A quarter century later, we face the same issue on steroids. Artificial intelligence has made “looking it up” obsolete. Why bother? ChatGPT—or whatever model you prefer—doesn’t just find information; it synthesizes, evaluates, and presents it in tidy, authoritative paragraphs, ready to be cut, pasted, and submitted for grading. What Hirsch feared might happen to students who relied too heavily on search engines pales next to the complacency invited by AI, which offers the illusion of mastery without the work of learning. It allows both students and teachers to skip the hard part—the thinking.
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
Temáticas em debate Entre os principais temas da edição deste ano estão os impactos das mudanças regulatórias, a expansão do ensino híbrido e digital e os impactos provocados por novas competências, tecnologias e a inteligência artificial no mercado de trabalho. O auditório reunirá nomes como Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp; Andréa Paiva, diretora de Pós-Graduação da FIAP; Leandro Prearo, reitor da Universidade Cruzeiro do Sul; Michelle Schneider, professora convidada da Singularity University; e Romero Tori, diretor acadêmico da Univesp, entre outros.
O avanço das pós-graduações a distância no Brasil reflete uma mudança que vem ocorrendo no ensino superior: o formato EAD deixou de ser visto simplesmente como uma alternativa e passou a ser considerado como um modelo que conserva a qualidade do presencial e pode impulsionar a educação no país. A partir de dados de pesquisas PNAD/IBGE, Mapa do Ensino Superior e Censo EAD feito pela Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), estima-se que o Brasil tem cerca de 4 milhões de alunos em cursos de pós-graduação lato sensu, e a modalidade a distância concentra aproximadamente 60% das matrículas. É uma expansão que exige atenção, principalmente para que a qualidade da aprendizagem não seja atingida. Segundo Janguiê Diniz, diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), é um crescimento gradual, mas profundo. "A procura pela pós-graduação EAD cresceu de forma consistente nos últimos anos e se intensificou após a pandemia, quando o ensino remoto foi incorporado à rotina educacional." Ele observa que, paralelamente, as instituições comprometidas com a excelência promoveram avanços relevantes, implementando "plataformas mais robustas, aulas síncronas, metodologias ativas, avaliação contínua e maior profissionalização". Nesse cenário, Diniz afirma que a EAD já não implica perda de qualidade na aprendizagem. "Pode-se dizer que, hoje, a experiência acadêmica não é mais inferior à presencial, apenas diferente." Ainda assim, o crescimento do setor também abriu espaço para um problema conhecido: "O crescimento da demanda também resultou no surgimento de pós-graduações sem qualquer comprometimento com uma oferta de qualidade, cenário que tem sido duramente criticado pela ABMES e combatido pelos órgãos reguladores." A educação a distância permite que alunos de cidades pequenas tenham acesso a cursos oferecidos apenas nos grandes centros urbanos e reduz custos indiretos, como transporte, moradia e tempo, tornando a pós mais viável para uma parcela maior da população Janguiê Diniz diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) Perfil dos alunos A flexibilidade é um dos grandes trunfos do modelo EAD, e o perfil predominante dos alunos reflete isso. "O profissional já empregado e que precisa conciliar trabalho, estudo e vida pessoal", segundo Diniz. "Também é muito comum entre quem vive fora dos grandes centros urbanos, pessoas que buscam progressão na carreira, mudança de área ou atualização rápida em novas competências exigidas pelo mercado." Esse caráter acessível reforça o papel da EAD como agente de democratização do ensino superior. "Há que se considerar a questão financeira, com mensalidades mais acessíveis", diz. "Além