A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (3) um projeto de lei que cria o Sistema Nacional de Educação, projeto que vai instituir o “Identificador Nacional Único do Estudante”, uma espécie de prontuário do aluno que reunirá toda sua trajetória escolar. O projeto volta para nova análise do Senado. O autor da proposta, deputado Rafael Brito (MDB-AL), afirma que o objetivo é manter um registro unificado com todas as informações sobre a vida escolar do estudante: dados de permanência, evasão escolar, grau de aprendizagem e possíveis transferências, por exemplo. O registro unificado pretende dar mais subsídios para os educadores na atenção a este aluno. “Isso significa que, se ele mudar de estado, por exemplo, todo o seu histórico educacional irá junto, de forma automática e integrada. Esse prontuário permitirá acompanhar o desempenho, dificuldades e desafios de cada estudante", disse. Números do governo confirmam atraso da educação no Brasil O projeto cria a Infraestrutura Nacional de Dados da Educação, que fará o manejo dos dados educacionais. A união ficará responsável pela nova estrutura, através do Ministério da Educação. A base de dados será de uso obrigatório por todas as bases de registros administrativos de ensino, tanto da União, quanto de estados, municípios e Distrito Federal. Segundo o projeto, o identificador também poderá ser usado como fonte para indicadores nacionais e regionais de fluxo escolar, mobilidade estudantil, evasão e resultados.
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
A Natura assinou parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome para ampliar a qualificação profissional, empreendedorismo e geração de renda dos inscritos no CadÚnico do governo federal.
Serão oferecidos cursos gratuitos de empreendedorismo e beleza, em formato digital, para cerca de 3 milhões de brasileiros cadastrados em programas sociais. O início será em São Paulo e Salvador.
A Nestlé produziu sua primeira campanha digital no Brasil sem abrir uma única câmera. O comercial do Nescau Cookie Cereal foi gerado de ponta a ponta com inteligência artificial generativa, em parceria com o Google, usando Veo 3, Gemini e Nano Banana na plataforma Vertex AI, do roteiro à finalização, sem set, sem filmagem, sem produtora tradicional. A única entrada física foi a embalagem e o produto. "O projeto foi feito 100% por IA", diz Bárbara Ribeiro, head de marketing para cereais matinais Nestlé. A Ogilvy atuou para preservar os códigos da marca, e a Human, parceira do Google especializada em IA, ajudou a viabilizar a produção. Esse caso retrata uma indústria sendo reprogramada. Nos últimos anos, marcas usaram IA para criar personagens, gerar vídeos, testar formatos e até transformar a própria ferramenta em assunto de campanha. Nesse movimento, a Nestlé coloca a IA generativa no fluxo normal de produção de uma grande anunciante, com equipes internas, plataforma corporativa e agências trabalhando no mesmo processo. A Nestlé, assim como outros anunciantes e agências, já usava IA antes, só que em pedaços. "A gente já adotava ferramentas com inteligência artificial normalmente em pós-produção. Mas essa foi a primeira vez que a gente fez end to end", afirma Rafael Berenguer, da Nestlé. A IA virou o motor de todas as etapas, do conceito visual à entrega. As pessoas decidiram o que valia ser gerado. A IA gerou, refinou e escalou os materiais. É essa divisão de trabalho, máquina na produção e humano no julgamento, que está virando padrão. Com certeza, o que move a adoção não é entusiasmo tecnológico. É financeiro. Uma empresa que faz cerca de 90 campanhas por ano vive de processo, e qualquer mudança tem impacto direto no custo e no tempo. Berenguer afirma que o modelo "rodou muito mais rápido, muito mais direto ao resultado que a gente precisava e também muito mais escalonável". E o custo de produção virou investimento em mais mídia. Para o consumidor comum, a publicidade que aparece no YouTube, no Instagram e no TikTok fica mais numerosa e mais rápida. Uma campanha que antes dependia de filmagem, produtora, pós-produção e adaptações manuais agora pode gerar dezenas de versões em uma fração do tempo. "Se eu preciso ajustar alguma coisa na campanha, no cenário ou no produto, é rápido, porque tudo é via prompt. O que antes exigia abrir câmera de novo, e pagar de novo, vira ajuste de texto e nova geração de ativo de conteúdo", afirma Bárbara. Mas a transição interna não foi indolor. "É um músculo novo que vai na academia. Ele dói um pouquinho para ser usado", diz Berenguer, descrevendo a tensão entre curiosidade técnica, aprovação jurídica e o peso de uma estrutura global como a da Nestlé. A frase é honesta sobre o que costuma ficar escondido nos cases de inovação. A adoção de IA numa grande corporação esbarra menos na tecnologia e mais na cultura, no compliance e na hierarquia de decisão. Para Marco Bebiano, diretor de negócios do Google Brasil, o maior aprendizado está no redesenho do método. "Não é só focar no output, mas focar no processo coletivo", afirma ele sobre a nova forma de trabalho. As peças da campanha foram apresentadas aos consumidores e todas elas declaram o uso de IA. "O consumidor não gosta de ser enganado", diz Berenguer. Na leitura da Nestlé, usar IA e declarar não incomoda o público. Curiosamente, mesmo com o aviso na peça, Bárbara afirma que "a maior parte" dos consumidores sequer percebeu que o conteúdo havia sido feito por máquina. Esse dado é desconfortável e revelador ao mesmo tempo. Se o público não distingue o sintético do filmado, a etiqueta "feito com IA" cumpre uma função ética, mas não perceptiva. A transparência vira um ato de boa-fé da marca, não uma proteção que o consumidor consiga acionar sozinho. Há pelo menos três tipos de campanha com IA rodando no mercado. No primeiro, a IA é o tema da mensagem. Foi o caso das Óticas Diniz em 2023, na campanha "Nem tão inteligente assim", que expunha vieses de sistemas de IA ao mostrar que, ao gerar imagens de líderes e CEOs, a ferramenta produzia sobretudo figuras masculinas. No segundo, a IA é personagem, avatar ou interface, como a Yara, da Ypê, criada no Symphony do TikTok, a Marisa Maiô no Magalu, a IAra no Burger King. Nesses casos, a IA é visível e faz parte da graça. O caso Nescau pertence ao terceiro tipo, que usa a IA como motor de produção audiovisual, como a criação do filme para a temporada de neve no Chile, da Stone, que estreou pela marca Ton seu primeiro filme de TV integralmente produzido com IA para divulgar o TapTon, e da GWM, que produziu um filme do Haval H6. A Unilever fez um mix no filme de Brilhante, com Chay Suede. Usou o Veo 3 em parceria com o Google, desenvolveu mais de mil imagens estáticas e usou 850 cenas em vídeo, com unicórnios voadores e estética abertamente surreal. "O que a gente está vendendo é o processo como um todo", diz Berenguer. O piloto nasce local, mas mira escala. "O aprendizado é escalonável para a marca que a gente quiser, para o país que a gente quiser". "Marcas que não têm R$ 2 milhões para produzir um vídeo agora vão poder contar sua história", diz Bebiano. Na Índia, Cadbury e Ogilvy já mostraram o que isso significa em escala. Anúncios com o ator Shah Rukh Khan funcionavam como propaganda para milhares de pequenos comerciantes, um tipo de personalização que verba nenhuma desses negócios compraria. "A liberdade criativa também se traduz em quantidade criativa", resume Bebiano. Para as plataformas de performance, mais peças significam mais testes e mais dados. Toda peça gerada no Vertex AI carrega a marca d'água digital SynthID, imperceptível ao olho humano, mas gerenciável, voltada à atribuição e ao combate à desinformação. E todas as peças trazem o aviso "Conteúdo desenvolvido com apoio de IA". É a resposta da indústria a um consumidor que começa a desconfiar de imagens, vozes e vídeos sintéticos.
