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March 19, 5:00 PM
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Brasileiros estão usando TikTok para estudar, diz pesquisa

Brasileiros estão usando TikTok para estudar, diz pesquisa | Inovação Educacional | Scoop.it

Uma pesquisa divulgada pelo TikTok nesta semana mostrou que a plataforma tem sido utilizada pelos brasileiros para estudo.
O levantamento, realizado com mais de 91 usuários maiores de 18 anos, sugere que a rede social tem impactado diretamente nas provas, vestibulares e concursos.
O estudo diz que quatro em cada 10 participantes (41,5%) afirmam já ter utilizado vídeos da plataforma para se preparar para vestibulares, concursos ou outras avaliações.
Além disso, a eficácia do método também foi um fator a ser avaliado: 94% deles acreditam que o conteúdo assistido contribuiu para melhores resultados.
De acordo com Gustavo Rodrigues, líder de Políticas Públicas para segurança do TikTok no Brasil, "os dados refletem uma dinâmica que observamos diariamente de forma orgânica na plataforma: as pessoas não apenas consomem conteúdo, como também compartilham conhecimento em formatos acessíveis e criativos”.
Segundo ele, a rede social, pode ampliar o acesso a conteúdos educativos de qualidade e fortalecer uma comunidade que aprende de forma colaborativa.

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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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March 19, 5:35 PM
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'Lei Felca': o que muda na sua vida e na de seus filhos com o ECA Digital — e o que ainda não se sabe

'Lei Felca': o que muda na sua vida e na de seus filhos com o ECA Digital — e o que ainda não se sabe | Inovação Educacional | Scoop.it
Presidente Lula assinou decreto nesta quarta para regulamentar as novas normas criadas para proteção de crianças e adolescentes nos meios digitais. Muitos pontos ainda precisarão de diretrizes para começar a valer.
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March 19, 5:32 PM
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4 em cada 10 alunos da EAD abandonam a graduação antes do fim

4 em cada 10 alunos da EAD abandonam a graduação antes do fim | Inovação Educacional | Scoop.it
Dados do Mapa do Ensino Superior 2026 indicam que evasão na educação a distância supera 40% e segue maior na rede privada. No ensino presencial, a taxa também é elevada e chegou a 24,8% em 2024.
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March 19, 5:30 PM
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Acessibilidade digital: os obstáculos para pessoas com deficiência visual

Acessibilidade digital: os obstáculos para pessoas com deficiência visual | Inovação Educacional | Scoop.it
A biometria facial, que capta imagens para fins de comparação com a base de dados, é desafio para pessoas com deficiência visual
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March 19, 5:14 PM
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‘Bugonia’ é o retrato de um mundo dividido entre o neoliberalismo progressista e a fúria dos perdedores

A crítica cultural mainstream viu em Bugonia apenas o esperado: uma sátira sobre a era da desinformação, na qual homens brancos radicalizados por teorias da conspiração de extrema-direita sequestram uma CEO farmacêutica. É uma leitura confortável que reafirma a divisão moral do mundo entre a “civilização” (racional, científica, democrática) e a “barbárie” (o submundo da internet misógina).

Os analistas de maneira geral qualificaram Teddy (Jesse Plemons) e Don (Aidan Delbis) como “incels” ou “conspiracionistas tóxicos”. Mas, ao olhar apenas por esse prisma – verdadeiro, mas incompleto –, a intelectualidade inadvertidamente absolve a personagem Michelle Fuller (Emma Stone). Eles condenam a violência “bárbara” do sequestro manual, enquanto ignoram a violência “civilizada” das patentes farmacêuticas e da exclusão econômica que a executiva representa.

Bugonia não deixa de ser um alerta sobre fake news e sobre o ressentimento de gênero. Mas o tema fundamental é o conflito estruturante entre os vencedores e os perdedores do capitalismo, encenado luta corpórea entre os protagonistas, pavimentando o caminho para o desfecho do filme.


Crédito: Divulgação
A CEO e o neoliberalismo progressista

Fuller, raptada sob a acusação de ser uma alienígena reptiliana que planeja destruir a Terra, é a encarnação perfeita do conceito de “neoliberalismo progressista” cunhado por Nancy Fraser. Ela não é um barão fordista clássico. Ao contrário: é sofisticada, usa a linguagem da diversidade e sua empresa provavelmente tem metas agressivas de ESG – sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança.

Fraser define esse fenômeno como a aliança entre os setores mais predatórios do capital, como finanças, Big Tech e grandes farmacêuticas, e os movimentos sociais liberais. O pacto é claro: o sistema oferece inclusão simbólica e representatividade no topo, enquanto mantém a exclusão material na base.

A diversidade que a CEO vende em seus discursos convive bem com a venda de fármacos que adoecem e com trabalhadores que se machucam em serviço – como a empacotadora colega de Teddy – e que sequer podem ver isso como violação de direitos. Fuller opera nessa lógica. Para o sistema, ela é a modernidade. Mas para os captores ela é um monstro.

Os sequestradores e a estagnação secular

Teddy e Don são classificados pela protagonista como “doentes mentais”. Esse rótulo é fácil, mas a análise materialista de Robert Brenner e Dylan Riley nos oferece uma chave melhor: eles são o sintoma da estagnação secular.

Vivemos há décadas um período de baixo crescimento estrutural. O bolo parou de crescer. Nesse jogo de soma zero, a produção cede lugar ao “capitalismo político”, no qual o lucro depende de subsídios estatais e extração de renda, e não de inovação. Nessa nova arena, a competência técnica e a certificação universitária tornam-se as únicas armas capazes de disputar o excedente econômico, desvalorizando radicalmente o trabalho comum.

Essa mudança na matriz de acumulação gera uma cisão profunda na classe trabalhadora. De um lado, a fração credenciada (com ensino superior) se agarra à meritocracia e aos valores cosmopolitas para manter seu status. Essa fração associa-se à elite – muitas vezes progressista, representada por Fuller, que chega a dizer, como se confirmasse a tipologia: “Sou graduada em química e em psicologia”.

Do outro, a fração não-credenciada (a maioria da população), vendo seu padrão de vida ruir, recorre a identidades primárias – nacionalismo, localismo ou teorias da conspiração – como forma de proteção. Eis aí Teddy, que responde: “O seu capital não tem valor para nós”. Ali, ele decreta a falência da meritocracia: o diploma, a ciência e o status corporativo da CEO, moedas valiosas na ‘civilização’, não têm poder de compra no mundo dos deserdados.
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March 19, 4:58 PM
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Cultura digital na escola

Cultura digital na escola | Inovação Educacional | Scoop.it
Iniciativas de inclusão digital avançam em infraestrutura e conectividade, mas ainda esbarram em lacunas nas práticas pedagógicas
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March 19, 3:56 PM
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Agnotologia, palavra a não ignorar

Agnotologia, palavra a não ignorar | Inovação Educacional | Scoop.it
Por décadas, entre os anos 50 e os 90 do século passado, a indústria do cigarro soube que seu produto era uma catástrofe para a saúde pública, mas trabalhou para semear a dúvida. Comprou pesquisas científicas e artigos jornalísticos. Ganhou tempo.

Com isso, provocou conscientemente a morte de um número de pessoas que se conta em dezenas de milhões, na mesma prateleira numérica da Segunda Guerra. Motivação? Bilhões de dinheiros –que, como se sabe, costumam falar mais alto que milhões de vidas.


