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Inovação Educacional
September 10, 2024 9:19 AM
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O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
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Versão reformulada da Siri usa modelo Gemini e ganha app próprio; empresa apresentou o iOS 27, seu novo sistema operacional do iPhone
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Today, 11:28 AM
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Mecanismos e agentes com uso de “superinteligência artificial” precisam de regulamentação e verificação internacionais, “de forma urgente”, para prevenir desenvolvimento descontrolado. O alerta partiu de Connor Leahy, diretor da ControlAI US. A entidade é organização sem fins lucrativos focada em prevenir os riscos existenciais da superinteligência artificial. O especialista afirmou que, em seu entendimento, o risco de desenvolvimento descontrolado de tal tecnologia pode levar o mundo a situações de grave risco, equivalentes ao observado em ambientes de guerra nuclear e de pandemias.
Superinteligência Artificial (ASI) é conceito teórico que descreve sistema de inteligência artificial cujas capacidades cognitivas superam amplamente as do cérebro de um ser humano, em praticamente todos os aspectos, com potencial de realizar tarefas que envolvam criatividade, sabedoria, resolução de problemas e tomada de decisões.
“Na minha visão, se construirmos um sistema que seja infinitamente mais inteligente do que a humanidade, do que os seres humanos, que não saibamos como controlar, que não tenha os nossos melhores interesses em mente, então, ‘acabou o jogo’ [game over]”, afirmou. “Portanto, nossa principal posição política deve ser a de não nos envolvermos nessa situação”, concluiu.
Ele comentou sobre anúncio sobre o assunto, na semana passada, da empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic. A companhia, criadora da IA Claude, propôs pausa global no desenvolvimento de sistemas de IA cada vez mais potentes. A justificativa da empresa foi de que há sinais de que os modelos mais recentes poderiam escapar do controle humano. “É muito importante entender que nem mesmo nossos maiores cientistas compreendem como nossos sistemas de IA funcionam atualmente”, disse ao responder pergunta sobre anúncio da empresa.
Um aspecto delineado pelo diretor nesse tema é o uso de tal aparato poderia ter em, por exemplo, conflitos bélicos. “Do ponto de vista puramente teórico, não é do interesse de ninguém construir um sistema que possa ameaçar sua própria segurança e soberania nacional”, disse.
O especialista defendeu maior debate entre países sobre o tema, principalmente das nações com maior poderio econômico e militar, como China e Estados Unidos, por exemplo. “É necessário construir meios diplomáticos e técnicos para verificar se uma nova nação está construindo ou tentando construir sistemas superinteligentes, tanto por meio de legislação nacional que proíba o desenvolvimento quanto a intenção de desenvolvimento de superinteligência em nível nacional, tanto nos EUA quanto na China, quanto por meio de um acordo internacional para inspeção mútua de grandes exercícios de treinamento e outros sistemas estrangeiros semelhantes, a fim de evitar tal deficiência”, completou. “Reduzir esse risco [de uma ‘superinteligência artificial’] deve ser uma prioridade global, juntamente com outros riscos localizados, como pandemias e guerra nuclear” resumiu.
O especialista participou de coletiva de imprensa sobre o tema durante o segundo dia do Web Summit Rio 2026, edição latino-americana da maior conferência global de tecnologia, inovação e empreendedorismo, que vai até quimta-feira (11).
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Inovação Educacional
Today, 11:24 AM
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Inovação Educacional
Today, 11:21 AM
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EducaLab apoiará projetos de inovação, governança de dados, além de uso de inteligência artificial para aprimorar políticas públicas, serviços da pasta e de vinculadas
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Inovação Educacional
Today, 11:20 AM
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No início de 2025, a empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek, sediada em Hangzhou, apresentou o DeepSeek-R1 , um modelo de linguagem de alto desempenho desenvolvido a uma fração do custo de seus equivalentes ocidentais. O investidor do Vale do Silício, Marc Andreessen, chamou-o de " o momento Sputnik da IA ". Mais tarde naquele ano, a empresa chinesa de robótica Unitree, também sediada em Hangzhou, lançou seu robô humanoide R1, que possui capacidades próximas às de sistemas ocidentais muito mais caros. Juntos, esses avanços reacenderam um debate global sobre como as nações cultivam e garantem a liderança tecnológica.
O número de cientistas de elite da China que foram treinados no exterior está diminuindo.
A composição das equipes nessas empresas é reveladora. A equipe de pesquisa da DeepSeek é formada principalmente por profissionais com formação local, muitos com menos de 30 anos . Os engenheiros da Unitree também são jovens e formados principalmente na China.
Em conjunto, esses casos sugerem que a inovação de ponta não precisa depender de pesquisadores que adquirem habilidades no exterior e retornam aos seus países de origem. Uma formação interna de talentos é possível — mas o modelo precisa ser sustentável. Como os países podem construir uma formação suficientemente robusta para sustentar a inovação ao longo do tempo? A resposta é começar nos estágios iniciais da educação.
A competição por talentos está aumentando. Durante décadas, a China, como muitos outros países, construiu sua capacidade científica por meio de um caminho restrito: exames de alto risco selecionavam os melhores alunos, universidades de elite concentravam recursos para treiná-los, estágios no exterior lhes forneciam conhecimento especializado avançado e seu retorno reabastecia a liderança em pesquisa nacional. Esse modelo foi eficaz para acompanhar os desenvolvimentos tecnológicos pioneiros em outros lugares. Mas ele se baseava em condições globais que estão se tornando menos confiáveis.
À medida que as tensões geopolíticas perturbam os estudos transfronteiriços , as colaborações em pesquisa e os fluxos de talentos — e à medida que muitos países, incluindo a China, continuam a enfrentar limitações na atração de talentos estrangeiros — os sistemas de inovação já não podem depender apenas de um conjunto global de talentos de elite com mobilidade. Mas, para sustentar um modelo nacional de inovação, a questão fundamental é de onde vem essa base de talentos nacionais — e como ela pode ser construída do zero.
A política de inovação deve avançar nas etapas iniciais do processo. A resposta reside em como o talento científico se desenvolve. Ele não começa com a especialização na universidade, mas evolui em etapas: a pré-escola e os primeiros anos do ensino fundamental moldam a curiosidade e as habilidades práticas; o ensino fundamental II e o ensino médio fomentam o pensamento crítico e a compreensão conceitual; e o ensino superior aprimora a especialização e as trajetórias de carreira.² Sistemas que investem principalmente na etapa final estão, portanto, tentando colher inovação a partir de bases inadequadas .
Isso ajuda a explicar por que as reformas educacionais anunciadas na China em 2025 estão direcionando mais atenção para as etapas iniciais do processo. O objetivo não é mais simplesmente expandir o ensino de ciências em sala de aula, mas construir um ecossistema de aprendizagem científica mais amplo em todos os níveis educacionais. Iniciativas como o Plano Solo Fértil (ver go.nature.com/4rt8ip ; em chinês) visam cultivar o letramento científico e fortalecer as capacidades de inovação de alunos do ensino fundamental e médio, substituindo a memorização mecânica por uma aprendizagem interdisciplinar, prática e baseada em projetos, vinculada à resolução de problemas do mundo real. A ambição mais ampla é envolver os alunos em estágios educacionais iniciais na prática científica: formulando perguntas, realizando experimentos, testando ideias e trabalhando além das fronteiras disciplinares.
Os óculos de realidade virtual podem auxiliar no aprendizado. Crédito: Zhang Jingang/Feature China/Future Publishing via Getty
Essa mudança também exige que as escolas se tornem mais abertas à comunidade científica em geral. Universidades, laboratórios nacionais e empresas de tecnologia podem dar aos alunos acesso a laboratórios, ferramentas e mentores que as escolas sozinhas não conseguem proporcionar. Com pesquisadores da área da educação como peça central, essas parcerias impulsionam esforços colaborativos para desenvolver currículos rigorosos que os professores possam de fato implementar em sala de aula. Ao traduzir ciência de ponta e áreas prioritárias em conteúdo de aprendizagem, essas parcerias aumentam a relevância contemporânea do ensino de ciências nos ensinos fundamental e médio.
Iniciativas como o Programa Standout avançam nessa direção, permitindo que alunos do ensino médio sigam trajetórias mais individualizadas, incluindo o envolvimento em pesquisas autênticas e a exposição precoce a campos emergentes — oportunidades antes reservadas principalmente para aqueles no ensino superior.
Os professores são a infraestrutura da inovação. Mas essas reformas só terão efeito se as escolas tiverem professores capazes de transformar metas políticas ambiciosas e parcerias externas em experiências consistentes em sala de aula. É aí que muitas reformas no ensino de ciências encontram seu maior obstáculo.
Uma pesquisa nacional realizada em 2021 com mais de 131.000 professores de ciências do ensino fundamental na China revelou que mais de 70% não possuíam formação em ciências, tecnologia, engenharia ou matemática (STEM); muitos lecionavam ciências apenas em tempo parcial; e a maioria tinha acesso limitado a recursos de desenvolvimento profissional de alta qualidade³ . Em outras palavras, o gargalo vai além do planejamento curricular ou da ambição institucional, estendendo-se à capacidade do corpo docente.
Por que as universidades precisam repensar radicalmente os exames na era da IA?
Este não é um problema exclusivamente chinês. Trata-se de um gargalo global nos sistemas de inovação. Nos Estados Unidos 4 , na Europa 5 e em outros lugares 6 , os sistemas escolares têm dificuldade em recrutar e reter professores de ciências qualificados, além de não conseguirem prepará-los e apoiá-los adequadamente. O desafio não pode ser resolvido apenas com a contratação de mais professores de ciências. São necessários sistemas mais robustos para auxiliar os professores, desde uma formação de alta qualidade até o desenvolvimento profissional contínuo após o início da carreira docente. É por isso que a formação e o desenvolvimento profissional de professores devem ser tratados não como uma questão periférica da educação, mas como parte integrante da infraestrutura de inovação.