disso, a educação a distância permite que alunos de cidades pequenas tenham acesso a cursos oferecidos apenas nos grandes centros urbanos e reduz custos indiretos, como transporte, moradia e tempo, tornando a pós mais viável para uma parcela maior da população." VANTAGENS Autonomia, economia e praticidade são algumas das vantagens que a modalidade oferece aos alunos. "Os principais ganhos são autonomia, economia de tempo, mensalidades mais acessíveis e a possibilidade de estudar no próprio ritmo", resume o diretor da ABMES. Para quem está no mercado de trabalho, o impacto é ainda mais direto: "A flexibilidade costuma aumentar o aproveitamento, porque o estudo deixa de competir com a rotina profissional, se adaptando a ela." Diniz reforça também que, quando bem estruturados, os cursos EAD oferecem resultados acadêmicos e profissionais equivalentes aos que encontramos nos presenciais. "O impacto na carreira depende muito mais da qualidade do programa, do corpo docente e do engajamento do aluno do que do formato de oferta." Para ele, o aprendizado está cada vez mais associado à aplicação prática do conhecimento, e o formato digital "consegue oferecer isso com eficiência". DESAFIOS O avanço da EAD pode ter gerado uma série de vantagens para os alunos e aumentado a oferta de cursos à disposição. Mas é preciso cuidado, afirma Diniz. "A coexistência de cursos de alta qualidade com outros sendo ofertados de qualquer forma" é uma questão delicada, afirma. O Ministério da Educação tem intensificado a fiscalização e "adotado medidas cada vez mais rigorosas para coibir e descontinuar ofertas que não atendam aos padrões de qualidade exigidos". A ausência de convívio presencial com outros estudantes é um ponto que deve ser levado em consideração. Diniz reconhece que "pode impactar quando não há estratégias de interação", mas ressalta que as ferramentas digitais vêm reduzindo significativamente essa distância. "Ambientes virtuais colaborativos, aulas ao vivo e trabalhos em grupo têm reduzido bastante essa diferença. O networking muda de formato, mas não necessariamente deixa de existir." Ele acrescenta que o acompanhamento feito por tutores é um recurso importante: "A tutoria contribui significativamente para a redução da demanda por presencialidade." PERCEPÇÃO DO MERCADO A consolidação do ensino a distância acabou também mudando como o mercado de trabalho enxerga a modalidade. "Primeiro, é importante esclarecer que o diploma não traz qualquer menção ao formato do curso", explica o presidente da ABMES. Trata-se de uma política definida pelo Ministério da Educação "para evitar que egressos do ensino a distância fossem prejudicados por um preconceito sem fundamento". Mais do que o formato, as empresas hoje valorizam as competências práticas e o desempenho profissional. "O mercado de trabalho passou a valorizar cada vez mais as competências efetivamente demonstradas pelo profissional, e não o formato em que as aulas foram realizadas." Na mesma linha, ele observa que "na maioria dos setores, cada vez menos" há distinção entre pós-graduação presencial e EAD: "Empresas buscam habilidades aplicadas, experiência e capacidade de resolver problemas. O formato da formação deixou de ser um critério significativo."
Reunir, sistematizar e tornar acessíveis evidências concretas de danos causados por sistemas de inteligência artificial (IA), com o objetivo de qualificar o debate público e ampliar a discussão sobre danos causados por usos de sistemas de inteligência artificial no Brasil, ampliando esforços nacionais e internacionais de regulação e defesa de direitos.
Desde que voltou à Casa Branca, o republicano vem desmontando barreiras regulatórias e acelerando o investimento para fortalecer a indústria americana de IA. Alinhado com os barões das big techs, aposta em um ambiente mais livre e sem barreiras para o avanço da tecnologia. A justificativa? O medo de ficar atrás da China.
