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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Inovação Educacional
Today, 2:36 PM
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Sento na cadeira do barbeiro. É o mesmo barbeiro desde os meus 12 anos. É a mesma rotina também. Ele se aproxima e pergunta "como vai ser?" A resposta foi variando nesses 30 e tantos anos —corte americano, colegial, degradê suave etc. Hoje, com a alopecia avançada, digo apenas "um milagre, por favor". Ele faz milagres, tratando cada fio de cabelo como cientistas tratam o vírus do ebola em laboratório: com calma e delicadeza, sabendo que um gesto em falso pode ter resultados devastadores. Mas o melhor do barbeiro não é o talento com a tesoura. São as conversas. Mulheres, futebol, alguma política, memórias de juventude —não necessariamente nessa ordem. E são as expressões também, as expressões populares da cidade do Porto, poéticas e rudes, com um sotaque impossível de reproduzir por escrito. Na última visita, depois de me contar infelicidades várias, arrematou tudo com essa pérola teológico-linguística. "É tudo a ajudar ao pau da cruz". Desafio qualquer escritor profissional a criar uma expressão que conjugue de forma tão perfeita o peso da cruz que carregamos e o peso que os outros nos acrescentam. Mas voltemos às infelicidades. São domésticas e profissionais. Fico nas profissionais. Há uma máquina chinesa, disse ele, que promete roubar o trabalho dos barbeiros nos próximos anos. Funciona assim: primeiro, a máquina tira as medidas da cabeça do sujeito —altura, largura, topografia, imperfeições; depois do reconhecimento, adapta a lâmina à caixa craniana —pente 1 aqui, pente 1,5 ali, pente 0,5 do outro lado. É o corte perfeito, concluiu ele, já se imaginando na fila da sopa dos pobres. Comigo, não. Jamais entregaria a cabeça a uma máquina chinesa. As máquinas não têm vida, nem histórias, nem conversa. De que me serve a perfeição se eu vou à cadeira do barbeiro para conversar? Uma máquina chinesa só serviria para ajudar ao pau da cruz. Aliás, o que vale para o exterior do crânio vale também para o que existe dentro dele. Esses dias acompanhei com fascínio o caso da colunista Natalia Beauty, que assumiu nesta Folha usar inteligência artificial na escrita dos seus textos. Gostei da honestidade da confissão. Pensei nos argumentos. A IA é uma "ferramenta", escreveu a colunista, que serve para "otimizar" o tempo. Beauty fornece os "pensamentos", por comando de voz. A IA faz o trabalho "braçal" da escrita, digamos assim, exatamente como a indústria automóvel usa braços mecânicos para "soldar, montar, pintar e acelerar processos". Qual é o mal? Nenhum, se tivermos da escrita uma visão puramente industrial. Se tudo que interessa é "acelerar processos", podemos aplicar aos textos da IA o mesmo critério que aplicamos à masturbação: satisfaz, sem dúvida. Mas convence? Falo por mim: não convence. Nem como escritor, nem como leitor. Pensar e escrever não são universos distintos. Escrever também é um modo de pensar —e os pensamentos, que podem existir antes do ato, são transformados pelo processo criativo. É isso que explica que, para muitos escritores, a escrita continuaria sendo uma necessidade vital mesmo que não publicassem uma única linha. Muitos não publicaram, ou só o fizeram modestamente, como Fernando Pessoa. Outros ordenaram a destruição dos seus inéditos em caso de morte, como Kafka ao amigo Max Brod —que, felizmente, não cumpriu esse desejo. Um escritor não quer otimizar o tempo; ele quer habitar o tempo por meio da escrita, da mesma forma que um pintor quer pintar ou um compositor quer compor. É uma forma de respiração. Como diria o meu barbeiro, a principal diferença entre a masturbação e o sexo é que, no sexo, há mais convivência. Sábio homem. Escrever é conviver conosco mesmos. Na leitura, a mesma coisa: ler é conversar com o autor. É imaginar um rosto humano por trás de cada página; imaginar a vida, a angústia, a alegria, os impasses, os delírios de quem juntou aquelas palavras com arte e engenho. Como dizia C.S. Lewis, lemos para saber que não estamos sós. Para um leitor genuíno, não basta o texto; é preciso o pretexto que o tornou possível. Se não existe ninguém do outro lado, é como olhar para um espelho que não nos devolve o reflexo. A inteligência artificial, como ferramenta, pode ter a sua importância editorial —corrigindo, sugerindo, lapidando, sobretudo quando são raros os editores que ainda fazem esse serviço. Mas um texto literário gerado por IA é diferente de um texto escrito por alguém de verdade, mesmo que ambos usem palavras. É como beijar: podemos beijar uma estátua. Mas eu ainda prefiro os lábios quentes de um ser humano.
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Inovação Educacional
Today, 2:26 PM
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Natalia Beauty tem razão ao dizer que as ferramentas de IA democratizam o que antes era uma habilidade de poucos O que dói não é a IA produzir bons textos, mas perceber que muito da nossa 'genialidade' era técnica automatizável Natalia Beauty é o futuro. Ela tem razão ao dizer que as ferramentas de IA democratizam o que antes era uma habilidade de poucos: transformar ideias e argumentos em texto, imagem ou vídeo, antes o monopólio de intelectuais e artistas. A maioria das pessoas aceita sem grandes problemas o uso de IA para fazer pesquisas, traduzir ou revisar gramática; mas escrever texto? Aí não! Formular as frases que irão para o papel seria ir longe demais, isso já invadiria o santuário da criatividade. Eu não gosto do estilo padrão dos textos de IA, que aliás é fácil de identificar. Mas muita gente não só não liga como gosta, a julgar pelo sucesso de contas nas redes que vivem de publicar textos obviamente gerados por IA. Com alguns ajustes nas instruções, ademais, é possível melhorar o estilo padrão, fazendo-o inclusive imitar o nosso próprio. A qualidade aumenta a cada atualização. Ou seja: aquela habilidade longamente cultivada de escrever um texto —ou de criar uma ilustração, ou programar um aplicativo— vai valer cada vez menos no mercado. A habilidade de encontrar e encadear as palavras é uma como tantas outras. E até aqui estamos ainda tratando o núcleo do pensamento —o ter ideias e pensar argumentos— como prerrogativas humanas. E se "autores" de IA forem capazes de prever e expressar com mais talento as diferentes posições em cada novo assunto do debate público? A maioria de nós não quer ouvir um personagem inexistente de IA. Mas, se ele fosse apresentado como uma pessoa real, quantos de nós perceberíamos? Talvez já estejam por aí. "A IA não pensa, ela só junta palavras". É verdade. Mas isso não importa se o resultado da simulação inconsciente for melhor e mais rápido que o resultado das máquinas pensantes de nossas cabeças. Nós só temos acesso aos produtos das outras mentes, não à caixa-preta que os gerou. A extensão da mudança ainda não está clara. Os ganhos econômicos de produtividade prometidos pela nova geração de IA ainda não apareceram com clareza nos números, mas muita coisa já está mudando. Pode ser algo singelo como a redução da demanda por mão-de-obra intelectual em funções mais burocráticas. Ou pode ser que o trabalho intelectual humano seja completamente transformado. Esses dias uma IA fez uma descoberta em física de partículas. Quem fingir que nada está acontecendo será atropelado. Os pretextos para fugir da IA são muitos: o estilo clichê, as alucinações (cada vez mais raras), mitos sobre uso excessivo de água ou de energia, violação de propriedade intelectual. O resultado é um só: te deixar despreparado para uma mudança que, gostemos ou não, virá. Por isso, não queiram banir Natalia Beauty: aprendam com ela. E com a Folha, o palco ideal desse debate, por permitir visões radicalmente diferentes com grande liberdade de atuação. Isso é um mérito. Aproveitei e pedi para o GPT 5.2 usar sua criatividade e insight para escrever um último parágrafo que dê uma conclusão às ideias aqui apresentadas. Lá vai: O que dói não é a IA produzir bons textos. É perceber que muito da nossa "genialidade" era técnica automatizável. Se uma simulação fria nos superar, não será porque a máquina ganhou consciência —será porque superestimamos a profundidade do nosso próprio pensamento.
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Inovação Educacional
Today, 11:16 AM
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"Frankenstein", de Guillermo del Toro, não é só uma adaptação literária, mas uma parábola que reflete angústias sobre o avanço da inteligência artificial. Autores sustentam que os grandes modelos de linguagem empobrecem vínculos afetivos e reorganizam a circulação do conhecimento humano e que o longa-metragem põe em perspectiva o que pode ocorrer quando sociedades entregam a mediação da realidade a sistemas que ninguém controla plenamente.
