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July 23, 2024 4:32 PM
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Atrasado, Brasil discute estratégia para inteligência artificial

Atrasado, Brasil discute estratégia para inteligência artificial | Inovação Educacional | Scoop.it
O plano indica a necessidade de elaborar uma “nova geração de teoria básica sobre a IA no mundo”, além de construir uma tecnologia de IA de forma cooperativa, elevando a capacidade técnica do país em relação ao restante do mundo, envolvendo soluções em realidade virtual, microprocessadores, processamento em linguagem natural. Uma plataforma integrada foi elencada como base para dar apoio a aplicações e soluções a serem desenvolvidas por atores públicos e privados no país. Entre as metas está a aceleração da formação de talentos em ocupações de ponta na construção de sistemas de IA e o fomento a bens e serviços como hardware inteligentes (a exemplo de robôs), carros autônomos, realidade virtual e aumentada e componentes da Internet das Coisas.
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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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September 10, 2024 9:19 AM
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Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler

Igualdade Artificial, um risco para a educação. Por Luciano Sathler | Inovação Educacional | Scoop.it

O que acontece quando a maioria faz uso de uma IA para realizar suas atividades laborais? E, no caso dos estudantes, quando os trabalhos passam a ser produzidos com o apoio de uma IA generativa?
Luciano Sathler
É PhD em administração pela USP e membro do Conselho Deliberativo do CNPq e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais
As diferentes aplicações de Inteligência Artificial (IA) generativa são capazes de criar novos conteúdos em texto, imagens, áudios, vídeos e códigos para software. Por se tratar de um tipo de tecnologia de uso geral, a IA tende a ser utilizada para remodelar vários setores da economia, com impactos políticos e sociais, assim como aconteceu com a adoção da máquina a vapor, da eletricidade e da informática.
Pesquisas recentes demonstram que a IA generativa aumenta a qualidade e a eficiência da produção de atividades típicas dos trabalhadores de colarinho branco, aqueles que exercem funções administrativas e gerenciais nos escritórios. Também traz maior produtividade nas relações de suporte ao cliente, acelera tarefas de programação e aprimora mensagens de persuasão para o marketing.
O revólver patenteado pelo americano Samuel Colt, em 1835, ficou conhecido como o "grande equalizador". A facilidade do seu manuseio e a possibilidade de atirar várias vezes sem precisar recarregar a cada disparo foram inovações tecnológicas que ampliaram a possibilidade individual de ter um grande potencial destrutivo em mãos, mesmo para os que tinham menor força física e costumavam levar desvantagem nos conflitos anteriores. À época, ficou famosa a frase: Abraham Lincoln tornou todos os homens livres, mas Samuel Colt os tornou iguais.
Não fazemos aqui uma apologia às armas. A alegoria que usamos é apenas para ressaltar a necessidade de investir na formação de pessoas que sejam capazes de usar a IA generativa de forma crítica, criativa e que gerem resultados humanamente enriquecidos. Para não se tornarem vítimas das mudanças que sobrevirão no mundo do trabalho.
A IA generativa é um meio viável para equalizar talentos humanos, pois pessoas com menor repertório cultural, científico ou profissional serão capazes de apresentar resultados melhores se souberem fazer bom uso de uma biblioteca de prompts. Novidade e originalidade tornam-se fenômenos raros e mais bem remunerados.
A disseminação da IA generativa tende a diminuir a diversidade, reduz a heterogeneidade das respostas e, consequentemente, ameaça a criatividade. Maior padronização tem a ver com a automação do processo. Um resultado que seja interessante, engraçado ou que chama atenção pela qualidade acima da média vai passar a ser algo presente somente a partir daqueles que tiverem capacidade de ir além do que as máquinas são capazes de entregar.
No caso dos estudantes, a avaliação da aprendizagem precisa ser rápida e seriamente revista. A utilização da IA generativa extrapola os conceitos usualmente associados ao plágio, pois os produtos são inéditos – ainda que venham de uma bricolagem semântica gerada por algoritmos. Os relatos dos professores é que os resultados melhoram, mas não há convicção de que a aprendizagem realmente aconteceu, com uma tendência à uniformização do que é apresentado pelos discentes.
Toda Instituição Educacional terá as suas próprias IAs generativas. Assim como todos os professores e estudantes. Estarão disponíveis nos telefones celulares, computadores e até mesmo nos aparelhos de TV. É um novo conjunto de ferramentas de produtividade. Portanto, o desafio da diferenciação passa a ser ainda mais fundamental diante desse novo "grande equalizador".
Se há mantenedores ou investidores sonhando com a completa substituição dos professores por alguma IA já encontramos pesquisas que demonstram que o uso intensivo da Inteligência Artificial leva muitos estudantes a reduzirem suas interações sociais formais ao usar essas ferramentas. As evidências apontam que, embora os chatbots de IA projetados para fornecimento de informações possam estar associados ao desempenho do aluno, quando o suporte social, bem-estar psicológico, solidão e senso de pertencimento são considerados, isso tem um efeito negativo, com impactos piores no sucesso, bem-estar e retenção do estudante.
Para não cair na vala comum e correr o risco de ser ameaçado por quem faz uso intensivo da IA será necessário se diferenciar a partir das experiências dentro e fora da sala de aula – online ou presencial; humanizar as relações de ensino-aprendizagem; implementar metodologias que privilegiem o protagonismo dos estudantes e fortaleçam o papel do docente no processo; usar a microcertificação para registrar e ressaltar competências desenvolvidas de forma diferenciada, tanto nas hard quanto soft skills; e, principalmente, estabelecer um vínculo de confiança e suporte ao discente que o acompanhe pela vida afora – ninguém mais pode se dar ao luxo de ter ex-alunos.
Atenção: esse artigo foi exclusivamente escrito por um ser humano.
O editor, Michael França, pede para que cada participante do espaço "Políticas e Justiça" da Folha sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Luciano Sathler foi "O Ateneu" de Milton Nascimento.

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March 21, 9:03 PM
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O que são os incels, o movimento sombrio retratado na aclamada série 'Adolescência'

O que são os incels, o movimento sombrio retratado na aclamada série 'Adolescência' | Inovação Educacional | Scoop.it
Série da Netflix aborda temas como masculinidade tóxica e ciberviolência. O fenômeno incel tem preocupado especialistas por sua conexão com misoginia e episódios de violência. Pesquisadores defendem que o problema deve ser tratado como questão de saúde mental.
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March 21, 8:58 PM
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Centro Universitário Assunção

No dia 29 de março de 2025, o auditório do Centro Universitário Assunção receberá um dos eventos mais relevantes para gestores e educadores das instituições católicas associadas a ANEC: o Dia ANEC - São Paulo.

O encontro, que acontecerá das 8h30 às 11h30, tem como tema central "Inovação e bem-estar: como a tecnologia pode ajudar a desenvolver a missão do professor", e contará com a palestra do Prof. Luciano Sathler, renomado especialista na área educacional. Sathler é PhD em Administração pela FEA/USP, membro do Comitê de Educação Básica e do Conselho Científico da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), integrante do Conselho Deliberativo do CNPq e do Fórum Nacional de Educação (FNE), além de ex-reitor do Centro Universitário Izabela Hendrix e curador do blog Inovação Educacional.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site da ANEC.

