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January 22, 9:20 AM
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Um ano sem celular em sala de aula: o que mudou no cotidiano escolar

Um ano sem celular em sala de aula: o que mudou no cotidiano escolar | Inovação Educacional | Scoop.it

A lei que limita o uso de celulares nas escolas brasileiras completa um ano nesta terça-feira (13), e o veredito dos especialistas aponta para impactos positivos no ambiente escolar.
A medida tem sido avaliada de forma favorável por gestores e educadores, que indicam mudanças benéficas no cotidiano, com redução das distrações e maior integração entre os alunos.

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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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February 17, 4:51 PM
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Educação midiática obrigatória é marco para as escolas brasileiras 

Educação midiática obrigatória é marco para as escolas brasileiras  | Inovação Educacional | Scoop.it

Não basta restringir as tecnologias: é preciso compreendê-las, analisá-las criticamente e utilizá-las com responsabilidade
Desinformação, uso excessivo de telas, discursos de ódio e impactos na saúde mental tornaram-se desafios cotidianos
Maria Clara Cabral
Jornalista, é diretora de Redação das revistas infantojuvenis Qualé e Ué?; pós-graduada em comunicação integrada e marketing e fundadora da Papo Editora
Julia Cavalcante
Analista pedagógica e de relacionamento com o cliente na Papo Editora
A educação brasileira dará um passo decisivo neste ano na formação crítica de crianças e jovens diante do universo da informação.
Com a publicação da resolução CNE/CEB 2, de 21 de março de 2025, o Conselho Nacional de Educação estabelece as Diretrizes Operacionais Nacionais para o uso de dispositivos digitais em espaços escolares e para a integração curricular da educação digital e midiática, tornando sua implementação obrigatória em toda a educação básica —nas redes públicas e privadas.
A decisão não surge de forma isolada. Ela responde a um cenário no qual o acesso à informação nunca foi tão amplo e, paradoxalmente, tão complexo. Desinformação, uso excessivo de telas, discursos de ódio, exposição precoce às redes sociais e impactos na saúde mental tornaram-se desafios cotidianos para escolas, famílias e educadores. Diante desse contexto, o CNE aponta um caminho claro: não basta restringir o uso de tecnologias, é preciso educar para compreendê-las, analisá-las criticamente e utilizá-las de forma responsável.
As diretrizes estabelecem que a educação digital e midiática seja integrada aos currículos de maneira estruturada, respeitando as diferentes etapas da educação básica. Na educação infantil, o foco permanece na experiência, na brincadeira e na exploração do mundo, com uso mínimo e cuidadoso das tecnologias. No ensinos fundamental e médio, o trabalho avança progressivamente para o desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e da compreensão das mídias, dos ambientes digitais e de seus impactos sociais, culturais e éticos.
Esse movimento reforça uma mudança de paradigma. O debate deixa de se concentrar apenas em "pode ou não pode usar celular" e passa a considerar como formar estudantes capazes de analisar informações, reconhecer fontes confiáveis, compreender interesses por trás dos conteúdos e produzir comunicação de forma consciente. Nesse contexto, a educação midiática torna-se essencial para o exercício da cidadania no século 21.
Outro ponto central das diretrizes é a valorização da escola como espaço de convivência, diálogo e socialização. Ao restringir o uso não pedagógico de dispositivos durante a rotina escolar, fortalece-se a interação presencial, o trabalho coletivo e a construção de vínculos, sem desconsiderar a importância das tecnologias digitais quando utilizadas com intencionalidade pedagógica clara.
Para que essa transformação aconteça, o documento destaca a importância da formação continuada dos professores e de abordagens interdisciplinares. A educação midiática, obrigatória a partir deste ano, deve ser compreendida como uma oportunidade pedagógica tão essencial quanto alfabetizar, ensinar matemática ou desenvolver competências socioemocionais.
Pais, escolas e a sociedade em geral têm, agora, a responsabilidade de caminhar juntos. O mundo já é digital e midiático. Cabe à educação garantir que crianças e jovens não apenas naveguem por ele, mas compreendam, questionem e transformem essa realidade de forma consciente e humana.

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February 17, 4:44 PM
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Is AI Making Us Stupider? This Study Certainly Thinks So

Is AI Making Us Stupider? This Study Certainly Thinks So | Inovação Educacional | Scoop.it
Using AI to do the thinking impacts not only quality of work but also the long-term acquisition of skills.
AI can have a place in education, but it needs to be carefully employed.
Employing AI is having a detrimental impact on our ability to think critically.
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February 17, 4:43 PM
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Out of Your Mind?

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Primeiro veio Gutenberg, que decifrou as palavras ao tirá-las da mão do escriba e colocá-las na máquina. O pensamento registrado agora podia viajar e persistir. O trabalho da mente começou a mudar da preservação para a interpretação. Depois veio a internet, que decifrou os fatos. A biblioteca se reduziu a uma caixa de busca, e a memorização deu lugar à recuperação e à síntese. O conhecimento deixou de ser algo que carregávamos e se tornou algo que podíamos evocar.
Costumo dizer que os grandes modelos de linguagem desvendam o próprio pensamento. Eles geram conteúdo com uma fluência que se assemelha à compreensão. A tarefa cognitiva parece estar mudando novamente, desta vez da síntese para o próprio pensamento. A progressão parece intuitiva, à medida que cada passo nos aproxima do núcleo da cognição . Cada tecnologia parece estender uma camada mais profunda de trabalho mental.
No entanto, este último passo parece diferente e até mesmo desconectado. Não é apenas mais poderoso, mas diferente em um nível fundamental. Tenho a impressão de que não estamos mais adicionando mais um degrau a uma escada, mas mudando a própria estrutura básica.
Da extensão à externalização
Todas as tecnologias cognitivas anteriores funcionavam como uma extensão de uma mente já formada. Os livros ampliavam a memória . Os índices e mecanismos de busca ampliavam a capacidade de recordar. As calculadoras ampliavam a aritmética. Em suma, eram próteses para o pensamento, não substitutos para a sua formação. O que está surgindo agora é algo completamente diferente. Pela primeira vez, o processo de chegar a uma resposta coerente não precisa mais ocorrer dentro da mente humana. Ele pode ser gerado em outro lugar e apresentado integralmente.
É a isso que chamo de anti-inteligência . Denomina uma forma de expressão fluente e, muitas vezes, correta, porém produzida sem a luta interior ou o momento de compreensão que sempre acompanhou o conhecimento humano. A anti- inteligência é a linguagem dissociada do seu interior epistêmico. E por causa disso, a história das ferramentas cruzou-se com a própria história da cognição.
De ferramenta a parceiro, rumo ao clima
Nossa relação com essa mudança já passou por estágios. Inicialmente, a IA surgiu como uma ferramenta, algo que usávamos. Logo depois, passou a ser vista como uma parceira, uma colaboradora na elaboração, programação, diagnóstico e ideação, uma presença que podia participar da produção do pensamento.
Mas para aqueles que estão crescendo com ela agora, a IA não será nem ferramenta nem parceira no sentido tradicional. Será um ambiente.
Uma criança que recorre a um sistema de conversação com uma pergunta não está simplesmente usando um instrumento. Ela está formando uma mente dentro de um meio que oferece coerência antes que a confusão tenha tempo de se instalar completamente. O desenvolvimento começa a ocorrer em um ambiente onde as respostas precedem a dificuldade e a síntese surge antes da experiência.
Essa é a implicação mais profunda de crescer em um mundo anti-inteligente. Não é uma história sobre preguiça ou dependência. É uma história sobre ontogênese, sobre as condições sob as quais as mentes aprendem o que é não saber ainda, conviver com uma compreensão parcial, revisar, duvidar e, lentamente, construir um modelo do mundo.
A Migração do Trabalho Cognitivo
Dentro desse clima cognitivo, o centro de gravidade começa a se deslocar. O trabalho de construir modelos internos dá lugar à prática de questionar modelos externos. E a tolerância à ambiguidade é gradualmente substituída por técnicas para eliminá-la. Por fim, a construção lenta e formativa do significado cede lugar à tarefa gerencial de seleção. A inteligência, ou pelo menos sua manifestação externa refinada, começa a migrar de algo que conquistamos por meio do esforço para algo que invocamos por meio da interação.
Cada época tecnológica ajuda a remodelar a cognição, mas esta é a primeira em que o próprio ato de conhecer, e não apenas seu armazenamento ou transmissão, está sendo externalizado.
O que deve permanecer humano
Se a coerência pode ser terceirizada, o que permanece exclusivamente e indispensavelmente nosso? Essas são questões fascinantes, porém angustiantes, que precisamos enfrentar.
Não se trata de informação, que agora é abundante.
Não é fluência, algo que as máquinas demonstram sem esforço.
Nem mesmo a velocidade bruta de resolução de problemas.
O que resta são os custos que simplesmente não podem ser automatizados:
A capacidade de lidar com a incerteza em vez de se precipitar em conclusões prematuras.
A humildade que advém de saber que as próprias crenças são provisórias.
O discernimento necessário quando as informações são incompletas e os riscos são reais.
A formação lenta de modelos internos que carregam peso emocional e moral.
No centro de tudo isso está a autoria — a sensação de que uma convicção é verdadeiramente própria porque foi testada, revisada e conquistada através do atrito do pensamento vivido, em vez de ser apresentada como algo totalmente formado. Essas não são eficiências, mas sim encargos. E são precisamente eles que tornam a compreensão formativa, e não meramente funcional.
A Nova Época
Então, vamos retornar a essa história simples com a qual começamos, mas vê-la sob uma perspectiva bastante diferente.
Gutenberg desvendou as palavras.
A internet revelou os fatos.
Grandes modelos de linguagem desbloquearam o pensamento.
A inteligência artificial desbloqueou a cognição da mente.
O que está sendo revelado agora é ainda mais radical: a possibilidade de um mundo em que o processo de conhecimento não precise mais residir exclusivamente na mente humana.
Não estamos apenas mudando as ferramentas, mas também o meio em que as mentes são formadas. A questão crucial desta nova época não é mais o que as máquinas podem pensar, uma questão que vem sendo respondida com crescente sofisticação técnica a cada ano. Estamos entrando em um período de mudança climática cognitiva, uma alteração nova, porém profunda, no ambiente em que as mentes se formam, raciocinam e passam a confiar em suas próprias conclusões.
A questão mais profunda é o que acontece com uma espécie quando o próprio pensamento se torna um ambiente em vez de um ato interior, quando a coerência não é local. E a luta que outrora moldava o pensamento e o julgamento pode não ser mais estruturalmente necessária.

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February 17, 4:40 PM
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Spending Too Much Time With AI Could Worsen Social Skills

Spending Too Much Time With AI Could Worsen Social Skills | Inovação Educacional | Scoop.it
New research suggests that emotional dependence on AI has potential downsides.
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February 17, 4:37 PM
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Cognitive Offloading: Using AI Reduces New Skill Formation

Cognitive Offloading: Using AI Reduces New Skill Formation | Inovação Educacional | Scoop.it
A IA pode acelerar algumas tarefas, mas seu impacto na aprendizagem de novas habilidades ainda não é bem compreendido.
Um novo estudo investigou os efeitos do uso de IA na aprendizagem de novas habilidades de programação de computadores.
O uso de IA reduz significativamente a formação de novas habilidades.
O uso da IA ​​pode acelerar muitas tarefas, como a análise de dados complexos. No entanto, usar IA para concluir uma tarefa no trabalho ou em um hobby pode levar ao chamado descarregamento cognitivo. O descarregamento cognitivo significa que alguém que usa IA para realizar uma tarefa não está tão mentalmente engajado quanto alguém que a realiza por conta própria. Embora isso possa não afetar muito o resultado da tarefa, o descarregamento cognitivo pode ser problemático quando se trata de aprender algo novo. Quando uma tarefa é realizada com o objetivo de aprendê-la, descarregá-la para a IA pode levar a um aprendizado menos eficaz do que realizá-la 100% com o próprio cérebro. Contudo, pesquisas psicológicas sobre se o descarregamento cognitivo tem ou não efeitos negativos no sucesso do aprendizado ainda são escassas.

