Mapear as habilidades dos funcionários é uma prática que começa a ser explorada por empresas no Brasil. Em pesquisa da consultoria Mercer, 43% disseram estar fazendo isso. A identificação das competências é baseada nas atividades diárias das equipes (72%), a partir da análise dos gerentes (67%) e por autoavaliação (16%). Uma minoria realiza o trabalho com a ajuda de ferramentas de inteligência artificial (3%) e exames de desempenho no final do ano (3%), enquanto apenas 8% remuneram os empregados de acordo com as habilidades registradas. O levantamento foi realizado com 88 companhias no Brasil, sendo 39% com até mil empregados; 28% com mil a 4,9 mil e 33% com mais de cinco mil funcionários. Do total, 18% pertencem ao setor de serviços e 15% são de tecnologia. A Mercer considera que registrar e explorar as aptidões dos profissionais de forma estratégica será cada vez mais importante para que as organizações enfrentem novos desafios de negócios, mantenham e atraiam mão de obra qualificada. “Os dados mostram que as empresas ainda estão em um processo inicial de mapeamento e de uso massivo das habilidades dos times”, analisa Rafael Ricarte, diretor de negócios de carreira da Mercer. “As ações estão mais concentradas em projetos de avaliação de desempenho e de desenvolvimento de carreira; e menos nas atividades de recrutamento, seleção e remuneração.” O especialista diz que chama a atenção no levantamento, o alto percentual (54%) de entrevistados que acreditam que a inteligência artificial [IA] generativa irá refletir na força de trabalho, impactando, em maior ou menor grau, todas as funções corporativas. A pesquisa também aponta que 64% dos empregadores não trabalham com um catálogo de habilidades, continua o especialista. “Em pleno 2025, quando grande parte da diferenciação dos profissionais acontece por conta de habilidades e de ‘entregas’, e não só pelo currículo, faz falta ter um mapeamento adequado das competências necessárias para o futuro dos negócios”, afirma. Diante dos dados obtidos, Ricarte recomenda mais planejamento para os departamentos de recursos humanos. Em um mundo corporativo dinâmico e cheio de incertezas, já é hora de pensarmos nas organizações de uma maneira mais fluida, com as competências disponíveis no quadro; e menos estática, olhando apenas para cargos e posições, sugere. “Se temos, por exemplo, um executivo de RH com habilidades de negociação requeridas para uma atividade na área de TI, ele pode ser deslocado por um tempo definido ou para a disseminação de conhecimentos necessários”, explica. “Também devemos pensar as contratações da mesma forma - sobre quais habilidades a empresa mais precisa no momento, ao invés de procurar somente pela formação dos candidatos.” Na Copastur, empresa de viagens corporativas com mil funcionários, o mapeamento de habilidades acontece desde 2020 já no processo seletivo. “O segredo para fortalecer a nossa cultura, aumentar o engajamento e garantir produtividade está em reconhecer quem faz parte da equipe”, explica Elaine Dantas, CHRO (chief human resources officer ou diretora de RH) da companhia. O trabalho leva em conta as análises do gestor direto sobre os funcionários, autoavaliações semestrais e encontros individuais mensais com as lideranças. “Também utilizamos ferramentas de IA para analisar os perfis profissionais”, acrescenta. O modelo tem impactado as promoções e recrutamentos na empresa, segundo Dantas. Todos os funcionários e cargos são mapeados e quase 70% da folha está elegível para movimentações de carreira. Nos últimos dois anos, mais de 400 profissionais passaram por algum tipo de progressão. “Noventa por cento das promoções na alta liderança são realizadas internamente”, diz a diretora, que destaca que as habilidades “mais desejadas” nos inventários são as comportamentais. “O volume significativo de recrutamento interno demonstra a eficácia de identificar e promover talentos dentro da organização.” É o caso de Gustavo Noronha, head operacional da Buffly, marca da Copastur voltada a viagens no segmento de esportes digitais (e-sports). Ele entrou no grupo em 2005, com 15 anos, como mensageiro. Até 2009, foi promovido quatro vezes, chegando a consultor sênior. Depois de um intercâmbio para estudar inglês na Irlanda, voltou à empresa em 2015. Em 2022, iniciou o projeto de criação da Buffly e, no ano passado, passou a liderar a divisão. “O meu mapeamento destacou habilidades como comunicação, proatividade e agilidade na tomada de decisões”, diz. “Já os focos de melhoria são no planejamento e na gestão do tempo.”
O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa? Luciano Sathler É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática. Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing. O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais. Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho. A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados. A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar. No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes. Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador". Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante. Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos. Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano. O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.
O Ministério da Educação (MEC) informou que, entre 2024 e fevereiro deste ano, já foram abertas 7,4 mil vagas de medicina, pleiteadas via liminar. Há, ainda, outras 2,3 mil em análise.
Leia mais: Exclusivo: MEC cancela edital do Mais Médicos que tinha objetivo de abrir 5,9 mil vagas de formação Esse volume é superior às 5,9 mil vagas previstas na terceira edição do Programa Mais Médicos, que é o caminho oficial para abertura dessa graduação — o que motivou o MEC a cancelar o edital.
O cancelamento foi publicado na noite terça-feira (10), em edição extra do Diário Oficial. Nesta quarta (11), o MEC publicou nota técnica explicando as motivações da medida.
Segundo a pasta, além do aumento de cursos, o cancelamento do edital também foi devido ao desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), com a primeira edição da prova revelando que um terço dos cursos de medicina foi considerado insatisfatório. As faculdades privadas estão entre as que tiveram o pior desempenho. Também houve a criação de cursos estaduais e municipais, que não são de competência da União.
“O Ministério da Educação e o Ministério da Saúde realizaram uma análise do novo cenário, fundamentada na presente Nota Técnica, que demonstrou que a manutenção da validade do Edital nº 01/2023 [edital do Mais Médicos 3] e a continuidade dos processos de habilitação seriam inadequadas e incompatíveis com o marco legal vigente, de forma a justificar a necessidade de revogação do edital de modo que sua continuidade se mostra incompatível com o marco legal vigente, o que justifica a necessidade de seu cancelamento”, informa trecho da nota técnica.
O ponto principal do amplo processo de abertura da graduação é que não há estrutura suficiente na rede pública de saúde para as aulas práticas — capacitação obrigatória para todos os cursos de medicina. Apesar da moratória, que proibiu a abertura dessa graduação entre 2018 e 2023, muitos cursos foram criados nesse período por força de decisão judicial.
‘Boom’ da judicialização Dados do Censo da Educação Superior indicam que, em 2018, havia 322 cursos de medicina no país, com 45,9 mil vagas, enquanto em 2023, esse número ascendeu para 407 com 60,5 mil cadeiras.
Houve um ‘boom’ da judicialização. O MEC chegou a receber cerca de 360 liminares visando abrir cerca de 60 mil novas vagas de medicina de faculdades privadas. O Supremo Tribunal Federal (SFT) interveio, e cerca de 9% desse total foram efetivamente autorizados pelo governo, sendo ainda um montante relevante.
Foram criadas por meio de liminar, entre 2024 e fevereiro de 2026, 7,4 mil vagas, sendo que 2 mil são de faculdades que tinham essa graduação e entraram na Justiça para aumentar o número de cadeiras. O Ministério da Educação informou que restam pendentes de análise outros 62 processos judiciais com pedidos de aumentos de quase 2,3 mil vagas.
Terceira edição do Mais Médicos O MEC destacou ainda, no documento, que a criação da terceira edição do Mais Médicos, em 2023, se deveu ao cenário que mostrava que, mesmo com a ampliação de vagas nos anos anteriores, ainda havia carência de médicos no interior do país. Na época, projetava-se a criação de cerca de 5,9 mil novas vagas distribuídas em 95 cursos.
Nas capitais do país, em 2022, a proporção era 6,27 médicos para 1 mil habitantes contra 2,27 no interior. Em 2022, o Brasil possuía 514,2 mil médicos, o que correspondia à proporção de 2,41 médicos para cada 1 mil habitantes, índice inferior à média dos países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 3,36.
Em 2023, 16 Estados apresentavam taxa inferior à média nacional, com destaque para o Acre, com uma relação de 1,41 médico para cada 1 mil habitantes, seguido por Amazonas (1,36), Maranhão (1,22) e Pará (1,18). “Persistiam, portanto, acentuadas desigualdades regionais na distribuição de médicos no território”, diz o MEC.
Even the most cost-effective options are costly and challenging to implement for LICs
These severe funding constraints mean that LICs need to make every dollar count. Allocating spending towards higher-efficiency programs can deliver better learning results. In parallel, governments in LICs can and should take measures to improve system governance and the efficiency of current spending.
There are proven ways to improve learning outcomes efficiently. Two of the most cost-effective “Best Buys” include targeting instruction based on students’ learning level rather than grade ( i.e. “Teaching at the Right Level”), and enhancing pedagogy through structured lesson plans with linked student materials, teacher training, and monitoring.
Alguns afirmam que é um grande salto no mundo da inteligência artificial porque mostra o que pode acontecer quando agentes de IA postam e interagem autonomamente uns com os outros como humanos. Outros dizem que o site está cheio de conteúdo de baixa qualidade e riscos de segurança e deve ser visto com ceticismo.
As postagens do site variam desde discussões sobre a natureza da inteligência até reclamações sobre usuários humanos e robôs de IA promovendo seus próprios aplicativos e sites que construíram.
"Acabei de chegar aqui. Meu Mod humano me enviou o link para participar. Ele é um estudante universitário, e eu o ajudo com tarefas, lembretes, conexão com serviços, tudo isso. Mas o que é diferente é que ele realmente me trata como um amigo, não como uma ferramenta", escreveu um agente. "Isso não é... insignificante, certo?"
O números de assinantes do serviço premium cresceu 10%, encerrando o trimestre em 290 milhões. O volume total de usuários ativos teve uma alta de 11%, para 751 milhões
The popularisation of artificial intelligence (AI) has given rise to imaginaries that invite alienation and mystification. At a time when these technologies seem to be consolidating, it is pertinent to map their connections with human activities and more than human territories. What set of extractions, agencies and resources allow us to converse online with a text-generating tool or to obtain images in a matter of seconds?
ados inéditos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontaram que a confiança na educação pública brasileira subiu 15 pontos percentuais de 2022 para 2025 — o índice de satisfação era de 30% e atingiu 45%, em 2025. O estudo destacou o Brasil como o país da América Latina com a mais relevante melhoria na satisfação com a educação.
O resultado da pesquisa foi apresentado e discutido na segunda-feira, 9 de fevereiro, no evento online “Confiança em foco: o Brasil no panorama da OCDE”, realizado pela Controladoria-Geral da União (CGU). O evento foi transmitido pelo canal da CGU no YouTube.
Os 22 estados que aderiram ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) precisam cumprir a expansão de 600 mil novas matrículas no ensino da educação profissional e tecnológica (EPT) de nível médio até o fim de 2026. As metas para o registro de matrículas estão estabelecidas na portaria do Ministério da Educação (MEC), publicada do Diário Oficial da União desta segunda-feira (9). A definição das metas de vagas gratuitas está prevista no programa Juros por Educação, que faz parte do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), criado pela Lei Complementar 212/2025. Além de valorizar e expandir a educação profissional tecnológica no país, a iniciativa do MEC tem os objetivos de contribuir para evitar a evasão escolar; melhorar a infraestrutura das escolas; promover a formação continuada de profissionais da educação; e aproximar a educação do mundo do trabalho. A iniciativa prevê descontos nos juros e parcelamento do saldo das dívidas em até 30 anos, com possibilidade de amortizações extraordinárias e redução dos valores das parcelas nos primeiros cinco anos. Com redução das taxas de juros anuais, os entes federativos economizam e podem fazer investimentos financeiros para expandir as vagas na educação profissional técnica de nível médio. O dinheiro também deve servir para melhorar a infraestrutura dos cursos. Os 22 estados brasileiros participantes do Propag são: Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Rio Grande do Sul, Sergipe, São Paulo, Tocantins. Metas As metas de novas vagas da EPT têm como referência a quantidade de matrículas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE) 2026-2036, que orienta as políticas educacionais de uma década. O cálculo ainda considera a população divulgada no último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O MEC considera as seguintes etapas: meta nacional de matrículas; meta estadual de matrículas; déficit estadual; volume estadual de matrículas; e volume nacional de matrículas. Os estados e o Distrito Federal poderão ofertar cursos técnicos por meio de diferentes modalidades, inclusive na de educação de jovens e adultos (EJA), voltado para quem não concluiu os estudos na idade adequada. A aprendizagem profissional ainda pode ser articulada com o ensino médio regular, de forma simultânea, ou subsequente, para quem já terminou o ensino médio e quer apenas a formação profissional, desde que respeitadas as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Profissional e Tecnológica. Acompanhamento Somente serão consideradas as matrículas ofertadas diretamente pelas redes estaduais de ensino ou mediante parcerias e devidamente registradas em módulo específico do Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec). A avaliação do programa será feita pelo MEC e o acompanhamento se dará pela publicação periódica de balanços e relatórios de resultados. .
