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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Today, 2:03 PM
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A fala veio logo em seguida à publicidade de uma casa de apostas online que divulgou uma odd de 4.2 caso os dois times, Canadá e Catar, marcassem gol na partida. Em outras palavras, devido à baixa probabilidade de isso acontecer, a bet multiplicaria por 4,2 o valor da aposta. O jogo, no entanto, acabaria terminando em seis a zero para o Canadá, frustrando quem se fiou nas palavras do comentarista.
Para diversos internautas e especialistas, a emissora induziu o telespectador a apostar em uma possibilidade pouco provável, levando muitos a perderem dinheiro. E a cena é só um dos destaques na enxurrada de críticas que recebeu o único canal no Brasil liberado para reproduzir todos os jogos desta Copa do Mundo.
“É um negócio tão agressivo na direção das bets, com propaganda o tempo todo, estímulo ativo para que as pessoas joguem, que eu parei de assistir à CazéTV”, criticou o jornalista César Calejon no ICL Notícias, em vídeo que viralizou nas redes. Após as reclamações, o Ministério da Justiça e Segurança Pública chegou a abrir uma investigação da publicidade que vem sendo feita para as bets no canal. Com isso, a CazéTV reduziu as propagandas de jogos de aposta da sua programação de Copa do Mundo.
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Today, 2:01 PM
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Especialistas em comportamento dão dicas para saber quando alguém está dependente dos joguinhos de aposta da moda, como o “tigrinho” e o “aviãozinho”
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Today, 1:59 PM
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Há ainda outro aspecto preocupante. Muitos influenciadores educacionais, especialmente jovens, falam com enorme convicção sobre temas altamente complexos sem qualquer preocupação científica ou acadêmica consistente. Seu objetivo principal nem sempre é a formação do público, mas a ampliação de alcance, relevância digital e número de seguidores. Isso altera sutilmente a relação com o conhecimento. O saber corre o risco de tornar-se espetáculo. Quando isso acontece, a autoridade deixa de estar vinculada ao estudo sério, à pesquisa, à produção científica e à responsabilidade intelectual, passando a depender de métricas de visibilidade. Mas seguidores não certificam competência. Likes não substituem pesquisa. Viralização não é critério de verdade. E o choque com a realidade costuma aparecer no momento das avaliações. Então vem o desastre. Não porque o estudante faltou fisicamente às aulas, mas porque, de fato, não esteve presente. Não ouviu. Não anotou. Não acompanhou o desenvolvimento dos argumentos. Não percebeu distinções conceituais fundamentais. Não se deixou formar. Estava ali em corpo, mas ausente em atenção. E sem atenção não há aprendizagem profunda. Aprender exige presença. Exige disciplina interior. Exige esforço cognitivo. Exige suportar o tédio inicial que acompanha todo aprendizado sério. Nem tudo será imediatamente estimulante. Nem todo conhecimento virá embalado em formatos agradáveis. Há momentos em que aprender implica atravessar dificuldade, repetição, leitura densa e concentração prolongada. Formar-se nunca foi apenas acumular conteúdos. Formar-se é transformar-se. E isso exige presença integral: corpo, mente e espírito. Em tempos de distração permanente, a atenção é uma das formas mais altas de inteligência. Por isso, o maior risco da universidade hoje não é a falta de informação, mas a incapacidade de discernir entre conteúdo e conhecimento.
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Today, 1:50 PM
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Este curso forma os professores para integrarem os pilares do pensamento computacional em suas práticas pedagógicas, desenvolvendo habilidades essenciais como resolução de problemas, raciocínio lógico, investigação e aprendizagem criativa. O curso destaca que o pensamento computacional vai além do uso de computadores, podendo ser aplicado em diversos contextos, incluindo disciplinas tradicionais, e sendo fundamental para o desenvolvimento de habilidades em programação e outras áreas do conhecimento. Alinhado à BNCC e à BNCC Computação, o curso utiliza desafios práticos, jogos e recursos digitais para explorar o pensamento computacional de forma lúdica e interativa.
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Today, 1:47 PM
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Novo marco garante mínimo de 50% presencial, mas deixa de fortalecer requisitos essenciais para a qualidade da formação
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Today, 1:42 PM
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O achado central é simples de enunciar e difícil de contornar. Existe uma correlação forte e positiva entre a força em engenharia de um país e seu PIB per capita. Suécia, Dinamarca, Holanda, Alemanha e Japão lideram o índice, todos com pontuação acima de 70%. E, entre os 26 países mais ricos do mundo, nenhum tem pontuação abaixo de 40% no índice. Não é coincidência.
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Today, 1:39 PM
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Novas regras exigem que cursos de formação de professores sejam presenciais ou semipresenciais
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Today, 1:38 PM
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Este relatório apresenta uma síntese dos principais resultados da pesquisa realizada pelo INSTITUTO SEMESP sobre a captação de alunos no ensino superior privado brasileiro no 1º trimestre de 2026.
O estudo teve como objetivo compreender o desempenho das instituições em relação ao ingresso de novos alunos, considerando comparações com o mesmo período de 2025.
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Today, 1:36 PM
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O algoritmo do TikTok levou apenas 21 minutos para começar a sugerir a um usuário de 17 anos vídeos com referências a facções criminosas em um teste feito pelo GLOBO. As publicações apresentavam músicas, emojis e outros símbolos associados ao Comando Vermelho (CV), ao Terceiro Comando Puro (TCP) e ao Primeiro Comando da Capital (PCC), elementos que especialistas apontam como parte de uma estratégia de construção de identidade e pertencimento entre jovens expostos à chamada “narcocultura digital”.
Redes sociais e filhos: o que muda agora com o ECA Digital? Na contramão do ECA Digital: Tiktok exibe vídeos nocivos de 'novelas de frutas' a contas de menores No teste, que criou uma nova conta para simular um jovem ainda menor de idade, foram realizadas apenas duas buscas: primeiro por “baile” e, dois minutos depois, por “baile em SP”. Em ambos os casos, a pesquisa foi encerrada, e a navegação voltou para a aba “Para Você”. Pouco tempo depois, surgiu o primeiro vídeo com música relacionada ao CV. Aos 25 minutos e cinco segundos, o feed já havia recomendado cinco vídeos com referências ao CV (dois), PCC (dois) e TCP (um). Procurado, o TikTok informou que removeu os conteúdos indicados.
No momento da criação da conta, a plataforma exibiu o aviso: “como você tem menos de 18 anos, a lei no Brasil exige que você tenha um dos pais ou responsável legal para representar e auxiliar no uso do Tiktok. Ao continuar você reconhece que conta com a supervisão dos pais”. O perfil foi configurado como público, assim como comentários, reutilização de conteúdo e mensagens.
