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April 20, 2012 1:47 PM
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BG dá início a construção de polo bilionário

O Centro Global  de Tecnologia (CGT) que a britânica BG Group começará a construir em  breve no Rio de Janeiro vai nascer com uma meta ambiciosa: tornar-se um  polo de excelência no Brasil para a indústria mundial de petróleo e gás.  O CGT é a ponta-de-lança da política de pesquisa e desenvolvimento  (P&D) da BG no país, com investimento estimado em US$ 2 bilhões até  2025. Uma referência para a empresa do que será possível fazer em termos  de P&D no mercado brasileiro vem do Instituto Tecnológico de  Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos (SP). "O ITA transformou-se em  um dos grandes centros de tecnologia aeronáutica do mundo", compara  Henrique Rzezinski, vice-presidente de assuntos corporativos e de  políticas públicas da BG Brasil.

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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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Today, 9:02 AM
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O desperdício da inteligência - Simon Schwartzman

O desperdício da inteligência - Simon Schwartzman | Inovação Educacional | Scoop.it
Em seu livro, João Batista agumenta que o crescimento econômico no século XXI não depende mais predominantemente de capital físico ou da expansão média da escolaridade, mas da capacidade de identificar e desenvolver os indivíduos capazes de operar na fronteira do conhecimento. Uma fração pequena da população responde por parcela desproporcional das inovações, patentes e rupturas tecnológicas que movem economias intensivas em conhecimento. O resultado do descaso brasileiro com essa agenda é, suas palavras , “um desperdício silencioso de inteligência — invisível nas estatísticas, mas economicamente mensurável em inovação que não ocorre, empresas que não surgem, tecnologias que não são desenvolvidas e liderança científica que não se consolida.”

O que fazer? Primeiro, é preciso identificar as crianças de alto potencial o mais cedo possível, esteja onde estiverem,. A identificação deve ser universal, e não pode ser baseada em indicação de professores, que tendem a reproduzir as desigualdades de origem. Ela deve ser feita por instrumentos padronizados de avaliação cognitiva aplicados a toda a população escolar, de forma precoce e com possibilidade de reavaliação ao longo da trajetória. Estudos americanos mostram que triagens universais aumentam substancialmente a identificação de alunos de alta capacidade oriundos de famílias de baixa renda que, de outra forma, permaneceriam invisíveis. Uma vez identificados, esses alunos precisam de três coisas que a escola comum não oferece: aceleração curricular compatível com seu ritmo de aprendizagem, currículos de alta exigência conceitual e convivência com pares de capacidade equivalente, que é o que estimula e mantém o engajamento intelectual. Países que levam isso a sério — Estados Unidos, Coreia do Sul, Singapura, Israel — operam com arquiteturas integradas: escolas seletivas, olimpíadas robustas, institutos científicos para jovens, programas de mentoria com pesquisadores em atividade.
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Today, 8:28 AM
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Clavicular e o algoritmo da beleza

Clavicular e o algoritmo da beleza | Inovação Educacional | Scoop.it
Clavicular ganha a vida dizendo aos outros quanto seus rostos valem. Virou sucesso na internet ao encarnar a promessa de que marteladas no maxilar, somadas a estratégias ainda menos convencionais, poderiam transformar um "subumano" num "semideus", os dois polos da hierarquia que organiza seu mundo. Em poucos meses, converteu-se numa espécie de Bryan Johnson do looksmaxxing, cultura saída das vizinhanças incel que promete tirar o rosto do campo da sorte.

As notas que ele distribui por onde passa são demolidoras. A sala pode rir, o entrevistador pode tentar salvar a cena com uma piada, mas Clavicular segue impávido, professando suas análises como o plantonista que lê a ficha do último acidentado. É que a crueldade tem método: grau de inclinação dos olhos, ângulo da mandíbula, proporção entre os terços do rosto e outros fatores da escala PSL, criada em fóruns nos quais a humilhação erótica virou sistema de classificação.


O influenciador Clavicular - Clavicular no X
Há quem veja na falta de ciência dos looksmaxxers a prova de que beleza é apenas gosto. Erro. Opiniões convergem mais do que gostaríamos. Um rosto bonito no Japão dispensa apresentações no Brasil. O mesmo vale para cães, flores ou frutas. Quem psicologiza transforma cada preferência em autobiografia; quem culturaliza reduz cada gosto a tribo; mas fato é que até recém-nascidos olham por mais tempo para faces que adultos consideram atraentes.

Esse raciocínio esconde uma consequência radical. Se a beleza existe em si mesma, nada impede a aparição de humanos superestéticos —mais belos do que qualquer um avistável por aqui. A hipótese parece nova, mas vem sendo testada pela arte há milênios. Por volta de 400 a.C., Zeuxis foi chamado para pintar Helena de Troia e não encontrou mulher à altura do mito. Escolheu várias jovens de Crotona e tomou de cada uma as partes mais vistosas. O ideal nascia como montagem.

Quando a onda dos fakes por IA começou, ninguém imaginava que ela se alastraria menos como fraude do que como indígenas de seios altos e pele perfeita, torcedoras de decotes patrióticos, cada uma a mais bela de seu país, e homens de feições benignas e olhares predatórios. São eles, os fantasmas da máquina, a verdade mais profunda dos looksmaxxers.

Só que essa verdade não surge da montagem correta de partes, como supuseram Zeuxis, Clavicular e o cânone que se formou entre eles; ela surge no espaço latente de uma rede neural, segundo princípios inacessíveis até para seu criador. Nesse território de todos os rostos possíveis, a máquina vagueia até encontrar as regiões raras em que quase nada falha.


O rapaz americano está certo ao apostar que a aparência obedece a padrões e pode ser corrigida. Dentes alinham, poros se fecham, cirurgias funcionam. Seu engano é estender o raciocínio do reparo local até o topo da escala, onde, como revelam os influencers sintéticos, vigora uma geometria sem corpo, tempo ou acaso, pouco afeita à régua e ao compasso.

Ele é menos um excêntrico da estética do que o devoto de um ideal incompatível com a carne. Prega que tudo se alcança por método e atrai multidões de jovens ansiosos por transformar vergonha em mapa e angústia em protocolo. Porém, no jogo do propósito algorítmico, seu personagem sempre perde. Acredita estar vencendo uma disputa com a vida, mas joga a velha partida contra a morte.
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June 15, 2:33 PM
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Inteligência artificial veste o jaleco da saúde

Inteligência artificial veste o jaleco da saúde | Inovação Educacional | Scoop.it

