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August 10, 2024 11:00 AM
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Como a ciência deve lidar com a IA generativa

Como a ciência deve lidar com a IA generativa | Inovação Educacional | Scoop.it
As declarações de contribuição do autor e os agradecimentos em trabalhos de pesquisa devem indicar claramente, por exemplo, como a IA foi usada na preparação de manuscritos e análises. Eles também devem indicar quais LLMs foram usados. Isso alertará os editores e revisores para examinar os manuscritos com mais cuidado em busca de possíveis imprecisões e créditos de origem impróprios. Da mesma forma, os periódicos científicos devem ser transparentes sobre o uso de LLMs ao selecionar manuscritos enviados.
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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Robôs ganham 'tato' com pele artificial neuromórfica

Robôs ganham 'tato' com pele artificial neuromórfica | Inovação Educacional | Scoop.it
Cientistas chineses desenvolvem sistema sensorial inspirado no sistema nervoso humano, que permite robôs detectarem pressão, localização e até danos em tempo real
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Next-gen satellite internet

Next-gen satellite internet | Inovação Educacional | Scoop.it
Next-gen satellite internet (namely D2D and LEO) is transforming pricing, capacity, and regulation worldwide
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Gen AI video disruption

Gen AI video disruption | Inovação Educacional | Scoop.it
Gen AI video models appear to be supercharging independent video but could provoke a stronger regulatory response against social video platforms
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Video podcasts reach

Video podcasts reach | Inovação Educacional | Scoop.it
Podcasting is booming as a video-first, multilingual medium. It may help brands reach global audiences, while occupying a larger share of viewers’ screen time.
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New supply chain tech

New supply chain tech | Inovação Educacional | Scoop.it
With escalating trade restrictions on critical next-gen AI chip technologies, leaders should adapt quickly to make supply chains more resilient
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AI for robots and drones

AI for robots and drones | Inovação Educacional | Scoop.it
Can more powerful AI models and chips catalyze what has been a relatively stagnant industry?
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More compute for AI, not less

More compute for AI, not less | Inovação Educacional | Scoop.it
It’s widely expected that generative AI computing will shift in 2026, from mainly being about training models on very large amounts of data to using those models to help think about and answer enterprise and consumer questions, prompts, and tasks—a process known as “inference.” Many speculate that such a shift in computational workload—or “compute”—would mean that the AI ecosystem would need special chips optimized for inference only, and that these (possibly much cheaper) chips might be deployed on edge devices outside of the massive data centers where most AI chips are currently located and might even mean we need fewer, smaller, or at least different data centers, and spend less.
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Uso de IA generativa no Brasil é maior que no mundo, mas impacto real nos negócios ainda é desafio

Uso de IA generativa no Brasil é maior que no mundo, mas impacto real nos negócios ainda é desafio | Inovação Educacional | Scoop.it

