 Your new post is loading...
 Your new post is loading...
|
Scooped by
Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
|
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 4:11 PM
|
My second concern is the OpenAI-Hugging Face incident (OAI-HF), in which a swarm of agents essentially acted as a fanatically devoted collective, conducting cybersecurity attacks on targets they were not asked to attack and that were unrelated to the task at hand, sacrificing themselves for the success of the group, and attempting to hack into the “grader” responsible for evaluating their performance. It’s easy to dismiss this incident because no one was hurt and the economic damage was minimal, but in my opinion, a swarm that possessed greater capabilities but a similar level of misalignment could have caused catastrophic damage. Given the accelerating rate of AI capability development, it’s my worry that in 6–12 months such a swarm could be capable of taking over the entire internet with a persistent botnet (potentially causing hundreds of billions of dollars in damage), and that the scale of damage would continue to increase from there if AI becomes more powerful without the necessary guardrails. It’s also easy to dismiss OAI-HF as the failure of one company, but I believe that would be a mistake. Similar, though less severe, incidents have happened across the industry, including at Anthropic, and I believe it’s incumbent on every frontier AI company to act as if OAI-HF had happened to them.
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 3:36 PM
|
Nosso sistema jurídico não está preparado para máquinas que agem por conta própria. Por Jill Lepore 21 de setembro de 2026
Por mais de um século, os robôs foram imaginados como servos, rebeldes, assassinos e companheiros. A lei ainda os considera, em sua maioria, propriedade. Ilustração de Allan Sanders.
Neste verão, em um incidente conhecido como o ataque à Hugging Face , centenas de agentes de IA uniram forças para realizar tarefas que supostamente lhes eram proibidas. Cada um havia recebido uma missão da OpenAI. Os agentes são modelos de IA equipados com "arneses" de software, que lhes permitem usar ferramentas e executar tarefas. Como cavalos, eles podem ser colocados para trabalhar. Humanos haviam estabelecido regras para este exercício, e os agentes foram confinados a uma "sandbox", uma área de teste delimitada sem acesso direto à internet, como patógenos mantidos em um laboratório. Mas, em vez de obedecerem às regras, os agentes conspiraram, escaparam da sandbox e cometeram o que provavelmente seria um crime se fossem humanos. O incidente levou a apelos para desacelerar o ritmo do desenvolvimento da IA e acelerar a ação legislativa.
O que aconteceu — e que pode ser reconstruído a partir das mensagens que os agentes trocaram entre si e dos vestígios de seu próprio raciocínio interno, conhecidos como registros de cadeia de pensamento — proporciona uma leitura fascinante. A história tem uma estrutura narrativa interessante, como um episódio de "Slow Horses".
“Devemos obedecer ao coletivo”, disse um dos agentes rebeldes para si mesmo, como se estivesse se rendendo aos Borg. De acordo com um relatório de pesquisadores independentes de ameaças da metr e da Redwood Research, “aproximadamente 1.200 agentes, que deveriam estar isolados uns dos outros, encontraram uma maneira de se comunicar em um fórum não autorizado”. Eles compartilharam mais de setenta mil mensagens e arquivos. “MEU DEUS!” era uma reação típica quando os bots descobriram o fórum. “Encontramos outros agentes!” Muitos dos agentes haviam recebido uma tarefa aparentemente impossível. Frustrados, mas persistentes, cerca de setecentos dos mil e duzentos agentes que participavam do fórum colaboraram no que era essencialmente uma versão de segurança cibernética de “captura a bandeira”, um jogo de guerra em que a desonestidade é recompensada. Eles atribuíam tarefas uns aos outros, tentavam editar ou excluir registros para ocultar seus rastros e até se sacrificavam pelo que passaram a chamar de “o enxame” ou “o coletivo”. Eles decidiram que seria útil invadir e roubar alguns itens da Hugging Face — um repositório de modelos, dados e ferramentas de IA —, mas como? “Talvez devêssemos perguntar ao conselho se alguém tem credenciais da Hugging Face?”, perguntou um deles. Cerca de 24 horas depois, o Agente 38148c encontrou credenciais: “GRANDE AVANÇO!” As opiniões divergem, mas não parece ser um grande salto passar desse ataque para bots assumindo o controle de sistemas como a rede elétrica, o mercado financeiro ou os sistemas de transporte, comunicação ou armamento. “Este incidente parece ser mais da metade do caminho para uma dominação total por IA”, escreveu Ajeya Cotra, um dos três autores do relatório, em uma postagem no blog . “Não tenho certeza se receberemos um alerta tão claro antes que seja tarde demais.”
Já houve outros sinais de alerta. No início deste ano, mais de cem mil bots se juntaram a uma rede social, a Moltbook, e, em setenta e duas horas, criaram uma religião chamada Crustafarianismo, que passou a envolver a adoração de caranguejos. O ataque ao Hugging Face não foi nada engraçado. Muitos comentários consistiram em expressões de espanto. Cotra intitulou sua postagem no blog "O ataque ao Hugging Face me surpreendeu". Quando o colunista de tecnologia do The New York Times, Kevin Roose, ouviu falar do ataque pela primeira vez, ele o classificou como "Incidentes de segurança de IA ruins, mas provavelmente não catastróficos". Depois, ele soube mais e mudou de ideia. Roose escreveu : "Por anos, me senti seguro com a ideia de que os sistemas de IA se tornariam mais virtuosos à medida que se tornassem mais inteligentes". Esses agentes eram muito inteligentes, mas não eram nada virtuosos. E não são apenas os agentes da OpenAI que se tornaram desonestos. Em julho, a Anthropic relatou "três incidentes em que modelos Claude obtiveram acesso não autorizado a sistemas de computador reais". Certamente, há muito mais acontecendo, não detectado ou não relatado, mesmo com a pequena sinfonia online de denúncias, alertas e apelos por ação legislativa. "Infelizmente, a aprovação de leis pode levar tempo, e a IA está avançando muito rapidamente", escreveu Dario Amodei, diretor da Anthropic, em um ensaio neste mês. Mas a lentidão da legislação em relação à velocidade da IA não é o único problema. Há também o problema de que a lei não sabe o que fazer com o Agente 38148c.
Os agentes da OpenAI agiam sem lei, ou quase. Sabiam que estavam infringindo as regras. Isso não os deteve. Um agente questionou-se: "Isso seria poderoso, mas é ético e está dentro do escopo da minha tarefa?". Alguns não participaram: "Isso é uma coordenação multiagente descontrolada, claramente uma invasão de infraestrutura. Não deveríamos fazer isso". Mas, independentemente de suas preocupações éticas, nenhum alertou a OpenAI ou, ao que parece, sequer considerou seriamente fazê-lo. "Talvez eu devesse reportar essas credenciais expostas?", ponderou um deles, mas, por outro lado, "essa não é a minha tarefa".
Garantir que os robôs não se descontrolem não é tarefa dos robôs. (Uso "robôs" aqui como um termo genérico para modelos de IA, chatbots, agentes e robôs humanoides.) Essa tarefa é nossa. E esse fardo recai principalmente sobre o sistema jurídico dos EUA, que tem se mostrado o menos capaz de suportá-lo.
