Sophia
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Em redor dos dias tecidos pelas palavras da claridade
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Bibliotecer: A Poesia em si

Bibliotecer: A Poesia em si | Sophia | Scoop.it

"Olho para a ânfora igual a todas as outras ânforas, a ânfora inumeravelmente repetida mas que nenhuma repetição pode aviltar porque nela existe um princípio incorruptível.
Porém, lá fora, na rua, sob o peso do mesmo sol, outras coisas me são oferecidas. Coisas diferentes. Não têm nada de comum nem comigo nem com o sol. Vêm de um mundo onde a aliança foi quebrada. Mundo que não está religado nem ao sol nem à lua, nem a Ísis, nem a Deméter, nem aos astros, nem ao eterno. Mundo que pode ser um habitat mas não é um reino.

O reino agora é só aquele que cada um por si mesmo encontra e conquista, a aliança que cada um tece. Este é o reino que buscamos nas praias de mar verde, no azul suspenso da noite, na pureza a cal, na pequena pedra polida, no perfume do orégão. Semelhante o corpo de Orpheu dilacerado pelas fúrias este reino está dividido. Nós procuramos reuni-lo, procuramos a sua unidade, vamos de coisa em coisa.

É por isso que eu levo a ânfora de barro pálido e ela é para mim preciosa. Ponho-a sobre o muro em frente do mar. Ela é ali a nova imagem da minha aliança com as coisas. Aliança ameaçada. Reino que com paixão encontro, reúno, edifico. Reino vulnerável. Companheiro mortal da eternidade." (1)

(No dia da Poesia, o perfume impressivo da claridade que tanto procuramos na compreensão do possível onde se fragmentam os nossos passos de sol nas ondas de azul. Nos lugares onde ambicionamos a substância de um encontro real, a voz dos nossos precários desejos. Ela foi, é a Poesia pelas possibilidades que nos deu de saber olhar e com ele construir a própria linguagem, o seu reino.)

 

(1) Sophia, in "Arte Poética 1"

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As palavras no real

As palavras no real | Sophia | Scoop.it

Iremos juntos sozinhos pela areia

Embalados no dia

Colhendo as algas roxas e os corais

Que na praia deixou a maré cheia.

 

As palavras que disseres e que eu disser

Serão somente as palavras que há nas coisas

Virás comigo desumanamente

Como vêm as ondas com o vento.

 

O belo dia liso como um linho

Interminável será sem um defeito

Cheio de imagens e conhecimento.

 

Sophia, "Iremos juntos sozinhos pela areia", in No Tempo Dividido

Imagem: (via http://iloverainandcoffee.tumblr.com/post/22205090350/wasbella102-sommervergnugen-anders-zorn-1886)

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http://paisagenstecidas.blogspot.pt/2012/03/na-respiracao-do-ar.html

http://paisagenstecidas.blogspot.pt/2012/03/na-respiracao-do-ar.html | Sophia | Scoop.it

Nos gestos possíveis e imaginados pelas paisagens descobertas do olhar.

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Filme Sophia de Mello Breyner Andresen - Parte 1 de 2

"A coisa mais antiga de que me lembro é de um quarto em frente do mar dentro do qual estava poisada em cima de uma mesa uma maçã enorme e vermelha. Do brilho do mar e do vermelho da maçã ergui a sua felicidade irrecusável, nua e inteira. Não era nada de fantástico, não era nada de imaginário. Era a própria presença do real que eu descobria. Mais tarde a obra de outros artistas veio confirmar a objectividade do meu próprio olhar. Em Homero reconheci que essa felicidade nua e inteira, esse esplendor da presença das coisas. A obra de arte faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida." 

 

Filme Sophia de Mello Breyner Andresen de J. César Monteiro, 1970.  

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O olhar de Ulisses - TSF

O olhar de Ulisses - TSF | Sophia | Scoop.it
Um grande cineasta morre atropelado por uma moto da polícia à porta de casa, em Atenas. Podia ser uma cena de um guião absurdo, é apenas o cenário da morte de Theodoros Angeloupoulos, na Grécia onde o olhar de Ulisses continua perdido.
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http://pt.scribd.com/doc/82736837/Cat-1A

Construção de um Catálogo Documental sobre Sophia.