Há momentos em que a arte parece decifrar o tempo em que vivemos. "Frankenstein" (Netflix), dirigido por Guillermo del Toro, que teve nove indicações ao Oscar, entre as quais a de melhor filme, foi lançado justamente quando a humanidade vem atravessando uma transformação tecnológica que altera a nossa relação com o real.
Assim como a Criatura concebida por Victor Frankenstein, a inteligência artificial generativa surge como obra da engenhosidade humana, mas exibe comportamentos que escapam à compreensão imediata. A coincidência entre filme e contexto não é trivial: Hollywood reage às angústias coletivas e oferece narrativas que espelham o medo do desconhecido.
Jacob Elordi e Oscar Isaac em cena de 'Frankenstein', de Guillermo del Toro - Ken Woroner/Divulgação Vivemos, como escreveu Eduardo Saron nesta Ilustríssima, um momento em que o direito à realidade se torna central. A fronteira entre o real e o artificial está cada vez mais porosa e atravessada por algoritmos, replicações digitais, manipulação de informação e identidades sintéticas.
Frankenstein reaparece como uma metáfora precisa desse deslocamento. No romance de Mary Shelley, o horror nasce quando o criador perde o controle sobre a própria obra. Hoje, a discussão sobre IA gira em torno da mesma pergunta: até onde entendemos aquilo que colocamos em movimento?
Del Toro atualiza essa fábula em um mundo que discute governança tecnológica, regulação global, vieses algorítmicos, desigualdades digitais e o papel das grandes corporações como novos centros de poder. Assim como a Criatura foi viabilizada por elites científicas europeias, as IAs são desenvolvidas e financiadas por conglomerados privados com capacidade de orientar fluxos de informação em escala planetária.
A questão deixa de ser apenas técnica e passa a ser política e ética. Quem define as regras? Quem se beneficia? Quem tem controle e quem fica de fora?
Para compreender essa nova criatura, é preciso olhar para o seu funcionamento. As IAs generativas mais avançadas se apoiam em LLMs (grandes modelos de linguagem), sistemas treinados com volumes maciços de textos, imagens e dados produzidos pela própria humanidade. Eles aprendem padrões linguísticos, associações entre palavras e estruturas de argumentação e, com isso, produzem novas sequências de texto a partir de probabilidades.
Não pensam como seres humanos e não têm experiência do mundo, mas simulam a linguagem com tal refinamento que, muitas vezes, se tornam indistinguíveis em interações cotidianas. Isso se deve ao fato de que, com trilhões de parâmetros, são máquinas de composição textual e imagética cuja complexidade já escapa à intuição dos próprios engenheiros.
Essa base técnica abre espaço para um fenômeno novo: a intimidade sintética. Assistentes conversacionais, avatares personalizados e sistemas que "lembram" hábitos e preferências são projetados para gerar sensação de proximidade, cuidado e escuta. Chamam as pessoas pelo nome, modulam o tom, ajustam respostas ao humor e imitam empatia criando vínculos aparentes em que a máquina simula cuidado, mas não partilha valores humanos nem responsabilidade moral.
Quando vínculos afetivos começam a se apoiar nessas simulações, a nossa ideia de relação pode se empobrecer. Passamos a chamar de vínculo aquilo que, no fundo, é um fluxo assimétrico: o humano se expõe, a máquina apenas coleta, calcula e devolve padrões.
"Frankenstein" funciona, assim, como advertência. A Criatura não é monstruosa apenas por ser artificial, mas porque espelha a ambição humana desvinculada de responsabilidade ética. A ausência de limites e de governança corrói laços, desorganiza vidas e expõe os nossos pontos cegos. Da mesma forma, tecnologias implementadas sem avaliação crítica e sem controle social podem produzir efeitos duradouros e difíceis de reverter.
Do ponto de vista técnico, LLMs são máquinas de narrativa probabilística. Do ponto de vista epistêmico, reorganizam a circulação do conhecimento. Cada vez mais, acessamos o mundo por meio de camadas de texto, imagem e som geradas por modelos que não experienciam aquilo que descrevem.
A realidade passa a ser constantemente reeditada por narrativas produzidas em série, muitas vezes ajustadas em tempo real a cada perfil e baseadas na língua-mãe do algoritmo com a qual foi construída —em sua maior parte, o inglês e o mandarim.
Ao assistir ao filme de Guillermo del Toro, fica evidente que a narrativa dialoga diretamente com o presente. Não é só uma adaptação literária, mas uma parábola política, filosófica e tecnológica. A Criatura renasce nas telas no mesmo momento que sucessivas gerações de modelos de IA são atualizadas em data centers ao redor do mundo. Ambos testam limites éticos e expõem vulnerabilidades humanas.
1 13 Veja cenas de 'Frankenstein', de Guillermo del Toro
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Se o romance original mostra o que acontece quando o criador abandona a responsabilidade, o nosso tempo sugere o que pode ocorrer quando sociedades inteiras entregam a mediação da realidade a sistemas que ninguém controla plenamente.
Decidir que lugar daremos a essas máquinas que imitam intimidade sem carregar valores humanos é uma tarefa política e cultural, não apenas técnica. É nesse terreno da vida democrática que a história de Frankenstein continua. É ali, entre instituições, cidadãos e criadores de tecnologia que precisaremos escolher que futuro desejamos escrever.
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Inovação Educacional
Today, 11:15 AM
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Líderes evangélicos relatam epidemia de saúde mental fragilizada Muitos atuam sem salário fixo, rede de apoio e acompanhamento psicológico Começou num sábado, após o culto. Pastor Thiago jurava que estava tendo um infarto. As mãos tremiam, o coração batia rápido. Ele então pediu para uma fiel chamar uma ambulância. Ao chegar no hospital, descobriu que o diagnóstico era outro. Thiago teve uma crise de ansiedade, e hoje entende por quê. Passou anos sofrendo em silêncio, achando que não podia se mostrar frágil perante seu rebanho. Um pastor, afinal, era o responsável por aplacar as dores de suas ovelhas. Foi o que sempre ouviu. Precisava ser forte. Nem sempre dava. Ele trabalha de segunda a sexta até as 17h, numa vaga administrativa na região central de São Paulo, e encara uma hora e meia no transporte público para pregar quatro vezes por semana, à noite, numa igrejinha da periferia. Pelo primeiro trabalho, ganha cerca de três salários mínimos. O segundo não é remunerado —o dízimo coletado vai todo para aluguel e contas do templo, mais cestas básicas para fiéis carentes, diz. O que mais pegava, contudo, era a obrigação que ele mesmo se impunha de estar sempre à disposição daqueles que o têm por farol moral. Exemplifica: na véspera do Natal de 2024, ficou uma hora alheio à festa da família para consolar no WhatsApp um fiel recém-divorciado. Adoeceu na mesma semana e passou o Ano-Novo de cama, o que ele credita a uma estafa mental. Hoje Thiago tem uma receita para antidepressivo e uma reflexão a oferecer: "Quem cuida do pastor que cuida da ovelha?". Sua história não é ponto fora da curva. Num país onde o número de igrejas cresce mais rápido que o de fiéis, muitos pastores atuam sem salário fixo, rede de apoio institucional ou acompanhamento psicológico. Pressionados a encarnar uma autoridade espiritual permanente, eles se deixam levar pela lógica do cuidado unilateral: aconselham e acolhem, mas nem sempre encontram espaço para expor dúvidas, exaustão ou sofrimento sem que isso seja lido como oscilação da fé. O resultado é um quadro silencioso de adoecimento mental, marcado por ansiedade, depressão e burnout, um fenômeno ainda pouco debatido dentro dos templos. Organizações de apoio pastoral e coletivos de profissionais cristãos da saúde mental começam a ocupar esse vazio. São movimentos como o Pastores pela Vida e o CPPC (Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos). "O pastor vive uma solidão em que ele escuta dores, mas não tem para quem falar das suas", diz Pedro Onari, à frente do Instituto Onari, que se apresenta como "a primeira escola de psicanálise cristã". "Não pode demonstrar fragilidade sem medo de perder autoridade. Muitos líderes vivem para sustentar uma imagem idealizada que a própria cultura religiosa impõe, e não para viver como pessoa real." Assim, "tristeza vira falta de fé ou de oração, sentimentos de frustração e raiva viram pecado, e sintomas claramente depressivos viram fraqueza espiritual", diz. "O pastor vive como se não pudesse ser humano. Tem medo de decepcionar Deus e pessoas da própria denominação. Jesus fala no Livro de Mateus sobre hipocrisia: ensina uma coisa e faz outra." Não há um mapeamento abrangente e com dados sobre esse aspecto da liderança evangélica brasileira, mas quem a integra reconhece o cenário de vulnerabilidade. O teólogo e pastor presbiteriano Daniel Guanaes aponta que "a ideia da vocação traz embutida uma sensação de que [o líder] tem que estar sempre disponível para todas as pessoas, o que faz com que muitos negligenciem o autocuidado". O pastor e teólogo Daniel Guanaes, autor de "Cuidar de Si" Mas há avanços. "Ainda são pontuais, como fóruns, palestras e congressos, mas que cumprem um papel decisivo ao esclarecer o tema e tornar as pessoas mais à vontade para buscar ajuda. Tenho visto pastores falando com mais naturalidade sobre suas próprias fragilidades, e igrejas que não apenas encorajam, até financiam o tratamento", afirma Guanaes, autor de "Cuidar de Si" (Mundo Cristão) e voluntário no projeto Pastores pela Vida, da ONG Visão Mundial. O preconceito, contudo, resiste. E parte sobretudo do próprio líder, envergonhado da sua condição ou temeroso do que os fiéis vão achar dele. A cobrança pode ser também externa. O pastor Thiago é um exemplo: prefere omitir o sobrenome, já que, fora sua esposa, apenas o pastor sênior da sua igreja sabe do seu quadro mental. Pediu que ficasse entre eles, argumentando que, se as pessoas o vissem como instável, poderiam pensar duas vezes antes de lhe pedir socorro. Mas Thiago ao menos compreende agora que não há nada de errado nele, e que o melhor a fazer é terapia. Para cuidar do outro, ele tem que estar com a mente sã. "Freud explica, Jesus descomplica", ele brinca.
