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December 30, 2025 9:47 AM
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MEC ofertará mais de 270 mil vagas para processo seletivo do Sisu 2026

O Ministério da Educação (MEC) ofertará mais de 270 mil vagas para o processo seletivo do Sisu, Sistema de Seleção Unificada, de 2026. As oportunidades estão distribuídas em 7.388 cursos de 136 instituições de ensino superior.
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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“O que estamos fazendo, afinal?”: é o momento de frear a corrida da IA

“O que estamos fazendo, afinal?”: é o momento de frear a corrida da IA | Inovação Educacional | Scoop.it
À medida que crescem os investimentos em IA, a sociedade precisa lidar com os potenciais resultados negativos, afirma o coautor de um best-seller
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Today, 9:52 AM
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Construindo IA responsável para a educação

Construindo IA responsável para a educação | Inovação Educacional | Scoop.it

A inteligência artificial está remodelando a força de trabalho global e expandindo rapidamente as expectativas em relação aos alunos de hoje. O Fórum Econômico Mundial prevê que os avanços tecnológicos, como a IA , juntamente com fatores econômicos e demográficos, levarão a um aumento líquido de 78 milhões de empregos globais nesta década. As instituições de ensino enfrentam agora um momento crucial. Elas precisam evoluir a forma como os alunos aprendem, como os professores ensinam e como a tecnologia apoia cada etapa dessa jornada.
Durante décadas, o setor educacional adotou novas tecnologias com cautela. No entanto, o profundo impacto da IA ​​no mercado de trabalho acelerou o interesse e a experimentação. Nossa pesquisa mais recente no Cengage Group mostra que tanto a percepção positiva da IA ​​quanto seu uso em sala de aula estão aumentando. Embora esse entusiasmo seja um passo promissor para garantir que os alunos estejam preparados para um futuro impulsionado pela IA, é fundamental que as instituições abordem a IA de forma responsável.
Com o lançamento de novas ferramentas de IA em velocidades sem precedentes, pode ser difícil determinar quais delas realmente aprimorarão os resultados de aprendizagem. Em alguns casos, os lançamentos rápidos criaram mais atritos para educadores e confusão para os alunos. Para garantir uma implementação responsável, a discussão deve mudar da corrida pelo mercado para o desenvolvimento ponderado e intencional, alinhado com a forma como a aprendizagem realmente ocorre.
BEM-INTENCIONADO, MAS NÃO ATINGIU O OBJETIVO.
Muitas grandes empresas de tecnologia correram para desenvolver ferramentas educacionais baseadas em IA. Mas, embora os inovadores da área tenham avançado na exploração da IA ​​para aprimorar a experiência de educadores e alunos, a realidade crucial é que a educação é um ecossistema incrivelmente complexo. A educação simplesmente não se presta a soluções prontas para uso.
Um exemplo disso é o recente recurso de " ajuda com a lição de casa " do Google . Concebida para fornecer aos alunos uma visão geral gerada por IA do conteúdo da tela, incluindo as respostas das avaliações, a ferramenta acabou dificultando a validação dos trabalhos pelos professores e a avaliação precisa da compreensão. Em vez de reduzir o atrito, aumentou a carga de trabalho tanto para educadores quanto para alunos, o que acabou levando à suspensão de sua implementação.
Um desafio semelhante surgiu no último verão com o Modo de Estudo da OpenAI . Embora projetado para orientar os alunos e fazer perguntas em vez de fornecer respostas, ele está a apenas um clique de distância do ChatGPT, onde as respostas estão prontamente disponíveis. Sem uma compreensão profunda dos fundamentos do ensino e de como e quando a aprendizagem real acontece, os desenvolvimentos tecnológicos podem levar a consequências não intencionais que interrompem, em vez de aprimorar, o aprendizado.
Esses exemplos destacam uma verdade importante: a inovação por si só não basta. O impacto educacional requer conhecimento especializado na área, planejamento intencional e limites claros que promovam a compreensão em vez de atalhos.
EQUILIBRAR INOVAÇÃO SIGNIFICATIVA E REFORÇAR A APRENDIZAGEM.
Para oferecer suporte educacional que combine inovação com resultados de aprendizagem, o desenvolvimento de produtos de IA deve equilibrar as necessidades tanto de educadores quanto de alunos. Os professores são cada vez mais solicitados a fazer mais com menos. A IA deve aliviar essa carga, não aumentá-la. Por exemplo, a IA pode revelar tendências em sala de aula, sinalizar áreas em que os alunos estão com dificuldades e ajudar os educadores a personalizar o ensino.
Enquanto isso, os alunos precisam de ferramentas de apoio que construam compreensão, e não apenas forneçam respostas. O sucesso na implementação da IA ​​junto aos alunos reside no cultivo da curiosidade e do pensamento crítico. Por exemplo, a IA pode oferecer suporte aos estudos fora do horário de aula, fornecer feedback personalizado e incentivar a exploração adicional para fortalecer o aprendizado.
Essa abordagem equilibrada exige a manutenção da supervisão humana. A colaboração com instituições e corpo docente garante que as experiências com IA estejam alinhadas aos objetivos do curso e reforcem, em vez de interromper, as práticas de ensino comprovadas.
O CAMINHO A SEGUIR: PRIORIZAR A PEDAGOGIA
À medida que a IA continua a evoluir, a pedagogia deve estar no centro de toda inovação, garantindo integridade acadêmica e conteúdo de qualidade que construa confiança e impulsione resultados significativos para os alunos. Por meio de conhecimento específico e controlado da matéria, e treinamento consistente para garantir precisão e integridade acadêmica, as ferramentas de IA podem priorizar a pedagogia e permanecer focadas em alcançar resultados de aprendizagem específicos para os alunos.
A IA deve atuar como um guia de apoio que ajuda a decompor problemas, estimula a curiosidade e incentiva a aprendizagem contínua, para que os alunos possam chegar à resposta correta com confiança e autonomia. Essa abordagem de IA, desenvolvida especificamente para esse fim, complementa o professor humano e aprimora o ensino, confirmando a compreensão do aluno e identificando lacunas de conhecimento para auxiliar os educadores a oferecer um aprendizado mais personalizado.
A chave para desbloquear o potencial da IA ​​na educação vai além da rapidez de lançamento no mercado e reside no desenvolvimento criterioso, baseado em um design intencional e responsável. Com a pedagogia no centro, a IA se torna mais do que uma ferramenta. Ela se torna uma parceira na melhoria dos resultados de aprendizagem dos alunos e na redução da carga de trabalho dos educadores.