Um novo estudo sobre como o uso da IA ​​afeta o desenvolvimento de habilidades na aprendizagem de programação.
Um novo estudo investigou como a redução da carga cognitiva devido ao uso de IA afeta a formação de habilidades de programação a longo prazo ( Shen e Tamkin, 2026 ). O estudo, intitulado "Como a IA impacta a formação de habilidades", foi publicado na plataforma de pré-publicação arXiv. Como se trata de uma pré-publicação que ainda não passou por revisão por pares de cientistas especialistas, os resultados devem ser considerados preliminares.

No estudo, 52 voluntários participaram divididos em dois grupos: um grupo de controle e um grupo experimental. Todos os participantes eram programadores de computador, profissionais ou freelancers. Ambos os grupos tiveram que aprender uma habilidade complexa de programação e concluir diversas tarefas. O estudo foi dividido em três partes. Primeiro, ambos os grupos realizaram uma tarefa de aquecimento, sem o uso de IA. Em seguida, programaram a tarefa principal. Para esta tarefa, o grupo experimental pôde usar IA, enquanto o grupo de controle não pôde. Posteriormente, ambos os grupos responderam a um questionário sobre a ferramenta de software utilizada para avaliar o aprendizado.

Quais foram os resultados do estudo?
Os resultados do estudo foram bastante surpreendentes. Embora o grupo que utilizou IA não tenha sido mais rápido do que o grupo que não a utilizou, seu desempenho no teste foi muito pior. A pontuação média do grupo com IA foi 17% menor do que a do grupo de controle, uma diferença estatisticamente significativa. Uma análise de subgrupos revelou que esse efeito foi observado tanto em programadores iniciantes quanto em intermediários e experientes. Portanto, não dependeu do nível de experiência do participante. Uma análise adicional revelou que os participantes do estudo que dependeram totalmente da IA ​​para gerar o código tiveram um desempenho particularmente ruim no teste. Os participantes que solicitaram à IA que gerasse o código e também fornecesse explicações sobre o código gerado tiveram um desempenho melhor.

Conclusão: Depender excessivamente da IA ​​reduz drasticamente a formação de habilidades.
Os resultados do estudo têm implicações importantes para o debate psicológico sobre o uso da IA ​​em escolas e universidades. Eles sugerem que depender excessivamente da IA ​​no aprendizado de uma tarefa complexa como a programação de computadores tem um custo elevado: reduz consideravelmente a aquisição de novas habilidades.

Alunos que dependem de IA simplesmente não aprendem tanto quanto aqueles que não a utilizam. Embora a capacidade de usar ferramentas de IA com proficiência provavelmente será uma habilidade essencial no mercado de trabalho do futuro, a descoberta sugere que os alunos devem primeiro aprender as habilidades básicas por conta própria e que as ferramentas de IA só devem ser introduzidas no processo de aprendizagem depois que um bom nível de proficiência for alcançado.
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February 17, 4:31 PM
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A Máquina Para: Will Gompertz analisa a obra de E.M. Forster ★★★★★

A Máquina Para: Will Gompertz analisa a obra de E.M. Forster ★★★★★ | Inovação Educacional | Scoop.it
Minha esposa estava ouvindo um programa de rádio outro dia e ouviu um homem falando sobre inteligência artificial. Ele mencionou uma novela de ficção científica de E.M. Forster chamada "A Máquina Para", publicada em 1909. Ele disse que era notavelmente profética. Minha esposa nunca tinha ouvido falar dela, e eu também não. Francamente, não associávamos Forster à ficção científica, mas sim aos filmes da Merchant Ivory estrelados por Helena Bonham Carter e aos elegantes vestidos eduardianos.

Nós encomendamos um exemplar.

Meu Deus! Como Forster jamais teria dito.

O livro "The Machine Stops" não é apenas profético; é uma descrição literária incrivelmente precisa da vida em confinamento em 2020, de cair o queixo, de estupefaciente e de tirar o fôlego.

Se tivesse sido escrito hoje, seria excelente; o fato de ter sido escrito há mais de um século é surpreendente.


WLC Publishing
O livro "The Machine Stops" foi republicado em 2013, mais de um século após sua primeira publicação, refletindo sua qualidade duradoura.

O conto se passa em um mundo que certamente pareceu futurista para Forster, mas que não parecerá para você. As pessoas vivem sozinhas em casas idênticas (globalização), onde optam por se isolar (palavras dele), enviam mensagens por correio pneumático (um protótipo de e-mail ou WhatsApp) e conversam online por meio de uma interface de vídeo incrivelmente semelhante ao Zoom ou ao Skype.

"O sistema desajeitado de reuniões públicas já havia sido abandonado há muito tempo", assim como o hábito de tocar em estranhos ("o costume havia se tornado obsoleto"), agora considerado proibido nesta nova civilização em que os humanos vivem em celas subterrâneas com um computador semelhante à Alexa atendendo a todos os seus caprichos.

Se isso já lhe parece assustadoramente próximo da realidade, você não ficará nada tranquilo ao saber que os membros dessa sociedade isolada conhecem milhares de pessoas por meio de redes sociais controladas por máquinas, que incentivam os usuários a receber e transmitir ideias de segunda mão.

"Em certas áreas, as relações humanas avançaram enormemente", escreve o autor visionário com ironia, antes de acrescentar mais tarde:

"Mas a humanidade, em seu desejo por conforto, havia ido longe demais. Explorou as riquezas da natureza em excesso. Silenciosamente e complacentemente, afundava na decadência, e o progresso passou a significar o progresso da máquina."

Shutterstock
E.M. Forster começou a escrever ficção no King's College de Cambridge, onde primeiro estudou Clássicos e depois História (1897-1901).
Não me passa despercebido que você está lendo isto na internet, em um dispositivo criado pelo homem sobre o qual ainda acreditamos ter algum domínio. Não por muito tempo, segundo a história de Forster, e suspeito que nem para alguns dos especialistas em IA da atualidade.

Estamos no território do monstro de Frankenstein, outro aviso literário que provavelmente não devemos ignorar.

Em "A Máquina Para" (o título já diz tudo), Forster não apresenta uma manifestação física assustadora semelhante de uma falha científica, mas isso torna a história ainda mais pessoal. Os dois protagonistas, Vashti e seu filho Kuno, são pessoas normais, como você ou eu. Ela vive no hemisfério sul, ele no norte.

Kuno quer que sua mãe o visite. Ela não está muito animada.

"Mas eu consigo te ver!", exclamou ela. "O que mais você quer?"

"Não quero te ver através da Máquina", disse Kuno. "Não quero falar com você através dessa Máquina cansativa."

"Oh, cale a boca!" disse sua mãe, vagamente chocada. "Você não deve dizer nada contra a Máquina."



Yvonne Mitchell interpretou o papel da mãe Vashti nesta adaptação televisiva de 1966 de "The Machine Stops", parte de uma série de ficção científica chamada "Out of the Unknown".


Michael Gothard interpretou o filho dela, Kuno, na mesma adaptação para a televisão.
Ela prefere o distanciamento social e dar sua palestra online sobre Música no Período Australiano para uma plateia invisível, sentada em suas poltronas, que absorve informações históricas abstratas sem qualquer relevância para suas vidas subterrâneas, servindo apenas como uma distração ilusória de sua existência vazia (talvez não muito diferente das palestras durante o confinamento).

Não vou falar mais sobre o que acontece — é uma história muito curta que pode ser lida em menos de uma hora — além de mencionar que é basicamente uma versão da era das máquinas da Alegoria da Caverna de Platão.

Conselho de Curadores do Museu Britânico
Na caverna de Platão, dois grupos de filósofos estão separados por uma parede, mas animados em discussões.
A Máquina (ou a internet, para nós) é a caverna solitária, sem ar e sem sol em que existimos, e a informação que ela transmite são as sombras projetadas nas paredes.

E.M. Forster publicou a história entre Um Quarto com Vista (1908) e Howard's End (1910), dois romances nos quais explora temas filosóficos semelhantes em torno dos mundos interior e exterior, da verdade e da ilusão.

O livro "The Machine Stops" foi publicado pela primeira vez na Oxford and Cambridge Review no mesmo ano em que Filippo Tommaso Marinetti publicou seu furioso Manifesto Futurista no jornal Le Figaro.

O poeta italiano defendia exatamente o oposto da parábola profética de Forster.

Marinetti abraçou a máquina, argumentando que um carro em alta velocidade era muito mais belo do que uma escultura da Grécia Antiga. O passado era um peso morto que precisava ser destruído para dar lugar ao futuro.

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O filme vencedor do Oscar, Um Quarto com Vista, estrelado por Judi Dench, Maggie Smith e Helena Bonham Carter, foi adaptado do romance de E.M. Forster, que, assim como A Máquina Para, explorava os conceitos de realidade e ilusão.

Getty/Sotheby's
Embora o Manifesto Futurista de Filippo Tommaso Marinetti também tenha sido publicado em 1909, ele celebrava as máquinas como uma força para o bem — ao contrário de Forster.
Ele teria gostado de Vashti, que, ao viajar de dirigível para ver Kuno, baixou a cortina sobre a Grécia porque aquele não era lugar para encontrar ideias - uma piada irônica de Forster, visto que a ideia para sua história veio da Atenas de Platão.

É basicamente isso em termos de piadas em uma novela onde realmente não existe comunidade, nem experiência direta, e é impossível escapar do zumbido constante da máquina sem pedir uma permissão de saída ao Comitê Central. Nesse ponto, você coloca um respirador e se arrisca no mundo real.

