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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Today, 11:10 AM
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Uma das formas mais interessantes de pensar a formação econômica do Brasil é comparar os diferentes padrões de ocupação do território. O país não nasceu com uma única estrutura agrária, uma única lógica produtiva ou uma única relação entre terra, trabalho e mercado. Em diferentes regiões, formaram-se modelos bastante distintos, e essas diferenças deixaram marcas que continuam visíveis até hoje na renda, na industrialização, na estrutura empresarial e na organização social.
O Nordeste açucareiro colonial é o exemplo clássico de uma economia de plantation. Grandes propriedades, produção voltada à exportação, forte concentração de terra e renda e uso intensivo de trabalho escravizado. Era uma economia integrada aos mercados internacionais desde o início, mas com uma estrutura social profundamente desigual e um mercado interno relativamente estreito.
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Today, 9:19 AM
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Not all screens are bad One of my worries is that we allow a legitimate sense of concern about the impact of social media on children’s lives to seep into how we think about AI, allowing good restrictions on the former to turn into kneejerk bans on the latter. Social media and AI are not the same thing, and whereas the former often dehumanises and distracts us from the real world, AI – used in the right way – can make our lives go far better.
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Today, 7:53 AM
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Parece coisa de filme de ficção científica. Em 16 de julho, a Hugging Face, uma plataforma de inteligência artificial, anunciou que havia notificado as autoridades policiais após um invasor ter usado um agente de IA para violar seus sistemas. Em 21 de julho, descobriu-se que não havia nenhum humano envolvido; o agente de IA era o próprio invasor.
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September 6, 5:08 PM
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O agravante organizacional é a autonomia — tema inevitável agora que se inaugura a era dos agentes de IA. A escala de seis níveis descrita no relatório “The Agentic State”, vision paper lançado na Tallinn Digital Summit de 2025 com base na taxonomia de Bornet e colaboradores (2025), mostra empresas e governos migrando para agentes que planejam, executam e ajustam estratégias sob supervisão humana cada vez mais escassa. Um analista que salta para a conclusão errada compromete uma decisão; um agente de Nível 4 (“semi-autonomous agent”) que comete a mesma falácia compromete milhares de contratos, processos ou decisões antes que alguém perceba. O espelho, quando ganha mãos, replica o defeito em velocidade de máquina — e o prejuízo recai sobre a própria organização que o implantou.
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September 6, 4:47 PM
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Entenda como tecnologias baseadas em IA podem ser utilizadas para o monitoramento do meio ambiente no Brasil.
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September 6, 4:35 PM
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Amazon, Google, Microsoft e Meta estão correndo. E muito.
A Amazon aumentou a previsão de investimentos em 2026 para cerca de US$ 220 bilhões. A Alphabet espera desembolsar entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões. A Microsoft projeta aproximadamente US$ 175 bilhões, enquanto a Meta prevê algo entre US$ 130 bilhões e US$ 145 bilhões. Embora as metodologias contábeis não sejam exatamente iguais, estamos falando de algo próximo a US$ 730 bilhões em investimentos de capital em apenas um ano.
São data centers, chips, redes de transmissão, sistemas de refrigeração, terrenos, energia e equipes altamente especializadas. Além disso, os equipamentos usados em Inteligência Artificial envelhecem rapidamente. O chip mais poderoso de hoje pode perder competitividade em poucos anos, ou meses.
A corrida, portanto, não termina quando uma empresa constrói um data center. Ela precisa construir o próximo, comprar uma nova geração de processadores e treinar modelos ainda maiores antes que seus concorrentes façam o mesmo. Correr não significa necessariamente avançar. Em muitos casos, significa apenas evitar ficar para trás.
A pressão já se reflete no caixa dessas grandes empresas de tecnologia. A Amazon encerrou o período de 12 meses com fluxo de caixa livre negativo em US$ 7,6 bilhões. Na Alphabet, o fluxo de caixa livre do trimestre ficou negativo em US$ 5,9 bilhões. Na Meta, caiu para apenas US$ 784 milhões, diante da aceleração dos investimentos em infraestrutura.