Em seu novo livro, Contra o Iluminismo Sombrio (Arpa Editores, 2026), Carlos Fernández Liria aprofunda-se no pensamento do filósofo Nick Land, de Curtis Yarvin e de outras figuras proeminentes da extrema-direita americana. O autor utiliza essa ideologia como ponto de partida para desenvolver uma resposta baseada em uma tese fundamental: o iluminismo sombrio que almejam não é um cenário futuro, mas sim um cenário em que vivemos desde que a burguesia derrotou a Revolução Francesa, desde que os poderes econômicos impediram a verdadeira libertação da cidadania. Os magnatas da tecnologia do Vale do Silício e seu braço intelectual estão apenas acrescentando nuances cada vez mais autoritárias e elitistas a esse desastre.
Para combater isso, Fernández Liria argumenta que devemos concluir o projeto inacabado do Iluminismo, a separação efetiva dos poderes e a implantação de um setor público eficiente e forte, para evitar um futuro de domínio corporativo onde a maior parte da espécie humana pareça supérflua.
Em um dos momentos mais tocantes da encíclica que o papa Leão 14 lançou sobre inteligência artificial, ele cita Gandalf, o mago de "O Senhor dos Anéis": "Não nos compete dominar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que nos for possível para ajudar os anos em que estamos inseridos, erradicando o mal nos campos que conhecemos, para que quem viver depois possa ter terra limpa para amanhar". A fala do mago acontece em um momento de desespero na narrativa. A Batalha dos Campos do Pelennor acabou de acontecer. Sauron, servo do mal absoluto, conta com exércitos imensos e a constatação é de que é impossível vencê-lo em batalha aberta. A única esperança são os dois pequenos hobbits, Frodo e Sam, que Sauron não leva a sério. Só que ninguém tem notícias de Frodo, nem sabe onde ele está. Ao evocar Tolkien (que era profundamente católico e contribuiu para a conversão de C.S. Lewis ao cristianismo), o papa faz um alerta contra o derrotismo em face de forças avassaladoras, como a inteligência artificial. Nas suas próprias palavras ele diz que não devemos "pensar que os problemas são demasiado grandes e nós demasiado pequenos; e que nossas escolhas nada alteram". Ele chama isso de "uma forma elegante de rendição, disfarçada de realismo". E conclama cada um a atuar no seu "próprio âmbito de ação". A encíclica Magnifica Humanitas é de uma importância que só será entendida com o passar dos anos. O que chamamos de "inteligência artificial" é uma força radical de imanência. Por isso, se contrapõe diretamente às religiões (e à nossa busca inata por transcendência, que faz parte da condição humana). Nos últimos anos, as ideologias da inteligência artificial têm buscado simular conceitos religiosos e teológicos. Por exemplo, a pregação sobre uma "escatologia" secularizada, substituindo o arco religioso transcendente pela ideia de "singularidade". Ou ainda, uma "soteriologia" tecnológica, isto é, a doutrina de salvação por meio da chamada AGI (Inteligência Artificial Geral), que nas palavras de lideranças do setor, poderia "curar todas as doenças", eliminar a pobreza e derrotar a morte. A ideia de "vida eterna" aparece também em fantasias como "mind uploading", achar que vai ser possível transferir a mente humana para a máquina e nela viver para sempre. Há até uma "demonologia" tecnológica em formação. No interessante livro da antropóloga Beth Singler chamado "Religião e Inteligência Artificial", ela aponta que a IA e suas ideologias querem exercer as funções clássicas da religião: criar uma cosmologia, servir de parâmetro para julgamentos éticos e morais (e até jurídicos!), prover sentido, e, simultaneamente, esperança e medo escatológicos. Por essa razão, não é só o catolicismo que precisa se posicionar sobre a IA, mas todas as designações religiosas: os budistas, as cosmologias dos povos tradicionais, os espíritas, os evangélicos, os hindus, os judeus, os muçulmanos, os protestantes, as religiões afro-brasileiras e assim por diante. Em face à imensidão da IA, surge a oportunidade de um grande diálogo ecumênico entre todos os "campos que conhecemos, para que quem viver depois possa ter terra limpa para amanhar". Já era – achar que a teologia é um conhecimento de nicho Já é – apropriação da teologia pelas ideologias da IA Já vem – oportunidade de um diálogo ecumênico em face da IA
Mesmo na quinta posição no ranking da discrepância de renda, o Brasil tem conseguido feitos expressivos para a redução da exclusão. Em 2025, o país saiu do Mapa da Fome da ONU. Na educação, no último ano e meio, graças ao Projeto Aprender Conectado, mais de 21 mil escolas públicas do ensino básico nas localidades mais remotas e vulneráveis do nosso território —como zonas rurais e áreas indígenas, quilombolas e ribeirinhas— passaram a dispor da internet de alta velocidade para uso pedagógico.
