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Como a ambiguidade semântica molda - e distorce - nossa compreensão dos agentes de IA

Como a ambiguidade semântica molda - e distorce - nossa compreensão dos agentes de IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Os agentes de IA representam a mais recente fronteira tecnológica, com a proposta de executar ações no ambiente digital. A essa promessa soma-se uma camada adicional de complexidade e, sobretudo, de confusão terminológica - confusão que não é fortuita, mas resulta do choque entre a linguagem matemática das máquinas e a linguagem natural dos humanos. O resultado é um vocabulário que, ao ser transposto para as máquinas, distorce a percepção sobre o que esses sistemas realmente são e o que não são. E o número de incidentes com danos significativos cresce exponencialmente.

Cada conceito carrega uma história semântica associada à experiências subjetivas. Quando aplicado a sistemas computacionais, perde essa riqueza, mas conserva o poder evocativo. Pesquisadores da filosofia da mente e da linguística computacional alertam há décadas para esse risco: John Searle, com seu célebre experimento do “Quarto Chinês”, argumentou que simular compressão não equivalia a compreender. Mais recentemente, Emily Bender, Timnit Gebru, Angelina McMillan-Major e Margaret Mitchell cunharam a expressão “papagaios estocásticos” para descrever modelos de linguagem que produzem texto plausível sem qualquer entendimento semântico real. O debate persiste, mas a indústria, pressionada por demandas de mercado, opta pelas narrativas mais sedutoras.

Nenhum termo gera mais equívoco no debate sobre agentes de IA do que “autonomia”. Fala-se em agentes que atuam “por conta própria”, que “decidem” qual caminho tomar, que agem de forma “independente”. O problema é que esses termos carregam, na linguagem natural, acepções que vão além da realidade técnica. O Dicionário Oxford, por exemplo, define autonomia como “a capacidade de uma pessoa tomar decisões e agir de forma independente, livre de influência ou coerção externa”. A Universidade de Princeton acrescenta que um ser autônomo é aquele cujas ações refletem seus próprios interesses e escolhas. Jean Piaget descreveu a autonomia como a capacidade de escolher as próprias regras e, ao fazê-lo, determinar o próprio comportamento. Nenhuma dessas definições se aplica a um agente de IA: esses sistemas não têm interesses próprios, não fazem escolhas no sentido filosófico do termo e não determinam seus próprios objetivos. A “decisão” de acionar uma API ou redigir um e-mail não nasce de um desejo do sistema, mas é o resultado de uma função probabilística aplicada a um contexto específico, dentro de limites preestabelecidos.

Se os agentes de IA não são autônomos no sentido humano do termo, como deveríamos chamá-los? Quando um agente adapta sua sequência de ações ao contexto, lida com situações não explicitamente previstas e combina informações de fontes heterogêneas para alcançar um resultado, demonstra uma forte capacidade adaptativa - mas isso não equivale a autonomia. O termo que melhor captura essa característica talvez seja “automação adaptativa”: uma expressão que reconhece tanto a natureza essencialmente automatizada do processo quanto a flexibilidade contextual que o distingue dos sistemas determinísticos e da IA generativa convencional (termo cunhado por João Pedro Pinheiro de Oliveira da Mota Barros, doutorando do TIDD PUC SP).

A confusão terminológica não é apenas um problema acadêmico; ela tem consequências práticas na forma como organizações implantam esses sistemas, como reguladores os enquadram e como usuários finais interagem com eles. Quando uma organização adota um "agente autônomo" para gerir fluxos de aprovação financeira, a narrativa da autonomia pode criar uma perigosa ilusão de que o sistema opera sem necessidade de supervisão - com risco de delegar decisões sensíveis a um sistema que, na prática, pode falhar de formas imprevisíveis. “Automação adaptativa” não é um rótulo tão sedutor, mas é mais honesto e mais útil para orientar expectativas, regulação e responsabilização.

Os riscos associados aos agentes de IA são efetivamente inéditos — não porque os sistemas sejam “autônomos”, mas porque operam em ciclos longos, acessam múltiplos recursos externos e podem amplificar erros ao longo de cadeias de ações concatenadas. Um modelo de linguagem que produz uma resposta incorreta causa um dano localizado; um agente que, a partir dessa resposta incorreta, envia e-mails, atualiza registros e aciona APIs pode causar danos em cascata antes que qualquer humano intervenha. A governança desses sistemas exige, portanto, novas abordagens: mecanismos de interrupção e revisão humana em pontos críticos do ciclo de execução, trilhas de auditoria detalhadas, testes de robustez em cenários adversariais e clareza sobre os limites de atuação de cada agente. Nada disso é viável sem uma compreensão precisa do que esses sistemas fazem — e do que não fazem.

Não há uma definição universal de agente de IA, mas algumas características recorrentes permitem delimitar o conceito: trata-se de um sistema capaz de automatizar fluxos de trabalho complexos, executando múltiplas etapas de um processo, acessando recursos externos - bancos de dados, APIs, documentos, sistemas corporativos - e interagindo com ambientes digitais de maneira dinâmica. Em termos técnicos, é um LLM (large language model) conectado a diversas outras tecnologias digitais, ao qual se confere um novo tipo de “liberdade”: em vez de receber instruções via prompt, o sistema recebe metas e escolhe a melhor maneira de alcançá-las. Reid Blackman, em seu livro “The Ethical Nightmare Challenge: How to avoid the worst of AI” (2026), alerta que “o cenário de riscos da IA está se tornando cada vez mais insano, e rapidamente. Estamos passando do complicado para o complexo, para um ponto em que nossa capacidade de prever o comportamento da IA se desfaz à medida que os ecossistemas de IA acumulam riscos sobre riscos”.

Nesse caso, a supervisão humana é ainda mais imprescindível - supervisão que, contudo, apresenta inéditos desafios: diferentemente da IA generativa convencional, esses sistemas acessam volumes enormes de informação e os processam com tamanha complexidade que verificar a consistência dos resultados torna-se, na prática, quase inviável para um ser humano. Não há como controlar as fontes acessadas pelos agentes de IA, inclusive quanto à possibilidade de estarem comprometidas por malware (software malicioso) ou base de dados imprópria. A natureza dos agentes de IA exige acoplar à supervisão humana sistemas determinísticos - apenas o uso de técnicas probabilísticas, como os modelos e sistemas de IA, não equaciona a totalidade dos riscos. A realidade é que as organizações não estão preparadas para lidar com a IA generativa, e menos ainda para lidar com os agentes de IA.

Os agentes de IA são uma inovação tecnológica de grande potencial. Eles ampliam a capacidade humana de automatizar processos complexos, lidar com informações heterogêneas e executar tarefas com mais eficiência. Mas são, em sua essência, automação sofisticada de processos (de alto risco) - e quanto mais cedo os nomearmos com precisão, melhor poderemos aproveitar o que oferecem e mitigar o que ameaçam.
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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AI Is Creating The First Invisible Curriculum

AI Is Creating The First Invisible Curriculum | Inovação Educacional | Scoop.it
Students are learning more from artificial intelligence than schools can see, and education systems aren’t measuring it
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Governing Generative AI in Higher Education: An Institutional Framework for Assessment Validity, Human Agency, and Responsible Integration (2026–2030)</spa...

