A luta pela sobrevivência e a falta de uma educação que estimule o pensamento crítico prendem grande parte da humanidade em uma rotina de reatividade e ilusão de autonomia, especialmente nas ocupações "uberizadas". Essa liberdade aparente mascara uma precarização que desumaniza o trabalhador, enquanto a verdadeira liberdade nasce do autoconhecimento e da autoaceitação. Despertar a consciência reflexiva é o caminho para a liberdade genuína, superando polarizações e fanatismos (religiosos e políticos) que limitam nossa compreensão do mundo.
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
Dario, Demis, Elon, Mark e Sam. As cinco pessoas mais importantes na área da inteligência artificial são tão famosas que basta o primeiro nome para identificá-las. Políticos e jornalistas acompanham atentamente cada palavra que dizem. O ChatGPT, da OpenAI, de Sam Altman, tem mais de 900 milhões de usuários semanais. A Anthropic, de Dario Amodei, desenvolveu um modelo de IA tão eficiente em hacking que causou pânico entre os formuladores de políticas. Demis Hassabis, chefe da área de IA do Google, ganhou um Prêmio Nobel por sua pesquisa científica. Elon Musk, que dirige a xAI , entre outras empresas, é a pessoa mais rica do mundo. A Meta, de Mark Zuckerberg, criou a família de modelos de código aberto mais popular do Ocidente e está investindo somas enormes em pesquisadores de IA na tentativa de alcançar a vanguarda da tecnologia.
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Em um sentido muito real, esses cinco homens detêm o destino da civilização ocidental em suas mãos. Os militares americanos já utilizam suas ferramentas de IA, e alguns dos magnatas (Altman e Musk) demonstram mais entusiasmo por isso do que outros (Amodei). Alguns economistas acreditam que a IA acabará por impulsionar o crescimento econômico. Outros dizem que ela deixará milhões de desempregados. Muitas pessoas temem que ela possa acabar com a humanidade por completo. Desde a fissão do átomo, nenhuma nova tecnologia gerou tanta angústia.
Duas mudanças de paradigma transformaram o mundo desde a cúpula Nixon-Mao. A primeira —ainda não amplamente compreendida, embora os alarmes estejam soando a todo volume— é o surgimento dessas novas ferramentas assimétricas de IA que podem dar superpoderes a pequenos atores malignos, sejam terroristas, anarquistas, criminosos, grupos políticos ou pequenos Estados-nação.
Dois sujeitos em uma caverna com um laptop, acesso aos modelos de IA mais recentes e um terminal Starlink poderiam atacar a infraestrutura crítica de qualquer sociedade.
A segunda tem a ver com a globalização. A cúpula Nixon-Mao iniciou o processo de levar o mundo de desconectado para muito mais conectado e depois interconectado. Quando Nixon e Mao começaram a tirar a China de seu isolamento da economia global —o que Deng Xiaoping acelerou enormemente ao mudar a China para o capitalismo de Estado— desencadearam uma cascata de forças econômicas e tecnológicas.
O líder chinês, Mao Tsé-Tung, se encontra com Richard Nixon durante sua visita à China - Xinhua - 22.fev.72/AFP Quando o início do século 21 chegou, a combinação da entrada da China na Organização Mundial do Comércio e da conexão do mundo pela internet significou que mais pessoas em mais lugares podiam competir, conectar-se e colaborar de mais maneiras, por menos dinheiro, em mais coisas do que em qualquer outro momento da história humana. É por isso que escrevi um livro em 2005 intitulado "O Mundo É Plano".
Está na natureza da mudança tecnológica, porém, que cada grande passo à frente aconteça mais rápido que o anterior, porque se constrói sobre as ferramentas que a era anterior liberou. Assim, anos depois de eu ter argumentado que o mundo é plano, a tecnologia e outras forças avançaram e nos levaram, como argumentou Dov Seidman, fundador do The HOW Institute for Society, de interconectados para interdependentes, ou como ele coloca, de plano para "entrelaçado".
Você podia se desconectar do mundo plano. Não há como escapar do mundo entrelaçado. Agora todos vamos todos prosperar ou fracassar juntos.
Isso não acontece apenas porque os avanços na internet, smartphones, fibra óptica, satélites e comunicação sem fio nos fundiram tecnologicamente mais do que nunca. É também porque um conjunto de desafios em escala planetária fundiu nossos destinos mais do que nunca. Esses desafios são tão amplos em escopo e tão indiferentes às fronteiras nacionais que nenhum Estado isolado, por mais poderoso que seja, pode enfrentá-los ou escapar deles sozinho.
2 4 Irã usa inteligência artificial e memes em guerra de propaganda contra os EUA
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Sabemos quais são: mitigar as mudanças climáticas, prevenir a proliferação de armas nucleares e biológicas, gerenciar migrações globais, controlar pandemias, manter as cadeias de suprimentos globais das quais todos dependemos funcionando sem problemas e —mais importante e imediato— gerenciar essa nova espécie de IA que conjuramos.
Conseguimos adiar ou nos virar com colaboração limitada em muitas dessas questões de escala planetária, mas o tempo acabou no que diz respeito aos poderes de ciberataque da IA. Não dá mais para empurrar esse problema com a barriga. Não há mais estrada.
Por anos, observa Craig Mundie —ex-chefe de pesquisa e estratégia da Microsoft e meu tutor e parceiro em pensar sobre essa nova ameaça de IA— EUA e China regularmente cutucaram e testaram um ao outro, e incorporaram infraestrutura de malware e roubaram informações um do outro com operações cibernéticas secretas.
Mas eles também sabiam, observou Mundie, que se a China derrubasse nossas redes elétricas, poderíamos derrubar as deles, e que se eles pudessem apagar as luzes em Washington, poderíamos fazer o mesmo em Pequim. É o mesmo que com armas nucleares: "Eles recriaram a destruição mútua assegurada", disse Mundie.
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Carregando... Mas agora adivinhe quem vem para o jantar? Um novo conjunto de atores, potencialmente muito perigosos, e não são apenas países. No entanto, podem ameaçar a ambos.
Esses são os sistemas de IA autônoma recentemente divulgados pela Anthropic e OpenAI que poderiam dar ferramentas a pequenos ciberatacantes para perturbar tanto a economia da China quanto a nossa —e a de qualquer outro— com muito pouco dinheiro e praticamente nenhuma expertise. Pode apostar que outros modelos americanos, como o Gemini do Google, e em breve os modelos de IA da China, oferecerão os mesmos poderes.
A Anthropic e a OpenAI dizem que seus modelos mais recentes são tão potentes em encontrar e explorar falhas em software que ambas as empresas optaram por limitar sua distribuição por enquanto. Mas é apenas uma questão de tempo até que escapem para o mundo, se é que já não escaparam.
"Isso deveria ser um grande motivador para os dois países se unirem —mesmo que apenas nessa questão específica, que agora é um perigo claro e imediato para ambos", argumenta Mundie.
Não é pedir o impossível. China e EUA conseguiram cooperar nos dias de Nixon e Mao, concluiu Mundie, "porque tínhamos um problema em comum, a União Soviética. Bem, agora temos outro problema em comum. Não é outro país, é uma tecnologia —os riscos emergentes de ciberameaças assimétricas de sistemas de IA autônoma".
