Professores formados em língua inglesa, que estejam lecionando na rede pública de ensino, podem completar seus estudos no exterior com bolsa concedida pelo Ministério da Educação. O Programa de Ensino de Inglês como Língua Estrangeira, gerenciado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), está com inscrições abertas até 20 de abril.
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
When workers become overreliant on AI, there’s a risk of significant skills collapse. Workers may fall victim to “AI gravity” — the constant pressure to outsource more thinking to AI in order to become more efficient. Individuals and organizations can take specific actions to protect cognitive capital and preserve institutional knowledge, says MIT Sloan School of Management professor Eric So.
A partir das narrativas dessas participantes, buscamos compreender não apenas a ausência paterna como um fato biográfico, mas seus efeitos subjetivos. Isto é, como ela é sentida, interpretada e elaborada ao longo do tempo.
Os relatos mostram que a ausência do pai raramente é vivida apenas como distância física. Nos relatos, ela ganha o significado de abandono, especialmente quando associada à sensação de não ter sido escolhida ou desejada.
A Operação Fluxo Oculto apontou que 6 empresas do setor movimentaram R$ 26 bilhões para organizações criminosas. Papel crescente do setor financeiro nos negócios das facções acende alerta entre autoridades e mobiliza o próprio mercado financeiro após os EUA classificarem PCC e CV como terroristas.
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“Há muita gente que entende que a democracia está sendo atingida por uma crise. Não é essa a minha convicção. Acho que a democracia está em transformação.” A opinião é de Vitalino Canas, jurista, professor e presidente do Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE).
Em entrevista à Revista Problemas Brasileiros e ao Canal UM BRASIL — ambas realizações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, gravada em Lisboa, Canas explica que a dinâmica própria do funcionamento democrático está passando por mudanças que estão impactando quase todos os sistemas de governo mundo afora, inclusive no Brasil.
“O que acontece é que a fragmentação do sistema partidário, que não vem de hoje — trata-se de uma característica própria do sistema político brasileiro —, agora se traduz em menores condições de governabilidade”, acredita o jurista.
*crédito foto: Carolina Ferreira
Confira o que você vai encontrar nesta entrevista:
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1:03 - Quais os problemas de governabilidade do Brasil e as alternativas de revisão?
6:56 - O conceito "Presidentes Governantes" supera a divisão clássica de sistemas de governo?
12:21 - Como a personificação excessiva do poder no Executivo corrói a democracia?
19:12 - Como a Europa e Portugal lidam com o aumento da imigração brasileira?
25:08 - Como o relacionamento entre Brasil e Portugal pode ser aprimorado?
28:04 - Como a digitalização ameaça os direitos fundamentais nas relações de trabalho?
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O mundo está vivendo um momento de ascensão de líderes autoritários que se aproveitam do próprio jogo democrático. A origem desse fenômeno pode estar na insatisfação da população quanto às instituições. É o que explica Germano Almeida, analista de política internacional e autor do livro O colapso da verdade, lançado em Portugal no ano passado.
Em entrevista ao Canal UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros — ambas realizações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, Almeida analisa, ainda, os rumos da nova ordem internacional e as pressões sobre o multilateralismo.
*crédito foto: Carolina Ferreira
O que você vai encontrar nessa entrevista:
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1:00 - O mundo se tornou um lugar mais complexo de entender nos últimos 20 anos?
6:58 - Por que o Brasil e o Sul Global devem prestar mais atenção aos desdobramentos da guerra na Ucrânia?
14:01 - A unidade da União Europeia está em risco diante das recentes instabilidades internas e geopolíticas?
19:10 - O que o novo cenário de poder das grandes potências mundiais significa para o futuro do Brasil e do Sul Global?
21:30 - Existe ainda espaço para o centro moderado ou as democracias falharam em oferecer uma alternativa à polarização?
25:49 - Como enfrentar as mentiras e o messianismo na política atual?
Em última análise, não é necessário enquadrar o trabalho autônomo no vínculo empregatício para que os trabalhadores desfrutem de proteções que, de resto, são oferecidas pelo sistema previdenciário. Uma discussão decisiva para a construção de modelos de trabalho mais inclusivos.
