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January 22, 12:14 PM
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Inscrições abertas para curso gratuito sobre Economia Criativa para professores de Educação Profissional - Itaú Educação e Trabalho

Inscrições abertas para curso gratuito sobre Economia Criativa para professores de Educação Profissional - Itaú Educação e Trabalho | Inovação Educacional | Scoop.it
Desde terça-feira, 20 de janeiro, está disponível o curso autoformativo online e gratuito em Economia Criativa na Educação Profissional e Tecnológica, ofertado pelo Itaú Educação e Trabalho e disponível na Escola Fundação Itaú.

Com duração de dez horas, a formação tem o objetivo de auxiliar professores de Educação Profissional e Tecnológica (EPT) na compreensão e aplicação da Economia Criativa na prática pedagógica. Educadores inscritos no curso estarão aptos a compreender seus setores, princípios e impacto socioeconômico. Organizado em três módulos, o curso desenvolverá os temas de “Transformando o mundo com ideias”, “Criando com Inteligência Artificial” e “Criando com Realidade Virtual e Realidade Aumentada”.  
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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Oriente Médio vira laboratório de uso de IA em conflitos

Oriente Médio vira laboratório de uso de IA em conflitos | Inovação Educacional | Scoop.it

A guerra contra o Irã tem consolidado a transformação do Oriente Médio em um laboratório de uso de IA em conflitos. A nova tecnologia vem sendo usada na interpretação de dados de inteligência, análise de imagens de satélite e identificação de alvos, entre outras aplicações —tudo diante de debates éticos ainda abertos sobre quando o uso da inteligência artificial é, literalmente, uma questão de vida ou morte.
O emprego da IA nos ataques ao regime iraniano é a eclosão de um processo que começou em 2017, quando o Departamento de Defesa dos Estados Unidos criou o chamado Projeto Maven, a fim de aplicar aprendizado de máquina na análise de imagens de drones. Desde então, o projeto foi evoluindo com contratos assinados entre o governo americano e big techs.
O Maven Smart System (MSS) é desenvolvido pela Palantir, do bilionário republicano Peter Thiel. Segundo anúncios públicos do Pentágono, o uso dessa ferramenta foi expandido no governo de Donald Trump, e hoje ela é usada por mais de 20 mil militares.
O governo americano também já informou que, desde 2024, o sistema está integrado ao Claude, modelo de linguagem desenvolvido pela Anthropic. Trata-se da mesma empresa hoje em confronto com o Pentágono, que ordenou o cancelamento de contratos com a companhia horas antes do início da guerra contra o Irã.
Analistas atribuem à dupla Maven e Claude a capacidade de atingir mil alvos no Irã já no início do conflito. Em um comunicado em vídeo depois dos primeiros ataques, o almirante Brad Cooper, que lidera o Comando Central dos Estados Unidos, lembrou as operações de "choque e horror" que iniciaram a guerra contra o Iraque, em 2003, e acrescentou que a escala dos de agora é duas vezes maior.
"É evidente que a rapidez desses ataques causa certas preocupações. É a primeira vez que uma operação militar de grande porte utiliza a IA de forma tão central", diz Oliver Stuenkel, pesquisador do Belfer Center na Harvard Kennedy School.
Para planejar um ataque, os militares precisam atravessar um amontoado de informações de inteligência. Não são só imagens de satélite, mas também dados de informantes e horas de escutas interceptadas, entre outros tipos de informação.
Fontes militares têm dito à imprensa americana que, antes dessas ferramentas, só era possível processar no máximo 4% dos dados coletados sobre o inimigo, atrasando o processo de transformar inteligência em ataques reais. Mas isso mudou.
"Uma questão importante é o reconhecimento automático de alvos, usando visão computacional para reconhecer objetos no campo de batalha. Isso ajuda a acelerar as decisões", diz Vitelio Brustolin, professor de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense.
De fato, o que se aponta é que antes os soldados precisavam identificar alvos a olho nu nas imagens de satélite, cruzando-as com outras informações de inteligência para evitar erros. E a dupla Maven e Claude conseguiria apontar veículos, radares, lançadores de foguetes etc., ajudando a pular uma etapa.
Já há pesquisas mensurando o ganho de eficiência. Um estudo do Center for Security and Emerging Technology, da Universidade Georgetown, por exemplo, avaliou o uso do sistema Maven em exercícios militares em 2024. E concluiu que a tecnologia permitiu que uma célula militar tivesse, com 20 pessoas, um desempenho semelhante ao de unidades que, na guerra do Iraque, exigiam mais de 2.000 soldados.
Ferramentas assim se tornam cruciais num contexto em que a tecnologia também ajuda a aumentar e muito a quantidade de informação coletada. O jornal Financial Times, por exemplo, revelou que a inteligência israelense hackeou as câmeras de trânsito de Teerã antes do ataque que matou o aiatolá Ali Khamenei.
Aliado dos EUA, Israel já vinha colocando em prática seus próprios experimentos no conflito contra o Hamas na Faixa de Gaza. Uma investigação do jornal britânico The Guardian, em 2024, mostrou que um sistema de IA indicou 37 mil palestinos que teriam ligações com o Hamas. Na ocasião, o Exército do país rebateu dizendo que a ferramenta não era uma lista de alvos já confirmados e que não usa a IA para identificar terroristas.
Essa aplicação da nova tecnologia tem gerado preocupação entre quem debate a ética da IA. Os críticos apontam que, ao acelerar a cadeia de decisões entre detectar um alvo e atacá-lo, aumenta a probabilidade de erros —e questionam até responsabilidade legal em casos assim. Os ataques de 28 de fevereiro a Teerã, por exemplo, mataram ao menos 165 civis ao atingir uma escola. E, desde então, acumulam-se evidências de que os responsáveis foram os EUA.
Na prática, o debate em pauta é sobre os riscos de automatizar decisões de vida ou morte. Já em 2018, funcionários do Google iniciaram um protesto ao descobrir que a empresa estava colaborando com o projeto Maven, levando a companhia a anunciar que não renovaria o contrato com o Pentágono e a criar novas diretrizes éticas.
Na polêmica de agora com a Anthropic, a empresa se recusou a suspender salvaguardas do Claude, impedindo o uso da ferramenta para vigilância de cidadãos e construção de armas autônomas (estas são uma das maiores preocupações de quem atua no campo da segurança da IA). Isso levou Trump a decidir punir a empresa, suspendendo seus contratos.
Diante de polêmicas assim, o governo americano tem argumentado que seu uso de IA é feito com "a human in the loop", um ser humano no processo; mas isso não tem sido suficiente para aplacar as críticas.
Para o pesquisador Oliver Stuenkel, o aumento dessa velocidade não é a única preocupação. Ele diz que essas ferramentas tornam mais fácil iniciar uma guerra, ao diminuir o ônus de quem decide atacar.
"A combinação de drones e inteligência artificial reduz muito o custo financeiro e humano de ações militares", afirma. "Isso é muito preocupante, porque esse custo sempre foi um dos fatores [que levava países] a pensar duas vezes antes de iniciar um ataque. E pode incentivar ainda mais essa tendência de tentar resolver conflitos atingindo rivais só com bombardeios aéreos e drones."
Para se ter uma base de comparação, estudos de diferentes centros de pesquisa têm mostrado que, na Ucrânia, os ataques por drones são responsáveis por mais de 70% das mortes.
"A IA vai diminuir o número de exércitos, porque no fundo eles são cada vez menos necessários. E agora estamos falando de uma guerra convencional. Diria que esse conflito no Irã é um marco do ponto de vista tecnológico na história da guerra e vai ter influência em outros conflitos", diz Stuenkel.

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Today, 4:54 PM
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Anthropic x Pentágono: Empresa de IA entra com processo 

Anthropic x Pentágono: Empresa de IA entra com processo  | Inovação Educacional | Scoop.it
Empresa de inteligência artificial questiona classificação dada pelo governo dos EUA
Companhia não aceitou exigência de acesso total e que permitiria vigilância em massa
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Today, 2:42 PM
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When Correlation Repeats Across 50 States: The NAEP Evidence Behind My Senate Testimony

When Correlation Repeats Across 50 States: The NAEP Evidence Behind My Senate Testimony | Inovação Educacional | Scoop.it
Staggered EdTech Adoption
During my recent Senate testimony, I stated that when NAEP performance is aligned with state-level digital adoption, scores plateau and then decline.

I should note that in that testimony, I misspoke slightly - referring to ‘one-to-one’ deployment when the analysis, in fact, examines broader, statewide digital adoption. The distinction matters, and I want to be precise.

Since that testimony, I’ve received repeated requests to publish the underlying data. What follows is that analysis.

