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IA já reduz emprego e renda de jovens, diz estudo

IA já reduz emprego e renda de jovens, diz estudo | Inovação Educacional | Scoop.it

O uso da inteligência artificial generativa já mostra um impacto negativo na empregabilidade e na renda de jovens brasileiros mais propensos a trabalhar em profissões nas quais o uso da tecnologia é maior.
É o que mostram dados de estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, a partir de dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.
Os números revelam que brasileiros de 18 a 29 anos mais expostos a profissões nas quais o uso de IA é maior têm uma chance de emprego quase 5% menor do que tinham em um cenário pré-inteligência artificial.
Para chegar aos resultados, o estudo analisou grupos de trabalhadores de perfis semelhantes entre 2022, logo antes do lançamento do ChatGPT, e 2025, com a diferença de que uma parte estava em profissões mais expostas à IA, como serviços de informação e financeiros, e outra parte não. O levantamento concluiu que, após o surgimento da IA, os trabalhadores mais expostos começaram a perder mais empregos que os demais.
A renda desses trabalhadores mais expostos também foi quase 7% menor. Isso acontece, segundo o levantamento, porque a IA é excelente em executar as chamadas tarefas de entrada, como funções administrativas, de apoio e de serviços básicos, que costumam ser o primeiro passo na carreira de um recém-formado.
"Os empregos de entrada no mercado de trabalho, que a IA consegue fazer melhor e [de modo] mais barato, são os mais substituíveis", afirma Duque.
O trabalho aponta para um impacto muito pequeno da exposição à IA sobre a empregabilidade das demais faixas etárias. "O trabalhador mais velho, em geral, tem como função tomar decisões, não fazer os trabalhos mais básicos e burocráticos. E tomar decisões não é algo que se vê, ainda, na IA", diz o pesquisador.
Sobre a queda da renda, a avaliação de Duque é que a tecnologia está reduzindo o valor das tarefas mais padronizadas, ou seja, exatamente aquelas que são a porta de entrada para muitas carreiras administrativas.
O pesquisador afirma que os números devem ser vistos com cautela, já que a janela de dados disponíveis ainda é curta e os dados sobre as profissões mais expostas à IA são preliminares. "Mas sem dúvida é um pouco assustador já ver um impacto tão forte da IA sobre a empregabilidade", afirma o pesquisador. "Com o tempo, todos os tipos de trabalho, alguns mais do que outros, serão afetados."
O estudo de Duque aprofunda um levantamento feito pelos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti, do FGV Ibre, que, com base em uma metodologia da OIT (Organização Internacional do Trabalho), concluiu que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre do ano passado. Isso é equivalente a 29,6% da população ocupada.
Desse total, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição, em especial os mais jovens, mais escolarizados, na região Sudeste e trabalhando no setor de serviços, com destaque para informação e comunicação e serviços financeiros.
O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, diz que a inteligência artificial está automatizando "rotinas mais repetitivas" e exercidas em "posições iniciais" no mercado de trabalho.
"Não é algo exclusivo do Brasil. Já vinha sendo observado principalmente no mercado de trabalho americano."
Pesquisa feita pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mostra que trabalhadores em início de carreira (entre 22 e 25 anos) em ocupações altamente expostas à IA, como desenvolvedores de software e representantes de atendimento ao cliente, sofreram declínios substanciais no emprego.
A ocupação de jovens desenvolvedores de software, por exemplo, caiu quase 20% do final de 2022 até setembro de 2025. O levantamento mostra que, enquanto o emprego total na economia continuou a crescer de forma robusta, o crescimento para trabalhadores jovens estagnou desde o final de 2022.
Imaizumi é autor de um estudo que, em maio de 2025, estimou o número de profissionais brasileiros expostos à IA sob diferentes níveis.
Ao atualizar os dados para uma média do ano passado, ele calcula que 30,5% da população ocupada com trabalho no país possa ser afetada de alguma forma pela inteligência artificial e que uma parcela de 5,3% esteja sujeita a uma exposição maior, com alto risco de ter todas as suas tarefas automatizadas.
Nesse grupo mais ameaçado, há grande presença de vagas no setor público, que contam com proteção maior do que na iniciativa privada, pondera Imaizumi.
"Enxergo hoje um potencial muito grande de eficiência para o setor público. Como essas posições geralmente são mais protegidas, com pessoas concursadas, a gente pode ver uma migração de tarefas."
Para Duque, é difícil saber quais serão as consequências do impacto negativo da IA sobre o trabalho do grupo.
"Se os jovens já começam no mercado de trabalho com maiores dificuldades, isso tem consequências imprevisíveis", diz. "Eles já chegam com salários baixos e acumulam menos experiência do que no passado. Quando substituírem a antiga geração, muito provavelmente terão produtividade menor e menos poupança."

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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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IA já reduz emprego e renda de jovens, diz estudo

IA já reduz emprego e renda de jovens, diz estudo | Inovação Educacional | Scoop.it

O uso da inteligência artificial generativa já mostra um impacto negativo na empregabilidade e na renda de jovens brasileiros mais propensos a trabalhar em profissões nas quais o uso da tecnologia é maior.
É o que mostram dados de estudo conduzido pelo pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, a partir de dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE.
Os números revelam que brasileiros de 18 a 29 anos mais expostos a profissões nas quais o uso de IA é maior têm uma chance de emprego quase 5% menor do que tinham em um cenário pré-inteligência artificial.
Para chegar aos resultados, o estudo analisou grupos de trabalhadores de perfis semelhantes entre 2022, logo antes do lançamento do ChatGPT, e 2025, com a diferença de que uma parte estava em profissões mais expostas à IA, como serviços de informação e financeiros, e outra parte não. O levantamento concluiu que, após o surgimento da IA, os trabalhadores mais expostos começaram a perder mais empregos que os demais.
A renda desses trabalhadores mais expostos também foi quase 7% menor. Isso acontece, segundo o levantamento, porque a IA é excelente em executar as chamadas tarefas de entrada, como funções administrativas, de apoio e de serviços básicos, que costumam ser o primeiro passo na carreira de um recém-formado.
"Os empregos de entrada no mercado de trabalho, que a IA consegue fazer melhor e [de modo] mais barato, são os mais substituíveis", afirma Duque.
O trabalho aponta para um impacto muito pequeno da exposição à IA sobre a empregabilidade das demais faixas etárias. "O trabalhador mais velho, em geral, tem como função tomar decisões, não fazer os trabalhos mais básicos e burocráticos. E tomar decisões não é algo que se vê, ainda, na IA", diz o pesquisador.
Sobre a queda da renda, a avaliação de Duque é que a tecnologia está reduzindo o valor das tarefas mais padronizadas, ou seja, exatamente aquelas que são a porta de entrada para muitas carreiras administrativas.
O pesquisador afirma que os números devem ser vistos com cautela, já que a janela de dados disponíveis ainda é curta e os dados sobre as profissões mais expostas à IA são preliminares. "Mas sem dúvida é um pouco assustador já ver um impacto tão forte da IA sobre a empregabilidade", afirma o pesquisador. "Com o tempo, todos os tipos de trabalho, alguns mais do que outros, serão afetados."
O estudo de Duque aprofunda um levantamento feito pelos pesquisadores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Janaína Feijó e Paulo Peruchetti, do FGV Ibre, que, com base em uma metodologia da OIT (Organização Internacional do Trabalho), concluiu que quase 30 milhões de trabalhadores no Brasil estavam em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre do ano passado. Isso é equivalente a 29,6% da população ocupada.
Desse total, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição, em especial os mais jovens, mais escolarizados, na região Sudeste e trabalhando no setor de serviços, com destaque para informação e comunicação e serviços financeiros.
O economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence, diz que a inteligência artificial está automatizando "rotinas mais repetitivas" e exercidas em "posições iniciais" no mercado de trabalho.
"Não é algo exclusivo do Brasil. Já vinha sendo observado principalmente no mercado de trabalho americano."
Pesquisa feita pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mostra que trabalhadores em início de carreira (entre 22 e 25 anos) em ocupações altamente expostas à IA, como desenvolvedores de software e representantes de atendimento ao cliente, sofreram declínios substanciais no emprego.
A ocupação de jovens desenvolvedores de software, por exemplo, caiu quase 20% do final de 2022 até setembro de 2025. O levantamento mostra que, enquanto o emprego total na economia continuou a crescer de forma robusta, o crescimento para trabalhadores jovens estagnou desde o final de 2022.
Imaizumi é autor de um estudo que, em maio de 2025, estimou o número de profissionais brasileiros expostos à IA sob diferentes níveis.
Ao atualizar os dados para uma média do ano passado, ele calcula que 30,5% da população ocupada com trabalho no país possa ser afetada de alguma forma pela inteligência artificial e que uma parcela de 5,3% esteja sujeita a uma exposição maior, com alto risco de ter todas as suas tarefas automatizadas.
Nesse grupo mais ameaçado, há grande presença de vagas no setor público, que contam com proteção maior do que na iniciativa privada, pondera Imaizumi.
"Enxergo hoje um potencial muito grande de eficiência para o setor público. Como essas posições geralmente são mais protegidas, com pessoas concursadas, a gente pode ver uma migração de tarefas."
Para Duque, é difícil saber quais serão as consequências do impacto negativo da IA sobre o trabalho do grupo.
"Se os jovens já começam no mercado de trabalho com maiores dificuldades, isso tem consequências imprevisíveis", diz. "Eles já chegam com salários baixos e acumulam menos experiência do que no passado. Quando substituírem a antiga geração, muito provavelmente terão produtividade menor e menos poupança."

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O sapiens é delirante e a modernidade é seu surto - Luiz Felipe Pondé

O sapiens é delirante e a modernidade é seu surto - Luiz Felipe Pondé | Inovação Educacional | Scoop.it
A adesão a ideologias deveria já ter sido elencada como uma forma de psicopatologia, causando perda cognitiva, humor histérico, inibição afetiva, incontinência verbal, redução da capacidade semântica, bipolaridade maníaco-depressiva. Um exemplo claro dessa psicopatologia social é a obsessão com a palavra "fascista" em certos meios, assim como na pandemia existia a obsessão com a defesa da cloroquina como medicamento que salvaria o mundo.

Hoje em dia, para muitos, existem galinhas fascistas, elevadores fascistas, sistemas solares fascistas. Na outra margem do rio dos idiotas, existem galinhas esquerdistas, elevadores esquerdistas, sistemas solares esquerdistas. Minha birra pessoal com essa gente infantil é que perdemos muito do nosso tempo com eles.