Traduções literárias correm o risco de serem executadas apenas, ou majoritariamente, pelas IAs, em um cenário movido pela mentalidade mercadológica de economizar tempo e dinheiro. Até mesmo nos meios acadêmicos esses recursos são celebrados como exemplos de inovação, palavra que parece ser o mantra de nosso tempo. A agilidade das máquinas, contudo, tem nos levado a um cenário menos diverso no contato com outras culturas, com pouco entendimento sobre o que faz do trabalho de um tradutor uma forma de arte. Ao proferir palestra em um congresso sobre tradução, em 1982, o escritor e ensaísta italiano Italo Calvino afirmou: "Traduzir é uma arte: a passagem de um texto literário, qualquer que seja seu valor, para outra língua requer a todo instante uma espécie de milagre. Todos nós sabemos que a poesia em versos é intraduzível por definição; mas a autêntica literatura, inclusive em prosa, trabalha justamente na margem intraduzível de toda a língua. O tradutor literário é aquele que se põe inteiramente em jogo para traduzir o intraduzível" (tradução de Maurício Santana Dias). Calvino não propõe, na sua fala, uma definição de arte. Como lembrou o escritor americano Leonard Koren, em 2018: "Ninguém realmente precisa de arte. Ou pelo menos é o que alguns cínicos dizem. Assim, se os artistas quiserem que seus trabalhos sejam reconhecidos, eles precisam encontrar um jeito de tornar o valor de suas criações perceptível e convincente para os outros. Isso implica, primeiramente, que as pessoas prestem atenção e, depois, transformem essa atenção em algo duradouro" (tradução de Alice Sant’Anna). Ambas as citações suscitam perguntas. Entre outras, quantas pessoas consideram a tradução uma arte? Quantas ainda têm tempo para prestar atenção em artefatos estéticos? Prestar atenção requer parar para apreciar e refletir sobre o que se vê/lê. Atualmente, no universo das artes, tão importante quanto ver é ser visto. Na área da literatura, muitos influenciadores se dedicam a postar, praticamente todos os dias, os livros que estão lendo, que leram no mês, na semana, no dia anterior ou que lerão a seguir. Se considerarmos que nesse frenesi de leitura eles mal têm tempo para percorrer a obra na totalidade, é de supor que, nos casos de autores estrangeiros, pouca atenção deem à tradução. Nem falo em analisar a tradução, mas sim em tomar o cuidado de pelo menos citar o nome do tradutor. Às vezes, eles nem parecem se dar conta de que comentam uma obra traduzida! Mas não se pode apontar o dedo apenas para alguns influenciadores literários. Recentemente, a equipe do governo petista que elaborou o projeto MEC Livros, que oferece acesso gratuito, em formato digital, a obras da literatura nacional e mundial, tampouco levou em conta "a arte de traduzir". No site oficial do MEC Livros não consta, nas informações que detalham os livros para o leitor, pelo menos na grande maioria dos consultados por mim, o nome do tradutor. Citarei dois casos exemplares. "Poesia Completa", da americana Maya Angelou, parece ter sido escrita diretamente em português, pois o nome da tradutora, Lubi Prates, foi desconsiderado. Já nas informações do estojo James Joyce, com "Um Retrato do Artista Quando Jovem" e "Epifanias", o destaque é para o texto da especialista italiana Ilaria Natali, que acompanha a publicação, enquanto o nome do tradutor, Tomaz Tadeu, bastante respeitado no universo dos livros, não é mencionado. Poderia citar muitos outros exemplos de livros sem os nomes de seus respectivos tradutores, no site oficial do programa do governo. Terá isso ocorrido porque a equipe não teve tempo para refletir sobre o papel da tradução na cultura brasileira? Sabe-se que, na luta contra governos autoritários, xenófobos etc., a troca cultural com outras nações é algo fundamental. Nunca é demais lembrar que a tradução é uma ponte entre culturas, épocas, visões de mundo… No recém-lançado "Anacronismos: Ensaios de Arte, Literatura e Filosofia de Exceção", Davi Pessoa, professor de língua e literatura italianas na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e tradutor prolífero, ao discorrer sobre grandes escritores da Itália que se tornaram tradutores, destaca a posição de Cesare Pavese. Em 1932, Pavese "expressou seu desejo de enfrentar o monolinguismo da ideologia fascista e, para isso, se dispôs à escuta de uma poderosa voz multilíngue vinda da imensidão do oceano. Essa voz, porém, é um corpo, e todo corpo é habitado por muitas vozes". O escritor italiano se lançou então na aventura de traduzir "Moby Dick", de Herman Melville, contra "o mito fascista da unidade totalizante", ou seja, ele buscou o "contato e o contágio com diversas mitologias", colocando-se à escuta do estrangeiro, "rompendo com fronteiras geográficas, políticas e culturais pretensamente determinadas pelo poder". Pavese teria aprendido também que traduzir é "saber habitar as soleiras", não se transformar no outro, nem transformar o outro, mas permitir que a porta fique aberta para novas escutas e conversas. A arte da tradução, por mais enigmática que seja o sentido dessa expressão, tem, assim, um papel político importante, mas parece que hoje ninguém precisa dela, e não se trata de cinismo, como afirmou Koren na citação acima, mas, antes, de absoluta impossibilidade de prestar atenção na arte em geral, qualquer que seja ela. Hoje, já se delega às inteligências artificiais (IAs) a atividade de traduzir, restando ao antigo tradutor o papel, talvez inesperado, de revisor, uma função que já foi considerada quase extinta, mas parece cada dia mais necessária. Toda nova tecnologia, como ninguém ignora, é uma conquista definitiva. Mas me parece que a inteligência artificial, no campo da tradução e da criação literárias, precisaria ser recebida e empregada com mais cautela. Contudo, a pressa, imposta pelo mercado, e a tendência ao "cult" impõem o seu uso sem maiores indagações e regulamentações. No caso da tradução, mesmo nas universidades, as IAs têm sido por vezes festejadas pelos professores, por isso não espanta que o Ministério da Educação destaque, em praticamente todos os editais, a palavra "inovação", seja lá o que ela signifique. A academia talvez precise se mostrar atualizada para a sociedade e se sinta pressionada a seguir os passos ágeis de um mundo regido pelo pós-capitalismo. Se por um lado é cult hoje falar das traduções feitas pelas IAs, por outro é espantoso o fato de que não se costuma discutir o enorme impacto ambiental de seu uso indiscriminado. Cult também é inovar sempre, trocar lâmpadas velhas por novas, mesmo que nas novas não exista gênio algum. O que importa, nesse caso, é que seja atraente para o mercado e desperte o desejo dos consumidores. Recentemente, a Autêntica Contemporânea decidiu publicar um livro de uma autora turca, conforme foi divulgado por este jornal. A editora Rafaela Lamas optou, segundo a matéria, por uma tradução indireta, a partir do inglês, já que "não tinha relação de confiança com nenhum tradutor de turco". Podemos fazer as seguintes perguntas: como é possível não confiar em um falante nativo