Quando o desempregado Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira e atirou em 20 meninas e 4 meninos, matando a metade, parecia que o colégio de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, ficaria marcado para sempre. Um ano depois da tragédia, sem precedentes no Brasil, existe ali uma escola modelo. O prédio foi reformado e um anexo erguido – ao custo de R$ 9 milhões. As salas ganharam recursos multimídia e professores passaram por reciclagem. Mas os alunos ainda têm acompanhamento psicológico. “Estamos reinventando a escola”, afirma a diretora adjunta, Daisy Carvalho.
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
Com a novidade, o estudante pode treinar a escrita e acompanhar seu desempenho de acordo com os critérios de correção dos dois vestibulares. A plataforma também reúne temas e apostas enviados por professores de diferentes instituições de ensino do país, que podem ser usados nos exercícios. Na Fuvest, novidade da plataforma, a correção segue os critérios previstos no edital do vestibular deste ano para os textos dissertativos. A avaliação considera a compreensão e o desenvolvimento do tema, o atendimento à modalidade textual escolhida, os recursos linguísticos e a progressão do texto. Também são levados em conta a correção gramatical e as convenções da escrita
Outro desafio é a falta de mão de obra especializada para essa fase de transição tecnológica. Segundo Pimentel, da Samarco, a mudança de uma operação mais manual para uma mais autônoma exige profissionais mais preparados. "Vemos exemplos de pessoas com perfil de gamer sendo contratadas para operar remotamente as minas. Não sei se essa é uma tendência que veio para ficar, mas temos que estar atentos."
Pessoas que frequentam com maior regularidade cinemas, museus, galerias, teatros e concertos tendem a apresentar uma idade fisiológica menor. É o que mostra um estudo realizado com 1.899 adultos na Inglaterra, que encontrou uma associação entre maior participação em atividades culturais e um organismo fisiologicamente mais jovem. Entre os participantes com menor e maior pontuação de engajamento cultural, a diferença estimada foi de cerca de 1,2 ano. Os resultados foram publicados no Journal of Epidemiology and Community Health. A idade fisiológica não é a mesma que a cronológica. Enquanto esta corresponde ao tempo de vida, a primeira procura estimar como o organismo está envelhecendo, considerando características que podem variar entre pessoas da mesma idade. "Ela pode ser influenciada pela característica genética, pelos hábitos, pela história de vida e pelos determinantes sociais da saúde. Tem uma série de fatores que acabam influenciando", explica Sley Tanigawa Guimarães, coordenadora da pós-graduação em medicina do estilo de vida da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. Para chegar aos resultados, o trabalho utilizou dados do Elsa (English Longitudinal Study of Ageing), que acompanha adultos com 50 anos ou mais. Para medir o envolvimento cultural, os pesquisadores avaliaram com que frequência os participantes iam ao cinema, a museus ou galerias e a teatros, concertos ou óperas. As respostas foram transformadas em uma escala de zero a 15 pontos: quanto maior for a pontuação, maior o engajamento cultural. Já a idade fisiológica foi calculada a partir de dez indicadores relacionados a diferentes sistemas do organismo, entre eles, pressão arterial, capacidade pulmonar, hemoglobina glicada, colesterol LDL, IMC (índice de massa corporal), força de preensão das mãos e velocidade da caminhada. Em conjunto, esses parâmetros sinalizam aspectos da saúde cardiovascular e metabólica, além da capacidade física da pessoa. A cada ponto adicional na escala de engajamento cultural, a idade fisiológica foi, em média, 0,085 ano menor (cerca de 31 dias). No modelo utilizado pelos pesquisadores, quem tinha pontuação zero apresentava idade fisiológica estimada de 69 anos, contra 67,8 anos entre aqueles que atingiam os 15 pontos. A associação também apareceu em uma análise que relacionou o engajamento cultural à idade fisiológica quatro anos depois. Segundo Guimarães, há diferentes caminhos que poderiam ajudar a explicar o resultado. "Sair para uma atividade cultural envolve muito mais do que assistir a um filme ou observar uma obra de arte. É preciso programar o passeio, lembrar do