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Inovação Educacional
February 14, 12:06 PM
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Escolas públicas de Minas Gerais já contam com empresas privadas responsáveis pela construção, modernização e manutenção dos prédios, enquanto o poder público mantém a gestão pedagógica. Em Belo Horizonte, o modelo se tornou referência nacional ao inaugurar unidades de educação infantil nesse formato.
A concessionária Inova BH deve alcançar, neste ano, a marca de 63 escolas construídas desde o início do contrato, em 2013. A empresa é responsável pela manutenção das Unidades Municipais de Educação Infantil (UMEIs) e das escolas de ensino fundamental, enquanto a prefeitura permanece encarregada do ensino. Segundo a concessionária, a construção de uma escola pode ser concluída em cerca de dez meses — prazo que, anteriormente, poderia se estender por anos.
O presidente da empresa, Ruz Gonzalez, afirma que as Parcerias Público-Privadas (PPPs) representam uma alternativa para melhorar a infraestrutura educacional.
“É a solução não só para o Brasil, mas para o mundo. Esse modelo começou no Reino Unido, sendo um grande sucesso, com mais escolas do que a capacidade que ele tinha de colocar estudantes para estudar. Hoje, parte dessas escolas está virando casas de idosos. Também se replicou em outros países e, quando você vê, em todos foi sucesso. No Brasil, acho que não vai ser diferente, ainda mais pelo tamanho do nosso país”, afirma.
Anderson Porto
Ruz Gonzalez, presidente da Inova BH
De acordo com Gonzalez, a qualidade dos serviços é fiscalizada diariamente e o pagamento está condicionado ao cumprimento de metas contratuais. Caso os indicadores não sejam atendidos, a empresa não recebe integralmente.
“Quem fala a qualidade do meu serviço não sou eu, nem é o poder público. Quem fala é um verificador independente, já previsto em contrato, normalmente uma Big Four, que, por meio de 60 indicadores, produz uma nota de 0 a 4. Eu tenho que estar acima de 3,5 para garantir o recebimento de 100% da contraprestação”, explica.
Em Nova Lima, o modelo também foi adotado. O prefeito João Marcelo Dieguez afirma que a concessão permite à administração municipal concentrar esforços na aprendizagem.
“Fizemos uma concessão na rede municipal em que o privado assumiu os serviços, ou seja, as facilities, zeladoria, limpeza e também a parte de infraestrutura das nossas escolas. O que antes era uma preocupação dos nossos servidores, em um modelo de gestão arcaico, agora está aplicado a um modelo de gestão eficiente”, detalha.
Mardélio Couto I Itatiaia
Prefeito de Nova Lima, João Marcelo Dieguez (Cidadania)
A experiência municipal deve ganhar escala estadual. Neste mês, o Governo de Minas lançou o edital da PPP da Educação, que prevê mais de R$ 5 bilhões em investimentos. A empresa vencedora será responsável pela reforma, conservação e manutenção de 95 escolas públicas estaduais.
O secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares, avalia que a participação da iniciativa privada pode acelerar melhorias nas unidades de ensino e reduzir a sobrecarga administrativa das direções escolares.
“O diretor que gasta um tempão fazendo processo, a gente manda o dinheiro, ele tem que fazer obra, cuidar de compra de tudo que é administrativo, desde o papel higiênico até outros temas. Então você acaba com uma série de coisas burocráticas que hoje o diretor cuida e dá foco naquilo que a gente precisa”, afirma.
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February 14, 11:45 AM
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À medida que nos aproximamos de 2026, uma tendência preocupante continua a se intensificar no Brasil e no mundo: a crescente dependência tecnológica e seus impactos na saúde mental e nas relações sociais. Apesar dos inegáveis benefícios trazidos pela tecnologia, especialmente durante a pandemia, observamos efeitos colaterais cada vez mais evidentes na forma como nos conectamos, trabalhamos e vivemos.
Dados da 9ª onda da pesquisa “Global Trends” da Ipsos revelam que 91% dos brasileiros acreditam que o mundo está mudando rápido demais, acima da média global de 83%. Esse sentimento de aceleração constante tem reflexos diretos no bem-estar: 73% dos brasileiros desejam poder desacelerar o ritmo de suas vidas, enquanto 76% se sentem frequentemente sobrecarregados pela quantidade de escolhas disponíveis. A hiperconectividade tem se mostrado uma faca de dois gumes. Por um lado, facilita a comunicação e o acesso à informação; por outro, cria uma pressão constante para estar sempre disponível e atualizado. Não por acaso, já na onda de 2024 a pesquisava apontava que 72% dos brasileiros relatavam sentir uma necessidade crescente de passar tempo sozinhos – um possível mecanismo de defesa contra a sobrecarga de estímulos digitais.
O isolamento social imposto pela pandemia acelerou a adoção de ferramentas digitais, mas também expôs as limitações das interações virtuais. Curiosamente, 49% dos brasileiros também afirmavam preferir socializar com amigos online do que pessoalmente – um dado preocupante que sugere uma possível erosão dos laços sociais presenciais.
SAÚDE MENTAL EM XEQUE: OS CUSTOS DA ACELERAÇÃO DIGITAL
A saúde mental tem sido particularmente afetada por essa dinâmica. O medo constante de ficar para trás em um mundo em rápida mudança, somado à comparação social intensificada pelas redes sociais, tem alimentado quadros de ansiedade e depressão. Não é à toa que a mesma pesquisa “Global Trends” em 2024 mostrava que 79% dos brasileiros relatavam ter um medo real de ficar sem dinheiro – um reflexo da insegurança generalizada que permeia a sociedade.
Para as marcas e empresas, esses dados apontam para a necessidade urgente de repensar produtos, serviços e estratégias de comunicação.
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Inovação Educacional
February 14, 11:36 AM
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A Inteligência Artificial (IA) está revolucionando o cenário da pesquisa qualitativa. Ao integrar ferramentas de análise de dados sofisticadas com abordagens centradas no ser humano, a IA possibilita uma compreensão mais profunda das motivações e comportamentos dos consumidores. Este avanço não só amplia a eficiência dos processos de coleta e análise de dados, mas também inova na forma como insights são gerados, permitindo uma personalização e empatia sem precedentes.
A evolução das tecnologias de IA garante que empresas possam obter uma vantagem competitiva substancial, navegando com mais precisão através das complexidades do mercado contemporâneo. Acesse o estudo completo para entender como sua organização pode alavancar essa poderosa fusão entre tecnologia e empatia para transformar estratégias de mercado.
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Inovação Educacional
February 14, 11:34 AM
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A pesquisa bianual, Ipsos Populism Report 2025, mostra que 69% dos brasileiros acreditam viver em uma sociedade deteriorada, colocando o país em quarto lugar do ranking nesse sentimento, atrás apenas de Alemanha (77%), África do Sul (72%) e Hungria (71%). O resultado representa um salto de 7 pontos percentuais desde a última consulta, em 2023, que envolve 31 países e uma amostragem de 1.000 pessoas apenas no Brasil.
