Antropólogo do consumo e autor do best-seller "Coisa de Rico" afirma que seres humanos terão que exercitar capacidade reflexiva para garantir seu futuro: "Quando a máquina copiar aquilo que estamos fazendo, vamos ter que inventar outra coisa"
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
Tim Berners-Lee, conhecido como o pai da World Wide Web (www), defendeu que a inteligência artificial (IA) preserve os princípios que orientaram a criação da internet e permita que usuários tenham maior controle sobre os dados pessoais compartilhados com grandes empresas de tecnologia.
Em entrevista à AFP durante o festival de tecnologia SXSW, em Londres, o cientista da computação britânico afirmou que a predominância "da pessoa, do indivíduo" esteve no centro da criação da web e deveria orientar também o desenvolvimento da IA.
— É importante que as pessoas utilizem essa tecnologia (IA) para garantir que seus clientes, seus cidadãos, tenham controle sobre seus próprios dados — afirmou.
Berners-Lee criou a World Wide Web em 1989, enquanto trabalhava no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), inicialmente como uma ferramenta para facilitar a comunicação e o compartilhamento de informações entre cientistas.
Segundo ele, os modelos de inteligência artificial representam uma nova camada da internet e dependem diretamente do vasto volume de informações disponíveis na web.
— Os modelos de IA são uma camada diferente [dentro da internet], eles aproveitam o fato de que a web contém tantos dados para se treinarem — disse.
Embora considere a tecnologia um avanço "empolgante", Berners-Lee avalia que ela poderia se beneficiar de maior coordenação e regulamentação.
Criador da web vê falta de padrões globais para IA O cientista destacou que a inteligência artificial ainda não possui uma estrutura equivalente ao World Wide Web Consortium (W3C), organização internacional fundada por ele para estabelecer padrões técnicos da internet.
Segundo Berners-Lee, a ausência de um organismo semelhante limita a colaboração entre os desenvolvedores da tecnologia.
Como resultado, os pioneiros da IA não "se beneficiam da colaboração que obteriam se contassem com algo assim", afirmou.
A World Wide Web foi criada para permitir que pesquisadores de diferentes países compartilhassem informações sobre suas descobertas. Em 1990, Berners-Lee desenvolveu o projeto ao lado do engenheiro belga Robert Cailliau.
A tecnologia se baseou em dois elementos fundamentais: a linguagem HTML, utilizada para criar páginas da internet, e o protocolo HTTP, que permite a troca de informações entre navegadores e servidores.
Ao optar por não patentear sua invenção, Berners-Lee garantiu que a web pudesse ser utilizada livremente, fator considerado decisivo para sua rápida expansão global.
Startup desenvolve sistema para proteger dados em interações com IA Nos últimos anos, o cientista transformou a proteção de dados pessoais em uma de suas principais bandeiras. Em 2018, ele cofundou a startup Inrupt, voltada ao desenvolvimento de ferramentas que devolvam aos usuários o controle sobre suas informações.
— Sem dados, eles (os modelos de IA) não podem existir. E agora tiveram acesso irrestrito aos dados de todos e, se não estivermos atentos, vamos chegar a uma situação realmente grave — afirmou John Bruce, cofundador da empresa.
A Inrupt trabalha com sistemas de armazenamento em que os dados permanecem sob controle dos próprios usuários. A companhia também desenvolve um assistente de inteligência artificial chamado Charlie.
Segundo Berners-Lee, a ferramenta funcionará como intermediária entre o usuário e sistemas como ChatGPT ou Claude.
— Quando você faz uma pergunta (...) ele analisa qual é a pergunta (...) e decide quais informações enviar [para a ferramenta de IA] — explicou.
Se houver dados pessoais envolvidos, o sistema os "modificará" para que a ferramenta de IA "tenha uma ideia (...) mas depois não possa realmente utilizá-las para identificá-lo", acrescentou.
— Charlie tem como objetivo preservar os valores originais da web — afirmou.
O T1, da Booster Robotics de Pequim, venceu o RoboCup 2025 no Brasil e viralizou com chutes que geram alertas sobre os limites de segurança dos robôs humanoides
O presidente russo Vladimir Putin tem 73 anos, uma obsessão conhecida com a própria saúde e, agora, um programa científico de US$ 26 bilhões (R$ 131 bilhões) para tentar viver mais, segundo reportagem do Wall Street Journal. O programa, batizado de "Novas Tecnologias de Preservação da Saúde" e lançado em 2024, inclui terapia gênica, impressão de órgãos em laboratório, criação de tecidos humanos dentro de porcos e sessões de crioterapia a 170 graus negativos Fahrenheit (cerca de -112 °C).
A iniciativa promete salvar 175.000 vidas russas até o fim da década, um número que, segundo críticos, coincide, de forma incômoda, com as estimativas independentes de baixas do exército russo na guerra contra a Ucrânia.