1 6 Veja quem são os novos bilionários do boom da IA
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... O antigo G2, EUA e China, precisa trabalhar com o que chamarei de novo I7 —Anthropic, Google/Alphabet, OpenAI, Meta, Alibaba Group, DeepSeek e ByteDance— para descobrir uma forma de obter o melhor desses novos modelos de IA enquanto se protegem contra o pior. Os governos não conseguem resolver isso sozinhos, e as empresas também não.
Em um desenvolvimento que recebeu pouca atenção por causa da guerra com o Irã, Trump está supostamente considerando impor supervisão sobre modelos de IA antes de serem disponibilizados publicamente.
Isso é muito sábio da parte de Trump. As pessoas precisam acordar: estamos entrando em um mundo no qual empresas privadas agora podem, na prática, dividir o átomo, em termos do poder que podem liberar em todas as direções.
"E assim como dividir o átomo, você pode fazer eletricidade ou bombas", disse Mundie. O mesmo vale para a IA autônoma. "Temos o poder de fazer um bem ilimitado ou criar armas —armas enormemente assimétricas".
Espera-se que o tema da IA esteja na agenda Trump-Xi. O que realmente tornaria esta a cúpula EUA-China mais significativa desde Mao e Nixon não é apenas que os dois homens conversem sobre isso, mas que decidam trabalhar juntos nisso —agora. Depois será tarde demais. Está vindo rápido demais.
A explosão dos cursos de enfermagem no Brasil, impulsionada pelo setor privado e pelo ensino a distância, acendeu um alerta sobre a qualidade da formação da principal força de trabalho do SUS (Sistema Único de Saúde).
Relatório técnico divulgado nesta terça-feira (12), Dia Internacional da Enfermagem, mostra que o número de vagas em cursos superiores privados da área saltou de 120 mil para mais de 503 mil entre 2010 e 2023, alta superior a 300%.
Grande parte desse crescimento ocorreu na modalidade EAD (educação a distância), cuja oferta disparou 1.408% no período e hoje já responde por metade das vagas disponíveis na rede privada. Em 2023, somente os cursos privados a distância somavam 253 mil vagas —número superior ao total de vagas presenciais públicas e privadas.
Técnico de enfermagem monitora paciente em hospital de Porto Alegre - Carlos Macedo - 30.mai.25/Folhapress O documento, baseado no estudo "Demografia e Mercado de Trabalho da Enfermagem no Brasil", lançado ano passado pelo Ministério da Saúde, aponta que o setor privado concentra 90,7% das instituições de ensino de enfermagem do país.
A expansão acelerada, porém, convive com um problema estrutural: parte expressiva das vagas não é ocupada ou acaba abandonada. Nos cursos presenciais privados, cerca de metade das vagas permanece ociosa em razão da evasão.
Na rede pública, a retenção é maior, mas cerca de 30% das vagas também ficam sem preenchimento. A preocupação ganhou força após a pandemia de Covid-19, que evidenciou a dependência dos sistemas de saúde em relação à enfermagem.
Hoje, a categoria representa cerca de 70% da força de trabalho em saúde no Brasil e 59% no mundo. Apesar do crescimento acelerado do número de profissionais, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima um déficit global de cerca de 6 milhões de enfermeiros.
1 10 As marcas da pandemia
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... O relatório também chama atenção para desigualdades regionais históricas. Sudeste e Sul concentram a maior parte das escolas, cursos e matrículas, enquanto estados do Norte e do Nordeste seguem com menor densidade de profissionais.
Em 2018, por exemplo, o Pará registrava 14,1 enfermeiros por 10 mil habitantes, menos de um terço da densidade observada no Distrito Federal, com 49,3 profissionais por 10 mil habitantes.
Na avaliação do médico e pesquisador Mario Dal Poz, professor titular da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e autor principal do relatório, a expansão desordenada ameaça a qualidade futura da assistência no SUS.
"A enfermagem é a espinha dorsal do SUS. A expansão acelerada sem planejamento regional e o avanço do ensino à distância colocam em xeque a qualidade do cuidado que o sistema de saúde entrega à população", afirma.
Segundo Dal Poz, a formação em enfermagem exige aquisição de habilidades práticas e competências clínicas que não podem ser reduzidas a um modelo predominantemente remoto. Para ele, o país precisa ampliar a oferta pública e fortalecer mecanismos de avaliação e fiscalização dos cursos privados e do EAD.
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Médicos mal formados colocam pacientes em risco e oneram serviços de saúde, dizem gestores Atrasado em relação ao mundo, Brasil prepara plano de atualização de médicos já formados SP tem 40% de médicos sem título de especialista; avanço expõe gargalos na formação A enfermeira e pesquisadora da Uerj Helena Leal, uma das autoras do relatório, reforça que o avanço do ensino a distância em enfermagem ocorreu de forma descontrolada, impulsionado principalmente pela redução de custos das instituições privadas.
Segundo ela, a enfermagem precisa de formação prática intensiva e supervisão presencial. "Exige destreza, habilidade e treinamento in loco." Ela avalia que laboratórios de simulação ajudam, mas não substituem o contato com pacientes nem o acompanhamento de professores preparados.
Além da graduação, o levantamento analisou mais de 5.500 cursos técnicos de enfermagem registrados entre 2009 e 2024. Nesse segmento, o ensino presencial ainda predomina. Mesmo assim, os pesquisadores identificaram falhas importantes nos sistemas de informação sobre a formação técnica, especialmente no Sistec (Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica).
Foram encontrados problemas como ausência de dados sobre matrículas, campos em branco e erros na identificação dos cursos, revelando fragilidades históricas no monitoramento da educação profissional.
Após a exclusão de registros inconsistentes, o estudo identificou 5.509 unidades de ensino com oferta de cursos técnicos em enfermagem. São Paulo lidera, com 1.218 cursos registrados, seguido por Minas Gerais (774) e Rio de Janeiro (504). No total, foram registradas cerca de 3 milhões de matrículas em cursos técnicos entre 2009 e 2024.
Os pesquisadores alertam que a expansão acelerada do setor privado pode estimular cursos com infraestrutura precária, fragilidade pedagógica e baixa integração entre teoria e prática.
Helena Leal chama atenção para problemas como estágios pouco supervisionados e cursos sem qualidade mínima, por falta de reconhecimento dos cursos. "Alguns profissionais nem sequer conseguem registrar seus diplomas nos conselhos regionais."
Também critica a fragilidade da fiscalização dos cursos técnicos e do EAD e afirma que o país ainda carece de sistemas confiáveis para monitorar evasão, qualidade da formação e distribuição regional dos profissionais.
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Carregando... O EAD avançou também sobre a pós-graduação, especialmente em áreas como oncologia, gerontologia, saúde mental, neurologia e atenção domiciliar. Em algumas especialidades, a maioria dos egressos já vem da modalidade a distância —caso de neurologia (90%), saúde mental (85%) e gerontologia (82,5%)—, o que acendeu alerta sobre a formação prática desses profissionais em áreas clínicas complexas.
O documento revela fragilidades na regulação e no monitoramento das especializações, como ausência de critérios nacionais para currículos, falta de padronização dos cursos e lacunas nos registros profissionais.
Entre as recomendações do relatório estão maior controle sobre a abertura de cursos, revisão das regras do ensino a distância, fortalecimento da fiscalização de estágios e práticas presenciais e ampliação da oferta pública em regiões carentes de profissionais.
O levantamento traça ainda um panorama demográfico da enfermagem brasileira. Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) mostram que o número de enfermeiros passou de cerca de 215 mil em 2010 para 524 mil em 2021, enquanto os técnicos de enfermagem saltaram de 415 mil para quase 1,2 milhão no mesmo período.