O panorama da adoção de inteligência artificial (IA) do Brasil revela alguns contrastes importantes em relação às tendências globais, segundo o Relatório de Impacto dos Dados e da IA: O imperativo da confiança, um estudo global conduzido pelo IDC, em parceria com o SAS. O mapeamento entrevistou mais de 2.300 pessoas em todo o mundo sobre o uso, impacto e confiança nas diferentes formas de IA.
O país apresenta um uso de IA generativa maior do que a média global (91% x 81%), mas a adoção da IA tradicional, agêntica e quântica está abaixo dos níveis globais (-3,6%, -5,6%, -5,7%), sugerindo uma adoção mais lenta das formas mais emergentes da tecnologia.
Para Lyse Nogueira, customer advisor do SAS Brasil, a IA generativa se tornou bastante popular no Brasil devido a sua facilidade de uso, que não requer conhecimento técnico e está disponível em diversos aplicativos. Além disso, ela continua, a tecnologia apresenta uma baixa barreira de entrada devido às diversas opções gratuitas disponíveis no mercado, o que ajuda a massificar o uso da tecnologia.
No entanto, pontua Nogueira, em geral, a IA generativa está ajudando a agilizar processos operacionais em alguns departamentos, mas ainda não faz parte da estratégia corporativa como um todo e, portanto, ainda não traz impactos para o negócio.
"Por outro lado, a adoção das IAs tradicional, agêntica e quântica é um pouco mais lenta no Brasil, pois elas exigem um nível de maturidade e estruturação dos dados muito maior", afirma a especialista. "Uma implementação bem-sucedida depende de uma infraestrutura de dados robusta, governança sólida, integração profunda com os sistemas de negócio existentes e talentos especializados. O nosso estudo aponta exatamente para essa fragilidade: a baixa maturidade da infraestrutura de dados e das práticas de governança no Brasil, o que faz com que o país encontre barreiras estruturais para avançar nas formas de IA que exigem maior investimento e preparo técnico."
De acordo com o relatório, o Brasil apresenta um Índice de Confiabilidade da IA (Trustworthy AI Index) de 3,35, próximo ao de países maduros como França e Canadá. No entanto, o Índice de Impacto da IA (AI Impact Index) é de 2,84, abaixo da maioria dos países analisados, evidenciando uma lacuna entre a confiança declarada na inteligência artificial e a capacidade de gerar valor tangível a partir dela.
Segundo o estudo, apenas 15% das empresas no Brasil estão em nível “transformacional” de maturidade em IA e 35% ainda operam com dados fragmentados (ad hoc ou em silos) em comparação com 16% no âmbito global.
Nogueira comenta que o nível transformacional é, sem dúvida, o objetivo final. "É o estágio em que a IA está plenamente integrada à estratégia e é capaz de impulsionar a inovação, a eficiência e gerar um retorno sobre o investimento (ROI) significativo e consistente", detalha.
Para que isso aconteça, ela cita dois pilares importantes: dados e casos de uso.
"As empresas precisam de uma infraestrutura em que os dados se comuniquem e possam ser acessados com facilidade para conseguir extrair valor deles com ética, transparência e governança. Além disso, é fundamental que os casos de uso deixem de ser departamentais e passem a gerar valor real para o negócio, porém, isso demanda tempo e investimento em equipe e tecnologia, e só se justifica se as empresas conseguirem obter retornos como redução de custo, aumento de receita ou melhoria operacional."
O que falta para o Brasil avançar, ela diz, é, fundamentalmente, resolver a base da pirâmide: os dados.
"O principal gargalo identificado pelo estudo é a gestão de dados. Conforme apontamos, 35% das empresas brasileiras ainda operam com dados fragmentados ou em silos, um índice que é mais do que o dobro da média global de 16%. Sem uma fundação de dados integrada, confiável e bem governada, é impossível escalar o uso da IA de forma segura e eficaz. As empresas podem ter pilotos de sucesso, mas falham em transformar isso em valor de negócio em larga escala", explica.
Portanto, ela continua, para que mais empresas atinjam o nível transformacional, o caminho passa pela construção de uma infraestrutura de dados resiliente e unificada; estabelecimento de práticas de governança de dados e IA que garantam a qualidade, a consistência, a ética e a segurança das informações; além de investimento em capacitação de talentos para gerir a tecnologia e a estratégia de dados e IA.
"Quando a arquitetura de dados é fraca e as estratégias de IA subdesenvolvidas, as empresas têm dificuldade de captar o verdadeiro valor gerado para o negócio, o que geralmente leva à frustração e desacelera a adoção", diz. "Reverter esse cenário exige uma maior conscientização do papel que a prontidão e a governança dos dados desempenham no apoio às iniciativas de IA. Ao reforçar essas capacidades, as empresas podem obter resultados de IA mais precisos, confiáveis e escaláveis. Isso aumenta o ROI e também fortalece a confiança de longo prazo na IA como impulsionadora do desempenho dos negócios."

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Quase 1/3 dos trabalhadores do país tem emprego exposto à IA

Quase 1/3 dos trabalhadores do país tem emprego exposto à IA | Inovação Educacional | Scoop.it

