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A escola nativa digital e seus professores órfãos pedagógicos

A escola nativa digital e seus professores órfãos pedagógicos | Inovação Educacional | Scoop.it

Nesse artigo tratamos da necessidade de uma reflexão sobre essa nova escola e os papéis de alunos, professores e gestores diante da realidade que se apresenta. As análises apresentadas aqui baseiam-se em observações feitas em uma escola estadual paulista inovadora, em estatísticas e relatórios de diversos órgãos e no acompanhamento de professores que atuam em escolas de ensino básico das redes pública e particular.

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Noticias, publicacoes e artigos de opiniao que abram caminhos para a inovacao educacional.
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Ensino Híbrido e a mudança de larga escala nas escolas - Bett Educar 

Ensino Híbrido e a mudança de larga escala nas escolas - Bett Educar  | Inovação Educacional | Scoop.it

Por Luciano Sathler. A crise da aprendizagem é um fenômeno mundial diagnosticado há alguns anos e que tende a piorar com o impacto da pandemia.  No Brasil é uma situação ainda mais grave pois há um desalinhamento maior nos resultados alcançados com a escolarização se comparados com outras nações com renda per capita e Índice de Desenvolvimento Humano - IDH semelhantes aos nossos.
Embora mais crianças e adolescentes do que nunca estejam matriculados nas escolas, para muitos, escolaridade não redunda na aprendizagem esperada. Uma certeza é que fazer mais do mesmo não vai gerar os resultados necessários diante das urgências postas. É preciso promover uma mudança de larga escala nas escolas, com a adoção de novos procedimentos, dispositivos, metodologias, o uso pedagógico intensivo de tecnologia, alterações na gestão e melhorias na arquitetura dos espaços escolares.
Estima-se que, em 2016, mais de 600 milhões1 de crianças e adolescentes em todo o mundo não atingiam a proficiência mínima nos níveis de leitura e matemática. Para destacar a crise global de aprendizagem, o Banco Mundial introduziu o conceito de ‘Pobreza de Aprendizagem’ - a incapacidade de ler e entender um texto simples aos 10 anos. Estima-se que 53% das crianças em países de baixa e média renda não consegue ler com proficiência aos 10 anos.
A quase universalização do acesso à escola é uma das grandes conquistas globais dos últimos 50 anos. Mas, passar pela escola sem aprender habilidades fundamentais e completar os ciclos esperados como um analfabeto funcional é uma tragédia em um mundo que se transforma rapidamente sob os impactos da globalização e da automação. A economia digital embute o risco de marginalizar os que não puderem desenvolver as competências adequadas, com elevado potencial de sofrerem os efeitos do desemprego estrutural e da maior concentração de renda.
Para milhões de crianças e jovens, esse insucesso em aprender significa um futuro no qual serão incapazes de encontrar um emprego ou trabalho produtivo, exercerem a cidadania ou moldar um futuro melhor para si, suas famílias e suas comunidades.
Ainda há problemas com a desigualdade de financiamento, com menos recursos sendo destinados às famílias empobrecidas que mais necessitam, algo que se espera mitigar no Brasil com o novo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - Fundeb. Segurança alimentar, condições sanitárias e infraestrutura adequada são desafios não solucionados em muitas escolas pelo país.
Há necessidade de uma mudança de larga escala nas escolas brasileiras, para alinhar a oferta educacional com o perfil dos estudantes da Geração Internet, as demandas da sociedade e os fundamentos da Sociedade da Informação.
A sala de aula é um microcosmo do mundo exterior, onde as crianças aprendem seus valores, atitudes, habilidades e conhecimentos. Essa experiência de sala de aula pode ser transformadora e, portanto, é o lugar de maior oportunidade para superar o problema da qualidade. Extensas pesquisas internacionais2 recentes sugerem algumas estratégias de baixo custo que podem ser adotadas para alcançar um aprendizado mais significativo, conforme demonstra a figura 1.
A adoção do ensino híbrido é parte estratégica dessa mudança, ora emergencial diante dos desafios trazidos pela necessidade de retornar as aulas e demais atividades presenciais com segurança para todos.
O ensino híbrido é um programa formal de ensino em que o estudante tem parte da aprendizagem elaborada a partir de conteúdo, interações e mediações online.  O aluno tem alguma flexibilidade quanto ao tempo, local, ritmo de estudos e sobre as trilhas de aprendizagem a serem cursadas. Parte das atividades é realizada sincronamente na escola ou em outro espaço, sob a supervisão de um professor.
O ensino híbrido tem o potencial de aumentar a flexibilidade das escolas para atenderem alunos e professores que deverão voltar a frequentar os espaços físicos em dias e horários alternados. Pode reduzir as necessidades de infraestrutura, oferece alternativas economicamente sustentáveis para desenvolver programas de recuperação e a reorganização do calendário escolar.
A personalização das trilhas de aprendizagem a serem superadas pelos estudantes que apresentarem alguma dificuldade é mais viável com essa abordagem. Há vários tipos de ensino híbrido, que podem ser praticados em momentos alternados com a mesma turma, a depender dos objetivos de aprendizagem pretendidos e o perfil dos estudantes, conforme demonstra a figura 2.
Portanto, é fundamental que as instituições educacionais incluam em seus planos de contingência para prevenção, para o monitoramento e para o controle da transmissão de COVID-19 estratégias para implementação do ensino híbrido.
Já na realização de avaliações diagnósticas, esse planejamento deve se fazer presente na elaboração dos programas de atividades recursivas, com foco em habilidades e competências, para que se garanta a recuperação das aprendizagens e o monitoramento do processo pedagógico de maneira economicamente sustentável e com boa qualidade.
O ensino híbrido precisa considerar aspectos variados para sua boa implementação, tais como políticas de atribuição de horas-aula, infraestrutura tecnológica, sistemas de controle acadêmico, capacitação de todos os envolvidos, ambiente virtual de aprendizagem e metodologias ativas que vão servir para mudar o paradigma do ‘ensino’ para o da ‘aprendizagem’ e da autonomia.
O objetivo de personalizar a aprendizagem deve ser intrínseco à implementação do ensino híbrido, pois está claro que as abordagens do tipo "tamanho único" para o conhecimento e a organização escolar são mal adaptadas às necessidades dos indivíduos e à Sociedade da Informação.
Essa ideia emergente é de que os sistemas capazes de atingir padrões universalmente elevados são aqueles que podem personalizar o programa de aprendizagem e progressão oferecido às necessidades e motivações de cada aluno.

