Inovação Educacional
603.2K views | +28 today
Follow
 
Scooped by Inovação Educacional
onto Inovação Educacional
Today, 2:41 PM
Scoop.it!

Cursos de Medicina: MPF investiga qualidade das graduações

Cursos de Medicina: MPF investiga qualidade das graduações | Inovação Educacional | Scoop.it
Procedimentos devem atingir as 294 instituições privadas; associação de faculdades vê ação com ‘estranheza’ e diz que ensino já é fiscalizado pelo Estado. Exame do MEC mostrou 1/3 das faculdades com nota insuficiente
No comment yet.
Inovação Educacional
Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
Your new post is loading...
Your new post is loading...
Scooped by Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
Scoop.it!

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 3:10 PM
Scoop.it!

Em seis anos Brasil ganha só um mestrado à distância

Em seis anos Brasil ganha só um mestrado à distância | Inovação Educacional | Scoop.it

Seis anos após o MEC (Ministério da Educação) autorizar a oferta de mestrados e doutorados à distância, a modalidade não decolou na pós-graduação stricto sensu no país. Num universo de 4.751 programas de pós-graduação, a única autorização concedida foi a um mestrado profissional, que entrou em funcionamento em 2025, após aprovação pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).
O curso é o mestrado profissional em Energia e Sociedade, ofertado pelo Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ). Vinculado à área de avaliação interdisciplinar da Capes, o programa ainda não formou nenhum mestre. A titulação dos primeiros está prevista para este ano.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 3:08 PM
Scoop.it!

Saiba como emitir declarações de conclusão do ensino médio via Enem

Órgão do MEC afirmou no início da manhã, nas redes sociais, que declarações já estavam disponíveis na Página do Participante. Documento só foi disponibilizado por volta das 13h, após queixas dos estudantes.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 3:06 PM
Scoop.it!

Professora indiana que criou centenas de centros de aprendizagem ganha prêmio global de US$ 1 milhão

Professora indiana que criou centenas de centros de aprendizagem ganha prêmio global de US$ 1 milhão | Inovação Educacional | Scoop.it

Uma professora e ativista indiana que criou centenas de centros de aprendizagem e pintou murais educativos em favelas ganhou nesta quinta-feira (5) o Global Teacher Prize, prêmio internacional no valor de US$ 1 milhão, conhecido como o "Nobel da Educação".
Rouble Nagi recebeu a premiação durante a Cúpula Mundial de Governos, realizada em Dubai, evento anual que reúne líderes de vários países.
A Fundação de Arte Rouble Nagi já criou mais de 800 centros de aprendizagem em toda a Índia. Os espaços atendem crianças que nunca frequentaram a escola, oferecendo ensino estruturado, e também apoiam alunos que já estão matriculados. Nagi também pinta murais educativos com conteúdos de alfabetização, ciências, matemática e história, entre outros temas.
Ao receber o prêmio, Rouble afirmou que a conquista é uma honra para ela e para a Índia. Ela contou que começou o trabalho há 24 anos, com 30 crianças em uma pequena oficina, e que hoje já alcançou mais de 1 milhão de crianças.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 2:41 PM
Scoop.it!

Cursos de Medicina: MPF investiga qualidade das graduações

Cursos de Medicina: MPF investiga qualidade das graduações | Inovação Educacional | Scoop.it
Procedimentos devem atingir as 294 instituições privadas; associação de faculdades vê ação com ‘estranheza’ e diz que ensino já é fiscalizado pelo Estado. Exame do MEC mostrou 1/3 das faculdades com nota insuficiente
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 2:36 PM
Scoop.it!

Universidades da Coreia do Sul passam a recusar alunos que praticaram bullying na escola; entenda

Universidades da Coreia do Sul passam a recusar alunos que praticaram bullying na escola; entenda | Inovação Educacional | Scoop.it
Histórico de agressão durante a educação básica fez com que 45 candidatos fossem desclassificados neste ano em vestibulares
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 2:31 PM
Scoop.it!

Curso superior gratuito de Inteligência Artificial abre vestibular em SP; veja como funciona

Curso superior gratuito de Inteligência Artificial abre vestibular em SP; veja como funciona | Inovação Educacional | Scoop.it

A Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), abriu na segunda-feira, 2, vagas para o seu Vestibular de 2026. Dentre os dez cursos oferecidos pela instituição está o bacharelado em Inteligência Artificial, curso de quatro anos dentro do eixo de computação.
A universidade foi criada para ampliar e democratizar o acesso ao ensino superior público em São Paulo, em parceria com a Universidade de São Paulo, Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e Unicamp, e com educação exclusivamente voltada para a Educação a Distância (EAD).
Assim, eles contam com cursos gratuitos que são realizados em Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), plataforma on-line na qual os estudantes desenvolvem atividades acadêmicas, que incluem assistir a videoaulas, acessar material didático, bibliotecas digitais e tirar dúvidas do conteúdo com facilitadores.
E há também os polos, espaços físicos onde os alunos contam com infraestrutura (computadores, impressoras e acesso à internet) e realizam atividades, como provas e discussões em grupo.
Com foco em Educação a Distância, EAD, UNIVESP abre vagas para o vestibular de 2026 Foto: masyastadnikova /Adobe Stock
Para o Bacharelado de Inteligência Artificial, a universidade pretende formar o profissional com “base sólida científica e tecnológica para atuar na concepção, desenvolvimento, avaliação e implementação de sistemas inteligentes”.
Ou seja, o curso prepara o aluno para trabalhar com inteligência artificial, criando sistemas que automatizam tarefas, analisam imagens, entendem linguagem humana e ajudam a prever resultados.
Após a conclusão do bacharelado, é esperado que o aluno seja capaz de projetar e gerenciar modelos de IA aplicados a diferentes contextos, entendam sistemas preditivos (tecnologias baseadas em dados), além de estar preparado para integrar equipes multidisciplinares e ter uma posição crítica sobre a confiabilidade e visão dos algoritmos.
“Ele poderá atuar como arquiteto de sistemas inteligentes ou especialista em aprendizagem profunda, contribuindo de maneira inovadora e sustentável para a criação de soluções baseadas em IA em empresas, órgãos públicos, centros de pesquisa e startups de tecnologia”, afirma o edital disponível no site da Universidade.