Ilustração de Ricardo Cammarota para coluna de Luiz Felipe Pondé de 20 de abril de 2026 - Ricardo Cammarota/Folhapress
De forma mais sistêmica, penso, na base, o equívoco é maior do que parece. Trata-se de um erro filosófico que, como todo processo cultural, tem uma contrapartida nas palavras, textos, gestos, ideias que, com o passar do tempo e a circulação das pessoas, se transformam numa visão de mundo. Este processo se assemelha ao mecanismo epidemiológico de contágio por contato, via o ar que se respira.

Este equívoco específico gira ao redor da invenção da ideia de autonomia. Aliás, um livro que narra este processo de forma magnífica é "A Invenção da Autonomia", de J.B. Schneewind. Falar da história da filosofia moral moderna é falar de Immanuel Kant, sendo o filósofo o seu grande clímax.

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Homo sapiens 'treinou' capacidades de colonizador


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A ideia é que a autonomia moral humana é uma invenção, fruto de um longo processo europeu de pensamento e debate acerca da concepção de ser humano. Essa história atravessa gigantes da filosofia e teologia desde o século 16 até o século 18. De Maquiavel, Montaigne, Lutero, Calvino, Grotius, Hobbes, Locke, Rousseau, entre tantos outros, até chegar a Kant no final do século 18.

Erguendo-se contra a ideia de "miséria do pecado", a herança maldita agostiniana, este processo busca superar o marasmo da repetição infinita do mal em nós, para seguir em direção à possibilidade de um aperfeiçoamento da natureza humana via o uso da razão, sem vê-la como um pássaro de asa quebrada, como era vista ao longo da Idade Média.

Enfim, a coruja, ave da filosofia, parceira da deusa romana da sabedoria, Minerva, poderia voar livre, mesmo que só ao entardecer, como diria Friedrich Hegel já no século 19. Kant afirmará que somos capazes de introjetar a lei moral racional e agir a partir da condição de "maioridade". Só devo fazer o que todos podem fazer —imperativo categórico— e, portanto, realizar a razão prática.

A autonomia será, justamente, a superação do trauma de uma crença num livre arbítrio danificado pelo pecado original, em favor da crença numa livre escolha do bem moral, que, por ser um bem moral racional, só pode ser, portanto, de vocação universal.

Trocando em miúdos, somos seres individuais autônomos por sermos racionais, e não movidos por paixões, superstições, fé religiosa cega ou instintos.

Este é o indivíduo liberal da economia, crente num homem que faz escolhas racionais em favor da otimização do bem-estar. Liberalismo e utilitarismo de mãos dadas. A utopia socialista crê que só após a superação do capitalismo esse sujeito racional autônomo, de fato, nasceria.

Agora, venha cá. Voltemos ao que falávamos no início desta coluna. Dá para sustentar que empiricamente, ou seja, olhando o mundo à nossa volta, exista esse sujeito autônomo? Não que em alguns momentos, alguns de nós, não consigamos ser racionais em certa medida. Mas é difícil não suspeitar de que esse sujeito racional autônomo seja uma "bela" invenção "colonial" europeia, que nunca existiu, universalmente, nem na própria Europa.

Nelson Rodrigues, me parece, desvendou o mistério da racionalidade quando a comparou a uma ascese dolorosa como a santidade, cujo processo pode mesmo aniquilar o asceta, o devoto.

Esse sujeito autônomo pode parecer que existe quando escolhe um desodorante em detrimento de outro. Mas, na política, por exemplo, crer num sujeito que vota racionalmente e de forma autônoma é a mesma coisa que crer que a Terra é plana.

Adesão a ideologias é a prova da irracionalidade humana. Todo aderente a ideologia é um infantilizado. Crer que numa empresa a hierarquia escolha uns em detrimento de outros de modo racional, fazendo uso de uma racionalidade meritocrática, é a mesma coisa que crer em lobisomens.

O Homo sapiens é, afinal, uma espécie psicótica estruturalmente, delirante —e a modernidade é o pior dos seus surtos.
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April 19, 4:22 PM
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Nova plataforma da USP sistematiza avaliação de disciplinas na graduação

Nova plataforma da USP sistematiza avaliação de disciplinas na graduação | Inovação Educacional | Scoop.it

O modelo inclui duas ferramentas, que serão alimentadas pelos alunos e pelos professores ao final de cada ciclo letivo. Os formulários incluem perguntas fechadas e espaços abertos sobre aspectos como organização da disciplina, carga de trabalho, adequação ao currículo e possíveis sobreposições de conteúdo. As respostas são consolidadas em relatórios e gráficos, disponibilizados às coordenações de curso e às comissões de graduação, permitindo uma leitura mais sistemática do funcionamento das disciplinas.
“É importante enfatizar que estamos falando de avaliação de disciplinas, e não de docentes. Houve um cuidado muito grande com o desenho da ferramenta e para que as perguntas realmente levem os participantes a olhar para a disciplina e para a sua contribuição no projeto pedagógico do curso, e não personalizar a avaliação”, afirma o pró-reitor de Graduação, Marcos Garcia Neira.
A aplicação ocorre sempre após o encerramento das turmas, quando as notas já foram lançadas, o que busca garantir maior isenção nas respostas. Ao acessar o ambiente acadêmico do Sistema Júpiter, os estudantes são convidados a fazer suas avaliações. 

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April 19, 4:12 PM
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AI fears may drive more young adults to grad school, reports show

AI fears may drive more young adults to grad school, reports show | Inovação Educacional | Scoop.it
Typically, enrollment in graduate school increases during recessions as workers seek to advance or to move to another industry with better career prospects or pay.
Today, more people in a survey said they plan to go back to school within a year, even though the economy is doing well.
Experts say young adults are exploring this option largely because they are worried about their job prospects despite the economy.
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April 19, 9:04 AM
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Jogo brasileiro quebra preconceitos contra IA nos games 

Jogo brasileiro quebra preconceitos contra IA nos games  | Inovação Educacional | Scoop.it
O uso da IA (inteligência artificial) generativa nos games é tema recorrente de debate, tanto entre desenvolvedores quanto jogadores. Em meio a essa acalorada discussão, o estúdio brasileiro Arvore se propôs a testar a inovação e vem conseguindo quebrar preconceitos sobre o papel que essa tecnologia pode exercer no futuro do entretenimento digital.

No jogo de realidade virtual "Fabula Rasa", o jogador assume o papel de um prisioneiro em uma cidade de fantasia medieval prestes a ser executado. Seu objetivo é, usando apenas as palavras, salvar-se da prisão. Para isso, será preciso conquistar a simpatia do povo da cidade e, por fim, convencer o próprio rei a poupar sua vida.
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April 19, 8:57 AM
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Idosos: número cresce 59% no Brasil desde 2012, diz IBGE

Idosos: número cresce 59% no Brasil desde 2012, diz IBGE | Inovação Educacional | Scoop.it

A população de 60 anos ou mais no Brasil teve alta de 58,7% em um intervalo de 13 anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O contingente de idosos saiu de 22,2 milhões em 2012 para 35,2 milhões em 2025.
O crescimento do grupo foi de 13 milhões no período. É mais do que a população inteira da cidade de São Paulo (11,9 milhões).
As informações integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e mostram mais um exemplo do processo de envelhecimento dos brasileiros, já identificado em diferentes levantamentos do IBGE.
O instituto destacou nesta sexta que a população com menos de 30 anos no país teve queda de 10,4% no intervalo de 2012 a 2025. O contingente recuou de 98,2 milhões para 88 milhões.
Em termos absolutos, a redução foi de 10,2 milhões de pessoas nessa faixa etária. É mais do que a população inteira de 21 das 27 unidades da Federação.
Com a baixa, o grupo de menos de 30 anos passou a representar 41,4% da população em 2025. A proporção era de 49,9% em 2012.
No sentido contrário, os idosos subiram a 16,6% do total de habitantes. O patamar era de 11,3% em 2012.
O país tem assistido a uma elevação na expectativa de vida, o que ajuda a entender o avanço dos mais velhos. Ao mesmo tempo, os mais jovens perdem espaço com a redução da fecundidade.
O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE, avalia que o Brasil ainda não chegou ao fim do chamado bônus demográfico, mas, segundo ele, essa janela de oportunidades está se fechando.
Bônus demográfico é uma expressão usada por especialistas para descrever períodos de alta proporção de pessoas em idade economicamente ativa frente a grupos etários teoricamente dependentes.
Em outras palavras, o fenômeno se caracteriza por uma elevada participação de adultos na população, ante crianças e idosos, como indica análise do IBGE publicada em 2015.
Em tese, a proporção maior de pessoas em idade ativa favoreceria o desenvolvimento econômico.
Segundo Marcio Minamiguchi, gerente de estudos e análises da dinâmica demográfica do IBGE, não há uma definição única para estabelecer se o país já chegou ou quando poderá chegar ao fim do bônus. Isso, diz, depende dos critérios considerados em cada análise.
"A ideia de fim do bônus depende muito da forma como o marcador para fim do bônus é definido. Não existe uma única definição e também não existe uma definição específica do IBGE."
As estimativas da Pnad divulgadas nesta sexta apontam que os habitantes de 15 a 59 anos chegaram a 135,9 milhões no país em 2025, o equivalente a 64% do total. O número absoluto subiu apenas 0,1% ante 2024 (135,8 milhões).
Já os grupos de 0 a 14 anos e de idosos de 60 anos ou mais somaram 76,7 milhões em 2025, correspondendo a 36% da população. O número absoluto cresceu 0,9% ante 2024 (76,1 milhões).

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April 19, 8:51 AM
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Consumo de livros cresce no Brasil e alcança mais 3 milhões de novos compradores em 2025 

Consumo de livros cresce no Brasil e alcança mais 3 milhões de novos compradores em 2025  | Inovação Educacional | Scoop.it
O consumo de livros avançou no Brasil em 2025. De acordo com a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, 18% da população com 18 anos ou mais adquiriu ao menos um livro nos últimos 12 meses, um crescimento de 2 pontos percentuais em relação a 2024, o que representa cerca de 3 milhões de novos consumidores no período. O estudo é uma iniciativa da Câmara Brasileira do Livro, com realização da Nielsen BookData.

“O crescimento de 3 milhões de novos consumidores em um único ano mostra que o livro mantém sua relevância e que há espaço consistente para a expansão do mercado editorial brasileiro”, afirma Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro. “Esse avanço é resultado de um ecossistema que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura.”