A resposta da China tem sido construir um sistema mais coerente de preparação e apoio a professores. Um ajuste importante diz respeito à formação inicial de professores. Durante décadas, os professores recebiam sua formação básica nas universidades "normais" da China (que se concentram em pesquisa educacional e formação de professores); eles acessavam o desenvolvimento profissional em serviço por meio de um sistema institucionalizado separado de ensino e pesquisa.
A China está agora centrando seu sistema de formação de professores nas universidades normais e expandindo as colaborações com universidades abrangentes de alto nível para criar um novo cenário de forças complementares e recursos compartilhados.
Por exemplo, desde 2023, o Programa Nacional de Excelência exige que universidades de pesquisa de ponta, incluindo instituições como a Universidade de Pequim e a Universidade Tsinghua, ambas em Pequim, ajudem a preparar uma nova geração de professores de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Não se trata simplesmente de usar universidades renomadas para dar prestígio ao programa. Trata-se de preparar futuros professores em instituições onde a ciência é produzida e ensinada. Em novembro de 2025, o programa já havia atraído mais de 15.000 candidatos de 43 universidades de elite, injetando rapidamente talentos de ponta na educação básica.
Estudantes assistem a uma palestra científica aberta na Universidade Beihang, em Pequim, ministrada por astronautas a bordo da estação espacial Tiangong. Crédito: Yi Haifei/China News Service/VCG via Getty
A mesma lógica se estende à força de trabalho existente. O programa nacional chinês de aprimoramento da alfabetização científica para professores reúne a capacidade de pesquisa da Academia Chinesa de Ciências e a experiência pedagógica de importantes instituições de formação de professores para proporcionar aos professores em exercício contato direto com as fronteiras da ciência e da pesquisa.
Em 2024, uma colaboração nacional entre museus e escolas, liderada pelo Museu de Ciência e Tecnologia da China em Pequim, organizou 24 oficinas intensivas em toda a China, capacitando 2.587 educadores do ensino fundamental e médio e coordenadores de ciências. O programa resultou em 426 currículos desenvolvidos em conjunto, e a satisfação geral dos participantes atingiu 96%.
Esses resultados iniciais sugerem que o acesso a comunidades e instituições científicas pode fortalecer rapidamente as capacidades pedagógicas dos professores, o conhecimento de pesquisas de ponta e a compreensão de como a ciência é feita.
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Today, 11:18 AM
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Nas próximas semanas, Época NEGÓCIOS disputará um bolão da Copa com chatbots de IA, para descobrir quem consegue os melhores resultados. Acompanhe essa disputa dia a dia para saber quem está na frente
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Today, 11:17 AM
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Empresa está embutindo acesso à inteligência artificial Gemini em seus aplicativos de mapa, produção de vídeo e navegação
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Mais de 5 milhões de torcedores serão monitorados por câmeras de IA, drones e reconhecimento facial; tecnologias podem permanecer após o torneio
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Docencia universitaria en transformación Metodologías activas, inteligencia artificial y nuevas competencias
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Today, 9:47 AM
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Por outro lado, o recurso à Suprema Corte, além de aumentar perigosamente o poder de seus 11 magistrados, acaba delimitando a agenda das esquerdas. Esta fica reduzida à batalha pelo programa inscrito na Carta —dispensado o debate de ideias. Especialmente de ideias novas para problemas ausentes do horizonte dos constituintes de 1988. E se algo não falta neste país são problemas.
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Today, 9:43 AM
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O que é importante para as mulheres, é importante para nós, da Think Olga. Com a pesquisa “Esgotadas: o empobrecimento, sobrecarga de cuidado e o sofrimento psíquico das mulheres”, nos debruçamos sobre a saúde mental da população feminina, reafirmando nosso compromisso em jogar luz nos problemas enfrentados por elas.
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Today, 9:38 AM
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A Anthropic, empresa de IA (inteligência artificial) dona do Claude, pôs à disposição do grande público, nesta terça-feira (9), a versão mais potente de sua tecnologia. A ferramenta, no entanto, tem restrições para solicitações sobre áreas sensíveis, como cibersegurança e ataques biológicos.
Batizado de Fable 5, este modelo é o primeiro aberto ao público da classe Mythos, modelo mais avançado da Anthropic, apresentado em abril, mas com acesso restrito pela própria empresa por motivos de segurança.
A Anthropic oferece uma versão sem limitações, o Claude Mythos 5, para um grupo restrito de empresas, organizações e agências estatais. A IA é apresentada como capaz de detectar e explorar falhas de segurança com velocidade e precisão inéditas.
Logo da Anthropic ao lado de uma mão robótica - Dado Ruvic - 5.jun.26/Reuters Até agora, a empresa justifica restringir o acesso ao Mythos exclusivamente pelos riscos de cibersegurança. Com o Fable 5, a Anthropic amplia o controle aos riscos de ataques biológicos, sem detalhar as ameaças específicas que busca evitar (design de armas químicas, bacteriológicas, entre outras).
Segundo a empresa, a maioria das solicitações relacionadas à cibersegurança ou à biologia recebem uma resposta do modelo inferior, Opus 4.8, disponibilizado ao público no fim de maio.
A Anthropic apresenta o Fable 5 como a versão segura deste modelo que, sem salvaguardas, não poderia ser aberto ao público. Este marco se baseia em filtros automáticos que analisam as solicitações em tempo real e bloqueiam as que tratam de temas sensíveis.
A Anthropic diz ter pedido a especialistas externos que tentem superá-los —uma abordagem de simulação de ataques— com premiações para quem conseguir explorar suas falhas.
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Today, 11:30 AM
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A Unesc realizou, na noite dessa terça-feira (9/6), o lançamento oficial do 6º Congresso Ibero-Americano de Humanidades, Ciência e Educação. O evento reuniu pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais para uma noite de reflexões sobre os impactos da Inteligência Artificial na ciência, na cultura e na sociedade, tema que norteará a sexta edição do congresso, que ocorrerá de 16 a 18 de setembro.
Com o tema principal “Inteligência Artificial e Saberes em Conexão: Ciência, Cultura e Sociedade em Diálogo”, a palestra de abertura proporcionou uma discussão sobre os desafios, as possibilidades e os limites das novas tecnologias nos diferentes campos do conhecimento.
A cerimônia contou com a presença da reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, da pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação, Inovação e Extensão, Vanessa Moraes de Andrade, e da diretora de Pesquisa e Pós-Graduação Stricto Sensu Sabrina Arcaro.
Para Gisele, o grande desafio está em compreender os limites entre aquilo que pode ser realizado pelas pessoas e o que pode ser executado pelas máquinas. “O que se vê muitas vezes é outorgar à máquina a capacidade de responder o que ao que eu posso responder. A pergunta que está em curso é o que eu vou fazer com tudo isso que está à disposição e o quanto que eu vou criticar aquilo que está disponível. O quanto que eu vou provocar o nosso conhecimento a partir daquilo que já existe”, refletiu Gisele.
“Estamos na sexta edição de um congresso que nasceu voltado às áreas de Humanidades, Ciência e Educação, mas que, ao longo dos anos, ganhou proporções cada vez maiores. Hoje, é um evento construído por toda a Unesc, envolvendo cursos, setores e diferentes áreas do conhecimento. Contamos com uma grande equipe, formada por profissionais, professores e acadêmicos de toda a Universidade, que trabalham juntos para tornar este momento possível”, destacou Vanessa.
Conforme a coordenadora desta edição do Congresso, Camila Arent, a proposta é ampliar o debate científico e social em torno das transformações provocadas pela Inteligência Artificial. “O Ibero é um evento institucional que busca promover o diálogo entre ciência, educação, cultura e sociedade. Nesta edição, escolhemos discutir um tema cada vez mais presente em nossas vidas, que é a Inteligência Artificial. Que as reflexões aqui apresentadas tragam inspirações para os debates que construiremos ao longo do Ibero 2026”, destaca ela.
Abertura da programação da noite O primeiro palestrante da noite foi o professor doutor Luciano Sathler que é doutor em Administração pela Universidade de São Paulo (USP), ex-membro do Conselho Deliberativo do CNPq e integrante do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais, Sathler atua atualmente como CEO da CertifikEDU, empresa dedicada à certificação de competências e habilidades com uso de blockchain e Inteligência Artificial.
Na palestra “Educação e Inteligência Artificial: das mudanças necessárias nas instituições educacionais”, ele refletiu sobre os desafios impostos pelas rápidas transformações tecnológicas e a necessidade de as instituições de ensino repensarem seus processos para atender às novas demandas da sociedade.
Ao abordar os impactos da Inteligência Artificial na produção científica, Sathler chamou atenção para o crescimento do uso da tecnologia na pesquisa acadêmica. Segundo ele, há um aumento considerável no número de artigos submetidos e publicados com apoio da IA, além da utilização da ferramenta em processos como revisão por pares. No entanto, alertou que quantidade não é sinônimo de qualidade.
“Nas primeiras semanas deste ano, uma em cada 277 citações bibliográficas presentes em 2,5 milhões de artigos científicos da área biomédica foram inventadas por Inteligência Artificial”, destacou.
O palestrante também apresentou dados sobre a utilização da tecnologia por pesquisadores. Conforme estudos recentes, 57% utilizam a IA como assistência na escrita acadêmica, 47% recorrem à ferramenta para identificar erros ou possíveis vieses em seus próprios trabalhos e 35% a empregam para verificar a ocorrência de plágio não intencional.
