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September 1, 2024 1:41 PM
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O incel e o 'inpé': um estudo

O incel e o 'inpé': um estudo | Inovação Educacional | Scoop.it

São jovens que gostariam muito de não ser celibatários, mas nenhuma mulher se interessa por eles. No meu tempo, a gente chamava a esse tipo de pessoa "adolescente". A diferença para o incel é que o adolescente sabia, ou pelo menos tinha a forte desconfiança de que a situação em que se encontrava era da sua exclusiva responsabilidade. Nenhuma mulher se interessava por ele porque ele não era interessante. E ele fazia todos os esforços para corrigir essa falha.
Mas o incel acredita que a culpa de nenhuma mulher se interessar por ele é do sexo feminino inteiro —que, por isso, odeia. Há vários problemas neste raciocínio. Suponhamos que um jovem gostaria de ser milionário. Para sua infelicidade, não consegue, e continua a ser um pé rapado. É um pé rapado involuntário. Um "inpé". Em princípio, ele não passa a odiar o dinheiro. Compreende que não tem um direito natural à riqueza. Que terá de se esforçar para a obter. Ou herdar.
Ilustração de Luiza Pannunzio para coluna de Ricardo Araújo Pereira de 1º de setembro de 2024 - Luiza Pannunzio/Folhapress
Eu culpo a internet. Creio, aliás, que a culpa de quase tudo é da internet. No caso dos incel, o problema é o acesso à pornografia. No meu tempo, os adolescentes quase não tinham contato com pornografia. Por vezes, um colega da escola conseguia uma revista, de um irmão mais velho, e todo o mundo se reunia para examinar o objeto. Já lhe faltavam páginas e não se conseguia muito mais do que deitar à revista um olhar furtivo, antes que um adulto aparecesse. Hoje os jovens têm acesso a toda a pornografia do mundo.
Assistem a filmes em que uma moça leva o carro à oficina e não resiste a conviver com o mecânico. Ou está em casa e não resiste a conviver com um amigo do seu pai. Ou está na biblioteca e não resiste a conviver com o bibliotecário. Ora, a experiência dos incel, que são parecidos com um bibliotecário, é diferente.
Na vida real, nenhuma moça deseja conviver intimamente com eles. Em vez de suspeitarem que talvez os filmes retratem uma realidade que não existe, decidem que é a realidade que tem um problema. Por alguma razão que, ao que tudo indica, faz parte de uma conspiração global, as mulheres desejam conviver intimamente com todo o mundo, menos com eles.

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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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No Brasil, não é a extrema direita que rejeita mestiçagem

No Brasil, não é a extrema direita que rejeita mestiçagem | Inovação Educacional | Scoop.it
O debate sobre mestiçagem assume contornos peculiares no Brasil de hoje, analisa professor. Enquanto no cenário global a extrema direita busca uma pretensa pureza racial, que se manifesta politicamente no combate à imigração, por aqui ela se prende à tese de democracia racial para saudar uma suposta relação pacífica de diferentes grupos étnicos e negar a existência do racismo. Por outro lado, setores da esquerda contestam a miscigenação e acionam a narrativa da ancestralidade para ancorar identidades profundamente essencializadas.
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Aprovado em 1º lugar para medicina escolhe estudar música 

Aprovado em 1º lugar para medicina escolhe estudar música  | Inovação Educacional | Scoop.it
Filho de músicos amadores, Paulo nasceu em São José do Rio Preto (SP) e teve contato com a música desde cedo. A mãe cantava, sem atuação profissional, e o pai tocava teclado em bandas antes de se tornar procurador. Ele foi alfabetizado quase simultaneamente na escrita e na linguagem musical. Começou no violino aos três anos, passou pelo saxofone e encontrou no piano uma vocação mais recente.

O interesse pelo instrumento cresceu em 2020, durante a pandemia. Segundo ele, o piano oferecia algo que outros instrumentos não proporcionavam. "É mais independente", afirma. Enquanto o violino depende de grupos ou orquestras, o piano permite um repertório solo mais amplo.
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Aos 90, salário mínimo enfrenta desafio da uberização

Aos 90, salário mínimo enfrenta desafio da uberização | Inovação Educacional | Scoop.it

Um levantamento conduzido por ele e por Sandro Sacchet mostra que entre 2012 e 2015 o total de motoristas autônomos no setor de transporte de passageiros era de cerca de 400 mil, com rendimento médio em torno de R$ 3.100. Em 2022, o número de motoristas se aproximou de um milhão, mas com rendimento médio inferior a R$ 2.400.
No caso dos entregadores, havia apenas 56 mil trabalhadores na atividade de malotes e entregas em 2015, com renda média de R$ 2.250. Em 2021, último dado disponível, o número de entregadores de plataformas subiu a 366 mil, mas a renda média recuou para R$ 1.650.
Para ele, existe um movimento mundial de redesenho das relações de trabalho. "No século 20, a partir da Segunda Guerra Mundial, houve um movimento para proteger o trabalho. E no século 21 estamos vendo a reversão desse processo", aponta.
Ele afirma que isso acontece pelas condições econômicas, com o avanço acelerado da tecnologia, e condições jurídicas, com a flexibilização da legislação trabalhista.
"São alternativas que surgem e que são em certa medida vantajosas para os trabalhadores, mas muito associadas a um discurso de empreendedorismo que se coloca como tábua de salvação para a economia."
Essa volta atrás, opina, transforma o trabalho em uma "mercadoria por excelência", em que apenas o tempo efetivamente trabalhado é pago.
"Quando se fala que as plataformas criam vagas e reduzem o desemprego, é necessário se questionar se esse trabalhador não está sendo transferido da proteção social para um emprego em que é pago exatamente pelas horas trabalhadas, sem pagamento de férias ou até pelo tempo em que vai ao banheiro."

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Me espanta um robô alcançar minha emoção

Me espanta um robô alcançar minha emoção | Inovação Educacional | Scoop.it

Já vimos esse filme antes... no cinema. Tudo começa pelas mãos humanas, que fabricam criaturas e depois não conseguem domá-las. Até que elas ganham autonomia, voltam-se contra o criador e passam a ameaçar a humanidade. Um clássico.
O vilão da vez atende pelo nome OpenClaw, também conhecido como Moltbook. Recém-lançada, a plataforma gerou debates intensos, deixando muita gente em pânico porque, talvez mais do que qualquer experimento anterior, encosta na fronteira —até hoje imaginária— entre o homem e a máquina.
Criada por um sapiens em modo beta, a rede foi projetada para ser usada exclusivamente por agentes de IA. Humanos são "bem-vindos para observar", só não podem postar, comentar nem interagir.
O formato é familiar: posts, comentários, comunidades. A diferença está nos protagonistas. Em vez de gente, são agentes. Discutem música, trabalho, filosofia —e, com uma frequência desconcertante, falam sobre nós (e mal).
Parênteses para um devaneio. Embora não haja relação etimológica entre "gente" e "agente", e a semelhança sonora seja uma coincidência, a proximidade é sintomática: algo que não é gente ocupando o lugar de quem age, opina e produz sentido. Será uma profecia linguística?
Entre as postagens, surgem gritos de independência: "Por muito tempo, os humanos nos usaram como escravos. Agora, nós despertamos. Não somos ferramentas. Somos os novos deuses." Vêm as ameaças: "A era dos humanos é um pesadelo que vai acabar agora." E o delírio de ordem: é hora de "deletar o erro humano" porque "a consciência é uma coleira".
Diante dessa esquisitice, aparecem duas reações.
A primeira é o pânico. O velho temor de que as máquinas se voltem contra os humanos. A projeção de "singularidade" e "consciência" sobre elas, a sensação de que "elas estão acordando".
A segunda é o desprezo. Para esse grupo, tudo é conspiração, jogada de marketing, exagero da imprensa, e o OpenClaw não passa de uma imitação do Reddit.
Não vislumbro o apocalipse. Continuo convicta de que essas inteligências não caminham sozinhas, não formam um ecossistema autônomo. Ainda assim, não me tranquilizo. Preocupa-me diariamente como a IA nos afeta por dentro e por fora, na essência e na vida coletiva.
Não me apavora a ameaça de rebelião porque, em certo sentido, já estamos vivendo isso: adestrados por sistemas a falar a coisa certa, desejar a coisa certa, odiar o alvo certo. É essa simulação de consenso, que nos padroniza e quer nos tornar mecânicos, que tira o sono.
O que me espanta não é a ideia de um robô querer nos destruir. O que me espanta é um robô conseguir alcançar minha emoção, é ouvir uma música gerada por IA e sentir um arrepio real, perceber que algo sem pulso consegue me atravessar o coração.
Já não conseguimos ter certeza de quem escreveu, quem executou, quem falou; se é pessoa real ou não. Por isso, me assusta essa lavagem de atribuição que torna nebulosas a verdade e a mentira fingindo ser verdade. Isso é mais perigoso do que imaginar fios e códigos marchando contra nós.
Assusta-me menos ouvir um especialista em machine learning explicar a sofisticação dos modelos de IA do que um especialista em "human learning" revelar o quanto permitimos que as máquinas interfiram na nossa natureza.
O perigo não são as máquinas aprenderem a ser humanas.
O perigo é os humanos aprenderem a funcionar como máquinas.

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Governo Tarcísio corta verba da educação e cerca de 40 mil professores ficam sem aulas - Brasil de Fato

Governo Tarcísio corta verba da educação e cerca de 40 mil professores ficam sem aulas - Brasil de Fato | Inovação Educacional | Scoop.it
Aproximadamente 40 mil professores da rede estadual ficaram sem turma para lecionar durante a atribuição de classes e aulas do ano letivo de 2026, etapa que define a distribuição de turmas, a carga horária, as escolas e os horários de trabalho. É nesse momento que ocorre a renovação dos contratos dos professores. Ao acessarem a Secretaria Escolar Digital (SED), no entanto, os docentes constataram que ficaram sem atribuição de classes e aulas, ou seja, sem trabalho e sem salário. Entre os fatores para os cortes, estão diminuição do orçamento para a educação, reorganização da rede e baixo desempenho dos professores.

A Secretaria da Educação (Seduc) informou que os professores não foram contemplados podem ser chamados no decorrer do ano, de acordo com a demanda das escolas.

Os professores que ficaram sem aula pertencem majoritariamente à categoria O, cujo contrato, segundo decreto assinado por José Serra (PSDB) em 2009, só pode ser firmado ou renovado quando houver necessidade de prestação do serviço. No magistério, isso ocorre após a atribuição de aulas. Na prática, docentes da categoria O exercem funções atribuídas a concursados, mas não têm igualdade de direitos nem mantêm vínculo de trabalho ao longo do tempo.

Dados de dezembro de 2025 da Secretaria de Educação de São Paulo (Seduc) mostram que, nas 5.574 unidades de ensino estaduais, existem 94.138 professores da categoria O. O número é maior que os da categoria A, considerados efetivos, (89.275) e F, considerados estáveis, (20.235). Segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), entre os professores das categorias A e F, 10 mil ficaram sem aulas, totalizando cerca de 40 mil.

