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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Today, 1:12 PM
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Eve, startup de mobilidade aérea pertencente à Embraer, planeja iniciar operação comercial de seu eVTOL no próximo ano
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Today, 1:09 PM
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A AME é uma doença genética irreversível, causada por um defeito que leva à perda de função das duas cópias (materna e paterna) do gene SMN1. Esse gene codifica uma proteína – a survival motor neuron, SMN – que promove a sobrevivência do neurônio motor. Sem ela, os neurônios motores da medula espinhal morrem e deixam de transmitir para os músculos os comandos do cérebro. Como consequência, ocorre uma perda progressiva do tônus e da força muscular, e a criança apresenta problemas para manter o corpo ereto, sentar-se, segurar objetos, engolir e até mesmo respirar. Nos casos extremos, a AME leva à morte precoce, ainda na infância.
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Inovação Educacional
Today, 1:08 PM
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pesquisadores do país podem publicar trabalhos científicos em acesso aberto sem pagar pelas taxas de processamento de artigos em 1.738 revistas científicas da editora Springer Nature e 1.619 da Elsevier. Um contrato nos mesmos moldes, que engloba a coleção completa da Association for Computing Machinery (ACM), começou em dezembro. O arranjo faz parte de um acordo estabelecido entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e as três editoras e prevê um custo total de R$ 1 bilhão por três anos. A versão anterior desses contratos era R$ 70 milhões por ano mais barata, mas garantia apenas o direito à leitura de artigos por meio do Portal de Periódicos da Capes, biblioteca digital que dá aos pesquisadores do país acesso a artigos e outros documentos científicos. A novidade é incluir no mesmo pacote também o custo de taxas de publicação. A expectativa é de que sejam publicados 6 mil artigos nos periódicos da Springer, 12 mil na Elsevier e 600 artigos na ACM por ano, ampliando a quantidade de papers em acesso aberto escritos por autores brasileiros nessas revistas.
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Today, 1:07 PM
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grupo internacional de pesquisadores propôs uma nova forma de se referir às revistas predatórias, publicações com práticas editoriais displicentes ou fraudulentas, que em geral aceitam divulgar papers em troca de dinheiro, sem submetê-los a uma revisão por pares genuína. A sugestão é passar a chamá-las de “revistas não recomendadas”. Em um artigo de revisão publicado no Barw Medical Journal, os autores argumentam que o novo termo, de caráter menos acusatório e pejorativo, pode cumprir mais adequadamente a missão de alertar os pesquisadores sobre os riscos de publicar nesses periódicos e, ao mesmo tempo, evitar conflitos e ameaças de processos judiciais. “A adoção dessa terminologia permite que pesquisadores e instituições continuem a abordar preocupações sobre práticas editoriais de baixa qualidade ou enganosas, fomentando, ao mesmo tempo, um diálogo mais construtivo”, escreveram os mais de 46 autores do estudo, na maioria médicos afiliados a instituições de países como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Itália, África do Sul, Índia e Nigéria.
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Inovação Educacional
Today, 1:02 PM
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"Ela quer sentar, desde o tempo da escola ela quer sentar." Essa era uma das trilhas sonoras de uma das "salas" da plataforma de jogos Roblox na última segunda-feira, meio-dia do Brasil. O nome do jogo: "Baile das Patroas". Personagens seminuas dançavam, e o avatar que criei para entrar na plataforma logo estava com uma escopeta na mão. Em seguida, entrei em outro "jogo" ainda mais "radical". A trilha do chamado "Baile dos Crias" dizia: "F**** na onda fumando maconha". Em cima da mesa do tal baile, havia armas em meio aos copos, com toda naturalidade. Classificação etária para entrar nos dois "jogos": 13 anos.
Não entendo nada de videogames, mas criei uma conta no Roblox, a popular plataforma de jogos, para entender as denúncias contra ela. Resultado: após meia hora lá, já tinha percebido que, de fato, trata-se de uma ferramenta que não é adequada para menores de idade. Se eu tivesse uma filha de 13 anos (ou mais velha), tentaria proibi-la de entrar no Roblox.
Se você, como eu, é dinossaura da internet, explico: o Roblox não é exatamente um jogo, mas uma plataforma com milhares de jogos e "universos" onde usuários podem criar seus próprios jogos. Há também chats de interação entre os usuários, transformando o Roblox em uma espécie de rede social. O jogo é extremamente popular entre crianças.
Tudo parece inocente à primeira vista e há muitos jogos simples e infantis. Mas, como cada um pode criar seu jogo e não há regulação suficiente, acontece o que eu vi: adolescentes, ou mesmo crianças, podem ser expostas a conteúdos inadequados. Ou, ainda pior, crianças podem ser aliciadas por criminosos, principalmente as meninas.
Aliciamento de menores A plataforma está sendo investigada pelas autoridades brasileiras e mundo afora, e o que preocupa é o fato do Roblox ser usado para aliciamento de menores.
De acordo com investigadores, o jogo serve para "cooptar" menores de idade. Da plataforma, eles mudam para outro aplicativo, onde pode haver troca de fotos íntimas e depois possíveis chantagens. Foi o que aconteceu com uma menina de 11 anos de idade de Curitiba. Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, a mãe da menina disse que checava os aplicativos da filha, mas que um dia pegou o celular dela e viu mensagens ameaçando matá-la se ela não mandasse fotos íntimas. Os criminosos, inclusive, davam dicas para a criança de como burlar o controle dos pais. "O que aconteceu com minha filha foi um estupro virtual de vulnerável", disse a mãe.
Ela não é a única e o perigo não é novo. Em outubro de 2022, os pais de uma menor de idade da Califórnia, nos Estados Unidos, processaram a empresa, junto com outras plataformas, afirmando que a menina tinha sido vítima de exploração sexual e financeira.
O que fazer? Em janeiro, depois de muita pressão, a plataforma alterou as regras de entrada nos chats que acontecem durante os jogos. Desde então, os usuários precisam comprovar a sua idade. Agora, teoricamente, só é possível falar com quem tem a mesma idade que você.
Mas o controle parece uma brincadeira. Quando me cadastrei (muito rápido), disse minha data de nascimento. Para entrar nos chats, tive que comprovar minha idade através de um reconhecimento facial feito pela plataforma que confirmou que eu tinha mais que 21 anos. Mas o reconhecimento também pode ser feito por carteira de identidade. Ou seja, se o menor pegar "emprestado" um documento dos pais, está liberado para conversar com adultos. De acordo com as novas diretrizes, crianças só podem conversar com outras da mesma idade etc. Mas como saber se a pessoa com quem a criança conversa não é um adulto que forjou ser menor?
E agora? Em alguns países, como o Egito, a plataforma foi banida. No momento, além de ser investigada no Brasil, o Roblox é investigado também nos Estados Unidos e na Holanda, onde a autoridade reguladora de defesa do consumidor apura se a plataforma tem falhado em cumprir regras para proteger crianças e adolescentes de conteúdo violento e sexual e se segue as diretrizes da Lei de Serviços Digitais (DSA) da União Europeia.
Em muitos países, há um debate sobre proibir o uso de redes sociais, Roblox incluído, para menores de idade. Na Austrália, as redes sociais foram banidas para menores de 16 anos em dezembro de 2025. Na França, um projeto de lei que proíbe a utilização de redes sociais para menores de 15 anos avançou no parlamento em janeiro.
