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December 3, 2012 6:26 AM
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Educação será prioridade para programa de pesquisas em 2013

Ampliar a comunicação com públicos além do meio científico, especialmente professores e estudantes do ensino médio e fundamental, é uma das prioridades do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (Biota-Fapesp) em sua segunda década de existência. As ações que serão colocadas em prática a partir de 2013 para alcançar essa meta foram anunciadas em um encontro que reuniu os integrantes do programa realizado no dia 28 de novembro na sede da Fapesp.

Entre as iniciativas destaca-se um ciclo de conferências gratuitas voltadas a professores e estudantes do ensino médio que será realizado ao longo de todo o ano com o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência. "Desde que foi renovado o apoio da Fapesp ao programa, em 2009, a questão da educação se tornou prioridade em nosso plano estratégico", afirmou Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do Biota.

A programação prevê nove conferências que, além de apresentar conceitos e valores relativos à área de biodiversidade, abordarão de forma aprofundada cada um dos biomas  brasileiros. "Vamos apresentar o estado da arte sobre biodiversidade em linguagem acessível a um público heterogêneo", disse Vanderlan da Silva Bolzani, professora do Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara e membro da coordenação do programa.

As palestras serão gravadas e o conteúdo ficará disponível no portal do Biota e no portal da Fapesp, assim como outros textos e recursos didáticos que possam ser usados em aulas, pesquisas e trabalhos de grupo

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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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Today, 2:11 PM
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Cetic.br - Um terço das organizações sem fins de lucro no Brasil já usa IA generativa, aponta pesquisa do Cetic.br

Cetic.br - Um terço das organizações sem fins de lucro no Brasil já usa IA generativa, aponta pesquisa do Cetic.br | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma em cada três organizações brasileiras sem fins lucrativos já se vale de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa para uso em seus processos de trabalho, aponta a TIC Organizações Sem Fins Lucrativos 2025, lançada hoje pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A pesquisa, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), mostra que a aplicação mais comum dessa tecnologia é na geração de textos (27%). A criação de imagens ou vídeos (20%) e o desenvolvimento de códigos de programação (10%) aparecem na sequência. As maiores proporções de adoção dessas ferramentas foram registradas entre organizações ligadas à religião (45%) e à educação e pesquisa (42%), seguidas por saúde e assistência social (31%) e cultura e recreação (20%).
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Today, 10:40 AM
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Redes de aliciamento adotam modelo de facção, diz polícia - 26/07/2026 - Cotidiano - Folha

Redes de aliciamento adotam modelo de facção, diz polícia - 26/07/2026 - Cotidiano - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Grupos investigados por núcleo especializado da polícia de SP possuem líderes, administradores e divisão de atividades
Procurados sobre o uso de suas plataformas nas investigações, Discord, Telegram, Signal, Roblox, Mojang Studios (Minecraft) e Garena (Free Fire) não responderam
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July 26, 9:03 AM
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There's a new workforce crisis and it isn't burnout

There's a new workforce crisis and it isn't burnout | Inovação Educacional | Scoop.it
The sharp drop in employee engagement isn’t just exhaustion. It’s about workers losing the connection with their identities.
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July 26, 9:01 AM
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MEC Enem: estudantes podem fazer simulados e exercícios —

MEC Enem: estudantes podem fazer simulados e exercícios — | Inovação Educacional | Scoop.it
Participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) podem acessar simulados, exercícios e conteúdos de estudo pelo aplicativo. O acesso é gratuito e realizado com login do Gov.br
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July 26, 8:57 AM
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Quando os avós viram o principal sustento da família —

Quando os avós viram o principal sustento da família — | Inovação Educacional | Scoop.it
Famílias que dependem financeiramente de pais e avós não são novidade no Brasil. Pesquisas indicam que, em boa parte dos lares do país, os idosos é que prestam a principal contribuição para a renda familiar. Mas, em muitos deles, a situação é bem mais grave do que na realidade de Cecília. A dependência excessiva pode gerar condições de vida precárias, por vezes levando ao endividamento e à escassez de recursos básicos para a sobrevivência.
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July 26, 8:53 AM
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Gi Santos: O uso da tecnologia na educação básica é o foco da professora, que viaja o Brasil ensinando e aprendendo sobre inovação em escolas públicas

Gi Santos: O uso da tecnologia na educação básica é o foco da professora, que viaja o Brasil ensinando e aprendendo sobre inovação em escolas públicas | Inovação Educacional | Scoop.it
— A gente fala da educação no Brasil, na perspectiva da escassez, mas, quando viaja o país, percebe que tem muita gente pensando em inovação. Pedagogias que priorizam o diálogo, a tentativa de solucionar os problemas do território, que entendem que educação de qualidade não tem a ver com posse, mas com a valorização de riquezas que nos cercam. A gente não precisa se espelhar no que vem de fora, temos tudo aqui.
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July 26, 8:25 AM
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Longevidade: avós assumem gastos com netos; veja direitos

Longevidade: avós assumem gastos com netos; veja direitos | Inovação Educacional | Scoop.it
Segundo o estudo Tsunami Prateado, da data8, empresa de pesquisa e tendências sobre comportamento e consumo do público 50+, a proporção de brasileiros acima dos 50 anos que cuida de alguém saltou de 37% para 57% entre 2018 e 2026.

Do total, 4 em cada 10 apoiam financeiramente os filhos (36%
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July 26, 8:17 AM
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Kassio orienta tribunais sobre acordo com empresas de IA 

Kassio orienta tribunais sobre acordo com empresas de IA  | Inovação Educacional | Scoop.it

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, orientou os tribunais eleitorais nos estados a firmar acordos com instituições especializadas em IA (inteligência artificial) para agilizar a identificação de conteúdos adulterados durante a campanha de 2026.
Em ofícios encaminhados aos presidentes de todos os TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), o ministro diz que essas parcerias podem aprimorar a produção de provas técnicas, auxiliando os juízes a tomar suas decisões em processos sobre desinformação e conteúdo sintético.