A atriz Bette Davis em cena de filme em meados do século 20 - Reprodução
Foi a turma cigarrífera que levou um historiador da ciência da Universidade Stanford, Robert Proctor, a cunhar nos anos 90 a palavra "agnotology", dicionarizada no Brasil como agnotologia.

Parente do agnóstico —com quem compartilha o elemento grego "agn-", relativo a ignorância—, agnotologia nomeia o estudo da ignorância pública fabricada, intencional, monetizada.


Propaganda de cigarro dos anos 1950 - Divulgação
A indústria da inteligência artificial segue hoje o manual que sua prima corporativa mais velha e fedorenta criou. Cultiva a incerteza e nela se escuda para tocar seu negócio pisando no acelerador, embora saiba que o produto que vende é nocivo para os viciados, digo, usuários.


Como a complexidade real da IA é bem maior que a de um canudo de fumo picado, basta um modo levemente enviesado de contar a história para que fugir da responsabilização seja mais fácil para as big techs do que era para o pessoal da terra de Marlboro.

Se você acha que a comparação de IA com cigarro é muito forte, eu concordo. Mais forte é saber que saiu da boca de Alondra Nelson, ex-diretora de política científica da Casa Branca de Joe Biden.

Também consultora da ONU para assuntos de IA, Nelson atualizou o neologismo de Proctor e lançou há três semanas numa conferência em Paris –reportada pela podcaster norte-americana Shae Omonijo– o conceito de "agnotologia algorítmica".

Que me lembre, eu nunca tinha esbarrado na palavra agnotologia, mas desde que fomos apresentados não a tiro da cabeça. Como é possível que, existindo há três décadas, uma ideia tão luminosa ainda seja obscura, distante demais do estrelato político, acadêmico e midiático que merece?

A agnotologia pôs em foco o que, o tempo todo, dançava borrado diante do meu nariz: que a ignorância fabricada é uma das fibras mais resistentes do tecido social contemporâneo, do negacionismo climático à usina de desinformação política das mídias sociais.

Com o advento da internet e sobretudo das redes, o trabalho dos fabricantes de ignorância pública ficou bastante facilitado, enquanto o dos agnotólogos se complicou ao infinito.

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Nunca foi tão fácil confundir, criar incerteza, fugir de regulações, pôr abaixo estruturas psicossociais construídas ao longo de séculos, transformando toda a população da Terra em cobaia de artefatos tecnológicos que são propriedade de meia dúzia de pessoas.

Se o estudo da ignorância fabricada aponta para o futuro, vale lembrar que não é uma invenção recente. Ao dizer que "a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto", Darcy Ribeiro foi um genial precursor da agnotologia.
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March 19, 3:54 PM
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ECA Digital mira influenciadores mirins e manipulação

ECA Digital mira influenciadores mirins e manipulação | Inovação Educacional | Scoop.it
O texto, publicado em versão adicional do Diário Oficial da União nesta noite, também impõe restrições à atuação de influenciadores digitais com menos de 18 anos. Neste caso, a norma determina que a monetização de conteúdo depende de autorização judicial, aproximando a atividade das regras aplicadas ao trabalho artístico infantil.

Responsáveis terão 90 dias, a partir desta quarta, para conseguir o documento nos tribunais.

O decreto também introduz o conceito de "práticas manipulativas" e atribui à ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) a função de observar se plataformas tentam contornar as regras por meio dessas estratégias.
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March 19, 3:50 PM
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Atenção à saúde mental dos mais jovens

Atenção à saúde mental dos mais jovens | Inovação Educacional | Scoop.it

Dados da Secretaria da Saúde de São Paulo mostram escalada de atendimentos devido a transtornos mentais e comportamentais em crianças e adolescentes, uma tendência verificada nas últimas décadas no Brasil e no mundo.
Entre 2020 e 2025, internações por esses motivos nos estratos de 5 a 9 anos de idade e de 10 a 14 anos aumentaram, respectivamente, 98,3% e 78,3%. Foram as maiores altas no período entre todas as faixas etárias.
No caso de procedimentos clínicos ambulatoriais (consultas, exames e tratamentos) por transtornos mentais e comportamentais, crianças de 5 a 9 anos também lideram, com crescimento de 186,1% no período, chegando a 1.192.391 casos em 2025. Depois vêm as faixas até 4 anos (136,4%) e de 10 a 14 (105,4%).
Segundo especialistas, a alta no estrato de 5 a 9 anos pode estar relacionada ao diagnóstico precoce de transtornos do neurodesenvolvimento, como autismo e deficiência intelectual, já que nessa faixa etária crianças começam a vida escolar. No estrato de 10 a 14 anos, além do diagnóstico tardio para os mesmos problemas, surgem depressão e ansiedade.
É possível, ainda, que mudanças na rotina e o isolamento social durante a pandemia tenham afetado de modo mais intenso crianças e adolescentes, que estão em fase de desenvolvimento de estruturas mentais.
O hiperdiagnóstico —quando se atribuem transtornos a pacientes sem que de fato se preencham critérios clínicos sólidos— é fator a ser considerado, mas não tanto nos casos de internação, que são mais graves.
Transformações tecnológicas também são capazes de impactar a saúde mental da população em geral, sobretudo dos mais jovens.
Aumento do uso de redes sociais e jogos online pode minar a concentração e suscitar ansiedade e casos de bullying, além de reduzir contatos presenciais e atividades ao ar livre.
A alta nos atendimentos ao menos parece indicar que o tabu em torno da saúde mental pode estar se enfraquecendo.
Ações interdisciplinares são necessárias, principalmente em relação aos ambientes digitais. A educação midiática, preconizada por organismos internacionais, é crucial. Crianças e adolescentes devem ser capacitados a explorar dispositivos com senso crítico e segurança, para conter uso excessivo e identificar abusos.
A proteção da saúde mental dos mais jovens exige adaptação da família, da sociedade e do poder público a transformações culturais impulsionadas pela aceleração da inovação tecnológica.

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March 18, 10:24 PM
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IA chega à pesquisa matemática