REFERÊNCIAS:

1. UNICEF. Addressing the learning crisis: an urgent need to better finance education for the poorest children. Nova York: Unicef, 2020.

 2. UNESCO. The Global learning crisis: why every child deserves a quality education. Paris: Unesco, 2013.

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#QuemCodaBR

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O que é diversidade para as pessoas que trabalham com tecnologia no Brasil hoje? Qual o perfil dos profissionais que estão neste mercado?
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Prazer, somos a Geração Alpha!

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A Geração Alpha redefine padrões de comportamento e, brincando, revela uma nova visão de mundo
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Infâncias

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INFÂNCIAS
Empoderar as crianças e estimular uma infância livre e real são responsabilidades que demandam o empenho dos adultos para criar novas possibilidades de educação e aprendizagem

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Educação dialógica democrática

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Metodologia Incluir Para Transformar – conjunto de métodos, procedimentos e ferramentas pedagógicas que proporcionam uma aprendizagem de qualidade.
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Uma nova geração de escolas

Uma nova geração de escolas | Inovação Educacional | Scoop.it
A arquitetura e o design se aliam para repensar as escolas do futuro e novos estímulos ao aprendizado
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Secretaria de Saúde de Minas divulga protocolos de retomada das aulas presenciais

Secretaria de Saúde de Minas divulga protocolos de retomada das aulas presenciais | Inovação Educacional | Scoop.it
O secretário adiantou alguns critérios básicos, mas sem data para a reabertura das escolas
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Covid-19: 94% dos universitários desejam continuar estudando