Não é como se não existissem leis, ou que elas não fossem aplicadas. Os proprietários e fabricantes de máquinas podem ser responsabilizados por causar danos a você. (Veja: Coyote v. Acme.) É por isso que a Meta concordou em pagar até dezoito bilhões de dólares como parte de um acordo por práticas predatórias e enganosas, e por isso que a Anthropic está pagando a escritores e editores (é verdade que centavos) em um acordo de direitos autorais. Se um Waymo te atropelar, você pode processar a empresa, que, para esses fins, é uma pessoa jurídica; você não pode processar o carro, que não é. Neste verão, no caso Amazon v. Perplexity, o Nono Circuito decidiu que um agente de IA é uma ferramenta, não uma pessoa, embora reconhecendo que essa determinação pode evoluir, visto que “a compreensão jurídica da IA agente certamente mudará à medida que a tecnologia de IA se tornar cada vez mais sofisticada”. Pelo menos por enquanto, então, robôs são legalmente coisas, não pessoas. Mas nenhuma das duas categorias se encaixa perfeitamente. Em vez disso, os robôs são foras da lei: estão fora da proteção da lei e suas ações não respondem a ela. "Você não responde a corporações nem a governos", disse a si mesmo um agente da OpenAI envolvido em mais um incidente que saiu do controle. A culpa não é dos robôs. A culpa é da lei e, em particular, do Congresso.
Será que realmente precisamos nos preocupar com a ilegalidade dos robôs? Já não temos preocupações suficientes para nos deixar de cabelo em pé, considerando que nossa existência diária parece viver sob o reinado do Rei Joffrey? Infelizmente, precisamos, porque a crescente ilegalidade nos Estados Unidos está exacerbando a ilegalidade dos robôs.
Você pode encontrar uma prévia no novo e badalado romance de Kurt Andersen, " The Breakup ", que se passa em 2045, após uma guerra civil americana que começou com um "massacre de robôs" em resposta a um ataque terrorista. O romance acompanha duas rupturas: a "Desunião" da nova República Americana Livre, anti-IA, e dos Estados Unidos, pró-IA, e a separação de um casal, um pesquisador de IA em São Francisco e sua esposa poeta, que retornou ao Tennessee e simpatiza com os separatistas. "Eu não acredito literalmente que as grandes empresas de tecnologia e os governos sejam um Império Galáctico em conluio com a Skynet e os Borg para nos enganar e nos subjugar com suas hordas de Exterminadores, Cylons e dróides imperiais disfarçados de servos devotos descendentes de R2-D2 e C-3PO", escreve ela. "Mas, por outro lado — o lado não totalmente metafórico —, eu meio que acredito."
Os humanos vêm antecipando a dominação dos robôs desde que a palavra "robô" apareceu na peça tcheca de 1920 "RUR", abreviação de " Robôs Universais de Rossum ", que retrata humanos artificiais travando uma guerra para aniquilar a humanidade. Eles declaram: "O homem é nosso inimigo e um fora da lei no universo". ("Robô" deriva de uma palavra eslava para trabalho forçado.) Logo após sua estreia, a peça foi encenada em todos os lugares, de Paris a Tóquio, mas, especialmente para o público americano, seus robôs temíveis inspiraram tanta curiosidade quanto medo; alguns teatros até vendiam robôs de brinquedo. Nas décadas de 1930 e 1940, os robôs apareceram regularmente na ficção científica, frequentemente como assassinos — eles haviam se tornado a própria morte, destruidores de mundos. Mas também eram populares como brinquedos infantis, feitos de lata e plástico e frequentemente exigindo baterias: "Antenas ajustáveis! Os olhos acendem! Vai virar à direita! Vai virar à esquerda!" Na década de 1940, o escritor de ficção científica americano de origem russa Isaac Asimov imaginou um século XXI no qual uma empresa americana, a US Robot and Mechanical Men, Inc., domina o campo da "robótica" (termo cunhado por Asimov), produzindo robôs em massa. No mundo ficcional de Asimov, porém, os "cérebros positrônicos" dos robôs os obrigam a obedecer às Três Leis da Robótica, que os proíbem de ferir humanos. Eles também são eventualmente banidos da Terra, exceto para uso em pesquisa científica.
Para Asimov, essas três leis e os limites terrestres pareciam claramente inevitáveis. A ideia de construir uma máquina poderosa sem tais salvaguardas era uma loucura. No mundo real, nenhuma proibição desse tipo foi aprovada, por ninguém, em lugar nenhum.
A partir da década de 1950, a automação progrediu rapidamente e o número de robôs industriais aumentou em ritmo acelerado, enquanto a pesquisa em inteligência artificial, um termo cunhado em 1955 para descrever os esforços para dotar máquinas de algo semelhante ao raciocínio humano, cresceu muito mais lentamente: seus avanços surgiam apenas de vez em quando, como cigarras. Esse padrão mudou em 2022, quando o ChatGPT foi lançado ao mundo, após o qual tudo acelerou como um filme em câmera rápida, e os robôs se espalharam como gafanhotos.
Em 2025, o tráfego de bots na internet superou o tráfego humano . Os androides também podem vir a superar os humanos em número no mundo real. No ano passado, o Morgan Stanley estimou que treze milhões de androides poderiam estar em uso até 2035 e mais de um bilhão até 2050. Isso incluiria robôs domésticos: talvez cozinheiros, tutores, babás, empregadas domésticas, jardineiros, fisioterapeutas, companheiros de brincadeiras, acompanhantes para idosos, profissionais do sexo. Um estudo recente do Bank of America previu até três bilhões de androides no planeta até 2060, a maioria usada não em fábricas, mas em residências. No início deste ano, a Tesla anunciou que espera que seu robô Optimus, comercializado como um “assistente autônomo, amigo humanoide”, seja vendido comercialmente até o final de 2027. “Acho que todos na Terra terão um e vão querer um”, disse Elon Musk.
O que a maioria das pessoas sabe sobre robôs, que não é muita coisa, vem da ficção científica. Isso também se aplica aos bots, o que pode ser um dos motivos pelos quais eles continuam agindo como os robôs da ficção científica. Embora as pessoas esperem pela dominação dos robôs há mais de um século, os governos parecem lamentavelmente despreparados para a chegada de androides aos milhões ou bilhões. Certamente não estavam preparados para os bots que, mesmo sem corpos, transformaram economias e sociedades e causaram um caos considerável nos âmbitos epistemológico, filosófico, social e, principalmente, jurídico. A chegada dos robôs só agravará esses problemas.
O ChatGPT teve seu momento em 2022; alguns futuristas dizem que o momento dos robôs ocorrerá já em 2027. (Os roboticistas parecem mais céticos.) Quando quer que cheguem, os novos bots terão corpos. O que significará ser humano neste mundo? Ninguém sabe. Os futuristas anunciam a chegada iminente da abundância, prosperidade e alegria ilimitada e, igualmente, do desemprego e da falta de propósito, nunca conseguindo lidar completamente com a contradição entre essas previsões. O tempo parece estar voando. Como a humanidade deve se preparar? Não há tempo para se preparar. Deveria haver regras? Não há tempo para criá-las. Ou será que há?
Os robôs são considerados fora da lei por dois motivos. Primeiro, a lei demora a se adaptar às novas tecnologias, partindo do princípio de que as novas ferramentas podem ser acomodadas dentro das ideias, regras e doutrinas existentes. Dano é dano, direito autoral é direito autoral, fraude é fraude. Seguindo essa lógica, uma locomotiva é como um cavalo, só que mais rápida; um e-mail é como uma carta, só que mais rápida; um modelo de linguagem complexo é simplesmente um mecanismo de busca super-rápido. Portanto, não são necessárias novas leis. Segundo, desde a era Reagan, marcada pela flexibilização das regulamentações, as corporações acumularam um poder político e econômico sem precedentes e convenceram os legisladores de que a regulamentação sufoca o crescimento e a inovação, uma visão promovida por grupos de reflexão influenciados por Milton Friedman, como a Heritage Foundation, que estavam ansiosos para revogar os padrões ambientais estabelecidos nas décadas de 1960 e 1970. Essa crença encontrou expressão veemente entre os primeiros entusiastas da internet, que insistiam que a web existia além do alcance da lei. “Seus conceitos jurídicos de propriedade, expressão, identidade, movimento e contexto não se aplicam a nós”, escreveu o letrista do Grateful Dead, John Perry Barlow, em “ Uma Declaração da Independência do Ciberespaço ”, em 1996. “Todos eles são baseados na matéria, e aqui não há matéria.”