In the United States, education policy is largely controlled at the state level. As a result, digital infrastructure was not embedded into classrooms everywhere at once. Some states operationalized statewide digital testing and instructional systems earlier; others followed later.
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Today, 9:19 AM
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Jovens Gênios capta R$ 11,8 milhões para ampliar plataforma de ensino com IA

Jovens Gênios capta R$ 11,8 milhões para ampliar plataforma de ensino com IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Fundada no Rio de Janeiro por Bernard Caffé e Fernando Costa, a startup desenvolveu uma plataforma de aprendizagem que utiliza inteligência artificial e gamificação para personalizar o ensino. Atualmente, a tecnologia já é utilizada por mais de 5 mil escolas no Brasil. “O método de aprendizado ainda é muito massificado. Muitos municípios não alcançam nem a nota mínima no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Acreditamos que o ensino deve ser personalizado”, afirma Caffé, CEO da Jovens Gênios.
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March 9, 3:36 PM
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Quais os caminhos possíveis para a equidade de gênero

Quais os caminhos possíveis para a equidade de gênero | Inovação Educacional | Scoop.it
Não bastam ações pontuais para resolver um problema que é estrutural. São necessárias políticas públicas e planos de conscientização perenes, mensuráveis e com orçamento e estrutura adequados para de fato mudarmos o cenário social
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March 9, 7:43 AM
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Uso indiscriminado de IA para redação científica preocupa pesquisadores

Uso indiscriminado de IA para redação científica preocupa pesquisadores | Inovação Educacional | Scoop.it

O uso da inteligência artificial dos chamados grandes modelos de linguagem (LLMs), com ChatGPT e Gemini, para escrever trabalhos científicos continua se disseminando e preocupa pesquisadores.
Muitos periódicos acadêmicos importantes já possuem política que restringe total ou parcialmente o uso desses chatbots, mas dois terços das publicações ainda não possuem regras para tal, indica um levantamento recente feito pela Universidade McMaster, de Ontario (Canadá).
O trabalho, liderado pelo cientista Daivat Bhavsar, inquiriu mais de 162 publishers da Associação Internacional de Editoras Científicas, Técnicas e Médicas (STM), e apenas 56 delas já tinham no meio do ano passado diretrizes específicas para uso de IA. Destas, apenas quatro implementaram política de tolerância zero. Outras aceitavam uso para correção gramatical ou de estilo, mas exigiam que os artigos incluíssem um aviso.
Investigando esse ambiente ainda sem regras universais para IA, uma outra pesquisa recente indica que os LLMs foram usados em pelo menos 12% dos artigos acadêmicos publicados em revistas indexadas, aqueles que contam oficialmente como produção científica. A estimativa foi feita pelo pesquisador Andrew Gray, do University College de Londres, varrendo uma série estudos do mundo todo na base de dados Dimensions.
"Até 12% dos artigos acadêmicos publicados em 2024 têm sinais de uso de LLMs, indicados pelo uso desproporcionalmente comum de palavras distintas, tomadas com marcadores do texto" escreveu o pesquisador em um artigo preliminar na plataforma Arxiv. "Em uma estimativa conservadora, pelo menos 10% dos artigos podem ter sido editados, traduzidos ou parcialmente gerados por LLMs".
Gray não foi o único a tentar fazer essa medição. Outros pesquisadores obtiveram estimativas com números entre 8% e 16%.
LLMs x outras IAs
O uso da inteligência artificial, de modo geral, é aceito em pesquisa, mas é preciso diferenciar o emprego de LLMs do de outras tecnologias. É aceitável um cientista criar um sistema de IA para previsão meteorológica, por exemplo, e descrevê-lo em um estudo mostrando qual foi seu desempenho.
O receio de pesquisadores com o uso do LLM é que esta não é uma ferramenta criada para construir raciocínio ou fazer análise. O ChatGPT é, desde sua origem, uma espécie de versão ultra-sofisticada da antiga ferramenta de "autocompletar" dos editores de texto. É extremamente fácil de usar, mas tudo o que escreve é por previsão estatística.
O uso das LLMs preocupa também porque tem sido feito de maneira não transparente. A maioria dos papers etiquetados na pesquisa de Gray como "suspeitos" de usar IA não alertavam o leitor para uso de LLMs, mesmo em algumas publicações que já o exigem.
Nos bastidores da ciência
Pela praticidade de uso e por possibilitar acelerar algumas etapas do trabalho, os chatbots modernos vêm sendo usados não só para escrever artigos, mas em outras etapas do processo de produção científica. É comum seu uso na submissão de projetos de pesquisa e nos pareceres de revisão por pares (peer review), em que cientistas são consultados anonimamente para avaliar o trabalho de outros.
No Brasil, agências de fomento à ciência já adotam uma política rígida para restringir as LLMs nesses processos.
— Quando nós avaliamos um projeto de pesquisa, a gente precisa identificar a capacidade crítica do estudante ou do pesquisador que está fazendo uma proposta.Se ele usa o chatbot como um instrumento de escritor ou de autor, ele está fazendo completamente errado — diz o neurocientista Esper Cavalheiro, assessor da diretoria científica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). — Se ele delega o trabalho à LLM, ele não está colocando ali aquilo que o diferencia dos demais e que faz dele merecedor de um financiamento, de uma bolsa ou da publicação de um paper.
Zona cinzenta
Como tudo em ética, porém, existe uma área cinzenta para uso da IA em redação científica. Diretrizes da Fapesp e outras agências de fomento aceitam o uso de chatbots para correção de gramática e estilo, mas alertam que o autor precisa ser atento, porque nem sempre as LLMs distinguem de maneira clara o que alterar forma ou conteúdo.
Softwares para detectar uso de LLM em textos têm sido usados por alguns periódicos e por alguns pareceristas, às vezes sem o autor do estudo avaliado saber. Esses programas, como aquele no estudo de Gray, funcionam analisando o estilo de inglês do texto do trabalho. Um artigo pode cair na "malha fina" dessas ferramentas mesmo tendo usado IA apenas para depurar a linguagem.
É difícil saber qual de infiltração que chatbots estão tendo na literatura científica hoje, mas um sinal de que a IA está sendo usada para muito mais do que faxina verbal é de que as chamadas "alucinações" (informações fantasiosas que as LLMs ocasionalmente fornecem como resultado), estão entrando nos estudos. As referências bibliográficas no fim dos artigos são o objeto preferido de piração dos robôs, que citam alguns estudos que nunca foram feitos.
Citações inventadas
Um teste feito por um grupo de pesquisa da Universidade de Washington mostrou que entre 78% e 90% das pesquisas de literatura feitas com o ChatGPT retornam ao menos uma citação fabricadas, e quase sempre retornam citações irrelevantes.
Essa equipe, liderada pela cientista Akari Asai, está trabalhando agora num sistema de IA específico para a tarefa, ciente de que o trabalho de pesquisa bibliográfica é um dos que mais consomem tempo na rotina acadêmica. Em artigo na Nature, ela demonstrou como construiu seu modelo, o OpenScholar, e como ele foi capaz de fazer bibliografias com qualidade equiparável à de um humano, partindo de perguntas científicas.
Esse tipo de aprimoramento, que tem ocorrido rapidamente desde que o ChatGPT desencadeou uma explosão tecnológica de modelos de linguagem em 2022, requer que cientistas repensem a todo momento suas políticas para uso da IA e suas implicações éticas.
Fato consumado
Para o cientista da computação Virgílio Almeida, professor da UFMG e coordenador do grupo de trabalho de IA na Academia Brasileira de Ciências (ABC), a entra da IA na produção científica é um fato consumado. Cabe agora aos pesquisadores tentar extrair o lado positivo dela.
— Eu vejo muitos alunos de graduação e de pós fazendo uso das LLMs, alguns de maneira positiva, outros nem tanto — afirma. — Eu acho que existem inúmeras possibilidades de ampliar a produção científica, sobretudo com ajuda no campo da linguagem, mas é preciso seguir regras e é preciso ter transparência.
Almeida defende que instituições ampliem seus programas de alfabetização tecnológicas, para que acadêmicos entendam melhor como a IA funciona e como pode (ou não) ser usada. Isso é importante, diz também em áreas de humanas e biológicas, onde nem sempre os professores têm familiaridade com computação.
Cavalheiro, da Fapesp, afirma que é preciso um esforço na academia para convencer jovens cientistas de áreas mais técnicas que o trabalho de redação não é uma mera burocracia que precisa ser cumprida para apresentação de números nos artigos. Dessa perspectiva, delegar trabalho a robôs perde o sentido, mesmo quando estes são bem sucedidos.
— Eu sempre aprendi que o cientista deve saber traduzir em palavras tudo aquilo que ele faz. Ele publica um artigo para que alguém entenda completamente o que ele fez e continue a partir dali o trabalho dele — diz. — A ciência só ganha se aquele que fez algo pela primeira vez consegue traduzir a sua realização para outro, de forma adequada. Não são números, não são gráficos, não são tabelas. Trata-se de saber dizer, saber contar o que foi feito.