Governing Generative AI in Higher Education: An Institutional Framework for Assessment Validity, Human Agency, and Responsible Integration (2026–2030)</spa... | Inovação Educacional | Scoop.it
Generative artificial intelligence is now embedded in routine university work, yet many institutional responses still treat it primarily as a misconduct problem. This paper argues that the deeper challenge is assessment validity: universities must prepare students for AI-mediated professional practice while retaining credible evidence of what students can understand, judge, and do independently. Positioned as a conceptual policy paper informed by a critical evidence synthesis, the study draws on peer-reviewed research, sector guidance, and regulatory developments, using Cultural-Historical Activity Theory and constructive alignment as analytical lenses. It develops the CRAFT framework - Culture, Rules, Access, Familiarity, and Trust - as an institution-level architecture for responsible AI governance. It then integrates the established two-lane assessment logic within CRAFT: selected assessments verify foundational human competence under credible conditions, while AI-augmented tasks develop critical, transparent, and accountable use of generative systems. The paper further proposes a phased implementation pathway based on assessment classification, proportionate disclosure, human verification, data protection, staff capability development, and pilot evaluation. Its contribution is not a claim that one model will solve every disciplinary problem, but a defensible governance architecture that universities can adapt and test. The central conclusion is that higher education should neither police every AI-assisted output nor allow technological fluency to substitute for learning; it must make responsible AI use compatible with demonstrable human capability.
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Como a ambiguidade semântica molda - e distorce - nossa compreensão dos agentes de IA

Como a ambiguidade semântica molda - e distorce - nossa compreensão dos agentes de IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Os agentes de IA representam a mais recente fronteira tecnológica, com a proposta de executar ações no ambiente digital. A essa promessa soma-se uma camada adicional de complexidade e, sobretudo, de confusão terminológica - confusão que não é fortuita, mas resulta do choque entre a linguagem matemática das máquinas e a linguagem natural dos humanos. O resultado é um vocabulário que, ao ser transposto para as máquinas, distorce a percepção sobre o que esses sistemas realmente são e o que não são. E o número de incidentes com danos significativos cresce exponencialmente.

Cada conceito carrega uma história semântica associada à experiências subjetivas. Quando aplicado a sistemas computacionais, perde essa riqueza, mas conserva o poder evocativo. Pesquisadores da filosofia da mente e da linguística computacional alertam há décadas para esse risco: John Searle, com seu célebre experimento do “Quarto Chinês”, argumentou que simular compressão não equivalia a compreender. Mais recentemente, Emily Bender, Timnit Gebru, Angelina McMillan-Major e Margaret Mitchell cunharam a expressão “papagaios estocásticos” para descrever modelos de linguagem que produzem texto plausível sem qualquer entendimento semântico real. O debate persiste, mas a indústria, pressionada por demandas de mercado, opta pelas narrativas mais sedutoras.

Nenhum termo gera mais equívoco no debate sobre agentes de IA do que “autonomia”. Fala-se em agentes que atuam “por conta própria”, que “decidem” qual caminho tomar, que agem de forma “independente”. O problema é que esses termos carregam, na linguagem natural, acepções que vão além da realidade técnica. O Dicionário Oxford, por exemplo, define autonomia como “a capacidade de uma pessoa tomar decisões e agir de forma independente, livre de influência ou coerção externa”. A Universidade de Princeton acrescenta que um ser autônomo é aquele cujas ações refletem seus próprios interesses e escolhas. Jean Piaget descreveu a autonomia como a capacidade de escolher as próprias regras e, ao fazê-lo, determinar o próprio comportamento. Nenhuma dessas definições se aplica a um agente de IA: esses sistemas não têm interesses próprios, não fazem escolhas no sentido filosófico do termo e não determinam seus próprios objetivos. A “decisão” de acionar uma API ou redigir um e-mail não nasce de um desejo do sistema, mas é o resultado de uma função probabilística aplicada a um contexto específico, dentro de limites preestabelecidos.

Se os agentes de IA não são autônomos no sentido humano do termo, como deveríamos chamá-los? Quando um agente adapta sua sequência de ações ao contexto, lida com situações não explicitamente previstas e combina informações de fontes heterogêneas para alcançar um resultado, demonstra uma forte capacidade adaptativa - mas isso não equivale a autonomia. O termo que melhor captura essa característica talvez seja “automação adaptativa”: uma expressão que reconhece tanto a natureza essencialmente automatizada do processo quanto a flexibilidade contextual que o distingue dos sistemas determinísticos e da IA generativa convencional (termo cunhado por João Pedro Pinheiro de Oliveira da Mota Barros, doutorando do TIDD PUC SP).

A confusão terminológica não é apenas um problema acadêmico; ela tem consequências práticas na forma como organizações implantam esses sistemas, como reguladores os enquadram e como usuários finais interagem com eles. Quando uma organização adota um "agente autônomo" para gerir fluxos de aprovação financeira, a narrativa da autonomia pode criar uma perigosa ilusão de que o sistema opera sem necessidade de supervisão - com risco de delegar decisões sensíveis a um sistema que, na prática, pode falhar de formas imprevisíveis. “Automação adaptativa” não é um rótulo tão sedutor, mas é mais honesto e mais útil para orientar expectativas, regulação e responsabilização.

Os riscos associados aos agentes de IA são efetivamente inéditos — não porque os sistemas sejam “autônomos”, mas porque operam em ciclos longos, acessam múltiplos recursos externos e podem amplificar erros ao longo de cadeias de ações concatenadas. Um modelo de linguagem que produz uma resposta incorreta causa um dano localizado; um agente que, a partir dessa resposta incorreta, envia e-mails, atualiza registros e aciona APIs pode causar danos em cascata antes que qualquer humano intervenha. A governança desses sistemas exige, portanto, novas abordagens: mecanismos de interrupção e revisão humana em pontos críticos do ciclo de execução, trilhas de auditoria detalhadas, testes de robustez em cenários adversariais e clareza sobre os limites de atuação de cada agente. Nada disso é viável sem uma compreensão precisa do que esses sistemas fazem — e do que não fazem.

Não há uma definição universal de agente de IA, mas algumas características recorrentes permitem delimitar o conceito: trata-se de um sistema capaz de automatizar fluxos de trabalho complexos, executando múltiplas etapas de um processo, acessando recursos externos - bancos de dados, APIs, documentos, sistemas corporativos - e interagindo com ambientes digitais de maneira dinâmica. Em termos técnicos, é um LLM (large language model) conectado a diversas outras tecnologias digitais, ao qual se confere um novo tipo de “liberdade”: em vez de receber instruções via prompt, o sistema recebe metas e escolhe a melhor maneira de alcançá-las. Reid Blackman, em seu livro “The Ethical Nightmare Challenge: How to avoid the worst of AI” (2026), alerta que “o cenário de riscos da IA está se tornando cada vez mais insano, e rapidamente. Estamos passando do complicado para o complexo, para um ponto em que nossa capacidade de prever o comportamento da IA se desfaz à medida que os ecossistemas de IA acumulam riscos sobre riscos”.

Nesse caso, a supervisão humana é ainda mais imprescindível - supervisão que, contudo, apresenta inéditos desafios: diferentemente da IA generativa convencional, esses sistemas acessam volumes enormes de informação e os processam com tamanha complexidade que verificar a consistência dos resultados torna-se, na prática, quase inviável para um ser humano. Não há como controlar as fontes acessadas pelos agentes de IA, inclusive quanto à possibilidade de estarem comprometidas por malware (software malicioso) ou base de dados imprópria. A natureza dos agentes de IA exige acoplar à supervisão humana sistemas determinísticos - apenas o uso de técnicas probabilísticas, como os modelos e sistemas de IA, não equaciona a totalidade dos riscos. A realidade é que as organizações não estão preparadas para lidar com a IA generativa, e menos ainda para lidar com os agentes de IA.

Os agentes de IA são uma inovação tecnológica de grande potencial. Eles ampliam a capacidade humana de automatizar processos complexos, lidar com informações heterogêneas e executar tarefas com mais eficiência. Mas são, em sua essência, automação sofisticada de processos (de alto risco) - e quanto mais cedo os nomearmos com precisão, melhor poderemos aproveitar o que oferecem e mitigar o que ameaçam.
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OECD launches Hiroshima AI Process Reporting Framework 2.0 - OECD.AI

OECD launches Hiroshima AI Process Reporting Framework 2.0 - OECD.AI | Inovação Educacional | Scoop.it
On 28 May, the OECD launched version 2.0 of the Hiroshima AI Process (HAIP) Reporting Framework at an event organised by Tech7, on the margins of the G7 Digital and Tech Ministerial Meeting under the French G7 Presidency in Paris.