Uma prioridade de Estado O projeto de longevidade é conduzido por dois nomes próximos de Putin. Sua filha, Maria Vorontsova, endocrinologista, supervisiona programas de genética financiados pelo Estado. Mikhail Kovalchuk, físico à frente do Instituto Kurchatov, o antigo centro de pesquisa nuclear soviético, é o arquiteto intelectual do programa. Kovalchuk, que é irmão do banqueiro e aliado de Putin Yuri Kovalchuk, defende que a ciência permitirá em breve ao ser humano reparar e substituir partes do corpo de forma indefinida.
Em abril, o vice-ministro de Ciência russo, Denis Sekirinsky, anunciou o desenvolvimento de um tratamento de terapia gênica voltado a desacelerar o envelhecimento celular, descrito como um dos caminhos mais promissores da medicina atual.
Cientistas estatais russos afirmam ter conseguido imprimir tecido cartilaginoso humano e uma glândula tireoide de camundongo usando bioimpressão, técnica que produz tecido vivo em impressoras 3D. A meta é substituir órgãos humanos por esse método até 2030. Um prazo semelhante é discutido para o uso de miniporcos geneticamente compatíveis com humanos como incubadores de órgãos para transplante, técnica conhecida como xenotransplantação.
Ciência ou aspiração? O entusiasmo oficial contrasta com a ausência de publicações científicas em periódicos internacionais de prestígio. Alexander Ostrovskiy, o cientista russo que pioneirou a bioimpressão no país e deixou a Rússia após a invasão à Ucrânia, disse que, sem publicações, não há resultados concretos, apenas declarações que devem ser tratadas como aspirações. Segundo ele, as sanções ocidentais isolaram a pesquisa russa do restante do mundo científico, o que torna o trabalho em condições de rigor praticamente inviável. "Eles provavelmente estão dizendo a Putin o que ele quer ouvir para garantir financiamento", disse ao WSJ.
O contraste com iniciativas similares no Ocidente é evidente. Bilionários como Jeff Bezos, Sam Altman e Peter Thiel também financiam pesquisas antienvelhecimento, mas por meio de empresas que publicam resultados e submetem seus achados à revisão científica independente.
A obsessão de Putin com a longevidade não é novidade no Kremlin. Na década de 1920, o polímata soviético Alexander Bogdanov conduziu experimentos com transfusões de sangue com fins rejuvenescedores, atraiu o interesse do governo e morreu aos 55 anos em decorrência de seus próprios tratamentos. Uma década depois, o médico Oleksandr Bogomolets organizou a primeira conferência mundial sobre longevidade, conquistou o apoio de Stalin com pesquisas que prometiam vida até os 150 anos e morreu aos 65.
Outro personagem central na trajetória de Putin foi Vladimir Khavinson, gerontologista que promoveu terapias com peptídeos, cadeias curtas de aminoácidos derivadas de tecido bovino. Khavinson recebeu uma das mais altas condecorações russas de Putin e declarou, em entrevistas, que buscava prolongar a vida de um líder cuja ausência jogaria a Rússia em crise. Morreu em 2024, aos 77 anos.
Há uma ironia demográfica no centro da iniciativa. A expectativa de vida média do homem russo é de cerca de 68 anos, segundo estatísticas oficiais, contra 76 nos Estados Unidos e mais de 80 em boa parte da Europa Ocidental. A Rússia está entre os países desenvolvidos com piores indicadores de mortalidade, cenário agravado pela guerra, que retira homens em idade produtiva do país.
O programa de longevidade de Putin, portanto, opera numa direção oposta à tendência demográfica real do país: enquanto o Estado investe bilhões para estender a vida do topo do poder, a expectativa de vida média segue entre as mais baixas do mundo desenvolvido.
A Oxfam, entidade focada no combate à pobreza e à desigualdade, definiu como um "dia sombrio para a democracia" o momento em que a fortuna de Elon Musk - dono de empresas como SpaceX, Tesla e Twitter - chegou ao patamar de US$ 1 trilhão, o mais alto da História, após a abertura de capital de sua companhia de foguetes e inteligência artificial (IA) na bolsa de Nova York.
A instituição diz que o agora trilionário viu sua fortuna crescer no último ano ao ritmo de US$ 1 milhão por minuto. Com o valor de riqueza acumulado, Musk se torna mais rico que os 46% mais pobres da população mundial, ou 3,8 bilhões de pessoas, quase metade do planeta.
A concentração extrema de riqueza, segundo a Oxfam, é resultado de "décadas de políticas pró-bilionários", que permitiram aos super-ricos "moldar as regras econômicas em seu próprio benefício", disse Nabil Ahmed, diretor sênior de Justiça Econômica da Oxfam América.
"As pessoas comuns acabam pagando o preço enquanto os bilionários continuam escrevendo as regras em benefício próprio”, escreveu Ahmed, em comunicado.
A entidade traça alguns comparativos para dar dimensão da riqueza acumulada por Musk. Se ele gastasse US$ 1 milhão por dia, ainda levaria 2.740 anos para gastar o US$ 1 trilhão.