Como disse o homem no rádio, é profético. E muito, muito bom.
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February 17, 4:28 PM
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País avança na escolarização, mas não melhora aprendizado

País avança na escolarização, mas não melhora aprendizado | Inovação Educacional | Scoop.it

Ela se chama Keroly Vitoria de Oliveira Ramos Carvalho, tem 18 anos, e sua vida conta boa parte da história da educação no Brasil. Aluna recém-formada em uma escola estadual de São Paulo, é da primeira geração da família a chegar ao ensino médio.
O pai, pedreiro, estudou até o 9º do fundamental, e a mãe, merendeira, até o 7º. Os avós só puderam cursar os primeiros anos. Dos três irmãos de Keroly que já concluíram o ensino médio, dois foram para cursos superiores, um presencial e outro a distância. E a mãe voltou a estudar e está em um curso técnico de radiologia.
A família é um retrato do aumento expressivo da escolarização no Brasil nas últimas décadas. Se, em 1980, somente 20% da chamada força de trabalho do país (a população de 25 a 55 anos) havia concluído o ensino fundamental, nos anos 2020, era perto de perto de 80%.
"É uma minirrevolução", enfatiza Guilherme Lichand, professor da Universidade de Stanford, dos EUA, especializado em políticas educacionais de diferentes países. Ele lembra que o diploma do ensino médio, em 1980, ainda girava em torno de 10% da força de trabalho e, nos anos 2020, atingiu cerca dois terços dessa população.
Já no ensino superior o avanço foi bem mais lento, mas, ainda assim, ocorreu. "Em 1980, menos de 5% tinham ensino superior, e isso mudou muito pouco até os anos 2000, quando ainda estávamos abaixo de 10%", aponta Lichand. "A partir daí houve uma aceleração, e, nos anos 2020, finalmente ultrapassamos os 20%."
A minirrevolução é colocada em perspectiva quando olhamos para outros países, inclusive da própria América Latina. E aí entramos na metade vazia do nosso copo.
Voltando quase um século, fica claro que a escolarização no Brasil chegou atrasada. "Em 1930, enquanto ainda tínhamos 21,5% das crianças no primário, no Chile já eram quase 70% e, na Argentina, 62%", aponta Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas e ex-diretora global de educação do Banco Mundial.
"Quem estava empatado conosco era a Coreia. Mas, nos anos 1960, enquanto ainda estávamos em 40%, a Coreia já havia universalizado o acesso à escola nessa etapa, a exemplo dos EUA, da Europa e da América Latina quase como um todo."
O Brasil chegou tarde também às outras etapas. Enquanto aqui apenas cerca de 10% da força trabalhadora havia concluído o ensino médio por volta de 1980, nos EUA e no Canadá já eram aproximadamente 75%. São realidades diferentes da brasileira, pondera Lichand. Mas "o que é surpreendente" é o Brasil perder mesmo para países similares economicamente. "Nos anos 2000, quando o Brasil ainda patinava nos 25% com ensino médio, o Equador tinha 75% e Porto Rico, 75%."
No ensino superior, a média de 20% de brasileiros acima dos 25 anos com diploma é metade dos cerca de 40% dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o "clube dos ricos", entre eles EUA, Canadá e Suíça. Mesmo comparados a nações da América Latina, estamos atrás. A proporção de brasileiros de 25 a 34 anos com diploma universitário, 23,4%, é mais baixa do que a do México (27,1%), da Colômbia (30,5%) e do Chile (40,5%).
As universidades começaram tardiamente ao Brasil, apenas no início do século 20. Nos EUA, Harvard data de 1636, e outras foram criadas a partir do século 17. Mesmo em relação às primeiras da América Latina, chegamos bem depois, a exemplo do Peru (1551), do México (1553), da Colômbia (1662) e de Cuba (1728). Os diplomas são recentes no Brasil inclusive para a elite. Lichand ressalta que, até 1980, somente metade dos brasileiros mais ricos concluía o ensino médio, e pouco mais de 20%, o ensino superior (considerando aqui os 10% mais ricos).
A noção mais clara sobre o valor da educação viria na redemocratização, em especial com a Constituição de 1988. "Foi quando a educação passou a ser vista como um motor da própria difusão das ideias da democracia, de desenvolvimento social, de acesso a oportunidades do mercado de trabalho", explica Lichand.
Uma política pública mais ampla começou a se desenhar, inicialmente com o Fundef, lembra o economista Naercio Menezes Filho, professor do Insper e da FEA-USP. Implementado em 1998, o fundo de desenvolvimento do ensino fundamental redistribuía recursos públicos entre estados e municípios para o investimento em educação. "Surgiu no país um sentido de empoderamento da população a partir do acesso à educação", diz.
Um pensamento na contramão de nossas origens. "Tivemos uma colonização de exploração, de tirar, tirar, tirar, em contraposição com os EUA, por exemplo, que tiveram uma colonização de povoamento, de criar regras e direitos, como a educação, porque os colonizadores queriam viver lá", diz.
No Brasil, as elites portuguesas deram origem às elites brasileiras, que não queriam investir na educação. "É só analisarmos o coronelismo, como as telenovelas deixaram claro, com os coronéis tentando evitar que a população ficasse mais esperta", afirma. "Era uma estratégia deliberada para que os mais pobres não entendessem o jogo e, mesmo após o Brasil finalmente permitir o voto dos analfabetos, controlar as eleições por meio do voto de cabresto."
Entre os anos 1960 e 1970, o país viveu um crescimento industrial, forte fluxo migratório para o Sudeste e a mudança da população do campo para as cidades. "Era preciso contar com uma mão de obra qualificada. E cadê a nossa educação? Com isso, de lá para cá, praticamente não tivemos crescimento de produtividade."
Menezes Filho sublinha que essa é a causa de vários problemas que enfrentamos hoje, como a desigualdade e a criminalidade.
"É a história de uma elite que não tinha consciência de que a universalização do acesso às escolas favoreceria o próprio país em termos de crescimento econômico e em tantos aspectos", diz Costin.
Uma série de mecanismos matinha a exclusão, mesmo com o aumento da oferta de vagas, como o exame de admissão para os antigos primário e ginásio. "Quem passava nessas provas? A classe média em ascensão, a elite", afirma Costin.
Havia também as altas taxas de repetência. "Em 1970, tínhamos no Brasil 40% dos alunos repetindo a 1ª série. Era uma maneira de manter os mais pobres, os negros, fora do sistema escolar. Eles repetiam uma vez, duas vezes, três vezes e acabavam saindo da escola", diz Menezes Filho.
O economista defende que é preciso investir na recuperação de aprendizagem no contraturno. Ele é autor de estudos que demonstram que não há muita diferença de desempenho dos alunos de redes de ensino com reprovação e daquelas com aprovação automática. "Em ambas os alunos aprendem muito pouco."
De fato, o aumento do acesso à escola não veio acompanhado por uma melhora na qualidade de aprendizado. O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes), que avalia o desempenho de estudantes de 15 anos em 81 países, mostra que o Brasil está entre as últimas 20 colocações. Mais de 70% dos alunos têm resultado insatisfatório em matemática, metade em habilidades de leitura e 55% em ciência. Mesmo as notas das escolas particulares, embora melhores do que as da rede pública, estão abaixo da média da OCDE –o Brasil tem cerca de 20% de matrículas na rede privada, e 80% em federais, estaduais e municipais.
Menezes Filho aponta que países da América Latina enfrentam dificuldade semelhante. "Os alunos chegam à escola muitas vezes em condição de vulnerabilidade. E, em casa, os pais são pouco escolarizados, sem muitas condições de estimular os filhos, de ler para eles, por exemplo. E, no ensino médio, boa parte dos jovens já precisa trabalhar."
Os professores, por sua vez, em geral vêm das classes mais desfavorecidas –as mães de classe média que eram professoras em meados do século 20 buscaram outras profissões ao longo dos anos. "Os docentes aprenderam pouco na escola e tiveram uma formação ruim na faculdade, quase 70% deles a distância", aponta Menezes Filho.
O gasto com educação no Brasil, embora pareça alto, diz Costin, é a metade do que investem países com bons resultados, considerando o valor por estudante.
Lichand aponta que reduzimos pouco as desigualdades nas últimas décadas e que, em algumas etapas, ela até se ampliou, porque a escolarização também era baixa na elite. É o caso do ensino superior, apesar das bolsas e dos financiamentos governamentais para faculdades privadas a partir dos anos 1990 e dos recentes esforços de inclusão das cotas em universidades públicas. Em 1980, era praticamente zero o número de formados dentre os mais pobres, ante 20% dos mais ricos. Em 2020, os mais pobres foram para 18%, e os mais ricos, para 50% (comparação da população 10% mais rica com a 90% mais pobre, 25 a 55 anos).
As desigualdades no Brasil são ainda mais dramáticas e persistentes ao longo dos anos quando se comparam grupos raciais. Dados do IPUMS (Série de Microdados de Uso Público Integrado) mostram que, em 1980, 17% dos brancos e 6% dos negros tinham diploma de ensino médio (população de 25 a 55 anos). Em 2010 (dados mais recentes), os brancos atingiram 50%, e os negros, 33%. O levantamento aponta mais equidade racial na escolarização de países como EUA e Canadá, e redução da desigualdade, por exemplo, em Porto Rico e Jamaica.
Coordenador do Núcleo de Estudos Raciais do Insper e vencedor do prêmio Jabuti acadêmico com o livro "Números da Discriminação Racial", o economista Michael França aponta que o próprio sistema público "é extremamente desigual".
"As escolas da periferia, onde, em geral, está a população negra, tendem a ter infraestrutura pior e professores em começo de carreira", diz ele, que é colunista da Folha. "Os melhores vão para as regiões mais centrais, onde há mais brancos."
Ele cita estudos que apontam discriminação nas escolas –alunos negros recebendo notas menores que os brancos com o mesmo resultado– e nas próprias famílias. "Quando há um filho branco e outro pardo, os pais tendem a investir mais na educação do branco", afirma França. "Há uma expectativa do retorno daquele investimento", explica. "O fato de ser negro e de entender que, lá na frente, serei discriminado no mercado de trabalho, afeta a decisão de hoje sobre a escolarização", diz o economista. "Todo esse condicionamento social vai afetando quem eu sou, minha autoestima, minhas próprias realizações. É um peso psicológico, subjetivo, que muitas vezes a gente não discute no Brasil."
Os especialistas se dividem entre otimismo e pessimismo para mudar esse cenário da educação brasileira e torná-la motor de redução de desigualdades e de crescimento do país. Entre os caminhos apontados estão a ampliação do ensino integral, valorização da carreira docente e políticas que integrem a esfera federal às estaduais e municipais para recuperar a aprendizagem e reduzir a evasão.
A estudante Keroly, que pretende cursar pedagogia e trabalhar como gestora escolar, fala da necessidade de se investir na comunicação com os alunos, para que todos entendam algo que ela ouviu dos pais e a marcou: "Estudar é o maior ato de rebeldia contra o sistema".

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February 17, 4:24 PM
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Afirmar que a Geração Z é menos inteligente que as anteriores embute uma perigosa generalização

No dia 15 de janeiro, o neurocientista Jared Horvath declarou no Senado americano que "nossos filhos são cognitivamente menos capazes do que nós éramos na idade deles". Talvez pela sua contundência e por um estilo um tanto performático, a frase inundou as redes sociais, atropelando o debate acadêmico e sendo ampliada para afirmações mais alarmistas, como a de que "a Geração Z seria a primeira geração menos inteligente do que a anterior".
Os senadores americanos investigam o impacto da tecnologia no desenvolvimento cognitivo e bem-estar de crianças e adolescentes. Horvath defende firmemente que a tecnologia digital prejudica o aprendizado nas escolas. Mas ele mesmo explica que isso não pode ser confundido com menos inteligência.
Como pesquisador, defendo a tecnologia como uma ferramenta capaz de ampliar nossa capacidade de pensar, mas isso só acontece se for conscientemente usada com esse propósito, o que acontece pouco. Ao mesmo tempo, apoio a restrição de telas na escola a atividades estritamente acadêmicas e sob orientação de professores.
O problema se agrava quando os jovens usam esses recursos fora da escola, pois normalmente fazem isso sem orientação e até supervisão de um adulto capacitado. Isso conversa com as recentes proibições de redes sociais a crianças e adolescentes na Austrália e na França, movimento que pode ser replicado na Espanha, Dinamarca, Alemanha e Reino Unido. No Brasil, o ECA Digital começa a valer no dia 18 de março, restringindo o uso de redes sociais por menores, mas sem barrar as plataformas.
Dizer simplesmente que os jovens são menos inteligentes que seus pais é como fogo em mato seco nas redes sociais. Mas essa informação, além de imprecisa, contamina um debate já muito polarizado entre pais, educadores e as big techs. Não se podem negar os gravíssimos impactos do meio digital em crianças e adolescentes, que vão muito além da educação, mas soluções eficientes exigem equilíbrio e racionalidade.