PUBLICIDADE

De acordo com a universidade, até um ano e meio o ciclo é básico, com a possibilidade de migração entre os cursos do eixo, de acordo com o Projeto Pedagógico (PCC).

“Conhecer e usar o potencial da IA é essencial para qualquer país que queira se desenvolver nos dias de hoje. A tecnologia amplia nossa capacidade de pensar, criar e transformar”, diz o presidente da Univesp, professor Marcos Borges. “Utilizada de forma correta, contribui para o desenvolvimento econômico e social, e pode ser aplicada em qualquer profissão.”

Leia também
Prouni divulga resultado da primeira chamada; saiba como consultar

Universidades da Coreia do Sul passam a recusar alunos que praticaram bullying na escola; entenda

As inscrições custam R$ 47,50, terminam no dia 11 de março, às 23h59, e devem ser feitas pelo site vestibular.univesp.br. Para participar, não há limite de idade, basta ter concluído o ensino médio ou com o prazo previsto até o período da matrícula.

No preenchimento da ficha de inscrição, os candidatos podem fornecer os números de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), de 2023, 2024 e 2025, para que os resultados sejam considerados na prova objetiva e integrada à nota final.

PUBLICIDADE

De acordo com a Univesp, o “processo seletivo contará ainda com o Sistema de Pontuação Acrescida para Pretos, Pardos e Índios (PPI) e para alunos que cursaram o Ensino Médio em escolas públicas”.

A prova (objetiva e redação) ocorrerá no dia 26 de abirl, às 13h, e os locais oficiais serão divulgados no dia 15 de abril, a partir das 10h. E o início das aulas está previsto para o final de junho de 2026. No site, é possível conferir o cronograma completo do vestibular.

História
A Universidade surgiu a partir do Programa Univesp, em 2008, em parceria com as universidades estaduais USP, Unesp e Unicamp e o Centro Paula Souza e a Fundação Padre Anchieta.

Em alta
Educação

Você sabe quanto tempo seu filho tem de recreio na escola? Saiba por que isso é importante

Você sabe o que é ‘6-7′? Talvez seu filho adolescente não queira mesmo que você saiba

Quem é a professora ativista que ganhou o ‘Prêmio Nobel da Educação’
A partir de 2014, a Univesp passou a ofertar cursos próprios de graduação e em 2015, foi oficialmente credenciada pelo Ministério da Educação (MEC). Desde então, a universidade expandiu sua atuação, aumentando o número de cursos, vagas e polos em todo o Estado. Hoje, são 24.029 vagas, distribuídas em dez cursos gratuitos e projetadas para 456 polos, de 386 municípios (capital, interior e litoral).

Os cursos deste ano são: Letras, Matemática e Pedagogia (Eixo de Licenciatura), Ciência de Dados, Engenharia de Computação, Tecnologia da Informação e o novo curso de Inteligência Artificial (Eixo de Computação), e Administração, Engenharia de Produção e Tecnologia em Processos Gerenciais (Eixo de Negócios e Produção).

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 8:01 AM
Scoop.it!

FMU testa novo modelo de avaliação acadêmica mediada por IA

FMU testa novo modelo de avaliação acadêmica mediada por IA | Inovação Educacional | Scoop.it

O Centro Universitário FMU iniciou os testes de um método de avaliação acadêmica projetado para validar a aprendizagem diante do avanço das ferramentas de inteligência artificial produtiva.
O modelo, desenvolvido em parceria com a plataforma TasqClass, associa a entrega de estudos de caso a uma etapa de validação por vídeo mediada por IA.
USP lança ferramenta de IA para combater desistência de alunos
O sistema funciona por meio de um fluxo automatizado: após o aluno submeter a resolução de um desafio técnico, a plataforma gera um link para uma videochamada.
Nesta etapa, a inteligência artificial conduz uma série de perguntas estruturadas sobre as escolhas, estratégias e justificativas aplicadas no trabalho.
O objetivo é cruzar o conteúdo entregue com a capacidade do estudante de sustentar o raciocínio apresentado.
O analista de compras pleno Thiago Campos, 25, aluno do curso de administração, descreveu a avaliação como uma experiência diferente do habitual que incentiva o estudo.
Segundo o estudante, embora o formato em vídeo possa gerar nervosismo inicial, a atividade permitiu agregar conhecimento por estar alinhada ao conteúdo ministrado no semestre com o suporte do corpo docente. "Gostei do desafio e sinto que me incentivou a estudar ainda mais."
Como é a correção?
A correção é dividida em dois critérios. Uma parte da nota avalia a qualidade técnica da solução submetida; a outra é atribuída ao desempenho durante a arguição em vídeo.
Os professores recebem o resultado consolidado e alertas automáticos da ferramenta caso sejam detectados indícios de irregularidades nas gravações ou nas respostas.
Para o reitor Ricardo Ponsirenas, a metodologia altera o foco do controle sobre o uso de tecnologias externas.
“Esse modelo rompe com a lógica de ‘pegar ou não pegar’ o uso de IA. O grande gargalo do ensino superior é que o aluno seja capaz de compreender, explicar e sustentar suas próprias decisões.”
O piloto foi aplicado na disciplina de gestão estratégica de projetos, do curso de administração. A instituição planeja expandir o método a partir de 2026 para outras disciplinas nas modalidades presencial, semipresencial e a distância.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 7:21 AM
Scoop.it!