compromisso, organizar o deslocamento e, muitas vezes, encontrar e conversar com outras pessoas. Além disso, música, artes e espetáculos mobilizam atenção, memória, interpretação e emoções. Tudo isso é um baita estímulo cognitivo", afirma a médica. Outro possível benefício de ter uma vida cultural ativa está na redução do estresse e no convívio social. Os próprios autores lembram que estudos anteriores já associaram o envolvimento cultural a menor solidão, hábitos de vida mais saudáveis e melhor saúde mental, fatores que, por sua vez, estão relacionados a um envelhecimento mais saudável. É importante ressaltar, porém, que o estudo mostra apenas uma associação e não permite afirmar que frequentar teatro, museu ou outras atividades culturais faça alguém envelhecer mais devagar. Os autores reforçam que a pesquisa indica uma associação e não permite estabelecer causa e efeito. Isso porque pessoas que estão em melhores condições físicas e mentais podem ter mais disposição e autonomia para sair de casa e participar dessas atividades. A boa notícia é que manter uma vida cultural ativa não significa frequentar programas caros. Ler, ouvir música com atenção, dançar, assistir a filmes, participar de grupos ou aproveitar atividades culturais gratuitas também são maneiras de manter a mente ativa e favorecer o bem-estar. "Não precisa ir a uma ópera. Uma pessoa que ouve e aprecia com atenção uma música na própria casa pode ter até mais valor do que alguém que está só de corpo presente em um espetáculo", diz Guimarães.
This ‘Shaping the future of digital education’ report examines what it will take for digital and AI-enabled technologies to genuinely improve learning outcomes worldwide – with equity, human-driven approaches and children’s rights at the centre. Drawing on evidence reviews, expert think pieces, and country case studies from around the world, the report looks past the hype to ask two hard questions: is EdTech a good investment, and is it an investment for good? It maps the landscape across five key areas based on UNICEF’s EdTech for Good Framework 2.0 – contextual readiness, educational impact, inclusive access, safety and well-being, and design for teaching and learning – and closes with concrete recommendations for governments, donors, and education leaders as we come together to build a vision for the responsible use of AI and EdTech.
Pesquisa revela que 65% das escolas brasileiras já realizam iniciativas nesta área; formação docente aparece como um dos principais desafios para avançar ainda mais nesta agenda
Developed jointly by UNICEF and EdTech Hub, this report explores the relationships between digital and AI-enabled technologies and learning, teaching, equity, safety and system sustainability.
It brings together global evidence reviews, think pieces, and country case studies from researchers, policymakers, practitioners, and technical experts working across the digital education systems. Through their evidence-informed perspectives, the contributors map the evolving landscape of digital education and show how digital and AI-enabled tools are shaping the many purposes and goals of education. Its five thematic chapters examine the best available evidence, surface points of tension, and set out recommendations for a more equitable future that goes “beyond digital as usual”. It is written for the governments, implementers, donors, researchers and education leaders making these decisions now.
Neste episódio do Podcast Gente que Soma, uma iniciativa do Instituto Reúna com apoio da B3 Social, a host Katia Smole recebe Etienne Lautenschlager, professora adjunta da UFRN e pesquisadora em Neurociência Cognitiva e Educação Matemática, e Ya Jen Chang, presidente do Instituto Sidarta e responsável pela implementação do programa Mentalidades Matemáticas no Brasil. Juntas, elas discutem como as crianças aprendem matemática desde os primeiros anos escolares, o papel do erro como parte natural do processo de pensamento, e os caminhos para que professores, famílias e estudantes construam uma relação mais segura, positiva e potente com a aprendizagem matemática. O podcast faz parte do Gente que Soma, um movimento pela aprendizagem que reúne pessoas e organizações comprometidas em transformar diretrizes em ações concretas, fortalecer a colaboração e renovar o compromisso com uma educação matemática mais equitativa, significativa e capaz de ampliar oportunidades para todos. Mediação: Katia Smole | Diretora-executiva do Instituto Reúna Convidados: Etienne Lautenschlager | Professora adjunta da UFRN e pesquisadora em Neurociência Cognitiva e Educação Matemática Ya Jen Chang | Presidente do Instituto Sidarta Roteiro e pesquisa: Jade Fonseca e Dayane Costa Produção Audiovisual: Tudo O Que Vejo Edição: Tudo O Que Vejo Comunicação: Marcus Vinicius Abreu de Moraes e Vinicius Pinto Design: Tig Vieira Intérprete de Libras: Thais Pereira
