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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Inovação Educacional
June 11, 4:23 PM
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Um martírio para muita gente, o processo de fazer escolhas, das grandes às pequenas, pode ser ainda mais complexo para os ansiosos
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Inovação Educacional
June 11, 4:18 PM
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Numa realidade que enfatiza o desempenho pessoal e nos faz focar cada vez mais em nós mesmos, corremos o risco de perder o senso coletivo
Talvez você nunca tenha ouvido falar tanto sobre narcisismo como nos últimos anos. Seja em relações amorosas ou no caso de mães narcisistas — um perfil bastante popular ultimamente, ainda que, segundo as estatísticas, haja mais homens narcisistas do que mulheres —, o termo parece ter ganhado tração na cultura popular. Nas redes sociais, vem sendo usado inclusive para “diagnosticar” pessoas e personagens fictícios, geralmente com pouco ou nenhum critério técnico.
MAIS SOBRE O ASSUNTO A mãe Odete Roitman Anna Lembke: “Temos acesso instantâneo a substâncias e comportamentos altamente compulsórios” Petria Chaves: “Estar com os ouvidos abertos para o outro é um treino de conduta ética e de saúde” A palavra nesse uso mais corriqueiro geralmente descreve pessoas egoístas, inseguras, com uma certa instabilidade emocional, muito voltadas para o próprio umbigo e com dificuldade de se colocar no lugar do outro, explica o psicanalista Alexandre Abranches Jordão. Mas primeiro é preciso separar as referências cotidianas ao comportamento narcisista do termo como é usado na psicanálise.
“O narcisismo está na base da organização psíquica. É o primeiro esforço do que gradualmente vai se configurar como a personalidade da pessoa, com todos os seus traços, defeitos, inibições, desejos e angústias”, afirma Jordão, autor do livro “Narcisismo – do ressentimento à certeza de si” (Juruá, 2009). “Nesse sentido, uma estruturação narcísica precária ou menos estável implica a busca por compensações narcísicas no dia a dia.” Ou seja, o narcisismo em si é uma etapa central do desenvolvimento da nossa personalidade. Um desequilíbrio nessa fase é que pode gerar o narcisismo patológico que conhecemos.
O médico psiquiatra e professor de pós-graduação em psicanálise da UFRJ Julio Verztman lembra que, em Freud, o narcisismo tem a ver com o processo de construção do amor próprio ou autoestima — “o investimento afetivo no eu”, descreve. “Então, é uma etapa da formação fundamental para que a gente sinta que a vida vale a pena, que não é uma coisa robotizada.”
Porém, esse amor por nós mesmos não vem só de dentro, explica Verztman. Na equação, também há um grande impacto do outro, em processos sociais como a relação com a família — durante a infância, especialmente das fantasias projetadas pelos pais. “E essa interdependência do amor próprio com o amor que a gente tem dos outros pode não acontecer de uma maneira mais favorável”, afirma o psiquiatra.
Para o psicanalista Christian Dunker, o interesse recente no tema faz sentido em uma sociedade neoliberal que já vem cultivando o espírito individual em suas diferentes formas. “A linguagem digital e as redes se associam com isso. A gente fala muito no isolamento em bolhas digitais, no fechamento dentro de comunidades que são ecos para os nossos valores e orientações políticas”, aponta Dunker, que está lançando o livro “Eu Só Existo no Olhar do Outro?” (Paidós, 2025), um diálogo com a também psicanalista Ana Suy que aborda vários aspectos do narcisismo na contemporaneidade.
Numa sociedade que cultiva cotidianamente ideais de meritocracia, sucesso e desempenho individual, o comportamento narcisista não pode ser bem visto ou até mesmo incentivado?
As redes podem ser vistas como o ápice desse processo de individualização, “um sistema inteiro para minerar nosso interesse por nós mesmos”, diz o psicanalista e pesquisador André Alves, cofundador do Floatvibes, instituto de pesquisas comportamentais e culturais. “Nelas, o jeito que eu me apresento para o mundo torna-se o centro da vida afetiva e profissional.”
Dentro desse contexto, o comportamento narcisista seria uma novidade que infla e extrapola o processo de individualização hoje considerado natural. Mas, numa sociedade que cultiva cotidianamente ideais de meritocracia, sucesso e desempenho individual, o comportamento narcisista não pode ser bem visto ou até mesmo incentivado? Em outras palavras, não somos todos um pouco narcisistas?
Para começar, Dunker enfatiza que o termo geralmente é utilizado de forma precária, com um sentido de “decaimento moral”. “O que a gente chama de narcisismo é, muitas vezes, egoísmo”, declara.
Como exemplo, aborda o repetido mantra da mãe narcisista. “Muitas vezes, a gente está se referindo a uma mãe que não responde àquele ideal clássico de doação, sacrifício, submissão e amor incondicional. Ou seja, que se preocupa consigo em vez de se preocupar sempre com os filhos, a casa e seu papel historicamente primário — o que vai incluir também aquelas que incorrem em falta de cuidado e desinteresse”, diz o psicanalista.
“É curioso que, no nosso país, os campeões de falta de cuidado e displicência são os pais, mas a gente ouve falar bem menos em pais narcisistas”, ele acrescenta.
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A cultura do narcisismo Na introdução do livro “A Cultura do Narcisismo” (Fósforo, 2023), o historiador e crítico cultural norte-americano Christopher Lasch (1932-1994) faz referências à “cultura do individualismo competitivo” e à “busca da felicidade em um beco sem saída de preocupação narcísica com o self”. Mais à frente, diz ainda que “o novo narcisista é assombrado não pela culpa, mas pela ansiedade. Ele não busca inculcar suas próprias certezas nos outros, mas encontrar sentido na vida.”
Publicada originalmente em 1979, a obra ganhou sobrevida e tem recebido atenção renovada. Não é difícil entender porquê. Décadas antes das redes sociais ou do universo de influenciadores digitais, Lasch já juntava o culto às celebridades, a perda de vínculos coletivos, a preocupação excessiva com o autocuidado e a fuga dos sentimentos para explicar comportamentos que descreveu como narcisistas, típicos da sociedade norte-americana da época.
“Foi um pensador muito visionário ao perceber como determinadas transformações estavam alterando a forma com que as pessoas passaram a se relacionar umas com as outras e consigo mesmas”, afirma a doutora em ciência política e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), Camila Rocha, que assina o prefácio brasileiro da obra.
Uma das principais argumentações de Lasch é que as pessoas estavam perdendo os vínculos com as famílias, grupos políticos e movimentos sociais para passar a dedicar-se muito mais ao próprio bem-estar. E se, para compor esse fenômeno, o historiador falava do self-made man e do culto a celebridades no esporte, na realidade contemporânea Rocha adiciona à conta fenômenos como os fandoms de influencers e celebridades.
“Da Lady Gaga a influenciadores menores, hoje vários fazem um trabalho de engajamento com os fãs, que se sentem respondidos, enxergados. Isso muda a relação, porque alimenta ainda mais esse culto à personalidade e também a ideia de que você pode ser uma dessas personalidades, usar um filtro para ficar famoso nas redes sociais”, destaca a cientista política. “Acaba intensificando ainda mais o que Lasch chama de narcisismo social.”
Somos todos narcisistas? A própria realidade das redes, com estímulos eternos no feed e a busca por likes, incentiva impulsos narcisistas, na visão do psicanalista Alexandre Abranches Jordão. O mesmo vale para as inúmeras possibilidades de autogratificação à distância de um clique, desde um vídeo divertido até compra de itens supérfluos como forma de lidar com o dia a dia estressante. “A gente vive num caldo de cultura onde, até em meios corporativos, a autopromoção e o marketing pessoal se tornam um modelo a ser copiado.”
A gente vive num caldo de cultura onde, até em meios corporativos, a autopromoção e o marketing
O narcisismo hiperdilatado dos nossos tempos, como descreve Alves, do Floatvibes, acaba criando uma dualidade: uma sociedade radicalmente individualista precisa ser também radicalmente desigual. “Não há lugar para todos, só para aqueles que conseguem performar um hiperdesempenho. Consequentemente, o único jeito de chegar lá é ser a sua melhor versão.”
Mas o psicanalista também aponta algumas contradições básicas dessa premissa: não é possível ser o melhor o tempo todo, muito menos onipotente. O problema é que somos constantemente bombardeados com a ideia de que podemos sim ser, fazer e comprar tudo que quisermos — construção que Alves apelida de “eu ideal anabolizado”. “Freud nos ensina que isso vira um processo muito masturbatório, em que a gente faz, faz, faz e nunca chega no tipo de prazer que gostaria de alcançar”, reflete.
Certos comportamentos típicos do narcisismo, mas bastante disseminados na sociedade, também podem fazer com que, sem nos darmos conta, deixemos de aproveitar momentos importantes do cotidiano. Por exemplo, uma viagem de férias. “Hoje, existem pacotes de turismo em que até o fotógrafo está incluso”, descreve Jordão. “Ele registra fotos instagramáveis para propagandear nas redes sociais. Nesses casos, o passeio em si fica em segundo plano. O que interessa é a foto.”
Mas alguns comportamentos narcisistas não são até mesmo recomendáveis na realidade em que vivemos? Para o psicanalista, sim. Ele cita o “egoísmo sadio” defendido por Nietzsche, um nível razoável de egoísmo que precisa ser exercitado, cultivado e aprimorado para corresponder às expectativas contemporâneas. Seria uma espécie de antídoto contra o que Jordão chama de narcisismo defensivo — aquele que produz ilusões de onipotência mas, na verdade, oculta um quadro de baixa autoestima e carência de aprovação.
Mesmo assim, não dá para generalizar nem afirmar com todas as letras que vivemos numa sociedade narcisista. Ao menos essa é a visão do médico psiquiatra e professor de pós-graduação em psicanálise da UFRJ, Julio Verztman. “O que podemos dizer é que a gente vive numa sociedade que dificulta muito os laços sociais, tenta controlar de maneira intensa lutas políticas e banalizar determinadas formas de sofrimento”, afirma.
Acontece que, nesse processo social de individualização, cada vez mais gente encontra dificuldade de lidar com suas experiências e seu anseio de viver, e acaba se voltando para dentro de si. “Até porque o narcisismo é um sofrimento, uma defesa contra determinadas dificuldades que a vida impõe, inclusive a partir do meio social”, diz Verztman.
O que não pode, segundo ele, é colocar uma sociedade extremamente diversa e desigual como a nossa — com marcadores de raça, classe, gênero, cultura e língua — toda dentro dessa caixinha do narcisismo. “Aceitar as diferenças é um movimento até antinarcisista, porque uma característica do narcisismo é tentar tornar unitário coisas que são diversas”, explica o psiquiatra.
O espelho da política A perda do senso de coletividade, um dos pontos centrais levantados por Lasch, nasce do nosso distanciamento de vizinhos, familiares e outras comunidades especialmente nas grandes metrópoles, explica a cientista política Camila Rocha. Muitas pessoas, ela acrescenta, hoje tentam preencher essa ausência de pertencimento e identificação por meio das redes. Outras buscam a ajuda de especialistas, em processos nos quais o indivíduo novamente se volta para dentro de si. “Em vez de desabafar com um amigo, você paga um psicólogo. Ou então procura um coach no lugar do seu líder religioso”, exemplifica.
Essa perda de coletividade pode alcançar um ponto crítico num momento em que os desafios sociais e ambientais se mostram cada vez mais complexos e aparentemente fora do nosso alcance: a Terra vive próxima de um colapso climático, líderes extremistas têm chegado ao poder em boa parte do mundo e a Inteligência Artificial paira como uma ameaça sobre o futuro do mercado de trabalho.