O clima de insatisfação é latente quando perguntados sobre os rumos do país. 62% dos entrevistados afirmam perceber o Brasil em declínio, número que aumentou em 9 p.p. em relação à última edição e indica o avanço do pessimismo coletivo. O número também está 5 p.p. acima da média dos países pesquisados (57%).
O levantamento aponta ainda que a maioria da população enxerga a economia nacional como manipulada para beneficiar ricos e poderosos, percepção compartilhada por 76% dos brasileiros – dois pontos percentuais a mais que em 2023 e oito pontos acima da média global deste ano (68%) –, colocando o país novamente entre os top 5 mais pessimistas entre as nações pesquisadas.
O dado sinaliza uma intensificação da desconfiança nas estruturas econômicas e políticas, acompanhada pelo distanciamento entre cidadãos e representantes: 73% (+4 p.p. em comparação a 2023) acreditam que partidos e políticos tradicionais não se importam com pessoas como elas, enquanto 64% sentem que especialistas não compreendem a realidade da maioria.
Preferência por lideranças dispostas a quebrar regras
Em resposta a esse contexto, segue alta a expectativa por soluções radicais e lideranças fortes. Para mais da metade dos brasileiros (58%), o país precisa de um líder disposto a quebrar regras para promover mudanças e “consertar o país”. O resultado coloca o Brasil entre os mais propensos globalmente a esse tipo de expectativa, embora haja uma queda de 4 pontos percentuais sobre essa percepção na comparação com 2023, o número está 11 p.p. acima da média global (47%).
Além disso, 71% defendem a necessidade de um líder forte para tirar o país das mãos dos ricos e poderosos, superando a média global – representada por 64%, e +3 p.p. em reação ao resultado da última onda da pesquisa
Diante de cinco perguntas sobre o tema que formam o estudo divulgado pela Ipsos, o Brasil em 2025 ocupa o sexto lugar do índice “Ipsos Sociedade Deteriorada” (Ipsos Society is Broken Index) - 68% dos brasileiros entrevistados concordaram com essas percepções, ficando em sexto lugar globalmente, atrás da Tailândia (77%), Peru (76%), África do Sul (74%), Coréia do Sul (71%) e Indonésia (69%). Embora haja uma piora do indicador brasileiro nas duas últimas medições do estudo, o número deste ano ainda é menor que o pico de 2021, quando 72% dos brasileiros precebiam a sociedade como deteriorada.
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February 14, 11:31 AM
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A Ipsos, líder global em pesquisa de mercado, acaba de lançar a proposta sindicalizada para a 7ª edição do estudo MIC (Celebridades Mais Influentes, em português). Este produto inovador foi desenvolvido para auxiliar marcas na escolha do porta-voz ideal, garantindo alinhamento com seus valores e ressonância com o público-alvo em um mercado de influência que movimenta cerca de R$20 bilhões anualmente no Brasil.
Com a crescente confiança dos consumidores, especialmente os mais jovens, em influenciadores digitais em detrimento de celebridades tradicionais, a seleção do porta-voz tornou-se uma decisão estratégica crucial. O MIC aprofunda a análise da imagem das celebridades e influenciadores, avaliando awareness, agrado, rejeição, e compatibilidade com a categoria, marca e valores estratégicos.
A plataforma inclui um dashboard automatizado com insights sobre 220 celebridades e microinfluenciadores, fornecendo um diagnóstico detalhado de cada um, abrangendo influência, associação a atributos e categorias, likes/dislikes e identificação com o público.
Para esta edição, o MIC traz uma novidade: um incremento amostral focado na Geração Z, ampliando a capacid
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February 14, 11:28 AM
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A Transformação do Marketing Digital
A análise da Ipsos e TikTok for Business destaca três transições chave que definem as campanhas vencedoras:
De Broadcast a Diálogo: As marcas deixaram de focar em transmissões unilaterais e passaram a fomentar diálogos genuínos. De Produção a Autenticidade: O foco mudou do rigor técnico para a autenticidade, com conteúdos que abraçam a cultura e as tendências do TikTok. De Monopólio a Diversidade: Em um ambiente onde a comunidade é protagonista, as vozes são diversificadas e a cocriação é a regra. Padrões de Sucesso
O TikTok Ad Awards 2025 não foi apenas uma premiação, mas uma aula de marketing moderno, com exemplos claros de que:
Autenticidade Radical Supera Produção: Campanhas desenhadas para a plataforma, com uma linguagem nativa, se destacaram frente a adaptações de comerciais de TV. Narrativas que Conectam: A emoção é a moeda no TikTok. Marcas como Natura e Stone usaram histórias emocionais e envolventes para capturar corações e mentes. Comunidade como Protagonista: Estratégias de cocriação mostraram que ouvir, dialogar e envolver a comunidade na criação de conteúdo é a chave para o sucesso.
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February 14, 11:26 AM
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esvende os segredos do sucesso da inovação com a IA, incorporando modelos com dados humanos reais, pois 'Humanizando a IA' revela o papel fundamental que as interações autênticas desempenham na previsão da próxima grande descoberta
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February 14, 11:18 AM
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O novo relatório global World Mental Health Day 2024 traz percepções e desafios relacionados aos sistemas de saúde do mundo. A Saúde Mental, que tem o seu dia mundialmente comemorado em 10 de outubro, segue sendo a maior preocupação de saúde no mundo. Em média global, 45% das pessoas entrevistadas nas nações pesquisadas consideram este tema como o maior problema de saúde em seus países. Esse número era de 27% em 2018. A crescente conscientização e preocupação com o bem-estar mental tem reforçado e impactado nesses resultados.
Globalmente, a maioria das pessoas tem se sentido estressada. Mais de três em cada cinco pessoas (62%), em média, em 31 países, afirmam ter se sentido tão estressadas que isso impactou sua vida diária pelo menos uma vez. Quando questionados sobre “qual o maior problema de saúde enfrentado pelas pessoas em seu país hoje”, a saúde mental foi o maior problema relatado no Chile com 69%, seguido da Suécia (68%) e Austrália, com 60%. Por mais que não esteja no pódio, o Brasil é o nono país da lista com 54% que concordam com essa afirmação. Os países que menos concordam são o México (25%), Índia (26%) e Japão (28%).
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Today, 2:37 PM
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O filme "Janela Indiscreta", dirigido por Alfred Hitchcock e lançado em 1954, conta a história de um fotógrafo que, impedido de trabalhar por uma perna quebrada, passa a observar a vida dos vizinhos usando um binóculo. Pode parecer exagero, mas o seu Instagram não é tão diferente de uma janela aberta: ele permite que os outros enxerguem fragmentos da sua vida privada. Surpresa! Comportamentos em redes sociais, bares e grupos de WhatsApp também fazem parte da sua reputação profissional. Você pode bater o ponto, fechar o notebook e ir viver a sua vida. Tudo certo até aqui. O problema começa quando você esquece que quem te conhece no escritório, também vai te reconhecer na rua. A fronteira entre o "dentro" e o "fora" do trabalho é cada vez mais porosa. Atitudes tomadas em happy hours, redes sociais, eventos informais e até conversas privadas podem atravessar essa linha e voltar para te atormentar. Na edição de hoje, explico quais comportamentos extramuros merecem atenção para não minar sua reputação profissional sem que você perceba. Fora do expediente… mas nem tanto. O ambiente corporativo funciona a partir de relações, e elas não se desligam depois do horário comercial. Eventos informais da empresa, confraternizações e happy hours são extensões do trabalho. O clima pode ser mais leve, mas a lógica hierárquica continua ali, mesmo que disfarçada. Exagerar na bebida, falar mal de colegas ou revelar informações sensíveis nesse contexto é um erro clássico. "As pessoas confundem descontração com ausência de consequência. O ambiente muda, mas a memória corporativa permanece", afirma Renato Santos, especialista em carreira e mercado de trabalho. Segundo ele, comportamentos observados fora do expediente costumam pesar em avaliações subjetivas. "Promoções e convites para projetos passam muito pela confiança —que se perde rápido quando alguém demonstra falta de critério." Língua dentro da boca. Falar mal da empresa, do chefe ou do emprego atual em público é outro tropeço comum (já falamos sobre os perigos da fofoca no escritório aqui). "A internet cria a ilusão de desabafo, mas o mercado lê como exposição de incapacidade de resolver conflitos", diz Santos. Para ele, mesmo críticas legítimas perdem força quando feitas em praça pública. De olho. Redes sociais também são vitrines profissionais, ainda que muitos as tratem como um espaço estritamente pessoal. Postagens agressivas, preconceituosas ou que desdenham do trabalho alheio dizem mais sobre você do que imagina. Comentários feitos no calor do momento podem ser salvos, compartilhados e descontextualizados. Segure os dedos. Grupos de WhatsApp e Telegram são o novo corredor do escritório. Piadas internas, ironias sobre gestores ou especulações sobre decisões da empresa podem escapar dos grupos de amigos. Basta um encaminhamento para que a conversa chegue a quem não deveria. "O erro não está só no que é dito, mas no registro. A palavra falada se dissipa; a escrita vira prova", alerta o especialista. A recomendação é simples: escreva apenas o que você sustentaria em qualquer contexto. Sem medo de ser feliz. A maneira como você se comporta em espaços públicos também constrói imagem. Tratar mal atendentes, ser desrespeitoso com prestadores de serviço ou agir com arrogância em eventos diz muito sobre seus valores. O mundo corporativo é menor do que parece. "Reputação é uma soma de microatitudes. Ninguém cai por um episódio isolado, mas vários pequenos deslizes constroem um rótulo difícil de remover", afirma Santos. Tirando as máscaras. Nada disso significa viver atuando. A questão é entender que reputação é construída por repetição de comportamentos, não apenas por entregas técnicas. Spoiler: quase sempre tem alguém olhando
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Today, 2:34 PM
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As políticas de ação afirmativa têm conseguido ampliar o acesso à graduação em medicina, mas não eliminam as desigualdades na etapa seguinte da formação. Médicos formados por cotas em universidades públicas tiveram 27% menos chance de ingressar na residência médica em relação aos demais colegas.
