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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Inovação Educacional
May 12, 1:47 PM
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Na época, Rosenberg não sabia, mas tinha transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e transtorno dismórfico corporal, ou TDC, uma condição de saúde mental que faz as pessoas passarem uma quantidade desproporcional de tempo preocupadas com a própria aparência a ponto de se isolarem dos outros e se sentirem aprisionadas no próprio corpo.
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Inovação Educacional
May 12, 8:55 AM
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O CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou, em votação inicial nesta segunda-feira (11), um parecer que estabelece diretrizes para o uso da IA (inteligência artificial) na educação básica e superior. A proposta orienta escolas e redes a adotar a tecnologia como ferramenta de apoio, sob supervisão humana, e ainda depende de novas discussões antes de eventual homologação do MEC (Ministério da Educação). O uso da IA passa a ser classificado por nível de risco. Ferramentas de apoio, como organização de materiais e acessibilidade, entram na categoria de baixo risco. Já sistemas de correção automatizada de avaliações, monitoramento biométrico e seleção de benefícios são considerados de alto risco e exigem supervisão contínua. Aplicações como vigilância emocional, pontuação social e decisões totalmente automatizadas sobre aprovação, retenção ou desligamento de alunos ficam proibidas. Nível de risco O que é Exemplos Regras e exigências Baixo risco Uso de apoio, sem impacto relevante sobre decisões acadêmicas ou direitos dos alunos Organização de materiais; acessibilidade; revisão de texto sem avaliação; planejamento de aulas Transparência básica, segurança da informação e responsabilidade da instituição Risco moderado Ferramentas com interação com alunos ou recomendações, sem decisão automática Tutores virtuais; feedback formativo; assistentes institucionais; apoio à escrita Informar uso; registrar sistemas; revisão humana obrigatória; monitoramento; restrição ao uso de dados Alto risco Sistemas que afetam diretamente a vida acadêmica ou direitos Correção automática de provas; monitoramento biométrico; perfilização de alunos; seleção e certificação Avaliação prévia de impacto; relatório de dados; supervisão contínua; auditoria; direito de contestação Risco excessivo (proibido) Aplicações incompatíveis com princípios educacionais Pontuação social; vigilância emocional; perfilização para punição; decisões automáticas sobre aprovação ou expulsão Uso vedado As diretrizes estabelecem que decisões pedagógicas devem permanecer sob responsabilidade de professores. A tecnologia pode auxiliar na personalização do ensino, no acesso a conteúdos e no acompanhamento do desempenho, mas não substitui a mediação em sala de aula. Também há regras de transparência e governança. Escolas e universidades deverão informar quando sistemas automatizados estiverem em uso, documentar decisões de adoção e garantir revisão humana de conteúdos e resultados, para evitar erros e vieses. O uso da tecnologia deverá respeitar a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), além de princípios de segurança da informação e transparência algorítmica. Outro eixo é a redução de desigualdades. A recomendação é ampliar políticas de inclusão digital e acesso equitativo, para evitar que a adoção da IA aprofunde diferenças entre redes de ensino. As diretrizes preveem ainda a inclusão progressiva de conteúdos sobre IA nos currículos. A proposta é que estudantes aprendam não apenas a usar ferramentas, mas a compreender como funcionam, seus limites e riscos, com foco no desenvolvimento do pensamento crítico. Na educação básica, a implementação deve ser gradual e considerar o desenvolvimento dos alunos, com foco em autonomia e uso equilibrado da tecnologia. No ensino superior, o foco recai sobre a preparação profissional e o uso da IA em contextos complexos, com respeito à integridade acadêmica. Como a Folha mostrou, três das principais universidades do país (USP, Unicamp e Unesp) estão criando protocolos para o uso da IA cuja principal regra é a transparência. A utilização deve ser combinada entre professores e alunos e declarada nas pesquisas e nos demais trabalhos acadêmicos. No parecer do CNE, a formação de professores aparece como condição para a implementação, com incentivo à capacitação contínua e ao desenvolvimento de competências digitais. O conselho reconhece que a adoção ocorre em um momento de desigualdades estruturais e orienta que redes de ensino adaptem a implementação às suas condições, em regime de cooperação federativa.
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Inovação Educacional
May 12, 8:44 AM
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A universidade pública brasileira chegou a uma encruzilhada. Ou reafirma com clareza os princípios que justificam seu prestígio, sua autonomia e o investimento público que recebe ou continuará perdendo legitimidade diante de uma sociedade que já começa a vê-la como uma frente da guerra cultural. A universidade existe não para disputar poder, ensinar doutrinas ou mobilizar identidades, causas e paixões, mas para submeter ideias e evidências ao teste público da razão, do método e da crítica. Defendê-la é recusar a condescendência diante de práticas que a impedem de ser, como queria Darcy Ribeiro, autônoma em todos os sentidos: livre de tutela política, imune à instrumentalização ideológica, resguardada do clientelismo e da mediocridade. Foi para defender essa missão que um grupo de professores e pesquisadores lançou recentemente o Manifesto pelo Pluralismo e pela Liberdade Acadêmica. O documento nasce de uma constatação incômoda: há hoje, nas universidades públicas, um ambiente crescente de conformidade ideológica, autocensura e intolerância ao dissenso. O paradoxo da liberdade acadêmica no Brasil está na indignação seletiva. Quando governos como o de Jair Bolsonaro tentaram interferir na universidade, desrespeitando procedimentos de nomeação de reitores, vigiando aulas, ameaçando professores ou usando o orçamento como coação, a reação foi imediata —e correta. Invocamos autonomia universitária, pluralismo, liberdade de cátedra e resistência ao autoritarismo. Mas a mesma régua desaparece quando a agressão vem de dentro do campus, em nome de causas progressistas. Nesse caso, domina a autocomplacência: a interdição do dissenso vira proteção de grupos vulneráveis; o veto a palestrantes, defesa de "espaços seguros"; a intimidação de docentes, punição moral justificada. Disso resulta uma universidade invertida: em vez de se afirmar como o espaço por excelência da liberdade de pensar, experimentar e discordar, converte-se no lugar onde as pessoas devem ser protegidas de ideias que as contrariem. Em vez de formar estudantes capazes de enfrentar argumentos difíceis com razões e evidências, passa a treinar militantes que mandam calar, denunciam, punem e expulsam, como se a universidade fosse deles, não um bem coletivo. A liberdade que deveria valer para todos torna-se condicional: absoluta quando protege quem pensa de um jeito; revogável quando ampara o outro lado. Discursos discriminatórios e assédio existem e devem ser objeto do devido processo. Mas isso é muito diferente de tratar diferenças sobre políticas públicas, economia, segurança, relações internacionais, gênero, raça, religião ou costumes como delitos morais. Trata-se de autoritarismo e de intolerância. O autoritarismo aparece sempre que um grupo considera seus valores tão superiores que se sente autorizado a punir o dissenso, interditar adversários e subordinar a liberdade a uma causa redentora. A intolerância política, por sua vez, nem sempre se apresenta como ódio explícito a um grupo; muitas vezes surge como recusa a certos atos —falar, convidar, ensinar, discordar— quando praticados por quem está fora da ortodoxia dominante. A universidade precisa encontrar saídas. Neutralidade institucional não significa indiferença moral, covardia intelectual ou abstenção pública diante de ameaças à universidade ou à democracia. Significa que a instituição deve garantir que todos os lados legítimos numa democracia —progressistas, conservadores, liberais ou outros— tenham o mesmo direito de existir e debater no espaço público acadêmico. Pluralismo não significa que todas as ideias valem o mesmo, mas que ideias devem ser testadas por argumentos, dados e crítica qualificada, não por gritos, vetos, intimidação ou superioridade moral autoproclamada. A universidade existe não para poupar adultos do atrito intelectual nem para fazer curadoria ideológica, mas para ensinar que conviver com a discordância é parte da vida democrática e da honestidade científica. É do próprio Darcy, de cujas credenciais progressistas ninguém há de duvidar, a frase que sintetiza o espírito que deveria reger a vida acadêmica nacional: "Nesta universidade ninguém, professor ou aluno, será punido ou premiado, jamais, por sua ideologia". A universidade precisa, então, escolher entre ser capturada pela lógica das trincheiras ideológicas, como mais um território da guerra cultural, ou recuperar sua vocação mais nobre como instituição aberta, onde a luz da razão tem alguma chance contra as paixões sectárias do tempo.