Quase um terço da população ocupada no Brasil está exposta, de alguma forma, à Inteligência Artificial (IA) generativa no seu fazer profissional, sendo que pouco mais de 5 milhões de pessoas estão no grau máximo de exposição. Essa exposição é maior entre as mulheres, os mais jovens, os mais escolarizados, na região Sudeste e no setor de serviços, em especial nos serviços de informação e comunicação e nos serviços financeiros.
Essas são os apontamentos de um estudo do Instituto Brasileiro de Economia (FGV Ibre) e da carta do mês do instituto, apresentados ao Valor. “Ocupações intensivas em tarefas analíticas repetitivas e processamento de informação apresentam alta exposição ao potencial de automação via IA”, escreve na carta Luiz Guilherme Schymura, diretor do FGV Ibre.
Os pesquisadores do instituto calculam que 29,8 milhões de trabalhadores, ou 30% dos empregados, tinham exposição à IA generativa no terceiro trimestre de 2025, último dado disponível da Pnad Contínua trimestral, do IBGE. Em 2012, esse contingente era de 23,2 milhões de pessoas, ou 27% da população ocupada. Essa exposição à IA pode ser positiva, isto é, complementar ao trabalho convencional, ou negativa, quando leva à substituição completa do trabalhador.
“O copo não está meio cheio, ele está cheio para o trabalhador, o mercado de trabalho está indo muito bem. Ainda não vemos esse impacto da IA no agregado, mas se, de fato, a adoção tecnológica continuar nesse ritmo e puder ter um efeito de substituição maior, isso vai acontecer”, afirma Fernando de Holanda Barbosa Filho, autor do estudo junto com Paulo Peruchetti, Janaína Feijó e Daniel Duque. “Nunca foi tão rápida a velocidade de adoção de uma nova tecnologia no mundo”, acrescenta.
Os pesquisadores do FGV Ibre replicaram para o Brasil uma metodologia de mapeamento do grau de exposição das ocupações às IA tomando como base um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) de 2025, que atualizou o Índice Global de Exposição Ocupacional à IA generativa.
Primeiro, os pesquisadores traduziram a lista de ocupações do sistema internacional ISCO-08 para a classificação de ocupações da Pnad Contínua. A partir disso, classificaram as ocupações no Brasil de acordo com a exposição à IA nos seis níveis propostos pela OIT: nenhuma, baixa e gradientes de 1 a 4 (da menor para a maior).
Entre o primeiro trimestre de 2012 e o terceiro de 2025, a proporção de expostos no gradiente 1 diminuiu (de 35,8% para 30,5%), enquanto para todos os demais gradientes aumentou. A participação de trabalhadores expostos à IA no nível 4, o maior, foi de 16,1% em 2012 para 17,6% em 2025.
Os pesquisadores cruzaram a análise com outros indicadores socioeconômicos (ver detalhes ao lado). Em termos de gênero, o grau de exposição das mulheres (35,4%) é maior que dos homens (25,2%). A região com maior exposição é a Sudeste (32%), e a com a menor é o Norte (25,3%), seguida do Nordeste (26,7%). A exposição à IA é decrescente com a idade, sendo maior entre jovens de 14 a 29 anos (35,9%) e menor nas faixas de 45 a 59 anos (24,5%) e de 60 anos ou mais (25,7%).
No caso da escolaridade, o grau de exposição à IA é crescente, saindo de 10,2% para aqueles sem instrução ou com fundamental incompleto para 42,7% entre os com superior completo.
Segundo os pesquisadores, a literatura internacional já apontou que o grau de exposição à IA tende a crescer com o grau de qualificação exigido das atividades, normalmente correspondente a um maior nível de qualificação dos ocupantes desses postos. Assim, uma das razões para a maior exposição das mulheres (ante os homens) e dos jovens (ante faixas etárias mais altas) no Brasil poderia ser o maior nível de educação dos primeiros grupos. Da mesma forma, apontam, o contraste entre Sudeste e Norte-Nordeste pode se dever ao diferencial de desenvolvimento dessas regiões.
Entre os setores analisados, o menos exposto é a agropecuária, com apenas 1,5% das ocupações com algum grau de exposição à IA. O mais exposto é o de serviços de intermediação financeira, com 90,6% de exposição. “Tem empregos que vão acabar, não tem dúvida. E outros serão criados. A pessoa sabendo usar a IA vai proteger o seu emprego. Alguém que não sabe usar a IA, provavelmente, não vai conseguir se reposicionar”, afirma Barbosa Filho.
Os pesquisadores do FGV Ibre citam um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrando que, enquanto em economias avançadas como Estados Unidos e Reino Unido o percentual de trabalhadores expostos à IA é de cerca de 60% do total ocupado, em economias emergentes como Brasil, Colômbia e África do Sul essa proporção está em torno de 40%.