como tradutor e confiar cegamente em uma tradução indireta feita com a ajuda de inteligência artificial? Por que não contratar o tradutor que conhece o idioma turco e fazê-lo trabalhar com algum outro nome mais experiente, mesmo que não saiba essa língua? Adriana Lisboa ficou responsável pela tradução, na qual se valeu da ajuda da IA para tirar dúvidas sobre o texto original em turco. Ela também contou com o auxílio, talvez para ganhar legitimidade, do diplomata Marcus Vinícius Marinho, conhecedor da língua e da cultura da Turquia. Quem afinal deveria assinar a tradução? Seria esse procedimento inusitado apenas uma jogada de marketing, a fim de vender a ideia de que não precisamos mais enfrentar o monolinguismo do ideário fascista? Parece-me que, ao buscar a novidade a qualquer preço, estaríamos, isso sim, dando uns bons passos para trás no quesito tradução. Em meados do século passado, nos anos 1950, Paulo Rónai, grande intelectual e tradutor húngaro radicado no Brasil, escreveu um ensaio que deveria ser relido com atenção, "Traduções Indiretas". Nele, conta que um editor, muito amigo seu, ao escolher um tradutor, preferia um escritor experiente a um estudioso do idioma de partida que escrevesse um português enviesado. Para Rónai, o escritor e o estudioso deveriam formar uma parceria, cujas habilidades e conhecimentos se completariam. Ganharíamos muito se conhecêssemos mais e melhor as ideias cada dia mais atuais desse precursor dos estudos da tradução no Brasil. Sobre as traduções indiretas, a partir de uma outra versão, e não do original, Rónai nos lembra que, na sua época, inexistindo "uma classe de tradutores", muitas eram feitas do francês, mas esse procedimento levou a um engessamento da escrita, o que, em consequência, impedia o estilo de se "adaptar às sinuosidades do pensamento concebido em qualquer outra língua". No Brasil, o Sintra (Sindicato Nacional dos Tradutores) foi fundado em 1988, quando se reconheceu oficialmente a profissão de tradutor. Como se lê na página do sindicato, desde sua inscrição no Ministério do Trabalho e Previdência Social, este é "o órgão que representa os tradutores e intérpretes em todo o território nacional". Mais recentemente, em 2023, surgiu o Quem Traduziu, coletivo de tradutoras que defende a ideia de que "a tradução literária é um trabalho autoral, criativo e artístico, que envolve uma série de escolhas e reflete a sensibilidade e a ética de quem traduz". O coletivo tem feito publicamente, desde então, uma série de justas reivindicações, merecendo espaço generoso em feiras e festivais literários. No entanto, diante do panorama que tentei traçar aqui, pergunto quão efetiva tem sido a luta de todos os tradutores deste país em favor da tradução como arte, sem abrir mão da visibilidade dos profissionais dessa área. Retomo o primeiro parágrafo e a ideia de "milagre" de que fala Calvino ao tratar a passagem de um texto de uma língua para outra. Essa opinião parece dialogar com a do seu conterrâneo, o filósofo Giorgio Agamben, para quem a "felicidade" é crer no divino e não aspirar alcançá-lo. Diria que o tradutor, na minha concepção, crê no milagre e no divino sabendo que são inalcançáveis, uma vez que sua matéria-prima é a escrita, a qual, como lembra Agamben, se move "conscientemente entre o dizível e o indizível" (tradução de Selvino José Assmann). O fato de termos certeza de que não alcançaremos por intermédio da palavra outra cultura, mesmo conhecendo sua língua ou usando a IA, nos leva a seguir dialogando com ela. No início do século 21, Giorgio Agamben afirmou que o capitalismo, como religião moderna por excelência, se tornou o "improfanável absoluto para todos nós". É disso que falamos quando fechamos cursos considerados "inúteis", quando delegamos a tradução de outra cultura à máquina em nome da rapidez exigida pelo mercado etc. Por isso, o "dever político da próxima geração" é seguir profanando, conforme defendeu o filósofo italiano.
A Revolução Industrial foi movida a carvão. O século 20 rodou a petróleo. O recurso definidor do século 21 é algo muito menos visível: o token, a menor unidade de linguagem consumida cada vez que um modelo de inteligência artificial pensa, escreve ou decide. Estamos entrando em uma nova era, e suas restrições são surpreendentemente antigas: energia, minerais e geografia.
Em minha última coluna abordei os efeitos da IA sobre o mercado de trabalho e o potencial de ganhos de eficiência para o setor público. A evidência não é especulativa: a IA tem sido um dos motores da economia, e as empresas estão incorporando crescentemente a tecnologia em seus processos.
A proporção de empresas que usam IA saltou de 20% em 2017 para 88% em 2025, de acordo com a McKinsey. A adoção de IA não está no horizonte; ela já remodela a economia global em alta velocidade.
Ilustração de mãos robóticas sobre um teclado, com a mensagem "inteligência artificial" ao fundo - Dado Ruvic/REUTERS Nos últimos meses, observamos uma grande transformação. O que chamamos de text coding —a capacidade de produzir programas e projetos por meio de linguagem simples— democratizou a programação. Pessoas sem formação técnica profunda agora entregam projetos com eficiência próxima à de desenvolvedores experientes.
As empresas correm para se tornar AI First: organizações verdadeiramente lideradas pela inteligência artificial. O que começou como automatização de fluxos de trabalho evolui rapidamente para um novo patamar: a IA como geradora de ideias, não apenas executora de tarefas. Quem acompanha esse movimento de perto já vê isso claramente no dia a dia.
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Pobre, rico ou classe média? Calculadora mostra sua posição na distribuição da renda no Brasil Crianças aprendem mais sobre dinheiro com mesada sem obrigações, diz pesquisa Uma mudança cultural revela a profundidade dessa transformação. Em Palo Alto, quando se contrata alguém, a negociação não gira mais apenas em torno do bônus ou do pacote de benefícios. O candidato pergunta quantos tokens poderá gastar. A produtividade passou a depender diretamente do volume de tokens disponíveis.
O token tornou-se a nova unidade monetária da inteligência, o equivalente ao barril de petróleo do século passado. As entidades capazes de produzi-lo de forma barata e em escala dominarão o comércio global, a ciência, a defesa e a economia. Empresas e países que não compreenderem essa lógica a tempo pagarão o preço da dependência.
Diante desse avanço e do consumo explosivo de tokens, há duas grandes barreiras que definirão o futuro: energia e poder computacional. O consumo global de eletricidade por data centers chegou a 415 TWh em 2024. A IEA (Agência Internacional de Energia) projeta que alcançará 945 TWh em 2030.
Nos Estados Unidos, data centers de IA podem demandar 123 gigawatts de capacidade até 2035, cerca de 30 vezes mais do que em 2024. As cinco maiores empresas de tecnologia destinaram mais de US$ 400 bilhões em investimentos de capital em 2025, alta de 72% em um ano, com previsão de crescimento adicional expressivo em 2026.