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Inovação Educacional
May 12, 8:33 AM
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A universidade pública brasileira chegou a uma encruzilhada. Ou reafirma com clareza os princípios que justificam seu prestígio, sua autonomia e o investimento público que recebe ou continuará perdendo legitimidade diante de uma sociedade que já começa a vê-la como uma frente da guerra cultural. A universidade existe não para disputar poder, ensinar doutrinas ou mobilizar identidades, causas e paixões, mas para submeter ideias e evidências ao teste público da razão, do método e da crítica. Defendê-la é recusar a condescendência diante de práticas que a impedem de ser, como queria Darcy Ribeiro, autônoma em todos os sentidos: livre de tutela política, imune à instrumentalização ideológica, resguardada do clientelismo e da mediocridade. Foi para defender essa missão que um grupo de professores e pesquisadores lançou recentemente o Manifesto pelo Pluralismo e pela Liberdade Acadêmica. O documento nasce de uma constatação incômoda: há hoje, nas universidades públicas, um ambiente crescente de conformidade ideológica, autocensura e intolerância ao dissenso. O paradoxo da liberdade acadêmica no Brasil está na indignação seletiva. Quando governos como o de Bolsonaro tentaram interferir na universidade, desrespeitando procedimentos de nomeação de reitores, vigiando aulas, ameaçando professores ou usando o orçamento como coação, a reação foi imediata —e correta. Invocamos autonomia universitária, pluralismo, liberdade de cátedra e resistência ao autoritarismo. Mas a mesma régua desaparece quando a agressão vem de dentro do campus, em nome de causas progressistas. Nesse caso, domina a autocomplacência: a interdição do dissenso vira proteção de grupos vulneráveis; o veto a palestrantes, defesa de "espaços seguros"; a intimidação de docentes, punição moral justificada. Disso resulta uma universidade invertida: em vez de se afirmar como o espaço por excelência da liberdade de pensar, experimentar e discordar, converte-se no lugar onde as pessoas devem ser protegidas de ideias que as contrariem. Em vez de formar estudantes capazes de enfrentar argumentos difíceis com razões e evidências, passa a treinar militantes que mandam calar, denunciam, punem e expulsam, como se a universidade fosse deles, não um bem coletivo. A liberdade que deveria valer para todos torna-se condicional: absoluta quando protege quem pensa de um jeito; revogável quando ampara o outro lado. Discursos discriminatórios e assédio existem e devem ser objeto do devido processo. Mas isso é muito diferente de tratar diferenças sobre políticas públicas, economia, segurança, relações internacionais, gênero, raça, religião ou costumes como delitos morais. Trata-se de autoritarismo e de intolerância. O autoritarismo aparece sempre que um grupo considera seus valores tão superiores que se sente autorizado a punir o dissenso, interditar adversários e subordinar a liberdade a uma causa redentora. A intolerância política, por sua vez, nem sempre se apresenta como ódio explícito a um grupo; muitas vezes surge como recusa a certos atos —falar, convidar, ensinar, discordar— quando praticados por quem está fora da ortodoxia dominante. A universidade precisa encontrar saídas. Neutralidade institucional não significa indiferença moral, covardia intelectual ou abstenção pública diante de ameaças à universidade ou à democracia. Significa que a instituição deve garantir que todos os lados legítimos numa democracia —progressistas, conservadores, liberais ou outros— tenham o mesmo direito de existir e debater no espaço público acadêmico. Pluralismo não significa que todas as ideias valem o mesmo, mas que ideias devem ser testadas por argumentos, dados e crítica qualificada, não por gritos, vetos, intimidação ou superioridade moral autoproclamada. A universidade existe não para poupar adultos do atrito intelectual nem para fazer curadoria ideológica, mas para ensinar que conviver com a discordância é parte da vida democrática e da honestidade científica. É do próprio Darcy, de cujas credenciais progressistas ninguém há de duvidar, a frase que sintetiza o espírito que deveria reger a vida acadêmica nacional: "Nesta universidade ninguém, professor ou aluno, será punido ou premiado, jamais, por sua ideologia". A universidade precisa, então, escolher entre ser capturada pela lógica das trincheiras ideológicas, como mais um território da guerra cultural, ou recuperar sua vocação mais nobre como instituição aberta, onde a luz da razão tem alguma chance contra as paixões sectárias do tempo.
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Inovação Educacional
May 11, 11:31 AM
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A falta de preparo para a função desejada é o principal comportamento que tem levado candidatos a perder oportunidades de emprego (23,4%), mesmo quando reúnem qualificação técnica compatível com a vaga. É o que mostra levantamento da Robert Half, obtido com exclusividade pelo Valor, com base em entrevistas com 402 recrutadores. Entre os fatores que mais contribuem para a eliminação de candidatos nos processos seletivos estão falhas de comunicação (17,9%), dificuldade para resolver problemas apresentados (14,6%), incapacidade de apresentar exemplos concretos de realizações profissionais (12,4%), pouco interesse demonstrado pela empresa (10,7%), expectativas salariais desalinhadas (10,7%), postura considerada pouco profissional (5,2%) e baixa proatividade em dinâmicas de seleção (3%). Ao serem questionados sobre a frequência com que candidatos chegam às entrevistas preparados para discutir a vaga, a maioria dos recrutadores (63,68%) afirma que isso acontece apenas às vezes. Outros 28,36% dizem que isso ocorre raramente, enquanto 7,71% relatam que os profissionais chegam preparados com frequência. Apenas 0,25% afirmam que isso nunca acontece. Ainda segundo o levantamento, a inteligência emocional aparece como a habilidade comportamental mais difícil de encontrar entre candidatos nos processos, citada por 22,9% dos recrutadores. Na sequência, aparecem resolução de problemas (19,65%), pensamento crítico (16,9%), comunicação clara (9,2%), adaptabilidade (8,2%), gestão do tempo (8%), autonomia (7,7%), capacidade de aprendizado (3,2%) e colaboração em equipe (2%). Para Leonardo Berto, gerente da Robert Half, o principal insight é que o preparo para a entrevista ainda aparece como um diferencial competitivo básico. “Mesmo entre profissionais tecnicamente qualificados, muitos ainda chegam ao processo seletivo sem entendimento aprofundado da vaga”, afirma. O especialista reforça que em operações muito específicas, conhecer o segmento é decisivo para ter um bom desempenho nas seletivas. Por outro lado, ele adverte que muitas empresas iniciam processos seletivos sem clareza sobre o que buscam. “Para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”, diz Berto, relembrando uma passagem do autor Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas. O recrutador comenta ainda que o trabalho precisa ser uma via de mão dupla. “O candidato também deve assumir uma postura ativa e fazer perguntas. A entrevista não é apenas a empresa avaliando o profissional, é também o momento do profissional entender se aquela oportunidade faz sentido para sua carreira”, detalha. De acordo com Berto, o processo seletivo está cada vez mais complexo para recrutadores e consultorias, especialmente pelo uso de IA generativa nos currículos, que aparecem com informações falsas ou exageradas. Ele também destaca que a eliminação ocorre pela dificuldade do candidato em apresentar clareza sobre a própria trajetória. “Isso é tão importante quanto a experiência em si”, diz. O especialista defende que um portfólio feito por inteligência artificial pode ser reconhecido porque segue padrões. Além disso, ele explica que na hora de aprofundar-se no relato da experiência, o candidato que exagerou na ferramenta costuma ser genérico, mostrando-se incapaz de aprofundar a conversa sobre suas próprias entregas. Para aqueles que têm dificuldade em exaltar conquistas profissionais reais, Berto indica uma revisão da própria trajetória e defende a importância de registrar e valorizar cada uma das realizações. Sobre a dificuldade de encontrar profissionais com capacidade de resolução de problemas, o gerente aponta outras conclusões extraídas de estudos da Robert Half. “Este bloqueio está relacionado à maturidade emocional, segurança psicológica e clareza de papéis, elementos ainda frágeis no cotidiano das empresas”, observa. Para ele, trabalhadores sem essa soft skill tendem a atuar de forma defensiva, evitando decisões, assumindo menos responsabilidade ou executando tarefas sem questionar as causas dos problemas.