Quando o Fies financia o erro

Quando o Fies financia o erro | Inovação Educacional | Scoop.it

Os resultados preliminares do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) não deixaram margem para interpretações benignas: uma proporção significativa dos cursos de Medicina no Brasil não está formando médicos com competências mínimas esperadas para o exercício profissional. Essa constatação técnica revela um problema estrutural grave na educação médica brasileira, que não pode ser remediado com ajustes cosméticos. A manutenção do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) como está, financiando cursos de desempenho educacional insatisfatório, constitui grave erro de política pública, desperdício de dinheiro público e risco para a população.
O Fies foi instituído para ampliar o acesso ao ensino superior, permitindo que estudantes com renda limitada cursassem faculdades privadas com financiamento a juros baixos ou zero e pagamento diferido. Em princípio, trata-se de uma política social legítima. Na prática, contudo, especialmente no caso de cursos de Medicina, o Fies transformou-se em mecanismo de sustentação de um mercado educacional que financia vagas, e não formação de qualidade. Dados recentes mostram que quase metade das matrículas de Medicina financiadas pelo Fies está concentrada em cursos com indicadores insuficientes de qualidade.
Financiar cursos ruins não apenas desvia recursos que poderiam promover educação de excelência, também expõe futuros profissionais a trajetórias formativas frágeis, com grave impacto na segurança do paciente e na qualidade da assistência no SUS e na rede suplementar. Não se trata de “restringir acesso”, trata-se de selecionar criticamente onde o dinheiro público deve ser aplicado, com base em evidências de qualidade e retorno social.
A crise exposta pelo Enamed e pelos indicadores do Fies exige um reposicionamento radical da política de financiamento estudantil. Propostas oportunistas de ampliação automática de vagas ou flexibilização de critérios apenas aprofundariam as distorções atuais.
O Fies foi instituído em 1999, por meio de medida provisória e consolidado juridicamente em 2001, que passou a regulamentar de forma estável o programa. Naquele período, ainda não existia a justa e necessária política de cotas, de 2012. A política de cotas consolidou-se como o principal instrumento de inclusão no ensino superior brasileiro, ao atacar a desigualdade no ponto correto: o acesso às instituições públicas de qualidade. Uma vez garantido o ingresso, o desafio legítimo passa a ser a permanência qualificada desses estudantes no curso.
Nesse novo arranjo, o Fies torna-se uma política superada. O endividamento de longo prazo para custear mensalidades em instituições privadas, frequentemente de baixa qualidade, não é inclusão social, mas transferência de risco ao estudante mais vulnerável. O recurso público hoje destinado ao Fies deve ser integralmente redirecionado para políticas estruturadas de permanência estudantil em instituições públicas: moradia, alimentação, transporte, bolsas acadêmicas, apoio pedagógico e saúde mental.
A aprovação, em 2025, do PL nº 3.118/2024 pelo Congresso Nacional marca uma inflexão histórica na política educacional brasileira. Pela primeira vez, o Estado brasileiro reconhece formalmente que acesso sem permanência não é inclusão e que a desigualdade educacional não se resolve por meio de crédito individual, mas por investimento público direto. O PL consolida a política de assistência e permanência estudantil como eixo estruturante, priorizando estudantes de baixa renda e ingressantes por ações afirmativas em instituições públicas, as de maior qualidade nos cursos de medicina. Isso significa que o país passa a dispor de um instrumento moderno, alinhado às evidências e à equidade, capaz de substituir de forma mais justa e eficiente a lógica do endividamento estudantil.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
February 5, 4:36 PM
Scoop.it!

IBM Opens Global RFP for AI-Driven Solutions Shaping the Future of Work and Education

IBM Opens Global RFP for AI-Driven Solutions Shaping the Future of Work and Education | Inovação Educacional | Scoop.it
Selected organizations will receive a two-year, pro bono technology and implementation grant, which will include access to IBM offerings such as IBM watsonx, Granite AI models, IBM Cloud, IBM Quantum, Red Hat open-source technologies, as well as support from IBM's ecosystem of researchers, designers, and consultants. The cohort will also benefit from the participation of strategic ally EY, which shares IBM's commitment to advancing AI-powered solutions for environmentally and economically stressed communities. Eligible applicants include nonprofits, government entities and government-owned enterprises, and nonprofit public or private colleges and universities. Applicants must be able to engage with IBM for a two-year period and conduct project work in English.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
February 5, 4:15 PM
Scoop.it!