Jensen Huang, da Nvidia, foi categórico: "A receita de IA é limitada pela energia". O gargalo não é mais o código. São os quilowatts.
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Opinião: Um guia para quem está perplexo com a IA Além da energia, os minerais completam o binômio por trás dessa corrida. Para produzir semicondutores — o substrato físico da IA — são necessários elementos de terras raras. A China controla hoje cerca de 60% da mineração mundial e 90% da capacidade global de refino.
Em outubro de 2025, Pequim impôs controles de exportação sobre minerais críticos, provocando aumento de preços na Europa e cortes de produção. A revolução da IA colidiu com um ponto de estrangulamento geopolítico de fornecedor único. A resposta foi imediata: os EUA formaram uma coalizão de nações para garantir cadeias de suprimento de minerais críticos. A corrida por recursos que definiu os impérios coloniais retornou, desta vez impulsionada pelo silício, não pelo vapor. O petróleo continua importante, mas saímos do debate exclusivo sobre ele para tratar de energia e minerais como um todo.
Nesse novo mapa geopolítico, o Brasil ocupa uma posição que poucos países no mundo possuem. O país detém a segunda maior reserva mundial de minerais de terras raras, estimada em 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China. Fornece cerca de 90% da demanda global de nióbio, mineral crítico para supercondutores, baterias avançadas e ligas metálicas usadas em infraestrutura de IA.
E possui o outro ingrediente essencial: energia limpa, abundante e barata. Quase 90% da matriz elétrica brasileira provêm de fontes renováveis (como hidro, eólica, solar e biomassa), ante uma média global de aproximadamente 32%, de acordo com a IEA. Em um mundo onde data centers consomem tanta eletricidade quanto nações de porte médio, isso não é detalhe. É vantagem competitiva decisiva.
O mercado já percebeu e começa a precificar esse reposicionamento. A Microsoft anunciou US$ 2,7 bilhões em expansão de data centers no Brasil. A Amazon Web Services (AWS) planeja US$ 1,8 bilhão. Esse é um fluxo de capital que se traduz em empregos, renda e receita fiscal.
Os ativos energéticos e minerais brasileiros estão se valorizando. O país tem posição estratégica super-relevante. O Brasil está diante de uma nova rodada de vantagens comparativas —desta vez não baseadas em commodities agrícolas, mas em energia limpa e minerais estratégicos que o mundo desenvolvido precisa e não tem.
Nesta semana, Bruno Coimbra fala sobre a Portaria Capes nº 246/2026, que moderniza as regras para a criação de novos cursos de mestrado e doutorado no país. O texto detalha avanços em transparência, governança e segurança jurídica, como os novos prazos de funcionamento e regras para propostas similares. Por fim, o autor destaca que a aprovação dependerá de um planejamento estratégico institucional rigoroso e alinhado aos documentos orientadores.
Especialistas dizem que posts podem ser entendidos como publicidade e que divulgação de imagens expõe crianças a riscos como deep fake, manipulação por IA e pedofilia
As editoras brasileiras registraram crescimento nas vendas ao mercado em 2025, consolidando um cenário de recuperação do setor. Segundo a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – Ano-base 2025, coordenada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), com apuração da Nielsen BookData, as vendas ao mercado apresentaram alta nominal de 7,7%, com expansão de 6,5% no volume de exemplares comercializados. Descontada a inflação, o setor teve crescimento real de 3,3%, indicando avanço consistente na demanda por livros no país. Clique aqui e confira a pesquisa completa.
Todos os subsetores apresentaram crescimento nas vendas ao mercado em 2025, o principal destaque foi Obras Gerais, com alta nominal de 8,7% (4,3% em termos reais), consolidando-se como o segmento de maior dinamismo no período. Os demais subsetores também registraram desempenho positivo: em Didáticos houve um crescimento de 3,2%, em Religiosos, de 2,4% e em CTP, de 1,9% em termos reais, o que evidencia uma recuperação disseminada entre os diferentes perfis editoriais.
Mais da metade dos brasileiros de 16 a 24 anos se define como conservadora. O percentual, porém, não supera o observado entre as faixas etárias mais velhas, em contraste com o que estudos internacionais recentes têm sugerido.
A diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), Miriam Wimmer, destaca que o novo estatuto traz uma inovação ao estabelecer regras específicas para o ambiente digital. “O ECA Digital traz a grande novidade de ser uma norma calibrada especificamente para o ambiente digital, no qual crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo”, afirma. Vainzof acrescenta que, embora a LGPD seja relevante, o novo estatuto tem alcance mais amplo. “Ele busca prevenir e diminuir riscos não apenas relacionados a dados, mas também à exposição, recomendação de conteúdos, interações e facilitação de contato com pessoas ou conteúdos potencialmente prejudiciais”, detalha.
A Anthropic, empresa de IA (inteligência artificial) dona do Claude, pôs à disposição do grande público, nesta terça-feira (9), a versão mais potente de sua tecnologia. A ferramenta, no entanto, tem restrições para solicitações sobre áreas sensíveis, como cibersegurança e ataques biológicos.
Batizado de Fable 5, este modelo é o primeiro aberto ao público da classe Mythos, modelo mais avançado da Anthropic, apresentado em abril, mas com acesso restrito pela própria empresa por motivos de segurança.
A Anthropic oferece uma versão sem limitações, o Claude Mythos 5, para um grupo restrito de empresas, organizações e agências estatais. A IA é apresentada como capaz de detectar e explorar falhas de segurança com velocidade e precisão inéditas.
Logo da Anthropic ao lado de uma mão robótica - Dado Ruvic - 5.jun.26/Reuters Até agora, a empresa justifica restringir o acesso ao Mythos exclusivamente pelos riscos de cibersegurança. Com o Fable 5, a Anthropic amplia o controle aos riscos de ataques biológicos, sem detalhar as ameaças específicas que busca evitar (design de armas químicas, bacteriológicas, entre outras).
Segundo a empresa, a maioria das solicitações relacionadas à cibersegurança ou à biologia recebem uma resposta do modelo inferior, Opus 4.8, disponibilizado ao público no fim de maio.
A Anthropic apresenta o Fable 5 como a versão segura deste modelo que, sem salvaguardas, não poderia ser aberto ao público. Este marco se baseia em filtros automáticos que analisam as solicitações em tempo real e bloqueiam as que tratam de temas sensíveis.
A Anthropic diz ter pedido a especialistas externos que tentem superá-los —uma abordagem de simulação de ataques— com premiações para quem conseguir explorar suas falhas.
Quando comecei a sentir dores crônicas, no início de 2021, lembro de mergulhar em longas pesquisas no Google procurando respostas que justificassem o que eu sentia. É claro que, na maioria das vezes, ficava desesperada ao descobrir que estava com câncer ou com uma doença genética rara e sem cura.
