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Sanjay Gupta: Não se aposentar faz bem ao cérebro

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Para neurocirurgião, nossa genética não é mais determinante do que nosso estilo de vida para desenvolvimento de demência
A lista de coisas que devemos fazer para melhorar a saúde de nosso cérebro e preservar nossa memória ao longo da vida, segundo o neurocirurgião Sanjay Gupta, 54, é bem parecida com a lista de coisas que devemos fazer —e não fazer, ou pelo menos não fazer muito— para manter nosso corpo saudável.
Sim, as mesmas de sempre: dieta, exercícios, sono, vida social. Mas há novidades, mais itens nesta lista, como descanso, que não é a mesma coisa que sono, além de descoberta e propósito, dois conceitos abstratos e impalpáveis, que tornam a tal lista cada vez mais trabalhosa e inatingível. "Vamos ter que ter vidas muito ocupadas", afirma Gupta, quando pergunto como vamos conseguir tempo para tudo isso.
A boa notícia é que ter uma vida muito ocupada é parte da solução, e não um problema a mais. E tem mais coisas boas que ruins nas dicas do neurocirurgião.
A principal é que ele afirma que, em relação à memória, nossa genética não é mais determinante que nosso estilo de vida. Ou seja, não é porque há histórico de demência ou doença de Alzheimer em sua família que você está destinado a sofrer esses mesmos reveses.
Claro que não é possível driblar para sempre todos os males e desviar do final que todos sabemos que temos pela frente: a morte. Mas o que as pesquisas de Gupta indicam é que, até ela chegar, podemos viver muito melhor.
Tudo no nosso corpo piora com a idade, mas você diz que nosso cérebro pode melhorar. Como isso é possível?
Talvez isso não seja 100% verdadeiro em relação ao nosso corpo. Houve um estudo fascinante sobre corredores que descobriu que pessoas que corriam constantemente, como corredores profissionais ou mesmo aquelas muito diligentes entre os 30 e 70 anos, experimentavam uma diminuição mínima no desempenho. Então, por que os septuagenários geralmente não correm como trintões? Porque eles param de fazer isso quando atingem os 50 ou 60 anos. Simplesmente não correm mais com tanta frequência.
Acredito que o mesmo acontece com o cérebro. Quando estamos na vida profissional e trabalhamos regularmente, nosso cérebro não apenas funciona bem, mas continua melhorando devido ao aumento dos estímulos, da nossa capacidade de julgamento, da consolidação de informações e outros fatores.
É aquele velho ditado "use-o ou perca-o". Podemos criar novas células cerebrais ao longo de nossas vidas, algo que antes não acreditávamos ser possível. Conforme envelhecemos, o cérebro pode se tornar mais afiado, pois tivemos mais tempo para consolidar informações. Se continuarmos a usar o cérebro da mesma forma que usávamos quando éramos mais jovens, ele não entra em declínio.
Algumas pessoas podem desenvolver doenças neurodegenerativas, mas, para a media da população, não há motivo para presumir que haverá uma diminuição na função cerebral.
Você está dizendo que parar de trabalhar pode nos fazer mal?
A aposentadoria não é uma boa ideia, na minha opinião. As pessoas dizem que vão se aposentar e ter mais tempo para outras coisas. Na verdade, o oposto acontece, mesmo que estejam menos ocupadas. Tornam-se menos propensas a serem sociais e a se exercitarem. Trabalhar, além de fornecer alguma renda, oferece benefícios significativos para o cérebro e o corpo.