IA chega à pesquisa matemática | Inovação Educacional | Scoop.it

Em abril do ano passado, chegou até mim um vídeo em que Eric Schmidt, ex-presidente-executivo do Google, profetiza que em apenas um ano haveria inteligências artificiais demonstrando teoremas, no nível dos melhores estudantes de doutorado em matemática do mundo.
Na ocasião, compartilhei o vídeo com meu jovem colega Paulo Orenstein, pesquisador do Impa e um dos maiores especialistas brasileiros em IA. A apreciação dele: "Deve demorar um pouco mais, mas a escala é realmente em anos, não em décadas. E duvido que a matemática continue a mesma". O Paulo acertou em tudo.
Nas últimas semanas, a comunidade matemática internacional foi agitada por uma série de notícias que revelam a velocidade vertiginosa com que a IA vem ocupando espaços que até muito recentemente acreditávamos serem exclusivamente nossos. No último dia 10, a revista New Scientist publicou um artigo intitulado "A matemática está passando pela maior mudança de sua história".
Para alguns, é catastrófico ("Não temos pra onde correr!"). Para outros, como eu, é excitante: não vejo a hora de conhecer a matemática que vem por aí! Conta-se que perguntaram ao matemático David Hilbert: "Se você dormisse durante um século, qual seria sua primeira pergunta ao acordar?". Ele respondeu que seria: "Já provaram a Hipótese de Riemann?". Não seria demais não precisarmos esperar cem anos, graças à IA?
Para mim, simbolicamente, a coisa começou em 1997, quando um programa de computador, Deep Blue (da IBM), venceu pela primeira vez o então campeão do mundo de xadrez, Garry Kasparov. Foi chocante, não nego. Mas muitos, eu incluído, não ficaram tão impressionados. "Mera força bruta computacional, a máquina faz zilhões de contas por segundo e não se cansa, qual é o mérito, afinal?"
Vinte anos depois, veio o algoritmo AlphaGo Zero, da Google DeepMind. Ele aprendeu o jogo oriental go sozinho, jogando contra si mesmo sem intervenção humana, e em poucos dias se tornou o jogador mais forte do mundo. O go é extremamente complexo, profundamente estratégico e com um número (10170) quase inimaginável de posições possíveis. Mas ainda pudemos dizer que não passava de um jogo, muito longe do grau de sofisticação e profundidade de um grande teorema matemático.
Aí, em janeiro de 2025, tanto a DeepMind quanto a OpenAI anunciaram que seus algoritmos tinham alcançado o nível de medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, na sigla em inglês), a "copa do mundo" das competições escolares na área. As questões da IMO são muito difíceis, e uma medalha de ouro é prova inquestionável de talento matemático fora de série. Por outro lado, essas questões envolvem um conjunto bastante focado de conhecimentos, quase sempre em aritmética, geometria euclidiana, combinatória e lógica. Sobretudo, não são perguntas originais de pesquisa, suas respostas não constituem novos teoremas.
Mas a essa altura o trem já era imparável. Ao longo dos 12 meses que se seguiram, uma sequência de anúncios apresentou evidências contundentes da capacidade crescente da IA para produzir novo conhecimento matemático, acelerando e mudando o avanço dessa e de outras disciplinas de modos que ainda não podemos compreender. Será o assunto da próxima semana.

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March 18, 9:43 PM
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O Marketing a serviço da Igreja

O Marketing é uma ciência que deve ser manipulada por gente que entende do assunto, que se preparou para tanto. Devemos insistir em que há uma necessidade urgente de as igrejas incentivarem alguns membros com perfil e, por que não dizer, chamados, para estudarem e trabalharem a serviço de Deus, utilizando o que aprenderam em escolas de Comunicação e Marketing. O planejamento de ações de marketing requer conhecimento de ferramentas e conceitos que, apesar de muitas vezes parecerem óbvios, são complexos e colaboram para mudar atitudes e pensamentos. Por isso vale lembrar que é primordial ao profissional de marketing a serviço da Igreja ter profundo compromisso com o Evangelho, conhecer e crer na Bíblia, além de manter a ética cristã como norteadora de todas as suas ações. Experimente investir em algum membro da comunidade local ou, se for o caso, junte-se a outras comunidades e escolham alguém para estudar, de preferência numa boa escola, o que é e como usar o marketing. Comece a usar essa pessoa na criação e administração de bancos de dados, pesquisa, planejamento de campanhas de divulgação, estudo de posicionamento e reforço da identidade cristã na juventude. Acompanhe tudo de perto, mas não interfira ao ponto de tolher a criatividade dela. Principalmente, não queira fazer de um folder um tratado de teologia. Busque usar a linguagem mais acessível possível, sem perder a integridade da informação. Certamente os resultados surpreenderão positivamente.
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March 18, 5:53 PM
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“Zombie idea”: o diploma não entrega mais ascensão social •

“Zombie idea”: o diploma não entrega mais ascensão social • | Inovação Educacional | Scoop.it
A ideia de que diploma universitário garante mobilidade econômica e segurança virou uma “zombie idea”: algo que “deveria ter sido morto pelas evidências, mas se recusa a morrer”. Foi assim que Lyn Jeffery apresentou, no painel “Strategy in Times of Chaos”, no SXSW, a crise do ensino superior. Os dados ajudam a explicar por quê: enquanto a proporção de diplomados sobe, os salários ficam relativamente estagnados ao longo de 60 anos. E, quando a conta deixa de olhar só para renda e passa a olhar para riqueza acumulada — patrimônio, reserva, capacidade de enfrentar contingências — o prêmio do diploma encolhe de forma brutal entre gerações. Nos anos 1930, um bacharelado estava associado a cerca de 250% mais riqueza do que não ter diploma; na pós, 400%. Para quem se formou nos anos 1980, esse ganho cai para 42% no bacharelado e 28% na pós.

O problema não é excesso de gente estudando. O problema é um sistema econômico que produziu muitos empregos ruins e poucos empregos bons. Entre as ocupações mais comuns nos EUA, aparecem no topo cuidadoras domiciliares e trabalhadores de fast food, com salários medianos em torno de US$ 35 mil e US$ 30 mil por ano. No meio, surgem enfermagem e gestão, trabalhos que exigem diploma mas pagam entre US$ 93 mil e US$ 100 mil. “Não há razão para esses empregos serem mal remunerados”, diz ela. “Isso é uma questão de mercado e de política.”


Foto: Juliana Wallauer
Ao mesmo tempo, Jeffery lembra que o ensino superior segue associado a efeitos relevantes: expectativa de vida maior, mais estabilidade, participação cívica mais alta e probabilidade de encarceramento quase cinco vezes menor. O erro, então, foi estreitar demais a justificativa da universidade, reduzindo tudo à promessa de retorno econômico.

Para o futuro, Jeffery mapeia sinais de reinvenção já em curso: forest schools escandinavas, o novo departamento de “AI and Society” da SUNY Buffalo, com sete graduações interdisciplinares, e até a escola de relojoaria da Rolex, descrita como “mais seletiva que Harvard”. Para ela, a resposta à crise passa por a universidade encontrar outro valor para oferecer.

A professora organiza o cenário de respostas das universidades à IA em quatro quadrantes. Há a universidade blindada da automação; a universidade que ensina colaboração de alto nível com IA, com ênfase em simulação e avaliação crítica; a universidade adjacente à IA, focada em tudo aquilo que a máquina não faz bem — pertencimento, cuidado, julgamento, dinâmica humana, resposta a crises; e a universidade dirigida por IA, em que a trajetória de aprendizagem é cocriada com sistemas inteligentes, sob personalização extrema, mas também vigilância constante. O quadrante mais provocador talvez seja o terceiro: “vamos ficar realmente bons em tudo aquilo que a IA não consegue fazer”.

A promessa antiga ruiu. O desafio agora é construir outra refletindo sobre que tipo de formação faz sentido num mundo em que a IA vai redistribuir valor, prestígio e remuneração entre diferentes tipos de trabalho — inclusive o cuidado.
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March 18, 5:50 PM
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What is Cognitive Debt?. “Cognitive Debt is where you forgo the… | by john v willshire

I first wrote about the idea of Cognitive Debt in April 2025. I was drawing together my thoughts on the implications of unleashing Large Language Models (LLMs) at scale.

Shortly afterwards I wrote a blog post that seemingly spoke to something about the modern workplace for a lot of folk.

People would get in touch to tell me that Cognitive Debt was, for the first time, giving them a language to pithily describe the feelings, experiences and discussions that were playing out in organisational settings.

I have written this updated articulation of the idea, and why we must think of it at scale withing organisations, because it seems to be a momnet to really reflect well upon the evidence around us before setting a fixed course of action. As Gramsci put it nearly a century ago, “The old world is dying, and the new world struggles to be born: now is the time of monsters.”