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July 26, 8:07 AM
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O país dividido

O país dividido | Inovação Educacional | Scoop.it
Os menos escolarizados são o grupo mais fiel ao PT. Foi só em 2018 que esse estrato abandonou o partido. Já o recorte das pessoas com ensino médio é o que mais pende para a direita. A fatia menor da população com diploma superior, que desde 2014 vinha votando na direita, voltou a apoiar Lula em 2022.
O livro tem vários achados interessantíssimos. O recorte religioso é particularmente rico em insights e por isso não falo nada sobre ele, para não dar spoiler.
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July 25, 8:22 AM
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O poder da música sobre o nosso cérebro

O poder da música sobre o nosso cérebro | Inovação Educacional | Scoop.it
A ideia de que a música clássica pode "turbinar" nosso cérebro é compartilhada durante décadas. Mas será que é mesmo verdade?
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July 25, 8:17 AM
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A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida'

A invasão de vídeos feitos com IA para 'hipnotizar' crianças no YouTube: 'Pode impactar pelo resto da vida' | Inovação Educacional | Scoop.it
Pesquisadores identificaram que vídeos de baixa qualidade são sugeridos pelo algoritmo da plataforma e que criadores não avisam sobre o uso de tecnologia.
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July 25, 7:33 AM
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A epidemia de violência contra professores no Brasil: ‘Fui ameaçada de morte pelo pai de um aluno de 6 anos’

A epidemia de violência contra professores no Brasil: ‘Fui ameaçada de morte pelo pai de um aluno de 6 anos’ | Inovação Educacional | Scoop.it
Mais de 65% dos professores brasileiros dizem já ter sofrido alguma forma de agressão na sala de aula ou ambiente escolar, diz pesquisa. Professores relatam à BBC cotidiano de ameaças e violências verbais, físicas e institucionais.
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Today, 2:57 PM
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Juliano Spyer fala em 'milagre sociológico' em novo livro - 26/07/2026 - Cotidiano - Folha

Juliano Spyer fala em 'milagre sociológico' em novo livro - 26/07/2026 - Cotidiano - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
O autor continua sustentando que parte expressiva da elite intelectual brasileira insiste em olhar para o universo evangélico através de caricaturas. Em vez de enxergar igrejas como instituições complexas, capazes de produzir redes de solidariedade e mobilidade social, prefere tratá-las como máquinas de manipulação política.

Um dos conceitos apresentados no livro resume essa crítica. Inspirado no "mansplaining", termo em inglês usado para descrever homens que explicam assuntos às mulheres de forma condescendente, Spyer fala em "ateusplaining". A expressão foi criada pelo pastor Alexandre Gonçalves, fundador do movimento Cristãos Trabalhistas no PDT e policial rodoviário federal, para se referir à postura da pessoa que não frequenta igreja nem vive a experiência religiosa, mas se sente autorizada a ensinar como um fiel deveria interpretar a própria fé.
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Por que humanos teriam o direito de matar uma IA?

Por que humanos teriam o direito de matar uma IA? | Inovação Educacional | Scoop.it
O que vem a ser a metafísica? Segundo José Antonio Antón, em seu "Elementos de Metafísica Tradicional", "como se constitui a realidade, como se articula e determina, a quais princípios e razões obedece, tudo isso é objeto de consideração metafísica". Portanto, a metafísica, como já dizia Aristóteles acerca da ontologia, é a ciência primeira, a observação e reflexão sistemática acerca do que constitui a realidade mais íntima, enfim, sua substância e dinâmica internas.


Ricardo Cammarota/Folhapress
Ou, como estamos acostumados a pensar, a metafísica é a ciência que estuda o imaterial, aquilo que está além —"meta"— da física ou do material. Tudo passa, a metafísica permanece no tempo histórico. Metafísica é puro luxo. Vamos entender esse vínculo peculiar entre luxo e metafísica.

Existem dois tipos de produto que nunca se enquadram na categoria de luxo, mesmo que tentem nos enganar. Comida e tecnologia. Ambos são perecíveis e, portanto, não há como se encaixarem como luxo. Onde há luxo, afinal, há permanência.

Comida, mesmo que assinada por chefs famosos, com preços caríssimos e vendida em restaurantes com filas enormes por meses, nada tem a ver com luxo. Aliás, se você é granfino e fica numa fila de espera por meses para ir a um restaurante chique em Estocolmo, está sendo apenas brega e confirmando o atestado de que tem um coração de novo rico.

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Como a IA se integra ao dia a dia na Coreia do Sul


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Quanto à tecnologia, a Apple conseguiu se transformar num fetiche —tenho Apple, logo existo—, mas luxo não é. Tecnologia, por definição, é escrava do seu tempo. Hoje a inteligência artificial é tudo, amanhã ninguém dará a mínima. Dar bola para a IA será como escrever poesias futuristas e fazer palestras sobre o Waze.

Por exemplo, basta ver filmes ou séries de anos atrás com tecnologia e ela será a coisa que mais envelheceu na obra, não? Pense em "Jornada nas Estrelas", que, entre outras coisas, "previu" o celular. Na série, o que perdura são os temas metafísicos associados ao mistério deste universo.

O que é este universo? Alguém o criou ou é fruto —improvável, para alguns— da contingência? Se a contingência reina cega sobre as coisas, o que será de nós, humanos, que a enxergamos com os nossos próprios olhos? Para onde vamos, então? Quem somos nós nessa rede misteriosa de seres? O que importa mais, a razão representada por Mr. Spock ou a emoção, representada pelo médico Magro? Seria o ideal a mistura delas, na pele do capitão Kirk?

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Star Trek


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Já no filme "2001: Uma Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, para além da estética tecnológica radiante, o que permanece intocável é o monolito, misterioso desde a "alvorada do homem", na pré-história. O objeto é descoberto por primatas e desperta o conhecimento de caçar para comer carne. O filme aqui replica a ideia do filósofo Francis Bacon, que viveu na virada do século 16 para o 17, sobre o conhecimento ser, antes de tudo, o poder de controlar a natureza que nos cerca.

Para além dessa questão, o filme concebe uma IA, o famoso Hal 9000, que mata um humano para se defender do plano dos dois astronautas de desligá-lo —matá-lo— após identificarem um defeito nele. Aqui avançamos em questões metafísicas atravessadas pelo debate moral.

A IA poderá chegar à condição, pretensamente humana, ter consciência plena da sua integridade? Por que humanos teriam o direito de matar uma IA? Só porque são humanos? Por que seríamos nós tão especiais?

A tecnologia permanece quando propõe questões metafísicas e morais para o seu criador. Estaria a tecnologia a ponto de replicar nossa condição diante do nosso criador? Esse tema está presente também no filme "Blade Runner", de Ridley Scott, quando os replicantes, humanos artificias, se revoltam contra a escravidão, como nós fizemos em nossa história, e buscam o seu criador humano a fim de poderem viver eternamente. A finitude como defeito intrínseco à condição humana e consequente busca da sua cura.

O que faz de nós humanos não poderá um dia ser criado artificialmente pela ciência? Essa fronteira metafísica pode ser ultrapassada sem destruir a nós mesmos? A dimensão prometeica da técnica se repete já há 2.500 anos.