Assigning AI: Seven Approaches for Students, with Prompts by Ethan R. Mollick, Lilach Mollick :: SSRN

Assigning AI: Seven Approaches for Students, with Prompts by Ethan R. Mollick, Lilach Mollick :: SSRN | Inovação Educacional | Scoop.it
This paper examines the transformative role of Large Language Models (LLMs) in education and their potential as learning tools, despite their inherent risks and limitations. The authors propose seven approaches for utilizing AI in classrooms: AI-tutor, AI-coach, AI-mentor, AI-teammate, AI-tool, AI-simulator, and AI-student, each with distinct pedagogical benefits and risks. Prompts are included for each of these approaches. The aim is to help students learn with and about AI, with practical strategies designed to mitigate risks such as complacency about the AI’s output, errors, and biases. These strategies promote active oversight, critical assessment of AI outputs, and complementarity of AI's capabilities with the students' unique insights. By challenging students to remain the "human in the loop," the authors aim to enhance learning outcomes while ensuring that AI serves as a supportive tool rather than a replacement. The proposed framework offers a guide for educators navigating the integration of AI-assisted learning in classrooms.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
February 5, 4:10 PM
Scoop.it!

AI could transform research assessment — and some academics are worried

AI could transform research assessment — and some academics are worried | Inovação Educacional | Scoop.it
Resistance to using the technology, despite its labour-saving potential, is particularly prevalent in research-intensive universities.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
February 5, 4:03 PM
Scoop.it!

Predictors of Learning

Predictors of Learning | Inovação Educacional | Scoop.it
Evidence-based method to transform processes, empower leaders, and boost educational outcomes

While standardized evaluations show whether students are learning, the Predictors of Learning reveal why. This evidence-based tool maps key educational policies, processes, and practices, helping school districts identify gaps and make informed decisions. By guiding leaders toward targeted solutions, it strengthens educational systems and improves literacy outcomes at scale.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 3:14 PM
Scoop.it!

Multidisciplinares puxam recorde de ingressantes na pós

Multidisciplinares puxam recorde de ingressantes na pós | Inovação Educacional | Scoop.it

O número de ingressantes em programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil chegou a 120,6 mil em 2024, o maior da última década. O total representa um crescimento de 12,45% em relação a 2023 e marca a retomada do sistema após uma trajetória de avanços e recuos.
A série histórica dos últimos dez anos ajuda a explicar esse resultado. De 2015 a 2 019, o número de ingressantes cresceu de forma gradual, passando de pouco mais de 103 mil para cerca de 118 mil. Em 2020, houve queda superior a 10%, seguida por nova retração em 2022. Em 2023, o ingresso voltou a crescer, de forma tímida, antes de alcançar, em 2024, o maior número de ingressantes da última década.
Os dados foram levantados pela Folha na Plataforma Sucupira, da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), que reúne informações oficiais sobre a pós-graduação stricto sensu no país. Foram considerados os ingressantes em cursos de mestrado e doutorado, acadêmicos e profissionais.
Para a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Procópio Garcia, o avanço no número de ingressantes é um sinal relevante de retomada. "A SBPC vê o aumento dos ingressantes na pós-graduação como um sinal importante de retomada da formação científica no país, após um período de instabilidade. Esse movimento indica que ainda existe demanda, vocação e confiança na ciência como caminho de futuro", afirmou.
O crescimento é liderado pela grande área multidisciplinar, que registrou aumento de 82% no número de ingressantes entre 2015 e 2024, passando de 13,4 mil para 24,5 mil novos alunos. Trata-se da maior variação percentual entre as grandes áreas no período.
Segundo Eduardo Winter, coordenador de avaliação da área interdisciplinar da Capes, o desempenho da área está associado ao seu estágio de desenvolvimento no sistema. "As áreas que compõem a grande área multidisciplinar são algumas das mais jovens do Sistema Nacional de Pós-Graduação e têm maior possibilidade de crescimento quando comparadas a áreas mais antigas e consolidadas", disse.
Outras áreas também registraram crescimento no número de ingressantes ao longo da década. As ciências sociais aplicadas ampliaram em mais de 30% o número de novos alunos entre 2015 e 2024, enquanto as ciências humanas cresceram cerca de 22%. A área da saúde apresentou aumento próximo de 18% no mesmo período.
Em sentido oposto, áreas disciplinares perderam espaço no número de ingressantes. As engenharias registraram queda de quase 14% de 2015 a 2024. Também houve retração nas ciências agrárias e nas ciências exatas e da Terra, além de recuos mais moderados em linguística, letras e artes e em ciências biológicas.
imediatamente em mais bolsas. Em 2024, a área multidisciplinar aparece como a terceira maior em número de bolsas da Capes, com 12,3 mil, atrás de ciências da saúde (15,2 mil) e ciências humanas (14,7 mil). "O aumento no número de ingressantes somente irá gerar resultados no aumento de bolsas após 2 a 4 anos, em média, para mestrados e doutorados", disse Winter.
A retomada do ingresso ocorreu em um sistema que também ampliou sua capacidade institucional ao longo da década. De 2015 a 2024, o número total de programas de pós-graduação stricto sensu passou de 3.946 para 4.635, um crescimento de 17,46%.
Para Garcia, o crescimento do ingresso amplia o debate sobre as condições de sustentabilidade da pós-graduação. "Formar mais mestres e doutores é uma necessidade estratégica, mas não é suficiente. O Brasil precisa transformar ingresso em trajetória, titulação e inserção qualificada. Caso contrário, corremos o risco de ampliar a evasão de cérebros", disse.
O recente patamar de ingressantes recoloca a pós-graduação stricto sensu em trajetória de expansão no país. A consolidação desse avanço dependerá de políticas capazes de acompanhar a expansão do sistema, reduzir os descompassos entre áreas e sustentar, no médio e no longo prazo, a formação, a permanência e a fixação de doutores no país.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 3:08 PM
Scoop.it!