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Today, 9:14 AM
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Uber Moto soma 30 milhões de usuários no Brasil 

Trinta milhões de passageiros utilizaram o serviço de transporte de motocicletas por aplicativo da Uber ao longo dos cinco anos de operação no Brasil. A contagem tem como marco o lançamento do Uber Moto em Aracaju, em novembro de 2020.
Segundo dados da empresa, mais de 1,2 milhão de motociclistas parceiros encontraram na plataforma uma fonte de renda no período.
Os números indicam que o serviço atua como alternativa complementar ao transporte público. A maior demanda ocorre nos horários de pico, às 7h, 8h, 17h e 18h.
Os principais pontos de embarque e desembarque se concentram em terminais de ônibus e estações de trem, como o Terminal da Parangaba, em Fortaleza, a Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro, e a Estação Acesso Norte, em Salvador.
A modalidade também registra uso por estrangeiros. Ao longo dos cinco anos, usuários de mais de 80 países realizaram viagens de Uber Moto no Brasil. Portugal, Argentina e Estados Unidos lideram a lista de nacionalidades que mais utilizaram o serviço.

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December 30, 2025 10:03 AM
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Estágio garantido vira aposta no mercado de educação premium

Estágio garantido vira aposta no mercado de educação premium | Inovação Educacional | Scoop.it
Os estágios serão ofertados para todos os 50 alunos de cada turma – que terão que arcar com mensalidades de R$ 10,5 mil – permitindo que ingressem em vagas já no 1º semestre. O curso tem duração total de oito semestres.

De acordo com a PIB, os estágios serão oferecidos por “empresas parceiras, financeiras e startups investidas pela Bossa Invest”. Os nomes, no entanto, não foram revelados. Vale lembrar que a gestora aporta startups em estágio inicial e operações enxutas.
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December 30, 2025 9:50 AM
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Pesquisador alerta para erro comum na educação dos filhos

Pesquisador alerta para erro comum na educação dos filhos | Inovação Educacional | Scoop.it
Estudos indicam que a obsessão por notas e rankings em 2025 gera um perfeccionismo tóxico, associado a taxas elevadas de ansiedade e depressão na juventude.
Pais podem proteger a saúde emocional dos filhos deslocando o foco da conquista individual para a contribuição social, fortalecendo a resiliência e o senso de valor próprio.
Práticas simples, como incentivar crianças a serem "ajudantes" em casa ou na comunidade, funcionam como amortecedores contra o estresse acadêmico excessivo.
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December 30, 2025 9:33 AM
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Como montar uma estratégia de Marketing Digital para a sua empresa - Sebrae

Você sabe o que é Marketing Digital? Aqui, você vai aprender o que é marketing digital, quais são os benefícios e desafios, cases de sucesso para te inspirarem e ações para aplicar na sua empresa.
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December 30, 2025 9:12 AM
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Estudo das fontes antigas corrobora a existência de Jesus

Estudo das fontes antigas corrobora a existência de Jesus | Inovação Educacional | Scoop.it

Distância temporal entre composição dos textos bíblicos e a vida de Cristo é comum na Antiguidade
Historiadores da época também citavam fatos sobrenaturais e criavam diálogos que não presenciaram
Minha última coluna, destacando o consenso acadêmico sobre a existência histórica de Jesus de Nazaré, provocou reações fortes, como era previsível. O espaço limitado —alguns leitores esquecem que as colunas desta Folha ainda têm contagem fixa de palavras— não me permitiu abordar muitos aspectos interessantes. Por isso, volto ao tema agora.
Vamos pensar no que sabemos sobre o mundo antigo tomando como exemplo dois gigantes da historiografia grega: Heródoto e Tucídides. Ambos escreveram durante o século 5º a.C. E ambos abordam as guerras entre gregos e persas –sim, aquele conflito distorcido na série "300"– em parte de sua obra. (Heródoto também aborda a cultura de uma miríade de povos, dos egípcios aos citas, enquanto o foco principal de Tucídides é o conflito entre Atenas e Esparta.)
O que os dois dizem sobre a invasão persa foi escrito várias décadas após o fim da guerra –aliás, mais ou menos a mesma distância temporal que separa a vida de Jesus do momento em que os evangelistas do Novo Testamento escreveram. Nem Heródoto nem Tucídides foram testemunhas oculares dos eventos.
O primeiro é, do nosso ponto de vista, mais crédulo, mencionando intervenções divinas e eventos milagrosos; o segundo soa cético, mas tinha o costume –aceitável para historiadores da Antiguidade– de simplesmente inventar diálogos entre embaixadores, generais etc. desde que eles se encaixassem no que lhe parecia ser correto para o contexto da narrativa.
Tudo isso significa que, do ponto de vista histórico, Tucídides e Heródoto não servem para nada? É claro que não. Em muitos casos, eles são a única fonte relativamente próxima dos eventos narrados que temos para entender figuras importantes do mundo grego, como o próprio Leônidas, um dos reis de Esparta e estrela de "300".
Os historiadores atuais analisam cuidadosamente cada informação nas obras desses autores, tentam checá-las com outras fontes e chegam a um veredicto (ou a muitos, já que os debates nunca terminam de fato). E algumas coisas parecem sólidas demais para que qualquer um deles sonhe em descartá-las –como a própria existência de Leônidas, aliás, de quem não sobrou uma única unha do dedo, ponta de lança, sepulcro ou descrição feita por testemunha ocular.
Autor teve como alvo principalmente as afirmações sobre os textos do Novo Testamento feitas por cristãos mais conservadores
Bem, os mesmos fatores e as mesmas metodologias se aplicam à pesquisa sobre o Jesus histórico. Primeiro, existem algumas menções à figura de Cristo em textos extrabíblicos, escritos por dois autores romanos –Tácito e Plínio, o Jovem– e pelo judeu Flávio Josefo. Todos são da virada do século 1º para o século 2º. (O texto de Josefo foi adulterado por escribas cristãos, mas o consenso é que ele tinha falado de Jesus em sua obra original, e há reconstruções bastante convincentes do que seria esse texto.)
A distância temporal entre esses textos e a vida de Jesus é menor que um século. Para os padrões da Antiguidade, não é muita coisa. Nas obras, o Nazareno é retratado como um pregador não muito importante –exatamente o que esperaríamos de fontes não cristãs num momento em que o movimento de Jesus ainda engatinhava.
Quanto às epístolas de Paulo e aos Evangelhos, não há motivos para achar que eles são fontes significativamente piores que Heródoto. É preciso peneirá-las com a metodologia histórica, claro. E, quando isso é feito, quase todos os especialistas chegam a uma conclusão clara: Jesus existiu.