Embora pareça a melhor época para integrar ações coletivas, não é necessariamente isso que está acontecendo. Numa situação limite como essa, muita gente pode acabar se isolando “de maneira compensatória”, aponta Jordão. “A falta de alicerces mais sólidos nos faz buscar compensações narcísicas fortuitas e fugazes que, de alguma maneira, produzam uma estabilidade.”
Segundo o psicanalista, é uma tendência característica dos tempos atuais, que gera uma perda de vínculos emocionais e afetivos. E, consequentemente, leva ao nosso encerramento em bolhas, à impossibilidade do debate e a mais extremismo. “É a frase do Caetano: ‘Narciso acha feio o que não é espelho’. Tudo que não remeta a mim mesmo e à minha opinião passa a ser inaceitável”, diz o psicanalista, para quem o problema hoje perpassa todo o espectro político.
Movimentos populistas, por exemplo, que têm identificação com um grande líder, são sim coletivos mas têm também um funcionamento profundamente narcísico
No caso específico da política, o narcisismo não é necessariamente um processo que individualiza, como aponta Dunker. Movimentos populistas, por exemplo, que têm identificação com um grande líder, são sim coletivos mas têm também um funcionamento profundamente narcísico. “São uma forma de instrumentalizar o narcisismo das pessoas”, afirma o psicanalista.
Para descrever esse estado de coisas, Alves evoca um conceito desenvolvido pela psicanalista francesa Colette Soler: o do “narcinismo”. “Estamos todos bem cínicos, não só no sentido de pessimismo, mas de desprezo pelo outro”, afirma o psicanalista. Uma das complicações disso é que, quando não conseguimos construir pontes com quem é diferente, tendemos a rebaixar nossa inteligência individual em prol do coletivo, ele acrescenta.
Rocha também tem enxergado altas doses de narcisismo na utilização que algumas lideranças, da esquerda à direita, fazem de temas caros aos seus eleitores. “Você usa a defesa de certas pautas para alavancar o seu status social de um jeito muito calculado e consciente”, afirma. O problema dessa motivação focada apenas na própria reputação e status, diz a pesquisadora, é que ela acaba esvaziando a política em seu sentido mais importante: o de construção de valores e ideias para um país que queremos.
Outra questão é que, na ausência do debate, “não tem muito espaço para tons de cinza, paradoxos, incoerências ou erros”, considera a cientista política. “Você tem que ser perfeito, estar sempre performando e sendo uma pessoa de sucesso.”
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Inovação Educacional
June 11, 3:53 PM
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A Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou o lançamento do Informa.BR, uma plataforma baseada em inteligência artificial que promete simplificar o acesso a informações públicas federais. A ferramenta fará buscas em diferentes bases oficiais do governo, reunindo em um único ambiente dados sobre despesas, investimentos, contratos, compromissos de autoridades e políticas públicas. A previsão é que o sistema entre em operação a partir de junho, permitindo que cidadãos formulem consultas em linguagem natural para localizar informações hoje dispersas em diversos portais.
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June 11, 3:52 PM
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When researchers founded Anthropic in 2021, they said the race to build powerful AI was moving too recklessly. They inserted detailed safety measures into their products and marketed their commitment to safety as the corporate quality that distinguished them from competitors – notably OpenAI, the rival company they had left. In March 2026 that reputation was tested when the Trump administration declared that Anthropic was a supply chain risk.
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June 11, 2:57 PM
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Nova janela de adesão permite conclusão das etapas previstas no ciclo. Redes de ensino têm até 11 de junho para indicar escolas participantes, enquanto unidades escolares podem concluir etapas até 18 de junho
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June 11, 1:21 PM
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Iniciativa oferece cursos de formação continuada a servidores com objetivo de fortalecer práticas inclusivas, garantir acessibilidade, promover autonomia e enfrentar o capacitismo nas instituições da Rede Federal
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June 11, 1:20 PM
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A survey by the Center for Democracy & Technology found that 85 percent of teachers used AI in the 2024-25 school year, but only about half received some training or information about AI from someone at their school.
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June 11, 11:29 AM
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Versão reformulada da Siri usa modelo Gemini e ganha app próprio; empresa apresentou o iOS 27, seu novo sistema operacional do iPhone
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June 11, 11:28 AM
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Mecanismos e agentes com uso de “superinteligência artificial” precisam de regulamentação e verificação internacionais, “de forma urgente”, para prevenir desenvolvimento descontrolado. O alerta partiu de Connor Leahy, diretor da ControlAI US. A entidade é organização sem fins lucrativos focada em prevenir os riscos existenciais da superinteligência artificial. O especialista afirmou que, em seu entendimento, o risco de desenvolvimento descontrolado de tal tecnologia pode levar o mundo a situações de grave risco, equivalentes ao observado em ambientes de guerra nuclear e de pandemias.
Superinteligência Artificial (ASI) é conceito teórico que descreve sistema de inteligência artificial cujas capacidades cognitivas superam amplamente as do cérebro de um ser humano, em praticamente todos os aspectos, com potencial de realizar tarefas que envolvam criatividade, sabedoria, resolução de problemas e tomada de decisões.
“Na minha visão, se construirmos um sistema que seja infinitamente mais inteligente do que a humanidade, do que os seres humanos, que não saibamos como controlar, que não tenha os nossos melhores interesses em mente, então, ‘acabou o jogo’ [game over]”, afirmou. “Portanto, nossa principal posição política deve ser a de não nos envolvermos nessa situação”, concluiu.
Ele comentou sobre anúncio sobre o assunto, na semana passada, da empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic. A companhia, criadora da IA Claude, propôs pausa global no desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais potentes. A justificativa da empresa foi de que há sinais de que os modelos mais recentes poderiam escapar do controle humano. “É muito importante entender que nem mesmo nossos maiores cientistas compreendem como nossos sistemas de IA funcionam atualmente”, disse ao responder pergunta sobre anúncio da empresa.
Um aspecto delineado pelo diretor nesse tema é o uso de tal aparato poderia ter em, por exemplo, conflitos bélicos. “Do ponto de vista puramente teórico, não é do interesse de ninguém construir um sistema que possa ameaçar sua própria segurança e soberania nacional”, disse.
O especialista defendeu maior debate entre países sobre o tema, principalmente das nações com maior poderio econômico e militar, como China e Estados Unidos, por exemplo. “É necessário construir meios diplomáticos e técnicos para verificar se uma nova nação está construindo ou tentando construir sistemas superinteligentes, tanto por meio de legislação nacional que proíba o desenvolvimento quanto a intenção de desenvolvimento de superinteligência em nível nacional, tanto nos EUA quanto na China, quanto por meio de um acordo internacional para inspeção mútua de grandes exercícios de treinamento e outros sistemas estrangeiros semelhantes, a fim de evitar tal deficiência”, completou. “Reduzir esse risco [de uma ‘superinteligência artificial’] deve ser uma prioridade global, juntamente com outros riscos localizados, como pandemias e guerra nuclear” resumiu.
O especialista participou de coletiva de imprensa sobre o tema durante o segundo dia do Web Summit Rio 2026, edição latino-americana da maior conferência global de tecnologia, inovação e empreendedorismo, que vai até quimta-feira (11).
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June 11, 11:24 AM
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Inovação Educacional
June 11, 11:21 AM
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EducaLab apoiará projetos de inovação, governança de dados, além de uso de inteligência artificial para aprimorar políticas públicas, serviços da pasta e de vinculadas
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Inovação Educacional
June 11, 11:20 AM
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No início de 2025, a empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek, sediada em Hangzhou, apresentou o DeepSeek-R1 , um modelo de linguagem de alto desempenho desenvolvido a uma fração do custo de seus equivalentes ocidentais. O investidor do Vale do Silício, Marc Andreessen, chamou-o de " o momento Sputnik da IA ". Mais tarde naquele ano, a empresa chinesa de robótica Unitree, também sediada em Hangzhou, lançou seu robô humanoide R1, que possui capacidades próximas às de sistemas ocidentais muito mais caros. Juntos, esses avanços reacenderam um debate global sobre como as nações cultivam e garantem a liderança tecnológica.
O número de cientistas de elite da China que foram treinados no exterior está diminuindo.
A composição das equipes nessas empresas é reveladora. A equipe de pesquisa da DeepSeek é formada principalmente por profissionais com formação local, muitos com menos de 30 anos . Os engenheiros da Unitree também são jovens e formados principalmente na China.
Em conjunto, esses casos sugerem que a inovação de ponta não precisa depender de pesquisadores que adquirem habilidades no exterior e retornam aos seus países de origem. Uma formação interna de talentos é possível — mas o modelo precisa ser sustentável. Como os países podem construir uma formação suficientemente robusta para sustentar a inovação ao longo do tempo? A resposta é começar nos estágios iniciais da educação.
A competição por talentos está aumentando. Durante décadas, a China, como muitos outros países, construiu sua capacidade científica por meio de um caminho restrito: exames de alto risco selecionavam os melhores alunos, universidades de elite concentravam recursos para treiná-los, estágios no exterior lhes forneciam conhecimento especializado avançado e seu retorno reabastecia a liderança em pesquisa nacional. Esse modelo foi eficaz para acompanhar os desenvolvimentos tecnológicos pioneiros em outros lugares. Mas ele se baseava em condições globais que estão se tornando menos confiáveis.
À medida que as tensões geopolíticas perturbam os estudos transfronteiriços , as colaborações em pesquisa e os fluxos de talentos — e à medida que muitos países, incluindo a China, continuam a enfrentar limitações na atração de talentos estrangeiros — os sistemas de inovação já não podem depender apenas de um conjunto global de talentos de elite com mobilidade. Mas, para sustentar um modelo nacional de inovação, a questão fundamental é de onde vem essa base de talentos nacionais — e como ela pode ser construída do zero.
A política de inovação deve avançar nas etapas iniciais do processo. A resposta reside em como o talento científico se desenvolve. Ele não começa com a especialização na universidade, mas evolui em etapas: a pré-escola e os primeiros anos do ensino fundamental moldam a curiosidade e as habilidades práticas; o ensino fundamental II e o ensino médio fomentam o pensamento crítico e a compreensão conceitual; e o ensino superior aprimora a especialização e as trajetórias de carreira.² Sistemas que investem principalmente na etapa final estão, portanto, tentando colher inovação a partir de bases inadequadas .
Isso ajuda a explicar por que as reformas educacionais anunciadas na China em 2025 estão direcionando mais atenção para as etapas iniciais do processo. O objetivo não é mais simplesmente expandir o ensino de ciências em sala de aula, mas construir um ecossistema de aprendizagem científica mais amplo em todos os níveis educacionais. Iniciativas como o Plano Solo Fértil (ver go.nature.com/4rt8ip ; em chinês) visam cultivar o letramento científico e fortalecer as capacidades de inovação de alunos do ensino fundamental e médio, substituindo a memorização mecânica por uma aprendizagem interdisciplinar, prática e baseada em projetos, vinculada à resolução de problemas do mundo real. A ambição mais ampla é envolver os alunos em estágios educacionais iniciais na prática científica: formulando perguntas, realizando experimentos, testando ideias e trabalhando além das fronteiras disciplinares.
Os óculos de realidade virtual podem auxiliar no aprendizado. Crédito: Zhang Jingang/Feature China/Future Publishing via Getty
Essa mudança também exige que as escolas se tornem mais abertas à comunidade científica em geral. Universidades, laboratórios nacionais e empresas de tecnologia podem dar aos alunos acesso a laboratórios, ferramentas e mentores que as escolas sozinhas não conseguem proporcionar. Com pesquisadores da área da educação como peça central, essas parcerias impulsionam esforços colaborativos para desenvolver currículos rigorosos que os professores possam de fato implementar em sala de aula. Ao traduzir ciência de ponta e áreas prioritárias em conteúdo de aprendizagem, essas parcerias aumentam a relevância contemporânea do ensino de ciências nos ensinos fundamental e médio.