Por mais que leis possam parecer radicais, alguma medida forte precisa ser tomada pelas autoridades dos países para coibir esses crimes. Não é justo que toda a responsabilidade de "monitorar celulares dos filhos" seja colocada em cima dos pais (na verdade, sabemos que sobra mesmo é para as mães). Sem ajuda do Estado,é praticamente impossível fazer com que um menor navegue com segurança nessas plataformas cujos donos agem como se não existissem leis…
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Inovação Educacional
Today, 12:59 PM
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Em um mundo marcado pela guerra na Ucrânia, pelo conflito no Oriente Médio e pela crescente rivalidade entre grandes potências, há também um não tão novo front, porém mais silencioso e sorrateiro: a Guerra Cognitiva. Conceito destacado em relatório do Chief Scientist da Otan, ela não envolve tanques ou mísseis, mas sim a batalha pelo domínio da percepção, das crenças e da tomada de decisão de populações inteiras. Os campos de batalha estão em todos os lugares e não há distinção entre civis e militares. É a manipulação sistemática da informação para corroer a coesão social, deslegitimar instituições e semear a desconfiança.
Sérgio Antônio Lopes: Latam demite piloto suspeito de abuso sexual contra menores Redes sociais: Órgãos federais exigem que X bloqueie uso do Grok para gerar imagens sexualizadas sem consentimento Uma das linhas de defesa é a educação, garantindo que os estudantes de hoje e futuros adultos estejam preparados do ponto de vista cognitivo e de aprendizado para os ataques cibernéticos e campanhas de desinformação em massa. Infelizmente, a ainda baixa qualidade educacional brasileira nos deixa mais expostos, com aumento da ameaça à nossa soberania. O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e a principal avaliação internacional de estudantes, o Pisa, revelam defasagem de aprendizagem, altas taxas de evasão e um sistema que, para milhões de jovens, não cumpre sua função básica de garantir compreensão e análise crítica.
Mais da metade dos estudantes brasileiros, por exemplo, possuem nível abaixo do adequado para solucionar problemas sociais e científicos. Além disso, nove em cada dez alunos no fim do Ensino Médio não conseguem localizar informações explícitas nem mesmo reconhecer opiniões divergentes sobre o mesmo tema em diferentes textos.
Essa fragilidade cria um terreno perigosamente fértil para operações de guerra cognitiva. Uma população com dificuldade de interpretar textos, de discernir fatos de opiniões e de analisar fontes de informação torna-se presa fácil de narrativas manipulativas, teorias conspiratórias e campanhas de polarização que minam a confiança na ciência, na democracia e no próprio futuro coletivo.
Os efeitos já são visíveis no cotidiano nacional: a erosão do debate público, a dificuldade de construir convergências em torno de políticas essenciais e a vulnerabilidade a interferências desestabilizadoras. Sem uma base educacional sólida, a sociedade perde a capacidade de defender seu espaço mental coletivo. A guerra cognitiva prospera na ausência de anticorpos intelectuais, que só uma escola pública forte, universal e de qualidade pode fornecer.
Investir na educação transcende a esfera social ou econômica: é um imperativo de segurança individual, coletiva e soberana no século XXI. Transformar nossas escolas em espaços de excelência acadêmica e de formação cidadã é a nossa melhor defesa e o nosso melhor caminho de construção de uma nova e mais saudável lógica de respeito e apreciação das diferentes nações e povos. Isso demanda currículos modernos que integrem, desde os anos iniciais, o letramento midiático-digital, o pensamento científico e a educação para a cidadania democrática. Requer valorização e formação contínua dos professores. Exige infraestrutura tecnológica e pedagógica que prepare os estudantes não apenas para o mercado de trabalho, mas para a complexidade do mundo contemporâneo.
A soberania de uma nação moderna não se mede apenas por seu poderio militar ou econômico, mas por sua soberania cognitiva — a capacidade de seu povo de pensar, analisar e decidir com autonomia, baseado em evidências e no bem comum. O Brasil, com seu imenso potencial e suas graves desigualdades, está em uma encruzilhada histórica. Podemos continuar negligenciando a educação pública e nos tornar um alvo fácil na guerra invisível pelas mentes, ou podemos assumir, com coragem e prioridade absoluta, que colocar nossas escolas no centro do projeto do país é a mais estratégica das defesas.
A escolha que fizermos definirá não apenas o futuro da nossa democracia, mas a própria capacidade de sermos uma nação livre e resiliente em um mundo cada vez mais perigoso e complexo.
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Today, 12:56 PM
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O governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) iniciou um experimento nas escolas estaduais de São Paulo, dividindo alunos de uma mesma série em diferentes turmas de acordo com o rendimento escolar.
Chamado de Projeto Voar, o experimento será feito nos anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano). Assim, cada uma das séries terá a divisão das turmas feitas com base nas notas dos alunos.
Foram selecionadas 147 escolas estaduais para o projeto-piloto. Nessas unidades, os alunos serão divididos entre dois tipos de turmas: "padrão" e "adaptada". Na primeira, foram alocados os alunos com baixa ou nenhuma defasagem de aprendizado, já na segunda estão os alunos com alta e média defasagem.
O governador Tarcísio de Freitas ao lado do secretário de educação, Renato Feder - Danilo Verpa - 23.out.23/Folhapress Pais e alunos dessas escolas, no entanto, afirmam não ter sido informados de que iriam participar do experimento e têm questionado o impacto dessa divisão na autoestima e até mesmo na trajetória escolar dos estudantes.
A Secretaria de Educação, comandada por Renato Feder, defende que a separação dos alunos por desempenho escolar tem o objetivo de acelerar a aprendizagem daqueles com maior dificuldade e, assim, reduzir as desigualdades educacionais nas escolas.
Apesar de a gestão Tarcísio apresentar o projeto como novidade, a política de separar turmas pelo desempenho já foi amplamente difundida no país, especialmente nas décadas de 1980 e 1990, mas acabou abandonada na maioria das redes de ensino.
Especialistas e estudos apontam que a divisão pode reduzir a autoestima dos alunos com baixo rendimento, aumentar casos de indisciplina e até mesmo elevar a evasão escolar.
Em uma apresentação feita aos professores, a secretaria informou que o projeto será implementado e terá seus resultados avaliados pela Parceiros da Educação, uma organização da sociedade civil, e por um "time de educação de Harvard".
Para medir os impactos do experimento, foram selecionadas ainda outras 95 escolas que serão usadas como "grupo de controle". A secretaria informou que os resultados serão medidos por um ano e, caso não sejam positivos, o projeto poderá ser encerrado em 2027.
Os alunos foram separados de acordo com as notas que obtiveram em língua portuguesa e matemática no Saresp (avaliação estadual) em 2025. Assim, aqueles que tiveram desempenho considerado abaixo do básico para a série em que estão foram alocados nas turmas adaptadas.
Segundo os dados apresentados pela secretaria, das 1.437 turmas de 7º a 9º ano ofertadas nas escolas selecionadas para o projeto, 1.059 serão consideradas como adaptadas —74% do total. Ou seja, vão ser formadas para os alunos com rendimento abaixo do básico.