Os pesquisadores identificaram mudanças importantes no perfil da categoria. Embora as mulheres continuem majoritárias, houve aumento da participação masculina, sobretudo entre os enfermeiros.
O estudo aponta ainda um envelhecimento gradual da força de trabalho. "Há uma mudança da faixa etária de 25 a 34 anos para faixa etária de 35 a 44 anos, especialmente entre os técnicos de enfermagem, que atinge também um pico até a faixa etária de 40 a 50 anos", observa Kênia Lara Silva, pesquisadora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e também coautora do estudo.
Segundo ela, essa é uma questão que deve ser objeto de preocupação das políticas públicas e da organização interna da profissão. "Há o próprio desgaste que se vai tendo ao longo da exposição ao trabalho e que pode ser acirrada quando se considera as pessoas nas faixas etárias mais avançadas, reduzindo, inclusive, esse potencial para o trabalho."
As análises revelam uma forte desigualdade racial e de gênero dentro da enfermagem brasileira. Segundo Kênia, as mulheres negras concentram-se nas faixas de menor rendimento da profissão, enquanto homens brancos ocupam majoritariamente os percentis salariais mais altos.
O setor privado concentra mais de 90% das instituições de Ensino de Enfermagem no Brasil. Informe lançado nesta semana aponta alta taxas de evasão e de vagas ociosas, além de desigualdades regionais. O informe técnico, divulgado pelos coordenadores da Pesquisa Demografia e Mercado de Trabalho da Enfermagem no Brasil, sintetiza a integra da pesquisa, publicada pelo Ministério da Saúde (DEGERTS/SGTES/MS). As vagas de graduação oferecidas pelo setor privado aumentaram 300% entre 2010 e 2023, puxadas pelo Ensino a Distância (EaD). São mais de meio milhão de vagas privadas e 10,6 públicas. Essa tendência não afeta apenas a Enfermagem. O Censo da Educação Superior 2022 revelou que 72% dos calouros do ensino superior privado brasileiro estavam matriculados em cursos não-presenciais. O quadro foi considerado “alarmante” pelo então ministro da Educação, Camilo Santana. Em 2025, atendendo uma demanda histórica dos Conselhos de Enfermagem, o governo federal aprovou nova Política Política de Educação à Distância, que tornou obrigatória a modalidade presencial para a Enfermagem, com regras de transição para os cursos já em funcionamento. “A expansão desordenada de cursos de má qualidade é um risco para a população. A formação presencial e de qualidade, compatível com as necessidades da Saúde Coletiva, é uma luta histórica dos Conselhgo”, pontua o presidente do Cofen, Manoel Neri. A falta de campo de prática é um desafio também para os cursos técnicos. O informe aponta gargalos na integração entre teoria e prática, após analisar a grade de mais de 5 mil cursos. Desde a Operação EaD, em 2015, os Conselhos de Enfermagem vêm denunciando a precariedade dos polos de apoio presencial, em audiências públicas por todo o Brasil, campanhas e diálogo com autoridades. Concentração Regional As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dos cursos e matrículas. A Amazônia Legal é região prioritária do Programa de Mestrado e Doutrado Profissional (Profen), iniciativa do Cofen que, por meio de convênio com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior financia expansão de pós-graduação stricto sensu em Enfermagem. A necessidade de incentivo à formação pública e regionalizada, com planejamento da oferta formativa no território nacional, é uma das recomendações do informe técnico. Os autores defendem, ainda, a pactuação de indicadores de qualidade da formação e parâmetros para autorização de abertura de cursos, incluindo o monitoramento de vagas ociosas. Formação em Risco O Cofen lançou, em dezembro de 2024, o documentário Formação em risco: o impacto do EaD na Enfermagem, com o depoimento de alunos, professores, especialistas e autoridades sobre o assunto. O filme desvendou o universo precário dos polos EaD e a falta de campos de estágio para os alunos desses cursos.
A Folha teve acesso à minuta da resolução sobre as novas Diretrizes Nacionais para Formação de professores. Além de preservar 50% da carga horária presencial, o texto define que o restante deve ser dividido com 20% de atividades síncronas mediadas (online ao vivo) e 30% a distância assíncrona (com aulas gravadas, por exemplo).
A minuta, que tem como uma das relatoras a ex-titular da Secretaria de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, defende a necessidade de aumentar as exigências para melhorar a qualidade de formação dos futuros professores.
"De 2017 até 2024 o setor viveu uma situação de desregulação, em que as exigências estatais foram reduzidas e a supervisão, inoperante. O mercado se viu praticamente livre de amarras legais em relação ao número de estudantes alcançados, à qualificação mínima dos docentes e conteúdos e assim por diante. O resultado, em especial para a formação de professores, foi muito negativo e demonstrou que a presença reguladora do Estado é indispensável para a garantia de um patamar mínimo de qualidade", diz o texto.
O setor privado de ensino superior tem feito pressão por menores exigências de atividades totalmente presenciais. A Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares) defende que, se aprovada, a regra irá penalizar os estudantes sob o argumento de que eles não teriam disponibilidade para dedicar tanto tempo a aulas presenciais e para atividades síncronas.
“Quando li os princípios e os conceitos da slow medicine, foi como um abraço acolhedor no meio do caos. Entendi que meu desconforto com a prática médica não era isolado. A sensação era de ter encontrado meu lugar no mundo”, avalia Ana. “O sentimento de solidão e a sensação de não pertencimento que eu sentia como médica se dissiparam. Quando encontro colegas que ‘descobrem’ a slow medicine, ouço deles: ‘Finalmente, encontrei a minha turma’, ‘Ufa, não sou tão estranho assim’ e ‘Caramba, sou slow e não sabia’. É muito gratificante.”
