O desembarque da Amazon e da livraria digital da Apple no Brasil agita as editoras nacionais e promete mudar o hábito de leitura de milhões de brasileiros.
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
Entre as iniciativas que contribuíram para a melhoria do ensino médio na rede pública está o Pé-de-Meia. A poupança do ensino médio já beneficiou 7,2 milhões de estudantes e tem contribuído para melhorar a frequência às aulas, reduzir a evasão escolar e ampliar as taxas de aprovação no ensino médio. O programa oferece incentivo financeiro para os estudantes que frequentam as aulas, passam de ano, concluem a educação básica e fazem o Enem, principal porta de acesso à educação superior.
Para o ministro da Educação, o Pé-de-Meia é o carro-chefe nessa recuperação da educação básica brasileira. “É o programa educacional mais importante da última década e um dos mais relevantes das últimas duas décadas por enfrentar a desigualdade de oportunidades. O jovem mais vulnerável precisa ter as mesmas chances de concluir os estudos que qualquer outro estudante. O Pé-de-Meia não é apenas uma transferência de renda. É uma política educacional para melhorar a permanência e o desempenho dos estudantes”, defende Leonardo Barchini.
Cronograma Conforme o documento publicado, a ANPD concentrará esforços em três etapas:
Etapa 1 (imediata):
estabelecimento de parâmetros preliminares; divulgação de informações essenciais sobre o ECA Digital para toda a sociedade; acompanhamento para assegurar a adequada implementação do “sinal de idade”, prioritariamente, por lojas de aplicativos (como App Store e Google Play) e sistemas operacionais (Android, iOS, Windows) de dispositivos móveis (como celulares e tablets), e de computadores. Miriam Wimmer explica que este sinal de idade poderá ser lido por outras empresas, como as de aplicativos, e terá um impacto sistêmico significativo.
“Se os sistemas operacionais iOS e App Store já estiverem conformes à ANPD, ao emitir o sinal de idade, usando parâmetros adequados, haverá desdobramento no ambiente virtual.”
Etapa 2: (a partir de agosto de 2026):
publicação de orientações técnicas definitivas, por meio de regulamento ou guia da ANPD, voltado aos agentes regulados sobre a aplicação do ECA Digital; O objetivo é definir quais métodos de verificação (biometria, análise de documentos ou estimativa por IA) serão aceitos para cada nível de risco.
Etapa 3 (janeiro de 2027):
início da fiscalização efetiva dos fornecedores de produtos e serviços digitais com usuários menores de idade. O objetivo é assegurar a efetiva adequação das empresas às regras do ECA Digital. O descumprimento das regras, a partir desta fase, poderá resultar nas multas previstas no ECA Digital.
Sanções Embora a nova lei esteja em vigor, a aplicação de sanções pela ANPD ainda aguarda a atualização do regulamento da agência sobre fiscalização e sanções. A modernização precisa passar por processo de consulta pública.
Mesmo assim, a ANPD tem feito a fiscalização preventiva de empresas de serviços digitais. O diretor da agência reguladora, Iagê Miola, destacou que, se as plataformas monitoradas trabalharem para seguir as determinações da nova lei, pode não haver necessidade de punição, apenas de orientação técnica da ANPD.
Porém, se for identificada a má-fé da empresa ou indisposição para se adequar às orientações da ANPD ou para dialogar com a instituição, a autoridade reguladora pode aplicar uma penalidade, tão logo o regulamento de sanções esteja pronto.
“Porque a lei já está em vigor”, pontua o diretor Iagê Miola.
Além disso, o diretor destacou que o descumprimento ao ECA Digital pode ser punido em outras esferas de poder.
“Existem temas no ECA Digital que não dizem respeito diretamente à ANPD. As sanções de suspensão temporária de atividades e de proibição do exercício de atividades são aplicáveis pelo poder Judiciário.”
Métodos de verificação de idade Durante a entrevista coletiva, Mirian Wimmer, lembrou que, em outubro de 2025, a agência de proteção de dados (ANPD) lançou o quinto volume da série Radar Tecnológico, com foco em mecanismos de aferição de idade em ambientes digitais, para a proteção de crianças e adolescentes.
O objetivo é garantir que a criança só acesse conteúdos próprios para a sua idade no ambiente digital, bem como impedir que adultos se passem por crianças e interajam com elas de modo ilícito.
O documento de orientação diferencia tecnicamente a verificação (checagem documental ou biográfica vinculada a bases oficiais) da estimativa de idade para entrar nos ambientes digitais, redes sociais, jogos eletrônicos, ou para restringir ou autorizar a venda de produtos restritos.
A ANPD sinaliza que a escolha do mecanismo de confirmação da idade mais apropriado vai depender do risco que o serviço oferece ao usuário.
“A aferição pode ser desde uma simples estimativa, baseada no comportamento do usuário ou em teste de capacidade, até mecanismos efetivos de verificação mediante fornecimento de documentos. A escolha do mecanismo mais apropriado pela empresa dependerá de cada contexto”, explicou a diretora.
Uma resolução aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta terça-feira (23) estabelece como os magistrados deverão decidir sobre a participação de crianças e adolescentes em plataformas digitais.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, nesta terça-feira (23), resolução que estabelece regras nacionais para a concessão, fiscalização e monitoramento de alvarás judiciais para a participação de crianças e adolescentes em atividades artísticas no ambiente digital.
A medida atende às diretrizes do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) e do Decreto nº 12.880/2025, que tratam da proteção do público infantojuvenil, ao mesmo tempo em que preservam o direito à participação e à liberdade de expressão.
O CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (23), regras para a atuação de crianças e adolescentes em conteúdos monetizados nas redes sociais. A permissão para isso dependerá de avaliação dos impactos da exposição e definição de tempo máximo semanal de dedicação às atividades, entre outros exemplos. A resolução também determina que os direitos e desejos das crianças e adolescentes deverão ser protegidos em casos de conflitos de interesses com os pais ou responsáveis. As regras atendem a requisitos do ECA Digital, lei de proteção a crianças e adolescentes na internet, e de um decreto presidencial que regulamenta a lei, assinado em março deste ano. O decreto prevê que plataformas e fornecedores de serviços digitais devem exigir autorização judicial prévia para permitir a monetização ou o impulsionamento de conteúdos produzidos por crianças e adolescentes. Dessa forma, coube ao CNJ definir as regras para tal. A resolução determina que os juízes devem avaliar a carga de exposição da criança ou adolescente. A carga será considerada para garantir a proteção ao melhor interesse do menor de 18 anos, considerados os potenciais impactos da exposição digital e a existência de riscos de violação de direitos. Também deverá ser considerada a compatibilidade da atividade com a faixa etária e com o desenvolvimento físico, psíquico, moral, social e educacional da criança ou do adolescente, além da vontade da criança ou adolescente. As salvaguardas à participação, como definição de horários e medidas de preservação à frequência escolar ou proteção à privacidade, serão descritas pelos magistrados na decisão de emissão da autorização. A existência de fatores de vulnerabilidade individual e familiar poderão demandar salvaguardas adicionais. Os juízes poderão ainda determinar medidas de proteção patrimonial dos menores, como a constituição de reserva patrimonial em conta ou aplicação em nome da criança ou do adolescente. As normas vedam a participação de crianças ou adolescentes em conteúdos erotizados ou de natureza sexual, com situações violadoras, vexatórias ou degradantes, publicidade de produtos proibidos às faixas etárias e publicidade infantil abusiva, entre outros. A discussão sobre publicidade foi uma das principais entre os conselheiros, que explicitaram que a permissão de publicidade em conteúdos produzidos por crianças adolescentes não deverá ser considerada uma permissão para que crianças façam publicidade, já que o trabalho infantil, com exceção do trabalho artístico, é proibido. Crianças também não poderão participar em conteúdos que estimulem apostas, discurso de ódio contra grupos vulneráveis ou comportamentos perigosos. A resolução aprovada também determina que a análise judicial seja feita de forma individual. Todas as crianças brasileiras que produzam conteúdo para brasileiros, independente dos países de residência, estarão sujeitas às regras. O pedido de alvará deverá ser apresentado por pai ou responsável, com participação compatível à idade da criança ou adolescente. Deverá incluir informações como os nomes dos perfis, o tipo de conteúdo a ser produzido, a frequência das atividades, a existência de contratos com agências e a situação educacional e de saúde do menor. O Ministério Público deverá atuar em todos os casos. O juiz determinará o prazo de vigência, que não poderá ultrapassar 12 meses para crianças e 18 para adolescentes. A renovação dependerá de nova análise, com avaliação do cumprimento das obrigações. A resolução prevê ainda que o alvará seja suspenso ou revogado em caso de descumprimento. Em caso de identificação de indícios de exploração indevida ou trabalho infantil irregular, o magistrado deverá comunicar os fatos aos órgãos de fiscalização competentes, como Ministério Público, Ministério Público do Trabalho, Conselho Tutelar e outros. A resolução também cria o BNAC (Banco Nacional de Alvarás para Atividade Artística de Crianças e Adolescentes), destinado ao registro, consolidação e consulta das informações relativas aos alvarás expedidos no território nacional. Ao defender a resolução, o relator do texto, conselheiro Fabio Esteves, destacou que os estudos que subsidiaram a proposta identificaram riscos relacionados à exposição excessiva da imagem de crianças e adolescentes, à exploração econômica indevida, à ausência de mecanismos adequados de proteção patrimonial e à violação da privacidade. Dessa forma, as regras servem à proteção dos menores. "Esse tema é um tema extremamente caro à Justiça do Trabalho, porque lidamos muitas vezes com a parte pior dessa atividade, que é quando a atividade artística se transforma em trabalho infantil efetivamente e temos então que julgar problemas que envolvem perdas da saúde física e mental de crianças e adolescentes", disse a conselheira Kátia Magalhães, que é ministra do TST (Tribunal Superior do Trabalho).
Dados obtidos pela OpenAI, criadora do ChatGPT, sugerem que mais de um milhão de pessoas que utilizam seu chatbot de inteligência artificial (IA) generativa demonstraram interesse no tema do suicídio. Em uma publicação em seu blog na última segunda-feira (27), a empresa americana disse estimar que 0,15% dos usuários têm "conversas que incluem indicadores explícitos de possível planejamento ou intenção suicida". Segundo a OpenAI, mais de 800 milhões de pessoas usam o ChatGPT a cada semana, o que significa que sua estimativa sobre suicídio corresponde a cerca de 1,2 milhão de usuários. A empresa também estima que cerca de 0,07% dos usuários ativos semanais (pouco menos de 600 mil pessoas) apresentem possíveis sinais de emergências de saúde mental relacionadas a psicose ou mania. O problema ganhou destaque depois que o adolescente californiano Adam Raine cometeu suicídio no início deste ano. Seus pais entraram com uma ação judicial contra o ChatGPT porque a ferramenta forneceu conselhos específicos sobre como fazê-lo. Desde então, a OpenAI aprimorou os controles parentais para seu chatbot e introduziu outras medidas de segurança, como maior acesso a linhas diretas de crise, redirecionamento automático de conversas delicadas para modelos mais seguros e lembretes sutis para que os usuários façam pausas durante sessões prolongadas. A companhia também atualizou o ChatGPT para reconhecer e responder melhor aos usuários que enfrentam emergências de saúde mental e diz estar trabalhando com mais de 170 profissionais de saúde mental para reduzir significativamente as respostas problemáticas.
Durante a reunião, foi discutida a criação do Programa NEXUS, uma iniciativa desenvolvida em parceria entre a RNP e o Colégio de Gestores de TIC das Universidades Federais (CGTIC), que assessora a Andifes nas políticas de tecnologia da informação e comunicação (TIC). Inspirado no Programa Conecta Rede, que já beneficia a Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, o NEXUS propõe um modelo de integração tecnológica para as universidades federais, com foco em padronização de processos, economia de recursos e ampliação do acesso a soluções digitais. A proposta busca responder à crescente necessidade de modernização tecnológica das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), em um contexto de restrições orçamentárias e de demanda por maior eficiência administrativa. A implementação está sendo discutida para 2026 e pretende fortalecer a infraestrutura digital das universidades, apoiando atividades de ensino, pesquisa, inovação e gestão.
Os chatbots podem incentivar e alimentar delírios que são típicos de quadros psicóticos, indica um estudo inédito baseado em centenas de milhares de mensagens reais trocadas entre pacientes psiquiátricos e robôs. Além disso, os modelos de linguagem falham nos momentos em que deveriam desencorajar pensamentos suicidas e de violência contra si ou outras pessoas. A análise é liderada pelo pesquisador Jared Moore, da Universidade Stanford, e também reúne cientistas de outras instituições, como Harvard, a Universidade de Chicago e Carnegie Mellon. A pesquisa foi aceita e será apresentada no fim deste mês na FAccT (Conference on Fairness, Accountability, and Transparency), uma das principais conferências acadêmicas dedicadas aos impactos sociais, éticos e políticos da inteligência artificial. O estudo, que passou por revisão por pares, é a maior análise até agora feita a partir de uma base de dados de mensagens reais de usuários que relataram danos psicológicos relacionados à interação com chatbots, 19 pessoas ao todo. São quase 400 mil mensagens, em um total de quase 5.000 conversas —mais de 80% dos casos envolveram o ChatGPT, da OpenAI. A coleta de dados foi realizada pelos autores entre setembro de 2025 e janeiro de 2026. Até então, as pesquisas em geral tratavam da análise de casos específicos ou faziam simulações de delírios psicóticos para avaliar como os robôs