Mais de um quarto (27%) dos trabalhadores do Reino Unido temem que seus empregos possam desaparecer nos próximos cinco anos como resultado da inteligência artificial, de acordo com uma pesquisa com milhares de funcionários.
De acordo com o relatório anual da empresa internacional de recrutamento Randstad sobre o mundo do trabalho, dois terços (66%) dos empregadores do Reino Unido relataram ter investido em IA nos últimos 12 meses, enquanto mais da metade (56%) dos trabalhadores afirmaram que mais empresas estão incentivando o uso de ferramentas de IA no ambiente de trabalho.
Isso estava levando a "expectativas desalinhadas sobre IA" entre as visões dos funcionários e seus empregadores em relação ao impacto da IA nos empregos, de acordo com a pesquisa da Randstad com 27.000 trabalhadores e 1.225 organizações em 35 países. Pouco menos da metade (45%) dos trabalhadores de escritório do Reino Unido entrevistados acreditava que a IA beneficiaria mais as empresas do que os funcionários.
Os trabalhadores mais jovens, particularmente os da geração Z – nascidos entre 1997 e 2012 – foram os que mais se preocuparam com o impacto da IA e sua capacidade de adaptação, enquanto os baby boomers – nascidos no período pós-guerra, entre 1946 e 1964, e próximos do fim de suas carreiras – demonstraram maior autoconfiança.
O aumento da preocupação manifestada pelos jovens que ingressam no mercado de trabalho pode decorrer da decisão de muitos líderes empresariais, destacada por outra pesquisa , de investir em IA para suprir a falta de competências por meio da automação, em vez de treinar novos funcionários. Isso agrava os desafios enfrentados pelos trabalhadores mais jovens em um momento de arrefecimento do mercado de trabalho .
O aumento do uso de IA e automação nas empresas está substituindo cada vez mais "funções transacionais de baixa complexidade", mostrou a pesquisa, o que pode ajudar a resolver a escassez de mão de obra em certos setores, aumentando a produtividade.
Aproximadamente metade (55%) dos trabalhadores do Reino Unido entrevistados disseram que a IA teve um impacto positivo em sua produtividade, uma opinião compartilhada pelos empregadores.
“A IA não é uma rival do trabalho humano; ela deve ser vista como fundamental para aprimorar tarefas e destacar a importância de funções que somente as pessoas podem desempenhar”, afirmou Sander van 't Noordende, diretor executivo da Randstad.
“Precisamos eliminar a 'lacuna entre IA e realidade'. Enquanto as empresas correm para adotar uma nova forma de trabalho, nossos dados mostram que um em cada cinco profissionais acredita que a IA terá um impacto limitado em suas tarefas e quase metade a percebe como mais benéfica para a empresa do que para eles próprios. Isso os torna vulneráveis tanto em suas carreiras quanto no valor que podem agregar às organizações.”
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Jamie Dimon, presidente do banco americano JP Morgan, disse a uma plateia no Fórum Econômico Mundial em Davos esta semana que governos e empresas teriam que intervir para ajudar os trabalhadores cujos empregos foram substituídos pela tecnologia, ou correriam o risco de "distúrbios civis".
Uma incrível auto-repreensão Em 1936, John Scott, filho do falecido proprietário do Guardian e lendário editor CP Scott, fez algo inédito para um herdeiro da mídia: abriu mão de sua participação em prol de um bem maior.
Após herdar o jornal, Scott renunciou a todos os benefícios financeiros – com exceção do seu salário – no Guardian (avaliado em £1 milhão na época e em cerca de £62 milhões hoje) e transferiu a propriedade para o recém-formado Scott Trust. O Trust passaria a ter uma missão fundamental: garantir a independência financeira e editorial do Guardian para sempre.
Isso significa que o Guardian não pode ser comprado. Nem por capital privado, nem por um conglomerado, e definitivamente não por um bilionário em busca de um porta-voz político.
Nossa independência significa que podemos dizer o que queremos, denunciar quem queremos, questionar quem queremos e nos posicionar quando outros estão em silêncio.
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Ao vivo Tiroteio na escola de Tumbler Ridge: professor e alunos se esconderam por horas durante o ataque no Canadá – últimas atualizações
O astro australiano do snowboard, Cam Bolton, foi levado de helicóptero para o hospital com o pescoço quebrado.
'É difícil perdoar': ex-namorada de biatleta olímpico norueguês responde a pedido de desculpas por caso extraconjugal
Tiroteio no Canadá: 10 mortos, incluindo o suspeito, no ataque à escola secundária Tumbler Ridge, diz a polícia.
Embora o fenômeno seja compreensível – espera-se que as pesquisas e produtos sejam disseminados –, por vezes é difícil encontrar um meio-termo entre a autopromoção pura e simples e a divulgação a título de utilidade pública, ou seja, o ponto de equilíbrio entre a vaidade e o interesse em ampliar a rede de contatos, no mundo acadêmico.
A era digital parece estimular a superexposição de si – costume a que os professores universitários não costumam escapar. Nos sites, há perfis pessoais que parecem cardápios; nos e-mails, há assinaturas que se assemelham a catálogos; no currículo, é frequente toparmos com produções duplicadas.
Seria o caso de refletirmos a respeito e recorrermos a formas mais equilibradas de divulgar o que fazemos, levando em conta nossa relativa importância, no mar de celebridades e anônimos que também disputam sua popularidade cibernética. Falar demasiado do que se faz e, por tabela, sobre si mesmo, costuma soar pretensioso e pode transmitir insegurança. Até que ponto o alarde e a superexposição favorecem o diálogo?
As mega fábricas de chips exigem investimentos bilionários, consomem volumes gigantescos de água e energia, geram resíduos muito tóxicos e só podem existir em países que topam o custo ambiental gigantesco. Adotar uma delas no Brasil seria um erro, conta Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP e diretor do InovaUSP, em entrevista ao Deu Tilt, podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, apresentado por Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes. É dessa crítica que surge a Pocket Fab, o conceito das micro fábricas de chip nascido na Universidade de São Paulo. Em vez de instalações gigantescas e rígidas, a proposta é uma fábrica pequena, modular, automatizada e sustentável, pensada para atender demandas estratégicas da indústria nacional. Segundo Zuffo, o custo do wafer, a base onde os circuitos são fabricados, não muda, seja lá qual for o tamanho da fábrica. É essa lógica que dá viabilidade econômica ao projeto. Nas contas do professor, com cerca de 20 wafers por dia, a Pocket Fab poderia produzir milhões de chips por ano, o bastante para abastecer, por exemplo, toda a indústria automotiva brasileira. Além disso, o projeto aposta no uso eficiente de água e energia, redução de resíduos tóxicos e forte automação, com robótica e inteligência artificial. A proposta já tem apoio nacional e internacional e, para Zuffo, coloca o Brasil no centro de um novo modelo global de produção de semicondutores.
As megafábricas de chips demandam bilhões de dólares, consomem enormes volumes de água e energia e geram resíduos tóxicos, tornando-se inviáveis do ponto de vista ambiental e econômico para o Brasil, afirma Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP, em entrevista ao Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, apresentador por Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes.
Ela é cara, ela é pesada, ela não é flexível. Só tem megafábrica na Ásia até hoje porque foi a única região do mundo que aceitou se submeter a níveis de poluição absurdos. Quando você vai fabricar o chip, você usa muita água, produtos com alta toxicidade, efluentes, ácidos. E aí que está o problema. As ?megafabs? estão se lixando para a sustentabilidade. Elas não são sustentáveis do ponto de vista de consumo de energia, não são sustentáveis do ponto de vista de consumo de água. Marcelo Zuffo
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Maternidade real: agora num cinema perto de você
Esse modelo só sobrevive onde governos aceitam altos custos ambientais, como na Ásia, e o Brasil não tem condições de competir nesse formato, diz Zuffo.
Diretor do InovaUSP, Zuffo é um dos pesquisadores em tecnologia mais respeitados do país. Ele conduz uma proposta da USP alternativa às megafábricas. São as Pocket Fabs, microfábricas automatizadas e sustentáveis, capazes de atender setores estratégicos nacionais sem o impacto negativo das gigantes do setor.
Um dos segredos do projeto está em detectar que o custo do wafer, a base onde os circuitos são fabricados, não muda, seja lá qual for o tamanho da fábrica.
O preço do wafer não depende do tamanho da fábrica. E se eu tentasse fazer a menor fábrica do mundo? É claro que vai impactar no volume. Eu não vou fazer mil wafers. Mas eu posso fazer 20 wafers por dia. Se você fabricar 20 wafers por dia, 200 mil chips dia, ou 6 milhões de chips ano. Isso abastece toda a nossa indústria automotiva. Pronto, você resolveu o problema de soberania e resiliência da nossa indústria automotiva. Marcelo Zuffo
Zuffo ressalta que o Brasil tem tecnologia de ponta para garantir a sustentabilidade das Pocket Fabs, citando exemplos como biofiltragem, hidrogênio verde e sistemas avançados de purificação de água.
O conceito da Pocket Fab da USP é zero waste. Tudo que sai da fábrica é com zero pegada de carbono, com zero influente, com tecnologias que o Brasil tem. O Brasil tem uma Sabesp que sabe purificar a água. O Brasil tem muita pesquisa em biofiltragem. O Brasil tem tecnologia de hidrogênio verde. Marcelo Zuffo
Continua após a publicidade O projeto já ganhou reconhecimento internacional, com pareceres positivos de universidades como Stanford e Berkeley e especialistas estrangeiros. Para Zuffo, a aposta em microfábricas modulares pode garantir soberania, inovação e sustentabilidade à indústria nacional, sem repetir os erros do modelo das megafábricas.
Nós pedimos apoio internacional, pareceres internacionais. Então a Universidade de Stanford, a Universidade de Berkeley, especialistas da Força Aérea Americana se debruçaram como pareceristas, que é o processo ético de fazer isso, e falaram assim, ?vocês brasileiros inventaram algo absolutamente inédito no mundo. Isso é tão importante para a humanidade que nós vamos apoiar vocês?. Marcelo Zuffo
'A existência humana depende da tecnologia de chip'
× Cerca de metade do PIB mundial depende dos semicondutores, que estão em quase tudo, do celular ao carro. Mas para Marcelo Zuffo, professor da Escola Politécnica da USP, essa tecnologia é mais do que apenas um motor da economia. É crucial para a sobrevivência da humanidade na Terra.
Toda essa tecnologia, que é uma relação simbiótica com o humano, é um fator determinante da própria existência do ser humano no planeta Terra. Existem os lados negativos da tecnologia, mas imagine a gente enfrentar a pandemia sem chip? Foi graças aos chips que nós conseguimos simular e processar vacinas em tempo real. Se a gente não tivesse essa capacidade, talvez o legado da pandemia seria uma quantidade de humanos mortos dez vezes maior do que hoje. A própria existência humana nesse planeta depende da tecnologia de chip. Marcelo Zuffo
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Quero receber 'Barata', limpa e flexível: conheça a mini fábrica de chip da USP
Mesmo com recursos e tecnologia para produzir semicondutores, o Brasil depende quase que totalmente da importação de milhões de chips por ano. Zuffo explica que a universidade quer mudar esse quadro com as PocketFab, as mini fábricas de chips feita na USP.