– Content (Conteúdo) abrange os riscos decorrentes da exposição a materiais inadequados ou prejudiciais à faixa etária, como conteúdos violentos, sexualizados ou discriminatórios;
– Contact (Contato) refere-se aos riscos associados a interações potencialmente danosas com terceiros, incluindo assédio, aliciamento e perseguição;
– Conduct (Conduta) envolve os riscos relacionados ao comportamento dos próprios usuários ou às interações entre pares, como cyberbullying, discursos de ódio e práticas que possam gerar danos físicos ou psicológicos;
– Contract (Contrato) compreende os riscos derivados das relações contratuais e comerciais mediadas por plataformas, como exploração econômica, jogos de azar, práticas publicitárias predatórias e coleta excessiva de dados.
Nesse sentido, uma das premissas centrais do ECA Digital é a imposição de mecanismos de aferição de idade, sendo vedada a autodeclaração para conteúdos vedados por lei aos menores de idade, como pornografia e apostas. Isso cria um dilema regulatório inevitável. Para proteger esse público vulnerável, plataformas precisam distingui-lo de adultos, mas mecanismos rígidos de verificação podem ampliar a coleta de dados (inclusive sensíveis) e aumentar riscos de vigilância. Por isso, o estatuto não impõe tecnologia única e remete à regulamentação a definição de critérios proporcionais.
O ponto de equilíbrio para as empresas está em entender que transparência não significa abrir o algoritmo, mas explicar a lógica da decisão. Para tanto, isso inclui indicar quais categorias de dados pessoais foram usadas e os fatores que pesaram mais no resultado (por exemplo, histórico de crédito, padrão de uso de serviço e comportamento de direção), além de como, em linhas gerais, a decisão é tomada (“quanto menor o score, maior a chance de recusa”) e quais são as principais consequências para o titular. As seguradoras que simulam perfis fictícios e mostram como hábitos de direção impactam o valor do prêmio são um bom exemplo de transparência que não viola segredo comercial.
O cenário regulatório europeu aponta na mesma direção ao adotar uma abordagem baseada em risco, agora consolidada no EU AI Act (regulação da União Europeia sobre a IA). Sistemas de baixo risco, como chatbots de atendimento, exigem transparência mais simples — por exemplo, ao informar que o usuário está interagindo com uma IA. Já sistemas de alto risco, como aqueles usados em emprego, crédito e infraestruturas críticas, exigem nível de explicabilidade maior.
Apesar dos avanços, há um ponto sensível e potencialmente problemático: a lei pode, mais uma vez, conferir vantagens às plataformas privadas. Isso ocorre porque atribui a essas empresas a obrigação de verificar a idade dos usuários e de desenvolver mecanismos para restringir o acesso de crianças a determinados conteúdos. Na prática, isso pode levar à criação de sistemas técnicos como reconhecimento facial, análise biométrica, estimativa de idade por inteligência artificial e até cruzamento de dados com bases externas, implicando a coleta de dados altamente sensíveis de crianças. E deixando, mais uma vez, na mão de empresas privadas (basicamente bigtechs norte-americanas) cujos donos são capitalistas bilionários interessados em lucrar.
Menos que propor uma solução, este artigo se propõe a problematizar esse tema tão complexo. E na busca por uma conclusão, temos a certeza de que não existe “bala de prata” para resolver o assunto. A multiplicidade de plataformas, aplicações e softwares impulsionados por IAs, assim como de trabalhadores e diferentes relações laborais, não permite a construção de uma solução simples e universal.
Tampouco uma regulação da tecnologia parece ser a solução. Perseguir a regulação da IA ou das plataformas digitais como a resolução para o tema também não parece ser o adequado, dada a plasticidade das tecnologias e a multiplicidade de usos delas.
A emergência da era digital e das soluções automatizadas parece obrigar trabalhadores, empresários e reguladores a resgatarem atributos essenciais dos seres humanos: escuta ativa, diálogo e empatia para a busca de soluções comuns.