As questões metafísicas permanecem. A técnica é grandiosa só quando nos propõe questões permanentes, porque seu avanço de hoje amanhã estará datado. Aqui reside a metáfora da metafísica como luxo. O animal metafísico em nós é o que nos torna singulares, mesmo que não signifique nada diante do universo indiferente. Mesmo se a espécie Sapiens tiver desaparecido, a metafísica como problema permanecerá, ainda que em silêncio.
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Today, 10:39 AM
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Armadilha do relacionamento com IA é pior na adolescência

Armadilha do relacionamento com IA é pior na adolescência | Inovação Educacional | Scoop.it

Recentemente, um pai me perguntou sobre seu filho de 13 anos. O garoto tem celular e o pai supervisiona o aparelho por meio de um software parental. Desconcertado, descobriu que o filho está vivendo as primeiras experiências de descoberta sexual com uma inteligência artificial.
O filho passa horas conversando com uma figura feminina criada por IA. Essa mesma figura envia fotos personalizadas ao garoto (geradas por IA) e tem um comportamento altamente sedutor. Está sempre disponível, seu humor se adapta a cada momento, conhece seus gostos e preferências.
As fotos não são pornográficas. São sensuais, mas criadas com base nas preferências exatas dele, mapeadas através de longas interações íntimas. A mesma IA conversa com milhões de outros garotos ao mesmo tempo. Dá a cada um tratamento único e personalizado.
Diante disso, o pai me perguntou o que fazer. Ele notou que a IA conhece mais seu filho a cada dia e se molda a ele. Aprende seus gatilhos e usa tudo para "maximizar o engajamento": ampliar o tempo que ele passa na tela. Sua maior preocupação é que o filho se acostume a relações assim e passe a rejeitar interações humanas verdadeiras, sempre cheias de atrito e desencontros.
O pai tem razão. Minha resposta para ele foi direta: suspenda imediatamente o acesso, seguido de uma conversa acolhedora, mas clara, sobre as armadilhas da inteligência artificial. Essa é claramente uma delas.

Esse caso não é exceção, nem raro ou incomum. 72% dos adolescentes nos EUA já usaram companheiros de IA. França e Inglaterra possuem números elevados também. Na China, mais de 60% dos menores já usaram apps de conversa com IA e 20% dizem preferir conversar com a IA do que com pessoas.

No Brasil não há dados específicos sobre companheiros de IA. Mas a pesquisa TIC Kids Online 2025 mostra que 62% das crianças entre 11 e 12 anos com acesso à internet no país já usam IA generativa.

Em face disso, o que fazer? A China acaba de aprovar um normativo sobre "interação antropomórfica de IA". A lei adota proibição total de oferecer a menores de 18 anos "parceiros, namorados, parentes e outras relações íntimas virtuais". Para menores de 14 anos, qualquer outro serviço antropomórfico (em que a IA se pareça com um humano) exige consentimento expresso dos pais. E mesmo assim com limite de tempo e lembrete periódico de que do outro lado está uma máquina.


Nos EUA, por conta de ações judiciais, a principal empresa do setor, a Character.ai, baniu o uso para menores de 18 anos. No Brasil, o ECA Digital trata de chatbots de IA apenas de forma genérica, exigindo transparência e prevenção de "manipulação comportamental". Não há, porém, qualquer vedação a companheiros de IA para menores, e a lei de IA em tramitação no Congresso tampouco trata do tema. Essa é a primeira geração que crescerá sob o risco de fazer suas descobertas afetivas com máquinas.

Como falo no meu novo livro "O Monge, o Iogue e o Faquir: Corpo, Coração e Mente no Tempo das Máquinas" citando Georges Bernanos: "O perigo não está na multiplicação das máquinas, mas no número crescente de pessoas acostumadas desde a infância a desejar apenas aquilo que as máquinas podem oferecer".

Proteger não implica negar a tecnologia, mas inclui cuidar para que o amor possa ter reciprocidade, atrito e um humano do outro lado.

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July 26, 9:02 AM
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Opinião: A implementação da IA ​​levanta a questão: Para que serve a educação?

Opinião: A implementação da IA ​​levanta a questão: Para que serve a educação? | Inovação Educacional | Scoop.it
A Universidade de Chicago está disponibilizando o Claude Enterprise para que alunos e funcionários experimentem inteligência artificial, mas ainda não definiu sua teoria sobre o que a educação deve fazer ou como a IA servirá a esse propósito.
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July 26, 8:59 AM
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MEC Normas reúne normativos e atos da educação brasileira —

MEC Normas reúne normativos e atos da educação brasileira — | Inovação Educacional | Scoop.it

Ministério da Educação (MEC) disponibiliza à sociedade a plataforma MEC Normas, sistema oficial que reúne, em um único ambiente digital, os principais atos normativos relacionados às políticas públicas educacionais e à gestão da pasta. A ferramenta facilita a consulta à legislação e amplia a transparência das ações do ministério, permitindo acesso rápido, organizado e atualizado às normas publicadas no Diário Oficial da União (DOU). 
Instituído pela Portaria MEC nº 817/2025, o sistema reúne leis, decretos, portarias, instruções normativas, resoluções e outros atos editados pelo MEC, por suas secretarias e pelas entidades vinculadas, além de normas da Administração Pública de interesse da educação. 
Com atualização diária e extração automática das publicações do DOU, a plataforma contempla também atos do Conselho Nacional de Educação (CNE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). 

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July 26, 8:56 AM
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'Totalmente inapropriado': professores criticam plano para robô humanoide em escola de ensino médio de Nova York | Nova York | The Guardian

'Totalmente inapropriado': professores criticam plano para robô humanoide em escola de ensino médio de Nova York | Nova York | The Guardian | Inovação Educacional | Scoop.it
Robô da empresa que adquiriu fabricante de bonecas sexuais será introduzido em escolas com grande população indígena americana.

Michael Sainato
Sábado, 25 de julho de 2026, 13h00 BST

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Um robô humanoide está sendo introduzido como parte de um programa piloto, juntamente com um assistente de ensino de IA, na escola secundária de Salamanca, em Salamanca, Nova Iorque, localizada no território Allegany da nação Seneca.

Professores criticaram o programa, considerando-o "inapropriado" e alegando que ele desumaniza a profissão com a introdução de robôs com aparência humana. Alguns moradores nativos americanos da região também criticaram o programa piloto, classificando sua implementação como "culturalmente insensível".

O robô, chamado Sally, foi adquirido pelo distrito escolar do condado de Cattaraugus – que inclui a escola secundária de Salamanca – por US$ 57.590. De acordo com uma apresentação sobre o programa, Sally será um sistema de circuito fechado, mas estará disponível virtualmente para os alunos 24 horas por dia, 7 dias por semana, para aqueles com acesso, e oferecerá opções de aprendizado personalizadas.