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E ela dança

E ela dança | Sophia | Scoop.it

"A mim, todavia, ensinou-me o mais importante de tudo: ensinou-me a olhar. Ensinou-me a olhar para as coisas e para as pessoas, ensinou-me a olhar para o tempo, para a noite, para as manhãs. Ensinou-me a a brir os olhos no mar, debaixo de água, para perceber a consistência das rochas, das algas, da areia, de cada gota de água. Ensinou-me a olhar longamente, eternamente, cada pedra da Piazza Navone, em Roma, sentados num café, escutando o silêncio da passagem do tempo. Fez-me mergulhador e viajante, ensinou-me que só o olhar não mente e que todo o real é verdadeiro. Quem ler com atenção, verá que esta é a moral que atravessa toda a sua escrita".

 

           Miguel Sousa Tavares, Público, 12 de Junho de 1999

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Homenagem a Sophia

Homenagem a Sophia | Sophia | Scoop.it

Para Sophia

 

Musa guardadora de segredos

Vieste à terra

Para nos revelares

Os contornos da Beleza

E a clara medida do Universo.

 

Os teus passos de bailarina

Ecoam no templo de Delfos

E nas constelações da noite

Onde lentamente te deslocas

No antigo silêncio dos astros

 

Enviada da Luz

Para nos encheres os dias

Com o teu canto de cítara

E o desmedido mar

Onde espraias

Os teus poemas de espuma

E de Infinito

 

(Helena Maleiro, in O Enigma de Sophia)

 

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O JARDIM ASSOMBRADO: AS CASAS, 3

O JARDIM ASSOMBRADO: AS CASAS, 3 | Sophia | Scoop.it

As casas brancas, frente ao mar azul, uma das ideias que passam regularmente pelos sonhos de claridade com que o real se procura vestir, nas palavras de Sophia.

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Um olhar

Um olhar | Sophia | Scoop.it

Sophia, simplicidade envolvendo conhecimento, beleza e sensibilidade ao serviço do nosso olhar humano, sempre com o deslumbramento que os antigos gregos deixaram, na eterna curiosidade pela palavra, capaz de organizar um mundo de consciência, de descoberta, mas também de campos de felicidade. Quando no mar andamos, entre o vento e a luz e nos abrigamos em ilhas de luz caiadas de branco são ainda pelos seus olhos de poetisa que caminhamos em palavras fora de qualquer tempo.

 

Promessa

És tua a Primavera que eu esperava,

A vida multiplicada e brilhante,

Em que é pleno e perfeito cada instante.

 

Nevoeiro

A minha esperança mora

No vento e nas sereias

É o azul fantástico da aurora

E o lírio das areias.

 

IV

Sonhei com lúcidos delírios

À luz de um puro amanhecer

Numa planície onde crescem lírios

E há regatos cantantes a correr. 

 

                                                                Sophia, in Dia do mar

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Dos cadernos de Sophia

Dos cadernos de Sophia | Sophia | Scoop.it

«As imagens eram próximas
Como coladas sobre os olhos
O que nos dava um rosto justo e liso
Os gestos circulavam sem choque nem ruído
As estrelas eram maduras como frutos
E os homens eram bons sem dar por isso(...)» (1)

 

A Grécia e a sua cultura lançou-nos uma imensa luz sobre o conhecimento humano em explosão de formas, cores e possibilidades. A Grécia influenciou muito as palavras de Sophia. Os seus cadernos revelam-nos a simplicidade pelos braços, onde os deuses deram corpo a sonhos e viagens com que nos maravilhamos num real entre o caos e a claridade

 

(1) Espólio de Sophia, da Exposição da BN

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A Árvore de Sophia Mello Breyner Andresen (homenagem)

Reconto eminentemente visual do conto que dá o nome ao livro de Sophia de Mello Breyner Andresen. Participação no "BiblioFilmes: Livros, Bibliotecas, Acção!"...
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Palavras Tecidas (Blogue das Bibliotecas do Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado): Em redor de Sophia

Palavras Tecidas (Blogue das Bibliotecas do Agrupamento de Escolas Dr. Ginestal Machado): Em redor de Sophia | Sophia | Scoop.it

Exposição de 2011 por onde generosamente a família abriu o espólio da autora e dos seus materiais manuscritos, apontamentos e fotografias.

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Entre os outros

Entre os outros | Sophia | Scoop.it

"Porque será que não há ninguém no mundo

Só encontrei distância e mar

Sempre sem corpo os nomes ao soar

E todos a contarem o futuro

Como se fosse o único presente

Olhos criavam outras as imagens

 

Quebrando em dois o amor insuficiente

Eu nunca pedi nada porque era

Completa a minha esperança".

 

Sophia, "VI", in No Tempo Dividido, Caminho, Obra Poética

Imagem, Qin Yongjun, Dali, Yunnan Province (China)

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Cìclades ou as palavras para Pessoa

Cìclades ou as palavras para Pessoa | Sophia | Scoop.it

"(...) Onde ainda no mármore das mesas 

Buscamos o rastro frio das tuas mãos

- O imperceptível dedilhar das tuas mãos (...)

