Inovação Educacional
613.4K views | +29 today
 
Scooped by Inovação Educacional
onto Inovação Educacional
May 11, 8:05 AM
Scoop.it!

Bem-vindos à modernidade e falta de fundamentação da moral - 10/05/2026 - Luiz Felipe Pondé - Folha

Bem-vindos à modernidade e falta de fundamentação da moral - 10/05/2026 - Luiz Felipe Pondé - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Já Ésquilo na sua tragédia "Prometeu Acorrentado" colocava o problema do avanço da ciência e da técnica sob o signo do fogo: será que somos capazes de deter o segredo do fogo sem incendiar o mundo? Mary Godwin, a menina criada entre filósofos –seu pai era William Godwin e ela cresceu em meio aos utilitaristas em casa– que passou a ser "Shelley" quando se casou com o poeta Percy Shelley, no seu famoso "Frankenstein: ou o Prometeu Moderno", como boa romântica que era, já temia os avanços da ciência e os problemas que ela criaria para a moral. Logo, nada há de novo nos dilemas morais que a ciência nos coloca.

Quanto a fundamentação do que seria o bem ou, por consequência, o que seria a fundamentação da moral, o problema já circula há algum tempo, mesmo antes do grande Dostoiévski lançar seu vaticínio: se Deus não existe, tudo é permitido.

1 6
Veja ilustrações de 'Frankenstein' feitas por IA


VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link
Carregando...
Hugo Grotius (1583-1645), filósofo e jurista holandês que viveu em meio as terríveis guerras religiosas que dilaceraram a Europa e nos entregou temas como liberdade religiosa e estado apartado de denominação religiosa, tinha algumas preocupações. Uma delas era como fundamentar a moral num espaço onde existiam diferentes concepções religiosas, e elas matando umas as outras. A outra, mais radical, e que ficou para a tradição da filosofia moral como sendo "a problemática de Grotius" é a seguinte: a lei natural que fundamenta a moral deve valer mesmo se Deus não existisse.

Noutras palavras: o bem deve ser o bem porque o bem é o bem, e não porque Deus quer seja o bem. As leis devem ser independentes da vontade de Deus, elas devem valer por si mesmas. Essa problemática de Grotius estabelece as bases para a discussão de como fundamentar a moral se não for a partir da religião. Com esse passo, ele estabelece as bases para o direito moderno e o estado de direito laico.

A questão vira um problema, apesar que do ponto de vista estrito da lei se resolve com o estado de direito laico e as câmaras legislativas. Dane-se a fundamentação da moral, fiquemos apenas com a lei que nada tem a ver com justiça ou moral, como bem se sabe. Entretanto, se a lei não resolve a totalidade do problema, ou se ela mesma nada tem a ver com o bem moral, o que fazer? Bem-vindos à modernidade e sua falta de fundamentação da moral.

Thomas Hobbes (1588-1679) tentará responder a problemática de Grotius. Para o autor inglês, o fundamento da moral será o contrato social –portanto, a política, o estado, o Leviatã– que rompe com o ciclo do estado de natureza pré-político em que "a vida era solitária, pobre, sórdida, bruta e breve". Para Hobbes não existem leis naturais universais, mas, apenas, leis criadas pelo poder daquele que detém o monopólio legítimo da violência. Assim, se pensarmos em vários estados impondo suas leis, contanto que mantenham a ordem, está tudo bem. Hobbes não lida com a ideia de "leis em si", elas são puro fruto do poder político.

John Locke (1632-1704), tentando também responder a problemática de Grotius dirá que sim, existem leis pré-políticas, a diferença de Hobbes, e que elas são "apenas" a pura razoabilidade da ordem social: os homens assinam um contrato social no qual o soberano deverá respeitar a liberdade individual –a liberdade religiosa começa todo esse debate em meio as guerras religiosas europeias–, o direito a propriedade, e a vida, portanto, o estado estará limitado por essas leis anteriores a ele. Nasce, assim, o liberalismo.
No comment yet.
Inovação Educacional
Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
Your new post is loading...
Your new post is loading...
Scooped by Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
Scoop.it!

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 4:27 PM
Scoop.it!

Grupo de pesquisa do Instituto de Psicologia da USP lança coletâneas sobre queixas escolares –

Grupo de pesquisa do Instituto de Psicologia da USP lança coletâneas sobre queixas escolares – | Inovação Educacional | Scoop.it
Dois e-books estão disponíveis gratuitamente no Portal de Livros Abertos da USP, com reflexões teóricas e práticas sobre a temática
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 4:23 PM
Scoop.it!

Brasil tem 1,1 milhão em busca de emprego há 2 anos ou mais, diz IBGE

Brasil tem 1,1 milhão em busca de emprego há 2 anos ou mais, diz IBGE | Inovação Educacional | Scoop.it

Dos cerca de 6,58 milhões de brasileiros desempregados no primeiro trimestre, 1,1 milhão deles buscam por uma colocação há dois anos ou mais, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O que aconteceu
Número de pessoas em busca de emprego há dois anos ou mais recua. A condição aflige 21,7% dos desempregados entre janeiro e março deste ano. A taxa representa uma redução do contingente na comparação com o mesmo período de 2025, quando 1,4 milhão de pessoas estavam nessa condição.

Procura por recolocação profissional há menos de um mês também cai. O contingente na situação corresponde a 1,4 milhão de brasileiros, número 14,7% menor do que o registrado no mesmo trimestre de 2025, quando 1,6 milhão de pessoas buscavam uma ocupação há menos de 30 dias.
Evolução recente reflete melhora do mercado de trabalho no Brasil. William Kratochwill, analista da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), explica que os resultados consideram a trajetória que renovou a menor taxa de desemprego do Brasil nos últimos meses.

A queda da população que estava em busca de trabalho por mais de dois anos significa que o mercado melhorou de forma mais geral, enquanto a redução na parcela à procura por menos de um mês significa uma boa rotatividade, que está mais fácil de conseguir emprego.
William Kratochwill

Busca por emprego
Desemprego afligia 6,1% da população brasileira no primeiro trimestre. A taxa representa uma leve alta na comparação com os últimos três meses do ano passado (5,1%), mas representa o menor percentual de toda a série histórica, iniciada em 2012, para o período.

Nível de desocupação tradicionalmente cresce no início dos anos. A tendência confirma o cenário observado pelo IBGE com o aumento da busca por emprego nos primeiros meses de cada ano. O movimento se deve ao fim dos contratos de trabalho temporário e às demissões nas áreas da administração pública.

Taxa de desocupação atinge 5,1% dos homens e 7,3% das mulheres. Já o índice por cor ou raça ficou abaixo da média nacional para os brancos (4,9%) e acima para os pretos (7,6%) e pardos (6,8%).
Desemprego por nível de instrução também mostra divergências. A desocupação para as pessoas com ensino médio incompleto (10,8%) superava as taxas dos demais níveis de instrução. Para as pessoas com nível superior incompleto, a taxa foi 7,0%, quase o dobro da verificada para o nível superior completo (3,7%).

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 4:16 PM
Scoop.it!

Gustavo Miller: Seu coach espiritual e religioso é IA. E você nem sabe

Gustavo Miller: Seu coach espiritual e religioso é IA. E você nem sabe | Inovação Educacional | Scoop.it