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December 30, 2025 8:46 AM
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Aparelhos analógicos ajudam jovens a desconectar 

Aparelhos analógicos ajudam jovens a desconectar  | Inovação Educacional | Scoop.it

"É meio saudosista", diz Vitor Ramiro, 20, dono de uma coleção de mais de 50 discos de vinil. Com um ritual meticuloso, que começa na leitura do encarte e termina na apreciação atenta do álbum, o estudante busca, além de escutar música, preservar a saúde mental dos efeitos da digitalização da vida.
"Dificilmente vou ficar sentado, colocar o fone e prestar atenção em alguma playlist de streaming", conta ele, que acha que tudo que é oferecido por algoritmo nas plataformas digitais gera mais ansiedade. "Rolamos o dedo na tela o tempo todo, tendo experiências e reações diferentes dentro de alguns segundos."
O estudante, que também faz fotografias analógicas, é parte de uma tendência que busca equilíbrio entre tecnologias novas e antigas. De 2022 para 2023, a venda de discos de vinil no país alcançou R$ 11 milhões (+136,2%), segundo a Pró-Música Brasil (Produtores Fonográficos Associados).
André de Oliveira Aguiar, 22, que diminuiu o uso de celular de 5 horas diárias para 1,5 hora como forma de preservar a saúde mental. Também ouve discos de vinil como uma forma de de se desconectar das redes sociais - Anderson Coelho/Folhapress
Cerca de 60% dos brasileiros passaram tempo excessivo em telas no ano passado, com um salto na faixa de 18 a 24 anos (76%) e 25 a 34 (71%), segundo a pesquisa Covitel (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia), realizado pela UFPEL (Universidade Federal de Pelotas) e pela associação de saúde pública Vital Strategies.
Para o psiquiatra e professor aposentado da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Neury Botega, as redes sociais têm um papel importante em fomentar a ansiedade, principalmente nos jovens, porque a rapidez do consumo é alta. "As pessoas ficam muito tempo vendo selfies em lugares paradisíacos. A sensação que causa é de que só elas não se divertem, só elas têm dor psíquica e existencial."
Lilian Lucas, professora de residência do Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina explica que os celulares não causam transtornos mentais, mas os potencializam em pessoas com predisposição, embora Botega, da Unicamp, reforce que o uso excessivo das telas faz mal mesmo a quem não tem tendência.
É o caso de Yasmin Wolff, 22, estudante de arquitetura que percebeu que o excesso de informação das redes sociais a deixava distraída e ansiosa. No carnaval, comprou uma câmera da Sony modelo Cybershot (sem conexão à internet). "Com a câmera, não tem esse negócio de instantaneidade", diz. Ela afirma que o gesto fez com que ela se conectasse mais com as amigas também.
Anna Lucia King, professora do Instituto de Psiquiatria da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) diferencia o uso excessivo de tecnologias do vício em telas, que seria uma má educação que pode ser combatida com regras, no caso do primeiro, e uma dependência patológica, no segundo. "O viciado geralmente tem um transtorno mental associado à ansiedade, depressão ou compulsão, e precisa de tratamento", diz a médica, lembrando que não há uma fórmula única para achar o equilíbrio. "Cada pessoa deve usar uma estratégia para determinar o que é melhor para si no dia a dia."
Eduardo Fernandes, 24, percebeu que era um usuário "cronicamente online" das redes sociais, com dificuldades de se desconectar, fato que estava afetando a sua memória. O estudante de cinema passou a colecionar DVDs como um hobby, mas viu que a experiência o fez se concentrar mais nos filmes que via. "Às vezes, quando você está vendo no computador ou no celular, para para responder alguma coisa e perde a concentração", diz.
Lilian Lucas costuma receitar esse equilíbrio entre tecnologias digitais e analógicas para seus pacientes, especialmente os mais jovens. Substituir o alarme do celular por um despertador analógico é um ponto de partida. A docente também não recomenda o uso do celular nas refeições. "Alguns lugares deveriam ser livres de tecnologia. Um deles é o quarto, o outro é o banheiro", afirma.
André de Oliveira Aguiar, 22, foi diagnosticado com TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade) aos 11 anos de idade, mas após um término de relacionamento no último ano passou a se sentir irritado, tenso, cansado e com falta de ar –e as redes sociais intensificaram os sintomas. "No telefone, fotos que afetavam minha autoestima eram gatilhos", conta.
Após perceber isso, passou por um processo de reeducação e hoje considera ter um relacionamento "pacificado" com as tecnologias digitais, mas primeiro se isolou socialmente.
"Desenvolvi crise de pânico. Se eu saísse, era porque realmente precisava. Para levantar meu astral, dava um jeito de comprar um disco", conta ele, que viu sua coleção de vinis crescer no período. Nessas compras, o jovem era obrigado a se relacionar com pessoas.
A vida analógica pode trazer mais tranquilidade e uma forma de relacionamento com os outros mais saudável, afirma o psiquiatra da Unicamp. "Vamos ficar um pouquinho analógicos de novo", diz.

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December 30, 2025 8:23 AM
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A revolução copernicana da inteligência

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Planárias, lagartas e reações químicas mostram que pensar não é pré-requisito para ser inteligente
A inteligência não precisa de cérebro e talvez nem de vida, mas aceitar isso exige uma nova revolução copernicana
Chamamos de inteligência a propriedade das coisas que se parecem conosco. Durante séculos, esse critério funcionou bem. Reconhecíamos inteligência onde havia linguagem, intenção explícita e, conforme as neurociências avançavam, um sistema nervoso centralizado. Porém, esse começo de século se encarregou de escancarar o quanto estávamos errados.
Planárias aprendem por associação a se distanciar de locais não seguros e depois são decapitadas. Após alguns dias, um novo cérebro se forma e a resposta aprendida reaparece. Lagartas fazem o mesmo, evitando odores associados a ameaças. Em seguida entram em metamorfose. Seu sistema nervoso é dissolvido e um outro ressurge para a vida aérea. Como uma alegoria do karma, a borboleta passa a evitar os riscos que um dia a lagarta conheceu.
Animais treinados têm RNA extraído de seus tecidos. Esse material é injetado em espécimes não treinados. O resultado muda de forma compatível com a experiência original.
Existe um mito persistente de que neurônios seriam a condição sine qua non do comportamento inteligente. O que Michel Levin mostrou é que outras redes celulares também filtram ruído e orientam condutas, apenas de maneira mais lenta e menos especializada. O princípio é o mesmo, o substrato é que varia.
Em organismos regenerativos, a remoção de suas partes leva sempre ao mesmo resultado, o que é uma tremenda adaptação. Mas basta alterar o estado fisiológico da criatura antes do corte para que o resultado mude. Dali em diante, o animal insistirá nesse novo padrão, revelando que a forma em si passou a funcionar como memória na reconstrução.
Até fora dos limites da vida há rudimentos desse princípio. Em reações químicas oscilantes, como a de Belousov-Zhabotinsky, o sistema exibe memória: seu estado futuro depende de sua história. Funcionalmente, isso é processamento de informação, aqui ocorrendo sem um alguém.
A razão para essas coisas é clara. A inteligência está mais para uma coleção de gambiarras extraídas das propriedades do mundo do que para uma condição existencial de seres assim ou assado. A reação química tem um quê de aprendizado porque os recursos moleculares de que este emerge precedem a própria vida.
O perigo de ignorar essas sutilezas é ser sugado por um dogmatismo pré-copernicano, no qual a centralidade humana não é argumento, mas pressuposto. É o que ocorre no debate sobre inteligência artificial, quando se repete, como fazem Noam Chomsky e tantos outros, que a máquina "não pensa" (o que é verdade) e disso se deduz que não pode ser inteligente.
O erro aqui é confundir posição funcional com privilégio ontológico, assumindo que as coisas precisam seguir o roteiro que conhecemos —no caso, com neurônios biológicos produzindo imagens mentais e consciência— para caberem nas categorias com que tentamos ordenar o mundo. Só que a inteligência nunca prometeu seguir esse roteiro.
IAs aprendem, generalizam e corrigem erros. Acima de tudo, usam o passado para se orientar ao futuro, ainda que não tenham a menor ideia do que isso significa. O mal-estar que causam é o mesmo que assolava o intelectual europeu do século 16. Acontece que, tal como o universo nunca foi guiado pela Terra, a inteligência está longe de ser um constructo estável e menos ainda uma propriedade só humana.