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“I as yet know nothing. The truth does not come without a tax of effort.”

- Hercule Poirot

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What is Cognitive Debt?

I think of Cognitive Debt as the gap underneath a seemingly plausible answer where the thinking should have been. It could be an email without empathy, a presentation that’s missing the point, customer service without the care, or a strategy without the sensemaking.

Cognitive Debt is where you forgo the thinking in order just to get the answers, but have no real idea of why the answers are what they are.

What does the automatically-scripted email do to your relationship with the recipients? Which critical point omitted in a presentation could send your team in the wrong direction? Which subtle detail in a customer’s reaction does your chatbot miss, leading them to leave the next time their renewal comes around? And which mix of research inputs, analysed and synthesised by people rather than processors, could really create a long-standing strategic advantage for your firm?

When we use an LLM for convenience and speed, and forgo the associated thinking around it, what is it that we exchange? How and when might we need to pay that back?

This is Cognitive Debt.

It is all of the holes under your business where the humans would have been.

Of course, businesses are already full of technology and machines that are doing what people once did, both manually and intellectually. What we need to think about carefully is how these technologies are different, and what effects might they have as a result?

When you start thinking in terms of Cognitive Debt, and consider exchanging the speed and convenience of an LLM for the critical thinking power of humans, you can start to make reasonable value judgements around both the immediate and longer term implications of the exchange.

LLMs don’t think like humans (to be clear, they don’t *think* at all). Dropping in an LLM to do the thinking work that people do is not replacing ‘like-for-like’. They are not ‘extra colleagues’, or ‘very-bright interns’, no matter what people claim. As Gergely Orosz succinctly puts it:

“99% of people using LLMs forget how these things work: they are advanced probability machines. They generate the next most likely token (word) based in the input and their training. Under the hood, it’s a giant matrix multiplication that has eerily good output.”

The exchange we make when accruing Cognitive Debt is fairly straightforward. We get answers quicker from an LLM, but we have not employed our own thinking capabilities — questioning, analysing, interpreting, evaluating, judging. It makes it hard to see how these qualities may have differently informed the output we have in front of us.


But the temptation to use the readily available output can often prove too much. Andrew Taylor made an observation earlier this year that has lived in my head rent-free ever since:

“People have a kind of Gell-Mann amnesia towards LLMs. They can think “AI is bad at things I am good at and know about, but good at things I can’t judge because I’m bad at them”…”

It really helps to have a certain level of expertise in the topic you use an LLM for, because not only can you spot the things that feel off, you can also start to notice the omissions and the things it has ignored. A couple of years ago, when the emergence of ‘generative AI’ was in its infancy, I wrote about how there was ‘no such thing as six-fingered text‘. Where image creation GenAI systems would regularly create images which were clearly false (hands with six-fingers), it is much harder for people to spot similar errors in text, especially if they have no expertise around the output.

And we can easily carry out tests and conduct thought experiments to help us see what we might be missing if we use an LLM instead of doing the thinking ourselves. On our own, we can create ways to make sure we avoid the common traps that come with using LLMs as part of our process.

From micro to macro

To get to the heart of the Cognitive Debt issue, we need to think bigger.

It is one thing to think about all of this at an individual level. Proponents of LLM technologies will often default to describing the benefits to a hypothetical user. The inference is that an organisation is therefore a great big collection of individual users; imagine every one on your organisation could have these superpowers!

I believe it is more crucial to think about the concept of Cognitive Debt within the reality of how larger social settings work. The complex and dynamic structures of any kind of group will be greatly impacted by the introduction of these new technologies. The impacts will not all be positive, and not evenly distributed either.

The promise of the LLM industry is that they can replace thinking activities at scale (and do it well) within large group settings. They might make your existing people more productive by speeding up their processes, or replacing sections of them. They could stretch the existing capabilities of your teams by giving them skills they lacked before. There are even still arguments being made that these technologies could replace roles in companies altogether (though nowadays these voices seem noticably quieter).

Yet knowledge work is never an individual endeavour; the outputs are for colleagues and customers, friends and fans. Emails go to other people, presentations are vehicles to communicate ideas to a group, customer service is there to support customers, and strategy sets directions that affect hundreds, thousands, maybe millions of others.

In short, we create for others.

Bringing together a view of your constantly moving people and processes, products and services, instances and incidents, and playing through the scenarios of what happens when you introduce different LLM capabilities seems to be (and should be) the major opportunity for modern management.

Because if we understand Cognitive Debt at scale within organisations, we can start to articulate what kind of thinking, people, ideas and endeavours really matter to us, and need supporting at all costs.

— —

Inspired by Technical Debt

Alongside a general lack of understanding as to how LLMs are created, and what they are actually delivering, I believe there is a substantial lack of forethought around what the implications are for organisations who choose to ‘forgo the thinking’ in order to find shortcuts to the answers.

I was looking for a way to express this potential systemic loss to at least give decision makers pause for thought in order to consider the consequences of their LLM use.

What is an LLM really doing, and what might actually happen if we use it here?

I came to Cognitive Debt as a term as an intentional and direct reflection of Ward Cunningham’s Technical Debt metaphor. Cunningham explains more about the specific metaphor here:

“With borrowed money, you can do something sooner than you might otherwise, but then until you pay back that money you’ll be paying interest. I thought borrowing money was a good idea, I thought that rushing software out the door to get some experience with it was a good idea, but that of course, you would eventually go back and as you learned things about that software you would repay that loan by refactoring the program to reflect your experience as you acquired it.”

My experience of this has been an ongoing feature of working on innovation projects over the last 15 years or so. Digital development teams would make technical decisions that allow them to achieve something in the short term — “launch this new feature immediately” — but with the understanding that they needed to repay this Technical Debt hanging over them.

Now, I believe that everyone intends to do everything to the best of their abilities, right up until the point that they don’t. They may be suddenly constrained by time, budget, the actions of others, changes in resources, being redeployed to work on something else, etc etc. It is hard to define exactly why Technical Debt doesn’t get repaid, and usually it’s not really constructive to play the blame game either.

But as it sits there in an organisation, as yet to be repaid, Technical Debt has a tendency to grow and become more expensive. Then people leave, and new folk come in and discover not just the debt exists, but now there are the additional cost of trying to determine how this was put together, why, and what happens if you turn this off…

For me, accumulating Technical Debt comes down to this; we were meant to do this properly, but we did it the quick way. The quick way might work for a while. But at very least, we should consider what the implications of not repaying that debt are.