Daniel Barros, subsecretário pedagógico da Seduc, disse que o conteúdo ensinado nas duas turmas será o mesmo, a diferença será o ritmo das aulas. "O ritmo da turma adaptada será mais devagar."
"Na turma adaptada, o professor vai explicar com mais calma, pode dar passos para trás no conteúdo e voltar em habilidades que deveriam ter sido aprendidas em séries anteriores. Na turma padrão, ele pode manter o ritmo esperado para aquela série ou até avançar com mais velocidade se os alunos estiverem acompanhando", explicou.
Segundo Barros, o projeto foi pensado a partir de pesquisas que apontam a dificuldade de ensinar em turmas muito heterogêneas. "O professor mira no aluno médio e acaba não conseguindo ensinar adequadamente nenhum. Ele afasta o aluno que está defasado e desestimula aquele que está mais à frente."
1 13 Quem é Renato Feder, secretário de Educação de SP
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... A Folha conversou com professores de duas escolas selecionadas para o projeto. Eles dizem que só souberam da separação das turmas na sexta-feira (29), dois dias antes do início do ano letivo. A portaria que instituiu o projeto, inclusive, só foi publicada no Diário Oficial do Estado na quarta-feira (4), quando o ano letivo já havia começado e as turmas já haviam sido definidas.
Na apresentação, os professores receberam orientações sobre como atuar nas diferentes turmas e foram informados de que não poderiam deixar os alunos saberem da divisão.
Inclusive, as escolas foram orientadas a utilizar uma "lógica aleatória" para nomear as turmas e, assim, evitar que os alunos soubessem em qual tipo estão alocados. Elas não devem, por exemplo, nomear a turma A como sendo a padrão.
"Não podemos utilizar a lógica de colocar a turma A como sendo a melhor e a B ou C como sendo as de menor proficiência, como já foi feito no passado. Nossa recomendação é que vocês variem as nomenclaturas entre os anos e séries para evitar o risco de discriminação e rotulação", disse Mauro Romano, na apresentação aos professores. Ele é quem está à frente do projeto na Seduc.
Os professores, no entanto, relatam que os alunos perceberam a diferença entre as turmas e passaram a questionar a divisão. Em uma das escolas, a mãe de uma aluna chegou a questionar a direção sobre o motivo de sua filha ter sido alocada na turma adaptada.
Para os professores, que pediram para não ser identificados por medo de represália, a separação das turmas não seria necessária caso tivessem autonomia para conduzir as aulas. Eles lembram que a gestão Tarcísio determinou o uso de slides e plataformas nas escolas e exige que todos os professores cumpram o cronograma independentemente do ritmo de aprendizado dos alunos.
Fernando Cássio, professor da Faculdade de Educação da USP, diz que a divisão dos estudantes por proficiência revela um efeito cruel da política de padronização curricular adotada pela atual gestão.
"A secretaria optou e exigiu essa padronização curricular, o que pode levar a um currículo inatingível para muitos alunos. Ao restringir a autonomia dos professores na elaboração das aulas, na adaptação aos alunos reais e aos seus níveis de aprendizado, a padronização pode gerar frustração e sensação de fracasso", disse.
Para ele, a divisão mantém a lógica do currículo padronizado em vez de dar mais autonomia para que os professores possam personalizar suas aulas.
"Em vez de criar um ambiente de competição e avaliação, é crucial promover a colaboração e a interação entre os alunos, reconhecendo que o convívio com colegas de diferentes níveis de aprendizado pode ser um fator positivo. A proposta de segregação, portanto, parece contraditória, pois se propõe a eliminar a estigmatização e a rotulação, ao mesmo tempo em que as reforça."
1 5 Entenda o vaivém da tentativa frustrada de SP de deixar programa de livros do MEC
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Barros nega que o projeto possa gerar mais estigmatização aos alunos. "Os estudantes mais defasados já estão estigmatizados, eles já sofrem por não acompanhar a turma. Eles voltam a ter autoestima quando aprendem e é isso o que a gente espera com esse projeto, por isso, vamos testar."
Questionado sobre a falta de comunicação e consentimento das famílias para o experimento, Barros disse que as escolas e a rede de ensino têm autonomia pedagógica para definir a divisão das turmas conforme avaliarem ser melhor.
"O agrupamento dos estudantes é uma prerrogativa pedagógica da escola. Inclusive, diversas escolas já fazem isso sem falar com ninguém, porque essa é uma decisão pedagógica", disse.
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Today, 12:49 PM
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Essa constatação despertou em MacDonald o interesse no que muitos consideram uma mudança profunda nos jovens da chamada geração Z — que costuma ser definida como aqueles nascidos entre 1997 e 2012 — em relação às gerações anteriores: a erosão nas habilidades de comunicação.
Segundo MacDonald, atividades antes consideradas banais, como pegar o telefone para marcar uma consulta ou contestar uma conta, hoje são encaradas com dificuldade pelos adolescentes.
"É claro que nem todos os jovens passam por isso", ressalta MacDonald.
"E mesmo muitas pessoas que gostam de conversar pessoalmente não querem mais atender ao telefone, porque hoje em dia [uma ligação geralmente] é para vender produtos ou tentativa de golpe."
"Mas essa relutância real em pegar o telefone e ligar para o consultório do seu dentista, ou ter uma conversa cara a cara com um amigo, parece estar associada à geração Z", salienta.
MacDonald destaca que há entre os jovens uma relutância de modo geral em se envolver em interações presenciais.
E a deterioração na capacidade de comunicação é observada não apenas nas habilidades de fala, mas também de escrita.
"E vem acompanhada da erosão dos hábitos de leitura", afirma.
"Ler e descobrir como a linguagem funciona é parte da habilidade de escrita. Uma consequência natural de ler menos é não ser tão bom em transmitir ideias em textos mais longos."
Dificuldade de falar com clientes e colegas
Jovens optam mais por comunicação via mensagem de celular — Foto: BBC News fonte Em gerações anteriores, a adolescência costumava ser um período de conexão social intensa, com novos amigos e namoros, marcos na transição para a vida adulta em uma idade em que o cérebro está em desenvolvimento. Mas pesquisas indicam uma redução nessas interações.
Segundo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2022 apenas 36% dos jovens nos países membros relatavam interação presencial diária com amigos, queda acentuada em relação aos 53% registrados em 2006 e a maior redução entre todas as faixas etárias.
MacDonald alerta que a deterioração na capacidade de se comunicar traz consequências emocionais e sociais.
Ela cita estudos em que os mais jovens dizem que se sentem solitários em comparação com gerações anteriores.
"Também relatam que têm menos amigos e interagem menos com esses amigos. Namoram menos e saem menos", afirma.
"Dizem que desejam ter essas interações sociais, mas que falar com as pessoas lhes causa ansiedade e, por isso, acabam optando por mensagens de texto."
Uma deterioração nas habilidades de comunicação pode ter impactos não apenas na capacidade de criar vínculos e relacionamentos pessoais, mas também no ambiente de trabalho.
"Se não conseguem falar com os clientes ou com os colegas, ou têm medo de perguntar o que devem fazer, ou não conseguem fazer uma apresentação, tudo isso representa um problema no emprego", observa MacDonald.
"Começamos a ver em pesquisas que empresas e gestores estão ficando preocupados com o fato de esta geração de trabalhadores não ser capaz de fazer o que precisa ser feito, de falar com as pessoas e de desempenhar suas funções."
