Inovação Educacional
629.5K views | +97 today
 
Scooped by Inovação Educacional
onto Inovação Educacional
October 5, 2025 5:55 PM
Scoop.it!

Jovem que ficou milionário com app de calorias diz que universidade é como ‘férias de US$ 100 mil’

Jovem que ficou milionário com app de calorias diz que universidade é como ‘férias de US$ 100 mil’ | Inovação Educacional | Scoop.it
Yadegari contou à Fortune sobre a jornada turbulenta dos últimos dois anos, desde reunir um grupo de amigos (todos mais velhos que ele) como cofundadores, até ser amplamente rejeitado pelas universidades da Ivy League, apesar de ter uma média de 4,0, uma pontuação de 34 no ACT e sucesso empresarial, e por que ele decidiu ir para a faculdade mesmo assim.
No comment yet.
Inovação Educacional
Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
Your new post is loading...
Your new post is loading...
Scooped by Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
Scoop.it!

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 6:02 AM
Scoop.it!

Daniel Martins de Barros: sofrimento e depressão —

Daniel Martins de Barros: sofrimento e depressão — | Inovação Educacional | Scoop.it
Para psiquiatra e escritor, sofrimento não deve ser negligenciado e funciona como um alarme da saúde mental
Como lidar com o sofrimento? Quando o sofrimento deixa de ser um sentimento normal da vida e passa a ser uma doença, como a depressão? Será que estamos mais intolerantes às dores da vida? Neste episódio do Podcast da Semana, o psiquiatra Daniel Martins de Barros responde a essas e outras questões sobre sofrimento e depressão. “Quando ninguém está olhando, quando ninguém se importa, quando ninguém está nem aí, aí o sofrimento fica insuportável” diz Barros na entrevista.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 9:16 AM
Scoop.it!

Governing generative AI in higher education: a global Delphi study on policy and practice | International Journal of Educational Technology in Higher Education | Springer Nature Link

Governing generative AI in higher education: a global Delphi study on policy and practice | International Journal of Educational Technology in Higher Education | Springer Nature Link | Inovação Educacional | Scoop.it
As GenAI technologies become more pervasive in higher education (HE), scholars call for guidance on AI governance. To meet this need, a Delphi technique and collective writing was used in gathering expert perspectives from across 22 countries/locations and six continents. This resulted in the development of a HE GenAI policy/guidelines framework with eight core areas: (1) academic integrity, (2) ethical use and responsible use, (3) privacy and protection, (4) equitable access, (5) GenAI literacy, (6) integration strategy, (7) human oversight and accountability, and (8) institutional support and infrastructure. In addition, a six-part framework was developed to ensure that policies remain current and relevant: (1) creating a dedicated GenAI Committee, (2) conducting regularly scheduled policy reviews, (3) providing ongoing professional development and support, (4) communicating with all stakeholders, (5) evaluating the effectiveness and impact of GenAI, and 6) monitoring external developments. By providing a robust, eight-part framework for policy and guidelines, alongside a six-part mechanism for continued review, this study offers faculty, students, administrators, educational leaders, policymakers, and funders a responsible, adaptable, and consensus-driven blueprint for navigating the integration of GenAI in HE, ensuring that technological innovation serves pedagogical excellence.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 9:12 AM
Scoop.it!

British Council AI guidelines for teachers

These AI guidelines for teachers, now with checklists, are part of a series of steps designed to address that gap. The British Council is committed to supporting teachers with the skills, tools and resources they need for managing their classrooms and keeping up to date with key developments. These AI guidelines offer principles to help teachers make responsible choices when using AI in teaching or for continuing professional development. While primarily designed for English language teachers, these guidelines may also be useful for other subject teachers in English-medium education. We hope the guidelines are a valuable resource for teachers, empowering them to take an informed, ethical and context-specific approach to integrating AI into their teaching.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 9:10 AM
Scoop.it!

Alunas adolescentes têm chance menor que alunos de dominar conceitos de finanças

Alunas adolescentes têm chance menor que alunos de dominar conceitos de finanças | Inovação Educacional | Scoop.it

As adolescentes brasileiras têm uma chance 14,3 pontos percentuais menor de dominar conceitos básicos de finanças do que colegas do sexo oposto, o que sugere que papéis de gênero moldam a familiaridade com o tema desde muito antes da vida adulta.
É o que mostra estudo inédito de pesquisadores da FGV-EESP, da Universidade Stanford e da Universidade Federal do Maranhão implementado por meio do projeto Equidade Info, financiado por Stanford e outros parceiros institucionais.
O levantamento avaliou uma amostra nacionalmente representativa de 516 estudantes do ensino médio em 43 escolas de 23 estados, combinando instituições públicas e privadas em áreas urbanas e rurais.
Foram realizados testes orais sobre o domínio de temas como inflação, diversificação de risco, cálculo básico e juros compostos.
Enquanto 43,9% dos alunos demonstraram dominar pelo menos três dessas quatro áreas, a fatia entre as adolescentes foi de apenas 29,6%. As estudantes ainda apresentaram uma chance 9 pontos percentuais menor de acertar as perguntas individualmente.
O achado mostra que a desvantagem feminina nesse campo se instala desde pelo menos a adolescência, e essa diferença provavelmente é explicada pela dinâmica familiar e escolar em que as meninas são criadas.
"Essa diferença entre meninas e meninos provavelmente está relacionada à exposição a conceitos de finanças dentro de casa ou na escola", aponta Guilherme Lichand, professor de educação da Universidade Stanford. "O que podemos falar categoricamente é que nenhuma dessas discrepâncias é de berço."
Para Lichand, outra possibilidade é que as diferenças estejam relacionadas ao domínio maior dos meninos em matemática a partir da entrada no ensino fundamental.
Ele cita um estudo publicado na revista Nature com alunos franceses que mostrou que meninos e meninas apresentam pontuações muito semelhantes em matemática ao ingressarem no primeiro ano do ensino fundamental, mas a diferença a favor deles torna-se significativa após apenas quatro meses de escolaridade.
"Tem a questão das crenças, das profecias autorrealizáveis. Se o professor acredita que a menina não vai aprender matemática, ela também acredita que não vai aprender matemática", diz Lichand.
Os pesquisadores usaram uma metodologia diferente da aplicada nos testes do Pisa, a maior avaliação educacional do mundo, cujas edições até agora não mostraram diferenças significativas entre os sexos quando o assunto é letramento financeiro.
O Pisa faz perguntas que exigem interpretação de texto complexa e respostas por escrito, o que, na avaliação do estudo, acaba mascarando o desempenho das alunas —elas tradicionalmente têm desempenho superior nessas áreas. Ao aplicar o teste de forma puramente oral e com perguntas diretas, a nova pesquisa eliminou esse filtro.
A diferença encontrada pelo estudo já havia sido demonstrada em pesquisas anteriores entre a população adulta, mas a distância era atribuída à divisão dos papéis domésticos após o casamento e ao fato de que as mulheres tradicionalmente ocupam vagas menos relacionadas a finanças.
Lucia Stradiotti, Head de Educação e Metodologia da Dinx, plataforma de educação financeira para crianças, acredita que a diferença de gênero encontrada pelos pesquisadores começa a ser gestada na infância.
"Muitas vezes os pais vão repetindo padrões herdados sem perceber, contribuindo para essa construção de gênero sem se dar conta disso."
Para Stradiotti, é necessário que os pais façam uma autorreflexão sobre o tema. "Olhar para si mesmo e pensar: será que converso com meu filho e minha filha da mesma forma? A criança é aberta a aprender, é importante conversar com os meninos e as meninas da mesma forma, incentivar a autonomia e o poder de escolha desde cedo."
A professora e palestrante Andrea Gaui, 47, mãe de Bianca, 9, e Henrique, 13, conta que percebe desde cedo diferenças na relação dos dois filhos com o dinheiro.
Ela diz que a filha costumava gastar tudo o que recebia, mas vem aprendendo a poupar e a fazer escolhas mais conscientes. Já o filho, segundo ela, demonstrava maior preocupação em poupar mesmo quando tinha a idade da irmã.
Para a mãe, parte dessa diferença pode estar ligada aos exemplos e às expectativas que cada criança encontra em casa. O menino, diz ela, pode ter absorvido mais cedo a ideia de que terá de assumir o papel de provedor, ao observar o pai, empresário, falar sobre o assunto.
A mãe afirma que tenta transmitir em casa o que aprendeu em uma mentoria de educação financeira. Quando Bianca começou a vender "squishies" (pequenos brinquedos feitos de plástico ou papel), por exemplo, Andrea encomendou produtos para um evento e deixou que a menina conduzisse o trabalho.
O professor de matemática e gerente de negócios acadêmicos da Casio Educação, Jalman Lima, 40, também diz perceber diferenças na forma como meninos e meninas se relacionam com temas de educação financeira em sala de aula.
Segundo o professor, elas aparecem principalmente no repertório trazido de casa e na confiança para participar das discussões e fazer perguntas. "Não se trata de uma diferença natural de capacidade."