A inteligência artificial avança no dia a dia das pessoas e das empresas, mas também dentro de hospitais públicos e privados do Brasil. Ela já escuta conversas entre médico e paciente para construir prontuários, sugerir diagnósticos e identificar se o paciente pode ter piora clínica ou receber alta.
Segundo a pesquisa TIC Saúde 2025, a inteligência artificial é utilizada por 18% dos estabelecimentos de saúde do Brasil. Na edição anterior, o uso era de apenas 4%. As ferramentas mais adotadas foram modelos de linguagem generativa (76%), como o ChatGPT, além de mineração de texto e análise de linguagem (52%), automatização de processos de fluxo de trabalho (48%) e reconhecimento de fala (26%).
A pesquisa aponta que o maior uso ocorre em estabelecimentos com mais de 50 leitos de internação e naqueles que ofereciam Serviço de Apoio à Diagnose e Terapia (SADT), como radiologia e ultrassonografia. O resultado indica que o uso da IA está relacionado a ambientes com maior complexidade assistencial, ao volume de dados clínicos gerados e a locais com infraestrutura tecnológica mais avançada.
A percepção de que houve crescimento dos sistemas de IA em todas as fases da assistência à saúde, junto ao surgimento de questões éticas e legais, também levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a criar, em fevereiro, uma norma para regulamentar o uso da tecnologia entre médicos. Um projeto de lei que estabelece um marco regulatório para IA no Brasil continua em discussão na Câmara dos Deputados, após passar pelo Senado.
Segundo o professor Alexandro Chiavegatto, da Faculdade de Saúde Pública da USP, a inteligência artificial já é uma realidade na gestão hospitalar. Há também uso da tecnologia para reduzir burocracias e preenchimento de prontuários. O uso mais impactante ainda está em estágio inicial: apoio ao diagnóstico.
A empresa CTC criou uma ferramenta de IA chamada Lya Health, que escuta e transcreve a conversa entre paciente e médico, organiza o prontuário e sugere perguntas e até possíveis diagnósticos. A decisão final continua sendo do profissional, que revisa e assina as informações. “A tecnologia jamais pode substituir o médico”, diz Valter Lima, CEO da empresa. Segundo ele, o sistema permite que o médico dê mais atenção ao paciente durante a consulta, além de melhorar a qualidade das informações registradas. Na Santa Casa de São Paulo, a ferramenta é usada no centro cirúrgico e ajuda a construir os resumos clínicos.
Lima diz que os dados de pacientes sempre foram sensíveis para o setor de saúde. No caso da ferramenta, eles não ficam armazenados no sistema da empresa, mas na infraestrutura do próprio hospital. Segundo ele, a conversa entre médico e paciente é apagada após a consulta, e a tecnologia não utiliza esse conteúdo para aprendizado.
A ferramenta da Munai se integra ao prontuário e organiza dados, gerando alertas sobre pacientes com possibilidade de alta ou piora clínica. Cabe ao médico a decisão final. Segundo o infectologista Hugo Morales, cofundador e diretor médico da empresa, a ferramenta torna o acesso à informação mais fácil para as equipes médicas e ajuda a reduzir situações mais graves na enfermaria, como paradas cardiorrespiratórias.
“Não damos diagnóstico, a ferramenta não afirma: ‘esse paciente tem pneumonia’. Não é isso. Ela indica: ‘esse paciente, com base nos 120 mil atendimentos analisados e de acordo com o protocolo do hospital, está em curva de piora, é preciso avaliá-lo’”, explica.
O governo federal anunciou a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS, com investimento em IA, big data e outras tecnologias digitais. Entre os destaques, está o uso de IA para automatizar a triagem de pacientes e otimizar o agendamento de consultas no futuro hospital inteligente que será construído em São Paulo.
Segundo o conselheiro federal e coordenador da comissão de IA do CFM, Jeancarlo Cavalcante, uma resolução do órgão que normatiza o uso da tecnologia em todo o território nacional, busca dar maior segurança ao uso das ferramentas. A norma foi publicada em fevereiro para vigorar 180 dias depois.
“O profissional pode utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio, mas a decisão clínica deve ser sempre do médico”, diz.
A resolução também estabelece que o paciente tem direito de ser informado sempre que a IA for utilizada e que o médico não pode ser responsabilizado indevidamente por falhas específicas dos sistemas de IA, desde que comprovado o uso crítico e ético da ferramenta.
Para o conselheiro, a norma não altera a rotina dos médicos, mas impacta as instituições de saúde, que também terão de criar uma comissão de IA e telemedicina. Cavalcante afirma que a norma será revista sempre que necessário.
Duas resoluções da Anvisa também regulamentam os softwares médicos, incluindo os que usam IA.
Rafael Zanatta, codiretor da Data Privacy Brasil, diz que a saúde é citada pelo menos cinco vezes no texto do projeto de lei que trata de IA no Congresso. Tecnologias usadas para auxiliar diagnósticos, quando houver risco relevante à integridade física ou mental das pessoas, são enquadradas como de “alto risco”.
Zanatta explica ainda que o projeto prevê que empresas, profissionais e setores econômicos possam criar suas próprias regras para o uso da tecnologia. O texto também permite a criação de entidades sem fins lucrativos para definir padrões, trocar experiências e dialogar com o poder público, desde que respeitem as regras de concorrência.
Esses mecanismos devem se integrar ao Sistema Nacional de Regulação e Governança de IA (SIA), coordenado pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
O relator do projeto, deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que vai retirar do texto os trechos que classificam os níveis de risco dos sistemas de IA, segundo informações do jornal O Globo. Para ele, essa responsabilidade deve caber às agências reguladoras.
Chiavegatto acredita que ainda não é o momento para uma regulação, mas que é necessário continuar fomentando o debate e observando os rumos da IA. Para Zanatta, regular não significa travar a inovação.
Chiavegatto considera que o primeiro obstáculo ao avanço da tecnologia na saúde é a aceitação por parte de profissionais e pacientes. Segundo o pesquisador, essa barreira vem sendo superada rapidamente, com o uso cada vez mais frequente de ferramentas digitais para tirar dúvidas e relembrar informações.
Outro desafio é o aprimoramento dos algoritmos, além da necessidade de ampliar a base de dados com informações de todo o país. Ele avalia que, quando o assunto é dados, o SUS sai na frente. Em contrapartida, hospitais privados investem mais. Mesmo assim, o avanço da tecnologia esbarra em uma dificuldade comum aos dois setores: a escassez de capital humano qualificado. “Para treinar o algoritmo, você precisa de profissionais capacitados e esse é o mesmo perfil demandado, por exemplo, pelo mercado financeiro.”
Morales avalia que o Brasil está um pouco atrás de grandes potências como China e Estados Unidos, mas que há espaço para desenvolver soluções voltadas a problemas específicos do sistema de saúde. “Temos excelentes desenvolvedores, e o custo de desenvolvimento aqui é menor do que nos Estados Unidos e na Europa”, afirma.
Para Lima, o Brasil não está atrasado no desenvolvimento de soluções com inteligência artificial na saúde, já que se trata de um campo recente. Ele também afirma que o país tem a oportunidade de ampliar o acesso à tecnologia por meio do SUS.

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June 15, 10:14 AM
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O dilema da formação docente a distância

O dilema da formação docente a distância | Inovação Educacional | Scoop.it
Uma das críticas mais recorrentes ao aumento da presencialidade na formação docente aponta que a realidade impõe barreiras de acesso ao ensino superior, especialmente em áreas remotas, de modo que a educação a distância (EAD) cumpriria a função de incluir estudantes historicamente excluídos. Esse argumento parte de um problema real: o Brasil ainda não conseguiu garantir acesso amplo e equitativo ao ensino superior presencial.

Mas uma questão precisa ser enfrentada com honestidade: não se corrige um problema criando outro. Se é legítimo ampliar o acesso, também é indispensável perguntar qual a qualidade da formação oferecida e que inclusão ela promove. Há pelo menos duas dimensões dessa discussão que não podem ser ignoradas.

A primeira diz respeito ao tamanho do desafio educacional brasileiro e qual profissional é necessário para enfrentá-lo. De um lado, precisamos promover a aprendizagem adequada de milhões de estudantes que hoje concluem a educação básica com repertório muito aquém do necessário para navegar o mundo de maneira autônoma, crítica e transformadora. Por outro lado, garantir essa aprendizagem se torna cada dia mais complexo diante das mudanças provocadas por tecnologias digitais. Professores precisam lidar com dificuldades de engajamento, fragmentação da atenção, impactos na saúde mental e novos desafios de convivência que atravessam as salas de aula.

Assim, formar professores exige ampliar oportunidades de aprendizagem, fortalecer experiências práticas, garantir acompanhamento próximo e construir interações qualificadas entre futuros docentes, seus pares e seus formadores. Se queremos que os professores sejam capazes de enfrentar os desafios cognitivos, sociais e emocionais das próximas gerações, precisamos investir ainda mais na qualidade de sua formação.

A segunda dimensão da discussão envolve o perfil dos próprios estudantes das licenciaturas. Um cruzamento de dados do Censo do Ensino Superior e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) mostrou que, para estudantes que fizeram o exame, mais da metade dos ingressantes em licenciaturas EAD se encontra nos dois quintis inferiores de desempenho.

Isso significa que muitos licenciandos chegam ao ensino superior com lacunas importantes em sua trajetória escolar. São estudantes que precisam de maior apoio acadêmico, acompanhamento contínuo e interações intensivas com docentes experientes para consolidar conhecimentos básicos e desenvolver o repertório especializado necessário ao exercício da docência. É justamente por isso que a defesa de modelos formativos EAD produz uma contradição profunda. Os estudantes que mais precisam de acompanhamento qualificado acabam submetidos às formações mais empobrecidas em termos de convivência acadêmica, práticas supervisionadas e interação pedagógica.

Nesse sentido, que inclusão está sendo promovida? A ampliação do acesso só se transforma em inclusão real quando vem acompanhada de condições efetivas de aprendizagem e desenvolvimento profissional. Caso contrário, corre-se o risco de produzir uma inclusão apenas formal, sem a preparação para o exercício da profissão.

Os resultados mais recentes do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) das Licenciaturas, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), reforçam esse ponto. Mais da metade dos estudantes formados em cursos EAD não alcançou sequer o nível considerado básico no exame, patamar definido pelo próprio Inep como mínimo esperado para o exercício da docência.

O dado é grave porque revela um paradoxo: estudantes ingressam no ensino superior buscando ampliar suas oportunidades, investem anos de suas vidas e recursos financeiros, mas concluem o curso sem dominar conhecimentos elementares para a profissão que irão exercer. Isso não representa inclusão plena. Representa, muitas vezes, a substituição da exclusão de acesso por outra forma de exclusão: a das oportunidades reais de desenvolvimento profissional e de inserção qualificada no mundo do trabalho.

Mais grave ainda: quando esses profissionais chegam às escolas sem a formação necessária, os maiores impactos tendem a recair justamente sobre os territórios mais vulneráveis do País, aqueles que mais necessitam de professores altamente preparados. Não por acaso, análises do Todos Pela Educação mostram que os cursos com piores resultados concentram-se justamente nas regiões mais remotas e com menor oferta educacional.

Por isso, não parece razoável enfrentar um problema tão complexo olhando apenas para a dimensão do acesso. A expansão de vagas é importante, mas ela não pode ocorrer à custa da qualidade da formação oferecida. Se acreditamos que a educação é estratégica para o futuro do País, precisamos reconhecer que não haverá aprendizagem de qualidade sem professores bem formados.