A decisão de cursar uma pós-graduação é um momento marcante na trajetória profissional. Ela pode ter sido motivada pela busca por uma atualização, pela mudança de área ou até pelo desejo de alcançar um cargo de liderança. Mas escolher o curso que realmente ofereça uma formação compatível com as demandas do mercado é um desafio. Para Ronny Martins, o gerente de produtos da Escola de Negócios e Seguros (ENS), alguns critérios objetivos ajudam a pessoa a identificar se um curso está realmente alinhado com as demandas atuais do mercado. "Para identificar se o curso é o mais apropriado, alguns critérios objetivos podem ser considerados. Destacam-se, entre eles, a atualização em relação às transformações correntes no seu setor, a incorporação de temas emergentes, como inteligência artificial, analytics, ASG e inovação, bem como a presença de docentes com atuação efetiva no mercado", afirma. Martins também destaca a importância de metodologias aplicadas, que envolvam estudos de caso e resolução de problemas reais. Segundo ele, "programas que estimulam networking qualificado também tendem a oferecer maior aderência às necessidades do estudante". Em síntese, resume, "a relevância de uma pós-graduação hoje está diretamente relacionada à sua capacidade de conectar formação acadêmica, prática profissional e transformação do mercado". A etapa certa da carreira para investir nessa formação, no entanto, varia conforme o perfil e os objetivos do profissional. "Não existe um ‘timing ideal’ universal para iniciar uma pós-graduação. A decisão depende, sobretudo, do perfil do profissional, de seu momento de carreira e de seus objetivos", explica. Não existe um ‘timing ideal’ universal para iniciar uma pós-graduação. A decisão depende, sobretudo, do perfil do profissional, de seu momento de carreira e de seus objetivos Ronny Martins gerente de produtos da Escola de Negócios e Seguros (ENS) Ainda assim, ele sinaliza situações em que o impacto tende a ser maior: "períodos de transição profissional, quando se busca migrar de área ou assumir novas responsabilidades, momentos de ascensão para posições de liderança, que exigem visão estratégica e capacidade de gestão e ciclos de transformação do setor que o profissional atua como mudanças regulatórias, avanços tecnológicos e novas demandas de mercado". No setor de seguros, onde a ENS atua, esse tipo de formação tem peso extra. "No segmento de seguros, por exemplo, caracterizado por constante evolução normativa e por processos intensos de inovação, a pós-graduação assume papel importante como instrumento de atualização e reposicionamento profissional ao longo da trajetória." Dentro desse universo, a escolha entre uma pós-graduação tradicional e um MBA envolve mais do que a simples nomenclatura do curso. Ambos estão sob o guarda-chuva da formação lato sensu no Brasil e têm como objetivo aprofundar conhecimentos após a graduação. Mas, enquanto uma pós-graduação é voltada ao aprofundamento técnico e conceitual em uma área específica do conhecimento e pode ser um caminho para um mestrado ou doutorado, o MBA (Master of Business Administration) tem uma proposta diferente. Apesar de também ser uma pós-graduação lato sensu, o MBA é mais orientado às áreas de gestão e liderança, desenvolvendo habilidades como a tomada de decisão estratégica. Seu público-alvo é formado, em geral, por profissionais com alguma experiência no mercado e que ocupam, ou pretendem ocupar, cargos de gerência ou direção em uma empresa.
Segundo Camilo Santana, ministro do MEC, essa redução está relacionada à questão demográfica, com menos nascimentos, e redução da repetência das crianças. “Apesar da queda, a cobertura [da educação] está melhorando, e há menos distorção dos alunos com idade certa nas séries”, disse.
"Se não uso na vida, para que estudar isso?", se perguntam alguns. Mas matérias tradicionais ajudam a formar o senso crítico. Utilitarismo desvaloriza centros educacionais e transforma educação em mercadoria.
Estado de São Paulo registrou menos 250 mil alunos no ensino médio em um ano. MEC afirma que população em idade escolar está diminuindo e os já matriculados estão com número menor de reprovação.
O ensino médio, com 7,3 milhões de alunos, é considerado um dos maiores desafios da educação básica, principalmente por causa da evasão. Os dados de 2024 mostravam que só 82,8% dos jovens de 15 a 17 anos estavam matriculados em escolas.