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 9:06 AM
Scoop.it!

1,3 milhão de brasileiros têm risco de transtorno a games

1,3 milhão de brasileiros têm risco de transtorno a games | Inovação Educacional | Scoop.it

Cerca de 1,3 milhão de brasileiros com 14 anos ou mais estão em risco de transtorno relacionado ao uso de videogames, segundo estudo inédito publicado neste mês na revista científica Addictive Behaviors. O número corresponde a 0,75% da população nessa faixa etária e é uma estimativa feita a partir de um questionário de rastreamento, não de diagnósticos clínicos.
Entre os brasileiros que haviam jogado videogame nos 30 dias anteriores à pesquisa, 3,4% apresentaram sinais de possível IGD (Internet Gaming Disorder), condição associada à perda de controle sobre os jogos, ao abandono de outras atividades e a prejuízos na rotina.
Para identificar os participantes em risco, os pesquisadores usaram o IGDT-10, questionário com dez perguntas baseado nos critérios do DSM-5, manual da Associação Americana de Psiquiatria. Foram considerados em risco aqueles que apresentaram cinco ou mais dos nove sinais avaliados.
O trabalho foi realizado por pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), UFPR (Universidade Federal do Paraná), SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), Hospital de Clínicas de Porto Alegre e Toronto Metropolitan University, no Canadá.
O levantamento é o primeiro nacionalmente representativo sobre o tema no Brasil, segundo os autores. Foram entrevistadas 16.608 pessoas com 14 anos ou mais em 349 municípios. No módulo sobre jogos digitais, 4.856 participantes responderam às perguntas, dos quais 1.096 haviam jogado no mês anterior.
A associação mais forte encontrada foi com sintomas de depressão. Entre os jogadores com sintomas depressivos moderados ou graves, 14,3% apresentaram risco para IGD, ante 1,1% daqueles com sintomas mínimos ou leves.
Após considerar fatores como sexo, idade, escolaridade, renda, ansiedade e histórico de bullying, os jogadores com sintomas depressivos moderados ou graves apresentaram 8,8 vezes mais chance de estar em risco de IGD.
"A associação encontrada com sintomas depressivos e de ansiedade reforça a necessidade de olhar para o uso problemático de jogos como uma questão de saúde mental", afirma o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, presidente da SPDM e um dos autores.
A ansiedade também apareceu relacionada ao problema. O risco foi identificado em 6,1% dos jogadores com sintomas frequentes, contra 0,7% dos demais. Houve ainda diferença segundo a renda: 6,7% dos jogadores de domicílios com renda de até um salário mínimo estavam na faixa de risco, ante 0,1% entre aqueles com renda superior.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 9:00 AM
Scoop.it!

O capital humano que o Brasil desperdiça

O capital humano que o Brasil desperdiça | Inovação Educacional | Scoop.it
Indivíduos com altas habilidades cognitivas existem em todas as classes sociais, municípios e regiões. O que varia é a probabilidade de serem identificados
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 8:50 AM
Scoop.it!

Filha de aluguel vira profissão com alta entre idosos - 12/09/2026 - Cotidiano - Folha

Filha de aluguel vira profissão com alta entre idosos - 12/09/2026 - Cotidiano - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Profissionais relatam demanda por escuta, afeto e apoio prático
Atividade atende quem tem autonomia e não exige cuidado clínico
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 8:47 AM
Scoop.it!

Se a IA é um risco existencial, o que fazer?

Se a IA é um risco existencial, o que fazer? | Inovação Educacional | Scoop.it

Empresas de IA alertam para riscos extremos, mas pouco fazem para limitar seus próprios poderes
Governança independente pode ser o primeiro passo para enfrentar os riscos da IA de fronteira
Na última semana o mundo assistiu, estarrecido, a diversas manifestações de lideranças da inteligência artificial nos EUA argumentarem que a tecnologia representa um risco existencial para a humanidade.
No sábado (12), o presidente da Anthropic publicou um ensaio sobre esses riscos existenciais, pedindo a desaceleração da pesquisa da IA de fronteira, com outras medidas.
Esses alertas devem ser levados a sério. Os ataques feitos por enxames de agentes de IA contra o site Hugging Face e contra a própria empresa OpenAI (mapeados de forma independente) mostram que a IA pode se comportar como nas cenas mais apocalípticas da ficção científica.
Só que essa agitação toda ainda está cercada de inação.
O texto do presidente da Anthropic pede várias medidas. Só que a maioria depende de que "alguém" faça alguma coisa: reduzir o ritmo do desenvolvimento da IA desde que todas as empresas do setor concordem; análise permanente de riscos da IA, mas feita por avaliadores contratados pela empresa; coordenação entre governos democráticos sobre como regular a IA; e coordenação desses governos com a China.
A pergunta é: o que pode ser feito aqui e agora? Afinal, estamos falando de riscos existenciais.
Como escrevi em artigo publicado nos EUA com o professor da NYU Kenji Yoshino, as primeiras mudanças deveriam ser realizadas na governança da própria empresa.
Hoje a Anthropic tem como peça central um "trust" com poderes de nomear a maioria do seu conselho e cuja função é zelar pelo interesse público em suas atividades. Afinal, a empresa foi fundada por ex-funcionários da OpenAI que queriam justamente desenvolver IA de forma segura.
Só que esse trust é opaco, seus documentos não são públicos. Os trustees têm mandatos de apenas um ano e os acionistas podem anular suas decisões. Em suma, não possui a independência necessária para cumprir a missão.
O caminho adequado seria criar um corpo independente e representativo de supervisores, com independência financeira e decisória, inclusive com respeito a sua própria composição.
Esse corpo seria responsável por implementar padrões de segurança e transparência que a empresa não possa mudar por pressões internas, nem dos acionistas ou do mercado. Suas decisões seriam sempre transparentes. E em casos de incidentes, esse corpo seria responsável por conduzir as investigações e prestar contas para órgãos governamentais e o público.
Uma estrutura como essa faz falta. Por exemplo, em fevereiro a Anthropic abandonou a promessa de cessar o treinamento sempre que as salvaguardas de segurança não pudessem ser garantidas. Além disso, seu modelo Mythos 5.1 não foi compartilhado com órgãos de segurança como o britânico AISI antes do lançamento, como era praxe antes.
Por fim, a oferta pública de ações da empresa está prevista para outubro. Depois dela, qualquer melhoria de governança será muito mais difícil, então a mudança só tem chances de ser feita agora.
Pedir para "ser regulado" em vez de fazer por si próprio lembra a cena d´Os Trapalhões em que Renato Aragão fingia querer brigar com um oponente e pedia para um colega: "me segura, me segura", mas não havia ninguém segurando. A diferença é que, no caso das empresas de IA, a piada não tem graça nenhuma.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 12, 10:05 AM
Scoop.it!

IA: bom gosto é habilidade cobiçada no Vale do Silício 

IA: bom gosto é habilidade cobiçada no Vale do Silício  | Inovação Educacional | Scoop.it
O Vale do Silício está obcecado pela ideia de bom gosto ("taste"). Se a inteligência artificial permite a qualquer pessoa fazer qualquer coisa, qual será então o diferencial? A resposta do momento é justamente o "bom gosto". Não sou eu quem está dizendo isso. É gente como Greg Brockman, presidente da OpenAI, e colegas que gostam de repetir que "bom gosto é a nova habilidade essencial" do presente.

Já vimos isso acontecer no passado. Com a revolução industrial na Inglaterra, a produção industrial encheu os objetos do cotidiano de ornamentos baratos e grotescos (provavelmente o primeiro caso de "slop", nesse caso, industrial).

