Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
Your new post is loading...
...............
Poema dito por António Vilar que interpreta o poeta no filme
"Camões" (1946) realização de Leitão de Barros com argumento de Afonso Lopes Vieira,
.................
Mais sobre Luís de Camões aqui e aqui
------
Análise da versificação deste soneto
aqui