Sessenta e cinco por cento das crianças e adolescentes brasileiros que usam a internet já utilizaram inteligência artificial generativa, segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Para que o público infantojuvenil tenha uma referência sobre o uso seguro dessas ferramentas, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) lançam, nesta quinta-feira (15), em comemoração à Semana da Criança, o Guia sobre Usos da Inteligência Artificial na Infância e Adolescência.
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
O Google começou pelo Brasil a impor restrições à instalação em smartphones que rodam Android de aplicativos que venham de fora da Google Play e de lojas parceiras. A blindagem chegará ao restante do mundo em 2027. Gratuito e de código aberto, o sistema operacional do Google se tornou o mais popular do mundo ao ser embarcado por quase todas as fabricantes de celulares. Por outro lado, atrai fãs por dar liberdade para experimentos e modificações de serviços sem passar pelo crivo da big tech. Se conta com a parceria das grandes fabricantes de smartphones, a blindagem ao Android irritou muitos dos aficionados por tecnologia. "Não tem mais motivo para não usar um iPhone" e "Já já vira um iOS, e a liberdade se esvai" são alguns dos comentários nas redes. Não foram só eles a fazer perguntas. Antes de a medida começar a valer, no fim de setembro, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) acionou o Google para entender se desenvolvedores menores seriam prejudicados e por que o Brasil foi escolhido como laboratório mundial de ação tão drástica. As respostas da big tech vieram, e entidades da sociedade civil não ficaram contentes e pediram a suspensão da restrição. Como o movimento do regulador brasileiro ocorre dentro de inquérito aberto em 2024 para investigar se o Google usa seu domínio no Android para minar rivais à Google Play,, o prognóstico para a big tech não é bom: procedimento similar forçou a Apple a abrir o iOS para lojas rivais pela primeira vez na história em 2026.
Publicação da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Governo do Estado do Ceará, Fundação Van Leer e Porticus América Latina, que sistematiza os seis anos de atuação da Coalizão Ceará pela Primeira Infância. O documento reconstrói a trajetória da iniciativa — criada em 2019 para fortalecer a política estadual de primeira infância com foco em famílias em maior vulnerabilidade — e apresenta o portfólio de oito iniciativas desenvolvidas nos eixos de gestão, parentalidade, educação infantil e cidades, entre elas o apoio à gestão do Programa Mais Infância Ceará, os Parâmetros de Qualidade e Equidade da Educação Infantil, o Sistema de Avaliação Permanente da Educação Infantil (Sapi), os programas de parentalidade ACT, Crescer Aprendendo e Família+, o Urban95 e o Primeira Infância Antirracista (PIA). Traz também cinco lições aprendidas sobre governança colaborativa, institucionalização e sustentabilidade de políticas públicas. Baseado em processo de escuta qualificada com os parceiros governamentais e não governamentais envolvidos, o material é voltado a gestores públicos, pesquisadores e organizações interessadas em políticas de primeira infância e modelos de colaboração intersetorial.
Sensor transforma sinais musculares em comandos para movimentar os dedos e o punho de uma prótese; tecnologia começou a ser testada em humanos na Austrália
Pesquisa da NOVA ESCOLA também revelou que faltam orientações claras para adoção da ferramenta pelos docentes e que eles temem perda da capacidade de pensar e escrever dos alunos
Crianças e adolescentes alvos de extorsões digitais têm procurado a polícia para denunciar a situação —muitas vezes antes de contarem aos próprios pais o que aconteceu. Os relatos chegam ao Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital), da Polícia Civil de São Paulo. Segundo a delegada Lisandrea Salvariego Colabuono, vítimas a partir dos dez anos passaram a acionar o serviço por conta própria. Nas chantagens, os agressores usam fotos íntimas e dados pessoais vazados para exigir transferências via Pix ou impor desafios graves, como automutilação, violência contra animais e ameaças a escolas. O Noad passou a divulgar em 4 de outubro seu canal para receber esse tipo de denúncia. Em dez dias, foram 36 casos, sendo que 35 partiram dos próprios jovens e uma dos pais. Antes disso, o núcleo recebia cerca de 5 denúncias por semana. Nos episódios em que a equipe conseguiu contatar as famílias, os responsáveis ainda não sabiam das ameaças relatadas pelos filhos. "Eles se sentem muito mais à vontade para falar com um policial que nunca viram por email do que dentro de casa", afirma Colabuono. Em um dos casos, um adolescente de 13 anos enviou uma denúncia ao núcleo no qual afirmava estar com medo e pedia ajuda sobre o que fazer. Na mensagem, à qual a Folha teve acesso, ele relatou que uma pessoa exigiu dinheiro por Pix para não divulgar suas fotos íntimas e dados pessoais da família. O jovem afirmou ter guardado registros das conversas como prova e buscado o Disque 100 antes de acionar o núcleo. Para Karen Scavacini, psicóloga e fundadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio, a escolha reflete o receio que os adolescentes têm do julgamento dos pais e de punições dentro de casa. "Muitas vezes não é uma questão de confiar mais num desconhecido, mas de ter menos medo da reação dele", diz. Os jovens temem decepcionar os pais, perder o celular ou ser culpabilizados, afirma ela. "A chantagem se alimenta do medo. O agressor faz a vítima acreditar que, se contar, a consequência será pior." A delegada diz que a primeira reação dos pais costuma ser de incredulidade. Os investigadores orientam a família a não julgar e acolher a vítima para que o relato ocorra sem bloqueios. Em outro caso acompanhado pelo núcleo, na capital paulista, o pai descobriu a chantagem ao conferir o celular da filha de 13 anos. Em boletim de ocorrência de junho obtido pela Folha, ele relata ter achado mensagens com instruções para aliciar meninas e conteúdos de automutilação em redes como WhatsApp, Telegram e Discord. Após o pai confrontar um dos suspeitos, passou a receber ameaças de outros dois números. O boletim também aponta suspeita do uso indevido de um sistema da Polícia Científica para consulta de dados usados nas extorsões. O caso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil. Colabuono afirma que a investigação identificou um dos suspeitos, mas a proteção da adolescente exigiu novas intervenções: após os pais retirarem o celular, a equipe identificou que a jovem continuava acessando as redes por um tablet. Scavacini reforça que medidas protetivas devem ser conversadas e construídas com o adolescente. "Simplesmente confiscar o celular pode fazer com que a vítima se sinta duplamente punida", afirma ela. A psicóloga recomenda que os pais ouçam sem interrupções e evitem frases acusatórias, como "por que você mandou essa foto?", que interrompem a confiança e reforçam a culpa. O aliciamento pode começar em qualquer aplicativo ou jogo interativo, como Instagram, TikTok, Roblox, Free Fire e Discord, segundo a polícia. A exposição de dados pessoais é tratada pelos investigadores como um alerta vermelho na avaliação do risco de violência. Em resposta à Folha, as plataformas disseram adotar medidas de segurança e cooperação com as autoridades. A Roblox citou a exigência de checagem de idade para o chat, controles parentais e ferramentas de denúncia. O TikTok afirmou restringir mensagens diretas para menores de 16 anos, receber denúncias pelo app e site, enviar casos de exploração sexual à ONG americana NCMEC (Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas) e reportar ameaças iminentes à polícia. O Discord disse manter equipes contra agentes mal-intencionados e compartilhar dados proativamente com autoridades brasileiras para apoiar prisões. Já o Telegram afirmou que remove conteúdos nocivos diariamente e atende a pedidos de órgãos do país. POLÍCIA DÁ ORIENTAÇÕES ÀS FAMÍLIAS O núcleo da Polícia Civil paulista atende casos de todo o país. Ao identificar um menor de 18 anos, a equipe busca a família, aciona a delegacia da área e orienta a formalização do boletim de ocorrência para dar andamento ao inquérito e identificar o autor. A orientação é cortar contato com o agressor, não cumprir exigências e registrar denúncia também na própria plataforma. Mensagens e identificadores de perfil devem ser guardados. A polícia ressalta que as vítimas ou familiares jamais devem baixar ou compartilhar materiais de violência sexual infantil para encaminhar denúncias. Scavacini recomenda atenção a sinais como alterações no sono, isolamento, ansiedade, medo constante, queda no rendimento escolar e irritabilidade. "Crianças e adolescentes precisam saber que podem pedir ajuda mesmo quando fizeram algo que os pais não aprovam".