A norma atual, definida em 2024 e nem sequer implementada, passou a exigir que 50% da carga horária dessas graduações sejam presenciais. Mas uma nova resolução em trâmite no CNE (Conselho Nacional de Educação) reduz para 40% essa exigência, com anuência da equipe do ministro Camilo Santana. Além disso, o texto permite que só 25% da carga horária dos núcleos que concentram as disciplinas de formação básica e específica dos cursos sejam obrigatoriamente presenciais.
Ele é um dos responsáveis pelo policy brief PPPs em Educação no Mundo: importância, evidências e desenhos de políticas, lançado em janeiro, que analisou alguns modelos internacionais de parcerias. Segundo o documento, o objetivo “não é promover a privatização, mas reconhecer que, em muitos países, o setor não estatal já contribui de modo significativo para a educação”, diz o texto.
Premiada em Dubai, Débora Garofalo argumenta que tecnologia sem formação docente não transforma a educação. No artigo, ela alerta para o risco de ampliar desigualdades quando investimento em equipamentos não vem acompanhado de desenvolvimento profissional
What’s unsettled is not whether students can use AI, but how institutions want students to use it. In our view, unless colleges clearly shape AI’s role in teaching and learning, fast-moving technologies may begin to redefine education by default. The risk isn’t more AI, but a gradual shift in what counts as learning.
Students may spend less time asking hard questions, making their own judgments and building real expertise. In that case, college risks becoming less about understanding and more about producing papers and other content quickly.
Quando um país não escolhe conscientemente qual papel quer ocupar nessa cadeia, ele aceita o papel que sobra. E isso, sim, é o que pode nos levar a uma condição de dependência estrutural
Webinário será nesta quarta-feira (26) e buscará mobilizar profissionais da educação para o fortalecimento de práticas avaliativas mais inclusivas e equitativas em todo o país. Evento será transmitido pelo canal do YouTube
As AI races into classrooms, we risk confusing quick and easy answers with true learning, says AI education entrepreneur Priya Lakhani. She explains why being challenged is essential for making knowledge stick — and how AI can be designed to strengthen (not weaken) learning, teaching and thinking.(Recorded at TEDNext 2025 on November 10, 2025.
O que significa ser um profissional competitivo em um mercado de trabalho que muda a cada dia? Essa resposta passa por pelo menos dois fatores: aprendizagem contínua e inteligência artificial. Com as constantes inovações tecnológicas e modernização das práticas de gestão e produção, manter-se atualizado é uma questão fundamental para quem deseja ter uma carreira de sucesso. Nesse cenário, os cursos de pós-graduação são um meio para ganhar o conhecimento necessário. Já a inteligência artificial está mudando o que se ensina na pós-graduação e, também, como se aprende. À medida que MBAs e especializações incorporam IA às suas grades, forma-se uma nova exigência de "letramento mínimo" em tecnologia para quem pretende se manter relevante em qualquer área. Para Cristiano Kruel, empreendedor e Chief Innovation Officer da StartSe (escola e consultoria de novos negócios), há um ponto que precisa ser esclarecido logo de início: não dá para falar em inteligência artificial apenas no singular. "A IA não é apenas uma coisa, é um bojo de tecnologias existentes. Há diversas IAs. Até por isso, não me parece correto alguém falar ‘já aprendi IA’ ou ‘implementei IA na empresa’. O mais certo seria dizer ‘estou aprendendo com as IAs’", afirma. As IAs podem atuar em diversos setores e resolver várias tarefas. Essa multiplicidade de aplicações ajuda a explicar o peso que o tema ganhou nos cursos de pós-graduação. "As IAs representam a maior convergência tecnológica que a nossa geração já viveu. Puxam para si diversas áreas de conhecimento e diversas tecnologias e têm