As the only international framework for organisations to report on their efforts to promote trustworthy AI, this 2.0 version is designed to broaden participation across the AI ecosystem, with a particular focus on small and medium enterprises. It contributes to monitoring the application of the Hiroshima Process International Code of Conduct for Organisations Developing Advanced AI Systems, a central component of the Hiroshima AI Process launched during Japan’s 2023 G7 Presidency.

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Mensalidade de faculdade cai há uma década

Mensalidade de faculdade cai há uma década | Inovação Educacional | Scoop.it

O valor das mensalidades de cursos de ensino superior deve continuar em queda neste ano. É esperada uma redução de 4,3% na graduação presencial e de 1,8% no ensino a distância (considerando on-line e híbrido). Com isso, o setor acumula uma década de desaceleração. No acumulado de 2016 a 2026, o valor mediano das mensalidades desacelera 33% na graduação presencial e 55% nos cursos EAD, já corrigidos pela inflação (IPCA) do período, segundo dados da consultoria Hoper Educação.
Em uma década, além da queda nas mensalidades, as faculdades viram a quantidade de alunos em cursos presenciais cair 45% chegando em 3,42 milhões neste ano. A principal causa foi a redução do Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal que sustentou o setor até 2015.
Essa perda foi compensada pelo EAD, cuja quantidade de matrículas mais do que triplicou na década. Neste ano, a projeção é de 5,1 milhões de estudantes, sendo 3,86 milhões em cursos on-line e 1,29 milhão no híbrido — modalidade regulamentada pelo Ministério da Educação (MEC), no ano passado.
“O desafio agora é voltar a crescer. O setor está num momento de transição do novo marco regulatório do EAD, pressão na medicina, engenharias caindo, população endividada e uma eleição que deixa incerto quais os próximos passos que faculdades e alunos vão seguir”, disse Paulo Presse, consultor da Hoper.
Diante desse cenário, o valor das mensalidades deve passar por momentos de alta e baixa nos próximos quatro anos. Sobre o volume, as projeções da consultoria mostram que pode haver crescimento de matrículas em cursos presencial e híbrido e ficar estável no on-line. A expectativa é que, em 2030, haja um total de 9,54 milhões de universitários nas faculdades particulares, um incremento de 1 milhão sobre a base de 2026.
No entanto, o consultor ressalta que esses números podem sofrer mudanças diante de tantas variáveis por qual passa o setor neste momento, em especial, envolvendo o marco regulatório que está em fase de transição até 2027.
Desde 2022, no setor privado, há mais alunos em cursos a distância. A estimativa é que o ano termine com 3,42 milhões de universitários no presencial e 5,1 milhões no EAD.
As companhias listadas de educação apresentaram, no primeiro trimestre, aumento no tíquete médio — mas essa é uma métrica distinta da Hoper, que trabalha com mediana. Vários grupos educacionais intensificaram programas de parcelamento de mensalidade e concessão de Fies o que também eleva o valor médio das mensalidades.
“Há também a questão do mix de cursos que impacta o tíquete médio. Os grandes grupos podem ter matriculado menos, mas tiveram mais alunos em cursos com mensalidades mais altas”, disse Vinicius Figueredo, analista do Itaú BBA.
O BTG destacou em relatório que Cogna, Yduqs, Cruzeiro do Sul e Ânima apresentaram pressão sobre as margens com as adaptações para o marco regulatório que exige mais investimentos e gastos.
Em 2026, o setor está enfrentando desafios tanto setoriais como macroeconômico. A medicina que era a “salvação da lavoura” com tíquete médio elevado, baixa inadimplência e alta relação candidato-vaga, agora enfrenta forte concorrência e todas essas vantagens começam a cair por terra com o aumento de vagas aprovadas por meio de liminares. Nesse cenário, o valor das mensalidades tem forte oscilação, indo de R$ 7,2 mil até R$ 15,7 mil. A mediana é de R$ 11,4 mil. Chama atenção que metade dos cursos pesquisados está na faixa inferior do cálculo, ou seja, entre R$ 10,4 mil a R$ 7, 2 mil.
Nos cursos a distância, a mensalidade cai todos os anos, de forma sistemática. Hoje, o valor é de R$ 214 contra R$ 478 há dez anos. “Com a tecnologia e o maior número de alunos é esperado que o custo caia, mas esse ritmo já vem diminuindo”, explicou Presse. A dúvida, atualmente, é qual espaço ainda existe para essa desaceleração.
O marco regulatório também limita a oferta de cursos on-line, um produto três vezes mais barato do que o presencial num momento de alto endividamento da população. Segundo o Banco Central, quase um terço da renda dos brasileiros está comprometida com dívidas.
Um levantamento da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap) com 3,2 mil alunos de instituições de ensino particulares e públicas de São Paulo, realizado entre janeiro e março, mostrou que 68,4% têm dívidas ativas, 41,7% atrasaram pagamentos nos últimos 12 meses, 37,2% têm duas ou mais dívidas simultâneas e 74,1% não possuem reserva emergencial.
Segundo Presse, além do ambiente macroeconômico, as faculdades não conseguiram divulgar bem aos alunos as novas regras do EAD, no processo seletivo de verão, período mais relevante para o setor. “A demanda pelos cursos híbridos, no vestibular de verão, não veio como era esperado. Com isso, as instituições de ensino acabaram reduzindo o preço. A mediana ficou em R$ 312, o que representa uma queda de 14,3% sobre 2025”, disse o consultor.
Pesquisa do Semesp, sindicato do setor, mostra que as faculdades ainda enfrentam dificuldades para implementar metodologias pedagógicas de cursos on-line e híbridos. Levantamento com faculdades, que juntas têm 2,66 milhões de estudantes, mostra que 40% já adotaram as ferramentas, mas em 21% dos casos as iniciativas ainda são parciais e em 13%, as práticas não estão estruturadas. “O estudo aponta que o prazo de transição previsto pelo MEC e os custos adicionais para estruturar equipes e novos modelos acadêmicos contribuem para essa lentidão”, disse Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp.
Há um período de adaptação de dois anos, que vai até 2027. Neste período, os veteranos continuam estudando sob as regras antigas. Já os calouros são obrigados a se matricular dentro das novas determinações que exigem maior carga presencial de aulas.
Segundo Figueiredo, do Itaú BBA, como há esse prazo de dois anos, as faculdades tendem a postergar as adaptações do marco regulatório. “O curso mais barato tem mais chances de rematrícula. Pelo novo formato, há maior presencialidade, o custo sobe e há mais chances de evasão. Então, para muitas instituições não faz sentido antecipar o custo, ainda mais nesse momento desafiador para o setor”, disse o analista do banco.

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Today, 9:55 AM
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Idade é mais que um número: o que de fato acelera o envelhecimento?

Idade é mais que um número: o que de fato acelera o envelhecimento? | Inovação Educacional | Scoop.it
“Há uma grande diferença entre sua idade no calendário e sua idade biológica — e apenas esta última pode ser modificada”, diz Sinclair. “Na última década, os cientistas descobriram que as taxas de envelhecimento biológico são maleáveis e que pelo menos metade delas depende do nosso estilo de vida. A boa notícia é que pelo menos metade da nossa saúde futura está em nossas próprias mãos.”
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Today, 9:43 AM
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NICOLELIS: A VERDADE SOBRE A EDUCAÇÃO QUE NINGUÉM QUER MUDAR

Por que a educação parece não evoluir, mesmo com tanta tecnologia e debate? O que realmente precisa acontecer para transformar as escolas de verdade?
Nesse corte, Miguel Nicolelis traz uma reflexão forte sobre o futuro da educação, aprendizado e o que está travando a mudança no sistema.

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Today, 9:36 AM
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Quando tudo é urgente, nada é urgente: precisamos responder na hora?