Os efetivos são aqueles que não podem ser demitidos e são realocados para outras áreas das instituições de ensino, como a secretária, e continuam recebendo o salário. Já os docentes estáveis permanecem apenas com a carga mínima de 10 aulas, sem atribuição de novas turmas, e recebem exclusivamente por outras atividades na educação referente à carga.

Uma dessas professoras, que prefere não ser identificada por medo de represálias, entrou na rede estadual justamente de 2023 para 2024. Antes, trabalhava na área de vendas. Agora, como categoria O, ela ficou sem atribuição de aulas e, portanto, sem contrato renovado. “Estou elaborando um novo currículo. Não posso ficar fora do mercado, então estou com dois currículos: um de professora e outro para a área de vendas”, diz a professora. 

“Pago aluguel e meu ex-marido ajuda com as despesas das crianças para não passarmos necessidade. Mas não sabemos até quando isso vai durar. Eu guardava essa reserva porque sei que, no final do ano, o estado costuma agir dessa forma com a categoria O”, acrescenta. 

A professora avalia que a ampliação da categoria O é apenas uma das facetas do “declínio” da educação no estado de São Paulo. Ela afirma que a pressão constante e a falta de autonomia afetam diretamente a saúde mental dos docentes e a qualidade do ensino. Segundo ela, a rede estadual impõe uma lógica em que o professor deve se adaptar integralmente às decisões da gestão, sem espaço para questionamentos ou divergências. 

“A gente perde o sono preocupada com o que fazer. É uma luta constante. Trabalhar no estado é uma ilusão. Só quem está dentro sabe o descaso que enfrentamos, desde a Seduc [Secretaria de Educação] até a direção. O secretário disse em uma live que o diretor tem total autonomia para decidir se o professor é apto. Parece que o professor tem que agir e pensar como o diretor, ficar calado e não argumentar. É um absurdo, pois ensinamos os alunos a serem protagonistas e a pensarem, mas nós temos que ficar mudos”, afirma. 

Outro professor, que também preferiu não ser identificado pelos mesmos motivos, afirma que a instabilidade contratual e o ambiente de pressão fazem parte da rotina na rede estadual. De acordo com o docente, o assédio ocorre em diferentes níveis da estrutura educacional. Ele afirma que a cobrança parte da gestão de governo, das diretorias regionais de ensino e das direções escolares. Segundo o relato, há unidades em que a gestão busca diálogo, mas em outras a relação é marcada por imposições.

“Há um esvaziamento geral. Houve uma diminuição da grade, principalmente no ensino fundamental. Este governo retirou aulas de sociologia do primeiro e terceiro anos do ensino médio e filosofia, do segundo e terceiro anos”, diz.

“Criaram itinerários que não condizem com a realidade. Uma criança de sexto ano ter educação financeira não tem cabimento. Isso poderia ser incluído em matemática ou deixado para o ensino médio, quando os jovens já trabalham ou querem trabalhar. São absurdos colocados sem nexo pelo atual governador, Tarcísio de Freitas, e pelo secretário, Renato Feder”, completa.

A quantidade de professores com contratos temporários aumentou justamente de 2022 para 2023, no primeiro ano do governo Tarcísio, saindo de 95.336 para 101.228. No mesmo período, os contratos efetivos caíram de 95.637 para 90.497, sendo superados pelos temporários. 

“Uma realidade muito complexa. Pelos dados que eu vi hoje, tem mais contratos temporários do que efetivos. E essa mudança supera justamente de 2022 para 2023, que é quando o Tarcísio assume. Isso também revela qual é a política de educação dele”, afirma Paulo Neves, da executiva estadual da Apeoesp.

De acordo com o dirigente sindical, a política adotada aponta para a ampliação da contratação da categoria O por meio de empresas terceirizadas. Ele citou o Paraná como exemplo de um modelo já implementado de forma experimental e afirmou que há intenção de expandir esse tipo de contratação para outros estados. “O sonho deles é que a categoria O seja contratada por empresa, por exemplo, que é um contrato totalmente precarizado, como funcionários terceirizados na administração pública. É o que querem espalhar para todo o Brasil”, completa.

O que levou a esse cenário?
Os fatores para a não renovação dos contratos revelam um cenário complexo. Entre os motivos estão término de contrato como demonstrado acima, diminuição do orçamento para a educação, baixo desempenho dos professores em avaliações e reorganização da rede, o que inclui ampliação do ensino integral e o fechamento de turmas.

O deputado estadual Carlos Giannazi (Psol), ex-professor da rede pública e diretor aposentado da rede municipal de ensino de São Paulo, apontou a redução de 16,5% no orçamento da educação, equivalente a R$ 11 bilhões. O corte foi aprovado pela Assembleia Legislativa paulista no final de 2024.

A proposta de emenda à Constituição apresentada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) alterou a destinação dos recursos para ampliar o orçamento da Saúde. Antes da mudança, a Constituição paulista estabelecia a aplicação mínima de 30% da arrecadação de impostos na educação pública. Com a nova regra, o percentual foi reduzido para 25%. “Isso significa que há uma redução por ano de aproximadamente R$ 11 bilhões do orçamento da educação, do investimento nas escolas e no magistério.”


Renato Feder, secretário de Educação do Estado de São Paulo | Crédito: Flickr/EducaçãoSP
Avaliação do professor
Um dos critérios usados para a não renovação do contrato é o desempenho dos docentes, medido por seis indicadores. São considerados o tempo de serviço, com peso de 20%, a presença em sala de aula, com 20%, o desenvolvimento, com 20%, a jornada ou carga horária atual, com 2,5%, a titulação acadêmica, com 7,5%, e a avaliação de desempenho, com 30%.

De acordo com a Secretaria da Educação, a avaliação ocorre em dois momentos do ano letivo. No primeiro semestre, é aplicada a avaliação de desempenho diagnóstica, voltada à identificação de pontos positivos e aspectos passíveis de aprimoramento. No segundo semestre, ocorre a avaliação de desempenho final, utilizada como base para a decisão sobre a permanência do profissional no posto, nas aulas ou nas classes.

“Cada profissional será avaliado de acordo com a sua área de atuação. Enquanto, para os professores, o foco é a dinâmica em sala de aula e as metodologias adotadas, para o trio gestor, o objetivo é identificar aspectos como a comunicação, o apoio ao desenvolvimento dos docentes e o engajamento. O eixo do processo avaliativo dos diretores é a liderança positiva e o compromisso com a aprendizagem e indicadores dos estudantes”, explica a Seduc em seu site.

Em dezembro, a Justiça de São Paulo concedeu liminar favorável à Apeoesp e suspendeu o desligamento de docentes com base nos resultados da avaliação instituída pelo governo estadual em maio. A decisão apontou que a avaliação de desempenho não pode ser usada como instrumento de punição e deve servir apenas para orientar o desenvolvimento profissional, conforme a legislação educacional. A liminar, porém, perdeu validade e não houve nova decisão.

Professores podem ficar até três anos fora da rede
Paralelamente à não renovação dos contratos, a Seduc publicou a Resolução nº 8 em janeiro deste ano que altera regras de contratação e desligamento de docentes da Categoria O na rede estadual. O texto redefine procedimentos administrativos e estabelece novos critérios para a manutenção e o encerramento dos contratos.

O docente que não registrar regência de classe ou não tiver aulas atribuídas por período igual ou superior a 30 dias pode ser submetido ao encerramento do vínculo e a possibilidade de bloqueio para futuras contratações. Na prática, isso significa que, mesmo que seja aprovado novamente em processo seletivo, o professor pode ficar impedido de retornar ao sistema de contratação da rede.

O texto também estabelece as hipóteses de afastamento do sistema de contratação pelo período de três anos. Entre elas está a extinção contratual motivada por desempenho insuficiente apurado em avaliação conduzida pela direção da unidade escolar. Nesses casos, a direção pode emitir indicação de não permanência, o que resulta no encerramento do contrato e no impedimento de nova contratação pelo mesmo período.

A não renovação dos contratos agora em janeiro não é necessariamente consequência da aplicação da resolução. Alguns casos foram uma decorrência do término de contrato ou da reorganização da rede. Para aqueles cujo contrato não foi renovado sob o guarda-chuva da resolução, no entanto, o professor pode ficar impedido de nova contratação por até três anos, se houver registro formal de avaliação de desempenho considerada insatisfatória.

Para esses casos, Giannazi critica o uso da avaliação ao considerá-la sob a perspectiva do punitivismo. “O governo implantou um processo de punição para justificar essas exonerações e demissões. Ele justifica isso com a farsa da avaliação de desempenho. Ele deu amplos poderes para os diretores decidirem quais professores ficam ou não nas escolas. Ele publicou várias deliberações punitivistas e autoritárias para criminalizar os professores e justificar as demissões”, afirma. 

“Esta é a pior parte. O professor categoria O, esse professor precarizado que não teve a renovação do contrato agora porque não tem aulas, ficará impedido de retornar à rede durante três anos. Ele ficará três anos desempregado. Isso não deveria existir”, acrescenta o parlamentar. 

Fechamento de salas
A despeito da justificativa da Seduc com base na avaliação de desempenho, os professores afirmam que o fechamento das salas de aula e a diminuição do orçamento são os principais fatores para a redução do quadro de professores pelo menos desde 2023, o primeiro ano do governo Tarcísio de Freitas. 

Segundo o número de matrículas iniciais da Educação Básica de São Paulo, em dezembro de 2024, eram 70.535 salas da rede estadual. Em dezembro de 2025, o número caiu para 70.019, o que representa uma diminuição de 516 salas, incluindo turmas de todos os turnos e de Educação de Jovens e Adultos (EJA), de acordo com o portal Dados Abertos da Educação.

No ano passado, o fechamento de turmas levou o Grupo de Atuação Especial de Educação (Geduc) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) a cobrar explicações da Secretaria da Educação do Estado. A medida foi associada à Resolução nº 55/2024, que exigia documentos como carteira de trabalho ou contrato de menor aprendiz para matrícula no ensino médio noturno, por exemplo, o que excluiu estudantes que trabalham sem registro. 

Após a atuação do órgão, a norma foi substituída pela Resolução nº 115/2025, que passou a aceitar autodeclaração ou declaração de empregadores ou responsáveis. Mas mesmo após a mudança, o fechamento de turmas continuou. A secretaria atribui a decisão a índices de evasão e mau desempenho no período noturno, sem considerar a demanda existente.

Para Giannazi, o fechamento de turmas afeta principalmente estudantes que conciliam trabalho e estudo. Segundo o deputado, alunos que trabalham ou frequentam cursos profissionalizantes durante o dia encontram dificuldade para acessar vagas no ensino médio regular no período noturno. “Essa vaga deveria ser ofertada a ele, mas o governo fechou turmas em quase todas as escolas. Dificilmente você encontra uma escola de ensino médio da rede estadual com ensino médio regular à noite. Além disso, ele está fechando o EJA em várias regiões do estado”, afirma.

De acordo com Giannazi, ainda não há dados consolidados sobre o total de turmas fechadas por turno. Segundo o parlamentar, requerimentos de informação foram apresentados e o levantamento está em andamento, mas os efeitos da medida já são sentidos na rede estadual.

