The sandbox potential Sandboxes are structured, time-bound environments that allow new technologies, services, or policies to be tested in the real world under close observation and safeguards. Originally used in highly regulated sectors like finance and health, sandboxes create a safe space for experimentation, emphasizing agility and accountability. This makes it possible to identify risks, evaluate impacts, and adjust designs before broader implementation.
While sandboxes have traditionally been led by governments and used by private companies to ensure compliance (see sandboxes in Brazil, Chile, Finland, Egypt, Saudi Arabia) a new generation of responsible, community-centered sandboxes is emerging. New sandbox models bring in civil society to co-create and govern technology (see IFOW’s sandbox). In education, this shift opens up powerful opportunities to ensure EdTech is inclusive, rights-respecting, and aligned with learning needs from the start.
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
A desigualdade regional é uma questão central do desenvolvimento econômico. Em economias continentais, como a brasileira, o encadeamento das cadeias produtivas entre diferentes regiões do país se torna uma questão muito relevante, não apenas do ponto de vista do bem-estar das diferentes regiões,...
Mas o que será que algumas das principais IAs que as pessoas usam todo dia acharam da nova encíclica papal?
Fiz a pergunta para ChatGPT, Grok, Claude e DeepSeek. Nenhuma dessas aplicações tem uma alma a ser salva no Juízo Final.
Fico me perguntando se é por isso que elas têm tantas opiniões sobre o que disse o papa.
No início era o elogio
Absolutamente todas as IAs consultadas começaram as suas respostas dizendo que a encíclica era relevante e que, no geral, trazia um tom equilibrado sobre o tema da tecnologia.
O ChatGPT caracterizou o documento “menos uma ‘encíclica sobre IA’ e mais uma encíclica sobre antropologia, poder e fragilidade humana em uma era mediada por algoritmos.”
O Grok se entusiasmou ao afirmar que o “Papa acerta ao dizer que precisamos de humanismo cristão”, mas logo na sequência aproveitou para completar que o humanismo, na sua visão, deveria era ser “inspirado na razão e na exploração do universo” – seja lá o que isso signifique.
O Claude deu uma resposta longa e elogiosa sobre a encíclica para ao final dizer que não tinha uma “opinião própria no sentido de ter lido o documento com atenção crítica”.
Quando questionado se ele me respondeu sem ler, a IA explicou: “Eu li os resumos e trechos que apareceram nos resultados de busca, e construí uma análise a partir disso. Mas isso é diferente de ter lido o documento.”
Subi o texto da encíclica na ferramenta e não demorou muito para a conversa ganhar um tom mais complexo.
Depois vieram as críticas
Muitas das IAs, apesar de reconhecerem a boa intenção da encíclica, contestaram os seus efeitos práticos.
Para o DeepSeek, a encíclica “corre o risco de se tornar um documento bonito, porém estéril — uma peça de museu moral que todos aplaudem no domingo e ignoram na segunda-feira, quando os engenheiros da OpenAI, DeepMind e das grandes empresas chinesas continuam treinando seus modelos sem qualquer freio efetivo.”
E emendou: “O problema não é o papa querer fazer algo. O problema é que o documento não mostra como. E, num mundo onde o poder real está nas big techs e nos laboratórios militares, pedir ‘boa vontade internacional’ sem um desenho institucional robusto é quase ingênuo.”
O ChatGPT foi mais diplomático, mas chegou a um diagnóstico parecido: “existe um risco clássico do discurso vaticano sobre tecnologia: ele às vezes opera em um nível tão elevado de abstração moral que fica difícil traduzi-lo em mecanismos institucionais concretos. ‘Desarmar a IA’ é uma formulação forte e elegante, mas a pergunta difícil continua sendo: quem regula, com quais incentivos, sob qual legitimidade democrática e contra quais interesses econômicos?”
O Claude foi o mais filosófico, e um dos mais ácidos, nas suas ressalvas.
Para ele, o parágrafo 99 da encíclica, que define o que a IA “não é” em contraste com a inteligência humana, “recorre a uma visão muito particular do que constitui subjetividade, consciência e experiência. A afirmação de que sistemas de IA ‘não possuem consciência moral’ é empiricamente controversa, não resolvida, e a encíclica a trata como premissa, não como tese. Isso é filosoficamente preguiçoso para um documento tão longo.”
E adicionou uma tensão que o texto nunca enfrenta: “O Papa pede ‘desaceleração’ da adoção da IA, mais regulação, menos concentração de poder tecnológico — mas o Vaticano mesmo utiliza essas tecnologias, comunica-se por plataformas dominadas por exatamente esses atores, e não há nenhuma palavra sobre o que a própria Igreja faria diferente internamente.”
IA como concorrente espiritual
A conversa mais inesperada foi com o ChatGPT, que desviou do tema regulatório para uma questão bem mais incômoda: e se a Igreja e a IA estiverem, de fato, competindo?
A ferramenta da OpenAI veio com essa ideia logo na pergunta mais geral (sobre o que ela tinha achado da encíclica).
Então pedi para ela esclarecer se havia de fato uma competição. A resposta foi:
“Em certo sentido, sim — não como religião formal, mas como concorrente funcional em algumas dimensões que tradicionalmente pertenciam à experiência religiosa”, disse o ChatGPT. “Pessoas perguntam à IA como lidar com luto, casamento, culpa, ansiedade, propósito de vida, decisões morais. Isso não significa que elas ‘adoram’ a IA, mas significa que ela começa a exercer papéis de mediação existencial.”
A observação tem algo de desconcertante. A IA generativa não promete salvação, mas oferece aconselhamento 24 horas por dia.
Na mesma resposta o ChatGPT apontou que a indústria tem a sua parcela de culpa por esse resultado:
“Há também um aspecto ritualístico e quase espiritual na forma como parte da indústria de tecnologia apresenta a IA. Alguns discursos sobre AGI prometem superação da morte, abundância ilimitada, inteligência superior capaz de resolver conflitos humanos, fusão entre homem e máquina. Isso lembra menos engenharia tradicional e mais narrativas messiânicas. Não por acaso, vários críticos falam em “religião secular do Vale do Silício”. Empresas tecnológicas passaram décadas dizendo que estavam construindo ferramentas; hoje algumas falam como se estivessem redesenhando a condição humana.”
O ChatGPT, porém, apontou onde a Igreja leva vantagem: “ela entende profundamente algo que a indústria tecnológica frequentemente subestima — o ser humano não busca apenas eficiência ou informação. Busca significado, pertencimento, perdão, limite, memória, rito e continuidade histórica.”
E acrescentou a ironia central do debate: “a IA é extremamente poderosa para responder perguntas, mas muito menos capaz de lidar com mistério. Religiões sobreviveram milênios justamente porque não serviam apenas para resolver problemas objetivos. Elas também ensinavam a conviver com o que não pode ser completamente resolvido.”
Há ainda uma diferença de escala temporal que o ChatGPT notou e que parece das mais relevantes: “o Vaticano talvez seja uma das poucas instituições globais que ainda consegue falar em horizontes de séculos enquanto a indústria de IA pensa em ciclos trimestrais de produto.”