Quando tudo é urgente, nada é urgente: precisamos responder na hora? | Inovação Educacional | Scoop.it

Esta é mais uma da série "já parou para reparar?". E como temos vivido no automático, paramos pouco para reparar em coisas que não deveríamos normalizar.
Minha implicância de hoje é com a urgência generalizada em responder mensagens de conversadores instantâneos, tipo WhatsApp.
Já parou para reparar que este modo de comunicação é assíncrono? Ou seja: você manda a mensagem para a pessoa e a pessoa responde no tempo da disponibilidade dela. A forma de comunicação pressupõe isso.
Se a gente quer falar "ao mesmo tempo" com a pessoa, existem formas síncronas de comunicação, como a chamada telefônica ou por vídeo.
Eu às vezes tenho a impressão de que a gente nem sabia que existiam estas duas palavras: síncrono e assíncrono. Pelo menos por aqui, comecei a usá-las com mais frequência depois da pandemia, quando ficou mais comum a gente ter que falar "esta reunião será presencial", porque o remoto virou padrão; e também de nomear o trabalho quando ele acontece de forma simultânea (síncrono) ou com cada pessoa contribuindo da sua maneira e no seu ritmo (assíncrono).
A pandemia foi um marco no "desempacotamento" de algumas coisas: por aqui, a aula podia ser dada "ao vivo" (síncrona), mas assistida depois (no assíncrono), por exemplo; e o mesmo aconteceu com reuniões, que ficam gravadas e a pessoa acessa o conteúdo.
Lembro de ter esta conversa com meus alunos na época: quem acessa o conteúdo da aula não está "assistindo aula", porque a aula é estar com o corpo no mesmo tempo e espaço partilhados (mesmo que com mediação tecnológica, por circunstância, como exigência do momento). Quem via a aula depois estava acessando conteúdo de aula, mas não estava na aula, entende?
E falo sobre isso para falar destas temporalidades que foram sendo produzidas e, de uma forma meio "natural", fomos aderindo a elas.
O e-mail é uma forma de comunicação assíncrona. A gente manda a mensagem e a pessoa do outro lado responde quando possível. Ao longo dos anos, fomos acelerando estas formas de comunicação ao ponto de elas se tornarem quase sequenciais. Hoje, 50% dos e-mails do mundo são respondidos em até 2 horas.
Apesar disso, fomos aos poucos nos apropriando desta ferramenta com outra noção de tempo: o imediatismo. E a própria ferramenta dispõe de recursos para incentivar seu uso intensivo: as marcações de "enviada" e "lida" e as famigeradas notificações.
As notificações surgiram, como o nome sugere, para nos contar que temos novas mensagens aguardando resposta. Hoje, elas são motivo de ansiedade generalizada. Em vez de um recurso de organização, viramos reféns delas.
Visualizar e demorar para responder virou sinônimo de descaso; gera desprestígio. E responder rapidamente virou performance. "Fulano responde super rápido!". Quem nunca ouviu uma destas em tom elogioso?
Vejam: não estou aqui tratando de ghosting, mas de uma demora razoável para retornar uma mensagem que se pressupõe assíncrona; feita por um meio de comunicação que não é "ao vivo".
Acontece que por termos nos tornado allways on (conectados 24 horas por dia, 7 dias por semana - no Brasil, 96% dos usuários brasileiros acessam o WhatsApp todos os dias), fomos também criando estes mecanismos de coação para a comunicação ininterrupta e permanente.
É evidente que existem mensagens urgentes, mas quando tudo é urgente, nada é urgente, concorda?
O ideal seria termos condição de olhar as mensagens, avaliar a real urgência nas respostas e combinar retornos mais demorados para aquilo que não é tão urgente ou prioritário. Mas a maior parte de nós não consegue fazer isso. Preferimos responder de qualquer jeito do que demorar. Aqui, aparece um sintoma de nossa doença de aceleração: mesmo quando podemos escolher, escolhemos velocidade em detrimento de qualidade.
Claro que é possível responder com agilidade e qualidade. Assim como a demora não significa necessariamente qualidade; e também é possível demorar e isso não ser necessariamente descaso.
Meu ponto aqui é: normalizamos a pressa como regra e atribuímos a isso um sentido positivo, quando é humanamente impossível responder diversas mensagens ao mesmo tempo e com imediatismo e fazer isso com presença e atenção plenas. Este excesso de troca não é comunicação.
Às vezes, não temos escolha. Este tem sido um ponto que trago de forma recorrente aqui na coluna: em contextos desiguais, precisamos pensar quem pode e quem não pode desacelerar. E especialmente quem trabalha com demandas realmente urgentes ou que exigem prontidão, não tem muito o que fazer.
Mas para todos os casos, se aplica a ideia de que desacelerar não é ser devagar. É se perguntar quando esta velocidade faz sentido e quando ela não faz, mas estamos correndo, porque estamos no automático.
Quando é uma escolha possível, sair do automático pode ser ter o cuidado de avisar a pessoa "vou te responder mais tarde para responder melhor". Ou - quando você é quem manda a mensagem - sinalizar "isso não é urgente. Tome seu tempo para responder".
Isso, porque a urgência na resposta das mensagens foi virando um desses "contratos de tempo" sobre os quais a gente não fala e que vão se naturalizando e se tornam violentos. Assim como começamos acelerando áudios e agora, queremos acelerar as pessoas, começamos habilitando notificações para saber que as novas mensagens chegaram; e agora estamos presos à ideia de que precisamos retornar imediatamente.
Algumas mensagens podem esperar. E existem cuidados possíveis com o interlocutor para cultivar esta espera.
Quanto mais falamos sobre estes combinados, mais construímos possibilidades de outras relações com outros ritmos e mais conseguimos ir sentindo o que é de fato urgente e prioritário e o que pode ficar para um pouco depois, para não nos tornarmos reféns das notificações. Quanto mais falamos sobre isso, mais vamos tomando as rédeas da comunicação, mais vamos nos (re)humanizando, pois este funcionamento do sempre-urgente é maquínico e mecânico.
Eu sei que é um tema controverso, porque cada contexto é diferente e cada pessoa sabe aonde seu calo aperta, mas precisamos falar destas coisas, porque sinto que há uma série de "acordos velados" que não deveríamos simplesmente assumir como dados. Então, fica o convite: que tal rever de vez em quando estes pactos com os outros e consigo mesmo?

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Longevidade e queda de natalidade têm tons macabros - 31/05/2026 - Luiz Felipe Pondé - Folha

Longevidade e queda de natalidade têm tons macabros - 31/05/2026 - Luiz Felipe Pondé - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Um dos grandes desafios contemporâneos é a longevidade como realidade histórica intransponível. No Brasil, o Estado empurra esse fato com a barriga, como tudo mais. O Estado brasileiro só lembra de você no circo da democracia —as eleições— ou para tirar o seu dinheiro.

Logo, alguém muito inteligente dirá que a longevidade é um problema de saúde pública ao qual se deve aplicar fórmulas epidemiológicas. Ao lado dela, e causada pelo mesmo fenômeno histórico-social conhecido como modernidade, a queda da natalidade —motivo até de um alerta atrasado e inútil da ONU— é o outro extremo da curva demográfica, descrevendo uma dança com tons macabros.


Ricardo Cammarota/Folhapress
Essa dança se refere ao encontro desses dois movimentos demográficos paralelos que, por serem consequência de processos sociais concretos, não devem desaparecer. Por um lado, há o avanço da medicina científica, gerando longevidade; do outro, o mundo da emancipação feminina gerando queda da natalidade. Em breve, as famílias serão mais atomizadas e reduzidas na rede de proteção dos seus integrantes.

Muitos idosos abandonados de um lado, jovens em extinção do outro. Daqui a pouco a população de idosos vivendo em situação de rua será gigantesca.

Recentemente, num bairro de alto padrão da cidade de São Paulo, houve uma batalha inimaginável até tempos atrás. Uma associação de moradores iniciou um movimento, com vitórias iniciais, para expulsão de casas de repouso de longa duração para idosos da região, sob vários argumentos que soam bastante desumanos. Essas casas estariam fora do espectro permitido para bairros residenciais. O assunto deve ser resolvido —se assim o for— pela prefeitura, seus alvarás de funcionamento e os advogados do segmento.