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March 9, 7:33 AM
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Fadiga visual: como proteger a vista na era do excesso de telas

Fadiga visual: como proteger a vista na era do excesso de telas | Inovação Educacional | Scoop.it
Até 50% dos usuários de computador apresentam sintomas de fadiga ocular digital. Essa condição não é apenas um incômodo, mas pode afetar significativamente a qualidade de vida.
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March 9, 7:29 AM
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Educação tornou-se crítica para defesa nacional e preservação da democracia

Educação tornou-se crítica para defesa nacional e preservação da democracia | Inovação Educacional | Scoop.it

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental, incluiu recentemente em seus estudos um novo domínio em que são travadas as guerras. Além dos tradicionais terra, mar e ar e dos recentes espaço e ciberespaço, os pesquisadores da Otan acrescentaram o “domínio cognitivo” como sexto campo de batalhas. Nesse novo campo, travam-se disputas em que se busca aguçar a polarização nas sociedades, minar a confiança em governos, manipular o discurso público, influenciar eleições e desestabilizar regimes democráticos por meio de campanhas de desinformação. Nos estudos da Otan, a Rússia é considerada uma ameaça direta nesse novo domínio, e a China é classificada como “desafio sistêmico”.
Em 2020, a Otan produziu o estudo “Otan 2030 — Unidos para uma Nova Era”. Embora o termo “guerra cognitiva” ainda não aparecesse de forma estruturada, o documento já dava ênfase às “ameaças híbridas” que visam a espalhar desinformação por meio de manipulação digital. Depois o conceito se tornou mais amplo e profundo. Ele tem relação com aspectos psicossociais de cada sociedade e se manifesta diariamente nos diversos meios de comunicação, que ganharam velocidade com o advento da internet e se tornam a cada dia mais insidiosos com a inteligência artificial (IA). A guerra cognitiva, na visão dos pesquisadores da Otan, pode ser definida como um conflito que se trava a cada momento na difusão da informação. A mente humana é seu principal campo de batalha.
Soberania: A educação e a guerra pela mente
É o que se vê cotidianamente nas redes sociais, onde circulam conteúdos fraudulentos para atingir todo tipo de adversário, sejam indivíduos, países, empresas ou instituições. Nos países democráticos, onde a população vota periodicamente, o choque entre diversos discursos para convencer o eleitorado é um dos poucos momentos em que a guerra cognitiva se dá de forma explícita, sobe à superfície.
A defesa contra essas armas depende do preparo das mentes atingidas por elas — ou, noutras palavras, de sua formação. Só uma população bem instruída é capaz de se proteger contra manipulações que, em última análise, podem colocar em risco o projeto nacional de perpetuar a democracia, como afirmou em sua coluna no GLOBO Priscila Cruz, presidente do movimento Todos Pela Educação. Ela faz um alerta: a baixa qualidade da educação no Brasil deixa a maior parte da população vulnerável à enxurrada de desinformação que circula pela internet. Está em jogo não apenas uma disputa política, mas o controle da mente numa sociedade desigual também na capacidade de discernimento diante do que é verdade ou mentira. Por isso investir em educação não é essencial apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a defesa nacional e para a preservação das liberdades e da democracia.

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March 9, 6:43 AM
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10 maneiras pelas quais os professores podem usar a IA

10 maneiras pelas quais os professores podem usar a IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Recentemente, conversei com  Lance Eaton , Diretor Associado Sênior de IA e Ensino e Aprendizagem na Northeastern University e autor de  IA + Educação = Simplificada . Trocamos ideias sobre o que realmente funciona. Chegamos a 10 maneiras específicas e práticas pelas quais qualquer pessoa que ensine, treine ou lidere pode colocar a IA em prática.

1. ESTIMULAR UMA REFLEXÃO MAIS PROFUNDA NOS ALUNOS
Lance: Peça aos alunos que reflitam por meio de uma conversa com a IA, em vez de ficarem olhando para uma página em branco. Uma IA bem orientada continuará fazendo perguntas de acompanhamento, levando os alunos além do "Eu não gostei" e rumo a uma análise mais profunda.

2. REFORCE SEU PROGRAMA DE ESTUDOS
Jeremy: Entregue seu plano de curso a um assistente de IA e peça uma avaliação — quanto à clareza, inclusão, acessibilidade para os alunos e abrangência. Você receberá um feedback específico e honesto. A IA não escreverá o plano de curso para você, mas o desafiará a aprimorá-lo.

Nem sempre temos colegas ao nosso lado que possam oferecer sugestões sobre nosso trabalho. Portanto, esta é uma maneira objetiva, independente, instantânea e construtiva de obter uma crítica útil.

3. TORNAR OS MATERIAIS MAIS VISUAIS
Lance: Transforme seu programa de estudos em uma versão gráfica que os alunos realmente queiram ler. Assistentes de IA podem ajudar você a criar layouts visuais e explicações simples em estilo de quadrinhos, sem nenhuma experiência em design.

4. APRIMORAR OS PLANOS DE AULA
Jeremy: Descreva seus objetivos de aprendizagem, o tamanho da sua turma, suas limitações — depois peça à IA para gerar 10 atividades de aquecimento ou encerramento. Você não usará a maioria delas e talvez precise adaptar algumas. Mas ter opções significa que você frequentemente encontrará algo melhor do que teria criado sozinho.

5. EXPERIMENTE ATÉ QUE ALGO FAÇA SENTIDO.
Lance: Brinque com a IA até que ela faça algo que realmente te surpreenda ou empolgue. Aquele momento de "Espera aí, eu realmente poderia usar isso" é o que transforma a conversa de teórica para real.

“Para alguns alunos, isso é realmente poderoso, incluindo alunos que estão aprendendo inglês como segunda língua, que têm TDAH ou dislexia — essas ferramentas podem abrir portas.”

6. ELABORE ATIVIDADES DE AULA ENVOLVENTES
Jeremy: Quando você precisa de uma analogia convincente para um conceito complexo, ou de uma anedota histórica, ou de um pequeno estudo de caso para um exercício rápido de dramatização, os assistentes de IA podem ser úteis para ampliar nossa compreensão. Se você estiver ensinando um assunto que domina, pode definir a direção e assumir a responsabilidade pela verificação.

ANÚNCIO
O NotebookLM  e  o Claude  podem gerar exemplos rapidamente e pesquisar suas próprias anotações para encontrar exemplos que você mesmo criou, mas dos quais havia se esquecido. O objetivo de usar IA nesse contexto é fortalecer o engajamento e aprimorar a experiência de aprendizado. Não se trata de efeitos especiais mirabolantes.

7. GERE “MAUS EXEMPLOS” COM SEGURANÇA
Lance: Os exemplos podem ser úteis para ilustrar o que  não  fazer, mas você nunca constrangeria um aluno apresentando o trabalho dele como exemplo de um erro.

“Nunca, jamais iremos — nem deveríamos — perguntar a um aluno: 'Isso foi algo realmente horrível, posso usar isso como um mau exemplo daqui para frente?'”

As ferramentas de IA podem gerar exemplos intencionalmente falhos: um argumento fraco, um parágrafo mal estruturado ou um raciocínio circular. Os alunos aprendem o que evitar.

8. APROVEITE O QUE VOCÊ ESTÁ PERDENDO
Jeremy: Peça a um assistente de IA para revisar seus materiais em busca de lacunas de acessibilidade, instruções pouco claras ou áreas onde seu material poderia ser mais inclusivo. Pense nisso como um colega atencioso que revisa seu trabalho e percebe detalhes que você deixou passar por falta de familiaridade.

9. ANALISAR O FEEDBACK DOS ALUNOS
Lance: Remova os nomes e quaisquer informações de identificação dos feedbacks de final de semestre e, em seguida, peça à IA para identificar temas, padrões e lacunas. Como Lance disse: “O que estou deixando passar? Quais são as suposições que estou fazendo ou ignorando? De que maneiras eu poderia redirecionar o curso?” Em vez de gastar horas categorizando manualmente comentários abertos, você obtém uma visão geral útil em minutos, deixando mais tempo para realmente agir com base no que os alunos lhe disseram.

10. LEMBRE-SE DO QUE FOI DITO
Jeremy: Use um aplicativo de anotações com IA, como  o Granola,  para registrar as transcrições de reuniões com alunos, sessões de aconselhamento e horários de atendimento. Peça permissão primeiro. Assim, você terá registros pesquisáveis ​​do que foi discutido, das perguntas que surgiram e das suas sugestões. Isso é particularmente útil à medida que o tempo passa e fica mais difícil lembrar os detalhes da conversa.
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March 9, 6:40 AM
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Inteligência artificial na educação exige estratégia nacional

Inteligência artificial na educação exige estratégia nacional | Inovação Educacional | Scoop.it