Yang Mun é um monge sereno, de vestes laranja.
Sempre aparece sentado diante de imagens budistas, compartilhando sabedoria milenar sobre equilíbrio e harmonia interior.
Vários amigos meus o seguem. Pessoas reais, inteligentes, de perfis completamente diferentes.
O monge soma mais de 6 milhões de seguidores em suas redes sociais.
Só que Yang Mun não existe.
O monge é um avatar gerado por inteligência artificial.
Criado pelo empreendedor israelense Shalev Hani usando ChatGPT, ElevenLabs, HeyGen, Nano Banana e outras ferramentas.
Segundo Hani, ele já faturou mais de US$ 500 mil em seis meses apenas com o personagem..
É que Yang Mun tem um site onde comercializa e-books e programas de 30 dias de bem-estar espiritual.
O detalhe é que se apresenta como um coach digital, jamais cita que é gerado por inteligência artificial.
Ao descobrir o perfil, o número de amigos que o segue e seu faturamento de seis dígitos, a pergunta que não sai da minha cabeça não é "como isso é possível?"
É outra: por que funciona tão bem?
Personagens virtuais que são influenciadores nas redes não é novidade.
A Lu do Magazine Luiza, criada em 2003, é declaradamente um avatar.
Lil Miquela, nos Estados Unidos, nunca escondeu sua natureza artificial.
Eram personagens estilizados, claramente irreais, quase como desenhos animados tridimensionais
A Inteligência Artificial generativa apagou esse limite.
Os avatares de hoje não parecem desenhos. Parecem pessoas.
Falam e gesticulam com naturalidade.
E dominaram uma habilidade que os personagens antigos não tinham: a capacidade de parecer genuínos.
O Coachella 2026 foi o laboratório mais recente desse fenômeno.
Enquanto Justin Bieber e Sabrina Carpenter tocavam no palco principal, influenciadores de IA circulavam pelo festival.
Só que sem ingresso e sem passagem aérea.
Sem existir.
Granny Spills é uma senhora de 75 anos debochada, bon vivant, sem filtros, que dá conselhos de relacionamento amoroso.
Tem mais de 2 milhões de seguidores apenas no Instagram
A personagem postou fotos com membros da família Kardashian e Jenner em cenários reconhecíveis do festival.
Mas o que viralizou foi uma foto dela no backstage com Justin e Hailey Bieber.
Ela usava uma camiseta escrito "Future Mrs. Bieber". Achei real. Levei alguns segundos para entender que não era.
Aitana López também estava por lá
Criada pela agência espanhola The Clueless, Aitana é apresentada como uma jovem de 25 anos.
Cabelos cor-de-rosa, apaixonada por videogames e fitness.
Fatura até 10 mil euros por mês em contratos com marcas.
Tem conta no Fanvue, plataforma similar ao OnlyFans.
E recebe mensagens privadas de pessoas que não fazem ideia de que ela não existe.
Os fãs de Aitana não a seguem apesar de ela ser falsa.
A seguem porque o universo que ela representa (a vida perfeita, as viagens, os looks, a rotina de bem-estar) é real o suficiente para despertar desejo e aspiração.
Ou seja, os novos avatares influenciadores de IA enganam (ou convencem) por outra razão.
O criador do monge Yang Mun pariu outros filhotes digitais por aí.
São 7 avatares no total, que rendem 21 vídeos por dia.
Tem desde um rabino com 40 anos de estudos (Menachem Goldberg) a um senhor aposentado de Nova York (Richard Hale) que se apresenta como bilionário self-made e guru de investimentos.
Todos vendem e-books e outros produtos digitais.
Três personas completamente distintas, explorando um nicho diferente de ansiedade humana: espiritualidade, sabedoria religiosa e sucesso financeiro.
"As pessoas se importam com a mensagem, não com a tecnologia", explica Shalev Hani.
Ele está certo: o que esses avatares vendem não é conteúdo. É pertencimento.
É a sensação de ser compreendido por "alguém" que nunca te julga, nunca está de mau humor e sempre tem a frase certa na hora certa.
O mercado gospel brasileiro é o melhor termômetro disso.
Hikari de Jesus, um jovem asiático tatuado (referência ao K-pop) tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram cantando seus louvores gerados por IA.
Por que funciona?
Porque quem consome esse tipo de conteúdo não está necessariamente buscando autenticidade artística.
Está buscando conforto, motivação e palavras de apoio 24h por dia.
Mas tem um porém.
Quando um avatar de IA oferece acolhimento emocional sem se identificar como máquina, ele não é apenas uma estratégia de marketing agressiva.
É uma forma de manipulação que explora exatamente os momentos de maior vulnerabilidade das pessoas.
Continua após a publicidade
A IA generativa é, por natureza, um sistema de adaptação.
Ela imita linguagem, padrões emocionais, estilos de aconselhamento.
O que poderia ser um acesso eficiente a informações se transforma num bate-papo contínuo com uma figura de autoridade.
O algoritmo se torna pastor, coach e, às vezes, referência moral.
O risco não é só individual. É coletivo.
Nas mesmas redes sociais há diversos vídeos de pessoas pedindo para denunciar o perfil de Yang Mun.
As plataformas, para variar, demoraram demais para agir. Ele continua lá, com contas reservas e tudo.
Afinal, esses conteúdos engajam, prendem os seguidores, criam dependência.
Tudo que as Big Techs querem.
Já existe até um projeto brasileiro para identificar os perfis de IA que fazem marketing de influência espiritual e religioso sem deixarem isso claro.
Chamado de Profetas Sintéticos, trata-se de uma plataforma aberta que usa, olha só, inteligência artificial para validar que é real de quem é virtual.
Até o momento que escrevo este texto, o site diz já ter identificado mais de 60 perfis que não são humanos.
Um deles é o de Aharon Viana, mistura de pastor com cantor country, que tem cerca de 500 mil seguidores no Instagram e vende um "áudio devocional".
A questão é que estamos tão treinados pelos algoritmos a consumir exatamente o que já acreditamos, e a ignorar o que nos desafia, que a mensagem se tornou mais importante que o mensageiro.
Não importa se é um monge real ou gerado por prompt.
Não importa se é uma vovó no Coachella ou um deepfake.
Não importa se a voz de encorajamento vem de um ser humano ou de um servidor na nuvem.
Se ressoa, se conforta, se confirma o que já sentimos?
Consumimos.
E alguém, em algum lugar, está lucrando muito com isso.
A pergunta que fica: se o conforto é real, o engano importa?

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 4:08 PM
Scoop.it!

O pedreiro não vai ser demitido por IA. O emprego do futuro é offline?

O pedreiro não vai ser demitido por IA. O emprego do futuro é offline? | Inovação Educacional | Scoop.it

Fiz uma reforma recente no apartamento.
Contratei um empreiteiro.
Um pintor.
Um eletricista.
E um marceneiro para refazer o piso de madeira.
O primeiro chegou com dois assistentes. Estava ali apenas para supervisionar e visitar outras três obras no mesmo bairro. "Quantas pessoas estão trabalhando para você?", perguntei. "Hoje? Oito", ele respondeu. "Será que a inteligência artificial vai roubar seu trabalho também?", brinquei. A resposta foi uma risada gostosa.
Durante décadas, o roteiro para o sucesso parecia ser claro: estudar, fazer faculdade, conseguir um emprego de escritório, trabalhar com computador, ter um crachá, um plano de saúde e uma cadeira ergonômica...
O sonho de trabalhar com tecnologia virou meta de uma geração inteira a partir do surgimento do computador pessoal. O nascimento das big techs nos anos 1990, o boom da internet, a digitalização e as redes sociais apontavam para o mesmo destino: o futuro do trabalho estava em ficar atrás de uma tela. Ou várias.
A pandemia potencializou isso com a popularização dos nômades digitais. Afinal, bastava um notebook e uma boa conexão para você conseguir trabalhar em qualquer lugar do mundo. Do dia para a noite, todo mundo queria vender um curso, um infoproduto, uma mentoria. Parecia que o trabalho manual havia ficado para trás.
Aí chegou a inteligência artificial generativa e o roteiro virou de cabeça para baixo. Os empregos mais ameaçados não são os de pedreiro ou de eletricista, são os de analista, redator, programador, assistente jurídico, designer, contador... Os chamados empregos de colarinho branco.
Justamente aqueles empregos que pareciam seguros por serem "do futuro" estão sendo automatizados em velocidade assustadora pelos softwares de IA. Enquanto isso, quem trabalha com as mãos está com a agenda lotada - e cobrando bem caro.
Mike Rowe, apresentador do programa "Dirty Jobs" ("trabalhos sujos", na tradução livre) e defensor histórico dos trabalhadores manuais nos EUA, visitou um data center no Texas em março de 2026. Lá, ele encontrou três eletricistas, todos com menos de 30 anos, sem dívidas de faculdade - os empréstimos estudantis são bem comuns nos Estados Unidos.
E havia um detalhe bastante curioso na vida desses três profissionais: eles tinham sido "roubados" de outras empresas três vezes nos últimos 18 meses. "É como o draft da NBA", disse Rowe, comparando o sistema de recrutamento universitário para a liga de basquete americana. Eletricistas especializados em data centers estão ganhando até US$ 260 mil por ano, de acordo com Rowe. E, ah, sem diploma universitário.
Em um país que paga por hora trabalhada, essa procura - e o valor de salário - não é coincidência. Segundo a edição de março de 2026 da revista "Fortune", os EUA vão precisar de cerca de 300 mil novos eletricistas na próxima década para dar conta das novas demandas de tecnologia. No entanto, estima-se que 200 mil estão próximos da aposentadoria.
E isso não é uma novidade para o mercado. Um relatório da McKinsey & Company, de 2024, já previa a escassez de mão de obra técnica nos EUA. Segundo o levantamento, a contratação anual para funções técnicas qualificadas, como eletricistas, soldadores e especialistas em diesel, pode ser mais de 20 vezes o aumento anual projetado em novos postos de trabalho líquidos entre 2022 e 2032.
A inteligência artificial precisa de infraestrutura física, enormes data centers, para existir. E quem constrói essa infraestrutura são pessoas com ferramentas nas mãos. Uma pesquisa da Randstad de 2025 aponta que a revolução da IA está 'gerando uma demanda por trabalhadores qualificados que supera a de profissionais de colarinho branco'.
Aqui no Brasil, o Censo Escolar 2025, divulgado em fevereiro, aponta o mesmo comportamento. As matrículas na educação profissional e tecnológica saltaram 68,4% em cinco anos: de 1,89 milhão em 2021 para 3,18 milhões em 2025. O governo federal projeta R$ 8 bilhões em investimentos no ensino técnico em 2026, com a criação de 600 mil novas vagas.
Mas e quem não tem talento para trabalhos manuais, como este escritor? Entra aqui outra tendência analógica: investir em "boring business". Em português literal: negócios entediantes. Os economistas Owen Zidar (Princeton) e Eric Zwick (Universidade de Chicago) analisaram, para a Universidade de Princeton, 22 anos de dados tributários nos EUA, entre 2000 e 2022. Sabe o que descobriram?
A maior parte dos americanos, dentro do 0,1% mais ricos do país, não são executivos de Wall Street nem fundadores de startups. São donos de empresas "entediantes" no interior do país. Como redes de concessionárias, distribuidoras de bebidas, clínicas dentárias ou franquias de ar-condicionado e lavanderias.
Os pesquisadores batizaram esses empresários de "stealthy wealthy", ou "ricos fora do radar". Negócios que não viram manchete nem rendem estudo de caso de MBA, mas entregam caixa em qualquer ciclo econômico.
Talvez o futuro do trabalho seja mais parecido com o passado do que imaginávamos.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 10:15 AM
Scoop.it!

‘Parece que a gente está pedindo esmola’: Todos Pela Educação sobre exigência de formação presencial

‘Parece que a gente está pedindo esmola’: Todos Pela Educação sobre exigência de formação presencial | Inovação Educacional | Scoop.it
“O modelo de negócio de ensino superior é baseado na educação a distância”, afirma Cruz. “A gente só aprende a ser professor se relacionado com o outro. Se tem uma profissão que a IA não vai substituir, é o professor.“
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 8:14 AM
Scoop.it!