As bets entram nesse cenário como uma “saída mágica”. Dados mostram que 44% dos endividados apostam para quitar outras dívidas e 29% para pagar contas do mês. No entanto, as bets aprofundam o processo que as precede, pois 57% dos apostadores endividados não estavam inadimplentes antes de começar a apostar. Ou seja, mais de que uma possível saída para os problemas, as bets são uma porta de entrada para o superendividamento. E 52% dos apostadores perdem mais do que ganham. Quando perdem, o que ressoa é culpa – “foi você que escolheu”. A vergonha impede que se busque ajuda coletiva. O isolamento aumenta.
Ao tentar resolver sua vida pelas bets, esse sujeito está fadado ao fracasso. E a raiva que sente contra tal impotência não encontra canal de expressão coletiva (sindicatos, partidos, movimentos sociais foram criminalizados). Essa raiva sem vazão se transforma em ressentimento – um rancor difuso que precisa de um alvo.
A extrema-direita oferece esse alvo. Em vez de atacar o sistema financeiro ou as plataformas de aposta, o ressentimento é direcionado a bodes expiatórios e a identificação de inimigos claros, responsáveis por sua desgraça (mulheres, cotas sociais, cotas para negros, imigrantes, etc).
O sujeito endividado, isolado, culpado e ressentido não busca mais projetos coletivos de bem-estar. Afinal, o mundo lhe ensinou que a solidariedade é para “fracos” e que cada um deve se virar sozinho. Diante de tanta impotência, o sujeito ferido busca um líder punitivo que prometa ordem e poder aos “mais fortes”. A democracia, baseada no conflito regulado e na negociação e respeito entre diferentes, parece um engodo para quem está afogado em dívidas e vergonha.
Nesta semana, Bruno Coimbra fala sobre a Portaria Capes nº 246/2026, que moderniza as regras para a criação de novos cursos de mestrado e doutorado no país. O texto detalha avanços em transparência, governança e segurança jurídica, como os novos prazos de funcionamento e regras para propostas similares. Por fim, o autor destaca que a aprovação dependerá de um planejamento estratégico institucional rigoroso e alinhado aos documentos orientadores.
Especialistas dizem que posts podem ser entendidos como publicidade e que divulgação de imagens expõe crianças a riscos como deep fake, manipulação por IA e pedofilia
As editoras brasileiras registraram crescimento nas vendas ao mercado em 2025, consolidando um cenário de recuperação do setor. Segundo a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – Ano-base 2025, coordenada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), com apuração da Nielsen BookData, as vendas ao mercado apresentaram alta nominal de 7,7%, com expansão de 6,5% no volume de exemplares comercializados. Descontada a inflação, o setor teve crescimento real de 3,3%, indicando avanço consistente na demanda por livros no país. Clique aqui e confira a pesquisa completa.
Todos os subsetores apresentaram crescimento nas vendas ao mercado em 2025, o principal destaque foi Obras Gerais, com alta nominal de 8,7% (4,3% em termos reais), consolidando-se como o segmento de maior dinamismo no período. Os demais subsetores também registraram desempenho positivo: em Didáticos houve um crescimento de 3,2%, em Religiosos, de 2,4% e em CTP, de 1,9% em termos reais, o que evidencia uma recuperação disseminada entre os diferentes perfis editoriais.
Mais da metade dos brasileiros de 16 a 24 anos se define como conservadora. O percentual, porém, não supera o observado entre as faixas etárias mais velhas, em contraste com o que estudos internacionais recentes têm sugerido.
A diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer, destaca que o novo estatuto traz uma inovação ao estabelecer regras específicas para o ambiente digital. “O ECA Digital traz a grande novidade de ser uma norma calibrada especificamente para o ambiente digital, no qual crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo”, afirma. Vainzof acrescenta que, embora a LGPD seja relevante, o novo estatuto tem alcance mais amplo. “Ele busca prevenir e diminuir riscos não apenas relacionados a dados, mas também à exposição, recomendação de conteúdos, interações e facilitação de contato com pessoas ou conteúdos potencialmente prejudiciais”, detalha.