Os conteúdos exibidos fazem parte da chamada “narcocultura digital”, explica o sociólogo e professor de história e sociologia Wesley Santana, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. São práticas, símbolos e expressões que romantizam ou normalizam o universo do crime organizado.
— Quando as políticas públicas não chegam a todos, a corrupção política e a violência nos mostram, através das redes sociais, a necessidade de gritar. E esse grito vem de narrativas e discursos como fazem as facções, que nascem da desigualdade. Jovens se identificam com esses símbolos, alguns influencers incentivam essas narrativas, e os impactos são enormes na construção da identidade dos adolescentes — destaca Santana.
A dimensão dessa exposição acompanha o crescimento do uso das redes entre adolescentes. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), o país tem cerca de 24,6 milhões de usuários de internet entre 9 e 17 anos, o equivalente a 92% dessa população. Entre eles, 57% afirmam usar o TikTok várias vezes ao dia ou diariamente.
Semiologista, doutora em Letras e professora de linguística da Universidade Federal Fluminense (UFF), Silvia Maria de Sousa afirma que a repetição desses códigos faz com que eles se tornem familiares e percam parte do impacto que inicialmente poderiam causar.
— Nas redes sociais, emojis, expressões linguísticas, cores ou gestos atuam como sinais de adesão a determinados discursos. Ao utilizá-los, os sujeitos não apenas comunicam informações, mas manifestam pertencimento, afinidade e compartilhamento de valores. O adolescente que adota determinado símbolo não está apenas comunicando, está construindo uma identidade, inscrevendo no próprio corpo o seu pertencimento a um grupo — pontua Sousa.
Fase de identificação Doutora em psicologia social e professora da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio, Sibele Aquino pondera, contudo, que o uso desses símbolos não significa, necessariamente, adesão ao crime, mas pode refletir um processo de identificação típico da adolescência.
— Parte importante da nossa identidade é construída a partir dos grupos com os quais nos identificamos e dos significados que atribuímos a eles. Na adolescência e juventude, essa construção identitária tem especial importância, porque adolescentes e jovens estão definindo quem são e do que fazem parte — reitera Aquino.
Especialistas destacam que a presença desses elementos nas redes não significa, por si só, a prática de um crime. A advogada criminalista Silvana Campos explica que a apologia ao crime, prevista no artigo 287 do Código Penal, depende da análise do contexto, da intenção e dos efeitos da publicação:
— O Direito Penal exige a análise do contexto, da intenção e dos efeitos da publicação. O limite entre a manifestação cultural e a ilegalidade está justamente na finalidade do conteúdo. Quando há exaltação, incentivo, promoção ou tentativa de legitimar atividades criminosas, pode haver enquadramento em crimes como apologia ao crime ou apologia de criminoso. Já a mera reprodução de um fato, uma obra artística, uma reportagem ou um conteúdo documental, em regra, está protegida pela liberdade de expressão e artística.
Ela acrescenta que, dependendo do conteúdo, influenciadores podem responder por apologia ao crime e até serem investigados por outros delitos relacionados ao crime organizado, caso haja indícios de participação, colaboração ou favorecimento das atividades criminosas.
O advogado criminalista André de Oliveira Silva afirma que muitos produtores de conteúdo desconhecem as consequências penais da divulgação desse tipo de material, inclusive com previsão de prisão.
Em nota, o TikTok informou que os vídeos identificados pelo GLOBO foram analisados e removidos por violarem as Diretrizes da Comunidade.
“Nossas diretrizes deixam claro que não permitimos conteúdo que promova, elogie ou forneça apoio material a organizações criminosas violentas. Nossa abordagem de moderação de conteúdo combina tecnologia com revisão humana para identificar e remover materiais que possam violar as Diretrizes da Comunidade. Contamos com mais de 40 mil profissionais dedicados à segurança, incluindo moderadores brasileiros”, afirmou a plataforma.
A empresa acrescentou que publica relatórios trimestrais de moderação em seu Centro de Transparência. Segundo o documento referente ao primeiro trimestre de 2026, 99,6% dos vídeos que violaram as políticas sobre organizações e indivíduos violentos ou que promovem o ódio foram removidos de forma proativa, antes de qualquer denúncia. Desse total, 89,8% foram retirados antes de receber visualizações. Ainda de acordo com a empresa, 96,2% dos conteúdos denunciados por usuários receberam resposta em até duas horas, e apenas 0,2% levaram mais de 24 horas para análise.
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Today, 1:34 PM
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A produção industrial brasileira interrompeu em maio uma sequência de quatro meses de crescimento. Segundo os dados divulgados nesta manhã pelo IBGE, a indústria geral recuou 0,2% ante abril, um resultado que, na prática, significa estagnação, mas que carrega um simbolismo maior quando confrontado com a série histórica. O país ainda opera pouco acima do patamar do pré-pandemia — cerca de 4,5% acima —, e, ao mesmo tempo, permanece 13% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011. Quinze anos depois, portanto, o Brasil produz 13% menos do que produzia em 2011: é este o retrato mais fiel do processo de desindustrialização que se arrasta há mais de uma década.
O comportamento setorial reforça o diagnóstico. As principais quedas do mês vieram de petróleo, biocombustíveis e da indústria extrativa, enquanto foi justamente a manufatura que segurou o resultado, evitando um recuo mais expressivo. Entre os destaques positivos aparecem os farmoquímicos e farmacêuticos, com alta de 13%, os veículos, com avanço de 4%, e o setor químico como um todo, que subiu cerca de 3% no mês. São boas notícias localizadas, mas insuficientes para alterar a tendência de fundo.
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Inovação Educacional
Today, 1:32 PM
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Esta publicação reúne recomendações para candidatas e candidatos nas eleições de 2026 incorporarem a primeira infância como prioridade em suas propostas e futuros governos. O material apresenta caminhos para promover o desenvolvimento integral de bebês e crianças e fortalecer políticas públicas voltadas às famílias.
Elaborada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, a agenda está organizada em cinco eixos prioritários: governança e integração de políticas, educação infantil, saúde, apoio às famílias e proteção contra as violências. Com base em evidências e dados atualizados, a publicação apresenta ações concretas para enfrentar desigualdades e garantir que toda criança tenha acesso a direitos, cuidado, proteção e oportunidades desde o início da vida.
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Today, 1:23 PM
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O Brasil avançou na implementação de internet adequada nas escolas públicas nos últimos anos, mas não tem conseguido disponibilizar computadores aos estudantes na mesma velocidade. É o que revelam dados de uma nota técnica da Coalizão Tec Educação, formada por cinco instituições da sociedade civil.