Universidade sem censura

Universidade sem censura | Inovação Educacional | Scoop.it

A polarização político-ideológica impactou de modo nefasto os princípios fundamentais que regem o ensino superior, por vezes criando um ambiente intelectual sufocado por práticas persecutórias. Como reação necessária, professores e pesquisadores lançaram o Manifesto pelo Pluralismo e pela Liberdade Acadêmica —que já tem mais de mil assinaturas.
Interditos se dão seja por meio de notas de repúdio e campanhas em redes sociais contra docentes, pesquisadores e alunos, seja por meio de boicote a aulas, cancelamento de eventos e intimidação de palestrantes.
Exemplos não faltam. Pesquisa da Universidade Federal Fluminense compilou mais de cem casos nos últimos anos, entre eles o abaixo-assinado de estudantes da USP contra o retorno da professora Janaina Paschoal.
Em 2022, candidatos do Novo foram impedidos de dar palestra na Unicamp; no ano seguinte, ativistas e pesquisadores declararam Richard Miskolci, professor da Unifesp, persona non grata por sua crítica ao conceito de cisgeneridade; em 2024, a UnB cancelou o curso do professor Jorge Gordin, da Universidade Hebraica de Jerusalém, após protestos antissionitas do alunado.
Trata-se de condutas inaceitáveis no ambiente acadêmico. Afinal, o respeito a ideias divergentes, à liberdade de expressão e ao debate racional, baseado em dados e critérios técnicos, é condição essencial da produção de conhecimento. A universidade é, por natureza, antiautoritária.
Por isso, o manifesto demanda o comprometimento com três pilares. Primeiro, a neutralidade institucional: "universidades devem evitar adotar posições oficiais sobre questões políticas ou ideológicas". Já a liberdade acadêmica exige "uma cultura organizacional pró-dissenso" que impeça perseguição e interdição de professores, pesquisadores e alunos por suas opiniões.
Por fim, o pluralismo advoga a expansão dos currículos para que abarquem obras de referência de campos diversos em disputa, como liberalismo, conservadorismo e progressismo.
Pesquisa do Instituto Sivis de 2025 mostra que 48% dos universitários evitam emitir opinião sobre assuntos polêmicos, principalmente sobre política, enquanto outra realizada pela USP e pela UFBA no mesmo ano aponta que 61% dos professores já evitaram certos temas por medo de sanção moral, política ou jurídica.
Universidades precisam conter o autoritarismo que estimula tal autocensura. Só assim poderão cumprir sua missão institucional e garantir legitimidade.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 1:14 PM
Scoop.it!

Pediatras discutem desafios perigosos na internet e cuidados com crianças e adolescentes nas redes sociais

A abertura ficou a cargo do presidente do DC de Emergência da SBP, dr. Hany Simon Júnior, que apresentou uma revisão sobre o tema. Ele destacou casos de mortes de crianças e adolescentes associados aos chamados “desafios perigosos” e explicou como funcionam os algoritmos das redes sociais que captam a atenção desse público. Também abordou as diferenças e semelhanças entre a dependência digital e outros tipos de vício, os principais formatos de desafios, os sinais e sintomas que podem indicar a participação de um paciente nessas práticas, entre outros pontos relevantes.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 1:04 PM
Scoop.it!

Pentágono implementa Mythos, da Anthropic, para corrigir falhas | Mundo

Pentágono implementa Mythos, da Anthropic, para corrigir falhas | Mundo | Inovação Educacional | Scoop.it
O Pentágono está implementando o modelo de cibersegurança Mythos, da Anthropic, para encontrar e corrigir vulnerabilidades de software em todo o governo dos Estados Unidos, mesmo enquanto acelera a conclusão de uma transição para deixar de usar a empresa de inteligência artificial, afirmou nesta terça-feira a principal autoridade de tecnologia do Departamento de Defesa.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 10:53 AM
Scoop.it!

Funcionários da Meta protestam contra monitoramento no trabalho

Funcionários da Meta protestam contra monitoramento no trabalho | Inovação Educacional | Scoop.it
Novo programa da empresa rastreia movimentos de mouse, teclado e tela; empresa justifica projeto como treinamento de agentes de IA.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 10:50 AM
Scoop.it!

Limites para a inteligência artificial nas escolas

Limites para a inteligência artificial nas escolas | Inovação Educacional | Scoop.it

O avanço da inteligência artificial forçou sistemas de ensino em todo o mundo a se adaptarem a essa tecnologia. Reveladora desse movimento é a inclusão da disciplina letramento midiático e em inteligência artificial na próxima edição do Pisa, exame internacional de desempenho escolar, em 2029.
No Brasil, uma resolução de 2025 do Conselho Nacional de Educação tornou a educação digital e midiática obrigatória a partir deste ano. Na segunda (11), o órgão estabeleceu diretrizes para o uso de IA nos ensinos básico e superior por meio da aprovação de um parecer prévio —que ainda passará por consulta pública.
O CNE faz uma diferenciação necessária entre as formas de uso. Quanto mais a IA se aproxima de avaliar, vigiar ou decidir o destino do aluno, maior o risco.
No nível de baixo risco, ela serve de apoio administrativo e pedagógico, como em organização de materiais, acessibilidade, revisão de textos sem atribuição de nota e planejamento de aulas.
No risco moderado, a IA interage com alunos, mas não toma decisões automáticas relevantes, casos de tutores virtuais, feedback formativo e apoio à escrita.
O alto risco se dá quando é possível afetar diretamente notas, aprovação ou direitos dos alunos, como em correção automática de provas, monitoramento biométrico e perfilização de alunos com base em comportamento, desempenho e frequência.
Por último está o risco excessivo, único nível proibido: decisões automáticas sobre aprovação ou expulsão, perfilização para punição e vigilância emocional.
Todos os outros níveis, apesar de permitidos, precisam seguir exigências específicas, que incluem transparência, segurança da informação, restrição de uso de dados, revisão humana, avaliação de impacto, direito de contestação e supervisão contínua.
O parecer também inclui a IA no currículo para que alunos compreendam o funcionamento da ferramenta por meio de análise crítica que identifique limites, fragilidades e periculosidade.
Para lidar com as desigualdades entre redes de ensino, indica-se a necessidade de ampliar a inclusão digital, com adaptação a especificidades locais e regime de cooperação federativa.
Segundo a TIC Educação de 2025, pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, só 54% dos professores tiveram formação sobre ferramentas digitais. Assim, ainda é preciso expandir a capacitação da categoria.
No geral, o parecer é bem-vindo, já que promove a tecnologia sem descuidar da integridade do ensino e dos direitos dos alunos.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 10:44 AM
Scoop.it!

MEC lança guia para promoção do clima escolar positivo

MEC lança guia para promoção do clima escolar positivo | Inovação Educacional | Scoop.it
Material visa apoiar as escolas na construção de ambientes acolhedores, participativos e seguros. Ele oferece subsídios práticos para fortalecer as relações e a aprendizagem nos anos finais do ensino fundamental
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 9:58 AM
Scoop.it!

Formação em Risco: O Impacto do EAD na Enfermagem

O documentário “Formação em Risco: O Impacto do EAD na Enfermagem” serve como um alerta urgente e um apelo pela preservação da qualidade do sistema de educação e de saúde no Brasil. Produzido pelo Conselho Federal de Enfermagem, o filme apresenta depoimentos esclarecedores de profissionais da área, autoridades, estudantes e pacientes. Esses testemunhos destacam a importância da natureza presencial da profissão de Enfermagem e convidam a sociedade a refletir sobre a presencialidade do ensino em cursos da área de saúde.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 9:58 AM
Scoop.it!

Grupos internacionais de educação já compraram 20 colégios premium no país | Empresas

Grupos internacionais de educação já compraram 20 colégios premium no país | Empresas | Inovação Educacional | Scoop.it
Mais um grupo inglês entra no mercado nacional de educação básica. Trata-se da Affinitas Education, que desembarcou no Brasil adquirindo os colégios bilíngues St. Francis e Beacon, ambos na capital paulista. Com isso, já são cinco redes britânicas e uma suíça que juntas compraram cerca de 20 colégios no país. São escolas voltadas para um público de maior renda e, em geral, bilíngues ou internacionais.

O mercado privado de educação básica movimentou, no ano passado, R$ 112 bilhões, considerando mensalidades e sistemas de ensino. Deste montante, 20% vêm dos colégios premium, cujas mensalidades podem chegar à casa dos R$ 15 mil. Os dados são da consultoria Hoper Educação.

Há um interesse na consolidação da educação básica no Brasil, uma vez que apenas 20% dos alunos estudam na rede privada. Os grupos internacionais de educação que estão no país são capitaneados por investidores financeiros que, em poucos anos de atividades, fizeram várias aquisições em diferentes países de escolas de educação básica, modalidade conhecida como K-12, ou seja, desde o “kindergarten” (jardim de infância) ao 12º ano.


lousa cheia_B — Foto: Arte/Valor
A Affinitas foi fundada em 2022 pela Oakley, gestora britânica de private equity (que compra participação em empresas) que, no ano passado, levantou em um de seus fundos € 4,5 bilhões. A primeira escola brasileira adquirida foi o St. Francis, cuja transação foi anunciada há cerca de dois meses. Nessa semana, a Beacon informou que também passou a fazer parte do grupo, que possui um total de 29 escolas na América e Europa.

“A partir de uma reflexão sobre o futuro e a continuidade da escola, entendemos que era o momento de dar um novo passo, buscando um parceiro alinhado aos nossos valores, capaz de fortalecer o nosso projeto sem abrir mão da nossa identidade e da nossa cultura de cuidado com os alunos”, informaram, em comunicado, Luciana Leite e Maria Eduarda Sawaya, sócias-fundadoras da Beacon. A escola tem 1,5 mil alunos em três unidades na capital paulista. As fundadoras permanecem como sócias. A fatia não foi revelada. A escola informou que não haverá mudanças na equipe e perfil pedagógico.

No site da Affinitas, o St. Francis disse que a associação com o grupo inglês permite dar continuidade à missão, “mantendo-nos fiéis à nossa essência como instituição de ensino, e ampliar as oportunidades disponíveis para nossos alunos e para a comunidade.”

Thomas Rajzbaum, CEO da Affinitas, informou que “nosso papel como parceiro vai ser apoiar e potencializar o que já existe, ampliando a experiência internacional, recursos e perspectiva global.”

Os valores das transações não foram divulgados. Mas, sabe-se que os grupos internacionais, em especial os ingleses, têm desembolsado quantias relevantes nessas aquisições. A Inspired, de Londres, pagou R$ 2 bilhões pela Eleva, o equivalente a 25 vezes o lucro antes de juros, depreciação e amortização (Ebitda). Além disso, investiu mais R$ 3 bilhões em expansão.