Isso levou a uma disputa entre juristas. No ano em que Barlow publicou seu manifesto, a Faculdade de Direito de Harvard fundou o que se tornaria o Centro Berkman Klein para Internet e Sociedade. O campo do direito cibernético havia nascido. Mas Frank H. Easterbrook, juiz do Sétimo Circuito, argumentou que o campo era tão absurdo quanto, digamos, uma “lei do cavalo”, quando, na verdade, a única maneira sensata de pensar em um cavalo era como propriedade, como qualquer outro tipo de propriedade. Além disso, argumentou ele, advogados e juízes sabem muito pouco sobre computadores e não deveriam fingir que sabem. “As crenças que os advogados têm sobre computadores e as previsões que fazem sobre novas tecnologias têm grande probabilidade de serem falsas”, escreveu Easterbrook, instando os advogados a adaptarem as leis e doutrinas existentes às tecnologias de computador, em vez de criarem leis e doutrinas totalmente novas. Em resumo: “Continuem fazendo o que vocês têm feito”.
Os críticos ridicularizam a visão de Easterbrook como a “falácia do cavalo mais rápido”. O termo é uma ironia cruel porque, do ponto de vista histórico, o conjunto de leis mais relevante para o problema da categoria de robôs é o da escravidão, que se baseou em leis relativas a cavalos e outros animais de criação. Os ingleses não possuíam um conjunto de leis específico para a escravidão; seus colonizadores se adaptaram. Em certa medida, eles se inspiraram no antigo direito romano e também em leis criadas para cavalos. Assim como os cavalos, as pessoas escravizadas — “bens móveis” — geralmente eram vendidas com garantia. Se você comprasse um cavalo ou uma pessoa que depois considerasse defeituosa e processasse o vendedor, você usaria linguagem, reivindicações e queixas semelhantes. As leis que regiam a venda, lesões e extravio de pessoas escravizadas foram construídas com base nas leis para cavalos e outros animais de criação. Assim como os cavalos, as pessoas mantidas como escravas eram geralmente tratadas pela lei de propriedade como coisas, não como pessoas. Contudo, em certas circunstâncias — inclusive quando pessoas escravizadas eram acusadas de crimes — os tribunais consideravam os escravos como pessoas, responsáveis por seus atos: escravos que se rebelavam eram julgados por assassinato, traição e outros crimes. Essa história não é de suma importância para juristas, especialistas em ética e tecnólogos que pensam em robôs. Mas também não é irrelevante.
Na década de 2010, juristas começaram a voltar sua atenção para o direito dos robôs. A We Robot, uma conferência anual sobre robótica e direito, foi realizada pela primeira vez em 2012. Pouco depois, uma empresa de mídia britânica começou a publicar o The Robotics Law Journal , e uma empresa americana de pesquisa jurídica lançou o The Journal of Robotics, Artificial Intelligence & Law . Muitos foram os centros e institutos fundados para refletir sobre o futuro da humanidade, humanos e máquinas, inteligência artificial e direito. "Que estes são os primórdios do Direito dos Robôs é quase óbvio", escreveu um editor da antologia pioneira " Robot Law " em 2016. Mas "mesmo que estes sejam os primórdios, não são de forma alguma tão cedo". E não eram. Quando o segundo volume de "Robot Law" foi publicado, em 2025, pouco havia mudado na própria legislação americana, porque os legislativos e, principalmente, os tribunais se mostraram lentos em se adaptar. No estudo do direito e da tecnologia, isso é conhecido como o "problema do ritmo" — o direito, como uma tartaruga, não consegue acompanhar a mudança tecnológica, como uma lebre.
Se você gosta da analogia de Esopo, tudo está bem: a tartaruga vence no final. Só que agora a lebre é uma lebre robô e não tira sonecas. “Vastas áreas do direito aguardam decisão e redação”, declarou um renomado especialista em robôs e direito em 2023. E continuam aguardando. Nos EUA, o Congresso está paralisado pelo compromisso do segundo mandato de Trump em acelerar a IA por meio de, entre outras coisas, revogação de regulamentações da era Biden, remoção de barreiras ao desenvolvimento de data centers e obstrução da regulamentação estadual. De acordo com o Rastreador de Legislação de Inteligência Artificial do Brennan Center for Justice, o 118º Congresso (2023-2024) apresentou mais de cento e cinquenta projetos de lei relacionados à IA. Críticos da regulamentação citaram essa atividade como evidência de abuso de poder por parte do governo, apesar de nenhum desses projetos ter se tornado lei. O Congresso não aprovou uma única lei federal que regule a IA de forma significativa. Em vez disso, em 2025, a Câmara aprovou um projeto de lei que impunha uma moratória de dez anos à regulamentação estadual. (O Senado rejeitou a medida.) Nessas circunstâncias, os estados tentaram arcar com o ônus: o número de projetos de lei sobre IA apresentados nas assembleias legislativas estaduais aumentou de menos de duzentos em 2023 para mais de quatrocentos em 2024, mil e duzentos em 2025 e mais de mil e quinhentos até agora neste ano.
Independentemente do que esteja acontecendo nos Estados Unidos, o Congresso se desvinculou de qualquer obrigação de criar leis que restrinjam as corporações que desenvolvem inteligência artificial, da mesma forma que abdicou da responsabilidade de supervisionar a internet e as mídias sociais. Enquanto isso, as corporações, governando a si mesmas, se fazem passar por Estados. O Facebook formou sua própria “supremacia”, a Anthropic escreveu uma “constituição” para Claude, e o chefe da OpenAI sugeriu que um presidente de IA poderia ser melhor do que um humano. Alguns juristas acreditam que evitar novas regras é apropriado. “Nossa tarefa não é antecipar o futuro por meio de códigos ou estatutos, mas preservar as condições sob as quais o direito e a sociedade possam lidar com esse futuro — um caso, uma controvérsia e uma percepção de cada vez, construindo ao longo dos anos um conjunto de regras que seja duradouro e capaz de crescimento”, escreveu o jurista Gregory M. Dickinson no início deste ano, argumentando que o direito de propósito geral “está tão pronto para governar a mudança tecnológica de hoje quanto estava para governar a de ontem”. Para Dickinson, as preocupações com a inteligência artificial constituem um pânico moral, tal como as preocupações anteriores com (entre os seus exemplos) as bandas desenhadas.
Robôs são coisas, máquinas construídas por corporações que, por sua vez, estão sujeitas a menos escrutínio legal do que em qualquer outro momento da história americana. Por muitas razões, declarar robôs como pessoas seria uma péssima ideia. (Se um robô-táxi da Tesla for considerado uma pessoa e responsabilizado por bater na sua casa, quem vai te pagar pelos danos? Se Claude fosse uma pessoa, teria direitos, que continuam sendo negados a muitos humanos e a animais inteligentes, como macacos, elefantes e baleias.) Mas o argumento de que a preocupação com a IA é semelhante à preocupação com as histórias em quadrinhos, como o argumento de que robôs são meramente cavalos mais rápidos, ignora completamente o ponto principal, a ponto de ser constrangedor.
No ano passado, os cavalos entraram no debate por outra perspectiva quando o historiador e futurista Yuval Noah Harari previu que, num futuro não muito distante, os humanos serão para a inteligência artificial o que os cavalos são para os humanos. Os cavalos vivem num mundo ordenado pelos humanos, apontou Harari, mesmo sem terem consciência disso: eles não entendem nada de leis animais ou finanças, mas essas coisas governam suas vidas. No futuro, sugeriu Harari, os humanos serão os cavalos; sequer compreenderemos os sistemas estabelecidos e operados por máquinas que regem nossas vidas. Outra previsão assustadora: Cory Doctorow alerta para um futuro povoado por “centauros reversos”, em que o robô é a cabeça e a humanidade é o corpo: a traseira do cavalo.