Em pesquisa do instituto Harris Poll publicada pela revista Fortune, 65% dos trabalhadores da geração Z disseram que não sabem sobre o que conversar com seus colegas, percentual bem acima dos cerca de 25% registrados entre os mais velhos.
A revista cita empresas que passaram a oferecer treinamento extra para ajudar novos contratados a ganhar confiança em tarefas antes consideradas básicas, como fazer uma apresentação, manifestar-se em reuniões ou até mesmo saber que linguagem usar em um email.
Exercício importante para o cérebro MacDonald se dedica há anos a pesquisar como as pessoas compreendem, produzem e usam a linguagem.
Em seu livro, ela argumenta que muitos dos benefícios cognitivos de falar decorrem do fato de ser um trabalho árduo.
Esses benefícios podem ser sentidos na atenção, na memória, na capacidade de regular emoções e na saúde cognitiva à medida que envelhecemos.
"Se as pessoas não estão conversando umas com as outras, isso tem consequências não apenas em termos de solidão, mas também para suas habilidades cognitivas", ressalta.
MacDonald observa que falar é um exercício importante para o cérebro, com benefícios que vão além do curto prazo e se estendem ao longo da vida.
Falar sobre seus objetivos aumenta o foco mental e a probabilidade de concretizá-los, falar sobre um tópico que precisa aprender torna o aprendizado mais rápido e duradouro, e falar sobre suas emoções ajuda a esclarecer o que está pensando e lidar com situações estressantes.
Falar é um exercício importante para o cérebro, segundo a especialista — Foto: BBC News fonte Apesar de os jovens estarem acostumados a ouvir outras pessoas falarem em vídeos e nas redes sociais, a psicolinguista diz que o tipo de estímulo não é o mesmo, já que compreender o que alguém está dizendo não exige o mesmo esforço mental que falar.
"Falar é mais difícil do que compreender. E, por isso, exercitar suas habilidades de fala traz benefícios que a mera compreensão não oferece", afirma.
Com anos de experiência no estudo do impacto da linguagem em crianças, jovens, idosos e pacientes com o mal de Alzheimer, MacDonald lembra ainda que falar ajuda a proteger contra a demência.
"Inúmeros estudos mostram que aqueles que têm muitas pessoas com quem conversar e que se engajam em conversas possuem melhores habilidades cognitivas e resistem à demência", diz.
Filhos ansiosos e pais superprotetores MacDonald diz acreditar que os próprios adolescentes estejam cientes do problema que enfrentam.
"Em pesquisas, eles relatam estar preocupados com o declínio de suas habilidades sociais."
Muitos jovens hoje em dia não encontram situações que antes eram comuns e facilitavam o desenvolvimento dessas habilidades.
MacDonald lembra que o isolamento durante a pandemia de covid-19 reduziu as oportunidades de socialização "em um momento em que deveriam estar aprendendo a interagir e a conviver uns com os outros". O trabalho remoto também teve impacto.
Ela cita ainda a oferta abundante de entretenimento no telefone celular.
"[O celular] é muito envolvente, ao passo que conversar com alguém exige mais esforço, o que pode gerar ansiedade", observa MacDonald.
Outro fator apontado pela pesquisadora é a superproteção por parte de muitos pais e mães, que buscam eliminar os desafios enfrentados pelos filhos e, assim, acabam reduzindo sua capacidade de lidar com problemas.
"Há mais ansiedade entre os jovens. E os pais, em alguns casos, tomam a frente para realizar tarefas pelos filhos, como fazer uma chamada telefônica, porque os filhos ficam ansiosos ao fazê-las", diz MacDonald.
"É compreensível, você quer proteger seu filho. Mas, ao mesmo tempo, falar é uma dificuldade desejável", destaca.
"Dar [aos filhos] a oportunidade de fazer uma tarefa ligeiramente difícil, como ligar para o consultório médico e marcar uma consulta, algo que está provavelmente dentro da capacidade até dos adolescentes ansiosos, é bom para eles."
Pesquisadora aponta que pais devem dar oportunidade aos filhos de fazerem tarefas que eles consideram difíceis, como marcar uma consulta por telefone — Foto: BBC News fonte Segundo MacDonald, habilidades linguísticas exigem prática, da mesma maneira que aprender um esporte ou a tocar um instrumento musical.
"Os pais devem saber que seus filhos precisam dessa prática, não devem fazer as coisas por eles."
MacDonald diz que que há medidas que pais, professores e os próprios jovens podem tomar para enfrentar o problema e ressalta que mesmo quem não teve oportunidades de desenvolver suas habilidades de fala ainda pode aprender.
Ela cita as aulas de "introdução à vida adulta", oferecidas por algumas universidades americanas, que ensinam "de lidar com dinheiro até fazer ligações telefônicas". Para os mais jovens, aulas de oratória, teatro e improviso podem ajudar.
Mas a pesquisadora salienta que, além de desenvolver essas habilidades, também é preciso oferecer oportunidades para que os jovens possam conversar.
Para MacDonald, a decisão de retirar os celulares das salas de aula deve facilitar não apenas o aprendizado, mas também a interação entre os alunos.
"É uma combinação de oportunidades para praticar e, possivelmente, um pouco de aconselhamento para ajudá-los a progredir e superar o fato de que tiveram bem menos prática do que outras pessoas em seus primeiros anos de adolescência", afirma.
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Today, 12:31 PM
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Serviço de streaming produz cada vez mais obras para um público disperso, acostumado a consumir vídeos em segundo plano. O que isso significa para a narrativa audiovisual, a linguagem e o futuro do cinema?
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Na última temporada de "Stranger Things", personagens explicam o que fazem e repetem pontos da trama já vistosFoto: Netflix/dpa/picture alliance ANÚNCIO A Netflix está realmente nos deixando menos inteligentes? E não me refiro no sentido daquela velha máxima de que "a TV apodrece o cérebro"; de que as horas assistindo Bridgerton ou Round 6 seriam melhor empregadas lendo Dostoiévski. A pergunta é: estaria a Netflix simplificando diálogos e narrativas em seus filmes e programas televisivos porque sabe que seu público mal está prestando atenção?
"Stranger Things" e a ascensão do drama baseado na repetição Esse foi um pensamento que me ocorreu ao assistir à temporada final de Stranger Things. A série dos irmãos Duffer começou, lá nos idos de 2016, como uma homenagem nostálgica aos anos 80 — um cruzamento de Stephen King com Steven Spielberg, Chamas da Vingança com E.T., com um tempero de Dungeons & Dragons. Mas, vítima do próprio sucesso estrondoso, ao longo de nove anos e cinco temporadas, a produção se tornou inchada e arrastada.
Grande parte do apelo inicial de Stranger Things era visual: figurinos, cenários, efeitos especiais bregas, mas estilosos, sequências de luta épicas. Na temporada final, muito disso cedeu lugar a cenas de personagens sentados explicando o que vão fazer, repetindo pontos da trama que o público já viu. O mundo está supostamente acabando, mas Mike, Will, Nancy e Eleven sempre têm tempo para mais uma rodada de explicação.