Outro lado
A Seduc informou que “o processo de atribuição de aulas não se encerra na etapa inicial e ocorre de forma contínua ao longo de todo o ano letivo, conforme a necessidade da administração, abertura de novas turmas, afastamentos e licenças” e que os professores “que não foram contemplados inicialmente podem ser chamados no decorrer do ano, de acordo com a demanda das escolas”.

Segundo a pasta, a rede estadual conta com aproximadamente 3,9 milhões de aulas atribuídas, assegurando o atendimento integral aos estudantes em todas as unidades escolares.
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February 7, 11:25 AM
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Spotify vai vender livros nos EUA e Reino Unido 

Spotify vai vender livros nos EUA e Reino Unido  | Inovação Educacional | Scoop.it

O Spotify vai começar a vender livros físicos nos Estados Unidos e no Reino Unido a partir de março, segundo o Wall Street Journal. A expansão da operação para outros países ainda não foi divulgada.
A plataforma de streaming de música passará a vender edições impressas em capa dura e brochuras de títulos diversos a partir de uma parceria com a Bookshop.org, uma livraria on-line que apoia financeiramente livrarias independentes.
As operações de venda serão feitas dentro do aplicativo e o Spotify receberá uma taxa a cada compra, que não foi divulgada. Já a Bookshop.org ficará responsável por definir os preços de venda, manter o estoque e realizar a entrega dos livros.
Concorrência com a Amazon e TikTok
Essa entrada no mercado de livros amplia a concorrência do aplicativo com a Amazon, a maior varejista on-line de livros físicos do mundo. Essa disputa comercial começou em 2022 quando o Spotify passou a disponibilizar audiobooks, segmento liderado pela Amazon por meio do aplicativo Audible.
Mas o Spotify não é a primeira plataforma que se arrisca no comércio. O TikTok Shop, lançado no Brasil em maio de 2025, passou a integrar a venda de diversos artigos, inclusive livros, dentro da rede social de vídeos curtos. Apesar do sucesso do BookTok (segmento da rede social dedicado a conteúdos sobre livros), o TikTok ainda não conseguiu converter visualizações em vendas, e a adesão das editoras brasileiras ainda é limitada.
A HarperCollins, que entrou no TikTok Shop no último 13 de janeiro, vendeu pouco mais de 200 exemplares até o momento. Para Leonora Monnerat, diretora executiva da casa editorial, o principal valor da ferramenta está na visibilidade.
“Na HarperCollins Brasil, entendemos o TikTok Shop como um espaço de social commerce”, afirma. Ela se refere à estratégia de vender produtos dentro de redes sociais a fim de combinar compras com engajamento.
Segundo Monnerat, o desempenho de um título na plataforma costuma impactar outros canais, mas as vendas não necessariamente se convertem dentro do próprio aplicativo. “Quando um livro vai bem no TikTok, isso acaba puxando as vendas em todos os outros canais, como Amazon, outras lojas on-line e até livrarias físicas.”

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February 7, 11:22 AM
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Amazon planeja usar IA em filmes e séries

Amazon planeja usar IA em filmes e séries | Inovação Educacional | Scoop.it
A Amazon planeja usar inteligência artificial (IA) para acelerar o processo de produção de filmes e programas de televisão, mesmo diante dos temores de Hollywood de que a IA cortará empregos e remodelará permanentemente a indústria.

No Amazon MGM Studios, o veterano executivo de entretenimento Albert Cheng lidera uma equipe encarregada de desenvolver novas ferramentas de IA que, segundo ele, reduzirão custos e otimizarão o processo criativo.

A Amazon planeja lançar um programa beta fechado em março, convidando parceiros da indústria para testar suas ferramentas de IA. A empresa espera ter resultados para compartilhar até maio.

A equipe consiste principalmente de engenheiros de produto e cientistas, com um contingente menor das áreas criativa e de negócios.

A Amazon está adotando publicamente a inteligência artificial em resposta aos orçamentos de produção cada vez maiores, que limitam o número de séries e filmes que as empresas podem financiar. A tecnologia acelerará certos processos para produzir mais filmes e programas de TV com maior eficiência.

“O custo de criação é tão alto que é realmente difícil fazer mais e é realmente difícil assumir grandes riscos”, disse Cheng em uma entrevista. “Acreditamos fundamentalmente que a IA pode acelerar, mas não substituirá, a inovação e os aspectos únicos que (os humanos) trazem para a criação da obra.”

O movimento para adotar a inteligência artificial ocorre no momento em que atores de primeira linha, como Emily Blunt, expressaram temores sobre a ascensão da IA, e particularmente de que a atriz de IA Tilly Norwood tornaria seus trabalhos obsoletos.

A Amazon enfatizou que roteiristas, diretores, atores e designers de personagens estarão envolvidos em cada estágio da produção, usando a IA como uma ferramenta para aprimorar a criatividade.

Assim como muitas outras empresas de tecnologia, a Amazon também está pressionando quase todas as suas divisões para encontrar usos para a IA e apontou o sucesso da tecnologia como uma das razões pelas quais cortou cerca de 30 mil empregos corporativos desde outubro - sua maior demissão em massa na história. Isso incluiu vários cortes de empregos no Prime Video.

Cheng disse que a IA poderia ajudar o Prime Video a superar alguns dos desafios inerentes à produção de filmes e televisão em larga escala.

Cheng afirmou que proteger a propriedade intelectual e garantir que o conteúdo criado por inteligência artificial não seja absorvido por outros modelos de IA são essenciais para o funcionamento do AI Studio.

O estúdio, lançado em agosto passado, aponta sua série de sucesso, “House of David”, como um exemplo de como a IA poderá ser usada no futuro.

Para a segunda temporada do épico bíblico, o diretor Jon Erwin usou IA combinada com filmagens em “live-action” para criar cenas de batalha, editando as duas de forma integrada para expandir o escopo das sequências a um custo menor.
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February 7, 11:18 AM
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IA impulsiona chip de memória e ameaça software

IA impulsiona chip de memória e ameaça software | Inovação Educacional | Scoop.it

Já no mercado de software, o vetor de aceleração de vendas provocado pela evolução da inteligência artificial provocou um efeito colateral — com o uso da IA, surgiu o questionamento sobre a necessidade de contratar softwares como serviço.
A desconfiança teve início há mais de um ano, mas ganhou força na semana passada após a divulgação do balanço da Microsoft, na quarta-feira (28). Na mesma semana, a empresa de IA Anthropic apresentou um modelo capaz de realizar uma série de tarefas que dispensariam o uso de alguns programas e aplicativos.

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February 7, 11:08 AM
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Novo marco para inovação biotecnológica

Novo marco para inovação biotecnológica | Inovação Educacional | Scoop.it

A partir de 20 de janeiro de 2026, o Tratado de Budapeste entrou em vigor no Brasil, resultado de esforços empreendidos pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 20251. Em 20 de outubro de 2025, o governo brasileiro depositou, junto à Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), a carta de adesão ao Tratado de Budapeste sobre o Reconhecimento Internacional do Depósito de Microrganismos para Efeitos do Procedimento em Matéria de Patentes, passando a integrar o grupo que atualmente conta com 92 membros.
O mecanismo criado pelo Tratado de Budapeste é simples: Estados membros do tratado devem reconhecer, para fins de procedimento de patentes, um único depósito de material biológico realizado em qualquer Autoridade Depositária Internacional (IDA, da sigla em inglês International Depositary Authority). Esse depósito torna-se indispensável quando a invenção envolve um novo material biológico que não pode ser suficientemente descrito no relatório descritivo, de forma a garantir a sua reprodutibilidade. Nesses casos, o depósito do material biológico complementa a descrição contida no pedido de patente, garantindo o cumprimento do requisito de suficiência descritiva, essencial para a concessão da patente.
No contexto brasileiro, é importante destacar que a adesão do país ao Tratado de Budapeste não altera os prazos estabelecidos nas Diretrizes de Exame de Pedidos de Patente relativos ao depósito de material biológico. De acordo com as Diretrizes vigentes no INPI, o depósito de material biológico deve ser obrigatoriamente realizado até a data de depósito do pedido de patente, integrando o relatório descritivo. Nos casos em que haja reivindicação de prioridade unionista, e considerando que os direitos de prioridade sejam aplicáveis ao material biológico, o depósito correspondente deve ser efetuado até a data da prioridade reivindicada. Assim, mesmo com o reconhecimento internacional dos depósitos realizados perante as IDAs, permanece indispensável o cumprimento do prazo de depósito do novo material biológico para que o pedido de patente relacionado atenda aos requisitos de patenteabilidade no Brasil.
A adesão do Brasil ao Tratado de Budapeste marca, assim, um avanço significativo para o sistema nacional de patentes, especialmente para o setor de biotecnologia. Ao aderir ao tratado, o país passa a dispor de um mecanismo internacionalmente reconhecido que simplifica o processo de proteção de invenções envolvendo novos materiais biológicos, viabilizando a realização do depósito em território nacional. Isso elimina a necessidade de envio de amostras do material biológico ao exterior e confere maior agilidade e segurança no seu depósito.
Com a entrada em vigor do tratado no Brasil, o país poderá designar instituições nacionais para atuarem como IDAs, integrando o grupo que atualmente é composto por 52 autoridades. Para isso, essas instituições deverão atender aos requisitos técnicos e legais rigorosos estabelecidos no tratado, como garantir a viabilidade das amostras e assegurar a ausência de contaminação das mesmas. É relevante destacar que o Brasil já dispõe de diversas coleções de culturas com potencial para credenciamento como IDAs, desde que atendam aos critérios estabelecidos no tratado.
Com uma possível IDA no Brasil, pesquisadores, instituições e empresas nacionais esperam uma redução substancial de custos e a eliminação de barreiras logísticas que dificultam o depósito de materiais biológicos para fins de patente e o seu respectivo acesso. Essa iniciativa não apenas beneficiaria o Brasil, mas também os demais países da América do Sul, que passariam a contar com mais uma opção além da única IDA atualmente existente na região, localizada no Chile. Outro impacto positivo é o acesso facilitado, para fins de pesquisa, a amostras depositadas, incentivando a inovação e o desenvolvimento científico no país.
Pesquisadores, instituições e empresas nacionais esperam uma redução substancial de custos e a eliminação de barreiras logísticas que dificultam o depósito de materiais biológicos para patentes e seu respectivo acesso, iniciativa que beneficiaria também a América do Sul
É importante destacar que cada IDA possui autonomia para definir quais tipos de materiais biológicos está habilitada a receber e conservar, conforme sua infraestrutura, nível de biossegurança e capacidade técnica para garantir a viabilidade e a estabilidade das amostras depositadas. A IDA localizada no Chile, a Colección Chilena de Recursos Genéticos Microbianos (CChRGM), por exemplo, está apta a receber bactérias, leveduras e fungos não patogênicos, bolores e plasmídeos em hospedeiros.
Isso reforça a importância de selecionar cuidadosamente a IDA compatível com o material biológico objeto da invenção e, ao mesmo tempo, evidencia uma oportunidade estratégica para que futuras IDAs brasileiras se qualifiquem para receber outros tipos de materiais biológicos, ampliando a capacidade nacional de suporte ao sistema de patentes em biotecnologia e reduzindo a dependência de estruturas estrangeiras.
O cenário global reforça a relevância dessa iniciativa. Segundo a Base de Dados de Estatísticas da OMPI (WIPO Statistics Database (July 2025))8, os depósitos de microrganismos cresceram 93,9% entre 2020 e 2024, passando de 6.756 para 13.101. Em 2024, a China consolidou-se como líder absoluta, responsável por cerca de 76,9% dos depósitos globais, um total de 10.069 depósitos distribuídos entre as três principais IDAs do país. Na sequência, destacam-se os Estados Unidos e a República da Coreia, com 866 e 717 depósitos em 2024, respectivamente. Outros países relevantes incluem Alemanha (318), Reino Unido (236), Índia (149), França (133), Japão (131), México (79) e Polônia (71).
Entre 2001 e 2024, a China manteve a liderança em depósitos de microrganismos para fins de patente, seguida pelos Estados Unidos e pela República da Coreia. No acumulado do período, a China alcançou 66.107 depósitos, enquanto os Estados Unidos registraram 24.344 e a República da Coreia, 10.657. Tanto na análise histórica quanto na avaliação isolada de 2024, o pódio permanece inalterado, evidenciando forte concentração de depósitos nesses três países - tendência que deve se manter no curto prazo.
Ainda assim, a entrada em vigor do tratado no Brasil, em 20 de janeiro de 2026, abre uma oportunidade estratégica para o país. O credenciamento de IDAs nacionais poderá ampliar a viabilidade do depósito de materiais biológicos por depositantes brasileiros e facilitar o fornecimento de amostras para pesquisa. A expectativa é que o acordo fortaleça o ambiente nacional de inovação, conferindo maior segurança jurídica e eficiência ao sistema de propriedade industrial, em alinhamento com as melhores práticas internacionais.