O pesquisador também apresentou possíveis caminhos para enfrentar essas questões, como a ampliação da transparência nos pareceres, a qualificação dos avaliadores e a realização de estudos que permitam testar e validar melhorias. A principal mensagem da apresentação foi a de que não existe uma solução única para os desafios da revisão por pares, sendo necessário combinar diferentes estratégias para tornar o processo mais confiável, transparente e alinhado às evidências científicas.
Na sequência, o professor doutor Leonardo A. Pachón, da Colômbia, quem falou para os presentes. Físico, doutor em Ciências Físicas pela Universidad Nacional de Colombia, com estágios pós-doutorais na Universidade de Toronto e na Universidade de Harvard, Pachón é reconhecido internacionalmente por suas pesquisas em Inteligência Artificial e Sistemas Complexos.
Durante a palestra “Del quinto paradigma al diálogo de saberes: la inteligencia artificial entre la ciencia, la cultura y la sociedad”, o pesquisador apresentou reflexões sobre a evolução dos paradigmas científicos e o papel da IA na construção de conexões entre diferentes formas de conhecimento.
Após as exposições, o público participou de um momento de interação, com perguntas e contribuições mediadas pelos professores Kristian Madeira e Thiago Henrique Almino Francisco.
Congresso ocorre em setembro Nesta edição, a estrutura científica do evento será organizada em cinco eixos temáticos articulados entre os Programas de Pós-Graduação envolvidos na realização do congresso.
Entre os temas estão Ciência, Ética e Transformações Contemporâneas; Educação, Cultura e Produção de Saberes; Tecnologia, Inovação e Inteligência Artificial; Sustentabilidade, Território e Desenvolvimento Humano; e Saúde, Sociedade e Bem-Estar Coletivo. “Os GTs deverão estar vinculados a um desses eixos e poderão abordar diferentes perspectivas teóricas, metodológicas e campos de investigação”, acrescenta Camila.
Entre os critérios para submissão das propostas estão a participação de, no mínimo, dois e, no máximo, três coordenadores; a exigência de titulação de doutorado para os proponentes; e a composição interinstitucional da coordenação, com pelo menos um integrante vinculado a instituição diferente dos demais participantes. Todos os proponentes devem estar previamente inscritos no evento.
Além disso, cada proposta deverá conter resumo entre 250 e 300 palavras, contemplando objetivos, temática central, referenciais teóricos, aspectos metodológicos e orientações gerais para submissão de trabalhos, quando necessário.
Os coordenadores dos GTs aprovados terão isenção da taxa de inscrição no congresso.
Mais informações acesse www.unesc.net/ibero.
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Today, 11:29 AM
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Em maio, surgiu um novo gênero de vídeo viral: trechos de diversas cerimônias de formatura universitária, nas quais os recém-formados vaiaram veementemente os palestrantes que falaram sobre IA. E é difícil culpá-los, considerando as recentes manchetes sobre como a tecnologia está prestes a revolucionar o mercado de trabalho, principalmente para trabalhadores iniciantes como eles. Muitos desses jovens cresceram ouvindo que "aprender a programar" era a chave para um salário de seis dígitos, apenas para se depararem com um mercado de trabalho em que programadores humanos parecem uma espécie em extinção. Embora não esteja claro se a IA já reduziu de fato a força de trabalho total, empresas individuais anunciaram grandes demissões relacionadas a planos de usar IA para automatizar empregos.
Tudo isso levanta uma questão intrigante: se você é um estudante universitário hoje — ou, sem dúvida, qualquer trabalhador que enfrenta esse cenário incerto — como deve se preparar para o futuro do trabalho com IA? Não há uma resposta fácil, mas reunimos um painel de quatro especialistas que acompanham de perto o impacto da IA no trabalho para tentar esclarecer essa questão.
Esta discussão foi editada e condensada para maior clareza, com a adição de material proveniente de entrevistas posteriores.
Os participantes Daron Acemoglu, economista do MIT e laureado com o Prêmio Nobel.
Dean Ball, anteriormente assessor em IA e tecnologias emergentes do governo Trump, é agora pesquisador sênior da Fundação para a Inovação Americana.
Ethan Mollick, professor da Wharton School da Universidade da Pensilvânia e autor de “Co-Inteligência” e do livro “Co-Existência”, ainda a ser lançado.
Clara Shih, ex-executiva sênior de IA na Salesforce e na Meta, cofundadora da New Work Foundation, uma organização sem fins lucrativos que visa ajudar trabalhadores iniciantes a se familiarizarem com a IA.
Bill Wasik, moderador, editor da seção de Ciência do The New York Times e ex-diretor editorial da revista The Times Magazine.
Vídeo
CréditoCrédito...Illustration by Mario Hugo EU. BILL WASIK: A conversa sobre IA e o futuro do trabalho é frustrante. Não se trata apenas de as previsões serem tão discrepantes — Elon Musk dizendo: "Chegará um momento em que nenhum emprego será necessário" porque "a IA será capaz de fazer tudo", ou o executivo chinês de IA, Kai-Fu Lee, prevendo em 2017 que a IA substituiria 50% da força de trabalho nos próximos 10 anos — mas sim de que raramente essas previsões vêm acompanhadas de alguma reflexão sobre como ou por que a IA pode eliminar empregos. Como será uma força de trabalho híbrida, composta por IA e humanos? Como nossos próprios empregos mudarão como resultado disso? Essas, para mim, são as perguntas muito mais interessantes.
ETHAN MOLLICK: Eu fiz um exercício divertido em que pedi às próprias IAs que me dessem um cenário de trabalho futuro na era da IA. Geralmente começa com algo como: “Marcus Chen” — esse é um dos nomes favoritos dos chatbots para desenvolvedores de software — “entra no escritório, onde lê relatórios de seus agentes de IA sobre o trabalho que foi feito e, em seguida, usa seu julgamento para atribuir-lhes novas tarefas.”
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What’s the Best Way to Wear a Crop Top? Mas aí eu pergunto para a IA: "Espera aí — por que ele está indo para o escritório se a IA está fazendo o trabalho?" Então o chatbot responde: "Não, você tem razão", e recomeça: "Marcus Chen acorda em sua casa de praia e verifica como estão seus agentes de IA." E então eu pergunto: "Por que ele está verificando se os agentes estão fazendo todo o trabalho?" Nesse ponto, o chatbot se desculpa novamente e diz: "Marcus Chen está sentado na praia..."
Grande parte disso se resume à questão de em que tipo de mundo vivemos. É um mundo onde a IA é uma tecnologia relativamente comum e as mudanças ocorrem mais lentamente, ou é um mundo onde a IA realmente se torna superpoderosa?
A programação de computadores agora oferece uma visão muito boa desse tipo de coisa. Antigamente, ser programador significava escrever código de qualidade regularmente. Agora, de repente, em poucos meses, passa a ser sobre gerenciar tarefas de engenharia. Então, acho que veremos outras mudanças nas expectativas em relação aos trabalhos das pessoas.
CLARA SHIH: Quero desenvolver a metáfora de Marcus Chen. Vamos supor que chegamos ao último cenário: ele está na praia, vivendo uma ótima vida. Mas e os outros trabalhadores? Agora é mais rápido e eficiente ter menos cozinheiros na cozinha.
DARON ACEMOGLU: Exatamente. Quantos Marcus Chens a economia americana pode empregar? Simplesmente não é realista pensar que 100 milhões de pessoas trabalharão como Marcus Chen.
DEAN BALL: Sou muito otimista em relação à IA, mas tenho uma visão um pouco mais moderada sobre os efeitos práticos. E a razão fundamental para isso é que as profissões de que estamos falando são altamente automatizadas, certo? Enviar um e-mail é um processo incrivelmente automatizado em comparação com o que costumávamos fazer para nos comunicar por escrito. Programar é intrinsecamente muito automatizado. Se quisermos falar sobre mineração ou agricultura, essas atividades já são incrivelmente mecanizadas. Portanto, o fato de podermos eliminar o motorista do caminhão de mineração representa uma parcela muito pequena da vasta maioria dos custos da mineração.
A transformação que está por vir acontecerá no mundo como o conhecemos hoje, e cada dia parecerá familiar. Haverá pequenas mudanças sutis ao longo do tempo. Haverá pequenos avanços na automação. E daqui a 10, 15, 20 anos, olharemos para trás e diremos: " Meu Deus, tudo está diferente!" . Mas você nunca perceberá que isso está acontecendo. É sempre assim.
ACEMOGLU: Há muitas coisas que os modelos de IA atualmente e num futuro próximo não serão capazes de fazer. A visão atual é que, de alguma forma, os agentes farão grande parte do trabalho e nós só precisaremos supervisioná-los. Acho isso muito irrealista. Mas se fosse realista, seria algo terrível.
SHIH: Concordo e discordo de você. Estou criando uma startup de tecnologia hoje. Então, isso não é teórico. Comecei há cerca de dois meses. Lembro-me dos nossos primeiros 30 dias, quando não tínhamos nenhum funcionário. Antes do mundo dos agentes de IA, não haveria como termos conseguido constituir a empresa, registrar todas as nossas designações no IRS (Receita Federal dos EUA), no estado da Califórnia e definir nossa política de privacidade em questão de dias com tão poucas pessoas. No passado, precisaríamos contratar dezenas de pessoas e envolver vários escritórios de advocacia, agências de marketing e design, etc., trabalhando por muitos meses. Portanto, a substituição de pessoas pela IA é realista e real, e é ao mesmo tempo horrível e maravilhosa.
MOLLICK: Impulsionar o empreendedorismo é algo muito importante. Há estudos iniciais com o GPT-4 que mostram que ele ajudou empreendedores quenianos de sucesso a obterem melhores resultados porque receberam melhores conselhos.
ACEMOGLU: Uma das descobertas da economia é que, se muitas pessoas conseguem entrar em uma profissão ou atividade econômica, ocorre um excesso de entrada que é muito, muito custoso e distorcido. Portanto, estou preocupado com a possibilidade de exatamente isso acontecer no empreendedorismo.