Não perca essa oportunidade única de ampliar seus conhecimentos e fortalecer sua rede de contatos na área educacional!
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March 21, 8:37 PM
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Curso on-line prepara alunos para o Encceja

A Fundação Roberto Marinho, em parceria com o Instituto Equatorial, lança mais uma edição do curso “Seja”, formação on-line e gratuita voltada a adultos de todo o país que interromperam os estudos e desejam concluir a educação básica por meio do Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja). O Encceja será realizado em 3 de agosto.
As aulas começam na segunda-feira, 31 de março. Interessados podem se inscrever no site da iniciativa (ver frm.org.br/projeto/seja).
Em 2024, nove entre dez estudantes que participaram do curso preparatório e responderam ao questionário de avaliação tiveram aprovação em pelo menos uma área de conhecimento ou atingiram a pontuação necessária para a obtenção do diploma.
A formação é toda organizada para estudo remoto. O conteúdo e as aulas são feitas pelos professores da escola da Fundação Roberto Marinho (FRM), que também fazem plantões para tirar dúvidas.
A superintendente de Conhecimento da Fundação Roberto Marinho, Rosalina Soares, destaca que os alunos devem idealmente acompanhar as aulas desde o primeiro dia, a fim de evitar o acúmulo dos conteúdos das quatro disciplinas. Cada semana, às segundas-feiras, os alunos terão disponibilizado uma aula de cada área do conhecimento.
Natural de Pojuca, interior da Bahia, Jamile Freitas, de 38 anos, é mãe solo e conta que é muito grata pela obtenção do diploma, que, inclusive, a fez recuperar a esperança na concretização de sonhos maiores. “Me formar no ensino médio, me deu uma sensação incrível, foi tudo perfeito. Agora, tenho muita vontade de cursar uma faculdade de biomedicina, e eu vou correr atrás”, diz.
Jamile fazia parte de um grupo de 68 milhões de pessoas, ou 41% da população brasileira com mais de 15 anos, que estão fora da escola e não concluíram a educação básica. Entre os jovens de 15 a 29 anos, 19%, ou 9,2 milhões, não frequentam a escola nem terminaram a educação básica, segundo dados da Pnad Contínua de 2023.
Soares ressalta que o mercado de trabalho já é uma realidade na vida de todos esses estudantes, o que, segundo ela, gera um desafio em conciliar as rotinas de trabalho, estudo e afazeres domésticos. “Levando em conta essa dificuldade de compatibilização de horários e tarefas, o ‘Seja’ se torna essencial ao oferecer uma oportunidade única e de fácil acesso para quem teve que interromper seus estudos, pois disponibiliza um preparatório digital, flexível e adaptado para uma jornada de estudo autônoma.”
Para a coordenadora do Instituto Equatorial, Janaína Ali, a educação é um direito fundamental e um poderoso instrumento de transformação social. “Sabemos que muitos enfrentam desafios para conciliar trabalho, família e aprendizado, e é por isso que iniciativas flexíveis como essa fazem toda a diferença.”
Os materiais da formação do “Seja” são elaborados a partir da matriz curricular do Encceja e do Telecurso, tecnologia educacional da FRM que existe há mais de 30 anos e já proporcionou à conclusão da educação básica de 1,7 milhão de jovens e adultos.
Podem fazer o exame do Encceja jovens e adultos residentes no Brasil e no exterior que não tiveram oportunidade de concluir seus estudos na idade apropriada.

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March 21, 8:32 PM
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Saiba qual o melhor MBA on-line do mundo, segundo ranking do Financial Times

Saiba qual o melhor MBA on-line do mundo, segundo ranking do Financial Times | Inovação Educacional | Scoop.it

A Imperial College Business School de Londres manteve seu segundo lugar, com um aumento do salário médio dos ex-alunos em um terço, para US$ 228.443. A escola tem a maior porcentagem de professores estrangeiros e ficou logo atrás da IE Business School no quesito de mobilidade internacional. Os mestrandos elogiaram a diversidade dos estudantes da Imperial, que ajudou a impulsionar as capacidades de gestão necessárias para se tornarem líderes seniores.

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March 20, 8:55 AM
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Open Knowledge Repository

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Education can be the key to ending poverty in a livable planet, but governments must act now to protect it. Climate change is increasing the frequency and intensity of extreme weather events such as cyclones, floods, droughts, heatwaves and wildfires. These extreme weather events are in turn disrupting schooling; precipitating learning losses, dropouts, and long-term impacts. Even if the most drastic climate mitigation strategies were implemented, extreme weather events will continue to have detrimental impacts on education outcomes.
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March 20, 8:52 AM
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‘Calor tira a capacidade do aluno de pensar com clareza’

‘Calor tira a capacidade do aluno de pensar com clareza’ | Inovação Educacional | Scoop.it
Os efeitos negativos das mudanças climáticas sobre o aprendizado de crianças e adolescentes nas escolas são óbvios, principalmente em escolas de áreas mais vulneráveis, mas por algum motivo as autoridades e os próprios pais ignoram o fato. É com essa preocupação em mente que o economista do Banco Mundial Sergio Venegas Marin tem se dedicado a estudar o tema para apresentar dados e relatórios que respaldem investimentos do órgão multilateral em programas ao redor do mundo e estimulem gestores públicos a adotar políticas de adaptação e educação climática em benefício de estudantes.

O impacto do calor extremo, que impactou escolas brasileiras em todas as regiões no primeiro trimestre deste ano, inclusive forçando fechamentos em instituições de ensino no Sudeste e no Sul, é um dos fenômenos mais observados por Venegas Marin, que recentemente apontou do Banco Mundial que estudantes brasileiros submetidos a temperaturas acima do que estão acostumados perdem aproximadamente 10% do aprendizado do ano letivo devido às dificuldades inerentes de uma sala de aula mais quente que o normal.

“Se colocar a todos nós em uma sala com 40 graus de temperatura, todos teremos dificuldades de concentração. Isso não é necessariamente uma descoberta, mas estamos ignorando que isso está acontecendo em muitas salas de aula em todo o mundo”, lamenta o economista do Banco Mundial especializado nos impactos das mudanças climáticas na educação. “São perdas que comprometem. Pensando na fundação de uma casa, é como perder alguns tijolos. Deixa a base instável. Vimos isso claramente na pandemia.”

Apesar dos reveses, o economista espanhol do Banco Mundial que deu palestra na semana passada no Encontro Anual Educação Já 2025, promovido pela ONG Todos Pela Educação, disse ao Valor que tanto o Brasil quanto qualquer país ainda tem condições de modernizar os sistemas educacionais e lidar com as consequências das mudanças climáticas sobre o aprendizado sem ter que abrir mão de um para solucionar o outro. Os desafios são substanciais, mas não devemos nos desesperar.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista ao Valor:

Valor: Já é possível ter uma ideia do impacto que as mudanças climáticas estão causando na educação?

Sergio Venegas Marin: No Banco Mundial, estimamos que, de janeiro de 2022 a junho de 2024, 404 milhões de estudantes foram impactados por fechamentos de escolas devido a fenômenos climáticos. Esse impacto esteve espalhado em mais de 80 países. Na média, os alunos perderam 28 dias de aulas nesse período analisado. E, mesmo quando as escolas ficam abertas, sabemos que as temperaturas aumentam em dias de calor extremo e isso também pode comprometer o aprendizado. Já existem muitos estudos que mostram que quando os alunos são expostos a temperaturas extremas, o aprendizado fica prejudicado porque afeta a habilidade cognitiva. Esses são os impactos mais diretos.

Valor: E quais os impactos indiretos?

Venegas Marin: Há vários. Na saúde, na insegurança alimentar, na insegurança econômica, conflitos agravados por questões climáticas, migrações, deslocamentos forçados. São muitos efeitos que, juntos, representam uma verdadeira ameaça para o tipo de educação que os alunos podem ter.

Valor: Em termos de aprendizado, é pior uma escola não climatizada e localizada em uma ilha de calor com muitos dias do ano com temperaturas acima da média ou a incidência de chuvas extremas que causam inundações?