You can probably see why I felt the Technical Debt comparison was useful for thinking about the widespread use of LLMs in an organisational context.
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March 19, 5:36 PM
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Mais tecnologia, menos conexão. O paradoxo da educação no SXSW EDU 2026

Mais tecnologia, menos conexão. O paradoxo da educação no SXSW EDU 2026 | Inovação Educacional | Scoop.it

A educação sempre foi feita de encontros humanos. Ela acontece quando um professor percebe um aluno, quando um aluno se percebe sujeito do mundo, quando professor e aluno aprendem juntos. Quando um olhar encoraja e muda tudo ou quando uma pergunta é capaz de fazer uma revolução dentro da escola. Mas num mundo onde cada vez mais a tecnologia ganha território e as conexões humanas parecem se perder, como fazer para manter a escola viva? Pulsando.
No SXSW EDU 2026, que aconteceu entre os dias 9 e 12 de março, em Austin, EUA, a pergunta - e o medo - norteou 90% das palestras, painéis, workshops e rodas de conversa que estavam na programação. Títulos como “O que acontece com a escola quando algoritmos passam a ensinar?”, “Como promover saúde mental de jovens em tempos de IA?” ou "Como a IA pode ser uma aliada da educação?“, ocuparam salas imensas que lotavam de educadores e, certamente, tiraram o sono de muitos que estão preocupados com o avanço da tecnologia.
A questão é que a pergunta já não é mais se a inteligência artificial fará parte da educação ou não porque ela já está dentro das escolas. A inquietação agora é outra: na maneira como já está transformando o papel dos professores, o sentido da aprendizagem e a própria experiência de ser estudante.
As preocupações são legitimas e reforçam o paradoxo do nosso tempo que é “quanto mais tecnologia, menos conexão”. Por quê? O que está acontecendo? Dentro do campo da educação, estamos falando de plataformas de ensino-aprendizado que prometem fazer melhor -- e mais rápido -- aquilo que todo professor era capaz de ensinar até ontem.
Segundo dados recentes da UNESCO, mais de 60% dos sistemas educacionais do mundo já experimentam algum tipo de aplicação de inteligência artificial em ambientes de aprendizagem. Ao mesmo tempo, pesquisas do Pew Research Center indicam que mais da metade dos professores norte-americanos se dizem preocupados com o impacto dessas tecnologias na educação, especialmente em relação à autonomia docente e à integridade acadêmica. E essa tensão aparece de forma muito clara no SXSW EDU. Há entusiasmo, investimento e expectativa, mas também há medo. Muito medo.
Só que curiosamente, muitas das histórias inspiradoras apresentadas no evento não começaram com tecnologia, mas com experiências profundamente humanas. Educadores que perceberam que determinados alunos estavam sendo sistematicamente deixados para trás, mães que criaram novos modelos de escola porque seus filhos não conseguiam existir dentro das estruturas tradicionais de ensino e comunidades que decidiram reinventar a educação para responder a desafios locais.
Em muitos casos, a inovação educacional nasce justamente da tentativa de preencher lacunas deixadas pelo sistema formal. Como disse a educadora e pesquisadora Punya Mishra, da Arizona State University, durante um dos painéis do evento, “as tecnologias mudam rapidamente, mas as perguntas fundamentais da educação continuam sendo as mesmas: quem estamos tentando formar e para que tipo de mundo?”.
Esse movimento aparece em projetos voltados para estudantes negros, jovens imigrantes, crianças neurodivergentes e comunidades historicamente excluídas dos sistemas educacionais tradicionais. Em vários desses casos, a tecnologia surge menos como protagonista e mais como ferramenta para ampliar oportunidades de aprendizagem.
Um dos exemplos discutido no evento - e que eu mais gostei - envolve o uso de realidade virtual para ajudar crianças neurodivergentes a praticar interações sociais antes de enfrentarem situações reais, como conversar com colegas, interpretar expressões faciais ou lidar com conflitos cotidianos. Nesses casos, a tecnologia funciona como uma espécie de laboratório para a vida social. Ela não substitui a experiência humana, mas prepara o terreno para ela.
Uma das perguntas que surgiu na plateia após a apresentação questionava se educadores tinham dificuldade para fazer com que crianças do espectro autista colocassem os aparelhos de realidade virtual e é justamente aí que se dá a importância do humano na relação com a tecnologia e na intermediação dela. Os três educadores que estavam no palco foram categóricos ao dizer que alunos só se sentiam confortáveis e confiantes em colocar as “máscaras” após criarem vínculos com seus professores. Primeiro era preciso estabelecer relação com as crianças para só depois entrar a tecnologia.
Desta apresentação, outro tema desponta nas discussões do SXSW EDU que é o pertencimento. Educadores de diferentes países insistem que a escola precisa voltar a ser um espaço de conexão e comunidade, especialmente em um momento em que jovens enfrentam níveis crescentes de ansiedade, solidão e insegurança em relação ao futuro. Porque é na escola que crianças e adolescentes se sentem seguros e confiantes para desenhar uma possibilidade de mundo onde exista presente e futuro. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de um em cada sete adolescentes no mundo vive hoje com algum transtorno mental, o que impacta diretamente a construção de futuro. O sonho. E ainda assim, boa parte dos debates educacionais continua concentrada em desempenho acadêmico, inovação tecnológica ou transformação curricular. Quando o assunto saúde mental apareceu foi para discutir o uso da IA, os risco do uso de chatbots e as preocupações que giram em torno do tema. Agora como afirmou a pesquisadora e especialista em aprendizagem digital Audrey Watters em um dos debates do evento, “se a tecnologia entra na escola apenas como promessa de eficiência, ela corre o risco de ampliar desigualdades em vez de enfrentá-las”.
Talvez por isso, em muitos momentos do SXSW EDU, a conversa volte sempre à mesma pergunta: o que realmente importa ensinar em um mundo atravessado pela inteligência artificial? Criatividade, pensamento crítico, capacidade de colaboração e adaptação diante da incerteza aparecem com frequência nas respostas de educadores, pesquisadores e líderes de sistemas educacionais. O professor Yong Zhao, um dos estudiosos mais influentes do mundo em inovação educacional, resumiu o desafio de forma bastante direta ao afirmar que “se as escolas continuarem preparando alunos apenas para repetir respostas corretas, elas estarão formando estudantes para um mundo que já não existe”.
A inteligência artificial pode corrigir exercícios, organizar conteúdos, identificar padrões de aprendizagem e acompanhar o progresso de centenas de estudantes ao mesmo tempo. Pode ajudar professores a planejar aulas e até sugerir atividades personalizadas para cada aluno. O que ela ainda não consegue fazer é reconhecer um estudante em sua complexidade humana, perceber quando algo em sua vida pessoal interfere no aprendizado ou compreender que, muitas vezes, aprender é um processo que passa pela dúvida, pela frustração e pela descoberta.
Para o Brasil, essa discussão tem implicações urgentes. O país ainda enfrenta desafios estruturais de aprendizagem agravados pela pandemia, e dados recentes do Sistema de Avaliação da Educação Básica indicam que mais da metade dos estudantes brasileiros conclui o ensino fundamental sem domínio adequado de leitura e matemática. E aqui, no SXSW EDU a discussão não é mais quem vai sair da escola sabendo ler e escrever. É quem vai sair da escola com capacidades humanas de conexão.
Ao mesmo tempo, escolas públicas e privadas começam a experimentar ferramentas de inteligência artificial sem que professores necessariamente tenham formação adequada para utilizá-las pedagogicamente. Como alertou a especialista em políticas educacionais Linda Darling-Hammond, professora da Universidade Stanford, durante um dos discussões, “a tecnologia só melhora a educação quando fortalece o trabalho dos professores, e não quando tenta substituí-los”.
Ao final de quatro dias de debates no SXSW EDU, fica claro que a inteligência artificial já está redesenhando o cenário da educação global. Mas também fica evidente que a pergunta central do futuro da aprendizagem talvez não seja tecnológica, e sim profundamente humana. Em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos, talvez o maior desafio das escolas seja justamente preservar aquilo que sempre esteve no coração da educação: a capacidade de reconhecer o outro, construir pertencimento e ajudar jovens a encontrar sentido em um mundo cada vez mais complexo.
Porque, no fim das contas, enquanto adultos discutem tecnologias capazes de transformar a forma como ensinamos, crianças e adolescentes continuam procurando exatamente aquilo que nenhuma inteligência artificial é capaz de oferecer: alguém que os veja, os escute e acredite que suas histórias importam. O olhar para com o outro precisa ser humano e isso o SXSW EDU não deixou dúvidas.