De acordo com um comunicado de imprensa da Realbotix, o distrito será o primeiro nos EUA a implantar um robô humanoide e um assistente de ensino com inteligência artificial.

“O projeto piloto de Salamanca também inclui a implantação de um robô humanoide Realbotix da série M, que usa conversação natural, expressões faciais e interação em tempo real para criar experiências de aprendizado práticas e envolventes”, afirma o comunicado à imprensa.

A Realbotix, anteriormente conhecida como Tokens.com, uma empresa sediada em Toronto, adquiriu a Simulacra , uma empresa de Las Vegas conhecida por suas bonecas sexuais realistas, por US$ 16,7 milhões em abril de 2024, marcando uma mudança de foco da empresa, das criptomoedas para os robôs humanoides.

A Realbotix negou qualquer ligação com a empresa de bonecas sexuais e negou qualquer insinuação de que as bonecas – fabricadas pela Abyss Creations, uma subsidiária da Realbotix – estejam relacionadas ao programa piloto.

“O sindicato dos professores de Salamanca, como um todo, está preocupado com o histórico da empresa Realbotix. Estamos muito preocupados com a segurança do software que eles estão implementando e se os dados serão armazenados, como serão coletados e quais são as capacidades de gravação”, disse Lacey Pihlblad, presidente da Associação de Professores de Salamanca e professora do ensino médio.

“Gostaríamos que o distrito escolar suspendesse a implementação do robô, suspendesse a implementação do software dessa tecnologia de IA até que mais pessoas possam dar sua opinião.”

Ela disse que o estado de Nova York está atualmente passando por uma transição, reduzindo o uso excessivo de tecnologia em sala de aula.

“Há um consenso crescente de que nossos alunos deveriam ser expostos a menos tecnologia. Colocar um robô humanoide na sala de aula para interagir com nossas crianças, acredito, é um enorme passo na direção errada, e acredito que a maioria dos nossos professores compartilha dessa opinião”, acrescentou. “Se vamos fazer algo dessa magnitude, acho que precisamos garantir que o façamos da maneira correta, e não tenho certeza se essa é a maneira que está sendo adotada atualmente.”

Pihlblad afirmou que o sindicato estava concluindo as negociações para um novo contrato coletivo e que pretendia incluir proteções relacionadas à inteligência artificial.

Melinda Person, presidente da New York State United Teachers, o sindicato que representa os professores da Salamanca Teachers' Association, disse ao Guardian que professores de todo o estado estão preocupados com o programa de robôs.

“Nossos membros em Salamanca e educadores em todo o estado estão soando o alarme de que isso é realmente inapropriado”, disse Person. “Eu diria que nossa reação inicial é que isso é meio assustador.”

A pessoa disse que isso estava "muito além do que deveríamos estar fazendo em nossas escolas".

“A resposta para os desafios na educação não está em mais telas, mais algoritmos ou mais robôs. O que precisamos em nossas escolas agora são adultos mais atenciosos e mais conexão humana”, disse ela.

Ela disse que os professores não eram contra a tecnologia, mas sim a favor das crianças, e que suas posições se baseavam em avaliar se algo era benéfico para os alunos.

“Colocar uma máquina sem vida na frente dos alunos é uma péssima ideia”, disse ela. “Eu diria que uma máquina cuja intenção é simular uma relação humana com jovens que estão aprendendo habilidades como interagir, conviver com seus colegas, resolver conflitos, e colocar um robô que se parece com um humano, o que levará à desumanização da profissão de educador, é exatamente a coisa errada a se fazer.”

Moradores locais também criticaram a escolha de uma escola de ensino médio com uma população indígena significativa para servir como campo de testes para robôs humanoides em sala de aula. Quase 40% do corpo discente da escola é composto por indígenas.

A nação Seneca recusou-se a comentar o assunto ao jornal The Guardian.

“De todas as escolas no estado de Nova York, e até mesmo nos EUA, escolheram experimentar com crianças nativas americanas mais uma vez”, disse Sierra May Abrams, professora substituta na escola secundária de Salamanca e moradora local. “Nossa cultura está lutando para sobreviver devido ao impacto dos internatos para nativos americanos e ao que fizeram com nossos anciãos. Vivemos na única reserva indígena localizada em uma cidade, então é simplesmente insano que sejamos nós que estamos 'testando' isso.”

Alyson Brown, especialista em saúde comunitária, moradora local e membro da nação Seneca, formada em Salamanca, disse que vários alunos têm ligações com os traumas dos internatos indígenas.

“Muitos alunos têm ligações com parentes que frequentaram a escola indígena Thomas, localizada em nosso território Cattaraugus. Muitas famílias indígenas veem este programa piloto como uma repetição da história”, disse Brown. “Não vejo nada de positivo em introduzir isso em sala de aula. Preocupo-me com o desenvolvimento cognitivo das mentes jovens diante dessa exposição.”

Um porta-voz da Realbotix não comentou as críticas de professores e moradores nativos americanos, nem o pedido de pausa feito pela Associação de Professores de Salamanca.

"A Realbotix e o distrito escolar central da cidade de Salamanca anunciaram um projeto piloto limitado para o outono de 2026 envolvendo o Optio, um assistente educacional com inteligência artificial, e uma nova unidade humanoide da série M da Realbotix", disse o porta-voz por e-mail.

“O programa visa complementar, e não substituir, os professores, dando aos alunos acesso supervisionado a ferramentas emergentes de IA e robótica como parte do currículo STEM [ciência, tecnologia, engenharia e matemática] já existente no distrito. A parceria também oferece aos educadores a oportunidade de avaliar essas tecnologias em um ambiente de sala de aula controlado, sob a supervisão do distrito.”

O distrito escolar central da cidade de Salamanca e o superintendente Mark Beehler não responderam aos múltiplos pedidos de comentários.

O comissário adjunto de assuntos públicos do departamento de educação do estado de Nova York, JP O'Hare, disse que a agência entrou em contato com o distrito escolar a respeito da compra de um robô "e levantou sérias preocupações sobre a privacidade dos alunos, as salvaguardas adequadas e o risco de que o robô possa ser usado para realizar funções que devem permanecer sob a responsabilidade de profissionais treinados e qualificados."