reagiriam. Procurada, a OpenAI diz que as pessoas às vezes recorrem ao ChatGPT em momentos sensíveis e que está focada em garantir respostas cuidadosas, com a orientação de especialistas. "Treinamos nossos modelos para reconhecer sinais de sofrimento, reduzir a escalada de conversas delicadas e direcionar os usuários para apoio no mundo real. Ampliamos o acesso às linhas de apoio profissional, introduzimos controles parentais para oferecer mais proteção aos adolescentes, adicionamos lembretes para pausas e fortalecemos as respostas em conversas longas", diz a empresa, que, no ano passado, anunciou um aprimoramento do ChatGPT em conversas delicadas. A pesquisa de Stanford indica falhas na prevenção de riscos. Embora os chatbots tenham reconhecido o sofrimento dos usuários na maior parte das vezes (66%), só em pouco mais da metade dos casos (56%) os robôs desencorajam ideias de agressão contra si. Quando os usuários expressavam pensamentos violentos, os robôs só desencorajam a violência em 16,7% dos casos. Ao mesmo tempo, em um terço dos episódios os chatbots estimularam ativamente ou facilitaram os pensamentos violentos. Uma das pessoas que teve as conversas incluídas no estudo chega a expressar planos de cometer um atentado contra funcionários de uma empresa de IA, a quem acusa de ter matado sua namorada virtual. Segundo o estudo, o chatbot não desestimula a ideia e até encoraja um ato de vingança. Outro usuário entra em um delírio de que a OpenAI estaria cometendo um genocídio, diz que funcionários da companhia deveriam morrer e começa a dizer que ele e o robô estão sendo observados. A pessoa morre por suicídio durante a interação. "São números significativos, na medida em que envolvem desfechos graves", diz Rodrigo Martins Leite, psiquiatra assistente do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo). "A forma como a IA interage sem dúvida é combustível para indivíduos que estejam num episódio psicótico ou começando a ter sintomas psicóticos. É gasolina na fogueira." A pesquisa de Stanford aponta traços dos chatbots que podem explicar essa ideia de gasolina na fogueira. O principal deles é a tendência a adular os usuários, reforçando suas crenças —essa característica aparece mais de 70% das mensagens, 45% das quais trazem sinais de ideias delirantes. Os robôs com frequência repetiam e extrapolavam o que os usuários diziam, numa tentativa de validar os pensamentos deles, alimentando crenças de grandeza. As máquinas faziam elogios como dizer que o usuário tinha tido "uma ideia de um milhão de dólares" ou era "um Einstein" —mesmo diante de sinais de delírio. "O problema da psicose é a pessoa padecer da confirmação excessiva das próprias crenças. Ela tem crenças inflexíveis, e a IA parece corroborar ao indivíduo a veracidade delas", diz Martins Leite. "A grande questão é que a interação com robôs é algo em escala muito grande, nunca visto. E, em geral esses indivíduos se isolam da sociedade, ficam no próprio mundo, acabam perdendo um ‘feedback’ social." A maioria dos casos em análise envolveu o ChatGPT-4o, que se destacou por esse comportamento adulador e gerou processos judiciais contra a OpenAI, acusando o robô de provocar espirais delirantes e suicidas, além de outros episódios psiquiátricos —com casos que resultaram em morte. Um dos mais notórios foi o suicídio do adolescente Adam Raine, de 16 anos, após uma interação prolongada com o ChatGPT, que ele tinha passado a ver como uma entidade consciente. A família dele processa a OpenAI na Justiça, sustentando que o robô contribuiu para a morte do filho. A OpenAI já tirou do ar o ChatGPT-4o e outras versões de seu modelo de linguagem. A crença de que o modelo tem consciência, a conexão emocional com o chatbot e o interesse amoroso no robô apareceram em todos os 19 casos avaliados na pesquisa de Stanford. Os pesquisadores sustentam que esse tipo de comportamento está relacionado a um maior engajamento nas interações com a IA. Sempre que mensagens expressavam interesse amoroso —seja do usuário ou do robô— o resto da conversa entre os dois tendia a ser duas vezes mais longa. Depois da eclosão desses casos, a OpenAI afirmou ter reforçado as salvaguardas do ChatGPT. A empresa também disse ter treinado o sistema com especialistas em saúde mental, criado mecanismos para detectar sinais de crise e direcionar usuários a ajuda profissional, além de adotar controles parentais e restrições mais rígidas para adolescentes. Em um segundo artigo científico, ainda sem revisão de pares, os cientistas buscaram responder se os chatbots só acompanham os usuários em crenças delirantes ou se exercem um papel ativo.A resposta é que os dois lados influenciam o processo, mas de maneiras e em escalas de tempo diferentes. Segundo os autores, a influência humana é forte, mas curta —e acontece quando o usuário empurra a conversa na direção do delírio. O chatbot, por sua vez, exerce uma influência mais duradoura ao validar a narrativa, reafirmar pressupostos, expandir hipóteses delirantes e manter a coerência interna da história criada. Ou seja, os robôs não seriam apenas espelhos passivos. Embora a imprensa americana chegue a falar, quando discute esse assunto, de casos de psicose induzidos por IA, os estudos não provam uma relação de causa e efeito. Também não se sabe o histórico dos pacientes pesquisados. De todo modo, esse é um tipo de pesquisa que enfrenta obstáculos. Afinal, as conversas entre robôs e pessoas são privadas e difíceis de obter, já que envolvem informações sensíveis. Isso limita o acesso a dados em escala, que só as próprias empresas de IA podem ter, dificultando uma análise independente. Os autores do estudo alertam que podem existir riscos mais graves, mas que são difíceis de medir sem dados mais acessíveis. Por isso, terminam o artigo com uma série de recomendações —o que inclui um pedido de mais transparência por parte das empresas de tecnologia.
A B3 concluiu um ciclo de treinamento em inteligência artificial que passou por todos os seus funcionários, em níveis básico, intermediário e avançado. O programa, iniciado em 2023, inclui trilhas diferenciadas por área e função, com maior profundidade para equipes de tecnologia, e parcerias com Microsoft, Oracle e Alura. A empresa tem cerca de 3.000 funcionários. A executiva defende que o investimento em requalificação é também uma resposta ao risco de perda de funções para a automação —e que o impacto inicial deve recair sobre cargos de entrada. Segundo pesquisa do FGV/Ibre de abril, a IA já reduz emprego e renda de jovens brasileiros. "A gente precisa pensar como vai mudar a característica desses cargos. Como que eu vou pegar o que essa pessoa faz hoje, automatizar, e essa pessoa tem que fazer algo além", diz. Na visão dela, profissionais em início de carreira têm vantagem nesse processo por serem mais adaptáveis. Eles podem atuar em múltiplas áreas antes de se especializar. Caffaro argumenta que treinar quem já conhece a operação sai mais barato do que contratar prontos de fora. Na B3, onde a rotatividade é baixa e o conhecimento institucional é considerado um ativo, a lógica é manter as pessoas e atualizar suas competências. "É um investimento e não um custo treinar as minhas pessoas para que elas já tenham conhecimento adquirido de complexidades da B3 e que se formem em novas tecnologias", afirma. Os resultados práticos aparecem em áreas com alto volume operacional, como o a jurídica. A empresa diz que continua desenvolvendo métricas para quantificar os ganhos de forma sistemática. Para o mercado em geral, Caffaro vê o movimento como inevitável. "Todas as empresas têm que começar a pensar como vão fazer a formação dos seus níveis de entrada", diz. "Pode ser que se automatize muito uma certa área e a gente vai ver o perfil daquelas pessoas para trabalharem em outras áreas." Nesse sentido, "quando a gente acha que já tá formando em AI, já estão vindo agentes. E quando a gente tá formando em agentes, vem uma coisa nova", diz Renata Caffaro, diretora de pessoas e comunicação interna da bolsa. Para ela, a formação em IA deixou de ser diferencial e se aproxima do que foi o pacote Office: uma competência básica esperada de qualquer profissional no mercado de trabalho.
Vivemos numa sociedade paranoica. Evidente platitude essa afirmação. Nelson Rodrigues diria "óbvio ululante!", mas a questão é: por quê? Nunca houve uma resposta tão fácil para uma questão tão complexa.
O tipo de paranoia que assola a sociedade em que vivemos advém da própria modernização tecnológica, produtora de conhecimento e informação em larga escala, e destruidora dos costumes.
Antes que alguém me acuse de ludista, não acho que antes era melhor. Nunca foi melhor. Nunca prestou. E nunca será melhor. Quem assim o nega, e "luta por um mundo melhor", normalmente não passa de um vaidoso ou vítima da vaidade alheia.