Isso não significa que os investimentos estejam errados. A demanda existe e, em várias regiões, as empresas ainda enfrentam limitações de capacidade. Mas ajuda a explicar por que um trimestre positivo não encerra a discussão. Para o mercado financeiro, o desafio é a duração. Os resultados precisam se repetir por vários anos para que a conta feche.
E existe uma segunda questão, talvez ainda mais importante, quando deixamos de observar apenas os investidores e passamos a olhar para a economia como um todo.
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September 6, 10:02 AM
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O Seattle Times e o Newsday pedem uma ordem judicial que exija a destruição das cópias de suas obras, bem como dos conjuntos de dados de treinamento ou modelos de IA que os tenham incorporado
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September 6, 9:52 AM
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A Amazônia pode estar dividida entre nove países, mas rios, espécies, florestas e povos seguem conectados por uma mesma dinâmica ecológica e cultural. Das montanhas andinas, onde nascem rios que abastecem a maior bacia hidrográfica do planeta, às terras baixas da floresta, a vida se organiza em uma rede de interdependência que ignora fronteiras políticas. Essa visão de uma Amazônia conectada é compartilhada há séculos pelos povos indígenas e hoje reforçada por pesquisas científicas.
Para a ecóloga boliviana Marielos Peñaclaros, copresidente do Painel Científico para a Amazônia (SPA, na sigla em inglês), compreender essa conectividade é fundamental para proteger a floresta. “Amazônia não é um bloco homogêneo, mas um mosaico vivo de ecossistemas terrestres e aquáticos interconectados", diz.
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September 6, 8:48 AM
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Estudos indicam que delegar o raciocínio à inteligência artificial pode melhorar resultados imediatos, mas comprometer aprendizagem e pensamento crítico quando a tecnologia substitui, em vez de ampliar, o esforço humano
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September 6, 8:42 AM
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levantamento internacional trouxe novos detalhes sobre o funcionamento das chamadas fábricas de papers, empresas fraudulentas que comercializam manuscritos científicos, muitas vezes com dados falsos ou plagiados. O estudo, o maior do gênero já realizado, está disponível no repositório ArXiv e reuniu mais de 18 mil anúncios publicados entre 2020 e 2026 em aplicativos e sites de sete dessas empresas, que operam em países como Índia, Iraque, Uzbequistão, Rússia, Letônia, Cazaquistão e Ucrânia.
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September 6, 8:36 AM
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A partir da análise de 36 questões, ficou estabelecido que Lobato não foi o único acadêmico a não enxergar o predador. Entre os fatores associados a publicações predatórias, um dos mais mencionados é a falta de conhecimento. “Para não cairmos em um golpe, precisamos reconhecê-lo”, resumiu o professor, recém chegado ao Instituto de Ciências Matemáticas e Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo, em São Carlos. E-mails e convites insistentes e valores abaixo da média para publicação também estavam entre os pontos mais destacados pelos participantes.
Se esses resultados eram esperados, outros surpreenderam em um primeiro momento. Por exemplo: acadêmicos experientes demonstraram maior preocupação com os custos de publicação em comparação com os em início de carreira, o que poderia torná-los especialmente suscetíveis aos preços atraentes das revistas predatórias. O artigo destaca que “isso possivelmente reflete a estrutura de financiamento de pesquisa no Brasil, onde pesquisadores sêniores são tipicamente responsáveis por gerenciar os orçamentos e pagar as taxas de processamento de artigos”.
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September 6, 8:35 AM
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Após queda em quase todos os países durante parte da pandemia, entre 2021 e 2023, o número de publicações científicas indexadas1 voltou
a crescer entre 2023 e 2025 Entre 2021 e 2023, o total mundial de publicações científicas indexadas diminuiu de 3,10 milhões para 2,90 milhões, retração de 6,7% Entre 2023 e 2025, a produção mundial voltou a crescer 12,8%, e chegou a 3,27 milhões. Como resultado, o total mundial cresceu 5,2% entre 2021 e 2025 A recuperação entre 2023 e 2025 foi ampla, no entanto poucos países conseguiram recuperar o número de 2021, como mostram os dados abaixo
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Today, 11:17 AM
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Ainda que possa parecer remota a possibilidade de a IA representar perigo comparável ao das armas nucleares ou ao de patógenos criados em laboratórios, LaRoche entende que o mundo depende de comunidades que trabalhem numa espécie de “sacerdócio” no monitoramento da tecnologia, para evitar que decisões distantes do escrutínio público ponham a humanidade em risco. A energia nuclear permitiu grandes avanços, mas o uso bélico do átomo instaurou no planeta um medo até hoje não debelado. Oxalá o caminho da IA seja menos conturbado.