Iniciativas como o Programa Standout avançam nessa direção, permitindo que alunos do ensino médio sigam trajetórias mais individualizadas, incluindo o envolvimento em pesquisas autênticas e a exposição precoce a campos emergentes — oportunidades antes reservadas principalmente para aqueles no ensino superior.
Os professores são a infraestrutura da inovação. Mas essas reformas só terão efeito se as escolas tiverem professores capazes de transformar metas políticas ambiciosas e parcerias externas em experiências consistentes em sala de aula. É aí que muitas reformas no ensino de ciências encontram seu maior obstáculo.
Uma pesquisa nacional realizada em 2021 com mais de 131.000 professores de ciências do ensino fundamental na China revelou que mais de 70% não possuíam formação em ciências, tecnologia, engenharia ou matemática (STEM); muitos lecionavam ciências apenas em tempo parcial; e a maioria tinha acesso limitado a recursos de desenvolvimento profissional de alta qualidade³ . Em outras palavras, o gargalo vai além do planejamento curricular ou da ambição institucional, estendendo-se à capacidade do corpo docente.
Por que as universidades precisam repensar radicalmente os exames na era da IA?
Este não é um problema exclusivamente chinês. Trata-se de um gargalo global nos sistemas de inovação. Nos Estados Unidos 4 , na Europa 5 e em outros lugares 6 , os sistemas escolares têm dificuldade em recrutar e reter professores de ciências qualificados, além de não conseguirem prepará-los e apoiá-los adequadamente. O desafio não pode ser resolvido apenas com a contratação de mais professores de ciências. São necessários sistemas mais robustos para auxiliar os professores, desde uma formação de alta qualidade até o desenvolvimento profissional contínuo após o início da carreira docente. É por isso que a formação e o desenvolvimento profissional de professores devem ser tratados não como uma questão periférica da educação, mas como parte integrante da infraestrutura de inovação.
A resposta da China tem sido construir um sistema mais coerente de preparação e apoio a professores. Um ajuste importante diz respeito à formação inicial de professores. Durante décadas, os professores recebiam sua formação básica nas universidades "normais" da China (que se concentram em pesquisa educacional e formação de professores); eles acessavam o desenvolvimento profissional em serviço por meio de um sistema institucionalizado separado de ensino e pesquisa.
A China está agora centrando seu sistema de formação de professores nas universidades normais e expandindo as colaborações com universidades abrangentes de alto nível para criar um novo cenário de forças complementares e recursos compartilhados.
Por exemplo, desde 2023, o Programa Nacional de Excelência exige que universidades de pesquisa de ponta, incluindo instituições como a Universidade de Pequim e a Universidade Tsinghua, ambas em Pequim, ajudem a preparar uma nova geração de professores de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Não se trata simplesmente de usar universidades renomadas para dar prestígio ao programa. Trata-se de preparar futuros professores em instituições onde a ciência é produzida e ensinada. Em novembro de 2025, o programa já havia atraído mais de 15.000 candidatos de 43 universidades de elite, injetando rapidamente talentos de ponta na educação básica.
Estudantes assistem a uma palestra científica aberta na Universidade Beihang, em Pequim, ministrada por astronautas a bordo da estação espacial Tiangong. Crédito: Yi Haifei/China News Service/VCG via Getty
A mesma lógica se estende à força de trabalho existente. O programa nacional chinês de aprimoramento da alfabetização científica para professores reúne a capacidade de pesquisa da Academia Chinesa de Ciências e a experiência pedagógica de importantes instituições de formação de professores para proporcionar aos professores em exercício contato direto com as fronteiras da ciência e da pesquisa.
Em 2024, uma colaboração nacional entre museus e escolas, liderada pelo Museu de Ciência e Tecnologia da China em Pequim, organizou 24 oficinas intensivas em toda a China, capacitando 2.587 educadores do ensino fundamental e médio e coordenadores de ciências. O programa resultou em 426 currículos desenvolvidos em conjunto, e a satisfação geral dos participantes atingiu 96%.
Esses resultados iniciais sugerem que o acesso a comunidades e instituições científicas pode fortalecer rapidamente as capacidades pedagógicas dos professores, o conhecimento de pesquisas de ponta e a compreensão de como a ciência é feita.
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June 11, 4:24 PM
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Segundo a médica, mesmo quando não se torna um transtorno, a ansiedade excessiva domina a pessoa e impede a manifestação de outras emoções e sentimentos — como em “Divertida Mente 2”, no qual os outros personagens são relegados ao fundo da mente enquanto a Ansiedade comanda sozinha a sala de controle. Corrêa percebe essa desconexão em muitos pacientes. “A preocupação excessiva faz com que percamos um monte de sentimentos importantes: ficamos só no pensar, resolver, produzir, fazer. Quando desenhamos cenários tentando ter garantias, também perdemos potencial criativo. Estamos muito distantes do sentir e isso gera muito sofrimento”, diz.
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Inovação Educacional
June 11, 4:20 PM
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Psicólogo, autor, podcaster e palestrante afirma que a emoção virou modus operandi de toda a sociedade contemporânea e que a tecnologia foi um disparador desse novo modelo A ansiedade é uma emoção primordial para a existência humana, ela nos dá a capacidade de projetar futuros, é o que nos faz levantar da cama e começar um novo dia. Mas o que acontece quando ela cresce e passa a ser uma regra? No mundo acelerado em que vivemos hoje, a ansiedade saiu do hall das emoções para se tornar um modus operandi, o modo de vida mais comum na sociedade contemporânea. O diagnóstico é do psicológo Alexandre Coimbra Amaral, autor de “Toda Ansiedade Merece um Abraço” (Paidós, 2023). Em entrevista a Gama, ele fala sobre como a tecnologia deslocou a ansiedade de lugar de importância na nossa vida ao permitir que façamos muitas coisas ao mesmo tempo: almoçamos assistindo a vídeos, lavamos louça ouvindo podcasts, trabalhamos enquanto resolvemos problemas pessoais. “Tem um verbo horroroso para isso: otimizar o tempo. Esse verbo é uma tragédia, porque traz esse imperativo de sempre acumular mais tarefas. O resultado disso é um burnout para chamar de seu”, afirma. O mecanismo da ansiedade age ao nos retirar do presente e nos jogar em cenários futuros próximos à catástrofe. Isso faz com que soframos imaginando situações terríveis: estou bem no trabalho, mas algo pode acontecer e eu posso ser demitido a qualquer momento; estou aqui com uma pessoa de quem gosto, mas não consigo tirar da cabeça um problema que preciso resolver. Para Coimbra Amaral, quando nos vemos numa situação como esta, é preciso quebrar com esse sistema ansioso por meio de uma atividade física ou de algo que sirva como um botão de “reiniciar” do computador. O psicólogo, autor, podcaster e palestrante também sugere que se inclua nos dias momentos de prazer que sejam genuínos e que não sejam vividos na totalidade de nossa atenção, sem “multitasking”. E também recomenda que repactuemos, em nossas relações, a diferenciação do que é urgente e do que é ansiedade. “A pessoa que é mais ansiosa vai tomar tudo como urgência”, diz na entrevista que você lê abaixo. A ansiedade é o resultado de uma forma de vida acelerada, centrada em produtividade, que desconsidera o processo e só se interessa pelo resultado G |Na época da pandemia se falou muito no novo normal, expressão que ficou até desgastada. Mas seria a ansiedade o nosso novo normal pós-pandemia? Alexandre Coimbra Amaral | A ansiedade sempre foi normal na existência humana. Não existe nenhuma vida sem ansiedade. Um pouco de ansiedade é necessário para a vida acontecer porque tem a ver com a nossa capacidade de sonhar, de projetar futuros, de ser relembrado por coisas. Por exemplo, quando o despertador toca e a gente sabe que vai ter que levantar e enfrentar o dia, tem um pouco de ansiedade nessa história, mas também é o que faz levantar a gente da cama. Tem a ansiedade boa, naquele momento em que você sente borboletas na barriga porque vai encontrar um crush. O problema é que ela está deixando de ser um evento da vida para ser o modo de funcionamento da nossa época. A ansiedade é o resultado de uma forma de vida acelerada, centrada em produtividade, que desconsidera o processo, que só se interessa pelo resultado, que não valoriza o durante. O que conta é o que eu consegui produzir hoje. O tempo inteiro as identidades estão alicerçadas nessa sensação de que tudo pode se perder. É isso que o Bauman fala lá no “Modernidade Líquida”. A sensação é que está tudo meio erodindo, tudo se liquefazendo. Então, eu posso ter uma história maravilhosa dentro de uma empresa, se eu não for um líder que leva a minha equipe a bater a meta, eu posso perder o emprego. Isso pode ser uma ameaça real ou imaginária, mas gera ansiedade. G |Estamos hoje tão cansados por que estamos ansiosos? ACA | A aceleração da vida faz com que a gente tenha muito mais a fazer do que horas úteis no dia. Sempre vamos dormir com a sensação de que não cumprimos, de que há um saldo devedor para o dia seguinte. Isso está, por exemplo, envolvido nas insônias. Não consigo dormir porque não tenho paz interna para descansar, para me entregar ao sono, porque eu sou essa máquina que está o tempo inteiro com débitos existenciais, com preocupações. E o discurso inteiro é construído na minha impossibilidade de descansar. Então, se eu descanso, eu não sou uma pessoa focada. Meu concorrente está estudando, trabalhando, maratonando, correndo num clube de corrida. Com o corpo no shape, o meu não está. A ansiedade está produzindo o burnout como o resultado final desse estilo de vida. G |Como é que a gente chegou nisso? Há um ponto de virada ou é algo que veio escalonando? Alexandre Coimbra Amaral | Certamente a pandemia ajudou. A ansiedade está relacionada à imprevisibilidade e ali nós perdemos a previsibilidade da vida, não podíamos mais fazer as coisas que sempre fizemos, ir na casa da avó, encontrar os amigos, ir à escola, ao escritório. Além disso, tinha uma doença que poderia matar, não sabíamos se íamos pegar o curso leve ou grave da covid, era uma loteria. Ainda estamos recuperando a saúde mental pós-pandemia. Agora, a aceleração é uma tendência da sociedade desde o final do século passado e tem a ver com tecnologia. Ela faz com que eu consiga fazer mais coisas simultaneamente, o que não era possível antes. A tecnologia permitiu que eu tivesse diversas conversas simultâneas, diversas janelas no computador abertas, diversas coisas ao mesmo tempo: trabalhar e assistir a filmes, lavar louça e ouvir podcasts, estudar e pagar conta. E tem um verbo horroroso para isso: otimizar o tempo. Esse verbo é uma tragédia, um horror, porque ele traz esse imperativo de sempre acumular mais tarefas. O resultado disso é um burnout para chamar de seu. G |No seu livro, você fala da ansiedade do dia a dia, apresentada como uma emoção, e nos lembra que não controlamos nossas emoções. Mas quando a ansiedade deixa de ser emoção para se transformar em doença? E o que fazer para isso não acontecer, se não conseguimos controlá-la? ACA | Nenhuma doença mental tem a ver com um elemento só, não é possível considerar uma única causa. Não tem a causa da depressão, por exemplo. As questões da mente são multifacetadas, uma mandala de elementos que convergem para um processo de adoecimento. Admitimos até que não temos condição de nomear todos os elementos. Tem fator genético, ambiental, tem a ver com o trabalho, com o luto, com a preocupação com o filho. Trabalhamos mais com os fatores intervenientes, que jogam a favor do aparecimento de uma doença mental. Dito isso, a ansiedade, sim, é uma emoção e ela nos leva para o futuro. A ansiedade retira a gente do presente. Ela é preocupante quando a pessoa não consegue voltar desse futuro de catástrofe. O filho está querendo brincar com a mãe, mas ela está tão preocupada com o boleto que tem que pagar no dia seguinte que não consegue brincar com o filho. Ela consegue o dinheiro, paga a conta, mas a cabeça dela não consegue mais estar aqui brincando com o filho. A ansiedade tem a ver com a nossa forma de vida. Corpo e alma já estão ligados numa velocidade que não conseguimos desligar. A notificação do celular é a ideia encarnada de que estamos devendo algo para alguém
G |E como sair desse ciclo?