Entre os destaques do estudo está o protagonismo das mulheres pretas e pardas, que representam 30% do total de consumidores de livros e metade das mulheres que compram livros. As mulheres pretas e pardas da classe C formam atualmente o maior grupo consumidor do país. Considerando o recorte racial mais amplo, pessoas pretas e pardas, somadas, representam 49% dos consumidores de livros. “Por um lado, os resultados demográficos rompem alguns paradigmas e permitem que o setor desenvolva ações mais assertivas, direcionadas a quem de fato consome. Por outro, esses mesmos dados impõem dois desafios importantes: compreender por que o público masculino apresenta baixo nível de consumo e identificar caminhos para engajá‑lo e ampliar sua participação.” afirma Mariana Bueno, coordenadora de pesquisas econômicas e setoriais da Nielsen BookData.

A pesquisa também aponta que o maior crescimento ocorreu entre os jovens. As faixas de 18 a 34 anos avançaram, juntas, 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Para Sevani Matos, as comunidades virtuais têm papel central nesse movimento. “As redes sociais se tornaram uma porta de entrada importante para novos leitores. Criadores de conteúdo, recomendações online e comunidades virtuais têm ampliado o alcance da literatura, especialmente entre os mais jovens”. De acordo com Mariana Bueno, "Os livros de colorir são, sem dúvida, um fator relevante para esse crescimento. Mas os dados do varejo indicam que os títulos de ficção, especialmente os Young Adult, tiveram papel decisivo nessa alta. São obras voltadas a um público mais jovem e conectado, o que dialoga diretamente com os resultados observados na pesquisa Panorama”.

O estudo mostra também que 56% dos consumidores de livros costumam fazer compras em geral por meio das redes sociais. As mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% das consumidoras e 26% do total de consumidores de livros que compram por essas plataformas. Além disso, 70% dos consumidores de livros afirmam gostar de acompanhar lançamentos, principalmente por meio de sites de compras (34%), indicação de pessoas próximas (30%), livrarias (24%), e criadores de conteúdo (22%).

Outro dado relevante é o desempenho dos livros de colorir. Em 2025, 7,1% da população adulta, cerca de 11 milhões de pessoas, comprou ao menos um exemplar, o equivalente a 40% dos consumidores de livros, consolidando o segmento como um dos fenômenos recentes do mercado.

A livraria mantém papel estratégico na experiência de compra. Para 53% dos consumidores, é um espaço para relaxar e explorar sem pressa, enquanto 46% a associam à conexão com cultura e conhecimento. Na última compra de livro impresso, 53% adquiriram online e 47% presencialmente, evidenciando um mercado cada vez mais multicanal. “O livro não é apenas um produto, mas uma experiência cultural. Fortalecer livrarias, bibliotecas e políticas de acesso é fundamental para sustentar esse crescimento”, conclui a presidente da CBL.

Confira aqui a pesquisa completa.

Metodologia

Este estudo analisou o comportamento de compra de livros no Brasil através de uma metodologia rigorosa, envolvendo 16 mil entrevistas com pessoas maiores de 18 anos, cobrindo todas as regiões (Sudeste, Sul, Norte, Nordeste, Centro-Oeste) e estratos socioeconômicos (A, B, C, DE). O estudo, realizado entre 13 e 19 de outubro de 2025, incluiu tanto compradores quanto não compradores de livros, garantindo uma ampla representatividade com uma margem de erro de apenas 0,8% e um nível de confiança de 95%.
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April 19, 8:48 AM
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Autores reinventam livros de negócios com IA

Autores reinventam livros de negócios com IA | Inovação Educacional | Scoop.it

Quando o autor de best-sellers de negócios e especialista em marketing Seth Godin começou a trabalhar em seu livro mais recente, "The Knot", ele buscou novas formas de engajar seus potenciais leitores.
Ele clonou sua voz usando IA (inteligência artificial), gravou seu trabalho em andamento, vendeu o audiolivro provisório para cerca de 500 pessoas, convidou-as a fazer perguntas sobre o rascunho e usou o feedback delas para aprimorar a versão seguinte.
Outros formatos de "The Knot" —que trata de como identificar e resolver problemas— incluem um curso online, já disponível, embora o livro só seja lançado oficialmente no fim deste ano.
Godin se compara a um comediante de stand-up, testando e refinando seu material enquanto trabalha. "Em muitos dos projetos que fiz recentemente, coloco o trabalho lá e depois observo o que [os leitores] fazem. Não pergunto o que acham do livro, observo o que fazem com ele", diz.
A abordagem de Godin é apenas um exemplo das formas como autores —especialmente os de livros de negócios— experimentam formatos. O gênero está rompendo capas duras, abraçando novas tecnologias, plataformas e modelos de comercialização para comunicar as ideias dos autores.
Entrevistado após vencer o Prêmio de Livro de Negócios do Ano do Financial Times do ano passado com "The Thinking Machine", uma investigação aprofundada sobre a fabricante de chips de IA Nvidia, Stephen Witt especulou que, no futuro, seu livro poderia "responder ao leitor... e então, em tempo real, usando IA, gerar um texto único e personalizado que fale diretamente às suas preocupações".
Diante do ceticismo das editoras e das limitações da IA, Witt agora diz que vê o "livro adaptável" como um "projeto tecnológico de longo prazo".
Que os livros de negócios estejam na vanguarda de repensar a forma não é surpresa. Para muitos autores de negócios, particularmente coaches, consultores, líderes corporativos, empreendedores e acadêmicos, o livro em si sempre foi apenas uma das formas de catalisar discussões, disseminar ideias ou estabelecer um legado.
O livro de Andrew Grill, "Digitally Curious", lançado em 2024, é um guia para navegar a IA. Produzido e refinado com a ajuda de modelos de linguagem de grande escala, também oferecia aos leitores um chatbot de IA personalizado do ChatGPT —o CuriousGPT— que podiam consultar com perguntas sobre temas da obra. Autores de negócios "naturalmente querem ver a indústria ser um pouco disruptada", diz Grill. Ele acredita que seu próximo livro poderia ter uma versão em áudio no estilo "escolha sua própria aventura", guiando os ouvintes para a parte da obra que mais lhes interessa.
Uma exploradora de novas formas de trabalhar com autores é Madeline McIntosh, ex-CEO da Penguin Random House nos EUA, que cofundou a Authors Equity, editora de "The Knot", de Godin. "Autores de livros de negócios tendem a pensar no livro como algo que vai além dos limites desse pequeno pacote retangular", diz ela. "Agora eles pensam em um conjunto de ideias que estão empacotando: às vezes é um livro, uma palestra, um podcast."
O ritmo da experimentação está acelerando. Rimjhim Dey, cuja agência de marketing Dey Ideas + Influence atende diversos pensadores de negócios, diz ter visto "todo o ecossistema mudar em relação a como você transmite suas mensagens". Ela destaca que quando Sheryl Sandberg, então diretora de operações do Facebook, escreveu "Lean In" em 2013, criou uma comunidade de mulheres para discutir os obstáculos que enfrentavam no trabalho. "O livro era um instrumento para criar essas comunidades. Isso não é mais o caso. Você pode construir comunidades de outras formas", afirma.
A IA generativa é a mais potente e, para editoras e autores, a mais divisiva das ferramentas tecnológicas agora capazes de disseminar ideias de negócios. A desconfiança em relação à tecnologia é profunda, principalmente devido à disputa com muitos desenvolvedores de modelos de linguagem de grande escala, que a indústria acusa de terem construído seus bots com material de livros protegidos por direitos autorais.
Mesmo assim, na Feira do Livro de Londres do mês passado, editoras tradicionais estavam lado a lado com uma variedade de empreendimentos editoriais impulsionados por IA, incluindo a ElevenLabs, empresa de áudio com IA que gerou uma versão sintética da voz de Godin, e a Write Business Results, que promovia um "companheiro" de IA que ajuda autores a planejar e redigir livros de negócios. A fundadora desta última, Georgia Kirke, que ajudou Grill a levar seu livro às prateleiras, diz que o livro de negócios é frequentemente apenas uma via para autores promoverem "reconhecimento de marca e aumentarem a receita".
As editoras já estão usando IA para melhorar a eficiência, acelerar a produção e até fazer brainstorming de ideias para títulos e capas. Kirke também está testando produtos para ajudar editoras a avaliar o potencial de manuscritos, aos quais podem então aplicar habilidades humanas de edição.
Mas, questionado em um painel da feira do livro sobre como a tecnologia poderia mudar a forma do livro em si, o editor independente Keith Riegert, do The Stable Book Group, discordou. Ele está vendo "um grande ressurgimento de pessoas querendo se afastar das telas. Então não acho que haverá muita mudança no que é um livro... Vimos repetidas vezes inovações estranhas em livros fracassarem".
Essas incluíram, nos anos 90, CD-ROMs, discos compactos somente leitura carregados com informações adicionais que às vezes as editoras incluíam com livros de referência, e mais recentemente, e-books "aprimorados" com elementos interativos.
Uma razão pela qual esses não pegaram é que os recursos interativos eram inicialmente desajeitados e interrompiam o fluxo de leitura. Mas as editoras há anos mexem na forma do livro de negócios, salpicando potenciais best-sellers com módulos, marcadores, painéis destacados e outros recursos para ajudar leitores ocupados a absorver rapidamente as ideias de seus autores.
Mesmo os inovadores, porém, acham que há riscos em desconstruir o livro completamente. "O texto impresso é a fonte da verdade e a versão que eu daria a você seria uma derivação disso ou talvez uma versão resumida", sugere Grill. Ele reconhece que teria que colocar salvaguardas para evitar que uma versão de IA saísse do controle, por exemplo, extrapolando suas ideias de formas indesejadas ou até ofensivas.
Talia Krohn, ex-vice-presidente e diretora editorial da editora Little, Brown Spark, se preocupa mais com algoritmos de IA drenando o elemento humano dos livros de negócios. Títulos de negócios há anos coexistem com serviços que oferecem versões resumidas, além de cursos online e podcasts. Mas, para Krohn, "as pessoas querem ouvir o que a pessoa específica está dizendo". "Elas não querem apenas conselhos algorítmicos. Mais do que nunca, a personalidade por trás do conselho importa e a IA nunca pode ser uma personalidade confiável que os leitores querem ouvir."
Uma afirmação comum é que a indústria é avessa a correr riscos. Mas McIntosh destaca que as editoras inovaram com CD-ROMs e e-books aprimorados, e, embora "sejam pintadas como dinossauros, não são: são pragmáticas [perguntando] 'quanto isso vai custar para fazer e quanto vamos ganhar?'"
Além disso, acrescenta Dey, em um mercado onde todos podem publicar suas ideias em algum lugar, os editores oferecem um valioso controle de qualidade. Processos editoriais arraigados são um obstáculo mais provável à mudança, segundo Krohn.
Dito isso, é improvável que o livro de negócios fique parado. O livro é "principalmente uma desculpa para ter uma discussão; não é o melhor recipiente para a informação", diz Godin. "Está mudando muito mais do que meus colegas querem admitir. Estou dançando com isso, achando emocionante. Não estou tentando defender o que veio antes... Estou tentando descobrir o que vem a seguir."