Isso é muito bom para o capitalismo, mas também é bom para todas as pessoas. Eu não planejo me aposentar. Quando as pessoas se aposentam, tendem a ter um grande declínio em sua saúde física e cerebral. Então, continue trabalhando para o seu próprio benefício. Realizar tarefas desafiadoras é das melhores coisas que podemos fazer para os nossos cérebros. Então, trabalhe o máximo que puder.
Você diz que quase tudo que é bom para o coração é bom para o cérebro, mas não tudo. Que coisas são boas para o coração, mas não para o cérebro?
Vamos considerar o movimento. Qualquer tipo de movimento libera algo chamado fator neurotrófico derivado do cérebro. Ninguém precisa lembrar desse nome. Essa é uma substância que ajuda novas células cerebrais a crescerem. Qualquer tipo de movimento fará isso por você.
Mas há uma diferença: quando você se exercita intensamente, você também libera muito cortisol, o hormônio do estresse. E o cortisol pode inibir o fator neurotrófico derivado do cérebro. Então, o exercício intenso é bom para o coração, mas não tão bom para o cérebro. Já temos muito estresse em nossas vidas.
Isso não quer dizer que estamos liberados para não fazer exercícios vigorosos, porque são importantes para a saúde cardiovascular. Precisamos das duas coisas: exercícios intensos, como corrida, musculação, e exercícios moderados, como uma caminhada, alongamento, tai chi.
Outra diferença entre como o nosso cérebro e nosso corpo funcionam: o corpo sempre assume que precisa armazenar calorias, porque não sabe quando iremos comer novamente. Somos muito eficientes nisso. Não tão bons quanto alguns animais que podem hibernar depois de armazenar muitas calorias.
Mas o cérebro não funciona assim, ele não armazena energia. Então, se você fizer uma refeição muito calórica, o cérebro simplesmente para de absorver os nutrientes. Desliga os receptores de açúcar. Você entra numa situação muito estranha em que está dando muitas calorias ao corpo, enchendo o corpo de energia, mas deixando o cérebro faminto ao mesmo tempo.
Sempre se disse que usamos apenas 10% do nosso cérebro. Em seu livro, você afirma que usamos provavelmente 50%. Aumentar a atividade no cérebro nos faz usar uma porcentagem maior ou o que muda é como usamos esses 50%?
Essa é uma boa pergunta, mas tem uma resposta difícil. Pense na cidade em que você mora. A sua cidade é como o seu cérebro. Então, na cidade em que você mora, você se desloca para casa, para o mercado, a escola de seus filhos, seu local de trabalho. Essas são as áreas onde você passa a maior parte do tempo na sua cidade, que estamos usando como uma imagem para explicar o seu cérebro. Você não poderia chegar de um lugar a outro sem usar as avenidas e ruas do caminho, certo?
Muitas partes do nosso cérebro são como essas ruas e avenidas entre as áreas mais eloquentes do cérebro, que seriam o equivalente à nossa casa, nosso local de trabalho, o mercado, a escola. Nem sempre estamos nos deslocando de um lugar a outro na nossa cidade, mas, se as ruas e avenidas não existissem, não seríamos capazes de ir da nossa casa ao nosso trabalho.
Então, talvez em muitos momentos você só esteja utilizando 10% do seu cérebro mesmo, quando está no seu escritório, por exemplo. Mas você precisa que os outros 90% estejam funcionando bem, ou seja, que as ruas e avenidas estejam lá, para que você possa ir para sua casa no final do dia.