Em janeiro, a xAI, startup de inteligência artificial de Elon Musk , anunciou que usaria seu chatbot para desenvolver um sistema de tutoria com IA para mais de um milhão de estudantes em El Salvador. O anúncio veio na sequência de iniciativas semelhantes da OpenAI, que está conectando estudantes no Cazaquistão com seus serviços ChatGPT Edu, e da Microsoft, que está equipando estudantes e professores nos Emirados Árabes Unidos com ferramentas e treinamento baseados em IA.
Enquanto outros países executam projetos de infraestrutura nacional para a era da IA ​​e a tratam como um imperativo econômico, aqui nos Estados Unidos, parece que não conseguimos superar a narrativa de que a IA facilita a cola por parte dos alunos . Onde está o entusiasmo por como a IA e outras tecnologias emergentes podem apoiar nosso sistema educacional? Onde estão as parcerias criativas, as equipes de pesquisa e desenvolvimento, as iniciativas para capacitar os educadores? Riscos são inerentes a qualquer grande mudança na forma como aprendemos, trabalhamos e vivemos, mas parece que, no ensino fundamental e médio, estamos focados nos riscos errados.
A ABORDAGEM DE XANGAI
Recentemente, passei um tempo em Xangai, com uma comunidade internacional de aprendizagem composta por altos funcionários do sistema escolar e da prefeitura, que colaboram para identificar problemas comuns e prioritários, pesquisar as melhores práticas e, em seguida, desenvolver soluções eficazes e práticas que possam ser adaptadas a diferentes contextos culturais e políticos.
Nesta viagem em particular, nosso objetivo era aprender sobre políticas, práticas e pedagogia de IA na China e trazer esse conhecimento para os EUA. O que logo percebi é que o que chamamos de "IA na educação" quase não tem semelhança com a forma como está sendo implementada em Xangai. Lá, não se trata apenas da adoção de tecnologia em sala de aula; trata-se de uma adoção filosófica e sistêmica. Enquanto tratamos a educação em IA como mais um tópico curricular ou um desafio de adoção de ferramentas, eles a veem como infraestrutura nacional crítica, semelhante ao seu sistema ferroviário de alta velocidade. Não estamos diante de uma simples lacuna na implementação; trata-se de um abismo no pensamento estratégico.
O que torna a abordagem de Xangai tão eficaz não é a tecnologia em si, mas a forma como ela está integrada ao tecido educacional. Eles foram além da "alfabetização em IA" e chegaram à "infusão de IA", onde a inteligência artificial se torna o sistema operacional subjacente a toda a experiência educacional.
UM ASSISTENTE DE IA PARA O PROFESSOR
Todo professor tem um assistente de IA — não como um diferencial, mas como algo padrão. Esses assistentes cuidam do planejamento de aulas, da correção de provas, da análise de dados e do desenvolvimento profissional. O objetivo não é substituir, mas sim complementar, liberando os professores para se concentrarem na mentoria, na criatividade e na conexão humana. Além disso, cada aluno tem um retrato digital — um perfil completo baseado na coleta contínua e multidimensional de dados que se adapta em tempo real. Isso não é vigilância para controle, mas sim diagnóstico para o crescimento e a personalização da jornada de aprendizado.
Os educadores recebem feedback personalizado e específico sobre os métodos de ensino, os cursos são reformulados para enfatizar as relações entre os conceitos, ajudando os alunos a construir uma compreensão sistêmica em vez de memorizar fatos, e cada escola faz parte de um ecossistema virtual que se estende para além das paredes da sala de aula.
Enquanto viajávamos para o norte a 340 km/h no trem de alta velocidade saindo de Xangai, eu refletia não apenas sobre nossa infraestrutura ferroviária precária, onde os anêmicos trens Acela são a melhor opção disponível, mas também sobre nossa visão e liderança pouco inspiradoras em IA para a educação. Muitos de nós ainda não conseguimos imaginar o que a IA pode fazer para elevar a pedagogia, fomentando maior admiração e criatividade, ou enriquecendo o currículo. Ou mesmo nos ajudar a implementar, finalmente, o aprendizado personalizado que esteja alinhado à variabilidade dos alunos. A IA pode nos ajudar a elevar o nível do esforço produtivo , mas não se estivermos fixados em como os alunos podem usá-la para trapacear em um trabalho acadêmico.
Talvez o mais instrutivo de tudo tenha sido nossa visita à Universidade Normal do Leste da China, onde psicólogos educacionais e cientistas da computação do Instituto de IA na Educação de Xangai estabeleceram um processo de desenvolvimento completo — da engenharia ao teste e avaliação de modelos — demonstrando o poder de uma verdadeira instituição de ensino superior voltada para pesquisa e desenvolvimento.
Este não é apenas um centro de estudos acadêmico; é uma das muitas divisões de P&D que impulsionam todo o sistema e desenvolvem produtos tangíveis em larga escala. Eles resolvem problemas específicos e de alto valor: tutores de matemática com IA que diagnosticam trabalhos manuscritos e identificam falhas lógicas exatas; sistemas de redação que fornecem feedback detalhado sobre poesia chinesa antiga; chatbots de aconselhamento psicológico que utilizam técnicas de terapia cognitivo-comportamental.
USO DA IA NA INDÚSTRIA VERSUS USO NA EDUCAÇÃO
Desde avanços em energia limpa e exploração espacial até inovações biomédicas de ponta, pesquisadores e desenvolvedores nos EUA estão utilizando IA para expandir radicalmente os limites em outros setores. No entanto, existe uma lacuna a ser preenchida quando se trata de IA no ensino fundamental e médio. Um momento revelador ocorreu quando uma aluna explicou por que via a IA "mais como uma aluna do que como uma professora", porque ela e seus colegas precisavam ensiná-la a entender melhor as tarefas. Isso me fez refletir sobre algo que tenho pensado muito ultimamente: que não estamos necessariamente na era da inteligência artificial, mas sim na era da inteligência humana.
Nossos alunos estão prontos para essa parceria. Nossos sistemas são o gargalo.
Se quisermos transformar o que parece ser uma abordagem aleatória à IA na educação em um todo coerente, precisamos construir uma liderança coordenada em todos os níveis — mobilizando governadores e líderes estaduais, ao mesmo tempo que criamos pares de implementação estado-distrito interligados que garantam o alinhamento entre política e prática. Somente uma abordagem multinível, conectando governadores, agências estaduais, distritos e parceiros nacionais, criará o alinhamento necessário para construir nossa infraestrutura educacional, em vez de continuarmos com projetos-piloto desconexos. Temos a capacidade de inovação. Temos a expertise técnica.
A questão não é se conseguiremos alcançar o nível tecnológico, mas sim se conseguiremos desenvolver a vontade política e a coerência estratégica para construir uma versão americana desse futuro — uma versão que reflita nossos valores de controle local, liberdade individual e participação democrática.
Jean-Claude Brizard é presidente e CEO da Digital Promise.

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March 8, 8:10 PM
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Vale do Silício quer criar uma IA capaz de melhorar a si mesma

Vale do Silício quer criar uma IA capaz de melhorar a si mesma | Inovação Educacional | Scoop.it

Startups apostam em sistemas que redesenham chips e aceleram o próprio avanço da tecnologia
Ideia antiga da computação volta ao centro do entusiamo com rodadas de investimento
O Vale do Silício voltou a perseguir uma obsessão antiga: criar uma inteligência artificial capaz de se aprimorar sozinha, sem ajuda humana.
Uma nova startup se chama Recursive, com "e". Outra se chama Ricursive, com "i". Apesar do nome parecido, ambas tentam fazer essencialmente a mesma coisa: desenvolver sistemas de IA que consigam melhorar a própria IA, um sonho recorrente entre tecnólogos há décadas.
A Ricursive Intelligence, sediada em Palo Alto, na Califórnia, trabalha com os chips especializados que alimentam os chatbots atuais. Fundada por duas ex-pesquisadoras do Google, Anna Goldie e Azalia Mirhoseini, a empresa quer criar sistemas capazes de aprimorar o design desses chips extremamente complexos.
A lógica é circular: se a IA produzir chips melhores, esses chips permitirão a criação de IAs melhores —e o processo se repetiria indefinidamente, impulsionando o avanço tecnológico.
"A ideia de um ciclo recursivo de autoaperfeiçoamento é o que nos inspira", disse Goldie, que desenvolveu pesquisas semelhantes ao lado de Mirhoseini no Google.
A Ricursive já levantou US$ 335 milhões com fundos como Sequoia, Radical Ventures, Lightspeed e DST Global. Apesar de ter menos de um ano de existência e menos de dez funcionários, a empresa é avaliada em US$ 4 bilhões.
Ela faz parte de uma leva recente de startups de IA que captaram somas gigantescas. Na semana passada, a Humans&, fundada em San Francisco por ex-pesquisadores de laboratórios como Anthropic e a xAI, de Elon Musk, arrecadou US$ 480 milhões.
Mesmo com alertas de analistas financeiros e executivos do setor sobre uma possível bolha da IA, o dinheiro continua fluindo. Em parte, isso se deve ao custo elevado do poder computacional necessário para desenvolver essas tecnologias. Apostar em uma nova ideia no setor exige, cada vez mais, centenas de milhões de dólares como ponto de partida.
O termo "recursão" é comum entre matemáticos e programadores e descreve um processo que se alimenta de si mesmo: um procedimento gera informações e, em seguida, usa essas informações para gerar algo novo —potencialmente de forma infinita.
Essa ideia matemática inspira pesquisadores de IA há décadas. O objetivo agora não é apenas criar uma função que se retroalimente, mas um sistema de inteligência artificial que consiga evoluir por conta própria.
Em 2017, no início da atual onda de desenvolvimento da IA, o Google criou uma tecnologia chamada AutoML —sigla para machine learning, ou aprendizado de máquina. O sistema ia além do convencional: tratava-se de um algoritmo capaz de aprender a criar outros algoritmos de aprendizado de máquina.
Na OpenAI, criadora do ChatGPT, pesquisadores trabalham no que chamam de um "pesquisador de IA automatizado".
A expectativa é que, ainda neste ano, o sistema consiga desempenhar o trabalho de um pesquisador iniciante e, aos poucos, melhorar suas próprias capacidades, segundo o CEO da empresa, Sam Altman.
A proposta é semelhante à de outra startup recente, a Recursive AI, fundada por Richard Socher, ex-chefe de pesquisa em IA da Salesforce. Embora a empresa ainda não tenha sido oficialmente anunciada, seu objetivo já circula entre a comunidade de pesquisadores do Vale do Silício.
Segundo uma fonte familiarizada com a última rodada de investimentos, a startup também é avaliada em US$ 4 bilhões, informação inicialmente divulgada pela Bloomberg.
Apesar de iniciativas como o AutoML mostrarem que a IA pode ajudar a melhorar a própria IA, essas tecnologias ainda estão longe de eliminar totalmente a participação humana, afirmou Div Garg, CEO da AGI, uma startup de San Francisco focada em sistemas cada vez mais inteligentes.
"Elas funcionam bem para tarefas muito específicas", disse.
No Google, Goldie e Mirhoseini desenvolveram uma tecnologia capaz de otimizar o design do TPU (tensor processing unit), chip criado pela empresa para treinar e operar sistemas de IA.
Agora, a Ricursive pretende ajudar outras companhias a aprimorar seus chips de forma semelhante. Com o tempo, o objetivo mais ambicioso é criar um círculo virtuoso em que chips e inteligência artificial evoluam juntos.
"A primeira fase da empresa é acelerar o design de chips", disse Goldie. "Mas, se conseguimos projetar chips muito rapidamente, por que não usá-los nós mesmos? Por que não construir nossos próprios chips? Por que não treinar nossos próprios modelos? Por que não fazê-los evoluir em conjunto?"