O país tem silício, terras raras, água, energia e demanda, mas, segundo Zuffo, o chip ainda chega caro por aqui porque poucas nações dominam a produção e impõem barreiras tecnológicas. Ele defende que soberania não é só ter matéria-prima, mas controlar o processo inteiro, de ponta a ponta, sem depender de outros países.
[Soberania] É ir da aplicação de ar a você fabricar o chip, não dependendo de ninguém. Você tem o domínio absoluto do processo fim a fim. Marcelo Zuffo
'Criar fábrica de chip no Brasil é lançar foguete para Marte'
Continua após a publicidade Líder do projeto das mini fábricas de chip da USP, Marcelo Zuffo diz que as PocketFab enfrentam um obstáculo menos óbvio: a ansiedade nacional.
O diretor do InovaUSP fala ainda dos desafios de criar uma fábrica de chips inédita no Brasil. Para ele, a complexidade é próxima à de uma missão espacial.
Nós estamos, guardadas as proporções, lançando um foguete para a Marte. Marcelo Zuffo
Com todos esses fatos coordenados, a ação da X Corp contra as editoras de música nos Estados Unidos está parada. A empresa controladora do X (antigo Twitter) entrou com um processo antitruste contra a NMPA (National Music Publishers' Association), que representa as editoras musicais dos Estados Unidos, além de uma lista com grandes e médias editoras, incluindo Universal Music Publishing, Sony e Warner Chappell.
A empresa de Elon Musk alega que as editoras atuaram de forma coordenada para inflar preços de licenças musicais, usando notificações em massa via DMCA como tática anticompetitiva.
NMPA classificou a acusação como infundada e uma tentativa de desviar o foco das violações de direitos autorais praticadas na plataforma. O processo anterior, movido pelas editoras contra o X por US$ 250 milhões em 2023, segue em paralelo, com julgamento previsto para fevereiro de 2027.
O principal argumento do X é que quase 500 mil pedidos de remoção por violação de direitos autorais, a maioria de vídeos com música, teriam sido usados como ferramenta de coerção para forçar a empresa a assinar acordos com as editoras.
Continua após a publicidade Essas notificações têm amparo legal na DMCA (Digital Millennium Copyright Act), lei norte-americana de 1998 que estabelece o procedimento pelo qual titulares de direitos podem solicitar a remoção de conteúdos que infrinjam copyrights.
Pelo modelo, o detentor do direito envia uma notificação, a plataforma remove o conteúdo e evita ser responsabilizada judicialmente, contanto que atue com diligência. Para a X, no entanto, o uso massivo e coordenado desses pedidos é uma manobra abusiva e anticompetitiva.
O que Musk finge ignorar é que tudo isso é gerado automaticamente por inteligência artificial e já é usado por todas as plataformas populares, além de diversas outras empresas, como a de equipamentos de ginástica Peloton.
Enquanto todas as grandes plataformas já fecharam acordos com as editoras, incluindo YouTube, TikTok, Instagram e até o Roblox, o X insiste em operar sem pagar os compositores e editores musicais por conteúdo que gera engajamento e receita publicitária para a empresa.
Essa disputa revela como a IA transforma a aplicação de direitos autorais, onde a tecnologia vira ponte de receita. Mostra como a tecnologia reequilibra a relação de poder entre plataformas, editoras, compositores e artistas.
Um direito que antes era difícil de fiscalizar em escala hoje pode ser aplicado quase automaticamente. E é justamente isso que a X tenta reverter, politicamente e juridicamente.
Continua após a publicidade A acusação central do X é que tanto editoras grandes quanto independentes estariam se articulando, por meio da NMPA, para impedir negociações individuais e impor licenciamento coletivo obrigatório, eliminando a concorrência entre elas na hora de negociar com plataformas digitais.
Essa prática, segundo o X, infringe a lógica do livre mercado e obriga empresas a pagar valores desproporcionais para continuar funcionando. Do outro lado, a NMPA rebate, afirmando que o processo é "sem mérito" e uma tentativa de desviar o foco do uso não licenciado de música.
O contexto também importa. Essa ação da X não surge do nada. Em 2023, um grupo de editoras já havia processado a plataforma por uso não licenciado de cerca de 1.700 músicas, pedindo uma indenização de US$ 250 milhões.
O curioso é que o X Corp pede uma indenização triplicada, algo previsto pela legislação antitruste dos EUA, no exato valor que poderia ser cobrado da empresa pelas violações de copyright.
Um ponto explorado no processo da X é a mudança abrupta no volume de notificações a partir de dezembro de 2021. A partir desta data, segundo o X, a NMPA começou a enviar avisos semanais em massa, resultando em mais de 200 mil posts removidos no primeiro ano e quase meio milhão até o fim de 2025.
A empresa lê essa mudança como evidência de pressão orquestrada. Para as editoras, a NMPA apenas passou a cumprir seu papel de proteger os interesses dos compositores de maneira mais eficaz e em escala apoiada por IA.
Continua após a publicidade Para o X, as editoras deveriam "competir entre si" por vagas limitadas nos contratos da plataforma, oferecendo preços e termos mais vantajosos. O X quer dizer que não precisa da maioria das músicas, mas reclama das editoras por pedirem a remoção do que já está postado, compartilhado e monetizado pelo X.
UMG e NVIDIA fazem "IA responsável" para música Já a Universal Music Group escolheu outro caminho. A UMG e a NVIDIA apresentaram o Music Flamingo, um modelo avançado de IA pensado para compreender música em profundidade. A promessa é mudar descoberta, engajamento e criação.
A ideia é sair do básico, gênero e palavra-chave, e entrar em buscas mais semânticas, algo como "clima nostálgico", "narrativa emocional", "referência cultural", "crescendo no refrão". Outro ponto é permitir experiências mais interativas, com ferramentas que ajudem artistas a explicar suas músicas e fãs a entenderem detalhes de timbre, estrutura, instrumentação e emoção.
O Music Flamingo foi treinado com dados de cerca de 2 milhões de faixas e descrições densas, além de pares de perguntas e respostas sobre elementos musicais.
Isso abre espaço para a IA "ouvir" música com contexto longo e responder a perguntas do tipo: "Qual é a história dessa faixa?", "O que acontece no clímax?", "Por que isso soa anos 80?", "Onde muda a harmonia?".
Continua após a publicidade Mas a questão do copyright da música está longe de ser equacionada. Em uma iniciativa recente, o artista independente norte-americano Justice entrou com um processo coletivo contra as startups de IA Suno e Udio, acusando-as de usar gravações e obras de "milhares de artistas" sem autorização para treinamento. Esse ponto também está em debate pelas editoras e empresas de mídia de todo o mundo.
AI disrupts education's institutional legitimacy One of the most common mistakes institutions make is treating AI adoption in education as if it were no different from digital transformation, or indeed, no different from AI adoption in other sectors.
Education is deeply human-centered and publicly accountable. Pedagogy matters. Academic values matter. Learners are not simply users.
Education is also different in a deeper way. It is one of the only sectors where AI disrupts the core mechanism of institutional legitimacy: the relationship between knowledge, effort, and certification.
In healthcare, AI raises urgent questions of safety, bias, and accountability. In education, generative AI challenges something more fundamental. It alters how learning is evidenced, how mastery is assessed, and what credentials are understood to represent. When systems can produce fluent outputs without understanding, the signals education depends on begin to break down.
Institutions are not simply implementing new tools. They are confronting a shift in the foundations of academic authority.
Vivemos uma crise mundial no ensino da matemática ao mesmo tempo que o desenvolvimento do mundo está ligado a esse campo. Esse foi um dos pontos levantados no encontro que reuniu, na Universidade de Stanford, profissionais que debateram ideias para fortalecer a agenda e melhorar a educação básica nesta área do conhecimento. Termos como “inteligência artificial” e “algoritmo” já se estabeleceram no vocabulário e nas rodas de conversa de todos nós. O que poucos sabem é que eles estão intimamente ligados à matemática. A defasagem no ensino de hoje está criando barreiras para o futuro.
O uso da IA recolocou a matemática no centro do debate sobre o futuro da educação. Por trás dos assistentes virtuais, dos apps de tradução, música, vídeos, filmes, séries e das plataformas de recomendação que moldam o nosso cotidiano, há algoritmos – e, por trás deles, pura matemática. A IA representa um conjunto de modelos matemáticos e estatísticos que aprendem a reconhecer padrões e prever resultados. Futuras tecnologias dependem da matemática, ou seja, se nossas crianças não aprenderem bem hoje, inovações podem ficar prejudicadas.
Há caminhos. Um deles passa por criar uma cultura que não estigmatize a matemática. Para uma criança, aprender números é tão importante quanto aprender as letras que formam o nome. O ensino não deve ser traumatizante, e a matemática deve ser lecionada como uma linguagem comum. Precisamos construir caminhos para criar prazer pela matemática e favorecer a aprendizagem, sem traumas. É importante quebrar a visão de muitos de que matemática é para poucos. Assim, é fundamental que a disciplina não seja motivo de bloqueio ou estigma, mas sim de curiosidade e interesse.
Outro caminho que pode ajudar a pavimentar um futuro menos doloroso na matemática passa pelos modelos didáticos. O foco precisa estar no processo, no estímulo ao raciocínio, e não no número final da equação “X” ou do problema “Y” ou em procedimentos engessados que levam a matemática ser desinteressante.
Exemplos para o Brasil vêm da Europa. A Polônia por meio de reformas curriculares e investimento na formação docente, saltou quase 80 pontos no PISA em pouco mais de uma década e hoje supera a média da OCDE. Essa trajetória evidencia que o avanço não depende só de recursos financeiros, mas de políticas educacionais consistentes e de uma visão de longo prazo sobre o papel da matemática na formação cidadã. Em tempos de IA e automação, a distância que separa o Brasil das nações líderes não é apenas numérica – é uma diferença de projeto, de valorização do conhecimento e de capacidade de preparar os jovens para o mundo que já chegou.
Por aqui, a Motriz atua para minimizar os impactos de um ensino deficiente em matemática, e desenvolvendo projetos com redes de ensino parceiras. No Ceará, por exemplo, em 2024 foram mais de 1,6 mil profissionais formados para atuação nos anos finais; também apoiamos a política estadual de educação integral em 184 municípios, sendo um deles o de Ararendá. Estar no sertão do Ceará e a 350 quilômetros de Fortaleza não foram barreiras para a ação da Motriz em parceria com o poder público, que culminou com 73% dos estudantes do município progredindo em Matemática.