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May 11, 9:32 AM
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Departamento de Comércio americano firmou acordos com grandes empresas de inteligência artificial para avaliar riscos de segurança nacional, cibersegurança e armas antes que os modelos cheguem ao público.
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May 11, 7:59 AM
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Enquanto o Brasil continua a se desindustrializar, o Paraguai vai pavimentando o caminho para se tornar o tigre da América do Sul. Especialmente em tecnologia.
O país tem dado um show nessa área. Seu maior ativo é a energia abundante, 100% limpa e barata gerada por Itaipu. Nos últimos anos, o Brasil comprava o excedente não consumido pelo Paraguai a preços módicos. Agora não mais. A partir de 2027 o Paraguai poderá vender a energia de Itaipu para quem quiser e no preço que quiser. E o comprador já apareceu: os Estados Unidos.
Vista das comportas da hidrelétrica de Itaipu Binacional, regida em igualdade entre Brasil e Paraguai. - Joédson Alves - 7.jan.25 /Agência Brasil O secretário de Estado Marco Rubio confirmou o interesse na energia paraguaia para alimentar data centers de inteligência artificial. A instalação desses data centers no país não vem de hoje. O Paraguai seguiu a mesma estratégia da Islândia: atrair primeiro mineradores de criptomoeda e depois data centers.
Deu certo. Está agora atraindo projetos enormes. O anúncio mais recente foi da empresa norte-americana X8 Cloud de que irá construir um data center de US$ 50 bilhões (R$ 260 bilhões) no Paraguai. É mais do que o celebrado data center do TikTok no Ceará, cujo investimento estimado é de US$ 38 bilhões.
Em indústria o país também avança. Nesse quesito, adotou o modelo mexicano de industrialização, das chamadas "maquiladoras". Tornou-se um hub industrial com uma política fiscal agressiva de cobrar 1% sobre o valor agregado localmente. O resultado é visível. Enquanto a indústria de transformação no Brasil representa hoje 11% do PIB brasileiro (era 17% em 1994), no Paraguai são 19%.
Outra comparação curiosa é a classificação de risco. O Paraguai tem grau de investimento por duas das três principais agências (Moody's e S&P), enquanto o Brasil não tem por nenhuma. O país adotou um regime tributário simples e ousado chamado de "Triplo 10", que limita as alíquotas de imposto em 10% para pessoas, empresas e valor agregado.
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Carregando... Para nós, brasileiros, é doloroso saber que a taxa de juros no Paraguai é de 5,5%, contrastando com os 14,5% no Brasil. Em termos de juros reais (descontada a meta de inflação) a discrepância é mais violenta: 11,5% no Brasil e 2% no Paraguai, sendo que a inflação lá é de 1,9%, e aqui é de 4,3% nos últimos 12 meses.
E por fim, o crescimento. O Paraguai cresceu 6,6% em 2025, em face dos 2,3% do Brasil. Nos últimos dez anos a média de crescimento tem sido 3%, com projeção de crescer 4,5% neste ano. Enquanto isso, nossa média decenal foi de 1,4% e a perspectiva é crescer 1,6% neste ano.
Já no índice que mede complexidade econômica (ECI), o Brasil tem caído continuamente desde 2000. O paraguaio está em ascensão e irá ultrapassar o Brasil nos próximos anos.
Por fim, o Brasil reduziu a pobreza em 27 pontos percentuais nos últimos 25 anos, o que é essencial. Já o Paraguai reduziu em 45 pontos percentuais no mesmo período.
É fato que o Paraguai tem 7 milhões de habitantes e o Brasil 215 milhões. Só que a questão não é escala, mas direção. Nós temos os mesmos ativos que o Paraguai em dimensões muito maiores, como energia renovável abundante. Só não temos rumo, planejamento de onde queremos chegar, e estabilidade econômica para fazer isso. O resultado é: quando se fala em tecnologia na América do Sul, é o Paraguai que aparece cada vez mais.
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May 11, 7:49 AM
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There has been quite a bit of research that shows relying on artificial intelligence tools encourages people to stop thinking critically and start deferring to the machine. But you’d be shocked at just how quickly your brain can shut off if you let it. According to a new study by researchers at Carnegie Mellon, MIT, Oxford, and UCLA, just a 10-minute session with an AI assistant can lead to users significantly abandoning their own capacity for reasoning.
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May 11, 7:44 AM
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O problema não era apenas a prosa perfeitamente polida, porém medíocre. É o que se perde quando desistimos da luta para traduzir o pensamento em palavras. Leciono escrita criativa no MIT desde 2017. Muitos dos meus alunos escreveram ficção pela última vez no ensino fundamental, e poucos participaram de uma oficina adequada. Por isso, no início de cada semestre, ofereço estas orientações tanto para escritores quanto para leitores: Leia a história pelo menos duas vezes. Marque o que funciona e o que não funciona – sublinhe frases excelentes, sinalize sintaxes confusas, falhas de lógica e diálogos irreais. Pergunte-se: a história funciona? Por que sim ou por que não? O que poderia melhorá-la? Responda em uma carta assinada ao autor, anexada à história. Apresente suas opiniões sinceras. Lembre-se de que uma revisão por pares eficaz exige uma leitura atenta do texto, acompanhada de ousadia. Como as instruções indicam, na maior parte do tempo discutimos por que não gostamos da história que estava sendo desenvolvida, porque escrever uma boa história é imensamente difícil mesmo nas melhores condições, especialmente para alunos de graduação com foco em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) que se destacam em uma estrutura de problemas e soluções quantitativas – sistemas onde existe uma resposta certa e um método claro para chegar a ela. Escrever ficção não é uma questão quantitativa. Uma boa escrita é agradável de ler; uma escrita ruim é desagradável. Uma oficina eficaz é um paradoxo: os alunos precisam fornecer evidências textuais para sustentar o qualitativo como se fosse o quantitativo. Essa é uma perspectiva aterradora para o aluno habitualmente brilhante, sentar-se em silêncio sepulcral enquanto seus colegas e professor criticam seu trabalho impiedosamente. O ato de confrontar esse terror é, em si, uma educação para o escritor, porque a escrita é tanto veículo quanto recipiente para o pensamento – o abstrato tornado concreto, os sentimentos traduzidos em palavras. É disso que muitos escritores falam quando se referem à boa prosa não apenas como expressão poética, mas como comunicação. Assim, quando criticamos o trabalho de um escritor, não estamos apenas criticando suas escolhas estéticas, mas também – e aqui é onde a coisa pode ficar pessoal – os sentimentos do escritor e sua capacidade de comunicá-los. É muita coisa para o ego absorver. Até alguns anos atrás, a única maneira de um escritor de ficção proteger seu ego era pagar alguém para escrever por ele ou recorrer ao plágio. A IA mudou tudo isso. 'Perfeição absoluta' A prosa da IA é perfeitamente medíocre, produzindo um tipo de verniz inerte que se lê como uma amálgama frankensteiniana de textos escritos em oficinas de escrita criativa, uma paródia involuntária do estilo que imita. As histórias e ensaios resultantes são simulacros de pensamento, gerados por meio de reconhecimento de padrões aprendido com milhões de palavras escritas por humanos, sem raízes em nenhuma experiência específica de nenhuma pessoa específica. A escrita da IA me lembra a descrição que Tennyson faz da bela Maud no poema que dá título ao livro : Imperfeitamente impecável, gélidamente regular, esplendidamente nulo. Perfeição morta; nada mais. Leitores perspicazes sentem esse vazio, mesmo que não consigam articulá-lo. Eles percebem que o corpo se move sem cérebro. Em contraste, a ficção escrita por estudantes é gloriosamente imperfeita, uma luta na página entre o que o autor tenta dizer e o que de fato é dito. A prosa tropeça de uma forma que lembra um potro aprendendo a andar: mesmo em suas pernas trêmulas, vejo indícios de uma futura graça. Tal desajeitamento é necessário; sua ausência seria a prova de que o potro nunca aprendeu a andar. Morte e impostos; a tecnofobia é a terceira certeza. Em 1565, quase um século depois de Gutenberg ter inventado a imprensa, o cientista suíço Conrad Gessner já se preocupava com a “abundância confusa e prejudicial de livros”. Um artigo de 1889 na revista Nature afirmava