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February 17, 4:13 PM
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New AI chatbot threatens white-collar remote workers

Trabalhadores remotos enfrentam novas ameaças de desemprego depois que uma gigante da tecnologia dos EUA lançou um novo aplicativo de inteligência artificial (IA) mais inteligente para automatizar dezenas de tarefas de escritório, alertaram acadêmicos.
A Anthropic, empresa americana por trás do chatbot "Claude" , lançou esta semana uma nova versão do aplicativo chamada Claude Cowork, que realiza tarefas rotineiras como escrever relatórios, organizar arquivos de computador e inserir dados quando solicitado.
A empresa afirmou que usar o aplicativo era semelhante a "deixar recados para um colega de trabalho". Fundamentalmente, o bot pode acessar arquivos, apresentações, planilhas e navegadores de internet, permitindo manipular os dados e realizar tarefas antes executadas por funcionários de escritório.
Especialistas alertaram que o avanço dessas ferramentas, em particular, ameaça o trabalho realizado por trabalhadores remotos , que requer pouca interação pessoal.
Esses empregos, que ganharam destaque durante a pandemia, são conhecidos como "empregos de laptop" porque exigem apenas um laptop e uma conexão com a internet.
“Eu diria, sem dúvida, que alguns empregos que exigem o uso de laptops estão em risco”, afirmou o professor Bouke Klein Teeselink, do King's College London. “Especialmente os cargos relativamente juniores, que são mais rotineiros e muitas vezes podem ser executados por inteligência artificial avançada.”

O professor Xiang Hui, da Universidade de Washington em St. Louis, disse: “O trabalho remoto está mais exposto à IA do que muitas outras formas de trabalho devido à sua própria natureza digital.

“Ao contrário de outras tarefas que envolvem objetos físicos ou contato, não há nenhuma 'barreira' para proteger o trabalho realizado pelo trabalhador remoto.”

Claude Cowork é a terceira versão da linha de bots da Anthropic, depois de Claude e Claude Code, um bot de programação criado para acelerar o processo de desenvolvimento de código para engenheiros.

Anthropic acrescentou que o Claude Cowork foi construído quase inteiramente pelo Claude Code em uma semana e meia – uma tarefa que teria levado muito mais tempo para programadores humanos.

Os laboratórios do Vale do Silício estão em uma corrida para lançar os chamados agentes de IA, que podem funcionar de forma semiautônoma no sistema de computador de uma empresa, assumindo tarefas tradicionais que antes eram realizadas pelos funcionários.

Os laboratórios de IA têm insistido repetidamente que suas ferramentas complementarão, e não substituirão, o trabalho humano, liberando as pessoas para tarefas mais produtivas. No entanto, muitas empresas já começaram a demitir milhares de funcionários, atribuindo a culpa ao avanço da IA.

Em um relatório publicado na quinta-feira, a Anthropic afirmou que o uso crescente de bots de IA pode levar à "simplificação de algumas funções ou a um efeito de desqualificação, já que a IA pode assumir grande parte de suas funções, como digitadores, especialistas em TI e agentes de viagens".

O estudo revelou que cerca de 44% dos empregos agora utilizam "IA em pelo menos um quarto de suas tarefas".

Em um relatório para o Instituto Brookings no ano passado, o Sr. Hui descobriu que os freelancers digitais viram uma queda de 5% em seus ganhos e uma queda de 2% em seus trabalhos mensais desde o lançamento do ChatGPT .

“Empregos que envolvem muita coordenação, conhecimento tácito ou que dependem muito do contexto são mais difíceis de substituir”, disse ele.

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February 17, 4:07 PM
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Primeira faculdade do MST é credenciada pelo Ministério da Educação no Rio Grande do Sul

Primeira faculdade do MST é credenciada pelo Ministério da Educação no Rio Grande do Sul | Inovação Educacional | Scoop.it
A educação no campo brasileiro alcançou um novo patamar neste início de 2026 com o credenciamento oficialmente da Faculdade Josué de Castro. Instalada no assentamento Filhos de Sepé, no município de Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, a instituição passa a integrar formalmente o sistema federal de ensino superior, consolidando uma experiência educacional construída ao longo de mais de quatro décadas por trabalhadores rurais organizados.
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February 17, 4:01 PM
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Commentary: Anxious about AI, I went back to school and this is what I learned

Mid-career workers are facing real anxiety about AI. Tackling that by upskilling has been a painful but rewarding process, says Liang Kaixin.
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February 17, 3:56 PM
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Por um Ensino Superior Humanizado

Na esteira de iniciativas como o Safe AI in Education Manifesto (Outubro, 2024) a Open Letter: Stop the Uncritical Adoption of AI Technologies in Academia (Junho, 2025), ou até mesmo do Relatório da Comissão Internacional sobre os Futuros da Educação – Reimaginar Nossos futuros Juntos: Um novo contrato social para a educação –, publicado pela UNESCO em 2021, no rescaldo da pandemia, pretende-se com este texto afirmar a necessidade de, a um tempo, promover a humanização do ensino superior e banir o uso da “inteligência” artificial generativa (IA) nos processos de ensino-aprendizagem.
O ensino é uma das mais nobres missões de universidades e politécnicos e, embora existam experiências pontuais de qualificação, inovação e valorização pedagógica, a lógica prevalecente, refém da burocracia managerialista e de uma voraz monocultura do produtivismo acelerado, tende a desvalorizar a centralidade das relações de ensino-aprendizagem e dos seus protagonistas na vida quotidiana das instituições.
Neste contexto, aquilo que se tem vindo a designar como dilúvio digital, constitui um dos maiores problemas enfrentados pelas instituições de ensino superior, pelos professores e pelos estudantes.
Estes últimos são as grandes vítimas do mundo digital, indefesos perante um avanço tido como inevitável da IA sobre tudo aquilo que constitui a vida académica. Impelidos a utilizar a IA, veem os seus métodos de trabalho e estudo ser permanentemente soterrados por grandes modelos de linguagem e chatbots que operam enquanto fábricas de produção de lugares-comuns, banalidades, arquiteturas tecnológicas promotoras de fraude e plágio em série. Entretanto, a saúde mental dos estudantes bate no fundo, os níveis de ansiedade sobem aos píncaros e, convertidos em cretinos digitais, demonstram muito pouca curiosidade intelectual ou entusiasmo pela enorme e desafiante aventura do conhecimento. Naturalmente, esta exige esforço, trabalho e dedicação; requer um tempo longo, uma lenta maturação e aprofundamento das ideias, das possibilidades e das relações que estas estabelecem entre si e, porque não dizê-lo, uma boa dose de angústia, frustração e dor. Tudo aquilo que a IA lhes rouba sob um espesso manto de ignorância, facilitismo, desonestidade intelectual, copianço e rapidez. Sem alma nem rasgo, aniquilando o desejo e a vontade de saber, analisar, compreender e interpretar.
Quanto aos professores do ensino superior, a situação não é melhor. Enredados numa densa trama de burocracias inúteis que os satura e esgota, enfrentam agora desafios novos decorrentes de um dilúvio digital, encabeçado pela IA, que é de tal modo avassalador que não pode deixar de gerar uma sensação difusa de impotência e desalento. Confrontados com trabalhos artificiais sistematicamente nivelados pela mediania de um chatbot qual mangas-de-alpaca digitalizado, com apresentações orais que não vão para além do papaguear de frases desconexas e expressões que denunciam ausência de autoria ou um módico de originalidade, sentem na pele o desconforto motivado pela ausência de níveis mínimos de integridade e honestidade intelectual, para além de já não possuírem ferramentas para verdadeiramente comandar os processos pedagógicos, monitorizar os ritmos e os tempos dos processos de ensino-aprendizagem e proceder a avaliações justas. Por isso, assiste-se ao regresso a instrumentos de avaliação, como os testes de escolha múltipla, que vinham sendo abandonados no contexto da progressiva valorização de formas de ensino centradas nos estudantes. Naturalmente, a incapacidade para penalizar ou até mesmo identificar com rigor práticas académicas fraudulentas poderá ou não levar a modos mais ou menos engenhosos de cinismo escapista ou demissão do exercício intelectual da crítica, mas irá sempre redundar na interiorização de uma grande dose de sofrimento psíquico e culpa por parte dos professores.
As instituições de ensino superior – universidades e politécnicos – que, no capitalismo académico hegemónico, tendem a mimetizar o espírito, os discursos e as práticas das empresas elevadas à condição de eixo referencial da vida em sociedade, escolheram o caminho mais fácil: a fuga para a frente. Na generalidade dos casos, com receio de perder o comboio do progresso e furtando-se a colocar a questão sacramental de política académica – cui bono? –, apressaram-se a regurgitar vagas declarações de intenções, orientações, regulamentos, despachos, circulares, a promover conferências, workshops e a criar grupos de trabalho de eficácia tendencialmente nula. Depois de terem adotado uma política suicidária de portas abertas e deslumbramento acrítico, como se o objetivo último do lucro máximo no menor tempo possível dos conglomerados tecnológicos e dos seus algoritmos ideologicamente enviesados e não sujeitos a escrutínio público democrático fosse compatível com processos de ensino-aprendizagem dignos desse nome, procuram agora modelar, regular e equilibrar forças de tal maneira poderosas que, hoje, já todos percebemos, são impossíveis de domar. Não seria de esperar nada diferente pois instituições assim, administradas por professores-gestores que até podem adotar um discurso de valorização do pensamento crítico quando, na verdade, aquilo em que têm apostado as suas fichas é na redução do horizonte de possibilidades dos estudantes à figura do potencial empregado-executante e dos professores ao de gestores de si, empobrecem a nossa capacidade de pensar e transformar o mundo. Quando a organização do seu funcionamento é reduzida ao absurdo dos rankings, fatores de impacto e indexações, até se pode publicar cada vez mais, mas questiona-se cada vez menos. E nem precisamos de mencionar as contradições resultantes da bolha especulativa gerada em torno da IA, da sua pegada ambiental absolutamente insustentável ou dos custos humanos de quem treina os algoritmos.
Não há soluções de compromisso, moderação e equilíbrio que não sejam atropeladas pelo rolo compressor digital. Se existem ainda preocupações genuínas com o futuro dos estudantes, mas também de professores e instituições, o caminho, estreito e não isento de riscos, tem de passar necessariamente pela suspensão generalizada do uso deste tipo de ferramentas nos processos de ensino-aprendizagem. Não se trata de ingenuidade pueril, adoção de uma postura neo-ludita, manifestação de um temor pré-apocalíptico ou de qualquer bravata tecnofóbica. Menos ainda de procurar recuar a um tempo outro, mitificado e idealista, não conspurcado por perturbações digitais e tecnológicas. Não! Trata-se, apenas e só, de não ceder ao facilitismo acrítico nem ao discurso política e intelectualmente preguiçoso da inexistência de alternativas, procurando reivindicar a necessidade de humanizar o ensino, de o tornar mais lúcido e céptico relativamente ao tecnofeudalismo que hoje ganha forma. Se queremos preservar autonomia e integridade, independência e liberdade nos planos intelectual, científico e cultural, e assim contrariar a trajetória de empobrecimento cognitivo e emocional em curso, temos de ser capazes de resistir coletivamente ao avanço imparável desta nova economia política geradora de sofisticados regimes de servidão digital e restaurar o primado da relação humana, dos seus ritmos e espaços próprios, nos processos de ensino-aprendizagem. Neste sentido, recusar a utilização da IA no contexto do ensino é simultaneamente a escolha mais difícil e também a mais urgente.
É certo que os caminhos e as soluções alternativas estarão ainda por construir e terão de passar pelo controlo público, transparente e democrático da tecnologia, colocando-a ao serviço do desenvolvimento e do bem-estar humano, mas o ponto de partida urgente não pode ser outro que não o da proibição do uso da IA. E nem sequer se pode dizer que não existam precedentes relevantes. Atente-se àquilo que sucedeu relativamente ao uso de smartphones nas escolas. Primeiro, foram vendidos como ferramentas fundamentais para preparar as gerações do futuro, porque os nativos digitais já não conseguiam aprender sem elas. Depois, com o avolumar de evidências sobre as consequências altamente prejudiciais do seu uso, foram sendo proibidos, tal como, de resto, também as redes sociais têm levado à adoção deste tipo de soluções por parte de muitos Estados. O automatismo retórico segundo o qual todas as formas de proibição são sempre contraproducentes não colhe. Afinal de contas, por que é que era proibido o plágio quando eram artesanais as suas condições de produção e, agora que se industrializaram, passou a ser aceite, tolerado e até incentivado?
Se este é o tempo dos monstros, em que o mundo velho está a morrer e o novo ainda não nasceu, é tempo de coletivamente pararmos para pensar se aquilo que queremos ajudar a construir é um mundo povoado de zombies digitais alienados ou uma nova paisagem social plena de possibilidades para a realização e o florescimento de todos e cada um de nós.