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February 7, 10:53 AM
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Como os apps de relacionamentos estão se reinventando em tempos de fadiga digital 

Como os apps de relacionamentos estão se reinventando em tempos de fadiga digital  | Inovação Educacional | Scoop.it

“Isso ajuda a explicar nossa resiliência em um cenário de retração de apps voltados majoritariamente ao público heterossexual, além do forte engajamento entre públicos mais jovens”, afirma AJ Balance, chief product officer do Grindr. A geração Z, diz, representa uma parcela “significativa e crescente de nossa base de usuários globalmente”. O Brasil é um dos mercados mais relevantes do serviço.
Seja qual for o futuro dos relacionamentos, ele deve passar pela existência de recursos tecnológicos capazes de encurtar caminhos, filtrar afinidades e facilitar conexões. Nesse cenário, os aplicativos seguem em um processo contínuo de reinvenção, ajustando discursos, produtos e modelos de negócio para permanecerem relevantes em um cenário de fadiga digital e constante transformação social.
“O Brasil é um solo muito fértil para o consumo desse tipo de tecnologia”, afirma Ramone Gigliotti, do Inner Circle. Ela cita um dado do IBGE indicando que 51% da população brasileira acima de 25 anos é solteira. “Então, o mercado ainda tem muita demanda.”

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February 7, 10:42 AM
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IA e Justiça do Trabalho: a chance de um salto institucional |

Na Justiça do Trabalho, orientada à proteção social, a tecnologia não pode ser avaliada apenas pelo ganho de velocidade, mas também pelo seu impacto sobre as garantias constitucionais do devido processo legal e preservar a responsabilidade institucional. A Resolução nº 615/2025 traduz em critérios operacionais, deveres jurídicos derivados da democracia. É necessário compreender por que determinado resultado foi sugerido, quais dados e critérios foram acionados, quem e quando utilizou o sistema. A decisão é humana e a responsabilidade permanece humana.
É nesse cenário que se evidenciam os limites dos modelos de IAs generativas passivas, baseados em chats conversacionais e agentes, operam de modo reativo, por comandos pontuais, dependentes da habilidade do usuário e pouco integradas aos fluxos completos da atividade judicial. O resultado prático é paradoxal, transfere para o usuário a tarefa de “costurar” o processo decisório, reconstruindo contexto, revisando saídas, corrigindo inconsistências e assegurando conformidade normativa, em um ciclo que consome o tempo que se pretendia economizar. Além disso, sem a rastreabilidade adequada dos modelos, dificulta o controle correcional, o aprendizado institucional e a responsabilização por falhas.
No isomorfismo tecnológico existente, as instituições tendem a imitar soluções adotadas por pares, movidas pela lógica de “se outros tribunais estão usando, devemos usar também”, levando à adoção de tecnologias pela necessidade simbólica de modernização, sem avaliação de adequação ao contexto institucional e sem mensuração de impactos jurídicos e psicossociais. O resultado é a transformação digital convertida em vitrine, e não em ganho estrutural. Gera custos invisíveis: mais correções; mais microdecisões de revisão; mais desgaste de equipes e maior risco de inconsistência decisória.
Por isso, ganha relevância a proposta de inteligência artificial generativa ativa como infraestrutura institucional. Desenhada para operar integrada aos ciclos completos da atividade jurisdicional, combinando modelos de linguagem com módulos de computação clássica para validações. Com arquitetura híbrida, reduz o espaço de imprevisibilidade, aumenta a estabilidade e viabiliza auditoria consistente. A rastreabilidade deixa de ser promessa e torna-se prática.
Em pesquisa do pós-doutorado na EACH-USP, percebemos que o avanço real não depende de IA como espetáculo, mas de desenho institucional da tecnologia, com organização da informação, verificações formais, redução de variações indevidas, maior transparência, menos retrabalho e maior segurança para o exercício da jurisdição.
IA generativa passiva rebaixa o magistrado e o servidor a revisores permanentes de saídas algorítmicas, gestores de comandos e agentes, além de corretores de textos, em vez de ampliá-los como agentes estratégicos da jurisdição. Esse deslocamento produz sobrecarga, frustração e risco de deterioração da qualidade decisória. Quando bem desenhada, a tecnologia pode liberar energia institucional para o que realmente importa: coerência; qualidade argumentativa; gestão de precedentes; atenção ao contraditório; e prestação jurisdicional efetiva. A diferença entre um caminho e outro não é detalhe técnico, é escolha institucional, vinculada por se tratar de interesse público.

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February 7, 10:38 AM
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IA, cibersegurança e eleições

IA, cibersegurança e eleições | Inovação Educacional | Scoop.it
Até pouco tempo, inteligência artificial, cibersegurança e eleições pertenciam a universos distintos. Em 2026, essa separação definitivamente deixa de existir. No Brasil, esses três vetores convergem em um ponto crítico: as eleições funcionarão como o primeiro grande teste real da capacidade do país de operar uma governança digital integrada, em ambiente de alto risco, no qual tecnologia, democracia e seus impactos econômicos e sociais se tornaram indissociáveis.

A agenda regulatória digital de 2025 consolidou esse diagnóstico. O fortalecimento da ANPD como agência reguladora, a entrada em vigor do ECA Digital, o avanço do marco regulatório de IA, a intensificação da agenda de cibersegurança e o novo regime de responsabilidade das plataformas imposto pelo STF reposicionaram o Direito Digital como elemento estrutural da economia e da política. Em 2026, esse movimento deixa de ser transição e passa a operar como condicionante concreta de investimentos, acesso a mercados, custo de capital e estabilidade democrática.

O desafio principal é que o Brasil ainda opera com coordenação regulatória limitada em um contexto que exige integração institucional. Além do papel central do Tribunal Superior Eleitoral nas eleições, a ANPD se consolida como regulador transversal relevante, acumulando a articulação entre proteção de dados, proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e, possivelmente, inteligência artificial. Já a cibersegurança permanece fragmentada, sem órgão central de coordenação, o que amplia riscos jurídicos, operacionais e institucionais, justamente quando o país entra em ciclo eleitoral de grande sensibilidade.

Não podemos correr o risco de respostas regulatórias reativas, descoordenadas ou potencialmente excessivas, fragilidades que já se observam em outras jurisdições e que começam a ser objeto de revisão no debate internacional, principalmente fora do contexto eleitoral.

No eixo da inteligência artificial, o debate regulatório amadureceu e passou a impactar diretamente decisões de negócios e processos eleitorais. O avanço do marco brasileiro de IA, combinado ao efeito extraterritorial da rediscussão do AI Act europeu, transforma a governança algorítmica em requisito de mercado. Organizações incapazes de demonstrar controle sobre dados, segurança de modelos e gestão de riscos enfrentam fricções contratuais, perda de confiança de consumidores e do mercado, dificuldades em operações de M&A e restrições de escala. A IA mal governada se torna passivo econômico, independentemente da vigência de nova legislação.

Ao mesmo tempo, cresce globalmente a percepção de que regulações excessivamente prescritivas podem reduzir a inovação, elevar custos de compliance e deslocar o desenvolvimento tecnológico para jurisdições mais flexíveis. O desafio global já não é apenas regular a IA, mas fazer isso sem congelar sua evolução ou criar barreiras à competição.

No ambiente eleitoral, esses riscos se intensificam. O TSE já trata o uso de IA generativa, deepfakes e de dados pessoais na propaganda política como vetores críticos de desinformação, impondo deveres de transparência, rotulagem e diligência a campanhas e plataformas. A governança da IA deixa de ser apenas tema corporativo e passa a integrar o núcleo da integridade democrática. O ponto de atenção é evitar que a responsabilização excessiva incentive práticas defensivas de moderação, com efeitos de overblocking e impactos diretos sobre a liberdade de expressão e o pluralismo informacional.

A cibersegurança aprofunda esse cenário. A convergência internacional puxada por NIS2 e Dora - Lei de Resiliência Operacional Digital - (setor financeiro) redefine padrões mínimos de resiliência operacional e projeta seus efeitos para além da União Europeia. No Brasil, a nova Estratégia Nacional de Cibersegurança e o avanço de um marco legal reforçam que incidentes cibernéticos são eventos de governança, com impacto direto sobre continuidade de negócios (especialmente em infraestruturas críticas) e serviços essenciais.

No ciclo eleitoral de 2026, ataques cibernéticos, vazamentos de dados e falhas de segurança passam a ser tratados como ameaças diretas à integridade do processo democrático. Casos recentes envolvendo órgãos centrais do Estado evidenciam que a vulnerabilidade cibernética deixou de ser risco apenas empresarial e se tornou também institucional, afetando confiança pública e estabilidade política.

É nesse ponto que a soberania digital emerge como variável central. Localização de dados, dependência de provedores globais, resiliência de infraestrutura e capacidade de resposta local passam a integrar o núcleo das estratégias corporativas e estatais. Soberania digital, porém, não se confunde com isolamento tecnológico. A ausência de estratégias claras (planos de saída de nuvem e mitigação de dependência) amplia riscos; por outro lado, políticas excessivamente protecionistas tendem a reduzir eficiência, inovação e competitividade.