Você nos pede, na introdução do livro, para pensar sobre o que é um cérebro saudável. O que é um cérebro saudável?
Não sei se você conhece esta piada velha entre neurocientistas: "se você fizer esta pergunta a dez médicos especialistas em cérebro, obterá onze respostas diferentes". Nosso cérebro é como um músculo. Um cérebro saudável não é um cérebro esmagado pelos desafios da vida diária, mas sim fortalecido por eles.
Por que algumas pessoas têm memórias tão melhores que as outras, desde muito jovens?
Não é bem assim, nossa memória é uma coisa que precisa ser ativada, e não uma gravação automática de tudo que acontece. Nosso cérebro não é uma câmera de vigilância ligada o tempo todo. Para guardar uma memória, precisamos estar atentos. Nem tudo o que nos acontece ou que vemos fica registrado em nosso cérebro.
E temos que fazer uma distinção aqui, porque as pessoas entram em pânico quando esquecem de detalhes cotidianos, e acham que pode ser um sinal de Alzheimer. Durante nossa vida, podemos experimentar uma perda de memória típica da idade avançada, porque há um desgaste natural do sistema nervoso que acontece com o passar dos anos que pode causar problemas de memória.
Mas há uma enorme diferença entre esquecer onde você deixou a chave do carro, porque botou em algum lugar diferente do normal enquanto atendia o telefone, por exemplo, e olhar para o chaveiro e não reconhecer o que são as chaves do carro e para que elas servem.
Esquecer onde botou as chaves não é um esquecimento, é apenas um gesto feito sem atenção que não ficou gravado em sua memória. Na verdade, você nunca criou essa memória. Não é que você esqueceu, você nunca armazenou isso nos seus bancos de memória.
Quer dizer que só nos lembramos do que fazemos esforço para que fique gravado?
A memória é um ato intencional, mas não consciente. Você não escolhe conscientemente que vai se lembrar de uma coisa e não outra, mas o seu cérebro faz isso. É como se você tiver um copo d’água na sua frente. Para beber essa água, precisa pegar o copo com a mão e levá-lo à sua boca. Isso não acontece automaticamente, precisa ter a intenção, ou seja, tomar a decisão de levar o copo à boca. A memória é um pouco assim.
A ciência volta e meia parece nos puxar o tapete, e afirmar que precisamos deixar de fazer alguma coisa e começar a fazer outra diferente para nos mantermos saudáveis. Sabemos há muito tempo que cuidar da dieta e fazer exercícios são importantes, mas agora parece que o leque foi aberto, e precisamos fazer tudo isso e mais descansar, ter amigos e um propósito de vida. Não vai dar tempo!
Eu sei, vamos ter que ter vidas muito ocupadas.
Como vamos gerenciar isso? Como isso vai funcionar em uma sociedade em que precisamos trabalhar muitas horas por dia, cuidar dos filhos, dos pais, nos deslocar de um lugar a outro, cuidar da casa, das finanças e agora ainda precisamos cultivar amizades por interesse? Essa não é sua área, mas preciso saber, como você gerencia seu tempo?
Esse é o grande desafio que temos na vida. Costumamos pensar que o tempo de descanso ou de sono é um tempo que desperdiçamos, e que poderíamos usar para ter uma vida mais interessante e produtiva. Mas a maioria das memórias que temos são consolidadas quando dormimos, então você pode ter uma vida incrível, cheia de desafios e aventuras, mas talvez não se lembre dela quando envelhecer, se não dormir bem. É fundamental valorizar mais o sono que a programação da Netflix.