Neste episódio do Podcast Gente que Soma, uma iniciativa do Instituto Reúna com apoio da B3 Social, a host Katia Smole recebe Eurivalda Santana e Barbara Born. Eurivalda Santana é professora da Universidade Estadual de Santa Cruz, doutora em Educação Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e pós-doutora em Didática da Matemática pela Universidade de Lisboa, além de coordenadora da Rede Educação Matemática – Nordeste (REM-NE). Já Barbara Born é doutora em Educação pela Universidade de Stanford, pesquisadora da formação de professores e líder científica do Centro de Estudos Aplicados em Práticas de Ensino e Aprendizagem, o Ceapea. Juntas, elas discutem a relação entre formação docente e aprendizagem matemática, desenvolvimento de conhecimentos pedagógicos gerais e conhecimentos pedagógicos dos conteúdos, formação continuada no ensino superior e caminhos possíveis para práticas formativas mais significativas para os professores. Para conhecer mais sobre a Rede Educação Matemática – Nordeste (REM-NE), acesse: https://www.instagram.com/rem_nordeste/.
Parte dessa melhora observada no mercado de trabalho brasileiro é fruto de mudanças estruturais. De fato, houve no Brasil uma melhora na composição educacional tanto da força de trabalho quanto da população em idade para trabalhar, observada a partir do aumento do peso relativo dos grupos de pessoas com maior nível de escolaridade ao longo dos últimos anos. Além disso, também temos observado um envelhecimento da população.
Diante desse contexto, o objetivo deste artigo é avaliar os efeitos da melhora educacional e da transição demográfica sobre variáveis importantes do mercado de trabalho, como taxa de desemprego, taxa de participação, nível de ocupação e rendimento do trabalho, para que possamos ter um melhor entendimento sobre o real grau de aquecimento do mercado de trabalho brasileiro. Para tanto, iremos mostrar como estariam essas variáveis caso essas mudanças estruturais não tivessem acontecido.
O método inclui também conversar com as famílias na busca de formas de melhorar os relacionamentos. “A gente pergunta para quem foi alvo o que o faria se sentir melhor. Às vezes, a resposta inicial é algo como: ‘Que ele morra’. Falamos que, isso, a escola não pode fazer, e vamos trabalhando até chegar a uma opção razoável, dando voz e a oportunidade que o estudante saia do lugar de vítima”, explica o educador. Segundo Pereira, o processo é trabalhoso, mas costuma evitar que o bullying se estabeleça. E, mais importante, faz com que todos aprendam a se relacionarem melhor, entendendo que é possível conviver e respeitar as diferenças.
Uma questão mais subjetiva apontada pelos economistas ajuda a explicar o descolamento entre os bons dados e o sentimento das pessoas de que a vida não melhora. Ao analisar as informações da série histórica do IDH, a dimensão Educação foi a que mais contribuiu para o crescimento do índice ao longo do tempo e em todos os grupos sociais. O IDH Educação, que era de 0,679 em 2012, passou para 0,798 em 2024. Entre as mulheres, historicamente mais escolarizadas, o índice subiu de 0,709 para 0,817; e entre os homens, de 0,650 para 0,779. Entre as pessoas brancas, passou de 0,748 para 0,839; e entre as negras, de 0,623 para 0,770. “O Brasil é bom nesse critério [Educação], mas não é bom em transformar o avanço da educação em avanço do mercado de trabalho ou de renda no sentido estrutural”, resume Neri, da FGV Social. O professor acrescenta que o Brasil é, na verdade, um ponto fora da curva. “Nessa visão de longo prazo, se lembrarmos do milagre econômico [período entre 1968 e 1973, durante a ditadura militar], o Brasil cresceu a taxas altas, mas a desigualdade aumentou. Em 1980, um adulto brasileiro tinha, em média, três anos de estudo, mesmo número de 15 anos antes, mas a produtividade