ACA | Tem que diminuir a simultaneidade das tarefas, diminuir uso e consumo de tela, diminuir acesso a notícias que deixam ansioso, porque basta 15 minutos, a extrema-direita ganha na França, tem guerra na Ucrânia, pronto, o mundo acabou, a Amazônia não tem mais, 15 minutos de lendo o portal e você já acabou a sua vida. E é preciso também abrir espaço para o prazer. Mas o prazer não como uma coisa “todo fim de semana eu vou comer uma tortinha de brigadeiro” e aí bota lá a hashtag “autocuidado”. Não adianta nada. É ter ao longo do dia experiências que cortem com essa lógica. E precisa também de uma negociação, porque não é uma coisa só individual. Tem que ter uma conversa no ambiente de trabalho para que as pessoas não tenham que ficar nessa pira o tempo inteiro. OK, tem aquele dia que está mais difícil e todo mundo trabalha muito, mas não pode ser assim 365 dias no ano, senão você vai ter uma equipe doente. Eu não sei o que eu faço com tanta gente pedindo atestado com depressão, com burnout, com ansiedade, com pânico. Precisamos criar brechas ao longo do dia para o prazer entrar. Cada um vai ter a sua experiência de prazer: uma boa conversa, ficar quieto, fazer um exercício, correr. G |Hoje em dia a diferença entre urgência e ansiedade está um pouco confusa, perdemos a noção do que é urgente. Como retomar o sentido dessa palavra pode nos ajudar a lidar com a ansiedade do cotidiano?
ACA | Primeiro, negociar isso com o outro. Falar assim, isso é realmente urgente? Porque eu não posso te responder agora, a menos que seja muito urgente. Se o outro responde que é, você dá espaço. Se você dá esse espaço e é uma bobagem, você tem que falar: “precisamos definir melhor o que é urgência”. Ao mesmo tempo, o paradoxo é que a gente pede menos ajuda hoje porque sente que está todo mundo nesse mesmo fluxo. Então, na hora que eu realmente preciso de ajuda, eu falo assim: para que eu vou incomodar as pessoas? Está todo mundo na sua loucura. Quanto mais damos limite entre a urgência e a ansiedade, mais construímos um mundo que acolhe. Essa quantidade de urgências que não são urgentes estão banalizando os pedidos de apoio, banalizando os momentos em que a gente realmente poderia se disponibilizar para o outro, ser útil e ser importante para a vida do outro. G |O que você acha de piadas e memes da internet que fazem humor com esse espírito ansioso? Será que isso tem algum tipo de efeito psicológico bom ou ruim?
ACA | O humor existe como uma forma também de mostrar o nosso ridículo. Quando um humorista faz um cartoon, ele não tem como identificar que aquilo vai ser gatilho para alguém. Muitas mães me disseram que seus filhos, crianças, tiveram crises de ansiedade durante o “Divertida Mente 2”. Este filme não poderia ser feito? Não acho que devamos deixar de falar, de fazer humor, mas a pessoa precisa ter consciência de que se ela tiver uma crise, ela precisa pedir ajuda. Na hora que acontecer isso, em vez de falar “que nada, que bobagem, é só um desenho”, dizer “como eu posso te ajudar?”.
G |O livro “Geração Ansiosa”, do Jonathan Haidt, nem foi lançado ainda no Brasil mas já causou um rebuliço tremendo e associações de pais têm se formado para discutir e restringir o uso de celular e redes sociais por crianças e adolescentes. Como vê essa mobilização?
ACA | Acho importantíssimo. É inegável que as telas fazem parte da vida das crianças, é incontrolável esse movimento. Mas tem que fazer a campanha de tela zero na escola porque é um espaço protegido para eles poderem viver a vida em outra esfera de relação. Nas escolas que estão conseguindo fazer tela zero, as crianças estão voltando a brincar. Antes, era cada um no seu smartphone, jogando jogo online, um do lado do outro, no recreio. As escolas estão proibindo a tela e as crianças estão voltando a conversar. Da escola para fora, a gestão é de cada família. Mas existem espaços coletivos que precisam ter critérios comuns, como a escola, um lugar para a gente aprender a se relacionar também. O problema é que a tela dificulta a cognição e a atenção. Eu preciso estar atento para conseguir reter a matéria. O objetivo final da escola é incompatível com a presença de tela. G |Apesar dessa movimentação anticelular para os jovens, os adultos falam pouco sobre reduzir seu próprio uso.
ACA | Ah, sim! Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. G |Acha eles poderiam também rever seu comportamento? O celular é um gerador de ansiedade?
ACA | Sem dúvida, porque a notificação do celular é a ideia encarnada de que estamos devendo algo para alguém. Não vimos ainda todas as mensagens, todos os e-mails, todas as promoções que chegaram no aplicativo da loja, todas as notícias do banco sobre a conta, todas as séries que todo mundo comenta. Diminuir o tempo do celular é você dizer “eu não quero escutar o que você tem a me dizer agora” e nós também temos que fazer isso. E não adianta dar aquela maquiada na frente das crianças e falar “isso aqui é trabalho” porque a gente também precisa fazer as nossas concessões em nome da convivência. A projeção da ansiedade sobre o outro também é enlouquecedora para as pessoas que estão perto
G |A ansiedade pode ser parte da personalidade de uma pessoa? Como identificar que essa ansiedade passou em um limite aceitável?
ACA | Sim, pode ser parte de uma pessoa. Todas as pessoas são fruto de uma história que as deixam mais vulneráveis e suscetíveis a ficar mais ansiosas. É a relação dessa pessoa com o mundo e com o tempo. Se ela teve uma experiência em que ficou o tempo inteiro sendo pressionada a cumprir tudo no exato momento ou seria castigada, ela pode desenvolver uma maior ansiedade com o tempo. Existem pessoas com mais predisposição a isso, mas, de novo, é questão de discernir a urgência da ansiedade. A pessoa que é mais ansiosa vai tomar tudo como urgência. E o que se pode fazer? Cada pessoa vai ter a sua via. Por exemplo, eu, Alexandre, saio para correr. Quando eu estou muito ansioso, eu saio, dou uma corrida e aquilo dá um break no circuito ansioso do corpo, eu volto melhor. G |Essa é a sua janela de prazer?
ACA | Não, isso é outra coisa, é um instrumento para lidar com a ansiedade na hora em que ela chega, para você não ficar projetando no outro essa ansiedade, transformando tudo em urgência. Eu encontro estratégias cotidianas acessíveis a mim e das quais faço uso para não saturar as minhas redes, para não fazer com que as pessoas fiquem enlouquecidas na minha presença. A projeção da ansiedade sobre o outro também é enlouquecedora para as pessoas que estão perto. G |Mas se a ansiedade afeta todos nós, por que não lidamos bem com a ansiedade do outro?
ACA | A ansiedade ainda é uma emoção que traz muita vergonha. Se você pensa na cara da ansiedade do “Divertida Mente”, é uma cara de louca, certo? É importante falar dessa história de não julgar a ansiedade do outro. Estamos no tempo em que a dor fica sempre escondida. Eu dou um scroll no meu celular e a grama do outro é muito verde, está todo mundo na Ilha de Caras. Não tem ninguém com uma cara ansiosa ali no Instagram, está todo mundo com filtro, sem poro, sem ruga, com barriga de tanquinho. Não tem ninguém com pereba, banha e olheira. É preciso de um exercício de mais compreensão no sentido de mais autoconsciência, em primeiro lugar, eu também estou nisso, isso faz parte da cultura, todos estamos inseridos nesse funcionamento, mas também eu posso construir uma experiência coletiva mais saudável se, quando eu tiver uma pessoa ansiosa na minha frente, eu apoiá-la ao invés de julgá-la. G |Qual é a solução para os ansiosos no dia a dia? As pessoas não vão parar de usar celular, os compromissos não vão diminuir…
ACA | Solução não existe. O que a gente precisa desenvolver para lidar com ansiedade é flexibilidade, porque a ansiedade, de uma certa maneira, nos enrijece. Ela diz assim: “Já deu ruim, já deu ruim, já deu ruim”. E se acreditamos nessa voz, entramos numa perspectiva de rigidez com a vida. Tanto a flexibilidade física, tipo exercício, alongamento; quanto a flexibilidade mental, aprender coisas novas, sentir que é possível recomeçar quando não vamos bem em algo. Flexibilidade no sentido de que não está tudo perdido. Não é só viver, é contar para si mesmo uma história contrária à da ansiedade.
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Inovação Educacional
June 11, 4:08 PM
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Ao rolar o feed das suas redes sociais, você sente um misto de vergonha alheia e irritação ao ver sempre os mesmos colegas de trabalho postando sobre as coisas que fizeram. Mas, ao mesmo tempo, repara o efeito positivo que esse marketing pessoal constante tem na carreira deles. Será que são narcisistas? A resposta é não, mas há duas observações a serem feitas aí: (1) o mundo do trabalho se organiza, também, de forma narcísica já que captura os sujeitos que trabalham por seus ideais; e (2) é importante, sim, saber mostrar aquilo que se faz, de forma assertiva e com certa constância. As reflexões são de Thatiana Cappellano, mestre em ciências sociais e consultora da 4CO, especializada em cultura e comunicação organizacional, a quem Gama recorreu para investigar as maneiras de ser efetivo nas redes sociais, com os contatos mais casuais e também com os profissionais para vender o peixe sem pesar demais a mão. Abaixo, você lê algumas das ideias de Cappellano. Não queira os holofotes o tempo todo “No senso comum, pode ser que narcisismo seja confundido com marketing pessoal, mas não são a mesma coisa. Fazemos um marketing de nós mesmos em tudo na vida, no Bumble ou no Tinder, quando recebemos um amigo em casa; no ambiente do trabalho não vai ser diferente. O que importa é ter clareza de que vender seu peixe não é garantia de reconhecimento ou de promoção, de uma escalada de sucesso. Isso depende muito mais do contexto político das organizações do que do marketing pessoal. É preciso, ainda, tomar muito cuidado para que você não queime o filme com seus coleguinhas. Ninguém gosta de quem quer ficar o tempo inteiro falando de si, brilhando os holofotes em cima de si, é cansativo. Quando trabalhamos com alguém sabemos quem é realmente um talento ou quem é só o discurso, algo que não se sustenta por muito tempo.” Reconheça o esforço dos outros e dê crédito “O que pode ser efetivo e não irritante é reconhecer todos ao seu redor que participaram dos esforços porque ninguém faz nada sozinho dentro de uma organização. Segundo: reconheça de quem é a ideia. Ouço muita reclamação de empregados sobre isso e causa uma quebra de confiança na relação que é muito difícil recuperar. Terceiro: você não precisa se promover o tempo inteiro. Escolha os momentos certos. Não vale bater o bumbo, jogar luz e falar de forma ufanista sobre pequenas entregas. Vamos falar sobre as coisas que têm realmente relevância.” Ative seu networking nos encontros sociais “Quando você fica desocupado, as pessoas precisam saber. Networking se ativa, só que não é simplesmente falar ‘se você souber de alguma coisa…’. Isso não ajuda. É preciso explicar o que você está procurando, qual é o tipo de vaga, qual é o perfil, para que o outro lado entenda e aja. Aquela história do QI, quem indica, funciona muito em organizações. Deixe esses pontos claros para os seus contatos sociais e peça que as pessoas circulem essa informação nas suas redes profissionais, algo muito tranquilo de fazer. É preciso ter um bom currículo ou página do LinkedIn para mandar junto.” Faça-se presente e escute os contatos profissionais “O contatos que são estritamente profissionais pedem uma outra etiqueta. Se você consegue uma oportunidade de conversar com alguém da área, muitas vezes é preciso ir num papel de escuta para que aquela pessoa que está no mercado, tem mais experiência, possa te dar dicas de como trafegar da melhor forma. É um contato mais formal, não vai ser no WhatsApp, mas um café virtual ou presencial, ou mesmo um almoço. E aí você vai ter que contar um pouco da sua história: ‘nesse momento passei por este processo de progressão, passei por esses lugares e hoje estou buscando tal coisa’. Você tem que se fazer presente para ficar na lembrança dessas pessoas, mas também para que consigam entender melhor aquilo que você busca.” Nas redes, monte um perfil consistente “Quem está em situação de desocupação precisa usar LinkedIn, tem que ter uma boa página estruturada. Se não sabe como fazer, há tutoriais e prompts disponíveis na internet. Só o descritivo do LinkedIn fala pouco: você tem que preencher todas as suas experiências com afinco, como se você estivesse fazendo uma prévia de uma possível entrevista de emprego, mas um conteúdo para o mundo corporativo — ou seja, ninguém espera uma reflexão crítica baseada na Escola de Frankfurt. Conecte-se com pessoas que são da sua área de interesse e poste coisas relevantes e de que você saiba falar com propriedade. Não precisa produzir uma tese de doutorado, mas textos de três, quatro linhas para se manter presente.” Faça das postagens um hábito “O LinkedIn pode parecer uma ‘Disneylândia corporativa’ porque muito do que vemos lá soa como uma forçação de barra. Mas é um lugar de projeção e de busca de perfil profissional por muitas empresas e por muitas soluções de tecnologia de recrutamento, como Gupy ou Jobconvo. Então, o LinkedIn é sofrido para muitas pessoas, mas é um mal necessário. Precisa estar lá falando mais do mesmo? Na minha opinião, não. É um lugar prioritariamente para assuntos profissionais, então produza um pouco de conteúdo, um post por semana, para você conseguir mostrar minimamente quem você é. Faça um conteúdo assertivo e de fácil consumo, que vai mostrando como você enxerga a sua área técnica específica e como você lida com as questões do trabalho. A depender da profissão, o Instagram também pode ser um caminho.”