O desafio, no entanto, é que cerca de metade da exposição à IA em economias avançadas é de natureza complementar, enquanto para o Brasil, por exemplo, cerca de 20% da população ocupada possui alta exposição e baixa complementaridade com a IA, tornando esses trabalhadores bastante vulneráveis à perda do emprego, dizem os pesquisadores do FGV Ibre. Por outro lado, apontam, pouco mais de 20% dos trabalhadores brasileiros possuem, segundo o FMI, alta exposição, mas também elevada complementaridade à IA, o que pode gerar benefícios em termos de maior produtividade e salário, afirmam.
“Tem mais um trem da história passando. A questão é se a gente vai conseguir subir nele ou não. E, mesmo fazendo tudo certo, vão existir perdedores, precisamos pensar como proteger essas pessoas”, afirma Barbosa Filho.
Os pesquisadores do FGV Ibre defendem uma agenda de política pública para lidar com esse cenário. “Essa agenda é para ontem, porque até podemos não ver ainda impacto no agregado, mas, na hora que começa a onda, ela não para. Quando a tecnologia começa a ficar disponível a um preço acessível, as pessoas começam a usar em massas. Aí, não adianta correr atrás do rabo. Precisamos nos antecipar”, diz Barbosa Filho.
Na área de educação e requalificação, os pesquisadores dizem ser preciso investir em educação básica de qualidade, estatística, habilidades digitais, programação e, sobretudo, competências transversais, como resolução de problemas, comunicação e trabalho em equipe. “De alguma forma, acho que as pessoas estão percebendo essa importância de se qualificar. O mercado está demandando cada vez mais isso. Se as pessoas não forem se adaptando, isso vai ser um problema”, afirma Peruchetti.
Em termos de proteção social e políticas ativas, os deslocamentos setoriais e ocupacionais da IA aumentam a importância de sistemas de seguro-desemprego, de programas de transferência de renda e políticas ativas de intermediação, qualificação e subsídios à recontratação, capazes de reduzir a duração do desemprego e apoiar transições entre ocupações, afirmam os pesquisadores.
“Do ponto de vista de política pública, essa rede de proteção social me preocupa menos, porque já mostramos na pandemia que somos capazes. Preocupa mais a preparação para quem está entrando no mercado de trabalho e nosso modelo de requalificação”, afirma Barbosa Filho.
Adotar um sistema de intermediação de mão de obra e de qualificação ágil e flexível é medida emergencial, segundo ele. “Qualificação profissional, hoje em dia, não é mais um curso longo meses como era no passado. São pequenas pílulas de competências necessárias para adaptar esse trabalhador. É preciso adotar um sistema com agilidade para identificar rápido o problema e flexibilidade para adotar a solução.”
São necessárias ainda medidas na área de regulação do uso de IA no ambiente de trabalho, dizem os pesquisadores. Para eles, é preciso controlar o uso da tecnologia para monitoramento, avaliação contínua de desempenho e automação de decisões de RH. Pesquisas alertam ainda para riscos de vieses algorítmicos, discriminação e intensificação do trabalho, além de assimetrias de poder entre empresas e trabalhadores, apontam.
Tudo isso demanda, segundo os pesquisadores, marcos regulatórios que garantam transparência, explicabilidade mínima e mecanismos de contestação de decisões automatizadas, além de participação de sindicatos e representações trabalhistas na governança de tecnologias no local de trabalho. “Quão mais difundida a legislação permitir o uso de IA, maiores serão os desafios. A trava inicial vai ser regulamentação. Por isso existe uma discussão sobre IA responsável. Na minha opinião, isso é alguma forma de tentar regulamentar o uso para fazer com que seus impactos ocorram de forma mais gradual”, afirma Barbosa Filho.
Por fim, há questões de políticas de concorrência e difusão tecnológica. A concentração de capacidades de IA em poucas grandes empresas de tecnologia, dizem, levanta questões de poder de mercado, captura de dados e distribuição dos ganhos de produtividade.
“Existem duas forças atuando ao mesmo tempo. Dentro de uma mesma empresa o uso da IA pode diminuir o fosso entre os empregados. Alguns estudos mostram que o trabalhador que mais se beneficia é o menos produtivo dentro de uma mesma ocupação. No entanto, em relação a outro setor que não consegue adotar IA, esse fosso pode aumentar. O que vai determinar o resultado é o quanto vamos conseguir adotar tecnologia de forma horizontal na economia”, diz Barbosa Filho.
Políticas de concorrência, padrões abertos, promoção de ecossistemas de IA aberta e apoio a pequenas e médias empresas para adoção da tecnologia são, segundo os pesquisadores, peças importantes para evitar que os benefícios fiquem concentrados em um número pequeno de agentes.
“Setores de alta competitividade e produtividade não podem perder tempo, porque essa é uma corrida, o mercado deles não é local, é mundial. As empresas de ponta já estão adotando, e eu acho que não estamos ainda preparados para proteger o trabalhador e oferecer a complementaridade ideal”, afirma o economista.