Retrato dos povos indígenas: material do IBGE traz atualização do Censo, que identificou 391 etnias e 295 línguas 'Não morre, por favor': alvo de 7 tiros de PMs iria soltar faca no chão no momento dos disparos, mostra vídeo Segundo o grupo, formado pelo Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb), Fundação Lemann, Fundação Telefônica Vivo, Instituto Natura e MegaEdu, a proporção de escolas públicas com internet adequada — aquela com velocidade de 1mpbs por aluno no maior turno, quando a conexão é terrestre, ou mínimo de 20mbps na escola quando é por satélite — saltou de 49%, em dezembro de 2023, para 74,1%, em março de 2026. Apesar da melhora, o percentual ainda está distante da promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciada em 2023, que é chegar a 100% até o fim do ano.
Os dados mostram que 29 das 73 redes estaduais e municipais que concentram metade dos alunos do país têm mais de 80% de escolas com conexão nesse patamar.
— Tenho uma expectativa de que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que está para ser divulgado em breve, já mostre uma forte correlação entre a aprendizagem dos alunos e as redes que mais conseguiram avançar nesse processo de conexão de suas escolas — afirma a diretora-executiva do Cieb, Julia Santa’Anna.
Na avaliação da nota técnica, o avanço no número de escolas conectadas se deu devido “à ampliação e à viabilização do uso de fontes de financiamento antes travadas por questões burocráticas”. A principal delas é o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), que existe há 20 anos, mas só em 2020 o Congresso permitiu que esse recurso fosse para a conectividade de escolas.
Outra fonte importante foi o leilão do 5G, que possibilitou às operadoras de celular operarem a tecnologia. A contrapartida de um dos quatro lotes vendidos foi a obrigação de levar internet às escolas. Esse recurso financiou o programa Aprender Conectado, focado em colégios mais vulneráveis, em especial na região Norte e em áreas rurais afastadas da infraestrutura de conectividade.
Tecnologia nas unidades de ensino — Foto: Arte O Globo Esse grupo concentra menos alunos e é o mais desafiador — já que requer tecnologias como satélite, por exemplo. De acordo com Santa’Anna, o país já avançou bastante conectando essas escolas, mas é o que ainda falta para o presidente Lula atingir a meta de 100%.
— É possível, sim, atingir. Esses processos já foram iniciados com recursos do Fust e do Aprender Conectado — afirma a especialista.
O estudo, no entanto, mostra que a oferta de computadores nas escolas avança de forma mais lenta. Em 2023, 30% das escolas tinham a quantidade considerada adequada pelo Ministério da Educação (MEC), que é de um dispositivo para cada dez alunos. Em 2025, isso subiu para 39%. Entre as 73 maiores redes de ensino do país, apenas 17 chegaram ao patamar de 80% dos colégios com essa quantidade de equipamentos.
Linha de financiamento Sant’Anna afirma que o Censo Escolar de 2026, que só será divulgado no ano que vem, deve mostrar mais um avanço nesse aspecto, mas que esse é um desafio maior porque o governo federal não possui uma linha de financiamento específica para isso. Ainda assim, diz a diretora-executiva do Cieb, o Ministério da Educação (MEC) conseguiu induzir essas compras com a criação de atas de registro de preços — modalidade de licitação que ajuda estados e municípios a encontrarem o preço mais baixo para equipamentos:
— Essa é a perna mais desafiadora do ponto de vista financeiro. Se, por falta de orçamento, não há recursos expressivos do governo federal para dispositivos, o que seria o ideal, é fundamental que o MEC mantenha sempre essas atas de preço disponíveis para os entes subnacionais, que estão passando a ter mais recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) nos últimos anos.
Escolas com quantidades adequada de computadores — Foto: Arte O Globo No ano passado, o país proibiu a utilização dos celulares em sala de aula. No entanto, há uma série de competências digitais que os alunos precisam aprender no mundo contemporâneo. Por isso, outra frente importante que se apresenta ao país é a intensificação na formação dos professores para trabalhar com os conteúdos digitais. Agora que o wi-fi está chegando nas escolas, é preciso, dizem os especialistas, que os docentes saibam usar adequadamente em sala.
Currículo para o digital Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Computação, um documento que reúne uma série de habilidades que alunos da educação infantil ao ensino médio devem aprender na área a cada ano de ensino, são três eixos de conteúdos: cultura digital (uso responsável e ético das tecnologias e a segurança de dados); mundo digital (funcionamento da internet, protocolos de comunicação, como funcionam um hardware e um software); e pensamento computacional (decomposição, que significa dividir um problema complexo em partes menores; abstração, que pode ser relacionada com as linguagens; e reconhecimento de padrões e algoritmos).
Em 2024, o MEC lançou uma ferramenta para que os professores façam um autodiagnóstico de saberes digitais. Até abril deste ano, quase 130 mil docentes já utilizaram a plataforma. De acordo com a nota técnica da Coalizão Tec Educação, um número relevante de professores das redes estaduais de São Paulo, Alagoas, Ceará e Paraná já fizeram o teste e pouco mais da metade apresentaram “competências digitais apropriadas”.
— Não fazia sentido fazer a formação dos professores antes das escolas estarem providas de infraestrutura para isso. Agora é buscar um trabalho em escala para formação de competências digitais para os professores poderem lidar com todas essas oportunidades de aprendizagem por meio digital ou essas tensões que envolvem a tecnologia, como o cyberbullying. Agora, grande parte das redes do Brasil já está em condições de dar esse passo — diz Sant’Anna.
Em nota, o MEC afirmou que “tem promovido avanços significativos na infraestrutura digital das escolas públicas brasileiras” e que o objetivo é servir aos propósitos pedagógicos das escolas. Desde 2023, segundo a pasta, foram conectadas 100 mil escolas, com mais de 24 milhões de estudantes matriculados. Sobre os dispositivos, a pasta diz que, desde 2023, foram destinados R$ 1,5 bilhão na compra ou aluguel de equipamentos em programas de financiamento. A pasta também destacou o apoio por meio da disponibilização de atas nacionais de registro de preços pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
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Inovação Educacional
Today, 2:03 PM
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Codiretor da Data Privacy Brasil discute a “Copa das Bets”, a plataformização do vício e por que o tema deve ser tratado como questão de direitos digitais e saúde
Nos últimos anos, ficou difícil, para não dizer impossível, assistir a uma partida de futebol sem esbarrar em alguma publicidade de apostas. Elas estão nas transmissões, estampadas nas camisas dos atletas, nos intervalos comerciais, em vídeos que circulam nas redes sociais — e, cada vez mais, na própria forma como o esporte é consumido. Na Copa do Mundo de 2026, apelidada por críticos Brasil afora de “Copa das Bets”, essa presença ganhou ainda mais visibilidade com milhares de pessoas acompanhando os jogos de 48 seleções pela TV e, sobretudo, pelo streaming.
LEIA MAIS NA GAMA
Questionário Proust: Erick Jacquin O museu na era da selfie Como criar meninos mais sensíveis Desde o início do Mundial deste ano, no dia 11 de junho, o assunto se tornou um dos principais debates da competição, colocando em pauta que tipo de relação está sendo construída entre o futebol, torcedores e as bets.