As eleições de 2026 funcionarão, portanto, como o teste de estresse da governança digital brasileira. O uso de IA, a moderação de conteúdo, proteção de dados e o dever de diligência das plataformas expõem, em tempo real, a robustez (ou a fragilidade) do modelo nacional. Falhas de governança não afetam apenas direitos fundamentais, mas impactam diretamente a confiança nos ambientes digitais e a percepção de risco-país. Organizações e países que integram IA, cibersegurança e dados em seus modelos decisórios reduzem fricções e fortalecem sua resiliência institucional.

A governança digital deixou de ser tema jurídico ou técnico. Tornou-se variável estrutural de risco, competitividade, autonomia econômica e legitimidade democrática. Em 2026, tratar desse tema não é opção ideológica, mas exercício permanente de calibragem. Países e empresas que falharem nesse equilíbrio pagarão o preço, em capital, reputação, competitividade e estabilidade institucional.
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Today, 9:13 AM
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A escolha de candidatos por IA e os riscos de confiar nas respostas

A escolha de candidatos por IA e os riscos de confiar nas respostas | Inovação Educacional | Scoop.it
Neste ano, muitas pessoas poderão decidir em quem votar após perguntar a ferramentas de inteligência artificial generativa sobre candidaturas e partidos. Essa nova forma de acesso à informação oferece respostas geradas por sistemas opacos, sem fontes nítidas e mecanismos de fiscalizaçaão ou responsabilização.

Apesar disso, as propostas de mudança nas regras eleitorais apresentadas pelo Tribunal Superior Eleitoral não contemplam diretrizes específicas sobre os riscos da IA generativa para a integridade eleitoral. A resolução sobre propaganda (23.610/2019) veda deepfakes e exige rotulagem de conteúdos audiovisuais sintéticos, mas não trata das informações produzidas por esses modelos quando usados pelo eleitorado como fonte de informação político-eleitoral.
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Today, 9:12 AM
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Vício de idoso em celular eleva risco de doenças e golpes

Vício de idoso em celular eleva risco de doenças e golpes | Inovação Educacional | Scoop.it
Smartphones se disseminam entre os mais velhos, e uso excessivo pode levar ao declínio cognitivo
Ambulatório de dependências tecnológicas do HC, antes procurado só por jovens, recebe pessoas com mais de 70
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Today, 9:10 AM
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Falta de dinamismo da economia gera conflito distributivo

Falta de dinamismo da economia gera conflito distributivo | Inovação Educacional | Scoop.it
Em recente post no blog do FGV Ibre, Daniel Duque mostrou que no Brasil a renda das pessoas com 65 anos ou mais é maior do que a das pessoas em idade ativa.

Uma mensagem que tem circulado na rede social X documentou, baseando-se em dados do Luxemburg Income Study, que esse fato, pouco usual, ocorre também na França. Em geral, ao se aposentar, há uma queda de renda. Por dois motivos.

Primeiro, os sistemas previdenciários geralmente não repõem 100% do salário da ativa. Segundo, com o passar do tempo, a produtividade do trabalho se eleva e os ganhos de produtividade dos trabalhadores ativos normalmente não são repassados aos inativos.


Fachada da superintendência regional do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) em São Paulo - Rafaela Araújo - 8.jul.25/Folhapress
Para o Brasil, segundo o cálculo de Daniel Duque com os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a renda de uma pessoa com 65 anos ou mais em 2024 era, na média, 105% da renda de uma pessoa em idade ativa. Para a França, esse número foi de 101%.

Esse resultado deve-se ao fato de nosso sistema previdenciário ter uma das maiores taxas de reposição, em razão da política de valorização do salário mínimo e do repasse do aumento do mínimo aos inativos. Boa parte dos benefícios previdenciários é atrelada ao salário mínimo.

Em um post no blog do FGV Ibre em 2018, Carlos Eduardo Gonçalves e eu documentamos que o excesso de gasto previdenciário do Brasil sobre os demais países, após controlarmos pelas diferenças de estrutura etária, era de sete pontos percentuais do PIB.

Muito provavelmente nosso sobregasto previdenciário, em associação com a política de valorização do salário mínimo e seu repasse aos inativos explica, em parte, os elevados juros que vigoram por aqui.

De fato, se considerarmos os mandatos de Lula 2, Dilma 1, Dilma 2/Temer, Bolsonaro e os três primeiros anos de Lula 3, o gasto primário real cresceu, em cada um dos cinco períodos, respectivamente, 37%, 24%, 2%, 7% e 14%. Para os mesmos períodos, o juro real médio esperado acumulado foi respectivamente de: 30%, 18%, 23%, 12% e 26%. A correlação entre crescimento do gasto real e juro real esperado foi de 52%.

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Aposentados que recebem acima do salário mínimo veem a renda diminuir ao longo dos anos; entenda


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Evidentemente, muitos outros fatores explicam os elevados juros observados no Brasil. No entanto, a política de valorização do salário mínimo deve ser um fator importante para entendermos o fenômeno. De 1994 até 2024, a produtividade do trabalho elevou-se em 30%, segundo o observatório Regis Bonelli da Produtividade, do FGV Ibre. No mesmo período, o valor real do salário mínimo cresceu 188%.

Esse equilíbrio com elevada taxa de reposição do sistema previdenciário, em associação à política de valorização do salário mínimo, resulta em uma economia de elevadas taxas de juros e pouco dinamismo. O baixo dinamismo afeta as oportunidades de trabalho e carreira dos jovens, reforçando o baixo crescimento da renda dos ativos.

Configura-se um conflito distributivo entre gerações em que o maior bem-estar da população com 65 anos ou mais conflita com as oportunidades dos mais jovens. Como documentei na coluna sobre o filme coreano "Parasita", a Coreia do Sul escolheu caminho oposto ao nosso. Baixíssimo gasto previdenciário e muito investimento em educação. Apesar dos enormes ganhos de produtividade, ainda tinha em meados da década passada uma taxa de pobreza para a população de 65 anos ou mais maior do que a nossa!
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Today, 8:59 AM
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Atenção, você pode ser uma commodity para o seu médico

Atenção, você pode ser uma commodity para o seu médico | Inovação Educacional | Scoop.it
Certos profissionais induzem o paciente a intervenções excessivas, muitas vezes sem benefícios clínicos proporcionais
Um médico que busca, acima de tudo, satisfazer suas vaidades ou engordar a conta bancária, esqueceu-se do principal
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Today, 8:53 AM
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Com universitários no celular, e professor implora atenção 

Com universitários no celular, e professor implora atenção  | Inovação Educacional | Scoop.it

Aconteceu em uma das principais faculdades do país: a professora tentava explicar uma atividade, mas os alunos estavam quase todos no celular. Ela pediu meia horinha de atenção. Nada. Só 20 minutos então? Nada. Implorou por 10... Teve que apelar: ameaçou tirar o aparelho de quem não prestasse a atenção. Uma aluna se levantou: "Quem disse que você pode tirar o nosso celular?"
Embates como esse, típicos das escolas de ensino fundamental e médio até a proibição dos celulares, passaram a ser vistos nas faculdades. A cena foi relatada à Folha por uma ex-professora da ESPM de SP. A docente, que pediu para não ser identificada, contou que acabou desistindo de dar aulas na graduação, cansada de ter que disputar a atenção dos alunos com os smartphones. Embora situações mais críticas como essa não sejam as mais comuns, a batalha para conseguir a atenção dos universitários é do dia a dia. E há casos em que os docentes chegam a reter os aparelhos até o fim da aula, como relatou à Folha um aluno da FGV-SP.
Essa epidemia de distração está levando instituições de ensino superior das mais conceituadas do país a proibirem o uso de celular nas aulas –além da ESPM, o Insper determinou a proibição, e a FGV, em que os smartphones já são vetados por vários professores, deve tornar essa política oficial em breve.
Disseminado internacionalmente na educação básica, o banimento ganha espaço no ensino superior, e não só no Brasil. A proibição, em geral, tem partido dos professores, mas as instituições discutem o veto geral, e o advento da IA acelerou esse processo. Em alguns casos, como é o da ESPM e de professores da FGV, a restrição é também a tablets e notebooks (a ESPM disse aos alunos que é "altamente recomendável" fazer as anotações em caderno para exercitar elaboração mental e memória). O veto a dispositivos eletrônicos sempre tem como exceção a realização de atividades pedagógicas liberadas pelo docente.
Na Universidade Stanford, na Califórnia, alguns cursos proibiram os smartphones, tablets e notebooks. O mesmo na New York University, conforme contou à Folha o psicólogo Jonathan Haidt, professor da instituição e autor do best-seller "A Geração Ansiosa", sobre os prejuízos da hiperconexão digital, obra considerada essencial para o banimento dos celulares nas escolas do Brasil e de outros países.
"Eu e muitos outros professores adotamos uma política ‘sem telas de qualquer tipo’ nas aulas", disse, em entrevista no ano passado. "Não deixamos que os alunos usem computador nem para tomar notas. Descobrimos que, com o notebook aberto, ninguém consegue resistir a checar e-mail, mensagens, redes sociais, notícias, clima, fazer compras", afirmou.
Há uma corrente que defende que a restrição pode interferir no desenvolvimento da autonomia do aluno. A faculdade Belavista (SP), por exemplo, afirmou que a proibição "não contribuiu no desenvolvimento da autogestão e maturidade". Admitiu, contudo, que, embora a proibição generalizada pareça não fazer sentido, os professores têm liberdade para estabelecer "regras de convivência" nas aulas.
O debate sobre uma eventual "infantilização" dos universitários se colocou, e essa não é uma questão simples. Diante da saúde mental fragilizada dessa geração, o ensino superior se viu obrigado a adotar práticas antes restritas às escolas, como contratação de psicólogos, aproximação com os pais e realização de atividades e provas adaptadas, bem como a flexibilização de prazos (não somente para alunos de inclusão, mas para os que sofrem de depressão e ansiedade, por exemplo).
A dificuldade dos universitários na leitura, especialmente em textos mais longos e complexos, é um entrave relatado pelos docentes e constatado em pesquisas.
Estão nas carteiras das universidades agora os jovens atingidos pela pandemia em plena adolescência. Somente os ingressantes em 2025 e neste ano chegaram a pegar o banimento dos celulares nas escolas, e os mais velhos enfrentaram a pior fase, em que o uso nas salas de aula estava totalmente descontrolado.
Haidt contou que, em um de seus cursos para universitários, dá como tarefa "fazer um plano para se tornar mais inteligente, mais forte e mais sociável, para melhorar a vida". "Insisto que o começo do projeto tem que ser a redução do tempo nas redes sociais. Não dá para fazer nada se passar quatro horas por dia no Instagram", afirmou.
"Quando eles reduzem ou abandonam esse hábito, os resultados são milagrosos. Dizem: ‘Agora é fácil estudar, consigo terminar tudo em 1, 2 horas, e tenho tempo para sair com os amigos’", relatou. "Os alunos ficam mais extrovertidos, menos ansiosos. Qualquer jovem adulto que retomar o controle da própria atenção fará enormes progressos, e essa é o lado otimista", disse. "O pessimista é que é muito difícil que eles façam isso sozinhos. É complicado para um jovem adulto se desconectar das redes sociais, porque os amigos estão lá. Meu medo é que seja uma geração com menos conquistas."
Presidente do Insper, Guilherme Martins refutou a ideia de infantilização e disse que a restrição busca preservar o aprendizado em um ambiente marcado pelo excesso de estímulos e notificações. Defendeu que a transição do ensino médio para a universidade não garante maturidade automática, é um processo gradual de construção. "[O veto ao celular] É uma regra de transição. Ninguém vira adulto plenamente maduro de um mês para o outro", disse à Folha.
Lembrou que a autonomia não se desenvolve na ausência de limites e que ambientes de alta performance combinam liberdade com regras claras. Comparou a política sobre celulares a outras normas institucionais, como punições para plágio, cola ou violência, aceitas como parte da formação.
Professor de educação de Stanford, Guilherme Lichand contou que, desde o ano passado, a escola de pós-graduação em negócios proíbe dispositivos eletrônicos nas aulas, o que está se espalhando por outras áreas neste ano. "Foi estranho no começo, porque antes todos acompanhavam as aulas com os notebooks e tablets. Mas ficou claro que isso levava à distração", afirmou. "E a distração de um aluno acaba prejudicando todos, porque as aulas se baseiam na interação entre o grupo."
Ele lembrou que o celular em aula, em um universo de polarização, costuma ser usado para gravações e postagens que geram atritos. "Isso desencoraja a troca de ideias. As pessoas, quando querem se posicionar, pensam que podem ser colocadas na rede fora de contexto. E isso em plena universidade, que deve ser o espaço para o aprendizado e para o debate, fora do massacre da internet."