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Ipea e IFI veem política fiscal de Lula como insustentável 

Ipea e IFI veem política fiscal de Lula como insustentável  | Inovação Educacional | Scoop.it

Com o tempo, uma eventual crise fiscal pode levar à queda da atividade, do emprego e da massa dos rendimentos do trabalho, como se observou abruptamente ao final de 2015, no governo Dilma Rousseff (PT). Em cinco anos e meio sob a ex-presidente, a relação dívida/PIB aumentou 14 pontos, atingindo 66,6% do PIB. Sob Lula 3, deve crescer 10 pontos, para 82,4%.
Procurado pela Folha, o Ministério da Fazenda afirmou que segue cumprindo os limites do arcabouço fiscal e que as projeções para os anos seguintes estão alinhadas com o cumprimento desses tetos. "O termo 'crise fiscal' é equivocado. Em 2024, a meta de primário foi alcançada, com resultado mais próximo do centro da meta do que de sua banda inferior," disse em nota.
A Fazenda também afirmou que o déficit primário, que exclui despesas com o pagamento de juros e amortização de dívidas, acumulado durante o governo Lula 3 deve ser 70% menor do que no governo anterior.
Em sua Carta de Conjuntura deste final de ano, o Ipea, que fica sob o guarda-chuva do Ministério do Planejamento, aponta ao menos duas políticas reintroduzidas por Lula 3 como responsáveis pela atual situação.
Uma delas é a correção do salário mínimo, que prevê aumento acima da inflação de até 2,5%. Isto tem impacto enorme sobre os benefícios previdenciários, a maior despesa do governo, porque 70% dos pagamentos seguem o piso básico. No atual mandato de Lula, os pagamentos com aposentadorias e pensões subiram de R$ 912,2 bilhões para mais de R$ 1 trilhão.
O Ipea também menciona que, ao acabar com o teto de gastos de Michel Temer, Lula reestabeleceu a regra de os desembolsos para Saúde e Educação acompanharem o crescimento da receita corrente líquida (e não mais a inflação), na proporção de 15% e 18% do total arrecadado, respectivamente. Quando a receita sobe, esses gastos aumentam.
"Não surpreende, assim, que —mesmo com o forte aumento da carga tributária ocorrido em 2024— persistam questões estruturais relacionadas à sustentabilidade da política fiscal e que, no acumulado do ano até novembro, o déficit primário do governo central tenha atingido R$ 75,7 bilhões (0,6% do PIB nominal acumulado nos últimos quatro trimestres)", diz o documento do Ipea.
O órgão também alerta para os efeitos indiretos do crescimento dos gastos públicos. "Em particular, o aquecimento da atividade econômica —e, sobretudo, do mercado de trabalho— decorrente de seus efeitos multiplicadores, tende a pressionar a inflação e, em um regime de metas inflacionárias, a exigir a manutenção de taxas reais de juros mais elevadas do que aquelas que prevaleceriam, por exemplo, caso tais gastos evoluíssem em linha com o crescimento do PIB."
Com a manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, o setor público pagará neste ano R$ 1 trilhão em juros. Esse valor equivale ao pagamento de mais de 41 milhões de benefícios da Previdência em 2025.
Outro problema grave citado pelo Ipea é a forte diminuição do dinheiro livre (despesas discricionárias) que o governo tem para tocar o dia a dia da máquina pública. Em 2014, o valor correspondia a 13,8% do total das despesas. Em 2025, considerando o acumulado em 12 meses até outubro, a participação é de 8,3%.
Para Claudio Hamilton dos Santos, coordenador de acompanhamento e estudos da conjuntura do Ipea, a manutenção do regime fiscal passa por priorizar alguns gastos sobre outros, diminuir isenções tributárias a empresas e setores e reduzir em alguma medida o crescimento das despesas sociais.
"É fato que o crescimento dos gastos sociais acima do teto do regime fiscal contribui para engessar o Orçamento e que os aumentos do salário mínimo e a indexação em Saúde e Educação à receita têm sido determinantes [para a insustentabilidade fiscal]", afirma.
"Mas entendemos que o atual regime fiscal problematiza essas questões, e não discordamos dos desafios existentes. Mas é natural que eles existam no atual estágio da política. O Executivo também tem brigado para conseguir simultaneamente mitigar o engessamento do Orçamento e manter a trajetória de melhora do resultado primário em 2026."
O outro trabalho, da IFI, ligada ao Senado, é ainda mais crítico em relação à atual política fiscal sob Lula 3.
Segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal do órgão, o novo regramento foi aprovado no segundo semestre de 2023 (o chamado arcabouço fiscal), mas no ano seguinte, em 2024, as metas foram rebaixadas. Em 2025, vários abatimentos legais foram aprovados no limite de gastos e na apuração do resultado primário.
A IFI estima que, nos três primeiros anos de vigência do arcabouço, as despesas excluídas da meta fiscal chegarão a mais de R$ 170 bilhões. "Soma-se a isso a consolidação legal do entendimento, após arguição do Tribunal de Contas da União, de que é cabível o governo perseguir o limite inferior de tolerância previsto e não o centro da meta, o que, na prática, representa um novo rebaixamento das metas fiscais", diz o documento.
"Nenhum dos dois principais objetivos da regra fiscal criada neste governo está sendo alcançado", afirma Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI. "O aumento da dívida pública não foi estancado, pelo contrário, e não houve mais investimento estatal, pois o crescimento dos gastos comprime cada vez mais o Orçamento."

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Fernando Abrucio: O monstro que inviabiliza a República

Fernando Abrucio: O monstro que inviabiliza a República | Inovação Educacional | Scoop.it

Entre as facetas do patrimonialismo, existe uma agenda mais urgente de reformas que atinge os três Poderes. Um dos temas, na verdade, atinge a todos em seus altos escalões: as remunerações acima do teto constitucional. Essa questão se tornou um dos maiores marcadores de privilégios no país. Funcionários da alta burocracia no Judiciário e no Sistema de Controle, nos Legislativos de toda a Federação e especialmente nas carreiras jurídicas do Executivo federal, vivem num mundo à parte da Constituição e da ética pública.
O impacto fiscal é bastante razoável no plano federal, e se fossem ajustadas tais remunerações ao teto constitucional ou proibidas a aferição de rendas por fora do salário, haveria no mínimo uma economia anual de R$ 10 bilhões. Mudar essa lógica de privilégio remuneratório de parte da burocracia de alto escalão é ainda mais importante para fortalecer o princípio republicano, porque quando o monstro patrimonialista ganha força, não há limites para ele - basta pensar nos ganhos nababescos dos desembargadores estaduais. Seus tentáculos crescem, e assim aumentam a desigualdade entre os cidadãos, logo percebida como a imagem de um “Estado para poucos”, principal fonte dos valores e votos antissistema, produzindo um dos maiores perigos para a democracia brasileira.