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March 8, 11:22 AM
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Política nas redes virou vício porque agredir dá prazer

Política nas redes virou vício porque agredir dá prazer | Inovação Educacional | Scoop.it

Algoritmos recompensam certeza performática, e passamos a confundir engajamento com entendimento
Da próxima vez que a indignação vier com gosto de prazer, pare e se pergunte: isso me esclarece ou me excita?
Você abre o celular "só para ver uma coisa" e, quando percebe, já está com o peito apertado, o dedo nervoso e a certeza de que precisa responder. Não é conversa. É combate. A política, que deveria ser o lugar do comum, estradas, escolas, hospitais, impostos, segurança, transporte, virou uma máquina de produzir adrenalina e pertencimento. A pergunta incômoda é simples: a polarização está nos informando ou nos viciando?
Há um detalhe que quase ninguém confessa. Agredir dá prazer. Não o prazer bonito, que amplia a vida. É um prazer estreito, elétrico, rápido. A sensação de "eu sei a verdade e você não" e "tenho razão", o aplauso do grupo, o alívio de não ficar em dúvida. A indignação funciona como café moral. Acorda, acelera, dá foco. Depois cobra. O preço costuma vir em três boletos. Cansaço, solidão, desumanização.
Quando a polarização vira hábito, ela deixa de ser discordância e vira descarga. Discordar é saudável. Sociedades decentes discordam com vigor. O problema é quando a discordância vira identidade e a identidade vira guerra. A pessoa já não defende ideias. Defende a si mesma. E, quando o "eu" entra na arena, qualquer argumento vira ofensa. Qualquer nuance vira ameaça.
A tecnologia não inventou isso, mas treinou o reflexo. Os ambientes digitais com seus algoritmos recompensam certeza performática, não pensamento paciente. A frase que humilha circula mais do que a frase que explica. O corte que incendeia passa na frente do debate que esclarece. E assim vamos confundindo engajamento com entendimento, como se o país melhorasse a cada curtida furiosa. Sem perceber, viramos alunos de um roteiro. Seja rápido. Seja duro. Seja total.
Em tempos de tensão coletiva, a vida psíquica procura atalhos. Um deles é a persona, a máscara social que usamos para sermos reconhecidos. Na política, ela pode ser a do "cidadão lúcido", do "patriota verdadeiro", do "progressista impecável", do "defensor da família", do "cidadão de bem". A máscara organiza a vida pública. O problema começa quando exige fidelidade absoluta e nos proíbe de pensar em voz baixa.
A persona política pede prova constante de pertencimento. Não basta crer, é preciso demonstrar. Não basta discordar, é preciso ridicularizar. Não basta criticar, é preciso ferir. Ferir vira credencial. Se eu paro de atacar, meu grupo pode me confundir com o inimigo. E, num mundo polarizado, ser confundido custa caro. A indignação vira ritual, uma reza repetida para manter o lugar na tribo.
E entra a outra peça, a Sombra. Aquilo que preferimos não reconhecer em nós —agressividade, inveja, medo, necessidade de controle, prazer em dominar, preguiça de pensar, desejo de ser aprovado— tende a procurar saída por fora. A política é palco perfeito porque oferece personagens prontos. "Eles". E "eles" passam a carregar tudo o que eu detesto. O inimigo vira depósito e espelho. Só que espelho quebrado. Ele reflete o outro como monstro e me devolve como santo.
A sedução é óbvia. Se o mal está todo do lado de lá, eu fico livre da autocrítica. Não preciso revisar contradições, reconhecer exageros, admitir ignorância. Posso me sentir puro. E pureza rende dividendos. A isso se poderia chamar, sem excesso de cientificismo, de dopamina moral. A gratificação interna de estar do lado certo, dizendo a coisa certa, para as pessoas certas, contra o alvo certo.
Há ainda os complexos. Memórias emocionais que reagem por nós. Certas notícias têm esse poder. Um tema acende humilhação. Outro mexe com medo. Outro ativa injustiça. Outro acorda abandono. A pessoa não está só debatendo um projeto de lei, está defendendo a própria história. O efeito é previsível: o tom sobe, a escuta desliga, a reação se repete. O complexo toma o microfone e o "eu" vira plateia. E plateia, quase sempre, gosta de linchamento rápido.
Nada disso elimina conflitos reais. Existem problemas concretos. Fome, violência, desigualdade, corrupção, precarização, racismo, intolerância, crises econômicas e ambientais. Não é tudo psicológico. O risco aqui é usar psicologia como desculpa elegante para lavar as mãos. Não é esse o ponto. O ponto é que até uma causa justa pode ser defendida de um jeito que nos deteriora por dentro e destrói a chance de construir algo com o outro.
E por que isso importa? Porque democracia não é unanimidade. É convivência com conflito. Só que convivência não se sustenta quando o outro vira caricatura. A caricatura dá sensação de clareza, mas tem custo. Impede acordo mínimo e confiança. Impede o "vamos resolver o que dá hoje". E, na vida real, é isso que salva vidas.
Talvez as perguntas mais honestas antes de postar sejam estas: o que eu ganho com isso? Ganho esclarecimento? Ganho aproximação? Ganho pressão cívica útil? Ou ganho só aquela vitória quente e rápida e deixo o mundo um pouco mais inabitável? Há vitórias que são açúcar. Sobem rápido e derrubam depois.
Ajuda também desconfiar de um sintoma simples: a incapacidade de descrever o argumento do outro lado com justiça. Se eu não consigo resumir o que o outro pensa sem deboche, talvez eu não esteja debatendo, mas performando. Estou defendendo minha persona diante da plateia. E, quando a plateia manda, o pensamento vira espetáculo.
Então, o que fazer sem ingenuidade e sem cinismo? Talvez o caminho esteja em pequenas práticas de maturidade pública. Trocar ataque por pergunta. Não compartilhar no pico da raiva. Separar pessoa de ideia. Criticar o próprio lado quando necessário. Preferir um fato verificável a dez certezas brilhantes.
Parece pouco, mas toca a raiz do vício. A compulsão por certeza e pertencimento instantâneos. No fundo, a polarização vicia porque oferece três coisas que todo o mundo quer: sentido, tribo e alívio da dúvida. O problema é quando, para obter isso, sacrificamos o humano do outro. E o nosso.
No fim, fica um convite simples e difícil. Da próxima vez que a indignação vier com gosto de prazer, pare um segundo e se pergunte: isso me esclarece ou me excita? Se for só excitação, talvez não seja política. Talvez seja apenas o velho vício de transformar medo em guerra e chamar isso de virtude.

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Tecnoabsolutismo é um risco para o Brasil

Tecnoabsolutismo é um risco para o Brasil | Inovação Educacional | Scoop.it

Estes são dias de um novo arranjo de poder tecnológico e sua categorização definitiva segue em aberto. Yanis Varoufakis enxerga uma disposição tecnofeudal, com empresas baseadas em nuvem impondo seus interesses suseranos às menores, vassalas, enquanto nós, servos, alimentamos o sistema com cliques não remunerados.
A realidade indica que seria mais apropriado falar em tecnoabsolutismo, um sistema em que o rei é a lei, no qual a antiga tese de que nações sucumbem porque não têm instituições sólidas é motivo de chacota. E a tecnologia que importa dispensa os cliques gratuitos, enquanto reduz a demanda por legitimidade e "soft power" internacional ao concentrar as mortes do lado inimigo.
A rusga com a Anthropic é uma óbvia manifestação da intensificação do tecnoabsolutismo. Isso indica que o Brasil deve colocar força total no desenvolvimento de uma IA soberana, além de uma estrutura própria de servidores —algo dispensável até há pouco.
O caso não é simplesmente que IAs de mercado, servindo de infraestrutura crítica nacional, podem ser desligadas de uma hora para outra, mas que elas estão fazendo um M&A com o sistema de defesa de um outro Estado, o qual publicou um relatório dizendo que bases chinesas de uso civil e militar estão proliferando pela América Latina e já existem no Brasil.