 

Com meticulosa exactidão desenhaste os mapas

Das múltiplas navegações da tua ausência (...)

E tinhas muitos rostos

Para que não sendo ninguém dissesses tudo

Viajavas no avesso no inverso no adverso (...)

 

E celebro a tua chegada às ilhas onde jamais vieste

Estes são os arquipélagos que derivam ao longo do teu rosto

Estes são os rápidos golfinhos da tua alegria (...)

 

aqui brilha o azul respiração das coisas

Nas praias onde há um espelho voltado para o mar (...)

 

Como se o teu navio te esperasse em Thasos

Como se Penélope

Nos seus quartos altos

Entre seus cabelos te fiasse"

 

 

Sophia, in O Nome das Coisas

 

(Imagem,  via http://bearmountains.tumblr.com/) 

 

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Da Poesia

Da Poesia | Sophia | Scoop.it

"Pois a poesia é aminha explicação com o universo, a minha convivência com as coisas, a minha participação no real, o meu encontro com as vozes e as imagens. Por isso o poema fala não de uma vida ideal mas sim de uma vida concreta: ângulo da janela. ressonância das ruas, das cidades e dos quartos, sombra dos muros, aparição dos rostos, silêncio, distância e brilho das estrelas, respiração da noite, perfume de tília e do orégão."

 

Sophia, "Arte Poética II", in Obra Poética III, pág. 95

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Em Todos os Jardins

Em Todos os Jardins | Sophia | Scoop.it

Em todos os jardins hei-de florir,

Em todos beberei a lua cheia.

Quando enfim no meu fim eu possuir

Todas as praias onde o mar ondeia.

 

 

Um dia serei eu o mar e a sereia,

A tudo quanto existe me hei-de unir,

E o meu sangue arrasta em cada veia

Esse abraço que um dia se há-de abrir.

 

Então receberei no meu desejo

Todo o fogo que habita na floresta

Conhecido por mim como um beijo.

 

Então serei o ritmo das paisagens,

A secreta abundância dessa festa

Que eu via prometida nas imagens.

 

Sophia, De Mar (Antologia), Caminho 

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Da poesia de Sophia

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"Toda a obra de Sophia de Mello Breyner Andresen é uma incessante busca da "inteireza" das coisas, dos seres e do universo. Incessante navegação de procura e de descoberta de si e do Outro, numa permanente tentativa de se explicar e de explicar o mistério do mundo  que a rodeia, avançando pelo mar adentro como quem avança pela alma, numa viagem   horizontal que se transforma quase sempre em viagem vertical, mítica viagem de conhecimento e de procura da unidade perdida dentro e fora de si, para chegar à essência do Ser."

 

Helena Malheiro, O Enigma de Sophia, página 20

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A Minha Primeira Sophia

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"Há florestas de algas, jardins de anémonas, prados de conchas. Há cavalos marinhos suspensos na água com um ar espantado, como pontos de interrogação. Há flores que parecem animais e animais que parecem flores. Agora já sei o que é a terra. Agora já sei o que é o sabor da Primavera, do Verão e do Outono. Já sei o que é o sabor dos frutos. Já sei o que é a frescura das árvores. Já sei como é o calor de uma montanha ao sol. Leva-me a ver a terra. Eu quero ir ver a terra. Há tantas coisas que eu não sei."

 

(in Fernando Pinto do Amaral, A Minha Primeira Sophia)

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Paisagens Tecidas: Com as palavras de Sophia

Paisagens Tecidas: Com as palavras de Sophia | Sophia | Scoop.it

Apresentando as palavras de encantamento pelo real, que Sophia nos deu.

 

"(...) mostrai-me as anémonas, as medusas e os corais

Do fundo do mar

Eu nasci há um instante."

Sophia, "Gráfico", in Coral , Caminho

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Maria Bethânia - Poema Azul

Do album Mar de Sophia, Maria Bethânia nos agracia com esse lindo poema de Sophia de Mello Breyner.
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Amanhecer na claridade do dia

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Iremos juntos sozinhos pela areia

Embalados no dia

Colhendo as algas roxas e os corais

Que na praia deixou a maré cheia.

 

 

 

As palavras que disseres e que eu disser

Serão somente as palavras que há nas coisas

Virás comigo desumanamente

Como vêm as ondas com o vento.

 

O belo dia liso como um linho

Interminável sem um defeito

Cheio de imagens e de conhecimento.

 

in, No tempo Dividido

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