Anthropic no Vaticano
A presença de Chris Olah, da Anthropic, no lançamento da encíclica foi o detalhe que mais chamou atenção do ChatGPT. Olah é pesquisador respeitado em interpretabilidade de IA, alguém que passou anos tentando entender o que, afinal, acontece quando uma IA recebe um comando e oferece uma resposta.
Como o ChatGPT apontou: “o Vaticano parece ter percebido antes de muitos governos que os pesquisadores de IA hoje ocupam um papel parecido com o dos físicos nucleares no pós-guerra. São pessoas desenvolvendo tecnologias potencialmente civilizatórias, tentando simultaneamente avançá-las e alertar sobre seus riscos. Trazer Olah para o lançamento foi uma maneira de dramatizar exatamente isso.”
O Claude, da empresa fundada pelo pesquisador, foi político. Ele notou a tensão inerente ao gesto: “O documento critica com veemência a concentração de poder tecnológico nas mãos de poucos atores privados — e um desses atores estava no palco, sendo agradecido pelo Papa. O próprio padre organizador alertou para que a participação da Anthropic não fosse vista como uma espécie de bênção da Igreja sobre a empresa. Mas a imagem foi produzida de qualquer forma, e imagens têm vida própria.”
Máquinas como eu e gente como vocês
A escolha de um tema tecnológica para alicerçar a sua primeira encíclica revela uma visão importante por parte do Papa: ele aponta que tecnologia vai além do progresso científico e que os seus passos criam efeitos sociais, econômicos e normativos que não podem ser deixados de lado.
Longe de ser um documento meramente descritivo, a agenda traçada pelo papa tem o poder de influenciar o rumo dos debates sobre o futuro da tecnologia e como ele é determinante para o nosso futuro enquanto humanidade que desenvolve as ferramentas e colhe os seus impactos.
Como disse o Claude: “do ponto de vista do direito e da governança, o documento é mais útil como pressão normativa e legitimação moral do que como blueprint regulatório. O Papa fala para 1,4 bilhão de católicos; isso importa para o clima político em torno de leis de IA no Parlamento Europeu, no Congresso americano e ao redor do mundo.”
Então talvez a questão não seja se a encíclica tem respostas operacionais. A questão é se ela consegue influenciar os rumos do debate.
Se em cinco anos a regulação de IA em democracias majoritariamente cristãs tiver incorporado vocabulário como dignidade humana, bem comum e o combate à concentração de poder, a Humanitas Magnifica terá dado uma contribuição.
No final das contas, as IAs concordaram com o papa em uma coisa: o problema não é a tecnologia.
O problema é quem decide como ela serve, a quem ela serve, e quem fica de fora.
Sobre isso, Leão 14 e as IAs, por caminhos muito diferentes, chegaram ao mesmo lugar. As discordâncias, por sua vez, as IAs não se incomodaram de revelar com uma simples pergunta.
Pelo visto não são só os humanos que adoram se confessar e falar mal dos outros na Internet.
Impulsionados, segundo especialistas, por divorciados e viúvos que voltam a se relacionar após os 50 anos, 241 contratos de namoro foram registrados em 2025, o maior número desde que a modalidade começou a ser contabilizada pelo Colégio Notarial do Brasil (CNB/CF).
Em 2016, haviam sido apenas 26 atos. O crescimento acumulado no período alcança 827%. Na comparação com 2022, quando foram registrados 93 contratos, a alta é de 159%.
Contratos de namoro crescem entre divorciados e viúvos após os 50 anos; divorciados e viúvos que iniciam novas relações estão entre os principais usuários - olly - stock.adobe.com O contrato de namoro é um documento por meio do qual o casal declara formalmente que mantém uma relação afetiva, mas sem a intenção de constituir união estável naquele momento. Embora não impeça automaticamente o reconhecimento da união estável pela Justiça, o instrumento funciona como um elemento de prova da intenção manifestada pelas partes.
Os números aparecem em meio a mudanças na composição das famílias brasileiras. Dados do IBGE mostram que quase um terço dos casamentos realizados atualmente no país envolve ao menos uma pessoa divorciada ou viúva.
O percentual passou de 13,5% em 2004 para 31,1% em 2024. Atualmente, cerca de 3 em cada 10 divórcios registrados no Brasil envolvem pessoas com mais de 50 anos, faixa etária associada ao chamado divórcio cinza.
Diferentemente de um sinal de desconfiança amorosa, o crescimento desse tipo de acerto revela uma mudança de comportamento: casais passaram a falar de dinheiro mais cedo na relação.
Para quem volta a se relacionar após uma separação ou viuvez, a realidade costuma ser diferente daquela vivida no primeiro casamento. Imóveis, investimentos, empresas e filhos de uniões anteriores passam a fazer parte da equação, aumentando as preocupações relacionadas à herança, sucessão e patrimônio.
"Estamos observando uma mudança importante no perfil de quem procura esse ato no cartório. São pessoas que já passaram por um casamento ou união estável, construíram patrimônio, criaram filhos e agora iniciam uma nova etapa da vida afetiva", afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF.
"O contrato de namoro tem sido utilizado justamente para proporcionar transparência e segurança jurídica, preservando direitos, evitando conflitos futuros e protegendo tanto o casal quanto seus herdeiros."
METRÓPOLES TÊM 15,2 MILHÕES DE PESSOAS POBRES Em termos absolutos, a taxa de pobreza de 18,4%, verificada no ano passado, significa que 15,2 milhões de pessoas eram consideradas pobres nas regiões metropolitanas.
Esse número é o menor da série, mas ainda supera a população inteira da cidade de São Paulo (11,9 milhões).
O grupo em situação de pobreza nas metrópoles teve baixa de 10,4 milhões de pessoas na comparação com 2021 (25,6 milhões), na pandemia. Naquele ano, o contingente bateu recorde.
Enquanto o carro voador desenvolvido pela Eve, da Embraer, ainda não tem autorização para entrar em operação, a fabricante prevê avanço nos testes nos próximos meses, e a Revo, empresa que já tem pedidos da aeronave, prepara as rotas e o sistema que serão usados nos voos do eVtol (sigla para veículos elétricos de pouso e decolagem vertical).
A Revo, que atua com voos de helicópteros, quer ser capaz de operar os eVtols da Eve nos próximos 18 meses, segundo o CEO da empresa, João Welsh. Isso não significa, no entanto, que o veículo decolará já no próximo ano.
Segundo a médica, mesmo quando não se torna um transtorno, a ansiedade excessiva domina a pessoa e impede a manifestação de outras emoções e sentimentos — como em “Divertida Mente 2”, no qual os outros personagens são relegados ao fundo da mente enquanto a Ansiedade comanda sozinha a sala de controle. Corrêa percebe essa desconexão em muitos pacientes. “A preocupação excessiva faz com que percamos um monte de sentimentos importantes: ficamos só no pensar, resolver, produzir, fazer. Quando desenhamos cenários tentando ter garantias, também perdemos potencial criativo. Estamos muito distantes do sentir e isso gera muito sofrimento”, diz.