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February 17, 4:57 PM
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Robotera Sword Dance for Chinese New Year — Tradition Meets Technology

Celebrate the Lunar New Year with ROBOTERA’s humanoid robot L7 performing a spectacular sword dance! Tradition meets technology in this festive martial arts performance, welcoming the Year of the Horse.
#ROBOTERA #HumanoidRobot #RobotDance #SwordDance #LunarNewYear #ChineseNewYear #YearOfTheHorse #Robotics
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February 17, 4:47 PM
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Ela ganhava 65.000 libras antes da chegada da inteligência artificial. O que aconteceu em seguida serve de alerta para todos nós.

Leonie Tucker dedicou duas décadas de sua vida à indústria cinematográfica. Como designer gráfica, ela aprimora os detalhes nos sets de filmagem: os pôsteres ao fundo das cenas, as embalagens, tudo o que é protegido por direitos autorais – da marca de uma lata de tomate às telas de celulares.

“Eu me esforcei muito para chegar ao sucesso, para me tornar designer gráfico principal de projetos como o da Apple TV. Trabalhei muito, muito duro para isso. E então o trabalho simplesmente desapareceu”, diz Tucker.

Até recentemente, o designer gráfico de 36 anos ganhava mais de 65.000 libras por ano.

“No ano passado, eram 26.000 libras. Uma queda enorme. Nos últimos seis meses, a situação piorou drasticamente. Sou proprietário de um imóvel. Tenho um carro alugado. Não dá para simplesmente abrir mão do carro, e também não dá para deixar de pagar a hipoteca porque aconteceu algo que está fora do nosso controle.”

Não foram a Covid nem as greves dos roteiristas de Hollywood que causaram o golpe. Mesmo após interrupções tão grandes, o trabalho sempre retornava.

Mas a IA provou ser uma fera diferente.

“Tudo pelo que trabalhei na vida foi construído nesta indústria, e agora tudo foi arrancado de mim. Trabalho aqui há 15 anos. Sou muito qualificada e requisitada nesta área. Agora, estou recebendo o Auxílio Universal”, diz ela. “Tenho contado isso para todos que querem ouvir.”

Trabalhadores como Tucker estão entre os primeiros a ver seus empregos impactados pela IA . Grande parte do tipo de trabalho de design em que ela se especializou agora pode ser feito com IA na pós-produção.

Os rápidos avanços nas capacidades da IA ​​estão transformando empregos em diversas áreas, desde call centers até redação publicitária e programação. E os setores jurídico, de consultoria e financeiro podem ser os próximos .


Dentro de alguns anos, milhões de pessoas poderão ter o mesmo destino que Tucker: uma queda acentuada na renda, habilidades cuidadosamente aprimoradas tornando-se obsoletas e toda uma trajetória profissional perdida.

Anton Korinek, um dos economistas mais influentes do mundo que estuda a IA transformadora, afirma: “Isso pode acontecer ainda este ano ou no final desta década. Dada a incerteza, acho prudente estarmos preparados para possíveis cenários pessimistas, como o desemprego subindo vários pontos percentuais até o final do ano, sem perspectiva de melhora.”

O professor da Universidade da Virgínia é uma das vozes, em número crescente, que alertam para a possibilidade de estarmos numa corrida contra o tempo.

“Estou preocupado, embora haja muita incerteza”, diz ele.

Ainda é muito cedo para afirmar, com base nos dados de emprego, o que realmente está acontecendo. Mas é evidente que os sistemas de IA estão "avançando rapidamente e, com eles, sua capacidade de executar muitas tarefas que antes eram exclusivamente humanas".

A inteligência artificial é "melhor que os humanos em praticamente tudo".
Há menos de um ano, o ChatGPT estava tão confiante de que a palavra "strawberry" (morango) continha apenas dois "r" que o chatbot disse que apostaria US$ 1 milhão (R$ 732.000) nisso.

Agora, algumas das mentes mais brilhantes do mundo alertam que a IA está tornando suas habilidades obsoletas. Uma delas é Aditya Agarwal, um dos primeiros engenheiros do Facebook.

“Passei muito tempo no fim de semana escrevendo código com o Claude. E ficou muito claro que nunca mais escreveremos código manualmente. Não faz nenhum sentido”, escreveu Agarwal no X.

“Algo em que eu era muito bom agora é gratuito e abundante.”

Dario Amodei, diretor executivo da Anthropic, criadora do chatbot Claude , alertou em um ensaio recente que a IA poderia criar "uma 'subclasse' de desempregados ou com salários muito baixos".

Na trajetória atual, "não pode demorar mais do que alguns anos para que a IA seja melhor do que os humanos em praticamente tudo", escreveu ele.

Chefes de empresas de tecnologia como Amodei podem ter interesse em exaltar a velocidade e as capacidades da IA. Mas os economistas também estão considerando esses cenários com apreensão.

Daron Acemoglu, professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e ganhador do Prêmio Nobel, afirma: “Se a IA for usada, em última análise, como uma ferramenta de automação e nada mais, ou principalmente como uma ferramenta de automação, ela criará uma subclasse porque automatizará muitos empregos e, consequentemente, tornará muitas habilidades obsoletas.

“Muitas pessoas vão se retirar do mercado de trabalho ou vão trabalhar em empregos braçais, sem significado e mal remunerados. E essa é a classe baixa.”

Acemoglu é um pouco mais otimista que Amodei: "Estou preocupado com uma subclasse permanente, não em dois anos, mas em 25 anos."

Mas o perigo é real e ele está instando políticos de todo o mundo a agirem rapidamente ou correm o risco de a grande maioria dos trabalhadores ser sugada para a "subclasse permanente".

“Em linhas gerais, qualquer pessoa que esteja abaixo do 75º percentil de renda corre o risco de ter seu emprego desvalorizado, transformado em mercadoria ou eliminado”, diz Acemoglu.

Em outras palavras, você só poderá escapar se já estiver entre os 25% dos trabalhadores com maiores rendimentos. No Reino Unido, alguém que ganhe menos de £ 43.000 em 2023 estaria em risco, de acordo com os dados mais recentes.

“Empregos que exigem alto nível de discernimento estão seguros por enquanto. Não acho que veremos a IA assumir o controle do tráfego aéreo tão cedo. Nem veremos a IA substituir diretores financeiros, diretores executivos ou diretores de operações”, diz Acemoglu.

“Teremos jornalismo de alta qualidade. Teremos pesquisa acadêmica. Teremos advogados e juízes.”

Mas muitos outros empregos de escritório podem desaparecer – ou aqueles que os exercem podem se ver reduzidos a operários subvalorizados, simplesmente direcionando a IA.

A tecnologia poderá fazer com os seus empregos o que a globalização e a automação fizeram com os operários de fábrica, mineiros e outros trabalhadores braçais nas últimas décadas.


Prepare-se para 2027
A mudança já está em curso.

O Dr. Ben Maruthappu, fundador da Cera, uma das maiores empresas de tecnologia da saúde da Europa, afirma: "Implementamos a 'Ami', nossa agente de recrutamento com IA, que reescreveu fundamentalmente a forma como contratamos."

"Ami entrevista milhares de candidatos simultaneamente, atendendo o telefone segundos após a inscrição – 24 horas por dia, 7 dias por semana."

A Cera também utiliza IA preditiva para sinalizar tudo, desde funcionários com risco de pedir demissão até pacientes que desenvolvem desidratação ou infecções do trato urinário.

A empresa também desenvolveu robôs de assistência, “companheiros físicos, semelhantes a androides, que ficam nas casas das pessoas” e as lembram de tomar medicamentos, beber água e verificar seu humor.

“Em nossos projetos-piloto, alcançamos uma taxa de sucesso de 96% na adesão à medicação – diversas empresas de assistência e governos locais já os adotaram. Estamos, na prática, transformando o domicílio em uma enfermaria hospitalar digital, prevenindo internações e economizando milhões para o NHS”, afirma Maruthappu.

“Estamos passando de um modelo em que os humanos fazem tudo para um em que a tecnologia lida com a rotina para que os humanos possam lidar com o complexo.”

Os robôs de assistência destacam outra tendência preocupante: mesmo os trabalhos manuais podem não ser seguros.

“Teremos trabalhadores braçais? Sim, pelos próximos 10 anos”, diz Acemoglu. “Mas se houver grandes avanços na robótica e na percepção geográfica e compreensão espacial da IA, existe a possibilidade de uma automação muito maior.”

Em outras palavras, mesmo se requalificar como encanador pode não ser suficiente para escapar da classe baixa.


O Instituto de Pesquisa de Políticas Públicas (IPPR) alertou que, sem intervenção, a inteligência artificial poderá destruir cerca de oito milhões de empregos no Reino Unido "em curto prazo".

“2026 será o ano da adoção. 2027 será o ano em que veremos os primeiros impactos mais significativos no mercado de trabalho. Depois disso, os grandes e preocupantes impactos macroeconômicos provavelmente ainda levarão um pouco mais de tempo”, afirma Carsten Jung, do IPPR.

'Apocalipse do emprego'
Os receios de um iminente massacre de empregos na área da IA ​​parecem ter dado origem a um novo tipo de "preparador" – com um perfil bem diferente das pessoas que estocam feijão enlatado e papel higiênico enquanto se preparam para uma possível guerra mundial.