MOLLICK: Enquanto isso, se você é, digamos, a Coca-Cola ou o Walmart, a natureza da mudança é um pouco diferente. E não há um plano óbvio para: Como implementar isso? Como reorganizar minha empresa em torno de agentes de IA? Há trabalho físico e uma estrutura organizacional já estabelecida. E tudo envolve reuniões e conversas. Você também não vai substituir o Walmart da noite para o dia. Então, acho que veremos um boom de startups. Mas acho que muitas coisas estão sendo desaceleradas por isso. E isso nos dá tempo para reagir.
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CréditoCrédito...Illustration by Mario Hugo II. WASIK: Gostaria de pensar nos Marcus Chens, por assim dizer, de setores fora da indústria de tecnologia — a questão de quais tipos de trabalho estão mais ameaçados. Clara, você está criando uma organização sem fins lucrativos para ajudar trabalhadores iniciantes a navegar por essa transição. Gostaria de saber quais setores vêm à sua mente quando você pensa neste momento como uma possível crise para trabalhadores iniciantes em geral.
SHIH: Acho que se você observar empresas como a Amazon nos últimos 10 anos, terá um ótimo exemplo de como isso se desenrola. Há mais de um milhão de funcionários na Amazon, e uma pequena fração deles faz parte do grupo de elite. São programadores, supervisores de sistemas, trabalham na sede. E todos os outros trabalham no armazém e como motoristas de entrega. E são gerenciados ao minuto: quais devem ser suas tarefas, quanto tempo devem levar para ir do ponto A ao ponto B. E, com o tempo, espero que cada vez mais tarefas, incluindo entregas e transporte, sejam assumidas por IA. Vejo isso acontecendo em vários setores.
Além disso, vamos adicionar ao portfólio de Marcus Chen. Vamos falar sobre Stacey Smith, uma hipotética analista de sinistros de seguro saúde. Ela e milhões de pessoas como ela trabalham nos EUA nos setores de seguros e bancário devido a regulamentações que impediam a terceirização desses empregos para outros países. Mas agora, muitas dessas aprovações, sejam elas de crédito imobiliário ou de análise de sinistros, são facilmente feitas por agentes de IA — com mais consistência, maior facilidade para detectar fraudes e a um custo muito menor. O que acontecerá com as Stacey Smiths que ganham um salário decente em lugares como Kentucky e Mississippi?
E quanto a Bob Johnson? Vamos falar sobre ele. Ele é um caminhoneiro de longa distância. Ele é um dos três milhões e meio de caminhoneiros nos EUA que ainda ganham um salário decente. Eles moram no Sul, no Texas, na Louisiana, no Mississippi. Eles são o sustento de suas famílias. Eles são os pilares de suas comunidades. O que acontecerá quando a tecnologia da Waymo se difundir e superarmos as barreiras regulatórias que impedem que pessoas como Bob Johnson cheguem até nós?
Então talvez Marcus tenha um ótimo resultado. E quanto a Stacey? E quanto a Bob?
BALL: Acho que, se quisermos entrar em setores ou funções específicas, as mais óbvias são consultoria, marketing, atendimento ao cliente, trabalho jurídico de nível inicial e trabalho administrativo. Tudo isso é definitivamente real.
E depois há essa camada nebulosa de coisas no mundo físico. Duvido muito que um robô humanoide vá preparar um coquetel para você em um bar, mesmo que pudesse, certo? As pessoas não querem isso. E isso é muito importante para pensarmos no futuro do trabalho. Quais serão as preferências das pessoas? Da mesma forma, muito do trabalho intelectual, no fim das contas, especialmente à medida que se sobe na hierarquia, se resume a persuadir as pessoas. Tenho minhas dúvidas de que o processo de intrigas políticas internas em uma empresa ou outra organização será simplesmente automatizado pela IA.
MOLLICK: A situação dentro das grandes empresas será complexa, eu acho. Na Procter & Gamble, fizemos um experimento com 776 funcionários. Eles eram da área técnica ou de negócios, e trabalhavam individualmente ou em duplas. A descoberta na época foi que os indivíduos que usavam IA tinham o mesmo desempenho que as equipes que não usavam. Para mim, a parte realmente interessante foi que isso também diluiu as fronteiras entre as funções. Antes, os profissionais de negócios tinham ideias de negócios, os profissionais de tecnologia tinham ideias técnicas. Mas, com a adição da IA, todos começam a ter ideias, uns dos outros. E isso está acontecendo em todos os lugares. Quando converso com pessoas da área de programação, especialmente em setores que têm algum elemento quase criativo, como a indústria de jogos, de repente os designers podem programar, os programadores podem fazer design, os artistas podem começar a escrever.
ACEMOGLU: Deixe-me reformular a pergunta e falar sobre três setores que considero absolutamente cruciais para a produtividade futura: manufatura, saúde e educação. Todos eles demonstram o potencial da IA, mas também os enormes gargalos. Na manufatura, os EUA estão atrás da China na aplicação da IA, e cada pequeno passo na introdução de automação ou IA no processo produtivo exige uma enorme quantidade de serviços de engenharia. É muito trabalhoso. Depois, temos a educação, onde os efeitos da IA até agora têm sido um desastre: há um ótimo estudo em larga escala vindo da China, por exemplo, que mostra resultados terríveis para os alunos que usam IA.
Na área da saúde, a promessa reside na digitalização, por exemplo, com registros eletrônicos de saúde e a incorporação de mais softwares aos processos, mas até agora isso parece ter levado a uma piora da produtividade. Portanto, o potencial da IA para reduzir custos existe, mas não creio que haja um bom plano de como fazer isso. Os chatbots são potencialmente úteis na área da saúde, mas meu receio é que repitamos exatamente o que fizemos na educação, liberando chatbots de uma forma que leve a resultados desastrosos.
BALL: Mas Daron, você mencionou chatbots — se só tivéssemos chatbots, eu provavelmente compartilharia do seu pessimismo. Mas o mais notável sobre os novos agentes de programação é que eles são essencialmente programas de computador que podem usar computadores, certo?
MOLLICK: Sim, acho que não estamos mais falando de chatbots. O mundo mudou nos últimos cinco anos. E já sabemos, por meio de dados, que a IA é melhor em diagnósticos médicos do que os médicos em muitas circunstâncias. E experimentos controlados mostram que os pacientes preferem conversar com IA do que com médicos porque ela tem maior empatia — empatia percebida , eu diria.
Da mesma forma, com a IA e a educação — pesquisas descobriram que o uso não estruturado da IA prejudica o aprendizado, mas tutores de IA podem ter impactos positivos em larga escala . Portanto, estou extremamente otimista em relação à IA e à educação, assim que descobrirmos como integrar tutores de IA nas salas de aula.
III. WASIK: Tenho curiosidade sobre as novas oportunidades que surgirão neste mundo da IA. O que você diria a um jovem sobre habilidades ou carreiras interessantes para considerar no futuro?
BALL: De muitas maneiras, acho que generalistas curiosos se sairão muito bem no futuro. Isso não quer dizer que não seja importante cultivar nichos de especialização específicos, mas sim que a capacidade de ter uma visão mais ampla e pensar de forma abrangente também será recompensada.
Também acho que existem áreas com alta demanda óbvia no mundo físico — em particular, coisas como encanadores, eletricistas e técnicos de HVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado).
MOLLICK: Embora eu também não ache que possamos prever com precisão suficiente para dizer: " Seja encanador", porque aí o Plumbot10000 poderia ser lançado em algumas semanas. É muito difícil antecipar o futuro.
ACEMOGLU: O trabalho de eletricistas, técnicos de HVAC, todos esses profissionais se tornarão mais complexos. Já temos uma enorme escassez dessas profissões. Novamente, a IA pode ser extremamente útil. Um eletricista iniciante com a ferramenta de IA certa poderia ser 10 vezes mais produtivo do que é atualmente. Usar IA para treinar eletricistas com novos equipamentos poderia ser muito útil. Mas não é aí que o foco dos investimentos em IA está se concentrando.
WASIK: Que conselho você daria a um jovem inteligente sobre como pensar em oportunidades que ainda nem conhecemos?
SHIH: Agora passo o dia todo, todos os dias, com jovens de 25 anos, e o que percebi é que muitos dos conselhos e cursos de IA disponíveis são muito genéricos. Acabamos de lançar uma plataforma de conteúdo que aborda, função por função, os 50 cargos de nível inicial mais comuns no setor administrativo: marketing, engenharia de software, contabilidade, finanças, etc. E entrevistamos gerentes de contratação para entender como eles estão implementando IA em suas organizações e como isso mudou as habilidades específicas que buscam em seus candidatos.
O tema recorrente é que se trata de uma história de duas cidades para quem busca emprego. Aqueles que entendem como a IA funciona, especificamente os agentes de IA, conseguem o emprego dos sonhos, seja em marketing, software, contabilidade, finanças, o que for. Já aqueles que não possuem essas habilidades, essas vagas de nível inicial estão desaparecendo.
WASIK: Mas quão útil será esse treinamento de IA a longo prazo? À medida que os modelos melhoram, parece que instintos e habilidades diferentes são necessários para obter o que se deseja deles, enquanto os truques que eram necessários com os modelos anteriores simplesmente desaparecem. Quase todo o truque deles é tornar tudo tão natural à medida que melhoram.
SHIH: O desenvolvimento de habilidades em IA é, sem dúvida, um alvo em movimento: você está no trem, mas sabe que não há destino. Você sabe que está se comprometendo a aprender e aprimorar constantemente sua técnica à medida que o modelo muda. Isso significa se comprometer a testar continuamente diferentes modelos conforme são lançados e começar a reconhecer: "OK, eu uso o Gemini para esta tarefa, mas o Claude é muito melhor para esta outra". Essa é parte da evolução do conjunto de habilidades que acredito que se tornará necessária.