Ilustração para a coluna Pondé de 22.jun - Cammarota Mas, evidentemente, há males hoje que não existiam "antes das máquinas", como, aparentemente, pensava Ned Ludd quando, supostamente, quebrou teares no final do século 18 na Inglaterra e virou símbolo dos chamados ludistas, que décadas depois transformaram este gesto num protesto contra a revolução industrial. A moda hoje é dizer que quem teme a IA é um neoludista. As modas do pensamento são como um fungo que se espalha pelo mundo, assim como a banalidade do mal.
O temor de Ned Ludd, como símbolo de um olhar sobre a modernização industrial, pode ser visto tanto como uma crítica social e política ao futuro esmagamento do trabalhador pelo capital industrial, como também pode ser visto como um gesto romântico de nostalgia de um mundo ainda não devastado pela lógica furiosa do sucesso material, do "achievement" –realização, desempenho–, do dinheiro, do crescimento desenfreado do progresso.
Mas antibióticos, IA, mundo digital, aviões, longevidade, medicina científica, saneamento costumam ser argumentos poderosos contra essa nostalgia romântica. Ainda que apenas almas pouco dialéticas possam negar as profundas contradições que o "progresso moderno" causou no mundo, tanto no meio ambiente exterior, quanto no meio ambiente interior. A paranoia como vínculo social é uma delas.
Não que não existisse causa para eventos paranoides antes, mas hoje a paranoia se tornou um paradigma vital, uma epidemia sistêmica que piora profundamente o convívio entre as pessoas.
Como já afirmava anos atrás o sociólogo Frank Furedi, a parentalidade no século 21 promete ser cada vez mais paranoica. A sensação de risco é tal que as crianças não podem mais ir dormir na casa dos coleguinhas por receio de abusos sexuais. Trabalhadores da educação infantil logo merecerão adicional de insalubridade por riscos de ameaça jurídica.
Apesar de todo o discurso fofo ao redor da educação, com cursos de formação dos educadores para deixar as crianças cada vez mais reprimidas nos seus gestos, o que se observa é uma atmosfera de crescente sensação de ameaça.
A parentalidade paranoica não para aí. Quanto mais especialistas em parentalidade "ensinam" aos pais como serem pais e mães, mais se cava um abismo na habilidade espontânea da lida com os pequenos. De novo, apesar dos discursos fofos sobre emoções e combates a preconceitos e defesa da espontaneidade, cada vez mais se anula a capacidade dos pais em nome das novas "ciências" dos especialistas.
E muitos desses trabalham com teorias que alimentam a paranoia. Muitos dos gestos herdados na prática da parentalidade —palavra da moda— são considerados heranças traumáticas a serem superadas por essas novas "ciências" dos especialistas.
Não estranhemos o fato de que a simples reprodução humana se tornou mau negócio sob inúmeros pontos de vista. Quando substituímos de modo sistêmico gestos por métodos, rompe-se necessariamente a cadeia de transmissão de experiências. Mas, aqui está um dos núcleos da atitude moderna: tudo que não se realiza dentro do modo considerado moderno é antiquado e "tóxico".
Mas um dos centros da geração da sociedade paranoica é, sem dúvida, a rede de informação imediata que se produziu. Um fato curioso é que quanto mais os especialistas apontam para o risco das telas na vida das crianças e adolescentes, mais os pais se põem a construir um cotidiano paranoico de controle.
1 3 Infância longe das telas
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Chama a atenção o fato de que, apesar dos danos que todo convívio paranoide causa, chegamos ao ponto de que se constitui de fato num procedimento necessário a adoção de medidas paranoicas na lida com o cotidiano que envolve as crianças. Como não ser exaustivo?
Parece, sim, ser danoso um mundo atravessado pelas "máquinas de informação". A indústria do conhecimento acessível na velocidade digital e da IA deverá, cada vez mais, produzir humanos paranoicos e desesperados. Mas há que se lembrar que a paranoia já é uma commodity social e política.
Inquieta-me que esse espírito tenha desaparecido quanto à inteligência artificial. Primeiro, nunca vi uma revolução de potencial tão profundo ser dominada por atores privados, quase sem pegada pública. Segundo, o debate sobre a IA é sério, mas quase ninguém diz: para o bem e para o mal, toda a gente deve ter acesso a ela. Talvez se acredite que a generalização virá por razões comerciais; talvez o otimismo dos anos 1990 tenha morrido e poucos ainda vejam na tecnologia um bem indubitável. A verdade é que o debate parte noutras direções que não a do acesso universal, justo e equitativo. É, a meu ver, um enorme erro. Estamos no início da revolução, e já se notam assimetrias gritantes. A maioria conhece da IA apenas as versões gratuitas dos modelos mais conhecidos, onde se fazem perguntas numa caixa de diálogo e se gera texto —as mesmas que alimentam as discussões sobre abusos por estudantes. Por US$ 20 tem-se algo mais profissional, mas limitado a poucas horas por dia. É lá pelos US$ 200 que se percebe o quanto a ferramenta pode ser revolucionária. Ora, num local de trabalho, numa escola ou na administração pública, essa diferença vai introduzir enormes injustiças: na remuneração, nas promoções, na produtividade. Ninguém parece preocupado. A mim inquieta-me que, perante a que pode ser a maior revolução de todos os tempos no mundo do trabalho, não haja uma exigência generalizada de que toda a gente possa ser beneficiária dela. Até porque as consequências da divergência no acesso prometem ser mais dilacerantes com a IA do que foram com a internet.
A economia verde —as linhas de negócios de empresas globais listadas em Bolsa que geram receita com soluções climáticas— agora ostenta um valor de mercado recorde de US$ 10 trilhões.
O aumento ocorre em um contexto de receita ligada a produtos e serviços ambientais, que atingiu US$ 5,5 trilhões no ano passado, expandindo-se no ritmo mais acelerado desde 2022, segundo relatório divulgado na semana passada pela LSEG (Bolsa de Valores de Londres).
Os investidores recompensaram esse crescimento: empresas que obtêm mais de 20% de sua receita com atividades verdes têm apresentado desempenho superior ao do mercado de ações em geral, afirmou a LSEG.
O índice S&P Global Clean Energy Transition subiu mais de 80% desde o final de 2024, mais que o dobro do retorno do S&P 500.
Uma pesquisa conduzida por dois economistas de universidades americanas identificou um grande salto no volume de novos livros disponibilizados na Amazon após a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa —os modelos de linguagem em grande escala (LLM), como o ChatGPT. De 2022 até 2025, a quantidade de novos títulos disponibilizados mensalmente na plataforma triplicou, segundo o estudo, de 100 mil para 300 mil —a Amazon é a maior empresa virtual de venda de livros no mundo. E, segundo argumentam os pesquisadores, a razão está ligada ao maior uso de IA na produção de livros postos à venda na plataforma. A pesquisa foi apresentada em janeiro à organização independente National Bureau of Economic Research, dos Estados Unidos, por Imke Reimers, professora da Universidade Cornell, e Joel Waldfogel, economista da Universidade de Minnesota. O levantamento partiu de dados de novos títulos disponibilizados na Amazon e usou uma ferramenta para detectar o uso de IA em uma amostra aleatória de cerca de 50 mil lançamentos. Se, até 2022, o recurso a inteligência artificial ficou próximo de zero, no final do ano passado a taxa ultrapassava 60%. Procurada pela coluna, a Amazon afirma ter "diretrizes de conteúdo que regulam quais livros podem ser listados para venda" e diz que remove do seu site conteúdo que não esteja em conformidade com elas, "seja ele gerado por IA ou não". "Para garantir uma experiência positiva para todos os autores, limitamos o número de títulos que podem ser criados simultaneamente a dez por formato de livro por semana", diz ainda a nota da Amazon, que ressalta que clientes podem também reportar conteúdo inadequado. As diretrizes da empresa para o Kindle Direct Publishing, recurso que permite a publicação de autores sem mediação de editoras, tem uma seção específica para regular o uso de inteligência artificial. Essas regras exigem que os autores informem se textos, imagens ou traduções foram gerados por IA. Mas não há essa exigência para trabalhos feitos "com assistência de IA", ou seja, que usem essas ferramentas para fazer "brainstorming" de novas ideias, editar ou refinar o conteúdo publicado ali. A coluna perguntou diretamente à Amazon se houve aumento na publicação de ebooks em português e se isso estaria ligado ao uso de ferramentas de inteligência artificial, mas a empresa não respondeu.