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April 19, 8:36 AM
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Belas Artes: CEO critica expansão sem qualidade

Belas Artes: CEO critica expansão sem qualidade | Inovação Educacional | Scoop.it
Patrícia Cardim é a quarta geração de sua família à frente do Centro Universitário Belas Artes, instituição que completa 101 anos em 2026. Para ela, o que faz a gestão familiar funcionar é a "governança raiz", a qual a CEO da faculdade descreve como a passagem da cultura do local no dia a dia do local.

"A família está aqui quase como um goleiro da cultura, para que o DNA não se perca", afirma Cardim. "Há um entendimento compartilhado que de qualquer pessoa está aqui de passagem. A Belas Artes está apenas nos seus primeiros 100 anos".

Para a diretora-executiva, o aumento de oferta do ensino superior no Brasil aconteceu em detrimento da qualidade dos currículos. A perda da tradição, na opinião dela, foi um prejuízo para o mercado. "A Belas Artes mostra que dá ter uma excelência assegurada pela paixão da família e rigor no EBTIDA", declara, ponderando que a maior parte da concorrência não seguiu o mesmo caminho.


Patrícia Cardim, CEO do Centro Universitário Belas Artes - Divulgação Belas Artes
"Não vendemos nossa tese de excelência como commodity. Houve expansão, mas sem qualidade. Essa é a grande dor do ensino superior brasileiro hoje", declara, defendendo que a ausência de educadores à frente da gestão dos maiores grupos do setor é um problema.

A universidade oferece uma gama de cursos na modalidade EAD (Ensino a Distância), que sofreu alterações do MEC (Ministério da Educação) no ano passado. A herdeira defende a regulamentação do Executivo como uma forma de garantir a qualidade dos cursos do tipo, mas acredita que as mudanças também podem restringir o alcance da educação em algumas regiões.

"O nosso produto digital custa o equivalente ao presencial de outras faculdades", analisa.

Hoje, o centro universitário conta com 620 colaboradores e o ticket médio mensal dos cursos oferecidos é de R$ 3.800.

Como se define a governança entre a família e a gestão profissional?

Tenho 43 anos e trabalho aqui desde os 15. Meu pai entrou na instituição com 13. Eu chamo o que foi feito de "governança raiz", diferente daquela governança estruturada que se vê hoje nas empresas familiares, com método e seleção do melhor profissional no mercado. Foi algo muito orgânico: uma passagem de cultura no dia a dia da instituição. Fui exposta a todos os departamentos, essa convivência, o contato diário com o ambiente acadêmico.

Há um entendimento compartilhado: qualquer pessoa que passe aqui está de passagem. A Belas Artes está apenas nos seus primeiros 100 anos. Estamos aqui para proteger a missão desenhada pelo fundador.

O cenário da educação privada no Brasil mudou em relação ao que já foi presenciado pela Belas Artes. Hoje, há empresas com capital aberto na bolsa, uma variedade de cursos e grande escala. Como vocês competem nesse ambiente?

A transição do mercado de educação superior —que estava praticamente todo nas mãos de famílias educadoras e passou a se concentrar nesses grandes grupos de capital aberto— gerou uma mudança brusca na qualidade do ensino no Brasil. Houve expansão, mas sem qualidade. Essa é a grande dor do ensino superior brasileiro hoje.

A Belas Artes se manteve firme como empresa familiar, prezando pela tese de excelência. Temos um EBITDA parametrizado com o dos grandes grupos de capital aberto, mas sem perder a qualidade. O que aconteceu no Brasil é uma tristeza.

Minha principal crítica a essas companhias é a ausência de educadores à frente da gestão. A Belas Artes é bem profissionalizada e conta com bons gestores vindos desse mercado, mas se não houver a proteção da responsabilidade de saber que o que produzimos precisa extrapolar os muros da instituição, a educação se perde.

O mercado de ensino superior brasileiro, no geral, tem competido por mensalidades cada vez mais baixas. A Belas Artes está fora desse ciclo, caminhando em direção contrária. O mercado presencial enxuga 9% ao ano; a faculdade cresce 15% ao ano nesse mesmo segmento.


A Belas Artes começou na pandemia a oferecer cursos EAD, modalidade que tem sofrido pressão regulatória. Como lidam com as mudanças e com a possibilidade de outras alterações no regime?

Tivemos um curso afetado, a Pedagogia, que era 100% online e precisou incorporar encontros presenciais. Dentro da Belas Artes, não sofremos: adaptamos o curso. Em termos de Brasil, há casos como o da Univesp, nossa universidade estadual digital, que atende professores do curso de Pedagogia em regiões ribeirinhas da Amazônia.

Impede-se que muita gente, naquele Brasil distante, faça um curso de Pedagogia de qualidade. Entendo a medida, porque ela não foi feita para universidades como a nossa —foi feita para conter aquela grande massa de ensino superior sem qualidade. O que se vendia era, às vezes, um PowerPoint. Quanto mais o MEC caminha no sentido de conter a ampliação sem qualidade, mas com foco em qualidade, melhor para nós.

Ainda há quem não enxergue os cursos de artes como uma carreira empregável. Como a universidade sustenta um portfólio centrado nas artes diante dessa mentalidade?

Já foi mais difícil explicar para famílias e alunos que esses cursos têm como objetivo formar profissionais para a economia criativa. Nunca quisemos formar alguém apenas pelo hobby. O objetivo da graduação e do bacharelado é formar profissionais para o mercado de economia criativa. E eles estão trabalhando.

No curso de Artes Visuais, que existe há 101 anos e é o maior do Brasil, formamos 30% de artistas, mas os outros 70% vão para o mercado da arte: tornam-se galeristas, trabalham em instituições culturais públicas ou privadas. É um mercado que contrata muito. É o maior curso do Brasil em tamanho e também com maior mensalidade, um paradoxo que mostra que essa não é uma área que será massificada, mas especializada. O que nos falta no Brasil, ao contrário de outros países, é um Ministério da Economia Criativa que nos direcione com dados.


Como a Belas Artes tem trabalhado a inteligência artificial, que está em rota de colisão com uma parte da classe artística, academicamente e como empresa?

Não há uma postura de confronto na Belas Artes. O que observamos é que, com o uso irrestrito de IAs em sala de aula, você permanece tendo alunos excelentes, alunos medianos e alunos abaixo do esperado, aquele percentual clássico, com ou sem a tecnologia. A IA não resolveu isso.

Como vocês enxergam o movimento da IA sobre a produção artística —como representantes da classe artística e como centro de economia criativa? Pode ser uma canibalização ou um motor de criatividade?

Vivemos esse paradoxo dentro das artes. Ainda ensinamos — e sempre vamos ensinar — o aluno a pintar com óleo, aquele hiperrealismo que demanda três meses de trabalho para uma obra. Ensinamos escultura, pintura, todas as artes clássicas, com muita manualidade, daquelas que exigem horas de cadeira para serem dominadas. Somos firmes nisso. Mas o artista que não dominar as IAs da sua área terá dificuldades no mercado. Diria que esse paradoxo é, na verdade, o melhor dos mundos para o artista desta nova fronteira: dominar a manualidade e dominar a IA, integrando as duas de uma forma que ainda estamos começando a ver. Essa é a nova fronteira da arte.

RAIO-X
Patrícia Cardim, 43

1982, São Paulo. É formada em Design de Moda no Centro Universitário Belas Artes, o qual comanda desde os 26 anos. Ela representa a quarta geração da família Cardim à frente do instituto educacional. Se dedicou ao desenvolvimento de estratégias de gestão para o ensino superior. Atua também em áreas como design, mídia e arte.
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April 19, 8:23 AM
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O que a tristeza de adolescentes tem a ver com aceleração e tecnologias?

O que a tristeza de adolescentes tem a ver com aceleração e tecnologias? | Inovação Educacional | Scoop.it

Duas pesquisas importantes trataram recentemente da relação entre tecnologias digitais, plataformas, redes sociais e a tristeza de crianças, adolescentes e jovens. Esses levantamentos são importantes porque eles lançam luz sobre uma realidade que é perceptível.
Reportagem do VivaBem mostra que o World Happiness Report 2026 analisou adolescentes de 47 países — incluindo o Brasil — para entender a relação entre redes sociais e bem-estar.
É evidente que podemos discutir as noções de felicidade e bem-estar e a captura dessas ideias pelas próprias plataformas para vender soluções fáceis e receitas milagrosas de alegria por aí. E até para afirmar que precisamos estar contentes o tempo todo. A tristeza faz parte da experiência humana. Mas o que está em jogo aqui é a tristeza como epidemia, que prepondera e traz riscos à saúde mental desde muito cedo. Por isso, é importante ponderar e olhar esses dados de forma situada em cada contexto, para lidar com questões que se apresentam diante de nós. E esse olhar precisa ser cuidadoso e não apressado, para contemplar a complexidade e as especificidades de cada contexto, para não corrermos o risco de, apressadamente, tentar resolver a questão e ficarmos reféns dessas saídas fáceis.
O diagnóstico é crítico: acessar as redes por cinco horas ou mais por dia dobra o risco de depressão. E o efeito é cumulativo: cada hora a mais de uso aumenta esse risco em 13%. Entre meninas latino-americanas, quem não usa redes sociais tem 65% mais chance de relatar alta satisfação com a vida.
Os números indicam que o problema é mais intenso na América Latina, onde 12,1% dos adolescentes passam sete horas ou mais por dia nas redes sociais. Na Europa Ocidental, essa proporção é de 4,9%.
Em geral, os índices do World Happiness Report 2026 dialogam com aqueles encontrados pela PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) 2024, do IBGE. O estudo mostra um cenário alarmante de saúde mental entre adolescentes de 13 a 17 anos no Brasil. Cerca de três em cada dez jovens relatam tristeza frequente, com meninas sendo mais afetadas: 41% relatam tristeza e 25% sentem que a vida "não vale a pena".
O levantamento revela que mais que o dobro de meninas se sentiram mais tristes, irritadas, nervosas ou mal-humoradas do que os meninos; uma em cada quatro meninas adolescentes considera que a "vida não vale a pena ser vivida", mais que o dobro dos meninos (12%); 43,4% das meninas e 20,5% dos meninos sentiram vontade de se "machucar de propósito" nos 12 meses anteriores à pesquisa; mais de 40% dos adolescentes de 13 a 17 anos afirmam que não estão satisfeitos com a própria imagem corporal, e o percentual de satisfação com a própria imagem cai desde 2015, quando o índice era de 70,2%.
No livro "A Geração Ansiosa", o psicólogo social Jonathan Haidt afirma que a crise de saúde mental entre crianças e adolescentes está diretamente relacionada à forma como a infância foi "reconfigurada" pelas tecnologias. Ele trata da lógica digital "encarnada" especialmente em smartphones e redes sociais. Para o autor, a combinação entre hiperconectividade precoce e redução do tempo de vida offline está produzindo uma geração mais ansiosa, deprimida e fragilizada socialmente.
Haidt alerta para quatro danos principais: privação social, privação de sono, atenção fragmentada e vício. Ele aponta que as meninas estão mais expostas a esses e outros males, especialmente por conta da lógica de comparação em que operam algumas redes como o Instagram, sobretudo no que diz respeito a questões estéticas de beleza.
É evidente que as tecnologias não são as únicas responsáveis por esses danos. No entanto, é também evidente a relação indelével desses números com o fato de que essas crianças e adolescentes são filhos e filhas de adultos absolutamente capturados pelas dinâmicas da vida acelerada, da sociedade do cansaço, do mundo 24/7, da cultura da velocidade, do consumo e da produtividade tóxica.
Em seu livro, Haidt sugere adiar o acesso a smartphones e redes sociais, adotar escolas sem celular, mais tempo de brincadeira livre e ação coletiva de pais (para evitar pressão social).
São caminhos possíveis de trilhar quando as escolhas estão ao alcance. Mas também precisamos pensar, como tenho insistido aqui, que essas escolhas não estão à mão de todas as pessoas cuidadoras. Então, precisamos avançar na proteção de crianças e adolescentes de forma sistêmica, com políticas públicas como o ECA Digital, que ganhará em breve um texto por aqui, pois merece atenção especial.