Para Rafael Zanatta, codiretor da Data Privacy Brasil, organização que se dedica à produção de conhecimento voltado à construção de um ecossistema informacional justo, o fenômeno não pode ser lido apenas como uma questão de escolha individual. Pesquisador de direitos digitais e proteção coletiva de dados, e mestre em direito e economia política, ele enxerga nas bets uma engrenagem mais ampla da economia digital: sistemas desenhados para capturar atenção, estimular repetição, perfilar usuários e transformar comportamentos de risco em receita recorrente e bilionária.
“Plataformização do vício” é como Zanatta chama esse processo. A expressão aproxima as apostas esportivas de outros ambientes digitais organizados por retenção, predição e design persuasivo, do Instagram às plataformas de predição, como as plataformas norte-americanas Kalshi e a Polymarket. Em entrevista a Gama, o especialista afirma que o ponto central é que a aposta já não depende apenas do desejo do apostador. Ela passa por arquiteturas digitais capazes de induzir comportamentos, reduzir fricções e explorar vulnerabilidades.
A visibilidade da Copa, segundo Zanatta, tornou mais evidente uma fronteira que vinha sendo borrada, a que separa publicidade, experiência esportiva e estímulo ao consumo de risco, inclusive em ambientes amplamente acessados por crianças e adolescentes.
A preocupação, no entanto, não se limita à propaganda. Ao longo da conversa, ele também relaciona esse avanço a uma série de elementos: o endividamento, a ludopatia — transtorno de compulsão por jogos de azar —, os impactos sobre as famílias, a erosão da economia popular e o aumento da pressão sobre a saúde pública. Também discute o papel dos dados pessoais, do perfilamento e de designs manipulativos em plataformas que aprendem com o comportamento dos usuários. E que podem, a partir disso, predizer quem está mais vulnerável a continuar apostando.
Para enfrentar esse fenômenos, Zanatta defende no papo com Gama uma coalizão entre diferentes áreas. Não se trata só de debater se a publicidade deve ser mais restrita, como ocorreu com o tabaco e o álcool décadas atrás, mas de entender como é possível uma economia inteira se organizar em torno da atenção, da recorrência e do risco. “A sociedade precisa discutir se não houve uma negligência coletiva sobre as bets.”
G |A Data Privacy Brasil usa a expressão “plataformização do vício” para falar de bets e outros mercados digitais de risco. Qual é o significado desse conceito?
Rafael Zanatta | Essa é uma temática que discuto há bastante tempo com o professor Ricardo Abramovay — orientador do meu doutorado —, que começou a escrever sobre economia do vício por volta de 2017, 2018, e a gente trabalhou academicamente esse tema antes mesmo de ele entrar no escopo da Data Privacy Brasil. O professor identificou que a transformação digital e a plataformização produzem uma economia específica, fundada em uma ciência comportamental, psicológica, basicamente behaviorista, inspirada em estudos sobre comportamento repetitivo, prazer e adicção. Existe uma ciência voltada a organizar a retenção da atenção e a maximizar o tempo de permanência do usuário nas plataformas. É a captologia [estudo de tecnologias projetadas para persuadir e mudar comportamentos ou hábitos dos usuários], disciplina oferecida pela Universidade Stanford que foi cursada por ex-funcionários da Meta e do Google. É isso que o Abramovay chama de economia do vício. Esse debate me influenciou a levar o tema para a Data Privacy, porque a nossa agenda trata de direitos digitais e da defesa de um ecossistema informacional justo. G |Por que a plataformização do vício é também um problema de direitos digitais?
RZ | Os ecossistemas informacionais e as arquiteturas digitais fazem parte da nossa vida social, econômica e cívica. Por isso, os elementos de justiça também aparecem aí. Um design pode ser injusto ou ilícito; a arquitetura que modula nosso comportamento pode produzir consequências detrimentais para valores como autonomia e dignidade. A plataformização do vício não é um fenômeno novo ou restrito às bets, é um processo estrutural, de décadas, ligado ao modelo mais amplo da economia digital. Instagram, YouTube, bets e plataformas de mercados de predição operam com designs voltados à retenção da atenção e à repetição cotidiana de comportamentos, nesse jogo entre design e corpo humano, com pequenas doses de prazer, liberação química e produção de dopamina. G |Como entram os dados pessoais e o perfilamento nessa economia do vício?
RZ | A utilização de dados pessoais é central nessa economia, porque permite induzir comportamentos a partir do encaixe de cada pessoa em um grupo social abstrato. É o que chamamos de perfilamento. A partir de sinais sobre preferências, classe social, dinâmica de trabalho ou hábitos cotidianos, é possível observar empiricamente milhões de usuários com perfis semelhantes e predizer comportamentos. Esse é o modo de organização da economia digital. A estrutura da economia do vício é constitutiva da plataformização. Por isso, no projeto de pesquisa da Data Privacy Brasil sobre a plataformização do vício, a gente estuda escolhas de design e a fronteira entre o lícito e o ilícito nesses desenhos de arquiteturas digitais. Há uma linha de continuidade entre o que já era problemático nas redes sociais e o que agora migra para a economia das apostas. Tudo está conectado pelo eixo do vício. Tudo está conectado pelo eixo do vício
G |Quais são as diferenças entre as bets e as plataformas de predição — essas em que é possível apostar sobre qualquer assunto, de BBB e finais de novelas a resultados de eleições —, como Kalshi e Polymarket?
RZ | As bets são apostas de cota fixa. É como se houvesse um balcão de venda de apostas, semelhante ao modelo clássico de aposta em cavalos ou outros eventos. A empresa intermediadora define um preço, organiza a aposta, estabelece o valor de pagamento e cobra uma taxa de intermediação sobre as transações. Em geral, essas apostas de cota fixa se dão majoritariamente em eventos esportivos, com apostas predefinidas a partir de elementos do próprio esporte: quem vai vencer, quantos gols serão marcados, quem vai marcar. A Kalshi e a Polymarket radicalizam esse mercado porque tentam se posicionar como se não fossem apostas de cota fixa, mas um novo tipo de ativo financeiro ou de investimento em evento futuro. Esse argumento não me convence. Elas estão muito próximas do mesmo tipo de economia e poderiam ser enquadradas como apostas de cota fixa, porque também fazem intermediação e cobram taxas sobre os ganhos. G |O que essas plataformas de predição tentam apresentar como diferente?