Psicólogo, autor, podcaster e palestrante afirma que a emoção virou modus operandi de toda a sociedade contemporânea e que a tecnologia foi um disparador desse novo modelo A ansiedade é uma emoção primordial para a existência humana, ela nos dá a capacidade de projetar futuros, é o que nos faz levantar da cama e começar um novo dia. Mas o que acontece quando ela cresce e passa a ser uma regra? No mundo acelerado em que vivemos hoje, a ansiedade saiu do hall das emoções para se tornar um modus operandi, o modo de vida mais comum na sociedade contemporânea. O diagnóstico é do psicológo Alexandre Coimbra Amaral, autor de “Toda Ansiedade Merece um Abraço” (Paidós, 2023). Em entrevista a Gama, ele fala sobre como a tecnologia deslocou a ansiedade de lugar de importância na nossa vida ao permitir que façamos muitas coisas ao mesmo tempo: almoçamos assistindo a vídeos, lavamos louça ouvindo podcasts, trabalhamos enquanto resolvemos problemas pessoais. “Tem um verbo horroroso para isso: otimizar o tempo. Esse verbo é uma tragédia, porque traz esse imperativo de sempre acumular mais tarefas. O resultado disso é um burnout para chamar de seu”, afirma. O mecanismo da ansiedade age ao nos retirar do presente e nos jogar em cenários futuros próximos à catástrofe. Isso faz com que soframos imaginando situações terríveis: estou bem no trabalho, mas algo pode acontecer e eu posso ser demitido a qualquer momento; estou aqui com uma pessoa de quem gosto, mas não consigo tirar da cabeça um problema que preciso resolver. Para Coimbra Amaral, quando nos vemos numa situação como esta, é preciso quebrar com esse sistema ansioso por meio de uma atividade física ou de algo que sirva como um botão de “reiniciar” do computador. O psicólogo, autor, podcaster e palestrante também sugere que se inclua nos dias momentos de prazer que sejam genuínos e que não sejam vividos na totalidade de nossa atenção, sem “multitasking”. E também recomenda que repactuemos, em nossas relações, a diferenciação do que é urgente e do que é ansiedade. “A pessoa que é mais ansiosa vai tomar tudo como urgência”, diz na entrevista que você lê abaixo. A ansiedade é o resultado de uma forma de vida acelerada, centrada em produtividade, que desconsidera o processo e só se interessa pelo resultado G |Na época da pandemia se falou muito no novo normal, expressão que ficou até desgastada. Mas seria a ansiedade o nosso novo normal pós-pandemia? Alexandre Coimbra Amaral | A ansiedade sempre foi normal na existência humana. Não existe nenhuma vida sem ansiedade. Um pouco de ansiedade é necessário para a vida acontecer porque tem a ver com a nossa capacidade de sonhar, de projetar futuros, de ser relembrado por coisas. Por exemplo, quando o despertador toca e a gente sabe que vai ter que levantar e enfrentar o dia, tem um pouco de ansiedade nessa história, mas também é o que faz levantar a gente da cama. Tem a ansiedade boa, naquele momento em que você sente borboletas na barriga porque vai encontrar um crush. O problema é que ela está deixando de ser um evento da vida para ser o modo de funcionamento da nossa época. A ansiedade é o resultado de uma forma de vida acelerada, centrada em produtividade, que desconsidera o processo, que só se interessa pelo resultado, que não valoriza o durante. O que conta é o que eu consegui produzir hoje. O tempo inteiro as identidades estão alicerçadas nessa sensação de que tudo pode se perder. É isso que o Bauman fala lá no “Modernidade Líquida”. A sensação é que está tudo meio erodindo, tudo se liquefazendo. Então, eu posso ter uma história maravilhosa dentro de uma empresa, se eu não for um líder que leva a minha equipe a bater a meta, eu posso perder o emprego. Isso pode ser uma ameaça real ou imaginária, mas gera ansiedade. G |Estamos hoje tão cansados por que estamos ansiosos? ACA | A aceleração da vida faz com que a gente tenha muito mais a fazer do que horas úteis no dia. Sempre vamos dormir com a sensação de que não cumprimos, de que há um saldo devedor para o dia seguinte. Isso está, por exemplo, envolvido nas insônias. Não consigo dormir porque não tenho paz interna para descansar, para me entregar ao sono, porque eu sou essa máquina que está o tempo inteiro com débitos existenciais, com preocupações. E o discurso inteiro é construído na minha impossibilidade de descansar. Então, se eu descanso, eu não sou uma pessoa focada. Meu concorrente está estudando, trabalhando, maratonando, correndo num clube de corrida. Com o corpo no shape, o meu não está. A ansiedade está produzindo o burnout como o resultado final desse estilo de vida. G |Como é que a gente chegou nisso? Há um ponto de virada ou é algo que veio escalonando? Alexandre Coimbra Amaral | Certamente a pandemia ajudou. A ansiedade está relacionada à imprevisibilidade e ali nós perdemos a previsibilidade da vida, não podíamos mais fazer as coisas que sempre fizemos, ir na casa da avó, encontrar os amigos, ir à escola, ao escritório. Além disso, tinha uma doença que poderia matar, não sabíamos se íamos pegar o curso leve ou grave da covid, era uma loteria. Ainda estamos recuperando a saúde mental pós-pandemia. Agora, a aceleração é uma tendência da sociedade desde o final do século passado e tem a ver com tecnologia. Ela faz com que eu consiga fazer mais coisas simultaneamente, o que não era possível antes. A tecnologia permitiu que eu tivesse diversas conversas simultâneas, diversas janelas no computador abertas, diversas coisas ao mesmo tempo: trabalhar e assistir a filmes, lavar louça e ouvir podcasts, estudar e pagar conta. E tem um verbo horroroso para isso: otimizar o tempo. Esse verbo é uma tragédia, um horror, porque ele traz esse imperativo de sempre acumular mais tarefas. O resultado disso é um burnout para chamar de seu. G |No seu livro, você fala da ansiedade do dia a dia, apresentada como uma emoção, e nos lembra que não controlamos nossas emoções. Mas quando a ansiedade deixa de ser emoção para se transformar em doença? E o que fazer para isso não acontecer, se não conseguimos controlá-la? ACA | Nenhuma doença mental tem a ver com um elemento só, não é possível considerar uma única causa. Não tem a causa da depressão, por exemplo. As questões da mente são multifacetadas, uma mandala de elementos que convergem para um processo de adoecimento. Admitimos até que não temos condição de nomear todos os elementos. Tem fator genético, ambiental, tem a ver com o trabalho, com o luto, com a preocupação com o filho. Trabalhamos mais com os fatores intervenientes, que jogam a favor do aparecimento de uma doença mental. Dito isso, a ansiedade, sim, é uma emoção e ela nos leva para o futuro. A ansiedade retira a gente do presente. Ela é preocupante quando a pessoa não consegue voltar desse futuro de catástrofe. O filho está querendo brincar com a mãe, mas ela está tão preocupada com o boleto que tem que pagar no dia seguinte que não consegue brincar com o filho. Ela consegue o dinheiro, paga a conta, mas a cabeça dela não consegue mais estar aqui brincando com o filho. A ansiedade tem a ver com a nossa forma de vida. Corpo e alma já estão ligados numa velocidade que não conseguimos desligar. A notificação do celular é a ideia encarnada de que estamos devendo algo para alguém
G |E como sair desse ciclo?