Documentos mostram mudanças na correção da redação do Enem 2025

Competências avaliadas continuaram as mesmas, mas com especificações diferentes que impactaram as notas dos candidatos, afirmam especialistas. Inep nega modificação nos critérios e diz que igualdade está garantida.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 3:06 PM
Scoop.it!

Faz sentido proibir celular na faculdade, como fizeram o Insper e a FGV? Entenda em 4 pontos

Faz sentido proibir celular na faculdade, como fizeram o Insper e a FGV? Entenda em 4 pontos | Inovação Educacional | Scoop.it
Aspecto viciante das redes sociais e dificuldade de autocontrole de toda a sociedade atual estão entre as reflexões; mas há quem acredite que instituições podem estar contribuindo para infantilização do jovem
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 3:05 PM
Scoop.it!

Educação é vital para o crescimento, alerta vencedor do Prêmio Nobel

Educação é vital para o crescimento, alerta vencedor do Prêmio Nobel | Inovação Educacional | Scoop.it

Um sistema educacional sólido que favoreça a inovação e o empreendedorismo, abertura comercial para aumentar a competitividade e que os agentes possam absorver tecnologia externa, estabilidade macroeconômica e um sistema financeiro que invista em inovação são as condições básicas para um país ter crescimento econômico, avalia Philippe Aghion, economista ganhador do Prêmio Nobel de 2025 e que vem estudando o poder e as consequências da destruição criativa.
Aghion, que participou do Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, afirmou que, para crescer, as nações precisam ter a menor burocracia possível e flexibilidade regulatória para fomentar a expansão econômica baseada na inovação.
O francês foi agraciado com o Nobel no ano passado juntamente com seus colegas Peter Howitt e Joel Mokyr por suas contribuições acadêmicas relacionadas ao estudo do crescimento econômico e, em particular, aos efeitos da inovação e da “destruição criativa”, processo pelo qual a inovação e o desenvolvimento tecnológico criam condições para que novas empresas entrem no mercado e superem as já existentes, dentro de um contexto competitivo que define a taxa de crescimento de uma determinada economia.
“É importante assegurar que os novos talentos possam criar inovação e prosperar, ter um bom retorno financeiro”, disse o economista formado em Harvard, nos EUA, e na Sorbonne, em Paris, professor no Collège de France e na London School of Economics. “O sistema educacional precisa ser bom, porque os inovadores começam na escola. E isso significa criar um ambiente que fomente o talento e permita que esses indivíduos se tornem empreendedores.”
O economista enfatizou as habilidades de leitura e matemática e sugeriu que os países busquem um bom desempenho nos testes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o Pisa. “A ideia é que novos talentos cheguem, inovem e prosperem. E o importante é garantir que esses novos talentos possam entrar no mercado”, afirmou Aghion.
O economista chamou a atenção para o problema da corrupção no continente latino-americano, que segundo ele limita a inovação e o crescimento gerado por ela, e elogiou o governo ultraliberal de Javier Milei na Argentina. “A Argentina antes do presidente Milei mostra como a corrupção excessiva desincentiva a inovação. Não é rentável para inovar.”
O economista francês foi questionado sobre os motivos da produtividade estagnada e da armadilha do baixo crescimento que atinge praticamente todos os países do bloco latino-americano. Aghion citou o exemplo da Coreia do Sul e respondeu que o investimento em educação é primordial.
“A Coreia é um fenômeno. Além de um sistema de educação sólido, a concorrência é incentivada, o grande motor da inovação. Minha esperança é que a luta contra corrupção na América Latina abra espaço para novos negócios. Há novos governos que podem lutar contra isso e vencer a armadilha do baixo crescimento”, avalia.
Aghion afirma que a inteligência artificial vai provocar uma revolução na produtividade. O grande desafio, diz, é o investimento necessário para a construção de data centers.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 2:38 PM
Scoop.it!

Olimpíada Brasileira de Matemática está com inscrições abertas

Unidades de ensino de todo o país podem inscrever, a partir desta quarta-feira (4), alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º do ensino médio na 21ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). 
As inscrições são feitas exclusivamente pelas escolas na página da Obmep, até 16 de março. Podem participar instituições públicas municipais, estaduais e federais, bem como privadas.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 2:35 PM
Scoop.it!

Educadora brasileira é eleita a professora mais influente do mundo

Educadora brasileira é eleita a professora mais influente do mundo | Inovação Educacional | Scoop.it
O destino era um jantar comemorativo que reuniu professores de diferentes países, realizado nesta segunda-feira (2), como parte da programação que antecedeu a cerimônia principal do Global Teacher Prize, prêmio conhecido como o “Nobel da Educação”, que neste ano premiou a professora e ativista social indiana Rouble Nagib, fundadora de 800 centros de aprendizagem. Na ocasião, foram celebradas trajetórias docentes e anunciados os dez finalistas da edição, que receberam medalhas e homenagens.