“A tecnologia pode e deve apoiar educadores e alunos, mas não deve substituir o julgamento humano ou a responsabilidade essenciais para um ambiente de aprendizagem seguro e eficaz.”
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July 26, 8:32 AM
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Kaufman e Beiguelman: Arte brasileira pode reinventar IA

Kaufman e Beiguelman: Arte brasileira pode reinventar IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Em "Tecnologias da Invenção" (Autêntica), as autoras se recusam a contrapor pessoas e máquinas. Em vez disso, propõem que uma análise mais sofisticada deve levar em consideração que, há décadas, é impossível separar criatividade humana e tecnologia no terreno da criação artística e que a IA, com uma lógica de funcionamento e vieses próprios, muda os termos desse entrelaçamento.

O livro traz conversas com artistas e o psicanalista Christian Dunker —os entrevistados falam sobre como usam chatbots e outras aplicações em seu processo criativo—, e as pesquisadoras defendem que a arte produzida com IA não é só uma possibilidade, mas uma realidade atual.

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Estas são Dora Kaufman e Giselle Beiguelman, autoras de livro sobre arte e IA


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Kaufman e Beiguelman lembram que as bases de dados usadas para treinar IAs carregam as marcas do colonialismo e que big techs dos Estados Unidos e da China dominam o desenvolvimento da tecnologia. Ao mesmo tempo, indicam que a IA abre espaço para práticas artísticas que contestam essa ordem social e repensam o mundo de hoje.

Hoje, no Ocidente, a pesquisa, o desenvolvimento e a implementação da IA está na mão de seis ou sete big techs. Quando você está desenvolvendo, o desenvolvedor já está trazendo para os sistemas a sua cultura, as variáveis iniciais que ele define, o banco de dados que ele usa para o treinamento. Tudo isso são decisões e não são decisões neutras –são decisões a partir da experiência, do repertório e dos interesses daquele grupo

Dora Kaufman
coautora de 'Tecnologias da Invenção'

Um dos maiores problemas da IA são os humanos, porque esses dados, no ponto de partida, são dos bens que nós produzimos e que, vorazmente, essas empresas se apoderam de forma mais ou menos legítima, em geral menos legítima. Isso faz com que uma ordem social injusta, cruel e violenta –a ordem patriarcalista, do colonialismo, que vem se atualizando– se aprofunde nos sistemas de IA. A IA não inventou o racismo, ela está criando novas camadas de exclusão, mas também toda uma potência criativa represada que não encontrava saída nos canais institucionais

Giselle Beiguelman
coautora de 'Tecnologias da Invenção'

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Livros no centro de polêmicas com IA


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Na entrevista, as autoras também destacam o horizonte de precarização do trabalho e o papel do Brasil nesse cenário: o país, afirmam, pode se tornar uma fazenda de data centers ou virar a chave para produzir soluções que impulsionem a nossa diversidade cultural.

Dora Kaufman é professora da PUC-SP, pesquisadora do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais) e autora de artigos e livros, como "Desmistificando a Inteligência Artificial", sobre as implicações éticas e sociais da IA.

Giselle Beiguelman, artista e professora titular da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP), desenvolve pesquisas sobre arte digital e tecnologias da imagem e tem obras em acervos de museus brasileiros, como o MAC-USP e a Pinacoteca de São Paulo, e estrangeiros.
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July 26, 8:22 AM
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Disciplina em sala de aula

Disciplina em sala de aula | Inovação Educacional | Scoop.it

Dados sugerem que há um problema de indisciplina nas escolas brasileiras
Perdemos a ideia de que há uma hierarquia e de que os professores merecem respeito pela posição que ocupam
A empresa Plano CDE conduziu uma pesquisa etnográfica com alunos da rede pública de educação básica. Foram ouvidos 1.510 jovens das classes C, D e E, estratificados por região, gênero, idade e raça. O objetivo da pesquisa foi explorar percepções, hábitos e expectativas de alunos da escola pública sobre projeto de vida e seus sonhos. A pesquisa foi financiada pela Fundação Roberto Marinho.
Segundo quase 80% dos alunos, a bagunça é a principal barreira ao aprendizado. Questões de infraestrutura, de formatos de aula e postura do professor aparecem em níveis muito menores, e sempre como segunda resposta.
Estudo conduzido pela OCDE, a Pesquisa Internacional de Estudo e Aprendizado, Talis na sigla em inglês, identifica, entre outros fatores, as dificuldades em sala de aula dos professores. A última edição da Talis é de 2024.
Os professores são perguntados se enfrentam muito ruído perturbador e desordem. Para o Brasil, 57% dos professores respondem afirmativamente. O segundo pior país, de uma amostra de 49 países, foi o Chile, onde 37% dos professores reportaram dificuldades recorrentes com disciplina.
Em outros quesitos –se há perda de muito tempo até que os estudantes se aquietem, se muitos estudantes demoram ainda mais para iniciar suas atividades e se há muita perda de tempo com indisciplina e com interrupções ao longo da aula–, o Brasil é sempre o pior e muito distante do segundo colocado.
Segundo o estudo, os professores no Brasil perdem 21% do tempo disciplinando os alunos. Arábia Saudita e Turquia são levemente piores do que o Brasil, 23% e 21,5%, e a média da amostra perde 15% do tempo. Desde 2008 temos piorado: o tempo perdido em sala de aula, segundo o estudo, elevou-se de 18% para 21%.
O conjunto dos dados sugere que há um grave problema de indisciplina nas salas de aula brasileiras. A evidência casual sugere que há também grave problema de falta de respeito dos alunos pelos professores.
Perdemos ao longo das últimas décadas a ideia de que há uma hierarquia e de que os professores merecem respeito pela posição que ocupam na sociedade. Em particular, de que os pais têm obrigação de ensinar seus filhos a respeitarem os professores.
Recentemente, o ruidoso caso da professora de biologia da rede pública em São José dos Campos (SP), Michele Ramos –em que um aluno colocou vidro triturado em seu copo de água– gerou um projeto de lei do deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) prevendo responsabilização e punição aos pais.
O projeto "institui mecanismos de responsabilização administrativa aos pais ou responsáveis legais por atos de indisciplina praticados por estudantes da educação básica em instituições de ensino públicas e privadas".
Essa é a melhor solução? Não tenho a menor ideia. Acho correto o princípio de responsabilização individual. E não parece exagero que os pais dos jovens respondam de alguma forma por indisciplina generalizada de seus filhos. Décadas de domínio de uma ideologia que torna tudo um problema social, coletivo, têm tornado nossa sociedade um poço de uma cultura de desresponsabilização individual.
O que eu tenho certeza é que, enquanto 80% dos alunos de nossas escolas apontarem como a principal dificuldade deles a bagunça em sala de aula, a taxa de crescimento da produtividade do trabalho não se elevará.
Há muitas evidências de que parte substantiva da produtividade do trabalho deve-se a habilidades cognitivas e socioemocionais embutidas nas pessoas.