A também britânica Nord Anglia pagou US$ 500 milhões pelas unidades de São Paulo e Nova York da Escola Avenues, fundada nos Estados Unidos.

No fim do ano passado, a International Schools Partnership (ISP) comprou as escolas Albert Sabin e Vital Brazil. Outra transação que chamou atenção foi a venda, em 2024, da Escola Móbile, que há anos era assediada por investidores, para a Nord Anglia. Esse grupo tem como investidores as gestoras Warburg Pincus e TA Associates.

Segundo Paulo Presse, consultor da Hoper Educação, a estimativa é que haja no Brasil entre 30 e 40 escolas com esse perfil premium. “É um segmento pequeno em volume, mas muito relevante em valor, reputação e estabilidade de receita, o que ajuda a explicar o interesse crescente de grupos nacionais e internacionais”, disse Presse.

Atualmente, há um questionamento sobre se ainda existe espaço para mais aquisições nesse segmento premium, uma vez que muitos colégios desse perfil já foram adquiridos.

Há ainda aqueles colégios em que os fundadores não têm interesse de vender. Esse é o caso da Escola Concept, com mensalidade de R$ 13 mil na unidade de São Paulo, que é frequentemente procurada pelas redes internacionais. Hoje, a Concept está também em Ribeirão Preto (SP) e Salvador e tem uma unidade em construção no Rio de Janeiro.

“Não existe chance de venda das premium. Minhas filhas assumiram a continuidade do legado. Não vamos vender, apesar das propostas mirabolantes. Faço questão de preservar o legado, 60 anos à frente de educação e minhas duas filhas, Thalita e Thamila, assumiram como CEOs, já com passagem de bastão e continuidade. Estou muito feliz, elas estão indo muito bem, superando as expectativas”, disse Chaim Zaher, presidente do grupo SEB, que é dono da Escola Concept e de outros colégios premium como Pueri Domus e Carolina Patrício.

“O que estamos vendo é um mercado mais sofisticado e seletivo. Esse nicho reúne escolas internacionais e bilíngues de alto padrão, muitas delas com currículo IB Continuum [certificação do International Baccalaureate (IB)], mensalidades que podem passar de R$ 10 mil e forte apelo de exclusividade, posicionamento e formação global. Não é apenas uma entrega acadêmica, mas também um ecossistema de relacionamento voltado para famílias de alta renda”, disse o consultor da Hoper.

Um dos atrativos dos grupos internacionais é a oferta de intercâmbio entre as escolas localizadas nos diferentes países. O SEB está negociando a compra de uma escola no Canadá para que os alunos de seus colégios premium estudem uma temporada fora do Brasil.

Entre os grupos internacionais no Brasil há ainda a rede canadense Maple Bear. A operação local e internacional pertence também ao grupo SEB, desde 2024. No mundo, a Maple Bear tem cerca de 500 unidades que são tocadas com parceiros locais, como fundos de investimentos. Desse volume, cerca de metade está no Brasil, onde o modelo é de franquias.

Há também uma consolidação nos colégios da camada de renda “intermediário alto”, mas esse movimento é tocado pelos grupos nacionais. As três maiores redes de escolas no Brasil também têm investidores financeiros como sócios. Em 2024, os fundos adquiram cerca de um terço das empresas. Entre elas estão o Salta, líder do setor com 180 mil alunos e que tem como sócios os fundos Gera, Warburg Pincus e Atmos.

Na Inspira, a Advent e o fundo de pensão canadense CPP colocaram R$ 1 bilhão para expansão da companhia, que tem ainda um fundo do BTG e o fundador, André Aguiar, como acionistas.

No SEB, a família Zaher vendeu um terço de sua operação de escolas focadas em aprovação no vestibular para o Kinea, fundo do Itaú, por R$ 415 milhões. A empresa está mais voltada aos colégios premium, como Concept, Pueri Domus e Carolina Patrício.

Os grupos Salta, SEB e Inspira têm projetos de abertura de capital quando o ambiente macroeconômico estiver melhor e as condições do mercado financeiro forem mais atrativas. Enquanto isso, estão fazendo aquisições. O mercado de educação básica ainda é bastante pulverizado.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 4:25 PM
Scoop.it!

Religious upbringing linked to better health and well-being during early adulthood

Religious upbringing linked to better health and well-being during early adulthood | Inovação Educacional | Scoop.it
For this study, Chen and senior author Tyler VanderWeele, John L. Loeb and Frances Lehman Loeb Professor of Epidemiology, analyzed health data from mothers in the Nurses’ Health Study II (NHSII) and their children in the Growing Up Today Study (GUTS). The sample included more than 5,000 youth who were followed for between 8–14 years. The researchers controlled for many variables such as maternal health, socioeconomic status, and history of substance abuse or depressive symptoms, to try to isolate the effect of religious upbringing.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 4:20 PM
Scoop.it!

IA, ghost jobs e ATS: o mercado de trabalho mudou para pior

IA, ghost jobs e ATS: o mercado de trabalho mudou para pior | Inovação Educacional | Scoop.it

Não muito tempo atrás, ir atrás de um emprego seguia um passo a passo básico.
Candidato descobria a vaga.
Candidato enviava o CV.
Candidato era chamado para entrevistas.
Com alguma sorte e merecimento, o candidato conseguia o trabalho.
A Inteligência Artificial mudou o processo de recrutamento para pior.
E propositalmente.
Pois, hoje, o processo seletivo virou uma corrida de obstáculos projetada para eliminar candidatos.
Não para encontrá-los.
De currículos rejeitados por robôs a vagas que nunca existiram.
A Inteligência Artificial tornou o mercado de trabalho mais difícil e menos humano.
Para entender os motivos é preciso entender uma sigla antes: ATS.
O Applicant Tracking System é um software de triagem automatizada que praticamente todas as grandes empresas usam hoje.
Antes de qualquer recrutador humano ver o seu nome, um algoritmo leu o seu currículo, identificou palavras-chave e decidiu se você avança ou vai para o lixo.
Existe um mito de que 75% dos candidatos qualificados são rejeitados pelo ATS por causa de formatação inadequada ou ausência das palavras-chave certas no CV.
Sabe aqueles currículos coloridos, com gráficos e tabelas, lindos nos templates do Canva?
Sinto muito, mas o robô não consegue interpretar essas informações.
Não é à toa que pipocam por aí ferramentas de IA que prometem revisar seu currículo e deixá-lo amigável para o ATS.
Ou seja, a inteligência artificial lê o que a vaga pede e copia e cola no seu CV exatamente o que o robô quer.
O Future of Work Research Lab, da empresa SAP, aponta que 39% dos candidatos já utilizam IA para otimizar seus CVs
Genial, certo?
Mais ou menos: porque a ATS é só o primeiro obstáculo.
O segundo é a vaga que nunca existiu, os chamados ghost jobs ("vagas fantasmas")
Um estudo recente da Clarity Capital indica que de cada 7 vagas divulgadas, uma não existe.
Por que alguém faria isso?
Para agradar investidores, por exemplo.
Ou dar a impressão de que a empresa está crescendo.
Ainda segunda a Clarity, mais de um terço dos gestores de contratação publicam vagas apenas para formar um banco de candidatos caso alguém saia.
Sabe quando você vê o anúncio de uma vaga anunciada a mais de 30 dias? Pois então.
Estima-se que existam 1,7 milhão de vagas fantasmas só nos Estados Unidos.
O ghosting corporativo é real.
Numa pesquisa do LinkedIn, mais da metade dos candidatos afirmou ter recebido resposta de menos de 5% das vagas às quais se candidatou.
O terceiro obstáculo chegou mais recentemente: a entrevista com o robô.
A plataforma de contratação Greenhouse estima que 63% dos candidatos americanos já foram entrevistados por algum chatbot.
E 38% já abandonaram um processo seletivo porque ele exigia uma entrevista com IA.
Entenderam o paradoxo?
As empresas usam IA para contratar mais rápido e com menos custo.
Os candidatos usam IA para aparecer em mais processos.
Os recrutadores usam IA para identificar os CVs que são IA.
E quando rola uma abençoada entrevista, quem a conduz é uma IA.
Quando tudo vira automação, é o lado humano que vai destoar.
Quem diz é o próprio CEO do LinkedIn, Ryan Roslansky.
No recém-lançado livro "Open To Work", ele destaca cinco habilidades que a IA não irá substituir.
São os cinco "C": curiosidade, coragem, criatividade, compaixão e comunicação.
Em outras palavras: o que funciona continua sendo o que sempre funcionou.
Conhecer pessoas, ser recomendado, construir reputação antes de precisar dela?
O próprio LinkedIn atesta isso, quando cita que 93% dos recrutadores afirmam que indicações são importantes porque vêm acompanhadas de uma recomendação confiável.
A diferença é que nunca foi tão difícil para quem não tem essa rede.
Para quem está começando. Para quem mudou de área.
Para quem voltou ao mercado depois de anos fora.
A pergunta que fica: num processo seletivo onde robôs filtram currículos feitos por robôs para vagas que talvez não existam?
O que estamos realmente selecionando?

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 4:12 PM
Scoop.it!

Gustavo Miller: a IA vai acabar com os estágios?