Diga tudo, não mostre nada E Stranger Things não está sozinha. Basta zapear por produções originais da Netflix para perceber um padrão. Personagens descrevendo o que estão fazendo ou sentindo. Eles recordam o que aconteceu pouco antes. Eles explicam seus objetivos e motivações, caso você tenha perdido algo na primeira – ou até na segunda – vez.
Em Pedido Irlandês, uma comédia romântica água com açúcar, Maddie Kelly (Lindsay Lohan) despeja uma exposição tão explícita que chega a ser impressionante: "Passamos um dia juntos. Admito que foi um dia lindo, repleto de paisagens deslumbrantes e uma chuva romântica. Mas isso não lhe dá o direito de questionar minhas escolhas. Amanhã eu me caso com Paul Kennedy."
Ao que James (Ed Speleers) responde com uma frase que parece menos escrita do que gerada automaticamente: "Tudo bem. Essa será a última vez que você vai me ver, porque depois desse trabalho eu vou para a Bolívia fotografar um lagarto arborícola em extinção."
A lógica parece não ser mais mostrar sem dizer, mas sim dizer – e dizer de novo – para telespectadores distraídos.
Em muitas de suas séries atuais, como "Pedido Irlandês", a Netflix tem priorizado o diálogo sobre a açãoFoto: Netflix Criando histórias para um público distraído Essa avalanche de "dizer, não mostrar" não é acidental. É deliberada.
Durante as filmagens de Dinheiro Suspeito, novo suspense da Netflix estrelado por Matt Damon e Ben Affleck, a plataforma sugeriu que eles simplificassem os diálogos. Em entrevista ao podcast The Joe Rogan Experience, Damon contou que produtores sugeriram que "não seria tão ruim reiterar a trama três ou quatro vezes nos diálogos, porque as pessoas estão no celular enquanto assistem".
O fenômeno é conhecido como visualização em "segunda tela" – e os algoritmos da Netflix, capazes de rastrear, com precisão de segundos, quando os espectadores se desconectam ou param de assistir, chegaram a uma conclusão direta: o público está distraído, e o conteúdo deve acomodar essa distração. As séries são escritas para serem assistidas mesmo enquanto se faz compras online, se rola a tela do TikTok ou se ouve tudo pela metade de outro cômodo.
Durante as filmagens de "Dinheiro Suspeito", os produtores da Netflix sugeriram que os atores repetissem os diálogosFoto: Netflix A atriz e produtora Justine Bateman chamou isso de "musak visual" – televisão como música de elevador.
Nada disso é totalmente novo: sempre existiu TV "para passar roupa" – novelas, reprises e reality shows feitos para servir de pano de fundo enquanto os telespectadores fazem outra coisa. A diferença agora é que a Netflix aplica essa lógica a dramas de prestígio, sucessos de bilheteria e séries de grande orçamento.
E não deveria surpreender ninguém. Esta é a plataforma, afinal, que construiu sua marca sobre o mantra "Netflix and chill". Narrativas fáceis de digerir, instantaneamente compreensíveis e facilmente esquecíveis não são uma falha – são o produto.
Por que produções da Netflix parecem e soam todas iguais? E não se trata somente dos diálogos. Espectadores atentos da Netflix – uma espécie em extinção nos dias de hoje – podem ter notado que muitos filmes e séries da plataforma estão começando a ficar estranhamente parecidos: uma iluminação digital brilhante, mas de baixo contraste; imagens sem profundidade, que seguem visíveis na tela mesmo quando impactadas pela claridade ambiente; um som comprimido, mantendo tudo no mesmo nível médio, garantindo que os sussurros sejam audíveis, mas sem textura ou silêncio.
Essas escolhas fazem sentido se você parte do pressuposto de que o seu público não está em um cinema escuro com tela grande e som surround, mas no celular no metrô, no laptop ao ar livre, ou vendo de canto de olho enquanto o sol desbota a imagem.
"Guerreiras do K-Pop", um dos maiores sucessos recentes da Netflix, fugiu do padrão atual ao exigir atenção do públicoFoto: Netflix O que se perde quando a atenção desaparece Gradualmente, isso nos afasta da ideia de cinema e TV como arte imersiva e visual. Nos distancia do enquadramento, da luz e do poder expressivo do silêncio – ferramentas fundamentais do cinema.
Ainda assim, a derrocada rumo ao conteúdo de baixa qualidade moldado por algoritmos não é inevitável. No ano passado, o maior sucesso da Netflix foi Adolescência, um drama britânico de realismo social filmado em um único plano, que se recusa formalmente a ser assistido em uma "segunda tela". Seu filme original mais assistido, por sua vez, foi Guerreiras do K-Pop, uma animação que mistura tradições narrativas do Oriente e do Ocidente e exige atenção – entre outros motivos, por incentivar o público a cantar junto com suas músicas que chegaram ao topo das paradas.
Ambos funcionaram justamente porque exigiram mais do público, não menos. Se os espectadores querem apenas barulho de fundo, a Netflix fornecerá de bom grado. A verdadeira pergunta é se o público vai perceber – ou se importar – quando a plataforma simplesmente parar de pedir sua atenção.
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Today, 12:28 PM
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O Governo de Minas Gerais lançou edital de PPP (Parceria Público-Privada) para escolas estaduais que prevê pagamento de um bônus à concessionária vencedora com base no desempenho dos estudantes, embora não atribua à empresa qualquer responsabilidade sobre o ensino.
A Romeu Zema (Novo) planeja a concessão administrativa para reforma, conservação, manutenção e operação de serviços não pedagógicos em 95 unidades da rede, distribuídas em 34 municípios.
Currículo, professores, gestão pedagógica e políticas educacionais seguem sob responsabilidade do poder público —mesma fórmula adotada por São Paulo, por exemplo.
Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais - Eduardo Knapp - 27.ago.25/Folhapress Intitulado Bônus por Desempenho Excepcional, o mecanismo permite repasse adicional do estado ao ente privado caso as escolas atendidas pela PPP apresentem resultados educacionais considerados elevados. A bonificação pode ser concedida a cada dois anos e está vinculada ao Iade (Índice de Apoio ao Desenvolvimento Educacional), criado especificamente para o edital.
O Iade combina dados de aprendizagem e permanência dos estudantes, com base em avaliações oficiais nacionais e indicadores administrativos da rede estadual. Entre os critérios estão o desempenho em exames como o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), a evolução do aprendizado e a redução da evasão, da reprovação e da distorção idade-série. O resultado é consolidado em uma nota atribuída a cada unidade.
Se o índice ficar abaixo de 85%, a concessionária não recebe repasses adicionais. A partir desse patamar, o pagamento passa a ser possível e cresce conforme o índice se aproxima de 100%.
O bônus é limitado a até 5% do valor depositado à empresa ao longo de dois anos, com pagamento parcelado em 24 meses.
Para Ivan Beck Ckagnazaroff, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o modelo cria um incentivo financeiro estranho por ser baseado em resultados acadêmicos fota do controle da concessionária.
Segundo ele, o desempenho escolar resulta de múltiplos fatores. "Avaliações como o Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes] mostram que entram nessa conta o contexto socioeconômico, a formação dos professores, o ambiente familiar, o bem-estar e as competências dos alunos. A infraestrutura tem peso, mas está longe de ser determinante", afirma.