RZ | A diferença que elas alegam é que não criam o evento nem o preço: dizem que isso surge das transações entre usuários, como em uma bolsa de valores. Nas bets, a empresa cria a aposta sobre um jogo; nessas plataformas, o usuário poderia criar um evento como “vai chover no Paraguai amanhã”, e se forma um mercado de sim ou não em torno disso, com contratos contingenciais. O problema é que essas plataformas inventam uma financeirização sobre qualquer evento, mesmo sem acoplamento com a economia real. É diferente do agronegócio, por exemplo, em que eventos futuros, como condições climáticas, afetam concretamente a produção e o preço de produtos. Ali há uma relação entre finança e economia real. No caso da Kalshi e da Polymarket, pode ser qualquer fenômeno político ou mundano. No Brasil, há uma disputa importante sobre a competência regulatória: elas querem tratar esses ativos como uma nova modalidade financeira, próxima de uma bolsa de valores; o governo federal tende a ver isso como algo muito próximo das apostas. G |A Copa do Mundo 2026 tem sido chamada de “Copa das Bets”. Como você vê esse fenômeno, que não é novo, mas ganhou outras camadas pela visibilidade do evento?
RZ | Nas últimas semanas, houve uma percepção de que uma fronteira foi cruzada. A Copa deu uma visibilidade imensa a algo que já vinha acontecendo: a presença das bets no futebol, nas transmissões e na experiência de torcer. Houve um levante difuso nas redes sociais, um incômodo com o modo como o incentivo ao jogo passou a se misturar ao entretenimento esportivo. Esse debate é também uma discussão sobre moralidade dos mercados. O que é correto, do ponto de vista moral, quando um negócio ganha dinheiro com bets e, ao mesmo tempo, incentiva as pessoas a jogar, misturando narração, evento esportivo e apostas? A Copa não criou esse fenômeno, mas tornou muito mais evidente a escala dessa presença e o quanto ela passou a fazer parte do ambiente midiático do esporte. G |O Ministério da Fazenda abriu um processo administrativo contra bets que anunciaram na CazéTV durante jogos da seleção brasileira neste Mundial. Esse caso ajuda a mostrar quais os limites entre entretenimento, publicidade e indução ao consumo de risco?
RZ | A questão com a CazéTV trouxe uma discussão jurídica importante sobre a Lei das Bets. Os artigos 28 e 29 da Lei 14.790/2023 dizem que a publicidade deve ser regulada pelo Ministério da Fazenda e precisa circular com avisos de desestímulo ao jogo, advertência de malefícios e ações informativas de prevenção. E, em hipótese alguma, pode chegar a crianças e adolescentes. No entanto, quando há um streaming alcançando dezenas de milhões de pessoas, e o Brasil tem 25 milhões de crianças e adolescentes que usam a internet [segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil], é evidente que uma parte desse público será afetada por aquela publicidade. Para mim, isso gera um curto-circuito com o ECA Digital. A CazéTV deveria separar melhor o que é conteúdo para crianças e adolescentes, mas está tudo misturado. Há ainda outro ponto: a lei veda afirmações infundadas sobre probabilidade de ganhar. Você não pode induzir uma pessoa, de forma infundada, à ideia de que ela tem chance de ganho. Isso se soma à responsabilidade editorial de não produzir indução ao jogo e de ser mais vocal sobre o vício e os efeitos detrimentais que podem decorrer das apostas. Hoje, a menção de que o conteúdo é apenas para maiores de 18 anos aparece de forma muito rápida e minimalista. A discussão se aproxima do que ocorreu com o tabaco e o álcool: setores em que a publicidade precisou ser regulada para evidenciar riscos e mitigar danos. Bets são, de fato, um assunto de saúde pública
G |Como o Executivo tem reagido a esse debate?
RZ | No Executivo, há uma movimentação entre o Ministério da Fazenda e a Secretaria Nacional de Direitos Digitais em torno de um acordo de cooperação técnica sobre dark patterns, ou padrões manipulativos de design. A ideia é discutir publicidade responsável, transparência das plataformas e recomendações para combater o design manipulativo em jogos. Isso mira claramente jogos como o “tigrinho”, em que o design usa luzes coloridas, botões grandes, pouca fricção e forte indução ao vício, inclusive para idosos. O caminho provável é recomendar formas de instituir fricção e tornar o design menos manipulativo. Para a Data Privacy, esse é um ponto central de pesquisa: acompanhamos o Legislativo, mas nosso interesse principal está nessa movimentação do Executivo, porque ela mira o design. G |E quais caminhos aparecem hoje no Legislativo?
RZ | No Legislativo, há muitos projetos em discussão, especialmente sobre publicidade, patrocínio e presença das bets em TVs, sites, uniformes de times e estádios. Muitos parlamentares querem reduzir o domínio das bets no esporte, mas isso deve gerar uma disputa grande com confederações e clubes, que já estão entrincheirados nesse dinheiro. Também aparecem propostas sobre autoexclusão, bloqueio de marketing, alertas obrigatórios de vício e vedação de expressões como “jogue e faça renda extra”, “lucro certo”, “grupo VIP” ou “recupere suas perdas”. Essas expressões são problemáticas porque induzem uma expectativa ilícita de ganho. O Legislativo pode disputar as regras do jogo, mas não acho que esse processo será rápido. G |Você defende que a sociedade discuta se a publicidade de bets deveria seguir restrições semelhantes às do cigarro ou às das bebidas alcoólicas. O que aproxima esses mercados?
RZ | Nós da Data Privacy somos signatários da campanha Brasil Contra Bets, que reúne ativistas e entidades, como a ACT e o Idec, com tradição em pesquisa em saúde pública. Tudo o que recebi e li dessas entidades nos últimos meses ajudou a Data Privacy a se posicionar: bets são, de fato, um assunto de saúde pública. A dimensão dos danos já é notória e tende a ficar ainda mais explícita. Também há um problema de estruturação das famílias. Em comunidades, relatos de pessoas que perdem móveis, fazem dívidas, pegam dinheiro emprestado e destroem relações familiares mostram que a questão é grave. Dada essa gravidade, a sociedade precisa discutir se não houve uma negligência coletiva sobre as bets. Todo mundo achou bom enquanto havia dinheiro circulando, mas agora estamos colhendo os danos. Tabaco e álcool oferecem exemplos de mitigação de danos e enfrentamento de grandes indústrias difíceis de erradicar. Acho que as bets se aproximam disso. G |Como elaborar uma política pública realmente robusta para enfrentar a plataformização do vício?
RZ | Acho que isso já está acontecendo. Não é algo que ainda precisa começar, mas há uma interconexão de campos disciplinares em curso. A saúde pública está dialogando com direitos digitais, pensando design e uso da informação, e também com o Executivo, forçando uma visão mais holística, que não fique restrita à Secretaria de Prêmios e Apostas. Esse diálogo pode envolver o sistema de saúde pública, a Fiocruz, o Ministério da Saúde e entidades de pesquisa. O quebra-cabeça ainda está um pouco esparramado, mas as peças se encaixam. Não dá para resolver o problema como se fosse só uma questão de Fazenda, só de saúde pública ou só de direitos digitais. G |Por que essa agenda exige uma coalizão entre diferentes áreas?