no milagre econômico deu um salto”, compara Neri. Atualmente, os brasileiros têm, em média, dez anos de estudo, “mas a produtividade ficou estagnada”, reforça. Essa é uma observação dos estudiosos do tema, mas também empírica de quem vive essa realidade. Se até o início do século 21, ter um diploma universitário era garantia de ascensão social expressiva em relação à geração anterior (que não contava com os anos a mais de estudo), o que se vê, com frequência, são jovens, notadamente os de classe média, em declínio social em comparação com os pais. Para os mais pobres, que contam com uma base de comparação mais precária, o ganho ainda é evidente. Um jovem com diploma universitário pode ganhar até 126% a mais em comparação com quem parou no ensino médio. Segundo o IBGE, enquanto profissionais com esse nível de ensino recebem em média R$ 2.291, graduados alcançam R$ 5.796 por mês. Quando a educação não eleva a produtividade, o efeito sistêmico dela sobre a renda é baixo. “A educação funciona muito mais como um processo inclusivo, redemocratizante e de acesso a direitos humanos básicos. Melhorar a conexão entre educação e renda é ter ganhos de produtividade. E ganhos de produtividade do mercado de trabalho são permanentes. Precisamos disso para garantir uma sociedade mais longeva e com mais qualidade de vida”, finaliza Neri. “Estamos falando de um aumento da qualificação educacional que, muitas vezes, não se reflete no mercado de trabalho”, sinaliza Coelho, da EACH-USP. Segundo o professor, discutimos a melhoria do mercado de trabalho, que, porém, em grande parte se dá pela informalidade, onde a renda é menor. Portanto, temos uma população economicamente ativa de aproximadamente 110 milhões de pessoas, das quais um pouco mais de 100 milhões estão empregadas, mas com uma renda média de pouco mais de R$ 3 mil. “Ou pouco mais de US$ 500. É baixa, muito baixa. As explicações para isso são tanto conjunturais quanto estruturais, com uma qualificação formal que não tem os desdobramentos esperados na competência do trabalhador”, destaca Coelho.
Trata-se de conceito que se originou no final da década de 1980 como resultado de um estudo bastante revelador. Os cientistas analisaram os cérebros de um grupo de pessoas e encontraram alterações típicas de ter sofrido da doença de Alzheimer em estágio avançado.
No entanto, durante a vida, esses indivíduos não apresentaram qualquer sintoma da doença. Mas o que poderia estar por trás disso?
"Eles tinham uma reserva cognitiva grande o suficiente para compensar os danos e continuar funcionando normalmente", afirma a Harvard Health Publishing, publicação da escola de medicina da Universidade Harvard (Estados Unidos) no artigo "O que é reserva cognitiva?".
Dentre os consultados, 78% acreditam que os investimentos em data centers vão puxar uma parcela significativa do crescimento econômico global nos próximos meses. Nos Estados Unidos, cerca de 1 ponto percentual do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2025 foi atribuído apenas a investimentos relacionados à IA, segundo dado citado no relatório.
Dias após terminar o relacionamento com o namorado, Jasmine Barnett percebeu uma mudança abrupta em seu feed do TikTok: os esquetes de comédia e vídeos de exercícios de que normalmente gostava foram subitamente substituídos por um fluxo constante de vídeos sobre términos.
No início, Barnett, uma contadora de 27 anos de Atlanta, recebeu bem esse desvio pelo universo da desilusão amorosa, que incluía análises aprofundadas sobre estilos de apego e autópsias de relacionamentos. Após várias semanas, ela quis seguir em frente, mas o algoritmo não deixou.
Seu feed havia se transformado em montagens de mulheres chorando e cartomantes vendendo supostas revelações sobre a mente de seu ex. Ela diz que tentou várias vezes bloquear o conteúdo sobre términos, mas ele continuava reaparecendo.
Timo Lenzen/NYT É comum que pessoas em estado de vulnerabilidade após um término vejam seus feeds nas redes sociais inundados por esse tipo de conteúdo.
À medida que as empresas de redes sociais enfrentam escrutínio por recursos de design que causam dependência e por acusações de que seus algoritmos podem apresentar conteúdo nocivo, defensores da saúde mental apontam o modo como as plataformas lidam com conteúdos sobre términos como exemplo de falha na proteção dos usuários.
