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Dinheiro para uma revolução


Em 1999, o americano Shawn Fanning, então um universitário de 18 anos, criou o Napster, serviço que permitia que pessoas trocassem arquivos de músicas entre si, pela internet, em vez de comprar CDs. Acuado por processos judiciais, o Napster durou apenas dois anos, mas seu legado, a tecnologia P2P ("peer to peer", em inglês, equivalente, basicamente, a cooperação entre pessoas com os mesmos interesses), sobreviveu em outros serviços de "torrent", como Kazaa, eMule e BitTorrent, que acabaram fazendo da troca de arquivos (músicas, filmes, livros, qualquer coisa) um hábito comum na internet.

Satoshi Nakamoto é candidato ao posto de Fanning. Com o mesmo princípio de troca de arquivos do Napster, sua criação, o bitcoin, é hoje a moeda digital de maior aceitação. Pizzarias nos Estados Unidos, bares na Alemanha e pequenos serviços no Brasil, além de uma infinidade de opções na internet, já recebem o dinheiro eletrônico como forma de pagamento. Um bitcoin chegou a valer US$ 256 (R$ 581) em abril, no auge de uma bolha especulativa.

Há resistências, especialmente por parte de órgãos reguladores americanos, à expansão das transações com moedas virtuais. Mas também há iniciativas com que se pretende validar essa espécie de dinheiro alternativo, como a dos irmãos Cameron e Tyler Winkle - conhecidos por terem processado Mark Zuckerberg, a quem acusam de lhes ter roubado a ideia do Facebook -, que na semana passada deram entrada a pedido de autorização, junto a órgãos reguladores americanos, para criarem um fundo de investimentos lastreado em bitcoins. Calcula-se que eles possuam US$ 11 milhões em bitcoins. E a maior corretora de bitcoins do mundo, a japonesa Mt.Gox, apresentou ao Departamento do Tesouro dos EUA pedido de registro como empresa de serviços financeiros, para submeter-se, assim, à legislação sobre lavagem de dinheiro.

"O bitcoin libera o dinheiro mais do que o Napster liberou a música", diz o inglês Amir Taaki, de 25 anos, um dos programadores que trabalhou na melhoria do código do bitcoin a convite de Nakamoto. "É uma ferramenta de revolução. As pessoas fazem negócios diretamente umas com as outras, sem impostos ou taxas de bancos."

Dinheiro digital não é uma novidade. Há dez anos, dólares linden circulam no mundo virtual Second Life. Na China, milhões de pessoas compram no comércio com os QQ coins, do gigante de internet Tencent. No entanto, assim como os créditos do Facebook e alguns programas de pontos, como o dotz, sempre há alguma empresa no controle. A diferença para o bitcon, que Nakamoto criou em 2009, é sua essência anárquica. Não há banco central ou governos envolvidos. O mercado é livre.

Trata-se de códigos, transmitidos diretamente de usuário para usuário. Uma forma de obter bitcoins é participar da sua "mineração", baixando um software e cedendo processamento do computador para ajudar a decifrar um bloco de códigos. Quem decifra primeiro o enigma recebe um lote de 25 bitcoins (equivalentes a R$ 5 mil, pela cotação média dos últimos 30 dias). Também é possível comprar de outra pessoa ou em corretoras que negociam a moeda virtual.

O dinheiro fica guardado em uma carteira virtual, seja numa corretora ou no próprio computador do usuário. Como as notas em papel, cada bitcoin tem um código que o identifica como verdadeiro. Quando alguém quer vender, negocia direto com o comprador e o bitcoin sai da carteira de um para a do outro assim que o pagamento é confirmado. Cada operação é registrada em um livro-caixa virtual, que é aberto, para evitar fraudes, mas compradores e vendedores permanecem anônimos.

Criar algo assim era o que os "cyberpunks" (algo como punks fãs da criptografia) buscavam nos primeiros anos da internet: um dinheiro virtual confiável, impossível de rastrear, livre para circular em um mundo conectado e sem controle de governos ou taxas bancárias. Nos anos 1990, surgiu o ecash, que até hoje é usado. Houve ainda o bit gold, o b-money e o RPOW. Todas as iniciativas fracassavam, no entanto, em resolver o problema do "duplo gasto". Se o dinheiro virtual é só um arquivo, como impedir que seja copiado e usado infinitas vezes sem alguém no controle?