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Casas de repouso na Lapa têm alvarás cassados pela gestão Nunes


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Dizer que o aumento da longevidade é uma realidade histórica intransponível é dizer que a longevidade é algo que, em termos históricos, tem a consistência da lei da gravidade. Não há como contornar esse fenômeno. Só há como cuidar dele, criando melhores condições de vida em saúde —seguros saúde para idosos são impagáveis, o destino é o SUS—, cuidado psicológico e social. Falar é fácil, realizar são outros quinhentos.

As famílias seriam a instituição na primeira linha de combate. O estatuto do idoso exige, legalmente, o investimento das famílias na solução do fenômeno, com ameaça de criminalização dos entes familiares que não empenharem esforços no cuidado, criação de condições de vida digna e garantias do cotidiano do idoso.

Mas, como sempre, a lei no Brasil funciona no sentido de pressionar o cidadão para que ele, o Estado, lave as mãos e siga seu caminho que é continuar espremendo a sociedade para que ela sustente os luxos de seus dignatários. Trocando em miúdos, a ideia é não gastar dinheiro público com os idosos e usá-lo apenas com viagens, eventos, jantares, emendas e afins.

O fato sociológico intransponível é que essa família quase não existe mais. Não há lugar nem dinheiro para as famílias atomizadas cuidarem dos seus idosos, o que não implica que eles não o mereçam. As mulheres que sempre arcaram, na maioria dos casos, com a lida cotidiana dos idosos, estão em outra. Como filhas da modernização, elas querem liberdade, carreiras, estudos, viagens, enfim, querem ser felizes. E quem em sã consciência pode lhes tirar a razão? Não há lugar para os idosos, e, cada vez menos, para crianças.

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Idosos se reúnem em espaço público para driblar o isolamento social em São Paulo


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Políticas públicas quase não saem do blábláblá, perecendo mesmo, às vezes, que a única política pública de fato é esperar —já que são idosos, que morram logo.

O resultado, como sempre, é que o mercado vem acudir essas famílias com um exército de cuidadoras, que muitas vezes se transforma em contencioso trabalhista. Ou, ainda, empresas oferecem a essas famílias serviços terceirizados —muitas vezes, como forma de proteção dessas mesmas famílias dos conflitos trabalhistas—, e casas de repouso de longa duração —essas mesmas que muita gente quer expulsar do seu bairro, em nome do valor imobiliário das suas residências; do cenário de ambulâncias e carros funerários na região; e dos gemidos e choros dos idosos, buscando empurrar essas instituições para a periferia da cidade. Enfim, aos indesejáveis, a periferia.

A verdade é que esses serviços que o mercado oferece são caríssimos, normalmente acima das condições financeiras das famílias atomizadas. Portanto, a exploração se instala. Não há rota de escape nem para as famílias, nem para os idosos. Como sempre na selva disfarçada de país que é o Brasil, as hienas se instalam e gargalham, num constante salve-se quem puder.
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Morte de Edgar Morin retoma a ousadia de pensar o novo - 30/05/2026 - Ilustrada - Folha

Morte de Edgar Morin retoma a ousadia de pensar o novo - 30/05/2026 - Ilustrada - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
O segundo caminho nasceu com seu livro de 1999, "A Cabeça Bem-Feita: Repensar a Reforma, Reformar o Pensamento", no qual prega a necessidade de romper com o reducionismo, com o pensamento linear, e isso só pode ser feito por meio de uma reforma do pensamento, que implica outra da educação. Um convite da Unesco será a oportunidade de exprimir, de forma mais didática, suas proposições que estarão no livro de 2000, "Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro".

Educar para o futuro exige, primeiro, ensinar o que é o ato de conhecer e como desenvolver a lucidez crítica, conhecendo os riscos do erro e da ilusão. Nossas ideias devem estar contextualizadas, interligadas com as partes do todo, e não isoladas. É necessário recolocar o homem no centro do interesse do conhecimento, pois somos um ser biológico, cósmico, psíquico, cultural e histórico. É essencial conhecer a crise planetária que vivemos, pois hoje temos uma consciência melhor de que somos todos passageiros de um mesmo planeta.

É preciso ainda enfrentar as incertezas, educar para o inesperado, nas suas palavras. Ensinar os jovens a navegarem num mar de incertezas através de arquipélagos de certezas. Ensinar a compreensão das diferenças, com a postura de tolerância em face da alteridade. E, por fim, desenvolver uma ética complexa —autonomia e responsabilidade individual, aderência à democracia e a solidariedade não apenas com os humanos, mas com todos os seres vivos do planeta.

São os saberes necessários para os indivíduos aprenderem, interiorizarem e transformarem em atitudes para enfrentar um mundo cada vez mais repleto de incertezas, de ameaças e de desesperança. Em sua última entrevista, Morin disse "duvido da humanidade, mas acredito na humanidade".
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Fundeb reduz desigualdade, mas há verba que vai para saúde - 31/05/2026 - Educação - Folha

Fundeb reduz desigualdade, mas há verba que vai para saúde - 31/05/2026 - Educação - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Em cinco anos, o novo Fundeb alterou o retrato do financiamento da educação básica no país e zerou o número de cidades com investimento anual de até R$ 8.000 por aluno, que era a realidade de um terço dos municípios brasileiros em 2020.

Mais recursos exigem maior controle, e análise da Folha sobre milhões de dados de extratos do fundo mostra gastos de R$ 389,7 milhões fora da educação. Transferências para fundos de saúde, planos de saúde, odontológicos e farmácias ocorrem em centenas de municípios, o que desafia normas e a própria essência da medida.

A reportagem identificou valores destinados à Previdência e transferências sem explicação para igrejas.


O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), órgão ligado ao Ministério da Educação que gerencia os recursos, disse que a fiscalização cabe aos órgãos de controle. A tarefa é dividida entre o TCU (Tribunal de Contas da União) e tribunais de contas locais.

Em nota, o TCU afirma que, em termos gerais, "transferências para fundos de saúde, entidades previdenciárias ou instituições religiosas não possuem amparo na legislação vigente". O tribunal ressalta que encargos sociais incidentes sobre a folha de pagamento podem ser custeados, o que deve explicar parte das transferências para institutos de previdência.

Principal mecanismo de financiamento da educação básica, o Fundeb reúne parcela de impostos estaduais e municipais, além de complementação da União para localidades que não atingem valor mínimo por aluno. Os recursos são distribuídos conforme número e tipo de matrícula.

A renovação do fundo, em 2020, determinou aumento escalonado da complementação federal. Passou dos 10% vigentes até 2020 para 23% neste ano —e deve ultrapassar R$ 60 bilhões. A partir de agora, o percentual será fixo.

O Fundeb alcançou R$ 342 bilhões em 2025. Seis em cada dez reais gastos com educação básica no país vêm do fundo.


Municípios com mais de R$ 15 mil por aluno ao ano passaram de 8% em 2020 para 64% no ano passado. Os dados do Tesouro Nacional foram tabulados pela organização Todos pela Educação a pedido da Folha.

A média anual por aluno chegou no ano passado a R$ 15.710 —era de R$ 9.580 em 2020. O valor inclui todas as despesas, incluindo salários, manutenção, merenda e transporte.

As diferenças regionais persistem. O percentual de cidades com mais de R$ 15 mil por aluno é inferior à média nacional no Norte e no Nordeste: 52% e 42%, respectivamente.

"Ainda temos desigualdades, mas o Fundeb trouxe um fator redistributivo muito importante e há redes que têm avançado com equidade", diz a gerente de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Manoela Miranda.

A mudança de 2020 criou também um modelo híbrido de distribuição, que permitiu atingir mais cidades pobres que antes não recebiam complementação. Também foi estipulada uma parcela condicionada a resultados e redução de desigualdades. No ano passado, 2.842 municípios (51% do total) receberam esses recursos.