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March 19, 5:32 PM
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IA na pesquisa: ajuda ou atalho? - by Marcelo Sabbatini

IA na pesquisa: ajuda ou atalho? - by Marcelo Sabbatini | Inovação Educacional | Scoop.it
Esta edição tem três objetivos principais:

Mapear o ecossistema atual de ferramentas de IA, especificamente desenhadas para a pesquisa científica.

Discutir aplicações práticas, em diferentes etapas do processo de pesquisa.

Refletir sobre os desafios éticos e práticos que emergem quando incorporamos IA à pesquisa.
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March 19, 5:31 PM
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Redes sociais tornam jovens infelizes, aponta relatório global

Redes sociais tornam jovens infelizes, aponta relatório global | Inovação Educacional | Scoop.it
Relatório Mundial da Felicidade 2026 mostra que uso excessivo de redes sociais reduz bem-estar de jovens, com impacto maior sobre meninas
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March 19, 5:28 PM
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Podcast | o desafio de formar leitores críticos

Podcast | o desafio de formar leitores críticos | Inovação Educacional | Scoop.it
Já no segundo bloco, o foco é o Prêmio Multiverso de Literatura, que busca estimular a escrita de estudantes do ensino básico, em uma categoria, como também a de adultos, em outra categoria. As inscrições estão abertas até 30 de junho de 2026. Quem fala da premiação é Marília Mendes, especialista em literatura infantil e gerente editorial da Via Lúdica.
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March 19, 5:00 PM
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Brasileiros estão usando TikTok para estudar, diz pesquisa

Brasileiros estão usando TikTok para estudar, diz pesquisa | Inovação Educacional | Scoop.it

Uma pesquisa divulgada pelo TikTok nesta semana mostrou que a plataforma tem sido utilizada pelos brasileiros para estudo.
O levantamento, realizado com mais de 91 usuários maiores de 18 anos, sugere que a rede social tem impactado diretamente nas provas, vestibulares e concursos.
O estudo diz que quatro em cada 10 participantes (41,5%) afirmam já ter utilizado vídeos da plataforma para se preparar para vestibulares, concursos ou outras avaliações.
Além disso, a eficácia do método também foi um fator a ser avaliado: 94% deles acreditam que o conteúdo assistido contribuiu para melhores resultados.
De acordo com Gustavo Rodrigues, líder de Políticas Públicas para segurança do TikTok no Brasil, "os dados refletem uma dinâmica que observamos diariamente de forma orgânica na plataforma: as pessoas não apenas consomem conteúdo, como também compartilham conhecimento em formatos acessíveis e criativos”.
Segundo ele, a rede social, pode ampliar o acesso a conteúdos educativos de qualidade e fortalecer uma comunidade que aprende de forma colaborativa.

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March 19, 4:17 PM
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Quais são os cursos superiores mais procurados do Brasil?

Quais são os cursos superiores mais procurados do Brasil? | Inovação Educacional | Scoop.it

Entre os anos 2023 e 2024, a área que apresentou destaque no aumento do número de alunos em cursos presenciais da rede privada foi “Computação e Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC)”, com crescimento de 9,2%. No ensino a distância (EAD), essa área cresceu 12,5% no mesmo período.
O estudo destaca que a desaceleração da EAD não tem relação com a homologação, em maio de 2025, do novo marco regulatório, que impõe limitações e mudanças à modalidade. Dos novos alunos da modalidade, 97,3% estão na rede privada, comprovando o domínio do setor privado no ensino a distância.

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March 19, 3:54 PM
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Sem prazo, Lula lança ECA Digital para proteção online

Sem prazo, Lula lança ECA Digital para proteção online | Inovação Educacional | Scoop.it
Cronograma de adaptação das empresas deve ser divulgado na sexta (20); documento definitivo é previsto para segundo semestre
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March 19, 3:52 PM
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Brasil vê abismo no saneamento a 7 anos da universalização

Brasil vê abismo no saneamento a 7 anos da universalização | Inovação Educacional | Scoop.it
Esse cenário de avanços e desafios é descrito na edição mais recente do ranking do saneamento, divulgada nesta quarta-feira (18). O trabalho, feito pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, considerou os indicadores de água e esgoto das cem maiores cidades brasileiras com base nos dados de 2024, ano mais recente disponibilizado pelo Ministério das Cidades.
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March 18, 10:26 PM
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Mathematics is undergoing the biggest change in its history

Mathematics is undergoing the biggest change in its history | Inovação Educacional | Scoop.it
The speed at which artificial intelligence is gaining in mathematical ability has taken many by surprise. It is rewriting what it means to be a mathematician
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March 18, 10:21 PM
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Consumo de pornografia por jovem tem consequência negativa

Consumo de pornografia por jovem tem consequência negativa | Inovação Educacional | Scoop.it

Acesso massivo a vídeos pornográficos nesta faixa etária se reflete em comportamentos da vida adulta, apontam especialistas
Dessensibilização pode levar jovens a buscarem práticas cada vez mais violentas e abusivas, com intensificação da misoginia
O consumo de pornografia por crianças e adolescentes apresenta uma série de consequências negativas para essa faixa etária, como misoginia, impacto sobre o desenvolvimento adequado da sexualidade, impulsividade e dificuldades nas relações sociais convencionais, podendo se refletir em comportamentos problemáticos ao longo da vida adulta. A avaliação é de psicólogos e pesquisadores especialistas, que acompanham os estudos voltados à compreensão dos efeitos desse tipo de material.
Eles têm ressaltado que o consumo de vídeos pornográficos vêm crescendo diante da facilidade de acesso, o que tem motivado cobranças pela melhor regulação do setor. Uma das ferramentas é o ECA Digital, que entra em vigor hoje, e tem o apoio até de produtores dessa indústria. O setor disse adotar medidas para conter o avanço de conteúdo inapropriado, como os que exploram o machismo para atrair mais atenção (leia mais abaixo).

A pornografia também espelha a misoginia e dessensibiliza o jovem em relação à dor e ao desconforto alheio, afirmam especialistas. A visualização massiva, segundo eles, chega a se assemelhar ao consumo de drogas na perspectiva do prazer imediato provocado e seus efeitos negativos.

"O consumo frequente de pornografia vai provocar uma liberação intensa e contínua de dopamina, que é um neurotransmissor ligado à motivação e também ao prazer. E esse excesso causa uma hiperestimulação do sistema de recompensa, tornando atividades normais saudáveis e menos prazerosas. É comparável ao efeito de drogas", afirma a psicóloga especialista em sexualidade Leiliane Rocha, autora do livro "Como falar sobre sexualidade com crianças: um guia prático de educação infantil para pais" (Editora Astral Cultural, 2024).


Pornografia cria efeitos semelhante a vícios em drogas em jovens - Oleg/Adobe Stock
"A pornografia hoje em dia não é revista somente de mulher pelada. É uma pornografia que subjuga a mulher", diz ela.

Leiliane afirma ainda que a pornografia mostra "a degradação do corpo feminino" e faz o cérebro dos jovens buscarem práticas extremas. "Há essa dessensibilização e eles começam a sentir prazer somente quando vão ao extremo. Então, a gente vai alimentando comportamentos perversos, abusivos, violentos."