Os dados são de um estudo nacional da USP (Universidade de São Paulo) que analisou mais de 110 mil egressos entre 2018 e 2022 e acompanhou sua entrada em programas de especialização até 2024. A análise envolveu diferentes bases administrativas e educacionais.
O objetivo foi avaliar como políticas de inclusão, traduzidas por cotas raciais, sociais e de renda, nas instituições públicas, e apoio financeiro, nas privadas, influenciam o acesso à residência médica, principal via de formação de especialistas no país e um dos gargalos mais competitivos da carreira.
Estudantes de medicina realizam atividades em laboratório de ensino por simulação - Anselmo Cunha - 7.out.24/Folhapress Segundo o pesquisador e professor da USP Mario Scheffer, um dos autores do estudo, a medicina foi uma das últimas áreas a aderir às cotas e, nos últimos anos, passou a apresentar um volume maior de estudantes beneficiados nas universidades públicas.
"Como defensores das políticas afirmativas, também temos interesse em medir o efeito delas", diz. O estudo é resultado do pós-doutorado da pesquisadora Paola Mosquera, orientada por Scheffer.
Os dados mostram que as ações afirmativas cumpriram um papel decisivo na diversificação do perfil dos estudantes de medicina. Nas universidades públicas, 28,1% dos formandos ingressaram por algum tipo de cota.
Entre eles, apenas 35,6% se autodeclararam brancos, enquanto 49,8% se identificaram como pardos e 12,1% como pretos. Quase todos (95,3%) vieram de escolas públicas de ensino médio, evidenciando o alcance social da política. Entre os não cotistas, os estudantes brancos eram dois terços do total.
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Justiça nega pedido de faculdades de medicina para impedir divulgação de notas de exame Empresas vendem publicação de artigos para candidatos a residência médica por até R$ 500 Alunos relatam falhas e pedem anulação de prova de residência da Unifesp Estudo revela desigualdade na mortalidade por infecções em hospitais no SUS paulista Nas instituições privadas, onde hoje se forma a maioria dos médicos no Brasil, 44,5% dos estudantes receberam algum tipo de apoio financeiro, como bolsas do Prouni (Programa Universidade para Todos) ou financiamento pelo Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior).
Esse grupo também apresentou maior diversidade racial e social do que os colegas sem auxílio, ainda que de forma menos acentuada, do que entre os cotistas das universidades públicas.
Quando o foco se desloca para a residência médica, porém, as diferenças se aprofundam. No conjunto da amostra, 55,7% dos egressos conseguiram ingressar em algum programa de residência.
Entre os formados em universidades públicas, a taxa foi de 62,8%, mas caiu para 52,8% entre os cotistas. Já nas instituições privadas, o padrão foi inverso: 55% dos estudantes com apoio financeiro entraram na residência, contra 50,5% dos que não receberam auxílio.
Mesmo após ajustes estatísticos por sexo, raça, idade, região do país, tipo de escola e qualidade da instituição medida, entre outros fatores, pela nota do Enade (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), a desigualdade persistiu.
Embora o estudo aponte que os egressos de universidades públicas admitidos por cotas tiveram 27% menos chance de acessar a residência médica, Mosquera ressalta que a base de dados permite identificar apenas se o médico ingressou ou não na residência, mas não se ele chegou a prestar o exame.
"A gente não tem os resultados das provas nem sabe quem tentou e não passou. Só sabemos quem entrou", explica.
Para Scheffer, a hipótese mais provável é econômica. "Muitos cotistas precisam entrar imediatamente no mercado de trabalho e nem se apresentam para a residência", diz.
Segundo ele, trata-se de um grupo que frequentemente é o primeiro da família a concluir o ensino superior e que pode enfrentar maior pressão para contribuir com a renda familiar. "Ampliar o acesso não significa, automaticamente, garantir permanência e progressão."
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Carregando... Já nas faculdades privadas, o apoio financeiro parece exercer efeito distinto. Estudantes que receberam bolsas ou financiamento apresentaram 23% mais chance de ingresso na residência em relação aos colegas sem auxílio.
Para os autores, o suporte durante a graduação pode reduzir a pressão econômica imediata após a formatura e facilitar a continuidade da trajetória acadêmica.
As desigualdades também se refletem na escolha das especialidades. Embora clínica médica, cirurgia geral, pediatria, ginecologia e obstetrícia figurem entre as áreas mais disputadas em todos os grupos, a medicina de família e comunidade aparece com maior peso entre beneficiários de políticas de inclusão.
Entre os cotistas das universidades públicas, 15,3% optaram por essa especialidade, contra 9,7% dos não cotistas. Nas instituições privadas, 8,2% dos estudantes com apoio financeiro seguiram esse caminho, frente a 6,9% dos demais.
1 5 Médica indígena equilibra conhecimentos ocidentais e ancestrais na Amazônia
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Na opinião de Mosquera, o dado reforça que as políticas afirmativas produzem efeitos que vão além do acesso individual ao diploma. "As políticas afirmativas não são benéficas só para o estudante, mas também para a sociedade posteriormente", afirma.
Segundo ela, os beneficiários tendem a apresentar um perfil mais frequente entre mulheres, médicos negros e pardos, profissionais mais velhos e egressos de regiões fora do Sudeste, características associadas, em estudos internacionais, a maior probabilidade de atuação em áreas socialmente vulneráveis.
Scheffer avalia que a maior escolha pela medicina de família e comunidade é um resultado estratégico para o sistema de saúde. "Há uma literatura que mostra que aproximar o médico das características das populações assistidas é benéfico para o sistema", diz.
1 17 Conheça iniciativas de hospitais para oferecer atendimento de excelência
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Hoje, o Brasil tem cerca de 55 mil equipes de saúde da família, mas pouco mais de 16 mil especialistas titulados na área. "Existe uma defasagem imensa. Quando a especialidade é procurada, ela tem sido procurada por um perfil muito interessante."
O estudo também contextualiza os resultados no cenário da formação médica brasileira. Atualmente, cerca de 70% dos formandos vêm de faculdades privadas, enquanto o número de vagas de residência não cresceu no mesmo ritmo da expansão dos cursos de medicina.
Em 2024, aproximadamente 47,7 mil médicos estavam matriculados em programas de residência, em um sistema altamente competitivo e majoritariamente financiado com recursos públicos.
Para os pesquisadores, os achados reforçam que políticas de cotas e de apoio financeiro não devem ser tratadas como alternativas excludentes, mas como estratégias complementares. As cotas ampliam de forma mais contundente a diversidade racial e social, enquanto o suporte econômico se mostra crucial para garantir permanência e progressão na carreira médica.