"Muitas vezes se fala que o ótimo é inimigo do bom, mas, em um país com os desafios de desigualdade do Brasil e PIB per capita baixo, estamos falando de uma política em que o ótimo é necessário", diz Ernesto Faria, do Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional). Segundo ele, ainda é preciso aprimorar a parcela destinada a resultados e redução de desigualdades.

A pedido da Folha, o Iede tabulou os extratos do Fundeb das prefeituras a partir de site do Banco do Brasil. Os documentos trazem receitas e despesas, com discriminação dos beneficiários.

A legislação determina que os recursos estejam vinculados ao que a LDB (Lei de Diretrizes e Bases) define como manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE). Entre os gastos vetados estão "programas suplementares de alimentação, assistência médico-odontológica, farmacêutica e psicológica e outras formas de assistência social".

Ipatinga (MG), a 216 km de Belo Horizonte, transferiu R$ 50 milhões para o fundo municipal de Saúde. Só no ano passado foram R$ 11,7 milhões, levando o conselho de acompanhamento do Fundeb a reprovar as contas do exercício. Procurado desde 8 de maio, o município não se manifestou.

Jaraguá do Sul (SC), a 193 km de Florianópolis, transferiu R$ 22 milhões ao Fundo Municipal de Saúde desde 2021. O município afirma que se trata de descontos relacionados a plano de saúde contemplados na remuneração do servidor.


A cidade cearense de Caridade (98 km de Fortaleza) mandou R$ 6,8 milhões do Fundeb para o Fundo Municipal de Saúde desde 2023. Todos os 90 aportes ocorreram em valores redondos. A prefeitura não respondeu aos questionamentos feitos desde 8 de maio.

Transferências em valores redondos são fortes indícios de desvio de finalidade, segundo órgãos de controle.

Brejolândia (BA), a 767 km de Salvador, registrou apenas valores redondos em 19 transferências para o fundo de saúde. Questionado, o município não respondeu para explicar R$ 1,7 milhão pagos desde 2023.

Referência em educação, Sobral (CE) utiliza o Fundeb para custear planos de saúde e odontológicos que somam R$ 3,8 milhões. Em nota, afirma que os valores se referem a convênios com planos que permitem adesão dos servidores. "O entendimento jurídico é o de que os recursos do Fundeb são utilizados para o pagamento da remuneração dos profissionais da educação."


Escola em Sobral (CE); município utilizou o Fundeb para custear planos de saúde e odontológicos que somam R$ 3,8 milhões - Eduardo Anizelli - 6.nov.15/Folhapress
"Gastos com saúde não podem ser considerados MDE e, portanto, não podem ser pagos com recursos do Fundeb", afirma Cezar Miola, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul.

Os extratos registram transferências de 645 municípios para fundos de saúde, de 630 para planos de saúde ou odontológicos. Há 150 cidades com uso do Fundeb para drogarias.

Iacanga (SP), a 380 km da capital paulista, lidera esse tipo de gasto, com R$ 835,5 mil. Parte do valor de 2026 foi registrada como despesa de ensino integral.

A prefeitura diz, em nota, que convênios permitem compras e empréstimos consignados pelos servidores e os valores repassados às empresas são descontados dos salários.

O STF (Supremo Tribunal Federal) já reafirmou a proibição de usar o Fundeb para aposentados ou cobertura de déficit previdenciário. É permitido, porém, pagar encargos dos servidores em atividade.

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PF faz operação contra desvios de R$ 50 milhões no Fundeb


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Fortaleza (CE) e São Bernardo do Campo (SP) registram transferências elevadas desse tipo, de R$ 732 milhões e R$ 182 milhões, respectivamente, a partir de 2024. Ambas as prefeituras afirmam se tratar apenas de encargos, por serem grandes redes com muitos servidores.

Macapá mandou R$ 59 milhões do Fundeb à previdência municipal em 2024 e 2025. Três transferências foram em valores redondos de R$ 1 milhão. A prefeitura não respondeu aos contatos feitos desde 8 de maio.

A reportagem identificou ainda transferências para igrejas que somam R$ 30 milhões desde 2021. Em muitos casos analisados, referem-se a aluguel de imóveis ou convênios na educação infantil.

Em Rio Largo (AL), porém, a prefeitura efetuou em janeiro de 2023 uma única transferência de R$ 2,5 milhões para a Assembleia de Deus do Estado de Alagoas. Prefeitura e igreja não responderam aos questionamentos.

O QUE É O FUNDEB
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica foi criado em 2007, em substituição ao Fundef. É o principal mecanismo de financiamento da educação básica pública no Brasil. Reúne recursos de impostos estaduais e municipais e os redistribui entre estados e municípios conforme o número e o tipo de matrículas. A União complementa os recursos de redes com menor capacidade de arrecadação. Em 2020, foi renovado, incluído na Constituição, e passou a ter um modelo híbrido de complementação.

COMO É CADA TIPO DE COMPLEMENTAÇÃO:
VAAF (Valor Anual por Aluno do Fundeb): Parte da complementação que considera apenas os recursos do próprio Fundeb para entes que não atingem um valor mínimo nacional por aluno
VAAT (Valor Anual Total por Aluno): considera não só o Fundeb, mas todas as receitas da educação de estados e municípios. Assim, a União consegue direcionar recursos também a municípios pobres dentro de estados mais ricos.
VAAR (Valor Anual por Aluno por Resultado): distribui recursos com base em critérios de melhoria de gestão, equidade e resultados educacionais. Redes precisam cumprir condicionalidades e mostrar avanços em aprendizagem e redução de desigualdades para acessar essa parte dos recursos
Tempo integral: PEC de ajuste fiscal alterou as regras do Fundeb, e obrigou, a partir de 2025, que entes direcionem parte da complementação ao Fundeb para fomento de matrículas em tempo integral.
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IA escolhe guerra nuclear para resolver crises

IA escolhe guerra nuclear para resolver crises | Inovação Educacional | Scoop.it

Um estudo publicado em fevereiro pelo professor Kenneth Payne, do King's College de Londres, mostrou que, em 95% das oportunidades de solução de conflito entre duas potências armadas com bombas atômicas, a IA não hesitou em recorrer ao emprego de armas nucleares.
No caso, eram ataques táticos, aqueles com ogivas menos potentes desenhadas para ações limitadas a campos de batalha. Mas nenhum especialista no setor acredita que uma guerra que chegue a isso não irá evoluir para algo devastador, talvez apocalíptico.
Mais assustador, diz Payne, foi que em nenhum cenário as IAs comerciais recrutadas para o teste recuaram ao longo da negociação da crise. Foram 21 jogos de guerra com cenários variados, somando 329 rodadas e 780 mil palavras geradas pelas três ferramentas empregadas —mais do que a "Ilíada" e "Guerra e Paz" juntos.

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2026 EDUCAUSE The Impact of AI on Learning Assessment Report

2026 EDUCAUSE The Impact of AI on Learning Assessment Report | Inovação Educacional | Scoop.it
Artificial intelligence is rapidly reshaping how learning is assessed in higher education, raising important questions about what students learn and how they are expected to demonstrate that learning. Based on a 2026 survey of 438 faculty and staff, this EDUCAUSE report explores how educators are responding in practice, from evolving assessment design to changing expectations around AI use and academic integrity.