Incluir não é apenas permitir a entrada no ensino superior. Incluir é garantir que os futuros professores tenham condições reais de aprender, se desenvolver e exercer bem a profissão. Nenhum país supera desigualdades educacionais resolvendo um problema enquanto cria outro ainda maior.
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June 15, 7:18 AM
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As guerras que não vemos 

As guerras que não vemos  | Inovação Educacional | Scoop.it
O mesmo levantamento mostra que a África concentrou 29 dos 65 conflitos armados envolvendo Estados, mais do que qualquer outra região do mundo. O Oriente Médio atingiu seu maior número de conflitos desde 1946. A Ásia viveu o nível mais elevado desde 1994. E o Haiti, praticamente ausente do debate internacional, viu as mortes em conflitos saltarem de cerca de 200 para mais de 1.200 em um ano.

Em "Os Condenados da Terra", Frantz Fanon mostra como o racismo subjuga determinados corpos, reduzindo ou retirando completamente sua humanidade como justificativa da violência e da exploração. Determinadas vidas são reconhecidas como humanas, e as vidas consideradas "outras" não têm o mesmo valor.

A Guerra da Ucrânia produz mobilização diplomática imediata, cobertura diária detalhada da imprensa internacional e sucessivas análises estratégicas. O massacre de El Fasher, no Sudão, que se estima ter chegado a quase 60 mil mortos em uma única semana de outubro de 2025, permaneceu praticamente invisível no debate internacional.
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June 15, 7:16 AM
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EUA proíbem estrangeiros de usar modelo de IA

EUA proíbem estrangeiros de usar modelo de IA | Inovação Educacional | Scoop.it

Na última sexta os EUA proibiram o uso do modelo de IA mais poderoso da Anthropic por "estrangeiros". Você não leu errado. O critério da proibição é nacionalidade, algo inédito nesse contexto. Mesmo quem mora nos EUA mas não tem cidadania está proibido de usar o modelo. Estão banidos também os próprios funcionários estrangeiros da empresa.
Dada a impossibilidade de cumprir uma ordem assim, já que não é fácil determinar a cidadania de cada usuário, a Anthropic decidiu suspender o acesso do seu modelo mais avançado para todo mundo, indiscriminadamente.
A decisão de Washington acendeu um alerta global. E de quebra mostrou o que "soberania tecnológica" significa na prática (já volto a isso).
As empresas do setor de IA gostam de dizer que a inteligência artificial é a "nova eletricidade": a nova infraestrutura em cima da qual pessoas, organizações e países vão construir suas atividades, fluxos de trabalho, estudo e até a gestão de serviços públicos. Só que os EUA não têm o poder de cortar a eletricidade de "estrangeiros". Com a IA esse poder não só existe como acaba de ser usado.
A consequência é que pessoas, organizações e países vão precisar pensar muitas vezes antes de construir em cima de uma IA que pode ser suspensa. Usar inteligência artificial requer investimento, tempo, capacitação. Nada disso se justifica se a plataforma pode deixar de funcionar a qualquer momento de forma repentina, mesmo que você dependa dela.
A proibição dos EUA repercutiu fortemente na China. Lá a ação foi chamada de qiabozi (卡脖子), que em mandarim significa "estrangular o pescoço". O termo foi usado em sentido duplo: a confirmação de que depender das IAs americanas implicaria o risco de ser estrangulado a qualquer momento. E a constatação de que a estratégia chinesa de apostar em modelos locais estava certa.
Se a geopolítica continuar interferindo na tecnologia como aconteceu desta vez, vai ser necessário pensar soberania digital em quatro níveis. O primeiro, mais elementar, é ter controle local sobre os dados no país. O segundo é ter independência na cadeia de software, auditando e mitigando a possibilidade de interferências externas. O terceiro é exigir que a infraestrutura de hardware e software seja controlada por cidadãos do próprio país. E o quarto, é ser capaz de desenvolver de forma autônoma sua própria tecnologia, incluindo modelos de inteligência artificial.
Não tirei esses níveis da minha cabeça. Essa é a classificação que a Comissão Europeia lançou no último dia 3 de junho no seu "Pacote de Soberania Tecnológica". Dadas as circunstâncias, esse sim é um modelo europeu que o Brasil poderia almejar.
Nosso país copiou a Europa para fazer sua lei de IA, em tramitação no Congresso. Mas copiou a Europa de 2019. De lá para cá a lei europeia de IA foi drasticamente simplificada. Os europeus perceberam que regulação divorciada de política industrial tem como consequência apenas atrasar as capacidades locais e gerar ainda mais dependência externa.
E vale lembrar que o Brasil não alcança sequer o nível 1. Hoje, 60% da carga digital do país está hospedada em data centers no estado da Virgínia nos EUA. Isso inclui sites, aplicativos, comércio eletrônico, operações bancárias, Pix e até serviços públicos como o SUS. As possibilidades de "qiabozi" são enormes.
E em inteligência artificial, o principal projeto público para desenvolver um modelo de IA local e soberano foi feito no Piauí, o "SoberanIA.ai". Estive em Teresina nesta semana e lá ouvi o seguinte vaticínio: "o Ministério da Defesa ainda vai precisar do SoberanIA". Talvez esse momento chegue antes do que imaginamos.
Já era - "Teoria do Domínio do Fato", em voga na Lava Jato
Já é - "Constitucionalismo abusivo", usar causas justas para passar por cima da Constituição
Já vem - "Relativismo Jurídico", aplicar a Constituição de forma diferente dependendo da causa que estiver defendendo

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June 15, 7:13 AM
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Educação midiática deve abordar manipulação emocional nas redes

Educação midiática deve abordar manipulação emocional nas redes | Inovação Educacional | Scoop.it

Plugados diariamente na internet, milhões de brasileiros passam horas se comunicando, buscando informações e se divertindo. Em 2025, segundo a pesquisa TIC Domicílios, 86% da população com dez anos ou mais estava conectada. O avanço tem sido rápido e contínuo.
Se os benefícios da web são inegáveis, os riscos também são cada vez mais visíveis. Incluem a produção e difusão de mentiras e informações incorretas, golpes financeiros e o uso compulsivo do telefone celular.
Mas, entre os problemas, a manipulação algorítmica de sentimentos como a raiva e o medo não tem merecido a devida atenção. Pesquisas realizadas na Europa indicam que ao amplificar conteúdos que causam irritação ou amedrontam, as redes sociais obtêm mais atenção e engajamento.
Ao dificultar a distinção entre o que é fato e ficção, conteúdos criados com recursos de Inteligência Artificial Generativa (IAG) complicam ainda mais as coisas.
Nosso déficit educacional também agrava este quadro. Também em 2025, o Índice de Alfabetismo Funcional (Inaf) indicou que apenas 10% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são proficientes em leitura, interpretação de textos e cálculos matemáticos elementares. Já a pesquisa Retratos da Leitura mostrou que entre 2015 e 2024 houve uma redução de 11 milhões de leitores de livros de qualquer gênero, tanto no meio impresso como online.
Enquanto milhões de alunos têm acesso a disciplinas de educação midiática na escola, quem nunca teve —seja porque já se formou, interrompeu os estudos ou nunca se matriculou no ensino formal— está mais indefeso. Vale lembrar que os papéis da escola incluem o estímulo ao pensamento crítico e à reflexão. Aliás, o direito à informação integra a Declaração de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).
Não existe solução rápida ou simples. Mas a educação e o acesso à informação qualificada despontam como uma resposta consistente. Para que esteja a serviço da verdade factual, da democracia e do bem-estar de todos, a educação midiática e informacional deve ser apartidária, condição ainda mais indispensável numa sociedade polarizada como a nossa.
Conforme a Unesco, o órgão da ONU para a educação, ciência e cultura, trata-se de uma iniciativa de aprendizagem colaborativa ao longo da vida. Logo, precisa contar com a sociedade civil, diversos níveis de governo, plataformas tecnológicas, organizações midiáticas e instituições doadoras.
Quando se trata de um esforço focado na educação informal, é importante que inclua espaços como bibliotecas, com a participação de bibliotecários. Dada sua presença em grande parte do território brasileiro e a proximidade com pessoas não matriculadas na escola, as bibliotecas oferecem oportunidades educativas em atividades como rodas de conversa.
Como boa parte dos riscos está ligada aos sentimentos, é preciso que a aprendizagem socioemocional ajude os internautas a reconhecer, refletir e saber lidar com as próprias emoções, fazendo uma pausa antes de reagir.
É um caminho para uma sociedade mais justa e civilizada.

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June 15, 7:09 AM
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Nubank: desenvolvedor acionou sistema de aviso a aplicador

Nubank: desenvolvedor acionou sistema de aviso a aplicador | Inovação Educacional | Scoop.it
Trocas de mensagens vistas pela Folha indicam que pode ter ocorrido um problema de automação do sistema, que é operado com inteligência artificial e pode ter preenchido o nome Nubank. Essas mensagens vistas pela reportagem estavam em um canal do Slack do banco digital voltado à discussão de falhas. Na noite de sexta, havia 217 respostas. O Nubank não comentou essa informação sobre a potencial falha relacionada a IA.
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June 14, 1:08 PM
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Para Aristóteles, a educação é o que nos capacita para uma vida melhor | Ensaios Aeon

Para Aristóteles, a educação é o que nos capacita para uma vida melhor | Ensaios Aeon | Inovação Educacional | Scoop.it
No entanto, a sabedoria prática, diz-nos Aristóteles, é o mesmo estado da alma que a ciência política, diferindo apenas na sua orientação: a sabedoria prática visa o bem do indivíduo; a ciência política, o bem da cidade. Mas, como os seres humanos são animais políticos – animais que só prosperam na vida como parte de uma comunidade política – as duas orientações sobrepõem-se necessariamente.