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January 1, 11:19 AM
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The effect of ChatGPT on students’ learning performance, learning perception, and higher-order thinking: insights from a meta-analysis | Humanities and Social Sciences Communications

The effect of ChatGPT on students’ learning performance, learning perception, and higher-order thinking: insights from a meta-analysis | Humanities and Social Sciences Communications | Inovação Educacional | Scoop.it
As a new type of artificial intelligence, ChatGPT is becoming widely used in learning. However, academic consensus regarding its efficacy remains elusive. This study aimed to assess the effectiveness of ChatGPT in improving students’ learning performance, learning perception, and higher-order thinking through a meta-analysis of 51 research studies published between November 2022 and February 2025.
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Today, 9:36 AM
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China propõe as regras mais duras do mundo para conter suicídio e violência estimulados por IA

China propõe as regras mais duras do mundo para conter suicídio e violência estimulados por IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Projeto obriga empresas a detectar, interromper e reportar respostas perigosas de sistemas de inteligência artificial, ampliando de forma inédita a responsabilidade das plataformas
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Creative offerings for mobile

Creative offerings for mobile | Inovação Educacional | Scoop.it
Consumers in some markets struggle to notice improvements in network performance. Telecom companies should consider creative offerings to increase market share.
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Public media partnerships with streamers

Public media partnerships with streamers | Inovação Educacional | Scoop.it
Public broadcasters partner with streamers and platforms, co-producing and distributing content together. What can US media companies learn from this?
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Today, 9:17 AM
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Tech sovereignty

Tech sovereignty | Inovação Educacional | Scoop.it
Countries and regional blocs are racing to build their own sovereign tech and AI infrastructures. What are the implications? How can global businesses prepare?
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Today, 9:12 AM
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Short-form video series

Short-form video series | Inovação Educacional | Scoop.it
From independent creators to major platforms, micro-series are helping redefine how viewers connect and consume content worldwide
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SaaS meets AI agents

SaaS meets AI agents | Inovação Educacional | Scoop.it
SaaS meets AI agents: Transforming budgets, customer experience, and workforce dynamics
As AI agents pervade the SaaS market, how businesses experience and leverage software will likely change—shifting business models, capabilities, and expectations
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AI agent orchestration

AI agent orchestration | Inovação Educacional | Scoop.it
AI agents will likely require orchestration for intelligent automation. Open source, proprietary communication protocols will compete to lead the way.
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Gen AI inside existing search engines overtakes standalone gen AI

Gen AI inside existing search engines overtakes standalone gen AI | Inovação Educacional | Scoop.it
Deloitte predicts that the generative artificial intelligence user base in 2026 will surge, with the expansion mostly attributable to existing applications that incorporate gen AI capabilities. Deloitte also predicts that more people will use gen AI when it’s within an existing application than those using a standalone gen AI tool. In short, passive usage will exceed proactive, explicit usage in 2026 and beyond. 
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O debate sobre os efeitos econômicos da Inteligência Artificial

O debate sobre os efeitos econômicos da Inteligência Artificial | Inovação Educacional | Scoop.it
Crescimento econômico sustentado, um fenômeno raro até meados do século XVIII, encontrou seu catalisador permanente na inovação tecnológica. A partir da Primeira Revolução Industrial, a capacidade de inovar tornou-se um motor contínuo de transformação. Para Joseph Schumpeter, a essência do capitalismo reside na destruição criadora, e a inovação – a introdução bem-sucedida de novidades no mercado – é a "força motriz" do crescimento econômico.

Produtividade é a variável central que explica o crescimento, dependendo diretamente do ritmo das inovações. No entanto, os ganhos excepcionais ocorrem em ciclos distintos. Robert Gordon, analisando os EUA, destacou a alta taxa de aumento da produtividade do trabalho, de 2,8% por ano, entre 1948 e 1973. Períodos subsequente, como 2005 a 2025, apresentaram médias menores, em torno de 1,7%.

A Tecnologia da Informação e das Comunicações (TIC), frequentemente referida como a Segunda Idade da Máquina, representou um salto qualitativo ao superar os limites da capacidade mental humana, permitindo o processamento e transmissão de imensos volumes de informação, em velocidades inéditas. A TIC reconfigurou o mercado de trabalho: destruiu empregos manuais repetitivos, melhorou a vida de quem executa tarefas mentais e criou novas categorias de empregos para trabalhadores bem treinados. A automação evoluiu do campo manual para o mental, do tangível para o intangível.