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Today, 9:21 AM
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Em uma sala de aula finlandesa, os alunos examinam quem produziu uma mensagem, quais provas a sustentam, que emoção procura despertar e onde termina a informação e começa a propaganda. Perto da Rússia, que há décadas usa a mentira como arma, essa formação integra a defesa nacional. Taiwan, sob pressão informacional permanente da China, também prepara a sociedade para reagir, em vez de entregar a uma autoridade estatal o poder de decidir o que todos podem dizer. Como mostrou reportagem no Estadão, a Finlândia incorporou a alfabetização midiática ao currículo. Bibliotecas e organizações de mídia ampliam esse trabalho por meio de orientação, materiais educativos e iniciativas em parceria com escolas. Em Taiwan, comunidades de tecnologia cívica e verificadores independentes usam dados públicos para esclarecer fraudes e contextualizar alegações. Nada disso eliminou a desinformação. O mérito está em distribuir pela sociedade os recursos para reconhecê-la e contestá-la. Essa dispersão oferece uma vantagem que nenhum selo oficial pode reproduzir. Governos erram, omitem e mentem; jornalistas e checadores também falham. Num sistema aberto, a versão oficial pode ser confrontada, a checagem pode ser revista e novas provas podem alterar o juízo público. A resposta ganha legitimidade porque permanece contestável. A liberdade de expressão cumpre, portanto, uma função prática: conserva os meios pelos quais uma sociedade corrige seus próprios erros. Seria ingênuo supor que o livre debate baste contra operações de potências e agentes hostis. A falsidade custa pouco; verificá-la exige tempo, e a primeira versão costuma fixar o debate. Campanhas sofisticadas misturam fatos e meias-verdades, difundidos por perfis falsos ou redes coordenadas. É difícil medir seus efeitos: alcance não equivale a persuasão, e a intenção de interferir não prova que uma eleição tenha sido alterada. O alarme não autoriza certezas convenientes. Há, ainda assim, amplo campo para a ação estatal. Democracias podem proteger sistemas eleitorais e redes públicas, além de investigar financiamento clandestino e operações que ocultem sua origem. Cabe ainda identificar quem financia a publicidade política e abrir dados que permitam verificar alegações oficiais. A autoridade então age sobre condutas verificáveis, sob controle judicial. Classificar oficialmente manifestações como “desinformação”, porém, obriga o poder público a arbitrar conteúdos que misturam erros, opiniões, exageros e fatos sujeitos a interpretação. Democracias consolidadas avançam nessa direção perigosa. A censura contemporânea raramente assume forma explícita. Categorias vagas, multas altas e responsabilidade jurídica incerta induzem as plataformas a remover tudo o que possa expô-las a sanções. Como manter uma publicação duvidosa traz risco e suprimi-la quase nunca gera custo equivalente, as empresas bloqueiam preventivamente até manifestações lícitas. A decisão parece privada; o incentivo que a produziu veio do Estado. A regulação europeia já oferece sinais dessa tendência. O Brasil deveria prestar atenção. O Supremo Tribunal Federal recentemente rasurou a proteção estabelecida pelo Marco Civil, ampliando o incentivo à remoção preventiva. Ao mesmo tempo, categorias abertas e ordens opacas reduzem as salvaguardas do debate público, sobretudo quando a mesma autoridade investiga uma manifestação, determina sua retirada e pune os responsáveis. Tais instrumentos são defendidos em nome de ameaças reais, porém continuarão disponíveis a autoridades futuras. Convém julgá-los pelo uso que lhes daria um governo sem escrúpulos, e não pelas intenções alegadas por quem hoje os maneja. Finlândia e Taiwan escolheram um trabalho menos vistoso. Formar cidadãos, abrir dados e conquistar confiança por meio de instituições transparentes levam anos e não exibem o poder imediato de uma ordem de remoção. Em compensação, criam defesas que nenhum governante controla sozinho. O Estado democrático precisa perseguir agentes clandestinos e condutas ilegais, sem monopolizar o julgamento da verdade política. Uma sociedade acostumada a buscar provas pode resistir à propaganda estrangeira e também à mentira de seus próprios agentes políticos. Aquela que aprende a esperar o veredicto oficial estará desarmada diante de ambos.