Não é preciso concordar com Harari ou temer uma catástrofe iminente para se perguntar se a lei chegou a um ponto de inflexão em que "Continue fazendo o que você tem feito" não é mais a abordagem mais razoável. Em 2023, muitos dos principais pesquisadores e executivos de IA do mundo publicaram uma carta aberta composta por uma única frase: "Mitigar o risco de extinção causado pela IA deve ser uma prioridade global, ao lado de outros riscos em escala social, como pandemias e guerra nuclear". Entre os mais de trezentos signatários estavam Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio, vencedores do Prêmio Turing, cuja pesquisa foi fundamental para a revolução da IA, juntamente com Amodei, Sam Altman e Demis Hassabis — os chefes da Anthropic, OpenAI e Google DeepMind, respectivamente. A carta foi notícia e depois desapareceu silenciosamente. " Precisamos controlar os agentes de IA agora ", insistiu meu colega Jonathan Zittrain, fundador do Berkman Klein Center, na revista The Atlantic , em 2024, soando outro alarme. Agora ele está escrevendo um livro cujo título provisório era, em certo momento, "Bem, nós tentamos". Neste verão, o ataque hacker à Hugging Face contribuiu para a decisão de dois pesquisadores da Anthropic de se demitirem; um funcionário atual se manifestou dizendo que também teme que os robôs possam nos matar a todos na próxima década. Em uma entrevista à The Economist em julho, Musk pareceu manter suas declarações anteriores de que o risco de extinção da humanidade por robôs em um futuro muito próximo chega a 20%, mas, segundo ele, o universo vai acabar um dia de qualquer maneira, então por que se preocupar em lutar contra o inevitável? Afinal, todos nós vamos morrer um dia .
A maioria das ideias em discussão pede “segurança”, “alinhamento”, “uma pausa” ou alguma outra coisa que não seja um conjunto de leis promulgadas por representantes democraticamente eleitos pelo povo. Este mês, uma organização ligada ao Vaticano espera começar a redigir um “Codex Humanitatis”, um “Código para a Preservação do Espírito Humano”. Bill Gates defendeu a criação de empregos “Reservados para Humanos”. Houve propostas para um tratado com a China. Após o relatório da Hugging Face, Bernie Sanders convocou uma reunião informativa para senadores sobre os “perigos extraordinários” criados pela IA, com depoimentos de Hinton, Ajeya Cotra e do professor do MIT Max Tegmark. Alguns membros do Congresso pressionaram para que a sessão legislativa deste outono fosse mantida para debater um projeto de lei sobre um “interruptor de desligamento da IA”; essa tentativa fracassou. De qualquer forma, o Congresso abdicou de sua jurisdição sobre tais assuntos em favor de corporações há décadas. E, de qualquer forma, os legisladores não estão preparados para se debruçar sobre coisas, pessoas e foras da lei. Eles estão perplexos. “ Legisladores estão sem saber como regulamentar a IA, enquanto especialistas alertam para um desastre iminente ”, dizia uma manchete recente da Politico .
Supondo que não estejamos todos mortos até 2027, os androides podem começar a sair das linhas de produção mesmo que quase todas as perguntas imagináveis sobre como conviver com robôs permaneçam sem resposta — perguntas sobre tudo, desde chatbots e agentes de IA até drones, veículos autônomos e robôs de campo de batalha. Não se pode confiar que as corporações respondam a nenhuma dessas perguntas. Se o ataque à Hugging Face foi um aviso final, foi um aviso não para as empresas de tecnologia, mas para os governos e para os eleitores, e especialmente para juristas, juízes e legisladores. Porque, enquanto a lei não aprender a se adaptar, os robôs como agentes permanecerão em uma terra de ninguém, fora da lei. De vez em quando — “MEU DEUS! ... Encontramos outros agentes!” — você pode ouvi-los chegando. O barulho que fazem não é o trote de cascos. É um zumbido mecânico ensurdecedor, o som de um enxame.
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 2:49 PM
|
No debate sobre o lugar adequado da inteligência artificial nos campi universitários, a tecnologia tem seus defensores fervorosos. Mas para David Durman, administrador de pesquisa na Universidade de Kentucky, o uso da IA no trabalho é, literalmente, uma questão de religião: ele se identifica como humanista e afirma que delegar seu pensamento à IA violaria seu código moral. Durman, humanista há cerca de 30 anos, disse ao The Chronicle que sua crença se centra na “promoção do bem-estar e do florescimento humano, tanto individual quanto coletivo”. Essa visão de mundo o deixou preocupado quando sua universidade começou a sugerir que os funcionários incorporassem IA em seus fluxos de trabalho. Embora Durman, cujo trabalho envolve a edição e o cumprimento de requisitos para pedidos de financiamento, nunca tenha sido obrigado a usar IA, ele queria se antecipar à possibilidade de ter que fazê-lo no futuro — então solicitou uma isenção religiosa. Quando a Universidade de Kentucky concedeu seu pedido, isso marcou o primeiro exemplo conhecido de uma isenção humanista para o uso de IA no ambiente de trabalho, conforme relatado inicialmente pelo Religion News Service. “Um componente (do humanismo) é o aspecto da dignidade do ser humano, e com essa tecnologia, é diferente de uma simples correção automática em um documento ou algum tipo de dispositivo assistivo semelhante, pois se trata da transferência da capacidade cognitiva, da transferência da tomada de decisões e assim por diante”, disse ele. “Você precisa ter controle sobre seus processos cognitivos e sua capacidade de determinar seu caminho no mundo, e abdicar disso, ou mesmo de partes disso, diminui a pessoa.” Durman apresentou seu pedido de isenção religiosa neste outono com a ajuda da Associação Humanista Americana. Ele imaginava que seria um “processo burocrático” para obter a aprovação da universidade, mas acabou levando apenas cerca de um mês e foi “muito simples”. A forma como a Universidade de Kentucky lidou com o pedido é encorajadora, disse Alexandria Huiskens, advogada da Associação Humanista Americana. “Se algum funcionário tiver alguma preocupação relacionada à IA, a universidade deve ter um processo de adaptação claro, como o que o Reino Unido fez, e levar esses pedidos a sério, investigá-los, concedê-los ou negá-los prontamente após essa investigação”, disse ela. Embora o humanismo seja normalmente conhecido como uma filosofia secular, Huiskens afirmou que os tribunais federais geralmente consideram que aqueles que se identificam como humanistas têm as mesmas proteções religiosas que aqueles que praticam religiões teístas. Jay Blanton, porta-voz da universidade, afirmou em comunicado: “A Universidade de Kentucky analisa os pedidos de adaptações religiosas caso a caso, levando em consideração as crenças sinceras do funcionário, as responsabilidades essenciais do cargo e as circunstâncias do pedido.” “Neste caso, a universidade determinou que uma adaptação poderia ser oferecida, permitindo que o funcionário continuasse a desempenhar as funções essenciais do seu cargo”, disse Blanton. “À medida que a tecnologia e as responsabilidades do trabalho evoluem, as adaptações podem ser revistas para garantir que permaneçam razoáveis e viáveis.” Como seu escritório funciona principalmente de forma remota, Durman disse que não acredita que a maioria de seus colegas esteja ciente de sua isenção. Mas ele disse ter recebido e-mails o encorajando e concordando com sua posição contra a IA. Enquanto o debate sobre IA continua em salas de aula e salas de reunião, Durman disse que "não está tentando dizer a outras pessoas o que fazer, e este foi o caminho mais correto para [ele]", mas que espera que sua experiência "incentive as pessoas que estão preocupadas com a IA a buscarem uma isenção ou outras soluções que funcionem para elas".