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April 18, 4:59 PM
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MEC lança programa de grêmios estudantis em Congresso da Ubes

MEC lança programa de grêmios estudantis em Congresso da Ubes | Inovação Educacional | Scoop.it
Iniciativa prevê R$ 45 milhões para fortalecer o protagonismo juvenil e a participação democrática. Lançamento ocorreu nesta quinta (16), com a presença do Ministro Leonardo Barchini, em São Bernardo do Campo (SP)
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April 18, 4:58 PM
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Integration of artificial intelligence competencies into a holistic digital literacy framework for middle school education | Scientific Reports

The rise of artificial intelligence (AI) and its rapidly expanding tools is revolutionizing various sectors, with education standing out as a profoundly affected domain, creating an urgent need to incorporate AI competencies into education. This study proposes an AI-enriched digital Educational Framework (AIEDF) based on a newly developed Holistic Digital Literacy Framework (HDLF), synthesizing competencies from existing frameworks. It investigates the essential AI competencies for preparing young learners, specifically middle-school students, to prosper in an AI-driven world. Middle-school students are targeted due to their developmental readiness for abstract thinking, allowing effective early engagement with foundational AI concepts. Initially, four established digital education frameworks are analyzed and synthesized to create HDLF to be used as the foundation for incorporating AI competencies suitable for the cognitive level of the intended age group. The HDLF contains four core areas (Core Computational Concepts and Skills, Digital Citizenship and Ethical Competence, Impact of Computing on Society, and Digital Competence and Lifelong Learning). A literature review identified AI competencies essential for thriving in the 21st century. Using a systematic integration approach, these competencies were analyzed and mapped to the subtopics of the HDLF. The resulting AIEDF is then aligned with Bloom’s taxonomy, illustrating the progression from fundamental AI understanding (e.g., Machine Learning Basics) to more advanced tasks (e.g., designing simple AI applications). It is designed to support structured AI education, developmentally appropriate, and aligned with international standards, proposing a structured and adaptable foundation that requires empirical validation in future work.
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Today, 7:57 AM
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Criança na rua é sinal de saúde das cidades

Criança na rua é sinal de saúde das cidades | Inovação Educacional | Scoop.it

Quer saber se uma cidade é saudável? Basta olhar para uma única variável: se há crianças andando livremente pelas ruas, sem a supervisão dos pais. Essa variável tem até nome técnico: "mobilidade infantil independente" (em inglês, o acrônimo é CIM).
Um estudo clássico da Fundação Nuffield analisou o tema de forma comparativa em 16 países. O estudo pesquisou 18 mil crianças e seus pais para entender sua mobilidade. Até hoje, é o maior esforço internacional de mapear a questão. Os achados são tristes para o Brasil.
Os países foram divididos em três grupos: topo, intermediário e inferior. No topo, aparece a Finlândia. Lá, aos sete anos a maioria das crianças já anda ou pedala sozinha pelas ruas. Aos dez anos, já pegam transporte público sem supervisão dos pais.
No grupo de alta mobilidade, está o Japão. Lá, 70% das crianças vão à escola a pé. Outro dado que chama a atenção é a liberdade de circulação noturna. As crianças japonesas saem sozinhas também à noite, inclusive no transporte público.
Há até um reality show da Netflix sobre o tema, chamado Crescidinhos. O programa acompanha crianças de 2 a 5 anos fazendo sua primeira andança sem a supervisão de adultos. Em um dos episódios, uma garota de quatro anos pega um ônibus sozinha para visitar a mãe no hospital.
O Brasil aparece no grupo de países com menor mobilidade infantil independente. E vale notar: não é que não haja crianças nas ruas das nossas cidades. Estudos brasileiros mostram que ir à pé para a escola e circular pelas ruas é comum no Brasil. No entanto, essa prática acontece por necessidade, não por escolha.
Quando uma criança finlandesa anda um quilômetro para ir à escola, está exercendo sua liberdade. Já a maioria das crianças brasileiras faz isso por razões inversas: por impossibilidade de escolha. Seja porque não há transporte público disponível, seja porque estar na rua é a única opção.
Para piorar, um estudo feito no Brasil por Cibele Macêdo e colegas com 1.700 crianças de idade média de 11 anos mostrou um dado preocupante. Brincar sozinho nas ruas, nos parques ou em espaços abertos está diretamente relacionado ao bem-estar subjetivo das crianças. Só que há uma ressalva fundamental: quando a mobilidade é sinal de autonomia, o efeito é de fato positivo. Quando é forçada por precariedade (a criança precisa se deslocar sozinha porque não tem outra opção), o efeito no bem-estar subjetivo é negativo. Esse é um achado que não aparece nos estudos europeus.
Diante disso, o que fazer? Os dois maiores inimigos das crianças nas cidades são o trânsito e a segurança pública. É preciso cuidar de ambos. Além disso, a criança autônoma precisa ser vista como um indicador central de qualidade urbana, como foi feito com sucesso na Colômbia.
No Brasil, cidades como Fortaleza, Recife e Rio têm iniciativas como o projeto Caminhos da Escola, que reforça a "andabilidade" no entorno de algumas escolas municipais. O cardápio de medidas eficazes é vasto. Inclui as mais de 60 "play streets" de Londres, que fecham semanalmente algumas ruas para brincadeiras e circulação infantil, a redução da velocidade para 30 km/h em algumas vias, as bibliotecas-parque de Medellín e os superquarteirões de Barcelona. O que não dá é ficar do jeito que está e aceitar que as cidades brasileiras sejam 100% inadequadas para crianças.

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Today, 7:50 AM
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Ferramentas de IA na educação superior devem ser banidas? 

Ferramentas de IA na educação superior devem ser banidas?  | Inovação Educacional | Scoop.it

Em tempos em que o Conselho Nacional de Educação discute regras para o uso da inteligência artificial no ensino superior e diversas instituições europeias debatem e lançam relatórios e recomendações sobre essa temática, a questão tornou-se incontornável. Docentes de algumas das principais universidades portuguesas publicaram um manifesto que dialoga com preocupações também presentes nos países lusófonos.
Em janeiro de 2026, assinaram o manifesto "Por um Ensino Superior Humanizado", no qual defendem a proibição da inteligência artificial generativa (IAG) nos processos de ensino-aprendizagem no ensino superior.
Segundo o documento, os alunos teriam se tornado vítimas do que denominam "dilúvio digital", expostos ao "facilitismo" e à "desonestidade intelectual", formando aquilo que, de modo provocativo, chamam de "cretinos digitais".
Para os professores, surgiria o confronto com "trabalhos artificiais sistematicamente nivelados pela mediania de um chatbot" e a crescente dificuldade de identificar fraudes acadêmicas —o que fragilizaria a avaliação, um dos pilares da vida universitária.
No plano institucional, criticam o que chamam de capitalismo acadêmico hegemônico e a proliferação de regulamentos cuja eficácia consideram limitada.
Esse posicionamento contrasta com o debate desenvolvido no Colóquio "Inteligência Artificial e Tecnologias Emergentes no Ensino Superior", realizado em fevereiro de 2026 pelo Fórum da Gestão do Ensino Superior nos Países e Regiões de Língua Portuguesa (Forges), em parceria com o Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. O encontro reuniu docentes, investigadores e dirigentes universitários de países lusófonos da África, Europa, América e Ásia.
No colóquio, os participantes —dentre eles os autores deste artigo— reconheceram o potencial inovador da IAG, mas também alertaram para riscos concretos: a terceirização da formação intelectual, impactos sobre a integridade científica e a ampliação de práticas negacionistas em um contexto já marcado pela desinformação.
A pergunta que atravessou os debates foi direta: o que deverá fazer a universidade? Fingirá que graduandos, mestrandos e doutorandos não utilizam ferramentas de IAG? Agirá como se essa transformação não estivesse em curso?
Banir essas ferramentas pode gerar uma sensação de controle que dificilmente se sustenta na prática. Pode ser até a forma mais fácil. Mas estudantes continuarão a utilizá-las; professores podem oscilar entre punições seletivas e o simples fechamento de olhos. O risco é empurrar o problema para uma zona de clandestinidade, onde ele se torna ainda mais difícil de acompanhar.
O ponto de partida discutido no colóquio foi outro. A inteligência artificial é uma invenção humana. A questão não é ignorá-la, mas apreender como incorporá-la na melhoria da aprendizagem e no campo da pesquisa científica. Há um desafio geracional e institucional: conhecer a tecnologia, compreender seus limites e utilizá-la com critérios. Não se trata de celebrá-la de forma ingênua, tampouco de bani-la como se fosse possível apagar sua presença.
Além de investir em regulação e integridade científica, as universidades precisam adotar medidas concretas. Algumas instituições já oferecem a seus estudantes, de forma pioneira, plataformas integradas de ferramentas de IAG, garantindo acesso mais equitativo e evitando que apenas quem pode pagar por versões avançadas desses sistemas disponha de recursos tecnológicos que ampliem suas possibilidades de aprendizagem e produção acadêmica. Trata-se de um caminho que vai além da regulação: democratizar o acesso também é enfrentar desigualdades que atravessam o próprio sistema universitário.
O dilema não está entre proibir ou liberar tudo. Está em saber como a universidade quer conviver com uma tecnologia que já atravessa salas de aula, centros de pesquisa e práticas científicas —e que dificilmente desaparecerá por decreto.