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December 30, 2025 8:09 AM
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O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho

O que os coaches não te contam sobre o futuro do trabalho | Inovação Educacional | Scoop.it

De um lado, "tecno-utopistas" prometem saltos de produtividade por meio de robôs e algoritmos. Os mais espertos, inclusive, ganham um bom dinheiro dando pitacos sobre como se portar diante dessa nova realidade inexorável.
De outro, os "neoludistas" (herdeiros ideológicos dos pregadores da destruição das máquinas nos primórdios da revolução industrial) alertam para a supostamente inevitável substituição dos trabalhadores de carne e osso pelos chips de silício.
Como sabemos, todo avanço tecnológico implica a destruição de postos de trabalho e a criação de tantos outros. O xis da questão é diferente: com a explosão da Inteligência Artificial, é possível — para não dizer provável — que a polarização econômica se agrave.
Sem políticas efetivas de distribuição de renda, taxação dos mais ricos e capacitação profissional dos mais pobres, a era da Inteligência Artificial tem tudo para tornar ainda mais seleto o reservado clube da elite agraciada com trabalhos recompensadores.
Já à massa de trabalhadores no limite da substituição por máquinas devido à "baixa produtividade", como se diz no jargão econômico, sobrarão — se tanto — as ocupações 6x1 sub-remuneradas. Caixas de supermercados e de restaurantes fast-food que o digam.

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December 29, 2025 10:01 AM
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IA na música: 'hits sintéticos' e acordos de seus criadores com gravadoras geram polêmica

IA na música: 'hits sintéticos' e acordos de seus criadores com gravadoras geram polêmica | Inovação Educacional | Scoop.it
Se olhar bem a ilustração acima, gerada pelo prompt que você lê na moldura em volta deste texto, verá que não foi assim tão de repente quanto se pensava — os sinais vêm de algum tempo. Mas 2025 termina com a impressão de que, de repente, no espaço de um ano, muito daquilo que um dia foi ficção científica para a música de fato aconteceu, como mostra esta reportagem, a primeira de uma série em que o GLOBO trata das mudanças que a inteligência artificial já fez e ainda pode fazer na produção artística contemporânea.

A saudável alternância de sensações do rock — que vai de Beatles a Geese — foi abalada no ano de 2025 pela chegada do Velvet Sundown, banda que se anuncia em seu perfil no Spotify como “um projeto de música sintética guiado pela direção criativa humana, mas composto, interpretado e visualizado com o auxílio da inteligência artificial”.

Ainda em 2025, Xania Monet se tornou a primeira artista de IA a obter execuções suficientes de suas músicas nas rádios para estrear na parada da Billboard. Criada pela poeta Talisha Jones usando o aplicativo Suno, a cantora virtual assinou um contrato de US$ 3 milhões com a produtora Hallwood Media.

Na Billboard
Mas não foi só. A IA também esteve por trás de hits virais do streaming, como o grupo Breaking Rust (que chegou ao nono lugar na parada de artistas emergentes da Billboard e ao primeiro posto na parada Country Digital Song Sales), ou a música “We are Charlie Kirk”, do projet gospel Spalexma, que se tornou um meme popular no TikTok e alcançou o topo da lista Viral 50 do Spotify nos EUA. Isso tudo, sem falar na enxurrada de música country pornô que tomou o TikTok, toda ela produzida por máquinas.

“Para pessoas mais velhas e menos conectadas, esta pode ser a primeira experiência com música totalmente gerada por IA, e é um pouco assustador como muitas parecem não perceber que o que estão ouvindo não é humano”, escreveu o jornalista americano Kieran Press-Reynolds no site Pitchfork.

Sucesso até no Brasil, especialmente com os produtores da Blow Records (que estouraram este ano com “Predador de perereca”, versão de um funk recente, do MC Jhey, feita como se fosse um pop de 1982), os aplicativos de música por IA, como o Suno e o Udio, logo acionaram um alarme na indústria. Afinal, para fazer o que fazem, eles foram treinados a partir de um vasto catálogo de músicas pertencente a grandes gravadoras. A Associação da Indústria Fonográfica dos Estados Unidos (RIAA) entrou até com um processo judicial contra as empresas de IA por violação de direitos autorais, tentando acabar com a festa.

Mas, este ano, tudo mudou: a indústria não só resolveu a questão fora dos tribunais, como a Universal Music firmou parceria com a Udio e a Warner Music com a Udio e a Suno. Essas gravadoras também se acertaram com uma nova empresa de IA, a Klay, que se tornou a primeira a conseguir o apoio das três gigantes da música gravada no mundo, fechando negócio também com a Sony Music (as conversas com gravadoras independentes estão em andamento).

'Música virou commodity'
Autodefinida como “a música libertada”, a Klay se anuncia como uma plataforma holística “que expande as possibilidades artísticas e preserva o valor da música”. A ser lançada oficialmente nos próximos meses, ela promete, com aquele papo mole de coach: “Dentro do sistema da Klay, os fãs podem moldar suas jornadas musicais de novas maneiras, garantindo que os artistas e compositores participantes sejam devidamente reconhecidos e recompensados.”

Para o compositor e premiado produtor Felipe Vassão (conhecido pelos vídeos no Instagram e TikTok em que comenta aspectos da produção musical), 2026 será o ano em que o mercado da música se movimentará ainda mais “para normalizar a IA como um produto palatável”.

— A gente está entrando num mundo onde se assume finalmente com todas as letras que música virou commodity, onde o grande interesse é espremer o máximo que você puder de dinheiro do consumo musical, e não de criatividade — acusa. — As duas pontas mais importantes do nosso ecossistema, que é quem faz música e quem consome música, estão sendo tratados como lixo. Até vejo nos streamings algumas alternativas, que estão querendo ser levadas mais a sério criativamente, mas no mainstream acho que vai acontecer é a fabricação da relevância da música de IA como o normal. Vão forçar a barra para ter realmente um artista de IA no topo das paradas.