Venegas Marin: Essa é uma questão que está sendo muito debatida e é difícil ter uma conclusão final porque não há evidências definitivas e depende de país para país. O que eu posso dizer é que, em relação ao calor, as pesquisas mostram que as temperaturas acima de um certo nível definitivamente impactam de forma negativa o aprendizado. E são estudos diferentes que mostram a mesma coisa, que o calor acima do normal afeta as funções cognitivas, memória, humor, estômago e outros fatores que importam para o aprendizado. Se colocar todos nós em uma sala com 40 graus de temperatura, todos teremos dificuldades de concentração. Isso não é necessariamente uma descoberta, mas estamos ignorando que isso está acontecendo em muitas salas de aula em todo o mundo. O que, sim, mais recentemente detectamos com dados é que agora sabemos que o calor pode afetar o desempenho dos alunos no dia de uma prova também. Em dias muito quentes, os estudantes têm maior dificuldade de lembrar fatos e informações.

Valor: A partir de qual temperatura no ambiente esses efeitos nos estudantes são observados?

Venegas Marin: Depende da região. Na Europa e na América do Norte tende a ser em algo perto de 27ºC. Mas, obviamente, em regiões mais quentes há um processo de adaptação natural. Há estudos mostrando que em cidades da Índia, do Brasil e em outros países do hemisfério Sul essa referência de temperatura está mais perto de 29º, 31º ou 32ºC. As pessoas se adaptam a temperaturas diferentes, mas sempre há uma variação além do normal que causa o impacto. Cada lugar precisa descobrir a sua própria referência.

Valor: E em relação às chuvas e as enchentes, quais problemas trazem para a educação que não identificamos à primeira vista?

Venegas Marin: Uma comunidade que luta para oferecer comida suficiente para os jovens, por exemplo, e é afetada por uma chuva extrema também verá efeitos no aprendizado. Isso porque enchentes causam impacto na estabilidade econômica de uma família e isso vai afetar a capacidade dos alunos de continuarem frequentando a escola. Além disso, comparado apenas às ondas de calor, chuvas que terminam em enchentes têm maior capacidade de causar fechamentos mais longos das escolas. Dependendo da destruição, as escolas podem ficar fechadas por muito tempo. É uma ruptura grande em termos de aprendizado. Mas há outros fenômenos climáticos com potencial parecido nesse sentido, como os incêndios naturais.

Desafios educacionais do Brasil realmente são substanciais e exigem ações rápidas, mas não há motivos para desespero”
Valor: Qual o principal achado do relatório “The Impact of Climate Change on Education”, que o senhor conduziu com suas colegas Lara Schwarz e Shwetlena Sabarwal no Banco Mundial?

Venegas Marin: Identificamos que para cada grau de aumento na temperatura acima do normal, pode se notar perda de desempenho em provas. No caso do Brasil, por exemplo, a partir de um estudo que fizemos com o economista-chefe do Banco Mundial para Desenvolvimento Humano, Norbert Schady, para cada grau acima do ideal houve uma redução sete vezes maior do que nos Estados Unidos, por exemplo. Reforço que, a partir de um certo nível de temperatura, o impacto cognitivo é imediato. Temos estudos experimentais mostrando que os erros nas provas aumentam de 2% a 12% a cada grau de temperatura acima do normal. Perde-se realmente a capacidade de pensar com clareza e processar informações em ambiente com calor fora do padrão.

Valor: Qual é o efeito dessas consequências no médio e no longo prazo?

Venegas Marin: Pensar nisso é particularmente preocupante, pois são perdas que não afetam a vida dos estudantes somente por um dia. São perdas que comprometem a continuidade do aprendizado. Pense na fundação de uma casa. É como perder alguns tijolos da casa. Deixa a base instável. Conceitos fundamentais são perdidos porque a sala de aula está muito quente ou porque a escola tem que ficar fechada vários dias. Vimos isso claramente na pandemia.

Valor: Apesar de avanços significativos nas últimas décadas, a educação no Brasil ainda não superou desafios que países desenvolvidos superaram no século passado, como o analfabetismo e o analfabetismo funcional. E caminha a passos lentos para ensinar nas escolas habilidades do século XXI que já são demandadas aos jovens na vida e no mercado de trabalho. Temos capacidade de enfrentar essas questões junto com a necessidade de adaptação às mudanças climáticas?

Venegas Marin: Os desafios educacionais do Brasil realmente são substanciais e exigem ações rápidas, mas não há motivos para desespero. A preocupação é válida, mas há soluções possíveis e concretas para cada um desses problemas. E muitas dessas soluções funcionam conjuntamente, não competem entre si. Não vejo como dilema entre escolher atacar os problemas do passado tendo que deixar de atuar nos problemas do presente. Uma mesma estratégia pode funcionar para lidar com múltiplos assuntos ao mesmo tempo.

Valor: Como assim?

Venegas Marin: A necessidade real de enfrentar as mudanças climáticas, por exemplo, ajuda a gerar engajamento nos estudantes. Ao incorporar assuntos climáticos no ensino e nas habilidades fundamentais, pode-se usar como estímulo em disciplinas de humanas e exatas para tornar o ensino mais relevante e prático para os alunos. Quando o estudante vê a sua escola fechada por causa de impactos climáticos, ele tem a oportunidade de falar sobre isso enquanto está aprendendo a ler e ou a contar. Ele consegue aplicar na própria realidade e isso é mais estimulante. Basta integrar essa questão nova ao que já está sendo feito. Isso é a parte do que se chama educação climática. Em relação à adaptação [física], também pode ser feita sem ser em detrimento a outros investimentos. Os sistemas de educação ao redor do mundo continuam funcionando ao mesmo tempo em que estão investindo nisso.

Valor: Diante da emergência que as mudanças climáticas já representam, as adaptações necessárias não são caras demais para as escolas a essa altura?

Venegas Marin: Há muitas medidas de adaptação que são surpreendentemente acessíveis. No nosso relatório global [do Banco Mundial] que publicamos no ano passado, estimamos que com menos de US$ 19 por estudante há uma série de intervenções diferentes que podem ser feitas para proteger o aprendizado dos estudantes contra temperaturas extremas. Ações baratas como pintar paredes de branco, plantar árvores ao redor da escola, melhorar o fluxo de ar, além de outras ações que podem ser implementadas para reduzir o desperdício de água.

Valor: Temos exemplos positivos já em andamento no Brasil?

Venegas Marin: Há vários espalhados, mas posso citar um específico. Há um projeto apoiado pela Banco Mundial em Tocantins [Projeto de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável do Tocantins], no qual escolas sujeitas ao calor extremo foram reconstruídas com materiais que amenizam o calor. Foram reconstruídas com soluções que melhoram as condições do ar, com paredes resilientes ao clima. Portanto, é uma maneira diferente de resolver o problema, mas é possível, embora exija criatividade e muita coordenação. As soluções estão aí. São conhecidas e alcançáveis. A chave é começar a aplicar as soluções em áreas mais vulneráveis e depois espalhar.

Valor: Boa parte dos municípios do Brasil não parecem ter, hoje, capacidade de investimento para promover as adaptações físicas ou comprar equipamentos de climatização. Outros têm, mas agem lentamente...