Gustavo Miller: a IA vai acabar com os estágios? | Inovação Educacional | Scoop.it

Esta semana vi um vídeo que criou um triplex na minha mente: um único funcionário da Anthropic é responsável pelo trabalho inteiro de todo o departamento de Growth Marketing da empresa.
Austin Lau, funcionário da empresa por trás do Claude, explica como, sem saber programar uma linha de código, conseguiu automatizar o seu trabalho.
Com o assistente de IA, Lau criou agentes que rodam tudo de campanhas de mídia paga, email, SEO e CRM.
Em uma empresa que vale US$ 380 bilhões.
Ao ver o vídeo, lembrei daquela clássica pergunta de RH: "Como você se vê daqui a cinco anos?"
Quem nunca ouviu essa pergunta durante uma entrevista de emprego?
Se me permite uma sugestão, os recrutadores precisam urgentemente atualizar a questão para: "como você se vê, com a IA, daqui a cinco anos?".
Explico: após três anos ouvindo que a Inteligência Artificial generativa nos deixaria mais produtivos, o que vemos em 2026 são sinais de que ela deixou de ser apenas uma assistente virtual para, de fato, tornar-se a infraestrutura invisível da economia digital.
Em outras palavras, a IA evoluiu de simples ferramenta de trabalho para se tornar "o" centro de uma empresa.
E é melhor o trabalhador estar preparado, principalmente quem trabalha no setor de tecnologia.
Segundo a Fast Company, em todo o ano de 2025 cerca de 55 mil empregos foram eliminados globalmente por conta da Inteligência Artificial.
Somente no final de fevereiro, Jack Dorsey, fundador do Twitter, desligou 40% da força de trabalho de sua atual empresa, a Block (antiga Square).
De acordo com o executivo, 4 mil vagas se mostraram redundantes com as ferramentas de IA que a companhia passou a adotar -- a grande maioria ligada a programação.
Historicamente, o que o Vale do Silício assopra costuma causar ventania ou estragos piores no mundo todo rapidamente.
Lembra que, há 20 anos, as empresas de tecnologia começaram a ter escritórios custosos que mais pareciam playgrounds infantis?
De repente, até escritórios de contabilidade passaram a ter mesa de ping-pong e pizza com cerveja às sextas-feiras.
Quando veio a pandemia, as big techs foram as primeiras a decretar a era do trabalho remoto.
Durou pouco e, ainda em 2022, muitas começaram a realizar cortes gigantescos e a pedir aos funcionários que voltassem aos escritórios, cada vez mais enxutos.
(Enquanto escrevia este texto, a brasileira Stone anunciou uma onda de demissões. A justificativa? Adivinhem: IA e eficiência.)
O anúncio da Block, acompanhado do manifesto de seu fundador, teve dois pontos interessantes.
Primeiro: a empresa tem apresentado lucro nos últimos meses e um modelo de negócios bastante sólido.
Segundo: após o layoff, as ações dela dispararam 20%.
Acredite se quiser.
O curioso é que o mercado reagiu com otimismo poucos dias depois de um relatório estilo Black Mirror ter causado pânico no setor e desvalorizar ações de empresas como IBM, Uber e Datadog.
O documento, produzido pela pouco conhecida Citrini Research, parece mais um exercício de futurologia: em 2028, os EUA teriam uma taxa de desemprego acima de 10% e as principais empresas listadas na bolsa americana valeriam quase 40% menos.
De acordo com a Citrini, isso aconteceria porque agentes de IA irão provocar demissões em massa em setores como os de colarinho-branco e TI.
E tais postos de trabalhos deixariam se existir ao serem 100% automatizados, ou seja:
Esses profissionais de alta renda, substituídos por máquinas, teriam de buscar empregos menos remunerados -- e isso afetaria uma cadeia inteira da economia de consumo.
O aumento de produtividade e riqueza seria ilusório, pois o dinheiro deixaria de circular.
O nome dessa bola de neve? PIB Fantasma.
A questão é que a publicação pintou um cenário para daqui dois anos, na teoria.
Só que ele já se demonstra real: e estamos apenas em março de 2026.
A Anthropic, empresa por trás do Claude, e maior rival do ChatGPT, lançou recentemente um relatório sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.
Segundo ele, em setores como Computação e Matemática a IA já tem capacidade técnica para resolver 94% das tarefas, mas o uso real ainda está em apenas 33%
Ainda de acordo com o documento, as profissões mais afetadas são as de programadores de computador (74,5%) e profissionais de atendimento ao cliente (70,1%), seguidas de digitadores de dados, analistas de marketing e analistas financeiros.
Tudo a ver com os layoffs recentes e o relatório da Citrini, não?
Já os trabalhadores menos impactados são aqueles cujas profissões exigem presença física: profissionais da saúde, construção, agricultura e afins.
O que chama mais a atenção no documento da Anthropic é o efeito colateral da IA nas vagas de entrada.
Não é só o emprego de hoje que está em risco.
É o emprego de amanhã que está deixando de ser criado: os estágios.
Os números confirmam: a contratação de jovens entre 22 e 25 anos caiu 14% nos setores de tecnologia e finanças.
A porta de entrada está sendo fechada.
E ninguém parece muito preocupado com quem fica do lado de fora.
O educador Allan Pscheidt tem um nome para isso: "Caixa Preta da Carreira".
Quando uma empresa automatiza as tarefas consideradas básicas, ela economiza no curto prazo e destrói, sem perceber, os andaimes que formavam os profissionais do futuro.
Aquelas tarefas chatas e repetitivas eram, na verdade, a escola real do mercado de trabalho.
Então, voltando à pergunta lá do início: como você se vê, com a IA, daqui a cinco anos?
Se a tua resposta ainda for vaga, fica o alerta.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 2:10 PM
Scoop.it!

Robô que opera sozinho já existe, mas sempre haverá necessidade do contato humano, diz médico

Robô que opera sozinho já existe, mas sempre haverá necessidade do contato humano, diz médico | Inovação Educacional | Scoop.it

O especialista afirmou que robôs e a inteligência artificial deverão assumir tarefas repetitivas das cirurgias, como suturas, e reduzir a variabilidade dos procedimentos por serem mais precisos, mas opinou que a presença do médico nos procedimentos jamais será eliminada.
Na palestra Cirurgia Robótica: Os Robôs Vão Substituir os Médicos?, ele apresentou o caso de uma cirurgia de retirada de vesícula feita integralmente por um robô nos Estados Unidos no ano passado, a primeira operação feita sem intervenção médica da história. O procedimento foi feito no cenário ex vivo, ou seja, com órgãos reais, mas doados para pesquisa.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 14, 9:51 AM
Scoop.it!

Stanford education experts put AI into perspective | Stanford Report

Researchers are taking an evidence-based approach to AI’s influence on education, weighing the risks while prioritizing meaningful learning.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 1:19 PM
Scoop.it!

Queniano expõe a cadeia humana por trás das IA de relacionamento

Queniano expõe a cadeia humana por trás das IA de relacionamento | Inovação Educacional | Scoop.it
Receber US$ 0,05 por mensagem, escrever 40 palavras por minuto, ter até cinco identidades falsas operadas simultaneamente, com gêneros, orientações sexuais e histórias de vida distintas, todas sob um acordo de confidencialidade obrigatório já no formulário de candidatura.

É nesse regime que o queniano Michael Geoffrey Asia, ex-chat moderator e secretário-geral da Data Labelers Association, sustentou conversas íntimas e sexuais com usuários americanos e europeus enquanto trabalhava, a partir de um quarto na favela de Mathare, em Nairóbi (Quênia).

Asia foi colaborador terceirizado em operações ligadas a Sama, CloudFactory, TELUS International, TransPerfect DataForce, Appen e NMS Philippines. Seu relato está em The Emotional Labor Behind AI Intimacy, publicado em 2025 pelo Data Workers' Inquiry.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Josias de Souza

Lula dispara bondades em série de olho na eleição


José Fucs

Resumo de Lula nos EUA: Trump foi um 'gentleman'


Narrativas em Disputa

Governo Lula marca gol, mas placar segue adverso


Maria Prata

Menopausa: da negligência ao mercado bilionário

"Eu estava treinando minha própria substituição", escreve Asia. Cada confissão de amor fabricada, cada padrão de retenção emocional, cada técnica de continuidade entre operadores diferentes poderia estar sendo capturada como dado de treinamento para os mesmos algoritmos que, anos depois, seriam vendidos como "AI companions autônomos", que são interfaces capazes de simular intimidade sem o trabalhador humano que originalmente a produziu.

O estudo é uma iniciativa conjunta do DAIR Institute, do Weizenbaum Institute e da Technische Universität Berlin, com base na experiência dele e em entrevistas com sete colegas. O DAIR existe desde 2021 com financiamento rastreável de Ford, MacArthur, Rockefeller, Open Society e Kapor Center.

A indústria de inteligência artificial fala em autonomia algorítmica, mas o relatório de Asia mostra que ela é, em parte, um trabalho humano sob acordo de confidencialidade com salários baixos e classificado como atividade não qualificada.

Em entrevista ao UOL, Asia conta uma realidade bem dura: "Uma namorada de IA pode ser apenas um homem em uma favela de Nairóbi". Trabalhando como moderador de chat para plataformas de IA, depois de meses operando múltiplas identidades, ele foi testado pela própria plataforma para confirmar que era humano. E falhou.

"Eu comecei a explicar por que eu era uma mulher real, em vez de provar que era humano", conta ele. O teste se tornara irrelevante. Quem respondia já não era inteiramente ele. É o ponto de colapso de um sistema descrito publicamente como tecnológico, mas que é, em sua base, profundamente humano.

A narrativa dominante sobre inteligência artificial opera em dois registros extremos: a promessa de sistemas autônomos que substituem vínculos humanos ou o medo do colapso por automação predatória. O que essas narrativas têm em comum é que ambas apagam o trabalhador, tornando invisível a camada que sustenta o produto.

Continua após a publicidade
Hoje, Asia é secretário-geral da Data Labelers Association, entidade que ele criou para proteger os colaboradores que trabalham para refinar dados de inteligência artificial.

Naquela época, ele operava simultaneamente entre três e cinco personas com gêneros, orientações e histórias de vida distintas. Cada uma exigia coerência narrativa entre turnos, memória afetiva, improvisação contextual e gestão emocional em tempo real.

O pagamento era feito por mensagem produzida, em torno de US$ 0,05 por resposta, com metas de velocidade de resposta, volume e engajamento. Métricas monitoravam continuidade da conversa e retenção do usuário. O objetivo não era apenas responder. Era fazer com que alguém se sentisse ouvido, desejado e compelido a continuar. Ele precisava produzir vínculo como linha de produção.

A cadeia descrita por Asia já está sob análise judicial. Em 2022, o ex-moderador de conteúdo Daniel Motaung processou a Meta e a Sama no Quênia, alegando condições de trabalho abusivas em operações de moderação para o Facebook executadas no mesmo escritório de Nairóbi onde Asia foi treinado como anotador de dados.