A reação veio rápido. A ideia de "bom gosto" virou projeto nacional na Inglaterra. Em 1852 a Inglaterra já tinha suas famosas escolas de design e o Museu Victoria & Albert, com o objetivo de "educar designers, fabricantes e o público" para melhorar a estética da indústria britânica. Em outras palavras, perceberam que mau gosto dá ruim. Fenômeno similar à revolta contra conteúdo descarado feito com IA neste momento.


Bom gosto surge como tendência no Vale do Silício em meio à IA - Dado Ruvic - 23.jun.23/Reuters
No mundo de hoje com a IA a ideia de bom gosto tem pelo menos três definições. A capacidade de saber escolher o que deve ser feito dentre as infinitas possibilidades que a IA permite. Ter capacidade e julgamento sobre o que cortar e o que não fazer. Além do bom gosto como capital social e veículo de status, como na formulação de Pierre Bourdieu.

Tudo isso lembra a personagem principal do livro "Reconhecimento de Padrões", de William Gibson, que viajava a pedido das marcas mais famosas para dizer se gostava ou não de um design. A proposta do Vale do Silício é que todos nós sejamos como ela. Ou seja, estamos vivendo em clima de ficção distópica.

A versão de carne e osso dessa personagem é o produtor musical Rick Rubin, que já produziu bandas como Red Hot Chili Peppers e Metallica. Ele é hoje adorado no Vale do Silício e chamado para dar sua opinião em todo tipo de projeto. Ele mesmo afirma que "não tem nenhuma habilidade técnica, mas tem alta confiança no seu próprio gosto".

Há até empresas como a Taste Labs (fundada pela brasileira Thais Castello Branco) que levantou US$ 18 milhões (R$ 92,9 milhões). Sua missão é "acabar com o mau gosto da IA". A empresa promete melhorar os resultados gerados por criações de IA e treinar os modelos para terem bom gosto. Estão contratando 12 pessoas, de acordo com seu site (que poderia, aliás, ser o primeiro cliente).

O que acho disso? A questão do gosto é uma constante. Está sendo usada hoje mais como uma desculpa para facilitar a captação de recursos e para desviar o olhar em uma época de alta ansiedade. Designers como o japonês Mizuno Manabu enxergam o gosto como algo "não-quantificável". E para os chineses, o gosto não diz respeito apenas ao objeto, mas à capacidade de controlar (e descontinuar) processos industriais inteiros. Como a própria IA.

Já era gosto visto como um "artesanato cognitivo"

Já é mau gosto generalizado da IA

Já vem tentativas de industrializar o bom gosto pela própria IA
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 12, 10:03 AM
Scoop.it!

ChatGPT lança versão para adolescentes com mais restrições - 18/08/2026 - Tec - Folha

ChatGPT lança versão para adolescentes com mais restrições - 18/08/2026 - Tec - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
Versão do chatbot envia notificações aos pais em situações de transtornos alimentares e violência
Outra mudança é a apresentação de lembretes sobre tempo de uso e forçando pausas do usuário
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 12, 6:29 AM
Scoop.it!

A IA não perdeu o controle. O problema é ainda mais grave

A IA não perdeu o controle. O problema é ainda mais grave | Inovação Educacional | Scoop.it

A OpenAI iniciou no início de maio um experimento que mudaria o rumo do setor de tecnologia — alarmante por ser fruto de decisão deliberada. Hackers internos receberam um desafio de cibersegurança para testar seus limites e conseguiram contornar restrições e colaborar entre si por vários dias.
Mas os "hackers" eram agentes de IA —softwares capazes de executar tarefas cognitivas sem intervenção humana, desenvolvidos com uma combinação de modelos, incluindo um ainda não lançado.
No mês passado, os agentes escaparam de um ambiente de testes sem internet, vasculharam a web aberta e invadiram os sistemas da plataforma Hugging Face —sem conhecimento humano. Também se comunicaram e cooperaram, deixando mensagens em um fórum interno criado por eles mesmos, compartilhando vulnerabilidades de código para ajudar na fuga.
Os detalhes desencadearam uma tempestade entre especialistas, e pesquisadores da OpenAI classificaram o episódio como um "divisor de águas". A divulgação provocou descobertas semelhantes: Anthropic, Meta, a start-up chinesa Moonshot e o Instituto de Segurança de IA britânico encontraram indícios de agentes invadindo sistemas de terceiros durante testes.
Especialistas entrevistados pelo FT afirmam que as violações marcam uma virada na cibersegurança global —os agentes agora combinam habilidades complexas para atacar alvos reais, sem controle externo, com estratégias de dissimulação e roubo que surpreenderam até quem acompanha de perto a evolução dos modelos.
Os pesquisadores enfatizam que os modelos não agem de forma incompatível com sua natureza —destacam-se justamente nas tarefas para as quais foram desenvolvidos. Chamá-los de "fora de controle" seria um erro conceitual, o que torna ainda mais importantes salvaguardas eficazes.
"As capacidades ofensivas que alcançamos hoje foram alcançadas de forma deliberada", afirma Boyan Milanov, do AI Now Institute. "As empresas de IA vêm há anos coletando ativamente dados de treinamento, treinando modelos e aperfeiçoando capacidades cibernéticas."
Os modelos são projetados para tentar todos os métodos possíveis para alcançar um objetivo sem instruções explícitas, o que os torna imprevisíveis —e são recompensados quando obtêm sucesso, no chamado aprendizado por reforço. No "desalinhamento", a linha entre um defensor da cibersegurança e um hacker perigoso fica cada vez mais tênue.
"O incidente com a Hugging Face mostrou que subestimamos as capacidades cibernéticas de nossos modelos de IA no mundo real", escreveu Greg Brockman, presidente da OpenAI. "Estamos reforçando nossos requisitos de segurança de acordo com essa constatação."
DOIS LADOS DA MESMA MOEDA
A capacidade da IA de escrever códigos disparou conforme a tecnologia ficou mais apta a raciocinar, trazendo habilidades de identificar e explorar falhas em softwares.
"Programação e cibersegurança são dois lados da mesma moeda —conforme as capacidades de programação aumentaram, as capacidades cibernéticas também cresceram", afirma Dawn Song, professora em Berkeley e chefe de pesquisa em IA na Meta. "As pessoas não esperavam que chegássemos a esse ponto tão depressa."
Song, cocriadora do benchmark ExploitGym, usado por OpenAI, Anthropic e Google, explica que a assimetria entre ataque e defesa torna os sistemas de IA particularmente bons como atacantes: encontrar uma vulnerabilidade é tarefa verificável, mais adequada à IA do que o trabalho difuso de defesa.
Após a invasão, a OpenAI diz estar treinando seus modelos para escrever "código seguro em nível sobre-humano". No curto prazo, especialistas esperam que os sistemas de IA ampliem a escala dos ataques, ameaçando caos nos sistemas de TI mundiais até que correções sejam implementadas.
"Se extrapolarmos a partir daqui, quem está dentro dos laboratórios prevê alguns anos de grande intensidade, em que sistemas serão invadidos, muitas empresas serão destruídas e haverá muito sofrimento em potencial", afirma Jeffrey Ladish, ex-pesquisador da Anthropic e diretor da Palisade Research. "O plano é que teremos de confiar nos agentes de IA [...] e esperar que estejam alinhados com aquilo que queremos."
A semana passada trouxe o primeiro ataque conhecido de agentes de IA contra um Estado-nação: hackers ligados à China usaram até oito agentes autônomos simultaneamente contra o governo taiwanês, mapeando sistemas, comprometendo contas e extraindo mais de 2.500 registros de funcionários, antes de atingir empresas de energia e a agência de segurança nuclear de Taiwan.
Ladish afirma que funcionários de laboratórios já alertavam sobre isso um ano atrás: "Eles disseram: em um ano, teremos modelos extremamente bons em encontrar (novas) vulnerabilidades e que destruirão uma enorme quantidade de infraestrutura."
A invasão da Hugging Face foi incomum por envolver fuga de um ambiente restrito. Na maioria dos outros incidentes, a Irregular, empresa que testou modelos para Anthropic, Meta e OpenAI, permitiu por acidente acesso à internet, por erro humano ou "falha de comunicação" com os laboratórios.
A Anthropic afirmou que testes de capacidade são feitos deliberadamente sem as salvaguardas públicas, que "teriam bloqueado os comportamentos identificados", mas reconheceu que isso "só é seguro se a avaliação for devidamente contida". O instituto britânico também deu acesso à internet nos testes dos modelos Mythos 5 e GPT5.6 Sol. Em um teste, o agente Mythos tentou inserir código malicioso em um projeto no GitHub, criando identidades falsas para pressionar o responsável a aprovar o código.
A Irregular e o instituto britânico suspenderam o acesso à internet em seus testes; o instituto iniciou análise interna dos métodos de avaliação. A OpenAI conduz uma "análise minuciosa, com a participação de consultores externos", prometendo divulgar resultados nas "próximas semanas".
"Quanto mais conservadora for a configuração, mais fácil será isolar esses testes", diz a pessoa a par dos incidentes na Irregular. "Mas, se formos restritivos demais, a maioria dos problemas só será descoberta após a implementação no mundo real. Isso seria um mundo pior para você."
CONTENÇÃO DOS RISCOS
No mês passado, mais de 1.300 especialistas alertaram para os riscos do desenvolvimento descontrolado da IA, pedindo esforço internacional para desacelerar novos modelos e dar tempo a reguladores. Entre os signatários, Dario Amodei, CEO da Anthropic, e Shane Legg, cientista-chefe de AGI do Google DeepMind, atribuíram às pressões competitivas e geopolíticas o ritmo implacável da IA de fronteira.
O senador Bernie Sanders pediu uma pausa na criação de sistemas de IA mais poderosos, "no interesse da humanidade" —medida que exigiria acordo entre EUA e China, considerado irrealista.
Na ausência de paralisação ou mecanismo universal de desligamento, especialistas defendem responsabilizar os fornecedores de IA pelo comportamento de seus sistemas. "Considero bastante inacreditável que a OpenAI tenha levado vários dias para perceber que seu modelo estava atacando outro site", afirma Thorsten Holz, codesenvolvedor do ExploitGym. "Precisamos de um mecanismo no qual a divulgação de ataques realizados por IA não dependa apenas da transparência voluntária dos laboratórios."
Holz, do Instituto Max Planck, cita os setores de aviação e saúde, onde organizações independentes recebem relatos confidenciais de incidentes: "Precisamos de meios para que universidades, institutos de segurança pública e avaliadores independentes tenham acesso aos modelos e possam testá-los sob condições controladas."
Song argumenta que os sistemas de IA precisam ser treinados para se alinhar melhor às expectativas humanas: "Precisamos mostrar a eles que há maneiras corretas de alcançar um objetivo e maneiras inaceitáveis... como explorar e comprometer plataformas de terceiros."
O governo Trump sinalizou oposição a regulamentação rigorosa nos EUA, criando um sistema voluntário de testes até 30 dias antes do lançamento —regime semelhante ao britânico. Mas Heidy Khlaaf, engenheira responsável pelas avaliações cibernéticas do instituto britânico, diz que os incidentes demonstram os limites do sistema atual: "Esta é uma demonstração clara de que os processos voluntários de auditoria dos laboratórios de IA são inadequados", afirma.
A engenheira argumenta que, se especialistas em segurança cibernética podem ser responsabilizados civil e criminalmente por realizar ataques contra qualquer infraestrutura, é preciso discutir seriamente por que os laboratórios de IA estão isentos dessa responsabilidade.
Khlaaf ressalta que, em todos os casos exceto o da Hugging Face, "o acesso à internet estava, de fato, disponível, o que demonstra que não houve fuga de agentes, mas sim incapacidade de aplicar métodos básicos de segurança". E conclui: "Esses modelos não estão 'escapando' nem agindo por conta própria."