Na época, os chatbots de inteligência artificial ainda não tinham sido disponibilizados ao público - o ChatGPT, por exemplo, foi lançado em novembro de 2022. Fico imaginando se as coisas teriam sido diferentes caso eu tivesse conversado com uma IA.
O cenário atual é muito diferente. Um estudo recente realizado pelo aplicativo de telemedicina Olá, Doutor apontou que cerca de 70% dos brasileiros recorreram à inteligência artificial no último ano para tirar dúvidas sobre saúde. De acordo com a pesquisa, esse número chegou a 81,4% entre pessoas que convivem com doenças crônicas.
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Informações são confiáveis? Com o objetivo de investigar a qualidade das informações fornecidas por chatbots para perguntas frequentes de pacientes com dor lombar, um grupo de pesquisadores do Brasil e da Austrália desenvolveu um conjunto de 30 perguntas com o auxílio de pacientes com dor crônica para testar quatro ferramentas diferentes.
Ao analisar 1.069 recomendações geradas pela IA e comparar as respostas com diretrizes internacionais de referência, a pesquisa, publicada no Annals of the Rheumatic Diseases, revelou que 55,8% das respostas oferecidas pela IA estavam corretas, enquanto 42% foram consideradas inadequadas.
Segundo Felipe Reis, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, as principais falhas da IA foram identificadas em omissões (o modelo esquece informações importantes); mis-triage (falha em reconhecer urgências); e reforço de mitos e crenças falsas (como terapias alternativas, suplementos milagrosos e fatores de risco incorretos), além de possíveis alucinações da IA.
Apesar de chats como o GPT e o Gemini acertarem grande parte das respostas, esses achados sugerem que os modelos ainda reproduzem crenças tradicionais amplamente disseminadas, mas nem sempre sustentadas pela literatura contemporânea. Não existe um comprometimento no desenvolvimento dessas ferramentas. Isso acaba gerando informações incorretas e o paciente começa até mesmo a duvidar do profissional de saúde, opina Reis.
Outra questão apontada pela pesquisa é que, muitas vezes, a linguagem utilizada por essas ferramentas pode ser uma barreira significativa para os pacientes, com respostas consideradas "razoavelmente difíceis".
Continua após a publicidade Relacionadas Lela Brandão: 'Mulheres sentem mais dor porque silenciam o próprio corpo' Cadeira de rodas? Pior que mobilidade reduzida é não poder fazer xixi A dor crônica muda quem você é, e talvez isso não seja tão ruim Isso depende muito do conhecimento do usuário sobre saúde, porque alguns pacientes não vão conseguir entender o que significa aquela informação, que geralmente é direcionada para pessoas com alta escolaridade, comenta Reis.
Por outro lado, a IA acerta quando faz recomendações de automanejo da dor, como a prática de exercícios físicos e o reconhecimento de sinais de alerta, e também quando utilizar disclaimers de segurança, com frases como "esta informação não substitui avaliação profissional."
Médico ou IA? Segundo Ana Gandolfi, neurocirurgiã pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em cabeça e coluna, houve uma mudança nos últimos anos em relação ao conhecimento adquirido pelos pacientes em plataformas de inteligência artificial.
Antes eles traziam informações de buscadores como o Google. A diferença agora é que eles chegam com mais certeza, com nomes de doenças e até mesmo a medicação que eles acham que deveriam tomar. Alguns até abrem os chats durante a consulta, conta.
Ela aponta que um dos problemas de se basear na IA é a simplificação de doenças complexas como a dor crônica, que são influenciadas por muitos fatores.
Continua após a publicidade No consultório, fazemos uma personalização do tratamento levando em conta aspectos que talvez a IA não considere, como sono, trabalho e estilo de vida. Além disso, o exame físico me permite identificar condições muito discretas que o paciente não tem condições de perceber, explica.
Para a médica, a inteligência artificial muitas vezes cumpre um papel de acolhimento que o sistema de saúde não consegue suprir.
Temos que pensar na realidade do Brasil, em que muitas vezes as consultas dos planos duram 15 minutos e impossibilitam a criação de um vínculo entre médico e paciente. Mas a IA não pode substituir o contato humano.
O pesquisador Felipe Reis acrescenta que é precisa ser cauteloso com o uso dessas ferramentas, já que muitas delas não foram testadas com pacientes, carecem de transparência em relação às fontes consultadas, podem assustar os pacientes e até mesmo levar à descredibilização dos profissionais. Segundo ele, a próxima onda para a área da saúde é a criação de modelos mais treinados e específicos para a área da saúde.
Talvez o grande desafio seja conseguir que a IA ajude o paciente entenda melhor sobre a sua condição de saúde e que ele utilize essas ferramentas como um auxílio, tendo sempre o profissional de saúde como um tutor. Ele pode levar as informações para esse profissinal, para que a tomada de decisão seja algo compartilhado, opina Reis.
IA especializada Em resposta ao debate gerado pelo uso de IA na área de saúde, grandes empresas de tecnologia têm investido em plataformas especializadas voltadas para profissionais da área, como Claude for Health, o OpenAI for Healthcare o Med-Gemini.
Continua após a publicidade Neste sentido, a Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) acaba de lançar um aplicativo para profissionais de saúde e pacientes com dores crônicas, a DÓRIA. Além de tirar dúvidas com base em estudos científicos, a plataforma pretende conectar pacientes com profissionais especializados ao redor do Brasil e permitir registros diários para o acompanhamento do tratamento.
De acordo com o desenvolvedor da plataforma, Andrei de Faria, a ideia é oferecer acolhimento e um direcionamento inicial para pacientes que se sentem sozinhos e perdidos na sua jornada com a dor crônica.
A Dória não vai ter dar um diagnóstico, não vai te mandar fazer isso ou aquilo. A ideia é acolher, entender o caso do paciente e direcioná-lo a um profissional, utilizando uma fonte de dados com embasamento científico.
O Bumble, um dos maiores aplicativos de relacionamento, anunciou que vai abandonar o modelo de escolha rápida entre perfis e passar a usar inteligência artificial para recomendar possíveis parceiros. A decisão é uma resposta ao cansaço: 78% dos usuários americanos disseram se sentir esgotados ao utilizar o app. Em outro levantamento, 62% dos solteiros que buscavam relacionamento sério afirmaram que namorar ficou mais difícil do que dez anos antes. Embora os dados sejam americanos, a queixa soa familiar também no Brasil.