Covid-19: 94% dos universitários desejam continuar estudando | Inovação Educacional | Scoop.it
Dados levantados pela Globo revelam que universitários enxergam a importância do diploma para o mercado de trabalho, mas mostram que 83% dos jovens estão se sentido pressionados em relação ao futuro acadêmico e profissional
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Inep abre seleção de professores para elaborar questões do Enem

Inep abre seleção de professores para elaborar questões do Enem | Inovação Educacional | Scoop.it
Docentes da rede pública interessados em formular e revisar itens do exame podem se cadastrar a partir do dia 5 de outubro
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Pandemia expõe necessidade de inovar no setor de educação, dizem especialistas

Pandemia expõe necessidade de inovar no setor de educação, dizem especialistas | Inovação Educacional | Scoop.it
As dinâmicas de educar e de aprender foram colocadas à prova durante a pandemia do novo coronavírus. De acordo com a pesquisa “A nova realidade da educação”, realizada pela área de inteligência de mercado da Globo, a incerteza do período vem atingindo cada vez mais os jovens. De acordo com o levantamento, cerca de 83% dos entrevistados afirmam que estão se sentindo pressionados quanto a seu futuro acadêmico durante esse período.
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Laureate: oferta concorrente tem de superar R$ 5 bi para brigar com Ser

Laureate: oferta concorrente tem de superar R$ 5 bi para brigar com Ser | Inovação Educacional | Scoop.it

Quando a Ser Educacional anunciou o acordo para comprar a operação da Laureate no Brasil, o negócio foi divulgado como sendo de quase 4 bilhões de reais – 1,7 bilhão de reais em dinheiro, 623 milhões de reais em assunção de dívida e mais a entrega de ações que serão equivalentes a 44% da companhia fundada pelo empresário Janguiê Diniz. Esse era o valor de tela da operação para a Ser Educacional. Na ponta do lápis: 3,85 bilhões de reais. Nos dias que se seguiram ao anúncio, Yduqs comunicou ao mercado que poderia fazer uma proposta e a Ânima disse à imprensa que também teria interesse. O que quase ninguém se deu conta é que, para ser competitiva, uma outra proposta precisa atribuir uma avaliação superior a 5 bilhões de reais pelos ativos na empresa.
Isso porque esse é o tanto que a Laureate americana vai efetivamente ter ao fim do operação, pois ficará com o caixa e com 44% da soma das empresas — e não apenas da Ser Educacional — mais as sinergias. A estrutura montada para a transação faz quase uma mágica com a matemática. O negócio que custará 4 bilhões de reais para a Ser valerá 5 bilhões de reais, pelo menos, para a Laureate.
IAnalistas do setor estimam que a união das companhias resultaria em ganhos adicionais entre 200 milhões de reais e 300 milhões de reais ao ano na linha do Ebitda, um salto de até 40% ante aos 730 milhões acumulados em 12 meses pelas empresas até março. A receita líquida somada das empresas nesse período é de 3,45 bilhões de reais, sendo que a maior parte vem das operações da Laureate, que totalizam 267 mil alunos. A Ser Educacional tinha 188 mil alunos ao fim de março.
A americana Laureate, que no Brasil controla a Anhembi-Morumbi e a FMU, entre diversas outras bandeiras, fez um processo competitivo aberto pelo ativo. Fundos de private equity e companhias do setor foram convidados a participar e todo mundo teve a oportunidade de fazer seu lance. Os trabalhos começaram em janeiro e a discussão de valores deslanchou mesmo em março. Houve uma parada nas discussões de cerca de um mês devido à pandemia. A proposta da Ser Educacional, pelo seu conjunto, saiu como vencedora — foi seu terceiro lance na negociação. Para o empresário Janguiê Diniz, a transação o coloca finalmente no hall das maiores, como terceira posição entre as empresas abertas, atrás de Cogna e empatada com Yduqs em número de alunos. O entendimento também é de que a oferta da Ser enfrentará menor risco de restrições no Cade, diferentemente do que pode ocorrer com as líderes do setor.
Atualmente, ele controla 57% da Ser Educacional e ficará com 32% da empresa combinada. Aceitou, portanto, apostar na fórmula de que uma fatia menor de um bolo maior pode ser mais do que uma fatia maior de um bolo menor.  Mesmo com 44% do capital, a Laureate será minoritária no conselho e poderá indicar dois membros para o colegiado — que terá um total de nove participantes. Diniz, por sua vez, vai selecionar cinco nomes e dois continuarão independentes.
Fundada por Douglas Becker, a Laureate cresceu internacionalmente por meio da compra de ativos no setor em diversas partes do mundo até que em 2014 acumulou dívidas em montante superior à sua receita e foi classificada pela Moody’s como excessivamente alavancada. A partir daí, teve um início um processo que nunca mais parou — ao contrário, só se acelera — de venda de ativos, praticamente um desmonte completo do negócio. Por isso, a expectativa é que a holding americana ao longo do tempo se desfaça das ações. Daí, a prevalência declarada de Diniz, a despeito de ficar menor que a companhia americana na largada.
Parte importante da sinergia estimada entre a Ser e as universidades da Laureate no Brasil deverão vir da operação dos cursos de medicina e correlatos. A área de saúde responde por 52% da receita da Ser e cerca de 30% da companhia alvo. Além disso, a tese defendida pela Ser aos analistas do setor é que ambas demoraram mais para avançar em ensino à distância. Esse atraso teria uma vantagem: permitir que juntas adotem sistemas e tecnologias mais modernos, sem nenhum legado para carregar. Essa mesma agilidade, defendem os executivos de Diniz ao mercado, não existirá em uma eventual combinação com Yduqs, por exemplo.