capacidade de interferir e conferir valor a todas elas", afirma Kruel. Ele lembra que, em 2024, o Prêmio Nobel de Química foi concedido a um trio de pesquisadores que trabalhavam com IA. E o Nobel de Física daquele ano reconheceu dois cientistas que pesquisavam redes neurais artificiais. Ou seja, o impacto das IAs extrapola o universo da área de tecnologia. As IAs representam a maior convergência tecnológica que a nossa geração já viveu. Puxam para si diversas áreas de conhecimento e diversas tecnologias e têm capacidade de interferir e conferir valor a todas elas Cristiano Kruel empreendedor e Chief Innovation Officer da StartSe Nos programas de pós-graduação, a IA aparece hoje principalmente em dois planos que se entrelaçam. O primeiro é o impacto que ela causa "lá fora", no mundo do trabalho e dos negócios. Isso faz com que MBAs e especializações atualizem o currículo sobre gestão, finanças, marketing, operações e liderança. O segundo é o uso da própria IA dentro do processo educacional, como a infraestrutura das salas de aula e como essa tecnologia oferece apoio aos alunos e professores. "Me parece claro que existe um conjunto de ferramentas de IA que são genéricas e podem ser usadas em qualquer tipo de educação", diz Kruel. Em um MBA, lembra ele, os estudantes precisam fazer pesquisa, analisar estudos de caso, escrever relatórios. "Pode-se usar ChatGPT, Google Gemini, para auxiliar nas pesquisas e elaboração de textos. São ferramentas generalistas de IA que ajudam as pessoas a se empoderar e a lidar com um volume grande de informação." Além dos modelos generalistas, diz Kruel, começam a ganhar espaço ferramentas especializadas por setor ou função. "Um MBA em gestão hospitalar, ou em tecnologia de dados, por exemplo. Existe um conjunto de ferramentas aplicadas àquele escopo de conhecimento, àquela função. Quantas ferramentas já existem para alguém se tornar um melhor gestor de RH? Muitas, e são bastante funcionais." No Brasil, já surgem MBAs como MBA em Engenharia de Software e DevOps com IA, MBA em Marketing Digital, Growth e IA e MBA em Gestão de Projetos com IA, os três na pós-graduação do Ibmec. METODOLOGIAS Nessa nova realidade, as próprias metodologias de ensino começam a passar por uma reestruturação. "Estamos redefinindo essas metodologias, para que as universidades apliquem aulas diferentes, mais interativas", diz Kruel. "Há várias metodologias de ensino que podem ser usadas pelos professores. A IA ajuda a reimaginar as práticas educacionais." Kruel vê espaço até para agentes de IA que possam funcionar como "tutores individuais de cada aluno. O próprio estudante vai atrás do aprendizado. A IA nos provoca a imaginar novas possibilidades. Uma delas é essa tutoria individual". HABILIDADES Se nas empresas as IAs auxiliam em ganhos de produtividade, nas instituições de ensino essas tecnologias podem ajudar a desenvolver certas habilidades nos alunos. "Quais serão as habilidades mais desejadas no futuro? O MBA tem de preparar o profissional para o quê?", questiona Kruel. "O que é um trabalho para máquina e o que é um trabalho para um humano? Essas questões estão mexendo com os próprios conceitos de gerenciamento, de gestão e de liderança de times." Daí entra a preocupação crescente, em cursos de pós-graduação, com as tomadas de decisão baseadas em dados e o ensino de ética no uso de IAs. "Uma das coisas que a pós-graduação nos ensina é a consciência do ‘lifelong learning’, o aprendizado contínuo. E, falando sobre inteligência artificial, nos próximos três a cinco anos, as transformações ocasionadas pelas IAs vão ser um tema recorrente. Não é um evento isolado. Não existe o pensamento: ‘fiz um curso e aprendi tudo de IA’", diz. Kruel compara o que está acontecendo hoje com o processo de naturalização de tecnologias anteriores: "Talvez, daqui a 15 anos, não vamos mais ficar falando tanto de IA. Vai ser um assunto como a internet, como a eletricidade, algo que já nos está dado, que já faz parte do cotidiano."