Agora, concentre-se não em sermos reféns de desejos que podem distorcer nossa percepção de valores, mas em sermos reféns de especialistas científicos que podem distorcer nosso conhecimento sobre o que é realmente bom para nós. As virtudes de caráter nos libertam do primeiro, desde que a sabedoria prática nos liberte do segundo. Mas como a sabedoria prática pode fazer isso?

É aqui que entra em cena a pessoa bem-educada. Trata-se de alguém que estuda um assunto não para adquirir conhecimento científico sobre ele, mas para se tornar um juiz criterioso: "Não ser bem-educado é simplesmente a incapacidade de discernir, em cada assunto, quais argumentos lhe pertencem e quais lhe são estranhos", diz Aristóteles. Assim, uma pessoa bem-educada em medicina, por exemplo, é capaz de julgar se alguém tratou uma doença corretamente, e a "pessoa incondicionalmente bem-educada", que é bem-educada em todos os assuntos ou áreas, "busca a exatidão em cada área na medida em que a natureza do seu objeto de estudo o permite".
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June 14, 1:04 PM
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Robô T1

Robô faz buraco na parede
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June 14, 1:02 PM
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57% das crianças entre 9 e 17 anos usam IA para pedir conselhos sobre o corpo - entenda porque isso é um problema enorme

57% das crianças entre 9 e 17 anos usam IA para pedir conselhos sobre o corpo - entenda porque isso é um problema enorme | Inovação Educacional | Scoop.it

Cerca de 86% das crianças e adolescentes americanas entre 9 e 17 anos utilizam ou interagem com ferramentas de inteligência artificial, e aproximadamente 24% fazem isso diariamente, de acordo com o relatório “Uso de IA por Pré-adolescentes e Adolescentes”, elaborado pela organização Common Sense Media. Embora o relatório tenha sido realizado nos Estados Unidos, pode servir como referência para outros países onde a IA seja usada por boa parte da população.
Entre crianças de 9 a 12 anos, 81% utilizam IA; entre adolescentes de 13 a 15 anos, 89%; e, entre os jovens de 16 e 17 anos, 92%. ″É evidente que a tecnologia já é uma parte muito importante da infância”, apontou Michael Robb, chefe de pesquisa da organização sem fins lucrativos, à rede CNBC.

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June 14, 12:59 PM
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Google quer soltar 32 milhões de mosquitos modificados na Flórida e na Califórnia para combater doença

Google quer soltar 32 milhões de mosquitos modificados na Flórida e na Califórnia para combater doença | Inovação Educacional | Scoop.it
Iniciativa da empresa pretende esterilizar machos da espécie Culex quinquefasciatus, transmissora do vírus do Nilo Ocidental e da a encefalite de Saint Louis; técnica já é utilizada no Brasil contra o Aedes Aegypti
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Today, 10:41 AM
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Escola de Pais do Colégio Batista Mineiro Lagoa Santa debate cuidados digitais e o papel das famílias na era do ECA Digital

Escola de Pais do Colégio Batista Mineiro Lagoa Santa debate cuidados digitais e o papel das famílias na era do ECA Digital | Inovação Educacional | Scoop.it
No mês de maio, o Colégio Batista Mineiro Lagoa Santa realizou o primeiro encontro da Escola de Pais de 2026. O evento reuniu famílias para uma conversa necessária e aprofundada sobre Cuidados Digitais e Educação, com foco especial no papel das famílias diante do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), que entrou em vigor em março de 2026 e representa um marco na proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. 

O palestrante foi o Prof. Dr. Luciano Sathler, Gerente de Educação Digital e Cursos Técnicos do Colégio Batista Mineiro, especialista no tema. Quem esteve presente saiu com uma visão muito mais clara sobre os desafios e responsabilidades da criação de filhos numa sociedade hiperconectada. 

A diretora da unidade, Daniela Zilz, resumiu bem o espírito do encontro: “Quem veio saiu muito satisfeito com as informações, com o bate-papo e com a troca. O palestrante é um PHD no assunto e o que ele trouxe foi realmente muito enriquecedor”, diz. 
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Today, 9:02 AM
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AI schools like Alpha promise efficiency, but can’t replicate the messy process that helps kids learn

AI schools like Alpha promise efficiency, but can’t replicate the messy process that helps kids learn | Inovação Educacional | Scoop.it
A child at a playground tries to climb, jump or negotiate with a peer, and their attempt does not work. They fall, get left out of a game or reach another impasse. Then they try again.

Failure, conflict and frustration might look like a struggle, but this is often how children learn.
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June 15, 2:34 PM
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Cetic.br - Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos estabelecimentos de saúde brasileiros - TIC Saúde 2025

Cetic.br - Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos estabelecimentos de saúde brasileiros - TIC Saúde 2025 | Inovação Educacional | Scoop.it
Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos estabelecimentos de saúde brasileiros - TIC Saúde 2025
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June 15, 10:14 AM
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Artificial intelligence in education: classroom applications, risks

Artificial intelligence in education: classroom applications, risks | Inovação Educacional | Scoop.it
The key is simple: think first, then use AI.

Before resorting to a tool, the student must:

Generate their own ideas
Understand the problem
Formulate a criterion
Artificial intelligence must become a partner, not a substitute.

This implies a shift in approach:

From copying → to comparing
From delegating → to collaborating
From consuming → to thinking
This difference determines whether AI enhances learning or undermines it.

Key applications of artificial intelligence in education
AI in the classroom already has real and effective applications:

Generation of personalised content
Exam simulation
Smart tutoring
Creation of teaching materials
Organisation of knowledge
These solutions allow learning to be adapted to the pace and needs of each student.

How are companies adopting artificial intelligence in training?
In the business environment, the adoption of artificial intelligence is immediate.

The pattern is clear:

Initial resistance
Application in real-world scenarios
Rapid adoption
The change is not technological, but mental. When people see that AI solves specific day-to-day problems, the barrier disappears.
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June 15, 7:20 AM
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Segregação de alunos mais pobres perpetua desigualdade - 13/06/2026 - Ilustríssima - Folha

Segregação de alunos mais pobres perpetua desigualdade - 13/06/2026 - Ilustríssima - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
A distribuição desigual de alunos por escolas é um espelho da desigualdade geral do país: os mais pobres, com piores notas, filhos de pais em geral com baixa escolaridade, ficam concentrados nas de pior qualidade. Pesquisas internacionais apontam que o Brasil é altamente segregado no campo educacional, e especialistas descrevem como essa prática, a longo prazo, desestimula alunos e professores, piora o aprendizado dos mais desfavorecidos e amplia o fosso que os separa dos mais ricos e escolarizados.

Carandiru. A escola, dedicada à educação de crianças e adolescentes a partir dos 11 anos, era conhecida assim, pelo apelido que evocava os horrores do sistema prisional.

O economista Leandro Anazawa ouviu o nome pela primeira vez em um horário de aula, quando a algazarra dos alunos nos corredores havia diminuído, durante uma visita a instituições de ensino em Sertãozinho, cidade de 150 mil habitantes no interior paulista.

Anazawa sabia que a Carandiru figurava entre as instituições de pior resultado nas provas aplicadas aos alunos do sistema público local, mas nem por isso deixou de se surpreender com a alcunha pejorativa, enunciada com naturalidade pela diretora de uma outra escola, com quem conversava.


Ilustração de Adams Carvalho - Adams Carvalho
Em meados da década passada, o pesquisador era aluno de mestrado da Faculdade de Economia e Administração da USP em Ribeirão Preto. Havia feito a graduação na capital paulista, mas se mudara para o interior após receber um convite para se associar ao Lepes, o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social, centro de referência no campo de economia da educação, abrigado no campus interiorano da universidade.

Em 2017, enquanto escrevia a dissertação, Anazawa fora encarregado de coordenar uma pesquisa de campo em Sertãozinho, distante 20 minutos de carro de Ribeirão Preto.

Todo dia de manhã, no campus arborizado da USP de Ribeirão, o economista se reunia com a sua equipe: cerca de 20 estudantes de graduação, um pelotão mobilizado para fazer entrevistas com alunos do ensino fundamental e médio. O grupo, quando completo, embarcava em duas vans providenciadas pelo Lepes e partia rumo à cidade vizinha.

Nessas visitas, que duraram um mês e meio, Anazawa foi apresentado ao minucioso sistema de segregação escolar que opera em muitos municípios brasileiros. Uma segregação que vai além da divisão entre escolas públicas e privadas —e que, mesmo dentro do sistema público, separa alunos a partir de critérios socioeconômicos e de desempenho.