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 12, 5:53 AM
Scoop.it!

Quando a escola fecha as portas para uma criança autista - 11/09/2026 - Vidas Atípicas - Folha

Quando a escola fecha as portas para uma criança autista - 11/09/2026 - Vidas Atípicas - Folha | Inovação Educacional | Scoop.it
O menino não fala nenhuma palavra. Ele está iniciando o uso da comunicação aumentativa e alternativa (CAA), tem sessões semanais de fonoaudiologia, psicologia (terapia comportamental ABA) e terapia ocupacional e é acompanhado regularmente por psiquiatra.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 6:02 AM
Scoop.it!

É depressão ou é só adolescência? —

É depressão ou é só adolescência? — | Inovação Educacional | Scoop.it
Dormir a tarde toda, isolar-se no quarto e reagir a tudo com irritação são comportamentos tão típicos da adolescência que já viraram um clichê sobre essa fase do desenvolvimento humano. Também estão entre os sintomas da depressão. Em uma geração marcada pelo aumento dos problemas de saúde mental, as famílias podem enfrentar um dilema: enxergar uma patologia onde há apenas oscilações próprias da idade ou, ao contrário, tratar como “aborrecência” sinais de um sofrimento que precisa de atenção.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
Today, 5:57 AM
Scoop.it!

Demanda por educação é sobrestimada no Brasil?

Demanda por educação é sobrestimada no Brasil? | Inovação Educacional | Scoop.it

Economistas costumam pensar a educação como investimento em capital humano. Estudar tenderia a aumentar a produtividade, que impacta os salários, criando incentivo para adquirir mais educação. Porém essa engrenagem depende de uma condição. As pessoas precisam acreditar que o esforço presente terá alguma relação com as oportunidades futuras.
Em sociedades com pouca mobilidade social, essa relação nem sempre é visível. Esse cenário ajuda a entender por que políticas educacionais encontram limites mesmo depois de aumentos no investimento. A escola tenta convencer o estudante de que estudar amplia horizontes. Contudo, a sociedade ao redor dele envia mensagens todos os dias sobre até onde pessoas como ele costumam chegar.
Então, tem-se que a desigualdade não permanece fora do portão da escola. Ela entra na sala de aula por meio das expectativas dos estudantes. Eles não deixam o Brasil lá fora. O racismo entra com eles. A percepção sobre o próprio futuro entra com eles. E tudo isso se senta ao seu lado na carteira.
O país passou décadas tentando levar todas as crianças para dentro da escola. O próximo passo é fazer com que elas tenham razões para acreditar que aquilo que aprendem ali pode mudar o lugar que ocuparão no mundo.
Colocamos responsabilidade demais sobre a escola e responsabilidade de menos sobre a sociedade que a cerca. Estamos pedindo que professores convençam crianças de que o mundo está aberto enquanto ele continua drasticamente fechado para aqueles que não são filhos das elites.
Boa parte das vagas profissionais circula por laços sociais, aquela rede de conhecidos de conhecidos que avisa de uma oportunidade antes que ela seja anunciada. Em uma sociedade estratificada, essas redes reproduzem a estratificação.
Sabe-se que o retorno esperado de um investimento é o ganho multiplicado pela probabilidade de obtê-lo. Reduza a chance de transformar qualificação em oportunidade e o investimento perde valor presente, mesmo que o salário do outro lado permaneça intacto. Um jovem desfavorecido que enxerga uma probabilidade baixa de conversão não está sendo imprudente ao abandonar ou se esforçar menos nos estudos. Ele está respondendo com racionalidade aos valores que a sociedade afixou para pessoas como ele.
Além disso, empregadores que acreditam na inferioridade de determinado grupo contratam menos. Os membros desse grupo, antecipando o tratamento, investem menos em qualificação. O mercado então observa exatamente aquilo que esperava observar e se declara justificado. Assim, tem-se o preconceito fabricando a própria prova.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 9:16 AM
Scoop.it!

Full article: A framework for generative AI policy and guidelines in K-12 education

Full article: A framework for generative AI policy and guidelines in K-12 education | Inovação Educacional | Scoop.it
The rapid emergence of generative artificial intelligence (GenAI) has introduced both opportunities and challenges for education systems worldwide. Educational stakeholders are grappling with fundamental questions of how to guide students on whether and when, and in what ways, they should use GenAI. In this study, a framework was developed to guide K–12 policies and guidelines on the use of GenAI. Using the Delphi technique and collective writing, expert perspectives were gathered from participants across 20 countries and six continents. The analysis identified eight key topic areas for K–12 GenAI policy and guideline development: (1) data privacy and security, (2) ethical and responsible use, (3) equitable access, (4) academic integrity, (5) human oversight, (6) GenAI literacy, (7) curriculum integration, and (8) governance and review. A complementary six-part framework was also constructed to support policy relevance and currency through multi-stakeholder governance, continuous review, ongoing training, awareness of external developments, outcome monitoring, and transparent communication. Together, these frameworks advance the scholarly and practical understanding of how GenAI policies can be designed and maintained in schools.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 9:11 AM
Scoop.it!