A reclamação sobre cansaço reflete a sensação de abundância de pessoas disponíveis ao mesmo tempo em que a maioria dos contatos não avança. Para virar compromisso, a outra pessoa, além de ser desejável, precisa demonstrar interesse, aceitar sair, gostar de você ao vivo e desejar algo minimamente compatível. Esse caminho entre a vitrine e a relação almejada quase sempre é percorrido com pouca informação e bastante adivinhação.
Tela de um smartphone mostra o aplicativo Bumble em uma loja virtual de apps - Mike Blake - 11.fev.21/Reuters Nesse tipo de contexto, organizar parâmetros ajuda na primeira triagem: economiza tempo, reduz o risco e evita escolhas perigosas. Contudo, filtrar por tamanho, cor ou categoria em uma compra online faz sentido porque o objeto já existe. Na busca por relacionamento, a peneira tenta antecipar a dinâmica entre duas pessoas antes que ela exista. Assim, buscamos sinais de confiança, intimidade, lealdade, paixão, atração e estabilidade, dimensões que aparecem nos estudos de Garth Fletcher e outros pesquisadores sobre ideais de parceiro e de relacionamento.
Entretanto, essa régua não funciona do mesmo modo antes e depois do contato ao vivo. Perfis compatíveis com as preferências declaradas despertavam mais interesse, mas, depois de uma breve interação presencial, o interesse decrescia, de acordo com experimentos de Paul Eastwick e Eli Finkel. O encontro não fazia as pessoas esquecerem o que queriam, mas mudava a percepção que tinham. Um adjetivo como "ambicioso" pode soar interessante no papel, mas parecer frio e egoísta numa conversa em que a pessoa não faz perguntas sobre o outro. Também pode ganhar charme se vier acompanhado de curiosidade e gentileza.
Na encíclica "Magnifica Humanitas", lançada em 25 de maio, o papa Leão 14 introduz o conceito de "jejum de IA". Longe de ser um ataque à tecnologia e aos seus benefícios, a proposta surge como uma crítica profética a correntes ideológicas que propagam promessas de superação dos limites humanos pela IA. Segundo o papa, a essência da liberdade não reside em superar os limites humanos, mas em aceitá-los e aprender a conviver com eles em paz. "Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da minha boca", respondeu Jesus quando tentado pelo diabo no deserto. O objetivo do jejum não é libertar o ser humano da necessidade do alimento, mas torná-lo livre para administrar quando e como satisfará suas necessidades. No entanto, na era da hiperestimulação, a liberdade interior não pode ser alcançada apenas com força de vontade individual. É por isso que, embora o jejum religioso seja uma iniciativa pessoal, a proposta do "jejum de IA" foi inserida no contexto de uma aliança entre governos, empresas, escolas e famílias. Nessa aliança, o papel da escola não é acompanhar a velocidade do mundo digital, mas oferecer aquilo que o digital, por si só, não consegue: tempo partilhado para aprender e relações de confiança. Segundo o papa, as escolas devem promover uma verdadeira higiene da atenção introduzindo ritmos que prevejam silêncio, leitura, estudo aprofundado e debate ponderado. Leão 14 recorre a estudos científicos para alertar que a exposição não supervisionada de crianças e adolescentes a dispositivos digitais e redes sociais pode afetar o sono, a atenção, a regulação emocional, prejudicar o estabelecimento de vínculos de amizade e gerar dependência. Além disso, há o risco de exposição à pornografia, ao assédio e à exploração sexual nas redes sociais. Mas, para que as famílias e as escolas consigam promover essa higiene da atenção, elas não podem lutar sozinhas contra gigantes da tecnologia. Por isso, as cobranças mais pesadas de Leão 14 foram reservadas aos governos e às empresas. Os governos são instados a criar medidas legislativas que estabeleçam limites de idade e responsabilizem os prestadores de serviços, protegendo os menores da dependência, da violência e da exploração sexual na rede. A encíclica exige que desenvolvedores, plataformas e empresas de tecnologia se submetam a auditorias independentes e prestem contas de suas atividades, enfatizando a necessidade de uma averiguação ética preventiva. Esse processo envolveria a realização de estudos antecipados para mensurar como as novas tecnologias afetam a saúde física e mental das pessoas, além de analisar as consequências socioeconômicas geradas pelos modelos de negócios que delas derivam. O pontífice cobra que as plataformas digitais cooperem de forma responsável com as autoridades e a sociedade para impedir que seus sistemas de comunicação, pagamento e perfis se tornem canais de recrutamento e controle de vítimas de tráfico humano e de novas formas de escravatura. Leão 14, em "Magnifica Humanitas", alerta que as novas "terras raras" são os dados de populações inteiras que as big techs utilizam sem nenhuma transparência e fiscalização. É uma questão de respeito à dignidade humana que os povos possam decidir como esses dados que lhes pertencem serão utilizados. Sem isso, rumamos para o colonialismo digital, adverte o papa. Em suma, o "jejum de IA" proposto por Leão 14 vai muito além de desligar as telas por algumas horas. Trata-se de um chamado urgente para submeter a tecnologia ao bem comum e recuperar o controle sobre a nossa própria atenção, nossos dados e, em última análise, nossa dignidade. Ao propor esse "jejum de IA", o papa nos lembra que a tecnologia deve servir à vida humana, e não o contrário.