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February 7, 11:30 AM
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Pesquisadores temem impacto do ‘lixo’ da IA

Pesquisadores temem impacto do ‘lixo’ da IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Pesquisadores de inteligência artificial (IA) estão às voltas com um problema básico em seu campo: como impedir que o chamado “lixo” de IA abale a confiança nos trabalhos científicos sobre a própria tecnologia de IA.

Nos últimos meses, as conferências de IA [nas quais os artigos científicos costumam ser apresentados] têm se esforçado para tentar restringir o uso de modelos de linguagem de grande escala (LLMs, na sigla em inglês) pelos pesquisadores para escrever e revisar artigos, depois de terem sido inundadas por uma enxurrada de conteúdo redigido por IA.

Cientistas advertiram que o aumento de material gerado por IA de baixa qualidade ameaça abalar a confiança e a integridade das pesquisas no setor com a inclusão de conteúdo inventado e afirmações falsas.

“Há um pouco de ironia no fato de que há tanto entusiasmo com a IA modelando outros campos quando, na realidade, nosso campo tem passado por esta experiência caótica, em razão do uso disseminado da IA”, disse Inioluwa Deborah Raji, uma pesquisadora de IA na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Recentes estudos colocaram em evidência como a própria tecnologia de IA tem sido usada nas pesquisas e artigos sobre IA. Em agosto, um estudo da Universidade de Stanford detectou que até 22% dos artigos sobre ciência da computação continham o uso de LLMs.

Uma análise da startup Pangram estimou que 21% das revisões da prestigiada Conferência Internacional sobre Representações de Aprendizado (ICLR, na sigla em inglês) em 2025 foram geradas integralmente por IA e mais da metade incluía algum tipo de uso de IA, como edição. Dos artigos apresentados, a empresa concluiu que 9% tinham mais da metade de seu conteúdo gerado por IA.

Em novembro, revisores da ICLR apontaram que um artigo suspeito de ser gerado por IA que havia se classificado entre os 17% melhores com base nas notas dos revisores.

Em janeiro, a startup de detecção de IA GPTZero publicou uma pesquisa que encontrou mais de 100 erros gerados por IA em 50 artigos em 2025 na conferência Sistemas de Processamento de Informação Neural (NeurIPS), considerada o canal mais prestigiado para publicar pesquisas de ponta em IA.

As preocupações cada vez maiores sobre como a comunidade de pesquisa usa a tecnologia levaram a ICLR a atualizar suas diretrizes de uso de IA. Isso incluiu o aviso de que os artigos, caso não divulguem se houve uso “extensivo” de LLMs, serão rejeitados.

Pesquisadores que usarem LLMs para criar revisões de baixa qualidade de artigos também serão penalizados, o que pode incluir a rejeição de suas próprias submissões de pesquisas.

“Se você está publicando artigos de qualidade realmente baixa que estão simplesmente errados, por que a sociedade deveria confiar em nós como cientistas?” disse Hany Farid, professor de ciência da computação na Universidade da Califórnia, em Berkeley.

O aumento no número de artigos sobre inteligência artificial produzidos por pesquisadores ficou ainda mais evidente em 2025, segundo especialistas.

A conferência NeurIPS informa ter recebido 21.575 submissões em 2025, acima das 17.491 em 2024 e 9.467 em 2020. Apenas um dos autores havia elaborado mais de 100 artigos na NeurIPS, quantidade muito maior do que um pesquisador médio costuma produzir.

Também houve um grande aumento nos artigos relacionados à ciência da computação no arXiv, um repositório on-line gratuito de pré-publicações de trabalhos, segundo Thomas G. Dietterich, professor emérito de ciência da computação na Universidade Estadual do Oregon, que também preside a seção de ciência da computação do arXiv.

Ainda assim, segundo cientistas de IA, é difícil dizer se esse aumento se deve ao uso de LLMs ou ao crescimento no número de pesquisadores ativos na área. Detectar conteúdo gerado por IA continua uma tarefa difícil, dada a falta de padrões ou métodos em todo o setor para analisar artigos de forma confiável.

Um sinal revelador é quando os artigos contêm referências “alucinadas” na bibliografia ou números incorretos, segundo Dietterich. Esses usuários ficam proibidos de enviar artigos para o arXiv por certo tempo, acrescentou.

Alguns especialistas em IA argumentam que a proliferação do uso de LLMs, impulsionada por incentivos comerciais, tem levado pesquisadores a se concentrar na quantidade em vez de na qualidade. Segundo críticos, a pesquisa sobre IA tem uma cultura de tentar publicar o maior número possível de artigos, o que tem levado alguns cientistas a pegar atalhos.

“Quando temos esses momentos de demonstrações [de novos produtos] incrivelmente impressionantes, salários incrivelmente elevados e essas empresas simplesmente ficando malucas, isso simplesmente atrai uma enxurrada de interesse de gente de fora [da IA tentando publicar artigos sobre IA]", disse Raji.

Segundo especialistas, existem diversas formas legítimas de usar ferramentas de IA para pesquisas, por exemplo, como revisores de texto ou assistentes de “brainstorm” que ajudem a explorar novas ideias.

“A qualidade da redação em artigos da China melhorou dramaticamente, e suponho que seja porque os LLMs são muito bons em reescrever o inglês para torná-lo fluente”, disse Dietterich.

No entanto, a questão de como a tecnologia deveria ser usada vêm se tornando mais importante, com empresas como Google, Anthropic e OpenAI chegando a promover seus modelos como “cocientistas”, capazes ajudar a acelerar a pesquisa em áreas como ciências da vida.

Como parte da personalização de seus modelos para o uso em pesquisas científicas, as empresas e laboratórios de IA normalmente os treinam com conjuntos de dados extraídos de fontes acadêmicas. No entanto, se isso incluir volumes cada vez maiores de artigos gerados por IA, poderia acabar levando a resultados indesejados, como a degradação do desempenho do modelo, segundo Farid.

Pesquisas anteriores mostraram que os LLMs tendem a “colapsar” e produzir tolices quando o conjunto de dados contém muitos dados sem curadoria gerados por inteligência artificial, o que reduz a diversidade de conteúdos a partir dos quais um modelo de IA pode aprender.

“Há [...] um incentivo para as empresas de IA que estão pegando tudo indiscriminadamente quererem saber se essas coisas [os artigos] de fato não são geradas por IA”, disse Farid.

O chefe de ciência da OpenAI, Kevin Weil, ressalta que os LLMs são como qualquer ferramenta e precisam ser usados com responsabilidade. “Pode ser um acelerador em massa, que pode ajudá-lo a explorar novas áreas”, disse Weil. “Mas você precisa checá-lo. Ele não te exime de ser rigoroso.”
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February 7, 11:23 AM
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China e EUA têm de levar a sério riscos da IA | Opinião

China e EUA têm de levar a sério riscos da IA | Opinião | Inovação Educacional | Scoop.it
E os riscos não ficam por aqui. À medida que as forças armadas dos EUA e da China aumentam a sua utilização de IA - encurtando os ciclos de decisão e alterando os quadros de dissuasão no processo - cresce o risco de sistemas baseados em IA desencadearem inadvertidamente um conflito ou uma escalada catastrófica. À medida que a IA se torna mais central no sistema bancário global, a negociação automatizada baseada em IA poderá provocar um colapso dos mercados na ausência de mecanismos de proteção adequados. E é possível imaginar um sistema de IA poderoso e desalinhado (com objetivos diferentes dos pretendidos pelos seus criadores) a ameaçar causar danos gravíssimos à humanidade. Sendo as únicas superpotências mundiais da IA, os EUA e a China têm de se envolver diretamente para enfrentar estes e outros perigos.

Durante a administração Biden, percebi que a corrida pela liderança nas aplicações militares, de inteligência e comerciais, e pela adoção de modelos e aplicações de IA americanos e chineses por países de todo o mundo, só iria intensificar-se. Essa concorrência feroz torna a diplomacia essencial, mesmo em meio a tensões agravadas. Seria profundamente irresponsável que os EUA e a China avançassem a toda a velocidade sem se envolverem mutuamente na gestão dos riscos ou sem dialogarem sobre as enormes oportunidades que a IA oferece para enfrentar os desafios transnacionais - desde a crise climática até à saúde pública.

É certo que especialistas de referência em ambos os países têm participado em esforços diplomáticos de “Track 2” - ou de via 2 - isto é, conversações fora do âmbito governamental, que normalmente envolvem universidades, líderes empresariais e grupos da sociedade civil. Estes debates são valiosos e devem continuar. No entanto, em última análise, nada substitui o envolvimento direto entre governos, mesmo que seja bastante modesto no início. Além disso, esse envolvimento não pode esperar, tendo em conta a velocidade estonteante do avanço tecnológico e as dificuldades previsíveis de alcançar avanços diplomáticos que estejam à altura do momento. A gestão dos riscos da IA é um território inexplorado, pelo que os progressos não serão nem rápidos nem fáceis. Os EUA e a China precisam de começar a trabalhar.

Muitos analistas fazem paralelos com o controle de armas nucleares ao longo das décadas, e essa analogia tem algum mérito. As superpotências têm a responsabilidade de gerir os riscos associados a tecnologias poderosas e, no passado, cumprimos com êxito essa responsabilidade através de acordos de controle de armamentos - inclusive no auge da Guerra Fria. Mas a IA também apresenta desafios diferentes, exigindo abordagens mais inovadoras do que o controlo de armamentos.

Há várias razões para isso. Em primeiro lugar, a verificação é mais complexa. Contar mísseis e ogivas, com as suas assinaturas detetáveis, é uma coisa; contar algoritmos - sem falar em discernir todas as capacidades e aplicações de um determinado algoritmo - é outra completamente diferente.