O que não falta, no entanto, são defensores da IA como instrumento de criação musical. Eles vão de Neil Jacobson, CEO da Hallwood Media (que contratou Xania Monet), o produtor Timbaland (um gênio das batidas, que já trabalhou com Madonna e Justin Timberlake, de que este ano lançou seu próprio artista de IA, TaTa Taktumi) e o ex-gerente geral da Atlantic Records Paul Sinclair, que em 2025 se tornou diretor musical da Suno. Já para outros, como Tom Poleman, diretor de programação da iHeartRadio, e Aurelien Herault, diretor de inovação da Deezer, é hora de agir para impedir a proliferação sem controle da IA nas plataformas.
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December 29, 2025 9:59 AM
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Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025

“A mudança, todos sabemos, é irreversível. Só conseguiremos restaurar-lhe a harmonia se construirmos uma educação que a aceite, a ilumine e a conduza em sentido humano”. O pensador Anísio Teixeira, precursor do conceito de educação integral no país, já refletia sobre isso em 1963, em “Mestres de Amanhã”, quando alertava para as ansiedades e esperanças em torno de uma escola atravessada pela “explosão contemporânea dos conhecimentos, com o desenvolvimento da tecnologia e com a extrema complexidade consequente da sociedade moderna”. Passadas seis décadas, suas palavras ecoam com ainda mais força diante da chegada irreversível da Inteligência Artificial (IA). Quais são, então, os antigos e novos desafios que se abrem para a educação brasileira?
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Today, 10:09 AM
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MEC regulamenta programa que fortalece formação profissional

O Ministério da Educação (MEC) publicou na terça-feira (30) no Diário Oficial da União a portaria que regulamenta o Programa Juros por Educação.
A iniciativa permite aos estados brasileiros reduzir os juros de suas dívidas com a União em troca de investimentos e metas de expansão de matrícula na educação profissional e tecnológica (EPT) de nível médio e melhorias na infraestrutura da oferta de cursos técnicos.  

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Today, 10:02 AM
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MEC regulamenta Juros por Educação

MEC regulamenta Juros por Educação | Inovação Educacional | Scoop.it

Ministério da Educação (MEC) publicou, nesta quarta-feira, 31 de dezembro, a Portaria nº 930/2025, que regulamenta o programa Juros por Educação. Instituído pelo Decreto nº 12.433/2025, a iniciativa tem como objetivo expandir a oferta de vagas gratuitas em cursos técnicos, aprimorar a infraestrutura das escolas e promover a formação continuada de profissionais da educação. Em contrapartida, os estados, após a adesão, terão redução das taxas de juros anuais de suas dívidas com a União, além de acesso ao Fundo de Equalização Federativa.  
O Juros por Educação faz parte do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), criado pela Lei Complementar nº 212/2025, que permite que os estados e o Distrito Federal renegociem suas dívidas com a União e façam investimentos em áreas estratégicas, como a educação profissional técnica de nível médio (EPTNM). 
A portaria esclarece as metas de desempenho, as formas de oferta dos cursos técnicos e os critérios de acompanhamento e avaliação, alinhados ao Plano Nacional de Educação (PNE) e à Política Nacional de Educação Profissional e Tecnológica (PNEPT). As metas terão como base as matrículas registradas no Censo Escolar da Educação Básica e serão ponderadas por população, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
De acordo com a norma, os estados e o Distrito Federal poderão ofertar cursos técnicos por meio de diferentes modalidades, inclusive em articulação com a aprendizagem profissional e por itinerários formativos, respeitando as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Profissional e Tecnológica. As matrículas consideradas válidas para fins de cumprimento das metas deverão ser registradas no Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec). 
A portaria também estabelece regras para a apresentação dos planos de aplicação, que deverão ser enviados anualmente pelos estados à Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do MEC, detalhando a expansão da oferta, os investimentos previstos e as estratégias de acesso, permanência e êxito dos estudantes. 
No que se refere aos investimentos, o texto determina que, enquanto as metas de desempenho não forem alcançadas, pelo menos 60% dos recursos anuais disponíveis aos estados no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) deverão ser aplicados exclusivamente em ações de EPTNM. Em situações excepcionais, devidamente justificadas, poderá ser autorizada a redução desse percentual, respeitado o mínimo de 30%. 
A portaria institui, ainda, o Comitê Estratégico de Governança do Programa Juros por Educação, responsável por apoiar, monitorar e acompanhar a execução das ações, além de propor diretrizes e estratégias para a implementação da política. 
O acompanhamento e a avaliação do programa seguirão as diretrizes do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Profissional e Tecnológica (Sinaept), com previsão de monitoramento contínuo por parte do MEC e dos estados, além da publicação periódica de balanços e relatórios de resultados. 
Juros por Educação – O programa pretende estimular os estados a investirem diretamente na oferta de novas vagas gratuitas em cursos técnicos integrados e concomitantes ao ensino médio, inclusive na modalidade de educação de jovens e adultos (EJA), e em cursos técnicos na forma subsequente. Além da oferta de novas vagas, a iniciativa do MEC contribuirá para evitar a evasão escolar; aprimorar a infraestrutura das escolas; promover a formação continuada de profissionais da educação; aproximar a educação do mundo do trabalho; e valorizar e expandir a EPT no país.   
Propag – O Juros por Educação faz parte do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), destinado a promover a revisão dos termos das dívidas dos estados e do Distrito Federal com a União. A iniciativa prevê descontos nos juros e parcelamento do saldo das dívidas em até 30 anos, com possibilidade de amortizações extraordinárias e redução dos valores das parcelas nos primeiros cinco anos. 

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Today, 9:26 AM
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A barbaridade da sigla Stem

A barbaridade da sigla Stem | Inovação Educacional | Scoop.it

Talvez você já tenha ouvido a sigla em inglês "Stem" —que significa science (ciência), technology (tecnologia), engineering (engenharia) e mathematics (matemática). Ela é usada para elevar essas áreas acima de tudo o mais —economia, política, história, antropologia, filosofia, arte, teologia, literatura.
E funcionou. É uma sigla muito bonitinha. A palavra "stem" em inglês significa tronco, de onde tudo cresce. Então, tudo cresce a partir das disciplinas Stem, certo?
A palavra faz parte da adoração da ciência, especialmente em inglês. Todos deveriam admirar as disciplinas Stem. Eu admiro. Mas os modernos idolatram a Ciência, com C maiúsculo, como um bezerro de ouro.
A definição inglesa da palavra tem sido crucial para essa adoração. Desde meados do século 19, a palavra "science" passou a significar apenas ciência física e biológica. Antes disso, os ingleses usavam "science" para se referir a "qualquer estudo ou conhecimento sistemático". Os estudos da poesia inglesa, da teologia cristã e da história romana eram todos considerados "ciências". O estudo sistemático era diferenciado da mera opinião sem fundamento ou do mau jornalismo, como o que a Folha jamais permitiria em suas páginas.
Toda língua tem uma palavra para "ciência", como "science" em inglês ou "Wissenschaft" [estudo sistemático, em alemão]. Mas elas não se limitam —a menos que por influência de falantes de inglês— às ciências físicas. Os alemães falam em "Giesteswissenschaft" —"ciência do espírito"—, que os falantes de inglês chamam de "humanities", em português "ciências humanas". E assim o falante de inglês moderno as exclui da Ciência Real, como física ou biologia.
Portanto, Stem é uma arma numa guerra acadêmica e política. Algum tempo atrás, um ministro da Educação japonês sugeriu que as universidades públicas do Japão abandonassem disciplinas não relacionadas à Stem. O estudo da poesia japonesa, por exemplo, que naturalmente é feito principalmente por japoneses, seria excluído do estudo sistemático.
A justificativa para a guerra à cultura é que as áreas de Stem contribuiriam para o crescimento econômico. A justificativa da justificativa é que o crescimento econômico é tudo com que devemos nos preocupar. Não a poesia japonesa.
Como cientista econômica, posso afirmar que nenhuma das duas justificativas se fundamenta cientificamente. Claro, a tecnologia pode gerar crescimento econômico. Ótimo. Mas, igualmente óbvio, combinada com a ciência, ela também pode causar Hiroshima e Nagasaki, e o aquecimento global. O estudo da história, da política, da poesia e da teologia pode nos ajudar a pensar sistematicamente sobre tudo isso. A alta cultura tem essa utilidade —se você fizer questão de que a poesia tenha uma utilidade além de dar dignidade e significado ao espírito humano.
E as consequências econômicas do que realmente acontece nos campos da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem) são, em sua maioria, banais, comparadas, por exemplo, com um liberalismo humano que permite que pessoas comuns experimentem coisas novas. O que o bioquímico e ex-vice-reitor da Universidade de Buckingham Terence Kealey chama de "modelo linear" —que a ciência implica tecnologia, que implica enriquecimento— é falso.
Veja a astronomia, na qual se gastam grandes quantias. Por mais admirável que ela seja como empreendimento espiritual, é inútil para a economia. O mesmo acontece com a maior parte da matemática. A teoria dos números —que eu adoro— gera segurança na computação. Ótimo. Mas 99,9% dela é inútil.
Não seja bárbaro. Pare de reduzir tudo a economia. Admire a matemática e a poesia por elas mesmas. Pare de dizer "Stem".