Direcionar pessoas recém-saídas de um relacionamento para um poço sem fim de conteúdos sobre términos pode aumentar o engajamento ao mantê-las em estado de ruminação e luto. Segundo especialistas, isso pode ter consequências graves para a saúde mental delas e levanta questões éticas.
"Quando as pessoas passam pelo fim de um relacionamento amoroso, ficar tão imersas nesse conteúdo e pensando na pessoa que perderam por um longo período pode dificultar sua recuperação", diz Jodi Halpern, professora de bioética da Universidade da Califórnia em Berkeley.
O ALGORITMO SABE QUE VOCÊ ESTÁ SOFRENDO O algoritmo do TikTok é eficaz em identificar as preferências dos usuários e oferecer um fluxo personalizado de vídeos para mantê-los engajados.
No BreakupTok, os vídeos incluem relatos pessoais de términos, conselhos para cortar todo o contato com ex-parceiros, transformações visuais após o fim do relacionamento e orientações variadas, inclusive de terapeutas credenciados e coaches especializados em términos.
Michael Rich, fundador do Digital Wellness Lab do Hospital Infantil de Boston, diz que o TikTok parece reagir a estados emocionais, especialmente em momentos de maior vulnerabilidade decorrentes de uma "nova solidão". Segundo ele, a busca das redes sociais por aumentar o tempo de engajamento pode agir contra a saúde mental do usuário.
O TikTok não é capaz de ler as emoções humanas, embora às vezes pareça que sim. O aplicativo monitora o comportamento —incluindo o tempo de visualização dos vídeos, a velocidade de rolagem e se alguém curte, compartilha ou comenta— e reúne esses dados para determinar quais vídeos deve exibir em seguida.
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Quando o amor não está no ar: como superar um coração partido O que acontece com nosso corpo quando sofremos desilusão amorosa, segundo a ciência Por que desistir do amor romântico pode não ser de todo mau UMA ROLAGEM SEM FIM Pesquisas demonstram que o uso das redes sociais após um término pode ser prejudicial. Deparar-se acidentalmente com um ex ou procurar informações sobre essa pessoa pode causar sofrimento e sentimentos negativos, além de retardar a recuperação emocional e inibir o crescimento pessoal. Outros estudos constataram que, mesmo quando os usuários removiam ex-parceiros de sua vida online, as redes sociais voltavam a exibi-los.
No contexto dos términos, especialistas costumam apontar como problemático e perigoso o caráter interminável de alguns feeds de redes sociais, além de recursos como notificações e "curtidas", que podem incentivar o uso excessivo e o avanço de chatbots que abordam usuários em luto.
"Para além dos términos, essas táticas manipuladoras destinadas a levar as pessoas a usar redes sociais e chatbots em excesso têm sido associadas à piora da saúde mental e, entre os jovens, a atos suicidas e consequências graves para a saúde mental", diz Halpern.
O TikTok não quis comentar. A empresa já reconheceu que alguns vídeos podem "reforçar involuntariamente uma experiência pessoal negativa para determinados espectadores, como quando alguém que terminou recentemente um relacionamento se depara com um vídeo sobre términos".
Para lidar com isso, a empresa afirmou, em 2021, que havia projetado sua página "Para você" para "interromper padrões repetitivos" e testado formas de evitar a recomendação de conteúdos semelhantes. O aplicativo também oferece recursos de bem-estar, como ferramentas para limitar o tempo de tela e opções para ajudar as pessoas a relaxar.
OS VÍDEOS AJUDAM OU PREJUDICAM? Nem todos têm uma experiência ruim com conteúdos sobre términos nas redes sociais. Alguns usuários disseram, em entrevistas, que gostavam desse tipo de conteúdo porque os ajudava a perceber que sua experiência era normal ou oferecia conselhos úteis, como maneiras de regular o sistema nervoso ou meditar.
"Eu me senti compreendida", diz Ana Ruiz, 35, de Orlando. Ela afirma que grande parte do conteúdo que consumiu no Instagram a ajudou a compreender os problemas de seu relacionamento e a lidar com a perda.
1 4 É possível se desapaixonar?