ACA | Tem que diminuir a simultaneidade das tarefas, diminuir uso e consumo de tela, diminuir acesso a notícias que deixam ansioso, porque basta 15 minutos, a extrema-direita ganha na França, tem guerra na Ucrânia, pronto, o mundo acabou, a Amazônia não tem mais, 15 minutos de lendo o portal e você já acabou a sua vida. E é preciso também abrir espaço para o prazer. Mas o prazer não como uma coisa “todo fim de semana eu vou comer uma tortinha de brigadeiro” e aí bota lá a hashtag “autocuidado”. Não adianta nada. É ter ao longo do dia experiências que cortem com essa lógica. E precisa também de uma negociação, porque não é uma coisa só individual. Tem que ter uma conversa no ambiente de trabalho para que as pessoas não tenham que ficar nessa pira o tempo inteiro. OK, tem aquele dia que está mais difícil e todo mundo trabalha muito, mas não pode ser assim 365 dias no ano, senão você vai ter uma equipe doente. Eu não sei o que eu faço com tanta gente pedindo atestado com depressão, com burnout, com ansiedade, com pânico. Precisamos criar brechas ao longo do dia para o prazer entrar. Cada um vai ter a sua experiência de prazer: uma boa conversa, ficar quieto, fazer um exercício, correr. G |Hoje em dia a diferença entre urgência e ansiedade está um pouco confusa, perdemos a noção do que é urgente. Como retomar o sentido dessa palavra pode nos ajudar a lidar com a ansiedade do cotidiano?
ACA | Primeiro, negociar isso com o outro. Falar assim, isso é realmente urgente? Porque eu não posso te responder agora, a menos que seja muito urgente. Se o outro responde que é, você dá espaço. Se você dá esse espaço e é uma bobagem, você tem que falar: “precisamos definir melhor o que é urgência”. Ao mesmo tempo, o paradoxo é que a gente pede menos ajuda hoje porque sente que está todo mundo nesse mesmo fluxo. Então, na hora que eu realmente preciso de ajuda, eu falo assim: para que eu vou incomodar as pessoas? Está todo mundo na sua loucura. Quanto mais damos limite entre a urgência e a ansiedade, mais construímos um mundo que acolhe. Essa quantidade de urgências que não são urgentes estão banalizando os pedidos de apoio, banalizando os momentos em que a gente realmente poderia se disponibilizar para o outro, ser útil e ser importante para a vida do outro. G |O que você acha de piadas e memes da internet que fazem humor com esse espírito ansioso? Será que isso tem algum tipo de efeito psicológico bom ou ruim?
ACA | O humor existe como uma forma também de mostrar o nosso ridículo. Quando um humorista faz um cartoon, ele não tem como identificar que aquilo vai ser gatilho para alguém. Muitas mães me disseram que seus filhos, crianças, tiveram crises de ansiedade durante o “Divertida Mente 2”. Este filme não poderia ser feito? Não acho que devamos deixar de falar, de fazer humor, mas a pessoa precisa ter consciência de que se ela tiver uma crise, ela precisa pedir ajuda. Na hora que acontecer isso, em vez de falar “que nada, que bobagem, é só um desenho”, dizer “como eu posso te ajudar?”.
G |O livro “Geração Ansiosa”, do Jonathan Haidt, nem foi lançado ainda no Brasil mas já causou um rebuliço tremendo e associações de pais têm se formado para discutir e restringir o uso de celular e redes sociais por crianças e adolescentes. Como vê essa mobilização?
ACA | Acho importantíssimo. É inegável que as telas fazem parte da vida das crianças, é incontrolável esse movimento. Mas tem que fazer a campanha de tela zero na escola porque é um espaço protegido para eles poderem viver a vida em outra esfera de relação. Nas escolas que estão conseguindo fazer tela zero, as crianças estão voltando a brincar. Antes, era cada um no seu smartphone, jogando jogo online, um do lado do outro, no recreio. As escolas estão proibindo a tela e as crianças estão voltando a conversar. Da escola para fora, a gestão é de cada família. Mas existem espaços coletivos que precisam ter critérios comuns, como a escola, um lugar para a gente aprender a se relacionar também. O problema é que a tela dificulta a cognição e a atenção. Eu preciso estar atento para conseguir reter a matéria. O objetivo final da escola é incompatível com a presença de tela. G |Apesar dessa movimentação anticelular para os jovens, os adultos falam pouco sobre reduzir seu próprio uso.
ACA | Ah, sim! Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. G |Acha eles poderiam também rever seu comportamento? O celular é um gerador de ansiedade?
ACA | Sem dúvida, porque a notificação do celular é a ideia encarnada de que estamos devendo algo para alguém. Não vimos ainda todas as mensagens, todos os e-mails, todas as promoções que chegaram no aplicativo da loja, todas as notícias do banco sobre a conta, todas as séries que todo mundo comenta. Diminuir o tempo do celular é você dizer “eu não quero escutar o que você tem a me dizer agora” e nós também temos que fazer isso. E não adianta dar aquela maquiada na frente das crianças e falar “isso aqui é trabalho” porque a gente também precisa fazer as nossas concessões em nome da convivência. A projeção da ansiedade sobre o outro também é enlouquecedora para as pessoas que estão perto
G |A ansiedade pode ser parte da personalidade de uma pessoa? Como identificar que essa ansiedade passou em um limite aceitável?
ACA | Sim, pode ser parte de uma pessoa. Todas as pessoas são fruto de uma história que as deixam mais vulneráveis e suscetíveis a ficar mais ansiosas. É a relação dessa pessoa com o mundo e com o tempo. Se ela teve uma experiência em que ficou o tempo inteiro sendo pressionada a cumprir tudo no exato momento ou seria castigada, ela pode desenvolver uma maior ansiedade com o tempo. Existem pessoas com mais predisposição a isso, mas, de novo, é questão de discernir a urgência da ansiedade. A pessoa que é mais ansiosa vai tomar tudo como urgência. E o que se pode fazer? Cada pessoa vai ter a sua via. Por exemplo, eu, Alexandre, saio para correr. Quando eu estou muito ansioso, eu saio, dou uma corrida e aquilo dá um break no circuito ansioso do corpo, eu volto melhor. G |Essa é a sua janela de prazer?
ACA | Não, isso é outra coisa, é um instrumento para lidar com a ansiedade na hora em que ela chega, para você não ficar projetando no outro essa ansiedade, transformando tudo em urgência. Eu encontro estratégias cotidianas acessíveis a mim e das quais faço uso para não saturar as minhas redes, para não fazer com que as pessoas fiquem enlouquecidas na minha presença. A projeção da ansiedade sobre o outro também é enlouquecedora para as pessoas que estão perto. G |Mas se a ansiedade afeta todos nós, por que não lidamos bem com a ansiedade do outro?