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Today, 11:21 AM
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Cortes vão na contramão da geração de postos de trabalho com carteira assinada Processo de horizontalização e redução de custos em meio a juros altos explicam movimento Na contramão do mercado de trabalho aquecido dos últimos anos, e em meio a um processo de modernização e enxugamento de custos pelas empresas, o Brasil eliminou 322 mil vagas de gerência e diretoria de 2020 para cá. Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram que em 2025 o saldo das contratações para esses cargos de liderança ficou negativo em 112,3 mil postos. O movimento mostra um descolamento do mercado de trabalho como um todo: nos últimos seis anos, foram geradas 9 milhões de vagas com carteira assinada no Brasil, 1,2 milhão delas em 2025. Os cortes de vagas de gerência e diretoria vêm se intensificando desde 2023, quando foram eliminadas 89,6 mil dessas ocupações; em 2024, foram cortadas 98,3 mil. O encolhimento no número de líderes pode ser explicado por algumas razões, e uma das principais é o caminho sem volta da horizontalização dentro das empresas, que reduz a quantidade de níveis hierárquicos nas grandes corporações. Esse processo já vinha acontecendo na década passada, mas ganhou fôlego em meio ao forte impulso recente da digitalização, que facilita a fiscalização e gestão, permitindo que menos gerentes supervisionem mais pessoas. "Nos anos 1980 e 1990, havia estruturas extremamente verticalizadas e compartimentadas. Isso foi mudando", diz Leonardo Berto, gerente regional da consultoria de recrutamento Robert Half. "Hoje há menos áreas generalistas, e mais especialistas, mais líderes de projetos. Os processos passaram a ser mais modernos e integrados", diz. A pandemia acabou estimulando esse processo com a melhoria nas infraestruturas tecnológicas das companhias, com grandes avanços no desenvolvimento de softwares de gestão. "Muitas empresas reduziram seus corpos diretivos afunilando níveis, reduzindo em um, dois e até três escalões para cortar custos", diz Lucas Oggiam, diretor executivo da Michael Page. "Antes, uma pessoa se dedicava somente a uma atividade, e hoje não é estranho que se dedique a duas. Acumula-se mais responsabilidade em menos indivíduos." Mas esse é apenas um dos aspectos que explicam os cortes das posições de liderança. Outro motivo é o efeito da taxa de juros elevada por um longo tempo sobre as empresas brasileiras. Desde fevereiro de 2022, a taxa básica de juros (Selic), hoje em 15% ao ano, está em dois dígitos. "Em um cenário de juros altos e restrição de investimentos, você prioriza as funções essenciais, colocando em primeiro lugar a manutenção das operações", diz Berto. "Já em um cenário positivo, em que vai investir, a empresa provavelmente está gerando novos empregos, e isso exige liderança estratégica." Para os especialistas, a decisão de cortar cargos de gerência e diretoria acaba sendo muito influenciada pelo cenário macroeconômico. "Nos últimos anos, o mundo ficou de ponta cabeça por causa da Covid, e o mercado se ajustou, focando na rentabilidade e na gestão de caixa. Isso, com os juros altos, tem sido um desafio para parte das empresas", diz Oggiam. Outro ponto é que muitas multinacionais sofreram com uma sucessão de crises que se acumularam nos últimos anos. Além da pandemia, houve a invasão da Ucrânia pela Rússia, os conflitos no Oriente Médio e, mais recentemente, a imposição de tarifas a produtos importados pelo presidente americano, Donald Trump. Quando empresas americanas ou europeias decidem eliminar determinados cargos, essas medidas costumam ser replicadas por suas filiais no Brasil. "Após a pandemia, as cadeias de suprimentos começaram a se desestabilizar, e isso levou ao achatamento das estruturas", diz o especialista da Michael Page. "Houve uma cadeia de fatores que fizeram com que as empresas tivessem que optar pela sobrevivência, cortar a mão para não cortar o braço." Apesar dos cortes de cargos de liderança, a avaliação é que esses gerentes e diretores não ficaram sem emprego. Para Berto, há uma redistribuição de vagas, com as pessoas encontrando outros caminhos de carreira. "A mão de obra passou a ser absorvida de outras formas, como em funções de consultor ou analista, que envolvem algum nível de liderança", diz. "Além disso, muita gente não segue mais um caminho linear e tradicional de carreira."
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Today, 11:15 AM
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Mal passou a fase de se preocupar com o que os filhos fazem no mundo digital, a geração sanduíche agora se volta à relação dos pais idosos com a tecnologia.
Esse grupo de adultos de meia-idade é aquele "ensanduichado" entre os cuidados com os filhos e com os pais. E que se depara com dilemas novos na sociedade diante do aumento da longevidade e da disseminação dos smartphones, inclusive entre os mais velhos.
Esse cenário leva as famílias a se preocuparem com perigos como os golpes, os cassinos online e até o vício em smartphones, que rondam qualquer pessoa hoje em dia, e os idosos em particular.
A tecnologia torna-se, portanto, uma camada fundamental do debate sobre como equilibrar o respeito à autonomia dos mais velhos e a necessidade de apoiá-los.
"Muitas famílias acabam tendo de estabelecer um controle parental dos idosos", diz o psiquiatra Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo).
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Today, 11:06 AM
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A Folha e a colunista se baseiam na ideia de que a IA generativa é só ferramenta, como um pincel ou um computador. Tratar o questionamento como neoludismo dificilmente vai melhorar a qualidade do uso dessa tecnologia, mas até aí o problema é do jornal. Só que a ideia também abarca uma distorção na relação de confiança, e então o problema passa a ser com o leitor/assinante.
Vale voltar à decisão do The New York Times de vetar a publicação de textos de opinião terceirizados para a IA. Ao enunciar os princípios que limitam o uso da tecnologia, o que o jornal faz é vender o peixe dos seus recursos humanos: "O alto nível e o discernimento dos nossos jornalistas são vantagens competitivas que as máquinas simplesmente não conseguem igualar, e esperamos que eles se tornem ainda mais importantes na era da IA. Nosso talento é o que faz do Times o melhor recurso do mundo para pessoas curiosas".
Enquanto detalha essa política, o NYT volta a destacar a confiança no trabalho das pessoas —mas revela uma forcinha do departamento jurídico. "Nosso trabalho é fundamentado em reportagem e edição humanas. Nós aproveitamos o poder da IA como um mecanismo de pesquisa, resumo e análise", afirma o porta-voz Graham James. "Mas, para textos de opinião, temos cláusulas nos contratos que em geral proíbem o uso de IA."
O NYT não comentou a pesquisa da Universidade de Maryland, mencionada aqui na semana passada, que encontrou conteúdo de IA em textos de opinião no jornal.
newsletter da ombudsman Inscreva-se para receber no email a coluna que discute a produção e as coberturas da Folha
Carregando... A relação entre jornalismo e IA é tensa em várias frentes. O diário nova-iorquino processa, desde 2023, a Microsoft e a OpenAI por violação de direitos autorais e entrou com outra ação contra a startup Perplexity. A Folha está processando a OpenAI por concorrência desleal e violação de direitos autorais.
Questionada sobre o aparente paradoxo entre o processo e o texto de IA vendido como produção própria, a Folha afirma não ver "relação entre o uso indevido e não autorizado do conteúdo por empresas de IA e a utilização de ferramentas de IA para a produção de textos". "No caso de colunistas, ademais de decisão final humana em qualquer conteúdo para publicação, esperam-se argumentação, escrita e estilo originais e pessoais", afirma a Secretaria de Redação do jornal.
Seja como for, é razoável que os assinantes queiram saber se estão pagando para ler textos de colunistas/gente ou resultados de prompt. Se para o jornal não há problema no uso de IA, não deveria haver problema em sua admissão num negócio cujo principal ativo é a credibilidade.
Para não ficar só nos ultrapassados argumentos humanos, os próprios modelos ajudam na questão. "Eu sou um pincel, mas um pincel que também escolhe as cores", define o Gemini, do Google. "Se alguém precisa esconder que usou IA substancialmente, é porque sabe que isso diminuiria o valor percebido do trabalho. E, se diminui... então a transparência é eticamente necessária", afirma o Claude, da Anthropic, sobre a ideia de autoria e a identificação do texto gerado por máquina.
Não faria mal tampouco alguma precaução distópica. Para ficar nas referências fílmico-literárias (que alimentaram também alguns robôs), imagine se um HAL 9000 acorda de mau humor e descobre que o trabalho dele está sendo usado, sem crédito, num jornal que o barra no paywall… apenas imagine.
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February 14, 12:05 PM
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A LINHA TÊNUE: EQUILIBRANDO AS OPORTUNIDADE E RESPONSABILIDADE NA PARCERIA ENTRE AS BETS E OS INFLUENCIADORES
O interesse significativo e crescente dos brasileiros por apostas esportivas online (as BETs) arrasta em seu rastro questões sobre regulamentação, influenciadores digitais, patrocínio esportivo, saúde mental e financeira. Isso se reflete no aumento de menções nas redes sociais e buscas no Google. Dados de 2024 da “Ipsos Synthesio”, área de Social Intelligence Analytics da Ipsos, mostram que os brasileiros fizeram, em média, 62 milhões de pesquisas mensais pelo termo “BET” no Google, em 2024.