Em janeiro de 2009, quando a moeda surgiu, 10 mil bitcoins, que hoje valem R$ 2 milhões, serviam para comprar uma pizza

Nakamoto surgiu com a solução: uma rede de computadores produzindo bitcoins sem interferência de ninguém e um livro-caixa que elimina a necessidade de uma autoridade: todos podem consultá-lo e saber a situação de cada arquivo negociado. Ninguém havia ouvido falar dele até que, em 2008, publicou numa lista de e-mails sobre criptografia um artigo com os fundamentos do bitcoin. O sobrenome é tão comum no Japão quanto Silva no Brasil. Por isso, ninguém acredita que seja verdadeiro. Nem mesmo seria só uma pessoa e sim a equipe que criou a moeda digital. Ou uma empresa - o Google é sempre citado - interessada numa forma de dinheiro que circule facilmente no mundo todo.

Jornalistas e fãs tentam resolver o mistério. Fóruns sobre o bitcoin interpretam o inglês dos e-mails de Nakamoto em busca de sua nacionalidade.

No caso de ser uma só pessoa, oculta sob pseudônimo, o principal suspeito é Jed McCaleb, criador do serviço de compartilhamento de arquivos eDonkey e ex-dono da corretora japonesa Mt. Gox, que concentra 60% das transações de bitcoins no mundo. McCaleb também é criador do ripple, moeda virtual que muitos consideram uma provável substituta do bitcoin. Outro suspeito, pelas expressões britânicas nos e-mails de Nakamoto, é o irlandês Michael Clear, estudante de ciência da computação do Trinity College, em Dublin. Dois anos atrás, a revista americana "New Yorker" apostou nele.

Um terceiro suspeito, segundo Ted Nelson, criador do termo "hyperlink", é o professor Shinichi Mochizuki, do Instituto de Pesquisa em Ciências Matemáticas da Universidade de Kyoto, no Japão. Em 2009, Mochizuki, um acadêmico excêntrico que escreve apenas no próprio blog, publicou um artigo, "Curvas elípticas aritméticas na posição geral", com os pressupostos teóricos que o bitcoin veio provar. Os dois primeiros negam ser Nakamoto. Mochizuki não respondeu aos pedidos de entrevista.

O primeiro lote de bitcoins foi produzido em 11 de janeiro de 2009. Eram necessários 10 mil bitcoins, que hoje valem R$ 2 milhões, para comprar uma pizza pela internet. Desde então, a moeda passou por duas bolhas especulativas, em 2011 e no primeiro trimestre deste ano. Na última, suspeita-se que tudo começou com o boato de que o governo do Chipre iria congelar contas bancárias para conseguir pagar a dívida do país. Houve uma corrida ao bitcoin por europeus, preocupados com a possibilidade de seus governos fazerem o mesmo. Um bitcoin, que valia US$ 10 em janeiro, chegou a US$ 256 em 4 de abril, quando houve o estouro da bolha. Nos últimos três meses, a cotação de um bitcoin se manteve na faixa entre US$ 100 e US$ 120.

A cada dez minutos, um novo lote de bitcoins é distribuído. São 150 (R$ 30 mil) por hora ou 3,6 mil (R$ 720 mil) por dia. No início, qualquer pessoa com um computador comum podia resolver o enigma e ganhar seu lote da moeda. Hoje, o grosso dos novos bitcoins vai para garimpeiros profissionais e sua grandes máquinas - torres de processadores vendidas por até R$ 50 mil - criadas só para a "mineração". E ainda há a concorrência dos botnets, vírus que fazem computadores trabalharem em rede para ganhar bitcoins.

O planejado é que em 2140 haverá 21 milhões de bitcoins e então a produção cessará. Esse é um aspecto do projeto que empolga economistas. O bitcoin foi criado para ser escasso e imune à inflação. "Não é uma moeda no sentido convencional. É mais como um ativo, como se fosse ouro, uma TV ou qualquer mercadoria", diz Rodrigo Batista, sócio da Mercado Bitcoin, uma das poucas corretoras no Brasil a negociar o dinheiro digital. "Não há uma garantia no mundo real, como no caso do ouro ou qualquer outro metal. Mas o lastro de todo o dinheiro, não só o virtual, é cada vez mais etéreo".