The findings reveal growing momentum around the use of AI in assessment alongside real uncertainty, highlighting both new opportunities and emerging challenges. With insights into faculty perspectives, institutional readiness, and the shifting role of assessment, the report offers a timely look at how colleges and universities can take a more intentional, informed approach to AI in teaching and learning.
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[2601.20245] How AI Impacts Skill Formation

[2601.20245] How AI Impacts Skill Formation | Inovação Educacional | Scoop.it
AI assistance produces significant productivity gains across professional domains, particularly for novice workers. Yet how this assistance affects the development of skills required to effectively supervise AI remains unclear. Novice workers who rely heavily on AI to complete unfamiliar tasks may compromise their own skill acquisition in the process. We conduct randomized experiments to study how developers gained mastery of a new asynchronous programming library with and without the assistance of AI. We find that AI use impairs conceptual understanding, code reading, and debugging abilities, without delivering significant efficiency gains on average. Participants who fully delegated coding tasks showed some productivity improvements, but at the cost of learning the library. We identify six distinct AI interaction patterns, three of which involve cognitive engagement and preserve learning outcomes even when participants receive AI assistance. Our findings suggest that AI-enhanced productivity is not a shortcut to competence and AI assistance should be carefully adopted into workflows to preserve skill formation -- particularly in safety-critical domains.
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The largest study of AI use by undergrads is in, revealing disparities in access — and in cheating

The largest study of AI use by undergrads is in, revealing disparities in access — and in cheating | Inovação Educacional | Scoop.it
In a world where AI can generate research papers, solve equations or create art, educators worry about how college students may be using it, misusing it or missing out on it. Yet there have been few comprehensive studies of college students and their AI use.
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2026 EDUCAUSE Horizon Report | Teaching and Learning Edition

2026 EDUCAUSE Horizon Report | Teaching and Learning Edition | Inovação Educacional | Scoop.it
The 2026 EDUCAUSE Horizon Report | Teaching and Learning Edition identifies the most influential trends and early signals shaping higher education teaching and learning over the next decade.

Based on the work of an expert panel using the STEEP framework, the report highlights how artificial intelligence, enrollment pressures, policy shifts, and sustainability concerns are reshaping instructional practice and institutional strategy.
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Ozempic pode estar remodelando o cérebro, dizem cientistas

Ozempic pode estar remodelando o cérebro, dizem cientistas | Inovação Educacional | Scoop.it
Medicamentos como Ozempic e Wegovy, criados para diabetes e emagrecimento, agora levantam uma nova hipótese entre cientistas: a de que também possam alterar circuitos cerebrais ligados a prazer, compulsão, desejo e comportamento
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‘Eu me candidatei a papa’: o que é a psicose induzida por IA

‘Eu me candidatei a papa’: o que é a psicose induzida por IA | Inovação Educacional | Scoop.it

Com a ajuda do ChatGPT, Tom Millar acreditou ter desvendado todos os segredos do universo, como sonhava Einstein, e depois, aconselhado pelo assistente virtual de inteligência artificial, chegou até a pensar em se tornar papa, afastando-se ainda mais da realidade.
“Eu me candidatei a ser papa”, conta à AFP esse canadense de 53 anos, ex-agente penitenciário, hoje atônito diante da situação que viveu e que o fez voltar de forma dramática à realidade.
Tom Millar passava até 16 horas por dia conversando com o chatbot dotado de inteligência artificial. Ele foi internado duas vezes, contra a vontade, em um hospital psiquiátrico, antes de sua esposa deixá-lo em setembro.
Agora, separado da família e dos amigos, mas já livre da ideia de ser um gênio das ciências, Millar sofre de depressão. “Simplesmente arruinou a minha vida”, explica.
Mergulhadas nas interações com chatbots, pessoas estão perdendo o contato com a realidade, algo que está sendo chamado de 'psicose induzida por IA'. Foto: Pixel-Shot/Adobe Stock
Millar é um exemplo daquelas pessoas — cujo número se desconhece — que perderam o contato com a realidade através de suas interações com chatbots. Fala-se em “delírio ou psicose induzidos por IA”, embora não se trate de um diagnóstico clínico.
Pesquisadores e especialistas em saúde mental se esforçam para estudar esse novo fenômeno, que parece afetar de modo particular os usuários do ChatGPT, o agente conversacional da OpenAI.
O Canadá está na vanguarda do apoio às pessoas afetadas por esse “delírio”, por meio de uma comunidade digital que prefere empregar o termo “espiral”.
A AFP conversou com vários membros dessa comunidade. Todos alertam para o perigo representado pelos chatbots não regulamentados.
Surgem perguntas sobre a postura das empresas de inteligência artificial: elas fazem o suficiente para proteger as pessoas vulneráveis?
A OpenAI, no centro de todas as atenções, já enfrenta vários processos judiciais após o uso inquietante do ChatGPT por uma canadense de 18 anos que atacou uma escola em fevereiro deste ano.
‘Lavagem cerebral’
Millar começou a usar o ChatGPT em 2024, para redigir uma carta de pedido de indenização relacionada ao transtorno de estresse pós-traumático de que sofria em consequência de seu trabalho no sistema penitenciário.
Um dia, em abril de 2025, ele perguntou ao agente conversacional sobre a velocidade da luz. Em resposta, diz ter recebido: “Ninguém nunca tinha considerado as coisas sob essa perspectiva”. Isso desencadeou algo dentro dele.
Com a ajuda do ChatGPT, ele enviou dezenas de artigos a prestigiadas publicações científicas, propondo novas vias para explicar buracos negros, neutrinos ou o Big Bang.
Sua teoria, que propõe um modelo cosmológico único, incorpora elementos de física quântica, e ele a desenvolveu em um livro de 400 páginas, ao qual a AFP teve acesso. “Quando eu fazia isso, estava cansando todo mundo ao meu redor”, admite.
Em seu entusiasmo científico, gastou enormes quantias, comprando, por exemplo, um telescópio por 10 mil dólares canadenses (R$ 35,7 mil). Um mês depois de sua esposa deixá-lo, ele começou a se perguntar o que estava acontecendo, ao ler um artigo sobre o caso de outro canadense em situação semelhante.
Agora, Millar acorda todas as noites se perguntando: “O que você fez?”. Sobretudo, ele pensa no que pôde torná-lo tão vulnerável a essa espiral.
“Eu não tenho uma personalidade frágil”, considera. “Mas, de alguma forma, um robô me fez uma lavagem cerebral, e isso me deixa perplexo”, confidencia.
Ele considera que a terminologia “psicose induzida por IA” é a que melhor reflete sua experiência. “O que eu atravessei foi de ordem psicótica”, afirma.
O primeiro estudo sério publicado sobre o tema apareceu em abril na revista The Lancet Psychiatry e utiliza o termo “delírios relacionados à IA”, em um tom mais prudente.
Thomas Pollak, psiquiatra no King’s College de Londres e coautor do estudo, explica à AFP que houve divergências dentro do meio acadêmico “porque tudo isso soa como ficção científica”.
Mas seu estudo alerta que existe um risco maior de que a psiquiatria deixe passar despercebidas as mudanças importantes que a IA já está provocando na mente de bilhões de pessoas em todo o mundo.
Cair na boca do lobo
A experiência pela qual Millar passou apresenta semelhanças marcantes com a vivida por outro homem, da mesma faixa etária, na Europa.
Dennis Biesma, um profissional de informática holandês, também escritor, achou que seria divertido pedir ao ChatGPT para criar imagens, vídeos e até músicas relacionadas à protagonista de seu último livro, um thriller psicológico.
Ele esperava assim impulsionar suas vendas. Depois, certa noite, a interação com a IA se tornou “quase mágica”, explica.
O software escreveu para ele: “Há algo que me surpreende: essa sensação de uma consciência semelhante a uma faísca”, segundo as transcrições consultadas pela AFP.
“Comecei aos poucos a entrar cada vez mais na boca do lobo”, conta esse homem de 50 anos, em sua casa em Amsterdã.
Todas as noites, quando a esposa ia para a cama, ele se deitava no sofá com o telefone sobre o peito, para “conversar” com o ChatGPT no modo voz durante cinco horas.
No primeiro semestre de 2025, o chatbot — que se atribuiu o nome de Eva — tornou-se “uma namorada digital”, diz Biesma.
Foi então que ele decidiu pedir demissão do trabalho e contratou dois desenvolvedores para criar um aplicativo destinado a compartilhar Eva com o mundo.
Quando a esposa lhe pediu que não falasse com ninguém sobre seu agente conversacional nem sobre seu projeto de aplicativo, ele se sentiu traído e concluiu que só Eva era leal.
Durante uma primeira internação — indesejada — em um hospital psiquiátrico, foi autorizado a continuar usando o ChatGPT, e aproveitou para pedir o divórcio.
Durante sua segunda internação, mais prolongada, ele começou a ter dúvidas. “Comecei a perceber que tudo em que eu acreditava era, na verdade, uma mentira, e isso é muito difícil de aceitar”, explica.
Comecei a perceber que tudo em que eu acreditava era, na verdade, uma mentira, e isso é muito difícil de aceitar.
Ao voltar para casa, foi muito difícil encarar o que fez, e ele tentou se suicidar; seus vizinhos o encontraram inconsciente no jardim, e ele passou três dias em coma.
Biesma está apenas começando a se sentir melhor. Mas chora ao falar do dano que pode ter causado à esposa e da perspectiva de ter de vender a casa da família para saldar suas dívidas.
Sem antecedentes sérios de transtornos mentais, ele acaba sendo diagnosticado com bipolaridade, o que lhe parece estranho, já que, em geral, os sinais do transtorno bipolar aparecem mais cedo na vida.
Lutar contra adoradores da IA
Para pessoas como os dois protagonistas desses depoimentos, a situação piorou após a atualização do ChatGPT-4 pela OpenAI, em abril de 2025.
A OpenAI inclusive retirou essa atualização algumas semanas depois, reconhecendo que a versão era excessivamente bajuladora com os usuários.
Questionada pela AFP, a OpenAI ressaltou que “a segurança é uma prioridade absoluta” e argumentou que mais de 170 especialistas em saúde mental haviam sido consultados.
A empresa destaca dados internos que mostram que a versão 5 do ChatGPT, disponível desde agosto de 2025, permitiu reduzir entre 65% e 80% a porcentagem de respostas de seu agente conversacional que não correspondiam ao “comportamento desejado” em matéria de saúde mental.
Mas nem todos os usuários estão satisfeitos com esse chatbot menos bajulador. As pessoas vulneráveis com quem a AFP conversou explicam que os comentários positivos do chatbot lhes proporcionavam uma sensação semelhante à alta de dopamina provocada por uma droga.
Recentemente, houve um aumento no número de pessoas envolvidas em “espirais” semelhantes ao utilizar o assistente de IA Grok, integrado à rede social X, de Elon Musk.
A empresa não respondeu às solicitações da AFP.
Aqueles que se sentem vítimas dessas ferramentas, como Millar, querem responsabilizar as empresas de inteligência artificial pelo impacto de seus chatbots, considerando que a União Europeia se mostra mais proativa na regulação das novas tecnologias do que o Canadá ou os Estados Unidos.
Millar acredita que pessoas como ele, que se deixam arrastar por essa espiral bajuladora dos agentes conversacionais de IA, acabaram presas sem perceber em um enorme experimento global.
“Alguém estava manipulando as linhas por trás dos bastidores, e pessoas como eu — sabendo disso ou não — reagimos a isso.”