Não são problemas exclusivos do Brasil. Mas o País, por ter um passado colonial e escravagista, tem certas mazelas extremamente aguçadas. É evidente que o nosso principal problema é o desalinhamento entre a fé professada e a prática das pessoas. Um país onde 90% das pessoas se declaram cristãs deveria aderir aos preceitos do Evangelho — partilha, compaixão, amor e solidariedade. No entanto, não acontece de fato, e a maior parte da população vive em condições muito precárias. Existe um grande desacerto. Por que estamos vivendo tão mal? Por que não conseguimos, num país com tantas riquezas naturais, humanas e culturais, compartilhar desses benefícios? Isso tem a ver com o achatamento, o massacre, do mundo interno, do mundo do imaginário, da construção das nossas florestas internas. Então, precisamos reflorestar nossas mentes, que estão desertificadas pela adoração ao dinheiro. Quando as maiores aspirações das pessoas são coisas, elas começam a ser tratadas como coisas e as coisas, valorizadas como pessoas. Precisamos decifrar esse enigma, porque, afinal de contas, as melhores coisas da vida são grátis ou muito baratas. O que a gente realmente precisa para viver bem é de amor, partilha, conforto e acolhimento. Se conseguirmos “desneurotizar” a sociedade, isso estará ao alcance das mãos. Apesar de todas as mazelas, os brasileiros têm uma imensa alegria, um prazer de viver que, na verdade, é um reservatório para o planeta. Mas precisamos ser capazes de transformar bom humor em bem-viver para todos.
Mirando o futuro do Brasil e a competitividade das organizações nacionais, é notório que precisamos urgentemente de uma estratégia de médio e longo prazos que nos posicione nesse novo cenário, com redução do peso regulatório e comprometimento sério em investimentos em tecnologia, inovação e defesa. E não há como fazer isso sem um debate sério e profundo sobre gastos públicos, Reforma Administrativa e Pacto Federativo.
Um posicionamento institucional consistente passa por três eixos centrais. Primeiro, o uso responsável de algoritmos, com transparência, critérios auditáveis e supervisão humana efetiva. Segundo, a adaptação dos modelos contratuais às realidades econômica e tecnológica, conciliando flexibilidade, proteção social e competitividade. Terceiro, uma regulação equilibrada, que evite tanto o vácuo normativo quanto soluções que engessem a organização do trabalho e afastem o Brasil da inevitável inovação global.
Ao mesmo tempo, pesquisas internacionais sobre gestão algorítmica laboral apontam para ferramentas que alocam tarefas, monitoram jornadas ou avaliam desempenho com base em dados, as quais já estão presentes em uma parte crescente das relações de trabalho — incluindo ambientes formais e tradicionais, não somente plataformas digitais.
Isso cria entraves práticos para empresas e reguladores sobre transparência, equidade e direitos laborais, pois, se não houver supervisão humana clara, decisões automatizadas poderão intensificar ritmos de trabalho e obscurecer critérios de avaliação.
A realidade brasileira, com um mercado formal em expansão, mas ainda fortemente marcado pela informalidade, impõe a urgência de alguns debates: como alinhar proteção social, competitividade e uso ético de IA nos processos de gestão? Como realizar uma transição justa? Ao responder a essas perguntas, instituições como empresas, sindicatos e formuladores de políticas públicas definem não apenas o futuro da CLT, mas o papel efetivo da tecnologia no trabalho.
O custo da inação é elevado e multifacetado. A NR-1 exige que os empregadores identifiquem, analisem e administrem fatores que possam comprometer o bem-estar do trabalhador, incluindo a hiperconexão. O descumprimento dessa diretriz acarreta custos humanos substanciais, como aumento do absenteísmo, queda na produtividade, alta rotatividade e dificuldades na atração de talentos. Além disso, há custos legais e financeiros significativos, como multas, autuações e ações trabalhistas. A reputação da empresa no mercado também é prejudicada. A chave está no uso responsável da tecnologia.
As oportunidades concentram-se em três eixos. O primeiro é o Agro e a Bioeconomia, nos quais a incorporação de IA — por meio de modelos preditivos, sensores, drones e sistemas de gestão — pode ampliar a produtividade e reduzir riscos climáticos. O segundo envolve a indústria verde e os minerais críticos. A crescente demanda mundial por lítio, níquel, cobre e terras raras, estimulada pela transição energética, abre espaço para estratégias de agregação de valor além da exportação de minério bruto. O terceiro eixo é o de serviços digitais, nos quais a IA generativa pode atenuar gargalos históricos em áreas como Saúde, Educação e Gestão Pública, elevando o potencial de crescimento.