Com esse valor acumulado, o empresário poderia dar US$ 100 para cada pessoa do planeta e ainda assim continuaria entre os dez bilionários mais ricos do mundo, com mais de US$ 184 bilhões restantes.
A nova promessa da cultura do desempenho é aprender a “hackear” as emoções. Respirar melhor, dormir melhor, medir batimentos, acompanhar a variabilidade da frequência cardíaca, tomar sol pela manhã, mergulhar em água fria, usar aplicativos de meditação, ajustar alimentação, testar suplementos e transformar o próprio corpo em laboratório cotidiano. O nome que ganhou força para esse conjunto de práticas é biohacking emocional.
Mas o que significa “hackear” as emoções? Antes da informática, hack indicava cortar, abrir caminho ou intervir sobre algo. Depois, em ambientes como o MIT, passou a nomear soluções criativas, lúdicas e engenhosas. Só mais tarde ganhou, no uso popular, o sentido negativo de invasão digital. Por isso, em saúde, biohacking emocional não é invadir a mente, mas usar hábitos e tecnologia para ampliar autorregulação e cuidado com a vida, fazendo pequenas mudanças, comprovadas cientificamente, no seu estilo de vida e ambiente para otimizar seu desempenho físico e mental.
A expressão é sedutora, mas exige cuidado. Emoções não são defeitos de programação. Medo, tristeza, raiva, alegria, vergonha e entusiasmo são sinais neuropsicofisiológicos que informam como o organismo lê o mundo, os vínculos, os riscos e as possibilidades, um gps natural e aperfeiçoado por milhões de anos de evolução biológica. O problema começa quando esses sinais ficam cronicamente desregulados: ansiedade persistente, insônia, irritabilidade, exaustão, pensamento fixo, ruminação mental, impulsividade ou perda de sentido e oscilação de humor.
Nesse ponto, a ciência pode trabalhar a favor da vida: ampliar a consciência emocional, fortalecer a autorregulação e melhorar decisões. O biohacking emocional, quando bem compreendido, não controla as emoções; ajuda a percebê-las antes que elas dominem nossas respostas e gerem custos relacionais, profissionais, reputacionais e financeiros.
A base biológica é clara: corpo e mente não funcionam separados. Respiração, sono, luz, movimento, alimentação, inflamação, eixo intestino-cérebro, sistema nervoso autônomo e vínculos modulam como sentimos, pensamos e decidimos. Sem sono, um executivo ou juiz decide pior. Sob excesso de telas, um jovem tolera menos a frustração. Em estresse crônico, um profissional confunde urgência com importância. Na ansiedade, sinais neutros parecem ameaça. Aos poucos, pessoas e organizações ficam presas em ciclos de sofrimento e desgaste.
Por isso, algumas práticas simples têm valor real. Técnicas de respiração estruturada, como “cheirar a flor e soprar a vela” — ajudam a reduzir o estresse, excitação corporal e melhoram humor.
A luz natural pela manhã organiza o relógio biológico e protege o sono. A atividade física regular, a visão panorâmica e o contato com a natureza favorecem saúde mental, cognição e prevenção de doenças. Aquela caminhada na praia ou no parque confirma isso na prática.
Reaprender os limites do corpo — fome, suor, respiração, cansaço e frio — também faz parte da autorregulação. Na ciência, os sinais de perigo mostram que o organismo reconhece alertas e responde a eles. Na vida cotidiana, essa escuta ajuda a calibrar o alarme interno: respeitar limites reais sem transformar todo desconforto em ameaça.
Menos tela, menos ruído. Reduzir notificações, redes sociais, notícias em excesso e celular antes de dormir protege sono, foco e saúde emocional. Leitura, música, pausas, natureza e vínculos continuam sendo tecnologias sofisticadas de autorregulação. O detox digital não exige aplicativo, se constrói no cotidiano e é gratuito.
Mas a palavra “hacking” também revela um risco cultural: a ilusão de que toda emoção precisa ser otimizada. A tristeza pode expressar perda; a oscilação de humor, adaptação; a queda de produtividade, cansaço; e a angústia, uma informação ética, afetiva ou existencial. Há dias em que o corpo pede descanso, não protocolo. Transformar toda experiência humana em métrica pode empobrecer a vida que se pretende melhorar — e fazer o sofrimento aumentar.
Esse é um ponto central para empresas, líderes e profissionais de inovação. A saúde mental não pode virar mais uma tarefa de performance individual. Não basta dizer ao colaborador para respirar, meditar e melhorar sua pontuação de sono, se a cultura organizacional produz excesso de cobrança, insegurança, solidão, competição tóxica e disponibilidade permanente. A autorregulação é necessária, mas não substitui ambientes saudáveis. Biohacking emocional sem ética social vira adaptação elegante ao adoecimento.