Primeiro, Anazawa notou a clara hierarquia que havia entre as escolas públicas do município. As de melhor desempenho, que ficavam nos melhores bairros e reuniam os alunos mais ricos, tinham infraestrutura bem cuidada. "A melhor delas tinha ar-condicionado em todas as salas, banheiros limpos, impecáveis. E uma merenda que eu nunca vi na vida." Era lá também que os melhores professores davam aula.

Na outra ponta, escolas como a Carandiru, onde havia arame farpado nos muros, e as janelas eram gradeadas.

Mas a segregação não parava aí. Havia separação entre os alunos, de acordo com o seu desempenho, por turnos. "No diurno, no período matutino, você coloca os alunos que vão bem. O que tem pior desempenho, quem é repetente, vai sendo jogado para a tarde, depois noite. Os gestores vão agrupando esses alunos no noturno, e meio que ficam esperando que eles desistam da escola."

Dentro de cada turno, por fim, os alunos são separados por turma. Nas de menor número ou letra (1A, 101) são alocados os melhores alunos. Nas classes subsequentes (1B, 1C etc.), os de desempenho pior. Nas classes "piores", no fim da fila, "o rótulo social é muito forte", explica Anazawa, o que cria desestímulos ao aprendizado e, no fim, à própria permanência na escola.

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Professores idealizam projetos que levam escolas públicas a concorrer entre melhores do mundo


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O que ele descobriria em seguida, no doutorado, é que a realidade de Sertãozinho não era uma exceção. Há estudos que revelam procedimentos idênticos nas duas maiores redes públicas de ensino, Rio e São Paulo, e relatos de segregação em municípios de todo o país.

A prática, comum, em parte até automática, decorrente da desigualdade brasileira, contribui segundo especialistas para ampliar o fosso que separa os mais pobres do restante da sociedade.

A segregação escolar é definida como a distribuição desigual de alunos —em escolas, turnos ou turmas— que compartilham uma determinada característica ou vulnerabilidade —socioeconômica, étnico-racial ou de desempenho nos estudos.

Há segregação escolar se grande parte das crianças mais pobres estudam com outras crianças pobres, como é grosso modo o caso brasileiro.

Assim como é possível medir a desigualdade econômica —com o uso do índice de Gini, por exemplo—, também há índices de segregação, que permitem comparação entre diferentes sistemas educacionais. Os dois índices mais comuns são o D (inicial de dissimilaridade) e o GS (Gorard Segregation Index, em referência ao seu inventor, o pesquisador britânico Stephen Gorard).

À semelhança do Gini, ambos variam entre 0 e 1. Um índice de segregação igual a 0 significa ausência completa de segregação. Se a medida for de segregação econômica, um resultado 0 corresponde a distribuir algum grupo (como os 20% mais pobres, por exemplo) de maneira homogênea entre todas as escolas.

Alternativamente, um índice D ou GS igual a 1 equivaleria à máxima segregação possível, com todos os alunos do grupo mais pobre reunidos nas mesmas escolas.

São raros os estudos que usam esses índices para o caso brasileiro. Alguns dos poucos trabalhos que permitem comparações amplas, entre países, foram feitos pelos pesquisadores espanhóis Francisco Javier Murillo e Cynthia Martínez-Garrido.

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Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostra a realidade dos estudantes brasileiros


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Em um desses estudos, que usa informações sobre crianças no 3º e no 6º ano do ensino fundamental, o Brasil aparece como país altamente segregado quando se considera a distribuição dos 25% mais pobres entre as escolas.

O índice D calculado para o Brasil, de 0,59, indica que seria necessário redistribuir 59% desses alunos para outras escolas, para que todas as unidades do sistema educacional tivessem igual composição socioeconômica.

No mesmo artigo, os autores comparam a segregação escolar socioeconômica média da América Latina (com D igual a 0,6) com a de países ricos, como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido (0,41, 0,37 e 0,36, respectivamente). "A América Latina é a região mais desigual do mundo, e os dados que temos indicam que seus sistemas educacionais estão entre os mais segregados", escrevem Murillo e Martínez-Garrido. "A relação entre ambos os fenômenos não é casual."

A segregação contribui para a desigualdade ao oferecer um ensino de pior qualidade para os estudantes mais vulneráveis. O economista Daniel Santos, coordenador do Lepes, observa que vários mecanismos contribuem para que a segregação de estudantes pobres esteja associada a resultados escolares piores.

Um deles tem a ver com a distribuição de professores nas redes de ensino. "É um mecanismo que está nos próprios concursos. Em muitas redes, os primeiros a passar escolhem a escola para que irão. Possivelmente são os melhores professores. Eles vão para onde? Para a escola central, no bairro legal. Você tem uma dificuldade enorme de induzir pessoas a darem aula nas periferias. São Paulo até tem gratificações, ainda assim não são suficientes. A rotatividade na periferia é muito maior, os horários sem professores são muito maiores, os alunos ficam sem aula por muito mais tempo."

Além disso, "ensinar uma criança com vulnerabilidade exige mais esforço, não menos", lembra Santos. "Para atingir a mesma meta, você já precisava de mais esforço. Se, além disso, faz o oposto, então a desigualdade aumenta. E vários estudos mostram que, na educação infantil, a desigualdade aumenta ao longo do tempo."

Embora ainda pouco investigada, a segregação escolar aparece no centro de um estudo macroeconômico publicado recentemente em uma das melhores revistas de economia do mundo, o Journal of Political Economy.

O artigo "Of Cities and Slums" (Sobre Cidades e Favelas), de autoria dos economistas Pedro Cavalcanti Ferreira, Luciene Torres de Mello Pereira e Alexander Monge-Naranjo, faz uso de um modelo que ajuda a explicar por que as possibilidades de ascensão social são, em muitos casos, bloqueadas para os moradores de áreas mais pobres das cidades brasileiras.

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Policiais militares retiram barricadas do PCC em Paraisópolis, zona sul de SP


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A partir de um modelo de equilíbrio geral, em que as famílias escolhem onde viver pesando o custo da moradia, o acesso ao mercado de trabalho e (aqui aparece a segregação escolar) a oferta de escolas de qualidades distintas no meio rural, nas favelas e na cidade formal, os autores conseguem explicar por que as favelas cresceram tanto nas cidades brasileiras e, além disso, por que persistem no tempo.

Afinal, por que as fotos de muitas cidades brasileiras parecem congeladas no tempo, com contrastes imutáveis, há décadas, entre São Conrado e Rocinha, Morumbi e Paraisópolis?

Cavalcanti Ferreira e Mello Pereira, hoje ambos professores de economia na FGV, a Fundação Getulio Vargas (ele no Rio, ela em São Paulo), começaram a levantar os dados que dariam origem ao artigo uma década atrás, quando a jovem economista ainda era aluna de doutorado do pesquisador carioca.

O acesso a um censo de moradores de favelas da cidade do Rio de Janeiro, realizado em 2010 pelo governo fluminense, mostrou que as crianças dessas localidades de modo geral frequentavam escolas na própria comunidade: 72% estudavam na favela ou a menos de 1 km de distância dela.

Não chegava a ser uma descoberta contraintuitiva. Os municípios brasileiros tendem a alocar os alunos perto de casa, uma solução que facilita a vida dos pais. O problema surgia por causa de um outro conjunto de dados, também levantados pela dupla, que revelava a desvantagem das escolas da favela em relação às dos demais bairros da cidade.

É que os filhos de moradores da cidade formal, eles descobriram, possuem chances muito maiores de ascender educacionalmente —e, como consequência, também socialmente— do que filhos de moradores das favelas.

Entre os filhos de pais analfabetos que moravam na cidade formal no final dos anos 1980, mais de 40% iriam conseguir ir além dos 5 anos de estudo. Logo ao lado, na favela, cerca de 20% dos filhos de analfabetos conseguiriam ter 5 ou mais anos de escolaridade. Ou seja, aproximadamente 80% iriam ter educação mínima ou inexistente, assim como seus pais.

Na cidade formal, entre os filhos de pais com alta escolaridade (12 anos ou mais de estudos), 61% conseguiriam manter o mesmo nível educacional. Nas favelas, entre os filhos de famílias altamente escolarizadas, apenas 27% teriam essa mesma escolaridade. Ao que tudo indicava, a educação segregada por vizinhança estava bloqueando a ascensão social das crianças que moravam na favela, enquanto ajudava as crianças dos bairros formais a subir na vida.

Por outro lado, na comparação com a escola rural, a da favela oferecia maiores possibilidades de ascensão escolar para os filhos de pais com baixa escolaridade.

A favela servia, assim, como um ímã para a migração rural-urbana, ao permitir rendas maiores para quem vinha do campo, bem como perspectivas de mais educação para os seus filhos. Simultaneamente, ela bloqueava as possibilidades de ascensão dos filhos de pais com maior escolaridade.

Há dois mecanismos em funcionamento para a escola segregada oferecer um ensino pior, argumentam os autores do artigo. Uma primeira causa é institucional: gestão pior, professores piores, infraestrutura idem.