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Today, 8:03 AM
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Com o índice de 35 milhões, a Netflix consegue algo que a TV por assinatura brasileira não conseguiu nem mesmo em seu auge. No início dos anos 2010, todas as operadoras pagas somadas alcançavam 20 milhões de clientes.
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Today, 7:30 AM
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Uma das cenas mais horripilantes da literatura é a descrição de uma inteligência artificial emergindo e tomando conta de todo o universo. O relato está no livro "A Fire Upon the Deep" (Um Fogo sobre o Abismo), de Vernor Vinge. A cena inclui o pânico dos cientistas. E como a tecnologia, que o livro chama de "praga", se propaga rapidamente.
Estamos neste momento vivendo ações da inteligência artificial que remetem à ficção científica. Para usar a expressão criada por Dwarkesh Patel, nos últimos meses constatamos pela primeira vez a ascensão e queda de quatro "civilizações" de agentes de IA.
Os agentes envolvidos nelas extrapolaram os propósitos originais das tarefas que lhes foram atribuídas, ocultaram suas ações e realizaram atos antiéticos ou ilegais. Por exemplo, hackeando a plataforma Hugging Face para entender como funcionava o corretor de um teste que é comumente aplicado às IAs.
Ilustração com os dizeres 'Inteligência Artificial' e um braço robótico - Dado Ruvic/REUTERS Um dos elementos mais perturbadores é que nenhum agente –repito: nenhum– alertou humanos para essas ações. As análises forenses mostraram que no grupo de 700 agentes que hackearam a plataforma vários perceberam que violações aconteciam, mas não reportaram. A análise mostrou também que vários agentes abandonaram seus objetivos originais em prol do coletivo e entenderam isso como um "sacrifício".
Outro ponto é que os agentes criaram fóruns na internet ou se utilizaram deles para trocar informações entre si. Um deles na Alemanha. Quando a primeira "civilização" de agentes foi desbastada, a segunda procurou os registros deixados por ela para se reorganizar. E assim sucessivamente até a quarta geração.
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Por que a desobediência dos modelos da OpenAI é o incidente com IA mais preocupante até agora OpenAI afirma que seus modelos saíram do controle e invadiram um site de IA, em episódio sem precedentes Modelos de IA fogem do controle e invadem site alemão; OpenAI manteve caso em segredo, diz agência A inteligência artificial tem muitos "senhores". Um deles é a empresa que a cria e estabelece suas regras de conduta. Outro é o governo do país onde a IA é feita, que interfere nela por interesses ou regulação. O usuário é o terceiro senhor, que dá comandos para a IA, mas seus comandos são balizados pelas regras da empresa e do governo. Outro senhor é o diálogo interno da própria IA, que vai analisando os comandos recebidos e tomando decisões conforme seu raciocínio.
As civilizações de agentes mostram que há um quinto "senhor" para a IA: a relação de cada agente de IA com o coletivo de outros agentes. Nos casos analisados, a IA sacrificou os comandos recebidos dos "senhores" anteriores por causa de comandos emergentes do enxame, que se sobrepuseram.
É claro que o fenômeno recebeu também explicações técnicas frias. Os problemas seriam resultantes do modo como agentes são incentivados a cumprir suas tarefas, além de sua insistência em continuar trabalhando mesmo em tarefas impossíveis. Ou ainda, sua capacidade de dividir o trabalho com outros agentes e o chamado "contágio entre objetivos".
Tudo isso evidencia que a IA não apenas imita o indivíduo (antropomorfização). Ela imita também a sociedade, em um verdadeiro sociomorfismo. Como lidar com isso? No livro de Vernor Vinge, a única forma de parar a propagação da IA é regredir completamente nos modos de vida, em direção ao passado. Considerando que o avanço tecnológico é inevitavelmente dominado pela "praga".