Venegas Marin: Penso que os governos estão tomando as melhores decisões possíveis com os recursos limitados que possuem. Creio que agora temos informações melhores em termos de intervenções de baixo custo que podem ser implementadas e estamos [Banco Mundial] em diálogo com muitos países diferentes ao redor do mundo, inclusive com governos subnacionais, para ter certeza que essas intervenções e soluções sejam consideradas. Mas temos que ser conscientes do fato de que nos últimos cinco anos é que temos visto os impactos das mudanças climáticas se tornando óbvios e estamos vendo cada vez mais essa agenda sendo levada a sério. Temos que ser um pouco mais pacientes com os governos que ainda estão tomando algum tempo para planejar. Os desafios são substanciais, mas não devemos nos desesperar nem achar que os estudantes de regiões mais vulneráveis estão condenados a terem um aprendizado pior.
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March 20, 8:51 AM
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Presença feminina está abaixo dos 30% na área de TI 

Presença feminina está abaixo dos 30% na área de TI  | Inovação Educacional | Scoop.it

Apesar de avanços pontuais, o horizonte de oportunidades continua desafiador para as mulheres na área de tecnologia. Embora 31% das profissionais tenham migrado para o segmento nos anos da pandemia (2020-2023) - o dobro da taxa de ingresso dos homens (16%) - a presença feminina não ultrapassa os 30%, em todos os níveis da carreira no setor.
Para se ter uma ideia, a participação delas em funções de entrada pode chegar a 40%, mas com uma realidade mais dura no topo das organizações. Em 60% das empresas, apenas 25% dos cargos de alta liderança são ocupados por executivas.
Os dados são da pesquisa “Women in tech-Brasil/Latam”, realizada pela consultoria McKinsey e a Laboratoria, de programas de formação para mulheres. O levantamento, obtido com exclusividade pelo Valor, ouviu 819 profissionais, de todos os níveis hierárquicos, além de 126 empresas, com 500 a mais de cinco mil funcionários em oito países: Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia e Equador, além do México, Panamá e Peru.
“Outro dado preocupante no levantamento é a disparidade salarial”, destaca Paula Castilho, sócia da McKinsey no Brasil. “Mesmo quando alcançam postos semelhantes aos dos homens, as mulheres ganham, em média, 24% a menos”. E o problema não para por aí, diz. “Apenas metade das companhias pesquisadas tem alguma política de equidade salarial, reforçando um ciclo de desigualdade que dificulta a retenção das profissionais.”
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Castilho acredita que o quadro retratado no estudo não reflete a falta de interesse das mulheres pelo setor de tecnologia, mas ambientes pouco acolhedores, com dificuldades impostas à escalada na carreira. “Os números mostram que um em cada três candidatos a vagas na área é mulher e, quando contratadas, elas se concentram em funções como UX [experiência do cliente] e controle de qualidade; enquanto nichos mais técnicos, como cibersegurança e ‘back-end’ [infraestrutura e operações não visíveis] seguem inacessíveis.”
Também chama a atenção saber que, em média, 50% das organizações não possuem estratégias formais de inclusão, ressalta a consultora. “Isso significa que, mesmo com uma maior presença de funcionárias, não há diretrizes para garantir o crescimento das equipes”, afirma.
Diante do resultado da investigação, Castilho afirma que organizações preocupadas em mudar esse cenário precisam agir “além do discurso”. A primeira medida é ampliar o ‘pipeline’ de talentos, investindo em programas de qualificação (upskilling) e mentorias para trazer mais mulheres para departamentos tradicionalmente masculinos, ensina.
“Além disso, o processo seletivo deve ser mais justo. O recrutamento às cegas [que não identifica características pessoais da pessoa candidata, como gênero e raça, por exemplo] e as bancas mistas nas entrevistas são práticas simples que podem reduzir vieses inconscientes.”
A especialista chama a atenção ainda para as ações de retenção. “Depois de contratadas, as executivas devem enxergar um caminho de ascensão”, avalia. “Para isso, é central adotar diretrizes de equidade salarial e mecanismos como flexibilidade nos expedientes e planos de desenvolvimento de carreira. São medidas que ajudam a ‘equilibrar o jogo’ e garantir que elas não só entrem, mas permaneçam e evoluam na área de tecnologia.”
Quem quebrou barreiras e conseguiu evoluir no mercado de tecnologia concorda com a análise da sócia da McKinsey.
É o caso de Cíntia Scovine Barcelos, CTO (chief technology officer ou diretora de tecnologia) do banco Bradesco, no ramo há 32 anos. A executiva destaca a importância da “construção” do interesse pela carreira. “Precisamos incentivar nossas meninas, desde muito jovens, a desenvolverem habilidades específicas e oportunidades de aprendizado”, diz. “Fui uma criança que adorava matemática. Meu pai me incentivava a fazer contas de cabeça e íamos à feira todos os sábados para testar meus conhecimentos. Quando chegou o momento de escolher uma profissão, optei pela faculdade de engenharia eletrônica. Éramos apenas duas mulheres na turma.”
Barcelos, que ingressou no Bradesco em 2021 como diretora de tecnologia para infraestrutura, cloud e cibersegurança e foi promovida em 2024 ao posto atual, diz que a força dos modelos profissionais na academia e no trabalho pode fazer a diferença nas trajetórias femininas.
“Exemplos são ‘tudo’. É muito mais fácil quando a gente olha para o lado e pensa: ‘um dia, vou ser como aquela pessoa’”, argumenta a gestora, que trabalhou por 28 anos na multinacional de tecnologia IBM e hoje também é membro do conselho executivo do Bradesco Europa. “Há poucos casos [de mulheres] nas áreas de exatas e de tecnologia, entre engenheiras e cientistas.”
Para as jovens que querem seguir a mesma trilha, a recomendação da CTO é “estudar sempre”. “Tecnologia requer conhecimento técnico”, diz Barcelos, que lidera 5,3 mil pessoas, sendo 1,2 mil mulheres. “Busque uma formação em exatas e, depois, um diferencial de instrução. O mercado procura, cada vez mais, especialistas em ciência de dados, desenvolvimento de sistemas, inteligência artificial e segurança. Há mais vagas do que as empresas conseguem preencher.”
Fabiane Nardon, diretora de plataformas de dados da Totvs, do segmento de tecnologia, acredita que, depois de selecionadas, a projeção das executivas a cargos de liderança pode ser impulsionada em duas camadas. “A ascensão vai acontecer como consequência de termos mais graduadas no setor, além de um maior volume de oportunidades, nas empresas, para os postos de decisão”, argumenta.
A gestora, que atua no setor de tecnologia há mais de 30 anos, defende um maior incentivo para a educação superior, para que mais estudantes sigam o ofício. “Com mais mulheres no mercado, naturalmente novas lideranças surgirão”, diz.
Nardon, que é mestre em ciência da computação e PhD em engenharia elétrica, também mostrou curiosidade pelo mundo da inovação desde cedo. “Aos 12 anos, pedi um videogame de aniversário, mas ganhei um computador. Meu pai acreditava que seria mais útil - e ele estava certo”, conta. “Como não ganhei o presente que queria, comecei a programar meus próprios jogos no PC.”
Em 2012, ela ajudou a fundar a Tail, empresa de big data e análise de dados comprada pela Totvs em 2020. “Hoje, atuo na liderança de inteligência de dados e IA”, diz a executiva, que acrescenta que 38% das chefias da Totvs pertencem às mulheres. “A área de tecnologia é cheia de oportunidades”, analisa a diretora, que tem se dedicado ao aperfeiçoamento de uma plataforma que pretende facilitar a criação de aplicações de inteligência artificial. Para as iniciantes, a sugestão é acumular conhecimentos e encontrar um nicho que faz “brilhar os olhos”. “Desde o começo da minha trajetória, estou envolvida com sistemas, dados e IA. E garanto: todo dia há algo novo para aprender.”
A nossa presença em cargos de comando ainda surpreende as pessoas, observa Ellen Cristina Gouveia, cofundadora e CTO da PilotIn, fintech de gestão financeira. “Lembro de uma reunião com potenciais investidores, em que todos os olhares se dirigiam para os meus colegas homens, pois achavam que a liderança técnica era deles”, relata a executiva, graduada em engenharia da computação. “Quando comecei a apresentar a estratégia da empresa, percebi uma mudança de comportamento no grupo, que mostrou atenção redobrada e até mesmo admiração.”
Situações como essas mostram que ainda precisamos quebrar estereótipos e reforçar que podemos liderar com competência, diz Gouveia, no segmento de tecnologia desde 2003 e com passagens por companhias como Ericsson, Stone e Capgemini. “Nossa expectativa é crescer valorizando ainda mais as mulheres na PilotIn”, afirma. Na fintech, o time feminino inclui ainda a CEO e a COO (diretora de operações).
“Meu conselho para outras colegas é ‘comece!’”, ressalta a gestora, que atua em espaços - finanças e tecnologia - historicamente loteados por homens.
“Não espere ter todas as habilidades necessárias para dar um primeiro passo. Procure cursos, participe de comunidades de tecnologia e valorize as chances de aprendizado. E lembre-se: você merece estar onde está.”