O que os dados revelam sobre a forma como estamos vivendo, nos relacionando e cuidando da nossa saúde mental?
O Instituto Cactus, em parceria com a AtlasIntel, apresenta a 5ª edição do Panorama da Saúde Mental, pesquisa que ouviu 4.601 pessoas entre abril e junho de 2026 em todo o Brasil e traz novos dados sobre hábitos, comportamentos e condições de vida associados à saúde mental da população.
Entre os principais achados, a pesquisa revela que 36,5% dos brasileiros se sentiram sozinhos recentemente. O levantamento também apresenta um recorte inédito sobre inteligência artificial e saúde mental: 8,8% já recorreram à tecnologia em busca de companhia ou interação, percentual que chega a 32,1% entre aqueles que relataram solidão frequente.
Para aprofundar essas reflexões, recebemos Alexandre Coimbra Amaral e Daniel Martins de Barros em uma conversa especial sobre solidão, vínculos sociais, inteligência artificial e os desafios contemporâneos da saúde mental.
Além desses temas, o Panorama 2026 apresenta dados sobre preocupações financeiras, sono, autoimagem, relações familiares, apostas, preconceito e saúde mental dos jovens.
A solidão afeta mais de um terço dos brasileiros (36,5%) e é o fator de risco mais associado à pior saúde mental. Já a convivência com amigos aparece como o principal fator de proteção.
Os dados são da pesquisa Panorama da Saúde Mental 2026 e se somam a evidências que levaram a OMS (Organização Mundial da Saúde) a reconhecer a solidão como ameaça global à saúde pública, comparando seus efeitos nocivos aos de fumar até 15 cigarros por dia.
A solidão e o isolamento social elevam o risco de doenças cardíacas, diabetes, declínio cognitivo e morte prematura, além de dobrarem a probabilidade de depressão, segundo a OMS.
O levantamento ouviu 4.601 pessoas de todo o país e foi realizado pelo Instituto Cactus, entidade filantrópica voltada à saúde mental, em parceria com a AtlasIntel. A pesquisa online ocorreu entre abril e junho, com amostra desenhada para representar a população por região, renda e gênero.
Solidão e isolamento social elevam risco de doenças cardíacas, diabetes, declínio cognitivo, entre outros problemas de saúde - rohawk/Adobe Stock Realizado desde 2023, o Panorama tem como principal indicador o ICASM (Índice Contínuo de Avaliação da Saúde Mental), calculado a partir de um questionário geral de saúde. A escala vai de zero a mil pontos: quanto maior for a pontuação, melhores os indicadores. A média nacional foi de 671 pontos em 2026.
Entre os que se sentiram sozinhos três vezes ou mais no período pesquisado, o índice ficou em 383 pontos, ante 782 entre os que não relataram o sentimento. É a maior diferença identificada na série histórica, que investigou a solidão pela primeira vez neste ano.
Segundo Mariana Rae, especialista em saúde mental do Instituto Cactus e mestre em saúde pública pela Universidade Harvard, os dados não permitem afirmar se a solidão causa sofrimento ou é consequência dele. A relação, porém, é provavelmente de mão dupla. "Uma saúde mental inferior tende a levar mais à solidão, e o estado de solidão também afeta a saúde mental", diz.
O sentimento é mais comum entre solteiros (51,7%, ante 26,6% dos casados), pessoas com diagnóstico de transtorno mental (52,5%) e usuários de redes sociais por três horas ou mais ao dia (46,8%, contra 26,1% entre usuários moderados). Entre quem brigou frequentemente com familiares, chega a 84,2%.
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Para Rae, combater a solidão não depende apenas do indivíduo. "A pessoa tem autonomia de fazer ou não, mas tem que ter ofertas e possibilidades para escolher", afirma. Ela cita a falta de espaços comunitários, parques seguros, transporte acessível e lazer gratuito. "Parece que a solidão é algo simples, mas existe muita coisa em torno dela que precisa de planejamento."
Vários países enfrentam a solidão com políticas públicas, legislações específicas e intervenções urbanas e comunitárias. Entre as iniciativas estão a chamada "prescrição social", em que médicos recomendam atividades comunitárias, e linhas telefônicas de apoio.
Para o médico Sandro Batista Rodrigues, diretor de pesquisa da SBMFC (Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade), a solidão precisa entrar na agenda pública e ser abordada nas consultas, por sua associação a problemas físicos e mentais.
"Uma pessoa pode morar sozinha e ter vínculos fortes, outra pode estar cercada de gente e sentir que não tem com quem contar", afirma. Segundo ele, a abordagem já faz parte das consultas de médicos de família, assim como a prescrição social.
Uma pessoa pode morar sozinha e ter vínculos fortes, outra pode estar cercada de gente e sentir que não tem com quem contar
Sandro Batista Rodrigues médico e diretor de pesquisa da SBMFC
Em Florianópolis, por exemplo, médicas e médicos de família estão prescrevendo a volta aos estudos como parte do tratamento a pacientes com objetivo de melhoria da saúde e da qualidade de vida.
"É preciso construir, com a pessoa, uma conexão com as suas atividades, com a comunidade, que faça sentido para ela. Pode ser desde um grupo de caminhada, atividade cultural, horta comunitária, voluntariado. Muito mais do que preencher o tempo, é preciso fortalecer vínculos", diz Rodrigues, pesquisador em saúde da pessoa idosa.
Inteligência artificial
A pesquisa também investigou o uso de inteligência artificial (IA). Embora 86,4% já tenham utilizado alguma ferramenta e 51,9% tenham recorrido a geradores de texto, como ChatGPT e Gemini, apenas 31,3% dizem ter conhecimento médio ou alto sobre o tema.
Na saúde mental, 15% usaram IA em momentos de crise, 9,1% fizeram "terapia por chatbot" e 8,8% recorreram à tecnologia para se sentir menos sozinhos. Entre os que se sentiram sozinhos três vezes ou mais, 32,1% buscaram companhia na IA, ante 1,8% dos que não relataram solidão.
1 5 Escritor de 83 anos relata benefícios da convivência com cachorro no envelhecimento
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Rae alerta para o risco de ferramentas genéricas, que não foram desenvolvidas para o cuidado em saúde mental. "Parece existir uma falsa sensação de que você está se conectando, mas essa conexão é com uma máquina, não com um humano. Isso pode fazer com que a pessoa vá se isolando ainda mais." Para ela, a IA deveria funcionar como "uma ponte para um cuidado humano".
Custo menor, disponibilidade 24 horas e menor sensação de julgamento estão entre os motivos para preferir a IA a um terapeuta. Para Rae, isso expõe os gargalos do SUS e os altos custos do atendimento particular. "Não tem profissional suficiente para todo mundo", diz. Ela defende políticas de prevenção que considerem também renda, sono, trabalho e moradia.
Outras preocupações
A preocupação financeira é a queixa mais frequente, relatada por 78,1% dos entrevistados. Quase um quinto (17,2%) deixou de comer por falta de recursos ao menos uma vez. O ICASM cai de 825 pontos entre quem não se preocupou com dinheiro para 558 entre quem relatou preocupação três vezes ou mais.