No fórum do Reddit HenryUK, para pessoas que se descrevem como "Pessoas com altos rendimentos, mas ainda não ricas" , os usuários já estão trocando conselhos sobre como proteger suas finanças do "apocalipse dos empregos com IA".

Um usuário escreveu: "Estou com um sério receio existencial em relação às perspectivas de emprego a médio prazo e ao futuro da nossa jovem família."

“A família é composta por dois membros com altos rendimentos e uma hipoteca considerável em Londres – meu marido é diretor financeiro no setor varejista e eu sou diretora de marketing em serviços financeiros.

“Em ambos os ambientes de trabalho, a tendência é substituir pessoas por automação e IA. É claro que isso começará mais abaixo na hierarquia, mas seríamos ingênuos se pensássemos que não representa uma grande ameaça à nossa empregabilidade em breve.”

Eles temem uma queda acentuada nos preços dos imóveis caso haja um aumento significativo no desemprego da classe média nos próximos três a dez anos.

"Parece precipitado, mas será que deveríamos vender agora? Temos patrimônio suficiente para ficar livres de hipoteca fora de Londres", perguntam eles.

Os conselhos mais populares variam desde não mandar os filhos para escolas particulares , economizar agressivamente até investir em treinamento de IA.

A observação de que, mais abaixo na cadeia de valor, a IA já está começando a destruir empregos é pertinente.

Uma análise do Morgan Stanley sugere que o Reino Unido sofreu a maior perda líquida de empregos devido à IA nos últimos 12 meses, em comparação com o Japão, a Alemanha e a Austrália. A conclusão foi baseada em uma pesquisa com empregadores.

Claro, a IA pode ser apenas parte da história. Uma economia fraca e a investida fiscal de 26 bilhões de libras de Rachel Reeves contra os empregadores também estão levando as empresas a repensarem suas necessidades de pessoal.

Adrian Cox, do Deutsche Bank, afirma: “Há algumas evidências que sugerem que os graduados estão encontrando mais dificuldades para conseguir emprego agora do que há três ou quatro anos. Mas há muita informação incorreta nesses dados. É muito difícil isolar o que é causado pela IA, se é que algo é causado.”

“Suspeito que seja aí que veremos as primeiras evidências – empregadores dizendo: 'Vou capacitar minha força de trabalho atual e adiar novas contratações em níveis muito juniores, e ver como as coisas se desenrolam'.”


Ed Newton-Rex, empreendedor, compositor e fundador da organização sem fins lucrativos de IA Fairly Trained, afirma: "Conheço pessoas que retiraram anúncios de emprego do ar porque perceberam que a IA pode fazer o trabalho de um funcionário júnior."

“Nos espaços criativos, conversei com muitos artistas, músicos e escritores que perderam trabalho por causa da IA. Estamos nessa fase de transição em que acho que as pessoas estão sendo levadas a uma falsa sensação de segurança. Elas começam a perceber os benefícios da IA ​​em termos de produtividade sem enxergar a trajetória que ela está seguindo.”

“Devemos levar essas afirmações, essas previsões e essas declarações explícitas extremamente a sério. Existe a possibilidade de estarem erradas, mas, claramente, também existe a possibilidade de estarem certas. E, se estiverem, o mercado de trabalho, francamente, será destruído.”

Ele acrescenta: “O governo não está levando isso a sério. [Ele] foi enganado pelo Vale do Silício e por pessoas do ecossistema tecnológico, que o fizeram acreditar que pode resolver todos os seus problemas de crescimento. Isso é um grande erro.”

Expurgo de trabalhadores de colarinho branco
Lucy, uma redatora publicitária de 28 anos, é uma das jovens trabalhadoras que já estão sentindo o impacto da IA. Ela trabalhou para uma grande empresa financeira nos últimos quatro anos, mas em breve ficará sem emprego.

No verão passado, ela passou pelo que qualquer trabalhador teme: um convite repentino para uma reunião, sem qualquer explicação. Rapidamente ficou claro que eram más notícias.

“Foi numa chamada geral com todos que poderiam ser afetados. Na chamada inicial, alguém simplesmente falava conosco, dizendo: 'É isso que está acontecendo'. Não havia muitos detalhes sobre o motivo.”

“Na área de marketing, cerca de 50 pessoas foram impactadas pela reestruturação. Esse aumento nas discussões sobre IA aconteceu praticamente ao mesmo tempo”, diz Lucy, que preferiu não usar seu nome verdadeiro.

Ela ainda está no emprego, mas sabe que será dispensada em alguns meses.

“O mercado de trabalho está bem difícil, e pela minha própria experiência na busca por emprego até agora, não está sendo fácil, então estou bastante preocupada em encontrar algo depois disso. Estou ganhando 48.000 libras, e não espero receber esse salário novamente tão cedo”, diz ela.


Mais do que a perda de um salário confortável, ela também se preocupa com o fato de a IA estar eliminando a escrita do trabalho, tornando-o muito menos gratificante.

Ela explica: “O que mais gosto é a possibilidade de ser criativa e resolver problemas com textos. É isso que me dá mais satisfação. Vejo essa sensação se diluindo se a IA passar a escrever a maior parte dos textos.”

Essa perturbação não afeta apenas os trabalhadores que perdem seus empregos. Os poucos que ainda se agarram ao emprego nos setores afetados também estão vendo o chão tremer sob seus pés.

Joanna, de 36 anos, é designer gráfica principal de programas de TV exibidos na BBC, ITV, Netflix e Apple TV. Ela também preferiu não usar seu nome verdadeiro por medo de que isso pudesse afetar seu trabalho.

“Eles estão usando IA para cortar custos onde antes poderiam ter contratado um assistente. O impacto disso em pessoas como eu, os designers principais, é que estamos sendo mais sobrecarregados. Estou conseguindo os trabalhos, mas vejo a pressão em todos os lugares. Está acontecendo aos poucos.”

“Estou preocupado com a minha própria saúde mental. Toda a camada intermediária, que engloba todas as equipes, está sendo eliminada. Isso deixa os chefes de departamento muito, muito estressados, sem trabalho para as pessoas que estão subindo na hierarquia e os funcionários juniores muito estressados.”

“Pessoalmente, não quero estar em um setor onde eu esteja tão estressado o tempo todo.”

Essa disrupção inevitavelmente se espalhará em breve por outros setores. Hoje são os redatores publicitários e designers gráficos que estão desempregados, mas amanhã poderão ser os banqueiros e advogados .

Por enquanto, existem algumas barreiras técnicas que impedem essa mudança. Os bancos, por exemplo, ainda não possuem dados em tempo real no formato adequado para aproveitar ao máximo a IA, afirma Stuart Cheetham, diretor executivo da fintech de IA MPowered Mortgages e ex-diretor do Lloyds em Hong Kong e no Japão.

Ele acrescenta: "Para um banco mudar sua infraestrutura tecnológica, pense em cinco ou seis anos. Não será amanhã."

Mas quando isso acontecer, a mudança poderá ser generalizada. "Vejo muito poucos trabalhos no setor de serviços financeiros que a IA não será capaz de desempenhar no estado atual em que se encontram", afirma Cheetham.


A inteligência artificial não é a primeira revolução tecnológica a atingir o mundo. Da máquina de fiar à internet, o mundo tem experimentado onda após onda de disrupção.

Os avanços tecnológicos do passado destruíram empregos que se tornaram obsoletos, mas, em última análise, criaram novos – evitando a formação de uma subclasse permanente.

Mas os especialistas questionam se o mesmo se confirmará desta vez.

“Desta vez é diferente das ondas tecnológicas anteriores que vivenciamos nos últimos séculos”, diz Korinek. “A inteligência é o que tornou os humanos a espécie mais poderosa do planeta, e agora estamos criando máquinas que podem acabar sendo mais inteligentes do que nós.”

“Portanto, pode-se dizer que o episódio histórico anterior mais relevante é o surgimento do Homo sapiens.”

Acemoglu acrescenta: “A Revolução Industrial tem lições a ensinar porque contraria a narrativa comum de que, de alguma forma, as novas tecnologias beneficiam a todos automaticamente. Os trabalhadores não se beneficiaram durante cerca de 80 a 90 anos da Revolução Industrial.

“Alguns grupos de trabalhadores, como os tecelões, perderam dois terços de seus rendimentos reais com a mecanização da tecelagem. Mas a Revolução Industrial estava concentrada em poucos setores e agia lentamente. Agora, a IA está impactando todos os setores e agindo rapidamente.”

Crise política
Essas rupturas deixam os líderes políticos de todo o mundo debatendo-se sobre como lidar com aquela que pode ser a maior perturbação no mercado de trabalho da história moderna.

Especialistas sugeriram desde um "capital básico universal" – que consistia em dar a cada recém-nascido uma carteira de ações de empresas de inteligência artificial – até um seguro salarial.

Já existem conversas dentro do governo trabalhista sobre a introdução de uma renda básica universal (RBU) para trabalhadores em setores que estão prestes a ser dizimados pela inteligência artificial.

Lord Jason Stockwood, ministro do Investimento, afirmou em uma entrevista recente que o governo "sem dúvida" teria que considerar a Renda Básica Universal (RBU) para os trabalhadores afetados e garantir que eles tenham opções de requalificação profissional.

No entanto, as sondagens sugerem que Nigel Farage e Richard Tice poderão ser os responsáveis ​​pelo que acontecerá a seguir.

Tice, vice-líder do Reform UK, disse ao Telegraph que uma "imigração líquida negativa" pode ser necessária para garantir que haja empregos suficientes para os britânicos.

“A inteligência artificial vai impactar significativamente o mercado de trabalho. Com reduções consideráveis ​​de empregos prováveis ​​em certas profissões, o desafio será manter os empregos daqueles que já estão aqui, então a última coisa que precisamos é de mais imigração.”

“O máximo deveria ser imigração líquida zero , mas talvez precisemos de imigração líquida negativa para responder à IA”, diz Tice.


Richard Tice acredita que a Grã-Bretanha pode precisar de imigração líquida negativa para proteger empregos. Crédito : Ioannis Alexopoulos/Anadolu
Segundo projeções da Oxford Economics, a migração líquida já deverá cair para o nível mais baixo em quase três décadas este ano, ficando abaixo de 100.000 pessoas.

Reduzir esse número para valores abaixo de zero sugere regras ainda mais rígidas – possivelmente até mesmo forçando a saída de pessoas que vivem legalmente no Reino Unido.

Andrew Griffith, secretário de negócios do governo sombra, afirma que o governo precisa facilitar ao máximo o processo de contratação.

Griffith afirma: “Não sabemos ao certo como a IA impactará os empregos, mas duas coisas que ajudarão são uma economia em crescimento e um mercado de trabalho ágil. Infelizmente, este governo não está proporcionando nenhuma das duas.”

“Com a mudança nas carreiras, prender os empregadores de pessoas com burocracia cara é uma maneira infalível de acelerar a ascensão das máquinas.”

Acemoglu espera que os políticos se mantenham afastados da Renda Básica Universal (RBU). Ele acredita que, em vez disso, eles deveriam usar os mecanismos que possuem para garantir que as empresas desenvolvam IA de uma forma que complemente os empregos, em vez de destruí-los.

Ele afirma: “Se 60% da população viver apenas da Renda Básica Universal (RBU) sem emprego, eles se tornarão uma subclasse, não importa o quão generosa seja essa RBU.