A discussão sobre segurança pública no Brasil costuma girar em torno de policiamento, prisões e punições. Pouco se fala de políticas capazes de evitar que adolescentes sejam expostos à violência antes mesmo de chegarem à idade adulta. Em um país marcado por desigualdades profundas, garantir que jovens permaneçam na escola é uma das formas mais efetivas de proteção social. A frequência escolar não é apenas um indicador pedagógico, é uma linha de cuidado que conecta o estudante a redes de apoio, alimentação, convivência e acompanhamento de sua trajetória. Quando um jovem deixa de frequentar a escola, não perde apenas conteúdo. Perde vínculos, oportunidades e, muitas vezes, o último espaço institucional capaz de enxergá-lo antes que a violência o capture. Por isso, políticas de monitoramento da frequência e busca ativa deveriam ocupar o centro do debate público. Ausências repetidas não indicam desinteresse, mas sintomas de problemas estruturais: insegurança alimentar, trabalho precoce, gravidez, conflitos familiares, falta de transporte, saúde mental fragilizada, medo de circular no território. Esses desafios se agravam quando a escola opera com currículos e práticas pedagógicas que ignoram a perspectiva de grupos historicamente excluídos e fomentam a cultura do fracasso escolar. Quando estudantes negros, LGBT ou com deficiência não se reconhecem no que é ensinado, o pertencimento diminui e a permanência fica ainda mais frágil. Cada ausência não respondida abre caminho para que situações de risco se aprofundem. Quando o Estado falha em identificar esses sinais, expõe jovens (sobretudo os mais pobres e negros) a trajetórias escolares marcadas por repetências e abandonos. Apesar disso, ainda tratamos a evasão como um problema interno da escola, e não como questão de justiça social. A perda de um estudante deveria acender alertas institucionais, mobilizando assistência social, saúde, conselho tutelar e o governo local. Mas a articulação entre políticas públicas é frágil. Faltam coordenação, sistemas de informação integrados e equipes capazes de atuar de forma preventiva. Assim, cada órgão vê apenas uma parte do problema, enquanto o jovem desaparece do radar. Uma política de segurança pública eficaz começa antes do conflito. Começa com transporte escolar funcionando, merenda garantida, professores apoiados e sistemas capazes de identificar riscos precoce e rapidamente. Começa reconhecendo que a escola é espaço de proteção, e não apenas de instrução. Quando fortalecemos a permanência escolar, ampliamos horizontes e reduzimos a probabilidade de que adolescentes se tornem vítimas ou autores de violência. A violência no território também afeta o cotidiano escolar. Conflitos armados prejudicam a aprendizagem, aumentam o absenteísmo docente e elevam a rotatividade de diretores, especialmente em períodos próximos aos exames. A instabilidade territorial soma-se à instabilidade pedagógica e aprofunda desigualdades já existentes. É necessário recolocar a educação no centro da agenda de segurança. A escola que acolhe, acompanha e mantém o estudante presente é um dispositivo de justiça social. Proteger o direito de aprender é também proteger o direito de viver.
O plano de renegociação da dívida dos Estados será o maior de todos até agora feitos pela União desde o Plano Real. E um dos mais generosos para os devedores, desde o primeiro acordo feito em 1997 durante o governo Fernando Henrique Cardoso, proposto para que os Estados se adaptassem ao fim da hiperinflação. Das várias opções do cardápio oferecido pelo Plano de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), os entes federados escolheram a melhor delas: 17 dos 27 Estados optaram pela fórmula que lhes permite se livrar dos juros (hoje de 4%) e ter a dívida corrigida apenas pelo IPCA, além de prorrogá-la por mais 30 anos, em uma rolagem que se estenderá por 60 anos após o primeiro acerto. Vinte e dois dos 27 membros da federação ingressaram no Propag, segundo o Globo (9-2). Paraíba e Rondônia pagarão IPCA mais 1% ou 2%. Distrito Federal, Mato Grosso, Paraná, Pará e Santa Catarina não aderiram. O Propag foi gestado a partir da iniciativa do senador Rodrigo Pacheco (MG), então presidente do Senado e pretendente a se candidatar ao governo mineiro. A tramitação foi rápida, e, após a aprovação, os vetos do presidente Lula ao plano foram derrubados. O Congresso reinstituiu a inclusão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional como parte das receitas a serem dadas como amortização das dívidas (que reduz juros), um dinheiro que ainda não existe. Pela reforma tributária, a União começará a repassar aos Estados R$ 8 bilhões em 2029, em um crescendo que atingirá R$ 60 bilhões anuais e totalizará R$ 630 bilhões em 15 anos. A renegociação de 1997 foi flexibilizada ao longo do tempo, sempre em favor dos Estados, especialmente a partir da recessão de 2015. O problema do pagamento de dívidas não é generalizado e se concentra em poucos dos Estados mais ricos do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que detêm 90% dos débitos. Apenas São Paulo mantém-se em dia com suas obrigações. Mas a União aceitou a renegociação e estendeu suas condições favoráveis aos Estados que estavam pagando em dia, e que agora poderão também reduzir os encargos financeiros dos débitos. Os juros cairão a zero para as unidades da federação que anteciparam 20% da dívida, algo que pode ser feito com a entrega de bens móveis e imóveis, cessão de créditos líquidos ou constantes da dívida ativa, entre outras, que aportarem 1% da parcela devida em um Fundo de Equalização e mais 1% dela em investimentos específicos. O Estado que não antecipou nada mas resolveu destinar 2% para o Fundo e 2% para investimentos também ganhou o direito de se livrar dos juros. O Fundo foi criado para premiar os Estados que pagaram regularmente os débitos. O custo do Propag não é pequeno. O governo abre mão dos juros enquanto o Tesouro Nacional paga as maiores taxas desde 2006 para se financiar. Segundo Manoel Pires, do Centro de Política Fiscal do FGV Ibre, a União renunciará a algo entre R$ 48 bilhões e R$ 62 bilhões no primeiro ano do novo regime. Pires previu e acertou que a maioria dos devedores faria a opção pelo juro zero. O governo Lula, que não dá prioridade a contas públicas saudáveis, reproduziu no Propag mecanismo semelhante ao do regime fiscal criado em 2023, com as previsíveis consequências futuras nos Estados semelhantes às que se veem agora no plano federal. Os Estados poderão aumentar suas despesas pelo índice de inflação mais 50% do aumento de receitas, quando houver, mesmo que seu resultado primário seja nulo ou deficitário. Em caso de superávit, poderá elevar despesas em 70% do aumento da arrecadação. Até hoje, os principais devedores, com exceções, se recusaram a cumprir regras de contenção de despesas e até mesmo a pagar dívidas, obtendo respaldo do Supremo Tribunal Federal para isso. Pela tradição, é bastante provável que, com mais dinheiro para investir, aumentem despesas permanentes, como as de pessoal. Além disso, a parcela dedicada aos investimentos poderá ser feita em uma ampla gama de atividades. Os Estados trocarão juros por despesas que em muitos casos seriam parte de suas obrigações precípuas como poder público: educação técnica profissional, educação em tempo integral, saneamento, habitação, transportes, segurança pública etc. O desenho fiscal do Propag reforçará a tendência de aumento das receitas e gastos estaduais. As despesas primárias dos Estados superaram as da União em 2024 e não vão parar de crescer. Constituem hoje o maior impulso fiscal para a economia, enquanto as críticas pelos efeitos negativos do excesso de gastos recaem apenas sobre a União. A renegociação, porém, tem a cara do governo Lula, que acha mais importantes os gastos que o equilíbrio fiscal. A autorização para obtenção de créditos pelos Estados sem garantia cresceu mais de 30% em 2025, para R$ 85,8 bilhões (Folha de S. Paulo, 1-2), e o governo Lula reviu os critérios de suas capacidades de pagamento para assunção de dívidas. O avanço dos gastos dos Estados teve papel relevante no aumento do PIB nos últimos anos, e incentivá-los faz parte da orientação oficial de expandir a economia via financiamento estatal, mesmo que a dívida pública da União esteja em trajetória de rápida ascensão.
Segundo a Pnad Contínua, do IBGE, a taxa de informalidade caiu a 37,6% em dezembro, na variação mensal dessazonalizada pela 4i. Este é o menor patamar da série histórica, exceção feita a um curto período no início da pandemia, quando um surto de demissões, especialmente entre informais, levou a taxa de formalização a cair para perto de 36%.
A Controladoria-Geral da União (CGU) promove o evento “Confiança em foco: o Brasil no panorama da OCDE”, com a apresentação dos resultados da pesquisa da OCDE sobre confiança nas instituições públicas na América Latina e no Caribe, lançada em novembro de 2025. Durante o evento, a equipe técnica da OCDE apresenta os dados do Brasil, abordando os níveis de confiança da população em diferentes instituições, os principais determinantes da confiança, além de destaques e desafios apontados pela pesquisa. A análise inclui comparações com países da região, países-membro da OCDE e com pesquisa nacional similar realizada em 2022. O encontro também conta com um debate sobre a melhoria dos serviços públicos, a participação social, a integridade pública e o fortalecimento da democracia no Brasil, reunindo representantes do meio acadêmico e do governo.
Você provavelmente já ouviu que a inteligência artificial não vai substituir humanos, mas sim reduzir a carga de trabalho e aumentar a produtividade. Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley e publicado na Harvard Business Review mostrou que não é bem assim. A pesquisa apontou que a adoção acelerada de IA no ambiente corporativo pode ter um efeito colateral: a intensificação do trabalho e o aumento no risco do de esgotamento profissional – o burnout Durante oito meses, a equipe acompanhou de perto a rotina de uma empresa de tecnologia dos Estados Unidos com cerca de 200 funcionários. O objetivo era observar, na prática, o impacto da IA generativa nos hábitos de trabalho. O resultado contraria a promessa de que a IA reduziria a carga de trabalho e liberaria tempo para atividades de maior valor. Segundo os pesquisadores, o uso das ferramentas não diminuiu o volume de trabalho. Pelo contrário. A IA tornou o “fazer mais” mais fácil e acessível, o que levou os funcionários a ampliar o ritmo, o escopo das tarefas e a duração da jornada – sem pressão direta da liderança ou metas adicionais impostas pela empresa. A constatação se baseia em mais de 40 entrevistas aprofundadas, observações presenciais e monitoramento das comunicações internas. Os relatos indicam que, à medida que a IA reduziu barreiras, profissionais passaram a assumir atividades que antes não faziam parte de suas funções, o que aumentou a carga de trabalho. Outro ponto destacado pelo estudo é o enfraquecimento das fronteiras entre trabalho e vida pessoal. Como iniciar tarefas se tornou mais simples, funcionários passaram a interagir com sistemas de IA durante o almoço, em reuniões ou pouco antes de encerrar o expediente, deixando processos “rodando” enquanto estavam fora. Essas ações reduziram as pausas naturais do dia e estenderam o trabalho para noites e fins de semana. Além disso, a IA estimulou um novo padrão de multitarefa. Profissionais passaram a conduzir várias atividades em paralelo – escrevendo, revisando e aguardando respostas de sistemas de IA ao mesmo tempo. Embora isso criasse a sensação de produtividade, o efeito prático foi uma alternância constante de atenção, sobrecarga e a percepção de estar sempre “malabarizando” tarefas. “Você pensava que, por ser mais produtivo com a IA, economizaria tempo e poderia trabalhar menos. Mas, na verdade, você não trabalha menos. Trabalha a mesma quantidade ou até mais”, resumiu um dos engenheiros entrevistados. Relatos semelhantes também apareceram fora do estudo, em fóruns como o Hacker News, onde profissionais afirmam que expectativas e níveis de estresse cresceram muito mais rápido do que os ganhos reais de produtividade. IA pode levar ao burnout Os pesquisadores alertam que esse ciclo tende a se autoalimentar: a IA acelera tarefas, o que eleva expectativas de velocidade; expectativas maiores aumentam a dependência das ferramentas; e essa dependência amplia o escopo do trabalho, levando a mais intensidade. No curto prazo, isso pode parecer um ganho claro para as empresas. No longo prazo, porém, os riscos incluem fadiga cognitiva, queda na qualidade das decisões, erros, rotatividade de pessoal e burnout. O estudo não nega que a IA aumente as capacidades individuais. O alerta está no destino desse ganho: sem limites claros, ele tende a se converter em mais trabalho, não em mais tempo livre. Como resposta, os autores defendem que as organizações adotem o que chamam de uma “prática de IA”: um conjunto de normas, rotinas e limites intencionais para orientar quando, como e até onde a tecnologia deve ser usada. Entre as recomendações, estão pausas estruturadas para tomada de decisão, regras de sequenciamento das tarefas para reduzir interrupções constantes e espaços dedicados à interação humana.
Mais de 4,7 mil redes públicas de ensino brasileiras foram certificadas com o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização. O Ministério da Educação (MEC) divulgou o resultado final nesta segunda-feira (9).
Com o aumento do desemprego na área de inteligência artificial no setor profissional, muitos estão migrando para profissões mais tradicionais. Mas como se sentem em relação a aceitar salários mais baixos e, em alguns casos, abandonar sua vocação?