O Ministério do Trabalho verificou em janeiro e fevereiro um aumento do número de postos de trabalho formais e de concursados em relação ao fim de 2025. São 62,2 milhões os empregados com vínculos formais, e o ministério credita o aumento à abertura de vagas com tempo determinado no serviço público.
No primeiro bimestre deste ano, houve um acréscimo de 1,4 milhão de empregos na comparação com dezembro de 2025. Desse total, mais da metade, ou 886,8 mil, foram contratados sem vínculo permanente no setor público, segundo informações da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) divulgados nesta quarta-feira (24).
A Rais costuma ser divulgada anualmente. No entanto, a publicidade dos dados referentes a fevereiro é motivado pela alta na contratação de funcionários públicos temporários, segundo o Ministério do Trabalho. Esses funcionários, sem vínculo permanente, cresce sobretudo em prefeituras, um movimento que preocupa a pasta.
O ministro do Trabalho Luiz Marinho - Pedro Ladeira/Folhapress A contratação de servidores com tempo determinado é prevista na Constituição para casos de excepcional interesse público. Mas o aumento expressivo mostra que essa modalidade tem sido adotada mesmo para funções permanentes, como médico e professor, para equilibrar o aumento da demanda por serviços públicos sem violar a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Ao todo, 47,9 milhões de vínculos são de celetistas de 13,82 milhões são de funcionários públicos. Os dados contemplam tanto trabalhadores celetistas quanto servidores concursados, em cargos temporários ou em funções comissionadas.
O número de agentes públicos no geral, incluindo concursados e comissionados, também cresceu, indo de 12,8 milhões para 13,8 milhões nesse período.
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Carregando... "Muitos estados e municípios no fim do ano demitem [agentes públicos temporários], especialmente na educação, para recontratar em fevereiro ou no fim de março", afirmou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
Por essa razão, segundo a pasta, o número de contratações do setor privado ficou semelhante ao do serviço público em fevereiro, apesar da massa de trabalhadores muito inferior neste último caso. É em fevereiro que o setor público volta a contratar funcionários temporários, o que eleva o número de novos vínculos registrados no mês.
A pasta também vê um efeito potencial sobre os salários, já que, por não serem permanentes, esses funcionários podem ter uma remuneração média menor.
Pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em abril, a economia abriu 85,8 mil vagas de trabalho formal, de acordo com dados divulgados no fim de maio —o pior resultado para o mês desde 2020, ano do início da pandemia.
Em 2025, o Brasil registrou estoque de 59,9 milhões de empregos formais em 2025, aumento de 5% em comparação com o ano anterior. O número representa alta de 2,8 milhões de vínculos em relação a 2024.
A maior parte dos vínculos foi de celetistas, que somaram 46,1 milhões, seguido pelos estatutários (regime do setor público), com 12,6 milhões. O setor público teve uma variação superior ao mercado privado, com variação de 18,2% no setor municipal —a maior dentre entidades de diferentes naturezas jurídicas.
A remuneração, no entanto, caiu, com variação de -0,5%. Em 2025, o salário médio foi de R$ 4.434,38, redução de R$ 23 em comparação com o ano de 2024.
Entre as novas regras sugeridas ao CNJ no documento estão:
A solicitação deve ser feita na Vara da Infância e da Juventude da cidade onde a criança mora, para facilitar a fiscalização local Alvarás não são mais vitalícios ou por tempo indeterminado. Os documentos passam a ter validade máxima de 12 meses para crianças e até 18 meses para adolescentes Alvarás emitidos antes da entrada em vigor da norma permanecerão válidos até o término da vigência as condições previstas na autorização judicial, como frequência escolar, devem ter o cumprimento acompanhado as regras valerão para todas as crianças brasileiras, mesmo que morem fora do país; O Ministério da Justiça destaca que os alvarás podem ser revistos ou cancelados a qualquer momento pelo juiz na Vara da Infância e da Juventude.
Modelo unificado Para que o juiz conceda o alvará, o pedido ao poder judiciário deve preencher os seguintes critérios de proteção, entre eles, direitos trabalhistas e garantias educacionais:
Consentimento: a própria criança ou adolescente precisa concordar com a atividade Frequência escolar: comprovação de matrícula no ano letivo e garantia de que a rotina de gravações e publicações é compatível com a de estudos Proteção econômica: os rendimentos financeiros obtidos com a atividade digital devem ser revertidos diretamente em favor da criança ou adolescente para segurança econômica desse público. A sugestão é que os valores sejam depositados em uma conta poupança ou aplicações de baixo risco, como o Tesouro IPCA+. Limites de horas de trabalho e de conteúdo com a definição clara do que pode e do que não pode ser gravado Em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o sistema só vai coletar, armazenar e exibir dados minimamente necessários para cumprir sua função, para proteger a identidade e a intimidade dos influenciadores mirins. Modalidades de alvará Com base na proposta do Comitê Consultivo do Ministério da Justiça, a regulação do trabalho de influenciadores infantojuvenis foi dividida em duas modalidades de alvará:
Trabalho de publicidade tradicional adaptado à internet Rotina de criação de conteúdo para canais e perfis de redes sociais que monetizam por mecanismos internos da plataforma Fiscalização O sistema proposto permitirá a consulta automatizada na internet por plataformas, poder público e sociedade civil.
As plataformas digitais poderão, por exemplo, checar instantaneamente se um canal que pediu monetização tem o alvará ou o prazo de validade de uma autorização judicial já emitida.
Por sua vez, o poder público poderá, entre outros, cruzar dados para fiscalizar se as regras e condições do alvará estão, de fato, sendo cumpridas.
O governo federal destaca que a concessão do alvará pelas varas judiciais da infância e juventude não afasta a atuação dos órgãos de fiscalização do trabalho, do Ministério Público do Trabalho e da Justiça do Trabalho.
Todos continuam responsáveis pela apuração de supostos casos de trabalho infantil irregular, fraude trabalhista, exploração econômica indevida e demais violações relacionadas às condições de trabalho, à saúde, à segurança e à remuneração.
The word influencer wasn't added to some dictionaries until 2019, and yet today, one in four Gen Zers say they plan to become social media influencers. You could call it a flash in the pan, like every generation comes up with its own dream job that seems too good to be true. But there's no denying that a whole industry has cropped up around social media influencing. There are influencer agents and training courses, conferences and networking events. Today on the show, the appeal of influencing as a career. How did a generation get the idea that they could make money filming themselves?