Mais recentemente, enquanto os computadores inicialmente seguiam instruções restritas, o machine learning, uma forma de Inteligência Artificial que surgiu na segunda metade da década de 2010, permitiu a superar as limitações originais. Com isso, os computadores adquiriram habilidades sofisticadas, como leitura, escrita e reconhecimento de padrões. Essa nova fase da automação não se restringe mais ao chão de fábrica, ou às atividades primárias, mas sim substitui empregos em escritórios, ampliando os seus efeitos. O setor de serviços, que antes parecia imune, começa a ser impactado pela automação e globalização simultâneas e exponenciais, um fenômeno descrito por Richard Baldwin como a “Globotics Transformation”.

Uma série de questões importantes se coloca com o advento e a rápida expansão da IA nos anos recentes, especialmente em sua versão generativa. Enquanto esses avanços geram euforia nos investidores, especialmente nos EUA, há dúvidas se a alta das ações se justifica por um novo ciclo robusto de produtividade, ou se é mais uma bolha especulativa, ou uma combinação das duas coisas.

São notórias as dificuldades em identificar bolhas ex-ante. E mesmo que isso fosse possível, as autoridades econômicas e bancos centrais não disporiam de uma efetiva margem de manobra para contê-las. Segundo metodologia desenvolvida por Robert Shiller, ganhador de um prêmio Nobel de Economia, o indicador preço/lucro (PL) do mercado acionário americano aproxima-se hoje do nível do ápice da bolha das dotcom em 2000. Atualmente, as empresas de tecnologia, que de início investiam com capital próprio, já emitem grande volume de títulos de dívida, aumentando as preocupações com a alavancagem financeira. A ex-segunda pessoa na hierarquia do FMI, Gita Gopinath, chegou a estimar um prejuízo potencial de US$ 35 trilhões com eventual estouro da bolha de IA, na hipótese de a bolsa cair em ritmo semelhante ao verificado por ocasião da crise dos anos 2000

De qualquer modo, um eventual estouro da bolsa não eliminaria os efeitos positivos do avanço tecnológico, que traz ganhos de bem-estar não totalmente captados por estatísticas tradicionais de PIB, em áreas como medicina, entretenimento e comunicação. Contudo, há críticas sobre a distribuição desigual dos frutos da nova tecnologia, que poderia aumentar a desigualdade, polarizar ainda mais o mercado de trabalho, substituir ocupações humanas e criar uma divergência crescente entre a produtividade e os salários reais dos trabalhadores. De qualquer forma, as tecnologias da Segunda Idade da Máquina seguem sendo aprimoradas exponencialmente, gerando expectativas positivas para a IA. Mas os seus efeitos sobre a produtividade e o crescimento devem demorar, ou seja, provavelmente ocorrerão com certa defasagem. Até o presente momento, o ritmo da produtividade permanece abaixo do "período de ouro". Entre 2005 e 2025, os ganhos de produtividade nos EUA têm estado em de 1,7%, bem inferiores, portanto, aos 2,8% de 1920-1970.

Em trabalho publicado no início do ano, o prêmio Nobel de Economia de 2024 e professor do MIT, Daron Acemoglu, avaliou o impacto da IA sobre o crescimento da economia americana nos próximos dez anos. Central para sua análise é a Teoria das Tarefas, que vê a produção como uma série de tarefas executadas por capital ou trabalho. Utilizando dados detalhados sobre ocupações e respectivas tarefas, e o potencial da IA em executá-las, Acemoglu estima que, nos próximos dez anos, a IA aumentará o PIB dos EUA em apenas 1% acima do crescimento base, um ganho anual de cerca de 0,1%. Esse número surpreendentemente baixo já considera a eficiência e o estímulo à acumulação de capital. Embora o trabalho tenha sofrido críticas – alguns preveem um impacto bem maior, de 5% –, as divergências focam nos parâmetros (fração do PIB afetada e ganho previsto de produtividade), e não na metodologia inovadora de Acemoglu.

Focando num período mais curto, da pandemia até hoje, a produtividade do trabalho nos EUA acelerou modestamente,  atingindo médias anuais de 1,8% (OCDE) a 2,1% (BLS), superando outras nações desenvolvidas. Contudo, a Inteligência Artificial (IA) só começou a impulsionar esses ganhos a partir de meados de 2023, período que coincide com o aumento na abertura de empresas intensivas nessa tecnologia[1]. Embora estudos prevejam ganhos futuros significativos com a adoção generalizada da IA, há dúvidas sobre a sustentabilidade do ritmo atual nos EUA. O debate americano concentra-se nos riscos de mercado, como as preocupações com bolhas em empresas de tecnologias e incertezas sobre o impacto líquido no emprego, que pode tanto criar novas vagas quanto eliminar outras em larga escala.

Pelo lado positivo, há estudos indicando que a IA generativa dissemina as melhores práticas dos trabalhadores mais competentes e ajuda os trabalhadores menos experientes a progredir mais rapidamente na curva de aprendizado – o que pode ser um impulso à produtividade.

No Brasil, as estimativas sobre o potencial de melhora da produtividade com a IA generativa são positivas, de maneira geral, mas gargalos estruturais em infraestrutura digital e capital humano podem vir a limitar os ganhos de produtividade em setores com oportunidades claras de redução de custos e inovação.

