para 15,6 milhões de pessoas, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A alta nesse intervalo de 13 anos foi de 109,8%. O contingente do ano passado (15,6 milhões) supera o total de habitantes de um estado como a Bahia (14,9 milhões), a quarta unidade da Federação mais populosa. As informações, divulgadas nesta sexta-feira (17), integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), uma das principais publicações do IBGE. Os 15,6 milhões de lares unipessoais representam 19,7% do total de domicílios do país em 2025 (79,3 milhões). Ou seja, 1 em cada 5 endereços tinha apenas um morador. Assim como o número absoluto, essa também é a maior proporção da série histórica. A participação teve aumento de 7,5 pontos percentuais ante 2012, quando os lares unipessoais respondiam por 12,2% do total. A redatora e sexóloga Laís Conter, 37, decidiu morar sozinha há pouco mais de um ano, na região central de São Paulo. Gaúcha, viveu com a mãe em Porto Alegre, depois dividiu a casa com o ex-marido e, após o divórcio, passou seis anos compartilhando o apartamento com amigos. "Morar sozinha é uma experiência de vida muito interessante. Quando surgiu a oportunidade, decidi experimentar", afirma. "Quando você divide a casa, ocorre uma união de universos em que você precisa se adaptar a outra pessoa, como a rotina, a decoração e até a limpeza. Morando sozinha há muito mais liberdade. Você pode fazer tudo do seu jeito", acrescenta. Para ela, o ponto negativo são os gastos com aluguel, condomínio e outras despesas da casa, que consomem mais de 30% de seu orçamento mensal. "A prioridade é sempre pagar o aluguel. Então, acabo deixando de fazer algumas coisas porque tenho essas despesas. Preciso fazer mais escolhas." ENVELHECIMENTO IMPACTA, DIZ IBGE A Pnad não pergunta o que leva uma pessoa a morar sozinha, mas o IBGE indicou que o processo de envelhecimento dos brasileiros é um dos fatores que podem explicar o movimento. A proporção de idosos de 60 anos ou mais na população nacional aumentou de 11,3% em 2012 para 16,6% em 2025. Esse grupo etário ocupava 41,2% dos domicílios unipessoais no ano passado. O avanço dos endereços com apenas um morador também é registrado em meio a um contexto de casamentos mais tardios, já apontado em outras pesquisas do IBGE. "A pessoa chega a uma faixa etária em que muitas vezes os filhos já estão com as suas famílias, vivendo as suas vidas, ou a pessoa fica viúva e passa a viver sozinha. Em estados mais envelhecidos, a probabilidade de isso acontecer é muito maior", disse William Kratochwill, analista do IBGE responsável pela apresentação dos dados. "Há essa história do envelhecimento e outras possibilidades, como a migração para trabalho, em que a pessoa vai sozinha primeiro e depois leva a família", acrescentou. O Rio de Janeiro continuou como o estado com a maior proporção de lares unipessoais no ano passado (23,5%), seguido por Bahia (22,3%) e Rio Grande do Sul (21,9%). O menor percentual foi encontrado no Pará (13,4%). As populações do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul são as mais envelhecidas do Brasil. No caso fluminense, William disse que a presença de universidades e empresas pode atrair migrantes que passam a viver sozinhos no estado. A Pnad também permite um um olhar de acordo com o sexo. As mulheres correspondiam a 51,2% da população total do país em 2025, enquanto os homens totalizavam 48,8%. Quando a análise considera apenas quem mora sozinho, o cenário se inverte. Conforme a pesquisa, os homens ocupavam a maioria dos domicílios unipessoais no país, presentes em 54,9% desses endereços, ante 45,1% das mulheres. De acordo com William, uma das possíveis explicações é que mais mulheres ficam com a guarda dos filhos após a separação dos casais, enquanto os antigos parceiros passam a viver sozinhos. DOMICÍLIOS NUCLEARES AINDA LIDERAM Apesar do crescimento, os domicílios unipessoais não são o principal tipo de unidade doméstica no Brasil. Seguem atrás dos domicílios chamados pelo IBGE de nucleares. Essa categoria abrange aqueles formados por casais com ou sem filhos ou enteados. Também são nucleares as unidades domésticas compostas por mãe com filhos ou pai com filhos —as chamadas monoparentais. Em 2025, o número de domicílios nucleares chegou a 52,1 milhões, o maior da série histórica, correspondendo a 65,6% do total. A categoria, contudo, perdeu participação ao longo do tempo. Isso mostra que o avanço ocorreu em um ritmo menos intenso do que o verificado entre os lares unipessoais. Em 2012, os arranjos nucleares correspondiam a 68,4% do total (2,8 pontos acima de 2025). A pesquisa do IBGE ainda traz informações sobre outras duas categorias. São os casos das unidades domésticas estendidas e compostas, que responderam por 13,5% e 1,1% do total no ano passado, respectivamente. Um lar estendido é constituído pela pessoa responsável com pelo menos um parente, formando uma família que não se enquadra em um dos tipos descritos como nucleares. Já um domicílio composto tem uma pessoa responsável com ou sem familiares e com pelo menos um morador sem parentesco, como agregado, pensionista ou empregado doméstico.
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Inovação Educacional
April 19, 8:50 AM
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O consumo de livros cresceu em 2025, segundo pesquisa divulgada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData. Os dados apontam que 18% da população adulta do Brasil comprou ao menos um livro físico ou digital em 2025, um número absoluto de 3 milhões a mais de compradores em comparação com o ano anterior. "Esse avanço é resultado de um ecossistema que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura", diz Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro. Segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, as mulheres são 61% dos consumidores de livros no Brasil, e especificamente as mulheres pretas e pardas da classe C são o maior grupo consumidor no país. Mais de 35 milhões de pessoas afirmaram à pesquisa terem sido desmotivadas a comprar livros no ano passado por considerá-los caros. Os resultados, no entanto, não se traduzem diretamente no aumento de faturamento para livrarias e editoras. A pesquisa não identifica a origem dos exemplares adquiridos, de modo que o número pode incluir também livros de segunda mão ou pirateados. Segundo Mariana Bueno, coordenadora de pesquisa da Nielsen BookData, "pirataria é demanda reprimida", indicando para editoras e comerciantes a existência de leitores interessados que ainda não acessam o mercado formal. Os principais canais usados por consumidores para descobrir as novidades literárias são sites de compras (34%), pessoas próximas (30%), livrarias (24%) e criadores de conteúdo (22%). As redes sociais também desempenham papel central na conversão: 56% dos respondentes afirmaram adquirir livros por esses meios, percebendo ali melhores preços e promoções. Esse dado acompanha o desempenho da faixa etária de 18 a 24 anos, geração de nativos digitais, segmento que registrou o maior crescimento no consumo de livros no último ano. A análise, como destaca Bueno, diz respeito ao consumo e não necessariamente à leitura no Brasil. Embora as redes sociais estimulem a compra de livros, isso não implica automaticamente um aumento no número de leitores. "Acreditamos que quanto maior o número de compras, maior a chance de leitura", pondera. No último ano, 7,1% dos entrevistados comprou ao menos um livro de colorir, ou seja, aproximadamente 11 milhões de pessoas. Segundo Bueno, títulos do estilo Bobbie Goods se tornaram sucessos editoriais impulsionados pelas redes sociais e acabaram funcionando como uma forma de afastar os consumidores das telas.
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