ACA | A ansiedade ainda é uma emoção que traz muita vergonha. Se você pensa na cara da ansiedade do “Divertida Mente”, é uma cara de louca, certo? É importante falar dessa história de não julgar a ansiedade do outro. Estamos no tempo em que a dor fica sempre escondida. Eu dou um scroll no meu celular e a grama do outro é muito verde, está todo mundo na Ilha de Caras. Não tem ninguém com uma cara ansiosa ali no Instagram, está todo mundo com filtro, sem poro, sem ruga, com barriga de tanquinho. Não tem ninguém com pereba, banha e olheira. É preciso de um exercício de mais compreensão no sentido de mais autoconsciência, em primeiro lugar, eu também estou nisso, isso faz parte da cultura, todos estamos inseridos nesse funcionamento, mas também eu posso construir uma experiência coletiva mais saudável se, quando eu tiver uma pessoa ansiosa na minha frente, eu apoiá-la ao invés de julgá-la. G |Qual é a solução para os ansiosos no dia a dia? As pessoas não vão parar de usar celular, os compromissos não vão diminuir…
ACA | Solução não existe. O que a gente precisa desenvolver para lidar com ansiedade é flexibilidade, porque a ansiedade, de uma certa maneira, nos enrijece. Ela diz assim: “Já deu ruim, já deu ruim, já deu ruim”. E se acreditamos nessa voz, entramos numa perspectiva de rigidez com a vida. Tanto a flexibilidade física, tipo exercício, alongamento; quanto a flexibilidade mental, aprender coisas novas, sentir que é possível recomeçar quando não vamos bem em algo. Flexibilidade no sentido de que não está tudo perdido. Não é só viver, é contar para si mesmo uma história contrária à da ansiedade.
Ao rolar o feed das suas redes sociais, você sente um misto de vergonha alheia e irritação ao ver sempre os mesmos colegas de trabalho postando sobre as coisas que fizeram. Mas, ao mesmo tempo, repara o efeito positivo que esse marketing pessoal constante tem na carreira deles. Será que são narcisistas? A resposta é não, mas há duas observações a serem feitas aí: (1) o mundo do trabalho se organiza, também, de forma narcísica já que captura os sujeitos que trabalham por seus ideais; e (2) é importante, sim, saber mostrar aquilo que se faz, de forma assertiva e com certa constância. As reflexões são de Thatiana Cappellano, mestre em ciências sociais e consultora da 4CO, especializada em cultura e comunicação organizacional, a quem Gama recorreu para investigar as maneiras de ser efetivo nas redes sociais, com os contatos mais casuais e também com os profissionais para vender o peixe sem pesar demais a mão. Abaixo, você lê algumas das ideias de Cappellano. Não queira os holofotes o tempo todo “No senso comum, pode ser que narcisismo seja confundido com marketing pessoal, mas não são a mesma coisa. Fazemos um marketing de nós mesmos em tudo na vida, no Bumble ou no Tinder, quando recebemos um amigo em casa; no ambiente do trabalho não vai ser diferente. O que importa é ter clareza de que vender seu peixe não é garantia de reconhecimento ou de promoção, de uma escalada de sucesso. Isso depende muito mais do contexto político das organizações do que do marketing pessoal. É preciso, ainda, tomar muito cuidado para que você não queime o filme com seus coleguinhas. Ninguém gosta de quem quer ficar o tempo inteiro falando de si, brilhando os holofotes em cima de si, é cansativo. Quando trabalhamos com alguém sabemos quem é realmente um talento ou quem é só o discurso, algo que não se sustenta por muito tempo.” Reconheça o esforço dos outros e dê crédito “O que pode ser efetivo e não irritante é reconhecer todos ao seu redor que participaram dos esforços porque ninguém faz nada sozinho dentro de uma organização. Segundo: reconheça de quem é a ideia. Ouço muita reclamação de empregados sobre isso e causa uma quebra de confiança na relação que é muito difícil recuperar. Terceiro: você não precisa se promover o tempo inteiro. Escolha os momentos certos. Não vale bater o bumbo, jogar luz e falar de forma ufanista sobre pequenas entregas. Vamos falar sobre as coisas que têm realmente relevância.” Ative seu networking nos encontros sociais “Quando você fica desocupado, as pessoas precisam saber. Networking se ativa, só que não é simplesmente falar ‘se você souber de alguma coisa…’. Isso não ajuda. É preciso explicar o que você está procurando, qual é o tipo de vaga, qual é o perfil, para que o outro lado entenda e aja. Aquela história do QI, quem indica, funciona muito em organizações. Deixe esses pontos claros para os seus contatos sociais e peça que as pessoas circulem essa informação nas suas redes profissionais, algo muito tranquilo de fazer. É preciso ter um bom currículo ou página do LinkedIn para mandar junto.” Faça-se presente e escute os contatos profissionais “O contatos que são estritamente profissionais pedem uma outra etiqueta. Se você consegue uma oportunidade de conversar com alguém da área, muitas vezes é preciso ir num papel de escuta para que aquela pessoa que está no mercado, tem mais experiência, possa te dar dicas de como trafegar da melhor forma. É um contato mais formal, não vai ser no WhatsApp, mas um café virtual ou presencial, ou mesmo um almoço. E aí você vai ter que contar um pouco da sua história: ‘nesse momento passei por este processo de progressão, passei por esses lugares e hoje estou buscando tal coisa’. Você tem que se fazer presente para ficar na lembrança dessas pessoas, mas também para que consigam entender melhor aquilo que você busca.” Nas redes, monte um perfil consistente “Quem está em situação de desocupação precisa usar LinkedIn, tem que ter uma boa página estruturada. Se não sabe como fazer, há tutoriais e prompts disponíveis na internet. Só o descritivo do LinkedIn fala pouco: você tem que preencher todas as suas experiências com afinco, como se você estivesse fazendo uma prévia de uma possível entrevista de emprego, mas um conteúdo para o mundo corporativo — ou seja, ninguém espera uma reflexão crítica baseada na Escola de Frankfurt. Conecte-se com pessoas que são da sua área de interesse e poste coisas relevantes e de que você saiba falar com propriedade. Não precisa produzir uma tese de doutorado, mas textos de três, quatro linhas para se manter presente.” Faça das postagens um hábito “O LinkedIn pode parecer uma ‘Disneylândia corporativa’ porque muito do que vemos lá soa como uma forçação de barra. Mas é um lugar de projeção e de busca de perfil profissional por muitas empresas e por muitas soluções de tecnologia de recrutamento, como Gupy ou Jobconvo. Então, o LinkedIn é sofrido para muitas pessoas, mas é um mal necessário. Precisa estar lá falando mais do mesmo? Na minha opinião, não. É um lugar prioritariamente para assuntos profissionais, então produza um pouco de conteúdo, um post por semana, para você conseguir mostrar minimamente quem você é. Faça um conteúdo assertivo e de fácil consumo, que vai mostrando como você enxerga a sua área técnica específica e como você lida com as questões do trabalho. A depender da profissão, o Instagram também pode ser um caminho.”
Os jovens transitam com facilidade entre formatos, plataformas e linguagens: desde explicações em vídeos de 15 minutos que encontram no YouTube até a revisão de anotações compartilhadas em um documento colaborativo, passando por grupos do WhatsApp onde esclarecem dúvidas próprias ou de outros colegas ou enviam explicações em uma mensagem de áudio. Eles também usam a inteligência artificial generativa, por exemplo, para consolidar a compreensão de um conceito ou para reformular uma ideia de três maneiras diferentes até encontrar a que melhor se encaixa. Essas práticas já são rotina.