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Today, 7:40 AM
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‘Robots don’t bleed’: Ukraine sends machines into the battlefield in place of human soldiers

‘Robots don’t bleed’: Ukraine sends machines into the battlefield in place of human soldiers | Inovação Educacional | Scoop.it

The scene is as old as warfare itself. Two soldiers, hands in the air, surrendering and carefully following the orders barked at them by the other side.
Except in this case, there were no human captors in sight. Instead, the two Russians were submitting to Ukrainian land robots and drones controlled by a pilot from the safety of a position miles away from the front line.

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April 19, 4:18 PM
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Unifesp aprova diretrizes para uso de inteligência artificial generativa na pós-graduação e na pesquisa

Unifesp aprova diretrizes para uso de inteligência artificial generativa na pós-graduação e na pesquisa | Inovação Educacional | Scoop.it

Foi aprovada no Conselho de Pós-Graduação e Pesquisa (CPGPq) da Unifesp a Resolução nº 17/2025, que estabelece as diretrizes para uso de Inteligência Artificial Generativa (IAG) na pesquisa e na pós-graduação da instituição.
O documento, elaborado pelo Escritório de Integridade Acadêmica da Unifesp, tem por objetivo estabelecer orientações claras para o uso responsável e transparente de ferramentas de IAG na produção de artigos, relatórios, trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses.

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April 19, 9:21 AM
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Bobbie Goods lidera vendas de livros na Amazon em 2025 

Bobbie Goods lidera vendas de livros na Amazon em 2025  | Inovação Educacional | Scoop.it
A Amazon divulgou nesta semana sua tradicional lista de livros mais vendidos do ano e, em 2025, o topo do ranking trouxe algo incomum: dois volumes da coleção de livros de colorir Bobbie Goods, criação de Abbie Goveia.

"Do Dia para a Noite" e "Dias Quentes" ocuparam as primeiras posições. Um terceiro livro, "Isso e Aquilo", ficou no oitavo lugar.


Estande dos livros de colorir Bobbie Goods na editora HarperCollins durante a Bienal do Livro do Rio de Janeiro - Walter Porto/Folhapress
As vendas virtuais de livros hoje são majoritárias em relação às lojas físicas, e a Amazon é a principal plataforma onde esse comércio é realizado, então a amostra é significativa.

A coleção Bobbie Goods, editada no Brasil pela HarperCollins, atrai tanto jovens e crianças quanto adultos em busca de alívio de estresse e um passatempo estimulante.

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Livros de colorir voltam à moda com geração Z


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Estes títulos derrubaram o campeão do ano passado, o devocional "Café com Deus Pai", do pastor Júnior Rostirola, publicado pela editora Velos, que caiu para o terceiro lugar da lista.

O livro, que já é recorrente nas listas da varejista, é referência no segmento religioso, mas não resistiu à explosão dos bichinhos fofos que tomaram conta das redes sociais.

A coleção Bobbie Goods é marcada por u estética minimalista fofa e a promessa de relaxamento. A é tendência impulsionada por redes sociais como TikTok e comunidades de cuidados pessoais.

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A best-seller americana Colleen Hoover também aparece no quarto lugar com o romance "Verity", história de uma escritora que se envolve numa teia de confusões de uma família aparentemente perfeita, que tem previsão de chegar ao cinema em 2026.

"A Hora da Estrela", de Clarice Lispector, é a única ficção brasileira a aparecer na lista, em sétimo lugar, sendo esta a primeira vez que o livro atinge o top 10.

O ranking ainda tem obras como o clássico "A Metamorfose", de Franz Kafka, e livros de desenvolvimento pessoal como "A Psicologia Financeira", de Morgan Housel, "Hábitos Atômicos", de James Clear, e "O Homem mais Rico da Babilônia", de George S. Clason, indicam que o apetite por auto-aperfeiçoamento continua em alta.

Confira a lista completa abaixo:

MAIS VENDIDOS DA AMAZON EM 2025
"Do Dia para a Noite", livro de colorir da coleção Bobbie Goods
"Dias Quentes", livro de colorir da coleção Bobbie Goods
"Café com Deus Pai 2025: Porções Diárias de Transformação", de Júnior Rostirola
"Verity", de Colleen Hoover
"A Psicologia Financeira", de Morgan Housel
"A Metamorfose", de Franz Kafka
"A Hora da Estrela", de Clarice Lispector
"Isso e Aquilo", livro de colorir da coleção Bobbie Goods
"Hábitos Atômicos", de James Clear
"O Homem Mais Rico da Babilônia", de George S. Clason
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April 19, 9:01 AM
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Inteligência artificial abala mercado da tradução de livro

Inteligência artificial abala mercado da tradução de livro | Inovação Educacional | Scoop.it

Para Adriana Lisboa, traduzir é como dançar. Ora se aproxima, ora se afasta do texto original, sem perder o ritmo das palavras.
Ao trabalhar com "As Noites Frias da Infância", a tradutora teve que aprender novos passos: escrito originalmente em turco, língua que ela não domina, o livro da escritora Tezer Özlü foi traduzido com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial.
O gesto de Lisboa está no centro de um dilema que opõe tradutores e inteligência artificial no campo da literatura, uma relação equilibrada entre a viabilidade da IA como ferramenta de apoio e sua ameaça à qualidade e ao mercado de trabalho desses profissionais.
Quando a Autêntica Contemporânea decidiu publicar Özlü, conta a editora Rafaela Lamas, não tinha relação de confiança com nenhum tradutor de turco. Ao convidar Lisboa para o trabalho, a proposta era partir da tradução em inglês, feita por Maureen Freely e consagrada pelo prêmio do National Book Critics Circle.
Desconfiada da prática de tradução indireta, a tradutora buscou a versão em espanhol do texto, para comparação, o que revelou divergências de tom e significado. Então, recorreu à IA.
"Quando eu encontrava discrepâncias com o original em turco, pedia que a IA me explicasse o original e as opções dos dois tradutores. Além disso, tive a fundamental colaboração do diplomata Marcus Vinícius Marinho, fluente em turco e leitor de Özlü, que leu não somente o original como também as traduções ao inglês, ao espanhol e ao alemão."
Frequentemente comparado com "A Redoma de Vidro", de Sylvia Plath, por seu retrato brutal do feminino, "As Noites Frias da Infância" é o primeiro romance da autora turca, originalmente lançado em 1980 e com previsão para sair em junho no Brasil.
Experiente, Lisboa já traduziu clássicos como "O Morro dos Ventos Uivantes" e "Jane Eyre", das irmãs Emily e Charlotte Brontë, e obras de vanguarda como "Hiroshima Meu Amor", de Marguerite Duras, e "Vidro, Ironia e Deus", de Anne Carson.
A experiência com a máquina ensinou à tradutora que não é preciso optar pelos extremos. Entre aqueles que entregam tudo à IA e os que não querem ouvir falar na tecnologia, sua escolha é usá-la "como mera ferramenta, que não substitui o pensamento e as decisões criativas, mas pode ajudar a chegar a uma visão panorâmica de um tema, para aprofundar as pesquisas e a compreensão necessárias ao trabalho".
"É um campo a ser explorado", diz ela. "Uma nova forma de dançar."
A inteligência artificial, no entanto, inquieta tradutores pela ameaça existencial que representa para a categoria no mundo todo. Na Europa, empresas de tecnologia como Fluent Planet e Nuanxed estão sendo empregadas por editoras como HarperCollins France e Veen Bosch & Keuning para realizar traduções automáticas de romances.
Uma pesquisa realizada pela Society of Authors, no Reino Unido, apontou em janeiro do ano passado que mais de um terço dos tradutores havia perdido trabalho para a IA generativa.
No Brasil, o mercado ainda é conservador, mas traduções com IA sem autoria humana já figuram em obras de editoras comerciais como a Manole.
Lenita Maria Rimoli Pisetta, professora de estudos da tradução na Universidade de São Paulo, considera contraproducente a postura de negação da tecnologia. Mas, como Lisboa, vê na IA "uma ferramenta, não fórmula mágica".
Se antes a tradução literária era descartada em pesquisas sobre tradutores automáticos, como o Google Translate, hoje, com o avanço dos modelos de linguagem de larga escala (LLM), ela está em foco. É esse o objeto de estudo de Natália Carolina Resende, professora do Trinity College, na Irlanda.
Segundo ela, a ferramenta é eficaz no processo de tradução porque serve à "automação do corpus de pesquisa", isto é, substitui a busca em dicionários ou glossários.
Apesar de otimista, Resende compartilha resultados que problematizam o uso da ferramenta. Sua pesquisa mostra que textos traduzidos por IA têm características distintas das traduções humanas, como o uso de vocabulário limitado, frases longas e muitos adjetivos, marcas que fazem com que leitores prefiram o texto humano.
Outro aspecto negativo está no efeito que a IA tem sobre o tradutor. Ao receber a solução da máquina, ele acaba não conseguindo pensar em alternativas. "É o que a psicologia chama de 'priming': o comportamento linguístico é influenciado por um estímulo anterior", um processo que mina o potencial crítico do profissional.
Alison Entrekin, australiana que trabalhou por mais de dez anos em uma versão em inglês de "Grande Sertão: Veredas" a sair em breve, critica esse tipo de uso. "Quem terceiriza a primeira etapa da tradução deixa de exercitar essa parte do cérebro. A tendência é perdermos a habilidade de percepção. Se passo menos tempo com o texto, tenho menos compreensão."
O consenso entre tradutores é que a máquina não tem como substituir o humano. Nos termos de Lisboa, "ela não pode simular a experiência vivida da linguagem e da leitura literária, nem a inserção do tradutor no tempo e na cultura como um sujeito histórico".
"A tradução é um trabalho baseado na artesania" define a poeta e tradutora Prisca Agustoni, que traduz de italiano, francês, alemão, inglês e espanhol para português. Hoje, também se aventura na tradução do russo, idioma que não domina, em um processo parecido com o de Lisboa —a russa Maria Vragova faz uma tradução literal do texto, retrabalhada por Agustoni para afinar a sonoridade em língua portuguesa.
Esse empenho a quatro mãos "permite trabalhar na fronteira movediça que é a tentativa de reproduzir a atmosfera do texto, mobilizando questões contextualizadas no tempo de quem as vive". "A IA não tem essas variantes", aponta Agustoni.
Por mais que não use a tecnologia, a poeta a descreve com otimismo comedido. "Não sou das que acham que o mundo vai acabar por causa dela. Todo instrumento é útil para alguma coisa. Depende do uso que se faz."
Resende reforça a visão das tradutoras: a IA sempre precisará da supervisão humana. Mas a opinião não é compartilhada por todos na indústria. "O problema é a ambição de empresas que, em vez de vê-la como ferramenta para estender a capacidade humana, incentivam a ideologia da substituição."
O risco do emprego da IA como forma de cortar custos na cadeia do livro, pressionando por maior produtividade e precarizando o mercado, convive com a possibilidade de usá-la para expandir os horizontes da literatura, como fez Lisboa. Cautelosa, ela defende que seu exemplo não é generalizável. "Foi um processo trabalhoso, eticamente orientado e com supervisão de um colega fluente em turco."
A tradutora também atenta para o possível "achatamento" dos textos por causa da tradução mediada. Entrekin usa sua experiência com Guimarães Rosa para defender que, quanto mais idiossincrático o texto, menos adequada é a ajuda da IA. "Ela busca o meio do caminho, que não é o da literatura. Queremos aquilo que a deixa brilhar e saltar da página."
Crente de que a IA já domina o mundo criativo, Pisetta, a professora da USP, diz que a única maneira de controlar a máquina é conhecê-la, por isso incentiva o uso da tecnologia nas aulas. Face aos riscos, o que Lisboa propõe é "ir contra a corrente e falar cada vez mais sobre tradução, dar mais voz e destaque aos tradutores".