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Today, 9:11 AM
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Disney está cada vez mais distante da classe média 

Disney está cada vez mais distante da classe média  | Inovação Educacional | Scoop.it

Durante a maior parte de sua história, a Disney foi precificada para receber pessoas de todas as faixas de renda, sob o lema "Todo mundo é VIP". Ao fazer isso, ajudou a criar uma cultura americana compartilhada, oferecendo a mesma experiência a todos os visitantes. A família que chegava em um Cadillac novo enfrentava as mesmas filas, comia a mesma comida e andava nos mesmos brinquedos que a família que vinha em um Chevrolet usado. Naquela época, a grande e próspera classe média americana era o foco das empresas —e estava firmemente no banco do motorista.
Essa classe média encolheu tanto em tamanho quanto em poder de compra —enquanto a riqueza dos mais ricos explodiu— que hoje o mercado mais importante dos Estados Unidos é o dos abastados.
À medida que mais empresas moldam seus produtos para o topo da pirâmide, as experiências que antes compartilhávamos passam a ser cada vez mais diferenciadas pelo quanto podemos pagar.
Os dados ajudam a explicar essa mudança. A ascensão da internet, dos algoritmos, dos smartphones e agora da inteligência artificial deu às empresas ferramentas cada vez mais sofisticadas para atingir a crescente massa de americanos de alta renda.
Como consultor de gestão, trabalhei com dezenas de empresas fazendo exatamente essa transição. Muitas das maiores instituições privadas hoje se concentram em oferecer experiências visivelmente melhores aos privilegiados, deixando o restante da população com duas opções: desistir ou tentar acompanhar.
O ethos da Disney começou a mudar nos anos 1990, quando a empresa ampliou sua oferta de luxo. Mas foi apenas após o choque econômico da pandemia que a companhia parece ter abandonado de vez qualquer pretensão de ser uma instituição voltada à classe média.
Hoje, uma viagem à Disney é "para os 20% mais ricos das famílias americanas —sendo honesto, talvez para os 10% ou até os 5% do topo", diz Len Testa, cientista da computação e autor do Unofficial Guide, além de criador do site Touring Plans. "A Disney se posiciona como as férias tipicamente americanas. A ironia é que a maioria dos americanos não pode pagar por isso."
Em nota, a Disney afirmou que seu objetivo é tornar suas experiências acessíveis "ao maior número possível de famílias". "Nenhuma experiência é igual à outra, e por isso oferecemos uma ampla variedade de opções de ingressos, alimentação e hospedagem, complementadas ao longo do ano por promoções", disse a empresa.

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December 30, 2025 9:55 AM
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José Valente, referência do construcionismo e da tecnologia educacional no Brasil

José Valente, referência do construcionismo e da tecnologia educacional no Brasil | Inovação Educacional | Scoop.it
Ele transformou a forma de pensar o uso de computadores na escola ao defender o aprender fazendo. Referência do construcionismo, marcou gerações de professores ao articular tecnologia, pedagogia e pensamento crítico
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December 30, 2025 9:47 AM
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MEC ofertará mais de 270 mil vagas para processo seletivo do Sisu 2026

O Ministério da Educação (MEC) ofertará mais de 270 mil vagas para o processo seletivo do Sisu, Sistema de Seleção Unificada, de 2026. As oportunidades estão distribuídas em 7.388 cursos de 136 instituições de ensino superior.
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December 30, 2025 9:14 AM
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Guia Essencial para Empreendedores

Saiba do que você é capaz como empreendedor e encontre oportunidades no mercado
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December 30, 2025 8:48 AM
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STF engole com um sorriso na face os outros dois Poderes

STF engole com um sorriso na face os outros dois Poderes | Inovação Educacional | Scoop.it