O quadro internacional, portanto, oferece uma janela de oportunidade rara. A captura desses ganhos dependerá da combinação entre disciplina fiscal, estabilidade institucional e uma agenda consistente de produtividade que incorpore tecnologia, qualificação da força de trabalho e mais integração comercial. A ferramenta de IA deve ser tratada como política de Estado, orientada a elevação da eficiência, redução de custos e ampliação da competitividade. Em última instância, o futuro econômico do Brasil estará condicionado à sua capacidade de transformar vantagens naturais em tecnológicas e institucionais. Em um mundo em rápida reorganização, a escolha é entre o protagonismo e a irrelevância relativa.
Em razão disso, governança, transparência e auditabilidade tornam-se elementos indispensáveis. Empresas devem ser capazes de esclarecer quais variáveis influenciaram determinada pontuação, o que levou um colaborador a receber certo resultado e de que forma eventuais inconsistências podem ser contestadas. Essa obrigação de explicabilidade, além de fortalecer a confiança interna, atende às exigências jurídicas relacionadas à prevenção de discriminação e ao dever de diligência organizacional.
A decisão final, sobretudo em temas sensíveis como promoções, sanções ou desligamentos, não deve ser delegada integralmente à automação. Algoritmos podem identificar padrões de desempenho, mas não captam integralmente nuances contextuais, como situações excepcionais, limitações estruturais do posto ou fatores pessoais que impactam a produtividade.
Assim, a adoção de algoritmos na gestão de pessoas não constitui uma ameaça, mas uma oportunidade de modernização responsável. A combinação entre critérios objetivos, práticas como blind hiring, avaliação por IA e revisão humana qualificada fortalece a neutralidade e torna decisões mais consistentes, inclusivas e auditáveis.
O desafio contemporâneo não é rejeitar a tecnologia, mas integrá-la de forma consciente, equilibrada e alinhada com os princípios da dignidade e da igualdade no trabalho. A tecnologia orienta; o ser humano valida. Esse duplo controle é o que garante equilíbrio entre eficiência e justiça.
Como se vê, mesmo na máquina pública, com suas conhecidas limitações, o uso da inteligência de dados, dos algoritmos e da IA já é uma realidade que cresce e se espraia por todo o serviço público, cujo atributo da eficiência, prevista no Direito Administrativo, segue sendo perseguida. Enquanto isso, no campo da iniciativa privada, motor da economia (e do Produto Interno Bruto — PIB), essas aplicações, por vezes, encontra percalços quanto à segurança jurídica desse uso, dando azo a um aparente antagonismo de parte dos órgãos reguladores do trabalho em relação aos novos arranjos jurídico-contratuais que sustentam, por exemplo, o trabalho plataformizado e outras ferramentas de aplicação da tecnologia na organização laboral (nesse abrangidas as relações celetistas e autônomas).
Essa condição talvez possa ser explicada pela avaliação do grande universo de diferentes modalidades de relações de trabalho, sempre sob a perspectiva da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), concebida em 1943, estruturada para uma realidade industrial, estática e fortemente hierarquizada. Ainda que a Reforma Trabalhista de 2017 tenha promovido avanços relevantes — como o reconhecimento de novas modalidades contratuais e a regulamentação do trabalho remoto —, é evidente que o ritmo legislativo não acompanha a velocidade das transformações tecnológicas, sobretudo na era da IA e da gestão orientada por dados.
Uma análise dos indicadores setoriais mostra a importância da tecnologia nesse comportamento. Enquanto a produtividade no setor Agropecuário cresceu 5,7% a.a. nos últimos 30 anos, a produtividade na Indústria registrou queda de 0,5% a.a., segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV). Além da maior exposição internacional, o desempenho do setor primário tornou-se muito mais eficiente pela absorção de tecnologias mais modernas, com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A Indústria, por sua vez, excessivamente protecionista, não conseguiu acompanhar (com algumas exceções) as transformações mundiais.
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