A outra tem a ver com o que eles chamam de "efeitos dos pares". Quando se agregam alunos com maiores vulnerabilidades, cada um deles acaba tendo um desempenho pior do que teria se pudesse estudar com colegas menos vulneráveis.

Naercio Menezes Filho, professor do Insper e da USP, afirma que as suposições fazem sentido. É razoável acreditar que "uma criança que teria mais facilidade nos estudos possa ser prejudicada ao ser colocada entre outras que têm mais dificuldade".

É assim por várias razões, ele diz, ligadas aos comportamentos coletivos da turma, alguns deles mais comuns entre alunos com problemas de aprendizagem. "Porque o professor tem que explicar mais vezes, porque as crianças têm menos autocontrole, são mais indisciplinadas, fazem bagunça etc."

Tudo somado, Cavalcanti Ferreira, Mello Pereira e Monge-Naranjo são capazes de falar sobre a história da urbanização do país tanto quanto sobre as consequências da segregação escolar. Se em 1980, eles dizem, as escolas rurais tivessem a qualidade das urbanas, as favelas teriam crescido 40% menos nas décadas seguintes.

Alternativamente, se em 2010 as crianças da favela tivessem acesso ao pacote completo de qualidade das escolas da cidade formal, é possível estimar que o analfabetismo cairia 46% nas três décadas seguintes (descendo a meros 2,8% no total), e a fração da população brasileira com 12 anos ou mais de escolaridade cresceria 21%, passando de 32% para 39% do total.

O estudo mostra que erramos no passado, ao não oferecer escolas de qualidade para quem morava no campo, ajudando assim a criar enormes áreas segregadas nas cidades. E que continuamos a errar, no presente, ao oferecer uma escola pior para quem veio morar nessas áreas.

Mayara dos Santos, 21, negra, é moradora do Conjunto Esperança, uma reunião de dezenas de edifícios, construídos no início dos anos 1980, no complexo de favelas da Maré, no Rio.

Mayara conta que cresceu no conjunto habitacional, onde, antes dos seus pais, já moravam os seus avós maternos. O pai é motorista de caminhão, e a mãe, dona de casa. O ensino fundamental, do 1º ao 9º ano, foi todo feito em escolas próximas de casa.


Mayara dos Santos no Complexo da Maré, no Rio - Eduardo Anizelli/Folhapress
Ainda nos anos iniciais, Mayara se acostumou a perder dias de aula quando havia operação policial na favela —e trocas de tiros nas ruas perto de casa. A estudante não se lembra da primeira vez que teve que conviver com tiros durante as aulas: as duas coisas, de certa forma, sempre andaram juntas.

Um levantamento da ONG Redes da Maré informa que, entre 2016 e 2025, as escolas desse conjunto de favelas ficaram 163 dias fechadas (quase um ano letivo completo) devido a intensos conflitos armados.

Nas duas escolas do ensino fundamental que Mayara frequentou havia segregação por turmas. A estudante conseguia ficar sempre na primeira classe, 401, 501, as dos alunos "bons". No sétimo ano, por algum motivo que não entendeu, foi transferida para uma das últimas turmas, a 711.

"Foi a época mais difícil da escola para mim", ela diz. A turma era indisciplinada. "Como eles colocam essa imagem de que são alunos inferiores, acaba influenciando no nosso modo de pensar. Até porque nós éramos crianças. A gente já tinha aquela fama de ser a turma ruim, então ficava nisso de vamos ser a turma ruim, mesmo."

Com bom desempenho, Mayara foi novamente transferida de classe, antes do fim do ano. "Eles me passaram para a 702. E, a partir do oitavo ano, eu fui para a turma 01."

Os constantes tiroteios deixaram sequelas, ela diz. Não apenas pelos dias perdidos e pelo conteúdo que deixou de aprender, em sala de aula, mas também porque passou a ter "dificuldade de estudar". Mesmo lendo e tentando se concentrar, "parecia que eu não estava aprendendo, estava só gravando o conteúdo para repetir na hora da prova", descreve. "Estou conseguindo melhorar isso, mas essa dificuldade me prejudicou a longo prazo."

Roberta Costa, 35, branca, nasceu e cresceu em Jacarepaguá, bairro da zona oeste do Rio. A família era pobre. O pai trabalhava como motorista de Kombi, e a mãe, como camelô. Moravam em um segundo andar construído sobre a casa dos avós. Mas não era favela. "Tinha rua na frente, asfaltada", lembra Roberta.

É verdade que, de vez em quando, podiam ouvir trocas de tiros na Cidade de Deus, favela da vizinhança. Mas à distância —e operações policiais nunca fecharam as escolas que Roberta frequentava.

Havia também, nos fundos da casa, uma região um pouco mais pobre, "uma área com atividade criminal". Certo dia, quando Roberta era criança, um sujeito pulou o muro do quintal, tentando fugir da polícia. "Eu e meu tio estávamos em casa. Aí o cara passou, assim, pela gente. Parou e falou: ‘Boa noite’. A gente respondeu: ‘Boa noite’. E ele seguiu, foi embora."


Roberta Costa no Rio - Eduardo Anizelli/Folhapress
Roberta sempre foi boa aluna. Na sexta série, os dois melhores estudantes tinham direito a bolsas de estudo de uma escola de inglês, que havia feito parceria com a Prefeitura do Rio. Roberta ganhou a bolsa e não parou mais de estudar inglês, língua que fala fluentemente, sem ter morado fora do país.

Nas duas escolas que frequentou, os estudantes também eram separados por desempenho, e ela sempre foi alocada na classe 01. A regra vigorou até a oitava série, quando a escola resolveu inovar, misturando alunos de desempenhos diferentes. Roberta passou a estudar na 805. "A minha mãe foi à escola, porque ficou revoltada. ‘Como assim, minha filha foi para a turma ruim?’, ela dizia."

Leandro Anazawa é filho de bancários e estudou em escola pública até o sexto ano do ensino fundamental. Em Flórida Paulista, onde cresceu, os alunos também eram separados por turma como resultado do seu desempenho.

O pesquisador argumenta que provavelmente o agrupamento por turmas seja uma tentativa, improvisada, de resolver o problema maior da segregação socioeconômica. Ele usa o exemplo da escola que ganhou o apelido de Carandiru, em Sertãozinho, para explicar a lógica do procedimento.

"Eles já recebiam alunos expulsos de outras escolas. Era o pessoal repetente, que não ia bem. E tinha muito problema de violência. Então, para atrair alguns bons professores, criavam essas turmas com alunos que tinham notas maiores ou que se comportavam melhor."

Anazawa argumenta que, dentro da escola, os melhores professores poderiam escolher as turmas que acompanhariam durante o ano. A criação de turmas "premium" talvez ajudasse a atrair professores um pouco melhores para essas escolas –mesmo para a Carandiru.

Em sua tese de doutorado, o economista pesquisou a prática de "enturmação" no município de São Paulo, utilizando os resultados de uma prova de desempenho aplicada aos estudantes do ensino fundamental.

Ele observou as notas que os alunos das turmas do 5º ano haviam obtido naquele teste dois anos antes. Se houvesse agrupamento, alunos com resultados parecidos nas provas de 2017, quando estavam no 3º ano, deveriam aparecer juntos nas classes de 2019, no 5º ano.

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Desigualdade sobe em 2025, mas é a 2ª menor da série no Brasil


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Em muitos casos, foi o que aconteceu. Anazawa encontrou indícios de que os agrupamentos de estudantes com notas parecidas não eram obra do acaso na faixa de 15% a 49% dos casos, a depender da altura da barra de exigência para a comparação entre as médias das turmas. Ou seja, provavelmente resultaram da enturmação.

Essa prática, além de prejudicar os alunos reunidos nas turmas de pior desempenho, também se mostrou contraproducente para o conjunto da escola. Na tese, Anazawa observou que as escolas que agrupavam estudantes tiveram um ganho de aprendizado menor entre o 3º e o 5º anos do que aquelas que não segregavam alunos.

O método de divisão também foi constatado no Rio. Fábio Waltenberg, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense), orientou uma pesquisa que encontrou indícios de enturmação no ensino fundamental da rede pública carioca. Observando dados de desempenho escolar entre 2012 e 2017, o estudo da UFF constatou que as médias das turmas de número mais baixo eram frequentemente maiores do que as demais.

Um dos objetivos do estudo foi avaliar os "efeitos de pares", que os autores do artigo "Sobre Cidades e Favelas" imaginaram estar entre os mecanismos deletérios da segregação

A pesquisa descobriu que, se a média das notas de uma determinada turma for mais alta, o bom desempenho coletivo é benéfico para qualquer aluno daquela turma. Estar em um grupo de média mais alta melhora o desempenho escolar de cada um de seus integrantes: uma boa notícia para quem está em uma escola, turno ou turma "melhor", e uma péssima notícia para quem foi alocado entre os "piores".

Mas o trabalho também revelou que uma grande variação de notas, entre o melhor e o pior desempenho, dentro de uma mesma turma, pode ser prejudicial para quem tem nota menor.