1 5 Entenda a PPP das escolas estaduais de SP
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... O professor avalia que o bônus distorce a lógica de avaliação. "Quando o governo avalia a infraestrutura a partir do desempenho escolar, atribui um peso desproporcional à estrutura, como se ela fosse mais importante que a qualidade do ensino e dos professores", afirma. "A infraestrutura deveria ser avaliada por quem a utiliza. É possível ter escolas com estruturas semelhantes e resultados muito diferentes", conclui.
Procurada, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais afirmou que o bônus é um mecanismo contratual voltado a incentivar a concessionária, responsável apenas por serviços não pedagógicos, a contribuir para as condições de funcionamento das escolas e para a melhoria contínua dos resultados educacionais.
A pasta informou ainda que criou, em 2025, os programas Educação que Prospera e Prêmio Escola Transformação, "voltados à valorização de profissionais da educação e ao reconhecimento do desempenho das escolas da rede estadual".
O plano de PPP da gestão Zema indica um contrato com duração de 25 anos e investimentos superiores a R$ 5,1 bilhões. Desse total, cerca de R$ 1,25 bilhão serão destinados a obras de modernização das escolas, enquanto aproximadamente R$ 3,9 bilhões correspondem à operação e à prestação dos serviços.
Ambientes de ensino, como salas de aula, bibliotecas e laboratórios, assim como cozinhas e refeitórios, passarão por intervenções para qualificação da infraestrutura. Áreas externas, como quadras, pátios, jardins e espaços de convivência, também integram o conjunto de melhorias previstas, segundo o governo do estado.
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Today, 12:25 PM
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Ao elevar o custo de acesso de forma generalizada, políticas reduzem a pressão social individual e colocam as escolhas do que é saudável ou não para nossas crianças e adolescentes de volta nas mãos dos pais e responsáveis
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Today, 12:20 PM
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Educação financeira aplicada à crise dos jogos de azar Ancorada em metodologias ativas, a proposta se conecta à realidade dos jovens e promove uma educação financeira crítica, incentivando a reflexão sobre escolhas e o cuidado com o presente e o futuro. O projeto foi estruturado a partir da sala de aula invertida, da aprendizagem baseada em projetos e da simulação de sistemas econômicos reais. Ao longo de oito semanas, os estudantes assumiram o protagonismo, trabalhando de forma colaborativa, tomando decisões e refletindo sobre suas consequências. O objetivo foi desenvolver educação financeira e espírito empreendedor, estimulando pensamento crítico, organização, aplicação da matemática no cotidiano e competências como autonomia, liderança e trabalho em equipe.
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Today, 1:13 PM
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Mulheres na faixa etária entre 30 e 39 anos e residentes na região Sudeste compõem a maior parte da força de trabalho da enfermagem com formação superior no Brasil. Além da intensificação das jornadas e do avanço de vínculos trabalhistas mais instáveis, como contratos temporários e terceirizações, há estagnação ou queda da remuneração média dos profissionais do setor, sobretudo entre auxiliares e técnicos. Outro problema é a diminuição de vínculos estatutários (relação jurídica do servidor público com o Estado, que garante, por exemplo, estabilidade no emprego) e a predominância de formas de contratação menos vantajosas, do ponto de vista salarial e de benefícios.
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Today, 1:10 PM
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maior planície alagável do mundo está secando e ficando mais quente a um ritmo acelerado. Em quatro décadas, o Pantanal, o menor bioma brasileiro, foi o que mais aqueceu e teve a maior redução na quantidade de chuvas. Essa dupla tendência, de mais calor e de menos pluviosidade, é visível em todos os ecossistemas nacionais – da Amazônia, no Norte, que engloba quase metade da área do país, ao Pampa, no Rio Grande do Sul, ainda que nesse bioma de forma bem menos perceptível. Mas ela é mais acentuada no Pantanal, que se estende por aproximadamente 150 mil quilômetros quadrados (km²), 1,8% do território nacional.
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Today, 1:09 PM
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Esses são alguns exemplos de estudos conduzidos por cientistas brasileiros que ajudaram a moldar políticas públicas no Brasil e no mundo. Uma maneira de demonstrar esse impacto é mensurar a frequência com a qual pesquisas são citadas nas referências bibliográficas de documentos de governos, instituições internacionais e do terceiro setor em diversos países. Foi o que fez um relatório publicado em novembro pela Agência Bori em parceria com a plataforma Overton, empresa com sede no Reino Unido especializada em mapear a interface entre ciência e políticas públicas. O levantamento apontou os 107 pesquisadores do país que receberam ao menos 150 citações em 13.742 documentos estratégicos entre 2019 e julho de 2025.
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Today, 1:07 PM
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levantamento produzido pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) indica que, entre 2018 e 2024, os orçamentos do conjunto das 27 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAP) cresceram de modo consistente, o que ajudou a compensar as oscilações na capacidade de financiamento das principais agências de fomento à ciência do governo federal. Os dados, corrigidos pela inflação, mostram que o conjunto das FAP, que obtêm seus recursos orçamentários da arrecadação de impostos dos respectivos estados, dispôs de R$ 4,9 bilhões em 2024 – ante um patamar na casa dos R$ 3,5 bilhões entre 2018 e 2021. Já o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal agência federal de apoio à ciência, e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que tem um papel importante no financiamento de bolsas em programas de pós-graduação, tiveram perdas orçamentárias fortes entre 2018 e 2022 e experimentaram uma recuperação em 2023. Mas o crescimento não se repetiu em 2024 e houve até alguma perda de fôlego
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Today, 1:05 PM
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uso de drogas ilícitas no Brasil aumentou, em média, 80% em pouco mais de uma década. De 2012 a 2023, a proporção de pessoas que experimentaram alguma substância psicoativa de uso proibido ao menos uma vez na vida passou de 10,3% para 18,7%. No mesmo período, a taxa de consumo recente desses compostos subiu de 4,5% para 8,1% (ver gráfico abaixo). Divulgados em dezembro, esses dados integram o caderno temático sobre o consumo de cannabis e outras substâncias psicoativas do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
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Today, 1:02 PM
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Experimentos em vírus com potencial pandêmico devem ser banidos? E ainda: a próxima pandemia pode surgir no seu quintal. Estudo mapeia zoonoses em animais domésticos.
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Today, 12:58 PM
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No Brasil, há mais de 153 mil estudantes matriculados em escolas especiais, voltadas para atender alunos com deficiência, transtorno do espectro autista e superdotação, segundo o Censo Escolar 2024, levantamento mais recente feito pelo Ministério da Educação.
Mais da metade deles (51%) está nos chamados anos iniciais da vida escolar, entre o 1º e o 5º ano do ensino fundamental. É um número significativo se comparado ao das matrículas em outras etapas da educação especial: creche (2,4%), pré-escola (4,1%), anos finais do fundamental (4,4%), ensino médio (0,9%) e educação de jovens e adultos (36,4%).
No ensino regular, que atende estudantes com e sem deficiência juntos, nenhuma etapa de ensino responde por mais de 35% das matrículas. Os dados foram tabulados pelo IRM (Instituto Rodrigo Mendes), organização não governamental que fomenta a educação inclusiva no país.
A maior concentração de alunos em escolas especiais nos anos iniciais pode ser explicada por diferentes fatores. Um deles é que, muitas vezes, esse período escolar coincide com a descoberta da deficiência.