que o telefone era a mais perigosa de todas as invenções “porque entra em todas as casas. Sua interminável rede de fios é uma ameaça perpétua à vida e à propriedade”. Agora, adicionamos a IA à lista de preocupações: um estudo preliminar do MIT Media Lab de 2025 descobriu que os participantes que usaram o ChatGPT para escrever redações apresentaram menor conectividade neural do que aqueles que escreveram sem auxílio. Outros estudos alertam para perigos semelhantes, a partir de relatórios ainda não revisados por pares com títulos autoexplicativos como “ Assistência por IA Reduz a Persistência e Prejudica o Desempenho Independente ” e “ Dependência de Inteligência Artificial Generativa e Atenuação da Função Executiva: Evidências Comportamentais de Descarregamento Cognitivo em Adultos que a Utilizam Intensamente ”. São alertas alarmantes, caso se confirmem. Mas, independentemente das conclusões revisadas por pares, o alerta central é difícil de ignorar e não requer um estudo para validação: ao permitir que os alunos usem IA de forma rotineira e irrefletida, estamos enfraquecendo suas mentes. Esse alerta moldou a forma como abordei a IA no meu programa de estudos. Especificamente, como planejei desencorajar seu uso: Jogar o jogo de detecção por IA me leva a uma mentalidade de vigilância que prejudica o ambiente da oficina. Se você usa IA, isso revela sua orientação em relação à escrita. Você quer criar arte ou apenas entregar um texto? Você quer realmente aprender a escrever ou apenas fingir que está fazendo isso? Eu tinha certeza de que minhas perguntas os envergonhariam a ponto de obedecerem, mesmo sem uma proibição explícita. Então, no início do semestre passado, quando li duas histórias dos meus alunos para a primeira oficina e percebi, já nos parágrafos iniciais, que ambas haviam sido escritas por IA, fiquei magoado. Também fiquei preocupado, porque percebi que, pela primeira vez como professor de escrita, tinha que lidar com alunos produzindo palavras sem nenhum esforço, o que não era exatamente plágio nem pagar para que alguém fizesse o trabalho, mas parecia uma espécie de artimanha ingênua; uma perversão do contrato entre escritor e leitor. Escrever não é apenas produzir frases – é treinar a resistência por meio da atenção sustentada. Naquela noite, quando a primeira oficina começou, me virei para os supostos autores e disse que sabia que IA havia escrito suas histórias. Eu não precisava de um software de detecção de IA para saber; eu simplesmente sabia . A prosa era polida demais para um jovem escritor, os arcos narrativos muito perfeitos, cada personagem pré-fabricado, cada metáfora uma colagem sem contexto. Disse à turma que a oficina não poderia prosseguir porque eu não daria feedback a um autor que não existe, mas assegurei aos aspirantes a autores que eles não estavam em apuros. As políticas do MIT em relação ao uso de IA estavam em constante mudança, e meu programa de curso oferecia uma brecha. Além disso, se a IA estivesse disponível durante minha graduação, eu teria resistido à sua ajuda? Claro que não. As fronteiras pedagógicas sempre estiveram repletas de alunos em busca de atalhos. A tecnologia muda, mas a busca permanece. Por alguns instantes, tudo ficou em silêncio, exceto pelo tique-taque dos radiadores da sala de aula. Então, uma confissão entre lágrimas: uma das supostas autoras disse que só usou IA porque tinha medo de parecer tola, de ser criticada por escrever mal. Ela disse que adorava escrever histórias e odiava ter usado IA. Mas não conseguiu se conter, relatando uma sequência semelhante à decadência de um viciado: primeiro, ela inseriu sua história na IA para uma verificação gramatical; a IA sugeriu correções de texto e ela aceitou; depois, perguntou se ela queria correções estruturais; e, por fim, ofereceu-se para reescrever o texto inteiro. O outro aspirante a escritor admitiu que nunca havia escrito um conto antes e que tinha uma ideia, mas não sabia por onde começar. Perguntei-lhe por que não me pediu ajuda. Ele deu de ombros. Uma das outras alunas levantou a mão, dizendo que não entendia por que seria ruim para a IA escrever histórias, desde que as histórias fossem baseadas em suas ideias. Mais alunos se manifestaram: um queria saber em que usar IA era diferente de usar um editor humano. Outro queria que eu respondesse por que, em uma universidade que lançou um dos primeiros programas de pesquisa em IA do mundo em 1959, estávamos sequer tendo esse debate? A IA não deveria facilitar a vida de todos? Diminuir o estresse? O objetivo da IA não é libertar os humanos do tédio das tarefas repetitivas? A conversa que se seguiu às confissões deles foi um dos momentos de ensino mais produtivos dos meus oito anos no MIT. Escrever, eu lhes disse, não deveria ser fácil, e claro que pode ser tedioso, mas isso não significa que seja mecânico. Escrever não é apenas produzir frases – é treinar a resistência por meio da atenção sustentada. É uma forma de aprender o que se pensa tentando expressá-lo. Um mestrado em Direito pode reproduzir a aparência dessa atividade, mas não pode substituí-la, porque o valor reside não apenas no objeto produzido, mas na transformação que ocorre durante sua criação. Trazendo de volta o atrito No ensaio de George Orwell de 1946, Confissões de um Crítico Literário, o autor descreve-se rodeado por livros não lidos, "inventando constantemente reações a livros sobre os quais não nutre quaisquer sentimentos espontâneos". A produção em larga escala e sob pressão de prazos, argumenta ele, não apenas deforma o ato de ler, como também deforma o próprio indivíduo. A fabricação irrefletida de respostas corrói o discernimento e leva ao colapso dos padrões de qualidade. Orwell descreve o que acontece quando a linguagem é produzida sob condições que a desconectam do pensamento: o crítico representa a forma de uma resposta sem de fato ter respondido. O que Orwell não poderia ter previsto é que essa condição acabaria sendo terceirizada para etapas anteriores do processo. Quando uma oficina literária se enche de ficção gerada por IA, cada escritor e leitor se torna o crítico que Orwell descreve. Orwell encerra seu ensaio argumentando que a crítica seria mais saudável se fosse mais lenta, mais seletiva e menos industrial. O mesmo argumento agora se aplica à escrita de ficção. A IA acelera o processo de escrita, mas não é nada seletiva e — num ciclo irônico — transforma o ato de criação no tipo de tarefa mecânica que deveria automatizar. Doravante, minha política está claramente definida: não quero que os alunos usem IA para escrever seus trabalhos. Quero as palavras deles. Quero ter acesso ao pensamento deles, à voz deles, às dificuldades que enfrentam para encontrar o que querem dizer e a melhor maneira de dizê-lo. Quero ver o que acontece quando alguém tenta se expressar através da linguagem sem um intermediário para finalizar o pensamento. Esta é uma posição pedagógica, não moral ou técnica. A oficina só funciona se houver um escritor na sala, alguém cujo pensamento seja visível na página e que possa falar diretamente sobre esse pensamento. Usar IA para escrever não só anula todo o conceito de revisão por pares — estamos aqui para aprimorar o trabalho uns dos outros, não para aprimorar a produção de IA — como também garante o enfraquecimento das habilidades necessárias para lidar com a escrita. O perigo não é que a IA substitua os escritores ou torne as oficinas obsoletas. É que os alunos estão se acostumando a contornar o atrito que antes revelava seu processo criativo. Desde aquela noite, nossas oficinas mudaram de maneiras que eu não previa. Falamos mais abertamente sobre frustração, sobre os momentos em que um rascunho resiste ao próprio autor. Continuo ensinando a técnica — forma, estrutura, revisão — mas me vejo retornando à tensão entre pensamento e linguagem, às histórias em que a abstração se recusa a tomar forma. Discutimos por que o pensamento deles importa, que a luta para traduzir pensamentos em palavras não é evidência de fracasso, mas um sinal de crescimento. Mesmo quando, e principalmente quando, as palavras falham. O que meus alunos e eu agora protegemos não é tanto uma barreira contra máquinas, mas um santuário para a autoria, um lugar onde tudo o que está na página e tudo o que ainda não está pertence a uma pessoa real. Micah Nathan é romancista, ensaísta e professor de escrita criativa (ficção e não ficção) no MIT. Seus livros incluem "Gods of Aberdeen" e "Losing Graceland". Seus contos e ensaios foram publicados em veículos como Vanity Fair, Paris Review, Little White Lies, Kinfolk e outros.