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Inovação Educacional
June 11, 3:52 PM
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¿Qué distingue a alguien que sabe una materia de alguien que sabe enseñarla? La OCDE intenta medirlo por primera vez a escala internacional.
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Inovação Educacional
June 11, 3:51 PM
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Os jovens transitam com facilidade entre formatos, plataformas e linguagens: desde explicações em vídeos de 15 minutos que encontram no YouTube até a revisão de anotações compartilhadas em um documento colaborativo, passando por grupos do WhatsApp onde esclarecem dúvidas próprias ou de outros colegas ou enviam explicações em uma mensagem de áudio. Eles também usam a inteligência artificial generativa, por exemplo, para consolidar a compreensão de um conceito ou para reformular uma ideia de três maneiras diferentes até encontrar a que melhor se encaixa. Essas práticas já são rotina.
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Inovação Educacional
June 11, 2:56 PM
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Recent graduates are clearly not okay—but neither are the companies that decided they could do without them.
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Inovação Educacional
June 11, 1:20 PM
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Encontro celebrou 18 propostas selecionadas entre mais de 95 iniciativas. Ação faz parte das atividades da pasta para qualificar a modalidade de ensino, favorecendo a permanência, a aprendizagem e as oportunidades
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Inovação Educacional
June 11, 11:30 AM
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A Unesc realizou, na noite dessa terça-feira (9/6), o lançamento oficial do 6º Congresso Ibero-Americano de Humanidades, Ciência e Educação. O evento reuniu pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais para uma noite de reflexões sobre os impactos da Inteligência Artificial na ciência, na cultura e na sociedade, tema que norteará a sexta edição do congresso, que ocorrerá de 16 a 18 de setembro.
Com o tema principal “Inteligência Artificial e Saberes em Conexão: Ciência, Cultura e Sociedade em Diálogo”, a palestra de abertura proporcionou uma discussão sobre os desafios, as possibilidades e os limites das novas tecnologias nos diferentes campos do conhecimento.
A cerimônia contou com a presença da reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, da pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão, Vanessa Moraes de Andrade, e da diretora de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu Sabrina Arcaro.
Para Gisele, o grande desafio está em compreender os limites entre aquilo que pode ser realizado pelas pessoas e o que pode ser executado pelas máquinas. “O que se vê muitas vezes é outorgar à máquina a capacidade de responder o que ao que eu posso responder. A pergunta que está em curso é o que eu vou fazer com tudo isso que está à disposição e o quanto que eu vou criticar aquilo que está disponível. O quanto que eu vou provocar o nosso conhecimento a partir daquilo que já existe”, refletiu Gisele.
“Estamos na sexta edição de um congresso que nasceu voltado às áreas de Humanidades, Ciência e Educação, mas que, ao longo dos anos, ganhou proporções cada vez maiores. Hoje, é um evento construído por toda a Unesc, envolvendo cursos, setores e diferentes áreas do conhecimento. Contamos com uma grande equipe, formada por profissionais, professores e acadêmicos de toda a Universidade, que trabalham juntos para tornar este momento possível”, destacou Vanessa.
Conforme a coordenadora desta edição do Congresso, Camila Arent, a proposta é ampliar o debate científico e social em torno das transformações provocadas pela Inteligência Artificial. “O Ibero é um evento institucional que busca promover o diálogo entre ciência, educação, cultura e sociedade. Nesta edição, escolhemos discutir um tema cada vez mais presente em nossas vidas, que é a Inteligência Artificial. Que as reflexões aqui apresentadas tragam inspirações para os debates que construiremos ao longo do Ibero 2026”, destaca ela.
Abertura da programação da noite O primeiro palestrante da noite foi o professor doutor Luciano Sathler que é doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP), ex-membro do Conselho Deliberativo do CNPq e integrante do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, Sathler atua atualmente como CEO da CertifikEDU, empresa dedicada à certificação de competências e habilidades com uso de blockchain e Inteligência Artificial.
Na palestra “Educação e Inteligência Artificial: das mudanças necessárias nas instituições educacionais”, ele refletiu sobre os desafios impostos pelas rápidas transformações tecnológicas e a necessidade de as instituições de ensino repensarem seus processos para atender às novas demandas da sociedade.
Ao abordar os impactos da Inteligência Artificial na produção científica, Sathler chamou atenção para o crescimento do uso da tecnologia na pesquisa acadêmica. Segundo ele, há um aumento considerável no número de artigos submetidos e publicados com apoio da IA, além da utilização da ferramenta em processos como revisão por pares. No entanto, alertou que quantidade não é sinônimo de qualidade.
“Nas primeiras semanas deste ano, uma em cada 277 citações bibliográficas presentes em 2,5 milhões de artigos científicos da área biomédica foram inventadas por Inteligência Artificial”, destacou.
O palestrante também apresentou dados sobre a utilização da tecnologia por pesquisadores. Conforme estudos recentes, 57% utilizam a IA como assistência na escrita acadêmica, 47% recorrem à ferramenta para identificar erros ou possíveis vieses em seus próprios trabalhos e 35% a empregam para verificar a ocorrência de plágio não intencional.
O pesquisador também apresentou possíveis caminhos para enfrentar essas questões, como a ampliação da transparência nos pareceres, a qualificação dos avaliadores e a realização de estudos que permitam testar e validar melhorias. A principal mensagem da apresentação foi a de que não existe uma solução única para os desafios da revisão por pares, sendo necessário combinar diferentes estratégias para tornar o processo mais confiável, transparente e alinhado às evidências científicas.
Na sequência, o professor doutor Leonardo A. Pachón, da Colômbia, quem falou para os presentes. Físico, doutor em Ciências Físicas pela Universidad Nacional de Colombia, com estágios pós-doutorais na Universidade de Toronto e na Universidade de Harvard, Pachón é reconhecido internacionalmente por suas pesquisas em Inteligência Artificial e Sistemas Complexos.
Durante a palestra “Del quinto paradigma al diálogo de saberes: la inteligencia artificial entre la ciencia, la cultura y la sociedad”, o pesquisador apresentou reflexões sobre a evolução dos paradigmas científicos e o papel da IA na construção de conexões entre diferentes formas de conhecimento.
Após as exposições, o público participou de um momento de interação, com perguntas e contribuições mediadas pelos professores Kristian Madeira e Thiago Henrique Almino Francisco.
Congresso ocorre em setembro Nesta edição, a estrutura científica do evento será organizada em cinco eixos temáticos articulados entre os Programas de Pós-Graduação envolvidos na realização do congresso.
Entre os temas estão Ciência, Ética e Transformações Contemporâneas; Educação, Cultura e Produção de Saberes; Tecnologia, Inovação e Inteligência Artificial; Sustentabilidade, Território e Desenvolvimento Humano; e Saúde, Sociedade e Bem-Estar Coletivo. “Os GTs deverão estar vinculados a um desses eixos e poderão abordar diferentes perspectivas teóricas, metodológicas e campos de investigação”, acrescenta Camila.
Entre os critérios para submissão das propostas estão a participação de, no mínimo, dois e, no máximo, três coordenadores; a exigência de titulação de doutorado para os proponentes; e a composição interinstitucional da coordenação, com pelo menos um integrante vinculado a instituição diferente dos demais participantes. Todos os proponentes devem estar previamente inscritos no evento.
Além disso, cada proposta deverá conter resumo entre 250 e 300 palavras, contemplando objetivos, temática central, referenciais teóricos, aspectos metodológicos e orientações gerais para submissão de trabalhos, quando necessário.
Os coordenadores dos GTs aprovados terão isenção da taxa de inscrição no congresso.
Mais informações acesse www.unesc.net/ibero.
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Inovação Educacional
June 11, 11:29 AM
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Em maio, surgiu um novo gênero de vídeo viral: trechos de diversas cerimônias de formatura universitária, nas quais os recém-formados vaiaram veementemente os palestrantes que falaram sobre IA. E é difícil culpá-los, considerando as recentes manchetes sobre como a tecnologia está prestes a revolucionar o mercado de trabalho, principalmente para trabalhadores iniciantes como eles. Muitos desses jovens cresceram ouvindo que "aprender a programar" era a chave para um salário de seis dígitos, apenas para se depararem com um mercado de trabalho em que programadores humanos parecem uma espécie em extinção. Embora não esteja claro se a IA já reduziu de fato a força de trabalho total, empresas individuais anunciaram grandes demissões relacionadas a planos de usar IA para automatizar empregos.
Tudo isso levanta uma questão intrigante: se você é um estudante universitário hoje — ou, sem dúvida, qualquer trabalhador que enfrenta esse cenário incerto — como deve se preparar para o futuro do trabalho com IA? Não há uma resposta fácil, mas reunimos um painel de quatro especialistas que acompanham de perto o impacto da IA no trabalho para tentar esclarecer essa questão.
Esta discussão foi editada e condensada para maior clareza, com a adição de material proveniente de entrevistas posteriores.
Os participantes Daron Acemoglu, economista do MIT e laureado com o Prêmio Nobel.
Dean Ball, anteriormente assessor em IA e tecnologias emergentes do governo Trump, é agora pesquisador sênior da Fundação para a Inovação Americana.
Ethan Mollick, professor da Wharton School da Universidade da Pensilvânia e autor de “Co-Inteligência” e do livro “Co-Existência”, ainda a ser lançado.