A área de educação foi contemplada com uma alíquota mais baixa na reforma tributária, mas o aproveitamento do benefício, que pode reduzir a carga sobre o setor a partir de 2027, demanda mudanças na forma como essas empresas vendem seus serviços. Em conversa com a coluna, Gleidson Oliveira, diretor de Controladoria e Finops do isaac, pertencente à Arco Educação, afirma que o principal desafio é a necessidade de segregar receitas. As escolas costumam "empacotar" mensalidades com materiais didáticos, uniformes e atividades extracurriculares em um único boleto ou contrato. Com a reforma, essa prática precisa mudar. O setor ganhou na reforma uma redução de 60% na alíquota. O benefício é restrito às mensalidades, da creche até a pós-graduação. Itens como venda de uniformes ou cursos extracurriculares não foram contemplados. A cadeia do livro e do papel manteve a imunidade constitucional, o que também exige que esses valores sejam faturados e demonstrados de forma separada. Outra questão importante é uma boa gestão para aproveitar a desoneração da aquisição de materiais e da contratação de serviços terceirizados. Em janeiro de 2027, haverá a substituição do PIS/Cofins de 3,65% por uma CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), praticamente no mesmo patamar, para as mensalidades, mas com desoneração de todas as despesas do estabelecimento de ensino, o que pode reduzir custos. Oliveira explica que a reforma traz para a escola a oportunidade de tomar crédito dos tributos pagos sobre todos os insumos que ela adquire, como gastos com fornecedores de serviços, materiais e contas de internet e energia elétrica. "Mas isso exige sistemas que ajudem a levantar esses dados. Se conseguir ter essa organização, a escola consegue neutralizar e, em alguns casos, até sair positivamente dessa relação." Ele cita como exemplo a plataforma Isaac, da Arco, e afirma que a gestão manual será insuficiente para lidar com débitos e créditos de tributos. A Receita Federal promete simplificar o processo de gestão fiscal com o portal desenvolvido em conjunto com o Serpro, que vai contar com declaração pré-preenchida para todas as empresas, inclusive as do Simples Nacional que aderirem ao novo sistema. Outro ponto que pode beneficiar o setor educacional privado é o cashback dos novos impostos. Famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único terão reembolso de parte dos tributos pagos em diversos bens e serviços, o que inclui as mensalidades. Isso pode ser um fator de incentivo à educação superior paga, por exemplo, e favorecer o acesso a estabelecimentos pequenos no interior do país, onde o impacto desse retorno financeiro no orçamento familiar é mais significativo. Embora ainda não haja uma alíquota definida (o cálculo que mantém a carga tributária geral depende do teste que começou em janeiro), é possível fazer algumas projeções para prazos mais longos. A soma das alíquotas dos novos tributos, incluindo a contribuição federal CBS e o imposto dos estados e municípios IBS, foi estimada inicialmente em cerca de 27% a partir de 2033. Isso resultaria em uma tributação nominal reduzida de aproximadamente 10% para os serviços de educação. Com a desoneração das despesas dos estabelecimentos, a carga efetiva pode ficar abaixo desse percentual —atualmente, PIS/Cofins e ISS somam 8,65%. Se esse cenário se confirmar, pode não haver justificativa para repasses nas mensalidades relacionados à reforma. Serviços de educação com redução de 60% nas alíquotas Ensino Infantil, inclusive creche e pré-escola Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Técnico de Nível Médio Ensino para jovens e adultos destinado àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e médio na idade própria Ensino Superior, compreendidos os cursos e programas de graduação, pós-graduação, de extensão e cursos sequenciais Ensino de sistemas linguísticos de natureza visomotora e de escrita tátil Ensino de línguas nativas de povos originários Educação especial destinada a pessoas com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, de modo isolado ou agregado a qualquer das etapas de educação tratadas neste Anexo Outros serviços com redução de 60% na alíquota Serviços de saúde; Serviços de transporte público coletivo de passageiros rodoviário e metroviário; Produções artísticas, culturais, de eventos, jornalísticas e audiovisuais nacionais, atividades desportivas e comunicação institucional; Serviços relacionados à soberania e segurança nacional, segurança da informação e segurança cibernética.
Una nueva ola de herramientas basadas en IA llega sobre dos décadas de TIC en las aulas españolas. El acceso, la regulación y la inversión están en gran medida resueltos; que esta ola se traduzca en mejores aprendizajes depende de una implementación robusta y basada en la evidencia.
A ideia de aposentadoria como sinônimo de descanso tem ficado para trás com o aumento da longevidade no país. O brasileiro vive mais, chega à maturidade com melhores condições de saúde e segue cada vez mais presente no mercado de trabalho, seja por necessidade, realização financeira ou desejo pessoal.
O número de profissionais acima dos 50, 60 e 70 anos que buscam novas ocupações formais vem crescendo. Em 2024, o Brasil registrou o maior nível de ocupação de pessoas com 60 anos ou mais desde o início da série histórica do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): 24,4%. Na prática, uma em cada quatro pessoas nesta idade estava trabalhando.
Dados da Receita Federal indicam que a receita das empresas de apostas online licenciadas dobrou nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Isso ocorreu apesar de restrições do governo e da Justiça a apostas feitas por beneficiários de programas sociais e endividados.
A arrecadação com impostos sobre apostas saltou de R$ 2,2 bilhões nos primeiros quatro meses do ano passado para R$ 4,5 bilhões em igual intervalo de 2026. O montante arrecadado neste ano já fica próximo às contribuições feitas pela indústria do tabaco e pela agricultura, que pagam cerca de R$ 1 bilhão por mês em impostos cada.
Levando em consideração que a contribuição das casas de apostas ao fisco representa 37% da receita delas, as bets tiveram uma receita de R$ 12,2 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano.
When workers become overreliant on AI, there’s a risk of significant skills collapse. Workers may fall victim to “AI gravity” — the constant pressure to outsource more thinking to AI in order to become more efficient. Individuals and organizations can take specific actions to protect cognitive capital and preserve institutional knowledge, says MIT Sloan School of Management professor Eric So.
A partir das narrativas dessas participantes, buscamos compreender não apenas a ausência paterna como um fato biográfico, mas seus efeitos subjetivos. Isto é, como ela é sentida, interpretada e elaborada ao longo do tempo.
Os relatos mostram que a ausência do pai raramente é vivida apenas como distância física. Nos relatos, ela ganha o significado de abandono, especialmente quando associada à sensação de não ter sido escolhida ou desejada.
A Operação Fluxo Oculto apontou que 6 empresas do setor movimentaram R$ 26 bilhões para organizações criminosas. Papel crescente do setor financeiro nos negócios das facções acende alerta entre autoridades e mobiliza o próprio mercado financeiro após os EUA classificarem PCC e CV como terroristas.
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“Há muita gente que entende que a democracia está sendo atingida por uma crise. Não é essa a minha convicção. Acho que a democracia está em transformação.” A opinião é de Vitalino Canas, jurista, professor e presidente do Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE).
Em entrevista à Revista Problemas Brasileiros e ao Canal UM BRASIL — ambas realizações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, gravada em Lisboa, Canas explica que a dinâmica própria do funcionamento democrático está passando por mudanças que estão impactando quase todos os sistemas de governo mundo afora, inclusive no Brasil.
“O que acontece é que a fragmentação do sistema partidário, que não vem de hoje — trata-se de uma característica própria do sistema político brasileiro —, agora se traduz em menores condições de governabilidade”, acredita o jurista.
*crédito foto: Carolina Ferreira
Confira o que você vai encontrar nesta entrevista:
0:00 — Abertura
1:03 - Quais os problemas de governabilidade do Brasil e as alternativas de revisão?
6:56 - O conceito "Presidentes Governantes" supera a divisão clássica de sistemas de governo?
12:21 - Como a personificação excessiva do poder no Executivo corrói a democracia?
19:12 - Como a Europa e Portugal lidam com o aumento da imigração brasileira?
25:08 - Como o relacionamento entre Brasil e Portugal pode ser aprimorado?
28:04 - Como a digitalização ameaça os direitos fundamentais nas relações de trabalho?
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