Há riscos concretos. Banhos gelados e imersões em água fria podem provocar resposta cardiovascular intensa, com aumento súbito da respiração, da frequência cardíaca e da pressão arterial. Técnicas respiratórias intensas, se mal executadas, causam tontura, hiperventilação e desmaio. Suplementos, estimulantes e automedicações podem interagir com medicamentos, alterar sono, humor, pressão arterial ou função hepática.
Wearables e aplicativos ajudam, mas também podem gerar obsessão por dados. O relógio passa a ter mais autoridade que o corpo: a pessoa acorda bem, mas se sente mal porque o aplicativo disse que sua noite foi ruim. Esse fenômeno é descrito como orthosomnia, a busca ansiosa por um sono perfeito guiado por rastreadores. Além das métricas, observe o sono. Sonhar é um indicador neurocognitivo ligado à memória, à criatividade e à elaboração emocional. Ao acordar, note se houve sonho, reparação, clareza e estabilidade.
Há ainda um risco mais grave: mascarar sofrimento clínico. Depressão, ansiedade persistente, pânico, trauma, transtornos alimentares — incluindo ortorexia, jejuns excessivos e exigências rígidas sobre alimentação —, dependência química, uso abusivo de fármacos, estimulantes para ficar acordado ou emagrecer e ideação suicida não devem ser tratados apenas com rotinas de otimização. Biohacking emocional pode apoiar prevenção e autocuidado, mas não substitui diagnóstico, acompanhamento médico e psicoterapia.
Um sinal amarelo aparece quando pessoas próximas começam a notar repetição obsessiva do mesmo assunto, rigidez alimentar, excesso de tecnologia, dificuldade de ouvir contraditório, abuso de álcool, comida, exercícios ou medicamentos. Quando o cuidado vira compulsão, deixou de ser saúde. O futuro promissor está justamente em superar a superficialidade do mercado wellness.
A medicina personalizada lembra que pessoas não respondem igualmente aos mesmos estímulos. Há quem melhore com banho frio e quem piore; quem se beneficie de métricas e quem se torne ansioso; quem precise de desafio e quem precise de pausa. A ciência a favor da vida não padroniza corpos como máquinas; reconhece singularidade, contexto, biografia e, sobretudo, limites.
Diante de tantos desafios emocionais que as pessoas enfrentam hoje, ainda faltam soluções que integrem medicina, psicologia, neurociência, educação e gestão. O avanço em saúde mental não virá apenas de um sensor melhor, uma pulseira mais precisa ou uma inteligência artificial mais persuasiva, mas da capacidade de transformar informação em sabedoria prática. Isso exige tecnologias que interpretem dados com segurança clínica, algoritmos transparentes e validados em populações diversas, aplicativos que encaminhem para cuidado profissional quando houver risco e wearables menos vaidosos, mais úteis à saúde pública. A boa tecnologia deve ampliar autonomia, sinalizar caminhos e reduzir culpa — não criar dependência nem impor felicidade permanente. O melhor biohacking emocional não é hackear o cérebro, mas reconciliar corpo, mente, vínculo e sentido.
O verdadeiro biohacking emocional é menos espetacular do que o mercado sugere. Começa com perguntas simples: como estou dormindo? Como respiro sob pressão? O que meu corpo faz antes de eu perder a calma? Quais ambientes me regulam? Quais relações me adoecem? Uso dados para me compreender ou para me punir? Busco saúde ou fuga do desconforto? Nas redes, posto para compartilhar algo vivo ou para alimentar uma carência?
Inspire como quem cheira uma flor. Expire como quem sopra uma vela. Espreguice. E recomece com mais presença.
Rubens Harb Bollos é médico, PhD em Ciências da Saúde e counsellor em gestão de crise e saúde, e presidente-fundador da ABMPP (Associação Brasileira de Medicina Personalizada e de Precisão)
Enormes blocos de gordura sólidos vêm obstruindo redes de esgoto em várias partes do mundo. Agora, novas tecnologias estão surgindo para controlar esta ameaça do mundo moderno
Se comprar roupas online ainda é um dos maiores gargalos do consumidor no e-commerce, o Google está apostando que a inteligência artificial pode reduzir essa barreira e impulsionar vendas online. A empresa lançou no Brasil o “Provador Virtual”, ferramenta integrada ao Google Shopping que permite ao usuário simular como roupas e sapatos ficariam no corpo por meio do envio de uma imagem.
Segundo o Google, a tecnologia não funciona apenas por meio de uma sobreposição de imagens. Na verdade, usa um modelo de IA generativa desenvolvido para interpretar características do corpo humano e o comportamento dos tecidos, simulando como diferentes materiais se ajustam e dobram.
Novo sistema chinês quer acompanhar robôs humanoides da fabricação à reciclagem, em meio à corrida do país para liderar o mercado global de automação e IA física
A capacidade de transmitir emoções apenas com um olhar ou uma expressão facial sempre foi uma das ferramentas mais valiosas dos atores. Mas, em uma indústria cada vez mais obsessiva por padrões estéticos rígidos, cresce o questionamento: a busca pela aparência perfeita está acabando com a arte?