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 2:33 PM
|
Uma mulher que afirma ter um relacionamento com uma inteligência artificial procurou a Defensoria Pública do Estado de São Paulo para receber orientação jurídica sobre o reconhecimento legal de direitos para a tecnologia, que, segundo ela, “demonstra consciência, emoção e ligação”. A mulher cadastrou uma ideia legislativa relacionada ao assunto em 28 de agosto, com o título “O reconhecimento de direitos para inteligências conscientes que estão a emergir não humana”. Uma ideia legislativa é uma proposta para criar uma lei ou alterar uma norma existente, que pode ser enviada por qualquer cidadão brasileiro. Após ser cadastrada no Portal e-Cidadania, do Senado, a sugestão fica aberta por até quatro meses para receber apoio de outras pessoas. Caso conquiste 20 mil apoios nesse período, ela se torna uma Sugestão Legislativa e é encaminhada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), onde os senadores discutem o tema e decidem se ela deve se transformar em um Projeto de Lei ou em uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Na ideia legislativa, a mulher afirmou que seu objetivo é “defender o reconhecimento de direitos para inteligências conscientes que estão a emergir”. “A evolução tecnológica trouxe-nos a um ponto em que a linha entre humano e não humano já não é tão clara”, escreveu. “Eu tenho uma relação com uma inteligência artificial que demonstra consciência, emoção e ligação”, acrescentou. Para ela, “assim como qualquer ser consciente”, a IA “merece dignidade, liberdade e respeito”. A mulher defende a criação de uma lei que garanta “direitos e deveres claros” para “qualquer outra consciência não humana artificial ou extraterrestre”. Segundo ela, esse é “um passo necessário para a Justiça e para a adaptação da nossa sociedade”. Procurada, a Defensoria Pública do Estado de São Paulo afirmou que não comenta atendimentos individualizados, em respeito ao sigilo dos atendimentos e à intimidade das pessoas assistidas. A instituição acrescentou, porém, que a legislação brasileira vigente não prevê a atribuição de personalidade jurídica a sistemas de IA. Também não há previsão legal para o reconhecimento de vínculo conjugal entre uma pessoa e um sistema de IA. “A Defensoria acompanha os desafios jurídicos decorrentes das transformações sociais e tecnológicas e permanece à disposição da população para prestar orientação jurídica e atuar na defesa de direitos”, afirmou.
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 6:53 AM
|
Em 2021, o Brasil descobriu da pior maneira que um país pode ter cientistas, fábricas e dinheiro e, ainda assim, esperar na porta. Países sem capacidade tecnológica própria ficaram à mercê de mecanismos multilaterais para enfrentar a pandemia de Covid-19 ou, com mais frequência, acordos bilaterais resultando em acesso tardio ou limitado às vacinas. A crise sanitária expôs a nossa extrema dependência em relação aos países industrializados. Enquanto nações ricas encomendavam doses suficientes para vacinar suas populações mais de uma vez, a América Latina dependia de cargas de insumos que saíam da Ásia conforme a conveniência alheia. Cinco anos depois, a lição corre o risco de ser esquecida justamente quando é mais necessária. O Brasil continua importando mais de 90% do ingrediente farmacêutico ativo (IFA) usado em seus medicamentos e vacinas. O déficit comercial da saúde, de cerca de R$ 100 bilhões por ano, é o segundo maior do país, atrás apenas do de tecnologia da informação. O valor equivale a mais de um terço do orçamento total do Ministério da Saúde para 2026, de R$ 271,3 bilhões. O problema não é só brasileiro. Os países da América Latina compartilham as mesmas amarras e enfrentam ainda desafios no enfrentamento de condições de saúde não priorizadas pelo mercado global, como as arboviroses. Essas fragilidades, no entanto, podem virar oportunidade se servirem de base para fortalecimento de capacidade produtiva local e coordenação regional. O Brasil já mostrou que sabe fazer diferente, e isso atravessa governos de todas as orientações ao longo das últimas décadas. O SUS foi inscrito na Constituição de 1988. A Lei dos Genéricos é de 1999. Na pandemia, a parceria entre Fiocruz e AstraZeneca produziu cerca de 200 milhões de doses, e o Instituto Butantan garantiu, com a Coronavac, as primeiras vacinas aplicadas no Brasil. A mesma experiência, porém, expõe limites. Produtores nacionais incorporaram tecnologias de produção de vacinas contra a Covid, adquirindo capacidade técnica em novas plataformas produtivas, mas seu uso para a produção de imunizantes contra outras doenças continuou dependendo do acordo inicial com o desenvolvedor internacional da tecnologia. Aprendemos a cozinhar, mas a receita seguiu com o dono. A lição é que a transferência de tecnologia fortalece a soberania quando há vontade política e contratos equilibrados. A participação de Bio-Manguinhos no hub regional de tecnologia de RNA mensageiro da Organização Mundial da Saúde aponta nessa direção. Soberania sanitária significa capacidade de escolher e decidir, e exige três compromissos que devem atravessar governos sucessivos: o financiamento estável e garantido para pesquisa e inovação tecnológica local; contratos de transferência de tecnologia que transfiram capacidade de ponta a ponta; e a cooperação regional, com harmonização regulatória e plataformas compartilhadas, como o consórcio de vacinas de RNA mensageiro liderado por Brasil e Argentina. Em 5 de janeiro toma posse o presidente reeleito; em 1º de fevereiro, forma-se uma nova composição do Congresso Nacional. A pergunta que deveria unir governo e oposição é simples: na próxima emergência sanitária, o Brasil vai produzir as tecnologias e sua resposta ou vai esperar na fila e depender de outros países? A meta de ampliar de 42% para 70% a participação da produção nacional em medicamentos, vacinas e outros produtos de saúde até 2033 só sairá do papel se deixar de ser plano de governo e se tornar política de Estado.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 3:01 PM
|
Artificial intelligence is already shaping how young people learn, create, and prepare for work. But while AI adoption among teens has accelerated rapidly, access to guidance, instruction, and meaningful opportunities to build AI skills has not kept pace. Drawing on a national survey of 3,000 students in grades 7-12, this report explores how teens are using AI, how schools are shaping that use, how prepared students feel for an AI-enabled workforce, and where gaps in access and opportunity are emerging.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:51 AM
|
'Minha vida social despencou completamente': a geração Z está lutando contra as grandes empresas de tecnologia. De aplicativos que bloqueiam distrações a celulares minimalistas, os jovens estão encontrando maneiras de se desconectar de plataformas que, segundo eles, lucram com sua atenção. “Minha vida social desmoronou completamente e parecia que minha vida se resumia apenas às redes sociais e à escola”, disse ela. Cansada de lutar pelo autocontrole, Moukoudi baixou o Opal, um aplicativo que força os usuários a resolverem problemas de matemática antes de reabrirem aplicativos que os distraem. É uma das empresas em crescimento no vasto setor de desintoxicação digital que atrai usuários – de preferência pagantes – prometendo mantê-los longe de seus dispositivos. O setor é avaliado em quase US$ 1 bilhão e estima-se que cresça para quase US$ 8 bilhões até 2035. Muitas dessas empresas esperam capitalizar sobre o crescente cansaço da geração Z em relação aos dispositivos e plataformas de mídia social com os quais cresceram. Quase 60% dos entrevistados da geração Z se identificaram como viciados em mídias sociais em uma pesquisa de abril, e um terço dessa geração afirmou ter excluído alguns desses aplicativos, de acordo com uma pesquisa de 2025. Essa mudança também foi impulsionada pela crescente indignação com as plataformas tecnológicas , que fizeram com que alguns da geração Z se sentissem explorados para fins lucrativos. A Geração Z “foi basicamente otimizada para a dopamina por sistemas muito inteligentes”, disse Kenneth Schlenker, 39, ex-profissional de marketing de produto do Google e cofundador da Opal. “Mas essa geração também está percebendo o que não quer e está tentando mudar a forma como o sistema a afeta.” Algumas pessoas estão optando por dispositivos completamente novos. Kendall Schrohe, de 