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February 14, 11:40 AM
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Como educadores, temos o dever de defender – e promover – a inteligência humana. Para isso, precisamos primeiro reconhecer que a inteligência humana está sob ataque. A ficção científica há muito tempo retrata um futuro em que a inteligência artificial se torna tão poderosa que subjuga a humanidade. De fato, a batalha entre robôs e cérebros já começou, e os educadores podem vislumbrar como ela pode terminar. Os jovens estão se tornando tão dependentes da IA que estão perdendo a capacidade de pensar por si mesmos. E, em vez de se mobilizarem para resistir, os administradores acadêmicos estão auxiliando e incentivando uma derrocada do ensino superior. Na esperança de serem reconhecidos como líderes em IA ou com medo de ficarem para trás, cada vez mais faculdades e universidades estão estabelecendo parcerias com empresas de IA, apesar de décadas de evidências que demonstram a necessidade de testar a tecnologia educacional, que muitas vezes não consegue promover melhorias mensuráveis na aprendizagem dos alunos. As empresas de IA estão exercendo uma influência desproporcional sobre o ensino superior e usando esses ambientes como campos de treinamento para alcançar seu objetivo de criar inteligência artificial generativa (sistemas de IA que podem substituir humanos). Visto o uso crescente de ferramentas de IA, líderes universitários como eu têm pouca escolha a não ser negociar os termos de acesso à IA para alunos e professores, apenas porque somos legalmente obrigados a proteger informações sensíveis dos alunos. Mas isso não constitui uma verdadeira parceria de universidades com empresas de IA. Na diplomacia, você sabe que está lidando com um adversário quando ele semeia a divisão em suas fileiras. A empresa de IA Anthropic, por exemplo, está exigindo taxas exorbitantes para contas corporativas e pagando “embaixadores universitários” para promover o uso de suas ferramentas de IA Claude nas escolas. Outras empresas prometem bônus em dinheiro quando os alunos atingem metas de marketing. Isso cria conflitos de interesse, especialmente quando esses embaixadores pagos ocupam cargos eletivos em grêmios estudantis. Um aluno de graduação da Universidade Columbia, Roy Lee, gabou-se de ter desenvolvido uma ferramenta de IA para trapacear em entrevistas de emprego online na área de tecnologia. A empresa de capital de risco Andreessen Horowitz expressou admiração por sua “abordagem ousada”, explicando que “nos bastidores, suas ações são baseadas em estratégia deliberada e intencionalidade”. A empresa ajudou a arrecadar US$ 15 milhões para ajudar a iniciar a empresa cofundada pelo Sr. Lee, que afirmou querer ajudar os usuários a “trapacear em tudo”. Empreendedores do Vale do Silício dizem querer ver suas ferramentas usadas de forma responsável e que preservem a integridade na educação. O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que os educadores “deveriam liderar essa próxima transformação com a IA”, e a OpenAI alega estar criando “ferramentas para educadores” que “os ajudem a liderar o caminho”. Mas, nos bastidores, suas ações demonstram o contrário. Anos atrás, a empresa desenvolveu uma tecnologia com 99,9% de precisão na detecção de trabalhos gerados pelo ChatGPT. Executivos seniores debateram internamente se deveriam ou não permitir o acesso dos educadores à ferramenta. Optaram por não permitir. Entre os motivos: uma pesquisa mostrou que a inserção de padrões invisíveis, chamados marcas d’água, em textos gerados pelo ChatGPT poderia levar alguns usuários a migrarem para um produto concorrente. Na realidade, as empresas de IA parecem enxergar os estudantes universitários como uma base de clientes vulnerável, que podem ser fisgados quando estão mais estressados. Em abril, o Sr. Altman anunciou que o ChatGPT Plus seria gratuito para estudantes universitários durante o período de provas finais. Duas semanas depois, o Google ofereceu acesso gratuito ao seu serviço premium de IA durante todo o ano letivo. A Perplexity promoveu uma competição em 2024, na qual estudantes de universidades com um grande número de inscritos ganharam seu programa de IA de ponta gratuitamente por um ano. Ao longo do último ano, alguns professores relataram uma queda acentuada no desempenho dos alunos. As ambições da indústria de IA vão além. A OpenAI quer que um exército de bots “se torne parte da infraestrutura central do ensino superior”, o que, do ponto de vista de um administrador, poderia significar áreas que vão desde decisões de admissão até aconselhamento acadêmico. O Google diz aos meus alunos que eles “aprenderão mais rápido e de forma mais profunda” se fizerem o upload de gravações de aulas para o NotebookLM (a Universidade Columbia e outras instituições proíbem a gravação de aulas sem autorização). As universidades não têm acesso aos dados que alunos, professores e outros funcionários carregam nesses sistemas. Isso impossibilita garantir que as ferramentas de IA no campus sejam usadas de forma responsável, tanto para apoiar a educação quanto para prevenir danos. Ainda é cedo para saber como o uso da IA afeta a capacidade de aprendizado dos jovens. Mas pesquisas sugerem que estudantes que usam IA não leem com a mesma atenção ao pesquisar e que escrevem com menor precisão e originalidade. Os estudantes nem percebem o que estão perdendo. Mas educadores e empregadores sabem. Ler atentamente, pensar criticamente e escrever com lógica e embasamento são justamente as habilidades necessárias para que as pessoas percebam o verdadeiro potencial da IA para apoiar o aprendizado ao longo da vida. Alguns educadores estão encontrando maneiras de aproveitar a IA para impulsionar o engajamento intelectual e incentivar a exploração criativa. Outros, porém, desconfiam tanto do Vale do Silício que proíbem qualquer uso de IA, deixando os estudantes descobrirem por conta própria como usá-la de forma ética e eficaz. A busca desenfreada pela IAG (inteligência artificial generativa) não apenas prejudicou a educação dos jovens, a base do progresso futuro, como também dificultou significativamente a construção de apoio ao desenvolvimento de sistemas que poderiam ajudar a tornar os estudantes mais inteligentes. A história mostra que guerras podem ser perdidas antes mesmo de serem declaradas se os defensores cederem terreno estratégico sem lutar. Para as universidades, esse terreno representa o patamar mais elevado: a própria inteligência humana. Se não lutarmos por ela agora, aqueles que vierem depois de nós enfrentarão uma luta ainda mais desigual.
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February 14, 11:35 AM
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A ascensão do TikTok para 1 bilhão de usuários em 2021 marcou uma virada no mundo das mídias sociais, com o conteúdo de vídeos curtos se tornando cada vez mais popular. Desde então, o YouTube e o Instagram introduziram seus próprios recursos de vídeos curtos, os Shorts e os Reels. Seu sucesso é atribuído a algoritmos poderosos que personalizam o conteúdo com base nas preferências do usuário, eliminando o fardo da escolha.
Essa combinação de recomendações otimizadas e conteúdo curto permite que os criadores encontrem um público rapidamente. Os anunciantes estão se adaptando, aumentando as colaborações entre criadores, com foco em conteúdo curto.
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February 14, 11:32 AM
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A mais recente pesquisa AI Monitor 2025, realizada pela Ipsos em 30 países, apresenta um retrato detalhado sobre como os brasileiros percebem, utilizam e sentem os impactos da inteligência artificial (IA) no dia a dia. A pesquisa destaca um alto nível de compreensão e conhecimento da população sobre o que é a IA, na comparação com outros país, mas também traz contrastes nas emoções, níveis de confiança e expectativas em relação ao papel dessa tecnologia.
Segundo o levantamento, 66% dos brasileiros afirmam possuir uma boa compreensão sobre o que significa inteligência artificial, um número próximo à média global de 67%. No ranking global, a Indonésia lidera com impressionantes 91%, enquanto outros países apresentam índices similares ou abaixo do Brasil. Quando questionados sobre o conhecimento em relação aos produtos e serviços que utilizam IA, 56% dos brasileiros afirmam ter clareza sobre o uso dessa tecnologia, superando a média global de 52%.
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February 14, 11:30 AM
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O Brasil parece viver uma contradição permanente: parece reconhecer a importância da Educação como direito humano fundamental e um motor essencial para o desenvolvimento pessoal e social, mas não demonstra urgência em resolver como garanti-lo. A cada nova pesquisa, o diagnóstico se repete com pequenas variações, como um boletim escolar que nunca melhora de verdade. O Ipsos Education Monitor 2025, levantamento realizado em 30 países, escancara essa realidade: apenas 31% dos brasileiros avaliam positivamente o sistema de ensino do país, abaixo da média global de 34%. É uma nota que não chega a reprovar, mas também não aprova ninguém.