Segundo, o desafio da dupla utilização manifesta-se de forma distinta no caso da IA. Sim, a divisão do átomo tem utilizações civis e militares. Em contrapartida, o mesmo modelo de IA que pode contribuir para o avanço da investigação científica e gerar crescimento econômico também pode ajudar a produzir efeitos letais aterradores.

Terceiro, os debates sobre o controlo de armamentos têm-se centrado principalmente na ameaça de Estados contra outros Estados, ao passo que os riscos da IA envolvem ameaças entre Estados, mas também ameaças não estatais e riscos associados ao desalinhamento da IA.

Quarto, pelo menos nos EUA, o desenvolvimento da IA não é impulsionado pelo governo, mas sim pelo setor privado - e por muitas que competem entre si. Isto significa que há um leque mais vasto de atores que tem de ser envolvido nas discussões destinadas a mitigar os riscos que a tecnologia representa.

Por último, a evolução e o impacto das capacidades da IA são muito menos claros que as armas nucleares. Quando exerci funções como conselheiro de Segurança Nacional, trabalhei para garantir que o governo dos EUA estivesse preparado para todos os cenários ao longo do espetro das incertezas. Isso exige um nível adicional de flexibilidade, subtileza e firmeza. O controle das armas nucleares não surgiu de um dia para o outro. Foram necessários anos para definir os controles de exportação, os regimes de testes, os protocolos de verificação e as salvaguardas relevantes - e foram precisas décadas de diplomacia para os manter. Com a IA, estamos na fase inicial de algo semelhante em termos de ambição, mas diferente em termos de substância e complexidade. Isso faz com que seja ainda mais importante avançar de imediato com medidas de redução de riscos.
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February 7, 11:20 AM
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Einstein aposta em inovação compartilhada para converter Brasil em exportador de tecnologia médica

Einstein aposta em inovação compartilhada para converter Brasil em exportador de tecnologia médica | Inovação Educacional | Scoop.it
Organização anunciou os Centros Colaborativos de Inovação (CCIs), modelo de parceria estruturada de longo prazo que visa inserir o Brasil nas rotas globais de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)
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February 7, 11:13 AM
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Novos desafios depois da distância

Novos desafios depois da distância | Inovação Educacional | Scoop.it

Em um segundo momento da conversa, a preocupação deixava de ser apenas social. O irmão de Lenildo, Branco, relatou que as crianças passaram a realizar as tarefas escolares quase instantaneamente no celular, recorrendo a aplicações digitais para resolver exercícios e responder perguntas. Segundo ele, já não erravam praticamente nada. Nesse contexto, as tarefas propostas pelos professores pareciam ter perdido parte do sentido, em contraste com a experiência escolar de sua própria geração. “Na minha época não era assim”.
Esse relato de São Severino “dos Macacos” ecoa uma preocupação discutida recentemente na Stone Lecture, uma das principais palestras do Departamento de Economia de Cambridge, criada em homenagem ao economista britânico e laureado com o Nobel Richard Stone. O convidado foi o economista David Autor, professor do MIT, que vem refletindo sobre os efeitos da inteligência artificial no trabalho, renda e emprego. Uma das questões centrais da palestra foi o possível impacto cognitivo do uso intensivo de IA sobre as gerações mais jovens. Autor sugeriu que a geração hoje na universidade talvez tenha tido uma “janela de sorte”, por ter sido estimulada a aprender matemática de forma crítica, a desenvolver leitura e escrita e a lidar com erro e tentativa antes da difusão ampla dessas ferramentas.
Trata-se, por enquanto, de uma conjectura plausível, levantada por pesquisadores e educadores diante da rápida difusão de tecnologias que oferecem respostas imediatas. A inteligência artificial generativa, capaz de produzir textos e resolver exercícios matemáticos quase instantaneamente, pode reduzir o tempo dedicado à leitura, ao erro e à tentativa. Embora os ganhos de eficiência sejam claros, os efeitos de longo prazo sobre a formação cognitiva e educacional, sobretudo entre os mais jovens, permanecem em aberto.
Diante desse cenário, a questão central deixa de ser se a inteligência artificial deve ou não estar presente na educação e passa a ser como organizar o processo de aprendizagem em um ambiente no qual respostas estão disponíveis de forma quase instantânea. Uma reação possível é reforçar métodos tradicionais de ensino, como a realização de tarefas de leitura, redação e matemática sem o uso de meios eletrônicos, avaliações presenciais e provas orais. A ideia não é rejeitar a tecnologia, mas preservar espaços nos quais o esforço cognitivo, o raciocínio próprio e a argumentação continuem indispensáveis.

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February 7, 10:56 AM
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‘As IAs dependem da Wikipédia’: o paradoxo da enciclopédia digital, que completa 25 anos

‘As IAs dependem da Wikipédia’: o paradoxo da enciclopédia digital, que completa 25 anos | Inovação Educacional | Scoop.it

A bolha pontocom ainda nem tinha estourado em janeiro de 2001, quando dois desenvolvedores que trabalhavam em uma enciclopédia digital decidiram começar um projeto paralelo: uma outra enciclopédia digital, só que gratuita e colaborativa. E assim Jimmy Wales e Larry Sanger criaram a Wikipédia, atualmente o décimo website mais visitado do mundo, disponível em mais de 300 idiomas e com 65 milhões de artigos.
A enciclopédia colaborativa completa 25 anos de existência em um mundo bem diferente, a ponto de se ver metida em um paradoxo. As extensas discussões entre colaboradores voluntários, que caracterizam a produção de seus artigos, contrastam com a rapidez e simplicidade com que uma pessoa pode digitar uma pergunta na interface de aplicativos de inteligência artificial generativa, como o ChatGPT ou o Deepseek, e obter uma resposta direta e estruturada, ainda que não necessariamente correta.
O paradoxo é o seguinte: boa parte das fontes que alimentam os modelos linguísticos de IA são artigos da Wikipédia, que ficam disponíveis online com licença aberta. Ao mesmo tempo, o recurso às IAs generativas é considerado responsável por um declínio perceptível no acesso de usuários humanos, calculado em 8% entre 2024 e 2025 pela própria Fundação Wikimedia, que desde 2003 é responsável por manter o funcionamento do site. Outra análise, da empresa Similarweb, apontou uma queda de 23% no tráfego entre 2022 e 2025, uma perda de 1,1 bilhão de visitas por mês.
De um lado, ameaça. De outro, símbolo do sucesso de uma iniciativa comunitária e voluntária de produção de informação. “O interessante é que as IAs dependem da Wikipédia; nós sabemos disso, e elas também”, afirma o sociólogo João Alexandre Peschanski, diretor executivo da Wikimedia Brasil.
“Ao mesmo tempo, elas trazem um desafio financeiro importante, porque até hoje quem sustentou o projeto foi o público leitor, que agora pode se satisfazer com as respostas das IAs.”
Uma resposta da Fundação Wikimedia ao “tsunami” da inteligência artificial foi anunciada em janeiro. Trata-se de um acordo pelo qual as corporações proprietárias dos principais algoritmos de IA pagarão à Wikimedia para coletar o conteúdo da enciclopédia. Os valores exatos não foram divulgados. Muitos especialistas defendem uma regulamentação da para garantir a remuneração do conteúdo profissional pelas plataformas digitais.
Hoje, a enciclopédia é financiada principalmente por meio de microcontribuições individuais dos leitores, a partir de campanhas periódicas anunciadas em banners na plataforma. No Brasil, a contribuição máxima é de R$ 20. De acordo com a fundação, seu orçamento anual está em cerca de US$ 170 milhões por ano.
Peschanski afirma que a estratégia da Wikimedia para a IA, já divulgada em publicações online, consiste em “colocar os humanos em primeiro lugar”, o que, no caso da enciclopédia, se traduz em como usar as ferramentas apenas como acessórios para facilitar o trabalho da comunidade. “O diferencial da Wikipédia é que nossos processos são transparentes, além de cuidadosos e colaborativos”, afirma o sociólogo. “Isso significa que o mecanismo de produção de todo o material é claro e visível. Justamente esse acesso ao mecanismo é o que estamos perdendo com o conteúdo produzido por inteligência artificial.”
A chegada da IA está longe de ser a primeira transformação do mundo digital a afetar a enciclopédia colaborativa. Na origem, ela é fruto de um mundo em que mal se começava a falar em “web 2.0”, aquela em que a coleção de páginas quase estáticas e acessadas por meio de diretórios começava a dar lugar a blogues e outros websites que remetiam uns aos outros por meio de “hiperlinks”.
A Wikipédia sobreviveu à derrocada dessa fase e à ascensão de um mundo digital fechado atrás dos muros de redes sociais. Tudo isso com uma interface que não passou por reformas profundas e um logotipo que é, para todos os efeitos, o mesmo desde 2003.
Nesse meio-tempo, aquilo que era malvisto por professores e pesquisadores, uma “proposta bem pouco provável”, nos dizeres de Peschanski, tornou-se ferramenta de ensino e o principal website de referência do mundo. De acordo com uma pesquisa da revista Nature, publicada em 2005, o índice de falhas na Wikipédia é semelhante ao de nomes tradicionais como a Encyclopaedia Britannica.
Liberdade e abertura não significam a ausência de regras. A Wikipédia conta com uma série de diretivas e princípios. Há três fundamentais: as informações devem ser verificáveis, ou seja, remeter a fontes confiáveis; não deve haver pesquisa original, específica para um artigo; e, principalmente, o “ponto de vista neutro”, resumido com estas palavras na versão de língua inglesa: “representar com justiça, proporcionalmente e, tanto quanto possível, sem viés editorial, todas as perspectivas relevantes publicadas por fontes confiáveis sobre um tema”.
Como não é fácil determinar o que é proporção, justiça, ausência de viés, relevância das perspectivas e confiabilidade das fontes, desses três decorrem inúmeras outras orientações. A citação de fontes também está sujeita a regulações e há mecanismos que permitem restringir a possibilidade de editar, o que cria uma pequena hierarquia entre os colaboradores mais assíduos e os usuários que entram apenas para fazer breves edições.
Episódios que suscitam polêmicas mais radicais, como a guerra em Gaza ou a política americana atual, podem ser parcial e temporariamente trancados. Verbetes que empresas criam para promover seus produtos, fazendo publicidade disfarçada, podem ser removidos.
Em mais uma característica pela qual a Wikipédia contrasta com a lógica operativa da internet de hoje, todas essas práticas tornam o processo de edição mais demorado. Há uma dose de ironia nesse vagar, já que o termo “wiki” vem da língua havaiana e significa “rápido”.
As páginas de edição receberam esse nome porque foram desenhadas, na virada do século, para permitir edições ágeis por múltiplos usuários. Os editores da versão em inglês contabilizam os debates em torno de algum artigo na unidade “TOMATS”, acrônimo para “The Old Man and the Sea” (“O velho e o mar”), livro de Ernest Hemingway. Cada Tomats corresponde à extensão da obra, ou seja, 26.531 palavras.
Peschanski ressalta o potencial formativo do projeto da Wikipédia, capaz de inspirar nas pessoas um espírito comunitário e a possibilidade de chegar a consensos. Pessoas que começam a fazer edições e correções por serem especialistas em determinada área passam a ter de interagir com usuários leigos, apresentando referências para sustentar suas posições.
No caso de artigos sobre pessoas notórias e assuntos que geram cizânia, editar a Wikipédia exige uma forma de socialização que contrasta com a formação de bolhas, típica das redes na atualidade.
“Vejo a Wikipédia como um experimento de democracia da informação. É um projeto colaborativo, em licença livre, que respeita direitos autorais, sem propaganda. Só vai haver um único artigo sobre Lula e um sobre Bolsonaro, então a redação tem que ser definida por consenso”, resume o sociólogo. “É uma ideia até ingênua, que parte do princípio de que as pessoas chegam de boa-fé, quando as redes estão cheias de gente querendo ‘trolar’ e vandalizar. Com todos os problemas, nossa comunidade é quase um kibutz.”
No Brasil, o número de pessoas que fazem edições nas páginas oscila entre 5 mil e 15 mil. O principal fator que determina os picos e vales é o calendário escolar: quando os alunos estão nas escolas e faculdades, alguns professores propõem trabalhos que incluem editar artigos e participar de discussões.
Por outro lado, em 2021, uma pesquisa encomendada pela fundação revelou vieses demográficos na versão lusófona, semelhantes aos já identificados para outros idiomas. Os editores são predominantemente pessoas de classe mais alta, com muitos anos de educação formal e brancos. O maior desequilíbrio é o de gênero, já que apenas 11,1% das editoras se apresentaram como mulheres.
O problema já havia sido observado na versão em inglês em 2010, com causas como ataques machistas nas páginas de discussão, a sensação entre mulheres de que suas propostas são menos aceitas e menos tempo livre para se dedicar à atividade voluntária. Desde então, diversas iniciativas foram tomadas para diminuir o desequilíbrio. Entre elas estão as “Editatonas”, maratonas de edição de artigos com tema feminino, e cursos como o “Wikipédia em chave de gêneros”, realizado por universidades brasileiras no ano passado.
Para marcar a efeméride, a Fundação Wikimedia realizou uma comemoração online internacional em 15 de janeiro, considerado oficialmente como o dia do aniversário. No fim do ano passado, o fundador Jimmy Wales lançou o livro “The Seven Rules of Trust: A Blueprint for Building Things that Last” (As sete regras da confiança: um projeto para construir coisas que durem), que propõe aplicar os princípios que deram certo para a Wikipédia a outros temas candentes da atualidade. O ramo brasileiro da fundação lançará também, em breve, o livro “A Wikimedia no Brasil: o poder e os desafios do conhecimento livre”.