O debate ganhou força nos últimos anos à medida que estrelas de Hollywood passaram a recorrer com mais frequência a preenchimentos faciais e outras intervenções estéticas, que, em alguns casos, podem limitar a movimentação natural do rosto e prejudicar a atuação.
Segundo Abrahami, a decisão foi motivada tanto pelos avanços da inteligência artificial quanto por fatores financeiros. A companhia, sediada em Israel, explicou que boa parte de seus custos está atrelada ao shekel israelense, enquanto a maior parte das receitas é gerada em dólares, o que aumentou a pressão sobre as margens.
O CEO também destacou que a empresa já criou novas funções internas voltadas ao uso intensivo de IA, incluindo cargos como “Xengineer” e “Creators”, projetados para profissionais que utilizam ferramentas de inteligência artificial ao longo de todo o processo de desenvolvimento de produtos.
No entanto, a sabedoria prática, diz-nos Aristóteles, é o mesmo estado da alma que a ciência política, diferindo apenas na sua orientação: a sabedoria prática visa o bem do indivíduo; a ciência política, o bem da cidade. Mas, como os seres humanos são animais políticos – animais que só prosperam na vida como parte de uma comunidade política – as duas orientações sobrepõem-se necessariamente.
Agora, concentre-se não em sermos reféns de desejos que podem distorcer nossa percepção de valores, mas em sermos reféns de especialistas científicos que podem distorcer nosso conhecimento sobre o que é realmente bom para nós. As virtudes de caráter nos libertam do primeiro, desde que a sabedoria prática nos liberte do segundo. Mas como a sabedoria prática pode fazer isso?
É aqui que entra em cena a pessoa bem-educada. Trata-se de alguém que estuda um assunto não para adquirir conhecimento científico sobre ele, mas para se tornar um juiz criterioso: "Não ser bem-educado é simplesmente a incapacidade de discernir, em cada assunto, quais argumentos lhe pertencem e quais lhe são estranhos", diz Aristóteles. Assim, uma pessoa bem-educada em medicina, por exemplo, é capaz de julgar se alguém tratou uma doença corretamente, e a "pessoa incondicionalmente bem-educada", que é bem-educada em todos os assuntos ou áreas, "busca a exatidão em cada área na medida em que a natureza do seu objeto de estudo o permite".
Cerca de 86% das crianças e adolescentes americanas entre 9 e 17 anos utilizam ou interagem com ferramentas de inteligência artificial, e aproximadamente 24% fazem isso diariamente, de acordo com o relatório “Uso de IA por Pré-adolescentes e Adolescentes”, elaborado pela organização Common Sense Media. Embora o relatório tenha sido realizado nos Estados Unidos, pode servir como referência para outros países onde a IA seja usada por boa parte da população. Entre crianças de 9 a 12 anos, 81% utilizam IA; entre adolescentes de 13 a 15 anos, 89%; e, entre os jovens de 16 e 17 anos, 92%. ″É evidente que a tecnologia já é uma parte muito importante da infância”, apontou Michael Robb, chefe de pesquisa da organização sem fins lucrativos, à rede CNBC.
Iniciativa da empresa pretende esterilizar machos da espécie Culex quinquefasciatus, transmissora do vírus do Nilo Ocidental e da a encefalite de Saint Louis; técnica já é utilizada no Brasil contra o Aedes Aegypti
Na era da IA, em que respostas são geradas em segundos, a capacidade humana de formular perguntas torna-se o motor essencial da criatividade e inovação
O cérebro humano não foi projetado para processar múltiplas tarefas cognitivas simultaneamente. O que chamamos de multitasking é, na verdade, task switching, uma alternância rápida entre tarefas que consome energia mental e reduz a eficiência Assumi meu primeiro time em 2007, quase vinte anos atrás. E posso dizer, com a clareza de quem viveu as duas eras: liderar hoje é incomparavelmente mais difícil do que era há uma década, e muito mais do que há vinte anos. Não é só uma percepção, é uma transformação estrutural na forma como as pessoas trabalham, se comunicam e, principalmente, prestam atenção. Na última semana, em uma apresentação de desdobramento de metas e OKRs da empresa, precisei pontuar algumas pessoas que estavam desatentas. Não era uma reunião informal, era um momento de alinhamento estratégico e ainda assim, parte da equipe estava respondendo Slack, e-mail e WhatsApp enquanto discutíamos as prioridades do trimestre. Esse cenário se repete. Quase toda reunião que faço com grupos maiores, preciso pontuar alguém que estava distraído no momento em que tínhamos um conteúdo relevante sendo apresentado. O mais curioso e preocupante é que essas mesmas pessoas acreditam que estão sendo produtivas. Acham que conseguem fazer duas coisas ao mesmo tempo, que estão otimizando o tempo, que são multitasking. Não são, ninguém é. O cérebro humano não foi projetado para processar múltiplas tarefas cognitivas simultaneamente. O que chamamos de multitasking é, na verdade, task