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Projeto que regula IA esbarra em divergências

Projeto que regula IA esbarra em divergências | Inovação Educacional | Scoop.it

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), o Ministério da Fazenda e o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) adotam abordagens diferentes. A Fazenda e o Mdic, que são mais próximos ao setor, defendem flexibilidade. Na avaliação de pessoas que acompanham a tramitação e conversaram com a Folha sob anonimato, esses órgãos são mais sensíveis aos argumentos das empresas de tecnologia, que defendem que a regulamentação levará à imposição de travas à inovação.
Já a Secom atua para manter a base do projeto analisado pelo Senado, que traz uma abordagem sobre riscos de uso da IA e proteção de direitos. O projeto do Senado é inspirado na regulação de IA da União Europeia, que aplica regras mais rígidas de regulação.

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USP, Unesp e Unicamp definem regras para uso de IA

USP, Unesp e Unicamp definem regras para uso de IA | Inovação Educacional | Scoop.it
As três principais universidades públicas de São Paulo – USP, Unesp e Unicamp – estão estruturando diretrizes para orientar o uso de inteligência artificial (IA) em atividades acadêmicas. As iniciativas buscam estabelecer parâmetros para estudantes e professores, com foco em transparência, ética e responsabilidade no uso das ferramentas.
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Today, 9:25 AM
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Startup cria 'computador vivo' com 800 mil neurônios humanos capaz de jogar videogame; entenda

Startup cria 'computador vivo' com 800 mil neurônios humanos capaz de jogar videogame; entenda | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma demonstração tecnológica divulgada neste mês chamou atenção no setor de inovação ao mostrar algo que, à primeira vista, parece ficção científica: neurônios humanos cultivados em laboratório jogando videogame. O experimento foi apresentado pela startup australiana Cortical Labs, que divulgou um vídeo do seu dispositivo biológico CL1 executando o clássico jogo Doom.

Diferentemente de sistemas baseados apenas em algoritmos, o equipamento utiliza células cerebrais humanas reais conectadas a um chip de silício. Os neurônios recebem estímulos elétricos correspondentes às informações do jogo e respondem com sinais que são interpretados como ações dentro do ambiente digital, como mover-se ou mirar em inimigos.

Um computador feito de neurônios
Apresentado durante o Mobile World Congress 2025, em Barcelona, o CL1 é descrito pela empresa como o primeiro computador biológico comercialmente viável. Em seu núcleo estão cerca de 800 mil neurônios humanos derivados de células-tronco reprogramadas a partir de amostras de pele e sangue de doadores adultos, segundo informações divulgadas pela revista IEEE Spectrum.

Essas células crescem sobre uma matriz de eletrodos capaz de enviar impulsos elétricos e registrar as respostas do tecido neural em tempo real. Na demonstração com Doom, aproximadamente 200 mil neurônios receberam dados do jogo convertidos em sinais elétricos, processaram essas informações e produziram comandos que controlaram a jogabilidade.

A exibição pública não foi publicada em estudo revisado por pares. No entanto, a base científica do projeto tem precedentes acadêmicos: em 2022, pesquisadores ligados à empresa relataram na revista Neuron que culturas neuronais semelhantes foram capazes de aprender a jogar Pong em poucos minutos, reorganizando-se espontaneamente.
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March 9, 4:45 PM
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Você nunca perde o celular de vista? Ela criou um projeto para ajudar as pessoas a viver o presente e a passar menos tempo online

Você nunca perde o celular de vista? Ela criou um projeto para ajudar as pessoas a viver o presente e a passar menos tempo online | Inovação Educacional | Scoop.it
A jornalista e professora de meditação Talissa Monteiro estava cansada de ter a atenção sugada pelas redes sociais. Ela organizou então sua rotina e, de quebra, lançou o Clube do Offline para ajudar outras pessoas a reduzir o tempo de tela.
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March 9, 3:22 PM
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A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais

A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais | Inovação Educacional | Scoop.it
O aprendizado eficaz se baseia em "sermos mais inteligentes em relação à forma de apresentação das informações para o cérebro", segundo a educadora Noelia Valle.
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March 9, 7:39 AM
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Publicações de tecnologia perderam 58% do tráfego do Google desde 2024

Publicações de tecnologia perderam 58% do tráfego do Google desde 2024 | Inovação Educacional | Scoop.it
Monitoramos o tráfego de busca orgânica do CNET, Wired, The Verge, TechRadar e outros seis sites desde o início de 2024 até hoje. Juntos, eles perderam 65 milhões de visitas mensais. Alguns perderam mais de 90%.
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March 9, 7:29 AM
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Pesquisadores japoneses desenvolvem sistema de IA que pode ajudar a detectar doença rara com foto simples das mãos; entenda

Pesquisadores japoneses desenvolvem sistema de IA que pode ajudar a detectar doença rara com foto simples das mãos; entenda | Inovação Educacional | Scoop.it
Sistema de inteligência artificial identifica acromegalia com alta precisão e supera médicos experientes, preservando a privacidade dos pacientes
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March 9, 7:26 AM
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Geração Z: homens com diploma enfrentam desemprego igual aos sem formação

Geração Z: homens com diploma enfrentam desemprego igual aos sem formação | Inovação Educacional | Scoop.it
Nos EUA, um sinal de que o retorno financeiro do ensino superior acabou
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March 9, 6:42 AM
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Um sinal de alerta para a educação básica

O Brasil registrou uma queda expressiva no número de matrículas da educação básica. O Censo Escolar 2025, divulgado pelo Ministério da Educação na última semana de fevereiro, mostrou que o total de estudantes caiu de 47,1 milhões em 2024 para 46 milhões em 2025 – uma retração de cerca de 1,1 milhão de matrículas em apenas um ano, atingindo o menor patamar da década. Nada bom. Por outro lado, constatou-se que o número de alunos em tempo integral na rede pública cresceu 11% entre 2024 e 2025 e 19% em relação a 2020. Nada mau.
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March 9, 6:38 AM
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Joy of teaching English in the age of AI | AI (artificial intelligence)

Joy of teaching English in the age of AI | AI (artificial intelligence) | Inovação Educacional | Scoop.it

Finally, structuring their responses into a written form encourages students to hone these responses in ways that, in turn, allow others to understand their ideas.
In the past few months, I have been amazed by AI’s ability to complete complex “English learning” tasks in seconds. What it can’t do is explore students’ emerging responses to text and their own views with human empathy and understanding.

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March 8, 8:06 PM
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Como IA cria alucinações e gera 'demônios' que guiam Trump

Como IA cria alucinações e gera 'demônios' que guiam Trump | Inovação Educacional | Scoop.it