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A revolução burguesa no Brasil - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

A revolução burguesa no Brasil - Instituto Humanitas Unisinos - IHU | Inovação Educacional | Scoop.it
Em A revolução burguesa no Brasil, Florestan demonstra passo a passo como a burguesia brasileira vai abrindo mão do pleno exercício de seu poder de constituir-se como classe inteira contentando-se na garantia de acesso a vantagens distribuídas no espaço do bloco dominante sem se empenhar em efetivamente se tornar dirigente, afirma Gabriel Cohn, professor Emérito da FFLCH- USP, sobre o livro recém-reeditado de Florestan Fernandes e artigo publicado por A Terra é Redonda, 25-09-2020.
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Brasil tem a pior proporção de computador por aluno entre países testados no Pisa

Brasil tem a pior proporção de computador por aluno entre países testados no Pisa | Inovação Educacional | Scoop.it

Ao lado de Kosovo e do Marrocos, o Brasil tem escolas com a pior proporção de computadores por aluno entre os 79 países e territórios avaliados pelo último Pisa. Enquanto a média nos países ricos é de cerca de um computador por estudante, no Brasil são dez alunos por equipamento.
O relatório da OCDE (Organização Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgado nesta terça-feira (28), indica correlação entre a quantidade de equipamentos e o desempenho dos estudantes no Pisa. A prova é o mais reconhecido instrumento internacional de avaliação da educação básica, com testes aplicados a estudantes de 15 anos.​
O relatório "Políticas Eficazes, Escolas de Sucesso" compara informações da oferta escolar entre os participantes da última edição do Pisa, de 2018.

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Perfis comportamentais dos imigrantes digitais

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PERFIS COMPORTAMENTAIS DOS IMIGRANTES DIGITAIS
Refugiados, colonizadores ou naturalizados – quem são os imigrantes digitais e como lidar com o desafio de inclusão desses públicos?