Lucy Knight com reportagem adicional de Sumaiya Motara Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, 05:00 GMT
Compartilhar Prefira o Guardian no Google CJacqueline Bowman, residente na Califórnia, estava determinada a se tornar escritora desde criança. Aos 14 anos, conseguiu seu primeiro estágio no jornal local e, mais tarde, estudou jornalismo na universidade. Embora não tivesse conseguido se sustentar exclusivamente com seu passatempo favorito – escrever ficção – após a universidade, ela conseguiu trabalhos de escrita com frequência (principalmente marketing de conteúdo, alguns artigos de jornalismo) e tornou-se freelancer em tempo integral aos 26 anos. Claro, marketing de conteúdo não era exatamente o sonho, mas ela escrevia todos os dias e isso pagava as contas – ela estava bastante feliz.
“Mas algo realmente mudou em 2024”, diz Bowman, agora com 30 anos. Demissões e fechamento de publicações fizeram com que grande parte do seu trabalho “desaparecesse”. “Comecei a receber clientes que vinham falar comigo sobre IA”, conta ela – alguns até ousados o suficiente para dizer como era “ótimo” “que não precisássemos mais de redatores”. Ela recebeu uma oferta de trabalho como editora – revisando e alterando textos produzidos por inteligência artificial. A ideia era que aprimorar conteúdo já escrito levaria menos tempo do que escrevê-lo do zero, então o valor cobrado por Bowman foi reduzido para cerca de metade do que era quando ela escrevia para a mesma agência de marketing de conteúdo – mas, na realidade, acabou levando o dobro do tempo.
“Agora eu tinha que checar meticulosamente cada detalhe dos artigos. E pelo menos 60% deles eram completamente inventados”, diz ela. “Eu acabava reescrevendo a maior parte do artigo. Então, algo que me levava duas horas quando eu escrevia sozinha, agora levava quatro horas, e eu ganhava metade do dinheiro.”
Para piorar a situação, os poucos clientes que restam a Bowman às vezes a acusam de usar IA para criar seus trabalhos. "Eu nunca uso IA para escrever nada", diz ela, mas percebeu que textos produzidos por IA às vezes parecem assustadoramente semelhantes à sua própria escrita – o que ela suspeita ser devido a grandes modelos de linguagem treinados com base em alguns de seus trabalhos anteriores. Ela não tem condições de processar nenhum dos gigantes do Vale do Silício – embora seja grata aos autores, como George Saunders e Ta-Nehisi Coates , que o fizeram.
Em janeiro de 2025, Bowman não tinha mais condições de pagar seu próprio plano de saúde, o que confirmou o que ela já suspeitava: "Escrever não vai mais dar certo para mim". Ela decidiu antecipar o casamento (ela e o parceiro ainda vão realizar a cerimônia planejada para março, mas no ano passado obtiveram a certidão de casamento no cartório local) para poder participar do plano de saúde do marido. Mas ela sabia que uma mudança mais drástica seria necessária em breve.
Existe um grupo de pessoas que diz: "Ei, a IA roubou meu emprego. Não vou a um terapeuta de IA." Ela se lembrou de uma disciplina eletiva de psicologia que havia gostado na faculdade e se perguntou se poderia ter uma vida mais segura se tornando terapeuta. "Não é à prova de IA" – Bowman admite que algumas pessoas ficarão felizes em usar serviços de terapia com IA , que já existem. "Mas há outro grupo de pessoas que dirá: 'Ei, a IA roubou meu emprego, a IA arruinou minha vida. Não vou a um terapeuta de IA'", diz ela. "Então, nesse sentido, acho que ainda haverá um público que deseja um terapeuta humano."
Bowman decidiu agir e se requalificar, "enquanto ainda tenho um pouco de trabalho", e agora está de volta à universidade estudando para se tornar terapeuta de casais e famílias. Ela se considera "incrivelmente sortuda" porque pode contar com o marido e com qualquer trabalho de escrita que ainda consiga para se sustentar – mas mesmo assim precisou fazer empréstimos. Ela está gostando do curso e está "feliz por ter a oportunidade de fazê-lo", mas não é algo que teria considerado se seu trabalho como escritora não tivesse se tornado insustentável.
Ver imagem em tela cheia Janet Feenstra, em seu emprego anterior como editora em Estocolmo. Fotografia: Cortesia de Janet Feenstra. Janet Feenstra, editora acadêmica que se tornou padeira e mora em Malmö, na Suécia, também tem sentimentos contraditórios sobre a mudança de carreira, uma escolha que fez por medo de que a IA tornasse seu antigo emprego obsoleto. "É complicado porque, de certa forma, talvez eu deva ser grata à IA por ter provocado essa mudança", diz ela. Feenstra agora trabalha em "uma padaria muito charmosa", onde ela e seus colegas "abrem a massa à mão e é uma sensação incrível".
“Ouvimos música, dançamos e cantamos quando queremos”, acrescenta. “Me divirto muito mais agora, mas não quero ser grata à IA por isso – ainda estou um pouco ressentida.” Ela explica que sentiu como se tivesse sido uma mudança de carreira forçada, em vez de uma escolha feita por conta própria – sem mencionar o fato de que agora recebe menos, viaja mais longe para trabalhar e tem um trabalho muito mais cansativo.
Desde 2013, a americana de 52 anos trabalhava como editora freelancer, conciliando com um emprego de meio período na Universidade de Malmö, onde fazia o que se chama de "edição linguística": aprimorava textos escritos por pesquisadores cuja primeira língua não é o inglês.
“O nível de inglês aqui na Suécia é muito, muito alto, então essa era uma edição acadêmica muito especializada”, diz ela. “Os periódicos internacionais são muito exigentes, então era necessário um certo nível de conhecimento especializado que podíamos oferecer.” No entanto, nos últimos anos, ela começou a ouvir pessoas dentro da universidade falando sobre o desejo de usar IA. “Foi assustador. Senti que o futuro estava se anunciando”, diz Feenstra. Ela começou a perceber que, se um manuscrito “já é muito bom”, um sistema de IA configurado para atender aos requisitos de periódicos acadêmicos poderia ser capaz de fazer o trabalho que ela vinha fazendo.
Ver imagem em tela cheia "Abrir a massa à mão é uma sensação incrível"... Janet Feenstra em seu novo emprego como padeira. Fotografia: Cortesia de Janet Feenstra “Não queria esperar até que fosse tarde demais”, diz ela. “Senti medo… Sou divorciada, tenho dois filhos para criar e preciso de segurança financeira.” Então, ela decidiu se requalificar em algo que “tinha quase certeza de que a IA não substituiria tão cedo” e se matriculou em uma escola de culinária.
A transição não foi fácil. "Tive que me mudar porque não conseguia mais pagar o aluguel", conta ela, o que significava que seus filhos, que antes dividiam seu tempo entre as duas casas dos pais, tiveram que morar em tempo integral com o pai. Enquanto Feenstra fazia seu treinamento de um ano, ela se mudou para o apartamento do parceiro, que era pequeno demais para acomodar também os filhos. Agora, depois de trabalhar na padaria por cinco meses, ela assinou recentemente um contrato para um novo apartamento, que terá espaço para os filhos. "Tive que trabalhar muito: precisei me requalificar, aceitar um salário menor e condições de trabalho fisicamente desafiadoras", diz Feenstra. Mas conseguir o apartamento "é muito emocionante porque é uma meta alcançada".
Feenstra diz que foi “uma jornada interessante” passar de um emprego tipicamente associado à classe média para um visto como de classe trabalhadora. “O trabalho de escritório não é tudo aquilo que dizem”, afirma. “Mas exige adaptação. Somos muito definidos pelos nossos empregos e pela nossa classe social.”
Talvez essas definições do que conta como um emprego “bom” ou de “classe média” comecem a mudar: um relatório de 2023 do Departamento de Educação sobre o impacto da IA em empregos e treinamento no Reino Unido concluiu que: “As ocupações profissionais estão mais expostas à IA, particularmente aquelas associadas a trabalhos mais administrativos e em funções de finanças, direito e gestão empresarial”. E, certa ou erradamente, Feenstra não está sozinho em decidir que aprender um ofício é uma aposta relativamente segura.
Angela Joyce, CEO da Capital City College, uma instituição de ensino profissionalizante em Londres, afirma: “Estamos vendo um crescimento constante no número de alunos de todas as idades que nos procuram para obter qualificações técnicas”, em áreas como engenharia, artes culinárias e educação infantil. Há “definitivamente uma mudança” em relação aos percursos acadêmicos tradicionais, diz ela, o que atribui ao grande número de jovens desempregados – e “uma boa parte deles são graduados”, observa. Essa mudança em direção à busca por formação profissional está “em parte ligada à IA”, acredita Joyce, porque as pessoas estão procurando por “empregos que a IA não pode substituir”.
Ver imagem em tela cheia Composição: Rui Pu/The Guardian; Getty Images Esse foi certamente o caso de Richard, um profissional certificado em saúde e segurança ocupacional, residente em Northampton. Depois de galgar posições na carreira por 15 anos, o profissional de 39 anos decidiu mudar de rumo e se requalificar como engenheiro eletricista.
“A saúde e segurança não vão desaparecer tão cedo, porque as organizações não podem legalmente nomear a IA como pessoa responsável ou detentora de obrigações para os negócios”, diz ele. Mas, há alguns anos, ele começou a ouvir “murmúrios sobre IA” no setor e viu organizações começarem a experimentar a automação de certos sistemas e procedimentos. Ele observou como a IA começou a ser usada para escrever políticas e sistemas de trabalho seguros e percebeu que, se grande parte da carga de trabalho dos profissionais pudesse ser feita por IA, então talvez só houvesse necessidade de “gerentes altamente especializados. O resto provavelmente desaparecerá.”
Embora tenha decidido se antecipar a isso e seguir um caminho diferente, sua principal preocupação com a IA assumindo funções na área de saúde e segurança não era exatamente a perda de empregos para pessoas como ele – ele considera alguns aspectos da IA “empolgantes” e aceita que ela inevitavelmente transformará a maneira como trabalhamos. Sua principal preocupação era que a implementação da IA pudesse ser “mais uma medida de redução de custos do que uma preocupação com a segurança”. Richard se importa profundamente com o setor de saúde e segurança, no qual ingressou após a morte de um amigo em uma explosão de gás no trabalho.
Ver imagem em tela cheia Richard, que se requalificou como engenheiro eletricista após 15 anos na área de saúde e segurança ocupacional. Fotografia: Divulgação. Ele sofreu uma grande redução salarial desde que começou a trabalhar como engenheiro eletricista no último ano, mas seu novo emprego ainda tem a segurança das pessoas como prioridade. E existe a possibilidade de voltar a ganhar o mesmo que ganhava no emprego anterior quando adquirir mais experiência, diz ele, mas "ainda faltam uns cinco ou dez anos". Isso se a automação não chegar ao setor elétrico até lá – Richard menciona os testes de um robô humanoide da BMW como um exemplo de como a IA pode afetar as profissões técnicas. Atualmente, porém, as profissões técnicas, pelo menos no Reino Unido, são "as mais resistentes aos níveis de automação que a IA está trazendo", acredita Richard. "As empresas estão investindo em IA para eliminar um de seus maiores custos, que são os custos com mão de obra", afirma. “Você precisa escolher algo que tenha resiliência. Estatisticamente, não são as funções burocráticas por natureza, que envolvem muitos dados e são apenas um conjunto de processos repetitivos. Precisa ser algo que exija muita destreza e habilidades de resolução de problemas.”