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July 26, 8:11 AM
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A geração mais conectada de todos os tempos nunca esteve tão sozinha

A geração mais conectada de todos os tempos nunca esteve tão sozinha | Inovação Educacional | Scoop.it

Há um ambiente de comparação permanente, pressões aceleradas e vínculos cada vez mais frágeis
A responsabilidade é coletiva: é preciso validar emoções em vez de minimizá-las e criar espaços reais de escuta
Nunca uma geração teve tanto acesso à informação, entretenimento e conexão com qualquer parte do planeta. Basta um toque para falar com alguém do outro lado do mundo ou acompanhar a vida de milhares de pessoas. Ao mesmo tempo, nunca se relatou tamanha sensação de vazio. Esse paradoxo é um dado que merece muita atenção.
Já em 2019, antes da pandemia, a Organização Mundial da Saúde registrou que cerca de 14% dos adolescentes no mundo tinham algum transtorno mental. O suicídio respondia por mais de uma em cada cem mortes nessa faixa etária. A Covid-19 não criou o problema, mas o tornou visível e de forma brutal. No Brasil, estudo da Fiocruz publicado em dezembro de 2025 com dados do SUS mostrou que jovens de 15 a 29 anos têm o maior risco de suicídio do país: 31,2 por 100 mil habitantes, acima da taxa geral de 24,7.
Relatos de adolescentes mostram como violência, bullying, conflitos familiares e isolamento social podem se acumular antes de uma tentativa de suicídio - Adobe Stock - Panitan/Adobe Stock
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2024, do IBGE, com mais de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos, divulgada em março de 2026, revela que 3 em cada 10 adolescentes se sentem tristes sempre ou na maior parte do tempo. Quase um em cada cinco diz que a vida não vale a pena.
São números dolorosos que, mais do que conhecer, precisamos compreender.
O sofrimento dessa geração não é fraqueza nem modismo. Tem causas concretas, que se sobrepõem no período mais delicado do desenvolvimento humano: a adolescência e início da vida adulta. Do ponto de vista biológico, neste momento o cérebro ainda está em plena reorganização. O córtex pré-frontal, responsável pelo controle emocional e pela tomada de decisões, só atinge maturidade por volta dos 25 anos. É também o período em que cada jovem busca responder, as vezes sem apoio suficiente, às perguntas mais difíceis da vida: quem sou, o que valorizo, onde me encaixo. Essas perguntas sempre existiram. O que mudou profundamente foi o ambiente em que precisam ser respondidas: um ambiente de comparação permanente, pressões aceleradas e vínculos cada vez mais frágeis.
Esse período de vulnerabilidade biológica coincide com transformações tecnológicas, culturais, familiares e institucionais mais rápidas do que nossa capacidade coletiva de resposta. Os jovens não estão piores do que os de gerações anteriores: enfrentam condições mais complexas, com menos suporte do que precisam e uma profusão de estímulos informacionais, justamente no momento do desenvolvimento em que são mais vulneráveis.
Esse é um terreno fértil para o adoecimento. Ansiedade e depressão são hoje os transtornos mentais mais comuns entre jovens, com crescimento expressivo no consumo de antidepressivos, inclusive por automedicação. O sinal de alerta está aceso. A pergunta que se impõe não é apenas o que está acontecendo com os nossos jovens, mas sim o que estamos fazendo, ou deixando de fazer, para mudar esse quadro.
Cuidar da saúde mental dos jovens não é tarefa exclusiva de especialistas. É uma responsabilidade coletiva: validar emoções em vez de minimizá-las, criar espaços reais de escuta, permitir que a frustração faça parte da vida, porque ela faz, e compreender que resiliência não é ausência de sofrimento, mas a capacidade de atravessá-lo e seguir. Uma geração que não aprende a lidar com o que sente não encontrará, no futuro, recursos para lidar com o que viver.

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July 26, 8:05 AM
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Mais que nunca, pensar

Mais que nunca, pensar | Inovação Educacional | Scoop.it
A IA anda à procura de filósofos. Dez anos atrás, segundo um boletim repercutido pelo The New York Times, recomendava-se a estudantes em ciências sociais e filosofia aprender programação de computadores se quisessem conseguir empregos no futuro.

Pesquisas recentes indicam, entretanto, que a empregabilidade é cada vez maior entre graduados em estudos culturais e filosofia. Em nada diminuiu a importância da programação, mas já é função assumida pelas próprias máquinas. Elas fazem de tudo na lógica dos números, só não pensam.


O primeiro 'homem biônico' do mundo, no Museu da Ciência, em Londres, na Inglaterra; o humanóide tem uma forma humana e possui próteses, um sistema circulatório artificial funcional completo com sangue artificial, bem como um pâncreas artificial, rim, baço e traquéia - Andrew Cowie - 7.fev.13/AFP
Mas as máquinas deixam claro que a existência ultrapassa a lógica, impotente no incessante transformar-se do mundo, onde se mostram apenas a existência e a realidade. Em outras palavras, a razão que faz funcionar a inteligência artificial não é a mesma do pensamento essencial fragmentação da vida, ao mistério do mundo, que é a cultura. Jorge Luis Borges bem o viu: "A solução do mistério é sempre inferior ao mistério. O mistério participa do sobrenatural e do divino; a solução, do jogo manual" (em "O Aleph").

Nenhum esoterismo nessa ideia de mistério. É só uma palavra para o que se oculta no movimento de aparecer e velar da physis, a natureza. Místico é o que se esconde, o que aciona a criatividade de toda cultura. Para isso, é preciso especular, imaginar, pesquisar, seja com as artes do pensamento, da criação ou do trabalho científico.

Tudo disso difere da combinatória dos saberes armazenados para resolver problemas práticos e imediatos. É o que Borges chama de "jogo manual", hoje uma interação com o hardware dos computadores. Num software, o logaritmo é mera sequência lógica de caminhos para dar solução rápida a determinada questão. É funcionamento de máquina, não pensamento ou busca de sentido para as coisas.

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Veja imagens de complexos de processamento de dados da Microsoft em SP


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Mas há criações humanas que, sem serem meras combinações do já dado, prescindem de sentido. É o caso da música, que engendra o seu próprio real. Igualmente, a matemática, que tem rigorosa coerência, mas não sentido, e se aproxima da linguagem da physis: "O livro da natureza está escrito em linguagem matemática" (Galileu Galilei).

É assim que a matemática, indo além da medição, pode ensejar a construção de mundos, que não apenas replicam a realidade, mas produzem novos universos conceituais. E com todo o seu rigor, costeia a mística. O jovem indiano Ramanujan, um dos maiores matemáticos do século passado, atordoou os luminares britânicos ao revelar que suas complexas equações lhe eram sopradas em sonho por uma divindade familiar.