Clara Shih, ex-executiva sênior de IA na Salesforce e na Meta, cofundadora da New Work Foundation, uma organização sem fins lucrativos que visa ajudar trabalhadores iniciantes a se familiarizarem com a IA.
Bill Wasik, moderador, editor da seção de Ciência do The New York Times e ex-diretor editorial da revista The Times Magazine.
Vídeo
CréditoCrédito...Illustration by Mario Hugo EU. BILL WASIK: A conversa sobre IA e o futuro do trabalho é frustrante. Não se trata apenas de as previsões serem tão discrepantes — Elon Musk dizendo: "Chegará um momento em que nenhum emprego será necessário" porque "a IA será capaz de fazer tudo", ou o executivo chinês de IA, Kai-Fu Lee, prevendo em 2017 que a IA substituiria 50% da força de trabalho nos próximos 10 anos — mas sim de que raramente essas previsões vêm acompanhadas de alguma reflexão sobre como ou por que a IA pode eliminar empregos. Como será uma força de trabalho híbrida, composta por IA e humanos? Como nossos próprios empregos mudarão como resultado disso? Essas, para mim, são as perguntas muito mais interessantes.
ETHAN MOLLICK: Eu fiz um exercício divertido em que pedi às próprias IAs que me dessem um cenário de trabalho futuro na era da IA. Geralmente começa com algo como: “Marcus Chen” — esse é um dos nomes favoritos dos chatbots para desenvolvedores de software — “entra no escritório, onde lê relatórios de seus agentes de IA sobre o trabalho que foi feito e, em seguida, usa seu julgamento para atribuir-lhes novas tarefas.”
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What’s the Best Way to Wear a Crop Top? Mas aí eu pergunto para a IA: "Espera aí — por que ele está indo para o escritório se a IA está fazendo o trabalho?" Então o chatbot responde: "Não, você tem razão", e recomeça: "Marcus Chen acorda em sua casa de praia e verifica como estão seus agentes de IA." E então eu pergunto: "Por que ele está verificando se os agentes estão fazendo todo o trabalho?" Nesse ponto, o chatbot se desculpa novamente e diz: "Marcus Chen está sentado na praia..."
Grande parte disso se resume à questão de em que tipo de mundo vivemos. É um mundo onde a IA é uma tecnologia relativamente comum e as mudanças ocorrem mais lentamente, ou é um mundo onde a IA realmente se torna superpoderosa?
A programação de computadores agora oferece uma visão muito boa desse tipo de coisa. Antigamente, ser programador significava escrever código de qualidade regularmente. Agora, de repente, em poucos meses, passa a ser sobre gerenciar tarefas de engenharia. Então, acho que veremos outras mudanças nas expectativas em relação aos trabalhos das pessoas.
CLARA SHIH: Quero desenvolver a metáfora de Marcus Chen. Vamos supor que chegamos ao último cenário: ele está na praia, vivendo uma ótima vida. Mas e os outros trabalhadores? Agora é mais rápido e eficiente ter menos cozinheiros na cozinha.
DARON ACEMOGLU: Exatamente. Quantos Marcus Chens a economia americana pode empregar? Simplesmente não é realista pensar que 100 milhões de pessoas trabalharão como Marcus Chen.
DEAN BALL: Sou muito otimista em relação à IA, mas tenho uma visão um pouco mais moderada sobre os efeitos práticos. E a razão fundamental para isso é que as profissões de que estamos falando são altamente automatizadas, certo? Enviar um e-mail é um processo incrivelmente automatizado em comparação com o que costumávamos fazer para nos comunicar por escrito. Programar é intrinsecamente muito automatizado. Se quisermos falar sobre mineração ou agricultura, essas atividades já são incrivelmente mecanizadas. Portanto, o fato de podermos eliminar o motorista do caminhão de mineração representa uma parcela muito pequena da vasta maioria dos custos da mineração.
A transformação que está por vir acontecerá no mundo como o conhecemos hoje, e cada dia parecerá familiar. Haverá pequenas mudanças sutis ao longo do tempo. Haverá pequenos avanços na automação. E daqui a 10, 15, 20 anos, olharemos para trás e diremos: " Meu Deus, tudo está diferente!" . Mas você nunca perceberá que isso está acontecendo. É sempre assim.
ACEMOGLU: Há muitas coisas que os modelos de IA atualmente e num futuro próximo não serão capazes de fazer. A visão atual é que, de alguma forma, os agentes farão grande parte do trabalho e nós só precisaremos supervisioná-los. Acho isso muito irrealista. Mas se fosse realista, seria algo terrível.
SHIH: Concordo e discordo de você. Estou criando uma startup de tecnologia hoje. Então, isso não é teórico. Comecei há cerca de dois meses. Lembro-me dos nossos primeiros 30 dias, quando não tínhamos nenhum funcionário. Antes do mundo dos agentes de IA, não haveria como termos conseguido constituir a empresa, registrar todas as nossas designações no IRS (Receita Federal dos EUA), no estado da Califórnia e definir nossa política de privacidade em questão de dias com tão poucas pessoas. No passado, precisaríamos contratar dezenas de pessoas e envolver vários escritórios de advocacia, agências de marketing e design, etc., trabalhando por muitos meses. Portanto, a substituição de pessoas pela IA é realista e real, e é ao mesmo tempo horrível e maravilhosa.
MOLLICK: Impulsionar o empreendedorismo é algo muito importante. Há estudos iniciais com o GPT-4 que mostram que ele ajudou empreendedores quenianos de sucesso a obterem melhores resultados porque receberam melhores conselhos.
ACEMOGLU: Uma das descobertas da economia é que, se muitas pessoas conseguem entrar em uma profissão ou atividade econômica, ocorre um excesso de entrada que é muito, muito custoso e distorcido. Portanto, estou preocupado com a possibilidade de exatamente isso acontecer no empreendedorismo.
MOLLICK: Enquanto isso, se você é, digamos, a Coca-Cola ou o Walmart, a natureza da mudança é um pouco diferente. E não há um plano óbvio para: Como implementar isso? Como reorganizar minha empresa em torno de agentes de IA? Há trabalho físico e uma estrutura organizacional já estabelecida. E tudo envolve reuniões e conversas. Você também não vai substituir o Walmart da noite para o dia. Então, acho que veremos um boom de startups. Mas acho que muitas coisas estão sendo desaceleradas por isso. E isso nos dá tempo para reagir.
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CréditoCrédito...Illustration by Mario Hugo II. WASIK: Gostaria de pensar nos Marcus Chens, por assim dizer, de setores fora da indústria de tecnologia — a questão de quais tipos de trabalho estão mais ameaçados. Clara, você está criando uma organização sem fins lucrativos para ajudar trabalhadores iniciantes a navegar por essa transição. Gostaria de saber quais setores vêm à sua mente quando você pensa neste momento como uma possível crise para trabalhadores iniciantes em geral.
SHIH: Acho que se você observar empresas como a Amazon nos últimos 10 anos, terá um ótimo exemplo de como isso se desenrola. Há mais de um milhão de funcionários na Amazon, e uma pequena fração deles faz parte do grupo de elite. São programadores, supervisores de sistemas, trabalham na sede. E todos os outros trabalham no armazém e como motoristas de entrega. E são gerenciados ao minuto: quais devem ser suas tarefas, quanto tempo devem levar para ir do ponto A ao ponto B. E, com o tempo, espero que cada vez mais tarefas, incluindo entregas e transporte, sejam assumidas por IA. Vejo isso acontecendo em vários setores.
Além disso, vamos adicionar ao portfólio de Marcus Chen. Vamos falar sobre Stacey Smith, uma hipotética analista de sinistros de seguro saúde. Ela e milhões de pessoas como ela trabalham nos EUA nos setores de seguros e bancário devido a regulamentações que impediam a terceirização desses empregos para outros países. Mas agora, muitas dessas aprovações, sejam elas de crédito imobiliário ou de análise de sinistros, são facilmente feitas por agentes de IA — com mais consistência, maior facilidade para detectar fraudes e a um custo muito menor. O que acontecerá com as Stacey Smiths que ganham um salário decente em lugares como Kentucky e Mississippi?
E quanto a Bob Johnson? Vamos falar sobre ele. Ele é um caminhoneiro de longa distância. Ele é um dos três milhões e meio de caminhoneiros nos EUA que ainda ganham um salário decente. Eles moram no Sul, no Texas, na Louisiana, no Mississippi. Eles são o sustento de suas famílias. Eles são os pilares de suas comunidades. O que acontecerá quando a tecnologia da Waymo se difundir e superarmos as barreiras regulatórias que impedem que pessoas como Bob Johnson cheguem até nós?
Então talvez Marcus tenha um ótimo resultado. E quanto a Stacey? E quanto a Bob?
BALL: Acho que, se quisermos entrar em setores ou funções específicas, as mais óbvias são consultoria, marketing, atendimento ao cliente, trabalho jurídico de nível inicial e trabalho administrativo. Tudo isso é definitivamente real.
E depois há essa camada nebulosa de coisas no mundo físico. Duvido muito que um robô humanoide vá preparar um coquetel para você em um bar, mesmo que pudesse, certo? As pessoas não querem isso. E isso é muito importante para pensarmos no futuro do trabalho. Quais serão as preferências das pessoas? Da mesma forma, muito do trabalho intelectual, no fim das contas, especialmente à medida que se sobe na hierarquia, se resume a persuadir as pessoas. Tenho minhas dúvidas de que o processo de intrigas políticas internas em uma empresa ou outra organização será simplesmente automatizado pela IA.
MOLLICK: A situação dentro das grandes empresas será complexa, eu acho. Na Procter & Gamble, fizemos um experimento com 776 funcionários. Eles eram da área técnica ou de negócios, e trabalhavam individualmente ou em duplas. A descoberta na época foi que os indivíduos que usavam IA tinham o mesmo desempenho que as equipes que não usavam. Para mim, a parte realmente interessante foi que isso também diluiu as fronteiras entre as funções. Antes, os profissionais de negócios tinham ideias de negócios, os profissionais de tecnologia tinham ideias técnicas. Mas, com a adição da IA, todos começam a ter ideias, uns dos outros. E isso está acontecendo em todos os lugares. Quando converso com pessoas da área de programação, especialmente em setores que têm algum elemento quase criativo, como a indústria de jogos, de repente os designers podem programar, os programadores podem fazer design, os artistas podem começar a escrever.
ACEMOGLU: Deixe-me reformular a pergunta e falar sobre três setores que considero absolutamente cruciais para a produtividade futura: manufatura, saúde e educação. Todos eles demonstram o potencial da IA, mas também os enormes gargalos. Na manufatura, os EUA estão atrás da China na aplicação da IA, e cada pequeno passo na introdução de automação ou IA no processo produtivo exige uma enorme quantidade de serviços de engenharia. É muito trabalhoso. Depois, temos a educação, onde os efeitos da IA até agora têm sido um desastre: há um ótimo estudo em larga escala vindo da China, por exemplo, que mostra resultados terríveis para os alunos que usam IA.
Na área da saúde, a promessa reside na digitalização, por exemplo, com registros eletrônicos de saúde e a incorporação de mais softwares aos processos, mas até agora isso parece ter levado a uma piora da produtividade. Portanto, o potencial da IA para reduzir custos existe, mas não creio que haja um bom plano de como fazer isso. Os chatbots são potencialmente úteis na área da saúde, mas meu receio é que repitamos exatamente o que fizemos na educação, liberando chatbots de uma forma que leve a resultados desastrosos.
BALL: Mas Daron, você mencionou chatbots — se só tivéssemos chatbots, eu provavelmente compartilharia do seu pessimismo. Mas o mais notável sobre os novos agentes de programação é que eles são essencialmente programas de computador que podem usar computadores, certo?