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Eu criança - Presente do futuro

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As crianças são capazes de transformar o nosso presente, enquanto estamos endurecidos, polarizados, estanques e nostálgicos – com a leveza de uma brincadeira, elas criam soluções e apontam novos caminhos
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O caminhar das gerações

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Divisões geracionais delimitam identidades e ajudam a categorizar a construção de individualidades no Brasil
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Educação e o direito de não ficar pra trás

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Entre estudantes do Século XXI e a escola do Século XIX, educadores vivem o dilema da convergência de meios e da reinvenção da carreira para salvar gerações.
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Educação como valor de marca

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Desenvolver projetos na área da educação se torna um caminho para firmar o compromisso das marcas com a sociedade
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CIEE lança programa para capacitar estudantes do ensino médio a estágios

Batizada de Jovem Talento CIEE, a iniciativa representa a oferta direta de mais oportunidades para os jovens – faixa etária mais afetada pelo desemprego – e, segundo a instituição, também combate a evasão escolar.
Para participar do programa é necessário estar matriculado em uma instituição de ensino. A expectativa é de que sejam realizados 500 contratos mensais. Hoje, há 524 mil jovens entre ensino médio e técnico elegíveis.

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Universidades demitem professores e lotam salas virtuais de olho no lucro

Universidades demitem professores e lotam salas virtuais de olho no lucro | Inovação Educacional | Scoop.it