O Brasil é um cemitério de filósofos. Caçadores de túmulos buscam localizar suas tumbas, mas, apesar de identificarmos o odor azedo da morte deles por todos os lados e apesar de essas mortes serem encenadas todos os dias das mais variadas formas, até hoje os caçadores de túmulos não tiveram qualquer sucesso.
Talvez seja da natureza do Brasil tornar impossível qualquer atividade que siga um método e uma prática racionais. O sucesso no Brasil é reservado aos bandidos, aos canalhas e aos répteis.
Um dos grandes filósofos assassinados no Brasil é Montesquieu. Conhecido pela defesa da separação entre os Três Poderes, Montesquieu se desespera lá do além vendo a patifaria que a República brasileira é desde o golpe de 1889, que destituiu a razoável monarquia nacional. Uma monarquia constitucional poderia, talvez, diminuir o grau de ridículo que passamos a cada eleição desde então. O ano de 2026 já está perdido: ninguém fará nada.
O STF acaba de declarar solenemente, com toda pompa e circunstância, que na grande capitania hereditária do Brasil há "racismo estrutural" e que medidas devem ser tomadas. A famosa frase de Luís 14, "O Estado sou eu", deveria ser escrita no teto da sala de reuniões magistrais do STF. Engolindo, com um sorriso na face, os outros dois Poderes, o extinto Poder Executivo e o guloso e corrupto Poder Legislativo, o STF projeta sua sublime sombra sobre a Acrópole, declarando-se herdeiro absoluto da democracia ateniense com todos os Poderes.
O que significa o "reconhecimento legal" de que há racismo estrutural no Brasil e de que medidas devem ser tomadas imediatamente? Na prática, isso significa o aprofundamento do mercado de contencioso no Brasil e o contínuo deslize do país em direção a uma república refém de juízes, promotores e advogados, em uma catástrofe histórica.
Montesquieu não só foi morto, como foi desmoralizado no país. Não só não há separação entre os Poderes no Brasil, como os próprios Poderes só servem para destruir os brasileiros, ainda que gritem bravatas do tipo "está declarado oficialmente que há racismo estrutural no Brasil". Imagino que em breve o STF declarará solenemente que "há vida inteligente fora da Terra e que medidas sejam tomadas para que o eterno Lula mande naves espaciais até esses locais a fim de extraditar possíveis bolsonaristas e golpistas que lá estejam".
Outro filósofo assassinado todo dia no Brasil é o pobre e obsessivo Immanuel Kant. Definitivamente, não há maioridade no Brasil. Segundo Kant, a maioridade seria o estado em que uma pessoa introjetaria a lei moral racional universal, superando a necessidade de contenção externa —ou seja, já com a lei no coração, sem necessidade da espada no pescoço. Tal pessoa passaria a ter a virtude moderna por excelência, a autonomia moral. No Brasil, a última vez que Kant foi visto, ele corria, desesperadamente, recebendo pauladas de todos os lados. Aqui, até o STF espanca Kant. Mas o que vem a ser "introjetar a lei moral racional universal"? E qual seria essa lei?
O termo "introjetar" aqui é, seguramente, uma licença poética anacrônica. Significa "colocar para dentro", "assimilar". Neste sentido, "introjetar a lei moral" significa assimilá-la "como uma segunda natureza", termo comum em filosofia moral desde Aristóteles. Agirás de acordo com a lei moral de modo natural, assim como tu respiras.
Por sua vez, a lei moral racional universal kantiana é o seguinte: cada vez que você for fazer algo, se pergunte antes "todo mundo poderia fazer a mesma coisa?". Se a resposta for não, você não estaria sendo ético. Se ninguém catar o cocô do cachorro na rua, o bairro será um lixo, se todo mundo estacionar o carro no shopping ocupando duas vagas, o espaço terá apenas metade das vagas.
Logo, ser ético é catar o cocô do cachorrinho na rua. Ser ético é ocupar apenas uma vaga no estacionamento no shopping. Essa forma de pensamento ético se chama "imperativo categórico". Só é ético aquilo que vale para todos. No Brasil, isso é uma piada.
Esses são exemplos singelos. Imagine se passássemos a exemplos institucionais maiores e mais dramáticos? Talvez, o STF declarasse que, oficialmente, há um déficit de prática moral baseada no imperativo categórico no país e que medidas urgentes deveriam ser tomadas a fim de resolver esse déficit. Pergunta: começariam eles mesmos, membros da corte, a praticar esse tipo de autocontenção? Duvido.
Enfim, desejar feliz Ano-Novo no Brasil é uma piada de mau gosto. Aqui, nunca há Ano-Novo.

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December 30, 2025 8:26 AM
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Cartórios lançam serviço para validar posts e sites - 29/12/2025 - Mônica Bergamo - Folha

Cartórios lançam serviço para validar posts e sites - 29/12/2025 - Mônica Bergamo - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it

Os cartórios de notas do país lançam no próximo dia 5 de janeiro um novo serviço digital que permite a validação e a autenticação de conteúdos publicados na internet, como páginas de sites, mensagens de aplicativos e postagens em redes sociais.
Batizada de e-Not Provas, a ferramenta ficará disponível na plataforma e-Notariado e foi criada para atender cidadãos, empresas e advogados que precisam comprovar a existência de determinado conteúdo digital em uma data e horário específicos, com valor jurídico.

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December 30, 2025 8:15 AM
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Nem todo gênio foi prodígio: ciência desmonta o culto ao talento precoce

Nem todo gênio foi prodígio: ciência desmonta o culto ao talento precoce | Inovação Educacional | Scoop.it
Pense em uma pessoa com um desempenho excepcional. Um atleta, um escritor, um cientista ou um artista. É fácil supor que essa pessoa é boa porque provavelmente começou desde cedo, uma crença reforçada por muitas histórias de famosos que têm suas vidas reviradas em documentários ou programas de TV.
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December 29, 2025 10:31 AM
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Opinion | Sal Khan: A.I. Will Displace Workers at a Scale Many Don’t Realize - The New York Times

Opinion | Sal Khan: A.I. Will Displace Workers at a Scale Many Don’t Realize - The New York Times | Inovação Educacional | Scoop.it
Há algumas semanas, a caminho de encontrar um amigo no Vale do Silício, cruzei com três carros autônomos da Waymo que deslizavam pelo trânsito. Esses carros estão por toda parte agora, movendo-se como se sempre tivessem feito parte da paisagem. Quando cheguei, o deslumbramento com aqueles carros futuristas deu lugar a uma visão muito mais preocupante do que nos aguarda.

Meu amigo me contou que um enorme call center nas Filipinas — um centro no qual sua empresa de capital de risco havia investido — acabara de implantar agentes de IA capazes de substituir 80% de sua força de trabalho. O tom de sua voz não era triunfante. Estava carregado de profundo desconforto. Ele sabia que milhares de trabalhadores dependiam desses empregos para pagar comida, aluguel e remédios. Mas eles estavam desaparecendo da noite para o dia. Pior ainda, nos próximos anos isso poderia acontecer em todo o setor de call centers filipino, que representa diretamente de 7% a 10% do PIB do país.

Essa conversa ficou na minha cabeça. O que está acontecendo nas Filipinas está ligado ao que está acontecendo nas ruas de São Francisco; Phoenix; Austin, Texas; Atlanta; e Los Angeles — as cidades onde os carros autônomos já circulam.

Acredito que a inteligência artificial irá substituir trabalhadores em uma escala que muitas pessoas ainda não percebem. Em menos de uma década, Uber e Lyft reduziram drasticamente o setor de táxis. Carros autônomos poderão substituir motoristas humanos — uma das maiores ocupações masculinas nos Estados Unidos — com a mesma rapidez. Assim que os veículos autônomos dominarem o transporte por aplicativo, as rotas de entrega e o transporte rodoviário de longa distância não ficarão muito atrás. Nos próximos anos, a IA e a robótica provavelmente reduzirão significativamente a necessidade de mão de obra humana em ocupações tão diversas quanto o trabalho em armazéns e a engenharia de software. Já vimos o deslocamento econômico causado pela globalização e pela imigração levar à frustração e à divisão. A próxima onda, impulsionada pela automação, chegará mais rápido e terá um impacto mais profundo.