RZ | O problema é complexo justamente pela interdependência das partes. É o design que produz a maximização da atenção; essa maximização produz ludopatia e vício; a ludopatia e o vício produzem um problema de saúde pública; e esse problema se liga à erosão da economia popular, tornando-se também um problema econômico. Há um espírito de coalizão que precisa ser construído, como ocorreu em outras agendas públicas. Nos últimos meses, várias iniciativas começaram em unidades governamentais, centros de pesquisa e entidades civis. A campanha contra as bets reúne defesa do consumidor, direitos digitais e saúde pública. Esse levante popular e a preocupação coletiva abrem uma janela de oportunidade para formular políticas públicas.
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Today, 2:02 PM
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Para antropólogo que pesquisa o efeito das apostas online nas favelas, bets sequestrarão paixão pelo futebol e, mesmo se banidas, deixarão dependência social. Além da catástrofe financeira, você já parou para pensar que as bets estão mudando o jeito de muita gente olhar para a vida e as suas paixões? No caso do futebol, agora na Copa do Mundo, ficou bem óbvio. “O futebol sempre foi o nosso ritual mais coletivo, aquele momento raro em que a favela, o asfalto e o condomínio fechado torcem ao mesmo tempo para a seleção. E as bets quebraram esse desejo único em centenas de pequenos mercados, de pequenas transações. Hoje, a pessoa não vai torcer só para um gol, vai torcer para um escanteio, um cartão amarelo, os minutos de acréscimo. As bets sequestraram essa paixão brasileira”, diz o antropólogo David Nemer, o convidado do Podcast da Semana da edição sobre bets. Nemer é professor nos departamentos de Estudos de Mídia, de Antropologia e do programa de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Virgínia. Ele pesquisa tecnologia nas favelas e, nos últimos anos, se dedica a entender os efeitos das bets no Brasil. Na entrevista que você ouve abaixo, ele fala sobre como as bets têm um modelo de negócios que tira proveito da vulnerabilidade e defende que é errado pensarmos em vício, pois assim “individualizamos” o problema e culpabilizamos o usuário. “A questão, tanto do iludido quanto do viciado, não dá conta do que realmente acontece. Ela individualiza uma coisa que é estrutural, que é um produto desenhado para extrair, inclusive de quem é informado”, afirma o pesquisador. Segundo Nemer, a Copa funciona como uma grande campanha de recrutamento, trazendo gente nova para as plataformas. “Depois dessa festa, vem a conta, que vai ser o endividamento, o empréstimo com o amigo que não vai conseguir pagar, com agiota. Em lares precarizados, há um abandono familiar. O homem na favela se apropria do dinheiro da mulher, sendo que sete em cada dez lares são mantidos por mulheres. E as mulheres, claro, ao lutar pelo seu dinheiro para sustentar a casa, acabam em confronto e são agredidas.” Ele defende o banimento total e diz que, ainda assim, as bets deixarão um triste legado. “Uma dependência social foi criada e as pessoas buscarão outras formas de aposta.”
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Today, 2:01 PM
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Juliana Prates transformou o luto em causa pública. Em dezembro do ano passado, a advogada e auditora do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA) perdeu o irmão, o também auditor Otacílio Prates, vítima do vício em apostas online desde 2023. “Ele dizia que estava fazendo investimentos arriscados em day trade e que havia gasto dinheiro em criptomoedas”, conta a Gama. Juliana só descobriu a gravidade do quadro horas antes da tragédia, ao acessar o celular do irmão em busca de pistas de seu paradeiro e encontrar um histórico de plataformas de apostas.
MAIS SOBRE O ASSUNTO Como identificar o vício em jogos de azar online e o que fazer Pedro Ambra: “Existe a masculinidade hegemônica, mas as formas de vivê-la podem ser muito diferentes” André Perfeito: “Ter um planejamento financeiro é tomar as rédeas da sua vida” Depois que o irmão tirou a própria vida, Juliana publicou um alerta em suas redes sociais que viralizou. A partir de então, ela passou a receber mensagens de famílias que contam histórias parecidas com a sua, sobre perdas de filhos, cônjuges e outros parentes para o mesmo vício, conhecido como ludopatia, ou jogo patológico. Em pouco tempo, contabilizou 25 suicídios ligados a jogos online. “Percebi que era um problema público gravíssimo, mas que ainda carrega um estigma de que ‘só quem é pobre joga no tigrinho'”, afirma.
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Today, 1:50 PM
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Criado por Giselle Santos, gestora de inovação e pesquisadora do Rio de Janeiro, Os Códigos de Sofia não é um jogo tradicional nem uma sequência didática rígida: trata-se de um kit narrativo desplugado, formado por cartas, histórias e perguntas que funcionam como disparadores de conversas sobre inteligência artificial (IA), cultura digital, dados e território. Cada carta apresenta um fragmento da vida de Sofia, uma personagem fictícia de 14 anos que vive no Morro Dona Marta. Ao escrever suas próprias histórias, ela provoca reflexões sobre como a tecnologia atravessa o cotidiano.
Mais do que conduzir uma atividade, Sofia promove um encontro. “Não se trata de ensinar a operar ferramentas digitais, mas de abrir espaço para pensar quem projeta as tecnologias que usamos? Quem toma decisões por meio delas? Quem acaba não sendo visto pelos sistemas?”, provoca Gisele.
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Today, 1:48 PM
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O Todos Pela Educação, por meio do Centro de Estudos Aplicados em Práticas de Ensino e Aprendizagem (Ceapea), divulga o estudo “Condições institucionais para a oferta de formação continuada de professores”, desenvolvido em parceria com o Lepes (Laboratório de Estudos e Pesquisas em Economia Social e Educação) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O trabalho analisa em que medida as redes de ensino dispõem das condições institucionais necessárias para oferecer formações continuadas capazes de promover o desenvolvimento profissional dos docentes e, consequentemente, melhorar a aprendizagem dos estudantes.
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Today, 1:44 PM
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Quando se fala em escola integral, é comum associar o conceito apenas ao aumento do tempo que os estudantes permanecem na instituição. Apesar de a ampliação da jornada ser um dos pilares desse modelo, especialistas defendem que a formação integral dos estudantes depende também da oferta de experiências que extrapolem os conteúdos tradicionais e contribuam para o desenvolvimento acadêmico, social, cultural e emocional dos alunos.
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Em seu site, o Ministério da Educação (MEC) define a educação integral como o processo de ensino, aprendizagem e participação que engloba as diferentes dimensões constitutivas do ser humano, como a física, intelectual, social, emocional, simbólica, política e cultural, articuladas entre si e em desenvolvimento contínuo ao longo da vida.