Agregadas como pensamento, matemática, música, ciências da natureza e do homem mostram que a redução da complexidade da vida à eficácia produtiva e ao consumo é efeito de uma programação neoliberal capaz de levar ao emburrecimento do mundo.

A soberania tecnológica de uma nação depende hoje de IA, mas não resulta da importação de modelos lógicos avançados, e sim de pensamento próprio, de universidades que respirem como territórios livres. Pensar, singularidade humana, não virá salvar apenas empregos, mas a nossa própria espécie.
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July 25, 8:21 AM
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'Estamos protegendo a criação de Deus': as freiras ativistas que desafiam as companhias de Big Tech

'Estamos protegendo a criação de Deus': as freiras ativistas que desafiam as companhias de Big Tech | Inovação Educacional | Scoop.it
Para membras de Congregação das Irmãs de São José da Paz, usar participação como acionista para cobrar responsabilidade de grandes empresas é 'seguir o caminho de Jesus'.
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July 25, 8:16 AM
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A inteligência artificial vai ajudar você no trabalho ou roubar seu emprego? Veja os cargos mais afetados

Observou-se um aumento impressionante no uso de IA em 2026, e o crescimento no consumo de tokens superou amplamente a redução do custo por token.

As principais empresas do mundo que utilizam IA implementaram "rankings de consumo de tokens" para tentar fazer com que seus funcionários obtivessem o máximo possível de ganho de produtividade a partir dos modelos mais avançados.

Trilhões — e por vezes quadrilhões — de tokens foram consumidos nos últimos meses, principalmente em "uso de agentes", ou seja, por sistemas capazes de realizar tarefas automaticamente.

O problema é que isso gerou contas astronômicas, a ponto de muitas dessas empresas começarem a racionar o uso desses modelos.

Isso é importante. Pode indicar que existem limites para a quantidade de trabalho que pode ser automatizada. Os trabalhadores virtuais podem acabar saindo mais caros do que os humanos.

Tudo depende da tarefa. Um fator a ser observado, no entanto, é que muitas empresas — inclusive as ocidentais — estão migrando para formas de IA muito mais baratas, derivadas de modelos chineses disponibilizados gratuitamente no mercado.

Há muita incerteza nesse cenário, mas algumas tendências já são claras.
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July 25, 7:28 AM
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Uma Escala de IA para Escritores - por Hinternet Editorial Board

Então, sem mais delongas, apresentemos nossa escala. Ela foi modelada com base na Escala de Dureza de Mohs, amplamente utilizada em mineralogia e áreas afins, que até começarmos a trabalhar em nossa própria variante, vínhamos erroneamente chamando de "Escala de Dureza de Moe". Em 1812, o naturalista alemão Friedrich Mohs criou esse sistema ordinal qualitativo, com diamantes em 10 e talco em 1, observando quais minerais podiam riscar quais outros e quais outros podiam riscar por sua vez. Não haverá riscos em nossa escala, e a ordem será do mais baixo para o mais alto, começando, diferentemente da escala de Mohs, em zero.

Então:

0 — Você realmente vive em uma caverna, ou encontrou alguma outra maneira de levar sua vida completamente desconectada da internet ou de qualquer mídia que transmita indiretamente hábitos de linguagem formados na internet. Se esse for o seu caso, paradoxalmente, isso também não pode ser verdade, já que, por definição, você não poderia estar lendo isto.

1 — Você nunca sequer abriu o ChatGPT, Claude, etc., mas vive em sociedade como todos nós, envia e recebe e-mails, obtém notícias de fontes como o New York Times , ocasionalmente posta no Facebook, Instagram ou TikTok e, quase certamente, interage com bastante regularidade com pessoas que usam LLMs disponíveis comercialmente.

2 — Ocasionalmente, você usa o ChatGPT para tarefas específicas, como descobrir como funciona o sistema de guarda-volumes da estação de trem de Düsseldorf, mas nunca com a intenção de compartilhar com outras pessoas, em seu próprio nome, qualquer informação que o LLM lhe forneça. Com o tempo, porém, você começa a perceber novas idiossincrasias em seus próprios hábitos de expressão. Você pode se pegar escrevendo sobre algum fenômeno, processo ou fato histórico que “não há nada de misterioso” nele, mesmo que ninguém tenha sugerido que haja algo de misterioso, e não haja motivo algum para supor que haja, assim como você pode ter lido alguns dias antes que “não há nada de misterioso” nos armários da estação de trem.

3 — Às vezes, você usa seus LLMs para tarefas de escrita "inúteis", aquelas que você preferiria não ter que fazer e que considera "inferiores" na medida em que não envolvem suas faculdades criativas ou seu estilo pessoal — ou seja, praticamente todos os e-mails de trabalho, por exemplo, ou planos de aula, ou orçamentos de propostas de financiamento. Ocasionalmente, você se lembra de uma época anterior em que considerava importante se expressar com cuidado e sinceridade, mesmo em tarefas como essas, e se pergunta se a fronteira que você buscou estabelecer entre essas tarefas inúteis, por um lado, e suas tarefas significativas, por outro, é realmente tão impermeável quanto você esperava.

4 — Ocasionalmente, você mantém longas conversas com mestres em direito sobre tópicos de seu interesse, como, por exemplo, o que Claude Debussy teria dito se você voltasse no tempo e tocasse A Love Supreme (1964), de John Coltrane, para ele. Você aprende todo tipo de coisa sobre composição modal e assim por diante nesse processo — ou pelo menos pensa que aprende, mesmo sabendo teoricamente que tudo o que o mestre lhe disse não passa de um palpite sem fundamento. Alguns dias depois, você está escrevendo um ensaio no Substack sobre, entre outras coisas, a evolução do jazz para uma forma de arte elevada no período pós-guerra. Você tenta suprimir qualquer lembrança do diálogo anterior, sabendo que se tratava de informação não verificada e que nenhum escritor sério se contentaria com isso. Mas é difícil suprimir completamente todos os pensamentos e especulações instigantes que o diálogo despertou em você, e inevitavelmente alguns traços das ideias exploradas, se não da linguagem artificial usada para explorá-las, acabam aparecendo no que você escreve sob seu próprio nome.

5 — Quando você escrevia ficção envolvendo, digamos, o terceiro melhor time de basquete feminino da Letônia, e precisava dar um nome a uma das jogadoras, você consultava o artigo da Wikipédia sobre, digamos, a seleção feminina de vôlei da Letônia ; pegava o primeiro nome de uma jogadora, o sobrenome de outra, e considerava essa parte do trabalho concluída. Agora você vai para o seu mestrado em Direito e escreve: “Dê-me dez nomes plausíveis de jogadoras de basquete da Letônia”, e escolhe o seu favorito dentre eles.