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March 19, 2:29 PM
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Geração Z está perdendo habilidades que os humanos têm há mais de 5 mil anos, dizem professores

Geração Z está perdendo habilidades que os humanos têm há mais de 5 mil anos, dizem professores | Inovação Educacional | Scoop.it
Especialistas apontam que a tendência de se comunicar com frases curtas nas redes sociais afetou a capacidade da Geração Z de estruturar parágrafos e desenvolver argumentos mais complexos
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March 19, 12:03 PM
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Jaqueline Goes: Uma voz em defesa da ciência e da representatividade

Jaqueline Goes: Uma voz em defesa da ciência e da representatividade | Inovação Educacional | Scoop.it
Líder do grupo que sequenciou o genoma do vírus causador da covid-19 em apenas 48 horas, a biomédica e professora no curso de medicina da USP Jaqueline Goes de Jesus tem uma nova missão: levar a ciência aos rincões mais distantes do Brasil e despertar o interesse científico entre os jovens. Mulher, negra e nomeada embaixadora da ciência no país, título que recebeu do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ela conta, em entrevista ao Valor, que busca ainda aumentar a diversidade em cargos de liderança nas instituições onde atua e estimula alunas negras e indígenas para se tornarem mestres e doutoras.
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March 19, 12:02 PM
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Uso de IA pode aumentar desigualdade de gênero no mercado de trabalho

Uso de IA pode aumentar desigualdade de gênero no mercado de trabalho | Inovação Educacional | Scoop.it
Uso da inteligência artificial nas rotinas e nos processos de seleção, e retorno ao modelo presencial têm potencial de afetar mais as mulheres
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March 19, 12:02 PM
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Governança multinível para a inteligência artificial 

A combinação de investimentos expressivos com um marco regulatório abrangente tem potencial para estabelecer o Brasil como referência em desenvolvimento tecnológico responsável. No entanto, o sucesso dessa transição dependerá da capacidade das organizações em adaptar suas operações, processos e estruturas de governança às novas exigências regulatórias. A implementação bem-sucedida desse novo framework regulatório requer um equilíbrio delicado entre inovação e conformidade. Empresas precisarão desenvolver competências específicas em áreas como ética em IA, governança algorítmica e gestão de riscos tecnológicos. O investimento em capital humano especializado torna-se tão crucial quanto o desenvolvimento tecnológico em si.
O momento também é estratégico para o Brasil, que busca alinhar-se às tendências globais de regulação da IA. A legislação reflete a necessidade de acompanhar a rápida expansão do uso de IA em setores críticos e evitar os riscos associados a uma regulação tardia. No entanto, o contexto brasileiro, marcado por desafios estruturais e um ecossistema ainda em maturação, exige uma implementação cuidadosa e gradual. O PL 2338/2003 representa uma oportunidade única para posicionar o Brasil como líder na governança ética de IA, exigindo um esforço coordenado entre governo, empresas e academia.

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March 19, 12:00 PM
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Para marcas, desafio é decifrar o que é ser adulto

Para marcas, desafio é decifrar o que é ser adulto | Inovação Educacional | Scoop.it

O que faz de alguém um adulto? Até pouco tempo atrás, a vida era marcada por rituais de passagem. Chegar à vida adulta era sinônimo de deixar a casa dos pais, passar a se sustentar, casar-se, ter filhos... Mais recentemente, porém, com o abandono gradual dessas referências, o aumento da expectativa de vida e a possibilidade de envelhecer com mais qualidade, ficou difícil saber quem é ou não adulto.
O conceito ganhou conotações diversas, que variam de geração para geração, embora todas a identifiquem como a idade da potência e da liberdade. É o culto à vida adulta. Os mais jovens se esforçam para entrar nela mais cedo e os mais velhos, para deixá-la mais tarde.
O cenário resume as conclusões do estudo “Adultopia”, feito pela consultoria Consumoteca e divulgada ao Valor com exclusividade. Enquanto para 73% dos indivíduos entre 18 e 24 anos (parte da geração Z, que vai de 15 a 30), deixar a casa dos pais em até dois anos é o maior desejo; entre os Baby Boomers, de 61 a 79 anos, a preocupação maior é começar alguma atividade física para fazer uma “poupança de músculos” e não perder a mobilidade, tornando-se dependente de terceiros.
“Ser adulto tornou-se o lugar da realização, de estar no controle de sua própria narrativa. Isso está ligado ao trabalho, a ser produtivo, o que é uma visão bastante liberal”, diz Marina Roale, sócia e líder de pesquisa da Consumoteca. Ser considerado jovem ou idoso, quando não se produz tanto, tornou-se sinônimo de impotência e infelicidade, explica a especialista.
Para as marcas, esse é um grande desafio. Embora todas as atenções estejam se voltando para a fase adulta, cada geração a interpreta de uma maneira diferente, o que requer ajustes de estratégia para satisfazer o consumidor.
À idade cronológica se somaram outros conceitos, como a idade biológica, baseada no estado de saúde e funcionamento do corpo, e a idade social, que reflete as responsabilidades assumidas pelo indivíduo na sociedade. A pesquisa mostra que oito entre dez brasileiros acreditam que a maneira como a pessoa vive, se veste e se comporta conta mais que a certidão de nascimento.
O fenômeno se deve a três razões. A primeira é a noção de aceleração do tempo: 43% das pessoas disseram viver em um ritmo acelerado ou muito acelerado. A pressa persiste até nas horas vagas: um entre quatro brasileiros assiste áudio e vídeo em velocidade acelerada para sobrar tempo para outras atividades, enquanto mais da metade (55%) dos pesquisados buscam atividades produtivas nos momentos de lazer. “Há uma dificuldade em lidar com o ócio por causa da pressão pela produtividade”, diz Roale.
Os demais motivos são a fragmentação das relações e certo conflito entre indivíduo e coletivo. No primeiro caso, o estudo mostra, entre outros indicadores, que 32% dos brasileiros cortaram relações com pessoas próximas nos últimos cinco anos; no segundo, que 63% delas se sentem em descompasso com as pessoas ao redor. Convenções sociais como tirar carteira de motorista aos 18 anos ou se aposentar aos 60 foram substituídas por experiências individuais.
As marcas terão de se dedicar muito mais à missão de decifrar como cada geração se enxerga, para ajustar tanto produtos e serviços quanto a maneira de se comunicar com elas, diz Roale.
A geração X, por exemplo, entre 45 e 60 anos, não se vê mais a caminho da aposentadoria - em vez disso pensa em novas carreiras e experiências afetivas. Já os Millenials, de 31 a 44 anos, duvidam de suas habilidades de se comportarem como adultos, embora tenham sido os que se lançaram a uma carreira profissional mais cedo. Os Boomers reclamam que não há produtos que atendam às suas necessidades, mas recusam a imagem do idoso de cabelo branco.
“A percepção de que o jovem é o lançador de tendências, que posteriormente são seguidas pelas demais faixas etárias, está mudando”, diz Roale. “As marcas precisam, agora, olhar atentamente para a demanda de cada geração.”