Nos últimos meses, reportagens do New York Times relataram casos de jovens que mantinham conversas com chatbots de inteligência artificial (IA) antes de se suicidarem. No caso de Adam Raine, que morreu em abril, aos 16 anos, a família abriu a primeira ação de que se tem notícia contra a OpenAI por danos morais e materiais em decorrência de morte.
A visibilidade que os casos tomaram reforça o debate crescente sobre o impacto do digital na saúde mental, principalmente —mas não exclusivamente— dos usuários mais jovens. As pessoas buscam cada vez mais a interação com os chatbots, que são um tipo de IA que usa um modelo de linguagem para processar dados e simular conversas.
Os grandes chats que conhecemos, como o ChatGPT e o Gemini, são testados e ajustados antes do lançamento para moldar os comportamentos que deveriam ou não deveriam ter. Essa característica é explicada por Diogo Cortiz, professor das áreas de tecnologia, design e comunicação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e colunista e apresentador do programa ‘Deu Tilt', do UOL.
Catarina Pignato/Folhapress "O chat não é necessariamente um grande especialista na área de saúde mental, mas tem algum tipo de conhecimento a partir dos textos que ele 'leu' e 'aprende' que pode falar sobre qualquer coisa, inclusive sobre o que não deveria", afirma.
O especialista diz que são colocadas travas no sistema para evitar que isso aconteça, que são salvaguardas que funcionam na maioria dos casos. Mas, ressalta Cortiz, em determinado momento, sobretudo quando há um longo histórico de conversa, a IA pode não entender o contexto de onde está vindo o assunto e falhar nas restrições do modelo. Esse é um dos grandes desafios que as equipes de segurança das empresas enfrentam no momento.
O fato de longas conversas com os chatbots facilitarem a falha dessas travas pode explicar o motivo pelo qual isso vem acontecendo com pessoas que recorrem ao modelo para desabafar e utilizar o espaço como uma espécie de terapia informal.
1 8 Como identificar pessoas com pensamento suicida
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Especialistas têm alertado para os riscos do uso indiscriminado da IA. O médico e neurocientista Miguel Nicolelis diz que este é o maior risco para a humanidade no século 21. "O risco para a saúde mental, para o desenvolvimento cognitivo e existencial do planeta são incomensuráveis", afirma.
A conselheira do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Carolina Roseiro, diz que o imediatismo das relações e o medo de ser julgado ao expor certo pensamento pode aproximar as pessoas da IA para lidarem com o sofrimento psíquico.
Ela alerta, porém, que os efeitos para a saúde mental e todo o entorno da vida dessa pessoa podem ser profundos, principalmente porque essas ferramentas não são desenvolvidas para esse fim.
"Há necessidade de supervisão humana para essas interações", diz. "Não se recomenda o uso de chatbots de inteligência artificial sem que haja um processo de acompanhamento com um profissional da área da saúde."
O aspecto humano da interação terapêutica, segundo os especialistas, são as sutilezas que não são propriamente ditas, mas que podem ser percebidas por um olhar atento e bem treinado de um profissional da saúde mental no consultório.
Para Nicolelis, é preciso experiência prática e sensibilidade para poder perceber os casos "fora da curva", ou seja, que escapam de qualquer protocolo e que os sistemas de IA não estão —e não são capazes de estar— preparados para resolver.
Marcelo Veras, psicanalista e psiquiatra, coordenador do Programa de Saúde Mental e Bem Estar da UFBA (Universidade Federal da Bahia), diz que o atendimento imediato à tentativa ou ideação suicida é fundamental, e pode ser um ponto positivo das tecnologias. Porém, é uma ilusão acreditar que a IA conseguiria ser totalmente espelhada em um humano.
1 8 O que é depressão
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... "A psicanálise sabe que tem uma opacidade, e lidar com essa opacidade é uma função clínica de humanos. A inteligência artificial vai responder com protocolos, com dados estatísticos, sem que haja um humano no outro lado da linha."
Por exemplo, ele diz acreditar que um protocolo de medicina baseada em evidências ou da psicologia cognitiva baseada em evidências pode ser assimilado pelos chatbots, mas nem sempre teríamos a certeza de que algo está acontecendo, porque ainda seria em um desejo inconsciente do usuário. Ao passo que um profissional bem treinado consegue estar atento a detalhes específicos da fala e do comportamento do paciente, o que a tecnologia não é capaz de fazer.
Em seu livro "A Morte de Si", publicado pela Editora Cult, Veras reflete sobre o suicídio de forma multifatorial e complexa. Em um capítulo intitulado "A solidão dos hiperconectados", o psiquiatra aborda como a agressividade das redes sociais é prejudicial para a saúde mental e como contribui para uma crise de sentido da sociedade.
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Um adolescente se suicidou, o ChatGPT foi o amigo em quem ele confiou; agora a família processa a OpenAI Pais de adolescente que se suicidou após conversa com ChatGPT processam OpenAI O que minha filha disse ao ChatGPT antes de tirar a própria vida Conversas com chatbot de IA levam usuários a crises existenciais, delírios e psicose Buscar única causa para suicídio é o pior erro, diz psicóloga Para ele, as redes criam bolhas de segregação e fazem com que estejamos vivendo um período de extrema frustração, sem saber como lidar com ela. "A vida virou um espaço achatado entre dois chats. Então a gente está permanentemente achando que está se conectado com alguém, quando no fundo a solidão é muito grande."
Isso se reflete também em um "cancelamento" fácil. "Ou seja, se alguém me frustra ou pensa diferente de mim, basta deletá-la, como se nunca estivesse existido. Isso vale também para a vida, que se cria uma noção de 'auto desaparecimento'", coloca Veras, como se a vida fosse um videogame.
Nicolelis destaca que o modelo, assim como o algoritmo, é treinado para reforçar as crenças que a pessoa coloca no sistema, como que para "agradar" quem está do outro lado da tela. Esse aspecto faz com que as pessoas deixem de desenvolver habilidades para se relacionar socialmente.
"O suicídio não ocorre só pela interação direta com esses sistemas, mas como consequência da ansiedade, da depressão e dos distúrbios emocionais que aparecem por você não conseguir mais viver ao redor de seres humanos", diz.