Professores pedindo socorro, alunos com dificuldades para acompanhar as disciplinas e universidades particulares lucrando durante a pandemia do novo coronavírus. Este é o cenário atual do ensino superior no Brasil. A demissão em massa de docentes e as dificuldades técnicas do ensino online são as principais causas desta realidade.
De acordo com um levantamento realizado pela Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp), somente em quatro instituições que atuam no estado (FMU/Fiam-Faam, Anhembi-Morumbi, Sumaré e Unip), já foram demitidos mais de 1.800 profissionais desde o início da pandemia. 
O motivo alegado pelas empresas para as demissões é o de que houve grande evasão de alunos e inadimplência no período. O presidente da Fespesp, Celso Napolitano, questiona o argumento. Segundo ele, os ambientes virtuais de aulas, no ensino à distância (EAD), estão sobrecarregados de alunos, que se mantiveram nos cursos por causa da possiblidade do EAD e mesmo assim as instituições demitiram professores.
“Há denúncias de aulas on-line com até 400 estudantes, simultaneamente”, ele diz.
Professores relatam que, nas instituições onde trabalham a situação, de fato, não condiz com os argumentos apresentados. Uma das professoras da Universidade Cruzeiro do Sul contou ao Portal da CUT que o número de alunos cresceu mesmo após o início da pandemia do novo coronavírus e o grupo já até inaugurou um novo polo, na cidade de Guarulhos. Já os professores do grupo tiveram redução de até 60% nos salários.
O resultado desse cenário, na prática, é a precarização tanto do ensino, que tem sua qualidade colocada em dúvida, como das condições de trabalho dos professores que ainda estão empregados.
“Durante a pandemia, os professores foram transferidos para o ensino remoto e conseguiram dar conta do trabalho. Refizeram todo o planejamento, reorganizaram suas vidas e suas casas para utilizá-las como ambientes de aulas. E por causa desse trabalho houve menor evasão e inadimplência”, pontua Celso Napolitano.
Para os profissionais que continuaram contratados, além da sobrecarga de trabalho, as instituições impuseram redução na carga horária com a redução de salários. Desta forma os professores, cuja remuneração é ‘hora/aula’, sentiram um impacto financeiro grande e muitos estão com severas dificuldades de se manter, com contas a pagar e enfrentando necessidades.
Demitir os antigos e contratar professores com salários mais baixos e rotatividade alta são outros problemas da categoria. O grupo Laureate, ao comprar as faculdades FMU e Anhembi-Morumbi, decidiu demitir, a médio prazo, todos os professores mais antigos, substituindo-os por profissionais com salários menores.
Celso Napolitano lembra que, por causa da reforma Trabalhista (lei 13.467/2017), não há uma obrigação de uma remuneração de mesmo valor para duas pessoas diferentes que exerçam a mesma função. “Por isso, a estimativa é que um valor que pode se tornar padrão é cerca de R$ 50,00 por hora/aula, não importando, inclusive, qual a formação desse professor, ou seja, se ele tem pós-graduação, doutorado, mestrado ou outras qualificações”, diz.
Com salário barato e a possiblidade de encher uma sala com muitos alunos para um mesmo professor, a carga de trabalho se intensifica.
“Eles têm uma carga de trabalho excessiva e são mal remunerados. Recebem por aula dada e não pelo trabalho de preparação, qualificação e atualização que executam fora dessa aula”. Celso Napolitano ainda relata que professores, com remuneração reduzida, têm que dar aula em várias instituições para conseguirem dar conta de seus compromissos.
“Além do desgaste físico, há o desgaste mental”, pontua o presidente da Fepesp, referindo-se aos danos causados à saúde dos profissionais.
Há casos de professores com depressão, ansiedade e outros sintomas causados pela pressão excessiva, a cobrança de trabalho. “Com esse formato de EAD, o professor perde sua essência, não consegue preparar a aula, de maneira humanizada. É tudo muito subjetivo e isso causa uma frustração muito grande nos profissionais, que têm amor à educação”, diz uma professora da Universidade Cruzeiro do Sul.
Aulas lotadas e qualidade de ensino
Poucos professores têm que atender um número cada vez maior de alunos no sistema EAD. Além de ser causa principal da sobrecarga de trabalho, salas virtuais lotadas também prejudicam os alunos. Não são raras as situações em que uma mesma aula é ministrada para alunos de semestres e até cursos diferentes.
Celso Napolitano afirma que esses alunos têm necessidades e pré-requisitos diferentes para estarem em uma mesma aula e isso coloca a qualidade do ensino em dúvida.
Uma estudante do curso de Gestão de Marcas, da faculdade Anhembi-Morumbi, que prefere não se identificar, também reclama das dificuldades técnicas apresentadas pelo sistema da faculdade e do número excessivo de alunos em uma mesma sala de aula virtual.
“Existe um fórum de discussão em que a gente vê tudo o que outros alunos perguntam e o tutor responde. Mas é difícil achar as informações lá. O grupo de WhatsApp também lotou e não consigo entrar, ou seja, deve ter mais de 260 alunos esse curso”.
Ela ainda diz por causa dessas e outras dificuldades como ter que correr atrás da informação, entender o sistema, o EAD é muito diferente do ensino presencial. “A gente se sente sozinho mesmo e nem sempre dá conta de aprender tudo. O ensino presencial oferece um aproveitamento muito maior porque o professor está lá e acaba avaliando o aluno na hora”, diz.
Na avaliação do presidente da Fepesp, as universidades enxergaram no EAD uma forma de lucrar mais. “Gostaram desse ambiente virtual e estão vendo a oportunidade de colocar mais alunos nas salas e com uma redução brutal de custos”, ele diz, se referindo à demissão de professores.
Um exemplo é a faculdade Nove de Julho, onde também houve demissões de professores. Um dos estudantes do curso de medicina, conta que dois docentes foram demitidos e uma sala foi extinta. “Antes eram quatro salas, agora são três, com um número maior de alunos e sem esses dois professores”, ele diz.
Celso Napolitano diz ainda que esse quadro pode piorar, já que as faculdades estudam diminuir ainda mais o número de professores on-line e substituindo-os por aulas gravadas.
Ele lembra ainda que a qualidade de ensino é a última preocupação das instituições, que são empresas de capital aberto, com ações na bolsa e a qualidade de ensino e, portanto, visam lucro.
“Essas instituições geralmente comandadas por grandes grupos mercantis e fundos de investimento ou por fundos estrangeiros não têm compromisso com qualidade e formação de profissionais de qualidade. O único objetivo é a lucratividade e a remuneração dos investidores”, ele diz.
Mudar é preciso
A Fepesp e sindicatos da categoria estão se articulando com movimentos estudantis para denunciar o estado precário do ensino superior nessas instituições.
Ainda que a estratégia adotada por elas tenha amparo da Lei e aval de órgãos de Estado como Ministério da Educação (MEC) e Conselho Nacional de Educação (CNE), as entidades pretendem agir até mesmo no campo político, por meio de parlamentares, criando condições de barrar a precarização do trabalho e do ensino.
Tendência?
O crescimento do ensino EAD nas universidades, segundo Celso Napolitano tem a “complacência, cumplicidade e conivência” do MEC e do CNE.
“No fim do ano passado eles estabeleceram uma norma que permite um total de 40% das aulas no formato EAD e o restante, de 60%, presencial e sem nenhum controle desses órgãos, que deveriam zelar pelo ensino”, ele diz.
CITAÇÃO: Essas ações das instituições podem ser legais, do ponto de vista da legislação, mas jamais serão morais
Assim como para o teletrabalho, ainda não há uma regulamentação pra a categoria no que diz respeito aos direitos dos professores que trabalham com o EAD.
Enquanto isso, professores reclamam e lamentam que o lucro das instituições venha da exploração de trabalhadores da educação que ganham salários baixíssimos.
A professora que deu seu depoimento ao Portal CUT, que preferiu não se identificar temendo retaliações da instituição onde trabalha diz também que “o sonho do brasileiro é mudar de vida e é triste ver que essas instituições se aproveitam desse sonho, explorando esses brasileiros economicamente”.