A não ser que o leitor viva dentro de uma caverna (com Wi-Fi para ler newsletters, neste caso?), percebeu que a tecnologia está mudando todas as áreas de trabalho. Não é a primeira vez que isso acontece: a chegada da internet, por exemplo, mudou o jogo para sempre há algumas décadas. As carreiras criativas —neste balaio, coloco além dos artistas outros profissionais que dependem da criatividade para trabalhar, como publicitários, designers, etc.— estão entre as mais impactadas pela chegada da inteligência artificial. Na edição de hoje, falo sobre o que deve mudar no ramo e como se preparar para o futuro (que já chegou). Ladeira abaixo? Pelo contrário. Há mais pessoas procurando formação nas áreas criativas do que nunca, segundo Josiane Tonelotto, superintendente acadêmica do Centro Universitário Belas Artes. Em parte, o aumento da procura se deve ao crescimento de opções de carreiras no setor. Desde que ocupa a chefia acadêmica da universidade, ela afirma ter visto movimentos como a especialização em mídias sociais nascer e a procura por profissionais do audiovisual multiplicar. Ela também enxerga maior especialização na área do design, que além do curso geral ganhou capacitações para segmentos de games e animação. ↳ Tonelotto considera que há poucos relatórios e coletas de dados para entender o avanço desse setor no Brasil. "Há uma escassez de dados que possam nortear como está esse mercado", afirma. Desenha para mim? A chegada da inteligência artificial é um desafio para o mercado. Ainda há muito o que debater, segundo a especialista, sobre como a capacidade da IA de criar ilustrações e vídeos pode impactar a contratação de profissionais da arte. No entanto, já há reflexões importantes sobre o assunto. "Há um risco real, que é o da mediocridade. Muitos vão usar a IA pra substituir as artes e os textos, mas ela não é capaz de ser criativa, só responde bem a um prompt. Terceirizar a criatividade não funciona, ela é insubstituível", afirma Tonelotto. "A IA abrevia, acelera, mas não vai ocupar o meu lugar. O dono da palavra sou eu." Ela faz um paralelo com o uso da tecnologia na educação, muito criticado no início, mas incorporado ao longo do tempo. "O professor nunca foi substituído pela tecnologia, ele foi substituído por outro professor que sabe usar tecnologia", diz. "Não podemos delegar tudo para a IA, já vi campanhas publicitárias que ficaram péssimas: contexto impessoal, frases curtas e encadeadas. A criatividade humana vai ficar cada vez mais cara", afirma. Olhando o perigo nos olhos. O pior caminho, na opinião da especialista, é ignorar a inovação. O profissional das áreas criativas precisa entender como a IA pode afetar a sua atuação e aprender a trabalhar com ela. Quem souber conciliar a própria originalidade com as novas ferramentas tem mais chances de prosperar. Para ela, o aumento da eficiência e o ganho de agilidade são benefícios importantes para as empresas que trabalham com a criatividade. O primeiro da fila. Quem contrata o criativo precisa decidir se a criação ou a produtividade é o elemento mais importante daquele trabalho. A especialista acredita que, cada vez mais, trabalhos que usam a engenhosidade humana para acontecer serão a grife do mercado criativo. "O processo criativo, de maneira geral, é complexo. Se você usar a IA com parcimônia, não vejo como um problema. Não dá, no entanto, para entregar a maior competência do artista, que é criar", afirma. Saiba como escolher cursos livres e aplicá-los no trabalho Desatenção pode atrapalhar no trabalho; saiba como recuperar o foco prolongado Entenda por que a cibersegurança da empresa também é sua responsabilidade Uma dica: a chefe acadêmica da Belas Artes acredita que a principal habilidade que o profissional deve conservar frente a uma ferramenta como a IA, que entrega boa parte das atividades com prontidão, é a capacidade de refletir e ruminar sobre os assuntos. "O processo de aprender e melhorar exige maturação. O que é mais difícil de ensinar para o jovem hoje é que ele faça reflexões acerca do que está vivendo e experimentando. Que ele rumine um pouco, o que é parte do processo criativo. Acelere a produtividade, mas saiba se aprofundar", aconselha. Um último conselho… "Criatividade é a capacidade que todos nós temos para encarar problemas de várias formas. Todo mundo é capaz de ser criativo porque criatividade é uma competência, e como competência ela pode ser aprendida", afirma Josiane Tonelotto.
Na semana passada, o reitor Richard Locke comunicou à comunidade do MIT Sloan que a escola encerraria a produção da MIT Sloan Management Review (MIT SMR), uma das publicações mais tradicionais na tradução de pesquisa acadêmica em pensamento de gestão para executivos no mundo. A edição final sai em setembro deste ano. A MIT SMR ocupava há décadas a posição rara de ponte entre pesquisa séria e prática executiva, e seu encerramento expõe um movimento muito maior do que o fim de uma revista. O comunicado oficial fala em mudar a forma de entregar ideias, mas é, de fato, mais uma mudança na unidade econômica do conhecimento. A MIT Sloan Management Review é um produto editorial fechado, com edição, artigo, autoria, periodicidade, marca própria, ritmo de prensa ou de distribuição digital. O novo desenho do MIT Sloan tenta deslocar o valor para a escola como fonte contínua de ideias, distribuídas em múltiplas superfícies e coordenadas por uma estratégia única de comunicação e engajamento externo. Comunicação institucional, newsletters, vídeo curto, social, podcasts e novos formatos digitais passam a ser tratados como um sistema, e não como publicações independentes disputando agenda, orçamento e audiência. É exatamente a transição descrita pelo conceito de conteúdo líquido, quando o conteúdo deixa de ser um objeto finalizado e passa a ser conhecimento estruturado que flui para formatos, canais e interfaces diferentes. Em janeiro deste ano, o Reuters Institute for the Study of Journalism, de Oxford, oficializou o termo no relatório anual de tendências com 280 executivos de mídia em 56 países. Mas há uma advertência no caso MIT Sloan. Se uma das maiores escolas de negócios do mundo, o MIT (Massachusetts Institute of Technology), apenas trocar uma publicação editorial por comunicação institucional em canais digitais, terá matado uma revista sem construir uma camada de inteligência. A força da SMR estava em transformar pesquisa em orientação prática, com curadoria, edição e julgamento. Sem essa camada, o que sobra é distribuição. Com ela, o acervo da SMR pode virar um valioso sistema de gestão do contexto, com décadas de pesquisas, autores, conceitos, frameworks, evidências, casos e recomendações organizados como conhecimento consultável, recombinável, citável e útil para humanos e agentes de inteligência artificial. É a tese formulada por Burt Herman em artigo recente da Hacks/Hackers, que distingue o sistema de gestão de conteúdo tradicional do sistema necessário para a era da IA. O primeiro só empacota. O segundo modelo organiza contexto vivo. Instituições inovadoras descobrem os ativos de inteligência presos dentro do invólucro de conteúdo. O princípio histórico vem de antes. Em 2009, Daniel Jacobson, então CTO de produto digital da NPR, formalizou o conceito de COPE (Create Once, Publish Everywhere), hoje referência fundadora da arquitetura de publicação desacoplada. A diferença é que atualmente a recomposição precisa ser legível também por máquinas e agentes de inteligência artificial e não apenas por humanos. O Audio Definition Model e o grupo EBU ADM-IG aplicaram essa lógica ao áudio. Cada elemento sonoro, como voz do âncora, música, efeito, ruído ambiente, vira unidade atômica passível de reordenação, personalização ou substituição por destino. A IA generativa tornou a recomposição barata, rápida e escalável. "O atômico é a peça de Lego; o líquido é a forma que ela toma dependendo de quem está brincando e onde", resumiu Alexandre Kavinski, líder de IA na WPP Media. Conteúdo atômico sem recombinação líquida é apenas um arquivo bem catalogado. Conteúdo líquido sem atomização bem desenhada não existe de fato. Operacionalmente, uma peça líquida tem quatro camadas simultâneas. A primeira é o núcleo editorial, com a ideia central, o fato, o ângulo, a tese ou a apuração que o jornalista define antes de pensar se vai virar áudio, vídeo, texto, ficha de IA ou newsletter. A segunda é a camada de unidades atômicas, como lead, citações curtas, dados verificados, contexto histórico, takeaways, infográficos, frames de vídeo, trechos de áudio, comparações numéricas e outros elementos com identidade própria. Cada unidade pode existir sozinha, ser substituída por outra equivalente, ser recombinada com unidades de outras matérias e ser auditada de forma independente. A terceira é a camada de variações por canal, com matéria de TV, spot de rádio, reportagem de portal, card de Instagram, vídeo vertical, status no WhatsApp, newsletter, resposta em área de perguntas e respostas, briefing de áudio, episódio de podcast. As unidades atômicas são recompostas, sob supervisão humana, em peças desenhadas para cada superfície de consumo. É nessa camada que entra a maior parte das ferramentas de IA editorial visíveis ao leitor, com geração de vídeo a partir de texto, resumo automático, narração sintética, adaptação de linguagem para audiência jovem. A quarta é a camada técnica com metadados e distribuição. É a camada que torna o conteúdo publicável, consultável pelas ferramentas de IA, citável, recombinável e licenciável por ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e AI Overviews. Com as quatro camadas, ele vira produto.