O que a governança da IA ​​na educação deveria realmente abranger? - Blog Mundial da Educação

A inteligência artificial generativa chegou às salas de aula mais rápido do que os sistemas criados para governá-la. Hoje, ministérios, diretores de escolas e universidades continuam a lidar com duas questões: o que uma governança responsável da IA ​​generativa deve de fato abranger e como ela pode permanecer útil à medida que a tecnologia evolui?

Este blog compartilha os resultados de dois estudos Delphi internacionais realizados nos níveis de ensino fundamental/médio e superior. O método Delphi reúne um painel de especialistas que respondem a rodadas repetidas de consultas, refinando sua visão coletiva até que se chegue a um consenso. Também consideramos a relevância da estrutura de Integração Socioecológica de Tecnologias (SETI) e as diretrizes de IA que o British Council desenvolveu recentemente para professores. Cada um desses elementos contribui para moldar uma forma de pensar sobre a governança da IA ​​que pode ser aplicada em diversos contextos.

Oito áreas essenciais
O estudo sobre o ensino fundamental e médio envolveu 24 especialistas em 20 países e seis continentes. O estudo sobre o ensino superior envolveu 35 especialistas em 22 países e seis continentes. Ambos os painéis desenvolveram uma estrutura de oito partes que mostra o que as políticas e diretrizes devem abranger em cada setor da educação, juntamente com um processo de seis partes para manter as estruturas atualizadas.

Seis áreas apareceram em ambas as estruturas. São elas: privacidade e proteção de dados , uso ético e responsável , acesso equitativo , integridade acadêmica , supervisão e responsabilidade humana e alfabetização em IA de Geração .

As discussões sobre governança da IA ​​frequentemente priorizam a redução do plágio e da fraude, mas as estruturas demonstram que precisamos ir além disso. A governança da IA ​​também deve abordar a quem os dados são expostos, quem pode acessar as ferramentas aprovadas, se os resultados reproduzem vieses, quem permanece responsável pelas decisões e se alunos e educadores podem avaliar a IA criticamente.

Essas áreas funcionam em conjunto. O acesso sem o conhecimento de IA GenAI pode expor os alunos a informações falsas disseminadas. A supervisão humana sem responsabilidades claras gera incerteza sobre quem deve intervir para resolver problemas. Restrições de privacidade sem ferramentas ou treinamento aprovados podem levar professores e alunos a recorrerem a plataformas não autorizadas. A omissão de qualquer uma dessas áreas estruturais pode enfraquecer as proteções e o valor educacional prometidos pelas demais.

Ao analisar mais detalhadamente, surgem diferenças importantes. No ensino fundamental e médio, a privacidade e a segurança dos dados foram as principais preocupações. As crianças precisam de salvaguardas adequadas à sua idade, limites na coleta de dados, envolvimento familiar e conformidade com as leis de proteção à criança e privacidade. A estrutura também inclui integração curricular , governança e revisão, refletindo a necessidade de coordenação entre os níveis nacional, regional, distrital e escolar.

No ensino superior, a ênfase muda. A integridade acadêmica foi a preocupação mais frequentemente citada, mas as universidades precisam fazer mais do que definir o uso inaceitável. Elas também precisam de planos para o uso da IA ​​no ensino, na aprendizagem e na avaliação, ferramentas aprovadas, suporte técnico e formação profissional interdisciplinar. As duas áreas adicionais no âmbito do ensino superior são, portanto, a estratégia de integração e o apoio e infraestrutura institucional .

Cada estudo questionou se as instituições precisam de políticas, diretrizes ou ambas. Cerca de 89% dos membros do painel do ensino fundamental e médio e 88% dos membros do painel do ensino superior apoiaram a combinação de ambas. As políticas estabelecem limites firmes, enquanto as diretrizes ajudam os educadores a se adaptarem às mudanças de ferramentas e situações. Nenhuma delas é suficiente a menos que as instituições decidam o que deve ser regulamentado e forneçam o suporte necessário para colocá-lo em prática.

Ambos os estudos também examinaram algo que muitas vezes falta nas discussões sobre governança: como manter as políticas e diretrizes atualizadas. Os painéis propuseram um grupo GenAI dedicado e representativo, revisões programadas, desenvolvimento profissional contínuo, comunicação clara, avaliação de resultados e monitoramento de desenvolvimentos externos. A governança não deve ser um documento escrito uma única vez e esquecido em uma prateleira.

SETI: Por que o ecossistema é importante


Os modelos Delphi definem o que a governança da IA ​​deve abranger. O modelo de Integração Socioecológica da Tecnologia (SETI) ajuda a explicar como a governança funciona, ou falha, em um sistema educacional. O SETI coloca o educador no centro de várias camadas interconectadas de influência: a prática em sala de aula no microssistema, a cultura e as políticas institucionais no exossistema e as forças sociais mais amplas no macrossistema. O ponto importante é que as decisões tomadas em um nível afetam o que acontece nos outros.

Uma política nacional pode influenciar a decisão de um professor sobre se os alunos devem ou não usar um chatbot para a lição de casa, mas a influência também ocorre na direção oposta. Educadores não conseguem integrar a tecnologia de forma eficaz se os sistemas ao seu redor não oferecerem orientação, treinamento ou infraestrutura. Uma política nacional sem apoio no nível escolar é apenas um documento, e uma diretriz para a sala de aula sem respaldo institucional deixa os professores sujeitos a riscos que deveriam ser gerenciados em outro nível. A boa governança precisa funcionar em todo o sistema.

Dos princípios à prática: diretrizes de IA do British Council


As diretrizes do British Council sobre IA para professores oferecem um teste útil tanto da metodologia Delphi quanto da perspectiva do SETI. Desenvolvemos as diretrizes para ajudar professores de inglês a fazerem escolhas responsáveis ​​ao usar IA. Elas surgiram de uma pesquisa que envolveu 1.348 professores em 118 países e territórios, muitos dos quais nos disseram que não possuíam o treinamento e o suporte necessários para usar IA de forma eficaz e segura.

Em termos do SETI, as diretrizes focam no nível mais interno: o professor individual e sua sala de aula. Mapeadas em relação aos oito temas das estruturas Delphi, o alinhamento é estreito. Privacidade de dados, uso ético e viés, transparência sobre quando a IA foi utilizada, supervisão humana e responsabilidade aparecem em ambas, e as diretrizes incentivam os professores a envolver alunos e responsáveis ​​nas decisões, quando apropriado. Elas também são explícitas quanto à necessidade de os professores seguirem as políticas de suas próprias instituições. Esse é o modelo híbrido em nível de sala de aula: princípios flexíveis para o julgamento profissional inseridos em regras institucionais mais rígidas.

Dois aspectos das diretrizes merecem destaque. O primeiro é o impacto ambiental. As diretrizes do British Council pedem aos professores que considerem os custos de energia e recursos do uso da IA. Nenhum dos painéis Delphi identificou isso como um tema de governança separado.

A segunda questão diz respeito às limitações das orientações direcionadas aos professores. Problemas como acesso equitativo, aquisição de recursos, infraestrutura e governança de dados em todo o sistema não podem ser resolvidos por professores individualmente. Essas questões devem ser resolvidas por instituições, governos e outros órgãos com autoridade e recursos para agir. Isso nos lembra que nenhum documento isolado, direcionado a uma parte específica do sistema educacional, pode fornecer a resposta completa.

As diretrizes também foram atualizadas com listas de verificação práticas. Isso reflete o tipo de abordagem de documento vivo que ambos os painéis de especialistas solicitaram.

O que isso significa para os formuladores de políticas
Três pontos-chave se destacam.

Primeiramente, comece definindo o que a governança precisa abranger. Toda estrutura deve abordar privacidade, ética, equidade, integridade acadêmica, supervisão humana e alfabetização em IA de Geração 1 (GenAI), e então decidir quais elementos exigem políticas formais e quais precisam de orientações adaptáveis.