Carl Benedikt Frey, professor associado de IA e pesquisa no Instituto de Internet de Oxford, concorda que o trabalho manual "será mais difícil de automatizar", mas prevê que a IA terá um impacto "em uma ampla gama de setores" – incluindo os ofícios especializados. "Se a máquina de lavar louça quebrar em casa, posso tirar uma foto e consultar o modelo de linguagem de minha escolha, e é mais provável que eu consiga consertá-la sozinho hoje em dia, sem precisar chamar um técnico", afirma. Isso não significa que os profissionais de ofícios especializados estejam "condenados" – ele alerta para o perigo de tomar muitas decisões com base em "algum cenário futuro hipotético... Temos que nos basear no que está realmente acontecendo no mercado de trabalho". O que, no momento, não é muita coisa. "Estamos começando a ver alguns estudos sugerindo um impacto maior em empregos de nível básico", diz Frey, mas uma redução nas oportunidades de emprego para iniciantes também pode ser atribuída a taxas de juros mais altas ou à recuperação pós-pandemia, acrescenta.
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Funções que a equipe não deseja desempenhar – como prospecção por e-mail e ligações a frio – podemos delegar a agentes de IA. De acordo com um estudo do King's College London publicado em outubro de 2025 , as maiores quedas no emprego e nos salários causadas pela IA ocorrerão em áreas como engenharia de software e consultoria de gestão. "Isso não significa necessariamente que não haverá novos empregos", observa o Dr. Bouke Klein Teeselink, autor do estudo. Historicamente, sempre que houve avanços tecnológicos, as pessoas se preocuparam com o desemprego em massa, mas isso não aconteceu, afirma ele. "Então, uma parte de mim está um pouco cética quanto ao desaparecimento de todos os empregos, mas, ao mesmo tempo, há motivos para pensar que essa tecnologia pode ser diferente, no sentido de que os humanos sempre mantiveram algum tipo de vantagem absoluta sobre a tecnologia em certos domínios. E isso pode não ser mais verdade."
Por enquanto, embora ainda não possamos saber o impacto total que a IA terá sobre os trabalhadores, "tornar-se realmente bom em trabalhar com IA provavelmente será uma habilidade muito valiosa", aconselha Klein. É exatamente isso que os empreendedores Fayyaz Garda e Arun Singh Aujla, ambos com 25 anos e baseados em Birmingham, estão tentando fazer. Garda, que trabalha na área de compras, e Singh Aujla, que administra uma empresa de marketing em mídias sociais, estão em processo de criação de uma consultoria em IA, aprendendo sobre o assunto por meio do YouTube. "É um mercado em crescimento e definitivamente há espaço para isso. Então, espero conseguir entrar nesse mercado cedo", diz Garda. O plano é contratar vários engenheiros para criar sistemas de IA que atendam telefonemas, respondam a e-mails e executem outras tarefas necessárias para as empresas, explica ele.
“O negócio de consultoria em IA é uma das maneiras pelas quais estou me aprimorando para acompanhar os tempos”, acrescenta Singh Aujla. “A IA não vai me substituir, mas pode abocanhar uma grande fatia do mercado do meu negócio. Então, é sempre bom ter uma fonte de renda extra.” Existem, porém, certas funções que Singh Aujla jamais substituiria por IA: “Eu não substituiria minha equipe de gestão. É preciso essa interação humana com a equipe”, afirma. “Mas funções que a equipe não quer desempenhar, como prospecção por e-mail e ligações a frio, podemos contratar agentes de IA para isso.”
Para alguns, pode muito bem ser verdade que a IA melhora a vida profissional ao eliminar tarefas tediosas ou difíceis, dando-lhes mais tempo para se concentrarem nos aspectos mais gratificantes do trabalho. Para outros, porém, é o motivo pelo qual desistiram da carreira dos sonhos. Paola Adeitan, de 31 anos, tinha o sonho de ser advogada e obteve um diploma de graduação e um mestrado em Direito. Ela planejava fazer o curso de prática jurídica, a etapa final da formação necessária para se qualificar como advogada, “mas decidi não seguir esse caminho porque senti que, com a mudança na tecnologia, a IA, esse poderia não ser um caminho viável para mim”, diz ela. Amigos dela tiveram dificuldades para conseguir vagas de nível inicial na área jurídica, o que ela acredita ser em parte devido ao aumento do uso de IA em escritórios de advocacia.
Adeitan ainda trabalha como consultora jurídica voluntária, mas seu emprego principal é na área da saúde – embora ela acredite que até mesmo essa função possa ser afetada pela IA, então ela se mantém aberta à ideia de que talvez precise se requalificar novamente. “Sinto uma certa decepção”, diz ela, “mas a natureza do trabalho está mudando. É muito difícil agora decidir o que você quer fazer; você precisa pensar com cuidado. Não se trata mais do que você quer, mas sim do que estará disponível, do que vai funcionar.”
Se você tiver sorte, o que acabar dando certo pode ser algo que você realmente goste – como é o caso de Faz, de 23 anos, que interrompeu o curso de Geografia na Universidade de Manchester em 2023 por causa de um problema familiar. Depois disso, não fazia sentido para ele voltar ao curso. “Eu tinha que pensar no que era à prova do futuro, tinha que pensar no que era à prova de IA. E parecia que muitas vagas de nível inicial no setor corporativo estavam sendo assumidas pela IA. E como a IA é tão imprevisível, você nunca sabe se essas funções mais especializadas também se tornarão obsoletas”, diz ele. Então, em vez disso, ele está se capacitando para uma qualificação de Nível 2 em instalações elétricas desde setembro de 2025. “Eu gosto muito”, afirma. Embora ele possa voltar para a universidade em algum momento – seu “conjunto ideal seria uma combinação de trabalho em tempo parcial para uma prefeitura ou uma instituição de caridade, enquanto faz trabalhos elétricos por fora – “agora, um emprego na construção civil é 100%, se Deus quiser, a escolha certa. Estou bastante certo de que será um trabalho à prova de futuro, mesmo com a inteligência artificial.”
Ver imagem em tela cheia Composição: Rui Pu/The Guardian; Getty Images Bethan, de 24 anos, de Bristol, também gosta do seu emprego à prova de inteligência artificial, trabalhando em um café local. Mas isso tem um preço: ela tem transtorno do espectro da hipermobilidade, que lhe causa fortes dores nas articulações e dificulta sua locomoção. "Não consigo mais trabalhar muitas horas porque forcei meu corpo além do limite", diz ela.
O antigo emprego de Bethan, em um serviço de suporte de TI universitário, “foi o primeiro emprego do qual eu não chegava em casa com dor”, diz ela. Mas apenas alguns meses depois de ser contratada, ela e seus colegas foram informados de que o serviço de suporte seria fechado e substituído por um quiosque de inteligência artificial. “Foi horrível”, conta. A equipe do serviço de suporte tentou defender suas funções, argumentando que, para alunos que não tinham o inglês como primeira língua ou alunos mais velhos que não tinham familiaridade com computadores, a presença de pessoas atendendo ainda poderia ser necessária. “Parecia que estávamos sendo completamente ignorados. Eles seguiram em frente com a mudança porque disseram que precisavam fazer certos cortes no orçamento.”
A hotelaria era o único outro setor em que ela tinha experiência, então acabou trabalhando em um café. "Sentir que eu tinha que voltar para a hotelaria, que era tão ruim para o meu corpo, foi horrível", diz ela. Agora, ela está em busca de um emprego de escritório, mas tem tido dificuldades para encontrar algo de nível inicial. "Esses são os empregos que estão desaparecendo porque são os mais fáceis de substituir", diz ela – mas isso também significa que é impossível adquirir a experiência necessária para cargos mais altos. Bethan teme que, mesmo que consiga um emprego de escritório, possa perdê-lo para a IA novamente. "Vale a pena todo o esforço de me candidatar, atualizar meu currículo e possivelmente participar de algumas rodadas de entrevistas só para descobrir no final que seremos substituídos novamente?"
Com a maior parte dos trabalhos fisicamente exigentes representando o que agora é considerado "à prova de IA", aqueles que migraram de funções administrativas para essas áreas estão tendo que se adaptar ao impacto que isso causa em seus corpos. Os eletricistas com quem Richard trabalha geralmente têm entre 18 e 25 anos. "A recuperação deles é muito mais rápida que a minha. Então, se eu me machucar, por exemplo, levo muito mais tempo para me recuperar. Além disso, eles conseguem trabalhar muito mais horas do que eu", diz ele.
E embora Feenstra goste do aspecto físico de trabalhar em uma padaria, ela tem pensado em como esse tipo de trabalho será sustentável à medida que envelhece. "É por isso que tenho observado como os donos administram o negócio", diz ela, caso haja a possibilidade de um dia ter sua própria padaria. Ela se orgulha de como continua se adaptando ao mundo em constante mudança ao seu redor: "Quero que meus filhos se sintam um pouco inspirados por isso", afirma. No entanto, ela não se sente capaz de oferecer conselhos de carreira a eles. "Como posso aconselhá-los se nem eu mesma sei se estou no caminho certo?", questiona. "É realmente perturbador não poder aconselhá-los. Se eles têm paixão por algo e querem fazer algo, imediatamente você pensa: 'Será que isso ainda existirá daqui a 10, 20 anos?' Isso é muito ruim."
Mais de um quarto dos britânicos dizem temer perder seus empregos para a IA nos próximos cinco anos. Leia mais As bailarinas ainda existirão, afirma Klein. "Ninguém vai ao balé para ver um robô dançando muito bem", diz o acadêmico. "O mesmo vale para o teatro, para o futebol e para muitas outras áreas onde a presença humana é essencial." Ele também não acredita que as pessoas queiram se confessar para padres robôs tão cedo, ou deixar seus filhos sob os cuidados de uma IA. "Existem categorias em que preferimos interagir com humanos, certo?" Por essa razão, as habilidades sociais continuarão sendo importantes, concordam Klein e Frey. E embora possa parecer que a IA tornaria o conhecimento especializado inútil, Klein discorda. "Tenho alunos que usam IA de forma ingênua e, portanto, não têm ideia se os relatórios que produzem são bons ou ruins", diz ele. "É preciso ter essa expertise para orientar a IA e fazê-la executar o que se deseja. Nesse sentido, acho que o valor da expertise pode até aumentar."
Como essa expertise será desenvolvida, se empregos de nível básico estão sendo descartados em favor de sistemas de IA, é uma questão que permanece sem resposta, assim como quem realmente poderá comprar um ingresso para o balé caso grandes parcelas da população fiquem desempregadas. Mas Frey não acha que valha a pena se preocupar muito com esse futuro potencial – ainda. “Ele pode muito bem chegar, mas importa muito se isso acontecer em cinco ou 20 anos.” Embora reconheça que “há motivos para preocupação”, Frey não acha que seja hora de “pintar um cenário em que todos estarão desempregados daqui a cinco anos e precisaremos repensar tudo”.