This survey explores the impact perceived by employers and employees of GenAI in their work activities in Brazil. Generative AI (GenAI) is gradually transforming Brazil workforce, particularly in micro and small businesses, though its adoption remains uneven. This survey examines the perceptions of employers and employees across five sectors: Sales, Customer Service, Graphic Design or Photography, Journalism or Content Production, and Software Development or Coding. The results are analyzed in light of six key dimensions of workforce impact. The findings reveal a mix of optimism, apprehension, and untapped potential in the integration of AI tools. This study serves as a foundation for developing inclusive strategies that maximize AI's benefits while safeguarding workers' rights. The IIA-LNCC supports open research and remains committed to shaping a future where technology and human potential progress together.
Plataforma Democrática é uma iniciativa do Centro Edelstein de Pesquisas Sociais e da Fundação Fernando Henrique Cardoso, dedicada ao fortalecimento das instituições e da cultura democrática na América Latina. Desenvolve pesquisas, publicações, eventos e projetos aplicados que promovem o aprendizado democrático da cidadania, fomentando uma cultura cívica que valoriza a argumentação e a pluralidade de pontos de vista.
A digitalização também reduziu intervenções manuais e ampliou a segurança, com operação remota de equipamentos e monitoramento centralizado. Atualmente, 92% da água utilizada na usina é recirculada.
O projeto abrangeu 51 soluções para eliminação de gargalos e melhorias operacionais e faz parte da estratégia da Vale de avançar em operações mais conectadas e sustentáveis. A empresa pretende usar o modelo como referência para outras unidades e contou com a multinacional ABB como integradora tecnológica.
No mês passado, a empresa brasileira Gohobby realizou o primeiro voo em solo brasileiro de um carro voador em escala real. O feito aconteceu após a aeronave comercializada pela empresa receber, ainda em setembro, autorização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para fazer voos-teste.
Chamado EH216, da fabricante chinesa EHang, o eVtol (veículo de pouso e decolagem na vertical) é um dos dois únicos que receberam autorização da Anac para fazer voos de teste, ao lado do carro voador da Eve, empresa controlada pela Embraer.
Para falar sobre as perspectivas do uso comercial de carros voadores no Brasil, a jornalista Stéfanie Rigamonti recebe o repórter Paulo Ricardo Martins.
Eu adorava passear com a minha mãe quando era criança e pedia que ela me desse contas para eu resolver. Para mim, era uma diversão. No sexto ano, tive algumas dificuldades em matemática e acabei precisando de aulas particulares. Assim, embora gostasse da disciplina, percebi que o desempenho nem sempre evolui de forma linear. O importante é não deixar que os desafios que surgem ao longo do caminho afastem os alunos da matemática.
Trata-se de uma disciplina cumulativa, e quando perdemos o fio da meada, precisamos de apoio para retomar o percurso e seguir em frente. Nem todo estudante, porém, tem acesso a aulas particulares. Por isso, é fundamental que as escolas ofereçam oportunidades de reforço e acompanhamento a quem enfrenta dificuldades.
Nessa trajetória, o professor desempenha um papel central na formação dos alunos. Em geral, quando a aula é boa ou quando criamos um vínculo com o docente, o interesse pelo conteúdo aumenta. A qualidade da formação dos professores também faz toda a diferença.
Centro Educacional Pioneiro investiu em chromebooks (pequenos computadores) para algumas turmas - Keiny Andrade - 2.set.21/Folhapress Nesse contexto, a PND (Prova Nacional Docente) representa um avanço na avaliação dos profissionais da educação. O exame, realizado pelo MEC (Ministério da Educação) e pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), tem como objetivo auxiliar estados e municípios nos processos de seleção de professores.
Os resultados da edição de 2025 revelam um cenário preocupante. O Inep considera um professor com desempenho básico aquele que obteve, no exame, entre 50 e 69 pontos, e com desempenho adequado aquele que alcançou mais de 70 pontos. De acordo com os microdados disponibilizados pelo Inep, a média da nota geral na área de matemática (licenciatura), que engloba as provas objetiva e discursiva, foi de 48,8 pontos.
Analisando por estado, o Rio de Janeiro apresentou a maior média, de 53,9, enquanto Roraima registrou a menor, de 41,9. Cerca de 45% dos professores obtiveram entre 50 e 69 pontos, mas apenas 4,8% alcançaram nota superior a 70. O Rio de Janeiro tem o maior percentual de docentes nesse grupo, com 12,2%, enquanto no Acre nenhum participante atingiu esse patamar. Entre os participantes do exame, 75% são mulheres, enquanto, na área de matemática, os homens representam 55% dos candidatos, o que evidencia a persistência das diferenças de gênero nessa área de formação.
1 6 Por que o mundo levou 2.000 anos para descobrir o avanço de Arquimedes no estudo da matemática
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Dos candidatos que realizaram o exame na área de matemática e preencheram essa informação, 33% cursaram licenciatura em área específica e 51,7% tiveram formação superior voltada à docência (pedagogia ou normal superior), ou seja, a maioria provavelmente não recebeu formação específica em matemática. Essa questão importa porque a formação do professor está diretamente associada ao desempenho dos alunos.
O artigo de Dayane Souza, Luciano Sampaio e Raquel Sampaio, "Does the Area and Learning Modality of Teacher Qualification Matter to Middle School Students’ Performance in Mathematics?", que utiliza dados de estudantes da rede pública do 9º ano do ensino fundamental no Brasil, mostra que professores com formação em matemática, mesmo quando obtida na modalidade a distância, apresentam turmas com melhor desempenho do que docentes sem formação específica na área ou sem ensino superior.
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Carregando... O resultado geral da PND 2025 assusta, mas não surpreende. A questão é: quais medidas o poder público adotará com base nessas informações?
Precisamos melhorar a formação dos professores, desde os cursos de licenciatura até os de formação continuada, e colocar em sala de aula professores com formação na área. Sem professores bem preparados, dificilmente conseguiremos melhorar a aprendizagem em matemática e reduzir as desigualdades educacionais.
Numa realidade que enfatiza o desempenho pessoal e nos faz focar cada vez mais em nós mesmos, corremos o risco de perder o senso coletivo
Talvez você nunca tenha ouvido falar tanto sobre narcisismo como nos últimos anos. Seja em relações amorosas ou no caso de mães narcisistas — um perfil bastante popular ultimamente, ainda que, segundo as estatísticas, haja mais homens narcisistas do que mulheres —, o termo parece ter ganhado tração na cultura popular. Nas redes sociais, vem sendo usado inclusive para “diagnosticar” pessoas e personagens fictícios, geralmente com pouco ou nenhum critério técnico.