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April 19, 8:55 AM
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IBGE: população que mora sozinha mais que dobra no Brasil

IBGE: população que mora sozinha mais que dobra no Brasil | Inovação Educacional | Scoop.it

A população que mora sozinha no Brasil mais que dobrou no período de 2012 a 2025, saindo de 7,5 milhões para 15,6 milhões de pessoas, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A alta nesse intervalo de 13 anos foi de 109,8%.
O contingente do ano passado (15,6 milhões) supera o total de habitantes de um estado como a Bahia (14,9 milhões), a quarta unidade da Federação mais populosa.
As informações, divulgadas nesta sexta-feira (17), integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), uma das principais publicações do IBGE.
Os 15,6 milhões de lares unipessoais representam 19,7% do total de domicílios do país em 2025 (79,3 milhões). Ou seja, 1 em cada 5 endereços tinha apenas um morador.
Assim como o número absoluto, essa também é a maior proporção da série histórica. A participação teve aumento de 7,5 pontos percentuais ante 2012, quando os lares unipessoais respondiam por 12,2% do total.
A redatora e sexóloga Laís Conter, 37, decidiu morar sozinha há pouco mais de um ano, na região central de São Paulo. Gaúcha, viveu com a mãe em Porto Alegre, depois dividiu a casa com o ex-marido e, após o divórcio, passou seis anos compartilhando o apartamento com amigos.
"Morar sozinha é uma experiência de vida muito interessante. Quando surgiu a oportunidade, decidi experimentar", afirma.
"Quando você divide a casa, ocorre uma união de universos em que você precisa se adaptar a outra pessoa, como a rotina, a decoração e até a limpeza. Morando sozinha há muito mais liberdade. Você pode fazer tudo do seu jeito", acrescenta.
Para ela, o ponto negativo são os gastos com aluguel, condomínio e outras despesas da casa, que consomem mais de 30% de seu orçamento mensal. "A prioridade é sempre pagar o aluguel. Então, acabo deixando de fazer algumas coisas porque tenho essas despesas. Preciso fazer mais escolhas."
ENVELHECIMENTO IMPACTA, DIZ IBGE
A Pnad não pergunta o que leva uma pessoa a morar sozinha, mas o IBGE indicou que o processo de envelhecimento dos brasileiros é um dos fatores que podem explicar o movimento.
A proporção de idosos de 60 anos ou mais na população nacional aumentou de 11,3% em 2012 para 16,6% em 2025. Esse grupo etário ocupava 41,2% dos domicílios unipessoais no ano passado.
O avanço dos endereços com apenas um morador também é registrado em meio a um contexto de casamentos mais tardios, já apontado em outras pesquisas do IBGE.
"A pessoa chega a uma faixa etária em que muitas vezes os filhos já estão com as suas famílias, vivendo as suas vidas, ou a pessoa fica viúva e passa a viver sozinha. Em estados mais envelhecidos, a probabilidade de isso acontecer é muito maior", disse William Kratochwill, analista do IBGE responsável pela apresentação dos dados.
"Há essa história do envelhecimento e outras possibilidades, como a migração para trabalho, em que a pessoa vai sozinha primeiro e depois leva a família", acrescentou.
O Rio de Janeiro continuou como o estado com a maior proporção de lares unipessoais no ano passado (23,5%), seguido por Bahia (22,3%) e Rio Grande do Sul (21,9%). O menor percentual foi encontrado no Pará (13,4%).
As populações do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul são as mais envelhecidas do Brasil. No caso fluminense, William disse que a presença de universidades e empresas pode atrair migrantes que passam a viver sozinhos no estado.
A Pnad também permite um um olhar de acordo com o sexo. As mulheres correspondiam a 51,2% da população total do país em 2025, enquanto os homens totalizavam 48,8%.
Quando a análise considera apenas quem mora sozinho, o cenário se inverte. Conforme a pesquisa, os homens ocupavam a maioria dos domicílios unipessoais no país, presentes em 54,9% desses endereços, ante 45,1% das mulheres.
De acordo com William, uma das possíveis explicações é que mais mulheres ficam com a guarda dos filhos após a separação dos casais, enquanto os antigos parceiros passam a viver sozinhos.
DOMICÍLIOS NUCLEARES AINDA LIDERAM
Apesar do crescimento, os domicílios unipessoais não são o principal tipo de unidade doméstica no Brasil. Seguem atrás dos domicílios chamados pelo IBGE de nucleares.
Essa categoria abrange aqueles formados por casais com ou sem filhos ou enteados. Também são nucleares as unidades domésticas compostas por mãe com filhos ou pai com filhos —as chamadas monoparentais.
Em 2025, o número de domicílios nucleares chegou a 52,1 milhões, o maior da série histórica, correspondendo a 65,6% do total.
A categoria, contudo, perdeu participação ao longo do tempo. Isso mostra que o avanço ocorreu em um ritmo menos intenso do que o verificado entre os lares unipessoais. Em 2012, os arranjos nucleares correspondiam a 68,4% do total (2,8 pontos acima de 2025).
A pesquisa do IBGE ainda traz informações sobre outras duas categorias. São os casos das unidades domésticas estendidas e compostas, que responderam por 13,5% e 1,1% do total no ano passado, respectivamente.
Um lar estendido é constituído pela pessoa responsável com pelo menos um parente, formando uma família que não se enquadra em um dos tipos descritos como nucleares.
Já um domicílio composto tem uma pessoa responsável com ou sem familiares e com pelo menos um morador sem parentesco, como agregado, pensionista ou empregado doméstico.

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April 19, 8:50 AM
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Pesquisa indica aumento na compra de livros no Brasil 

Pesquisa indica aumento na compra de livros no Brasil  | Inovação Educacional | Scoop.it

O consumo de livros cresceu em 2025, segundo pesquisa divulgada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData.
Os dados apontam que 18% da população adulta do Brasil comprou ao menos um livro físico ou digital em 2025, um número absoluto de 3 milhões a mais de compradores em comparação com o ano anterior.
"Esse avanço é resultado de um ecossistema que envolve editoras, livrarias, autores, influenciadores, políticas públicas e iniciativas de incentivo à leitura", diz Sevani Matos, presidente da Câmara Brasileira do Livro.
Segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, as mulheres são 61% dos consumidores de livros no Brasil, e especificamente as mulheres pretas e pardas da classe C são o maior grupo consumidor no país.
Mais de 35 milhões de pessoas afirmaram à pesquisa terem sido desmotivadas a comprar livros no ano passado por considerá-los caros.
Os resultados, no entanto, não se traduzem diretamente no aumento de faturamento para livrarias e editoras. A pesquisa não identifica a origem dos exemplares adquiridos, de modo que o número pode incluir também livros de segunda mão ou pirateados.
Segundo Mariana Bueno, coordenadora de pesquisa da Nielsen BookData, "pirataria é demanda reprimida", indicando para editoras e comerciantes a existência de leitores interessados que ainda não acessam o mercado formal.
Os principais canais usados por consumidores para descobrir as novidades literárias são sites de compras (34%), pessoas próximas (30%), livrarias (24%) e criadores de conteúdo (22%).
As redes sociais também desempenham papel central na conversão: 56% dos respondentes afirmaram adquirir livros por esses meios, percebendo ali melhores preços e promoções.
Esse dado acompanha o desempenho da faixa etária de 18 a 24 anos, geração de nativos digitais, segmento que registrou o maior crescimento no consumo de livros no último ano.
A análise, como destaca Bueno, diz respeito ao consumo e não necessariamente à leitura no Brasil. Embora as redes sociais estimulem a compra de livros, isso não implica automaticamente um aumento no número de leitores. "Acreditamos que quanto maior o número de compras, maior a chance de leitura", pondera.
No último ano, 7,1% dos entrevistados comprou ao menos um livro de colorir, ou seja, aproximadamente 11 milhões de pessoas. Segundo Bueno, títulos do estilo Bobbie Goods se tornaram sucessos editoriais impulsionados pelas redes sociais e acabaram funcionando como uma forma de afastar os consumidores das telas.