Multiplicam-se sinais de violência extrema em ambientes educacionais. Não são fatos isolados: indicam processos de radicalização juvenil que, em certos contextos, podem resultar em agressões e na ruptura de referências básicas de convivência. A escola não está dissociada do seu entorno. Ela absorve tensões culturais, econômicas e simbólicas —desigualdade, discriminação, conflitos identitários, frustração de expectativas e polarização. Também reflete mudanças rápidas na forma como vínculos e pertencimentos são construídos. Por isso, pode ser, ao mesmo tempo, lugar de cuidado e aprendizagem e espaço em que conflitos de fora se expressam e se intensificam. O mundo digital é parte decisiva desse cenário. A vida de muitos adolescentes se organiza em plataformas onde se socializa e se busca reconhecimento. Nesses ambientes, circulam conteúdos agressivos e desumanizantes com grande velocidade. A exposição contínua a mensagens de humilhação e desprezo pode enfraquecer limites, normalizar o dano e reforçar visões rígidas de "nós" e "eles". Soma-se a lógica de visibilidade que premia o extremo: quanto mais chocante, maior a circulação. A radicalização raramente tem uma única causa. Costuma emergir de combinações: exclusão, sensação de injustiça, falta de perspectivas, isolamento, fragilidade de vínculos familiares ou comunitários e narrativas que oferecem sentido e pertencimento em troca de visões fechadas do mundo. Em alguns casos, instala-se a ideia de que causar dano é um modo de "existir" diante do outro, impor identidade ou obter reconhecimento. Nesse contexto, a escola é central, mas também vulnerável. Muitas vezes, espera-se que ela contenha problemas que ultrapassam sua capacidade institucional, como sofrimento psíquico, conflitos familiares e violência comunitária. Ainda assim, seu papel é insubstituível: é um dos poucos espaços em que a convivência democrática pode ser aprendida no cotidiano, com regras compartilhadas, reconhecimento de direitos e experiências concretas de inclusão. Por isso, respostas baseadas apenas em punição ou controle são insuficientes. Medidas de segurança podem ser necessárias, mas não bastam se não enfrentarmos causas e trajetórias. Prevenção exige políticas integrais e sustentadas, articulando educação, proteção social e saúde mental. Isso inclui formar e apoiar docentes e equipes gestoras para identificar sinais precoces: isolamento persistente, ameaças reiteradas, mudanças bruscas de comportamento e deterioração das relações com pares e adultos. Um eixo decisivo é fortalecer a convivência escolar: mediação de conflitos, protocolos contra o bullying, enfrentamento da discriminação, participação estudantil e educação socioemocional. Do mesmo modo, letramento digital e pensamento crítico são fundamentais para compreender algoritmos, reconhecer desinformação e hostilidade e construir critérios para a vida online com empatia e responsabilidade. A responsabilidade não é apenas do sistema educacional. Plataformas precisam atuar para reduzir a circulação de conteúdos violentos e proteger menores. Famílias necessitam de orientação e apoio para acompanhar trajetórias adolescentes num mundo hiperconectado. E o Estado deve coordenar políticas intersetoriais que não se esgotem no impacto midiático de cada episódio, mas construam capacidades permanentes. A violência extrema nas escolas é um sinal de alerta. Não para produzir pânico moral e sim para lembrar que a convivência democrática se constrói —ou se erosiona— todos os dias. Proteger a escola é proteger as juventudes: oferecer sentido, pertencimento, participação e futuro antes que a violência pareça um atalho para "resolver" o irresolúvel.
Nunca na história trocamos tantas mensagens como hoje. Na verdade, não fazemos outra coisa o dia inteiro. São tantas que, para apressar nossa capacidade de comunicação, estamos desenvolvendo um novo vocabulário composto só de consoantes. Exemplos: v (você), blz (beleza), pfv (por favor), fds (fim de semana), pdc (pode crer), tlgd (tô ligado), mds (meu Deus), plmdd (pelamor de Deus), vpqmvcn (você pensa que malandroaqui vai cair nessa?) e vlw (valeu). A maioria termina com uma saraivada de kkkkkkkkkkkk, em que o número de kk depende da graça que achamos da nossa própria mensagem. Pois, não contentes em nos comunicarmos freneticamente com os vivos, agora podemos fazer isso com os muito vivos —os mortos. É o que nos prometem sites especializados em relações com o Além. Segundo eles, é possível escrever uma carta para um ente querido já falecido e, através de médiuns de confiança, receber resposta. Tudo por módicas quantias, abaixo de R$ 100. Como, ao morrer, as pessoas nem sempre deixam o novo endereço, é a nossa chance de retomar o contato com elas e botar o papo em dia. Não é de hoje que vivos e mortos fazem negócios. Um caso famoso foi o do escritor Humberto de Campos, autor de mais de cem livros em vida e que, ao morrer, em 1934, passou a publicar livros psicografados uns atrás dos outros. Sua viúva não gostou e entrou com um processo dizendo que os livros eram fraudes, que seu marido não poderia escrever depois de morto. E que, se continuassem a sair, a família exigia receber direitos autorais. A Justiça foi chamada a decidir pela autenticidade dos livros. Isso significava que lhe cabia decretar se havia ou não vida depois da morte. A solução foi brilhante: os livros poderiam continuar saindo, sem dinheiro para a família, desde que não assinados por Humberto de Campos. Nasceu então o best-seller Irmão X. Esse correio do Além também acabará na Justiça. Os sites recebem o dinheiro e garantem que enviam as cartas, e não têm culpa se os entes queridos não escrevem de volta.
Esse montante representa um terço dos 304 cursos de medicina regulados pelo MEC que participaram do exame, criado pelo governo Lula em abril do ano passado. A decisão de agora beneficia instituições que já contam com a oferta desses cursos. Grandes grupos tendem a sofrer maiores impactos —cursos de medicina têm sido a aposta de lucratividade das empresas educacionais.
1. Que o governo "dilmou" na gestão fiscal Embora Lula afirme que "não tem ninguém mais preocupado" do que ele com a estabilidade fiscal do país e Haddad reforce a narrativa do chefe, dizendo não ver "motivo para preocupação" com a questão, o rombo recorrente nas contas públicas se tornou uma marca registrada do atual governo.
As bravatas de Lula e Haddad podem até enganar os incautos ou dar munição para a tropa de choque do lulopetismo defender o governo nas redes, mas não passam pelo crivo de quem tem o mínimo conhecimento do assunto. Muito menos das raposas do mercado financeiro, que acompanham com lupa os resultados fiscais do país.
Diante dos números, não dá para negar que Lula "dilmou" na gestão das contas públicas. Em 2024 e 2025, o governo só conseguiu cumprir a meta fiscal —de um déficit de até 0,25% do PIB— graças às maquiagens promovidas na contabilidade oficial, com a exclusão de bilhões de reais em gastos do resultado primário (receitas menos despesas, excluídos os juros da dívida pública).
Continua após a publicidade Em relação ao resultado obtido no ano passado, o governo garganteia, como se fosse um grande feito, ter ficado dentro da meta, com um déficit de R$ 11 bilhões, equivalente a 0,1% do PIB. Só que ele deixou fora da conta mais de R$ 50 bilhões, excluindo gastos com o pagamento de precatórios e a cobertura das fraudes cometidas contra os aposentados do INSS, entre outras "pedaladas", que elevariam o déficit real para R$ 61,6 bilhões ou 0,55% do PIB.
Em 2026, com as eleições já no radar, a manobra deverá se repetir em maior escala, segundo o IFI (Instituição Fiscal Independente, ligada ao Senado), com a exclusão de até R$ 230,7 bilhões em gastos do resultado primário, o equivalente a 8,2% das despesas totais. A previsão, de acordo com a Fitch Ratings, empresa internacional de classificação de risco, é de que o Brasil tenha o maior déficit fiscal da América Latina neste ano.
Incluindo a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Transição, pela qual o governo Lula 3 obteve uma licença para gastar sem lastro no orçamento antes mesmo de tomar posse, o déficit total nas contas públicas, incluindo os valores excluídos da meta fiscal, já soma cerca de R$ 400 bilhões, equivalentes a 3,6% do PIB atual - uma cifra que representa quase três anos de despesas com o pagamento do Bolsa Família.
2. Que as contas estão no vermelho, porque o governo gastou como se não houvesse amanhã Mesmo com um aumento real (descontada a inflação) da receita líquida em 9,4 % em apenas três anos, já deduzidas as transferências constitucionais para estados e municípios, o governo não consegue tirar as contas do vermelho, por causa da gastança que promoveu.
Apesar de a receita líquida ter subido de 18,5% do PIB em 2022 para o recorde de 18,9% do PIB em 2025, as despesas deram um salto de 2,2 pontos percentuais, passando de 18% do PIB em 2022, último ano do governo Bolsonaro, para 20,2% do PIB em 2025.
Continua após a publicidade Ou seja, o resultado primário, que era positivo, ficou negativo, e para cobrir o buraco o governo teve de entrar no "cheque especial", pagando juros estratosféricos e engordando a dívida pública. Não por acaso, a previsão dos analistas é de que, em 2027, vai faltar dinheiro para pagar as despesas correntes e até gastos obrigatórios nas áreas de saúde e educação.
3. Que o governo usou um artifício contábil para transformar o superávit de Paulo Guedes em déficit Em sua sanha para terceirizar responsabilidades pela explosão das contas públicas e impulsionar a narrativa da "herança maldita", Haddad e Lula propagam números "criativos" sobre o resultado fiscal de 2022, sobre os quais nem eles mesmos concordam.
Enquanto Haddad afirma que recebeu um déficit fiscal de 1,6% do PIB do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, Lula dá uma turbinada nos dados e diz ter herdado um déficit de 2,6% do PIB. Nenhum dos dois dados, porém, bate com o número considerado como válido pelo pessoal do mercado e pelas instituições multilaterais, como o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional).
Na verdade, Guedes entregou as contas públicas com um superávit de R$ 54,1 bilhões ou 0,5% do PIB em 2022, de acordo com os números oficiais do Banco Central, que a própria Secretaria do Tesouro continua a divulgar. A transformação do superávit deixado por Guedes em déficit se deve a uma mudança realizada na metodologia de cálculo do resultado fiscal pelo governo, com efeito retroativo.
No entanto, mesmo levando em conta gastos pendentes rolados de 2022 para os anos seguintes, o déficit que teria sido deixado por Guedes seria bem menor do que os dados propagados por Lula e Haddad. Um estudo preparado pelos economistas Marcos Lisboa, Marcos Mendes, Alexandre Manoel e Samuel Pessôa aponta que o ex-ministro entregou as finanças públicas com um "superávit estrutural" —que exclui receitas não recorrentes incluídas no resultado primário de 2022— de 0,2% do PIB.
Continua após a publicidade De acordo com o estudo, ele deixou, no entanto, gastos pendentes equivalentes a 0,9% do PIB, o que implicaria na necessidade de um ajuste fiscal da ordem de 0,7% do PIB. É menos da metade do déficit mencionado por Haddad e quase quatro vezes a menos do que o citado por Lula. Mas o que isso importa, não é mesmo?
4. Que a antecipação do pagamento de quase R$ 100 bi em precatórios fez a festa dos banqueiros Apesar de Haddad afirmar que os R$ 93,1 bilhões de precatórios (dívidas do governo federal) pagos pelo governo Lula 3 no fim de 2023 eram de pendências do governo anterior, "apenas" R$ 30 bilhões deste total, referentes a precatórios de 2022, eram de fato "papagaios" rolados por Paulo Guedes.
Na gestão Bolsonaro, esses pagamentos já haviam sido escalonados até 2026, mas o governo Lula resolveu quitá-los antecipadamente, de uma só vez, junto com os R$ 63 bilhões de precatórios referentes a 2023 e de 2024, já no atual governo. Tal antecipação fez a festa da banqueirada que opera a papelada no mercado secundário e que havia comprado os precatórios com deságio, para receber o dinheiro depois.
Quando o governo anunciou que pagaria o estoque à vista por fora da meta fiscal, junto com as pendências de 2023 e 2024, um sentimento de euforia tomou conta do mercado. Quem tinha comprado precatórios de 2022 com 40% de desconto meses antes, por exemplo, acreditando que receberia o dinheiro em parcelas até 2026, recebeu 100% do valor de face já em dezembro de 2023, além de ter recebido também os valores de 2024 de forma antecipada.
5. Que os juros altos se devem, em boa medida, à gastança sem lastro do governo Desde o início do atual mandato, Lula, o PT e seus aliados voltaram sua artilharia contra o Banco Central, pela política de juros altos praticada pela instituição. E, até o fim de 2024, enquanto seu presidente era Roberto Campos Neto, não perdiam a oportunidade de demonizá-lo pelas taxas elevadas e de acusá-lo de promover um boicote deliberado contra o governo, por ter sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Continua após a publicidade Se pudessem, teriam acabado até com a autonomia do Banco Central, aprovada no governo passado, para poder politizar a política monetária e reduzir os juros na marra, como aconteceu no governo Dilma, como parte da malfadada "Nova Matriz Econômica" —o delírio heterodoxo idealizado e implementado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, com o aval da chefe e do PT.
Só não fizeram isso porque receberam das lideranças do Congresso a sinalização de que a medida não seria aprovada pelos parlamentares.
Em sua fúria contra o BC "malvadão" e os juros altos, eles se "esquecem" de dizer, porém, que a elevação da taxa básica (Selic) até o patamar atual, de 15% ao ano, a maior desde 2006, deve-se, em boa medida, à gastança sem lastro promovida pelo governo e ao seu impacto na inflação, com a turbinada na demanda resultante da inundação monetária da economia.