A gente também precisa fazer um esforço consciente para encontrar os momentos de inspiração, de descoberta, de alegria, de conexão. Nós dois temos muita sorte, porque somos jornalistas, então trabalhamos em uma área que nos permite estarmos constantemente descobrindo coisas novas. Hoje, por exemplo, estou tendo esta conversa com você. Isso é muito bom para o meu cérebro. Somos sortudos, mas todo mundo precisa encontrar isso na própria vida.
Voltando ao tema da aposentadoria, as pessoas param de trabalhar achando que terão disponibilidade para fazer o que quiserem, mas a verdade é que, na maioria das vezes, quando se aposentam, perdem um estímulo que tinham todos os dias. E não o encontram na aposentadoria. Então, trabalhem o máximo de tempo que puder.
E, finalmente, a conexão com as pessoas. Isso é o mais difícil. Vou te contar uma história pessoal. Eu nunca fui uma pessoa muito social, e fiz medicina, depois dez anos de treinamento após a faculdade, trabalhando mais de 100 horas por semana. Nunca pensei que me casaria, nunca pensei que teria filhos. Mas sou casado, tenho três filhas adoráveis. E, além da medicina, ainda virei jornalista.
Durante a pandemia, quando estávamos isolados, percebi o quanto sentia falta da conexão social. Perdi um pouco do meu contexto para a vida, sabe? Conclui que passar tempo com as pessoas é importante para mim. Se por nenhum outro motivo, porque permite que você obtenha opiniões diferentes das suas.
As relações mais profundas que temos são aquelas nas quais podemos nos mostrar vulneráveis. E uma maneira de mostrar vulnerabilidade rapidamente é pedir ajuda. Não precisa ser algo grande, basta dizer: "ei, posso contar com sua ajuda com isso?" Essa é uma ótima maneira de fortalecer relacionamentos.
Como assim, pedir ajuda? Devemos abordar um conhecido e perguntar se quer ser nosso amigo para melhorar a atividade do nosso cérebro? Não sei se isso vai funcionar muito bem...
Não, claro que você não vai sair por aí pedindo para as pessoas serem suas amigas. O que eu aconselho é mudar a conversa que você já tem com pessoas queridas, mas que podem ter ficado meio sem assunto, o que é natural. Pode confiar, funciona.
As pessoas relutam muito em pedir ajuda, acham que mostrará fraqueza ou algo assim. Mas testei na prática. Eu sou muito ligado a meus pais, dois imigrantes indianos que trabalharam a vida inteira na indústria automotiva em Detroit. Converso muito com eles pelo telefone, mas é sempre aquela coisa meio xoxa, "como você está?" "Estou bem, e você?" "Também estou bem", bem superficial.
Mas, em um momento, minha esposa estava com problemas com o carro dela, e eu resolvi pedir ajuda a eles, que conhecem muito como os carros funcionam. E isso fez nossa conversa mudar completamente, foi como se a vida deles tivesse um novo propósito, nossas conversas tinham razão de existir, não era mais uma coisa burocrática.
Eles se envolveram com a questão do carro, pediram que fizéssemos testes e descrevêssemos os resultados, foi uma revelação. Eu ainda sou o filho deles, eles ficaram muito interessados e satisfeitos por poderem cuidar da gente, nos ajudar com um problema que não teríamos condição de resolver sozinhos.
Funcionou tão bem para mim que recomendei a todos os meus amigos. E agora recomendo a você e aos seus leitores.