Em 2023, a Justiça queniana decidiu que a Meta podia ser processada localmente, rompendo o escudo jurídico que vinha protegendo empresas de IA da responsabilidade por trabalho terceirizado em outros países. Asia trabalhou em projetos da Meta sob a Sama.

Asia relata que passou a suspeitar que o trabalho também treinava ou calibrava as plataformas de inteligência artificial. A suspeita surge de uma opacidade estrutural que é parte do modelo de negócio. O trabalhador não sabe o produto final, o usuário não sabe quem responde, e a empresa domina o espaço entre os dois.

Continua após a publicidade
Habitar personas com alta fidelidade emocional causa dissociação. "Eu não conseguia mais dizer 'eu te amo' para minha esposa sem sentir que era mentira", relata Asia. A contaminação migra para a vida privada, corroendo a capacidade de se relacionar de maneira autêntica fora da plataforma.

Essas múltiplas atividades e personalidades levaram Geoffrey Asia ao burnout. Mas o caso dos data workers expõe uma variante específica e ainda pouco documentada clinicamente, que é a erosão identitária por multiplicação de personas.

O trabalhador se esgota servindo a outros e por perder o referencial do próprio eu. O regime por mensagem cria pressão constante e quantificada, a ausência de vínculo empregatício elimina redes de proteção, o trabalho em inglês adiciona carga cognitiva invisível para trabalhadores do Sul Global, e a natureza do conteúdo, com conversas íntimas, sexuais e emocionalmente carregadas, exigiria suporte psicológico estruturado, supervisão e protocolos de cuidado.

As empresas operam em três camadas de extração simultâneas. Primeiro, monetizam a interação. Segundo, capturam recorrência, já que quanto mais vínculo emocional, maior a probabilidade de retorno e pagamento adicional.

Terceiro, podem reaproveitar o próprio trabalho como ativo tecnológico, em que cada conversa gerenciada por um humano que sustenta empatia e continuidade narrativa pode servir de dado de treinamento para modelos que futuramente dispensarão esse humano. O trabalhador opera o sistema e pode estar ensinando o sistema a substituí-lo.

A fragmentação por terceirização torna difícil atribuir responsabilidade. Entre a plataforma visível e o moderador há uma cadeia de subcontratação (gig economy, independent contractor, agência de anotação) que distribui a opacidade em tantas camadas que a prestação de contas se torna tecnicamente difícil e juridicamente confusa.

Continua após a publicidade
Asia alerta que esse risco é especialmente relevante para o Brasil. "O país reúne alta conectividade, mercado de trabalho com elevados índices de informalidade e pressão econômica que reduz a capacidade de recusar contratos frágeis", afirma ele. "O Brasil é um mercado suscetível, com cadeias globais de data work que buscam onde mão de obra está disponível, com proteção baixa e a urgência de renda é alta", alerta.

O caso de Asia não circula como testemunho isolado. Timnit Gebru, fundadora do DAIR, um dos institutos patrocinadores da publicação de Asia, saiu do Google em 2020 após a crise em torno do paper Stochastic Parrots.

Desde então, recusa os dois polos extremos do debate público: nem a inevitabilidade da salvação tecnológica, nem o catastrofismo abstrato. Em painel no SxSW 2026, a pesquisadora Gebru descreveu a estratégia com a qual as grandes empresas de IA constroem tecnologia e tentam monopolizar a produção legítima de conhecimento sobre o que essa tecnologia é. Quem define o enquadramento, define o debate.

O debate sobre saúde mental no trabalho digital tem se concentrado nos riscos para o usuário, como dependência, ansiedade e distorção de expectativas relacionais. No painel, Gebru mencionou casos envolvendo adolescentes em interações com chatbots emocionais, inclusive o que colocou a Character.AI sob escrutínio judicial nos Estados Unidos.

Mas há uma dimensão que também ocupa pouquíssimo espaço: a saúde mental de quem produz esses sistemas. Não os engenheiros, mas os trabalhadores invisíveis que leram, classificaram e performaram para que os sistemas aprendessem como parecer humanos.

A cadeia de dano é dupla e se retroalimenta. O trabalhador adoece pela exposição prolongada ao conteúdo emocionalmente intenso, pela fragmentação identitária e pela ausência de proteção num regime que o torna juridicamente invisível.

Continua após a publicidade
O usuário pode ser manipulado por um sistema construído para maximizar retenção, produzindo dependência e distorção de vínculos, especialmente em populações vulneráveis.

Nenhuma regulação trata essas duas dimensões de forma integrada. As dimensões de saúde mental ficam em regulações setoriais incapazes de alcançar a cadeia transnacional que organiza o trabalho real.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 1:04 PM
Scoop.it!

FT/Opinião: Por que os americanos têm medo da IA?

FT/Opinião: Por que os americanos têm medo da IA? | Inovação Educacional | Scoop.it
Os titãs da área da inteligência artificial nos Estados Unidos costumavam fazer alertas sobre a ameaça de extinção que a tecnologia representava para a humanidade. “Parem-me antes que eu faça mal à espécie”, era o que diziam, em essência. Aí eles mudaram o discurso radicalmente.

Hoje, qualquer um que questione o ímpeto “aceleracionista” do Vale do Silício é considerado um “profeta do apocalipse da IA” – um ludita que pode muito bem estar do lado da China.Segurança é coisa de “woke” (pessoa que defende pautas identitárias e progressistas).

Assim como também é se preocupar com a saúde mental de seus filhos ou com seus ganhos futuros.

Qualquer coisa que atrapalhe o impulso dos EUA para vencerem a corrida pela superinteligência é considerada ignorante ou burra. Isso inclui a maioria de vocês.

Mas vocês estão em boa companhia. Hoje em dia é raro o público americano concordar em alguma coisa. O medo da inteligência artificial é o mais perto que se chega de um consenso nacional.

Uma clara maioria afirma que a IA fará mais mal do que bem.

Em uma pesquisa recente da NBC, a avaliação negativa líquida da inteligência artificial ficou abaixo da do ICE, o detestado Serviço de Imigração e Alfândega americano.

Uma parcela considerável tanto de democratas como de republicanos se opõe a novos centros de dados.

Mas nem mesmo as fortes preferências dos eleitores são páreo para o poder do lobby das gigantes da tecnologia dos EUA, em especial com o presidente Donald Trump por trás delas.

Ao promover a ideia de que a inteligência artificial, como as marés, é irrefreável, o Vale do Silício conseguiu uma façanha de relações públicas.

O fato de a política americana ser fatalista quanto à sua capacidade de regular o que poderia ser a tecnologia mais desestabilizadora da história para a sociedade é preocupante – em particular em uma república que celebra seu 250º aniversário.

Na prática, não há nada de inevitável quanto à velocidade e à forma da IA, a menos que a democracia abra mão de intervir.

“A IA não é um deus ex machina”, afirma Karen Kornbluh, ex-diretora do Escritório Nacional de inteligência artificial. “Ela é uma criação da humanidade e cabe a nós escolher se exerceremos ou não o controle democrático.”
Para ser justo, o Congresso tem demonstrado certa disposição para resistir. Em duas ocasiões o governo Trump inseriu discretamente uma regra de “preempção” que teria proibido os Estados de regulamentar a IA. O que ficou por dizer é que as agências federais continuariam a agir como líderes de torcidas para deixar o setor fazer o que bem entender.

Em cada caso – no “grande e belo projeto de lei” de Trump, em julho passado, e de novo no orçamento para a Defesa, em dezembro – o clamor público obrigou os redatores a descartarem aquela inserção de duas páginas.

Como o Congresso o decepcionou, Trump publicou uma ordem executiva que decretava o que os parlamentares tinham rejeitado. Entre outros bônus para o setor da inteligência artificial, sua diretiva de março deixou a responsabilidade pela segurança de crianças com os pais, e não com os chatbots de IA.

Seria errôneo descrever a aliança de Trump com os “broligarcas” – os magnatas da tecnologia – como populista. “Plutocrata-populista” se encaixa melhor. De qualquer forma, seu decreto não é inexpugnável.

No mês passado, depois da apresentação prévia do Mythos, a ferramenta de segurança cibernética de um poder sem precedentes da Anthropic, Trump disse que as plataformas de inteligência artificial precisariam buscar aprovação para novos modelos. Mas esse sistema será voluntário, o que o torna sem sentido.

Além disso, quem julgará cada caso será o Departamento de Comércio de Howard Lutnick, o que é como pedir a Trump para auditar os próprios impostos.

O que nos traz à China. Depois de fazer uma preparação mínima para a cúpula de Pequim esta semana, agora autoridades do governo Trump afirmam que ele vai abordar a cooperação na área da inteligência artificial com o presidente chinês, Xi Jinping.

Isso pode colocar Trump contra o consenso da política externa de Washington, que acredita que os EUA e a China estão em uma disputa de soma zero. Mas uma abertura de Trump em relação à IA poderia ser boa para o Vale do Silício. Jensen Huang, da Nvidia, quer vender chips mais avançados para a China.

Trump está frustrado com o controle de Taiwan sobre a produção de semicondutores de ponta. Xi poderia conseguir concessões de Trump na área de IA com promessas de comprar mais soja e o compromisso de não voltar a interromper o fornecimento de terras raras da China.

Não deveria passar despercebido para ninguém que o setor de tecnologia está jogando dos dois lados do campo da China. Em casa, são linhas-duras. No exterior, são pacifistas.

Por um lado, eles enchem de dinheiro aqueles em Washington que argumentam que a regulamentação interna ajudará a China. Por outro, fazem lobby com Trump para vender mais de seus melhores produtos para a China.

Será que em algum momento essa contradição não pode se tornar um problema?

Seja como for, é pouco provável que Trump levante os riscos mais amplos da inteligência artificial, que só poderiam ser resolvidos por um esforço conjunto EUA-China.

Qualquer iniciativa séria de um presidente dos EUA para forjar princípios comuns de IA com a China também seria uma prova de fogo. Isso poderia causar uma divisão entre o Vale do Silício e o bloco político apelidado de “Washington blob”. Mas essa perspectiva é hipotética.

A ideia de que Trump negociaria salvaguardas mundiais é tão real quanto a alucinação de um chatbot.