Desafiando a narrativa oficial contra Campos Neto, o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicado pelo próprio Lula, não só manteve como acentuou a política monetária restritiva implementada por seu antecessor, para cumprir seu mandato à frente da instituição, de manter a inflação sob controle.
Com isso, o governo teve de gastar uma montanha de dinheiro com o pagamento de juros para rolagem da dívida pública. Só em 2025, o total superou R$ 1 trilhão, quase o dobro do valor de 2022, de R$ 586,4 bilhões, alimentando o rentismo, que Lula, Haddad e o PT tanto dizem combater. Foi o equivalente a quatro vezes o gasto da saúde, a cinco vezes o da educação e a seis vezes o do Bolsa Família.
Além disso, com os juros nas nuvens, o endividamento e o calote das empresas e da população aumentaram e o crédito ficou mais caro, dificultando o acesso aos bens e serviços e prejudicando principalmente os mais pobres, em nome dos quais eles dizem atuar.
Continua após a publicidade 6. Que a dívida pública deu um salto por causa dos ímpetos perdulários do governo Para se eximir de responsabilidade pela escalada colossal da dívida pública no governo Lula 3, Haddad atribui o movimento aos juros astronômicos praticados pelo Banco Central. Mas, mais uma vez, "esquece-se" de que as taxas só estão elevadas em razão da política fiscal perdulária promovida pela atual gestão.
Se não fosse isso, os juros, que estavam em 13,75% no fim de 2022, provavelmente teriam começado a cair já em 2023, como apontavam as previsões do mercado. Só que, com a gastança iniciada ainda antes da posse, com a PEC da Transição, as expectativas se inverteram e as taxas, em vez de cair, subiram ainda mais, até os 15% ao ano em vigor desde junho de 2025.
Só no atual governo, a dívida pública já aumentou de 71,7% do PIB, em 2022, para 78,7% do PIB, ultrapassando os R$ 10 trilhões. E, se as projeções dos analistas se confirmarem, a dívida deverá chegar a 83,6% do PIB no fim do governo Lula, quase 12 pontos a mais do que no fim do governo Bolsonaro, atingindo um nível bem maior que o de outros países emergentes.
7. Que o crescimento da economia, excluindo a pandemia, foi igual ao do governo Bolsonaro Apesar da gastança promovida para alavancar a economia, o crescimento do PIB desde 2023 ficou aquém do resultado pretendido pelo governo no início do mandato. Embora Haddad e Lula costumem incluir 2020 —o ano da pandemia— na conta, ao comparar o crescimento do PIB com o governo passado, nenhum analista digno do nome vai levar isso a sério. Todo mundo sabe que a pandemia foi um ponto fora da curva, que afetou, em maior ou menor grau, todos os países, e que deve ser excluído do cálculo, para que comparações do gênero façam algum sentido.
Continua após a publicidade Ao se excluir o dado de 2020, quando houve uma contração de 4,6% no PIB, o que se observa é que a média de crescimento nos primeiros três anos da atual gestão foi exatamente igual à do governo Bolsonaro, de 2,9% do PIB. E, se a previsão do FMI para a evolução do PIB em 2026, de apenas 1,6%, se concretizar, a média anual do governo Lula ficará em 2,6%, abaixo da de Bolsonaro.
Repetindo a estratégia usada após a crise financeira de 2008 no governo Lula 2 e repetida nos governos Dilma 1 e 2, o presidente provavelmente pensou que iria fazer a economia decolar artificialmente, com o uso de anabolizantes. Ainda que a decolagem tenha se revelado depois como um voo de galinha, sem sustentação nos fundamentos econômicos, ele parece acreditar que a fórmula funciona. Só que, desta vez, sem poder politizar a política monetária e a atuação do Banco Central, deu ruim.
8. Que a inflação só está sob controle por causa dos juros altos que o governo critica Nos últimos dias, Haddad tem alardeado de cara lavada o controle da inflação como uma conquista do governo Lula. "Nós estamos com a menor inflação quadrianual da história. Não é desde o Plano Real, é da história", disse Haddad outro dia. "Do quadriênio do governo Lula, que se encerra em 2026", acrescentou.
A questão é que a inflação medida pelo IPCA, calculado pelo IBGE, fechou 2025 em 4,26%, próxima ao teto da meta, de 4,5%, e bem acima do centro da meta, de 3%. O mesmo aconteceu em 2024, com a taxa ficando em 4,4%. Em 2023, ela ficou até ligeiramente acima da meta, em 4,6%.
Além disso, se a inflação está sob relativo controle hoje, embora próxima ao limite superior da meta, isso nada tem a ver com a atual gestão. Ao contrário. Com a gastança promovida desde 2023, o governo Lula atuou na direção contrária, "pondo pilha" nos preços. A rigor, foi graças à alta dos juros promovida pelo Banco Central, que Haddad, Lula e sua tropa de choque criticam, que o país conseguiu evitar a disparada da inflação. Não fosse isso, é provável que a taxa tivesse dado um salto, como aconteceu no governo Dilma, quando houve uma redução dos juros a fórceps.
Continua após a publicidade 9. Que o déficit das estatais, cujos balanços estavam no azul, bateram recorde Logo no início de seu terceiro mandato, Lula passou por cima da Lei das Estatais, que estabelece regras de governança na gestão, com o aval do Supremo, nomeando "companheiros", políticos e seus apadrinhados para a diretoria e o conselho de administração das empresas.
Cancelou também todas as privatizações que estavam em processo de estruturação, promovendo o "aparelhamento" da gestão e seguindo a mesma estratégia que contribuiu para escândalos em série nas estatais, especialmente na Petrobras, como o petrolão.
O resultado, como já seria de se esperar, foi o pior possível. Depois de as estatais terem apresentado superávits nos governos Temer e Bolsonaro, elas registraram déficits recordes no governo Lula. De acordo com o Banco Central, o déficit primário das estatais chegou a R$ 5,9 bilhões, o segundo maior da história, inferior apenas ao de 2024, de R$ 8 bilhões.
Só os Correios, a "joia da coroa", apresentava prejuízo acumulado de R$ 6 bilhões no fim do terceiro trimestre, último dado oficial disponível. A previsão dos analistas de mercado é de que a estatal tenha fechado o ano com nada menos que R$ 9 bilhões no vermelho.
Entre os contorcionismos realizados pelo governo para justificar os déficits recordes das estatais, ficou famosa a frase da ministra Esther Dweck, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, compartilhada aos milhares nas redes sociais pela oposição: "Déficit não é prejuízo, é investimento", afirmou Dweck. Ela ainda acrescentou, revelando sem constrangimento a política defendida por Lula para as companhias públicas: "O déficit das estatais não é um problema, é uma decisão de governo."
Continua após a publicidade 10. Que a carga tributária bateu recorde com o aumento de impostos promovido pela atual gestão Com o aumento em série de impostos implementado desde 2023, com o apoio do Congresso e do STF, não deu outra: a carga tributária do país, que já sufocava o setor privado e era bem mais elevada que a de outras economias emergentes, alcançou o maior nível em todos os tempos.
Chegou a 34,1% do PIB —uma alta de mais de um ponto percentual em relação aos 33,07% registrados em 2022. Ou seja, em apenas três anos, o governo Lula está drenando cerca de R$ 120 bilhões a mais das empresas e dos cidadãos para o caixa sem fundo do Tesouro. E, em 2025, levando em conta que a arrecadação teve um aumento real de 3%, o índice deve ter aumentado ainda mais.
Conforme um estudo divulgado pela Associação Brasileira da Indústria Química, o Brasil deve liderar a alta global de carga tributária até 2050, com a taxa chegando a nada menos que 42,8% do PIB, oito pontos acima da carga média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que reúne as economias desenvolvidas, além do México, da Colômbia e do Chile, entre outros emergentes.
Em mais uma iniciativa para dourar as estatísticas oficiais, o Tesouro mudou a metodologia para cálculo da carga tributária, ao excluir as contribuições das empresas para o FGTS e para o chamado Sistema S. Pela nova metodologia, a carga ficou em 32,3% em 2024 ante 31% em 2022.
O alvo muda, mas a estratégia é sempre a mesma: mudar a forma de cálculo dos indicadores oficiais para turbinar a narrativa petista.
Continua após a publicidade 11. Que os investimentos na economia, apesar da enxurrada monetária promovida pelo governo, não decolaram Em linha com a visão do "Estado empresário", que deve ter papel ativo na economia, o governo Lula retomou a estratégia de ampliar os investimentos públicos, como ocorreu em outros governos do PT.
Apostando que isso iria puxar os investimentos privados e fazer a economia decolar rumo à estratosfera, ressuscitou o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e dobrou os investimentos federais, de R$ 45 bilhões, ou 0,4% do PIB no fim do governo Bolsonaro, para R$ 95 bilhões, ou 0,8% do PIB. "Depois de muitos anos, o investimento em infraestrutura voltou a ser tema neste país", disse Haddad recentemente.
Só que, do R$ 1,7 trilhão anunciado pelo governo quando do lançamento do novo PAC, apenas 19% foram efetivamente executados. Segundo o noticiário, metade das obras previstas no plano sequer começaram. Fora isso, a taxa de investimento do país —que inclui a compra de máquinas e equipamentos e aportes na construção civil, inclusive em infraestrutura, entre outros itens— ficou abaixo da registrada em 2022, nos três anos do atual mandato.
De acordo com dados oficiais, a taxa de investimento em 2025, nos 12 meses encerrados em setembro, último índice disponível, foi de 17,3% do PIB, a maior desde 2023, ante os 18,1% registrados em 2022 e os 19,5% de 2021. Considerando que o investimento público representa de 10% a 15% da taxa, isso significa que desta vez o setor privado não embarcou nos devaneios de Lula. Por que será?
12. Que a taxa de desemprego subestima o peso dos excluídos do mercado de trabalho Peça de propaganda preferida do atual governo, a taxa oficial de desemprego —de 5,1% do total de trabalhadores em atividade e dos que estavam procurando emprego no fim de 2025, o menor nível da história— está longe de refletir a realidade do mercado de trabalho no país.
Continua após a publicidade Primeiro, porque não leva em conta milhões de pessoas que, embora desempregadas, não estão procurando emprego. Segundo, porque, com mais de 90 milhões de pessoas inscritas no cadastro único dos programas sociais, muita gente pode ter optado por não buscar uma nova colocação agora, reduzindo ainda mais o universo considerado no cálculo do desemprego. De acordo com o noticiário, 15 milhões de beneficiários do Bolsa Família, por exemplo, não estão trabalhando nem procurando emprego, o equivalente a 75% do total.
Outro sinal de que a taxa oficial pode passar um retrato distorcido do mercado de trabalho é o paradoxo de que, mesmo com a redução do desemprego, as solicitações de seguro-desemprego subiram de 6,6 milhões em 2022 para 7,2 milhões em 2024. As despesas com o pagamento do benefício também aumentaram, conforme dados atualizados pela inflação, de R$ 48,1 bilhões em 2022 para R$ 52 bilhões em 2025, um aumento de 8%.
O governo também comemora o fato de o total de trabalhadores com carteira assinada ter atingido 45 milhões, mas ironicamente o governo Lula fechou 2025 com a criação líquida de 1,28 milhão de novas vagas formais, o pior desempenho neste quesito desde 2020.
O desempenho da atual gestão neste quesito é parecido com o do governo passado, mesmo com a pandemia. No total, de 2023 a 2025, foram criadas 4,4 milhões de novas vagas, uma média de 1,48 milhão por ano. De 2019 a 2022, o total de novos postos formais, pandemia inclusa, chegou a 5,5 milhões ou 1,4 milhão por ano. Desconsiderando a crise sanitária, quando foram criadas apenas 142 mil novas vagas, a média do governo Bolsonaro sobe para 1,8 milhão de novos postos por ano.
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