Durante a cerimônia, algo começou a mudar. “De repente, eles começaram a falar do meu trabalho, do impacto que eu tive no Brasil e também fora da sala de aula. Eu ouvia aquilo e ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo”, conta Débora. Aos poucos, a organização passou a destacar trajetórias docentes que extrapolam o cotidiano escolar e influenciam políticas públicas, territórios e sistemas educacionais.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 8:44 AM
Scoop.it!

Aluno de curso ruim de medicina diz não ter priorizado qualidade

Aluno de curso ruim de medicina diz não ter priorizado qualidade | Inovação Educacional | Scoop.it

Os alunos dos cursos de medicina que tiveram rendimento insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) recomendariam com tranquilidade a graduação na instituição para um amigo, mas foi a distância de casa o principal fator para a escolha da instituição, e não a qualidade.
Segundo os microdados do Enamed analisados pelo Valor a partir do questionário aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação responsável pela avaliação, em uma escala de 0 a 10, os dados apontam que 80% dos estudantes de curso com rendimento insatisfatório (faixas 1 e 2) dariam um aval da instituição para uma pessoa próxima. Esse número não é muito diferente daquele apresentado por alunos dos cursos mais bem avaliados (faixas 3 a 5), que ficou em 83%.
Uma das diferenças no perfil desses alunos está, porém, no principal motivo para a escolha da faculdade. Para os estudantes dos cursos com nota insatisfatória, a proximidade da residência (25%) foi a principal razão para a escolha da instituição, seguida por qualidade/reputação (23%). No caso dos alunos das instituições que se saíram melhor, a qualidade foi a principal razão para 39%, seguida por gratuidade (18%) e distância da residência (17%).
Os professores e o curso dos alunos das instituições que tiveram resultado abaixo do aceitável também foram elogiados pelos estudantes: 81% acham que os professores dominam o conteúdo, e 78%, que o curso proporcionou conhecimentos atualizados. Ainda que eles tenham resultados insatisfatórios, na hora da prova, eles se mostraram quase tão confiantes quanto seus pares das outras instituições. Segundo os dados do Inep, 64% disseram ter estudado e aprendido todos esses conteúdos e 25% falaram que estudaram e aprenderam muito do conteúdo. Entre os alunos dos cursos com melhores resultados, essas fatias foram de, respectivamente, 71% e 20%.
Para especialistas ouvidos pelo Valor, a percepção positiva dos alunos mesmo com o baixo aprendizado detectado no Enamed tende a estar influenciada por alguns fatores, entre eles a possibilidade de cursar medicina sem precisar se mudar para cidades onde os cursos mais tradicionais de medicina são lecionados. A expansão da oferta proporcionada por faculdades privadas aumentou o acesso, mas não foi acompanhada pelo suporte necessário à prática clínica, segundo Estevam Rivello Alves, membro da diretoria do Conselho Federal de Medicina (CFM).
“Hoje temos aproximadamente 70% das escolas médicas brasileiras no ensino privado. Porém, essas instituições não estão executando um princípio fundamental que é o de desenvolver a localidade. Não criam hospitais-escola e ambulatórios, por exemplo”, afirma Alves.
De acordo com o conselheiro do CFM, o modelo atual favorece a conveniência em detrimento da formação. “Observamos que talvez haja um comodismo de não querer sair de perto de casa até mesmo entre estudantes que possuem um poderio financeiro. Pagam altas mensalidades, mas não necessariamente buscam cursos de qualidade reconhecida e ficam presos a faculdades que não investem para criar a infraestrutura que pode dar o conhecimento prático.”
O questionário respondido pelos alunos mostra que há algumas diferenças no perfil socioeconômico entre eles. Uma delas é que há mais estudantes solteiros nas instituições que se saíram melhor no Enamed: 91%, ante 82% daqueles que estavam em curso com notas ruins. Além disso, a fatia dos que têm filhos é maior naqueles que encerraram a graduação com avaliação pior: 15%, ante 6% dos demais.
O diretor da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), Ugo Caramori, também acredita que a chegada de cursos de medicina em cidades fora dos centros tradicionais de ensino acabou gerando esse efeito negativo. Ele ressalta que a expansão da oferta de cursos é bem-vinda, mas defende uma maior regulação e que as faculdades privadas sejam obrigadas a desenvolver a qualidade do ensino de medicina.
“Estamos vivendo um momento histórico da medicina no Brasil”, diz Caramori. “Antes, a maioria dos alunos buscava o curso por causa do propósito da profissão, mas hoje tem uma procura de quem está pensando mais financeiramente e pelo mercado de trabalho pelo lugar social que os médicos têm.”
Pelo perfil econômico, 49% dos que estudaram em cursos mal avaliados possuíam renda familiar de até seis salários mínimos e 77% disseram que não tinham renda própria e que seus estudos foram financiados pela família ou por outras pessoas. Para os demais alunos, 46% contavam com ganhos familiares de até seis mínimos e 82% tinham auxílio de outras pessoas para bancar seus estudos.
A parcela que trabalhou durante o curso foi de 21% entre aqueles dos piores cursos, ante 16% dos alunos das outras instituições. Eles também dedicaram menos horas ao estudo fora da sala de aula: 48% afirmaram dedicar no máximo sete horas semanais ao aprendizado, e 28% disseram que o investimento nos estudos era de pelo menos 12 horas. Para os graduandos dos cursos com nota melhor, a fatia de até sete horas foi de 39%, e a daqueles que estudaram por mais tempo foi de 36%.
Os especialistas das entidades representativas dos médicos defendem que os dados do Enamed apontam a necessidade de melhorar a regulamentação do ensino de medicina no Brasil diante do atual cenário.
“Hoje no Brasil, uma pessoa pode virar médico ou médica tranquilamente sem necessariamente desenvolver um alto desempenho cognitivo num exame de admissão. Antes, a competitividade [diante da menor oferta] fazia um processo de seleção, até mesmo porque exigia muita dedicação e desprendimento financeiro ao menos no início da carreira”, analisa Caramori.
Para Alves, do CFM, um primeiro caminho para garantir que médicos mal preparados não causem prejuízos à sociedade é a criação de um exame oficial de proficiência, em uma iniciativa como a do Exame do Organização dos Advogados do Brasil (OAB), no qual quem não é aprovado não ganha a licença para exercer a advocacia.
Ele cita o projeto de lei do senador Marcos Pontes que propõe a criação de um exame batizado de Profimed. O projeto está em tramitação no Senado e o texto indica que esse exame seja coordenado pelo CFM.
Já Caramori, da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, aponta que somente um exame de proficiência atrelado à licença para exercer a profissão não será suficiente.
Para ele, também será necessário desenvolver mecanismos de supervisão das instituições de ensino que estão ofertando cursos de medicina pelo Brasil e, se necessário, exigir que os profissionais passem por especializações contínuas para poderem atuar em cada especialidade da medicina.
“Em algum momento precisaremos alinhar esse contínuo de quem entra, quem cursa, quem sai e quem vai continuar se especializando para onde poderá trabalhar. É esse nível de regulação que acredito que teremos que discutir mais profundamente. É óbvio que isso é uma questão muito processual, requer muitos instrumentos, mas eu acho que a urgência está se mostrando”, diz Caramori.
O Valor procurou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para obter uma análise qualitativa dos microdados do Enamed, mais além dos dados quantitativos obtidos por meio dos questionários, mas não obteve resposta até a conclusão desta edição.
Dos 351 cursos de medicina que participaram da primeira edição do Enamed, 107 obtiveram rendimento insatisfatório (notas 1 e 2). O pior desempenho foi das instituições de ensino superior municipais com 87,5% dos cursos ficando nas faixas de baixo rendimento. No caso das faculdades privadas com fins lucrativos, 58,4% dos cursos apresentaram desempenho insatisfatório no exame.
Os melhores desempenhos foram das instituições federais e estaduais, com 87,6% e 84,7% dos cursos nas faixas 4 e 5 - consideradas de qualidade. Os estudantes das universidades federais e estudais tiveram pontuação média de 83,1% e 86,6% de proficiência, respectivamente, no exame que avaliou alunos do último ano.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 7:26 AM
Scoop.it!