MAIS SOBRE O ASSUNTO A mãe Odete Roitman Anna Lembke: “Temos acesso instantâneo a substâncias e comportamentos altamente compulsórios” Petria Chaves: “Estar com os ouvidos abertos para o outro é um treino de conduta ética e de saúde” A palavra nesse uso mais corriqueiro geralmente descreve pessoas egoístas, inseguras, com uma certa instabilidade emocional, muito voltadas para o próprio umbigo e com dificuldade de se colocar no lugar do outro, explica o psicanalista Alexandre Abranches Jordão. Mas primeiro é preciso separar as referências cotidianas ao comportamento narcisista do termo como é usado na psicanálise.
“O narcisismo está na base da organização psíquica. É o primeiro esforço do que gradualmente vai se configurar como a personalidade da pessoa, com todos os seus traços, defeitos, inibições, desejos e angústias”, afirma Jordão, autor do livro “Narcisismo – do ressentimento à certeza de si” (Juruá, 2009). “Nesse sentido, uma estruturação narcísica precária ou menos estável implica a busca por compensações narcísicas no dia a dia.” Ou seja, o narcisismo em si é uma etapa central do desenvolvimento da nossa personalidade. Um desequilíbrio nessa fase é que pode gerar o narcisismo patológico que conhecemos.
O médico psiquiatra e professor de pós-graduação em psicanálise da UFRJ Julio Verztman lembra que, em Freud, o narcisismo tem a ver com o processo de construção do amor próprio ou autoestima — “o investimento afetivo no eu”, descreve. “Então, é uma etapa da formação fundamental para que a gente sinta que a vida vale a pena, que não é uma coisa robotizada.”
Porém, esse amor por nós mesmos não vem só de dentro, explica Verztman. Na equação, também há um grande impacto do outro, em processos sociais como a relação com a família — durante a infância, especialmente das fantasias projetadas pelos pais. “E essa interdependência do amor próprio com o amor que a gente tem dos outros pode não acontecer de uma maneira mais favorável”, afirma o psiquiatra.
Para o psicanalista Christian Dunker, o interesse recente no tema faz sentido em uma sociedade neoliberal que já vem cultivando o espírito individual em suas diferentes formas. “A linguagem digital e as redes se associam com isso. A gente fala muito no isolamento em bolhas digitais, no fechamento dentro de comunidades que são ecos para os nossos valores e orientações políticas”, aponta Dunker, que está lançando o livro “Eu Só Existo no Olhar do Outro?” (Paidós, 2025), um diálogo com a também psicanalista Ana Suy que aborda vários aspectos do narcisismo na contemporaneidade.
Numa sociedade que cultiva cotidianamente ideais de meritocracia, sucesso e desempenho individual, o comportamento narcisista não pode ser bem visto ou até mesmo incentivado?
As redes podem ser vistas como o ápice desse processo de individualização, “um sistema inteiro para minerar nosso interesse por nós mesmos”, diz o psicanalista e pesquisador André Alves, cofundador do Floatvibes, instituto de pesquisas comportamentais e culturais. “Nelas, o jeito que eu me apresento para o mundo torna-se o centro da vida afetiva e profissional.”
Dentro desse contexto, o comportamento narcisista seria uma novidade que infla e extrapola o processo de individualização hoje considerado natural. Mas, numa sociedade que cultiva cotidianamente ideais de meritocracia, sucesso e desempenho individual, o comportamento narcisista não pode ser bem visto ou até mesmo incentivado? Em outras palavras, não somos todos um pouco narcisistas?
Para começar, Dunker enfatiza que o termo geralmente é utilizado de forma precária, com um sentido de “decaimento moral”. “O que a gente chama de narcisismo é, muitas vezes, egoísmo”, declara.
Como exemplo, aborda o repetido mantra da mãe narcisista. “Muitas vezes, a gente está se referindo a uma mãe que não responde àquele ideal clássico de doação, sacrifício, submissão e amor incondicional. Ou seja, que se preocupa consigo em vez de se preocupar sempre com os filhos, a casa e seu papel historicamente primário — o que vai incluir também aquelas que incorrem em falta de cuidado e desinteresse”, diz o psicanalista.
“É curioso que, no nosso país, os campeões de falta de cuidado e displicência são os pais, mas a gente ouve falar bem menos em pais narcisistas”, ele acrescenta.
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A cultura do narcisismo Na introdução do livro “A Cultura do Narcisismo” (Fósforo, 2023), o historiador e crítico cultural norte-americano Christopher Lasch (1932-1994) faz referências à “cultura do individualismo competitivo” e à “busca da felicidade em um beco sem saída de preocupação narcísica com o self”. Mais à frente, diz ainda que “o novo narcisista é assombrado não pela culpa, mas pela ansiedade. Ele não busca inculcar suas próprias certezas nos outros, mas encontrar sentido na vida.”
Publicada originalmente em 1979, a obra ganhou sobrevida e tem recebido atenção renovada. Não é difícil entender porquê. Décadas antes das redes sociais ou do universo de influenciadores digitais, Lasch já juntava o culto às celebridades, a perda de vínculos coletivos, a preocupação excessiva com o autocuidado e a fuga dos sentimentos para explicar comportamentos que descreveu como narcisistas, típicos da sociedade norte-americana da época.
“Foi um pensador muito visionário ao perceber como determinadas transformações estavam alterando a forma com que as pessoas passaram a se relacionar umas com as outras e consigo mesmas”, afirma a doutora em ciência política e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), Camila Rocha, que assina o prefácio brasileiro da obra.
Uma das principais argumentações de Lasch é que as pessoas estavam perdendo os vínculos com as famílias, grupos políticos e movimentos sociais para passar a dedicar-se muito mais ao próprio bem-estar. E se, para compor esse fenômeno, o historiador falava do self-made man e do culto a celebridades no esporte, na realidade contemporânea Rocha adiciona à conta fenômenos como os fandoms de influencers e celebridades.
“Da Lady Gaga a influenciadores menores, hoje vários fazem um trabalho de engajamento com os fãs, que se sentem respondidos, enxergados. Isso muda a relação, porque alimenta ainda mais esse culto à personalidade e também a ideia de que você pode ser uma dessas personalidades, usar um filtro para ficar famoso nas redes sociais”, destaca a cientista política. “Acaba intensificando ainda mais o que Lasch chama de narcisismo social.”
Somos todos narcisistas? A própria realidade das redes, com estímulos eternos no feed e a busca por likes, incentiva impulsos narcisistas, na visão do psicanalista Alexandre Abranches Jordão. O mesmo vale para as inúmeras possibilidades de autogratificação à distância de um clique, desde um vídeo divertido até compra de itens supérfluos como forma de lidar com o dia a dia estressante. “A gente vive num caldo de cultura onde, até em meios corporativos, a autopromoção e o marketing pessoal se tornam um modelo a ser copiado.”
A gente vive num caldo de cultura onde, até em meios corporativos, a autopromoção e o marketing
O narcisismo hiperdilatado dos nossos tempos, como descreve Alves, do Floatvibes, acaba criando uma dualidade: uma sociedade radicalmente individualista precisa ser também radicalmente desigual. “Não há lugar para todos, só para aqueles que conseguem performar um hiperdesempenho. Consequentemente, o único jeito de chegar lá é ser a sua melhor versão.”