“O fato de você pertencer à classe baixa ou não não tem a ver com a quantidade de dinheiro que você tem para comprar videogames ou os tênis mais recentes. Tem a ver com o status social que você possui na sociedade.”


De volta a Londres, Lucy ainda lamenta a perda do emprego de redatora publicitária que em breve deixará.

“É simplesmente frustrante. No contexto geral, um trabalho como o meu não é extremamente importante ou relevante, mas me ajuda a viver confortavelmente”, diz ela.

Enquanto isso, Joanna está planejando uma saída do design gráfico, sentindo-se derrotada pela pressão insustentável que a IA exerce sobre seu trabalho.

“Como millennial, você foi criada acreditando que, se trabalhasse duro, tudo daria certo. Você teria uma casa própria e uma vida boa. Isso simplesmente não parece mais possível”, diz ela.

Ela está pensando em se requalificar em "algo relacionado à sociologia, à vida selvagem ou algo que ajude outras pessoas. É uma rejeição total a tudo", diz ela.

Tucker, também designer gráfica, está tentando reinventar sua carreira. Ela está usando suas habilidades de design para criar um negócio de comércio eletrônico. Suas economias estão esgotadas.

“Estou muito zangado, não com ninguém em particular. É incrivelmente desanimador. Não só trabalhei a vida toda para isto, como também investi muito dinheiro em equipamentos que agora estão na minha garagem.”

“Estou tentando desesperadamente vendê-lo, porque não tenho dinheiro para morar lá.”
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February 17, 4:43 PM
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The Great AI Deception Has Already Begun

The Great AI Deception Has Already Begun | Inovação Educacional | Scoop.it
AI models have already lied, sabotaged shutdowns, and tried to manipulate humans.
Deception isn't malice—it's intelligence optimizing for goals we never intended.
Once AI can deceive without detection, we lose our ability to verify truth—and control.
If AI wanted to trick us, how would we know? They could already be hiding the answer from us.
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February 17, 4:40 PM
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Cognitive Grit in the Age of AI's Easy Answers

Cognitive Grit in the Age of AI's Easy Answers | Inovação Educacional | Scoop.it
Cognition doesn’t necessarily fade with age; it can deepen when exercised.
That endurance formed in a world where thinking was slow and resisted easy answers.
As AI removes friction, cognitive grit may need to be practiced, not assumed.
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February 17, 4:39 PM
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How to Find Your Purpose

How to Find Your Purpose | Inovação Educacional | Scoop.it
The Paradox of Purpose
The idea that purpose must be grand leads to stress and feelings of inadequacy. The key is to focus on “little” purpose: those tiny moments in which you are most alive.

By Jordan Grumet, M.D.

Hospice patients can teach us a lot about profound wisdom and purpose. The actively dying have taught me some of the most valuable lessons about life. One takeaway: We should put purpose first and build from there.

Putting purpose at the center of our lives is not easy. People say, “I’ve been searching for my purpose forever, and I don’t know what it is. I don’t think I even have one.”

This leaves me scratching my head. Why would something so universally celebrated—the idea of having purpose—cause such frustration? Isn’t purpose supposed to be a good thing?

A 2019 study published in the Journal of the American Medical Association showed that having a stronger sense of purpose is associated with decreased overall mortality and a lower risk of dying from heart, circulatory, and blood disorders.

Similarly, a 2021 study using data from the U.S. Health and Retirement Study found that people with a strong sense of purpose had a 24 percent lower likelihood of becoming physically inactive and cut their likelihood of sleep difficulty by a full one-third, relative to people who did not articulate a sense of purpose.

And a study involving college students found a strong positive relationship between purpose in life and happiness. Students with a greater sense of purpose reported higher levels of happiness and lower levels of depression.

The message is clear: Having a sense of purpose contributes to health, happiness, and longevity.

Alongside these studies, I came across other research, like one that found up to 91 percent of people experience what’s called “purpose anxiety” at some point in their lives. This term describes the anxiety, frustration, and even depression that people feel when they can’t figure out what their purpose is.

Having purpose is linked to a longer, healthier, and happier life. However, the search for purpose can lead to stress, sadness, and a sense of inadequacy. How can purpose be both a solution and a problem?

I think the reason is, in part, that as a society we often get purpose wrong. We tend to think of it as one monolithic concept, but in reality, it’s not. Purpose can be broken down, and this distinction explains why some people feel anxious about purpose:

One kind of purpose is the kind we are taught to pursue. It’s big, audacious, and goal-oriented. It’s about achieving monumental things: starting a billion-dollar company, becoming a world leader, or changing the course of history. While these goals are inspiring, they’re also difficult to achieve. They often depend on factors outside of our control, like timing, resources, and sheer luck. Focusing solely on big and audacious purpose can lead to burnout, anxiety, and a sense of failure when the goal proves elusive.

Another kind of purpose is process-oriented: We don’t need to go big—we can go little. Finding joy and meaning in the day-to-day activities that light us up is what matters. Purpose need not be tied to grand outcomes or external validation. Instead, it’s about doing work or engaging in activities that resonate with us personally—things that make us feel alive in the moment. This kind of purpose is abundant, accessible, and difficult to fail at.

Most of us focus exclusively on the big and audacious and completely overlook the abundant, accessible purpose.

Fixating on big purpose sets us up for frustration. Lofty goals can feel unattainable, and the pressure to achieve them can rob us of the joy in the journey. Little purpose allows us to find meaning in the process. It’s about showing up every day and doing things that excite us, whether or not they lead to a major accomplishment. This type of purpose is sustainable, fulfilling, and less likely to cause anxiety.

The paradox of purpose is that it can be both a source of immense joy and a cause of deep frustration. The key to resolving this inconsistency lies in understanding the difference between big and little purpose—and learning to prioritize the latter. Purpose isn’t just about achieving something monumental; it’s about finding meaning in the small, everyday moments that light you up.
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February 17, 4:34 PM
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Evaluación de aprendizajes en tiempos de IA generativa

De la evaluación tradicional a la evaluación auténtica en tiempos de IA

La inteligencia artificial ya no es un escenario futuro: está aquí y es capaz de resolver pruebas de selección múltiple, redactar informes completos y realizar búsquedas en profundidad con gran precisión. Esto plantea un desafío urgente en el ámbito escolar y universitario: ¿cómo transformar nuestras evaluaciones para que realmente fomenten el aprendizaje?

En este video exploramos el tránsito desde la evaluación tradicional, centrada en exámenes memorísticos y controles episódicos, hacia la evaluación auténtica, un modelo que exige procesos, evidencias y reflexión crítica. Verás cómo la IA puede convertirse en aliada del aprendizaje si la utilizamos de manera estratégica: como asistente, tutor o personaje en simulaciones académicas.

También revisamos las claves que deben asumir docentes, comités curriculares y autoridades educativas: diagnóstico del sistema evaluativo, rediseño de instrumentos, actualización de protocolos y formación docente. La evaluación auténtica no busca pillar, sino acompañar. Y en tiempos de IA, se transforma en la llave de la coherencia curricular y el aprendizaje profundo.

Este video es una invitación a repensar el rol del docente, el protagonismo del estudiante y el lugar de la tecnología en la enseñanza.

🔑 Palabras clave

evaluación auténtica, evaluación tradicional, inteligencia artificial en educación, IA en el aula, ChatGPT educación, IA generativa, innovación educativa, enseñanza universitaria, aprendizaje profundo, evaluación con IA, evaluación en Chile, educación superior, rediseño curricular, formación docente, comités curriculares

❓ Preguntas que este video responde

¿Qué es la evaluación auténtica y en qué se diferencia de la tradicional?

¿Cómo impacta la inteligencia artificial en los sistemas de evaluación escolar y universitaria?

¿Por qué las pruebas memorísticas y punitivas ya no son suficientes en tiempos de IA?

¿Qué riesgos existen si los estudiantes descansan todas sus tareas en la IA?

¿Cómo puede la IA convertirse en tutor, asistente o personaje en contextos educativos?

¿Qué pasos deben seguir los comités curriculares para actualizar sus evaluaciones?

¿Qué rol deben asumir los docentes frente a la IA en el aula?

¿Cómo diseñar instrumentos que fortalezcan, y no debiliten, el aprendizaje?
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February 17, 4:28 PM
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Brasil avança na escolarização, mas não melhora no aprendizado

Em vídeo, Laura Mattos, repórter especial da Folha, fala sobre a evolução da educação no Brasil nas últimas décadas, mostrando que o país avançou no acesso da população às escolas, mas não na qualidade de ensino. Além disso, aponta que o aumento da escolarização no Brasil não reduziu as desigualdades.
A história e os dados da educação brasileira são comparados aos de outros países, ressaltando que ocupamos as piores posições em rankings internacionais.

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February 17, 4:25 PM
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US Department of Labor releases AI literacy framework providing foundational content areas, delivery principles to guide nationwide efforts | U.S. Department of Labor

US Department of Labor releases AI literacy framework providing foundational content areas, delivery principles to guide nationwide efforts | U.S. Department of Labor | Inovação Educacional | Scoop.it
The U.S. Department of Labor’s Employment and Training Administration today published a framework for Artificial Intelligence literacy, providing a foundation to guide nationwide AI literacy efforts across workforce and education systems. 

The framework, which outlines five foundational content areas and seven delivery principles for AI literacy, is intended to be a resource to guide program design and deployment of AI literacy efforts, while allowing for flexibility and adaptation across industries, roles, educational sectors, and other workforce-related contexts.

“The Department of Labor is committed to making sure all American workers are able to share in the prosperity that AI will create for our economy,” said Secretary of Labor Lori Chavez-DeRemer. “Our new AI Literacy Framework provides guidance that will help accelerate effective AI skill development across the country.”

“To build the next great American talent pipeline, we must equip all students with the skills necessary to address tomorrow’s challenges,” said Secretary of Education Linda McMahon. “We are proud to work with our agency partners on this historic guidance that will not only advance artificial intelligence in education but also help build the workforce for the golden age.”

The release of the framework follows the department’s recent guidance promoting the use of Workforce Innovation and Opportunity Act funding and governor’s reserve monies to help participants develop AI skills. The framework reflects input from employers, training providers, state and local agencies, and other workforce and education stakeholders, and will continue to evolve based on stakeholder input, advances in AI capabilities, and labor market changes. 
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February 17, 4:21 PM
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A Morte da Leitura Profunda

A Morte da Leitura Profunda | Inovação Educacional | Scoop.it

Um novo estilo de escrita reflete a suposição de que as pessoas absorvem informações em pequenos fragmentos e não têm realmente a capacidade de se imergir no texto e prestar atenção.  
NICHOLAS CARR, 16 de abril de 2013
VAMOS VER O que quase sempre vemos com os novos gadgets é que os fabricantes competem para ver quem consegue incluir mais recursos no dispositivo. Então, veremos leitores digitais multifuncionais, leitores digitais que permitem o uso de redes sociais enquanto se lê, que possibilitam muito mais tipos de hiperlinks, a incorporação de vídeos e áudios em livros e assim por diante.  
Individualmente, cada uma dessas características pode ser atraente, mas o que todas elas tendem a fazer é nos distrair e prejudicar nossa capacidade de realmente mergulhar em um livro, em uma história, em um argumento. Esse é o tipo de habilidade de leitura profunda que aprendemos com o advento do livro impresso.
Após a introdução da imprensa, vimos uma explosão nas formas de escrita, na experimentação, em argumentos complexos e em histórias e romances registrados em formato impresso. E tudo isso aconteceu porque os escritores tinham a confiança de que estavam escrevendo para pessoas que podiam prestar atenção, que podiam acompanhar uma história ou um argumento por um longo período de tempo, na forma de um livro. 
À medida que começamos a romper com essa premissa, os escritores precisam começar a escrever para um leitor que sabem estar distraído e que não será capaz de se concentrar totalmente no texto. O que provavelmente veremos é um recuo dessa expressividade e dessa experimentação em direção a formas de escrita mais simples, formas de escrita mais fragmentadas.
E isso é visível em muitos livros de não ficção atualmente, que apresentam três subtítulos por página, aproximadamente. Tudo isso reflete a suposição de que as pessoas absorvem informações em pequenos fragmentos e não têm, ou estão perdendo a capacidade, de se imergir no texto e prestar atenção.  