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Curadoria por Luciano Sathler. CLIQUE NOS TÍTULOS. Informação que abre caminhos para a inovação educacional.
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Educação a Distância, a necessidade de novas evidências de qualidade | ABED

Educação a Distância, a necessidade de novas evidências de qualidade | ABED | Inovação Educacional | Scoop.it

O Ensino Superior brasileiro passa por um momento de inflexão. Alguns dos fatores se destacam, tais como as mudanças no perfil dos estudantes, demandas inéditas da sociedade, profissões em mutação, criação de novas ocupações e famílias ocupacionais, além dos desafios trazidos pelas plataformas digitais de cursos que oferecem cursos massivos abertos online com novas arquiteturas curriculares e fortes conexões com o mundo do trabalho.
Para quem acredita e participa há muitos anos do movimento de ampliação da Educação a Distância (EAD) no país, como muitos de nós que estamos na Associação Brasileira de Educação a Distância – ABED, os embates públicos recentes na imprensa e as medidas tomadas pelo Ministério da Educação (MEC) em relação à modalidade parecem revelar certo paroxismo do Governo Federal ao tentar lidar com a complexidade crescente do Ensino Superior do país.
De um lado, a pressão gerada pela dívida histórica do não atendimento da demanda por mais matrículas e pessoas bem formadas.
Do outro, a avaliação de que muitos dos que se formam hoje no Ensino Superior presencial e EAD poderiam estar melhor preparados para o pleno desenvolvimento de seu potencial e para cooperar com os desafios da competividade trazidos pela Economia Digital.
Faz-se necessária uma ampla discussão nacional para enfrentar essa inflexão do setor, diante de um cenário em que os diplomas não necessariamente abrem mais as melhores portas de trabalho como antes, que o analfabetismo funcional se faz presente em muitas universidades — devido aos déficits de aprendizagem não resolvidos no Ensino Médio —, bem como a ociosidade crescente de vagas e a evasão muito elevada nas IES públicas e privadas.
Em 2022, 72% das novas matrículas em cursos de graduação nas IES particulares ou comunitárias nos país foram na EAD.
Em 2022, a população de matriculados na Graduação EaD chegou a 4.148.677 pessoas, enquanto o ensino presencial tinha 3.218.403 estudantes em cursos presenciais das IES particulares e comunitárias — vide o gráfico a seguir.
A necessidade de atualizar o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes)
É preciso aperfeiçoar a avaliação do Ensino Superior brasileiro, pois apenas a promulgação dos atos regulatórios sem uma mudança nos processos de supervisão não é suficiente para garantir a melhor qualidade dos cursos.
Existem cursos de ótima qualidade sendo ofertados na EAD.
A experiência ensina que uma IES que é boa no ensino presencial costuma ser melhor ainda na modalidade a distância. A recíproca também é verdadeira.
Quem é ruim no ensino presencial tende a ser péssimo na educação a distância.
De acordo com o Tribunal de Contas da União — TCU, a verificação da qualidade dos cursos presenciais e a distância, bem como das Instituições de Ensino Superior, precisa de amplo aperfeiçoamento para realmente ser aferida de maneira mais confiável no Brasil.
Está assim escrito, com todas as letras, no Acórdão TCU 658 / 2023, de 05 de abril de 2023.
É altamente recomendável que os conselhos estaduais de educação e as diretorias regionais de ensino vinculadas às secretarias estaduais de educação possam participar da fiscalização das milhares de denúncias que o MEC recebe semanalmente. A estrutura atual do Ministério da Educação não permite a tempestividade necessária para verificar os casos alarmantes que surgem no cotidiano.
O Brasil é o único país de dimensões continentais e megapopulação que mantém um sistema centralizado de acreditação, financiamento e avaliação do Ensino Superior.
China, EUA, Índia e Rússia têm nas províncias ou estados um protagonismo maior, o que permite tratar perfis e vocações diferentes de Instituições de Ensino Superior de formas específicas e mais alinhadas às demandas do desenvolvimento regional sustentado.
Um dos destaques do TCU faz alusão à necessidade de incluir mais indicadores e evidências específicas dos cursos a distância no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), algo que a Associação Brasileira de Educação a Distância — ABED tem primazia em poder colaborar, com isenção e competência.