O levantamento também investigou as apostas. Os 9,2% que apostaram tiveram índice de 587 pontos, ante 680 dos demais. Entre apostadores frequentes, 77,6% relataram preocupação financeira frequente. "As bets entram muito como um sintoma dessa preocupação, uma forma que é apresentada de ganhar dinheiro rápido", diz Rae. "A gente não consegue destrinchar a saúde mental da questão financeira."
Assédio, relatado por 13,2%, e preconceito, por 10,2%, também estão associados a índices mais baixos. Já o medo da violência urbana, citado por 62,5%, não apresentou associação significativa com o ICASM.
O sono insuficiente e o cansaço também marcam o cotidiano: 70,6% dormiram menos de seis horas ao menos uma vez no período pesquisado, e 68,8% relataram cansaço ou pouca energia.
Entre jovens de 16 a 24 anos, 83,6% relataram pouco interesse ou prazer em fazer as coisas, e 70,5% disseram ter se sentido para baixo ou deprimidos. A autoimagem também pesa: 58,2% se sentiram pouco inteligentes, ante 11,5% dos entrevistados com 60 anos ou mais.
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Carregando... Rae atribui o quadro às pressões da transição para a vida adulta e à comparação nas redes sociais. Os idosos apresentam o melhor índice (806 pontos), enquanto as faixas de 25 a 44 anos registram os piores resultados (591 e 599 pontos).
"Passei uma vida insegura com cabelo, com corpo, preocupada com que os outros achavam de mim. Após os 60, fui fazendo as pazes comigo, fiz novos amigos e me livrei de pessoas tóxicas, o que tem ajudado muito a minha saúde mental nesses tempos malucos", diz a professora aposentada Cristina Diniz, 63.
n the face of rapid technological innovation, the green transition, demographic shifts and evolving patterns of globalization and work, the ability of individuals and societies to keep learning and adapting to new realities is a critical foundation for inclusion and resilience. This report argues that lifelong learning should be elevated as a strategic policy priority – not just as a tool to increase productivity and facilitate sustainable growth, but also as a systemic enabler of personal and societal advancement, equity and decent work in the twenty-first century.
Alpha School, a private network, is spreading into public education. While its students’ test scores are high, some parents and educators say it doesn’t live up to the hype.
Neste momento, toda a rede pública do país tem 137 mil colégios. Ele contou também que o Prêmio Capes Talento Universitário, avaliação aplicada a estudantes no primeiro ano da faculdade, foi extinto depois que um professor de cursinho identificou que a prova era usada para pré-testar questões do Enem e, dias antes da aplicação do exame em 2025, divulgou em live questões quase iguais às que caíram no exame.
Plataforma disponibilizada de forma gratuita pelo Ministério da Educação ganha nova opção de idioma, que inclui módulo com o alfabeto hangul, recursos para praticar a pronúncia e aprender expressões do dia a dia
Demonstramos que as revisões de artigos geradas por IA são agora melhores, em todas as métricas que pudemos construir, do que as revisões escritas por especialistas humanos bem remunerados e consideradas de qualidade excepcionalmente alta por editores e autores de periódicos. Em seguida, discutimos como esse resultado pode influenciar as decisões de políticas dos periódicos, com suas desvantagens preocupantes, bem como possíveis caminhos para aumentar a velocidade e a qualidade das publicações; reduzir interações conflituosas; melhorar a experiência de editores, revisores, autores e leitores; e promover o avanço da ciência.
A Alpha School, uma rede de escolas particulares que está em rápido crescimento nos Estados Unidos, promete usar inteligência artificial para ensinar às crianças o dobro do que aprenderiam em uma sala de aula tradicional, na metade do tempo. As aulas acadêmicas ocupam apenas duas ou três horas da parte da manhã em um computador, liberando as tardes para workshops sobre programação de mensagens, oratória e esportes.
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O governo Trump promoveu a Alpha como um modelo para “aproveitar a IA” na preparação da força de trabalho do futuro. Líderes empresariais estão falando bem da escola nas redes sociais e em podcasts, e alguns até inscreveram seus próprios filhos.
Por enquanto, a Alpha é uma pequena rede com fins lucrativos, que gera muita repercussão e conta com apoiadores influentes, incluindo o bilionário do setor de software Joe Liemandt. Suas escolas particulares atendem cerca de 1.500 alunos em 50 campi.
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Mas a Alpha tem grandes ambições de alcançar 1 bilhão de estudantes em todo o mundo por meio de seu “tutor de IA” proprietário.
Entrada da unidade da Alpha High no centro de Austin, no Texas. Foto: Ilana Panich-Linsman/The New York Times O plano depende, em parte, da expansão para as escolas públicas. A plataforma de software Alpha já foi adotada discretamente por diversos distritos escolares no Texas e na Carolina do Sul, segundo um documento da empresa analisado pelo The New York Times. Cerca de 2.600 alunos da rede pública já utilizam o software.
Para alcançar um público maior, a Alpha precisa provar que sua tecnologia funciona para uma gama mais ampla de crianças, além de sua base principal de clientes, composta por famílias abastadas e entusiastas da tecnologia. No entanto, à medida que a Alpha se promove junto a distritos e estados, um número crescente de educadores, ex-pais e ex-funcionários da Alpha questionam a eficácia do modelo de alta tecnologia e baixo investimento da rede.
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A maioria dos alunos matriculados nas escolas particulares Alpha, que cobram até US$ 75.000 por ano (cerca de 377 mil reais) obtém notas altas em testes em comparação com seus colegas em ambientes escolares mais tradicionais. Alguns pais dizem que seus filhos estão prosperando. Mesmo assim, muitos alunos das escolas particulares Alpha não estão atingindo as metas que são o foco do marketing da empresa.
A rede de escolas particulares dispensa os professores tradicionais em sala de aula em favor de aulas conduzidas por inteligência artificial. Foto: Ilana Panich-Linsman/The New York Times De acordo com dados da Alpha analisados pelo Times, cerca de metade dos alunos do ensino fundamental e médio matriculados nas escolas particulares Alpha no ano passado não cumpriram a promessa de aprender matemática duas vezes mais rápido. Cerca de um quinto dos alunos, de um total de aproximadamente 400, não atingiu a meta em leitura.
Segundo os dados, que abrangem o período do outono de 2025 ao início de 2026, menos da metade dos alunos conseguiu dobrar seu ritmo de aprendizado em ambas as disciplinas.
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Como funciona o método de aprendizagem? Os alunos da Alpha estão participando, essencialmente, de um experimento. Na Alpha, não há professores tradicionais, poucos livros e pouco papel. Todas as aulas são ministradas por meio de aplicativos, e os alunos podem ganhar prêmios generosos ao concluir suas tarefas. Os adultos estão presentes, mas apenas como guias motivacionais: alunos com dificuldades em algum conceito podem fazer videochamadas com tutores no exterior. Algumas crianças com dificuldades abandonam a escola ou são expulsas, de acordo com documentos e relatos de ex-pais e funcionários da escola particular.
Expulsar alunos não é incomum em escolas particulares, mas a educação pública representa um novo desafio para a Alpha. Muitos dos alunos de escolas públicas que atualmente utilizam o software da empresa são considerados academicamente vulneráveis. Suas escolas não podem removê-los. Além disso, as escolas públicas não terão acesso aos mesmos benefícios que a Alpha oferece aos seus alunos de escolas particulares como incentivo para se dedicarem aos estudos.
Esta reportagem baseia-se numa análise de documentos da Alpha e em declarações feitas por seus executivos, juntamente com entrevistas com nove pais e funcionários atuais e antigos da Alpha em todo o país. Alguns pais pediram para permanecer anônimos para proteger a privacidade de seus filhos. Os funcionários solicitaram anonimato porque não queriam colocar em risco sua capacidade de trabalhar na área.