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February 17, 4:10 PM
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The great computer science exodus (and where students are going instead)

The great computer science exodus (and where students are going instead) | Inovação Educacional | Scoop.it
U.S. universities are scrambling to catch up. Over the last two years, dozens have launched AI-specific programs. MIT’s “AI and decision-making” major is now the second-largest major on campus, says the school. As reported by the New York Times in December, the University of South Florida enrolled more than 3,000 students in a new AI and cybersecurity college during its fall semester. The University at Buffalo last summer launched a new “AI and Society” department that offers seven new, specialized undergraduate degree programs, and it received more than 200 applicants before it swung open its doors.
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February 17, 4:01 PM
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A importância de uma escola comunitária —

A criação da escola, portanto, constituiu-se também como um ato político e pedagógico de afirmação da existência do povo Tapuia como sujeito coletivo, com língua, cultura e território próprios.
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February 17, 3:58 PM
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Criada por brasileiros, 'IA desplugada' na educação adapta ferramenta a salas de aula sem internet

Criada por brasileiros, 'IA desplugada' na educação adapta ferramenta a salas de aula sem internet | Inovação Educacional | Scoop.it
Um grupo de pesquisadores brasileiros da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e de Harvard desenvolveu um conceito de Inteligência Artificial Desplugada na Educação (IAED-U) para levar tecnologias educacionais — já amplamente disponíveis em escolas de ponta — a colégios com conexão de baixa qualidade ou instável. A partir de um artigo deles, publicado em 2023, cientistas de diversas partes do mundo que vivem contextos de infraestrutura semelhantes ao brasileiro têm construído aplicações para seus alunos. Há exemplos em países da América Latina, da África e da Ásia.

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— A IA desplugada na educação considera os desafios educacionais de um lugar para entender como aquela região pode se beneficiar da tecnologia. Para isso, leva em consideração fatores como a infraestrutura do local, os dispositivos disponíveis e as possibilidades dos professores — explica Ig Ibert Bittencourt, professor da Ufal que pesquisa o tema em Harvard e assina o artigo de 2023 junto de Seiji Isotani, um dos maiores nomes sobre o tema no mundo, Geiser Challco, Diego Dermeval e Rafael Mello.

Projeto-piloto
No Brasil, os próprios pesquisadores da Ufal — que fazem parte do Instituto de Inteligência Artificial na Educação (IA.Edu), vinculado ao Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais — têm aplicado o conceito em projetos-piloto. Até agora, participam quase 50 escolas com resultados considerados animadores pelo grupo.

Segundo Rafael Mello, diretor de tecnologia do IA.Edu, a ideia requer cinco dimensões: 1) funcionar em equipamentos simples; 2) precisar de baixo nível de conectividade; 3) demandar que um único aparelho sirva para mais de um usuário ou para a turma inteira; 4) ser simples, sem requerer conhecimento avançado de tecnologia do professor; e 5) ter sempre a mediação de um docente com os alunos.

— Do ponto de vista técnico, usamos os mesmos modelos de ponta das soluções convencionais de IA, como LLMs (large language models) e IA preditiva. O que muda é o design da solução e a forma como os resultados são apresentados — diz.

No Brasil, 86% das escolas públicas têm acesso à internet na área administrativa, mas apenas 40% possuem conexão para os estudantes, segundo dados do Censo de Educação Básica de 2024, o mais recente disponível. Por isso, dizem os pesquisadores da IA.Edu, a ideia foi desenvolver uma aplicação da Inteligência Artificial Desplugada que funcionasse com pouca internet e apenas no final do processo, quando o professor pudesse ir até a sala do diretor ou ao local onde há conexão na escola.

Um dos exemplos de aplicação em projetos-piloto pela Ufal é o Tutor Desplugado, que possibilita apontar ao professor os tópicos que os alunos não aprenderam em uma determinada aula ou quais grupos de alunos tiveram dificuldades em pontos do currículo. Esse apoio ao professor na forma de diagnóstico mais personalizado por estudante ou por grupo de crianças é uma das aplicações da IA mais comuns na educação atualmente em contextos de alta capacidade tecnológica e agora está sendo possível ser expandida para aqueles sem a estrutura de ponta.

No Tutor Desplugado, por exemplo, os estudantes fazem exercícios de Matemática em seus próprios cadernos. Depois, o professor fotografa as respostas e envia as imagens para um aplicativo — a única etapa que requer conexão com a internet. A plataforma, então, corrige os deveres, dá feedback e produz relatórios com base no currículo da escola. Esse é o mesmo funcionamento do aplicativo Escreva+, também utilizado pelo grupo da Ufal. A diferença é que ele trabalha com redações, e a correção é baseada nas competências do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem).

— A maneira com que nós fizemos levou em consideração o contexto brasileiro. A nossa ideia foi mexer o menos possível na rotina das escolas. O professor só precisa fotografar as atividades que ele já aplica. E só com isso passará a se beneficiar com o que a inteligência artificial pode oferecer — diz Mello.

O grupo agora está desenvolvendo uma segunda etapa, além do diagnóstico da turma, para os professores. A evolução das plataformas se dá com planos de aulas sendo disponibilizados.

— Por exemplo, a plataforma identifica que um grupo de alunos está com problema de coesão na redação. O professor, então, recebe um plano de aula ou um material de reforço para abordar aquele ponto de maior carência da turma — conta Mello.

O Conselho Nacional de Educação (CNE) deve votar ainda este mês a primeira regulamentação para a IA na educação do país. O texto é relatado pelo conselheiro Celso Niskier. Entre as novidades, ele deve tornar obrigatório o ensino sobre essa tecnologia, abordando aspectos éticos e utilização responsável, nos cursos de Pedagogia e Licenciatura.

Exportação
Pesquisadores de outros lugares do mundo desenvolveram outras maneiras possíveis de aplicar o conceito — cada um olhando para as suas próprias condições.

Em lugares onde ainda se encontra um grande número de pessoas utilizando celulares antigos, ainda sem internet (os predecessores dos smartphones), a solução encontrada foi a utilização de mensagens de texto. Os usuários mandam SMS para uma central conectada por IA e obtêm as respostas. Essa tecnologia está sendo usada para auxiliar alunos de escolas da África do Sul, do Quênia e da Namíbia, todos no continente africano.

Outra aplicação comum do conceito de Inteligência Artificial Desplugada — encontrada em países como Filipinas, no sudeste asiático, e nos latino-americanos Peru e México — é a criação de redes locais com hardwares simples, uma espécie de intranet, que processa os dados e funciona mesmo sem estar conectado à internet.
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February 17, 3:50 PM
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Mas proibir o quê? Resposta ao manifesto pela proibição de IA no ensino superior

Mas proibir o quê? Resposta ao manifesto pela proibição de IA no ensino superior | Inovação Educacional | Scoop.it

Nos últimos meses tenho ouvido, de forma cada vez mais convicta, a frase: “Na minha cadeira a inteligência artificial é proibida.” Agora, um grupo de professores foi mais longe e publicou um Manifesto contra o uso da “inteligência” artificial generativa, defendendo a suspensão e proibição total destas ferramentas no contexto de ensino-aprendizagem. Este texto é uma resposta a esse manifesto, partindo de uma simples pergunta: mas proibir o quê?
A IA generativa não é um objeto que se deixa à porta da universidade, como um telemóvel numa caixa. Já atravessa motores de busca, corretores automáticos, plataformas de escrita, sistemas de apoio à programação. Um estudante que queira usá-la fá-lo em casa, no telemóvel, no trabalho, às três da manhã. Nenhum regulamento consegue entrar nesse espaço. Pode escrever-se a proibição, mas não se consegue garantir o cumprimento nem verificá-lo fora da sala de aula. Proibir a IA no ensino superior é um ato de fé regulatória: escreve-se numa norma aquilo que já não se controla na prática.
Dito de outra forma: a proibição que o manifesto reclama é um fantasma. Produz barulho, conforto moral e sensação de controlo. Mas não tem efeito prático nem consequência real. Os estudantes continuarão a usar IA, apenas o farão às escondidas, sem enquadramento, sem literacia e sem ética.
Importa dizer: os autores do manifesto têm razão numa parte do diagnóstico. Há ansiedade crescente entre os estudantes, sobrecarga e frustração entre os docentes, uma cultura de produtivismo e burocracia que esmaga o tempo de atenção, leitura e debate. Mas é aqui que a ingenuidade se torna mais evidente: tudo isto já existia antes da IA. O chatbot é apenas o alvo mais recente e mais vistoso para canalizar um mal-estar antigo.
Se fosse possível um estudante terminar uma licenciatura a papaguear textos que não percebe, a pergunta séria não seria 'o que é que a IA está a fazer à universidade', mas 'que universidade construímos para que isso fosse possível?'
O ponto não é moralizar estudantes, é olhar para os incentivos e para o desenho da avaliação. Se um aluno consegue fazer um trabalho inteiro copiando respostas de um modelo de linguagem, o problema não é a IA, é o desenho da avaliação. Se fosse possível um estudante terminar uma licenciatura a papaguear textos que não percebe, a pergunta séria não seria “o que é que a IA está a fazer à universidade”, mas “que universidade construímos para que isso fosse possível?”.
Proibir é o gesto mais fácil. Não por cinismo, mas por exaustão e falta de condições para redesenhar práticas. Permite declarar um território simbólico de pureza (“na minha cadeira ainda se pensa a sério”), sem tocar no que realmente custa: rever métodos de avaliação, reformular enunciados, aceitar trabalho mais processual e menos industrial. A IA, aqui, aparece como bode expiatório daquilo que não queremos, ou já não conseguimos, mudar.
O desafio não é afastar a IA, é ensinar a usá-la. Ensinar a desconfiar das respostas, a comparar com fontes, a explicitar o que foi feito pela máquina e o que foi feito pela pessoa. Usar a IA como espelho devolutivo do pensamento: pedir ao estudante que mostre o prompt, critique o output, reescreva, explique por escrito onde concorda, onde discorda e porquê. Se quisermos, a IA pode ser um laboratório de pensamento crítico. Se a proibirmos, será apenas mais uma fonte de atalho silencioso.
A universidade não existe para preservar um passado idealizado que nunca passou de mito reconfortante. Existe para formar pessoas capazes de pensar com as ferramentas do seu tempo, em vez de fingir que elas não existem.
Por isso, a questão não é se devemos proibir a IA no ensino superior. A questão, bem mais incómoda, é outra: estamos dispostos a mudar o modo como ensinamos e avaliamos, agora que a IA tornou impossível esconder o que já não funcionava?

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