Como a avalanche de modelos e promessas em IA cria nova forma de ansiedade coletiva — e por que, diante do excesso, o diferencial pode não ser correr mais rápido, mas pensar melhor
A maioria dos recrutadores brasileiros (70%) afirma que fraudes em vagas têm diminuído a confiança dos candidatos nos processos seletivos e em profissionais de recursos humanos (RH). Em resposta, mais de 80% dos entrevistados de RH dizem estar adotando medidas para aumentar a credibilidade das vagas. Os dados são da pesquisa Job Search Safety Pulse, conduzida pelo LinkedIn em parceria com a Censuswide, que entrevistou 8.512 profissionais no Reino Unido, Estados Unidos, Índia, Alemanha e Brasil. O comportamento dos candidatos reforça esse cenário de desconfiança. Mais de 60% dos recrutadores brasileiros relatam que candidatos interessados em processos seletivos já entraram em contato para confirmar a legitimidade de uma vaga. Na perspectiva dos profissionais em busca de emprego, 83% afirmam que avaliam a autenticidade da oportunidade antes de se candidatar. Além disso, 61% dizem estar mais atentos para identificar possíveis fraudes do que há um ano.
Para Milton Beck, diretor geral do LinkedIn para a América Latina, os golpes são reflexo de um mercado de trabalho cada vez mais digital. “No LinkedIn, temos o compromisso de atuar de forma proativa para reduzir esses riscos”, afirma.
De acordo com a pesquisa, o principal indicador de confiança para candidatos brasileiros é onde a vaga é vista (30%), seguido por quem a publicou (25%). Pelo mundo, a reputação da empresa aparece como principal fator (28%).
O avanço da geração prateada e seu impacto no consumo Summit Mulheres nas Profissões estreia com foco em ampliar participação feminina no mercado Só 26% dos profissionais veem liderança alinhada para uso de IA, diz pesquisa No Brasil, os profissionais têm adotado diferentes estratégias antes de avançar nos processos seletivos. Entre elas, destacam-se buscar informações sobre a empresa ou a vaga online (52%), verificar se a oportunidade está no site oficial (47%), analisar a página da empresa no LinkedIn (45%) e procurar sinais de verificação na plataforma de recrutamento (47%).
Maioria dos recrutadores brasileiros já recebeu perguntas de interessados nos processos seletivos para confirmar a legitimidade de uma vaga — Foto: Unsplash Globalmente, os mais expostos aos golpes são os mais jovens, com 34% da geração Z relatando já ter sido vítima, em comparação com 15% da geração X e 7% dos baby boomers. Dentro do recorte nacional, a incidência de fraudes aparece de maneira mais distribuída, com 18% da geração Z relatando já ter sido vítima, frente a 23% da geração X e quase 17% dos baby boomers.
Já Ésquilo na sua tragédia "Prometeu Acorrentado" colocava o problema do avanço da ciência e da técnica sob o signo do fogo: será que somos capazes de deter o segredo do fogo sem incendiar o mundo? Mary Godwin, a menina criada entre filósofos –seu pai era William Godwin e ela cresceu em meio aos utilitaristas em casa– que passou a ser "Shelley" quando se casou com o poeta Percy Shelley, no seu famoso "Frankenstein: ou o Prometeu Moderno", como boa romântica que era, já temia os avanços da ciência e os problemas que ela criaria para a moral. Logo, nada há de novo nos dilemas morais que a ciência nos coloca.
Quanto a fundamentação do que seria o bem ou, por consequência, o que seria a fundamentação da moral, o problema já circula há algum tempo, mesmo antes do grande Dostoiévski lançar seu vaticínio: se Deus não existe, tudo é permitido.
1 6 Veja ilustrações de 'Frankenstein' feitas por IA
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Hugo Grotius (1583-1645), filósofo e jurista holandês que viveu em meio as terríveis guerras religiosas que dilaceraram a Europa e nos entregou temas como liberdade religiosa e estado apartado de denominação religiosa, tinha algumas preocupações. Uma delas era como fundamentar a moral num espaço onde existiam diferentes concepções religiosas, e elas matando umas as outras. A outra, mais radical, e que ficou para a tradição da filosofia moral como sendo "a problemática de Grotius" é a seguinte: a lei natural que fundamenta a moral deve valer mesmo se Deus não existisse.
Noutras palavras: o bem deve ser o bem porque o bem é o bem, e não porque Deus quer seja o bem. As leis devem ser independentes da vontade de Deus, elas devem valer por si mesmas. Essa problemática de Grotius estabelece as bases para a discussão de como fundamentar a moral se não for a partir da religião. Com esse passo, ele estabelece as bases para o direito moderno e o estado de direito laico.
A questão vira um problema, apesar que do ponto de vista estrito da lei se resolve com o estado de direito laico e as câmaras legislativas. Dane-se a fundamentação da moral, fiquemos apenas com a lei que nada tem a ver com justiça ou moral, como bem se sabe. Entretanto, se a lei não resolve a totalidade do problema, ou se ela mesma nada tem a ver com o bem moral, o que fazer? Bem-vindos à modernidade e sua falta de fundamentação da moral.
Thomas Hobbes (1588-1679) tentará responder a problemática de Grotius. Para o autor inglês, o fundamento da moral será o contrato social –portanto, a política, o estado, o Leviatã– que rompe com o ciclo do estado de natureza pré-político em que "a vida era solitária, pobre, sórdida, bruta e breve". Para Hobbes não existem leis naturais universais, mas, apenas, leis criadas pelo poder daquele que detém o monopólio legítimo da violência. Assim, se pensarmos em vários estados impondo suas leis, contanto que mantenham a ordem, está tudo bem. Hobbes não lida com a ideia de "leis em si", elas são puro fruto do poder político.
John Locke (1632-1704), tentando também responder a problemática de Grotius dirá que sim, existem leis pré-políticas, a diferença de Hobbes, e que elas são "apenas" a pura razoabilidade da ordem social: os homens assinam um contrato social no qual o soberano deverá respeitar a liberdade individual –a liberdade religiosa começa todo esse debate em meio as guerras religiosas europeias–, o direito a propriedade, e a vida, portanto, o estado estará limitado por essas leis anteriores a ele. Nasce, assim, o liberalismo.
O avanço da inteligência artificial forçou sistemas de ensino em todo o mundo a se adaptarem a essa tecnologia. Reveladora desse movimento é a inclusão da disciplina letramento midiático e em inteligência artificial na próxima edição do Pisa, exame internacional de desempenho escolar, em 2029. No Brasil, uma resolução de 2025 do Conselho Nacional de Educação tornou a educação digital e midiática obrigatória a partir deste ano. Na segunda (11), o órgão estabeleceu diretrizes para o uso de IA nos ensinos básico e superior por meio da aprovação de um parecer prévio —que ainda passará por consulta pública. O CNE faz uma diferenciação necessária entre as formas de uso. Quanto mais a IA se aproxima de avaliar, vigiar ou decidir o destino do aluno, maior o risco. No nível de baixo risco, ela serve de apoio administrativo e pedagógico, como em organização de materiais, acessibilidade, revisão de textos sem atribuição de nota e planejamento de aulas. No risco moderado, a IA interage com alunos, mas não toma decisões automáticas relevantes, casos de tutores virtuais, feedback formativo e apoio à escrita. O alto risco se dá quando é possível afetar diretamente notas, aprovação ou direitos dos alunos, como em correção automática de provas, monitoramento biométrico e perfilização de alunos com base em comportamento, desempenho e frequência. Por último está o risco excessivo, único nível proibido: decisões automáticas sobre aprovação ou expulsão, perfilização para punição e vigilância emocional. Todos os outros níveis, apesar de permitidos, precisam seguir exigências específicas, que incluem transparência, segurança da informação, restrição de uso de dados, revisão humana, avaliação de impacto, direito de contestação e supervisão contínua. O parecer também inclui a IA no currículo para que alunos compreendam o funcionamento da ferramenta por meio de análise crítica que identifique limites, fragilidades e periculosidade. Para lidar com as desigualdades entre redes de ensino, indica-se a necessidade de ampliar a inclusão digital, com adaptação a especificidades locais e regime de cooperação federativa. Segundo a TIC Educação de 2025, pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, só 54% dos professores tiveram formação sobre ferramentas digitais. Assim, ainda é preciso expandir a capacitação da categoria. No geral, o parecer é bem-vindo, já que promove a tecnologia sem descuidar da integridade do ensino e dos direitos dos alunos.