Nesse primeiro momento, muitos responsáveis preferem escolher uma escola especializada com receio de que as crianças não sejam bem acolhidas em escolas regulares, afirma Décio Guimarães, ex-diretor de políticas educacionais na perspectiva inclusiva do MEC.
"Por causa dessa insegurança, as famílias consideram a opinião de alguns profissionais de saúde, que indicam instituições especializadas com o argumento de que as crianças serão mais bem cuidadas nesses espaços", diz.
Há também muitos pais que gostariam de matricular seus filhos em escolas comuns, mas encontram tantos obstáculos ao longo do caminho que acabam optando pelas instituições de ensino especial.
Ilustração criada por Fido Nesti para reportagem sobre inclusão nas escolas - Fido Nesti Ana Claudia Figueiredo, advogada integrante da Rede In (Rede Nacional de Luta pela Educação Inclusiva), aponta como principais dificuldades na escola regular a falta de professores especializados e de estrutura específica para lidar com estudantes com deficiência.
Ela afirma que o início da vida escolar é justamente o momento mais importante de formação de vínculos, no qual seria essencial a convivência de alunos com e sem deficiência. "Quanto antes os estudantes que compõem o público da educação especial migrarem para o sistema regular de ensino, melhor será. Isso porque já começarão desde cedo a vivenciar um ambiente que tem o potencial de ampliar seu desenvolvimento."
1 6 Especial Escolha a Escola
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Hoje com 18 anos, Irene de Macedo passou a estudar em uma instituição especializada durante a educação infantil e não se adaptou. Diagnosticada com paralisia cerebral espástica, foi recusada por 18 escolas particulares ao tentar se matricular na rede regular.
Ela conseguiu fazer a migração somente no primeiro ano do ensino fundamental, quando uma escola comum a recebeu com acolhimento e empatia, afirma Regina, mãe da jovem. Em 2025, Irene se formou no ensino médio e, agora, pensa sobre qual faculdade irá cursar.
1 12 A evolução da educação no Brasil
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Promulgada em 2015, a Lei Brasileira de Inclusão proíbe expressamente que escolas públicas ou privadas recusem a matrícula ou cobrem valores adicionais de alunos com deficiência. "Mas isso só mudou as estratégias de algumas escolas para fugir desses alunos", afirma Camila Varela, advogada especializada nos direitos das pessoas com deficiência.
Antes disso, a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), de 1996, já preconizava a preferência da matrícula do estudante na rede regular de ensino.
Em 2025, foram destinados cerca de R$ 2,5 bilhões de recursos do governo federal para as instituições de ensino especializadas. Segundo o MEC, o valor representa 2,69% do total de recursos do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica).
Em nota, o órgão afirma que investiu R$ 295,9 bilhões em todo o país em 2025 pelo Fundeb, o que inclui recursos para as escolas públicas que oferecem educação inclusiva. Também informou a aplicação de R$ 640 milhões na implementação de salas de recursos, utilizadas para apoiar o estudante com deficiência na escola regular.
Segundo o Censo Escolar 2024, cerca de 1,9 milhão de alunos com deficiência estudam em escolas comuns, o que representa 92,6% do total.
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Today, 12:53 PM
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No Censo Escolar 2024, levantamento mais recente do governo federal, 30% dos municípios brasileiros declaram não ter profissionais de apoio escolar na rede pública para alunos com deficiência, transtorno do espectro autista e superdotação. Os profissionais são responsáveis por dar suporte aos estudantes na locomoção, higiene, alimentação e integração ao ambiente escolar.
No total, há nesses municípios 226 mil alunos com deficiência em classes comuns e exclusivas da educação especial. Metade desses estudantes está no estado de São Paulo, que concentra o maior número de cidades que informaram não ter acompanhantes —são 528.
Entre os 1.659 municípios que declaram não ter profissional de apoio, Feira de Santana (BA) é o que tem mais alunos com deficiência matriculados (6.262). Procurada, a secretaria de Educação do município não respondeu à reportagem.
Ilustração criada por Fido Nesti para reportagem sobre falhas nas informações a respeito de profissionais de apoio escolar - Fido Nesti Os números do Censo, porém, podem ser menores que os reais. No levantamento, São José dos Campos (SP), com 4.893 estudantes da educação especial, consta como tendo só um profissional. Mas a Secretaria de Educação e Cidadania do município informou em nota ter 1.519 acompanhantes nos ensinos infantil e fundamental, além de 318 estagiários de pedagogia. O órgão não esclareceu por que declarou um quantitativo diferente ao Censo Escolar.
O Inep, autarquia federal ligada ao MEC (Ministério da Educação) responsável pelo Censo Escolar, afirma não haver evidências de falhas de processamento interno que justifiquem uma eventual lacuna nos dados. Segundo o instituto, a responsabilidade pela veracidade e inserção das informações nos sistemas oficiais é dos gestores das escolas e das respectivas redes de ensino, por se tratar de uma pesquisa declaratória.
Luiz Miguel Garcia, presidente da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e secretário de Educação de Sud Mennucci (SP), vê com preocupação que tantos municípios tenham declarado não ter profissionais de apoio. Para ele, os números são pouco condizentes com a realidade e a discrepância nos dados pode ser causada por problemas nos questionários do Censo.
"É muito importante que a gente tenha dados reais, para sabermos qual o atendimento feito, de que forma os governos federal e estaduais podem apoiar municípios mais vulneráveis a planejar capacitação de profissionais", afirma.
Tanto o Estatuto da Pessoa com Deficiência quanto a Política da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista garantem o direito a ter um acompanhante especializado em sala de aula quando necessário.
No entanto, no Censo 2024 constam 189,5 mil profissionais para 1,8 milhão de alunos da educação especial na rede pública em todo o território nacional. A média é de quase dez alunos por acompanhante. Apenas o município de Pedro Teixeira (MG) tem mais profissionais do que estudantes —são 10 profissionais para 8 alunos, número confirmado pela Secretaria de Educação do município.
Quando um profissional é responsável por vários estudantes com deficiências diferentes, ele fica sobrecarregado, assim como os docentes desses alunos, afirma a pedagoga Neide Azevedo de Brito, especialista em educação especial e inclusiva.
"O profissional de apoio não é um extra, ele é um recurso de acessibilidade, fundamental para ajudar aquele estudante. Quando esse apoio falta, as condições do estudante na escola ficam comprometidas", diz.
1 9 Pedagogia de escola no interior de SP inclui crianças com autismo
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Para Rodrigo Hübner Mendes, fundador do Instituto Rodrigo Mendes, que produz pesquisas e indicadores da educação especial no Brasil, os números do Censo são alarmantes. Ao mesmo tempo, ele afirma não ser necessário haver a proporção de um acompanhante para cada estudante com deficiência, porque nem todos precisam de suporte.
É o mesmo entendimento do presidente da Undime, Luiz Miguel Garcia. "Um profissional por aluno pode, em algumas circunstâncias, limitar o desenvolvimento, ser um fator complicador. É óbvio que nove alunos por profissional, dependendo do tipo de deficiência, trata-se de um déficit. Há uma necessidade de melhorar, mas o número esconde em quais municípios [a política] está dando certo e em quais há urgência."