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Inovação Educacional
May 11, 7:37 AM
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Em todo o Canadá, o uso de substâncias por estudantes tem se tornado uma preocupação crescente.
Segundo a pesquisa nacional mais recente com alunos, 15% dos estudantes do 7º ao 12º ano relataram ter usado cigarro eletrônico no último mês, e 18% disseram consumir múltiplas substâncias ao mesmo tempo.
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Inovação Educacional
May 11, 7:28 AM
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General Motors collected driving data through OnStar and sold it to data brokers. GM fará acordo milionário após venda de dados de motoristas nos EUA. Montadora pagará US$ 12,75 milhões e ficará proibida por cinco anos de comercializar informações de direção coletadas pelo OnStar para empresas de análise de risco e seguradoras.
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Inovação Educacional
May 10, 8:40 AM
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Em quase todo escritório de advocacia, há uma cena que se repete: um estagiário diante de duas telas —ChatGPT numa, sistema do tribunal na outra. Copia o despacho, pede resumo, redige a minuta. Em 20 minutos faz o que, há cinco anos, levava uma tarde de pesquisa. Tudo funciona —e é aí que surge o paradoxo. A pergunta que circula desde 2022 é se a inteligência artificial vai substituir advogados. É a pergunta errada. A IA não está acabando com a advocacia: Estaria dissolvendo o trabalho que serviu por décadas de porta de entrada —e de escola— para quem queria ser advogado. Não é a primeira vez que desaparece uma fatia da rotina dos iniciantes. Por anos, o estagiário foi alguém que pegava processos no fórum, despachava com servidores, conhecia os corredores dos cartórios. A digitalização varreu esse universo. A diferença, agora, é o que está sendo automatizado: antes, a tecnologia eliminava o logístico —locomoção, papel, fila—; já a IA elimina o cognitivo —pesquisa, leitura, redação. Tarefas que, mesmo que repetitivas, eram onde se aprendia a pensar como um advogado. Os dados ainda não confirmam a previsão apocalíptica, conforme a própria IA. Nos Estados Unidos, as turmas de 2024 das faculdades de direito alcançaram mais de 82% de empregabilidade —o melhor índice já registrado, segundo a American Bar Association. Mas o salário mediano de iniciantes recuou 3% em 2025, e pesquisa do Law360 mostra que 7 em cada 10 líderes de escritórios esperam mudança "significativa" no papel do júnior. No Brasil, o vetor chega pelo Judiciário: em março de 2025, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou a resolução 615, que regulamenta o uso da IA nos tribunais, e 45,8% das cortes já operam com IA generativa. O estagiário fazia pesquisa de jurisprudência para entender como acórdão se estrutura, como tese sobrevive a teste, como argumentos se sustentam. As tarefas chamadas de "braçais" por preguiça vocabular; eram, na verdade, didáticas. Eliminá-las sem substituí-las por outra forma de aprendizado seria trocar uma escola pela ausência dela? Especialização supõe profundidade, e profundidade impõe passar pelo simples. Quando a IA entrega o ponto de partida pronto, há risco de criar uma geração que parece avançada, mas não sustenta decisão quando a ferramenta falha. E ela falha. Em fevereiro de 2025, advogados do Morgan & Morgan —uma das maiores bancas dos EUA— foram multados por apresentar memorial com citações inexistentes geradas por IA, e a firma avisou seus mais de mil profissionais de que o uso impróprio poderia custar o emprego. No Brasil, já há condenações por litigância de má-fé que foram aplicadas pelo mesmo motivo, com multas de 2 a 20 salários mínimos no TSE, na Justiça Federal e em varas do Trabalho. Em decisão de Juazeiro (BA), a defesa de "quem fez foi o estagiário" foi rejeitada: a responsabilidade do subscritor é pessoal e intransferível. Alternativas? Nas universidades, quem sabe, os currículos absorverem o uso crítico de IA, governança algorítmica e ética aplicada à automação. Nos escritórios, se a IA cuida do operacional, quem sabe, identificar ao jovem, desde o início, à estratégia e à decisão sobre quando não usar a ferramenta, ou seja, o que a IA "não entrega". A advocacia já provou que sabe se reinventar. Vai sobreviver à IA. A pergunta é como formar iniciantes de alto nível nos novos tempos —porque essa diferença separa um patrocínio que ganha de outro que perde; um conselho que liberta o cliente de outro que o condena. A IA não está fazendo desaparecer o advogado. Está, com paciência de algoritmo, separando quem entende o que faz de quem só achava que entendia. E sobra aquilo que nunca deveria ter sido confundido com tarefa básica: pensar, decidir e assumir responsabilidade.
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Inovação Educacional
May 12, 1:49 PM
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A Folha teve acesso à minuta da resolução sobre as novas Diretrizes Nacionais para Formação de professores. Além de preservar 50% da carga horária presencial, o texto define que o restante deve ser dividido com 20% de atividades síncronas mediadas (online ao vivo) e 30% a distância assíncrona (com aulas gravadas, por exemplo).
A minuta, que tem como uma das relatoras a ex-titular da Secretaria de Educação Superior do MEC, Maria Paula Dallari Bucci, defende a necessidade de aumentar as exigências para melhorar a qualidade de formação dos futuros professores.
"De 2017 até 2024 o setor viveu uma situação de desregulação, em que as exigências estatais foram reduzidas e a supervisão, inoperante. O mercado se viu praticamente livre de amarras legais em relação ao número de estudantes alcançados, à qualificação mínima dos docentes e conteúdos e assim por diante. O resultado, em especial para a formação de professores, foi muito negativo e demonstrou que a presença reguladora do Estado é indispensável para a garantia de um patamar mínimo de qualidade", diz o texto.