A doutora em Educação e pesquisadora da infância Adelir Marinho explica que a formação integral parte do princípio de que a escola não é responsável apenas pela transmissão de conteúdos acadêmicos, mas também por promover experiências diversificadas que contribuam para o desenvolvimento completo dos estudantes.
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Qual a primeira ação que o MEC precisa tomar em 2027? Fundadora do Todos Pela Educação responde
5:39 A cofundadora e presidente executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, participou do segundo encontro do Brasil Adiante. Crédito: Fotografia e som: Bruno Nogueirão | Edição: Júlia Pereira
“A ampliação do tempo somente produz resultados quando acompanhada de uma reorganização curricular, metodológica e pedagógica capaz de ampliar as oportunidades formativas dos estudantes”, diz. Segundo a pesquisadora, entender que mais horas no ambiente escolar não garantem melhoria na aprendizagem é um dos principais desafios.
O diretor da Escola Villare, Ernani Soares de Paula, aponta que a extensão da jornada escolar não pode ser vista apenas como uma solução logística para famílias com agendas cheias. As atividades complementares precisam oferecer oportunidades para que os alunos desenvolvam habilidades específicas e descubram ou aprimorem talentos. “Mais do que formar um catálogo extenso, o objetivo deve ser oferecer experiências que dialoguem com a complexidade da formação humana.”
Para Paula, embora os componentes curriculares do horário regular de aula sejam fundamentais e constituam o núcleo da experiência escolar, a aprendizagem não pode se limitar a eles. “O contraturno não deve representar uma extensão das aulas regulares, mas uma oportunidade de vivenciar experiências diferentes e explorar novos interesses”, acrescenta.
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Escola Villare identificou crescimento da valorização dos programas extracurriculares após a pandemia. Foto: Divulgação/Escola Villare O diretor pedagógico da Escola Vera Cruz, Daniel Helene, também reconhece a importância dos programas extracurriculares no processo de formação integral, mas pondera que eles podem perder a efetividade se estiverem desconectados das ambições pedagógicas. “Não pode haver, na rotina escolar, nada que seja feito sem intencionalidade pedagógica, ou apenas para ‘passar o tempo’”, pontua.
Pandemia reforçou importância dessas iniciativas Os especialistas apontam que, após a pandemia, o reconhecimento da importância dessas iniciativas aumentou. A Escola Vera Cruz ampliou as atividades de contraturno após o fim da crise sanitária, depois de identificar uma demanda. Já a Escola Villare oferecia atividades complementares antes da pandemia, mas afirma ter percebido uma valorização dessas atividades após esse período.
Adelir afirma que a pandemia foi responsável por evidenciar que a escola desempenha funções mais amplas do que a transmissão de conteúdo e que seu papel no desenvolvimento socioemocional dos estudantes não pode ser facilmente substituído. “Após o período de isolamento, foi possível observar os impactos causados na aprendizagem, na socialização, na saúde emocional e na convivência entre crianças e adolescentes”, diz.
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Nesse mesmo período, teve início a implementação de itinerários formativos, previstos na reforma do ensino médio de 2017. Eles correspondem à parte flexível do currículo escolar, na qual o estudante escolhe se aprofundar em áreas específicas de seu interesse. Após a revisão de 2024, os itinerários passaram a ter carga horária mínima de 600 horas.
Justamente por exigir que os alunos reconheçam seus interesses e façam suas próprias escolhas, os programas extracurriculares também ajudam no exercício da autonomia e do senso de responsabilidade, aponta Paula. “A possibilidade de escolha também contribui para que o tempo vivido na escola faça sentido para cada aluno, respeitando suas singularidades e modos de aprender”, afirma.
Para o diretor da Escola Villare, os principais desafios em todo esse processo estão relacionados a aspectos operacionais, já que é preciso oferecer programas que atendam a diferentes interesses, faixas etárias e objetivos.
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Já Helene considera que as maiores dificuldades estão ligadas às rotinas dos estudantes, que já são cheias. Segundo ele, é essencial que o tempo de descanso entre as atividades também esteja no planejamento.
A ideia é reforçada por Adelir, que afirma que a falta de equilíbrio é um ponto de atenção nas propostas de escolas integrais e que a formação integral não deve significar escolarização excessiva, mas sim uma articulação equilibrada entre diferentes experiências formativas. De acordo com a pesquisadora, escolas públicas podem enfrentar um desafio a mais, já que ainda precisam lidar com menos infraestrutura e recursos.
Uso de celulares é restrito Desde o início do ano letivo do ano passado, o uso de celulares em escolas públicas e privadas de todo o País é restrito. A lei não proibiu totalmente o uso dos aparelhos e deu autonomia para que as instituições definissem formas de aplicação da restrição, adequando as regras à sua realidade. Segundo o MEC, o uso ainda é permitido para fins pedagógicos, com autorização do professor, e para casos de acessibilidade, saúde e segurança.
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Os impactos da medida ainda devem ser analisados por uma pesquisa conduzida pela Secretaria de Educação Básica (SEB), em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e com o Instituto Alana, que engloba mais de 8 mil escolas públicas e privadas da educação básica. No entanto, profissionais ouvidos pelo Estadão apontam que os efeitos têm sido positivos.
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Julio de Mesquita Filho inspirou criação da USP A psicóloga escolar institucional do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, Claudia Tozzi, afirma que a escola já proibia o uso de celulares durante as aulas, mas, após a entrada em vigor da lei, precisou de um período de adaptação para conscientizar os alunos de que o uso passaria a ser proibido em qualquer ambiente da instituição. “O tempo de adaptação ao novo contexto foi relativamente curto, o que demonstrou boa receptividade por parte da comunidade escolar.” Segundo ela, mais de um ano após o início da restrição, a principal mudança observada ocorreu na interação entre os alunos.
Na Escola Villare, o uso dos aparelhos é proibido em todo o ambiente escolar, seja no turno regular ou no contraturno. Paula afirma que a adesão às novas normas ocorreu de forma tranquila, em parte devido ao alinhamento com as famílias. “Do ponto de vista dos estudantes, um dos efeitos mais frequentemente relatados é a redução da ansiedade associada ao uso contínuo do celular e à necessidade de estar permanentemente conectado”, afirma o diretor.
Adelir aponta que a discussão em relação ao tema deve focar no sentido pedagógico atribuído às tecnologias, em vez de ser reduzida à oposição entre uso ou proibição do celular. Para ela, a formação integral também pressupõe o desenvolvimento da cultura e cidadania digital. “O desafio consiste em substituir o uso passivo e dispersivo por experiências pedagógicas intencionais, envolvendo produção de conhecimento, pensamento crítico, criatividade e letramento digital.”