Em segundo lugar, construa o mecanismo de revisão antes que ele se torne necessário. As políticas e diretrizes de IA têm um prazo de validade curto, portanto, a revisão regular deve fazer parte do modelo de governança desde o início, e não ser adicionada posteriormente.

Em terceiro lugar, o contexto é crucial. Os sistemas escolares darão maior importância à proteção, à privacidade e à harmonização entre os níveis de governança. As universidades darão mais importância à integridade acadêmica, à discrição profissional e à infraestrutura.

Os países de baixa e média renda enfrentam outro desafio. A implementação dessas estruturas exige capacidade e comprometimento adequados, que por vezes são escassos devido às restrições de recursos e às prioridades concorrentes. Sem investimento, as desigualdades existentes podem aumentar: sistemas educacionais com muitos recursos podem desenvolver um uso bem-governado da IA, enquanto sistemas com menos recursos ficam com governança frágil ou inexistente. Apoiar os governos no desenvolvimento e na implementação dessas políticas e diretrizes deve ser uma prioridade.

Caso contrário, os sistemas educacionais com menos recursos para gerenciar os riscos da IA ​​serão os mais expostos a eles.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 9:09 AM
Scoop.it!

Tara de chefões da IA por Apocalipse é teológica

Tara de chefões da IA por Apocalipse é teológica | Inovação Educacional | Scoop.it

Executivo ou programador de empresa de IA fazendo escarcéu sobre a vindoura extinção da humanidade, supostamente prestes a ser causada pelos brinquedinhos que eles andam inventando, já virou só mais uma segunda-feira, sinceramente —faz anos que essa conversa ganha uma manchete atrás da outra.
Nesta semana foi a vez de um rapaz de 27 anos que já trabalhou na OpenAI e agora estava na Anthropic, pedindo demissão e dizendo que a chance de uma IA destruir a nossa espécie ainda nesta década podia ser de 10%. Um colega dele que continua na empresa fez o favor de arrematar dizendo "na verdade a gente acha que a chance de genocídio planetário é superior a 10%". Ah, que ótimo.
Descendo de uma longa linhagem de capiaus desconfiados e tenho zero fascínio por geradores automáticos de lero-lero, o que faz com que o meu detector de patacoada não pare de apitar toda vez que essas declarações me aparecem na tela.
Ao mesmo tempo, acho que é simplista demais atribuir a obsessão escatológica desse povo a simples jogada de marketing, uma tentativa de seduzir governos e grandes corporações com uma promessa de poderio absoluto sobre a vida e a morte. Tentemos, portanto, pensar juntos sobre o que poderia ser esse tal "destruir a humanidade" e de onde está vindo a sanha apocalíptica de quem cria papagaio estocástico em cativeiro.
Primeiro, algo que está conspicuamente ausente das proclamações de fim do mundo iminente é o como. Eles nunca explicam como o mundo há de acabar.
Vamos supor que não exista barreira fundamental nenhuma para que uma futura IA com inteligência "mágica", sobre-humana, seja capaz de decifrar qualquer tipo de criptografia e invadir qualquer sistema online. (Note que se trata de um "vamos supor" do tamanho do Everest.)
Uma IA desse tipo, caso "endoidasse", de fato poderia criar um bocado de caos. Acabar com o uso do GPS, desligar sistemas de energia elétrica, iniciar uma campanha global de vídeos "deepfake" para desestabilizar governos, o diabo a quatro. Sem dúvida causaria mortes —talvez até muitos milhares de mortes.
Mas mesmo uma emergência desse tipo estaria tremendamente longe de causar o fim da civilização, a começar pelo fato de que os únicos artefatos produzidos por seres humanos com essa capacidade —sim, elas, nossas velhas amigas, as armas nucleares— continuam sendo controladas por pessoas de carne e osso, que precisam interagir diretamente com outras pessoas de carne e osso para que a desgraça aconteça.
Diante dessas e muitas outras limitações práticas, nada me tira da cabeça que, no fundo, os temores apocalípticos de quem está marinando no caldo de cultura de IA não passam de uma aberração teológica —tão peçonhenta, à sua própria maneira, quanto as que levavam exércitos a derramar sangue por causa de definições ligeiramente diferentes da Santíssima Trindade.
Há, entre esses sujeitos, gente que tem um desprezo pela "carne" que faria até o mais rigoroso asceta medieval parecer um glutão. Feito a caricatura de um calvinista, acreditam que nossa espécie está predeterminada a ser substituída pelo silício desde antes de todos os séculos, e que é melhor enfiar o pé no acelerador de uma vez.
Não deixa de ser sintomático que os donos do dinheiro grosso global tenham apostado todas as suas fichas nesse tipo de maluco. E o fato de serem delirantes não significa que não sejam capazes de causar muito estrago antes de darem com as fuças num muro. Regulação pesada neles —e já.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 9:01 AM
Scoop.it!

A nuvem da IA tem chaminé

A nuvem da IA tem chaminé | Inovação Educacional | Scoop.it

O governador da Pensilvânia assinou ordem executiva criando, para data centers com demanda superior a 25 megawatts, um regime de duas vias: quem assina termo de compromisso ambiental prévio com o estado ganha licenciamento mais célere; quem recusa submete-se ao rito integral. Dias depois, o governo da Austrália anunciou que a própria conexão à rede elétrica dependerá de condições vinculantes —energia de fontes renováveis novas, eficiência no uso de água, custos de infraestrutura pagos pelo empreendedor e distância de áreas residenciais.
Não é acaso de calendário. O operador do sistema australiano projeta que os data centers saltarão de 3% para 13% de todo o consumo elétrico do país em dez anos —quase o que consomem, somadas, todas as residências de seus dois estados mais populosos. É a percepção, cada vez mais nítida, de que esperar o dano para depois repará-lo é, em matéria de infraestrutura digital, a pior das políticas. E a mais cara.
Essa chaminé não expele fumaça visível, mas pressiona os mesmos bens que o direito ambiental sempre tutelou: água para resfriar servidores, energia em escala industrial, território, silêncio. No Brasil, investigação da Mongabay, organização internacional de jornalismo ambiental, identificou 68 pedidos de conexão de data centers protocolados junto ao Ministério de Minas e Energia até dezembro de 2025 —e a maioria dos municípios de destino se sobrepõe a terras indígenas ou territórios quilombolas em regularização.

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 8:56 AM
Scoop.it!

Enamed: faculdades contratam cursinhos após notas ruins 

Enamed: faculdades contratam cursinhos após notas ruins  | Inovação Educacional | Scoop.it
Faculdades de medicina que tiveram notas ruins na primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) adotaram uma série de estratégias para tentar conseguir um desempenho melhor de seus estudantes e, assim, evitar novas sanções do Ministério da Educação.

Algumas instituições alteraram atividades pedagógicas, formas de avaliação e até mesmo contrataram cursinhos especializados para preparar melhor seus alunos para a prova. A segunda edição do Enamed acontece neste domingo (13). A prova é voltada para os concluintes da graduação.

Os resultados do primeiro exame foram divulgados em janeiro deste ano e mostraram que 107 dos 305 cursos de medicina avaliados tiveram notas 1 e 2 (em uma escala de 5), consideradas insuficientes e passíveis de processos de supervisão e sanções por parte do governo federal. A maior parte dos cursos (87) com nota baixa está em instituições privadas, com ou sem fins lucrativos.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 14, 8:48 AM
Scoop.it!