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Secretária de Educação diz que alunos foram consultados sobre aulas a distância em BH

Secretária de Educação diz que alunos foram consultados sobre aulas a distância em BH | Inovação Educacional | Scoop.it
Escolas teriam questionado ainda se na casa dos estudantes teriam pessoas alfabetizadas para ajudar no aprendizado  
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Pandemia pode ser oportunidade para transformar a educação

Pandemia pode ser oportunidade para transformar a educação | Inovação Educacional | Scoop.it
Pesquisa realizada pela área de Inteligência de Mercado da Globo mostra quais são as dificuldades e expectativas dos jovens em relação à vida acadêmica
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Ensino a distância estimula pessoas a voltarem às aulas na pandemia

Procura por essa modalidade de educação quase triplicou durante a crise provocada pelo surto de covid-19. Especialista diz que preconceito contra EAD está diminuindo.
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Crise pandêmica acelera transformações que já estavam em curso. Entrevista especial com Victor Ximenes Marques

Crise pandêmica acelera transformações que já estavam em curso. Entrevista especial com Victor Ximenes Marques | Inovação Educacional | Scoop.it
Para o professor, essa é a característica central da experiência global com a covid-19, pois é nisso que reside o aspecto multidimensional no estado de crises que vivemos
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Publications - PISA

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The OECD Programme for International Student Assessment (PISA) examines what students know in reading, mathematics and science, and what they can do with what they know. It provides the most comprehensive and rigorous international assessment of student learning outcomes to date. Results from PISA indicate the quality and equity of learning outcomes attained around the world, and allow educators and policy makers to learn from the policies and practices applied in other countries. This is one of six volumes that present the results of the PISA 2018 survey, the seventh round of the triennial assessment. Volume V, Effective Policies, Successful Schools, analyses schools and school systems and their relationship with education outcomes more generally. The volume covers school governance, selecting and grouping students, and the human, financial, educational and time resources allocated to teaching and learning. Trends in these indicators are examined when comparable data are available.
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Transformação digital na Educação: 5 tendências para 2022

Transformação digital na Educação: 5 tendências para 2022 | Inovação Educacional | Scoop.it

Escolas conectadas, ensino híbrido, personalização do aprendizado e novos papéis para o professor: essas são algumas das tendências da transformação digital na educação levantadas na Humus Connect, evento que contou com grandes nomes da área para falar sobre inovação na área.
Realizado pela Humus, consultoria dedicada ao desenvolvimento de profissionais de Instituições de Ensino, o evento trouxe a visão de 31 especialistas sobre como a transformação digital vai impactar a educação nos próximos anos.
Assistimos todas as palestras e trouxemos para você as principais tendências que serão vistas nas salas de aula. Acompanhe-nos nesta viagem ao futuro!

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