MOLLICK: O que realmente me preocupa em relação aos profissionais juniores é que a experiência prática costuma ser crucial para avaliar trabalhos que você não criou, sejam eles feitos por humanos ou por IA. Bill, você provavelmente consegue ler um artigo do The Times e dizer se é bom ou ruim. Daron ou eu conseguimos analisar um artigo acadêmico instantaneamente e dizer se vale a pena dedicar uma hora do nosso tempo para lê-lo ou não. Dean consegue examinar uma legislação sobre IA e identificar a brecha. Clara, tenho certeza, consegue olhar para qualquer trecho de código e julgar se foi escrito por um idiota ou por um especialista. Sem experiência, você não consegue fazer essas coisas.
E é isso que é preciso para gerenciar agentes de IA também. Isso não é um problema apenas para funcionários juniores: uma pesquisa realizada há algum tempo mostrou que apenas um terço das pessoas deseja cargos de liderança . A maioria está muito satisfeita com o trabalho que faz e simplesmente quer continuar fazendo o que faz. E acho que elas terão alguma dificuldade para se adaptar.
SHIH: Ser gerente já ficou melhor graças à IA.
ACEMOGLU: Na verdade, acho que a maioria dos gerentes se sente sobrecarregada, desatualizada, sem saber o que se espera deles. Acho que o nível de estresse deles é muito maior. Talvez daqui a 10 anos a situação melhore, mas precisamos padronizar essas ferramentas e as expectativas, talvez até requalificar os gerentes. Então, não, não acho que, no momento, ser gerente seja uma profissão melhor.
SHIH: Acredito que todo jovem precisa trabalhar em um projeto paralelo durante a faculdade, ou mesmo no ensino médio, do qual seja responsável do início ao fim, para que possa evoluir junto com esses modelos. E se fizerem isso, acredito que terão grande parte da experiência prática necessária para serem contratados.
MOLLICK: Mas, como alguém que ensina empreendedorismo, nem todo mundo faz isso, certo? Eu já dei projetos paralelos para algumas pessoas — aliás, esse tem sido meu trabalho por mais de uma década, dar projetos paralelos para jovens. E não é para todos. Existem todos os tipos de diferenças, inclusive em termos de formação ou status socioeconômico, em como as pessoas aproveitam essas oportunidades. É difícil simplesmente dizer: " Faça o projeto paralelo e faça dar certo" .
SHIH: É muito difícil e não vamos ter uma taxa de sucesso de 100%, mas é muito difícil realmente entender e manter o controle da IA se você não aprender algo do início ao fim. Entender completamente os limites do que a IA pode fazer e como os modelos evoluem — essa é a habilidade essencial.
ACEMOGLU: Acho que o que Clara descreveu é a realidade. Atualmente, você precisa investir muito tempo aprendendo diferentes modelos, suas capacidades, suas limitações, e três meses depois precisa experimentar vários modelos diferentes novamente só para se manter no mesmo patamar. Isso é absolutamente improdutivo, é distópico. Clara, talvez você estivesse descrevendo isso como um futuro aceitável. Para mim, é um futuro horrível.
SHIH: Eu disse antes que é maravilhoso e horrível. Como podemos torná-lo menos horrível e mais maravilhoso?
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CréditoCrédito...Illustration by Mario Hugo 4. WASIK: Isso nos leva à última pergunta: o que fazemos em relação a tudo isso? Dean, eu sei que você esteve envolvido na elaboração do plano de ação da Casa Branca para IA . Estou apenas curioso para saber qual você acha que deveria ser a resposta governamental e social.
BALL: O plano de ação, por coincidência, expressa muito bem minhas crenças, que são as de que a primeira coisa que precisamos fazer é mensurar esse problema muito melhor do que fazemos atualmente. Precisamos de dados econômicos empíricos melhores. Não se pode criar soluções políticas para um problema que não se compreende.
Mas eu realmente não quero criar inflexibilidade no mercado de trabalho. Minha frase favorita no plano de ação da Casa Branca descreve a IA como uma combinação da Revolução Industrial, da Revolução da Informação e do Renascimento. Ela tem o potencial de transformar a maneira como fabricamos e produzimos coisas; mudará a forma como a informação flui pelas organizações e pelo mundo; e possibilitará avanços artísticos, matemáticos e científicos.
Agora, o papa parece querer que tenhamos um comitê com todas as partes interessadas em IA, todas as comunidades impactadas. Mas não criamos um comitê de partes interessadas para a Revolução Industrial. Ela não se desenvolveu por meio de votação aberta. É inacreditável para mim que haja tantas pessoas na sociedade educada que pensem que é isso que precisamos aplicar à IA.
ACEMOGLU: Bem, acho que isso resume a atitude de algumas pessoas no Vale do Silício. Sim, não houve um comitê para a direção da Revolução Industrial. E o que conseguimos? Nos estágios iniciais, tivemos crianças trabalhando até a morte em minas de carvão. As condições nas fábricas se tornaram horríveis. Os salários de muitos trabalhadores caíram. Agora, a IA está mudando as coisas muito mais rápido e afetando muitos, muitos setores ao mesmo tempo.
SHIH: Exatamente, a lição não é que a coordenação seja desnecessária; é que ignorá-la nos custa décadas de sofrimento humano. Além disso, as políticas de IA que surgirem sem ampla participação não serão confiáveis, pois serão percebidas como representando a agenda das grandes empresas de tecnologia, do capital ou de uma facção política.
BALL: Não sei qual será a taxa de desemprego em 2028, mas garanto que 100% dela será atribuída à IA pelo público americano e por muitos políticos oportunistas. E, infelizmente, receio que as soluções políticas que eles adotarem sejam medidas que garantam proteções trabalhistas muito amplas. Medidas que criem os mesmos problemas que a Europa enfrenta, onde as empresas não podem assumir riscos porque assumir riscos envolve fazer coisas que podem exigir a demissão de funcionários em cinco anos, caso a ideia não dê certo.
Temo que façamos coisas semelhantes aqui. E muito disso acontecerá em nível estadual. Falaremos sobre isso em Washington, mas a verdadeira ação ocorrerá em 50 assembleias legislativas estaduais diferentes. E todos fingiremos que sabemos o que está acontecendo lá, mas ninguém realmente saberá. E caminharemos sonâmbulos para uma economia política muito ruim.
SHIH: Concordo plenamente. Veja a reação ao discurso de formatura de Eric Schmidt na Universidade do Arizona, a recente pesquisa Gallup mostrando que um terço dos americanos da Geração Z descreve seus sentimentos em relação à IA como raiva. E essas são as pessoas que queremos que abracem a IA para que possam ajudar a construir esta economia e encontrar emprego. Mas elas a estão rejeitando por motivos morais. É por isso que acredito que uma intervenção é necessária agora. É por isso que estamos criando agentes de IA para ajudar a conectar candidatos a emprego com oportunidades e ajudá-los a aprender habilidades em IA para que não a temam e possam moldá-la. Mas precisamos fazer algo.
ACEMOGLU: Estou convencido de que a inteligência artificial é bastante diferente da inteligência humana. Os humanos não são muito bons em absorver grandes volumes de informação ou em analisar dados não estruturados em busca de padrões relevantes. Os modelos de IA ainda não possuem criatividade genuína nem capacidade de aprendizado por tentativa e erro, baseado na interação com o mundo físico. Quando duas coisas são diferentes, a última coisa que se deseja é tentar imitar uma com a outra. É uma tarefa inútil tentar fazer com que uma faça tudo o que a outra faz. Elas devem trabalhar juntas. E esses não são os tipos de modelos que estamos tentando desenvolver.
MOLLICK: Obviamente, precisamos pensar em como treinar novos funcionários. Mas como avaliar os jovens trabalhadores quando eles chegam à empresa? Porque costumávamos avaliá-los. Tínhamos uma ótima técnica, que era o aprendizado. Ela funciona há 4.000 anos. Eu contrato um funcionário administrativo, e ele faz o trabalho braçal para mim, trabalha muito duro, e eu consigo avaliar o quão bom ele é nesse trabalho braçal.
E como gerente de nível médio, eu tenho a vantagem de ter alguém fazendo o trabalho que eu não quero fazer, e essa pessoa aprende, eu a avalio e todos são pagos. E tudo isso desmoronou, certo? Você não pode simplesmente dizer: " Ah, devemos contratar funcionários juniores" , se não pensamos em como treiná-los. Mas adivinhe? As universidades são muito boas em treinamento e avaliação. Então, as faculdades poderiam começar a pensar em expandir ou mudar a formação profissional para preencher as lacunas que a IA está criando.
SHIH: Acho que a principal conclusão para mim é de onde partimos, que é: o futuro não é automático. Não sou pessimista nem otimista. Sou um otimista condicional, e existem intervenções que ainda podemos tentar, que devemos tentar, porque teremos que testar muitas coisas antes de sabermos o que funcionará. E ainda há tempo, mas a janela está se fechando.
Acredito que o ponto crucial sobre os agentes de IA é que todos eles têm um objetivo. E isso depende de quem os implementa, pois quem os implementa define o objetivo. Talvez os objetivos da IA até agora não estejam alinhados com os objetivos das pessoas comuns, dos trabalhadores do dia a dia. Mas essa é uma escolha que podemos fazer.
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O mundo está diante de uma emergência global que não se propaga por vírus, mas por pixels. O diagnóstico é do renomado pedagogo italiano Francesco Tonucci, criador da Rede Mundial de Cidade das Crianças. Para ele, o uso precoce e desenfreado de smartphones e tablets na primeira infância, que vai de 0 a 6 anos de vida, já se configura em uma “segunda pandemia” do século XXI e, em sua visão, com traços ainda mais cruéis que a crise sanitária da covid-19.