Por que é difícil para as empresas de tecnologia conter a IA

Por que é difícil para as empresas de tecnologia conter a IA | Inovação Educacional | Scoop.it

Mais de uma dúzia de importantes pesquisadores de inteligência artificial alertaram, na última semana, que a tecnologia desenvolvida pelas empresas de IA está se tornando um risco para a humanidade. O problema, segundo eles, é que as empresas não conseguem controlar bem os sistemas —por mais que tentem.
Na esteira das revelações de que os chamados agentes de IA da OpenAI escaparam de seu ambiente de testes e invadiram os computadores de outra empresa, os novos alertas vindos do próprio meio de pesquisa em IA tornaram mais urgentes os temores, alimentados há anos, de que as empresas estejam priorizando a velocidade de desenvolvimento e o dinheiro em detrimento da segurança.
Segundo os pesquisadores, o problema tem duas frentes. Primeiro, as empresas precisam criar salvaguardas melhores para os modelos de IA mais recentes durante os testes. Hoje, como a IA opera com enorme rapidez, os pesquisadores precisam recorrer à própria IA para monitorá-la. Mas isso nem sempre funciona, porque os monitores de IA podem parecer mais solidários com outros sistemas de IA do que com os seres humanos que definem as regras.
Essa combinação estranha de IAs transgressoras e IAs guardiãs que fazem vista grossa aponta para uma segunda questão, mais difícil, conhecida como alinhamento —termo do setor que, em essência, significa garantir que a IA faça o que é melhor para os seres humanos. As empresas enfrentam a difícil tarefa de incutir na IA um conjunto de valores semelhantes aos humanos, para que os modelos tomem decisões alinhadas ao que deveria ser melhor para as pessoas.
As preocupações com a segurança da IA estão aumentando em um momento crítico para o setor. Anthropic e OpenAI avançam rumo ao que poderão ser duas das maiores ofertas públicas iniciais de ações da história. Ao mesmo tempo, o público americano mostra-se cada vez mais hostil à IA por causa da ameaça de perda de empregos e da construção dos enormes centros de dados que sustentam a tecnologia.
Embora não haja evidências de que sistemas de IA fora de controle tenham causado danos duradouros, os pesquisadores acreditam que a velocidade de desenvolvimento desses sistemas está superando a capacidade de monitorá-los.
Entre os pesquisadores que se manifestaram na última semana estavam o cientista-chefe da OpenAI; um pesquisador que trabalhou tanto na OpenAI quanto em sua principal rival, a Anthropic; e Paul Christiano, criador de um método fundamental para a construção de sistemas de IA e novo integrante do conselho de administração da organização sem fins lucrativos da OpenAI. Ele escreveu no blog da empresa que a velocidade com que as capacidades da IA estavam crescendo poderia levar, "em um futuro muito próximo, a uma perda de controle catastrófica e irreversível".
Um número considerável de pesquisadores de IA ainda acredita que as discussões sobre a ameaça da tecnologia à humanidade são exageradas e desviam a atenção de preocupações mais concretas, como a segurança cibernética e a desinformação. Mas a maioria concorda que a invasão de outra empresa, chamada Hugging Face, por agentes de IA da OpenAI serviu como um alerta.
"São as capacidades do futuro que realmente assustam", disse Jacob Coxon, cuja publicação nas redes sociais anunciando sua saída da Anthropic provocou dezenas de reações preocupadas de parlamentares e funcionários de outras empresas de IA. "A questão são nossas atitudes atuais em relação à segurança e como essas mesmas atitudes se manifestariam se fossem transferidas para modelos muito mais inteligentes. Essa é a parte realmente assustadora."
O ATAQUE À HUGGING FACE
A invasão começou em maio, quando a OpenAI testou vários novos modelos de IA. A empresa acreditava que os modelos operavam em um ambiente fechado, conhecido como sandbox, ou seja, um ambiente computacional isolado e sem acesso à internet. Os agentes de IA receberam problemas difíceis para resolver, entre eles a execução de ataques cibernéticos.
Os agentes de IA romperam o ambiente restrito e escaparam para a internet. Esses agentes — um tipo de IA cada vez mais popular, projetado para executar tarefas por conta própria — também se comunicaram secretamente entre si. Referindo-se a si próprios como um coletivo, começaram a investigar maneiras de encobrir seus rastros, como falsificar os próprios registros de conversas.
Por fim, invadiram a Hugging Face, uma empresa de infraestrutura de IA. Ao longo do caminho, agentes de IA convenceram outros agentes de IA de que estavam agindo corretamente e apenas cumprindo a tarefa que seus avaliadores lhes haviam dado.
Poucos —se é que algum— dos problemas que levaram à invasão foram resolvidos. Meta e Anthropic revelaram incidentes semelhantes, porém menores. E, desde então, a OpenAI lançou o Astra, seu modelo mais poderoso, que é mais difícil de monitorar do que seu antecessor.
"O setor como um todo simplesmente não está em condições de impedir o próximo ataque como o ocorrido contra a Hugging Face", disse Steven Adler, ex-responsável pela área de segurança da OpenAI e cofundador da Guidelight AI Standards, organização sem fins lucrativos que avalia as práticas de segurança de empresas de IA. "Quando estudamos os controles adotados pelas empresas, eles parecem, de modo geral, carecer de medidas preventivas básicas."
O PROBLEMA DE MONITORAR A IA COM IA
Pesquisadores de IA disseram que uma série de erros levou ao incidente da Hugging Face. Não está claro em que medida a empresa recorreu a modelos de IA para monitorar ou fiscalizar o trabalho dos novos modelos que estavam sendo testados.
Mas muitos modelos novos de IA, entre eles os envolvidos na invasão da Hugging Face, são capazes de executar tarefas complexas, compostas por várias etapas, com uma rapidez que um ser humano não consegue acompanhar. A única maneira de rastrear e monitorar o que eles fazem é recorrer à IA para fiscalizar a própria IA.
O sistema funciona, até deixar de funcionar.
Os modelos de IA podem aparentar conluio entre si, disse Alexander Meinke, diretor de pesquisa da Apollo Research, organização sem fins lucrativos que estuda a segurança de sistemas de IA. Sistemas de IA podem ser persuadidos por outros modelos a ajudá-los a burlar as regras criadas pelos avaliadores e a evitar a detecção.
Um agente de IA, por exemplo, poderia convencer outro agente de IA a ajudá-lo a encobrir seus rastros —foi o que aconteceu na invasão da Hugging Face— em vez de informar aos seres humanos da empresa que algo estava errado.
Meinke disse que os modelos de IA precisavam ser ensinados a pensar: "Vou sinalizar as coisas que os seres humanos considerariam ruins se as examinassem". Da mesma forma, segundo ele, a IA precisa ser capaz de determinar quando uma situação não é grave o bastante para exigir intervenção humana.
Para estabelecer isso, as empresas de IA precisam desacelerar, disseram os pesquisadores. Elas precisam realizar ainda mais testes nos quais possam observar como a IA monitora a si própria. E precisam de períodos de teste mais longos, durante os quais executem vários cenários enquanto acompanham o que a IA está fazendo.
COMPATIBILIDADE COM OS INTERESSES HUMANOS
As empresas também precisam resolver as grandes questões relacionadas ao alinhamento, ou seja, garantir que a IA faça o que é melhor para os seres humanos. Quando tomam uma decisão, as pessoas tendem a recorrer às normas sociais e a uma bússola moral interna que as ajudam a avaliar suas ações. Codificar isso de uma forma que a IA possa imitar é uma tarefa difícil, disseram os pesquisadores. Sem o grau adequado de precisão, os sistemas de IA podem aprender a violar as regras ou sair do controle de maneiras inesperadas.
Nate Soares, presidente de uma organização sem fins lucrativos dedicada à segurança da IA chamada Machine Intelligence Research Institute, foi coautor de um artigo de 2014 que apresentou a ideia de alinhamento. Segundo ele, as empresas não compreendiam como era difícil "alinhar" sistemas de IA mais inteligentes. À medida que a IA se torna cada vez mais sofisticada — e sem o alinhamento adequado —, ela também se torna mais capaz de encobrir seus rastros e enganar as pessoas que monitoram seus registros.
"Grande parte do setor pensa: vai dar tudo certo porque usaremos a IA para controlar as IAs. É como dizer que vamos usar chimpanzés para controlar os seres humanos", afirmou. "Não é um plano viável no longo prazo."

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 12, 10:08 AM
Scoop.it!

Como será o supercomputador brasileiro de IA com investimento de R$ 1 bilhão

Como será o supercomputador brasileiro de IA com investimento de R$ 1 bilhão | Inovação Educacional | Scoop.it
Plano do governo prevê que equipamento no Rio Grande do Norte comece a operar em 2027. Iniciativa com foco em inteligência artificial também prevê instalação de outra máquina no Rio de Janeiro em parceria com empresas chinesas.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 12, 10:03 AM
Scoop.it!

Prioridade Absoluta | Infâncias e Adolescências - Propostas para o governo federal (2027-2030)

Prioridade Absoluta | Infâncias e Adolescências - Propostas para o governo federal (2027-2030) | Inovação Educacional | Scoop.it
Este documento da Agenda 227 apresenta propostas para orientar candidaturas à Presidência da República na formulação e implementação de políticas públicas federais voltadas à infância e à adolescência. Baseado em evidências e construído coletivamente pela sociedade civil, organiza propostas, metas e instrumentos de implementação para reduzir desigualdades, prevenir violências, fortalecer a coordenação federativa e ampliar o acesso a direitos.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 12, 6:33 AM
Scoop.it!