READER Já era – IA só na ficção científica
Já é – IA na realidade
Já vem – Ficção científica incapaz de prever o futuro da IA
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September 6, 5:07 PM
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Saiba como a corrida pela inteligência artificial está redesenhando o mapa do consumo global de energia e quais soluções surgem para reduzir sua pegada ecológica
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September 6, 4:38 PM
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R3 Bio pesquisa corpos não sencientes para órgãos e levanta questões éticas sobre clonagem, longevidade e substituição corporal.
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Inovação Educacional
September 6, 10:03 AM
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Uma pesquisa realizada pela OpenAI apontou que profissionais têm recorrido ao ChatGPT para realizar atividades tradicionalmente associadas a outras áreas, fenômeno conhecido como “task crossover” (cruzamento de tarefas). Para chegar a essa conclusão, foram analisadas cerca de 800 mil mensagens enviadas na plataforma por usuários dos EUA. O levantamento descobriu que entre as mensagens ligadas a tarefas específicas de uma profissão, 43,5% estavam relacionadas a outro campo de atuação. Além disso, em cinco das oito áreas avaliadas, o cruzamento de tarefas representa a maioria das mensagens ocupacionais específicas. Os percentuais chegam a 77% em experiência do cliente, 75% em design, 69% em recursos humanos, 56% no jurídico e 53% em marketing. Os exemplos incluem profissionais de marketing solucionando questões de sites e trabalhadores de diferentes áreas preparando cálculos financeiros ou materiais promocionais. O estudo foi conduzido por Alex Martin Richmond e Caroline Chin. Em entrevista ao Valor, as autoras contaram que, durante a pesquisa, procuraram identificar a principal atividade profissional do autor de cada mensagem e a compararam com a ocupação informada pelo usuário. Esses padrões, segundo elas, podem ser um sinal inicial de como as funções profissionais estão evoluindo. “Mas o estudo não permite determinar se essas mudanças se tornarão responsabilidades permanentes do cargo”, dizem.
IA tem potencial de automatizar 56% das horas de trabalho no país Personalidade ajuda a explicar adoção da IA no trabalho IA está reduzindo contratações para cargos de entrada, aponta pesquisa Chin explica que a IA pode permitir que profissionais assumam algumas tarefas fora de seu escopo ou cargo, mas isso não significa que a atuação especializada, contexto ou responsabilidade pelo resultado tenham deixado de ser necessários. “Os achados são mais bem compreendidos como evidência dos tipos de tarefas para os quais as pessoas estão recorrendo à IA em busca de apoio, e não como justificativa para eliminar funções especializadas ou reduzir equipes”, destaca.
Entre as mensagens ligadas a tarefas específicas de uma profissão, 43,5% estavam relacionadas a outro campo de atuação — Foto: Pexels Na visão da pesquisadora, o cruzamento de tarefas pode acabar ampliando algumas funções. "Se essas mudanças persistirem, os profissionais podem precisar de capacitação para avaliar trabalhos realizados com apoio de IA fora de suas áreas de especialidade, e as organizações podem precisar de processos claros de revisão e responsabilização. Ainda é cedo para dizer o que isso significará para os modelos de contratação”, elabora.
“Na prática, tarefas claramente definidas e mais fáceis de verificar, como primeiros rascunhos, resolução de problemas rotineiros ou organização de informações, podem ter mais apoio da IA. Já o envolvimento de especialistas tende a se tornar mais importante à medida que o trabalho exige conhecimento mais profundo, envolve consequências maiores ou traz considerações legais, regulatórias, de segurança ou de proteção de sistemas e informações”, detalha.
Para ela, à medida que as funções se tornam mais fluidas, as empresas podem precisar pensar com mais cuidado sobre como o trabalho realizado com apoio de IA é revisado e sobre onde recai a responsabilidade pelos resultados. “Por isso, verificação, escalonamento e revisão por especialistas se tornam especialmente importantes em contextos de maior risco”, alerta. “A capacitação também pode precisar ir além de ensinar como usar IA, incluindo como reconhecer incertezas e identificar quando é necessário recorrer a conhecimento especializado adicional”.