MOLLICK: Sim, acho que não estamos mais falando de chatbots. O mundo mudou nos últimos cinco anos. E já sabemos, por meio de dados, que a IA é melhor em diagnósticos médicos do que os médicos em muitas circunstâncias. E experimentos controlados mostram que os pacientes preferem conversar com IA do que com médicos porque ela tem maior empatia — empatia percebida , eu diria.
Da mesma forma, com a IA e a educação — pesquisas descobriram que o uso não estruturado da IA prejudica o aprendizado, mas tutores de IA podem ter impactos positivos em larga escala . Portanto, estou extremamente otimista em relação à IA e à educação, assim que descobrirmos como integrar tutores de IA nas salas de aula.
III. WASIK: Tenho curiosidade sobre as novas oportunidades que surgirão neste mundo da IA. O que você diria a um jovem sobre habilidades ou carreiras interessantes para considerar no futuro?
BALL: De muitas maneiras, acho que generalistas curiosos se sairão muito bem no futuro. Isso não quer dizer que não seja importante cultivar nichos de especialização específicos, mas sim que a capacidade de ter uma visão mais ampla e pensar de forma abrangente também será recompensada.
Também acho que existem áreas com alta demanda óbvia no mundo físico — em particular, coisas como encanadores, eletricistas e técnicos de HVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado).
MOLLICK: Embora eu também não ache que possamos prever com precisão suficiente para dizer: " Seja encanador", porque aí o Plumbot10000 poderia ser lançado em algumas semanas. É muito difícil antecipar o futuro.
ACEMOGLU: O trabalho de eletricistas, técnicos de HVAC, todos esses profissionais se tornarão mais complexos. Já temos uma enorme escassez dessas profissões. Novamente, a IA pode ser extremamente útil. Um eletricista iniciante com a ferramenta de IA certa poderia ser 10 vezes mais produtivo do que é atualmente. Usar IA para treinar eletricistas com novos equipamentos poderia ser muito útil. Mas não é aí que o foco dos investimentos em IA está se concentrando.
WASIK: Que conselho você daria a um jovem inteligente sobre como pensar em oportunidades que ainda nem conhecemos?
SHIH: Agora passo o dia todo, todos os dias, com jovens de 25 anos, e o que percebi é que muitos dos conselhos e cursos de IA disponíveis são muito genéricos. Acabamos de lançar uma plataforma de conteúdo que aborda, função por função, os 50 cargos de nível inicial mais comuns no setor administrativo: marketing, engenharia de software, contabilidade, finanças, etc. E entrevistamos gerentes de contratação para entender como eles estão implementando IA em suas organizações e como isso mudou as habilidades específicas que buscam em seus candidatos.
O tema recorrente é que se trata de uma história de duas cidades para quem busca emprego. Aqueles que entendem como a IA funciona, especificamente os agentes de IA, conseguem o emprego dos sonhos, seja em marketing, software, contabilidade, finanças, o que for. Já aqueles que não possuem essas habilidades, essas vagas de nível inicial estão desaparecendo.
WASIK: Mas quão útil será esse treinamento de IA a longo prazo? À medida que os modelos melhoram, parece que instintos e habilidades diferentes são necessários para obter o que se deseja deles, enquanto os truques que eram necessários com os modelos anteriores simplesmente desaparecem. Quase todo o truque deles é tornar tudo tão natural à medida que melhoram.
SHIH: O desenvolvimento de habilidades em IA é, sem dúvida, um alvo em movimento: você está no trem, mas sabe que não há destino. Você sabe que está se comprometendo a aprender e aprimorar constantemente sua técnica à medida que o modelo muda. Isso significa se comprometer a testar continuamente diferentes modelos conforme são lançados e começar a reconhecer: "OK, eu uso o Gemini para esta tarefa, mas o Claude é muito melhor para esta outra". Essa é parte da evolução do conjunto de habilidades que acredito que se tornará necessária.
MOLLICK: O que realmente me preocupa em relação aos profissionais juniores é que a experiência prática costuma ser crucial para avaliar trabalhos que você não criou, sejam eles feitos por humanos ou por IA. Bill, você provavelmente consegue ler um artigo do The Times e dizer se é bom ou ruim. Daron ou eu conseguimos analisar um artigo acadêmico instantaneamente e dizer se vale a pena dedicar uma hora do nosso tempo para lê-lo ou não. Dean consegue examinar uma legislação sobre IA e identificar a brecha. Clara, tenho certeza, consegue olhar para qualquer trecho de código e julgar se foi escrito por um idiota ou por um especialista. Sem experiência, você não consegue fazer essas coisas.
E é isso que é preciso para gerenciar agentes de IA também. Isso não é um problema apenas para funcionários juniores: uma pesquisa realizada há algum tempo mostrou que apenas um terço das pessoas deseja cargos de liderança . A maioria está muito satisfeita com o trabalho que faz e simplesmente quer continuar fazendo o que faz. E acho que elas terão alguma dificuldade para se adaptar.
SHIH: Ser gerente já ficou melhor graças à IA.
ACEMOGLU: Na verdade, acho que a maioria dos gerentes se sente sobrecarregada, desatualizada, sem saber o que se espera deles. Acho que o nível de estresse deles é muito maior. Talvez daqui a 10 anos a situação melhore, mas precisamos padronizar essas ferramentas e as expectativas, talvez até requalificar os gerentes. Então, não, não acho que, no momento, ser gerente seja uma profissão melhor.
SHIH: Acredito que todo jovem precisa trabalhar em um projeto paralelo durante a faculdade, ou mesmo no ensino médio, do qual seja responsável do início ao fim, para que possa evoluir junto com esses modelos. E se fizerem isso, acredito que terão grande parte da experiência prática necessária para serem contratados.
MOLLICK: Mas, como alguém que ensina empreendedorismo, nem todo mundo faz isso, certo? Eu já dei projetos paralelos para algumas pessoas — aliás, esse tem sido meu trabalho por mais de uma década, dar projetos paralelos para jovens. E não é para todos. Existem todos os tipos de diferenças, inclusive em termos de formação ou status socioeconômico, em como as pessoas aproveitam essas oportunidades. É difícil simplesmente dizer: " Faça o projeto paralelo e faça dar certo" .
SHIH: É muito difícil e não vamos ter uma taxa de sucesso de 100%, mas é muito difícil realmente entender e manter o controle da IA se você não aprender algo do início ao fim. Entender completamente os limites do que a IA pode fazer e como os modelos evoluem — essa é a habilidade essencial.
ACEMOGLU: Acho que o que Clara descreveu é a realidade. Atualmente, você precisa investir muito tempo aprendendo diferentes modelos, suas capacidades, suas limitações, e três meses depois precisa experimentar vários modelos diferentes novamente só para se manter no mesmo patamar. Isso é absolutamente improdutivo, é distópico. Clara, talvez você estivesse descrevendo isso como um futuro aceitável. Para mim, é um futuro horrível.
SHIH: Eu disse antes que é maravilhoso e horrível. Como podemos torná-lo menos horrível e mais maravilhoso?
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CréditoCrédito...Illustration by Mario Hugo 4. WASIK: Isso nos leva à última pergunta: o que fazemos em relação a tudo isso? Dean, eu sei que você esteve envolvido na elaboração do plano de ação da Casa Branca para IA . Estou apenas curioso para saber qual você acha que deveria ser a resposta governamental e social.
BALL: O plano de ação, por coincidência, expressa muito bem minhas crenças, que são as de que a primeira coisa que precisamos fazer é mensurar esse problema muito melhor do que fazemos atualmente. Precisamos de dados econômicos empíricos melhores. Não se pode criar soluções políticas para um problema que não se compreende.
Mas eu realmente não quero criar inflexibilidade no mercado de trabalho. Minha frase favorita no plano de ação da Casa Branca descreve a IA como uma combinação da Revolução Industrial, da Revolução da Informação e do Renascimento. Ela tem o potencial de transformar a maneira como fabricamos e produzimos coisas; mudará a forma como a informação flui pelas organizações e pelo mundo; e possibilitará avanços artísticos, matemáticos e científicos.
Agora, o papa parece querer que tenhamos um comitê com todas as partes interessadas em IA, todas as comunidades impactadas. Mas não criamos um comitê de partes interessadas para a Revolução Industrial. Ela não se desenvolveu por meio de votação aberta. É inacreditável para mim que haja tantas pessoas na sociedade educada que pensem que é isso que precisamos aplicar à IA.
ACEMOGLU: Bem, acho que isso resume a atitude de algumas pessoas no Vale do Silício. Sim, não houve um comitê para a direção da Revolução Industrial. E o que conseguimos? Nos estágios iniciais, tivemos crianças trabalhando até a morte em minas de carvão. As condições nas fábricas se tornaram horríveis. Os salários de muitos trabalhadores caíram. Agora, a IA está mudando as coisas muito mais rápido e afetando muitos, muitos setores ao mesmo tempo.
SHIH: Exatamente, a lição não é que a coordenação seja desnecessária; é que ignorá-la nos custa décadas de sofrimento humano. Além disso, as políticas de IA que surgirem sem ampla participação não serão confiáveis, pois serão percebidas como representando a agenda das grandes empresas de tecnologia, do capital ou de uma facção política.
BALL: Não sei qual será a taxa de desemprego em 2028, mas garanto que 100% dela será atribuída à IA pelo público americano e por muitos políticos oportunistas. E, infelizmente, receio que as soluções políticas que eles adotarem sejam medidas que garantam proteções trabalhistas muito amplas. Medidas que criem os mesmos problemas que a Europa enfrenta, onde as empresas não podem assumir riscos porque assumir riscos envolve fazer coisas que podem exigir a demissão de funcionários em cinco anos, caso a ideia não dê certo.
Temo que façamos coisas semelhantes aqui. E muito disso acontecerá em nível estadual. Falaremos sobre isso em Washington, mas a verdadeira ação ocorrerá em 50 assembleias legislativas estaduais diferentes. E todos fingiremos que sabemos o que está acontecendo lá, mas ninguém realmente saberá. E caminharemos sonâmbulos para uma economia política muito ruim.
SHIH: Concordo plenamente. Veja a reação ao discurso de formatura de Eric Schmidt na Universidade do Arizona, a recente pesquisa Gallup mostrando que um terço dos americanos da Geração Z descreve seus sentimentos em relação à IA como raiva. E essas são as pessoas que queremos que abracem a IA para que possam ajudar a construir esta economia e encontrar emprego. Mas elas a estão rejeitando por motivos morais. É por isso que acredito que uma intervenção é necessária agora. É por isso que estamos criando agentes de IA para ajudar a conectar candidatos a emprego com oportunidades e ajudá-los a aprender habilidades em IA para que não a temam e possam moldá-la. Mas precisamos fazer algo.
ACEMOGLU: Estou convencido de que a inteligência artificial é bastante diferente da inteligência humana. Os humanos não são muito bons em absorver grandes volumes de informação ou em analisar dados não estruturados em busca de padrões relevantes. Os modelos de IA ainda não possuem criatividade genuína nem capacidade de aprendizado por tentativa e erro, baseado na interação com o mundo físico. Quando duas coisas são diferentes, a última coisa que se deseja é tentar imitar uma com a outra. É uma tarefa inútil tentar fazer com que uma faça tudo o que a outra faz. Elas devem trabalhar juntas. E esses não são os tipos de modelos que estamos tentando desenvolver.
MOLLICK: Obviamente, precisamos pensar em como treinar novos funcionários. Mas como avaliar os jovens trabalhadores quando eles chegam à empresa? Porque costumávamos avaliá-los. Tínhamos uma ótima técnica, que era o aprendizado. Ela funciona há 4.000 anos. Eu contrato um funcionário administrativo, e ele faz o trabalho braçal para mim, trabalha muito duro, e eu consigo avaliar o quão bom ele é nesse trabalho braçal.