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Avaliando o desempenho Os documentos obtidos pelo Times mostram pela primeira vez como o desempenho dos alunos da Alpha — com base em seus dados e métricas internas — corresponde às promessas da Alpha às famílias, e a extensão total do alcance da rede na educação pública.
Uma porta-voz da Alpha School, Anna Davlantes, afirmou que a empresa não responderia a perguntas por escrito nem a pedidos de entrevistas formais. Esta semana, um consultor que trabalha com a Alpha compartilhou uma postagem em um blog dizendo que a rede estava desenvolvendo um novo software e incorporando livros ao currículo.
Uma área de convivência no prédio da Alpha School em Austin, no Texas. Foto: Desiree Rios/The New York Times A Alpha está surfando na onda do fascínio — e da ansiedade — sobre como a inteligência artificial pode transformar o aprendizado. Mas seu método de ensino baseado em aplicativos vai contra a corrente de um movimento crescente de pais que exigem menos telas nas salas de aula. Pesquisas apontam para a instrução direta por adultos, livros e materiais táteis como essenciais para um aprendizado eficaz.
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No Distrito Escolar Independente de Houston, onde duas escolas públicas estão testando o modelo, o superintendente, Mike Miles, disse que, nas primeiras semanas, os alunos passaram mais tempo do que o esperado nos aplicativos Alpha, consumindo o tempo que deveria ser dedicado a atividades de enriquecimento no período da tarde.
Ainda assim, Miles rejeitou a ideia de banir completamente a IA ou as telas das escolas. “Estamos muito atrasados em relação ao que as crianças precisam saber e ser capazes de fazer para terem sucesso em um mundo e mercado de trabalho diferentes”, disse ele.
Mas, acrescentou ele, “tenho um pouco de receio em relação às crianças que têm dificuldades.”
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Uma promessa de ‘arrasar nos estudos’ em duas horas MacKenzie Price, uma das fundadoras da Alpha, disse que se inspirou para criar a rede em Austin, Texas, em 2014, depois que sua própria filha reclamou de estar entediada na escola. O programa se reunia em uma residência particular, com um pequeno grupo de alunos usando aplicativos de aprendizagem convencionais.
Mas por volta de 2022, quando a inteligência artificial generativa ganhou destaque, a Alpha mudou seu foco. Foi então que Liemandt, cujos filhos frequentaram a Alpha, começou a investir pesadamente na escola e em sua tecnologia, com o objetivo de transformar a educação “para todos no mundo”.
Liemandt agora detém o título de diretor da Alpha School e atua como o CEO de fato da rede.
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MacKenzie Price, fundadora da Alpha Schools. Foto: Desiree Rios/The New York Times Enquanto isso, MacKenzie Price tornou-se uma influenciadora nos setores de tecnologia e educação ao falar sobre como as escolas tradicionais “estavam fazendo tudo errado”. Suas ideias atraíram apoiadores como a Secretária de Educação Linda McMahon e o gestor de fundos de investimento Bill Ackman.
Até mesmo Elizabeth Holmes, a fundadora da Theranos que está presa, elogiou a rede, chamando Price de “um visionário”.
A visão é que os alunos “amem a escola” e “arrasem nos estudos”, aprendendo “duas vezes em duas horas” online.
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O produto central do modelo é o TimeBack, a plataforma de software da Alpha. Mais de 7.000 alunos utilizam o TimeBack, segundo um documento da Alpha. Além dos alunos de escolas particulares da Alpha e de milhares de alunos de escolas públicas, a plataforma oferece conteúdo acadêmico para alunos em ensino domiciliar, para alunos na Polônia e no Malawi, e para alunos cujas mensalidades são pagas pelo estado do Texas por meio de seu novo programa de vouchers.
Na plataforma TimeBack, os alunos são direcionados para aulas de disciplinas básicas, incluindo inglês, matemática e ciências. A Alpha comercializa o aplicativo como um “tutor de IA” inovador. Mas ele não contém um chatbot.
A inteligência artificial parece funcionar principalmente nos bastidores, analisando o progresso dos alunos em diversos aplicativos de aprendizagem, alguns proprietários e outros populares em escolas tradicionais, de acordo com uma análise do software feita pelo The Times e entrevistas com pais.
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Os aplicativos contêm textos para leitura, perguntas de compreensão e problemas de matemática, adequados ao nível do aluno.
Escolas públicas de todo o mundo utilizam aplicativos de aprendizagem há muito tempo, geralmente para prática. Mas no modelo Alpha, os aplicativos são o sistema de distribuição de novos materiais.
As escolas particulares Alpha empregam “guias” de sala de aula, cuja função é motivar os alunos, não ministrar aulas, de acordo com anúncios de emprego e relatos de funcionários atuais e antigos. Alunos com dificuldades em algum conceito complexo dos aplicativos — o que os líderes da Alpha chamam de “ciclo vicioso” — podem agendar horários com tutores. No entanto, como a rede está se expandindo rapidamente, às vezes eles precisam esperar vários dias para receber ajuda, segundo pessoas ligadas à Alpha.
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Os alunos leem alguns documentos literários e fontes primárias no aplicativo, mas a IA também gera artigos para os alunos lerem e exercícios de escrita adaptados aos interesses das crianças — ginástica, Harry Potter — e oferece feedback sobre a prosa dos alunos.
Assim como muitos outros aplicativos de aprendizagem, o TimeBack transforma o aprendizado em uma brincadeira. Ele concede pontos, conhecidos como XP, quando as crianças completam determinadas metas e classifica os alunos por nome em um ranking digital. Os pais podem acompanhar o progresso dos filhos em um painel online.
Mas a experiência Alpha, pelo menos em seus campi privados, não se limita ao software.
A Alpha apresenta sua tecnologia como uma ferramenta para economizar tempo, e os alunos devem usar suas tardes para desenvolver “habilidades para a vida”. Nos campi privados, isso pode significar aulas de stand-up comedy ou criação de pequenos negócios, experiências personalizadas que não estão disponíveis para outros usuários do TimeBack.
A Alpha também possui um sistema de incentivos exclusivo. Nas escolas particulares, os alunos que concluem suas sessões no aplicativo podem sentar-se perto dos amigos ou ganhar bichos de pelúcia e eletrônicos. Para objetivos de longo prazo, há recompensas maiores, como viagens de estudo pelo país. Os alunos também podem ganhar dinheiro — até US$ 1.000 para notas altas nos testes, de acordo com um documento da Alpha.
Sarah Cone, cuja filha de 8 anos está no segundo ano na unidade da Alpha no sul de Manhattan, disse que sua filha dominou dois anos de conteúdo acadêmico em cerca de um ano.
Sarah, fundadora de uma empresa de capital de risco, transferiu sua filha de uma escola particular tradicional de elite para a Alpha. Ela elogiou a forma como o programa incentivou sua filha a seguir seus interesses: participar de um clube do livro e trabalhar com colegas para criar um negócio de confeitaria. Oficinas de percussão africana e construção de robôs foram pontos altos da escola. Ela acrescentou que a escola tem uma biblioteca.
Diferentemente de outros campi da Alpha, os alunos de Manhattan estão registrados na prefeitura como alunos em regime de ensino domiciliar, porque o Departamento de Educação do estado se recusou a incorporar a Alpha como uma escola particular. Pelo menos outros seis estados rejeitaram as solicitações da Alpha para abrir escolas públicas charter, frequentemente levantando questionamentos sobre a falta de professores tradicionais.
Sarah Cone disse que não se incomodava. “Ela está extremamente feliz na Alpha e aprendendo muito”, disse ela sobre a filha.