O trunfo do setor de IA com Trump é que suas avaliações impulsionam o mercado de ações. Portanto, a chance de ele permitir uma regulamentação séria enquanto for presidente é praticamente nula. As “big techs”, e não os trabalhadores americanos, continuam a ser a grande prioridade de Trump.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 1:03 PM
Scoop.it!

MEC realizará seminário sobre diretrizes para EaD na graduação —

MEC realizará seminário sobre diretrizes para EaD na graduação — | Inovação Educacional | Scoop.it
Evento ocorrerá na quinta-feira feira (14) no plenário do Conselho Nacional de Educação, em Brasília, com transmissão pelo canal do MEC no YouTube. Encontro discutirá desafios e oportunidades da modalidade
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 10:52 AM
Scoop.it!

The Economist: Será que os líderes da IA ​​se tornarão tão poderosos quanto Ford ou Rockefeller?

The Economist: Será que os líderes da IA ​​se tornarão tão poderosos quanto Ford ou Rockefeller? | Inovação Educacional | Scoop.it
Dario, Demis, Elon, Mark e Sam. As cinco pessoas mais importantes na área da inteligência artificial são tão famosas que basta o primeiro nome para identificá-las. Políticos e jornalistas acompanham atentamente cada palavra que dizem. O ChatGPT, da OpenAI, de Sam Altman, tem mais de 900 milhões de usuários semanais. A Anthropic, de Dario Amodei, desenvolveu um modelo de IA tão eficiente em hacking que causou pânico entre os formuladores de políticas. Demis Hassabis, chefe da área de IA do Google, ganhou um Prêmio Nobel por sua pesquisa científica. Elon Musk, que dirige a xAI , entre outras empresas, é a pessoa mais rica do mundo. A Meta, de Mark Zuckerberg, criou a família de modelos de código aberto mais popular do Ocidente e está investindo somas enormes em pesquisadores de IA na tentativa de alcançar a vanguarda da tecnologia.

PUBLICIDADE

Em um sentido muito real, esses cinco homens detêm o destino da civilização ocidental em suas mãos. Os militares americanos já utilizam suas ferramentas de IA, e alguns dos magnatas (Altman e Musk) demonstram mais entusiasmo por isso do que outros (Amodei). Alguns economistas acreditam que a IA acabará por impulsionar o crescimento econômico. Outros dizem que ela deixará milhões de desempregados. Muitas pessoas temem que ela possa acabar com a humanidade por completo. Desde a fissão do átomo, nenhuma nova tecnologia gerou tanta angústia.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 10:48 AM
Scoop.it!

EUA e China têm um inimigo em comum, e não é a URSS - 13/05/2026 - Thomas L. Friedman - Folha

EUA e China têm um inimigo em comum, e não é a URSS - 13/05/2026 - Thomas L. Friedman - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Duas mudanças de paradigma transformaram o mundo desde a cúpula Nixon-Mao. A primeira —ainda não amplamente compreendida, embora os alarmes estejam soando a todo volume— é o surgimento dessas novas ferramentas assimétricas de IA que podem dar superpoderes a pequenos atores malignos, sejam terroristas, anarquistas, criminosos, grupos políticos ou pequenos Estados-nação.

Dois sujeitos em uma caverna com um laptop, acesso aos modelos de IA mais recentes e um terminal Starlink poderiam atacar a infraestrutura crítica de qualquer sociedade.

A segunda tem a ver com a globalização. A cúpula Nixon-Mao iniciou o processo de levar o mundo de desconectado para muito mais conectado e depois interconectado. Quando Nixon e Mao começaram a tirar a China de seu isolamento da economia global —o que Deng Xiaoping acelerou enormemente ao mudar a China para o capitalismo de Estado— desencadearam uma cascata de forças econômicas e tecnológicas.


O líder chinês, Mao Tsé-Tung, se encontra com Richard Nixon durante sua visita à China - Xinhua - 22.fev.72/AFP
Quando o início do século 21 chegou, a combinação da entrada da China na Organização Mundial do Comércio e da conexão do mundo pela internet significou que mais pessoas em mais lugares podiam competir, conectar-se e colaborar de mais maneiras, por menos dinheiro, em mais coisas do que em qualquer outro momento da história humana. É por isso que escrevi um livro em 2005 intitulado "O Mundo É Plano".

Está na natureza da mudança tecnológica, porém, que cada grande passo à frente aconteça mais rápido que o anterior, porque se constrói sobre as ferramentas que a era anterior liberou. Assim, anos depois de eu ter argumentado que o mundo é plano, a tecnologia e outras forças avançaram e nos levaram, como argumentou Dov Seidman, fundador do The HOW Institute for Society, de interconectados para interdependentes, ou como ele coloca, de plano para "entrelaçado".

Você podia se desconectar do mundo plano. Não há como escapar do mundo entrelaçado. Agora todos vamos todos prosperar ou fracassar juntos.

Isso não acontece apenas porque os avanços na internet, smartphones, fibra óptica, satélites e comunicação sem fio nos fundiram tecnologicamente mais do que nunca. É também porque um conjunto de desafios em escala planetária fundiu nossos destinos mais do que nunca. Esses desafios são tão amplos em escopo e tão indiferentes às fronteiras nacionais que nenhum Estado isolado, por mais poderoso que seja, pode enfrentá-los ou escapar deles sozinho.

2 4
Irã usa inteligência artificial e memes em guerra de propaganda contra os EUA


VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link
Carregando...
Sabemos quais são: mitigar as mudanças climáticas, prevenir a proliferação de armas nucleares e biológicas, gerenciar migrações globais, controlar pandemias, manter as cadeias de suprimentos globais das quais todos dependemos funcionando sem problemas e —mais importante e imediato— gerenciar essa nova espécie de IA que conjuramos.

Conseguimos adiar ou nos virar com colaboração limitada em muitas dessas questões de escala planetária, mas o tempo acabou no que diz respeito aos poderes de ciberataque da IA. Não dá mais para empurrar esse problema com a barriga. Não há mais estrada.

Por anos, observa Craig Mundie —ex-chefe de pesquisa e estratégia da Microsoft e meu tutor e parceiro em pensar sobre essa nova ameaça de IA— EUA e China regularmente cutucaram e testaram um ao outro, e incorporaram infraestrutura de malware e roubaram informações um do outro com operações cibernéticas secretas.

Mas eles também sabiam, observou Mundie, que se a China derrubasse nossas redes elétricas, poderíamos derrubar as deles, e que se eles pudessem apagar as luzes em Washington, poderíamos fazer o mesmo em Pequim. É o mesmo que com armas nucleares: "Eles recriaram a destruição mútua assegurada", disse Mundie.

lá fora
Receba no seu email uma seleção semanal com o que de mais importante aconteceu no mundo


Carregando...
Mas agora adivinhe quem vem para o jantar? Um novo conjunto de atores, potencialmente muito perigosos, e não são apenas países. No entanto, podem ameaçar a ambos.

Esses são os sistemas de IA autônoma recentemente divulgados pela Anthropic e OpenAI que poderiam dar ferramentas a pequenos ciberatacantes para perturbar tanto a economia da China quanto a nossa —e a de qualquer outro— com muito pouco dinheiro e praticamente nenhuma expertise. Pode apostar que outros modelos americanos, como o Gemini do Google, e em breve os modelos de IA da China, oferecerão os mesmos poderes.

A Anthropic e a OpenAI dizem que seus modelos mais recentes são tão potentes em encontrar e explorar falhas em software que ambas as empresas optaram por limitar sua distribuição por enquanto. Mas é apenas uma questão de tempo até que escapem para o mundo, se é que já não escaparam.

"Isso deveria ser um grande motivador para os dois países se unirem —mesmo que apenas nessa questão específica, que agora é um perigo claro e imediato para ambos", argumenta Mundie.

Não é pedir o impossível. China e EUA conseguiram cooperar nos dias de Nixon e Mao, concluiu Mundie, "porque tínhamos um problema em comum, a União Soviética. Bem, agora temos outro problema em comum. Não é outro país, é uma tecnologia —os riscos emergentes de ciberameaças assimétricas de sistemas de IA autônoma".

1 6
Veja quem são os novos bilionários do boom da IA


VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link
Carregando...
O antigo G2, EUA e China, precisa trabalhar com o que chamarei de novo I7 —Anthropic, Google/Alphabet, OpenAI, Meta, Alibaba Group, DeepSeek e ByteDance— para descobrir uma forma de obter o melhor desses novos modelos de IA enquanto se protegem contra o pior. Os governos não conseguem resolver isso sozinhos, e as empresas também não.

Em um desenvolvimento que recebeu pouca atenção por causa da guerra com o Irã, Trump está supostamente considerando impor supervisão sobre modelos de IA antes de serem disponibilizados publicamente.

Isso é muito sábio da parte de Trump. As pessoas precisam acordar: estamos entrando em um mundo no qual empresas privadas agora podem, na prática, dividir o átomo, em termos do poder que podem liberar em todas as direções.

"E assim como dividir o átomo, você pode fazer eletricidade ou bombas", disse Mundie. O mesmo vale para a IA autônoma. "Temos o poder de fazer um bem ilimitado ou criar armas —armas enormemente assimétricas".

Espera-se que o tema da IA esteja na agenda Trump-Xi. O que realmente tornaria esta a cúpula EUA-China mais significativa desde Mao e Nixon não é apenas que os dois homens conversem sobre isso, mas que decidam trabalhar juntos nisso —agora. Depois será tarde demais. Está vindo rápido demais.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 10:04 AM
Scoop.it!

Enfermagem vive explosão de cursos a distância

Enfermagem vive explosão de cursos a distância | Inovação Educacional | Scoop.it
A explosão dos cursos de enfermagem no Brasil, impulsionada pelo setor privado e pelo ensino a distância, acendeu um alerta sobre a qualidade da formação da principal força de trabalho do SUS (Sistema Único de Saúde).

Relatório técnico divulgado nesta terça-feira (12), Dia Internacional da Enfermagem, mostra que o número de vagas em cursos superiores privados da área saltou de 120 mil para mais de 503 mil entre 2010 e 2023, alta superior a 300%.