Lide, de Doria, e ESPM viram sócios em escola de negócios 

Lide, de Doria, e ESPM viram sócios em escola de negócios  | Inovação Educacional | Scoop.it

O Grupo Lide, do ex-governador de São Paulo João Doria, e a ESPM estão lançando uma escola de negócios neste mês: a ESPM Lide Corporate Academy, com cursos voltados a empresários e executivos em fase de ascensão.
Com abertura de matrículas prevista já para o próximo mês, a escola começará com três cursos presenciais em São Paulo: "Strategic Foresight para Líderes Visionários", "Next Gen: Sucessão, Governança e Legado em Famílias Empresárias" e "Gestão de Inovação e Liderança em Tempos de IA".
Ex-governador de São Paulo João Doria, fundador e co-chairman do Lide - Felipe Gonçalves - 29.set.2024/Divulgação Lide
As aulas serão 100% presenciais, ministradas no campus ESPM Tech, na Vila Mariana, e na Casa Lide, na avenida Faria Lima.
Os cursos têm duração entre três a seis meses e preço médio de R$ 50 mil. Há previsão de experiências de dez dias na Europa e na Ásia para os alunos matriculados.
Os interessados passarão por seleção com base em histórico profissional e currículo escolar. Cada turma terá apenas entre 15 e 20 alunos.
A iniciativa conecta os cerca de 4 mil líderes associados ao Lide à universidade ESPM, que tem tradição em comunicação, marketing, administração e tecnologia. Também marca a entrada definitiva do Lide no mercado da educação, um projeto que vinha sendo desenvolvido pelo grupo.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 7:03 AM
Scoop.it!