Edward Nevraumont mudou-se para Austin para que seus quatro filhos pudessem frequentar uma escola particular de elite. Ele gosta de poder acompanhar online o desempenho dos filhos e de ter a oportunidade de avançar além do nível escolar esperado. Sua filha, Everest, foi convidada de Melania Trump para o discurso do Estado da União.
Nevraumont disse que o currículo poderia ser superficial, mas elogiou a Alpha por ser receptiva ao feedback dos pais. A maior lacuna, acrescentou, é a falta de profundidade nas humanidades: “Coisas como literatura, história, geografia, artes plásticas e música.”
Realização versus crescimento A maioria dos alunos das escolas particulares Alpha apresenta alto desempenho. O aluno mediano do jardim de infância ao 8º ano obteve uma pontuação no 87º percentil nacional em matemática no último inverno, em uma avaliação amplamente utilizada, o MAP, e no 89º percentil em leitura.
O compromisso acadêmico da Alpha com os pais, no entanto, baseia-se no crescimento.
Entre o outono e o inverno passados, a maioria dos alunos — 75% — avançou pelo menos tão rápido quanto o projetado pelas médias nacionais. Mas apenas 42% progrediram duas vezes mais rápido tanto em matemática quanto em leitura, atingindo o padrão de crescimento “2x” apresentado no marketing da empresa.
A Alpha teve particular dificuldade em atingir essa meta para seus alunos com baixo desempenho em matemática. Cerca de um quinto dos alunos de escolas particulares da Alpha obtiveram pontuação igual ou inferior ao 50º percentil nacional em matemática no último outono, e apenas 37% desse grupo atingiu o crescimento de 2x prometido pela rede até o inverno.
A Alpha destaca as médias de toda a rede, em vez dos resultados individuais dos alunos. Karen Vaites, consultora curricular que trabalha com a Alpha, escreveu em uma postagem de blog na quinta-feira, 22, que os resultados anteriores da rede “são baseados em um conjunto de produtos que não são nem metade tão bons quanto o que estamos criando agora”.
Educadores — além de pais e ex-funcionários da Alpha School — questiona a eficácia da abordagem escolar. Foto: Desiree Rios/The New York Times Especialistas alertam que alunos de escolas públicas que utilizam o modelo da Alpha podem não ter o mesmo desempenho que alunos de escolas particulares de alto poder aquisitivo. O ambiente familiar influencia fortemente os resultados da aprendizagem, e os alunos de escolas públicas não terão acesso ao mesmo sistema de recompensas que a Alpha utiliza para motivar o desempenho.
David Slifka disse que esses incentivos funcionaram para seus gêmeos de 14 anos, que estão prosperando na Alpha, em Nova York, depois de terem dificuldades para se concentrar em salas de aula tradicionais.
“É muito difícil saber como a educação deveria ser com o avanço da IA”, disse Slifka. “Não sei se alguém já descobriu a resposta, incluindo a Alpha. Mas pelo menos eles estão se esforçando para tentar.”
Crescentes preocupações Algumas famílias da Alpha saíram voluntariamente, enquanto outras foram forçadas a sair depois que seus filhos apresentaram dificuldades sociais ou não atingiram determinadas metas de crescimento acadêmico, de acordo com documentos e vários ex-pais e funcionários.
De acordo com a Wired, pais de alunos do campus Alpha em Brownsville, Texas, também relataram altas taxas de rotatividade estudantil.
Um ex-funcionário que passou um tempo em vários campi disse que a equipe da Alpha discutiu como equilibrar o esforço para aumentar as matrículas e, ao mesmo tempo, aconselhar e encaminhar para fora os alunos com dificuldades.
A Alpha não divulga dados sobre evasão estudantil, mas Tasha Arnold, uma funcionária da Alpha, disse ao Comitê Escolar de Boston em abril que a rede teve uma taxa de rotatividade de 6%.
Em um vídeo explicando o modelo de aprendizagem da Alpha, Price, a fundadora da rede, enfatizou que ele funciona para a maioria dos alunos, mas não para todos.
“Acreditamos que a tecnologia educacional representa apenas 10% da solução, enquanto os outros 90% são alunos motivados”, disse ela. “É um processo complexo. Dizemos aos pais que esperem resultados, não perfeição.”
A escassez de livros físicos, papel e lápis chamou a atenção de Savannah Ngo, uma especialista em leitura que visitou um dos campi da Alpha na Califórnia na primavera passada, quando estava se candidatando a uma vaga na rede — parte de uma nova iniciativa da Alpha para contratar educadores com experiência em alfabetização infantil. “Foi perturbador”, disse ela sobre a experiência.
Durante sua visita, Savannah viu que os alunos haviam recebido volumes encadernados com histórias que eles mesmos escreveram. Uma criança contou a Savannah que havia solicitado a um chatbot de IA que escrevesse o texto. Os chatbots podem ser usados em oficinas à tarde, embora não façam parte do currículo matutino baseado em aplicativos.
Savannah recebeu a oferta de emprego, mas recusou, apesar de sentir que muitos dos funcionários que conheceu eram acolhedores e comprometidos.
Laura Tortorelli é pesquisadora de leitura na Universidade Estadual de Michigan e está desenvolvendo um aplicativo de leitura com inteligência artificial. Ela afirmou que, embora a tecnologia possa proporcionar prática personalizada, não pode substituir o ensino humano.
Ela observou que pesquisas mostram que os alunos compreendem melhor o que leem em formato impresso do que em telas.
“Eu adoro tecnologia educacional”, disse ela. “Estou interessada no seu potencial para ajudar os professores a desempenharem melhor suas funções. Não para substituí-los.”
Uma ex-funcionária da Alpha disse que os monitores de sala de aula eram enérgicos, mas frequentemente careciam de formação educacional formal. A funcionária viu alunos de apenas 5 anos sentados sozinhos, com dificuldades em tarefas como formar letras. Às vezes, as crianças eram orientadas a assistir a vídeos do YouTube em busca de ajuda.
A cultura estudantil na Alpha também está sob nova análise Wayne Vaughan, um ex-pai de aluno da Alpha, escreveu nas redes sociais que seu filho frequentou a principal escola primária da Alpha em Austin por cinco anos, onde outros pais relataram “autocrítica negativa” entre seus filhos devido à pressão criada pela comparação com os colegas pelo nome.
Recentemente, alunos de escolas particulares do ensino médio de diversos campi da Alpha participaram de um “acampamento intensivo” de oito semanas para calouros, com o objetivo de desenvolver características como resiliência e espírito empreendedor. Entre outras tarefas, eles foram solicitados a limpar banheiros públicos ou realizar outros “trabalhos sujos”.
Alguns alunos foram conectados a monitores de frequência cardíaca enquanto assistiam a vídeos de seus pais os criticando, na frente de seus colegas.
“Não acreditamos que a existência de desconforto signifique que o exercício falhou”, diz um artigo no site da Alpha sobre o treinamento intensivo. “Na verdade, em muitos aspectos, isso ilustra por que essa habilidade precisa ser ensinada.”
Alguns alunos do treinamento intensivo compartilharam a experiência com entusiasmo, embora pelo menos um tenha expressado apreensão.
A existência do campo de treinamento intensivo foi revelada por Benjamin Riley, um especialista de longa data em políticas educacionais que se tornou um crítico ferrenho da inteligência artificial nas escolas.
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Expansão para escolas públicas Os filhos de executivos das áreas de tecnologia e finanças não são os únicos que estão aprendendo com a Alpha.
A rede também inclui a Unbound Academy, uma escola pública virtual do tipo charter no Arizona. De acordo com dados do programa, a escola apresentou resultados acadêmicos decepcionantes.
Os líderes da Alpha estão comercializando o TimeBack sob a marca Student para escolas públicas tradicionais, prometendo que os distritos pagarão apenas pelos alunos que atingirem as metas de aprendizagem. Um documento da Alpha mostra que quase 2.000 alunos na Carolina do Sul estão usando o software, nos distritos escolares do Condado de Jasper e do Condado de Allendale. Os responsáveis por esses distritos não responderam às perguntas.