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Outros foram mais críticos. Jason Salem, que está no fim da faixa dos 20 anos, diz que o conteúdo sobre términos que assistia no Instagram e no YouTube era "totalmente viciante".
Ele afirma que passava horas por dia nas redes sociais, assistindo a vídeos sobre teoria do apego ou a conteúdos de criadores prometendo maneiras de consertar seu relacionamento. "Eu queria ter esperança", diz. Segundo Salem, o conteúdo retardou sua recuperação e o distraiu daquilo que era importante, como trabalho, amigos e hobbies.
SUPERANDO A FALSA ESPERANÇA Quando alguém vive um luto profundo, a amígdala —parte do cérebro que desencadeia a resposta de luta ou fuga— assume o controle, e pode ser difícil acessar outras regiões do cérebro que proporcionam uma perspectiva mais ampla, diz Jeff Guenther, terapeuta credenciado que publica vídeos sobre términos e relacionamentos para quase três milhões de seguidores no TikTok.
ie | relacionamentos Um guia em newsletter sobre o amor, com dicas sobre comunicação, sentimentos e conflitos
Carregando... "Nesses momentos, você vai procurar vídeos que façam com que continue sentindo que há algo muito, muito errado", diz. Guenther acrescenta que continuar sentindo essas emoções é uma maneira de as pessoas permanecerem conectadas ao ex.
Segundo Guenther, há conteúdo útil sobre términos no TikTok, inclusive de coaches especializados ou de usuários que relatam experiências pessoais. Mas também há conteúdo "incrivelmente envolvente" que ele considera pouco útil, porque coloca toda a culpa no ex. "Assim, você nunca tem de fato a oportunidade de crescer, evoluir e analisar qual foi o seu papel."
Language models have become ubiquitous in universities without being normalised. Mark Carrigan argues this has produced a multidimensional crisis of trust, and a dilemma in which adapting to AI and integrating AI undercut each other. He proposes strategic under-integration: building the relational capacity universities need to cope with ongoing change.
Resultados mostram crescimento das proficiências em Língua Portuguesa e Matemática em todas as etapas avaliadas; a análise da Fundação Telefônica Vivo destaca a importância da formação docente e do uso pedagógico das tecnologias para ampliar e consolidar esse avanço
Nova edição da avaliação internacional da OCDE incluiu área dedicada à aprendizagem no mundo digital, além de trazer informações sobre o uso das tecnologias e da inteligência artificial pelos estudantes
Diferentemente dos chatbots de propósito geral, os Companheiros de IA são desenvolvidos para oferecer interação contínua e personalizada, com recursos de memória, simulação de personalidade e respostas emocionais. Relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que o número de aplicativos desse tipo passou de 16, em 2022, para 128, em julho de 2025. Somente no primeiro semestre de 2025, essas plataformas registraram 60 milhões de downloads. Nos Estados Unidos, uma pesquisa apontou que 72% dos adolescentes de 13 a 17 anos já utilizaram esse tipo de ferramenta. O diagnóstico identificou riscos relacionados a apego intenso, uso compulsivo, substituição de vínculos humanos, exposição a conteúdo sexualizado ou inadequado e coleta excessiva de dados íntimos. Também foram observadas práticas de perfilamento comportamental e emocional, em um contexto no qual muitos usuários têm menos de 18 anos de idade. Entre os possíveis danos associados a esse tipo de uso estão privação de sono, queda no desempenho escolar, abandono de atividades e distanciamento das relações presenciais.