Ainda segundo a psicóloga, há tratamentos comprovados para que esse jovem entenda a sexualidade de forma mais saudável. "Então, a pessoa que acessa pornografia desde a infância, na adolescência, ela pode crescer com essa visão distorcida do corpo, do relacionamento, das suas emoções."

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Ato do Dia da Mulher em São Paulo destaca casos de feminicídio


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CONTATO COMEÇA NA INFÂNCIA, APONTA PESQUISADORA
A opinião sobre pornografia é compartilhada por Nay Macedo, pesquisadora de vulnerabilidades digitais de estudantes do ensino médio. Ela aponta que o primeiro contato com a pornografia ocorre ainda na infância em diversas ocasiões.

"Muitas vezes ele não é intencional. Às vezes a criança está navegando na internet ou ela está tendo acesso a algum tipo de conteúdo, um desenho, um filme, uma série, um anime. E, às vezes, isso aparece até numa propaganda de um joguinho simples, gratuito, que ela está fazendo, que ela está acessando ali. Então, essa exposição vai sendo repetida e vai reduzindo a reação emocional a esse conteúdo", afirma.

Para a psicóloga, não há pornografia benéfica. "Gayle Dines, que é uma das maiores especialistas dessa área, afirma que a pornografia é a otimização da violência, da dominação, da submissão. Então, para a gente entender que existe algum tipo de pornografia respeitosa, consensual, a gente teria que distorcer toda essa noção do que é a própria indústria da pornografia", diz.

No livro "Pornland: Como a pornografia sequestrou nossa sexualidade", Gail Dines faz uma critica à forma como a indústria pornográfica migrou das margens para o centro da cultura contemporânea. A autora argumenta que vivemos em uma "pornificação" da sociedade, onde a estética e objetificação do corpo feminino ditam os padrões da publicidade, da moda e da música.

Em palestra, a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Rio de Janeir, afirma que é comum receber casos de estupro coletivos em que os autores estudam em uma escola de classe média e replicam uma lógica que trazem de vídeos pornográficos cujos comportamentos inadequados são normalizados.

"Tem algo que me chama atenção nesses casos, em todos eles, porque os senhores sabem que quase sempre os fatos são filmados e a gente vê o vídeo do ato infracional: é que claramente esses meninos estão reproduzindo uma cena que eles viram em um vídeo, de sexo explícito, pornográfico. Então, há uma repetição de um comportamento de algo que eles nem deveriam ter acesso", afirma.

Ainda segundo a juíza, um estudo inglês a que ela teve acesso afirma que a faixa etária com maior misóginos é a de adolescentes e, segundo ela, isso seria provocado pelo acesso precoce à pornografia.

Um estudo recente sobre o impacto da pornografia entre jovens apontou que 90% do acesso ocorre por dispositivos móveis. Em seis países europeus, 54% dos adolescentes já tiveram contato com pornografia online e 24% consomem semanalmente. Nos Estados Unidos, 68,4% relatam exposição. Na Espanha, 60% dos meninos e 11% das meninas (13–17 anos) usam a internet para atividades sexuais. O levantamento não traz dados do Brasil.


SETOR DIZ APOIAR ECA DIGITAL E PREPARAR MATERIAIS EDUCATIVOS
Paula Aguiar, presidente da Abipea (Associação Brasileira da Indústria e Profissionais do Entretenimento Adulto) disse "que o nicho que ficou mais popular da pornografia nas ultimas décadas é esse, dos filmes mais machistas, porque os homens sempre tiveram mais liberdade para acessá-los. E de fato, enquanto qualquer produção midiática, esse tipo de nicho tem suas problemáticas de consumo".

"Esse foi um dos motivos para que a indústria do entretenimento adulto se organizasse em um momento bem propício: a implementação do ECA Digital. Nesse exato momento, além de comemorar e apoiar completamente essa lei desde que foi sancionada, estamos preparando uma série de materiais educativos para esclarecer tanto os pais e tutores de menores quanto aos profissionais que fazem a produção adulta", acrescenta Paula.

Ela reconheceu o impacto da pornografia entre jovens. "É unanimidade mundial entre os profissionais de saúde mental e sexualidade, que crianças e adolescentes não têm maturidade para consumir pornografia", diz.

O ECA Digital, que entra em vigor hoje, é uma legislação feita para proteção de crianças e adolescentes na internet. Entre as medidas, as plataformas devem remover casos de assédio sexual, cyberbullying e incentivo ao suicídio ou à automutilação. Ela também são obrigadas a identificar e remover conteúdos que indiquem exploração, abuso sexual, sequestro ou aliciamento de crianças.

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March 18, 6:05 PM
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Granola cognitiva. (ou o impacto da IA no nosso músculo… | by Marcelo Gluz | Mar, 2026

O estudo sugere que o grupo que usou a ferramenta não recupera totalmente o esforço cognitivo que deixou de fazer. Sua capacidade de processamento de informação e memória encolhe e permanece encolhida depois.

Heather explica o estrago no lobo frontal (região associada ao planejamento, memória de trabalho e tomada de decisão), mas minha limitada capacidade cognitiva pode estar encolhida demais pra conseguir detalhar o fenômeno.
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March 18, 5:51 PM
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Soberania cognitiva: proteger a fronteira que nos faz humanos •

Soberania cognitiva: proteger a fronteira que nos faz humanos • | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma erosão cognitiva está acontecendo dentro dos nossos cérebros cada vez que delegamos algo a um modelo de linguagem. Água, energia e capacidade de resolver problemas se esvaem como se nada fossem. 

O canto da produtividade agêntica é irresistível e, como na Odisseia, ele nos atrai não para a morte física, mas para um naufrágio intelectual. A diferença é que, desta vez, não há cera para os ouvidos nem um mastro ao qual possamos nos amarrar.

A IA está em todo lugar: no trabalho, na vida cotidiana, no pensamento. E ainda assim, precisamos olhar para isso com uma atenção que nos falta, e uma intenção que parece cada vez mais rarefeita. Um e-mail aqui. Uma organização de ideias ali. Uma escolha de restaurante, uma roupa, uma agenda da semana, um plano de viagem. Quando percebemos, estamos apenas seguindo sugestões. Decidindo cada vez menos. Vivemos um estilo de vida sofisticado, mas derivado de um automático agêntico. A troca parece simples: mais produtividade com menos esforço.

Mas há um custo. Produzimos mais, sim. Muito mais. Só que elaboramos menos, retemos quase nada e terminamos o dia sem saber, ao certo, o que foi vivido. E o tempo que supostamente “ganhamos”? Agora precisamos perguntar a um LLM o que fazer com ele.

No marketing e talvez em qualquer área, ouvimos com frequência que a IA deve ser parceira, não piloto. No máximo, copiloto. Agentes reduzem o fardo cognitivo das tarefas operacionais. Liberam tempo e elevam o nível do trabalho. O novo cenário exige o máximo da nossa capacidade cognitiva, mas há uma mudança mais profunda acontecendo. Saímos de um mundo onde tocávamos o oboé seguindo uma partitura para um mundo onde precisamos orquestrar, sabendo a diferença entre um oboé e um fagote, e quando é melhor um, outro ou nenhum. Orquestre ou torne-se obsoleto.

Na era da governaça cognitiva surge uma pergunta inevitável: o que acontece com o conhecimento que antes era produzido na execução? Estamos criando um mundo para quem já sabe? Isso não se sustenta. Talvez estejamos apenas estendendo a vida de um modelo que o mundo já não precisa mais.