Ampliar a transparência e a participação cidadã no acompanhamento do Ensino Superior atende, dentre outros instrumentos legais, ao disposto no Decreto nº 11.529, de 16 de maio de 2023, que institui o Sistema de Integridade, Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal e a Política de Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal. Em seu Artigo 10º, Inciso III, diz que “A Política de Transparência e Acesso à Informação da Administração Pública Federal compreende a abertura de bases de dados produzidos, custodiados ou acumulados pela administração pública federal, para promover pesquisas, estudos, inovações, geração de negócios e participação da sociedade no acompanhamento e na melhoria de políticas e serviços públicos.”
Ao consultarmos as melhores práticas de avaliação de qualidade da EAD estabelecidas por diversos governos e entidades científicas pelo mundo afora, percebemos que a diferença entre ser uma instituição educacional ou uma empresa jornalística, uma editora, um museu ou uma biblioteca está no PROFESSOR e nas relações de ensino-aprendizagem estabelecidas entre seres humanos.
A equação a ser resolvida está entre atender a uma maior quantidade de discentes e aumentar a qualidade dos resultados educacionais mantendo-se a sustentabilidade. Dando maior protagonismo aos estudantes, docentes e corpo tutorial nesse processo.
Nesse sentido, apresentamos a seguir um conjunto de perguntas que podem nortear a implementação de novos indicadores que permitam aferir, em tempo real, evidências mais claras sobre a qualidade de cursos EaD, com a ampliação da participação direta de estudantes e professores, algo exequível de se implementar com várias das ferramentas tecnológicas hoje disponíveis.
INDICADORES DE QUALIDADE ESPECÍFICOS PARA A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, INCLUSIVE, CURSOS OU COMPONENTES CURRICULARES HÍBRIDOS
1 - Mediação
a) Quantos alunos são acompanhados por professor ou corpo tutorial?
b) Qual a carga horária atribuída por professor/tutor por estudante?
c) Qual o perfil e o papel do corpo tutorial?
d) Qual a carga horária síncrona (presencial ou a distância) e qual sua frequência?
e) Qual a qualidade da interação em termos de profundidade, abrangência e velocidade das respostas ou orientações aos discentes?
2 - Autoria
a) Qual a participação dos estudantes, docentes e corpo tutorial do curso na produção do material didático?
b) Qual o período e taxa de atualização do material didático?
c) Como a Inteligência Artificial foi incorporada na produção de material didático?
d) Quão digitalmente é enriquecido e interativo o material didático?
e) O material didático promove o protagonismo do estudante e a adoção de metodologias ativas?
3 - Personalização
a) Qual a tempestividade e a acurácia do suporte técnico e administrativo oferecido aos estudantes?
b) O ambiente virtual de aprendizagem e outros sistemas informatizados têm um design centrado no estudante?
c) Os estudantes têm acesso personalizado aos docentes, tutores humanos ou virtuais supervisionados por seres humanos, materiais didáticos e avaliações de aprendizagem?
4 - Egressos
a) Como incluir os estudantes e egressos para realizarem avaliações que sejam visibilizadas pela sociedade, sem intermediários, de sua experiência com a IES?
b) Quais são os progressos alcançados pelos egressos em termos pessoais e profissionais, nos 10 anos seguintes após concluírem seus cursos?
c) Quais as demandas sociais e econômicas priorizadas por região do país?
d) Quais cursos e perfis de egressos devem ser priorizados, por região, em políticas de fomento para a formação?
Todas essas perguntas podem gerar indicadores que precisam e podem ser aferidos cotidianamente, sendo visibilizados para a população em geral com a clareza que a Política Nacional de Dados Abertos determina para aumentar o fornecimento de informações e estatísticas sob o controle do Estado. Isso aumenta a transparência pública, o acesso do cidadão e incentiva o controle social.
Luciano Sathler é membro do Conselho de Ética e Qualidade da ABED (2023 até o presente), do Conselho Deliberativo do CNPq (2020 até o presente) e do Conselho Estadual de Educação de Minas Gerais (2023 até o presente). Foi o primeiro pró-reitor de Educação a Distância do Brasil.