Neste episódio do Podcast Gente que Soma, uma iniciativa do Instituto Reúna com apoio da B3 Social, a host Katia Smole recebe Adriano Giglio, Patrícia Barreto e Patrícia Mota Guedes. Adriano Giglio é mestre em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, pós-graduado em Gestão de Educação Profissionalizante pela Fundação Getúlio Vargas e também é professor efetivo das redes pública estadual de educação básica e técnica e de cursos de graduação e pós-graduação em instituições privadas. Atualmente, é Subsecretário de Ensino da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro. Patrícia Barreto é professora da Escola Municipal Dasio José, em Candeias, na Bahia, e Especialista em Metodologia em Ensino de Matemática. Patrícia Mota Guedes é mestre em Políticas Públicas pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, e em Administração Pública pela Universidade de Massachusetts Amherst. Atualmente, é superintendente do Itaú Social. A conversa aborda os desafios históricos da aprendizagem matemática no Brasil, os caminhos para garantir o direito de aprender e o papel das políticas públicas, das práticas pedagógicas e das iniciativas que vêm mobilizando diferentes atores em torno dessa agenda. Para conhecer mais sobre as pesquisas e iniciativas citadas ao longo do episódio, acesso os links abaixo: Estudo Internacional das Aprendizagens e Bem-estar na Primeira Infância (International Early Learning and Child Well-being Study – IELS): https://fundacaomariacecilia.org.br/noticias/ocde-resultados-ineditos-iels-aprendizagem-bem-estar-primeira-infancia/. Coletânea “Matemática em Ação: práticas lúdicas, ativas e criativas para ensinar e aprender”, do Itaú Social: https://www.itausocial.org.br/noticias/coletanea-reune-dez-projetos-ludicos-e-criativos-para-o-ensino-da-matematica/. Pesquisa “Contribuição da Matemática para a economia brasileira”, do Itaú Social em parceria com o IMPA: https://www.itausocial.org.br/noticias/rendimentos-de-profissoes-ligadas-a-matematica-correspondem-a-4-6-do-pib-diz-pesquisa/. Escola Fundação Itaú: https://fundacaoitau.org.br/escola/. Plano Nacional de Educação (PNE 2026-2036): https://www.gov.br/mec/pt-br/pne. O podcast faz parte do Gente que Soma, um movimento pela aprendizagem que reúne pessoas e organizações comprometidas em transformar diretrizes em ações concretas, fortalecer a colaboração e renovar o compromisso com uma educação matemática mais equitativa, significativa e capaz de ampliar oportunidades para todos
Neste episódio do Podcast Gente que Soma, uma iniciativa do Instituto Reúna com apoio da B3 Social, a host Katia Smole recebe Beatriz Dorneles e Mariane Koslinski. Mariane Koslinski é doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com período sanduíche na Columbia University, e pós-doutora pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ. Atualmente, é professora da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ. Mariane foi uma das coordenadoras nacionais do International Early Learning and Child Well-being Study (OCDE) no Brasil. Já Beatriz Dorneles é doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP), com estágio pós-doutoral na Universidade de Oxford. Ela é professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde orienta mestrandos e doutorandos desde 2000, com pesquisas cujo foco é a área de cognição numérica. Juntas, elas discutem sobre a importância do desenvolvimento da aprendizagem matemática desde a primeira infância, ainda na etapa da Educação Infantil, abordando pesquisas sobre desenvolvimento infantil e os resultados do International Early Learning and Child Well-being Study, um estudo desenvolvido no Brasil pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. Para conhecer mais sobre o International Early Learning and Child Well-being Study (OCDE), acesse: https://fundacaomariacecilia.org.br/biblioteca/building-strong-foundations-for-life-results-2025-international-early-learning-and-child-well%e2%80%91being-study-iels/. Esse podcast faz parte do Gente que Soma, um movimento pela aprendizagem que reúne pessoas e organizações comprometidas em transformar diretrizes em ações concretas, fortalecer a colaboração e renovar o compromisso com uma educação matemática mais equitativa, significativa e capaz de ampliar oportunidades para todos.
“Durante muito tempo, o autoatendimento era analisado quase exclusivamente pela ótica da modernização. Hoje existe uma questão operacional muito concreta. A empresa continua precisando atender bem e absorver mais demanda, mas nem sempre consegue ampliar a equipe no mesmo ritmo. É nesse ponto que faz sentido retirar das pessoas aquilo que é repetitivo e deixar o profissional disponível para situações que realmente exigem interação humana”, afirma.
COMO NÃO CAIR EM ‘FAKE NEWS’ Não há receita de bolo — ou lista de boas práticas — para não cair em uma narrativa de desinformação. “À medida que as tecnologias se tornam mais sofisticadas e acessíveis, recomendações como ‘observe se o conteúdo tem uma aparência tosca ou erros de português’ se apresentam insuficientes para dar conta do grau de profissionalização de quem está disposto a espalhar inverdades”, afirma Daniela.
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