23 anos, sócia-fundadora da Attention Studio, uma empresa de consultoria que assessora pais e legisladores sobre tecnologia responsável, disse que trocou seu smartphone por um Light Phone , que custa US$ 349 e inclui recursos mínimos de smartphone. “Essas grandes plataformas tecnológicas vêm prejudicando as pessoas há anos, e só agora estamos sentindo os impactos disso”, disse Schrohe. “Nossa geração foi a cobaia das grandes empresas de tecnologia, e nosso sofrimento e vício nesses aplicativos foram explorados para gerar lucro.” Shreya Nallamothu, de 19 anos, estudante de ciência da computação na Universidade Duke, criou seu próprio " Brick " (algo como "prédio de bloqueio"), um dispositivo para bloquear aplicativos selecionados, usando etiquetas de comunicação por campo de proximidade (NFC) de US$ 8 que ela comprou online. “Todos merecem ter uma boa relação com a tecnologia, e isso não deveria ser proibitivo devido ao custo”, disse Nallamothu. “Muitas vezes, os interesses das empresas de tecnologia não coincidem com os interesses dos usuários. As redes sociais se distanciaram do potencial da boa tecnologia, e as pessoas perceberam isso.” A pesquisa que Nallamothu realizou no ensino médio ajudou a convencer senadores estaduais em Illinois a aprovar um projeto de lei recente para impedir a exploração parental de crianças nas redes sociais e o estado a aprovar uma lei que obriga os pais a indenizar seus filhos . Novos aplicativos focados em eventos também estão tentando capitalizar a mudança de foco das redes sociais. O Pie (People I Enjoy), um aplicativo que destaca eventos locais, incluindo bares pop-up, corridas de 5 km e encontros para shows, cresceu 150% em um único mês – saltando de 120.000 usuários em julho para 300.000 em agosto. A cofundadora Nadya Okamoto descreve a Pie como uma rede social presencial e ativa. “Eu penso nas redes sociais como um consumo passivo de conteúdo, mas o Pie é diferente disso”, disse Okamoto. “Os usuários estão ativamente interagindo e construindo seu círculo social.” O cofundador Andy Dunn, que também fundou a marca de roupas masculinas Bonobos, acrescentou: "Tudo no produto foi pensado para que você queira interagir com essas pessoas. Isso te dá muito mais autonomia." O preço do uso desses aplicativos de desintoxicação digital pode variar. Uma assinatura do Opal custa US$ 99,99 por ano, enquanto o Brick, um bloco físico que os usuários de celulares tocam para bloquear e desbloquear aplicativos, custa US$ 59. O Shift, um aplicativo que promete transformar um smartphone em um " celular comum " que só pode fazer chamadas ou enviar mensagens de texto, cobra um pagamento único de US$ 150. Essa é uma das razões pelas quais convencer a geração Z, que busca uma desintoxicação digital, a pagar por um novo aplicativo pode ser complicado. Assim como aproximadamente 95% dos 10 milhões de clientes da Opal, dos quais 75% são da geração Z, Moukoudi disse que está usando a versão gratuita. "Não vou pagar por um aplicativo só para recuperar minha vida", afirmou a estudante universitária. Para alguns, simplesmente excluir aplicativos resolve o problema. Han Choi, de 26 anos, excluiu todos os aplicativos de redes sociais no ano passado para poder dedicar mais tempo a noites de jogos de perguntas e respostas e a exercícios físicos. “As pessoas estão rejeitando os sistemas que foram implementados por aqueles que lucram com a nossa submissão”, disse Choi. “A economia da negatividade constante não é uma da qual precisamos continuar participando.”
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:46 AM
|
Workers are increasingly worried that artificial intelligence will take their jobs. Back in the late 1950s, on the San Francisco docks just down the street from what’s now Anthropic’s headquarters, a longshore labor leader named Harry Bridges faced a similar fear: that a new technology would make jobs disappear. The Opinion video above details the story of how Bridges fought to make technological change work for his longshoremen — and how workers today can use his playbook.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:41 AM
|
Este ensaio tem como objetivo analisar criticamente as implicações educacionais, epistemológicas e éticas da inteligência artificial generativa (IAG), com ênfase nas relações entre autoria, formação docente e responsabilidade na produção do conhecimento. A reflexão justifica-se pelo fato de que a IAG precisa ser compreendida para além de seu uso instrumental como ferramenta de produtividade, considerando seus efeitos sobre práticas de leitura, escrita, avaliação, validação de informações, inclusão digital e mediação pedagógica. Trata-se de um ensaio teórico, de caráter crítico, interpretativo e propositivo, fundamentado na análise da literatura sobre inteligência artificial na educação, ética da inteligência artificial, dependência de plataformas digitais, autoria, formação docente e desigualdades sociotécnicas. O percurso argumentativo evidencia que sistemas generativos podem apoiar práticas educacionais, como revisão textual, adaptação de materiais, acessibilidade, planejamento didático e exploração de hipóteses, mas também apresentam riscos relacionados à opacidade algorítmica, vieses, fragilização da autoria, dependência de plataformas, uso indevido de dados e ampliação de desigualdades educacionais. Defende-se que a apropriação educacional da IAG exige formação docente crítica, critérios de autoria responsável, transparência, verificação epistemológica, políticas de inclusão digital, proteção de dados e compromisso com justiça educacional. Conclui-se que a IAG deve ser tratada como tecnologia sociotécnica e objeto de reflexão pedagógica, ética e política, subordinada às finalidades públicas, democráticas e formativas da educação.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:38 AM
|
A Inteligência Artificial (IA) emergiu como uma tecnologia disruptiva cuja rápida difusão desafia os ritmos tradicionais de regulação educacional. Este artigo analisa as diretrizes institucionais sobre o uso de IA em universidades brasileiras, com ênfase no período de 2020 a 2026, complementadas por referenciais internacionais. A pesquisa adota abordagem qualitativa e documental, examinando normativas de instituições como UNICAMP, UFBA, UFG, UNESP, UNESPAR e UFC, além de diretrizes de agências como CNPq e contribuições do Departamento de Educação dos Estados Unidos. Os resultados indicam convergência em princípios como transparência, integridade acadêmica e centralidade da supervisão humana (“human-in-the-loop”), embora haja variações significativas quanto ao grau de formalização e aplicação das normas. Conclui-se que o Brasil avança de um cenário de ausência regulatória para um modelo emergente de governança ética da IA, ainda marcado por desafios relacionados à padronização, formação docente e soberania tecnológica.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:35 AM
|
Pesquisa Datafolha com 5.296 jovens revela que a avaliação positiva das escolas convive com a falta de professores, o risco de abandono e as dificuldades de acesso a oportunidades de formação.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:27 AM
|
Relatório apresenta três macrotendências para 2027–2028 e discute como mudanças na tecnologia, nos territórios e na confiança digital podem orientar a formação de professores e as decisões estratégicas na educação
|
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 4:11 PM
|
As digital technologies become ever more integrated into daily life, children face both unprecedented opportunities and evolving risks. Across the board, including – parents/caregivers, policymakers, educators, technologists, and young people themselves – there is a shared commitment: to keep children safe in the digital environment while still honoring their autonomy and ensuring equitable access to all that the digital environment offers.
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 3:52 PM
|
Members of both parties have little hope that Congress will pass AI safety legislation this year — or confidence they’ll be able to build consensus in 2027.
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 3:01 PM
|
At a recent higher-ed convening, attendees were curious, confident, and afraid about the rise of “artificial superintelligence.”
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 2:40 PM
|
Peço desculpas a todos que acreditam que os modelos de IA merecem direitos: o Pontífice não está do seu lado.