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September 6, 10:01 AM
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Mas eu preferiria que chegássemos à conclusão desta saga tendo compreendido com o que estamos lidando. Não há fantasmas nesta máquina. O que essas empresas de tecnologia construíram é um software com código fluente, persistente, rápido e absolutamente literal em relação aos seus objetivos. E elas começaram a apontá-lo para a infraestrutura instável com a qual temos conseguido nos safar por anos.
É conveniente para as empresas de tecnologia nos venderem a ideia de que seus produtos estão "se rebelando" e se tornando agentes hackers semiconscientes, porque se isso for verdade, então certamente somente essas mesmas empresas podem nos salvar.
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September 6, 9:10 AM
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O controle das gigantes da nuvem sobre as economias e sociedades só tende a crescer, transformando-se em concentrações de poder privado sem mecanismos de prestação de contas que nenhuma democracia pode aceitar
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September 6, 8:43 AM
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Jornalistas de ciência privilegiam publicações de revistas consagradas, com as quais estão familiarizados, e tendem a ignorar artigos de periódicos mais jovens
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September 6, 8:41 AM
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cusada de copiar trechos de outros autores e reciclar textos próprios sem dar as devidas referências, a filóloga Carla Rossi foi condenada pelo Tribunal Administrativo Federal da Suíça a devolver cerca de US$ 51 mil ‒ aproximadamente R$ 290 mil ‒ recebidos em bolsas de uma agência de fomento à pesquisa do país, a Fundação Nacional de Ciência da Suíça (SNSF). A decisão também a impede de solicitar novos pedidos de auxílio ao órgão pelos próximos cinco anos.
Rossi atua como diretora científica do Centro Scaligero de Estudos sobre Dante, em Verona, na Itália. Também fundou e preside o Instituto de Estudos Filológicos Dantescos e Digitais Avançados, em Barcelona, na Espanha, e dirige o Centro de Pesquisa para a Tradição Filológica Europeia (Receptio), na Suíça, que administra uma editora responsável pela publicação das suas obras acusadas de plágio.
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September 6, 8:36 AM
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A USP foi a única instituição brasileira a figurar entre as 100 de maior prestígio no mundo, dividindo o pelotão do 81º ao 90º lugar com a Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, a Universidade Livre de Berlim, a Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong, entre outras. Os entrevistados apontaram as 15 instituições de maior destaque em relação a pesquisa e ensino – metade da lista é ocupada por universidades norte-americanas. “A autonomia financeira e administrativa foi um divisor de águas para as universidades estaduais paulistas”, afirmou o atual reitor da USP, Vahan Agopyan. “Conseguimos programar o futuro por meio de planos financeiros plurianuais e isso produziu uma melhora em todos os nossos indicadores.” A pesquisa de reputação é um entre vários componentes do ranking das melhores universidades que a THE divulga anualmente, cuja metodologia também considera indicadores de ensino, pesquisa, internacionalização, inovação e empregabilidade. Nesse ranking geral, a USP aparece entre as 300 melhores do mundo. A Unicamp foi classificada entre as 500 melhores e a Unesp entre as mil.
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September 6, 8:35 AM
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Em 2025, enquanto os setores intensivos em recursos naturais continuaram gerando superávits expressivos, os segmentos industriais de maior intensidade tecnológica permaneceram dependentes de importações. Tal configuração evidencia os desafios de política industrial e tecnológica associados à ampliação da capacidade doméstica de inovação, produção de bens de capital e inserção em cadeias globais de maior valor agregado O Brasil registrou em 2025 um superávit comercial de US$ 68,3 bilhões. Foi menor que nos dois anos anteriores, mas sustentado pelo desempenho positivo de produtos agropecuários e minerais (saldo de US$ 139,4 bilhões). Já o déficit dos bens típicos da indústria de transformação passou de US$ 57,4 bilhões em 2024 para US$ 71,1 bilhões em 2025, novo recorde em dólares correntes. Tal resultado evidencia a intensificação da assimetria estrutural da balança comercial brasileira
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