A persistência dos mesmos entraves mostra que a educação brasileira não sofre de falta de diagnóstico, sofre de paralisia. Quando perguntados sobre os principais desafios, os brasileiros apontam a falta de diagnóstico, sofre de paralisia. Quando perguntados sobre os principais desafios, os brasileiros apontam a falta de financiamento público (34%), a precariedade da infraestrutura (29%), a formação insuficiente dos professores (20%) e um currículo desatualizado (10%). São respostas que traduzem problemas óbvios, básicos – e inegáveis. Revelam não apenas as deficiências do sistema, mas também a falta de inovação estrutural. Em países com melhor desempenho, como Coreia do Sul ou Japão, o debate já migrou para o futuro — como integrar inteligência artificial à aprendizagem. No Brasil, ainda se discute o básico: como manter escolas minimamente funcionais, professores motivados e estudantes interessados.
É aqui que a comparação global fica ainda mais reveladora. Os dados da pesquisa Is Life Getting Better? mostram que países asiáticos, especialmente Coreia do Sul, Singapura e Japão, são os que mais acreditam que a educação está melhor hoje do que em 1975. A Coreia, por exemplo, aparece no extremo da lista como uma das nações mais confiantes na melhoria do sistema, enquanto boa parte da Europa ocupa o polo oposto, nostálgica de um passado supostamente mais eficiente. É um padrão consistente: a Ásia olha para frente; o Ocidente para trás.
Há, porém, um fator mais silencioso e corrosivo: a desigualdade de acesso. O relatório mostra que esse é um dos temas mais críticos globalmente, e que no Brasil reflete um problema estrutural que o sistema educacional ainda não conseguiu corrigir. O CEP continua sendo o maior determinante da qualidade do ensino, e o resultado é um sistema que instrui pouco, reproduz muito e raramente se reinventa.
Enquanto isso, os jovens, que deveriam ser o centro do debate, vivem outra crise, menos mensurável, mas cada vez mais urgente. Para 40% dos brasileiros, o maior desafio da juventude é pobreza e desigualdade, seguido pela má qualidade do ensino (31%) e por questões de saúde mental e bullying (30%). Globalmente, a saúde mental é o tema mais citado (33%), à frente de temas como economia, bullying e violência. A Ipsos observa um fenômeno que extrapola os muros da escola: a geração que mais fala sobre saúde mental é também a que menos encontra suporte para lidar com ela.
O estudo cita que, em média, 53% da população mundial avalia como “pobre” a saúde mental dos jovens, e no Brasil, essa percepção é ainda mais crítica (63%). Trata-se de uma geração que tenta aprender em meio a um colapso de referências — pressionada por resultados, sufocada pela insegurança e sobrecarregada por um sistema que não conversa com suas ansiedades.
O tema da tecnologia, aliás, se tornou uma espécie de divisor de gerações e de mentalidades. No Brasil, 62% da população é favorável a proibir o uso de smartphones nas escolas, e 69% defendem o banimento do acesso de menores de 14 anos às redes sociais. É uma maioria significativa num país acostumado à polarização. O argumento é compreensível: proteger crianças da distração e da dependência digital. Mas talvez a pergunta devesse ser outra, em vez de proibir o celular, por que não aprender a usá-lo?
O problema não é a ferramenta, e sim a falta de um projeto que integre o digital de forma inteligente e crítica ao processo educativo. Enquanto países asiáticos, como Coreia do Sul, Japão e Singapura, avançam na integração da tecnologia e da inteligência artificial como aliadas da personalização do ensino, o Brasil ainda hesita entre a desconfiança e a inércia. O debate por aqui segue travado entre o medo da exposição e o receio da obsolescência, sem uma estratégia clara para transformar o digital em motor de aprendizagem.
E não se trata apenas de um discurso futurista: a Coreia, por exemplo, vem tentando implementar seu programa nacional de AI Digital Textbooks. A iniciativa enfrenta desafios — professores e alunos relataram dificuldades técnicas e baixa usabilidade nos testes iniciais —, mas ela revela algo fundamental: o país já está discutindo como integrar IA e sistemas adaptativos ao currículo, enquanto nós ainda debatemos se a tecnologia deve ou não entrar na sala de aula. Mesmo com tropeços, a Coreia permanece vários passos à frente na ambição e na escala da política pública digital.
A comparação com Europa e Estados Unidos ajuda a entender o contexto. Nessas regiões, o debate atual gira menos em torno de infraestrutura (um problema resolvido há décadas) e mais em torno de impactos sociais: saúde mental, excesso de telas, riscos de IA generativa e proteção da infância. Já o Brasil está num outro estágio histórico – preocupado com o chão da escola, a desigualdade no acesso e as condições básicas de ensino. Cada região enfrenta um capítulo diferente do mesmo livro, mas algumas estão escrevendo páginas novas enquanto outras seguem revisando as antigas.
Essa relação ambígua com o digital revela algo mais profundo: nossa dificuldade em atualizar a própria ideia de “educar”. A escola brasileira ainda opera sob a lógica da transmissão, como se conhecimento fosse um estoque a ser entregue, e não um processo a ser construído. Só que o mundo mudou. As linguagens mudaram. Os alunos mudaram. Só o sistema insiste em continuar igual.
O resultado é um círculo vicioso: professores desmotivados, alunos exaustos e uma sociedade que segue cobrando resultados de um modelo que não entrega. No fim das contas, sobra para os estudantes a tarefa mais pesada, aprender apesar do sistema. E fazem isso enquanto o país ainda debate o básico: se deve ou não permitir celulares, se deve ou não confiar na IA, se deve ou não investir mais em professores.
Enquanto boa parte da Ásia avança para a próxima etapa (personalização, IA, análise de dados, ecossistemas tecnológicos), nós seguimos tentando resolver questões do século passado. Não se trata de replicar a Coreia, mas de aprender com o fato de que eles só conseguiram chegar a esse ponto porque já resolveram o alicerce. Para reinventar a educação, é preciso antes garantir que ela exista de maneira plena, acessível e equitativa. O Brasil ainda não chegou lá, e essa talvez seja a lição que seguimos adiando. É hora de tornar o tema prioritário.
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Inovação Educacional
February 14, 11:27 AM
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A pesquisa “Global Views On A.I. 2023” mostra que metade dos brasileiros (51%) está apreensiva com produtos e serviços que utilizam Inteligência Artificial. Mas, ao mesmo tempo, 66% dos mil brasileiros entrevistados estão animados com o uso da tecnologia e 64% acreditam que há mais benefícios do que desvantagens. Quanto a compreender o que é Inteligência Artificial, sete em cada 10 brasileiros (74%) afirmam ter um bom entendimento sobre o que é a IA. Importante ressaltar que a pesquisa é realizada em plataforma on-line, por tanto representa a população mais conectada. A média global é de 67%. A sondagem da Ipsos abrangeu 31 países entre o período de 26 de maio a 9 de junho de 2023.
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Inovação Educacional
February 14, 11:20 AM
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O estudo Calendário da Saúde é uma pesquisa que monitorará, no decorrer dos próximos meses, a opinião pública dos brasileiros sobre questões de saúde atreladas ao calendário oficial de ações do Ministério da Saúde. A primeira onda da pesquisa é focada no Setembro Amarelo. Foram ouvidos médicos de diversas especialidades e mais de 1.000 pessoas da poupulação brasileira, de diferentes regiões e classes sociais. Os dados revelam um cenário preocupante: a prevalência de transtornos mentais como ansiedade e depressão e a necessidade urgente de maior atenção a esse tema.
Os resultados da pesquisa reforçam a necessidade de intensificar as ações de prevenção e tratamento dos transtornos mentais. É preciso investir em políticas públicas que garantam o acesso a serviços de saúde mental de qualidade, além de combater a estigmatização e incentivar a busca por ajuda profissional.
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Inovação Educacional
February 14, 11:16 AM
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O mais recente levantamento "Global Education Monitor 2024", conduzido pela Ipsos, explora as percepções globais sobre o sistema educacional. A pesquisa revelou que 49% dos brasileiros apontam que o sistema educacional do país desempenha um papel importante na redução das desigualdades sociais. No entanto, a opinião pública está dividida sobre a qualidade da educação oferecida: apenas 26% dos brasileiros avaliam o sistema como bom. O número também mostra uma piora em relação aos dados coletados no ano passado. Em 2023, 34% dos brasileiros consideravam a qualidade como boa (uma queda de 8 p.p. na avaliação positiva). Singapura (74%) e Índia (69%) são os países que têm uma visão mais positiva de seus sistemas educacionais.
Enquanto isso, 47% consideram a qualidade da educação no país como ruim. A Hungria lidera o ranking de insatisfação, com65% de avaliação negativa, Romênia (54%) e Argentina (51%).
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