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Autismo e TDAH: o brasileiro de 8 anos que dá palestras em Londres sobre neurodiversidade

Autismo e TDAH: o brasileiro de 8 anos que dá palestras em Londres sobre neurodiversidade | Inovação Educacional | Scoop.it
O britânico e brasileiro Noah Faria, filho da escritora Renata Formoso, escreveu um livro sobre como ele se sente tendo um ´fizzy brain´ (ou uma mente acelerada), como ele mesmo define. Agora ele fala a outras crianças sobre neurodiversidade.
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Nex Benedict: a comoção nos EUA por morte de adolescente alvo de bullying por identidade não-binária

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O que aconteceu exatamente no banheiro da escola ainda não está claro — e a causa da morte também não foi oficialmente determinada.
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Relacionamentos: como os 4 tipos de apego que desenvolvemos na infância afetam nossa vida

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A teoria do apego é uma das principais chaves que os psicólogos possuem para compreender a forma como os humanos se relacionam com os próprios pais, e também com os seus parceiros.
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As doenças 'esquecidas' que deixam 28 milhões de brasileiros sob risco

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Esquistossomose, hanseníase, raiva humana e outros problemas de saúde podem afetar quase 15% da população, mas recebem pouca atenção e investimento. Um novo plano nacional pretende eliminar ou controlar a maioria dessas condições.
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Após esforço bilionário de uma década, Apple abre mão de projeto de carro elétrico para focar em IA

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A decisão surpreendeu os quase 2 mil funcionários que trabalhavam no projeto; segundo a empresa, a maioria será realocada para uma nova divisão de inteligência artificial
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participa da Conferência Livre do CNPq

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A CAPES participou na segunda-feira, 26 de fevereiro, da abertura da Conferência Livre Programa INCT, com debates que contribuirão para as discussões da 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Cncti). O encontro é realizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e discute o desenvolvimento da pesquisa no Brasil, o enfrentamento aos desafios e a cooperação com o setor empresarial.
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CRES+5 debaterá impactos da Covid-19 na educação

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Reunião será em Brasília (DF), entre 13 e 15 de março. Objetivo é dar prosseguimento à III Conferência Regional de Educação Superior, realizada em Córdoba, na Argentina, em 2018
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Medidas tecnológicas de controle em escolas: riscos necessários?

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O uso das tecnologias no ambiente escolar é cada vez maior, especialmente no âmbito pedagógico, com o aproveitamento da internet e de celulares nas práticas educacionais. No entanto, um aspecto importante precisa ser observado: o processo de vigilância e, por conseguinte, a coleta de dados de crianças e de adolescentes com a utilização das tecnologias.
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Educação: uma olhada em dados do censo escolar

Trata-se de uma grande pesquisa feita por meio de dados declaratórios que abrangem todas as escolas públicas e privadas do país. Podemos enxergar o censo como um retrato do estado da educação básica e profissional do país — esse retrato é composto sobretudo por indicadores que permitem acompanhar o cumprimento dos muitos deveres estatais para com a educação.
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Investimento do MEC em livro didático é 79% maior em 2024

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Cerca de 31 milhões de alunos da educação básica pública são beneficiados pelos 194,6 milhões de exemplares adquiridos, em um investimento de R$ 2,1 bilhões
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Ministro da Educação vai à Câmara e pede votação rápida da reforma do ensino médio

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O ministro da Educação, Camilo Santana, e o novo presidente da Frente Parlamentar da Educação, deputado Rafael Brito (MDB-AL), defenderam nesta quarta-feira (28) que o projeto de lei do novo ensino médio seja aprovado rapidamente pela Câmara dos Deputados para que as secretarias de educação e escolas privadas tenham tempo para se adaptarem e implantarem o novo modelo em 2025.
“O tempo de votação quem dará é o Congresso, mas é fundamental a aprovação ainda este semestre pela Câmara e Senado”, afirmou Santana, ao participar de evento de posse da nova direção da frente parlamentar.

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MEC seleciona cursos para plataforma Aprenda Mais

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Ambiente virtual oferta cursos rápidos de forma gratuita para toda a população. Instituições podem encaminhar propostas até dia 31 de agosto
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Educação: a professora que doou US$ 1 bi para quitar todas as mensalidades de alunos de medicina em faculdade dos EUA

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A professora emérita da Escola de Medicina Albert Einstein, no Bronx, herdou uma fortuna ao falecer seu marido e deseja que a doação possa possibilitar o acesso de jovens de todas as classes sociais à universidade
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Autor e psicólogo explica como podemos tomar decisões melhores e melhorar o bem-estar se imaginarmos conversa com nosso 'eu futuro'.
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Comportamento: o renomado neurocientista que não acredita no livre arbítrio