Material visa apoiar as escolas na construção de ambientes acolhedores, participativos e seguros. Ele oferece subsídios práticos para fortalecer as relações e a aprendizagem nos anos finais do ensino fundamental
O documentário “Formação em Risco: O Impacto do EAD na Enfermagem” serve como um alerta urgente e um apelo pela preservação da qualidade do sistema de educação e de saúde no Brasil. Produzido pelo Conselho Federal de Enfermagem, o filme apresenta depoimentos esclarecedores de profissionais da área, autoridades, estudantes e pacientes. Esses testemunhos destacam a importância da natureza presencial da profissão de Enfermagem e convidam a sociedade a refletir sobre a presencialidade do ensino em cursos da área de saúde.
Em marketplaces, quem garante orientação farmacêutica e assegura procedência e armazenamento? Não se trata de resistir à inovação, mas de impedir que esse processo avance à revelia da regulação sanitária
Na época, Rosenberg não sabia, mas tinha transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno dismórfico corporal, ou TDC, uma condição de saúde mental que faz as pessoas passarem uma quantidade desproporcional de tempo preocupadas com a própria aparência a ponto de se isolarem dos outros e se sentirem aprisionadas no próprio corpo.
O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou, em votação inicial nesta segunda-feira (11), um parecer que estabelece diretrizes para o uso da IA (inteligência artificial) na educação básica e superior. A proposta orienta escolas e redes a adotar a tecnologia como ferramenta de apoio, sob supervisão humana, e ainda depende de novas discussões antes de eventual homologação do MEC (Ministério da Educação). O uso da IA passa a ser classificado por nível de risco. Ferramentas de apoio, como organização de materiais e acessibilidade, entram na categoria de baixo risco. Já sistemas de correção automatizada de avaliações, monitoramento biométrico e seleção de benefícios são considerados de alto risco e exigem supervisão contínua. Aplicações como vigilância emocional, pontuação social e decisões totalmente automatizadas sobre aprovação, retenção ou desligamento de alunos ficam proibidas. Nível de risco O que é Exemplos Regras e exigências Baixo risco Uso de apoio, sem impacto relevante sobre decisões acadêmicas ou direitos dos alunos Organização de materiais; acessibilidade; revisão de texto sem avaliação; planejamento de aulas Transparência básica, segurança da informação e responsabilidade da instituição Risco moderado Ferramentas com interação com alunos ou recomendações, sem decisão automática Tutores virtuais; feedback formativo; assistentes institucionais; apoio à escrita Informar uso; registrar sistemas; revisão humana obrigatória; monitoramento; restrição ao uso de dados Alto risco Sistemas que afetam diretamente a vida acadêmica ou direitos Correção automática de provas; monitoramento biométrico; perfilização de alunos; seleção e certificação Avaliação prévia de impacto; relatório de dados; supervisão contínua; auditoria; direito de contestação Risco excessivo (proibido) Aplicações incompatíveis com princípios educacionais Pontuação social; vigilância emocional; perfilização para punição; decisões automáticas sobre aprovação ou expulsão Uso vedado As diretrizes estabelecem que decisões pedagógicas devem permanecer sob responsabilidade de professores. A tecnologia pode auxiliar na personalização do ensino, no acesso a conteúdos e no acompanhamento do desempenho, mas não substitui a mediação em sala de aula. Também há regras de transparência e governança. Escolas e universidades deverão informar quando sistemas automatizados estiverem em uso, documentar decisões de adoção e garantir revisão humana de conteúdos e resultados, para evitar erros e vieses. O uso da tecnologia deverá respeitar a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), além de princípios de segurança da informação e transparência algorítmica. Outro eixo é a redução de desigualdades. A recomendação é ampliar políticas de inclusão digital e acesso equitativo, para evitar que a adoção da IA aprofunde diferenças entre redes de ensino. As diretrizes preveem ainda a inclusão progressiva de conteúdos sobre IA nos currículos. A proposta é que estudantes aprendam não apenas a usar ferramentas, mas a compreender como funcionam, seus limites e riscos, com foco no desenvolvimento do pensamento crítico. Na educação básica, a implementação deve ser gradual e considerar o desenvolvimento dos alunos, com foco em autonomia e uso equilibrado da tecnologia. No ensino superior, o foco recai sobre a preparação profissional e o uso da IA em contextos complexos, com respeito à integridade acadêmica. Como a Folha mostrou, três das principais universidades do país (USP, Unicamp e Unesp) estão criando protocolos para o uso da IA cuja principal regra é a transparência. A utilização deve ser combinada entre professores e alunos e declarada nas pesquisas e nos demais trabalhos acadêmicos. No parecer do CNE, a formação de professores aparece como condição para a implementação, com incentivo à capacitação contínua e ao desenvolvimento de competências digitais. O conselho reconhece que a adoção ocorre em um momento de desigualdades estruturais e orienta que redes de ensino adaptem a implementação às suas condições, em regime de cooperação federativa.