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March 21, 9:05 PM
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Dia da Felicidade: por que idosos são mais felizes que jovens, segundo pesquisa

Dia da Felicidade: por que idosos são mais felizes que jovens, segundo pesquisa | Inovação Educacional | Scoop.it
Nível de felicidade flutua ao longo da vida e chega na terceira idade ao seu maior patamar, aponta estudo da Ipsos com quase 24 mil pessoas em 30 países. O trabalho e as relações pessoais ajudam a explicar por quê.
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March 21, 8:59 PM
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Colégio dos Santos Anjos é sede do Dia ANEC e reforça o papel da educação católica na era da Inteligência Artificial 

O Prof. Dr. Luciano Sathler trouxe reflexões sobre a alfabetização digital e a IA como uma nova “máquina de escrever”, destacando seu impacto no ensino. Para ele, compreender essa tecnologia é essencial para integrá-la de forma consciente e interdisciplinar à educação. O evento, organizado pelo Conselho da ANEC do Rio de Janeiro, reafirmou que inovar faz parte do nosso compromisso com a formação integral dos estudantes, preparando-os para um futuro onde a tecnologia e os valores caminhem juntos.

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March 21, 8:46 PM
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A educação transformou o Brasil?

A educação transformou o Brasil? | Inovação Educacional | Scoop.it

Dados do censo demográfico divulgados recentemente mostraram que houve um grande avanço no acesso ao ensino superior. A parcela da população adulta que completou este nível de ensino aumentou de 7% em 2000 para 18% em 2022. Ainda estamos distantes da parcela de 40% que prevalece nos EUA e na OCDE, mas já avançamos bastante. Será que já estamos conseguindo notar o poder transformador da educação na sociedade brasileira?
A figura mostra como a educação brasileira evoluiu nos últimos 32 anos. Em 1992, 82% dos adultos tinham no máximo o ensino fundamental. A parcela com ensino médio era de apenas 13% e os formados no ensino superior representavam somente 5% dos adultos. Menos de 0,5% eram pós-graduados. Aos poucos esta situação foi se transformando, com os avanços mais rápidos no ensino médio ocorrendo a partir dos anos 1990 e no ensino superior, como consequência disto, a partir de 2010.
Os diferenciais de salário trazidos pelo ensino superior com relação ao ensino médio, que refletem a escassez de pessoas com esta formação na sociedade, chegaram a duas vezes e meia no início deste século. Mais recentemente, a partir dos anos 2000, este diferencial começou a declinar, atingindo 2,3 vezes em 2024. Obviamente, do ponto de vista privado, ainda vale muito a pena fazer faculdade para a grande maioria que tem ensino médio, pois, enquanto as pessoas com ensino médio ganham em média R$ 2.665 por mês, aquelas com ensino superior ganham R$ 6.160. Um artigo recente mostra que o declínio recente do diferencial de salários do ensino superior pode estar refletindo o declínio da qualidade dos novos cursos, mais do que uma diminuição da escassez de profissionais1.
Mas, atualmente, o grande diferencial de salários está na pós-graduação, nível em que os formados atualmente ganham quase 2 vezes mais do que as pessoas com ensino superior, recebendo em média R$ 11.300. E este diferencial tem aumentado ao longo tempo, refletindo um aumento da demanda da sociedade por pessoas com mestrado ou doutorado.
Mas será que a sociedade como um todo já está se transformando como resultado deste aumento educacional? Isto não parece estar acontecendo. A nossa produtividade está no mesmo nível em que estava quando apenas 3,4% dos adultos tinham ensino superior. O único setor que tem aumento contínuo de produtividade é a agricultura, que emprega cada vez menos gente.
Além disto, a informalidade continua alta, assim como a criminalidade, e grande parte dos nossos jovens não têm nenhuma expectativa de trajetória profissional. Para as pessoas que completam uma faculdade, o diferencial salarial existe, ou seja, elas melhoram de vida, mas este aumento não parece estar beneficiando a sociedade como um todo. Com base nesta evolução educacional, esperaríamos que tivéssemos milhares de novos empreendedores em várias áreas, trabalhando nos setores tecnologicamente mais avançados, produzindo inovações de alto nível. Mas isto não aconteceu. Por que será?
Existem algumas explicações possíveis. Em primeiro lugar, pode ser que tenhamos regredido em todos os outros determinantes da produtividade, de forma que eles cancelaram os aumentos que teriam ocorrido devido à melhora educacional. Isto pode ter acontecido, mas é difícil acreditar que o país tenha regredido tanto em termos institucionais e de ambiente de negócios. Nos últimos 30 anos, acabamos com a hiperinflação, fizemos uma liberalização comercial, uma reforma trabalhista e construímos um sistema único de saúde. E estamos fazendo uma reforma tributária que deverá ter impacto na produtividade ao longo do tempo.
Outra possibilidade é que a qualidade da educação no Brasil seja tão baixa que a maior escolaridade dos brasileiros não aumenta a sua produtividade. Realmente, os dados de uma avaliação recente (TIMMS 2023) mostrou que 62% dos alunos brasileiros atingiram o nível mais baixo de proficiência no 8º ano. Mas, neste caso, é difícil entender por que as empresas pagam salários duas vezes mais alto para as pessoas com ensino superior se elas não trazem ganhos de produtividade com relação aos formados no ensino médio.
Nossa produtividade está no mesmo nível em que estava quando apenas 3,4% dos adultos tinham ensino superior
Parece que a resposta para estas indagações envolve uma mistura de coisas. O diferencial de salários do ensino superior varia muito entre as pessoas. Para muitas delas, especialmente as que tiveram uma qualidade de ensino muito ruim no ensino básico, o ensino superior serve apenas para a aquisição de um conhecimento básico, além de ser uma credencial para conseguir determinados empregos. Além disto, muitas pessoas que frequentaram faculdades de qualidade podem estar se dedicando a atividades que geram grandes retornos privados, mas que não beneficiam a sociedade como um todo.
Mais ainda, o nosso ambiente institucional, apesar de ter avançado nas últimas décadas, ainda está longe de ser comparável aos países da OCDE, por exemplo. O sistema tributário ainda é bastante complicado, incentivando as pequenas empresas a permanecem no setor informal e desincentivando sua expansão. Além disto, o setor público é ineficiente em várias áreas e há pouca aproximação entre a ciência produzida nas universidades e o mundo empresarial. Ainda é mais fácil para a maioria das grandes empresas ganhar dinheiro fazendo lobby em Brasília do que investindo em inovações.
Em suma, apesar dos avanços educacionais obtidos nas últimas décadas, há poucas evidências de que eles beneficiaram a sociedade como um todo. Para que isto ocorra, será necessário melhorar dramaticamente a qualidade da nossa educação, mudar o sistema tributário para incentivar as empresas a crescerem e inovarem, aproximá-las das universidades, aumentar a eficiência do setor público e aumentar ainda mais as matrículas no ensino superior nas áreas de ponta. Ainda temos um longo caminho pela frente.
1) Why is the College Premium Falling? The Role of Composition, Tomas Guanziroli, Ariadna Jou e Beatriz Rache

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March 21, 8:33 PM
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Empresa de tecnologia inaugura centro de pesquisa em inteligência artificial em parceria com a USP | Carreira

Empresa de tecnologia inaugura centro de pesquisa em inteligência artificial em parceria com a USP | Carreira | Inovação Educacional | Scoop.it
Além disso, a empresa responsável pelo projeto tem como intuito transformar o centro de pesquisa em um ponto de encontro para pessoas interessadas em IA por meio de atividades como seminários, cursos, tutoriais e aulas públicas. “Estimularemos a pesquisa aberta entre academia e indústria, além do incentivo à formação de pessoas para trabalhar em projetos de IA”, finaliza o diretor.
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March 21, 8:20 PM
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Parceria privada pode melhorar escola pública

Parceria privada pode melhorar escola pública | Inovação Educacional | Scoop.it
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou a decisão correta ao suspender liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo que interrompeu um amplo processo de terceirização na rede de ensino paulista.