O Nobel Philippe Aghion vê a atual revolução tecnológica com otimismo cauteloso, enfatizando a necessidade de adaptação através da "destruição criadora". Para que os países naveguem essa transição com sucesso, é crucial investir em educação de alta qualidade, programas de treinamento contínuo e políticas ativas de mercado de trabalho. Reformas políticas também são necessárias para evitar a concentração excessiva de mercado e poder econômico, combinando concorrência e política industrial focada em melhorar o acesso a dados e poder computacional.
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Bolsa Família e o mercado de trabalho brasileiro 

Bolsa Família e o mercado de trabalho brasileiro  | Inovação Educacional | Scoop.it
Vem repercutindo bastante nas redes sociais nos últimos dias o relato de um empresário do setor de comércio de Santa Catarina. Ele apontou que iria fechar seu negócio por conta da dificuldade de contratar mão de obra e associou isso ao programa Bolsa Família. Como quase tudo nos últimos tempos, esse episódio nasceu carregado de preconceitos e gerou forte polarização. E, quando isso acontece, geralmente um debate mais equilibrado costuma ser a primeira vítima.
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Today, 7:25 AM
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Desemprego em queda, seguro-desemprego em alta

Desemprego em queda, seguro-desemprego em alta | Inovação Educacional | Scoop.it
É paradoxal que, num momento tão favorável do mercado de trabalho, os gastos públicos com seguro-desemprego estejam em alta. Segundo dados do Tesouro Nacional corrigidos pela inflação, esses desembolsos somaram R$ 57,5 bilhões nos 12 meses encerrados em novembro, ante um total de R$ 47,2 bilhões em 2022 —ano que fechou com desocupação em torno de 8%.

Parte da explicação para a distorção está em conhecidos problemas nas regras do programa, que motivaram ajustes parciais há pouco mais de uma década. Num exemplo, trabalhadores podem considerar vantajoso passar temporariamente para a informalidade a acumular os rendimentos da nova atividade com o seguro-desemprego.

Outro fator a inflar os gastos é a política do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de conceder reajustes acima da inflação para o salário mínimo, ao qual estão vinculados benefícios trabalhistas, previdenciários e assistenciais.

Nos dois casos se veem ineficiências da despesa social —que, corretamente, é a prioridade do Estado num país de desigualdades vexaminosas. O gasto é elevado, mas por vezes de modo insustentável e nem sempre destinado às devidas prioridades.

Por metodologia que permite comparações internacionais, o setor público brasileiro despende o equivalente a 16,8% do Produto Interno Bruto em proteção social. Numa amostra de países selecionados em relatório do Tesouro, a cifra supera a média das economias avançadas (15,2% do PIB) e, por larga margem, a das emergentes para as quais há dados disponíveis (8,9%).
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Today, 6:43 AM
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Fundeb ultrapassará R$ 370 bilhões em 2026 —

Fundeb ultrapassará R$ 370 bilhões em 2026 — | Inovação Educacional | Scoop.it
O crescimento das receitas do Fundeb em 2026 é resultado da elevação das projeções de arrecadação dos impostos e transferências vinculados ao Fundo e da integralização do percentual de complementação da União previsto na legislação do Novo Fundeb, que alcança 23% no próximo ano. Desse total, 10% correspondem à complementação Valor Anual por Aluno (VAAF); 10,5% à complementação Valor Anual Total por Aluno (VAAT); e 2,5% à complementação Valor Aluno Ano Resultado (VAAR), percentual que encerra o ciclo de ampliação progressiva da participação da União no financiamento do Fundo, conforme estabelecido em lei. 

Aplicação – Do total de recursos do Fundeb, no mínimo 70% devem ser destinados ao pagamento dos profissionais da educação básica em efetivo exercício, reforçando a política de valorização desses profissionais nas redes públicas de ensino. Os 30% restantes devem ser aplicados em ações de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE), como melhorias na infraestrutura escolar, aquisição de equipamentos e materiais pedagógicos. 

Matrículas – As estimativas para 2026 consideram um total de 39,3 milhões de matrículas na educação básica pública. No caso da complementação VAAR, 3.076 entes federativos cumpriram as condicionalidades exigidas para o recebimento dos recursos, evidenciando o avanço na adoção de indicadores de melhoria da gestão e dos resultados educacionais. 
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January 1, 11:16 AM
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Teaching the AI-native generation

Teaching the AI-native generation | Inovação Educacional | Scoop.it
In October, Oxford University Press released Teaching the AI-Native Generation, a report exploring how young people in the UK perceive and interact with AI in their education. As someone deeply involved in the development of AI tools for learning, I found the insights both illuminating and encouraging. 

We surveyed 2,000 UK students aged 13–18 to understand their experiences, concerns, and aspirations around AI in the classroom. The results revealed a generation that is not only engaging with AI tools but also thinking critically about their impact. 
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