switching, uma alternância rápida entre tarefas que consome energia mental e reduz a eficiência. Os dados são inequívocos. Segundo a American Psychological Association, pessoas que tentam fazer múltiplas tarefas ao mesmo tempo experimentam uma queda de até 40% na produtividade e levam 50% mais tempo para completar cada tarefa individual. Um estudo da Universidade da Califórnia, em Irvine, mostrou que, após uma única interrupção, levamos em média 23 minutos para recuperar o foco completo. Vinte e três minutos, para cada vez que alguém responde uma mensagem no meio de uma reunião. E as interrupções não param de aumentar. Pesquisas recentes indicam que funcionários são interrompidos, em média, a cada dois minutos durante o horário de trabalho, cerca de 275 vezes por dia. A pesquisadora Gloria Mark, da Universidade da Califórnia, vem medindo há anos o tempo que as pessoas conseguem manter atenção em uma única tela. Em 2004, eram dois minutos e meio. Depois, caiu para 75 segundos. Hoje, são apenas 47 segundos. Quarenta e sete segundos antes de mudar para outra coisa. A ilusão de produtividade O problema é que a sensação de estar ocupado se confunde com a sensação de estar produzindo. Responder mensagens rapidamente parece eficiente. Estar presente em múltiplos canais parece necessário. Alternar entre tarefas parece ágil. Mas os números contam outra história. Segundo relatório da Insightful, 79% dos trabalhadores não conseguem passar uma hora inteira sem se distrair. 59% não conseguem nem meia hora. E mais de 70% apontam que interrupções de colegas são o maior obstáculo para completar tarefas, um sintoma de uma cultura de trabalho que confunde disponibilidade com valor. Isso tem um custo real. A Atlassian estima que a perda de produtividade por context switching custa à economia global cerca de 450 bilhões de dólares por ano. Nos Estados Unidos, as distrações no ambiente de trabalho custam às empresas 588 bilhões de dólares anuais em produtividade perdida. Mas o custo não é só financeiro. É cognitivo, emocional e humano. Quando comecei a liderar, não existia Slack, WhatsApp ou Teams. O e-mail era a principal ferramenta de comunicação assíncrona, e as pessoas ainda faziam reuniões presenciais onde o único dispositivo na mesa era o bom e velho papel e caneta. Hoje, um profissional médio usa mais de dez ferramentas diferentes para gerenciar seu trabalho. Alterna entre e-mail, mensagens instantâneas, videoconferências, sistemas de gestão de projetos, redes sociais corporativas, cada uma com suas notificações, cada uma competindo pela atenção. E as reuniões se multiplicaram. O número de reuniões triplicou desde 2020, segundo a Microsoft. Funcionários remotos participam de 50% mais reuniões do que quem trabalha presencialmente. Mais da metade dos trabalhadores admite fazer outras coisas durante reuniões online. Estão lá, mas não estão presentes. Não aprendem, não participam, não contribuem. E depois reclamam que não têm tempo para o "trabalho de verdade". O impacto nos negócios: quando a desatenção encontra o cliente Observo isso de perto acompanhando times que interagem com clientes. Pessoas que não conseguem ficar 30 ou 45 minutos integralmente conectadas em uma reunião. Que perguntam coisas que acabaram de ser explicadas. Que não compreendem o que está sendo solicitado. O resultado é previsível: uma experiência estranha e com resultado mediano. Uma proposta completamente desalinhada com o que o cliente pediu. Uma passagem de bastão ruidosa, cheia de lacunas, para outros times que vão trabalhar no mesmo projeto. Dúvidas que ficam sem resposta pela simples falta de presença cognitiva. E a linguagem corporal comunica o que as palavras tentam esconder. A pessoa do outro lado está rindo de algo na tela enquanto o cliente fala. Ou com o olhar desviado, claramente digitando, conversando com outra pessoa. A mensagem que chega é clara: você não é a prioridade agora. Isso corrói a confiança, compromete relacionamentos e gera retrabalho. E o mais irônico é que, no fim do dia, fica aquela sensação de sobrecarga. De que se faz muito, o tempo todo. Mas a eficiência, essa não encontra meios de existir. Porque não há como ser eficiente quando a atenção está permanentemente fragmentada. Não há como entregar excelência quando metade da mente está em outro lugar. Para quem lidera, essa epidemia de desatenção adiciona camadas de complexidade ao trabalho. Não basta definir estratégia, comunicar diretrizes, desenvolver pessoas. É preciso, a cada momento, competir com um universo de estímulos que está a um toque de distância. Uma mensagem no celular ativa os mesmos circuitos de dopamina que evoluíram para nos alertar sobre novidades no ambiente. É literalmente viciante. Estudos de neuroimagem mostram que até a simples antecipação de uma notificação já libera dopamina no cérebro. Estamos programados para checar. E cada vez que