Isso porque parceiras público-privadas (PPPs) são instrumento importante para impulsionar investimentos em um país no qual governos nas três esferas enfrentam desafios com orçamentos deficitários e engessados por gastos com pessoal e previdenciário

Tal aliança já se dá nos setores da saúde e da infraestrutura, mas ganha ares de polêmica —por corporativismo ou ideologia— na educação, como se vê no caso do projeto da gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O governo paulista realizou dois leilões no final de 2024 para a construção e manutenção por parte da iniciativa privada de 33 novas escolas. Neste ano, 143 unidades já em funcionamento também terão serviços terceirizados.

As empresas investirão R$ 2,1 bilhões, e a previsão de entrega das obras é 2027. Estima-se que, em 29 cidades, as novas escolas ofertarão cerca de 35 mil vagas de tempo integral —modelo de ensino que precisa se ampliado, dado seu notório benefício à aprendizagem do alunado.

O PSOL acionou a Justiça paulista para interromper o projeto. O juiz Manuel Fonseca Pires acatou o pedido sob o argumento de que a iniciativa compromete a autonomia pedagógica e o "princípio constitucional de gestão democrática da educação pública".

As empresas contratadas, porém, serão responsáveis apenas por obras, manutenção predial e serviços como vigilância, limpeza e alimentação. A área pedagógica continuará sob o comando da Secretaria de Educação.

Ademais, ao aceitar o recurso do governo paulista, Barroso lembrou que os serviços contemplados já são terceirizados. As PPPs só trazem mais racionalidade ao processo: "em vez de múltiplos contratos fragmentados, o modelo permitiria uma gestão integrada e de longo prazo".

Qualquer tentativa de politizar o modelo é insensata. A lei federal que instituiu as PPPs foi sancionada em 2004 por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Belo Horizonte foi a capital pioneira no uso da parceira na educação, em 2013, durante administração do PSB.

Não se trata de algum bicho de sete cabeças. Ao direcionar obras e serviços não pedagógicos às empresas, o Estado consegue concentrar esforços na aprendizagem, cujos indicadores ainda são precários no Brasil —de modo mais preocupante na rede pública do ensino básico.
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March 20, 8:52 AM
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Nvidia, Microsoft e xAI aderem a fundo da BlackRock de US$ 30 bi | Empresas

Nvidia, Microsoft e xAI aderem a fundo da BlackRock de US$ 30 bi | Empresas | Inovação Educacional | Scoop.it
Grupos de tecnologia devem financiar infraestrutura para a construção de ‘data centers’ que suportarão ‘fábricas de IA’
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March 20, 8:51 AM
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Paul McCartney e mais 400 artistas pedem a Trump proteção contra inteligência artificial

Paul McCartney e mais 400 artistas pedem a Trump proteção contra inteligência artificial | Inovação Educacional | Scoop.it
Artistas e pessoas envolvidas com a indústria do entretenimento dos Estados Unidos assinaram uma carta aberta endereçada à Casa Branca na qual pedem que o presidente americano proteja os direitos autorais de obras criativas das grandes empresas de inteligência artificial (IA), como Google e OpenAI, conforme noticiou a revista americana "Variety".
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March 20, 8:45 AM
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Os estudantes que esperem

Após pouco mais de dois anos do governo Lula da Silva, os estudantes ainda esperam pela definição das novas regras da educação a distância (EAD) no ensino superior. Tanto tempo indica que passou da hora de o Ministério da Educação (MEC) apresentar um plano que estabeleça com clareza e previsibilidade quais serão os cursos autorizados a funcionar nessa modalidade, de modo a garantir acesso à universidade a milhões de brasileiros, e com qualidade.
Desde junho do ano passado, a abertura de novos cursos e novas vagas na modalidade EAD está suspensa em todo o País por ordem do MEC. A medida valeria até o último dia 10 de março, mas, de acordo com portaria do ministério, seu prazo foi prorrogado para 10 de abril “ou até a publicação da regulamentação do novo marco regulatório”.
Parece não haver pressa e, na prática, significa que não há prazo algum. Isso porque, como revelou o Estadão, o decreto com essa regulamentação já foi finalizado pelo MEC e deveria ter sido publicado até 31 de dezembro de 2024. A proposta está parada na Casa Civil.
O ministro Rui Costa deve ter preocupações mais urgentes do que a formação dos universitários brasileiros, tais como a popularidade de seu líder máximo, hoje em queda livre. Segundo a apuração do Estadão, há a avaliação de que uma atuação rigorosa do governo Lula na regulamentação da EAD poderia levar à reação de parte dos estudantes, vistos não como universitários, mas, ao que tudo indica, apenas como potenciais eleitores do petista.
Na visão da cúpula do governo, que só pensa em reeleição, essa modalidade beneficia mais aqueles que votaram ou podem vir a votar em Lula, por se tratar de uma opção mais barata e acessível de curso superior. E hoje essa cúpula vive não para governar, mas para evitar assuntos considerados sensíveis, prejudiciais ou espinhosos para a imagem do presidente-candidato.
Ademais, há ainda a pressão de grandes grupos privados que pesa sobre o governo. Dentro das regras até então vigentes, essas empresas expandiram seus negócios no ensino remoto e, claro, temem mudanças que possam impactá-las.
Em meio a tantos impasses, é de se perguntar como fica a formação dos estudantes País afora – e são milhões de estudantes. Segundo os dados oficiais mais recentes do MEC, divulgados em outubro do ano passado e referentes a 2023, o Brasil tinha 4,9 milhões de matriculados em EAD, ante 5,06 milhões no presencial. Para se ter uma ideia do avanço do ensino remoto, dez anos antes eram 6,1 milhões de alunos no presencial e 1,1 milhão na EAD. Hoje, de cada dez alunos que ingressam no ensino superior, sete vão para a educação a distância.
Para parte dos especialistas, o afrouxamento das regras em 2018 permitiu essa proliferação de cursos sem qualidade assegurada. E até mesmo quem defende essa modalidade de ensino concorda que o mercado hoje está desregulado.
Crítico da EAD, o ministro da Educação, Camilo Santana, fala desde o primeiro mês do atual mandato de Lula sobre a necessidade de apresentar uma regulamentação para esse setor. Por isso é no mínimo de se estranhar tanta demora para solucionar esse problema num governo que, sempre que pode, se diz preocupado com a formação superior no Brasil e com a educação de um modo geral.
Num evento da ONG Todos pela Educação na quinta-feira, 13, em São Paulo, Santana disse que a regulamentação da EAD deve sair nos “próximos dias”. Mas sobram motivos para duvidar da concretização dessa promessa. E, se o decreto vier a ser publicado, virá tarde.
Sem dúvida, a expansão do ensino superior é crucial para o desenvolvimento do País. O Brasil precisa de mão de obra qualificada para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais tecnológico e em constante e acelerada transformação. Cientes disso, milhões de brasileiros frequentam o ensino superior para se capacitarem e melhorarem sua colocação no mercado.
Ao recorrerem à EAD, os estudantes buscam uma profissão, e não a compra de uma ilusão. Mas o governo Lula da Silva parece pouco se importar. Cada passo é pensado não no País, mas nos palanques de 2026. Os estudantes, o mercado de trabalho e o Brasil que esperem.