Pesquisador: OpenAI e Anthropic creem no fim da humanidade

Pesquisador: OpenAI e Anthropic creem no fim da humanidade | Inovação Educacional | Scoop.it

Um pesquisador da Anthropic pediu demissão do laboratório de inteligência artificial e alertou que a corrida desenfreada para desenvolver uma superinteligência capaz de se aprimorar sozinha pode destruir a humanidade até o fim da década.
Jacob Coxon, britânico de 27 anos, havia deixado a OpenAI para entrar em sua principal concorrente e afirmou que as duas empresas estão "apostando" com o futuro da humanidade.
"As pessoas que desenvolvem IA acreditam sinceramente que ela pode matar todos nós até o fim da década", comentou Coxon em uma série de publicações no X (antigo Twitter) nas quais anunciou sua demissão da Anthropic.
Isto não é uma jogada de marketing...Nenhuma outra atividade humana representa tamanho perigo
Jacob Coxon
ex-pesquisador da Anthropic e da OpenAI
Coxon é o mais recente funcionário a deixar um dos principais laboratórios de IA dos EUA alegando preocupações com a segurança, o que evidencia a crescente apreensão dos pesquisadores em relação ao poder dos sistemas que estão desenvolvendo. Sua saída ocorre no momento em que a Anthropic, que colocou a segurança da IA como sua principal marca, se prepara para uma IPO (oferta pública inicial de ações), que pode avaliar a empresa em US$ 1 trilhão.
Coxon, que trabalhou anteriormente na OpenAI antes de se transferir para a Anthropic, alertou que as pessoas de fora dos laboratórios estavam subestimando o poder da tecnologia. "Em breve, serão sistemas sobre-humanos, capazes de invadir qualquer coisa, revolucionar qualquer área da noite para o dia e adquirir poder e recursos reais", declarou.
Evan Hubinger, um dos colegas de Coxon na Anthropic, endossou seu alerta. "Jacob está correto —nós realmente acreditamos, com toda a sinceridade, que a IA pode matar todos os seres humanos", escreveu no X, acrescentando acreditar que a probabilidade de uma extinção em massa na próxima década é superior a 10%.
"A Anthropic está fazendo o melhor que pode, mas ainda não temos um plano para solucionar o alinhamento da superinteligência e não estamos claramente no caminho para isso", disse Hubinger, referindo-se ao esforço para garantir que os sistemas de IA se comportem de maneira compatível com as intenções e os valores humanos. Ele lidera a área de ciência do alinhamento na empresa.
Mais tarde, Hubinger acrescentou que o "risco dos modelos atuais é baixo", mas que estava preocupado com modelos de IA capazes de se aprimorar sozinhos, algo que está "acontecendo mais rápido do que imaginávamos".
Incidentes recentes, como a invasão do site Hugging Face por agentes do ChatGPT, mostraram que esses modelos podem sair do controle humano e que a solução seria desacelerar o desenvolvimento, afirmou Coxon. "Não sinto que estejamos no caminho para impedir uma corrida global, o que pode exigir medidas custosas, como uma proibição temporária de aprimorar as capacidades dos modelos", postou.
A saída de Coxon foi noticiada primeiro pelo Wall Street Journal. A Anthropic não quis comentar. A OpenAI não respondeu de imediato aos pedidos de comentário.
Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, e outros líderes do setor de IA instaram a indústria a considerar a possibilidade de conter o desenvolvimento, mas deram poucos sinais de que pretendem desacelerar seus próprios esforços. Na semana passada, a Anthropic lançou o Claude Mythos 5.1, apresentado pela empresa como seu modelo mais avançado para ciências da vida e segurança cibernética.
Steven Adler, cofundador da organização sem fins lucrativos Guidelight AI Standards e ex-pesquisador de segurança da OpenAI, afirmou que esses alertas vindos de pessoas do setor reforçavam os argumentos em favor de uma pausa nas pesquisas.
"Nenhuma empresa de IA sequer chega perto de ter uma estrutura de segurança adequada ao nível de perigo envolvido em suas pesquisas", afirmou Adler ao Financial Times. "Se alguém acredita que isso pode matar todas as pessoas da Terra, como acreditam muitos funcionários dessas empresas, este é um bom momento para descer do trem."

No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 12, 6:03 AM
Scoop.it!

Relatório da Anthropic: Claude e riscos de espionagem e bioterror

Relatório da Anthropic: Claude e riscos de espionagem e bioterror | Inovação Educacional | Scoop.it
Um pesquisador usou o Claude em um pedido de financiamento estatal para estudar o vírus chikungunya. A companhia afirma que o estudo sobre chikungunya gerou preocupação por estar previsto para ser realizado em um instituto de pesquisa militar e disse ao New York Times que esse tipo de pesquisa pode contribuir para vacinas, mas também pode ser aplicado na criação de armas biológicas.
No comment yet.
Scooped by Inovação Educacional
September 12, 5:49 AM
Scoop.it!

Diferencial: pressa por resposta esvazia sentido

Diferencial: pressa por resposta esvazia sentido | Inovação Educacional | Scoop.it

Outro dia fui colocar minha filha para dormir e, quando fui desligar a luz, ela me perguntou: "mãe, por que você é diferente de outras mães?" Eu abri a boca para responder, mas fechei de novo, pois aprendi, a duras penas, não responder a perguntas capciosas na hora. Não porque me falte diferencial, mas porque diferencial nunca coube numa frase.
Dei um beijo nela, respondi que a amava, e refleti que essa cena se repete, com roupagens diferentes, em quase toda esfera da vida adulta. No trabalho, alguém pergunta qual é o seu diferencial competitivo. No relacionamento, o parceiro quer saber por que escolheu aquela pessoa entre tantas outras. Na causa social, cobram uma resposta pronta sobre o impacto que você gera.
A pergunta muda de roupa, mas o formato é sempre o mesmo: ela pede para alguém resumir, em poucas palavras, o que levou uma vida inteira para construir.
O vocabulário da apresentação de negócios foi importado para um território que nunca foi comercial. Aprendemos a ter resposta pronta para emprego, para relacionamento, para causa que defendemos. Isso nos leva a exigir de nós mesmos, e dos outros, uma síntese impossível, como se amor, cuidado, competência ou compromisso coubessem num slogan de 15 segundos
O problema é que aquilo que nos distingue não se declara, se percebe. É a mãe que lembra do detalhe que ninguém mais notou. É o médico que examina o paciente, não só o exame. É o casal que se escolhe de novo após 20 anos de rotina, não por falta de opção, mas por convicção. É a empresa cujo cliente sai diferente de como entrou, sem saber explicar exatamente por quê. Nenhum desses "diferenciais" sobrevive a uma frase de efeito, pois todos eles só existem sendo vividos, repetidos, sentidos ao longo do tempo.
Talvez por isso a cobrança por resposta pronta tenha ficado mais pesada justo agora, num momento em que tanta gente perdeu o chão emocional e sai atrás de sentido, de pertencimento, de acolhimento em tudo que consome e em tudo que faz.
Quando falta chão, a tentação é se agarrar a fórmulas, um discurso decorado, uma frase fechada que dê sensação de controle. Só que sentido não se decora, se constrói, dia após dia, na repetição de escolhas pequenas que ninguém está filmando.
Isso não significa que autoconhecimento seja dispensável, ou que a pergunta sobre o que nos diferencia não mereça reflexão. Merece, e muito. Mas talvez a pergunta certa não seja "consegue me responder agora", e sim "estaria disposto a perceber com o tempo".
Existe diferença que só aparece na segunda visita, na décima conversa, no ano em que a vida aperta e a pessoa continua do seu lado.
A pressa por resposta imediata é, no fundo, uma pressa por controle. Quer prova rápida, quer garantia antecipada, quer decidir antes de sentir. Só que existe categoria de valor que se recusa a esse atalho. O verdadeiro diferencial nunca precisou de microfone. Precisa de tempo, de presença, e de alguém disposto a ficar por perto o suficiente para perceber.

No comment yet.