Em Fort Davis, um distrito rural do Texas, e no Distrito Escolar Independente de Aldine, em Houston, grupos de alunos usam o TimeBack para complementar o ensino tradicional por menos de duas horas por dia, segundo funcionários do distrito. Os distritos escolares do Texas que usam o TimeBack afirmaram que não estão pagando por ele.
Um porta-voz das escolas de Aldine disse que os alunos bem-sucedidos poderiam escolher prêmios em um catálogo, que variava de pequenos brinquedos a uma bicicleta.
Michelle Hartmann, diretora de inovação em Fort Davis, escreveu em um e-mail: “É um momento empolgante para a educação no Texas, quando o que antes era um ‘Não’ categórico se transforma em um ‘Sim, com certeza!’”
Autoridades da área da educação do estado do Texas facilitaram as discussões entre os distritos escolares e a Alpha, de acordo com o The Texas Tribune e a ProPublica.
As escolas públicas que utilizam o TimeBack são predominantemente negras, hispânicas e de baixa renda.
No Distrito Escolar Independente de Houston, cerca de 100 crianças foram selecionadas para participar do projeto piloto TimeBack em matemática e leitura, por apresentarem desempenho acima do 60º percentil. O programa tinha como objetivo liberar tempo no período da tarde para excursões e outras atividades práticas de aprendizagem.
Mas, de acordo com Miles, o superintendente de Houston, nas primeiras cinco semanas, muitos alunos passaram as tardes tentando recuperar o conteúdo perdido.
Nas escolas particulares da Alpha, alguns alunos também passam bem mais de duas horas por dia no TimeBack, e algumas famílias contratam tutores, de acordo com pais e funcionários.
Miles afirmou que as famílias poderiam sair do programa e que o distrito retiraria as crianças que não apresentassem progresso suficiente.
Daniel Willingham, psicólogo cognitivo da Universidade da Virgínia, afirmou ter sérias preocupações com os métodos da Alpha. Comprimir o conteúdo acadêmico em duas horas por dia sugere uma falta de amplitude e profundidade, disse ele.
“Eles acham que a maneira de endurecer as crianças é fazê-las limpar um banheiro, e a maneira de fazê-las aprender é fazê-las concluir a tarefa o mais rápido possível”, disse Willingham, acrescentando: “Essas são teorias psicológicas ingênuas”.
Faixa etária, que inclui o final da primeira infância, teve em 2025 o menor número absoluto já registrado, mas sua participação no total de crianças e adolescentes em trabalho infantil ainda é maior que em 2016
Quando você ler esta coluna, a eleição terá passado. A eleição foi um surto. A política sempre foi um lugar da psicopatia coletiva. Se os Bolsonaros carregam uma tradição de desprezo pelo caráter constitucional da democracia, os lulistas revelaram sua natureza autoritária óbvia: "Vote em Lula, vida ou morte!". O exército de Lula foi uma milícia. Uma forma de assédio moral. Tendo vencido Flávio ou Lula, a única diferença é o tipo de degradação do país. Essa degradação se dá pela miséria moral dos nossos líderes, materializada na delinquência da cultura política e no descuido com a sociedade. Se Flávio tiver vencido, haverá uma mudança de guarda nas gangues de Brasília. Se o Lula for para o quarto mandato, o PT aprofundará ainda mais seus tentáculos no poder corrompido do país. Diante de um candidato com ares de perdido, obrigado a viver num mundo de adultos, permeado por escândalos, com histórico de vínculo com a milícia carioca e cercado por uma turba de furiosos nada inteligentes, ou, por outro lado, de um candidato e seu partido-gangue, que tem mantido o país sob sua tutela corrompida há quase 20 anos, as lágrimas deveriam ser a resposta mais justa para o funeral do Brasil que está diante de nossos olhos. Falar em reeleger Lula depois de tantos anos é recusar ver como qualquer candidato ou partido no poder, por tanto tempo, terá necessariamente aparelhado a máquina do Estado quase ao ponto de não retorno. Num país corrupto como o Brasil, reeleição é incentivo à corrupção. O estrago que o PT terá feito, em mais quatro anos de poder federal, será gigantesco. Lula enlouqueceu para se manter no poder, não apenas vendendo sua alma ao Diabo, mas entregando a alma do país ao anjo caído. Mas seu surto de que uma vitória de Flávio levaria o Brasil de volta a 1964 ganhou o Oscar de ridículo. Por outro lado, imaginar que a vitória de Flávio tiraria o país das malhas da corrupção sistêmica é humilhante e sinal de inteligência mínima. Se os Bolsonaros flertaram com a intentona cafona de um golpe militar em 2022 e 2023, o PT pretende destruir a democracia através de seus equipamentos culturais e educacionais dispersos pela malha social, além da própria máquina colonizada do Estado. Qualquer voz contrária ao PT correrá o risco de perder seu espaço a cada minuto. O projeto autoritário do PT é muito mais sofisticado do que o dos Bolsonaros. Apontando o risco real de o mais corrupto dos Bolsonaros vir a ganhar as eleições, carregando consigo sua tradição de desprezo pela constitucionalidade do regime democrático, os petistas de todos os matizes da sociedade fingiram não perceber que o PT é um partido em busca da eternidade. Essas eleições indicam duas questões importantes para a esquerda e para a direita. Para a esquerda, que a era Lula acabou, e não o Brasil, como ele disse no debate da Band. Para a direita, está posto o desafio: se ela conseguirá ou não superar o trauma paralisante do bolsonarismo como o ocaso da sua racionalidade. Independente de quem terá vencido essas eleições, o Judiciário continuará perdido. Ministros do Supremo Tribunal Federal continuarão a trabalhar por seus políticos de estimação. Magistrados continuarão a destruir vidas, patrimônios e carreiras, ao sabor do seu gosto ideológico ou dos seus interesses pecuniários. Porque quando uma democracia perde a imparcialidade do Judiciário, ela já perdeu tudo. Só iludidos não sabem disso. A ideia de que Lula salvaria a democracia em 2022 do outro desvairado Bolsonaro, o pai, revelou-se uma farsa. O que o Lula, e o PT, queriam mesmo era avançar na sua formação de uma gangue federal plena. Se ele tiver levado essa eleição para casa, o PT continuará na sua marcha para a barbárie, sob as palmas dos intelectuais e jornalistas vendidos. Muitas são as formas de escolher a estupidez como modo de vida. As eleições têm se tornado um dos momentos em que revelamos nossa vocação para a estupidez de forma mais clara. E a democracia liberal, tal como a conhecemos, poderá ser vítima, justamente, do seu modo de estabelecer sua soberania, via competição por votos, como dizia o economista austríaco Joseph Schumpeter. Nada indica que haverá melhora significativa no procedimento dos candidatos e eleitores nas próximas eleições. Existem indícios sutis de que uma sociedade se perdeu. Um deles é a falta de educação doméstica. O Brasil, e seus poderosos da República, perderam a vergonha na cara e passaram a comer de boca aberta. O país optou pela lama e pela barbárie.
A baixa taxa de crescimento da produtividade do trabalho tem dois determinantes próximos.
Primeiro, a baixa qualidade da escola pública de ensino fundamental. Metade das diferenças de produtividade do trabalho entre as economias de elevada produtividade e as economias de baixa produtividade é explicada por habilidades cognitivas e socioemocionais embutidas nas pessoas. Ambas são adquiridas nos bancos escolares.