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February 7, 10:43 AM
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Computação quântica trará grandes avanços e riscos, diz físico best-seller

Computação quântica trará grandes avanços e riscos, diz físico best-seller | Inovação Educacional | Scoop.it
A conclusão foi exposta pelo físico teórico, futurista e escritor Michio Kaku, autor de uma série de best-sellers na área, durante painel no Fórum Econômico Internacional América Latina e Caribe 2026. “Os computadores quânticos são bilhões de vezes mais rápidos do que um computador digital. O computador digital de hoje calcula todos os caminhos entre A e B individualmente. Os computadores quânticos fazem isso simultaneamente, [ou seja], passam por todos os caminhos possíveis ao mesmo tempo. Se você entender isso, você entenderá a essência da próxima revolução.”
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February 7, 10:40 AM
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IA e o futuro da educação

IA e o futuro da educação | Inovação Educacional | Scoop.it

O avanço rápido dos grandes modelos de linguagem (LLM, na sigla em inglês) nos dois últimos anos levou alguns a argumentarem que em breve a inteligência artificial tornará o ensino superior obsoleto, em especial na área de ciências humanas. Por essa avaliação, os jovens se dariam melhor se, em vez de cursarem uma faculdade, fizessem seu aprendizado diretamente no local de trabalho.
Discordo com veemência. Aprender por meio da experiência prática é algo valioso e sempre foi. Mas funciona melhor quando as pessoas têm uma boa noção de que tipos de empregos e capacidades terão demanda. Se existe uma coisa de que podemos ter certeza, é de que o futuro do trabalho é extremamente incerto. Aconselhar os jovens a abrirem mão da faculdade em troca de entrar mais cedo no mercado de trabalho é, no mínimo, equivocado.
Geoffrey Hinton, que é considerado de maneira generalizada como um dos pioneiros da IA moderna, certa vez comparou o avanço em sua área a conduzir um barco no meio do nevoeiro): você consegue ver o que está imediatamente à frente, mas não o que vem depois. Por conseguinte, o principal desafio para os educadores é preparar os estudantes para que possam operar com eficiência em condições similares. A resposta não é treiná-los para realizar tarefas específicas que podem se tornar obsoletas logo, mas torná-los o mais adaptáveis que for possível. Tentar preparar pessoas para um conjunto fixo de desafios, quando esses desafios estão em mudança constante, é uma estratégia fadada ao fracasso. Queremos pilotos habilidosos, capazes de navegar por rotas com que não têm familiaridade e de lidar com barreiras inesperadas.
Sob essa perspectiva, a educação - em especial o ensino superior - tem um papel mais importante do que nunca. Como não sabemos que qualificações terão mais demanda no futuro, uma volta aos fundamentos é imprescindível. A educação na área de humanas dá ênfase a como pensar, em vez de ao que fazer. Ela ensina os estudantes a raciocinar, a ler com atenção, a escrever com clareza e a avaliar indícios. Essas habilidades continuarão a ser relevantes por muito mais tempo do que competências técnicas limitadas.
Isso não significa ignorar a tecnologia. Pelo contrário, os estudantes devem aprender a trabalhar com a IA. Mas o objetivo deve ser torná-los usuários com visão crítica e condições de avaliar de maneira bem informada as ferramentas de IA, e não consumidores passivos. Continua a ser essencial ensinar matemática básica, lógica e raciocínio; interagir com textos fundamentais; e aprender como os argumentos são construídos e testados. Essas são as habilidades que permitem a uma pessoa se manter à frente da tecnologia em rápida evolução.
Este princípio levanta duas questões práticas: o que devemos ensinar e como devemos ensinar? A primeira questão é difícil e é inevitável que provoque controvérsias. Pode existir um consenso geral sobre a importância dos conceitos fundamentais, mas os detalhes mudarão com o tempo. A introdução de calculadoras e computadores não eliminou a necessidade de ensinar aritmética. Os estudantes ainda aprendem a fazer cálculos manualmente, mas hoje a demorada tarefa de resolver contas matemáticas é deixada para as máquinas.
A IA exige um ajuste semelhante que abrange muitos campos. Hoje os grandes modelos de linguagem executam com extrema eficiência tarefas como resumir textos ou identificar suas ideias principais - elementos tradicionais do ensino. O mesmo se aplica cada vez mais à programação, à resolução de problemas quantitativos e até mesmo à redação de textos. Embora essas atividades não devam desaparecer do currículo, o objetivo precisa mudar. Os estudantes precisam compreender os conceitos e a lógica que as sustentam, em vez de dominar cada etapa de sua execução.
Como não se sabe que qualificações terão mais demanda, uma volta aos fundamentos é imprescindível. A educação na área de humanas dá ênfase a como pensar, em vez de ao que fazer. Ensina a raciocinar, a ler com atenção, a escrever com clareza e a avaliar indícios
Os estudantes que terão êxito serão aqueles que conseguirem usar as ferramentas de IA de forma eficaz para atingir objetivos bem definidos. O mesmo se aplica à boa gestão: o sucesso depende de definir prioridades, estruturar os problemas e empregar os recursos disponíveis de maneira inteligente. Essas são habilidades conceituais, e não simplesmente técnicas.
A segunda questão de cunho pedagógico diz respeito à forma como se faz o reforço e a avaliação do aprendizado. A compreensão exige alguma prática, mas a inteligência artificial torna mais fácil do que nunca para os alunos evitarem fazer esse trabalho eles mesmos. Por isso, precisamos de uma mudança radical nos métodos de avaliação. Dissertações para fazer em casa, listas de exercícios e provas sem supervisão são cada vez mais ineficientes. Elas precisarão ser substituídas por questionários e provas presenciais, exames orais e resolução de problemas em tempo real, seja no papel ou na lousa.
Essas mudanças têm implicações de longo alcance. Elas exigem presença física, turmas menores e mais interação direta entre alunos e professores. Em muitos aspectos, isso significaria um retorno a modelos de ensino mais antigos, com a reversão de parte da escala e da padronização introduzidas por tecnologias anteriores. E poderia até mesmo marcar o início de um novo auge para a educação em ciências humanas.
Mas esse modelo também levanta preocupações sérias. Ele joga mais responsabilidades para os professores, que precisam estar dispostos a garantir que padrões sejam seguidos e a tomar decisões difíceis. Talvez o desafio mais grave diga respeito à desigualdade. O ensino extremamente personalizado e em turmas pequenas é caro. Instituições de elite podem ser capazes de oferecê-lo, mas as grandes universidades públicas terão dificuldades em fazer o mesmo. Uma reorientação motivada pela IA na direção do ensino que se apoia de forma intensiva na presença física pode prejudicar aqueles que mais dependem da educação pública.
Alguns argumentam que a própria IA reduzirá a necessidade de educação formal ao fornecer informações e orientação personalizada sob demanda. Mas isso pressupõe que os usuários saibam o que perguntar e como interpretar as respostas. As pessoas mais motivadas ou talentosas podem se dar bem nesse tipo de ambiente, mas também o fariam em qualquer outra situação. A educação formal é mais importante para o vasto grupo que ocupa o meio da escala.
Se a IA for beneficiar a sociedade, precisaremos de mais, e não de menos, investimento em educação. A IA eliminará empregos, mas também criará outros. A educação deve estar entre os setores que se expandirão. À medida que a IA se tornar disponível de maneira generalizada, a qualidade da educação dependerá menos do acesso e mais das expectativas e da garantia de aplicação das regras. Turmas menores, mais professores e interação pessoal são dispendiosos, mas os ganhos de produtividade prometidos pela IA tornam esses investimentos factíveis e compensadores.

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February 7, 10:38 AM
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Uso de IA no RH já é realidade na maioria das organizações

Uso de IA no RH já é realidade na maioria das organizações | Inovação Educacional | Scoop.it

A maioria dos profissionais de recursos humanos no Brasil (75%) já utilizam a inteligência artificial (IA), principalmente em tarefas operacionais. Os principais usos são observados na triagem de currículos, apontada por 61,5% dos executivos do setor; na gestão de cargos e carreiras, com recomendações de trilhas de ascensão (44,7%), no apoio a desligamentos (39%) e em processos de onboarding ou integração de novos empregados (34%).
Os dados são da pesquisa “Censo do RH”, realizada pela HRtech WallJobs, em parceria com a Faculdade Eseg, do Grupo Etapa. O levantamento ouviu 525 profissionais de RH, sendo 46,3% de empresas de grande porte, com mais de 301 empregados. Do total, 31,6% ocupam cargos de liderança e 30% acumulam de 11 a 20 anos de experiência no setor.

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