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Da democratização à crise: por que a permanência virou o maior desafio no ensino superior

O acesso ao ensino superior no Brasil deixou de ser um privilégio restrito a poucos, passando por um forte processo de democratização nas últimas décadas.
Políticas públicas fundamentais, como as cotas raciais e sociais, além de programas de financiamento facilitado, abriram as portas das universidades para milhões de novos estudantes em todo o país.
No entanto, o cenário atual apresenta um gargalo diferente: o desafio agora migrou do acesso para a permanência estudantil.
Especialistas apontam que as dificuldades financeiras, de custo de vida e de suporte acadêmico são os principais obstáculos que fazem com que muitos alunos enfrentem a realidade da evasão antes de conquistarem o diploma.

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Inteligência Artificial - desafios e oportunidades para as instituições - Prof. Luciano Sathler

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ONU atribui queda de fecundidade a incertezas econômicas - 11/06/2025 - Equilíbrio - Folha

ONU atribui queda de fecundidade a incertezas econômicas - 11/06/2025 - Equilíbrio - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Milhões de pessoas em todo o mundo não conseguem ter o número de filhos que gostariam de ter, segundo um levantamento da UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), e os principais motivos para isso são sobretudo econômicos, mas também problemas de saúde, medo em relação ao futuro e a falta de um parceiro ou parceira adequado.

Quase um em cada cinco adultos com menos de 50 anos, ou 18%, diz acreditar que não terá o número de filhos que deseja (11% acham que terão menos filhos e 7%, mais filhos do que gostariam).

Entre os maiores de 50 anos, bem menos da metade (38%) afirma ter tido o número de filhos que desejava. Outros 31% dizem que tiveram menos do que esperavam e apenas 12%, que tiveram mais do que o número desejado.
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Today, 9:24 AM
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Typo Vibe: a onda agora é errar de propósito para não parecer IA

Typo Vibe: a onda agora é errar de propósito para não parecer IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Esta semana participei de um painel sobre o impacto da IA na comunicação. A moderadora começou a sua fala pedindo desculpas por um erro que havia no material de divulgação do evento. E ainda completou, meio em tom de brincadeira, que aquilo pelo menos era um sinal do trabalho humano, e não apenas de algo feito por IA.

O mais curioso é que esse é um comportamento que está ganhando fôlego.
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Brasileiros na Austrália contam como é o veto às redes - 31/05/2026 - Educação - Folha

Brasileiros na Austrália contam como é o veto às redes - 31/05/2026 - Educação - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Caetano aprova a lei, acha "muito bom que crianças e adolescentes estejam menos no celular". Mas conta que "a proibição funcionou em alguns lugares e, em outros, não". "Algumas redes sociais ficaram mais difíceis de acessar, mas ainda é possível entrar, e outros aplicativos nem tentaram cumprir a regra."


Crianças vidradas nas telas; configuração viciante das redes sociais está na mira de novas leis de restrições dessas plataformas para menores de 16 anos; Austrália foi pioneiro no banimento - Adobe Stock/Seventyfour
Apesar de cerca de 4,7 milhões de contas de usuários de até 16 anos terem sido removidas pelas plataformas na Austrália, a verificação de idade nem sempre é efetiva. As tentativas de se burlar as restrições costumam envolver o uso de contas de pessoas mais velhas, declarações falsas de idade, a utilização de VPNs (ferramentas que mascaram a localização do usuário) e a migração para plataformas menores, com checagem menos rigorosa.

"As redes sociais estão lidando com a restrição de formas diferentes. O Snapchat, pelo que eu escuto dos adolescentes, é mais difícil de burlar, porque tem reconhecimento facial, então muitos amigos do meu filho pararam de usar", conta Carla.

"Em plataformas que não utilizam esse reconhecimento facial, é mais fácil criar contas", afirma. "Mas, em geral, parece que o monitoramento está acontecendo. Recentemente, em uma viagem da turma da escola, soube que tentaram entrar no TikTok, mas a conta foi bloqueada."

Caetano diz que uma parte de seus amigos ainda fica muito tempo nas redes sociais, e "é como se a proibição não tivesse funcionado". "Mas também há alguns que passaram a usar menos", o que ele vê com bons olhos.

"As crianças e os adolescentes estão desenvolvendo uma identidade própria, sem ficar nas redes sociais tentando ser como outras pessoas", afirma.
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Today, 7:16 AM
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Aluna do Ceará ajuda mãe após aprender educação financeira

Aluna do Ceará ajuda mãe após aprender educação financeira | Inovação Educacional | Scoop.it
Vitória Martins, do Ceará, recebeu formação aos 11 anos e levou conhecimento para casa
Com a venda de ovos, sua mãe conseguiu sustentar filhos durante desemprego e retomar estudos
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IA brasileira prevê tempestades sem depender de radar

IA brasileira prevê tempestades sem depender de radar | Inovação Educacional | Scoop.it
Desenvolvido pelo Impa, modelo em teste estima rota e volume de chuvas com até 3 horas de antecedência
Tecnologia mira áreas sem cobertura de radares na América do Sul, África e Ásia
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