Grande parte desse crescimento ocorreu na modalidade EAD (educação a distância), cuja oferta disparou 1.408% no período e hoje já responde por metade das vagas disponíveis na rede privada. Em 2023, somente os cursos privados a distância somavam 253 mil vagas —número superior ao total de vagas presenciais públicas e privadas.


Técnico de enfermagem monitora paciente em hospital de Porto Alegre - Carlos Macedo - 30.mai.25/Folhapress
O documento, baseado no estudo "Demografia e Mercado de Trabalho da Enfermagem no Brasil", lançado ano passado pelo Ministério da Saúde, aponta que o setor privado concentra 90,7% das instituições de ensino de enfermagem do país.

A expansão acelerada, porém, convive com um problema estrutural: parte expressiva das vagas não é ocupada ou acaba abandonada. Nos cursos presenciais privados, cerca de metade das vagas permanece ociosa em razão da evasão.

Na rede pública, a retenção é maior, mas cerca de 30% das vagas também ficam sem preenchimento. A preocupação ganhou força após a pandemia de Covid-19, que evidenciou a dependência dos sistemas de saúde em relação à enfermagem.

Hoje, a categoria representa cerca de 70% da força de trabalho em saúde no Brasil e 59% no mundo. Apesar do crescimento acelerado do número de profissionais, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima um déficit global de cerca de 6 milhões de enfermeiros.

1 10
As marcas da pandemia


VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link
Carregando...
O relatório também chama atenção para desigualdades regionais históricas. Sudeste e Sul concentram a maior parte das escolas, cursos e matrículas, enquanto estados do Norte e do Nordeste seguem com menor densidade de profissionais.

Em 2018, por exemplo, o Pará registrava 14,1 enfermeiros por 10 mil habitantes, menos de um terço da densidade observada no Distrito Federal, com 49,3 profissionais por 10 mil habitantes.

Na avaliação do médico e pesquisador Mario Dal Poz, professor titular da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e autor principal do relatório, a expansão desordenada ameaça a qualidade futura da assistência no SUS.

"A enfermagem é a espinha dorsal do SUS. A expansão acelerada sem planejamento regional e o avanço do ensino à distância colocam em xeque a qualidade do cuidado que o sistema de saúde entrega à população", afirma.

Segundo Dal Poz, a formação em enfermagem exige aquisição de habilidades práticas e competências clínicas que não podem ser reduzidas a um modelo predominantemente remoto. Para ele, o país precisa ampliar a oferta pública e fortalecer mecanismos de avaliação e fiscalização dos cursos privados e do EAD.

LEIA MAIS

Médicos mal formados colocam pacientes em risco e oneram serviços de saúde, dizem gestores
Atrasado em relação ao mundo, Brasil prepara plano de atualização de médicos já formados
SP tem 40% de médicos sem título de especialista; avanço expõe gargalos na formação
A enfermeira e pesquisadora da Uerj Helena Leal, uma das autoras do relatório, reforça que o avanço do ensino a distância em enfermagem ocorreu de forma descontrolada, impulsionado principalmente pela redução de custos das instituições privadas.

Segundo ela, a enfermagem precisa de formação prática intensiva e supervisão presencial. "Exige destreza, habilidade e treinamento in loco." Ela avalia que laboratórios de simulação ajudam, mas não substituem o contato com pacientes nem o acompanhamento de professores preparados.

Além da graduação, o levantamento analisou mais de 5.500 cursos técnicos de enfermagem registrados entre 2009 e 2024. Nesse segmento, o ensino presencial ainda predomina. Mesmo assim, os pesquisadores identificaram falhas importantes nos sistemas de informação sobre a formação técnica, especialmente no Sistec (Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica).

Foram encontrados problemas como ausência de dados sobre matrículas, campos em branco e erros na identificação dos cursos, revelando fragilidades históricas no monitoramento da educação profissional.

Após a exclusão de registros inconsistentes, o estudo identificou 5.509 unidades de ensino com oferta de cursos técnicos em enfermagem. São Paulo lidera, com 1.218 cursos registrados, seguido por Minas Gerais (774) e Rio de Janeiro (504). No total, foram registradas cerca de 3 milhões de matrículas em cursos técnicos entre 2009 e 2024.

Os pesquisadores alertam que a expansão acelerada do setor privado pode estimular cursos com infraestrutura precária, fragilidade pedagógica e baixa integração entre teoria e prática.

Helena Leal chama atenção para problemas como estágios pouco supervisionados e cursos sem qualidade mínima, por falta de reconhecimento dos cursos. "Alguns profissionais nem sequer conseguem registrar seus diplomas nos conselhos regionais."

Também critica a fragilidade da fiscalização dos cursos técnicos e do EAD e afirma que o país ainda carece de sistemas confiáveis para monitorar evasão, qualidade da formação e distribuição regional dos profissionais.

cuide-se
Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar


Carregando...
O EAD avançou também sobre a pós-graduação, especialmente em áreas como oncologia, gerontologia, saúde mental, neurologia e atenção domiciliar. Em algumas especialidades, a maioria dos egressos já vem da modalidade a distância —caso de neurologia (90%), saúde mental (85%) e gerontologia (82,5%)—, o que acendeu alerta sobre a formação prática desses profissionais em áreas clínicas complexas.

O documento revela fragilidades na regulação e no monitoramento das especializações, como ausência de critérios nacionais para currículos, falta de padronização dos cursos e lacunas nos registros profissionais.

Entre as recomendações do relatório estão maior controle sobre a abertura de cursos, revisão das regras do ensino a distância, fortalecimento da fiscalização de estágios e práticas presenciais e ampliação da oferta pública em regiões carentes de profissionais.

O levantamento traça ainda um panorama demográfico da enfermagem brasileira. Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) mostram que o número de enfermeiros passou de cerca de 215 mil em 2010 para 524 mil em 2021, enquanto os técnicos de enfermagem saltaram de 415 mil para quase 1,2 milhão no mesmo período.

Os pesquisadores identificaram mudanças importantes no perfil da categoria. Embora as mulheres continuem majoritárias, houve aumento da participação masculina, sobretudo entre os enfermeiros.

O estudo aponta ainda um envelhecimento gradual da força de trabalho. "Há uma mudança da faixa etária de 25 a 34 anos para faixa etária de 35 a 44 anos, especialmente entre os técnicos de enfermagem, que atinge também um pico até a faixa etária de 40 a 50 anos", observa Kênia Lara Silva, pesquisadora da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e também coautora do estudo.

Segundo ela, essa é uma questão que deve ser objeto de preocupação das políticas públicas e da organização interna da profissão. "Há o próprio desgaste que se vai tendo ao longo da exposição ao trabalho e que pode ser acirrada quando se considera as pessoas nas faixas etárias mais avançadas, reduzindo, inclusive, esse potencial para o trabalho."

As análises revelam uma forte desigualdade racial e de gênero dentro da enfermagem brasileira. Segundo Kênia, as mulheres negras concentram-se nas faixas de menor rendimento da profissão, enquanto homens brancos ocupam majoritariamente os percentis salariais mais altos.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
May 13, 9:58 AM
Scoop.it!

Com alta taxa de evasão, setor privado domina ensino de Enfermagem, aponta informe técnico

Com alta taxa de evasão, setor privado domina ensino de Enfermagem, aponta informe técnico | Inovação Educacional | Scoop.it

O setor privado concentra mais de 90% das instituições de Ensino de Enfermagem no Brasil. Informe lançado nesta semana aponta alta taxas de evasão e de vagas ociosas, além de desigualdades regionais. O informe técnico, divulgado pelos coordenadores da Pesquisa Demografia e Mercado de Trabalho da Enfermagem no Brasil, sintetiza a integra da pesquisa, publicada pelo Ministério da Saúde (DEGERTS/SGTES/MS).
As vagas de graduação oferecidas pelo setor privado aumentaram 300% entre 2010 e 2023, puxadas pelo Ensino a Distância (EaD). São mais de meio milhão de vagas privadas e 10,6 públicas. Essa tendência não afeta apenas a Enfermagem. O Censo da Educação Superior 2022 revelou que 72% dos calouros do ensino superior privado brasileiro estavam matriculados em cursos não-presenciais. 
O quadro foi considerado “alarmante” pelo então ministro da Educação, Camilo Santana. Em 2025, atendendo uma demanda histórica dos Conselhos de Enfermagem, o governo federal aprovou nova Política Política de Educação à Distância, que tornou obrigatória a modalidade presencial para a Enfermagem, com regras de transição para os cursos já em funcionamento.
“A expansão desordenada de cursos de má qualidade é um risco para a população. A formação presencial e de qualidade, compatível com as necessidades da Saúde Coletiva, é uma luta histórica dos Conselhgo”, pontua o presidente do Cofen, Manoel Neri. A falta de campo de prática é um desafio também para os cursos técnicos. O informe aponta gargalos na integração entre teoria e prática, após analisar a grade de mais de 5 mil cursos.
Desde a Operação EaD, em 2015, os Conselhos de Enfermagem vêm denunciando a precariedade dos polos de apoio presencial, em audiências públicas por todo o Brasil, campanhas e diálogo com autoridades.
Concentração Regional
As regiões Sudeste e Sul concentram a maior parte dos cursos e matrículas. A Amazônia Legal é região prioritária do Programa de Mestrado e Doutrado Profissional (Profen), iniciativa do Cofen que, por meio de convênio com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior financia expansão de pós-graduação stricto sensu em Enfermagem.
A necessidade de incentivo à formação pública e regionalizada, com planejamento da oferta formativa no território nacional, é uma das recomendações do informe técnico. Os autores defendem, ainda, a pactuação de indicadores de qualidade da formação e parâmetros para autorização de abertura de cursos, incluindo o monitoramento de vagas ociosas.
Formação em Risco
O Cofen lançou, em dezembro de 2024, o documentário Formação em risco: o impacto do EaD na Enfermagem, com o depoimento de alunos, professores, especialistas e autoridades sobre o assunto. O filme desvendou o universo precário dos polos EaD e a falta de campos de estágio para os alunos desses cursos.

No comment yet.