“A primeira matava mais os idosos, enquanto está condenando as crianças no presente e no futuro”, dispara Tonucci. Segundo o especialista, a incubação do problema está partindo desde o berço por ingenuidade dos pais e cuidadores, que estão utilizando telas para acalmar as crianças nos seus primeiros anos de vida, o que afeta o neurodesenvolvimento em sua fase mais importante. Ele cita que até mesmo as mães estão rompendo a “magia” de alguns momentos com os filhos, distraídas pelas telas dos seus celulares.
Durante o momento da amamentação, por exemplo, se a criança olha para a sua mãe e ela olhando para a tela de um celular, perde-se o “momento mágico” do contato visual. Não é só uma pena, é a perda de uma conexão importante”, diz Tonucci. “Depois, quando as crianças estão um pouco maiores já, o que estamos vendo é pais entretendo as crianças com telas em restaurantes, estações de trem, aeroportos e tantos outros lugares. No primeiro momento parece estão fazendo um bem, porque acalmam a situação, mas no longo prazo isso está causando muitos danos”, acrescenta.
Tonucci é um pedagogo que argumenta com uma visão humanizada, priorizando o presente das crianças. Ele lamenta como o vício de telas prejudica a disposição do brincar livre e inclusive a capacidade de lidar com o tédio. Mas especialistas de outras áreas também já têm demonstrado preocupações com o efeito das telas sobre o desenvolvimento de habilidades socioemocionais ligadas à autonomia que estão sendo cada vez mais demandadas para os adultos.
“O tempo excessivo de tela inibe a capacidade de ler expressões faciais e desenvolver empatia. Isso em um mundo com ferramentas avançadas de inteligência artificial no qual a empatia será cada vez mais um diferencial competitivo”, observa a especialista em tecnologia e autora do livro “O profissional do futuro”, Michelle Schneider.
Embora Tonucci tenha uma visão mais para o presente, mostrando maior preocupação com a perda da infância, e Schneider esteja antecipando o olhar para o futuro, quando a criança poderá se tornar um adulto com déficits em habilidades buscadas pelo mercado de trabalho, ambos estão amparados por descobertas científicas recentes que apontam a importância dos seis primeiros anos de vida para o desenvolvimento neurológico de uma pessoa.
De acordo com o relatório “The Science of Early Childhood Development” (A ciência do desenvolvimento na primeira infância), do Center on the Developing Child da Universidade Harvard, de 0 a 6 anos de idade o cérebro humano cria mais de 1 milhão de novas conexões neurais por segundo. Em nenhum outro momento da vida o desenvolvimento neurológico é tão ágil quanto nesse período, o que faz políticas públicas destinadas a crianças serem vantajosas no aspecto de retornos individuais e coletivos. Estudos do vencedor do prêmio Nobel de Economia James Heckman indicam que para cada dólar investido na primeira infância há um retorno futuro de ao menos US$ 7.
Para atacar o que chama de “nova pandemia”, Tonucci propõe que a vacina é o conceito de brincar livre. Em sua visão, baseada em pesquisas qualitativas que estão sendo feitas pela Rede Mundial de Cidade das Crianças em escutas ativas com menores de seis anos, as crianças estão dispostas a trocar o contato com aparelhos celular pela chance de brincar com amigos em espaços físicos e, de preferência, sem a presença constante de adultos nas brincadeiras.
A solução parece simples, mas bate de frente com problemas causados pelo desenvolvimento urbano desorganizado de várias décadas, principalmente em países menos desenvolvidos, como é o caso do Brasil e boa parte de suas cidades. Por isso, mais além da proibição de celulares dentro de escolas, por exemplo, o que a Rede Mundial de Cidades das Crianças defende é a expansão de políticas públicas que adaptem as cidades para a presença de crianças nas ruas, inclusive com meninos e meninas perto dos 10 anos de idade de estarem desacompanhadas de adultos em trajetos para as escolas ou nas redondezas de suas moradias.
Garantir que o celular chegue mais tarde evita que os jovens estejam exageradamente expostos às doenças de saúde mental” — Lorena Morachimo Tonucci entende que a violência urbana no Brasil e em outros países influencia na decisão dos pais de evitar que as crianças circulem sozinhas pelas ruas, mas afirma que a percepção da insegurança é muito maior do que os dados reais de crimes, o que gera uma espiral negativa de fazer com que os pais escondam o mundo real da convivência dos seus filhos. E lembra que dentro dos celulares e tablets também há uma série de riscos.
“Por mais que haja perigos que a criança possa encontrar fora de casa, não serão nunca comparáveis aos que ela tem dentro de casa”, afirma. Para ele, a maioria dos atendimentos a crianças em hospitais é causada por acidentes domésticos, o que é confirmado quando se trata de crianças até seis anos. Segundo dados do Ministério da Saúde e de organizações que monitoram a infância no Brasil, a principal causa de mortes na primeira infância acontece por afogamento, sobretudo em piscinas de áreas residenciais. Com menos de um ano, a asfixia lidera as ocorrências letais, principalmente devido a engasgo com objetos pequenos, alimentos rígidos e brinquedos inadequados para a idade.
Para crianças em idades em que começam a se relacionar mais com a cidade, a maior causa histórica de acidentes letais é por acidentes de trânsito, com participação importante de atropelamentos. Não por acaso, o coordenador da Rede de Cidades da Criança no Brasil, Marcelo Peroni, tem redobrado os esforços para convencer prefeituras brasileiras a criarem mais espaços seguros como praças e parques nas cidades como forma de tirar os celulares das mãos das crianças sem depender de apenas de leis, que tendem a perder a efetividade se forem os únicos instrumentos usados pelos adultos, na sua visão.
“Quando a gente simplesmente diz que os celulares são ruins e proibimos, o que nós estamos propondo em troca? Dizer para as crianças ficarem sem celulares, mas trancadas dentro de casa não é uma grande opção nem para elas nem para os adultos. Elas não aceitam”, argumenta. “A moeda de troca legítima são espaços onde elas possam brincar livremente.”
Peroni aponta para um paradoxo tipicamente brasileiro: o isolamento doméstico em nome da proteção. Para ele, ao enclausurar as famílias atrás de muros altos, portões trancados e cercas farpadas, o espaço público fica esvaziado e as ruas se tornam ironicamente mais perigosas. “O movimento de ocupar as praças com crianças e adultos é o que torna as cidades seguras”, explica. “Além disso, a autonomia infantil alivia o estresse parental crônico de agendas superlotadas, gerando bem-estar para toda a família a custo zero.”
Lorena Morachimo, que coordena a rede Cidade das Crianças internacionalmente, destaca ainda que investir em cidades atrativas para crianças em geral reduz o custo público e individual de famílias com tratamentos de saúde mental infantil. “Afastar as telas é uma estratégia de prevenção sanitária urgente”, diz. “Garantir que o celular chegue mais tarde nas suas vidas vai evitar que os jovens estejam exageradamente expostos às doenças de saúde mental que estão rodeando a nossa infância atualmente, como déficit de atenção, problemas de concentração e uso precoce de medicamentos.”
Michelle Schneider também demonstra preocupação com a sobreposição de problemas de saúde mental na infância por cima do desenvolvimento de habilidades socioemocionais que serão importantes na vida adulta. Ela recorre a dados do relatório “Future of Jobs”, do Fórum Econômico Mundial, que elenca o pensamento analítico, a criatividade, a resiliência e a empatia como as habilidades mais valorizadas para os próximos anos. “E nenhuma dessas habilidades nasce de uma tela passiva. Todas elas se desenvolvem em interação, em jogo livre, em conflito social e até mesmo por meio de superação do tédio”, diz. “São habilidades que não se aprendem arrastando o dedo por um feed infinito.”
A especialista pondera que o equipamento digital em si é uma tecnologia neutra que pode construir ou destruir e que o perigo real reside no que chama de “terceirização da parentalidade” para as grandes empresas de tecnologia. “O que me preocupa não é a geração que cresceu com iPad. É a geração que cresceu sendo entretida pelo iPad, sem mediação, sem limite”, conclui Schneider. “Não podemos delegar a criação dos nossos filhos a um algoritmo otimizado para engajamento porque engajamento e desenvolvimento são coisas muito diferentes.”
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This pioneering study explores students' perceptions of AI-giarism, an emergent form of academic dishonesty involving AI and plagiarism, within the higher education context. A survey, undertaken by 393 undergraduate and postgraduate students from a variety of disciplines, investigated their perceptions of diverse AI-giarism scenarios. The findings portray a complex landscape of understanding, with clear disapproval for direct AI content generation, yet more ambivalent attitudes towards subtler uses of AI. The study introduces a novel instrument, as an initial conceptualization of AI-giarism, offering a significant tool for educators and policy-makers. This scale facilitates understanding and discussions around AI-related academic misconduct, aiding in pedagogical design and assessment in an era of AI integration. Moreover, it challenges traditional definitions of academic misconduct, emphasizing the need to adapt in response to evolving AI technology. Despite limitations, such as the rapidly changing nature of AI and the use of convenience sampling, the study provides pivotal insights for academia, policy-making, and the broader integration of AI technology in education.
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Develop clarity around the purposes of education. In any location, education must balance several, sometimes competing, purposes such as social mobility, economic development, democratic equity, and nation-building. Until there is sufficient stakeholder consensus on what education is for, it will be difficult to adopt the right EdTech approach and align it with curricular and assessment changes that fit identified education priorities. Without coordinating the parts of an education reform, AI will further fragment the landscape it’s meant to improve.
