Alvo de fusão, Estácio muda comando | tablets | Scoop.it
Em meio a questionamentos sobre sua gestão e pressão nas negociações de uma eventual fusão com as concorrentes Kroton ou Ser Educacional, a Estácio mudou seu comando. Rogério Melzi deixou a presidência da companhia carioca, cargo que ocupava há oito anos, e foi substituído de forma interina por Chaim Zaher.

Dono de uma fatia de quase 13% da Estácio, Chaim deixou o comitê de conselheiros que está tratando da fusão e a presidência do Grupo SEB a fim de evitar conflitos de interesse. A companhia carioca anunciou ainda um enxugamento da diretoria executiva, que passa de sete para cinco membros. Além de Melzi, o executivo Virgílio Gibbon, que era diretor financeiro e de relações com investidores até abril e desde então ocupava a diretoria de operações, também deixou a Estácio.

Gibbon foi substituído por Pedro Thompson, nome indicado pelo novo conselho da Estácio, que tomou posse no mês passado. Essa troca de executivos foi a primeira sinalização das mudanças pretendidas pelos conselheiros. "Nossa missão é buscar eficiência operacional. Pode ter havido críticas quanto à estratégia adotada baseada em aquisições pequenas ou outras medidas, mas estamos aqui para mudar o que for preciso", diz João Cox Neto, presidente do conselho da Estácio. "É importante pontuar que a companhia não está numa situação ruim, é geradora de caixa, mas pode melhorar", complementa Líbano Barroso, conselheiro da Estácio. Ambos compõe o comitê criado para tratar das propostas de fusão. "Não vejo conflito de interesse no fato do Chaim ser presidente interino e acionista. Ao contrário, acho que ele tem todo interesse em encontrar o melhor caminho para a companhia", diz Cox. A posição de Chaim nas propostas de fusão continua relevante, mas ainda não se sabe para qual lado ele seguirá.

Já Melzi que, estava com relacionamento desgastado com investidores e conselho, se posicionou totalmente contrário à transação com a Kroton e os últimos 15 dias (a proposta de fusão foi feita em 1º junho) foram decisivos para tomada de decisão de sua saída da companhia. Melzi sabia que numa eventual fusão com a líder do setor perderia o posto, mas havia uma expectativa de que caso o negócio fosse fechado com a Ser Educacional, que é três vezes menor, pudesse vir ser o presidente da nova companhia combinada. Mas há alguns dias ficou claro que o comando viria dos quadros da Ser Educacional, cujo fundador Janguiê Diniz seria o maior acionista, com uma fatia de 22%, e portanto com poder para indicar o nome do presidente executivo.

A relação de Chaim com Melzi e Eduardo Alcalay, ex-presidente do conselho da Estácio, não era das melhores há algum tempo. O empresário, que se tornou o maior acionista individual da Estácio ao vender a UniSEB em 2013, queria liderar o conselho e não achava justo Alcalay, sócio do GP Investimentos, continuar à frente do conselho, uma vez que o GP vendeu sua participação em 2013, justamente para Chaim.

Questionado se a redução na estrutura corporativa e a nomeação de Chaim como presidente interino não seriam sinais de que a companhia carioca caminha para uma fusão, o presidente do conselho da Estácio negou que essa seja a intenção. Cox destacou que o comitê de conselheiros foi criado para isolar a companhia das tratativas de uma eventual fusão e que o objetivo é buscar valor para a companhia. Ainda de acordo com ele, a escolha do nome de Chaim para a presidência deve-se a sua experiência no setor de educação e disponibilidade para assumir o posto.

Via Luciano Sathler