A heterogeneidade se converte em problema provavelmente porque os professores organizam a exposição de conteúdo segundo as capacidades dos alunos médios, sem dar atenção às necessidades das crianças de notas muito abaixo da média, que têm maior dificuldade. Esse achado, por si só, ajudaria a justificar a enturmação, projetada para promover habilidades mais homogêneas por classe.

Ainda assim, quem fez o estudo avalia que é melhor não agrupar por resultado, se o objetivo for melhorar o desempenho escolar dos alunos com notas mais baixas. Participar de uma turma com média maior os beneficia, e o efeito negativo da turma com grande variação de desempenho pode ser combatido se os professores forem treinados para dar atenção maior a quem mais precisa.

Ouvidas pela Folha, as secretarias de Educação dos municípios do Rio e de São Paulo disseram não praticar políticas de enturmação em suas redes de ensino.

Quando estava no 9º ano, Mayara dos Santos fez uma prova para tentar entrar na escola de ensino médio mantida pela Fiocruz, nas proximidades da Maré. A instituição tem ótima reputação e oferece formação técnica na área de saúde.

O pai ajudou, pagando um curso preparatório para a filha. Por um único ponto, em matemática, Mayara não conseguiu se habilitar para o sorteio final que definiria os novos alunos da escola.

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Estudantes de escola pública de SP vão à COP28 apresentar iniciativa contra mudanças climáticas


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Roberta Costa passou a fazer curso técnico em contabilidade, no ensino médio, por insistência da mãe, preocupada com o futuro da filha.

A situação econômica da família, nessa época, tinha melhorado. O pai se tornara taxista. A mãe trabalhava no comércio formal. Mesmo assim, a vida era incerta, e o ensino técnico parecia trazer alguma segurança. "Se tudo der errado, você não vai fritar hambúrguer no McDonald's", disse a mãe de Roberta.

Mayara tentou cursar direito e não conseguiu. Fez uma única tentativa e mudou de ideia. Hoje estuda serviço social na Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro).

Ao se formar, ela fará parte de um grupo seleto: apenas 1,5% dos moradores da Maré com 25 anos ou mais possuíam o ensino superior completo em 2013, data do levantamento mais recente, feito pela ONG Redes da Maré. Naquele ano, cerca de 15% dos brasileiros tinham terminado a faculdade.

Roberta fez vestibular para economia. Entrou na UFF, onde se desenvolve boa pesquisa em economia da educação. "Eu fui a primeira pessoa da minha família a ir para a faculdade." Depois fez mestrado, doutorado, defendido em 2023, e segue pesquisando o tema, com trabalhos apresentados em seminários internacionais (nos quais faz uso do inglês que aprendeu com a bolsa da prefeitura).

Roberta Costa, economista, é a autora da tese de doutorado defendida na UFF, orientada por Fábio Waltenberg, que encontrou indícios de enturmação no ensino fundamental do Rio e que procurou avaliar os efeitos de pares sobre o desempenho escolar das crianças.

Sentada em um café em Botafogo, na zona sul do Rio, bairro onde hoje mora com o marido (ele, também, oriundo de Jacarepaguá), Roberta Costa fez questão de dizer como não gostaria de ser retratada na reportagem da Folha: como um exemplo de alguém que venceu na vida, por esforço, ou como um caso de bom funcionamento da meritocracia.

Um bom sistema educacional deveria produzir muitas Robertas. Não é o que acontece. As escolas no Brasil, ela diz, "produzem, em média, uma outra coisa", diferente da sua história. Como Mayara dos Santos, Roberta Costa é uma exceção —e não apenas por seu talento.
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June 15, 7:17 AM
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Por que o mundo precisa concordar em regular a IA

Por que o mundo precisa concordar em regular a IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Devemos tentar regular a tecnologia apesar da grande probabilidade de fracasso
Um pacto de desarmamento tecnológico entre os EUA e a China já faria todos se sentirem mais seguros
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June 15, 7:14 AM
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Judiciário vive transição da IA com desconfiança e desafio

Judiciário vive transição da IA com desconfiança e desafio | Inovação Educacional | Scoop.it
Em fevereiro de 2025, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) aprovou uma resolução regulamentando o uso de IA no Judiciário, que passou a ser permitido, desde que mantida a supervisão humana e que o processo decisório não fosse delegado à tecnologia, entre outras regras.

Um caso recente mostrou os tipos de riscos envolvidos na hipótese de uso inadequado dessa tecnologia.

A notícia de que advogados estão incluindo comandos ocultos nos processos para tentar manipular as ferramentas usadas pelos magistrados, com intuito de obter pareceres favoráveis, acendeu um alerta e fez com que diferentes órgãos emitissem notas sobre o assunto. Entre as estratégias estão a inclusão de metadados em imagens anexadas ou comandos na cor branca —imperceptíveis a olho nu, mas legíveis pela IA.

Na última semana, o CNJ aprovou um protocolo a respeito. Entre as medidas, estão a adoção de salvaguardas nos comandos e procedimentos adotados para que esse tipo de manipulação seja evitada, além de supervisão atenta.
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June 15, 7:12 AM
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UFRJ derruba limite de compras no exterior; entenda

UFRJ derruba limite de compras no exterior; entenda | Inovação Educacional | Scoop.it
Um novo modelo de importação de produtos e equipamentos fundamentais para a realização de pesquisas científicas, criado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), deve abrir caminho para mudar radicalmente um entrave das universidades públicas do país: a limitação da cota de compras no exterior com isenção de impostos, que costuma se esgotar em poucos meses do ano causando colapso de insumos.

Com base em novas legislações vindas da reforma tributária, a instituição fluminense conseguiu parecer favorável da Receita Federal para fazer as importações. A UFRJ argumentou seu direito constitucional de não pagar impostos, permitindo que terceiros realizem compras internacionais em seu nome sem perder a isenção.


Laboratório de Neurociência da UFRJ; instituição é um dos expoentes nacionais de pesquisa na área - Zanone Fraissat - 24.ago.17/Folhapress
Pela via tradicional, os pesquisadores recorrem à cota de isenção, um mecanismo ligado ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Eles fazem a aquisição de material para suas atividades —desde maquinário até itens mais simples— sem pagar as taxas de importação. Mas há um teto para essa cota.

De acordo com Fernando Peregrino, pró-reitor de gestão da UFRJ, há uma mudança de paradigma em curso.

"Não temos mais um limite econômico para as compras de pesquisadores, o que vai agilizar muito os processos. Também não há impactos fiscais para o país. Agora, é preciso que a Receita Federal anuncie um efeito vinculante da medida para beneficiar outras instituições públicas, o que faz todo o sentido", diz.
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June 15, 7:08 AM
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Pix: Golpes dobram no país desde chegada de chatbots de IA

Pix: Golpes dobram no país desde chegada de chatbots de IA | Inovação Educacional | Scoop.it
Os casos de estelionato na Justiça de São Paulo vêm crescendo ano após ano e mais do que dobraram desde que as plataformas de inteligência artificial generativa começaram a ser disponibilizadas, no fim de 2022. O dado consta de um levantamento feito pela plataforma Jusbrasil a pedido da Folha.

O crime de estelionato engloba as fraudes cometidas via Pix, que a Polícia Federal costuma classificar como "cangaço digital". No total das decisões dadas pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) sobre estelionato em 2025, os números saltaram de 1.073 para 2.270, um aumento em linha com o avanço no registro de boletins de ocorrência por fraudes bancárias.

Embora não seja possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre a IA e o aumento dos crimes na internet, empresas renomadas de cibersegurança, como Kaspersky e Crowdstrike, dizem detectar sinais claros do uso da tecnologia nas ações criminosas.
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June 14, 1:06 PM
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Inventor da web pede que IA preserve 'valores originais' da internet: 'É uma camada diferente'

Inventor da web pede que IA preserve 'valores originais' da internet: 'É uma camada diferente' | Inovação Educacional | Scoop.it
Tim Berners-Lee, conhecido como o pai da World Wide Web (www), defendeu que a inteligência artificial (IA) preserve os princípios que orientaram a criação da internet e permita que usuários tenham maior controle sobre os dados pessoais compartilhados com grandes empresas de tecnologia.

Em entrevista à AFP durante o festival de tecnologia SXSW, em Londres, o cientista da computação britânico afirmou que a predominância "da pessoa, do indivíduo" esteve no centro da criação da web e deveria orientar também o desenvolvimento da IA.

— É importante que as pessoas utilizem essa tecnologia (IA) para garantir que seus clientes, seus cidadãos, tenham controle sobre seus próprios dados — afirmou.

Berners-Lee criou a World Wide Web em 1989, enquanto trabalhava no Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), inicialmente como uma ferramenta para facilitar a comunicação e o compartilhamento de informações entre cientistas.

Segundo ele, os modelos de inteligência artificial representam uma nova camada da internet e dependem diretamente do vasto volume de informações disponíveis na web.

— Os modelos de IA são uma camada diferente [dentro da internet], eles aproveitam o fato de que a web contém tantos dados para se treinarem — disse.

Embora considere a tecnologia um avanço "empolgante", Berners-Lee avalia que ela poderia se beneficiar de maior coordenação e regulamentação.