O percentual de matrículas presenciais em tempo integral cresceu 10,7 pontos percentuais (p.p) na rede pública de ensino durante o período de 2021 a 2025, passando de 15,1% para 25,8%. Com esse resultado, o Brasil atingiu a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que prevê atender pelo menos 25% dos alunos da educação básica da rede pública em tempo integral. No ensino médio, o aumento também foi expressivo, passando de 16,7%, em 2022, para 26,8%, em 2025.
Os dados destacam o resultado de R$ 4 bilhões do Governo do Brasil, por meio do Ministério da Educação, no Programa Escola em Tempo Integral. Criada em 2023, a iniciativa apoia redes de ensino na expansão de matrículas em tempo integral (igual ou superior a 7 horas diárias ou 35 horas semanais) em todas as etapas e modalidades da educação básica.
Especialista analisa os limites das políticas públicas e os obstáculos para garantir o direito à educação no país
O Brasil registrou avanços importantes nas políticas públicas voltadas à inclusão de pessoas com deficiência na educação nas últimas décadas. Ainda assim, desigualdades persistentes impõem grandes desafios tanto para a estruturação das escolas quanto para a formação de professores especializados. Essas constatações abrem caminho para o quarto episódio de “Entre mundos”, o videocast do Instituto Claro.
Especialista em advocacy do Instituto Rodrigo Mendes e integrante da Coalizão Brasileira pela Educação Inclusiva, Karolyne Ferreira é a convidada do programa. Na entrevista, ela analisa o cenário brasileiro e os limites das políticas públicas atuais e explica a diferença entre os termos educação inclusiva e educação especial, destacando os desafios para sua efetiva implementação nas redes de ensino.
“Hoje, temos uma taxa de 20% das escolas sem nenhum item de acessibilidade: rampa, banheiro adaptado, piso tátil... Isso influencia muito na vivência do cotidiano escolar pelo estudante com deficiência”, diz Ferreira, que apresenta outros dados. “Apenas 6,4% dos professores de disciplinas têm formação continuada em educação especial e inclusive. Entre os professores do atendimento educacional especializado, pouco mais de 30% têm formação. Sem essa formação, o professor fica sem saber o que fazer, é natural. Ele fica sem estratégia, sem instrumentos.”
De acordo com os dados do Censo, a segunda área com maior número de matrículas foi Matemática, com 3.996.516; seguida de Linguagens, com 3.763.332; Ciências Humanas, com 3.418.799; e Educação Profissional, com 1.200.606.
Na Austrália, os alunos do 2º ano do ensino fundamental estão se preparando para passar do papel e caneta para os teclados e plataformas digitais, e uma pesquisa nacional com mais de 500 alunos revelou que os estudantes têm conexões e reações diferentes a depender do modo como escrevem. A partir do 3º ano, os alunos australianos realizam avaliações nacionais de maneira digital, e, para se preparar para os testes, passam a utilizar plataformas digitais de maneira mais assídua durante as aulas. A pesquisa, liderada pela Dra. Anabela Malpique, professora sênior de alfabetização da Faculdade de Educação da Edith Cowan University (ECU), buscou entender se a mudança na forma de escrever trazia impactos para os alunos. "Os exames nacionais manuscritos foram descontinuados nas escolas primárias australianas. Os alunos são obrigados a fazer testes online de alfabetização e matemática a partir do 3º ano — por isso, é importante entender a diferença no desempenho da escrita entre as modalidades em papel e em computador", explicou a professora em um comunicado divulgado pela universidade no começo deste ano. O resultado, divulgado em novembro de 2025, aponta que, apesar de os alunos demonstrarem atitudes muito positivas em relação ao uso de computadores, eles ainda se sentem mais "capazes" quando escrevem à mão.
Copiar decisões sem construir o sistema que as torna eficazes não aproxima o Brasil de melhores resultados. Apenas reforça a distância entre aparência e realidade
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