Segundo, o marco legal e institucional que incentiva a correta alocação do capital e do trabalho. Sabemos hoje que a correta alocação dos fatores de produção não está associada a este ou aquele setor. Mas sim a esta ou aquela empresa. Há grande variabilidade de produtividade entre empresas de um mesmo setor. As boas instituições —principalmente as legislações tributária e trabalhista, a regulação em geral e o bom funcionamento do judiciário— garantem que as empresas de menor produtividade deixem de operar e que o capital e o trabalho fluam para as empresas de maior produtividade.
Além do ciclo de vida das empresas, o setor formal bem regulado gera um ciclo de vida do trabalho. Nos países ricos, a produtividade do trabalhador empregado cresce ao longo da vida produtiva, pois seu conhecimento e experiência se elevam. Esse processo é muito pior se houver má alocação generalizada dos fatores de produção, como é o caso dos países atolados na armadilha da renda média.
Nossa escola pública tem falhado. Como tratei em coluna recente, para 90% dos alunos o maior problema das escolas públicas é a indisciplina dos próprios alunos.
Na área tributária, os regimes especiais que subsidiam pequenas e ineficientes empresas —MEI, Simples e lucro presumido— só têm se elevado.
Dada a mediocridade geral de nossa economia, a aposta de cada é buscar o empreendedorismo individual, que tem baixa produtividade. A demanda é esta, e a resposta da política aumenta o espaço para os regimes tributários especiais que subsidiam o ineficiente. O problema se agrava.
Pelo tom da atual campanha eleitoral, não há melhora até onde a vista alcança.
Sistema conhece o eleitor pelo comportamento que registra, mas o eleitor não conhece os critérios do sistema Lacunas de regulamentação, fiscalização e informação agravam essa opacidade, que prejudicam criador e receptor As suspeitas de interferência da Meta marcaram estas eleições. Usuários relataram perda de alcance e contas restritas, e a campanha de um dos candidatos à Presidência teve a conta de anúncios desativada. Funcionários da própria empresa reconheceram, em mensagens internas, a restrição de contas de um lado e a recomendação do perfil do outro. A empresa nega interferência política e atribui os incidentes a problemas técnicos. O TSE obriga as plataformas a excluir dos sistemas de recomendação os canais e perfis das campanhas, salvo o impulsionamento pago. Há indícios de que a regra foi descumprida, o que ainda se apura, mas interessa aqui o que ela deixa de fora: as contas de apoiadores e eleitores, que continuam a ser recomendadas. É sobre elas que operam duas intervenções opostas: a redução do alcance sem aviso e o tratamento privilegiado. Essas intervenções pesam porque as redes sociais já rivalizam com os jornais e a televisão como fonte de informação preferida do brasileiro. Nelas, o acesso à informação depende de um critério de seleção, que cruza características do conteúdo com o comportamento de cada usuário para prever o que tende a interessá-lo e definir a ordem de exibição. Quem interage frequentemente com conteúdos de um campo político tende a ver mais deles, e cada interação estreita um pouco mais o que lhe é exibido. Mas nem toda variação de alcance decorre dessas interações. Na redução sem aviso, a plataforma limita a circulação; no tratamento privilegiado, favorece certas publicações ou contas à margem da aplicação isonômica de suas próprias regras. A Meta diz rebaixar conteúdos que considera problemáticos ou de baixa qualidade e, em momentos críticos, reduzir ainda mais a visibilidade daqueles que se aproximam dos limites de suas políticas, ainda que não as violem. Só a plataforma sabe, no entanto, como esses mecanismos são aplicados. O sistema conhece o eleitor pelo comportamento que registra; o eleitor não conhece os critérios do sistema. A redução sem aviso é opaca nas duas pontas: quem publica pode notar a queda de audiência, mas não sabe se ela decorre de desinteresse ou de restrição da plataforma; quem a receberia pode não perceber sua ausência. O tratamento privilegiado é igualmente invisível, e o favorecido não tem do que reclamar. Lacunas de regulamentação, fiscalização e informação agravam essa opacidade. Os dados que permitiriam ao eleitor e a quem fiscaliza verificar se as regras valem para todos seguem, em grande parte, com as plataformas. O problema, porém, não se esgota por aí. Ao decidir o que cada um vê, a plataforma faz uma escolha sobre o próprio debate político, que atinge todos os envolvidos. E quem a faz são empresas estrangeiras que ninguém elegeu, que não prestam contas ao eleitor brasileiro e decidem por critérios e interesses, inclusive comerciais, que só elas conhecem. O pluralismo não se resume ao direito de publicar opiniões diferentes; depende das condições em que elas circulam e chegam às pessoas. A liberdade de expressão protege quem fala, mas também o direito de todos de conhecer o que os outros dizem. Quando um poder invisível controla essa circulação, a sociedade já não sabe se o debate a que assiste reflete o que as pessoas pensam ou o que uma empresa decidiu mostrar. Se o poder de definir o que os cidadãos sabem antes de votar pode ser exercido sem aviso, sem justificativa e sem controle, não é preciso abolir a democracia para atentar contra ela: basta que a informação deixe de circular livremente e seja represada ou impulsionada, às escondidas, por critérios que ninguém conhece.
Você criou o conceito de classes aspiracionais. O que elas são?
Um produto dos países emergentes do século XXI. Não é um fenômeno brasileiro, mas aqui estão muito marcadas pelas políticas dos governos Lula. Nesses períodos, tiveram a sua capacidade de sonhar e de ver uma possibilidade de ascensão social ampliadas. Tiveram acesso ampliado ao consumo e à política de redistribuição de renda, mas se mantiveram na precaridade. Isso gera uma bomba política. Esses eleitores querem mais, querem crescer, mas esbarram numa realidade difícil.
Como o ressentimento e a raiva impactam as opiniões políticas desse grupo?
Nas classes aspiracionais, a frustração vem como um processo de perceber o Estado como algo que mais atrapalha que ajuda. Elas começam a perder a memória das políticas sociais e dos direitos adquiridos pelo governo. A frustração vem de uma sensação do presente, de ver o seu poder de compra diminuído, e elas associam isso ao atual governo. Forma-se a percepção de que Estado, governo e democracia são sinônimos de algo ruim, disfuncional, e que a batalha diária do sujeito é só por ele e sua família.
A inteligência artificial (IA) está sendo cada vez mais utilizada para obter conhecimento e compreensão. Por exemplo, ela é empregada para detectar objetos em imagens, fazer previsões, examinar conjecturas matemáticas e inferir relações causais. De fato, nos últimos anos, muitas pessoas se acostumaram a consultar chatbots baseados em grandes modelos de linguagem quando têm uma dúvida. No entanto, será que os humanos realmente têm justificativa para basear suas crenças nos resultados da IA? Podem afirmar que sabem coisas com base na IA? Se sim, qual é a justificativa? Que tipo de conhecimento a IA produz? Como os procedimentos inerentes à IA se comparam aos padrões bem conhecidos de inferência científica? E como a IA pode contribuir para uma melhor compreensão dos sistemas do mundo real? Responder a essas perguntas continua sendo um desafio, pois a IA é uma tecnologia nova que os humanos ainda lutam para compreender completamente. Muitos sistemas de IA são considerados "caixas-pretas" ou opacos, como costuma-se dizer.
As conquistas impressionantes da IA em tarefas relacionadas ao conhecimento, juntamente com sua opacidade, motivam uma epistemologia da IA — um estudo sobre o quanto a IA pode realmente contribuir para a aquisição de conhecimento e compreensão. A epistemologia da IA a trata tanto como um objeto de conhecimento quanto como uma ferramenta que amplia as capacidades dos agentes epistêmicos, caso não se torne um agente epistêmico por si só. Como um ramo da epistemologia, a epistemologia da IA se assemelha à epistemologia social em seu afastamento do foco no ser humano individual sem auxílio. No entanto, a epistemologia da IA ainda não se consolidou como um campo filosófico estabelecido. Mesmo assim, desde o advento da IA, autores da epistemologia, da filosofia da ciência e da filosofia da mente têm abordado questões epistemológicas relativas à IA. O que hoje é chamado de “filosofia da IA” também toca em questões epistemológicas sobre a IA, mas tradicionalmente tem se concentrado mais em saber se as aplicações de IA possuem estados ou propriedades mentais. Este artigo examina e sistematiza os trabalhos epistemológicos existentes sobre IA, abrangendo IA simbólica e conexionista, e comparando aprendizado de máquina com IA pré-programada.