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No livro mais recente, Sapolsky afirma que 'detrás de cada pensamento, ação e experiência há uma cadeia de causas biológicas e ambientais, que se estende desde o momento em que surge o neurônio até o início de nossa espécie e mais além. Em nenhuma parte desta sequência infinita há um lugar onde o livre arbítrio pode desempenhar um papel'.
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Suicídio e fé: 'Meu pai se matou, e hoje sou padre e especialista em suicídio'

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Quando o pai de Licio Vale morreu, em 1970, a norma católica determinava que pessoas que se mataram não podiam receber missas de corpo presente e de Sétimo Dia. Hoje, o padre trabalha com prevenção ao suicídio e faz levantamentos anuais de casos entre sacerdotes.
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Inteligência artificial: como criminosos estão 'clonando pessoas' para aplicar golpes financeiros

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Com o avanço da tecnologia, é cada vez mais comum surgirem softwares que conseguem reproduzir a imagem de uma pessoa com a voz dela — e isso tem sido usado por criminosos.
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Primeira Infância Primeiro: abordagem integrada e colaborativa para políticas públicas

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A publicação sintetiza aspectos fundamentais debatidos durante uma série de quatro eventos, realizados entre maio e junho de 2023, para que gestores públicos priorizem a primeira infância nos seus governos. Estes encontros reuniram representantes do Executivo estadual e federal, além de organizações da sociedade civil de todas as unidades da federação, em uma parceria entre a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (FMCSV) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Durante essas reuniões, exploraram-se temas cruciais, como o papel do Executivo estadual na priorização, formulação e apoio aos municípios nas políticas voltadas para a primeira infância; a importância da União na articulação de políticas nacionais sobre o tema; além de caminhos e ferramentas para uma governança colaborativa entre municípios, estados e União na construção de políticas públicas que priorizem o início da vida. Convidamos você a explorar este material, que oferece uma visão aprofundada sobre como a priorização da primeira infância pode ser alcançada por meio de uma abordagem integrada e colaborativa na formulação de políticas públicas.
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Revolucionando a Educação: O Poder Transformador da IA

A Inteligência Artificial promete uma revolução na forma como ensinamos e aprendemos, abrindo caminhos para uma educação mais inclusiva, acessível e adaptada às necessidades individuais.
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A Samsung aproveitou a Mobile World Congress, maior evento de telecom do mundo que acontece em Barcelona essa semana, para iniciar a venda em todo o mundo de seu primeiro laptop com inteligência artificial generativa, que será capaz de gerar imagens e vídeos a partir de comandos do próprio usuário.
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Estudantes que fizeram as provas do Enem 2023 poderão participar de uma pesquisa realizada pelo Ministério da Educação (MEC) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A iniciativa conta com apoio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).
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MEC ainda não tem data para divulgar 2ª chamada do Prouni

MEC ainda não tem data para divulgar 2ª chamada do Prouni | Inovação Educacional | Scoop.it
Lista deveria ter sido divulgada na 3ª feira (27.fev); ministério já havia registrado problemas técnicos na 1ª chamada
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MEC finaliza avaliação sobre o Profuncionário

MEC finaliza avaliação sobre o Profuncionário | Inovação Educacional | Scoop.it
Grupo de Trabalho sugeriu retomada do programa de formação de funcionários de escolas públicas, após ampla mobilização com mais de 75 mil contribuições
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Parque impulsiona startups da Amazônia

Parque impulsiona startups da Amazônia | Inovação Educacional | Scoop.it
Um centro de pesquisas de Belém reúne inovação, ciência e tecnologia usando, principalmente, insumos da região que é considerada a porta de entrada para a Amazônia. Entre outras, estão lá startups como MedBolso (serviços médicos), Ecoset (engenharia e meio ambiente) e BioTec-Amazônia (de biodiversidade), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). “Aqui é um ambiente em que conseguimos converter ciência em produtos que podem chegar à sociedade gerando ali uma transformação”, diz Walter dos Santos, CEO da edutech Inteceleri, uma das primeiras startups a se instalar no local, inaugurado em 2010.
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