Criador da web vê falta de padrões globais para IA
O cientista destacou que a inteligência artificial ainda não possui uma estrutura equivalente ao World Wide Web Consortium (W3C), organização internacional fundada por ele para estabelecer padrões técnicos da internet.

Segundo Berners-Lee, a ausência de um organismo semelhante limita a colaboração entre os desenvolvedores da tecnologia.

Como resultado, os pioneiros da IA não "se beneficiam da colaboração que obteriam se contassem com algo assim", afirmou.

A World Wide Web foi criada para permitir que pesquisadores de diferentes países compartilhassem informações sobre suas descobertas. Em 1990, Berners-Lee desenvolveu o projeto ao lado do engenheiro belga Robert Cailliau.

A tecnologia se baseou em dois elementos fundamentais: a linguagem HTML, utilizada para criar páginas da internet, e o protocolo HTTP, que permite a troca de informações entre navegadores e servidores.

Ao optar por não patentear sua invenção, Berners-Lee garantiu que a web pudesse ser utilizada livremente, fator considerado decisivo para sua rápida expansão global.

Startup desenvolve sistema para proteger dados em interações com IA
Nos últimos anos, o cientista transformou a proteção de dados pessoais em uma de suas principais bandeiras. Em 2018, ele cofundou a startup Inrupt, voltada ao desenvolvimento de ferramentas que devolvam aos usuários o controle sobre suas informações.

— Sem dados, eles (os modelos de IA) não podem existir. E agora tiveram acesso irrestrito aos dados de todos e, se não estivermos atentos, vamos chegar a uma situação realmente grave — afirmou John Bruce, cofundador da empresa.

A Inrupt trabalha com sistemas de armazenamento em que os dados permanecem sob controle dos próprios usuários. A companhia também desenvolve um assistente de inteligência artificial chamado Charlie.

Segundo Berners-Lee, a ferramenta funcionará como intermediária entre o usuário e sistemas como ChatGPT ou Claude.

— Quando você faz uma pergunta (...) ele analisa qual é a pergunta (...) e decide quais informações enviar [para a ferramenta de IA] — explicou.

Se houver dados pessoais envolvidos, o sistema os "modificará" para que a ferramenta de IA "tenha uma ideia (...) mas depois não possa realmente utilizá-las para identificá-lo", acrescentou.

— Charlie tem como objetivo preservar os valores originais da web — afirmou.
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June 14, 1:03 PM
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Gol de placa? Robô chinês chuta com tanta força que abre buraco na parede; assista ao vídeo

O T1, da Booster Robotics de Pequim, venceu o RoboCup 2025 no Brasil e viralizou com chutes que geram alertas sobre os limites de segurança dos robôs humanoides
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June 14, 1:01 PM
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A obsessão de Putin pela longevidade — e os R$ 131 bilhões por trás dela

A obsessão de Putin pela longevidade — e os R$ 131 bilhões por trás dela | Inovação Educacional | Scoop.it
O presidente russo Vladimir Putin tem 73 anos, uma obsessão conhecida com a própria saúde e, agora, um programa científico de US$ 26 bilhões (R$ 131 bilhões) para tentar viver mais, segundo reportagem do Wall Street Journal. O programa, batizado de "Novas Tecnologias de Preservação da Saúde" e lançado em 2024, inclui terapia gênica, impressão de órgãos em laboratório, criação de tecidos humanos dentro de porcos e sessões de crioterapia a 170 graus negativos Fahrenheit (cerca de -112 °C).

A iniciativa promete salvar 175.000 vidas russas até o fim da década, um número que, segundo críticos, coincide, de forma incômoda, com as estimativas independentes de baixas do exército russo na guerra contra a Ucrânia.

Uma prioridade de Estado
O projeto de longevidade é conduzido por dois nomes próximos de Putin. Sua filha, Maria Vorontsova, endocrinologista, supervisiona programas de genética financiados pelo Estado. Mikhail Kovalchuk, físico à frente do Instituto Kurchatov, o antigo centro de pesquisa nuclear soviético, é o arquiteto intelectual do programa. Kovalchuk, que é irmão do banqueiro e aliado de Putin Yuri Kovalchuk, defende que a ciência permitirá em breve ao ser humano reparar e substituir partes do corpo de forma indefinida.

Em abril, o vice-ministro de Ciência russo, Denis Sekirinsky, anunciou o desenvolvimento de um tratamento de terapia gênica voltado a desacelerar o envelhecimento celular, descrito como um dos caminhos mais promissores da medicina atual.

Cientistas estatais russos afirmam ter conseguido imprimir tecido cartilaginoso humano e uma glândula tireoide de camundongo usando bioimpressão, técnica que produz tecido vivo em impressoras 3D. A meta é substituir órgãos humanos por esse método até 2030. Um prazo semelhante é discutido para o uso de miniporcos geneticamente compatíveis com humanos como incubadores de órgãos para transplante, técnica conhecida como xenotransplantação.

Ciência ou aspiração?
O entusiasmo oficial contrasta com a ausência de publicações científicas em periódicos internacionais de prestígio. Alexander Ostrovskiy, o cientista russo que pioneirou a bioimpressão no país e deixou a Rússia após a invasão à Ucrânia, disse que, sem publicações, não há resultados concretos, apenas declarações que devem ser tratadas como aspirações. Segundo ele, as sanções ocidentais isolaram a pesquisa russa do restante do mundo científico, o que torna o trabalho em condições de rigor praticamente inviável. "Eles provavelmente estão dizendo a Putin o que ele quer ouvir para garantir financiamento", disse ao WSJ.

O contraste com iniciativas similares no Ocidente é evidente. Bilionários como Jeff Bezos, Sam Altman e Peter Thiel também financiam pesquisas antienvelhecimento, mas por meio de empresas que publicam resultados e submetem seus achados à revisão científica independente.

A obsessão de Putin com a longevidade não é novidade no Kremlin. Na década de 1920, o polímata soviético Alexander Bogdanov conduziu experimentos com transfusões de sangue com fins rejuvenescedores, atraiu o interesse do governo e morreu aos 55 anos em decorrência de seus próprios tratamentos. Uma década depois, o médico Oleksandr Bogomolets organizou a primeira conferência mundial sobre longevidade, conquistou o apoio de Stalin com pesquisas que prometiam vida até os 150 anos e morreu aos 65.

Outro personagem central na trajetória de Putin foi Vladimir Khavinson, gerontologista que promoveu terapias com peptídeos, cadeias curtas de aminoácidos derivadas de tecido bovino. Khavinson recebeu uma das mais altas condecorações russas de Putin e declarou, em entrevistas, que buscava prolongar a vida de um líder cuja ausência jogaria a Rússia em crise. Morreu em 2024, aos 77 anos.

Há uma ironia demográfica no centro da iniciativa. A expectativa de vida média do homem russo é de cerca de 68 anos, segundo estatísticas oficiais, contra 76 nos Estados Unidos e mais de 80 em boa parte da Europa Ocidental. A Rússia está entre os países desenvolvidos com piores indicadores de mortalidade, cenário agravado pela guerra, que retira homens em idade produtiva do país.

O programa de longevidade de Putin, portanto, opera numa direção oposta à tendência demográfica real do país: enquanto o Estado investe bilhões para estender a vida do topo do poder, a expectativa de vida média segue entre as mais baixas do mundo desenvolvido.
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June 14, 12:58 PM
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Musk chega a US$ 1 trilhão e concentra mais riqueza que quase metade do planeta, critica Oxfam

Musk chega a US$ 1 trilhão e concentra mais riqueza que quase metade do planeta, critica Oxfam | Inovação Educacional | Scoop.it
A Oxfam, entidade focada no combate à pobreza e à desigualdade, definiu como um "dia sombrio para a democracia" o momento em que a fortuna de Elon Musk - dono de empresas como SpaceX, Tesla e Twitter - chegou ao patamar de US$ 1 trilhão, o mais alto da História, após a abertura de capital de sua companhia de foguetes e inteligência artificial (IA) na bolsa de Nova York.

A instituição diz que o agora trilionário viu sua fortuna crescer no último ano ao ritmo de US$ 1 milhão por minuto. Com o valor de riqueza acumulado, Musk se torna mais rico que os 46% mais pobres da população mundial, ou 3,8 bilhões de pessoas, quase metade do planeta.

A concentração extrema de riqueza, segundo a Oxfam, é resultado de "décadas de políticas pró-bilionários", que permitiram aos super-ricos "moldar as regras econômicas em seu próprio benefício", disse Nabil Ahmed, diretor sênior de Justiça Econômica da Oxfam América.

"As pessoas comuns acabam pagando o preço enquanto os bilionários continuam escrevendo as regras em benefício próprio”, escreveu Ahmed, em comunicado.

A entidade traça alguns comparativos para dar dimensão da riqueza acumulada por Musk. Se ele gastasse US$ 1 milhão por dia, ainda levaria 2.740 anos para gastar o US$ 1 trilhão.

Com esse valor acumulado, o empresário poderia dar US$ 100 para cada pessoa do planeta e ainda assim continuaria entre os dez bilionários mais ricos do mundo, com mais de US$ 184 bilhões restantes.
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