A adolescência nunca foi uma fase simples. Mas especialistas, pais e os próprios jovens concordam que crescer em um mundo conectado o tempo todo tornou esse período ainda mais complexo. O celular passou a ocupar um espaço central na rotina dos adolescentes e mudou a forma como eles se relacionam com amigos, familiares e consigo mesmos.
"O mundo mudou hoje em dia. Eu diria que é muito mais difícil ser adolescente do que há 50 anos", afirma uma especialista ouvida pela série Essa Tal de Adolescência. Segundo ela, a pandemia teve um papel importante nesse processo ao interromper experiências sociais fundamentais justamente no momento em que muitos jovens estavam entrando nessa fase da vida.
Em Recife, um projeto social que atende adolescentes há 25 anos tenta oferecer um contraponto à hiperconexão. Ali, os celulares ficam desligados durante as atividades. A proposta é simples: desacelerar e incentivar encontros presenciais.
"Quando eu cheguei eu estava tímido, agora não estou mais tímido", conta Jemerson, de 12 anos, participante do projeto. "Eu sinto um vínculo."
O excesso no uso de telas em sala de aula, a diminuição da leitura por prazer e mudanças nas políticas de alfabetização podem estar por trás dos piores resultados dos países ricos na história do Pisa, de acordo com Catherine Snow, professora da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
"Ainda não é possível concluir se tablets e computadores desviam o foco da educação, ou se os programas educativos que usam esses dispositivos têm sido menos eficientes do que se esperava", afirma.
Os resultados do teste divulgados no início de setembro mostram uma queda entre os países membros da OCDE em leitura, ciência e matemática. Brasil permaneceu estagnado em relação à edição anterior.
Catherine Snow, professora de cognição e educação na Universidade Harvard e especialista no desenvolvimento da linguagem e da escrita em crianças - Divulgação Harvard Graduate School of Education A pesquisadora também comenta como disputas sobre a melhor forma de alfabetizar levaram a uma crise nos EUA —em 83% dos distritos, os estudantes performam pior em leitura do que há dez anos, de acordo com avaliação nacional— e comenta os riscos de políticas semelhantes que têm se espalhado pelo Brasil.
"Há uma multiplicação de avaliações que medem quão rápido as crianças leem palavras. Um foco excessivo na velocidade pode atrapalhar a compreensão e afastar os estudantes da leitura", afirma.
No Brasil, avaliações desse tipo são feitas em 25 das 27 unidades da federação, de acordo com o MEC (Ministério da Educação). No âmbito do programa Criança Alfabetizada, 27,5% dos estudantes brasileiros de 2º ano são avaliados.
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Países ricos têm pior desempenho da história no Pisa, e Brasil segue estagnado Diferença de nota em ciências entre ricos e pobres chega a 96 pontos no Brasil, mostra Pisa Quase metade dos alunos usa IA nas tarefas no Brasil, mas capacidade digital é baixa, mostra Pisa O MEC também disponibiliza avaliações de leitura e escrita, realizadas por 48,8% e 39,7% dos alunos dessa faixa etária, respectivamente. Além das avaliações sugeridas pelo ministério, que são opcionais, estados e municípios também têm autonomia para realizar outros testes em suas redes.
Snow esteve em São Paulo em setembro para participar de encontro da rede ProLEER, que reúne educadores e especialistas da América Latina, dos EUA e dos Países Baixos, fundada por ela, e do Jeduca (Congresso Internacional de Jornalistas de Educação).
O resultado, segundo o próprio Nationalbank: até setembro de 2025, o emprego nas empresas adotantes estava cerca de 11% abaixo da trajetória que se esperaria caso elas tivessem seguido o padrão das empresas comparáveis não adotantes, mas isso não descreve uma queda absoluta de pessoal, e sim um afastamento em relação a uma trajetória contrafactual, e boa parte dele vem de um mecanismo específico: as empresas não aumentaram desligamentos na mesma proporção, mas passaram a contratar menos, principalmente entre trabalhadores jovens e mais escolarizados, de forma mais acentuada em empresas menores e em ocupações mais expostas à IA.
O suposto estímulo à ociosidade é um dos exemplos mais persistentes. Uma revisão de estudos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) concluiu que, salvo grupos específicos, os efeitos das transferências de renda sobre a oferta de trabalho são inexistentes ou muito pequenos. Outra análise do instituto mostrou que, de 2019 a 2023, período de expansão dos benefícios, a proporção de pessoas com carteira assinada cresceu, sobretudo nos domicílios mais pobres. Isso não elimina possíveis efeitos em situações particulares, mas contraria a generalização de que receber o auxílio estimula as pessoas a abandonar o emprego.
Aqui cabe outro dado importante. O número de famílias beneficiadas pelo Bolsa Família caiu de 21.194.184, em março de 2023, para 18.739.076, em março de 2026. Ou seja, em três anos, 2,4 milhões de famílias deixaram de ser atendidas pelo programa. É muita gente. Os dados são da Sagicad (Secretaria de Avaliação, Gestão da Informação e Cadastro Único), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Aliás, há muitos dados importantíssimos sobre o Bolsa Família e outros programas de transferência de renda do governo federal neste link. Está tudo lá, recomendo a consulta.
Um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), com base nos dados do Sagicad, mostra um recorte interessante dessa realidade: 60,6% dos beneficiários de 2014 deixaram o Bolsa Família até 2025. Na faixa etária de beneficiários de 11 a 14 anos, esse percentual é de 68,8%; entre os de 15 a 17 anos, de 71,2%.
Outro mito comum é que o programa estimula as pessoas a terem mais filhos, para aumentar o valor a ser recebido. Porém, em março deste ano, 92% das famílias beneficiárias tinham até quatro integrantes –número bem distante da ideia de domicílios numerosos, cheios de filhos, que dependem do programa. O maior grupo das famílias que recebem o benefício tem apenas dois integrantes (33% do total), seguido pelos domicílios com três integrantes (26%).
1 8 Veja a trajetória da família Silva
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Também não é verdade que conseguir trabalho implica perder imediatamente o benefício. A regra de proteção do programa permite que famílias com aumento de renda mantenham parte do pagamento por um período. O Bolsa Família tampouco é vitalício ou incondicional: exige critérios de renda e compromissos de frequência escolar e acompanhamento de saúde. Fraudes e falhas cadastrais existem e precisam ser combatidas, mas sua existência não permite tratar milhões de famílias como suspeitas.
A discussão sobre custos revela outra assimetria. Em 2024, o governo federal transferiu aproximadamente R$ 168,3 bilhões pelo programa, alcançando mais de 20 milhões de famílias. No mesmo ano, os subsídios federais somaram R$ 678,4 bilhões, segundo o Ministério do Planejamento –cerca de quatro vezes o valor do programa. Desse total, R$ 563,5 bilhões corresponderam a benefícios tributários, R$ 65 bilhões a financeiros e R$ 49,8 bilhões a creditícios.
Essa comparação exige rigor. Nem todos esses subsídios beneficiam empresas: há incentivos destinados também a pessoas físicas e políticas sociais. Além disso, renúncia tributária não é o mesmo que transferência direta de dinheiro, como o Bolsa Família.
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