O setor privado de ensino superior tem feito pressão por menores exigências de atividades totalmente presenciais. A Anup (Associação Nacional das Universidades Particulares) defende que, se aprovada, a regra irá penalizar os estudantes sob o argumento de que eles não teriam disponibilidade para dedicar tanto tempo a aulas presenciais e para atividades síncronas.
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May 12, 1:22 PM
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“Quando li os princípios e os conceitos da slow medicine, foi como um abraço acolhedor no meio do caos. Entendi que meu desconforto com a prática médica não era isolado. A sensação era de ter encontrado meu lugar no mundo”, avalia Ana. “O sentimento de solidão e a sensação de não pertencimento que eu sentia como médica se dissiparam. Quando encontro colegas que ‘descobrem’ a slow medicine, ouço deles: ‘Finalmente, encontrei a minha turma’, ‘Ufa, não sou tão estranho assim’ e ‘Caramba, sou slow e não sabia’. É muito gratificante.”
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May 12, 8:49 AM
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A não ser que o leitor viva dentro de uma caverna (com Wi-Fi para ler newsletters, neste caso?), percebeu que a tecnologia está mudando todas as áreas de trabalho. Não é a primeira vez que isso acontece: a chegada da internet, por exemplo, mudou o jogo para sempre há algumas décadas. As carreiras criativas —neste balaio, coloco além dos artistas outros profissionais que dependem da criatividade para trabalhar, como publicitários, designers, etc.— estão entre as mais impactadas pela chegada da inteligência artificial. Na edição de hoje, falo sobre o que deve mudar no ramo e como se preparar para o futuro (que já chegou). Ladeira abaixo? Pelo contrário. Há mais pessoas procurando formação nas áreas criativas do que nunca, segundo Josiane Tonelotto, superintendente acadêmica do Centro Universitário Belas Artes. Em parte, o aumento da procura se deve ao crescimento de opções de carreiras no setor. Desde que ocupa a chefia acadêmica da universidade, ela afirma ter visto movimentos como a especialização em mídias sociais nascer e a procura por profissionais do audiovisual multiplicar. Ela também enxerga maior especialização na área do design, que além do curso geral ganhou capacitações para segmentos de games e animação. ↳ Tonelotto considera que há poucos relatórios e coletas de dados para entender o avanço desse setor no Brasil. "Há uma escassez de dados que possam nortear como está esse mercado", afirma. Desenha para mim? A chegada da inteligência artificial é um desafio para o mercado. Ainda há muito o que debater, segundo a especialista, sobre como a capacidade da IA de criar ilustrações e vídeos pode impactar a contratação de profissionais da arte. No entanto, já há reflexões importantes sobre o assunto. "Há um risco real, que é o da mediocridade. Muitos vão usar a IA pra substituir as artes e os textos, mas ela não é capaz de ser criativa, só responde bem a um prompt. Terceirizar a criatividade não funciona, ela é insubstituível", afirma Tonelotto. "A IA abrevia, acelera, mas não vai ocupar o meu lugar. O dono da palavra sou eu." Ela faz um paralelo com o uso da tecnologia na educação, muito criticado no início, mas incorporado ao longo do tempo. "O professor nunca foi substituído pela tecnologia, ele foi substituído por outro professor que sabe usar tecnologia", diz. "Não podemos delegar tudo para a IA, já vi campanhas publicitárias que ficaram péssimas: contexto impessoal, frases curtas e encadeadas. A criatividade humana vai ficar cada vez mais cara", afirma. Olhando o perigo nos olhos. O pior caminho, na opinião da especialista, é ignorar a inovação. O profissional das áreas criativas precisa entender como a IA pode afetar a sua atuação e aprender a trabalhar com ela. Quem souber conciliar a própria originalidade com as novas ferramentas tem mais chances de prosperar. Para ela, o aumento da eficiência e o ganho de agilidade são benefícios importantes para as empresas que trabalham com a criatividade. O primeiro da fila. Quem contrata o criativo precisa decidir se a criação ou a produtividade é o elemento mais importante daquele trabalho. A especialista acredita que, cada vez mais, trabalhos que usam a engenhosidade humana para acontecer serão a grife do mercado criativo. "O processo criativo, de maneira geral, é complexo. Se você usar a IA com parcimônia, não vejo como um problema. Não dá, no entanto, para entregar a maior competência do artista, que é criar", afirma. Saiba como escolher cursos livres e aplicá-los no trabalho Desatenção pode atrapalhar no trabalho; saiba como recuperar o foco prolongado Entenda por que a cibersegurança da empresa também é sua responsabilidade Uma dica: a chefe acadêmica da Belas Artes acredita que a principal habilidade que o profissional deve conservar frente a uma ferramenta como a IA, que entrega boa parte das atividades com prontidão, é a capacidade de refletir e ruminar sobre os assuntos. "O processo de aprender e melhorar exige maturação. O que é mais difícil de ensinar para o jovem hoje é que ele faça reflexões acerca do que está vivendo e experimentando. Que ele rumine um pouco, o que é parte do processo criativo. Acelere a produtividade, mas saiba se aprofundar", aconselha. Um último conselho… "Criatividade é a capacidade que todos nós temos para encarar problemas de várias formas. Todo mundo é capaz de ser criativo porque criatividade é uma competência, e como competência ela pode ser aprendida", afirma Josiane Tonelotto.