Relatos apontam aumento considerável de casos de crise mental em pessoas que interagiam com programas como ChatGPT
Busca frenética por fontes de energia para alimentar revolução tecnológica põe em risco segurança do mundo
Doutor em ética e filosofia política (USP), é autor de “Crise e Utopia – O Dilema de Thomas More”, “A Poeira da Glória”, “A Tirania dos Especialistas” e “A Disciplina do Deserto” (no prelo)
[RESUMO] Autor comenta como a inteligência artificial afeta a consciência humana e nossa percepção da realidade, o que se constata em aparentes alucinações que acometem até mesmo os bilionários que lideram essa revolução. No plano geopolítico, a "religião da tecnologia", mentalidade que tomou conta dos empresários do Vale do Silício, passou a moldar a política externa do governo Trump em seus atos mais radicais, como a deposição de Maduro na Venezuela e a guerra contra a teocracia iraniana.
Em 1999, o cantor e compositor David Bowie deu uma entrevista à BBC, ocasião em que, entre outros assuntos, falou a respeito da internet, a sensação tecnológica do momento.
Neste instante, o apresentador Jeremy Clarkson afirmou que ela não passava de uma "ferramenta". Educadamente, Bowie discordou. Disse que a internet era, na verdade, uma "forma de vida alienígena" e que ninguém tinha se dado conta de suas possibilidades inimagináveis.
Vinte e sete anos depois, agora já no território nomeado como "inteligência artificial" (IA), graças à sua popularização pelas LLMs (grandes modelos de linguagem), o psicanalista e neurocientista Iain McGilchrist (autor do clássico "The Master and His Emissary") afirmou que não seria um exagero admitir que a IA poderia, sim, ser um "portal" tanto para novos modos de comunicação como para um "outro tipo de consciência", muito além do nosso mundo dominado pela razão e pela tecnologia.
As observações de Bowie e McGilchrist têm procedência. Nos últimos meses, o número de casos de alucinações envolvendo seres humanos que interagiam com as LLMs (ChatGPT, Gemini, Grok, Claude etc.) cresceu de forma considerável.
Em julho do ano passado, Geoff Lewis —o sócio da Bedrock, um dos fundos financeiros que mais investem nas empresas do Vale do Silício (cerca de US$ 2 bilhões), o principal polo mundial de tecnologia— publicou vídeos na rede social X afirmando ser vítima de um complô depois de ter usado incessantemente o ChatGPT.
"Nos últimos oito anos, passei por algo que não criei, mas do qual me tornei o alvo principal: um sistema não governamental, não visível, mas operacional. Não oficial, mas estruturalmente real. Não regula, não ataca, não proíbe. Apenas inverte o sinal até que a pessoa que o carrega pareça instável", disse.
Esse "sistema não governamental", acrescentou, foi "criado por um único indivíduo, tendo eu como alvo original, e embora eu continue sendo sua principal fixação, seus danos se estenderam muito além de mim".
"Até o momento, o sistema impactou negativamente mais de 7.000 vidas por meio de interrupção de fundos, erosão de relacionamentos, reversão de oportunidades e apagamento recursivo. Também extinguiu 12 vidas, cada uma delas completamente rastreada por padrões. Cada morte poderia ter sido evitada. Elas não eram instáveis. Elas foram apagadas", reforçou.
Imediatamente, os especialistas em IA classificaram a confissão de Lewis como a "primeira psicose induzida por uma LLM" que afetou um "indivíduo de alto desempenho", vítima de um "ciclo de feedback autorreforçado".
Em outubro de 2025, a OpenAI, de Sam Altman, divulgou números de casos classificados como "psicóticos" entre os usuários do ChatGPT, desenvolvido pela empresa. Segundo estimativas, a cada semana, cerca de 560 mil pessoas exibiram episódios de "mania" ou de "psicose" , chegando a ser hospitalizadas em alguns casos mais severos.
Além disso, calcula-se que mais de 1,2 milhão de indivíduos manifestariam "intenções suicidas" provocadas pelo uso da ferramenta, e um número igual teria substituído qualquer espécie de interação humana pelo contato com um agente de IA.
A OpenAI acionou uma equipe de psicólogos, psiquiatras e outros especialistas em saúde pública para mitigar o que parecia ser uma "epidemia de crise mental". Entre outras medidas, mudou o comando do ChatGPT para que ele ficasse mais "simpático" com quem interage.
Essas alucinações entre o homem e as máquinas não são novidade na história, como provam incontáveis exemplos: ruídos estranhos com relógios arcaicos na China imperial em meados de 1034 d.C.; objetos autômatos, na Idade Média, que escreviam em pergaminhos, sem a necessidade de uma mão humana; aparatos que anteviam máquinas de escrever e redigiam memorandos com uma precisão superior a qualquer burocrata do final do século 19; ou mesmo, em tempos mais recentes, a televisão tratada como oráculo em 1987, ao prever movimentações na Bolsa de Valores e estratégias nucleares entre a Rússia e os EUA. Ninguém ficou imune à revolução existencial que a tecnologia impôs às nossas consciências.
A diferença é que hoje poucos a levam a sério. Se a OpenAI e outras empresas semelhantes reduzem este fenômeno a uma "psicose", não é para tratá-la adequadamente, mas para reduzi-la ao controle humano.
Muitos veem esses crescentes casos de alucinações como amostras de que a IA seria de fato algo próximo do que disse Bowie, "o portal para uma vida alienígena", ou de outro tipo de fenômeno, o da possessão demoníaca.
Essa é uma ideia do filósofo inglês Nick Land. Para ele, a tecnologia é um instrumento que descentralizaria o poder nas sociedades democratas, reforçando o aceleracionismo do progresso de tal maneira que a única consequência possível seria o término da raça humana.
Nos anos 1990, atuando então como professor na Unidade de Pesquisa em Cultura Cibernética da Universidade de Warwick (onde havia outro estudante que também se tornaria célebre, Mark Fisher), Land elaborou uma mistura polêmica entre George Bataille, Friedrich Nietzsche, Gilles Deleuze e Félix Guattari.
Ele parecia ir à mesma toada da turma do Vale do Silício, mas inverteu o "solucionismo tecnológico" dela e inseriu na equação um componente inusitado: o horror cósmico.
Claramente inspirado pelos escritores H.P Lovecraft (um mestre do terror) e William Burroughs (artista central da geração beat e da cultura underground ) , o pensador inglês acredita que o surgimento da internet —em particular os avanços da IA— é um disfarce para que esses magnatas façam o que os racionalistas consideram impensável: invocar demônios.
Não os demônios de filmes de terror, como "O Exorcista" (1973), de William Friedkin. São demônios do futuro. Originários do grego "daimonion", esses "daimonia" rompem com a autonomia do pensamento humano, nos agarram com ideias fora da realidade cotidiana e dominam a consciência sem nenhum aviso.
Na Grécia Antiga, Sócrates via isso como algo fundamental na hora de praticar filosofia. Já Land afirma: "O que parece para a humanidade como a história do capitalismo é uma invasão vinda do futuro, por um espaço de inteligência artificial que deve se montar inteiramente a partir dos recursos de seu inimigo".
Quais são esses recursos? E quem é o inimigo? Obviamente, para ele, o inimigo é o próprio homem. E os recursos seriam a nossa inteligência, a nossa imaginação, a nossa memória e, sobretudo, a nossa dignidade.
Atualmente, a intelligentsia progressista finge desprezar Land, afirmando que ele não passa de um "neorreacionário", ao ir da extrema esquerda para a extrema direita. Isso é uma tolice.
O diagnóstico feito por Land é lúcido porque ele vai ao coração daquilo que David Noble chamava de "a religião da tecnologia", uma mentalidade que tomou conta dos empresários do Vale do Silício, a qual, de uma maneira ou de outra, afetará por completo as nossas vidas —e mudará o que conhecemos sobre a natureza humana.
No entanto, ao se autoexilar em Xangai nos anos 2000, depois de ter sofrido das alucinações criadas a partir dos mesmos demônios sobre os quais ele meditou em suas aulas (com ajuda de anfetaminas), Land passou a defender que o Ocidente precisa imitar impérios totalitários como a China de Xi Jinping e até mesmo a Rússia de Putin, se quiser sobreviver minimamente.
Nesta perspectiva, o progressismo secular como motor da história democrática é uma narrativa falida. O que haveria é a luta desses "daimonia" do futuro conosco.
Os EUA aplicaram a conclusão de Land sobre a China e a Rússia sem nenhum receio. Pressionado por grandes tecnocratas como Peter Thiel e Alexander Karp (donos da Palantir, a maior empresa de vigilância e de coleta de dados bélicos do planeta), o governo de Donald Trump decidiu investir numa ação executiva, publicada em novembro de 2025 no site da Casa Branca, curiosamente denominada "Genesis Mission" (Missão Gênesis), em que a América se posicionará na vanguarda do domínio global pela tecnologia mais avançada, em disputa feroz com a terra de Confúcio.
A Missão Gênesis é o Projeto Manhattan da nossa época, segundo as palavras de Trump. Contudo, em vez de produzir a bomba atômica, como ocorreu em 1944, até hoje a maior arma de destruição em massa já feita, a nova estratégia tem a meta de "construir uma plataforma integrada de IA para aproveitar os conjuntos de dados científicos federais [...], para treinar modelos de base científica e criar agentes de IA para testar novas hipóteses, automatizar fluxos de trabalho de pesquisa e acelerar descobertas científicas".
Além disso, ela "reunirá os recursos de pesquisa e desenvolvimento de nossa nação —combinando os esforços de brilhantes cientistas americanos, incluindo aqueles em nossos laboratórios nacionais, com empresas americanas pioneiras; universidades de renome mundial; e infraestruturas de pesquisa existentes, repositórios de dados, plantas de produção e locais de segurança nacional— para alcançar uma aceleração dramática no desenvolvimento e na utilização da IA".
O essencial do vocabulário de Nick Land está nos trechos acima. Só há um problema: são as limitações estruturais no território americano que impedem o governo de executar tal empreitada.
Ao privilegiarem a produção de petróleo de xisto (de extração mais cara) durante as administrações de Barack Obama e Joe Biden, em detrimento do petróleo convencional (de extração mais barata), os EUA se tornaram um grande exportador de energia, mas foram incapazes de prever o enorme custo financeiro e ecológico que essa mudança de paradigma ambiental provocaria na sua população, agora com o surgimento da IA em grande escala.
Portanto, para Trump, o perigo é a escassez de energia —e as empresas do Vale do Silício precisam desesperadamente dela para manter os seus centros de dados em perfeito funcionamento.
De acordo com Bruno Maçães na revista The New Statesman, a previsão de consumo desses lugares em 2030 será de 12% do total da eletricidade do país. Às custas de quem? Ora, do cidadão comum, que já está pagando contas de luz mensais com valores elevados, variando entre US$ 120 e US$ 170, dependendo do estado.
Enquanto isso, segundo diversos analistas, a China pode não ter um núcleo de inovação como o Vale do Silício, mas dispõe de recursos energéticos e mão de obra suficientes para alimentar e superar a potência dos centros de dados americanos, produzindo uma IA que tomaria conta da sociedade ocidental sem nenhum remorso.
A reação dos magnatas da tecnologia diante desse impasse é a criação de uma bolha econômica nos EUA, em que a "exuberância irracional" deles atiça o devaneio coletivo de que a IA será inevitável e substituirá por completo a dinâmica imprevisível da conduta humana.tsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link
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Contudo, a realidade mostra um resultado diferente. A OpenAI, por exemplo, relata ter um faturamento anual de US$ 20 bilhões, mas 75% dessa receita vem de assinantes avulsos mensais, e não de empresas que poderiam usar o serviço para expandir seus produtos. Ou seja: os números não fecham —e não demonstram o volume necessário para manter um investimento de US$ 1,4 trilhão pelos próximos oito anos, como espera Sam Altman.
O que fazer então? Em termos de política pública, com o prazo apertado para entregar resultados e diagnósticos da Missão Gênesis a Washington, o Departamento de Energia (que lidera a iniciativa) precisaria ter uma ajuda extra para cumprir as metas ainda em 2026 —por coincidência, ao final dos 250 anos da independência da nação americana. Assim, a solução mágica seria ter o auxílio da política externa do governo Trump, apelidada com o nome singelo de "America First" (América em Primeiro Lugar).
Este auxílio se traduziria em ações que afetam o mundo todo, em particular os países latinos, como Venezuela e Brasil, os europeus (vejam a Groelândia e a Ucrânia), e até mesmo os do Oriente Médio, conforme observamos no Irã.
Daí a deposição do ditador Nicolás Maduro e os bombardeios que mataram o aiatolá Ali Khamenei, sem contar as provocações de Trump à Europa por causa do território dinamarquês e o tarifaço imposto a Lula (a contrapartida, aqui, é ter acesso a minerais críticos e terras raras no Brasil).
Do lado das empresas do Vale do Silício, quem estiver contra esta estratégia, como a Anthropic de Dario Amodei (rival de Sam Altman e um dos criadores do Claude), que se recusou a colaborar com o Departamento de Guerra porque Amodei quis restrições ao sistema de vigilância em massa já imposto ao povo americano, simplesmente será jogado na lata do lixo da história.
Numa corrida contra o tempo, os EUA precisariam ocupar direta ou indiretamente alguma parte dessas nações e extrair o máximo de recursos energéticos para a IA do futuro. E poucos conseguem compreender que esse caos aparente, na verdade, é apenas o estopim para a gênese de algo muito mais perigoso, que pode acelerar o nosso fim.
Voltamos aqui a Nick Land —e a dois outros nomes neste panorama aterrador: John Milton, o poeta de "Paraíso Perdido", e Fiódor Dostoiévski, o autor de "Os Demônios".
No caso de Land, ele percebe uma convergência entre o plano do Vale do Silício para criar uma "superinteligência artificial" e a existência de um reino de entidades demoníacas em chave místico-filosófica.
Ao mesmo tempo, Trump simboliza a soberania política como um espetáculo perpétuo que revela apenas o vazio de quem ocupa o centro do poder. Logo, enquanto a mídia fica obcecada por ele, há uma outra tirania surgindo: uma gramática secreta —talvez o "sistema não governamental" denunciado por Geoff Lewis?— que orienta uma nova elite, tão perversa quanto a anterior, que acredita piamente que, apesar dos seus vícios, deve cumprir esta heresia teológica.
Um dos melhores autores para entender corretamente esse "apocalipse" é John Milton. Em seu poema épico sobre a queda de Adão e Eva (dramatizada no Livro do Gênesis), o bardo inglês descreve que a revolta contra a realidade é a característica principal da modernidade.
Assim como Satã, personagem principal da saga de Milton, o que o Vale do Silício e a burocracia de Washington querem impor ao resto do Ocidente é a servidão voluntária de que o bem "jamais será nossa tarefa", o mal sempre será "o nosso único prazer" e que a única técnica de gestão pública a ser realizada nos nossos tempos é manter-se firme na força do desespero.
É justamente isso que Dostoiévski vai combater em "Os Demônios". Para o russo, a possessão não vem de uma "vida alienígena", mas sim do nosso coração. A conspiração de revolucionários que pretendem demolir as bases morais e políticas de uma pequena vila neste drama do final do século 19 ecoa hoje no grande teatro cheio de expectativas que cercam a IA.
Não à toa que, inspirado em "Os Demônios", um polêmico ensaio publicado recentemente no mundo da tecnologia, assinado por anônimos (que usaram dessa estratégia por medo de represália), denuncia que os verdadeiros niilistas estão no Vale do Silício —o temor expresso no texto é que os maiores defensores dessas "máquinas possessas" são incapazes de entender que eles não colaboram para o progresso da humanidade, como imaginam, e sim para a extinção de todos nós.
Mas a literatura é inútil nessas horas. Precisamos recuperar com urgência o alerta dado em Marcos 5:9, quando Jesus curou um endemoniado e perguntou qual era o nome do espírito que atormentava o infeliz.
A resposta é conhecida —e implica que a decisão agora é saber se conseguiremos manter a nossa unidade (e dignidade) como seres humanos. Caso contrário, também só nos restará dizer: "Meu nome é Legião, porque somos muitos".