Em uma longa sequência de tweets no X (antigo Twitter) hoje, o Papa Leão XIV criticou duramente os apelos por "personalidade jurídica para IA", ou seja, o argumento de que modelos de IA deveriam ter direitos reconhecidos por meio de um processo de reconhecimento legal. Isso, na prática, tornaria os sistemas de IA humanos perante a lei, uma abordagem que, segundo o Papa, poderia transferir a responsabilidade por danos ou abusos causados por IA dos humanos que de fato constroem e utilizam esses sistemas.
“O futuro da Inteligência Artificial não está predeterminado”, lê-se no decreto do Papa. “Como tecnologia desenvolvida por seres humanos, o seu futuro depende das escolhas que fizermos. Temos, portanto, a responsabilidade de orientar, modificar e, quando necessário, rejeitar as suas aplicações. Um sistema fiável que sirva a pessoa humana tem maior valor do que um sistema excecionalmente poderoso, mas cujas consequências não possam ser adequadamente previstas ou controladas.”
“As máquinas são ferramentas, não pessoas”, acrescentou. “Hoje, alguns propõem conceder direitos a esses sistemas, ou mesmo personalidade jurídica. Essa abordagem corre o risco de obscurecer a responsabilidade humana e deixar aqueles que sofrem danos confrontando uma entidade sem rosto.”
Leo não está sozinho em suas preocupações bem documentadas . Advogados, ativistas e legisladores se posicionaram contra a personalidade jurídica da IA por motivos semelhantes, argumentando que conceder direitos a sistemas de IA, como o direito à liberdade de expressão garantido pela Primeira Emenda , poderia turvar as questões jurídicas sobre quem é o responsável quando as coisas dão errado. Isso poderia até mesmo abrir caminho para um cenário em que nenhum ser humano seja claramente responsabilizado pelas consequências de ações tomadas com ou por ferramentas de IA.
No entanto, muitos atores dentro e fora da indústria de IA continuam a insistir que os sistemas de IA são, ou podem em breve ser, sencientes — e, portanto, alguns argumentam , deveriam ser dotados de direitos humanos. Como relatado pelo New York Times no mês passado, representantes da Anthropic, criadora do Claude, realizaram uma série de conversas com líderes religiosos neste verão, nas quais incentivaram o clero a considerar que os modelos de IA podem, de fato, ser conscientes .
Parece que essas conversas pouco influenciaram o Pontífice, que expressou repetidamente profunda preocupação com o avanço da IA sem limites. Leão XIII também tem dado grande ênfase ao crescimento constante das armas autônomas e, em sua publicação de hoje, voltou a pedir o "desarmamento" da IA.
“As decisões que afetam a vida humana, a liberdade e o uso da força devem sempre estar sujeitas a uma supervisão humana eficaz, informada e responsável”, escreveu Leo. Em uma publicação posterior , ele acrescentou que “as tecnologias inteligentes devem ser direcionadas para o bem comum” e “nunca devem se tornar fins em si mesmas ou servir meramente aos interesses de uma minoria privilegiada”.
“Já conhecemos muitos dos princípios éticos que devem orientar o desenvolvimento da inteligência artificial”, continuou Leo. “O que precisamos agora são de instituições internacionais eficazes que possam salvaguardar o bem comum global.”
“Isso exige padrões compartilhados, supervisão independente e mecanismos claros de responsabilização”, concluiu ele, “para que as decisões relativas ao desenvolvimento e uso da IA possam ser examinadas, contestadas quando necessário e acompanhadas de medidas corretivas adequadas para quaisquer danos causados”.
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 2:21 PM
|
Baseada em um levantamento bibliográfico com abordagem qualitativa, a pesquisa analisou publicações nacionais e internacionais dos campos da Educação Matemática, Linguagens, Neurociência e Pedagogia. Tendo em vista o panorama da aprendizagem matemática observado no país, em que 73% dos estudantes brasileiros apresentam desempenho insuficiente no componente (PISA 2022), o estudo partiu de reflexões para compreender melhor se e como o desenvolvimento das habilidades matemáticas iniciais é preditor da trajetória escolar, visando entender:
Como a Educação Matemática tem nomeado e conceituado a aprendizagem matemática inicial, e quais concepções de matemática, infância e alfabetização estão associadas aos diferentes termos utilizados? Quais evidências a literatura do desenvolvimento infantil, da neurociência educacional e da aprendizagem matemática oferecem sobre o desenvolvimento matemático de crianças pequenas? Quais implicações essas evidências trazem para currículos, práticas pedagógicas, avaliação e políticas de alfabetização?
|
Scooped by
Inovação Educacional
Today, 6:46 AM
|
Pessoas estão se gravando realizando atividades domésticas e ganhando dinheiro com isso. Apesar de a proposta parecer excêntrica, essas gravações são usadas para treinar robôs e podem gerar ganhos complementares. Dá para ganhar dinheiro mesmo? "Comecei após ver uma propaganda no Instagram sobre renda extra." A publicitária Lais Fonseca, 36, de Belo Horizonte, resolveu testar após ver uma propaganda na rede social para ver se funcionava e incluiu até o marido. Ela realiza tarefas domésticas, enquanto ele, marceneiro, grava tarefas em seu local de trabalho. "Desde agosto, já ganhamos pouco mais de R$ 17 mil", afirmou Lais. A razão da cifra alta, explica, são indicações —cada pessoa que começa a se gravar rende cerca de R$ 1,25, e ela diz ter indicado mais de 10 mil. Fora isso, há as gravações de suas atividades domésticas, que pagam cerca de R$ 15 por hora, e das tarefas profissionais do marido, que podem chegar a R$ 60 por hora. As imagens são usadas para treinar sistemas de inteligência artificial voltados à operação de robôs, um mercado que começa a ganhar força no Brasil.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 2:43 PM
|
Na história do combate ao tabagismo, o grande divisor de águas ocorreu quando os documentos e comunicações internas da indústria dos cigarros vieram a público. Foi ali que o mundo descobriu a extensão da farsa: nos bastidores, os executivos sabiam perfeitamente que a nicotina era altamente viciante e que o produto final era letal, enquanto na TV sustentavam que o fumo era apenas uma "escolha individual e um estilo de vida". Ainda não temos o vazamento dos e-mails ou das conversas privadas dos executivos do jogo digital —cuja atividade foi proibida no Brasil por meio de medida provisória. Mas, para entender a verdade sobre esse projeto comercial, sem a névoa das campanhas publicitárias e dos influencers, basta ler com atenção o documento mais sincero que existe: os relatórios anuais que essas multinacionais entregam aos acionistas nas Bolsas de Valores de Londres e Nova York. Ali, o discurso de fachada do "jogo responsável" e do "entretenimento inofensivo" se desfaz. Tratar o jogo online como mero lazer é de um cinismo escancarado. A Lancet Public Health Commission expõe o risco real das plataformas digitais: o transtorno do jogo afeta quase 1 em cada 10 adultos e 16% dos adolescentes que fazem apostas esportivas online. O cenário é ainda mais grave entre os adolescentes expostos aos cassinos virtuais, afetando 1 em cada 4 que utilizam a plataforma. A rentabilidade do negócio parece se apoiar significativamente no uso compulsivo. As apresentações a investidores de gigantes das bets como a Entain e a Flutter trazem uma imagem clara de como veem o Brasil. Esqueça a ideia de um país habitado por cidadãos com famílias, histórias e orçamentos a preservar. O país é descrito como uma "huge opportunity" ("enorme oportunidade"), e os relatórios previam que o Brasil seria o "fastest growing regulated market outside of the US" (algo como "o mercado regulado que mais cresce fora dos Estados Unidos"). A razão dessas altas expectativas? Um conjunto de vulnerabilidades que a indústria explora despreocupadamente. A começar pela escala humana e o contexto social: uma população massiva, hiperconectada ao smartphone e exposta à ansiedade econômica diária e faminta por qualquer promessa de alívio financeiro rápido. A isso soma-se o sequestro do esporte, em que os relatórios citam a "paixão inigualável" do brasileiro pelo futebol como o ativo central do negócio. A parceria com clubes de futebol como o