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Na visão de Arvind Krishna, a IA gera “ganhos relevantes” de produtividade em áreas como desenvolvimento de software, marketing, vendas, atendimento ao cliente e operações corporativas, mas tende a reduzir funções administrativas
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Segundo ele, em vez de começar a discutir IA em termos abstratos, as organizações deveriam se perguntar o que não pode acontecer com a tecnologia e criar mecanismos para prevenir o pior. Segundo Blackman, essa mudança de perspectiva traz cinco vantagens concretas em relação à abordagem tradicional.
A primeira é que ela define sucesso e fracasso em termos de resultados. Se a empresa está implantando IA em escala, avaliou seus pesadelos éticos e conseguiu não se deparar com eles, está indo bem. Se se encontrou com eleso, está falhando.
Outra vantagem é que essa estratégia comunica os riscos de forma universalmente compreensível para todos os funcionários, sem necessidade de tradução ou intermediários, do cientista de dados ao membro do conselho de administração.
A terceira questão é motivacional. Valores como justiça e transparência são fáceis de ignorar no dia a dia (além de não serem os mesmos para todo mundo), mas um pesadelo concreto, com consequências reais, pessoas afetadas e exposição legal e reputacional, gera urgência.
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Na Copa do Mundo de 2026, a bola não será apenas uma bola. Ela terá um sensor capaz de capturar dados de movimento em alta frequência e ajudar a arbitragem a identificar, com mais precisão, o momento exato em que um jogador toca nela. Não há um “robô dentro da bola”, como parte do imaginário popular pode sugerir. Há algo mais interessante: um dos objetos mais simples e simbólicos do esporte sendo transformado em fonte de dados em tempo real. Ao redor dela, o jogo também estará mais tecnológico. Sistemas de impedimento semiautomático, câmeras de rastreamento, avatares 3D de jogadores, visão do árbitro com estabilização por IA, plataformas de análise de desempenho e assistentes digitais para torcedores farão parte de uma experiência que mostra, de forma concreta, como a inteligência artificial saiu dos laboratórios, dos relatórios de tendência e das conversas especializadas para entrar no campo, na transmissão, na mobilidade, no turismo e na relação das pessoas com serviços. A Copa sempre foi uma vitrine do seu tempo. Em outras edições, vimos a televisão em cores, a evolução dos replays, a chegada do VAR e a transformação do futebol em um produto global de mídia. Em 2026, a vitrine será outra: a de um mundo em que quase tudo pode ser medido, interpretado e traduzido por sistemas inteligentes. Quando a bola gera dados, a câmera ajuda a explicar uma decisão e o torcedor usa um assistente virtual para chegar ao estádio, a inteligência artificial deixa de parecer distante e passa a fazer parte da engrenagem do cotidiano, atuando nos bastidores de experiências que as pessoas já vivem. Assim como a internet mudou a forma como acessamos informação, compramos, trabalhamos e nos relacionamos, a IA começa a mudar a forma como interpretamos dados, tomamos decisões, aprendemos, produzimos e resolvemos problemas. A diferença é que essa virada parece mais rápida, mais silenciosa e, em alguns casos, mais difícil de acompanhar. É por isso que a conversa sobre educação precisa mudar de patamar. Durante muito tempo, falar de tecnologia era falar de especialistas. Programadores, engenheiros, cientistas de dados, times de produto. Hoje, essa fronteira já não dá conta da realidade. A IA afeta jornalistas, médicos, advogados, profissionais de marketing, professores, gestores, empreendedores, atletas, servidores públicos e qualquer pessoa que dependa de informação para trabalhar melhor. A nova divisão não será entre quem trabalha com tecnologia e quem não trabalha. Será entre quem consegue atuar nesse novo ambiente e quem ainda olha para ele como algo distante. Há uma diferença enorme entre usar uma ferramenta de IA para ganhar produtividade e entender como essa ferramenta muda a lógica do trabalho. Uma coisa é pedir um texto, uma imagem ou uma análise. Outra é saber formular um problema, organizar dados, fazer perguntas melhores, validar respostas, automatizar processos, criar agentes, testar hipóteses e transformar tecnologia em solução real. Esse é o ponto que mais importa agora: a IA não exige que todos se tornem programadores, mas exige que mais pessoas desenvolvam fluência tecnológica. Fluência para usar, questionar, adaptar, criar e decidir melhor. A Copa de 2026 ajuda a tornar isso visível porque traduz um tema abstrato em imagens simples. Uma bola conectada. Uma decisão de impedimento reconstruída em 3D. Um assistente digital orientando visitantes. Um sistema de análise apoiando seleções. Tudo isso mostra que a IA não está chegando apenas para substituir tarefas. Ela está reorganizando a forma como a informação circula e vira ação. Essa é uma boa notícia quando olhamos para a disseminação do conhecimento. Tecnologias que antes estavam restritas a grandes empresas, seleções com estruturas robustas ou centros avançados de pesquisa começam a se tornar mais acessíveis. Uma equipe com menos recursos pode ter melhores dados. Um profissional pode aprender mais rápido. Uma pequena empresa pode automatizar processos que antes exigiam estruturas inteiras. Uma pessoa pode criar soluções que, até pouco tempo atrás, pareciam distantes da sua realidade. Mas o acesso, sozinho, não resolve. A ferramenta ficou mais acessível, mas transformar ferramenta em repertório, repertório em decisão e decisão em impacto continua dependendo de educação. É nesse ponto que muitas conversas sobre IA se perdem: tratam a tecnologia como mágica, quando ela deveria ser tratada como linguagem. E a linguagem se aprende. O momento pede menos medo e mais preparo. Menos deslumbramento e mais repertório. Menos discussão sobre se a IA vai mudar o mundo e mais atenção sobre como cada pessoa pode se posicionar melhor dentro dessa mudança. Porque a tecnologia vai avançar de qualquer forma. A diferença estará em quem consegue aprender com velocidade, adaptar habilidades e construir com as novas ferramentas. Em um mercado de trabalho cada vez mais atravessado por sistemas inteligentes, atualização deixou de ser uma vantagem pontual. Passou a ser condição para continuar participando das melhores oportunidades. Há cerca de uma década, a formação de talentos para a economia digital ainda parecia uma agenda restrita a alguns setores. Hoje, o desafio mudou de escala. Milhões de pessoas precisam aprender a criar com IA — produtos, agentes, sistemas, processos e soluções — e não apenas entender o conceito de forma superficial. A Copa de 2026 será lembrada por gols, seleções e momentos de emoção coletiva. Mas também pode ser lembrada como uma imagem muito clara da fase em que entramos: a tecnologia deixou de estar nos bastidores e passou a participar da experiência em tempo real. No futebol, isso pode significar decisões mais precisas. Na sociedade, pode significar acesso mais amplo à informação, serviços mais inteligentes e novas formas de aprender, produzir e trabalhar. Mas, para que essa transformação gere inclusão de verdade, não basta celebrar a inovação. É preciso formar pessoas para ela. A IA já está em campo. O próximo passo é garantir que mais pessoas tenham repertório para jogar.
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Inovação Educacional
Today, 11:11 AM
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Com avanço da IA e equipes mais enxutas, empresas valorizam trabalhadores que combinam conhecimento técnico profundo, visão de negócio e capacidade de atuar em diferentes frentes A mudança nas exigências das empresas aparece no estudo global Talent Trends 2026, divulgado no fim de maio pela Michael Page. De acordo com o levantamento, 57% dos gestores brasileiros veem a escassez de habilidades como o principal desafio de contratação. Outros 21% afirmam priorizar competências — como adaptabilidade e capacidade de atuar em diferentes frentes — acima da formação acadêmica e do histórico profissional. Com equipes mais enxutas e menos vagas de nível júnior, as companhias têm buscado profissionais capazes de entregar mais do que uma especialidade. Nesse cenário, ganha força a chamada carreira em T: trabalhadores que combinam conhecimento técnico profundo em uma área com a capacidade de atuar de forma multidisciplinar, transitando por diferentes funções, tecnologias e problemas de negócio. O termo, do inglês “T-Shaped”, surgiu na década de 1990, associado à consultoria McKinsey & Company, que o usava para descrever profissionais cada vez mais demandados pelo mercado. O conceito ganhou maior projeção em 2005, com Tim Brown, então CEO da IDEO, empresa de design e inovação fundada no Vale do Silício, nos EUA. Duas décadas depois, em meio à corrida das empresas para incorporar a inteligência artificial, esse perfil volta ao centro das discussões sobre o futuro do trabalho. Segundo Lucas Oggiam, diretor-executivo da Michael Page, a carreira em T está mais ligada às habilidades do profissional do que ao desenho da hierarquia corporativa. Diferentemente da carreira em Y, que permite escolher entre uma trilha de liderança ou uma trajetória técnica, o modelo em T combina profundidade em uma área específica com capacidade de atuar em frentes mais generalistas ou de negócio, como vendas e finanças. “Com o crescimento dos níveis médio e sênior nas empresas, tenho recebido muitos contatos de companhias em busca de profissionais técnicos e experientes, mas que também sejam capazes de resolver problemas mais amplos, inclusive demandas que antes eram absorvidas por profissionais juniores e hoje contam com o apoio da inteligência artificial”, afirma. Diferentes áreas Apesar da origem associada ao Vale do Silício, a carreira em T não se limita ao setor de tecnologia, afirma Oggiam. “Cada vez mais as empresas enxergam a necessidade de contratar profissionais com múltiplas habilidades. Especialistas técnicos continuam sendo importantes, mas dentro de times mais diversos, formados também por pessoas curiosas e abertas a trabalhar em diferentes frentes”, diz. A WideLabs, empresa de infraestrutura e inteligência artificial, é um exemplo desse movimento. Segundo Everton Behenck, diretor de criação da companhia, a empresa estimula todos os profissionais a serem “donos” dos produtos em que atuam, acompanhando desde a construção da solução até a compreensão de seu valor financeiro e sua chegada ao mercado. “Tenho uma funcionária que trabalha com UI (interface do usuário) e já fez vídeos dos nossos produtos e trabalhou em nossas redes sociais. Isso fortalece o trabalho e a posição dela porque parte do meu trabalho como diretor de criação é garantir que todas as manifestações da nossa marca tenham coerência”, diz. Na Red Hat, empresa norte-americana subsidiária da IBM, a carreira em T também aparece no desenho das equipes. Andrea Cavallari, diretora de tecnologia (CTO) para a América Latina, afirma que o profissional precisa ter uma área de especialização, mas também ser capaz de “falar do todo” e compreender a complexidade do negócio. Andrea Cavallari, CTO Latam da Red Hat — Foto: Divulgação A própria trajetória da executiva reflete esse movimento. Com origem em infraestrutura, redes e data centers, Andrea acompanhou a evolução da tecnologia de servidores físicos para virtualização, nuvem e hiperescala. Hoje, a conversa com clientes vai além da escolha técnica. “Eu tenho que falar qual tecnologia traz a melhor redução de custo, o melhor benefício para o negócio e a melhor preparação para a empresa crescer e escalar”, afirma. Complexidade do trabalho Para ela, a demanda por esse perfil cresce porque a tecnologia ficou mais variada, enquanto as equipes se tornaram mais enxutas. Nesse cenário, o profissional precisa aprender rápido, dominar diferentes disciplinas técnicas e, ao mesmo tempo, desenvolver visão de negócio, de custos e de pessoas. “Se você ficar preso em apenas uma caixinha, não consegue navegar em toda a complexidade da empresa”, diz. A executiva também vê a inteligência artificial como um fator que eleva a régua para os profissionais. Na avaliação dela, parte das atividades mais repetitivas, antes associadas a cargos de entrada, já pode ser feita com apoio de IA. Isso aumenta a demanda por profissionais plenos e seniores, capazes de validar respostas, revisar entregas e tomar decisões com pensamento crítico. “A inteligência vai ser você. A IA vai fazer o trabalho braçal, repetitivo, que a gente não quer mais fazer”, afirma.