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March 19, 12:05 PM
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Programas atraem meninas para área de exatas e TI

Programas atraem meninas para área de exatas e TI | Inovação Educacional | Scoop.it

A jovem Lívia Maria Sales, de 17 anos, cursa o terceiro ano do ensino médio em Poços de Caldas (MG) e desde pequena acumula troféus de olimpíadas científicas. “Eu me interesso por entender como as coisas funcionam na prática. Com nove anos, já era apaixonada por ciências exatas, graças a uma professora muito boa, que me ajudou a ser mais curiosa e a querer aprender”, conta Lívia, que está decidindo que carreira seguir. “Pode ser a área de TI aplicada à medicina, mas também gosto de perícia criminal, porque usamos química e física em várias situações, como no estudo de pólvora, balística de tiro e análise de DNA.”
Oferecer oportunidades a outras jovens como Lívia, de maneira a aumentar a presença feminina nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem, na sigla em inglês), é o que move a idealizadora do projeto “Ciência, Coisa de Menina”, Renata Piacentini Rodriguez, professora de engenharia ambiental na Universidade Federal de Alfenas-campus Poços de Caldas (Unifal-MG).
A presença feminina nas áreas científicas ainda é limitada, sendo que as mulheres representam 34% da força de trabalho global e cerca de 35% das matrículas em cursos relacionados no Brasil, segundo dados da Unesco.
Em 2024, Lívia participou de um projeto promovido pela sua escola em parceria com o “Ciência, Coisa de Menina”, que propunha palestras ao longo de um ano para familiarizar as estudantes com o universo das Stem. O diploma que ganhou na ocasião, por participar da apresentação de uma docente de química forense da Universidade de Brasília (UnB), veio se somar a muitos outros que comprovam seu interesse pela área.
Agora, o alcance do programa será ampliado. Recém-contemplada com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no valor de R$ 1,2 milhão, a iniciativa de Rodriguez visa combater a desigualdade social, despertando o interesse de quem estuda em escola pública. Por três anos, o projeto vai se estender a cinco Estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste.
“O objetivo é desconstruir a ideia de que as ciências exatas não são para mulheres e encorajar as meninas a vislumbrar uma oportunidade de carreira na área”, conta Rodriguez. Além de criar um espaço de aproximação, fortalecimento e empoderamento das estudantes - preferencialmente pardas, negras e indígenas, conforme exigência do CNPq -, a rede de 19 docentes que compõe o “Ciência, Coisa de Menina” pretende lançar luz sobre questões como a violência de gênero e o racismo. Capacitar professoras da rede básica de ensino é outra frente.
Outro projeto contemplado pelo CNPq nos mesmos moldes é o “Empoderando futuros: construindo uma rede nacional para meninas e mulheres na área de Stem”, que a professora Graziela Simone Tonin, do Insper, coordena. O objetivo é criar uma rede nacional envolvendo incubadoras, institutos federais, entidades estudantis, polos tecnológicos, ONGs, iniciativas sociais e comunidades vulneráveis. As ações compreendem de bolsas de iniciação científicas e oficinas a programas de capacitação de educadores e multiplicadores em comunidades carentes, e coleta de dados para propor políticas públicas assertivas.
Por conta de sua interface com outras especializações, a área de TI costuma atrair o interesse dos mais jovens. É por esse motivo que a Sociedade Brasileira de Computação (SBC) criou, por meio do seu programa Meninas Digitais, o RENACEE-MD, Rede Nacional de Educação e Extensão. A proposta, igualmente aprovada pelo CNPq, “visa aumentar o interesse de meninas e mulheres pela computação, apoiar estudantes na área e familiarizar alunas, docentes e a comunidade com o mundo da computação e seus desafios”, explica a professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Luciana Salgado, coordenadora do RENACEE-MD e do comitê gestor do programa Meninas Digitais da SBC.
A iniciativa abrange 23 Estados e se aplica a escolas e instituições de ensino superior públicas, preferencialmente localizadas em regiões carentes, oferecendo bolas de estudo a professoras, alunas de educação básica, universitárias e pesquisadoras.
Baseada na constatação de que há mais de 500 mil vagas em TI que não são preenchidas no Brasil, conforme relatório da Google for Startups, a proposta do MCIO Brasil - associação sem fins lucrativos composta por 419 executivas - atua em algumas frentes para ampliar a representatividade feminina, como a parceria com escolas técnicas (Etecs) para oferecer cursos gratuitos e eventos de TI. “Buscamos incentivar nossas parceiras para que atuem como instrutoras e as encorajamos a realizar podcasts, webinars e palestras”, explica a presidente Walkiria Marchetti.
Outra frente são parcerias com empresas como Microsoft e Oracle, para capacitação de jovens para trabalhar na área. Em 2024, o MCIO habilitou 238 mulheres em cibersegurança, robótica e desenvolvimento de software.

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March 19, 12:03 PM
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Mulher empreende mais, mas ganha menos

Mulher empreende mais, mas ganha menos | Inovação Educacional | Scoop.it
O número de mulheres empreendedoras no Brasil vem aumentando. Já são 10,4 milhões de donas de negócios, de acordo com o estudo “Empreendedorismo Feminino - Sob a Ótica da Pnad Contínua”, realizado pelo Sebrae, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse total, referente a 2024, é 42% superior ao registrado em 2012, início da série.
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March 19, 12:02 PM
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Barreiras invisíveis limitam a ascensão de mulheres no trabalho

Barreiras invisíveis limitam a ascensão de mulheres no trabalho | Inovação Educacional | Scoop.it
No quadro executivo, a parcela passou de 9% em 2003 para 27,4% em 2023. “Nós tivemos uma melhoria quantitativa importante, com mais mulheres entrando e avançando no mercado de trabalho, mas ainda há muito o que avançar”, diz Margareth Goldenberg, gestora executiva do Movimento Mulher 360. As estatísticas lhe dão respaldo: apesar da maior escolaridade, as mulheres no Brasil enfrentam na carreira um funil mais apertado, têm ganhos menores e estão mais expostas ao risco do desemprego.
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March 19, 12:01 PM
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Microsoft e startup vão simular o raciocínio

A Microsoft está unindo forças com uma startup suíça para implantar um novo modelo de inteligência artificial (IA) que simula os poderes de raciocínio dos cérebros de mamíferos, com o objetivo de avançar em áreas como negociações financeiras e robótica.
A parceria entre a gigante tecnológica dos Estados Unidos e a inait, sediada em Lausanne, explora duas décadas de pesquisas em neurociência digital para refletir a inteligência biológica e melhorar as capacidades da IA.
Os apoiadores da tecnologia afirmam que ela é transformadora porque consegue aprender com experiências do mundo real.
Richard Frey, executivo-chefe da inait, diz que a companhia foi fundada em 2018 “com a ideia de que a única forma comprovada de inteligência está no cérebro, e se pudéssemos dominar o cérebro, poderíamos fazer um tipo de IA muito diferente, muito poderosa e inovadora”. “Estou entusiasmado por estarmos agora criando produtos nos quais ensinamos cérebros digitais de vários tamanhos e tipos a enfrentar os maiores desafios que as principais indústrias enfrentam hoje”.
As empresas, que anunciaram a colaboração nesta terça-feira (18), usarão a tecnologia da inait para expandir a oferta do modelo de IA da Microsoft para os seus clientes.
No setor financeiro, a parceria se concentrará no fornecimento de algoritmos avançados de negociação. Na robótica, ajudará a desenvolver máquinas para a produção industrial.

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March 19, 7:55 AM
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Amazon vai gravar na nuvem tudo o que os usuários da Alexa dizem

Amazon vai gravar na nuvem tudo o que os usuários da Alexa dizem | Inovação Educacional | Scoop.it

Ainda este mês, os donos do dispositivo Echo da Amazon não vão poder manter os comandos de voz trocados com a Alexa apenas no próprio aparelho. Devido a uma mudança no sistema de armazenamento da assistente pessoal que a Amazon está fazendo, todas as 'conversas' serão enviadas para a nuvem, ficando salvas em servidores da própria empresa.

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