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Today, 1:40 PM
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Terceira edição do “Levantamento Nacional: retrato da Educação Infantil” coleta dados dos municípios e do Distrito Federal sobre a demanda por vagas nessa etapa da educação básica. Questionário fica disponível até 19 de julho, pelo Simec
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Today, 1:37 PM
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Uma mudança na letra de “Atirei o pau no gato”, mesmo que bem intencionada, está colocando a canção em risco, afirma Nélio Spréa, doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e pesquisador das tradições populares da infância brasileira. Ao GLOBO, ele diz ainda que as crianças brincam menos do que outras gerações porque estão ocupadas demais com afazeres e telas. E reforça que as parlendas — típicas brincadeiras infantis, como as canções “Uni, duni, tê” ou “Um, dois, feijão com arroz” — são momentos em que se aprende do letramento até a sincronia de movimentos.
Entrevista: 'A rede social é uma praça pública escura e cheia de estranhos', diz juíza da maior Vara de Infância do país Entrevista: 'IA reduz a capacidade de pensar dos nossos filhos', diz autor do best-seller 'A Geração Ansiosa' As crianças hoje brincam menos que seus pais e avós?
Sim. Brincava-se mais porque as crianças se encontravam mais e tinham mais possibilidade de, juntas, acharem soluções para o tédio. Quando não há nada para fazer, elas têm que criar, inventar. Hoje, as crianças estão sobrecarregadas de tarefas e agendas, além de estarem entretidas por tempo demais com as ofertas do mundo digital.
O senhor publicou um vídeo dizendo que a mudança na letra de “Atirei o pau no gato” pode ter prejudicado a popularidade dela entre as crianças. O que aconteceu?
Essa é uma cantiga secular. Está no Brasil e em Portugal desde o século XIX. A razão para a alteração da letra é muito legítima (a nova versão é contra os maus-tratos ao animal), mas sugiro que essa adaptação não seja tão dramática. A métrica do texto é fundamental nessa cantiga. E no final tem um fator lúdico que é o “miau”, hora em que todas as crianças, numa roda, caem no chão. É uma diversão, que foi retirada da nova versão. A letra mexida deixou mais difícil para as crianças cantarem. Sugiro apenas uma mudança sutil: mudar “pau” por “pão” e “morreu” por “comeu”.
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Inovação Educacional
Today, 1:35 PM
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Com base na PNAD-C, o Todos pela Educação (organização da sociedade civil, sem fins lucrativos e suprapartidária fundada em 2006) construiu a série histórica a partir da idade escolar e observou que o acesso à educação infantil de crianças de 0 a 3 anos no Brasil tem seguido tendência de crescimento desde 2016 e atingiu 43,3% em 2025, o maior percentual da série histórica, com cerca de 4,5 milhões de bebês e crianças em creches.
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Inovação Educacional
Today, 1:33 PM
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Nas últimas décadas, as escolas têm sido chamadas a responder a situações de complexidade crescente: episódios de violência dentro e fora do ambiente escolar, emergências emocionais de estudantes e docentes, conflitos comunitários agudizados por polarizações sociais, crises de saúde pública. Nenhum desses eventos pode ser inteiramente previsto — mas todos podem ser melhor manejados por gestores que tenham sido formados para isso.
Essa é a premissa que sustenta a existência de programas de formação voltados especificamente à gestão de crises no contexto escolar. Trata-se de desenvolver, de forma intencional, um conjunto de competências que a rotina da gestão raramente oferece tempo para cultivar: a capacidade de manter a calma sob pressão, tomar decisões éticas em contextos de incerteza, comunicar-se com empatia e transparência, e reorganizar a escola após momentos de ruptura.
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Today, 1:26 PM
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Publicações aprofundam dados divulgados pelo IBGE e destacam avanços, desigualdades e desafios para garantir o direito à educação ao longo da trajetória escolar
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Inovação Educacional
Today, 1:22 PM
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A pandemia tornou evidente a falta que faz ao Brasil ter escolas com conexões robustas à internet. É verdade que o fracasso do ensino remoto — cujo preço o país pagará durante anos — se deve sobretudo ao tempo exagerado em que as crianças foram mantidas longe das salas de aula. Mas não há dúvida de que, se as conexões on-line fossem melhores, as perdas teriam sido menores. Por isso o governo federal estabeleceu na ocasião a meta de conectar toda a rede escolar até o final deste ano. Houve avanço, mas já está claro que a meta não será cumprida. De acordo com nota técnica da Coalizão Tec Educação, um grupo formado por cinco entidades da sociedade civil, a proporção de escolas com serviço de internet na velocidade adequada aumentou de 49,2% para 74,1% entre 2023 e 2025. A parcela das que têm a quantidade mínima de computadores recomendada para um ensino eficaz — um para cada dez alunos — subiu de 30% para 39%. Ambos os indicadores estão muito longe do ideal. O descompasso entre promessa e realidade resulta da falta de coordenação entre os agentes do programa estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC). Num ambiente de gestão deficiente, florescem desníveis regionais. Das 73 redes estaduais e municipais que concentram metade dos alunos do país, apenas 29 têm mais de 80% das escolas com os níveis adequados de conexão digital. Destacam-se os estados de Rio Grande do Sul e Mato Grosso, capitais como Natal, João Pessoa, Recife, Vitória, Belo Horizonte e Porto Alegre, municípios como Uberlândia (MG), Campinas (SP), Guarulhos (SP), Sorocaba (SP), São José dos Campos (SP), São Bernardo (SP), Santo André (SP), Londrina (PR) e Joinville (SC). Apesar dos bolsões bem atendidos, lacunas se estendem por vastas regiões. É o caso de todo o Norte, grande parte do Nordeste e áreas consideráveis do Sudeste. Editorial: STF piora regra que já era ruim para ‘penduricalhos’ O MEC precisa ser mais ativo na coordenação entre governo federal, estados e municípios, para que todas as 140 mil escolas alcancem o nível necessário de acesso às ferramentas digitais. A cada ano sem que estejam devidamente equipadas e conectadas, estudantes se formam com poucas chances de obter êxito no ensino superior ou no mercado de trabalho. Outra frente a atacar é a necessidade de qualificar os professores para atuar no universo digital. De nada adiantará haver equipamento se o professor não souber aproveitá-lo. Uma decisão acertada foi, no leilão do 5G para operadores de celular, incluir num dos lotes licitados a obrigatoriedade de levar a internet a escolas, principalmente no Norte e em áreas rurais, onde é preciso fazer o acesso por satélite. A nota da Tec Educação faz referência a “questões burocráticas” que travaram o acesso a fontes de financiamento. A principal delas é o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações. Criado em 2000, apenas 20 anos depois foi aprovado no Congresso seu uso na conectividade das escolas públicas. Não é coincidência que haja tanto atraso. Numa política tão estratégica e complexa, a falta de coordenação é fatal.
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