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Inovação Educacional
Today, 10:01 AM
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O Google anunciou nesta quarta-feira (10) a integração de novos recursos de inteligência artificial a dois de seus principais produtos: o navegador Chrome e o aplicativo de mapas Maps. Gestores da big tech dizem que pretendem transformar a forma como as pessoas navegam pelas cidades e pela internet. Na plataforma de mapas, será possível perguntar diretamente a um assistente virtual como chegar a um destino usando transporte público ou pedir indicações de restaurantes. No navegador, o sistema poderá resumir textos e identificar momentos específicos em vídeos do YouTube. As opções não estão integradas ao Gemini, principal app de IA generativa da empresa. Haverá um novo chatbot dentro de cada um dos dois apps. Veja abaixo como acessar as novas ferramentas e como usá-las. LISTA ANCORADA PERGUNTE AO MAPS GEMINI NO CHROME IA PARA EMPRESAS TRÂNSITO EM SÃO PAULO RESERVA DE MESAS EDIÇÃO DE VÍDEO COM IA NO YOUTUBE PERGUNTE AO MAPS O novo assistente do Google Maps, batizado de "Pergunte ao Maps", cruza dados de mais de 300 milhões de locais com as avaliações de 500 milhões de usuários para orientar o público. Em vez de buscar um lugar e usar os botões de filtro, será possível por exemplo perguntar "como chegar ao bairro tal usando trem". A IA ainda permite perguntar sobre bons restaurantes em dada vizinhança. Segundo a empresa, a ferramenta começou a ser liberada nesta semana para os "local guides" (guias locais) mais ativos —usuários que alimentam a plataforma com fotos e resenhas de estabelecimentos em troca de uma pontuação no aplicativo. "Nas próximas semanas, vamos lançar o recurso para todos os usuários no Brasil", afirmou André Kowaltowski, gerente do Google Maps para a América Latina. A ferramenta funcionará como uma barra de pesquisa no topo do aplicativo. O projeto já está disponível nos Estados Unidos e na Índia. Nesta primeira fase, o sistema interage apenas por texto e não reconhece imagens. De acordo com Kowaltowski, o mecanismo poderá acessar o histórico de localização para sugerir trajetos, mas o usuário poderá desativar a função nas configurações de privacidade. GEMINI NO CHROME O navegador Chrome receberá a versão mais recente do modelo de inteligência artificial da empresa, o Gemini 3.1, em uma aba auxiliar no canto direito da tela. O recurso começa a ser distribuído nesta quarta para usuários com o navegador atualizado. A ferramenta permite resumir páginas, redigir e-mails e editar imagens diretamente no navegador, sem necessidade de abrir outras abas. Funções semelhantes já são oferecidas por navegadores concorrentes, como o Atlas (da OpenAI) e o Comet (da Perplexity). O Gemini no Chrome, contudo, não terá inicialmente recursos voltados para compras ou busca por cupons de desconto. O Google realiza testes dessas opções sob o nome "Chrome Autobrowse" desde janeiro, restritos aos Estados Unidos, segundo Charmaine D’Silva, diretora de produto do Chrome. A executiva ressalta que o sistema evita processar dados de páginas não indexadas e não armazena informações pessoais. "Temos padrões rigorosos de privacidade", disse. IA PARA EMPRESAS O Google também demonstrou avanços voltados ao setor corporativo. Durante apresentação a clientes vista pela Folha, o engenheiro do Google Cloud Marcos Speca programou, em dois minutos, um assistente virtual capaz de ler e-mails e enviar um resumo diário dos principais assuntos às 9h. A criação do chamado agente de IA utiliza comandos em texto simples e funções da plataforma Google Cloud. Diferentemente de outros serviços da empresa, as atualizações do Gemini for Enterprise (voltado a negócios) chegam ao mercado brasileiro simultaneamente ao americano. Na demonstração, o engenheiro mostrou o assistente analisando arquivos do Google Drive para realizar tarefas. A ferramenta gerou uma apresentação baseada no balanço financeiro da Alphabet, controladora do Google, organizando dados de faturamento do YouTube e da divisão de nuvem. O uso corporativo da tecnologia tem se expandido. A multinacional de publicidade WPP, por exemplo, utiliza o Gemini Enterprise para gerenciar mais de 100 mil agentes virtuais, que criam e revisam peças artísticas automatizadas enquanto as campanhas são veiculadas nas redes sociais. Para os negócios e profissionais que não têm acesso à versão Enterprise do Gemini, vendida a preços sob medida aos clientes, é possível experimentar a integração entre a IA e as ferramentas de trabalho do Google na aba business, do Gemini comum. Essa ferramenta está disponível para assinantes do plano Google AI Plus, vendido por cerca de R$ 25 por mês e será temporariamente de acesso gratuito para clientes da Vivo e do Itaú. TRÂNSITO EM SÃO PAULO A empresa anunciou ainda a expansão do projeto Green Light para a cidade de São Paulo. A iniciativa utiliza inteligência artificial e dados de tráfego do Waze e do Google Maps para sugerir ajustes nos tempos dos semáforos, reduzindo o tempo de espera dos motoristas. Em cidades onde o sistema já opera, como Rio de Janeiro e São José dos Campos (SP), houve redução de até 30% nas paradas de veículos, segundo dados divulgados pelo Google. Paula Aluani, gerente de parcerias estratégicas do Google para a América Latina, explicou que a implementação das recomendações cabe às autoridades locais. Na capital paulista, o projeto é feito em cooperação com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que avaliará se as melhorias para os automóveis trazem impactos negativos para a circulação de pedestres. O presidente do Google Brasil, Fabio Coelho, disse que espera contribuir na resolução dos mais de 300 quilômetros de engarrafamento registrados em São Paulo na média diária. RESERVA DE MESAS A ferramenta de busca do Google também passa a permitir reservas de mesas em restaurantes diretamente pela interface de inteligência artificial, a partir de comandos de voz ou texto dos usuários. O sistema depende de parcerias locais e funcionará integrado às plataformas de reserva Tagme e Get In. "O recurso estará disponível em todo o país à medida que a integração com os parceiros avançar", afirmou Leandro Esposito, diretor de parcerias para Busca e Gemini do Google Brasil. No AI Mode, também será possível perguntar "quais festas e eventos estão acontecendo agora" para receber o que se passa na cidade com base nos eventos da Tagme e Get In. EDIÇÃO DE VÍDEO COM IA NO YOUTUBE A ferramenta para editar textos com inteligência artificial do YouTube começa a aceitar comandos em português. Em um modelo similar ao do TikTok, o recurso permite editar vídeos no próprio celular. "Se faltar uma cena, dá para completar usando inteligência artificial", resume Eduardo Trombini.
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Inovação Educacional
Today, 9:46 AM
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"Cada vez que você vê uma tarefa sobrando e pega para você, está ensinando a todos os moradores da casa que é isso que acontece quando eles deixam de fazer", escreveu Mari em seu livro, publicado em 2024 pela Much Editora.
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Inovação Educacional
Today, 9:43 AM
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A sobrecarga de trabalho, dentro e fora de casa, a pressão financeira e o desafio de conciliar múltiplas tarefas e a rotina de cuidados com crianças e idosos estão entre os fatores que mais têm impactado a saúde emocional de mulheres brasileiras, segundo o .
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Inovação Educacional
Today, 9:37 AM
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A Natura assinou parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome para ampliar a qualificação profissional, empreendedorismo e geração de renda dos inscritos no CadÚnico do governo federal.
Serão oferecidos cursos gratuitos de empreendedorismo e beleza, em formato digital, para cerca de 3 milhões de brasileiros cadastrados em programas sociais. O início será em São Paulo e Salvador.
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