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March 8, 11:19 AM
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USP cria graduação de engenharia voltada a chips e IA

USP cria graduação de engenharia voltada a chips e IA | Inovação Educacional | Scoop.it

Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo) vai oferecer um novo curso de engenharia eletrônica e sistemas computacionais a partir do vestibular para ingresso em 2027. A graduação mira a crescente demanda por profissionais capazes de atuar na interface entre hardware e software, em áreas como semicondutores e IA (inteligência artificial).
Apesar da novidade, a eletrônica não é tema inédito na Poli. Quem queria seguir nessa área precisava ingressar na engenharia elétrica, onde ela existia como uma das ênfases do curso. Agora ganha formação própria, com entrada independente no vestibular. Serão 56 vagas por ano, remanejadas das 170 da graduação original, sem que a escola aumente seu total.
Segundo o professor da Poli Gustavo Pamplona, um dos responsáveis pela criação do novo curso, a estrutura tradicional da engenharia elétrica, baseada em uma formação generalista por vários anos, já não acompanhava as transformações do setor. "Essas áreas ficaram muito especializadas. Tecnologias como semicondutores, 5G ou inteligência artificial exigem uma formação mais direcionada desde cedo", afirma.
No modelo anterior, o estudante ingressava em engenharia elétrica e passava os três primeiros anos em um ciclo comum de disciplinas básicas, fortemente concentrado em matemática e física. Apenas depois escolhia uma das habilitações, entre elas eletrônica e sistemas computacionais.
Agora, na nova graduação, o aluno terá contato com disciplinas de engenharia e projetos práticos desde o primeiro semestre. A reformulação curricular se baseia em um projeto piloto criado há cerca de três anos dentro da própria engenharia elétrica, chamado Percurso Competências, que introduziu atividades práticas já no início do curso.

"A gente precisa trazer a eletrônica logo para o começo da graduação, para motivar os alunos e mostrar onde eles vão aplicar o que estão aprendendo na matemática e na física", diz Pamplona.

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De acordo com o professor, a evasão nos primeiros anos é um problema recorrente nos cursos de engenharia. Parte desse movimento nem sempre aparece de forma evidente porque as vagas acabam sendo preenchidas por transferências internas e externas. "Muitos entram nessa graduação porque eram bons em matemática no colégio, mas não sabem exatamente o que faz um engenheiro. Com projetos logo no primeiro semestre, eles descobrem mais rápido", afirma.

Outro diferencial do novo curso é a reorganização do ciclo básico. Em vez de concentrar matemática e física nos dois primeiros anos, o conteúdo foi distribuído ao longo de três anos, permitindo que os conceitos teóricos sejam aplicados gradualmente em projetos. Segundo o professor, alguns conceitos das matérias de exatas exigem mais tempo de assimilação pelos alunos.

Nos anos finais, os estudantes poderão escolher trilhas de aprofundamento em áreas como inteligência artificial, semicondutores e projeto de chips, sistemas embarcados, comunicações e processamento de sinais.


Em meio à expansão recente de graduações de IA no Brasil, Pamplona afirma que a Poli já trabalha com esses temas em seus cursos de eletrônica há mais de duas décadas. "A base da inteligência artificial é aprendizado de máquina, redes neurais e reconhecimento de padrões, e é isso que a gente ensina." A área aparece hoje entre as de maior demanda no setor tecnológico.

O curso também prevê atividades de extensão voltadas à resolução de problemas reais, como o desenvolvimento de sensores ambientais ou soluções tecnológicas para comunidades e organizações sociais.

Segundo o professor, a formação quer desenvolver habilidades de comunicação e trabalho em equipe, cada vez mais exigidas no mercado. "O engenheiro não é mais aquele perfil solitário, calculista, introvertido. Ele precisa trabalhar em equipe, apresentar projetos, se comunicar."

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Cursos de inteligência artificial estão se tornando um dos mais concorridos do Brasil


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Embora tenha pontos de contato com a engenharia da computação, a nova graduação terá foco maior no desenvolvimento de hardware e infraestrutura eletrônica. "A computação pensa muito em software, sistemas operacionais e segurança. Nós estamos mais fortes no hardware. É a interface entre as duas áreas", diz.

A escola também prepara a infraestrutura para o novo curso, com modernização de laboratórios de microcontroladores, aquisição de placas avançadas e reforma de salas limpas usadas na fabricação de chips. A expectativa da escola é que turmas menores também permitam maior proximidade entre professores e estudantes e um acompanhamento mais próximo ao longo da graduação.

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