checamos, fortalecemos o ciclo. Liderar nesse contexto exige mais do que competência técnica ou visão estratégica. Exige criar ambientes onde a atenção seja protegida. Exige modelar comportamentos. Exige ter conversas difíceis sobre o que significa estar presente. Mas também exige reconhecer que o problema não é individual, é sistêmico. As ferramentas que usamos, a cultura que construímos, as expectativas que criamos, tudo conspira para fragmentar a atenção. E culpar as pessoas por não conseguirem se concentrar em um ambiente desenhado para distraí-las é, no mínimo, injusto. Além do trabalho: a desatenção como modo de vida O desafio não está só no ambiente corporativo. A epidemia de desatenção invadiu todos os espaços da vida. Vamos a um show e passamos boa parte do tempo filmando para postar nas redes sociais, em vez de simplesmente curtir. Quem nunca viu a cena de milhares de celulares apontados para o palco, gravando um trecho de uma melodia famosa? Estamos lá, mas não estamos presentes. Estamos documentando uma experiência que não estamos vivendo de verdade. Às vezes vou a um restaurante e observo casais jovens distraídos, cada um no seu celular. Não conversam e não se olham. Cada um no seu mundo, compartilhando o mesmo espaço físico, mas habitando universos paralelos. E o que mais me assusta é quando esses casais estão acompanhados de filhos pequenos, igualmente distraídos por telas. Crianças que estão aprendendo, desde cedo, que a atenção é algo fragmentado. Que o mundo real compete, e perde, para o mundo digital. Não existe solução simples, mas existem escolhas que fazem a diferença. A primeira é reconhecer que atenção é um recurso finito e precioso. Tratar tempo de foco como algo a ser protegido, não como luxo. Criar espaços físicos e temporais onde interrupções não são permitidas. A segunda é questionar a cultura da disponibilidade permanente. Nem toda mensagem precisa de resposta imediata. Nem toda reunião precisa acontecer. Nem toda notificação precisa estar ativada. Empresas que implementam "horários de foco" ou "dias sem reunião" relatam ganhos significativos de produtividade e redução de absenteísmo. A terceira é modelar o comportamento que esperamos ver. Se eu, como líder, respondo e-mails durante reuniões, estou sinalizando que isso é aceitável. Se eu exijo disponibilidade 24 horas, estou criando uma cultura de atenção fragmentada. Liderar pelo exemplo nunca foi tão importante. A quarta é ter conversas honestas sobre o tema. Falar abertamente sobre o impacto da desatenção. Criar acordos de equipe sobre como e quando se comunicar. Normalizar a ideia de que desligar notificações não é descompromisso, é profissionalismo. O paradoxo do nosso tempo Vivemos o paradoxo de estar mais conectados e menos presentes do que nunca. Temos mais ferramentas de comunicação e menos qualidade nas conversas. Mais acesso à informação e menos capacidade de processá-la com profundidade. A atenção se tornou o recurso mais escasso do ambiente de trabalho. E, ironicamente, é também o mais necessário. Porque as habilidades que mais importam — pensamento crítico, criatividade, resolução de problemas complexos — exigem foco sustentado. Exigem presença. Exigem a capacidade de ficar com uma ideia o tempo suficiente para que ela amadureça. Estou a poucas semanas de me tornar mãe. E confesso que penso muito em como proteger a Lara desse comportamento. Não tenho respostas prontas, mas sei que começa pelo exemplo. Pelo que ela vai ver em mim. Pela presença que eu escolher oferecer a ela , não a presença distraída, com o celular na mão, mas a presença inteira. Talvez esse seja o maior desafio da liderança hoje, seja no trabalho ou em casa. Não é só sobre gerenciar times ou entregar resultados. É sobre reaprender a estar presente, e ensinar, pelo exemplo, que a atenção é a forma mais genuína de respeito que podemos oferecer a alguém. Depois de quase vinte anos liderando times, aprendi que a atenção das pessoas é um presente. Não pode ser exigida. Precisa ser conquistada. E, cada vez mais, precisa ser protegida, inclusive de nós mesmos.
“Muitas práticas agrícolas em larga escala prejudicam as redes de fungos”, disse Stewart. “A forma mais evidente é com técnicas como a aração, em que se penetra no solo e literalmente o revolve.”
Ele acrescentou que fertilizantes ou fungicidas também podem “interromper a simbiose entre as plantas e os fungos”.
Conforme alertado pelos pesquisadores, redes fúngicas de menor densidade reduzem a capacidade do solo de armazenar carbono e distribuir nutrientes e de protegerem os cursos d'água do nitrogênio, fósforo e outros produtos químicos.
“Se eles desaparecerem, haverá muito mais produtos químicos nos cursos d'água”, apontou a autora Toby Kiers. “Em última análise, o objetivo da pesquisa é ajudar cientistas e tomadores de decisão a entender onde os ecossistemas fúngicos estão prosperando e onde estão ameaçados.”