A universidade pública brasileira chegou a uma encruzilhada. Ou reafirma com clareza os princípios que justificam seu prestígio, sua autonomia e o investimento público que recebe ou continuará perdendo legitimidade diante de uma sociedade que já começa a vê-la como uma frente da guerra cultural. A universidade existe não para disputar poder, ensinar doutrinas ou mobilizar identidades, causas e paixões, mas para submeter ideias e evidências ao teste público da razão, do método e da crítica. Defendê-la é recusar a condescendência diante de práticas que a impedem de ser, como queria Darcy Ribeiro, autônoma em todos os sentidos: livre de tutela política, imune à instrumentalização ideológica, resguardada do clientelismo e da mediocridade. Foi para defender essa missão que um grupo de professores e pesquisadores lançou recentemente o Manifesto pelo Pluralismo e pela Liberdade Acadêmica. O documento nasce de uma constatação incômoda: há hoje, nas universidades públicas, um ambiente crescente de conformidade ideológica, autocensura e intolerância ao dissenso. O paradoxo da liberdade acadêmica no Brasil está na indignação seletiva. Quando governos como o de Jair Bolsonaro tentaram interferir na universidade, desrespeitando procedimentos de nomeação de reitores, vigiando aulas, ameaçando professores ou usando o orçamento como coação, a reação foi imediata —e correta. Invocamos autonomia universitária, pluralismo, liberdade de cátedra e resistência ao autoritarismo. Mas a mesma régua desaparece quando a agressão vem de dentro do campus, em nome de causas progressistas. Nesse caso, domina a autocomplacência: a interdição do dissenso vira proteção de grupos vulneráveis; o veto a palestrantes, defesa de "espaços seguros"; a intimidação de docentes, punição moral justificada. Disso resulta uma universidade invertida: em vez de se afirmar como o espaço por excelência da liberdade de pensar, experimentar e discordar, converte-se no lugar onde as pessoas devem ser protegidas de ideias que as contrariem. Em vez de formar estudantes capazes de enfrentar argumentos difíceis com razões e evidências, passa a treinar militantes que mandam calar, denunciam, punem e expulsam, como se a universidade fosse deles, não um bem coletivo. A liberdade que deveria valer para todos torna-se condicional: absoluta quando protege quem pensa de um jeito; revogável quando ampara o outro lado. Discursos discriminatórios e assédio existem e devem ser objeto do devido processo. Mas isso é muito diferente de tratar diferenças sobre políticas públicas, economia, segurança, relações internacionais, gênero, raça, religião ou costumes como delitos morais. Trata-se de autoritarismo e de intolerância. O autoritarismo aparece sempre que um grupo considera seus valores tão superiores que se sente autorizado a punir o dissenso, interditar adversários e subordinar a liberdade a uma causa redentora. A intolerância política, por sua vez, nem sempre se apresenta como ódio explícito a um grupo; muitas vezes surge como recusa a certos atos —falar, convidar, ensinar, discordar— quando praticados por quem está fora da ortodoxia dominante. A universidade precisa encontrar saídas. Neutralidade institucional não significa indiferença moral, covardia intelectual ou abstenção pública diante de ameaças à universidade ou à democracia. Significa que a instituição deve garantir que todos os lados legítimos numa democracia —progressistas, conservadores, liberais ou outros— tenham o mesmo direito de existir e debater no espaço público acadêmico. Pluralismo não significa que todas as ideias valem o mesmo, mas que ideias devem ser testadas por argumentos, dados e crítica qualificada, não por gritos, vetos, intimidação ou superioridade moral autoproclamada. A universidade existe não para poupar adultos do atrito intelectual nem para fazer curadoria ideológica, mas para ensinar que conviver com a discordância é parte da vida democrática e da honestidade científica. É do próprio Darcy, de cujas credenciais progressistas ninguém há de duvidar, a frase que sintetiza o espírito que deveria reger a vida acadêmica nacional: "Nesta universidade ninguém, professor ou aluno, será punido ou premiado, jamais, por sua ideologia". A universidade precisa, então, escolher entre ser capturada pela lógica das trincheiras ideológicas, como mais um território da guerra cultural, ou recuperar sua vocação mais nobre como instituição aberta, onde a luz da razão tem alguma chance contra as paixões sectárias do tempo.
A universidade pública brasileira chegou a uma encruzilhada. Ou reafirma com clareza os princípios que justificam seu prestígio, sua autonomia e o investimento público que recebe ou continuará perdendo legitimidade diante de uma sociedade que já começa a vê-la como uma frente da guerra cultural. A universidade existe não para disputar poder, ensinar doutrinas ou mobilizar identidades, causas e paixões, mas para submeter ideias e evidências ao teste público da razão, do método e da crítica. Defendê-la é recusar a condescendência diante de práticas que a impedem de ser, como queria Darcy Ribeiro, autônoma em todos os sentidos: livre de tutela política, imune à instrumentalização ideológica, resguardada do clientelismo e da mediocridade. Foi para defender essa missão que um grupo de professores e pesquisadores lançou recentemente o Manifesto pelo Pluralismo e pela Liberdade Acadêmica. O documento nasce de uma constatação incômoda: há hoje, nas universidades públicas, um ambiente crescente de conformidade ideológica, autocensura e intolerância ao dissenso. O paradoxo da liberdade acadêmica no Brasil está na indignação seletiva. Quando governos como o de Bolsonaro tentaram interferir na universidade, desrespeitando procedimentos de nomeação de reitores, vigiando aulas, ameaçando professores ou usando o orçamento como coação, a reação foi imediata —e correta. Invocamos autonomia universitária, pluralismo, liberdade de cátedra e resistência ao autoritarismo. Mas a mesma régua desaparece quando a agressão vem de dentro do campus, em nome de causas progressistas. Nesse caso, domina a autocomplacência: a interdição do dissenso vira proteção de grupos vulneráveis; o veto a palestrantes, defesa de "espaços seguros"; a intimidação de docentes, punição moral justificada. Disso resulta uma universidade invertida: em vez de se afirmar como o espaço por excelência da liberdade de pensar, experimentar e discordar, converte-se no lugar onde as pessoas devem ser protegidas de ideias que as contrariem. Em vez de formar estudantes capazes de enfrentar argumentos difíceis com razões e evidências, passa a treinar militantes que mandam calar, denunciam, punem e expulsam, como se a universidade fosse deles, não um bem coletivo. A liberdade que deveria valer para todos torna-se condicional: absoluta quando protege quem pensa de um jeito; revogável quando ampara o outro lado. Discursos discriminatórios e assédio existem e devem ser objeto do devido processo. Mas isso é muito diferente de tratar diferenças sobre políticas públicas, economia, segurança, relações internacionais, gênero, raça, religião ou costumes como delitos morais. Trata-se de autoritarismo e de intolerância. O autoritarismo aparece sempre que um grupo considera seus valores tão superiores que se sente autorizado a punir o dissenso, interditar adversários e subordinar a liberdade a uma causa redentora. A intolerância política, por sua vez, nem sempre se apresenta como ódio explícito a um grupo; muitas vezes surge como recusa a certos atos —falar, convidar, ensinar, discordar— quando praticados por quem está fora da ortodoxia dominante. A universidade precisa encontrar saídas. Neutralidade institucional não significa indiferença moral, covardia intelectual ou abstenção pública diante de ameaças à universidade ou à democracia. Significa que a instituição deve garantir que todos os lados legítimos numa democracia —progressistas, conservadores, liberais ou outros— tenham o mesmo direito de existir e debater no espaço público acadêmico. Pluralismo não significa que todas as ideias valem o mesmo, mas que ideias devem ser testadas por argumentos, dados e crítica qualificada, não por gritos, vetos, intimidação ou superioridade moral autoproclamada. A universidade existe não para poupar adultos do atrito intelectual nem para fazer curadoria ideológica, mas para ensinar que conviver com a discordância é parte da vida democrática e da honestidade científica. É do próprio Darcy, de cujas credenciais progressistas ninguém há de duvidar, a frase que sintetiza o espírito que deveria reger a vida acadêmica nacional: "Nesta universidade ninguém, professor ou aluno, será punido ou premiado, jamais, por sua ideologia". A universidade precisa, então, escolher entre ser capturada pela lógica das trincheiras ideológicas, como mais um território da guerra cultural, ou recuperar sua vocação mais nobre como instituição aberta, onde a luz da razão tem alguma chance contra as paixões sectárias do tempo.