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Inovação Educacional
May 12, 8:41 AM
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Na semana passada, o reitor Richard Locke comunicou à comunidade do MIT Sloan que a escola encerraria a produção da MIT Sloan Management Review (MIT SMR), uma das publicações mais tradicionais na tradução de pesquisa acadêmica em pensamento de gestão para executivos no mundo. A edição final sai em setembro deste ano. A MIT SMR ocupava há décadas a posição rara de ponte entre pesquisa séria e prática executiva, e seu encerramento expõe um movimento muito maior do que o fim de uma revista. O comunicado oficial fala em mudar a forma de entregar ideias, mas é, de fato, mais uma mudança na unidade econômica do conhecimento. A MIT Sloan Management Review é um produto editorial fechado, com edição, artigo, autoria, periodicidade, marca própria, ritmo de prensa ou de distribuição digital. O novo desenho do MIT Sloan tenta deslocar o valor para a escola como fonte contínua de ideias, distribuídas em múltiplas superfícies e coordenadas por uma estratégia única de comunicação e engajamento externo. Comunicação institucional, newsletters, vídeo curto, social, podcasts e novos formatos digitais passam a ser tratados como um sistema, e não como publicações independentes disputando agenda, orçamento e audiência. É exatamente a transição descrita pelo conceito de conteúdo líquido, quando o conteúdo deixa de ser um objeto finalizado e passa a ser conhecimento estruturado que flui para formatos, canais e interfaces diferentes. Em janeiro deste ano, o Reuters Institute for the Study of Journalism, de Oxford, oficializou o termo no relatório anual de tendências com 280 executivos de mídia em 56 países. Mas há uma advertência no caso MIT Sloan. Se uma das maiores escolas de negócios do mundo, o MIT (Massachusetts Institute of Technology), apenas trocar uma publicação editorial por comunicação institucional em canais digitais, terá matado uma revista sem construir uma camada de inteligência. A força da SMR estava em transformar pesquisa em orientação prática, com curadoria, edição e julgamento. Sem essa camada, o que sobra é distribuição. Com ela, o acervo da SMR pode virar um valioso sistema de gestão do contexto, com décadas de pesquisas, autores, conceitos, frameworks, evidências, casos e recomendações organizados como conhecimento consultável, recombinável, citável e útil para humanos e agentes de inteligência artificial. É a tese formulada por Burt Herman em artigo recente da Hacks/Hackers, que distingue o sistema de gestão de conteúdo tradicional do sistema necessário para a era da IA. O primeiro só empacota. O segundo modelo organiza contexto vivo. Instituições inovadoras descobrem os ativos de inteligência presos dentro do invólucro de conteúdo. O princípio histórico vem de antes. Em 2009, Daniel Jacobson, então CTO de produto digital da NPR, formalizou o conceito de COPE (Create Once, Publish Everywhere), hoje referência fundadora da arquitetura de publicação desacoplada. A diferença é que atualmente a recomposição precisa ser legível também por máquinas e agentes de inteligência artificial e não apenas por humanos. O Audio Definition Model e o grupo EBU ADM-IG aplicaram essa lógica ao áudio. Cada elemento sonoro, como voz do âncora, música, efeito, ruído ambiente, vira unidade atômica passível de reordenação, personalização ou substituição por destino. A IA generativa tornou a recomposição barata, rápida e escalável. "O atômico é a peça de Lego; o líquido é a forma que ela toma dependendo de quem está brincando e onde", resumiu Alexandre Kavinski, líder de IA na WPP Media. Conteúdo atômico sem recombinação líquida é apenas um arquivo bem catalogado. Conteúdo líquido sem atomização bem desenhada não existe de fato. Operacionalmente, uma peça líquida tem quatro camadas simultâneas. A primeira é o núcleo editorial, com a ideia central, o fato, o ângulo, a tese ou a apuração que o jornalista define antes de pensar se vai virar áudio, vídeo, texto, ficha de IA ou newsletter. A segunda é a camada de unidades atômicas, como lead, citações curtas, dados verificados, contexto histórico, takeaways, infográficos, frames de vídeo, trechos de áudio, comparações numéricas e outros elementos com identidade própria. Cada unidade pode existir sozinha, ser substituída por outra equivalente, ser recombinada com unidades de outras matérias e ser auditada de forma independente. A terceira é a camada de variações por canal, com matéria de TV, spot de rádio, reportagem de portal, card de Instagram, vídeo vertical, status no WhatsApp, newsletter, resposta em área de perguntas e respostas, briefing de áudio, episódio de podcast. As unidades atômicas são recompostas, sob supervisão humana, em peças desenhadas para cada superfície de consumo. É nessa camada que entra a maior parte das ferramentas de IA editorial visíveis ao leitor, com geração de vídeo a partir de texto, resumo automático, narração sintética, adaptação de linguagem para audiência jovem. A quarta é a camada técnica com metadados e distribuição. É a camada que torna o conteúdo publicável, consultável pelas ferramentas de IA, citável, recombinável e licenciável por ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e AI Overviews. Com as quatro camadas, ele vira produto.
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May 11, 2:51 PM
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Como a avalanche de modelos e promessas em IA cria nova forma de ansiedade coletiva — e por que, diante do excesso, o diferencial pode não ser correr mais rápido, mas pensar melhor
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May 11, 11:27 AM
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A maioria dos recrutadores brasileiros (70%) afirma que fraudes em vagas têm diminuído a confiança dos candidatos nos processos seletivos e em profissionais de recursos humanos (RH). Em resposta, mais de 80% dos entrevistados de RH dizem estar adotando medidas para aumentar a credibilidade das vagas. Os dados são da pesquisa Job Search Safety Pulse, conduzida pelo LinkedIn em parceria com a Censuswide, que entrevistou 8.512 profissionais no Reino Unido, Estados Unidos, Índia, Alemanha e Brasil. O comportamento dos candidatos reforça esse cenário de desconfiança. Mais de 60% dos recrutadores brasileiros relatam que candidatos interessados em processos seletivos já entraram em contato para confirmar a legitimidade de uma vaga. Na perspectiva dos profissionais em busca de emprego, 83% afirmam que avaliam a autenticidade da oportunidade antes de se candidatar. Além disso, 61% dizem estar mais atentos para identificar possíveis fraudes do que há um ano.
Para Milton Beck, diretor geral do LinkedIn para a América Latina, os golpes são reflexo de um mercado de trabalho cada vez mais digital. “No LinkedIn, temos o compromisso de atuar de forma proativa para reduzir esses riscos”, afirma.
De acordo com a pesquisa, o principal indicador de confiança para candidatos brasileiros é onde a vaga é vista (30%), seguido por quem a publicou (25%). Pelo mundo, a reputação da empresa aparece como principal fator (28%).
O avanço da geração prateada e seu impacto no consumo Summit Mulheres nas Profissões estreia com foco em ampliar participação feminina no mercado Só 26% dos profissionais veem liderança alinhada para uso de IA, diz pesquisa No Brasil, os profissionais têm adotado diferentes estratégias antes de avançar nos processos seletivos. Entre elas, destacam-se buscar informações sobre a empresa ou a vaga online (52%), verificar se a oportunidade está no site oficial (47%), analisar a página da empresa no LinkedIn (45%) e procurar sinais de verificação na plataforma de recrutamento (47%).
Maioria dos recrutadores brasileiros já recebeu perguntas de interessados nos processos seletivos para confirmar a legitimidade de uma vaga — Foto: Unsplash Globalmente, os mais expostos aos golpes são os mais jovens, com 34% da geração Z relatando já ter sido vítima, em comparação com 15% da geração X e 7% dos baby boomers. Dentro do recorte nacional, a incidência de fraudes aparece de maneira mais distribuída, com 18% da geração Z relatando já ter sido vítima, frente a 23% da geração X e quase 17% dos baby boomers.
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May 11, 8:05 AM
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Já Ésquilo na sua tragédia "Prometeu Acorrentado" colocava o problema do avanço da ciência e da técnica sob o signo do fogo: será que somos capazes de deter o segredo do fogo sem incendiar o mundo? Mary Godwin, a menina criada entre filósofos –seu pai era William Godwin e ela cresceu em meio aos utilitaristas em casa– que passou a ser "Shelley" quando se casou com o poeta Percy Shelley, no seu famoso "Frankenstein: ou o Prometeu Moderno", como boa romântica que era, já temia os avanços da ciência e os problemas que ela criaria para a moral. Logo, nada há de novo nos dilemas morais que a ciência nos coloca.
Quanto a fundamentação do que seria o bem ou, por consequência, o que seria a fundamentação da moral, o problema já circula há algum tempo, mesmo antes do grande Dostoiévski lançar seu vaticínio: se Deus não existe, tudo é permitido.
1 6 Veja ilustrações de 'Frankenstein' feitas por IA
VOLTARFacebookWhatsappXMessengerLinkedinE-mailCopiar link Carregando... Hugo Grotius (1583-1645), filósofo e jurista holandês que viveu em meio as terríveis guerras religiosas que dilaceraram a Europa e nos entregou temas como liberdade religiosa e estado apartado de denominação religiosa, tinha algumas preocupações. Uma delas era como fundamentar a moral num espaço onde existiam diferentes concepções religiosas, e elas matando umas as outras. A outra, mais radical, e que ficou para a tradição da filosofia moral como sendo "a problemática de Grotius" é a seguinte: a lei natural que fundamenta a moral deve valer mesmo se Deus não existisse.
Noutras palavras: o bem deve ser o bem porque o bem é o bem, e não porque Deus quer seja o bem. As leis devem ser independentes da vontade de Deus, elas devem valer por si mesmas. Essa problemática de Grotius estabelece as bases para a discussão de como fundamentar a moral se não for a partir da religião. Com esse passo, ele estabelece as bases para o direito moderno e o estado de direito laico.