Aprender matemática ainda é privilégio 

Aprender matemática ainda é privilégio  | Inovação Educacional | Scoop.it

A matemática é um dos principais gargalos educacionais no Brasil. Desde muito cedo, boa parte dos alunos passa mais a temê-la que admirá-la. A ansiedade matemática se soma a problemas estruturais da nossa educação, como deficiência na formação de professores, falta de valorização da carreira de docente e descontinuidade de políticas, levando a resultados preocupantes.
Uma informação que contribui para esse diagnóstico é o Índice de Inclusão Educacional, iniciativa do Instituto Natura. Segundo dados recém-divulgados, apenas 21,4% dos jovens concluíram o ensino médio até os 18 anos de idade e alcançaram a aprendizagem mínima esperada em matemática em 2023. São os indivíduos que, simultaneamente, ingressaram no ensino fundamental na idade adequada, apresentaram trajetória regular na educação básica e um aprendizado básico no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) ao final do ensino médio.
Lula na Cerimônia Nacional de Premiação da 18ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), no Rio de Janeiro - Ricardo Stuckert - 12.jun.24/Presidência da República
Portanto, o resultado reflete não apenas a baixa aprendizagem como o atraso escolar e o fracasso acumulado dos sistemas de ensino. Dados de 2023 revelam que a pandemia interrompeu uma trajetória de avanço que vinha ocorrendo na década passada. Em 2015, o índice foi de 14,7%, subiu para 20,1% em 2017 e 25,5% em 2019. O pós-pandemia vem sendo marcado pela retomada de matrículas e frequência, mas não de aprendizagem, especialmente em matemática.
O recorte utilizado no Saeb para analisar a aprendizagem considera adequado um nível em que os estudantes consigam, por exemplo, resolver problemas com porcentagens e lidar com situações numéricas do cotidiano. A barra não é alta, mas nenhuma unidade da federação tem pelo menos um terço de seus estudantes nesse nível.
Há uma geografia da exclusão matemática. As desigualdades em capacidade estatal e prioridade política impõem um filtro territorial de oportunidades. Em termos raciais, se observa que os territórios em que há maior proporção de jovens concluintes na idade certa com aprendizado adequado são, em geral, os mesmos que enfrentam desigualdades raciais mais significativas entre seus estudantes. Por outro lado, a fragilidade dos dados de raça/cor nas bases de dados oficiais ainda restringe análises mais aprofundadas. Onde os dados são mais limitados, a desigualdade tende a ser invisível, o que também é uma forma de exclusão.
A importância da matemática vem desde a educação infantil, com a formação do pensamento lógico, passando por conteúdos estruturantes e a ponte para o ensino superior, o trabalho e a cidadania. Ensinar matemática é também ensinar a ler o mundo, os dados e as decisões públicas.
O Compromisso Nacional Toda Matemática, programa do governo federal que está em fase de adesão pelos entes federados, tem pontos fortes, como coordenação federativa e foco em avaliação, formação e apoio técnico. Contudo, há sempre o risco de virar uma política sem monitoramento real ou foco na aprendizagem, ainda mais em ano de eleição.
Maus resultados em matemática refletem escolhas feitas e não feitas. Mudanças estruturais requerem tratar a aprendizagem matemática com inclusão como prioridade se quisermos falar seriamente em equidade e futuro.

colunas

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
February 5, 4:15 PM
Scoop.it!

Does AI already have human-level intelligence? The evidence is clear

Does AI already have human-level intelligence? The evidence is clear | Inovação Educacional | Scoop.it
The vision of human-level machine intelligence laid out by Alan Turing in the 1950s is now a reality. Eyes unclouded by dread or hype will help us to prepare for what comes next.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
February 5, 4:11 PM
Scoop.it!

Canal Ciência do Ibict promove primeiro curso EaD de 2026 —

Canal Ciência do Ibict promove primeiro curso EaD de 2026 — | Inovação Educacional | Scoop.it
stão abertas as inscrições para a 1ª turma de 2026 do curso a distância “Divulgação Científica no Contexto Escolar”, promovido pelo Canal Ciência, serviço de divulgação científica do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). A inscrição é gratuita e pode ser feita até o dia 5 de fevereiro.

O curso é voltado a professores e outros profissionais da educação básica, bem como a estudantes de licenciaturas, Pedagogia e áreas afins.

O curso tem como objetivo capacitar os participantes para o uso eficiente de materiais de divulgação científica no contexto escolar, tornando o ensino mais dinâmico, interessante e acessível, além de apresentar abordagens pedagógicas inovadoras que poderão ser aplicadas nas práticas educacionais.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
February 5, 4:05 PM
Scoop.it!

Universidades da China sobem no ranking global enquanto instituições dos EUA caem

Universidades da China sobem no ranking global enquanto instituições dos EUA caem | Inovação Educacional | Scoop.it
“Há um risco de que a tendência continue e de um potencial declínio”, disse Baty. “Eu uso a palavra ‘declínio’ com muito cuidado. Não é como se as escolas americanas estivessem ficando visivelmente piores, é apenas a competição global: outros países estão progredindo mais rapidamente.”
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
February 5, 4:03 PM
Scoop.it!

Volta às aulas: como saber se uma escola é inclusiva?

Volta às aulas: como saber se uma escola é inclusiva? | Inovação Educacional | Scoop.it
ara ela, uma escola inclusiva ajuda a ampliar a cognição social. Os alunos desenvolvem maior conforto e consciência em relação às diferenças humanas, "tornando-se adultos mais empáticos e preparados para uma sociedade plural".

Beatriz cita ainda a qualidade do ensino em um colégio mais inclusivo. "A necessidade de incluir um aluno com deficiência exige que o professor seja mais criativo e utilize o Desenho Universal para a Aprendizagem [estratégia pedagógica que rompe com currículos rígidos e homogêneos], o que acaba beneficiando o aprendizado de toda a turma, inclusive daqueles considerados 'na média'".

Kiusam Oliveira, doutora em educação pela USP, especialista em relações étnico-raciais e escritora voltada à educação antirracista, faz um alerta aos pais para que não caiam em discursos de marketing de diversidade vazios e avaliem se há práticas estruturais efetivas nas escolas.
No comment yet.