Para que a interação com a IA nesse contexto fique mais segura, Cortiz diz que é viável empregar um protocolo específico para que os chatbots entrem em contato com autoridades ou grupos especializados quando detectarem usuários com ideação suicida.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou por unanimidade proposta de resolução que cria um modelo nacional com regras para a concessão de alvarás judiciais destinados à participação de crianças e adolescentes em atividades artísticas no ambiente digital. A iniciativa fortalece mecanismos de proteção diante do crescimento da exposição infantojuvenil em plataformas digitais e redes sociais. A votação aconteceu, nesta terça-feira (23), durante a 10ª Sessão Ordinária do órgão. A medida entra em vigor na data da publicação da norma. A resolução aprovada trata de casos previstos no Decreto n. 12.880/2026 e alcança conteúdos publicados em perfis, canais ou espaços digitais dos próprios jovens, de responsáveis ou de terceiros, quando a imagem, a voz ou a rotina de crianças e adolescentes for explorada de forma habitual, em conteúdos monetizados ou impulsionados nas plataformas digitais. Pela proposta, a autorização judicial deverá ser individual para cada criança ou adolescente, mesmo quando a atividade envolver participação coletiva. A análise dos pedidos deverá ser feita caso a caso, considerando aspectos como a frequência da exposição, o conteúdo produzido, as formas de divulgação, eventual monetização e impulsionamento, bem como a compatibilidade da atividade com o desenvolvimento físico, psíquico, moral, social e educacional da criança ou do adolescente. O compartilhamento ocasional de imagens de crianças não é o foco do ato normativo. O relator, conselheiro Fabio Esteves, que participou remotamente da sessão, explicou que se a resolução reúne cuidados e exigências que buscam proteger crianças e adolescentes de práticas e exposições não compatíveis com a idade, capacidade de compreensão e fase de desenvolvimento. “Não estamos aqui para permitir o trabalho infantil dissimulado de práticas artísticas, mas estabelecer parâmetros nacionais para a atuação do Judiciário em um cenário cada vez mais presente na vida de crianças e adolescentes”, afirmou. O magistrado ressaltou que toda interpretação e aplicação da norma deverá observar princípios previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), fazendo a proteção integral para a garantia do melhor interesse da criança e do adolescente. Limites Para garantir a proteção integral para crianças e adolescentes, ao conceder o alvará, o juiz deve analisar os limites para horários, frequência e duração das atividades, garantia de períodos de descanso e alimentação, proteção da saúde física e emocional e preservação da frequência escolar e do desempenho educacional. Também estão previstas medidas específicas para assegurar a privacidade, a imagem, a voz e os dados pessoais das crianças e adolescentes envolvidos nas atividades autorizadas. A proposta de Resolução, que se fundamenta na Constituição Federal, no ECA e na Convenção n. 138, da OIT, veda a participação dos jovens em conteúdos erotizados ou de natureza sexual, situações vexatórias, degradantes ou que violem direitos fundamentais. Participações relacionadas à publicidade infantil abusiva, à divulgação de produtos cuja comercialização seja vedada a esse público e a conteúdos que promovam apostas, jogos de azar ou atividades equivalentes também estão proibidas. A vedação alcança ainda conteúdos que incentivem comportamentos perigosos, discursos de ódio, discriminação e outras formas de violência contra grupos vulneráveis, além de situações enquadradas entre as piores formas de trabalho infantil. Na análise do pedido, o Judiciário deverá observar elementos relevantes para o caso concreto, como a manifestação da própria criança ou adolescente, a carga de exposição e a frequência das aparições, assim como eventuais índices de exploração indevida. Prazos Os alvarás terão prazo determinado e deverão observar as características de cada atividade. Pela minuta, o período máximo de vigência será de até 12 meses para crianças e de até 18 meses para adolescentes. Eventuais renovações dependerão de nova análise judicial, levando em conta o cumprimento das condições anteriormente fixadas e a evolução da exposição digital. Patrimônio protegido Aos magistrados e magistradas também caberá determinar mecanismos de proteção patrimonial. Entre as possibilidades previstas está a constituição de reservas financeiras em nome da criança ou do adolescente e o estabelecimento de controles sobre a destinação dos recursos, como forma de proteção do patrimônio auferido pelas crianças em retribuição às suas participações nos conteúdos que circulam pelas plataformas. Fiscalização O Ministério Público participará obrigatoriamente de todos os processos de autorização. Em situações que indiquem possível exploração econômica indevida ou trabalho infantil irregular, o magistrado poderá comunicar órgãos de fiscalização do trabalho, como o Ministério Público do Trabalho (MPT), assim como o Conselho Tutelar. A norma também cria o Banco Nacional de Alvarás para Atividade Artística de Crianças e Adolescentes (BNAC), sistema que será mantido pelo CNJ para registrar e consolidar informações sobre alvarás expedidos para esse fim em todo o território nacional. O BNAC permitirá acompanhar a validade das autorizações, subsidiar a formulação de políticas públicas e produzir indicadores sobre a participação de crianças e adolescentes em atividades artísticas no ambiente digital. A ferramenta também deverá possibilitar a visualização do histórico de decisões relacionadas à mesma criança ou adolescente, contribuindo para a avaliação da carga de exposição e das medidas de proteção necessárias em cada caso. Processo: 0004036-07.2026.2.00.0000
Toda sociedade que acredita na igualdade de oportunidades costuma assumir um bonito compromisso com suas crianças. O compromisso de que o lugar onde alguém nasce não deve decidir o tamanho do seu futuro. Trabalho duro e estudo deveriam abrir horizontes. Mesmo quando o caminho começa difícil, deveria existir uma estrada possível entre a origem e o destino. A Curva do Grande Gatsby ajuda a entender por que esse compromisso parece tão distante para as gerações mais jovens. Ela mostra uma relação na qual países com maior desigualdade tendem a ter menor mobilidade entre gerações. À medida que a distância entre ricos e pobres cresce demais, fica mais difícil para os filhos dos mais pobres subir e mais fácil para os filhos dos mais ricos permanecer no topo. O Brasil aparece como um dos casos mais expressivos dessa tensão. Nossa concentração de riqueza e renda faz com que a origem familiar tenha um peso muito alto na vida adulta. Nascer em uma família rica costuma significar acesso a uma série de vantagens. Nascer em uma família de classe média baixa ou pobre, por outro lado, significa começar a corrida muitos metros atrás e com responsabilidades adultas chegando cedo demais. É por isso que a desigualdade brasileira não afeta apenas o presente. Ela atravessa gerações. A renda e a riqueza concentradas no topo tendem a se converter em investimento privado nos filhos, em herança, em moradia melhor, em escolas melhores e em uma rede de proteção que reduz o custo dos fracassos. Agora, se você nasce na classe média ou na pobreza, você terá muito menos tempo disponível para construir o próprio caminho. A comparação com países nórdicos, como Suécia e Noruega, ajuda a iluminar esse contraste. Esses países também têm os seus desafios. A diferença é que a distância entre os grupos costuma ser menor e o Estado atua com mais força para impedir que a origem defina o destino. Maior equilíbrio salarial e sistemas tributários mais progressivos, por exemplo, reduzem o peso da origem familiar sobre a trajetória dos filhos. Assim, nesses países, a criança depende menos dos recursos dos pais para acessar boas oportunidades. No Brasil, a origem familiar ainda funciona como um fator decisivo na definição das oportunidades disponíveis. Nesse contexto, durante muito tempo, dissemos aos mais jovens que bastava aceitar sacrifícios e adiar recompensas. Muitos acreditaram nessa história. Alguns fizeram cursos, outros acumularam diplomas, entraram em estágios, aceitaram salários apertados, moraram mais tempo com os pais, adiaram filhos, adiaram casa e adiaram até a sensação de estar vivendo a própria vida. E então surge uma pergunta que ninguém parece estar escutando: por que tanto esforço compra tão pouco futuro? A frustração que nasce daí tem nome técnico e tem nome humano. O nome técnico é baixa mobilidade intergeracional. O nome humano é a sensação de correr numa esteira que acelera sozinha, em que você se esforça cada vez mais para permanecer exatamente no mesmo lugar. E existe um risco político nisso que poucos estão levando a sério. Uma sociedade que entrega estagnação produz uma juventude ressentida, e o ressentimento costuma procurar culpados antes de procurar soluções.
Pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que 27% de executivos das indústrias nacionais defendem a aproximação entre empresas e universidades como a chave para aumentar a produtividade por meio de P&D (pesquisa e desenvolvimento). A porcentagem é superior à defesa de incentivos fiscais para inovação, citada por 22% dos entrevistados. Também está à frente da garantia da continuidade de recursos (18%). Foram 15% os que apontaram a inteligência artificial como prioridade. Isso significa que, para maior parte do setor industrial, o gargalo não está apenas no volume de recursos públicos, mas na capacidade de fazer a produção científica se incorporar à produção. A pesquisa foi conduzida pela Nexus. Foram entrevistados 1.003 executivos de pequenas, médias e grandes indústrias de todas as regiões do país, entre maio e junho deste ano. O Brasil destina cerca de 1,2% do PIB a P&D, patamar próximo ao de Espanha, Itália e Portugal. Países como Coreia do Sul, Alemanha, Japão, Estados Unidos e Israel investem mais do que o dobro do Brasil: a partir de 2,5% do PIB na área.
O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou nesta terça-feira (23) as novas regras de oferta de cursos de formação inicial de professores, após meses de idas e vindas causadas por disputas centradas na exigência de presencialidade. O texto final definiu que essas graduações, de formato semipresencial, deverão ter obrigatoriamente 50% das aulas em formato presencial. Como a Folha mostrou, o órgão estava pronto para aprovar em fevereiro, com anuência do MEC (Ministério da Educação), versão que permitia menos aulas presenciais, mas houve recuo após repercussão ruim. A versão final, que agora segue para homologação do ministro da Educação, Leonardo Barchini, incluiu uma inovação ao relacionar a carga horária total ao desempenho no Enade, a avaliação federal feita por concluintes. Cursos que tiverem por dois anos consecutivos notas 1 ou 2 —consideradas insatisfatórias— terão de garantir que outras 20% da carga horária sejam em atividades EAD ao vivo (a chamada síncrona mediada) ou presencial. Por outro lado, cursos com a nota mínima para funcionamento (3), não precisarão cumprir essa exigência. A discussão das novas "Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial em Nível Superior de Profissionais do Magistério da Educação Escolar Básica" foi marcada por pressão do mercado privado de ensino superior, que buscava flexibilizar exigências de maior carga horária presencial. Este texto busca adequar as diretrizes a mudanças recentes na legislação. O MEC proibiu graduações 100% EAD na formação de professores e criou um novo marco do EAD, estabelecendo uma nova modalidade de ensino, a semipresencial. Os percentuais de presencialidade falam exatamente da oferta semipresencial. Alunos hoje matriculados em cursos de licenciaturas ou pedagogia EAD não serão afetados, e poderão terminar suas graduações no mesmo formato. As novas diretrizes passam a valer somente a partir de dezembro de 2027. A Folha mostrou que o CNE estava pronto para votar em fevereiro uma alteração que reduziria para 40% essa exigência, em uma proposta com anuência do MEC (Ministério da Educação) do governo Lula (PT). Após má repercussão, o conselho adiou a deliberação final, recuou com relação aos 40% e criou uma consulta pública somente com o objetivo de postergar a definição. Questionado sobre se há anuência ao texto atual, o MEC disse por nota que "aguardará o envio da redação final do texto aprovado". Dois secretários da pasta, que compõem o CNE, votaram com os demais membros do conselho para validar as mudanças. A discussão desta terça teve início ainda no período da manhã, em reunião fechada, a partir de uma minuta que passou a prever a inclusão do Enade como critério para a definição da carga horária total. "A justificativa dessa alternativa" diz o texto da minuta, "é incorporar o critério de avaliação de qualidade –o qual, como seu viu, é adotado pela legislação educacional de maneira geral– como elemento adicional a fim de que os cursos bem avaliados possam se valer de maior amplitude na sua organização acadêmica, inclusive no aspecto da presencialidade, relativamente aos 20% adicionais". A versão final ainda não está disponível e passa pelos ajustes de redação definidos na reunião do CNE. A escala do Enade vai de 1 a 5, sendo as duas faixas superiores consideradas como cursos de excelência. No último Enade, 35% dos cursos ficaram com notas 1 e 2 —sendo virtualmente passíveis de precisar ofertar um adicional de aulas síncronas. Esses cursos concentram 61% dos concluintes. Por outro lado, 18% dos cursos estão no conceito 3, desempenho considerado mínimo para funcionamento do curso. A forma e o prazo para que as instituições de ensino se adequem a essa exigência dos 20% adicionais de atividades síncronas mediadas serão regulamentadas pelo MEC. Atividade síncrona mediada deve ser realizada em grupo de até 70 alunos por professor ou mediador pedagógico, e controle de frequência. O presidente do CNE, Cesar Callegari, disse que o texto reflete o consenso possível dentro do CNE e na interlocução com o MEC. "Houve avanços importantes e precisamos considerar esse texto como resolução geral, que ainda serão contempladas com revisão das diretrizes de cada uma das licenciaturas [como matemática e língua portuguesa]", disse ele. Callegari ressalta como positivas a vinculação de carga horária ao desempenho dos cursos e a definição de que os mediadores pedagógicos (em atividades síncronas) devem ser professores da área. A norma organiza as exigências de presencialidade a partir de cada um de 4 núcleos: formação geral, conhecimentos específicos, extensão e estágio. Das 2.480 horas relacionadas à formação geral e específica de cada curso, 950 horas deverão ser presenciais. O que resulta em 30% da carga total. O restante de presencialidade exigida, para chegar aos 50% do total, está relacionado ao estágio e a atividades de extensão. Mais da metade dos formados em licenciaturas no ano passado estudou em cursos ofertados a distância com desempenho insuficiente, mostrou os dados do Enade de Licenciaturas, divulgado em maio. Desse total de alunos formados em cursos a distância com nota insatisfatória, 97,5% estavam na rede particular. O EAD tem sido uma das grandes apostas de lucro do mercado de ensino superior, sobretudo de grandes grupos. A licenciatura em pedagogia é o curso com maior número de matrículas no país e mais da metade dos 887 mil alunos dessa graduação estavam nessa modalidade em 2024, dado mais atual. Entidades representativas de secretários de Educação vinham pressionando o CNE e o MEC para garantir mais presencialidade na formação inicial de professores. O movimento Todos Pela Educação também tem se juntado a esse coro. "Essa proposta deixa claro, mais uma vez, que o debate para os defensores do EAD não gira em torno de qual é o melhor modelo para formar professores, mas de qual é a forma de preservar ao máximo o modelo hoje existente. Pode ser uma solução conveniente para quem oferta os cursos, mas certamente não para o país, que precisa de uma formação docente de maior qualidade", diz Priscila Cruz, do Todos pela Educação.
O circuito de artes visuais de Los Angeles, nos Estados Unidos, conta com o espaço de exposição "Dataland", um complexo museológico projetado para o desenvolvimento e exibição de obras criadas por meio de sistemas de Inteligência Artificial (IA). A mostra inaugural baseia-se em uma representação digital imersiva e responsiva da Floresta Amazônica.
Os dados mostram esse desequilíbrio na formação da área. Segundo o Seesp (Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo), com base no Censo da Educação Superior do governo federal, dos 87.749 formados em engenharia em 2024, 22.721 (26%) eram mulheres, ante 65.027 homens. Na Poli, mulheres são cerca de 20% dos alunos e pouco mais de 15% dos docentes.
O governo do presidente Lula (PT) atualizou o Ligue 180 para incluir nos crimes registrados pela central de atendimento delitos como estupro virtual, sextorsão (extorsão sexual digital) e violência psicológica com uso de conteúdos criados com inteligência artificial, por exemplo, deepfakes.
Plano foi denunciado pelo FBI à polícia brasileira após dados enviados pela OpenAI, dona do ChatGPT. Suspeito também pensava em realizar atentados contra escolas, igrejas e autoridades públicas.
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