Por isso, meu amigo decidiu destinar 1% dos lucros da sua empresa para ajudar pessoas a adquirirem novas habilidades para o mercado de trabalho, demonstrando o que significa liderança na era da IA. Acredito que todas as empresas que se beneficiam da automação — o que inclui a maioria das empresas americanas — deveriam seguir esse exemplo e destinar 1% dos seus lucros para ajudar a requalificar as pessoas que estão sendo substituídas.
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December 29, 2025 10:00 AM
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IA na literatura: robôs que 'escrevem' sem bloqueio criativo preocupam autores, que buscam direitos na justiça

IA na literatura: robôs que 'escrevem' sem bloqueio criativo preocupam autores, que buscam direitos na justiça | Inovação Educacional | Scoop.it
Enquanto isso, diversos livros produzidos (assumidamente ou não) com auxílio de IA foram catalogados este ano em sites como Goodreads, uma rede social de livros em que usuários avaliam e resenham obras. Usuários fizeram listas só com possíveis obras do gênero, onde aparecem autores com mais de 50 títulos publicados apenas em 2025.

A quatro mãos com a IA?
Em julho, a Editora Kotter se viu obrigada a cancelar a edição de 2025 de seu concurso de literatura, filosofia e política, tamanha a quantidade do uso de IA nas obras recebidas. Segundo a editora, 40 textos apresentaram sinais óbvios do uso de IA, enquanto 60 mostraram “fortes indícios”.

— A IA no mercado editorial não deixa de ser um paradoxo — diz Bernardo Bueno, coordenador do curso de Escrita Criativa na PUCRS. — Ao mesmo tempo que temos uma ferramenta que pode ser usada para criar um texto teoricamente sem autoria, temos também um reforço da autoria, porque uma obra literária ainda depende muito do nome associado a ela. Compramos o livro de um autor porque queremos saber o que ele tem a nos dizer. Será que as pessoas vão se acostumar a comprar livros feitos por robôs?

Diante da popularização dos modelos de linguagem, os escritores debatem agora o uso ético e sustentável dessas ferramentas. Até que ponto um escritor pode recorrer à inteligência artificial? Especialistas costumam distinguir entre ferramentas usadas para auxiliar o trabalho com o texto, como revisão, organização de informações ou apoio à etapa de ideação, e os sistemas de IA generativa propriamente ditos, capazes de produzir um texto novo do zero.

De acordo com Bueno, é sobretudo nesse segundo caso que aparecem os maiores impasses. Ele lembra que, até há pouco, a IA era tratada como curiosidade ou uma técnica no curso de escrita criativa. Mas, na primeira aula do segundo semestre de 2023, os alunos já estavam trazendo suas angústias sobre o desenvolvimento recente das IAs generativas.

— Será que vamos conseguir trabalhar a quatro mãos com a IA? Ou teremos também uma perspectiva mais artesanal da escrita, entendida como algo feito à mão, no sentido de feito por uma única pessoa, um ser humano? Eu, particularmente, acredito que vamos conviver com diferentes modelos. Chamo isso de “teoria dos três instantes”. Se entrarmos hoje em uma livraria, já é possível perceber passado, presente e futuro coexistindo — diz Bueno.

“Interregno”
Professor de Literatura na Universidade de São Paulo, Philippe Willemart é um dos intelectuais que vêm se dedicando a pensar as relações entre escrita literária e a IA. Neste semestre, ele lançou “A escritura e a arte na era da inteligência artificial”, livro em que reflete sobre os limites da escrita automatizada. Usando suas pesquisas na Crítica Genética, campo que analisa manuscritos e rascunhos para desvendar a formação da escritura de um autor, ele defende a singularidade do processo criativo humano frente ao avanço dos modelos de linguagem.

Willemart lembra que a escritura vai além do ato de redigir textos: é um processo biológico e neurológico que envolve sentidos (visuais, sonoros e olfativos) e sentimentos bem humanos, aos quais a IA não tem acesso. Há ainda o “tempo de maturação” da escritura, com seus rascunhos, mudanças de rotas e achados acidentais que aparecem no meio do caminho — o que o pesquisador chama de “imponderável”.

— A resposta quase instantânea dos modelos de linguagem comprova sua capacidade incrível de calcular os dados necessários para responder ao prompt, mas não tendo vivido o que (o escritor francês) Pascal Quignard chama de “interregno”, isto é, o tempo de vida situado entre a concepção e a apropriação da fala que todos tivemos, ele desconhece a fonte de vida psíquica que reúne sentimentos e fontes do desejo — explica Willemart.

Acostumado a experimentações narrativas com ferramentas tecnológicas, o escritor Leonardo Villa-Forte concorda que o trabalho literário com esmero toma distância da padronizada automática. Ou, em alguns casos, brinca com ele. Em um de seus contos publicados este ano na “Antologia latino-americana de literatura eletrônica”, foi criado a partir de diálogos com chatbots de empresas comerciais.

— Se delegarmos uma boa parte de nossas tarefas de leitura e escrita à IA, o mais provável é que cada vez nos tornemos menos capazes de gerar alguma coisa que produza diferença, que provoque um ruído produtivo, criativo, de uma inquietude explosiva ou bela, enfim, algo artístico, já que estaremos automatizando o processo e nos alienando da musculação necessária ao treinamento da escrita e ao desenvolvimento do imaginário — diz Villa-Forte.

A popularização dos modelos de linguagem também traz polêmicas econômicas e jurídicas. Nos textos produzidos por sistemas de IA, é muitas vezes impossível saber quem de fato criou o texto e se os autores e artistas cujas obras alimentaram esses sistemas estão sendo remunerados. Processos judiciais revelaram este ano que algumas empresas de IA coletaram obras de autores baixando milhões de cópias digitais piratas de livros. Ou seja, seus escritos foram usados para treinar máquinas sem que eles soubessem.

Literatura orgânica
Em julho, o autor best-seller David Baldacci prestou depoimento no Congresso americano durante uma audiência sobre direitos autorais e inteligência artificial. Ele relatou que viu seu próprio filho pedir ao ChatGPT para criar uma trama “no estilo de David Baldacci”.

“Tudo em que trabalhei a vida toda agora pode estar em posse de outra pessoa que sequer conheço e pode ser usado para escrever os livros errados que são, na verdade, meus livros”, disse Baldacci, que está entre os 17 escritores que processam a OpenAI e a Microsoft por uso indevido de suas obras.

Autor de “Escrever é humano — Como dar vida à sua escrita em tempos de robôs”, um dos livros de 2025 que trataram da angústia tecnológica no mundo literário, o escritor e jornalista Sérgio Rodrigues lembra que os escritores são “a parte mais fraca” nas negociações pela regulação da IA. Ainda assim, diz ele, será preciso encontrar formas de corrigir as atuais violações criativas. O que não significa, contudo, que será possível conter o avanço da IA, que veio para ficar.

— No futuro teremos a literatura orgânica, aquela em que uma pessoa escolhe palavras uma por uma, e o texto com ambições artísticas produzido com aditivos robóticos, um simulacro cada vez bem-feito — prevê Rodrigues. — Este vai se diferenciar progressivamente da literatura como a conhecemos, a ponto de merecer outro nome. A literatura orgânica vai ficar restrita a um nicho cada vez menor, mas não vai desaparecer. Talvez até tenha seu valor aumentado para os poucos que continuarem a cultivá-la. Só ela me interessa.
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December 29, 2025 9:47 AM
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Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025

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Indicadores, análises e desafios organizados para quem atua, pesquisa ou formula políticas educacionais.
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