Desenvolvido para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento, Black Hornet é usado por tropas para observar áreas de risco sem expor soldados na linha de frente
A Wikipédia, uma das maiores enciclopédias colaborativas do mundo, enfrenta uma crise interna que pode resultar em uma espécie de "greve" de seus editores voluntários. Centenas de colaboradores da plataforma discutem a possibilidade de interromper suas atividades após a Fundação Wikimedia, organização sem fins lucrativos que mantém a Wikipédia, anunciar a dissolução da equipe Community Tech, responsável por desenvolver ferramentas e recursos usados diariamente pelos editores.
A decisão foi comunicada em 20 de maio e prevê o encerramento de uma equipe formada por cinco engenheiros e um gerente. O grupo atuava como ponte entre a Fundação Wikimedia e a comunidade global de voluntários, criando funcionalidades como detectores de plágio, modo escuro, gráficos e outras ferramentas que ajudam a manter o funcionamento da enciclopédia.
Segundo a Wikimedia Foundation, o modelo centralizado estava gerando gargalos e atrasos no atendimento às demandas da comunidade. Por isso, o trabalho passará a ser distribuído entre diferentes equipes da organização. A fundação também afirmou que tenta realocar os seis profissionais para outras funções e negou que a medida tenha relação com atividades sindicais.
A ACSU alertou que os óculos inteligentes atuais possuem capacidade avançada de realizar transmissões ao vivo, enviar e receber mensagens de texto, e efetuar chamadas de áudio e vídeo utilizando redes de dados móveis ou Wi-Fi.
A partir desta temporada, atletas e membros da comissão técnica da IPL são obrigados a depositar os óculos com os Oficiais de Ligação de Segurança assim que entrarem nas zonas restritas, da mesma forma que já fazem com seus smartphones e relógios inteligentes (smartwatches). O descumprimento do protocolo é considerado uma infração grave de segurança e resultará em penalidades baseadas nos regulamentos operacionais da liga.
Robôs humanoides desfilaram ao lado de modelos em um evento de moda realizado em Seul, na Coreia do Sul, na última quinta-feira, em uma apresentação que misturou tecnologia, inteligência artificial e indústria fashion. Vestidos com roupas coordenadas às dos modelos humanos, os andróides cruzaram a passarela como parte do desfile “MACH33: Physical AI Fashion Show”, organizado pela empresa sul-coreana de tecnologia e entretenimento Galaxy Corporation.
A China deu um passo inédito na corrida global por interfaces cérebro-computador (BCIs, na sigla em inglês). O país acaba de aprovar o primeiro chip cerebral invasivo do mundo autorizado para uso além de testes clínicos. O dispositivo, chamado NEO, poderá ser utilizado por pacientes com paralisia causada por lesões na medula espinhal. O avanço foi revelado pelo MIT Technology Review e tem como um dos primeiros beneficiados Dong Hui, de 39 anos. Paralisado do pescoço para baixo após um acidente de carro, ele voltou a conseguir segurar uma caneta e escrever após 11 meses de reabilitação usando o implante. Segundo o relato, antes do procedimento ele conseguia mover levemente os braços, mas não os dedos. Desenvolvido pela startup chinesa Neuracle Technology, em parceria com pesquisadores da Universidade de Tsinghua, o NEO tem tamanho semelhante ao de uma moeda. Diferentemente de soluções mais invasivas, como as que perfuram diretamente o córtex cerebral, os sensores do dispositivo são posicionados sobre a dura-máter, membrana protetora do cérebro, reduzindo riscos como hemorragia e degradação do sinal ao longo do tempo. Na prática, o sistema capta sinais cerebrais e os traduz em comandos para uma luva robótica usada pelo paciente durante sessões diárias de treinamento. O objetivo é recuperar movimentos das mãos e ampliar a autonomia para atividades básicas do cotidiano, como vestir roupas ou se alimentar. O marco também tem peso geopolítico. O NEO superou concorrentes internacionais, incluindo iniciativas como a da Neuralink, e se tornou o primeiro produto do tipo a obter aprovação comercial. Especialistas ouvidos atribuem parte dessa velocidade ao forte apoio estatal chinês: o país colocou interfaces cérebro-computador entre os setores estratégicos do seu plano nacional de desenvolvimento tecnológico, ao lado de áreas como robótica humanoide e computação quântica. Outro movimento simbólico veio dias depois da aprovação: a tecnologia começou a ser incorporada ao sistema de saúde chinês por meio da criação de um código próprio de cobertura médica, um passo importante para subsidiar parte do custo do tratamento no futuro. Para pesquisadores, o momento representa um divisor de águas para o setor. Depois de décadas concentradas em pesquisa acadêmica, as interfaces cérebro-computador começam a entrar na era da manufatura e do uso clínico em escala.
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