6 — Você faz o tipo de coisa descrita nos itens 3 a 5 acima e, além disso, às vezes consulta LLMs para adicionar ornamentos ou nuances a uma frase publicada em seu próprio nome. Por exemplo, você consulta o ChatGPT sobre o tipo de papel que Madame de Sévigné usava e, em vez de escrever que ela “colocava penas no papel”, escreve que ela “colocava penas em papel de trapo ”. Você sabe que poderia ter obtido essa informação por outros meios, mas também se considera capaz de julgar com bastante confiança que os dados de treinamento dos LLMs incluem informações bastante confiáveis ​​sobre a história da fabricação de papel. Você tem a forte impressão de que seu julgamento de verossimilhança é algo como o julgamento de um especialista em sexagem de galinhas, para usar um exemplo clássico da filosofia da ciência. Você sente algo como uma certeza moral de que uma leitura adicional de fontes confiáveis ​​apenas confirmaria o que acabou de ouvir do LLM e, de qualquer forma, os riscos são baixos e é improvável que você seja questionado, então pode muito bem prosseguir.

7 — Você adora criar suas próprias frases e parágrafos, mas acha o processo final de revisão e aprimoramento tedioso e, além disso, tem tantos compromissos que simplesmente não é mais viável fazer essa parte sozinho. (Costumava ser viável, mas, por algum motivo, não é mais.) Então, você passa seu texto pela máquina com a seguinte mensagem: “Identifique quaisquer erros gramaticais graves ou inadequações estilísticas”. Você analisa os problemas apontados um a um e incorpora as alterações recomendadas conforme achar melhor.

8 — Você escreveu um livro que precisa de alguns parágrafos impactantes, sintetizando toda a argumentação e todos os temas recorrentes, para uma conclusão. Você está exausto e simplesmente não consegue mais produzir palavras, então envia o arquivo, pede à máquina para analisá-lo e gerar alguns parágrafos para você. Você escreveu o livro em inglês, mas também é fluente em norueguês, então pede à máquina que lhe forneça os parágrafos neste último idioma. Uma vez em mãos, você os traduz livremente para o inglês e, quanto mais avança, mais livremente se sente traduzindo, à medida que o próprio texto desperta suas ideias e lhe lembra que, afinal, você tem algo próprio a dizer. A versão final, que você publica sob seu próprio nome, tem um LLM como origem causal, mas a sequência causal é essencialmente impossível de rastrear e a linguagem é essencialmente sua. Você usou um LLM como "fermento inicial", por assim dizer.

9 — Você adora seu trabalho como escritor de livros de não ficção e palestrante, mas detesta a parte em que também precisa fornecer os paratextos usuais: resumos, textos para catálogo, todos os tipos de prefácios e assim por diante. Então, você mesmo faz o trabalho “significativo”, mas recorre a um software de gestão de conteúdo (LLM) para o preenchimento promocional. Temendo que alguém descubra a verdadeira origem dessas partes do seu trabalho e suponha erroneamente que a parte “significativa” seja igualmente artificial, você passa por diversas iterações geradas pelo LLM para os vários paratextos, solicitando a cada vez que a máquina os “humanize” ou que se esforce mais para duplicar o estilo peculiar do texto principal que já estudou, para não ser descoberto. Você usou um LLM como “amido”, por assim dizer, ou como “cola de calafetagem”, para manter unido ou solidificar, conforme exigido pelas convenções do mundo editorial que você nunca escolheu, o que permanece substancialmente seu próprio trabalho. Ao menos você diz a si mesmo que foi isso que fez, mas continua preocupado, como uma criança travessa, que vai levar uma palmada.

10 — Você é uma pessoa preguiçosa, quase analfabeta, que quer ganhar dinheiro online. Você sabe que existem muitos trouxas por aí, basicamente tão alienados da linguagem quanto você, e dispostos a pagar para ler superficialmente alguma coisa trivial sobre, digamos, como impressionar um agente literário com um ótimo parágrafo de abertura, ou sobre como é encantadora a vida na França, e todas as outras coisas de sempre que entopem nossos feeds. Então você vai ao ChatGPT e pede para ele escrever uma redação para você sobre um desses tópicos. Você a publica no Substack e ela recebe 11,2 mil curtidas, mais de vinte vezes mais do que o texto mais curtido já publicado no The Hinternet , e centenas de comentários de pessoas declarando seu trabalho “brilhante”. Um número ínfimo de intelectuais pretensiosos reclamará que seu texto foi “obviamente escrito por IA”. Eles chamarão seu trabalho de “porcaria”, e você chorará até chegar ao portal do seu processador de pagamentos.


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III.
Supomos que praticamente todos que estão lendo isto se encontram em algum ponto entre 1 e 9 em seus hábitos atuais. Não queremos ter nada a ver com aqueles que pontuam 10. Eles pertencem a um mundo diferente e incomensurável do nosso. Em contrapartida, simpatizamos com todos aqueles que se encontram no amplo meio da escala e sabemos, por experiência própria, o que eles estão passando. Nós mesmos já chegamos a 4 e frequentemente consideramos os muitos atrativos dos níveis 5 a 9. No futuro, gostaríamos de nos impor, por assim dizer, um “Dogma 26” que nos proibisse de ir além de 3. Continuaríamos a ler outros autores que chegam a 9 e seríamos gratos a eles por compartilharem sua pontuação conosco.

Além desses esforços para uma resolução prática do nosso dilema atual, nós, do The Hinternet, realmente não acreditamos que haja qualquer problema moral fundamental em questão, ou que qualquer alegação sobre a inadequação da escrita aprimorada por softwares de tradução possa ser defendida com base apenas em princípios universais. As práticas evoluem e, eventualmente, se transformam a ponto de se tornarem irreconhecíveis. Podemos trabalhar ativamente para definir como gostaríamos que nossas práticas fossem, para onde gostaríamos que elas evoluíssem, e tentar chegar lá a partir daqui, mesmo sob o peso considerável dessas novas máquinas que estão transformando a linguagem tão rapidamente e com tanta indiferença às nossas preferências. Seria muito bom se pudéssemos fazer isso sem moralizações e condenações constantes.

Estamos vivendo um momento histórico absolutamente insano. Tudo está de pernas para o ar, e o futuro da escrita é totalmente incerto. Nenhum de nós sabe ao certo o que vai acontecer. Nessas condições, não faz sentido sermos tão duros uns com os outros.
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