A falta de preparo para a função desejada é o principal comportamento que tem levado candidatos a perder oportunidades de emprego (23,4%), mesmo quando reúnem qualificação técnica compatível com a vaga. É o que mostra levantamento da Robert Half, obtido com exclusividade pelo Valor, com base em entrevistas com 402 recrutadores. Entre os fatores que mais contribuem para a eliminação de candidatos nos processos seletivos estão falhas de comunicação (17,9%), dificuldade para resolver problemas apresentados (14,6%), incapacidade de apresentar exemplos concretos de realizações profissionais (12,4%), pouco interesse demonstrado pela empresa (10,7%), expectativas salariais desalinhadas (10,7%), postura considerada pouco profissional (5,2%) e baixa proatividade em dinâmicas de seleção (3%). Ao serem questionados sobre a frequência com que candidatos chegam às entrevistas preparados para discutir a vaga, a maioria dos recrutadores (63,68%) afirma que isso acontece apenas às vezes. Outros 28,36% dizem que isso ocorre raramente, enquanto 7,71% relatam que os profissionais chegam preparados com frequência. Apenas 0,25% afirmam que isso nunca acontece. Ainda segundo o levantamento, a inteligência emocional aparece como a habilidade comportamental mais difícil de encontrar entre candidatos nos processos, citada por 22,9% dos recrutadores. Na sequência, aparecem resolução de problemas (19,65%), pensamento crítico (16,9%), comunicação clara (9,2%), adaptabilidade (8,2%), gestão do tempo (8%), autonomia (7,7%), capacidade de aprendizado (3,2%) e colaboração em equipe (2%). Para Leonardo Berto, gerente da Robert Half, o principal insight é que o preparo para a entrevista ainda aparece como um diferencial competitivo básico. “Mesmo entre profissionais tecnicamente qualificados, muitos ainda chegam ao processo seletivo sem entendimento aprofundado da vaga”, afirma. O especialista reforça que em operações muito específicas, conhecer o segmento é decisivo para ter um bom desempenho nas seletivas. Por outro lado, ele adverte que muitas empresas iniciam processos seletivos sem clareza sobre o que buscam. “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”, diz Berto, relembrando uma passagem do autor Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas. O recrutador comenta ainda que o trabalho precisa ser uma via de mão dupla. “O candidato também deve assumir uma postura ativa e fazer perguntas. A entrevista não é apenas a empresa avaliando o profissional, é também o momento do profissional entender se aquela oportunidade faz sentido para sua carreira”, detalha. De acordo com Berto, o processo seletivo está cada vez mais complexo para recrutadores e consultorias, especialmente pelo uso de IA generativa nos currículos, que aparecem com informações falsas ou exageradas. Ele também destaca que a eliminação ocorre pela dificuldade do candidato em apresentar clareza sobre a própria trajetória. “Isso é tão importante quanto a experiência em si”, diz. O especialista defende que um portfólio feito por inteligência artificial pode ser reconhecido porque segue padrões. Além disso, ele explica que na hora de aprofundar-se no relato da experiência, o candidato que exagerou na ferramenta costuma ser genérico, mostrando-se incapaz de aprofundar a conversa sobre suas próprias entregas. Para aqueles que têm dificuldade em exaltar conquistas profissionais reais, Berto indica uma revisão da própria trajetória e defende a importância de registrar e valorizar cada uma das realizações. Sobre a dificuldade de encontrar profissionais com capacidade de resolução de problemas, o gerente aponta outras conclusões extraídas de estudos da Robert Half. “Este bloqueio está relacionado à maturidade emocional, segurança psicológica e clareza de papéis, elementos ainda frágeis no cotidiano das empresas”, observa. Para ele, trabalhadores sem essa soft skill tendem a atuar de forma defensiva, evitando decisões, assumindo menos responsabilidade ou executando tarefas sem questionar as causas dos problemas.
Departamento de Comércio americano firmou acordos com grandes empresas de inteligência artificial para avaliar riscos de segurança nacional, cibersegurança e armas antes que os modelos cheguem ao público.
Enquanto o Brasil continua a se desindustrializar, o Paraguai vai pavimentando o caminho para se tornar o tigre da América do Sul. Especialmente em tecnologia.
O país tem dado um show nessa área. Seu maior ativo é a energia abundante, 100% limpa e barata gerada por Itaipu. Nos últimos anos, o Brasil comprava o excedente não consumido pelo Paraguai a preços módicos. Agora não mais. A partir de 2027 o Paraguai poderá vender a energia de Itaipu para quem quiser e no preço que quiser. E o comprador já apareceu: os Estados Unidos.
Vista das comportas da hidrelétrica de Itaipu Binacional, regida em igualdade entre Brasil e Paraguai. - Joédson Alves - 7.jan.25 /Agência Brasil O secretário de Estado Marco Rubio confirmou o interesse na energia paraguaia para alimentar data centers de inteligência artificial. A instalação desses data centers no país não vem de hoje. O Paraguai seguiu a mesma estratégia da Islândia: atrair primeiro mineradores de criptomoeda e depois data centers.
Deu certo. Está agora atraindo projetos enormes. O anúncio mais recente foi da empresa norte-americana X8 Cloud de que irá construir um data center de US$ 50 bilhões (R$ 260 bilhões) no Paraguai. É mais do que o celebrado data center do TikTok no Ceará, cujo investimento estimado é de US$ 38 bilhões.
Em indústria o país também avança. Nesse quesito, adotou o modelo mexicano de industrialização, das chamadas "maquiladoras". Tornou-se um hub industrial com uma política fiscal agressiva de cobrar 1% sobre o valor agregado localmente. O resultado é visível. Enquanto a indústria de transformação no Brasil representa hoje 11% do PIB brasileiro (era 17% em 1994), no Paraguai são 19%.
Outra comparação curiosa é a classificação de risco. O Paraguai tem grau de investimento por duas das três principais agências (Moody's e S&P), enquanto o Brasil não tem por nenhuma. O país adotou um regime tributário simples e ousado chamado de "Triplo 10", que limita as alíquotas de imposto em 10% para pessoas, empresas e valor agregado.
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Carregando... Para nós, brasileiros, é doloroso saber que a taxa de juros no Paraguai é de 5,5%, contrastando com os 14,5% no Brasil. Em termos de juros reais (descontada a meta de inflação) a discrepância é mais violenta: 11,5% no Brasil e 2% no Paraguai, sendo que a inflação lá é de 1,9%, e aqui é de 4,3% nos últimos 12 meses.
E por fim, o crescimento. O Paraguai cresceu 6,6% em 2025, em face dos 2,3% do Brasil. Nos últimos dez anos a média de crescimento tem sido 3%, com projeção de crescer 4,5% neste ano. Enquanto isso, nossa média decenal foi de 1,4% e a perspectiva é crescer 1,6% neste ano.
Já no índice que mede complexidade econômica (ECI), o Brasil tem caído continuamente desde 2000. O paraguaio está em ascensão e irá ultrapassar o Brasil nos próximos anos.
Por fim, o Brasil reduziu a pobreza em 27 pontos percentuais nos últimos 25 anos, o que é essencial. Já o Paraguai reduziu em 45 pontos percentuais no mesmo período.
É fato que o Paraguai tem 7 milhões de habitantes e o Brasil 215 milhões. Só que a questão não é escala, mas direção. Nós temos os mesmos ativos que o Paraguai em dimensões muito maiores, como energia renovável abundante. Só não temos rumo, planejamento de onde queremos chegar, e estabilidade econômica para fazer isso. O resultado é: quando se fala em tecnologia na América do Sul, é o Paraguai que aparece cada vez mais.
There has been quite a bit of research that shows relying on artificial intelligence tools encourages people to stop thinking critically and start deferring to the machine. But you’d be shocked at just how quickly your brain can shut off if you let it. According to a new study by researchers at Carnegie Mellon, MIT, Oxford, and UCLA, just a 10-minute session with an AI assistant can lead to users significantly abandoning their own capacity for reasoning.
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