Essa transformação não vem sem um custo alto. O uso intensivo de LLMs reduz a ativação neural. Em termos simples: o cérebro empobrece. Com isso:

o senso de autoria diminui
a retenção de conhecimento cai
o pensamento se torna mais linear
a capacidade de associação enfraquece
Você faz muitas coisas, mas pensa pouco sobre elas. Uma ameba extremamente produtiva. Delegar tarefas não é neutro. Delegar pensamento transforma o próprio sujeito que pensa.

Em um workshop recente, Vanessa Mathias e Nataliya Kosmyna mapearam pontos críticos onde a delegação irrestrita pode comprometer nossa soberania cognitiva:

Atrofia cognitiva

 Menos esforço, menor capacidade de resolver problemas — simples ou complexos.
Design invisível

 Uma arquitetura de incentivos que cria a ilusão de autonomia. Navegamos por escolhas pré-determinadas.
Erosão da realidade

 A verdade se torna probabilística. A identidade, fragmentada.
Neocolonialismo algorítmico

 Padronização linguística e cultural. Pensamos melhor em outra língua — e, pouco a pouco, nos tornamos estrangeiros da nossa própria realidade.
Extrativismo mental

 Se antes capturavam nossa atenção, agora capturam nossas emoções. Não é mais sobre tempo — é sobre estados psíquicos.
Intimidade sintética

 LLMs como terapeutas, amigos, conselheiros. Simulam vínculo — mas não respiram, não desejam, não vivem.
Se antes a IA apenas respondia aos nossos prompts, agora ela começa a participar da modelagem da nossa subjetividade, isso muda tudo.

A falsa solução costuma vir como moderação:

“Use com equilíbrio.”

“Seja mais intencional.”

“Busque o tédio.”

Mas há um problema aqui. Ninguém escolhe o tédio, isso sempre foi consequência, nunca uma estratégia. Tentar “ser entediado” é como fazer dieta: hoje eu sei que faz bem, mas vai contra o impulso natural.

Soberania cognitiva não nasce do acaso, ela exige decisão. Talvez não existam respostas definitivas ainda, mas alguns princípios começam a emergir, vou citar alguns exemplos que escutei e fazem muito sentido:

Zonas de não delegação: Pensamento estratégico, decisões críticas e escrita original devem permanecer humanos, mesmo que imperfeitos, alias, melhor.
Uso consciente da IA: Debata com o modelo. Questione. Não o trate como substituto, use para crescer sua capacidade cognitiva;
Rituais de fricção: Escrever à mão, desenhar, pensar sem interface, caminhar sem estímulo do relógio, meditar, ler no papel ou digital, nada de resumos.
Gestão da atenção emocional: Você é o que consome e o algoritmo sabe que emoções intensas (ódio, violência) aumentam o engajamento, fique atento, no scroll você pode estar num consumo infinito de degradadores emocionais.
Orquestração, não submissão: Você conduz. Os agentes executam. O controle é seu, e o desenvolvimento, também. Demanda visão mais ampla sobre sua atividade, um tema que quero explorar depois, mas fica isso, olhe por esse ângulo.
O futuro do trabalho não será definido por quem sabe usar uma IA, ele é definido por quem ainda sabe pensar e se potencializa com ela.

Meses atrás, um artigo do MIT analisava que, se o software devorou o hardware e a IA engoliu o software, a filosofia é o que come a IA mergulhando no café como um biscoito (ou bolacha?).

Pensar. Ser ético e crítico. Ter discernimento estético. Olhar o mundo por múltiplas dimensões.

Penso com um caminho com um pouco mais de fricção, sem atrito não fazemos força e não desenvolvemos musculatura. Para além de ser produtivo, precisamos ser intencionais para escapar do caminho fácil da obsolescência programada e ter uma vida mais interessante.
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March 18, 5:48 PM
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Moda, cérebro e intenção — o que sua roupa ativa nos outros

Moda, cérebro e intenção — o que sua roupa ativa nos outros | Inovação Educacional | Scoop.it
Antes de qualquer palavra, a roupa já falou. Essa foi a tese que Heather Collins levou ao SXSW em “Couture Cognition: How Fashion Shapes Our Brains”, um painel que parte da premissa de que quando alguém entra num ambiente, o cérebro ao redor corre para preencher lacunas antes mesmo de ouvir a primeira frase. Em cerca de 100 milissegundos, disse a neurocientista, já começamos a decidir quem aquela pessoa parece ser. Simpática ou antipática, confiável ou duvidosa, interessante ou esquecível. O look vem antes do discurso. E, muitas vezes, vence no fotochart.

Collins organiza essa leitura em dois polos: fluência e distinção. De um lado, tudo aquilo que o cérebro reconhece sem esforço — o previsível, o familiar, o que encaixa bem nas nossas referências prontas. Do outro, aquilo que interrompe o piloto automático, exige processamento extra e cria atrito. Um terno escuro numa sala corporativa passa batido porque confirma o script. Um moletom na mesma situação talvez produza um pequeno curto-circuito. Não porque haja algo de errado nele, mas porque o cérebro trabalha como máquina de previsão e estranha o que não cabe na cena esperada.

Ele não transforma essa diferença numa hierarquia moral. Não existe um jeito “certo” de se vestir. Existe intenção. A fluência pode ser uma aliada de quem precisa inspirar confiança rápida, reduzir ruído, ser entendido sem muito esforço. Já a distinção serve para capturar atenção, criar memória, deslocar a conversa de lugar. É o tipo de escolha que faz sentido num palco, num tapete vermelho, numa apresentação, numa sala em que ser apenas mais um rosto funcionalmente correto talvez não baste.

Collins cita Lady Gaga e seu vestido de carne como exemplo extremo de sobrecarga cognitiva deliberada: ninguém olha sem parar, perguntar, tentar decifrar. É moda operando como interrupção neural. Na outra ponta, ela lembra a espécie de uniforme discreto adotado por muitos estilistas na última temporada de Paris: suéter escuro, calça sóbria, quase nenhum ruído visual. Não por falta de repertório, mas por excesso dele. Cercados o tempo todo por informação estética, eles parecem optar por reduzir estímulo no próprio corpo para preservar capacidade mental.

Não existe um jeito “certo” de se vestir. Existe intenção.

Em tempos de excesso de escolha, excesso de performance e excesso de identidade sendo emitida o dia inteiro, simplificar o que se veste pode ser menos um gesto de desinteresse e mais uma estratégia de gestão cognitiva. Collins usa o exemplo clássico dos engenheiros de software de camiseta escura e shorts sem graça, e também o visual padronizado de aeroporto, para lembrar que muitas vezes nos vestimos não para expressar tudo o que somos, mas para cumprir uma função com o mínimo de atrito possível.

No polo oposto, ela conta a história do par de sapatos usado na defesa de seu doutorado — escolhido para lhe dar sensação de força, estabilidade e presença — Collins enquadra o figurino como âncora emocional. Algumas peças armazenam versões de nós mesmos. Um casaco, um sapato, um batom, um acessório podem funcionar como atalhos para estados mentais específicos, acionando lembranças, confiança e até projeções de futuro.

Heather Collins propõe que roupa é design cognitivo. Ela molda a forma como somos lidos, mas também a forma como pensamos, lembramos e entramos em ação. Escolher o que vestir também é escolher que tipo de cérebro queremos ativar — no outro e em nós mesmos.
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