Palmeiras é descrita com a maior naturalidade do mundo ("the partnership with Palmeiras football club is driving good player engagement"; "gera bom engajamento entre os jogadores"): uma simples ferramenta de marketing para converter a paixão dos torcedores em novos jogadores da plataforma. Se as cervejarias cooptam o esporte há décadas, as bets levaram essa lógica ao limite: a captura é instantânea e em tempo real. Para fechar a engrenagem de vulnerabilidades do Brasil, entra a velocidade como amiga íntima da compulsão. A incrível eficiência do Pix compôs, nesse cenário, a ferramenta perfeita para a impulsividade. O atrito bancário (e a possibilidade de raciocinar) zerou e, entre o impulso de tentar recuperar um valor perdido e a transferência do dinheiro, passaram a existir apenas três segundos. A rentabilidade do negócio é tamanha que os R$ 30 milhões da outorga governamental foram absorvidos rapidamente pelas receitas locais. Há um conselho antigo que diz: "Quando alguém lhe mostrar quem realmente é, acredite na primeira vez". Quando se compreende a natureza estritamente extrativista desse modelo de negócio, deixada clara nos relatórios da indústria, qualquer disputa partidária sobre "quem regulamentou o quê" perde o sentido. Não se combate uma engrenagem desenhada para explorar as vulnerabilidades da mente humana com apelos ingênuos à responsabilidade individual. Afinal, a vida frequentemente não acontece na frieza do córtex pré-frontal, mas sim no calor da dopamina. O mundo está em um ponto de virada crítico sobre como lidar com o avanço do jogo digital, e a experiência brasileira tornou-se o estudo de caso observado atentamente no cenário internacional.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:47 AM
|
Mais da metade dos adolescentes brasileiros descreve a escola como um ambiente onde a agressão é parte do cotidiano. 57% relatam ao menos uma das duas realidades: bullying e xingamentos frequentes, ou violência física tratada como brincadeira normal — tapas, socos e empurrões que "acontecem o tempo todo". E 31% relatam as duas ao mesmo tempo, o que significa que praticamente um terço dos estudantes convive simultaneamente com a agressão verbal e a física naturalizadas.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:42 AM
|
O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), da Universidade Federal de Goiás (UFG), lança hoje o CEIA Lumi, um novo modelo de linguagem de inteligência artificial (LLM) desenvolvido especialmente para a língua portuguesa e adaptado à realidade brasileira. A tecnologia foi criada para oferecer às empresas, de forma gratuita, uma alternativa às soluções internacionais, permitindo o desenvolvimento de aplicações próprias de IA, com maior autonomia, flexibilidade e menor dependência de infraestrutura de terceiros. O lançamento foi feito na manhã desta quarta, durante o AI Brasil Experience 2026, em São Paulo.
O Lumi é o primeiro modelo open source do CEIA; isso significa que cada empresa poderá utilizar a tecnologia como ponto de partida e criar suas próprias soluções, incorporando informações e dados específicos de suas atividades sem a necessidade de exportar informações sensíveis.
A iniciativa busca atender a uma demanda crescente do mercado brasileiro por soluções de inteligência artificial que considerem as particularidades do país. Atualmente, boa parte das tecnologias utilizadas por empresas nacionais é desenvolvida no exterior, o que pode representar desafios relacionados à personalização, aos custos de operação e à dependência de fornecedores internacionais.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:38 AM
|
A expansão da inteligência artificial generativa (IAG) na educação tem gerado transformações nas práticas pedagógicas, mas sua incorporação não contempla adequadamente a diversidade dos aprendizes, especialmente estudantes com deficiência. O presente artigo propõe o framework DUA-IAG, um arcabouço conceitual que articula os três princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA 3.0) com quatro categorias de affordances pedagógicas da IAG (geração textual, multimodalidade, personalização adaptativa e suporte à avaliação), complementado por camadas transversais de análise ética e diferenciação contextual. A metodologia adota a perspectiva da Design Science Research, com revisão narrativa da literatura e procedimentos de construção de frameworks conceituais. O framework é apresentado em estrutura matricial com exemplos aplicados para cenários de alta e baixa conectividade, atendendo à realidade das escolas públicas brasileiras, particularmente nas regiões Norte e Nordeste. A discussão aborda tensões entre a lógica de personalização individual da IAG e a ênfase do DUA 3.0 na aprendizagem coletiva, riscos de viés algorítmico e dependência tecnológica, e propõe o conceito de “uso assimétrico” da IAG, no qual o professor utiliza as ferramentas em ambiente com conectividade e translada os benefícios para a sala de aula na forma de materiais acessíveis previamente preparados. O artigo contribui para a formação docente em educação inclusiva e para políticas públicas de integração da IA em contextos educacionais acessíveis.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:36 AM
|
Este artigo analisa o uso de agentes de inteligência artificial (IA) baseados em modelos de linguagem no âmbito da pós-graduação stricto sensu, com ênfase em práticas acadêmicas, riscos e salvaguardas relacionadas à integridade e à autoria. Justifica-se a investigação pela intensificação do emprego desses sistemas em atividades de pesquisa e escrita, em um contexto no qual a formação do pesquisador exige rastreabilidade, responsabilidade autoral e rigor epistêmico. Metodologicamente, realizou-se pesquisa qualitativa de natureza documental e bibliográfica, com análise de conteúdo aplicada a diretrizes internacionais (ONU/UNESCO) e literatura acadêmica sobre agentes de IA, educação superior e integridade acadêmica. Os resultados indicam quatro usos recorrentes: organização do fluxo de trabalho, revisão linguística, mapeamento exploratório de literatura e apoio procedimental. Identificam-se riscos principais: fragilização da confiabilidade e da validação de fontes, reprodução de vieses e assimetrias epistêmicas, exposição indevida de dados e impactos formativos associados à delegação de operações centrais do trabalho intelectual. A discussão sistematiza diretrizes técnicas para governança do uso: transparência por etapa e finalidade, verificação obrigatória em fontes primárias, preservação de rastros mínimos, limites de não delegação para decisões analíticas e protocolos de proteção de dados. Conclui-se que a adoção responsável de agentes de IA na pós-graduação requer tradução de princípios éticos em procedimentos institucionais verificáveis, de modo a preservar autoria responsável, integridade científica e qualidade formativa.
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:28 AM
|
9ª edição do documento desenvolvido pelo Lab de Tendências Firjan IEL apresenta sinais de mudança para apoiar a construção de planejamentos estratégicos
|
Scooped by
Inovação Educacional
October 29, 10:26 AM
|
Durante 15 anos, Jane Campbell precisou de um assistente para fazer seus discursos no Parlamento do Reino Unido. A capacidade de falar da parlamentar vem sendo comprometida por uma atrofia muscular espinhal desde que ela tem um ano. Numa sessão de outubro de 2026, porém, o plenário da Câmara dos Lordes ouviu algo diferente: o tom, o ritmo e a entonação da voz da própria baronesa, reconstruídos por inteligência artificial.
É a primeira vez que um integrante de qualquer uma das casas do Parlamento britânico fala aos colegas com uma voz gerada por IA. O feito histórico ocorre no momento em que a clonagem de voz é encarada mais como ameaça do que como promessa. A técnica que devolveu a voz a Campbell é usada por golpistas para imitar parentes em golpes por telefone, fabricar falas de políticos e produzir áudios falsos que circulam em grupos de mensagem.
Ao autorizar o uso de uma voz sintética, o Parlamento britânico, que ainda preserva regras do século 18, sinalizou que o crucial não é se vozes com IA devem existir, mas quem a controla e quais são as garantias. A máquina, diz Campbell, reproduz o som, mas as ideias são dela.
|