LEIA OUTRAS REPORTAGENS SOBRE DADOS DE EDUCAÇÃO Folha, em parceria com a Fundação Itaú, promoveu laboratório gratuito para estudantes de jornalismo
Pará e Amazonas lideram atraso escolar em áreas rurais e ribeirinhas Um terço das escolas brasileiras não desenvolve ações de educação ambiental Só 37% das escolas públicas têm participação da comunidade na escolha de diretores Segundo o Censo, apenas 15% dos profissionais de apoio registrados em 2024 na rede pública têm formação continuada em educação especial, com cursos de ao menos 80 horas. Esse era o requisito mínimo estabelecido pela Pneei (Política Nacional de Educação Especial Inclusiva), instituída por decreto assinado pelo presidente Lula no fim de outubro de 2025.
Em dezembro, porém, a norma foi revista e passou a exigir, além da formação mínima no ensino médio, cursos de educação especial com carga horária de pelo menos 180 horas —o que reduz ainda mais o contingente de profissionais que atendem aos critérios.
1 6 Turma do Jiló atua por educação mais inclusiva para pessoas com deficiência
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Em resposta à reportagem, o MEC informou que o período para a adequação das redes de ensino às exigências de formação mínima será discutido com o Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação) e a Undime.
O ministério também afirmou oferecer apoio técnico e financeiro às redes de ensino para a especialização de profissionais de apoio e professores, tendo disponibilizado 250 mil vagas em cursos de educação especial em 2025, das quais 88 mil foram preenchidas. O ministério não comentou se há um déficit na oferta de profissionais de apoio na rede pública.
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Today, 12:39 PM
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Uma queda vertiginosa no número de leitores está atingindo diversas partes do planeta – e a tendência é preocupante. De acordo com um estudo da Universidade da Flórida e do University College London, da Inglaterra, a quantidade de pessoas nos Estados Unidos que mantêm o hábito da leitura por prazer caiu mais de 40% nos últimos 20 anos. A cada ano, essa parcela recua cerca de 3%, algo "significativo e muito preocupante", afirma Jill Sonke, diretora do Centro de Artes em Medicina da Universidade da Flórida.
O levantamento também mostra a desigualdade no acesso à leitura dos americanos: a retração no hábito é maior para afro-americanos, pessoas com menor renda ou escolaridade e moradores de áreas rurais. "Mas, embora as pessoas com maior nível de escolaridade e as mulheres continuem lendo com mais frequência, observamos mudanças mesmo dentro desses grupos", alertou Jessica Bone, pesquisadora sênior de estatística e epidemiologia da University College London.
No Brasil, a situação também é drástica. Pela primeira vez, a parcela dos que não leem livros é maior que a daqueles que recorrem à literatura nos momentos de lazer. A conclusão é da pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", do Instituto Pró-Livro.
A mais recente edição do levantamento mostrou que, em 2024, 53% dos entrevistados se consideraram "não-leitores", contra 47% dos leitores. Em 2019, eram 52% leitores e 48% não-leitores.
Na comparação entre os sexos, mulheres leem mais: estima-se que elas sejam 50 milhões, contra 43 milhões de leitores homens no Brasil.
O único segmento da população brasileira que não teve queda no número de leitores foi nas faixas etárias de 11 a 13 anos e de mais de 70 anos.
Qual o nível de leitura dos europeus? Na Europa, a situação também não é muito diferente, de acordo com uma pesquisa de 2024 do Eurostat, órgão de estatística da União Europeia (UE). Segundo o estudo, quase metade dos cidadãos do bloco não conseguiu ler nem um livro por ano. A distribuição do hábito pelos países europeus também é desigual: Irlanda, Finlândia, Suécia, França, Dinamarca e Luxemburgo têm o maior nível de leitura. Itália, Chipre e Romênia vêm por último.
Na Europa e nos EUA, também há diferenças significativas em relação à idade e ao sexo: os jovens entre 16 e 29 anos leem com mais frequência do que os maiores de 65 anos, e as mulheres leem significativamente mais livros do que os homens.
As diferenças entre livros físicos e ebooks Livros digitais costumam ser práticos, leves e personalizáveis. Mas a grande maioria dos leitores continua preferindo as edições em papel. No continente europeu, o percentual de pessoas que compram livros físicos foi mais que o dobro de quem fez downloads de ebooks ou audiolivros, mostrou o levantamento da Eurostat.
Estudos científicos comprovam que os livros impressos oferecem vantagens importantes em relação aos formatos digitais em muitos pontos.
Em 2022, pesquisadores da Universidade de Valência analisaram dados de mais de 450 mil participantes. A conclusão deles: quem ficou com os livros físicos demonstrou uma compreensão melhor do texto e um processamento mais profundo do conteúdo por causa do tato, o que não ocorre com e-books. Esse efeito foi maior principalmente em crianças em idade escolar.
Quais os benefícios da leitura para a saúde? A ciência sugere que manter um hábito de leitura pode impactar positivamente na saúde. Ler um livro regularmente pode gerar níveis mais baixos de estresse, melhorar a memória, proteger contra declínio cognitivo e demência e proporcionar até mesmo uma vida mais longa.
Uma pesquisa da Escola de Saúde Pública de Yale descobriu, por exemplo, que quem tem o hábito de leitura vive, em média, 23 meses a mais que quem não lê nada – independentemente de fatores como educação, renda, saúde básica e capacidade cognitiva.
A explicação para isso pode estar na conexão social proporcionada na leitura de um romance, por exemplo. Cenas vividas por um personagem, segundo especialistas, funcionariam como uma espécie de treinamento, uma projeção das relações que o leitor consegue praticar, mesmo que não tenha uma vida social ativa: a solidão é um fator de risco grave para a mortalidade precoce, comparada ao tabagismo ou à obesidade.
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Today, 12:28 PM
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Após três anos sem reajuste, o governo Lula (PT) decidiu aumentar o orçamento do Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar) pela inflação dos alimentos acumulada desde 2023 —14,35%—, usando como base o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A informação foi confirmada à Folha pelo FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação) nesta segunda-feira (9). O valor da política é calculado por repasse diário para cada estudante da rede pública. Matriculados no ensino fundamental e médio, por exemplo, recebiam R$ 0,50. Agora, ganharão R$ 0,57.
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Today, 12:26 PM
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Com mais de 200 iniciativas desenvolvidas em todo o país, o Mapa Brasileiro da Educação Midiática, desenvolvido pelo Porvir em parceria com a Secom e a Unesco, fortalece a formação crítica e promove o uso consciente da mídia nas escolas
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Today, 12:25 PM
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A Universidade Estadual Paulista (Unesp) criou um curso de graduação inédito na América Latina voltado ao estudo da China, com possibilidade de dois anos de formação no exterior e diploma duplo. O bacharelado em língua e cultura chinesas será oferecido em parceria com a Universidade de Hubei, em Wuhan, e terá ênfase em relações comerciais internacionais.
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Today, 12:14 PM
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“A escola deve criar ambientes de aprendizagem que estimulem a curiosidade, o pensamento científico e o protagonismo das meninas, oferecendo referências femininas, projetos práticos e liberdade para errar e experimentar. Já a família é fundamental para reforçar essa confiança no cotidiano, evitando estereótipos, valorizando o interesse das meninas por matemática, tecnologia e ciências e encorajando perguntas, desafios e descobertas”, conclui.
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