E como gerente de nível médio, eu tenho a vantagem de ter alguém fazendo o trabalho que eu não quero fazer, e essa pessoa aprende, eu a avalio e todos são pagos. E tudo isso desmoronou, certo? Você não pode simplesmente dizer: " Ah, devemos contratar funcionários juniores" , se não pensamos em como treiná-los. Mas adivinhe? As universidades são muito boas em treinamento e avaliação. Então, as faculdades poderiam começar a pensar em expandir ou mudar a formação profissional para preencher as lacunas que a IA está criando.
SHIH: Acho que a principal conclusão para mim é de onde partimos, que é: o futuro não é automático. Não sou pessimista nem otimista. Sou um otimista condicional, e existem intervenções que ainda podemos tentar, que devemos tentar, porque teremos que testar muitas coisas antes de sabermos o que funcionará. E ainda há tempo, mas a janela está se fechando.
Acredito que o ponto crucial sobre os agentes de IA é que todos eles têm um objetivo. E isso depende de quem os implementa, pois quem os implementa define o objetivo. Talvez os objetivos da IA até agora não estejam alinhados com os objetivos das pessoas comuns, dos trabalhadores do dia a dia. Mas essa é uma escolha que podemos fazer.
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Inovação Educacional
June 11, 11:26 AM
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O mundo está diante de uma emergência global que não se propaga por vírus, mas por pixels. O diagnóstico é do renomado pedagogo italiano Francesco Tonucci, criador da Rede Mundial de Cidade das Crianças. Para ele, o uso precoce e desenfreado de smartphones e tablets na primeira infância, que vai de 0 a 6 anos de vida, já se configura em uma “segunda pandemia” do século XXI e, em sua visão, com traços ainda mais cruéis que a crise sanitária da covid-19.
“A primeira matava mais os idosos, enquanto está condenando as crianças no presente e no futuro”, dispara Tonucci. Segundo o especialista, a incubação do problema está partindo desde o berço por ingenuidade dos pais e cuidadores, que estão utilizando telas para acalmar as crianças nos seus primeiros anos de vida, o que afeta o neurodesenvolvimento em sua fase mais importante. Ele cita que até mesmo as mães estão rompendo a “magia” de alguns momentos com os filhos, distraídas pelas telas dos seus celulares.
Durante o momento da amamentação, por exemplo, se a criança olha para a sua mãe e ela olhando para a tela de um celular, perde-se o “momento mágico” do contato visual. Não é só uma pena, é a perda de uma conexão importante”, diz Tonucci. “Depois, quando as crianças estão um pouco maiores já, o que estamos vendo é pais entretendo as crianças com telas em restaurantes, estações de trem, aeroportos e tantos outros lugares. No primeiro momento parece estão fazendo um bem, porque acalmam a situação, mas no longo prazo isso está causando muitos danos”, acrescenta.
Tonucci é um pedagogo que argumenta com uma visão humanizada, priorizando o presente das crianças. Ele lamenta como o vício de telas prejudica a disposição do brincar livre e inclusive a capacidade de lidar com o tédio. Mas especialistas de outras áreas também já têm demonstrado preocupações com o efeito das telas sobre o desenvolvimento de habilidades socioemocionais ligadas à autonomia que estão sendo cada vez mais demandadas para os adultos.
“O tempo excessivo de tela inibe a capacidade de ler expressões faciais e desenvolver empatia. Isso em um mundo com ferramentas avançadas de inteligência artificial no qual a empatia será cada vez mais um diferencial competitivo”, observa a especialista em tecnologia e autora do livro “O profissional do futuro”, Michelle Schneider.
Embora Tonucci tenha uma visão mais para o presente, mostrando maior preocupação com a perda da infância, e Schneider esteja antecipando o olhar para o futuro, quando a criança poderá se tornar um adulto com déficits em habilidades buscadas pelo mercado de trabalho, ambos estão amparados por descobertas científicas recentes que apontam a importância dos seis primeiros anos de vida para o desenvolvimento neurológico de uma pessoa.
De acordo com o relatório “The Science of Early Childhood Development” (A ciência do desenvolvimento na primeira infância), do Center on the Developing Child da Universidade Harvard, de 0 a 6 anos de idade o cérebro humano cria mais de 1 milhão de novas conexões neurais por segundo. Em nenhum outro momento da vida o desenvolvimento neurológico é tão ágil quanto nesse período, o que faz políticas públicas destinadas a crianças serem vantajosas no aspecto de retornos individuais e coletivos. Estudos do vencedor do prêmio Nobel de Economia James Heckman indicam que para cada dólar investido na primeira infância há um retorno futuro de ao menos US$ 7.
Para atacar o que chama de “nova pandemia”, Tonucci propõe que a vacina é o conceito de brincar livre. Em sua visão, baseada em pesquisas qualitativas que estão sendo feitas pela Rede Mundial de Cidade das Crianças em escutas ativas com menores de seis anos, as crianças estão dispostas a trocar o contato com aparelhos celular pela chance de brincar com amigos em espaços físicos e, de preferência, sem a presença constante de adultos nas brincadeiras.
A solução parece simples, mas bate de frente com problemas causados pelo desenvolvimento urbano desorganizado de várias décadas, principalmente em países menos desenvolvidos, como é o caso do Brasil e boa parte de suas cidades. Por isso, mais além da proibição de celulares dentro de escolas, por exemplo, o que a Rede Mundial de Cidades das Crianças defende é a expansão de políticas públicas que adaptem as cidades para a presença de crianças nas ruas, inclusive com meninos e meninas perto dos 10 anos de idade de estarem desacompanhadas de adultos em trajetos para as escolas ou nas redondezas de suas moradias.
Garantir que o celular chegue mais tarde evita que os jovens estejam exageradamente expostos às doenças de saúde mental” — Lorena Morachimo Tonucci entende que a violência urbana no Brasil e em outros países influencia na decisão dos pais de evitar que as crianças circulem sozinhas pelas ruas, mas afirma que a percepção da insegurança é muito maior do que os dados reais de crimes, o que gera uma espiral negativa de fazer com que os pais escondam o mundo real da convivência dos seus filhos. E lembra que dentro dos celulares e tablets também há uma série de riscos.
“Por mais que haja perigos que a criança possa encontrar fora de casa, não serão nunca comparáveis aos que ela tem dentro de casa”, afirma. Para ele, a maioria dos atendimentos a crianças em hospitais é causada por acidentes domésticos, o que é confirmado quando se trata de crianças até seis anos. Segundo dados do Ministério da Saúde e de organizações que monitoram a infância no Brasil, a principal causa de mortes na primeira infância acontece por afogamento, sobretudo em piscinas de áreas residenciais. Com menos de um ano, a asfixia lidera as ocorrências letais, principalmente devido a engasgo com objetos pequenos, alimentos rígidos e brinquedos inadequados para a idade.
Para crianças em idades em que começam a se relacionar mais com a cidade, a maior causa histórica de acidentes letais é por acidentes de trânsito, com participação importante de atropelamentos. Não por acaso, o coordenador da Rede de Cidades da Criança no Brasil, Marcelo Peroni, tem redobrado os esforços para convencer prefeituras brasileiras a criarem mais espaços seguros como praças e parques nas cidades como forma de tirar os celulares das mãos das crianças sem depender de apenas de leis, que tendem a perder a efetividade se forem os únicos instrumentos usados pelos adultos, na sua visão.
“Quando a gente simplesmente diz que os celulares são ruins e proibimos, o que nós estamos propondo em troca? Dizer para as crianças ficarem sem celulares, mas trancadas dentro de casa não é uma grande opção nem para elas nem para os adultos. Elas não aceitam”, argumenta. “A moeda de troca legítima são espaços onde elas possam brincar livremente.”
Peroni aponta para um paradoxo tipicamente brasileiro: o isolamento doméstico em nome da proteção. Para ele, ao enclausurar as famílias atrás de muros altos, portões trancados e cercas farpadas, o espaço público fica esvaziado e as ruas se tornam ironicamente mais perigosas. “O movimento de ocupar as praças com crianças e adultos é o que torna as cidades seguras”, explica. “Além disso, a autonomia infantil alivia o estresse parental crônico de agendas superlotadas, gerando bem-estar para toda a família a custo zero.”
Lorena Morachimo, que coordena a rede Cidade das Crianças internacionalmente, destaca ainda que investir em cidades atrativas para crianças em geral reduz o custo público e individual de famílias com tratamentos de saúde mental infantil. “Afastar as telas é uma estratégia de prevenção sanitária urgente”, diz. “Garantir que o celular chegue mais tarde nas suas vidas vai evitar que os jovens estejam exageradamente expostos às doenças de saúde mental que estão rodeando a nossa infância atualmente, como déficit de atenção, problemas de concentração e uso precoce de medicamentos.”
Michelle Schneider também demonstra preocupação com a sobreposição de problemas de saúde mental na infância por cima do desenvolvimento de habilidades socioemocionais que serão importantes na vida adulta. Ela recorre a dados do relatório “Future of Jobs”, do Fórum Econômico Mundial, que elenca o pensamento analítico, a criatividade, a resiliência e a empatia como as habilidades mais valorizadas para os próximos anos. “E nenhuma dessas habilidades nasce de uma tela passiva. Todas elas se desenvolvem em interação, em jogo livre, em conflito social e até mesmo por meio de superação do tédio”, diz. “São habilidades que não se aprendem arrastando o dedo por um feed infinito.”
A especialista pondera que o equipamento digital em si é uma tecnologia neutra que pode construir ou destruir e que o perigo real reside no que chama de “terceirização da parentalidade” para as grandes empresas de tecnologia. “O que me preocupa não é a geração que cresceu com iPad. É a geração que cresceu sendo entretida pelo iPad, sem mediação, sem limite”, conclui Schneider. “Não podemos delegar a criação dos nossos filhos a um algoritmo otimizado para engajamento porque engajamento e desenvolvimento são coisas muito diferentes.”
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Inovação Educacional
June 11, 11:22 AM
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This pioneering study explores students' perceptions of AI-giarism, an emergent form of academic dishonesty involving AI and plagiarism, within the higher education context. A survey, undertaken by 393 undergraduate and postgraduate students from a variety of disciplines, investigated their perceptions of diverse AI-giarism scenarios. The findings portray a complex landscape of understanding, with clear disapproval for direct AI content generation, yet more ambivalent attitudes towards subtler uses of AI. The study introduces a novel instrument, as an initial conceptualization of AI-giarism, offering a significant tool for educators and policy-makers. This scale facilitates understanding and discussions around AI-related academic misconduct, aiding in pedagogical design and assessment in an era of AI integration. Moreover, it challenges traditional definitions of academic misconduct, emphasizing the need to adapt in response to evolving AI technology. Despite limitations, such as the rapidly changing nature of AI and the use of convenience sampling, the study provides pivotal insights for academia, policy-making, and the broader integration of AI technology in education.
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Inovação Educacional
June 11, 11:21 AM
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Develop clarity around the purposes of education. In any location, education must balance several, sometimes competing, purposes such as social mobility, economic development, democratic equity, and nation-building. Until there is sufficient stakeholder consensus on what education is for, it will be difficult to adopt the right EdTech approach and align it with curricular and assessment changes that fit identified education priorities. Without coordinating the parts of an education reform, AI will further fragment the landscape it’s meant to improve.
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Inovação Educacional
June 11, 11:19 AM
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Na visão de Arvind Krishna, a IA gera “ganhos relevantes” de produtividade em áreas como desenvolvimento de software, marketing, vendas, atendimento ao cliente e operações corporativas, mas tende a reduzir funções administrativas
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