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April 19, 8:43 AM
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Boas notícias na saúde podem ser uma lição para a educação

Boas notícias na saúde podem ser uma lição para a educação | Inovação Educacional | Scoop.it

Organizações sociais (OS) são instituições não lucrativas, de direito privado, dedicadas a políticas de impacto social, como saúde, educação e meio ambiente. A lei 9.637/98 regula os contratos de gestão das OS com o setor público.
Será publicado no prestigiado The Quarterly Journal of Economics, um artigo de Maíra Coube (Insper), Luiz Felipe Fontes (Insper) e Rudi Rocha (FGV/Eaesp) que quantifica os ganhos de produtividade e de qualidade na gestão hospitalar por organizações sociais de saúde (OSS) quando comparadas aos hospitais sob gestão pública tradicional.
Os hospitais geridos por OSS são financiados por recursos públicos, e os pagamentos são associados ao atingimento de metas. Não há cobrança aos pacientes nem capital privado. O acesso é universal, como em qualquer hospital do SUS. As OSS introduzem práticas gerenciais privadas e têm mais flexibilidade de contratação e remuneração de pessoal.
Os hospitais que passaram a ser geridos por OSS aumentaram em 40% as internações e em 14% a ocupação de leitos. O tempo médio de internação caiu 8%. Não houve aumento de mortalidade de pacientes ou de readmissões. Manteve-se o perfil dos pacientes e de doenças atendidas, o que indica que as OSS não fogem dos casos complexos. Nos municípios com maior escassez de hospitais, a entrada das OSS levou a uma queda de mortalidade da população de 6,4%.
As melhorias não vieram de investimentos em tecnologia, mas do uso eficiente dos recursos disponíveis. Em especial, na gestão de pessoal. Os médicos com contrato de servidor público diminuíram e cresceram outros tipos de contrato, como CLT, com o desempenho afetando a remuneração. Também aumentou a contratação de médicos especialistas. Os de menor produtividade foram substituídos, proporcionando aumento de 24% no número de admissões por profissionais.
Houve dispersão nos resultados, com as OSS de melhor governança e experiência obtendo resultados muito superiores à média, o que indica que são elementos essenciais da estratégia a adequada seleção e o monitoramento das OSS pelo poder público.
Os bons resultados na saúde apontam caminhos para melhorar a educação básica, em que prevalece a provisão 100% estatal. Há alguns poucos casos em que se terceirizou a manutenção da infraestrutura, mas o serviço educacional continua na administração direta. O estado de Goiás tentou implementar OS de educação, em 2015, mas sucumbiu a ações do Ministério Público e à resistência das corporações de servidores.
Assim como na saúde, a qualidade da educação depende do provedor de serviço na ponta (médicos/professores). Eric Hanushek, com dados dos EUA, mostra que a substituição de um professor de capacidade média por um acima da média, durante quatro anos seguidos, é suficiente para eliminar a diferença entre alunos de distintas rendas familiares ou para fechar o hiato de aprendizado entre negros e brancos em um período de 3,5 a 5 anos. Cada ano a mais de atividade de um professor acima da média agrega centenas de milhares de dólares à renda dos alunos ao longo da vida.
A flexibilidade das OS para premiar bons professores e demitir os de mau desempenho seria instrumento-chave para tirar a educação básica do atraso. Não é fórmula mágica. Precisaríamos de boas OS, pois, como visto no caso da saúde, são as melhores que fazem a diferença.
Está esgotado o modelo atual em que a prioridade são os planos de carreira e a estabilidade dos servidores, injetando-se cada vez mais dinheiro no sistema, sem impacto nos indicadores de aprendizado.

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April 19, 8:25 AM
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Em apenas 10 minutos, a IA já começar a enfraquecer seu raciocínio

Em apenas 10 minutos, a IA já começar a enfraquecer seu raciocínio | Inovação Educacional | Scoop.it

O papo que rola nas redes é que se você não usa IA agora, já está atrasado. Será? A IA de fato está mudando rapidamente a forma como trabalhamos, aprendemos e lidamos com o conhecimento.
O problema é que quase ninguém fala do outro lado dessa história: dependendo de como você usa a ferramenta, ela pode estar te deixando mais atrasado do que você imagina.
Um estudo ainda em fase de revisão científica, mas com uma amostra de mais de mil participantes e publicado por pesquisadores do MIT, Oxford e Carnegie Mellon, testou o que acontece com as pessoas depois de usarem IA para resolver problemas. Os resultados não são necessariamente uma novidade, até porque já suspeitávamos desse efeito. O que choca, no entanto, é a velocidade com que o efeito se desenrola.
Em apenas 10 minutos de uso da IA, os participantes passaram a desistir mais facilmente das tarefas e tiveram desempenho significativamente pior quando a ferramenta foi retirada, em comparação com quem não usou a IA. E o efeito persistiu em diferentes tipos de atividades, do raciocínio matemático à compreensão de leitura.
Um outro estudo, de pesquisadores da Universidade de Corvinus, estimou que o uso irrestrito de IA pode reduzir em 20 a 40 pontos percentuais o conhecimento real dos estudantes. No experimento, os alunos usaram IA em provas e exercícios de resolução de problemas ao longo do semestre, mas quando foram avaliados sem a tecnologia em um teste básico de verdadeiro ou falso, o desempenho ficou próximo ao acaso.
Há, porém, uma nuance importante. O impacto não foi o mesmo para todos. Quem usou a IA para obter respostas diretas se saiu pior, mas quem a utilizou para pedir dicas ou explicações não demonstrou a mesma deterioração. Isso nos ajuda a entender que o problema não está na IA em si, mas no atalho que queremos pegar.
A tecnologia sempre moldou nossos comportamentos, atitudes e percepções. E um dos impactos mais interessantes está justamente na forma como as inovações alteram nossa percepção sobre o tempo e o esforço que demanda para realizar uma tarefa. O quanto a chegada do Uber em uma cidade muda o que consideramos razoável esperar por um carro? O quanto o Google reduziu nossa tolerância para encontrar uma informação? Em todos esses casos, a tecnologia acelerou processos externos, tanto do mundo físico quanto do informacional.
Mas a IA é diferente. Pela primeira vez, a tecnologia está acelerando o nosso próprio processo de pensar. E não sabemos medir bem o descompasso que surge quando a nossa capacidade de produção passa a superar a nossa capacidade cognitiva real. Do ponto de vista econômico e da lógica de produtividade, isso parece um ótimo ganho. Mas do ponto de vista do cérebro, a pergunta ainda não tem resposta.
Aqui a ciência cognitiva tem algo importante a dizer. Robert Bjork, professor de psicologia da UCLA, passou décadas estudando o que ele chamou de "dificuldades desejáveis". É o nome dado para o esforço que parece trazer ineficiência no começo de uma tarefa, mas que é justamente o fator que consolida o aprendizado no longo prazo.
O dilema que temos pela frente é que a IA se torna muito sedutora quando se propõe a fazer tarefas por nós. Mas quando ela entrega a resposta em segundos, não está apenas poupando tempo, mas também removendo o mecanismo pelo qual aprendemos de verdade.
O escritor Derek Thompson cunhou recentemente o termo "zombie flow" para descrever algo parecido no consumo de conteúdo digital. São estados de fluxo corrompidos, produzidos pelos algoritmos de vídeos curtos e feeds infinitos, que deixam as pessoas drenadas. São conteúdos que não desafiam e nem ampliam a cognição, mas colocam as pessoas em um estado de apatia. Alguém pode consumir horas de conteúdo, mas sente que saiu sem nada.
O uso indiscriminado da IA, sem pensamento crítico e da metacognição, começa a produzir um efeito parecido com esse fenômeno: produzimos algo, chegamos ao resultado, mas passamos por um processo tão rápido e automático que talvez não tenhamos aprendido nada. E cada vez mais vejo pessoas que não conseguem nem defender e argumentar sobre a sua própria criação.
Quando esse efeito individual se multiplica por milhões de pessoas, a pergunta muda de escala. Uma sociedade que delega sistematicamente o pensamento para máquinas fica menos capaz de questionar, de resistir, de se organizar diante de narrativas que exigem análise crítica. Já conheço alguns pensadores e filósofos fazendo uma pergunta incômoda: seria a IA a anestesia social perfeita para ditadores e autocratas?
Não devemos abandonar a IA. Seria um erro não reconhecer o valor real de uma tecnologia quando bem utilizada. O que precisamos é ser mais cuidadosos com o tipo de uso que estamos normalizando. Usar a IA como um companheiro de trabalho para pensar junto é diferente de usá-la para não pensar. Essa é uma distinção que parece ser simples, mas vamos ter sérios problemas se não conseguirmos medi-la completamente.
Estamos ficando mais produtivos, mas, paradoxalmente, talvez também estejamos ficando menos capazes. Se isso, de fato, estiver acontecendo, o modelo econômico pode até celebrar. Mas qual é o tamanho da conta que fica, e quem vai pagá-la?

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April 18, 5:01 PM
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O paradoxo da "descarregamento cognitivo"

O paradoxo da "descarregamento cognitivo" | Inovação Educacional | Scoop.it
New research shows that offloading learning tasks to AI can improve - rather than erode - human thinking and learning
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April 18, 4:58 PM
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UNESCO launches the Observatory on Artificial Intelligence in

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The launch took place at ECLAC headquarters in Santiago, Chile, as part of the 2026 Forum of the Countries of Latin America and the Caribbean on Sustainable Development. The event brought together authorities, experts, representatives of multilateral organizations, academia, the technology sector and civil society, consolidating itself as a space for regional coordination on educational transformation.
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April 18, 4:09 PM
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Inteligência Artificial e Mercado de Trabalho

O impacto econômico das novas tecnologias tem permeado o debate econômico. Isto tem se tornado ainda mais urgente com o avanço da Inteligência Artificial (IA), que tende a promover uma profunda transformação no mercado de trabalho.

Esta é uma questão extremamente relevante, pois ao mesmo tempo em que amplia o potencial de ganhos de produtividade, a adoção das novas tecnologias, como inteligência artificial generativa, por exemplo, levanta preocupações relacionadas à substituição de tarefas, à mudança no perfil das ocupações e ao aumento das desigualdades entre os trabalhadores. Diante desse cenário, compreender como a inteligência artificial afeta o mercado de trabalho é fundamental para orientar o desenho de políticas públicas voltadas à proteção e à melhor inserção dos trabalhadores.

O objetivo deste artigo é avaliar a relação entre a inteligência artificial generativa e o mercado de trabalho brasileiro. Além desta introdução, o artigo é composto por mais quatro seções. Na segunda seção é apresentado um levantamento das evidências da literatura econômica sobre o tema. Em seguida, na terceira seção, estimou-se, com base numa metodologia elaborada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a relação entre a IA generativa e o mercado de trabalho, apresentando o total de ocupados expostos à IA generativa, bem como uma análise sociodemográfica destes trabalhadores. Também foram apresentados, para complementar esta análise, os resultados apresentados pelo FMI, desenvolvido por Pizzinelli et al (2023), que examinaram o impacto da IA no mercado de trabalho tomando como base uma medida de exposição ajustada pela complementaridade. Na quarta seção, são apresentadas algumas recomendações de políticas que podem ser adotadas para proteção e melhor inserção destes trabalhadores. E por fim, na última seção, estão as principais conclusões do estudo.
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