A questão vira um problema, apesar que do ponto de vista estrito da lei se resolve com o estado de direito laico e as câmaras legislativas. Dane-se a fundamentação da moral, fiquemos apenas com a lei que nada tem a ver com justiça ou moral, como bem se sabe. Entretanto, se a lei não resolve a totalidade do problema, ou se ela mesma nada tem a ver com o bem moral, o que fazer? Bem-vindos à modernidade e sua falta de fundamentação da moral.
Thomas Hobbes (1588-1679) tentará responder a problemática de Grotius. Para o autor inglês, o fundamento da moral será o contrato social –portanto, a política, o estado, o Leviatã– que rompe com o ciclo do estado de natureza pré-político em que "a vida era solitária, pobre, sórdida, bruta e breve". Para Hobbes não existem leis naturais universais, mas, apenas, leis criadas pelo poder daquele que detém o monopólio legítimo da violência. Assim, se pensarmos em vários estados impondo suas leis, contanto que mantenham a ordem, está tudo bem. Hobbes não lida com a ideia de "leis em si", elas são puro fruto do poder político.
John Locke (1632-1704), tentando também responder a problemática de Grotius dirá que sim, existem leis pré-políticas, a diferença de Hobbes, e que elas são "apenas" a pura razoabilidade da ordem social: os homens assinam um contrato social no qual o soberano deverá respeitar a liberdade individual –a liberdade religiosa começa todo esse debate em meio as guerras religiosas europeias–, o direito a propriedade, e a vida, portanto, o estado estará limitado por essas leis anteriores a ele. Nasce, assim, o liberalismo.
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Inovação Educacional
May 11, 7:50 AM
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AI Assistance Reduces Persistence and Hurts Independent Performance
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May 11, 7:47 AM
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Anthropic (and OpenAI) recently met with representatives from Sikh, Hindu, Jewish, and LDS groups. Will it help?
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May 11, 7:37 AM
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The guide is free to download as a PDF and includes teacher’s guide learning modules, with group exercises, worksheets and discussion prompts. There is also an engaging online self-assessment tool that helps students reflect on how they use AI with scores that describe their reliance on these tools.
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May 11, 7:31 AM
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Entre 2020 e 2025, medidas excepcionais priorizaram a permanência dos alunos nas escolas, mesmo com dificuldades de aprendizagem. Agora, o cenário é diferente. A exigência de frequência mínima de 75% volta a ser aplicada com mais rigor, e o desempenho escolar ganha peso real na decisão de aprovação.
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May 10, 9:13 AM
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A literatura científica corrobora amplamente essa percepção. Estudos apontam que a maior exposição ao calor está associada a resultados adversos no ambiente escolar: deterioração da atenção e da disposição para participar das aulas, pior desempenho em exames, aumento do absenteísmo e das taxas de abandono escolar, sobretudo em áreas urbanas. Na outra ponta da sala, professores também são afetados, com queda de produtividade e piora significativa das condições de trabalho. No último ano, algumas redes de ensino adotaram, como saída emergencial, a suspensão de dias letivos ou a redução da carga horária — medidas que comprometem o cumprimento do currículo e revelam a gravidade do problema imposto pelas temperaturas elevadas.
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Inovação Educacional
May 10, 8:36 AM
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A febre agora no Vale do Silício se chama Token Maxxing. E se preparem, porque essa onda já está chegando ao Brasil.
O termo descreve uma prática que virou obsessão entre profissionais de tecnologia: usar o consumo de IA como medida de produtividade. Quem consome mais vence.
O nome vem de "token", a unidade básica que os modelos de IA usam para processar texto. Cada palavra ou pedaço de palavra que você manda para ChatGPT, Claude ou Gemini é convertida em tokens, e as respostas também são geradas em tokens. Quanto mais você usa IA mais token consome.
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Diogo Cortiz
O uso de IA como medida de produtividade
E esse fenômeno está atingindo um nível absurdo.
Segundo o New York Times, um engenheiro da OpenAI consumiu sozinho 210 bilhões de tokens em uma semana, o equivalente a 33 vezes a Wikipedia. Outro engenheiro, em Estocolmo, disse que provavelmente gasta mais que o próprio salário no uso do Claude. E na Meta, funcionários criaram até uma tabela interna que ranqueava colegas pelo consumo de tokens.
Mas a mensagem mais forte de como as empresas de tecnologia estão pensando o futuro do trabalho veio do CEO da Nvidia, Jensen Huang. Em apresentação recente, ele propôs dar aos engenheiros da empresa um orçamento anual em tokens equivalente à metade do salário. Ele ainda projetou que, em dez anos, a Nvidia terá 75 mil funcionários humanos trabalhando ao lado de 7,5 milhões de agentes de IA.
Ele não está sozinho neste movimento. Outros CEOs também vêm tratando o uso intenso de IA como sinal de ambição, eficiência e adaptação ao novo trabalho.
No caso de Huang, a defesa do consumo intenso de tokens vem acompanhada de um interesse econômico evidente. Afinal, ele comanda justamente a empresa que vende as GPUs usadas para processar boa parte dessa conta.
O termo Token Maxxing ainda não é comum no Brasil, mas a sua lógica já está presente, ainda que não com esse nome.
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Em palestras e conversas com organizações de diferentes setores, o que eu mais percebo é uma pressão recorrente para acelerar a adoção da IA. Isso vem de investidores e conselhos, mas também dos executivos que querem ver seus funcionários usando a tecnologia para alcançar a grande promessa do ganho de produtividade.
A intenção até faz sentido. A IA está transformando setores inteiros e ninguém vai ficar para trás.
O problema é como essa adoção está sendo conduzida. Muitas empresas cobram de seus colaboradores o uso sem oferecer uma capacitação mínima, sem ter uma política de uso bem definida e também sem saber como medir a qualidade.
Será que essa pressão não está levando muita gente a usar a IA para parecer mais produtivo do que para trabalhar melhor?
Comentamos no podcast Deu Tilt um sintoma desse fenômeno, o Workslop. É o nome para entregas feitas com desleixo pela IA, que parecem produtivas mas não entregam resultado.
Isso me lembra uma pergunta que fiz um tempo atrás, meio em tom de brincadeira, mas com um fundo de verdade. Quanto tempo demoraríamos para passar a contabilizar a produtividade em tokens de IA, no lugar de horas de trabalho?
Continua após a publicidade Pelo visto, foi mais rápido do que eu imaginava. Hoje, algumas empresas já estão colocando o uso da IA até como métrica de desempenho individual.
Meta, Shopify e OpenAI sinalizam, em diferentes graus, que o uso de IA deve fazer parte das expectativas de desempenho. Em muitos lugares está virando risco de carreira não usar IA em ritmo acelerado, independentemente da qualidade do que se entrega.
Mas será que essa conta fecha mesmo? Um sinal de contradição pode estar vindo de dentro da própria Nvidia. Em entrevista à Axios, o vice-presidente da Nvidia, Bryan Catanzaro, mostrou que a narrativa do seu chefe não é tão simples ao afirmar que "para a minha equipe, o custo de computação está muito acima do custo dos funcionários."
Outras empresas que demitiram juniores para investir em agentes de IA começam a questionar se o custo de processamento somado ao retrabalho não sai mais caro do que os salários cortados. O cenário muda a toda hora, e no meio dessa incerteza, fica claro que medir produtividade pelo consumo de IA não é um caminho fácil.
Tem um princípio na economia, a lei de Goodhart, que ajuda a entender o que está em jogo.
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Toda métrica, quando vira meta, deixa de ser uma boa métrica. O Token Maxxing é como uma versão atualizada disso.
A pessoa começa a otimizar para parecer produtiva, não necessariamente para entregar resultados com qualidade.
E, se as empresas passarem a tratar isso como uma métrica central, correm o risco de cair na ilusão de desempenho.
Em vez de medir quem trabalha melhor, passam a medir quem parece usar mais IA.
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