Mas o psicanalista também aponta algumas contradições básicas dessa premissa: não é possível ser o melhor o tempo todo, muito menos onipotente. O problema é que somos constantemente bombardeados com a ideia de que podemos sim ser, fazer e comprar tudo que quisermos — construção que Alves apelida de “eu ideal anabolizado”. “Freud nos ensina que isso vira um processo muito masturbatório, em que a gente faz, faz, faz e nunca chega no tipo de prazer que gostaria de alcançar”, reflete.
Certos comportamentos típicos do narcisismo, mas bastante disseminados na sociedade, também podem fazer com que, sem nos darmos conta, deixemos de aproveitar momentos importantes do cotidiano. Por exemplo, uma viagem de férias. “Hoje, existem pacotes de turismo em que até o fotógrafo está incluso”, descreve Jordão. “Ele registra fotos instagramáveis para propagandear nas redes sociais. Nesses casos, o passeio em si fica em segundo plano. O que interessa é a foto.”
Mas alguns comportamentos narcisistas não são até mesmo recomendáveis na realidade em que vivemos? Para o psicanalista, sim. Ele cita o “egoísmo sadio” defendido por Nietzsche, um nível razoável de egoísmo que precisa ser exercitado, cultivado e aprimorado para corresponder às expectativas contemporâneas. Seria uma espécie de antídoto contra o que Jordão chama de narcisismo defensivo — aquele que produz ilusões de onipotência mas, na verdade, oculta um quadro de baixa autoestima e carência de aprovação.
Mesmo assim, não dá para generalizar nem afirmar com todas as letras que vivemos numa sociedade narcisista. Ao menos essa é a visão do médico psiquiatra e professor de pós-graduação em psicanálise da UFRJ, Julio Verztman. “O que podemos dizer é que a gente vive numa sociedade que dificulta muito os laços sociais, tenta controlar de maneira intensa lutas políticas e banalizar determinadas formas de sofrimento”, afirma.
Acontece que, nesse processo social de individualização, cada vez mais gente encontra dificuldade de lidar com suas experiências e seu anseio de viver, e acaba se voltando para dentro de si. “Até porque o narcisismo é um sofrimento, uma defesa contra determinadas dificuldades que a vida impõe, inclusive a partir do meio social”, diz Verztman.
O que não pode, segundo ele, é colocar uma sociedade extremamente diversa e desigual como a nossa — com marcadores de raça, classe, gênero, cultura e língua — toda dentro dessa caixinha do narcisismo. “Aceitar as diferenças é um movimento até antinarcisista, porque uma característica do narcisismo é tentar tornar unitário coisas que são diversas”, explica o psiquiatra.
O espelho da política A perda do senso de coletividade, um dos pontos centrais levantados por Lasch, nasce do nosso distanciamento de vizinhos, familiares e outras comunidades especialmente nas grandes metrópoles, explica a cientista política Camila Rocha. Muitas pessoas, ela acrescenta, hoje tentam preencher essa ausência de pertencimento e identificação por meio das redes. Outras buscam a ajuda de especialistas, em processos nos quais o indivíduo novamente se volta para dentro de si. “Em vez de desabafar com um amigo, você paga um psicólogo. Ou então procura um coach no lugar do seu líder religioso”, exemplifica.
Essa perda de coletividade pode alcançar um ponto crítico num momento em que os desafios sociais e ambientais se mostram cada vez mais complexos e aparentemente fora do nosso alcance: a Terra vive próxima de um colapso climático, líderes extremistas têm chegado ao poder em boa parte do mundo e a Inteligência Artificial paira como uma ameaça sobre o futuro do mercado de trabalho.
Embora pareça a melhor época para integrar ações coletivas, não é necessariamente isso que está acontecendo. Numa situação limite como essa, muita gente pode acabar se isolando “de maneira compensatória”, aponta Jordão. “A falta de alicerces mais sólidos nos faz buscar compensações narcísicas fortuitas e fugazes que, de alguma maneira, produzam uma estabilidade.”
Segundo o psicanalista, é uma tendência característica dos tempos atuais, que gera uma perda de vínculos emocionais e afetivos. E, consequentemente, leva ao nosso encerramento em bolhas, à impossibilidade do debate e a mais extremismo. “É a frase do Caetano: ‘Narciso acha feio o que não é espelho’. Tudo que não remeta a mim mesmo e à minha opinião passa a ser inaceitável”, diz o psicanalista, para quem o problema hoje perpassa todo o espectro político.
Movimentos populistas, por exemplo, que têm identificação com um grande líder, são sim coletivos mas têm também um funcionamento profundamente narcísico
No caso específico da política, o narcisismo não é necessariamente um processo que individualiza, como aponta Dunker. Movimentos populistas, por exemplo, que têm identificação com um grande líder, são sim coletivos mas têm também um funcionamento profundamente narcísico. “São uma forma de instrumentalizar o narcisismo das pessoas”, afirma o psicanalista.
Para descrever esse estado de coisas, Alves evoca um conceito desenvolvido pela psicanalista francesa Colette Soler: o do “narcinismo”. “Estamos todos bem cínicos, não só no sentido de pessimismo, mas de desprezo pelo outro”, afirma o psicanalista. Uma das complicações disso é que, quando não conseguimos construir pontes com quem é diferente, tendemos a rebaixar nossa inteligência individual em prol do coletivo, ele acrescenta.
Rocha também tem enxergado altas doses de narcisismo na utilização que algumas lideranças, da esquerda à direita, fazem de temas caros aos seus eleitores. “Você usa a defesa de certas pautas para alavancar o seu status social de um jeito muito calculado e consciente”, afirma. O problema dessa motivação focada apenas na própria reputação e status, diz a pesquisadora, é que ela acaba esvaziando a política em seu sentido mais importante: o de construção de valores e ideias para um país que queremos.
Outra questão é que, na ausência do debate, “não tem muito espaço para tons de cinza, paradoxos, incoerências ou erros”, considera a cientista política. “Você tem que ser perfeito, estar sempre performando e sendo uma pessoa de sucesso.”
A Controladoria-Geral da União (CGU) anunciou o lançamento do Informa.BR, uma plataforma baseada em inteligência artificial que promete simplificar o acesso a informações públicas federais. A ferramenta fará buscas em diferentes bases oficiais do governo, reunindo em um único ambiente dados sobre despesas, investimentos, contratos, compromissos de autoridades e políticas públicas. A previsão é que o sistema entre em operação a partir de junho, permitindo que cidadãos formulem consultas em linguagem natural para localizar informações hoje dispersas em diversos portais.
When researchers founded Anthropic in 2021, they said the race to build powerful AI was moving too recklessly. They inserted detailed safety measures into their products and marketed their commitment to safety as the corporate quality that distinguished them from competitors – notably OpenAI, the rival company they had left. In March 2026 that reputation was tested when the Trump administration declared that Anthropic was a supply chain risk.
Nova janela de adesão permite conclusão das etapas previstas no ciclo. Redes de ensino têm até 11 de junho para indicar escolas participantes, enquanto unidades escolares podem concluir etapas até 18 de junho
Iniciativa oferece cursos de formação continuada a servidores com objetivo de fortalecer práticas inclusivas, garantir acessibilidade, promover autonomia e enfrentar o capacitismo nas instituições da Rede Federal
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