"O mais incrível é que funciona", explica Taaki. "O bitcoin é mais do que dinheiro. É um sistema de contratos." A ideia é mais ou menos o que sustenta qualquer moeda desde que os Estados Unidos renunciaram ao padrão-ouro, que atrelava o dólar às reservas do metal, em 1971. Dinheiro é um contrato em que todos concordam que vale alguma coisa, sem nenhum lastro senão a garantia - e uma série de regras que combatem a volatilidade e a fraude - dos governos e da sociedade de que o portador de determinada quantia tem direito ao equivalente em mercadorias e serviços. O bitcoin retira os governos da equação. A confiança é entre indivíduos, sem intermediários.

O bitcoins é virtual, mas também têm representação física (foto): chegou a valer US$ 256 em abril, no auge de uma bolha especulativa, e hoje se mantém entre US$ 100 e US$ 120
Para Taaki, isso significa "revolução". Fora atacar o Estado, ele vê na moeda a chance de democratizar o acesso ao dinheiro a países em guerras e conflitos. "O PayPal bloqueia o acesso ao seu sistema em mais de 80 países, porque estão em guerra ou são ditaduras. Nossa meta é incluir as pessoas, não bloqueá-las", diz Taaki, enfant terrible da causa bitcoin que vem se tornando conhecido pelas declarações incendiárias. Já sugeriu que o bitcoin deixa a lavagem de dinheiro ao alcance dos cidadãos comuns, não só os mais importantes.

Em Kreuzberg, bairro de Berlim, essa utopia chegou ao mundo real. Fãs de tecnologia e ativistas podem pagar a conta com bitcoins em bares como Room 77. Os pagamentos costumam ser feitos via aplicativos de smartphones. Com 0,2 bitcoin, é possível, por exemplo, comprar um hambúrguer chamado Fidel Castro. "Quase todo dia alguém vem ao bar e paga com bitcoins", diz Joerg Platzer, dono da casa noturna.

Bitcoins também são o que o canadense Taylor More pede em troca de sua casa com vista para as montanhas na província de Alberta. "Minha casa está à venda por bitcoins", comunicou em um anúncio na internet. Ele pede 5.362 bitcoins (algo como R$ 10,6 milhões, pela cotação média do bitcoin nos últimos 30 dias). "Espero que seja o primeiro imóvel vendido com bitcoins. Isso talvez ajude a moeda a ser mais aceita", diz More.

Em abril, um americano, morador do Texas, vendeu seu Porsche por 300 bitcoins (R$ 60 mil). No início do mês, foi a vez de um casal de americanos pagar com a moeda a clínica que congelou seus embriões.

Além de Satoshi Nakamoto, que, especula-se, possui US$ 300 milhões em bitcoins, outros nomes têm-se se destacado no mercado da moeda virtual, nos últimos tempos, com apostas de vulto em suas perspectivas. É o caso dos irmãos Cameron e Tyler Winklevoss, com seus presumidos US$ 11 milhões em bitcoins, adquiridos quando cada unidade valia US$ 7. Pretendem agora criar um fundo de investimentos lastreado em bitcoins, para venda de cotas de participação. Peter Thiel, co-fundador do PayPal, lidera um grupo de investidores que pôs dinheiro no BitPay, serviço de pagamentos em bitcoins.

Essa investida de grandes interesses no mercado de bitcoins, que já vale US$ 1,3 bilhão, segundo estimativas, desafia sua essência anarquista. "Se poucas pessoas controlarem a maior parte dos bitcoins, isso tiraria da moeda [provavelmente supervalorizada e submetida a circulação restrita] a liberdade de oscilar", diz Batista, da Mercado Bitcoin. Seria o contrário do que se espera do dinheiro."

Se a maioria das pessoas pode ver tudo isso como um experimento econômico interessante ou ficção científica, para os governos é perturbador. Quando os Estados Unidos tentaram fechar o site Wikileaks, após o vazamento de informações sobre a guerra no Iraque, em 2010, e os bancos e empresas de cartões de crédito aceitaram não repassar dinheiro para Julian Assange, doações em bitcoins permitiram a sobrevivência do site. Grupos de hackers como o LulzSec, que vaza informações de governos, bancos e corporações, também se financiam com bitcoins.

Numa situação-limite, o bitcoin põe em xeque a capacidade de Estados se financiarem. Sem o controle do dinheiro, não há como cobrar impostos. Ou fazer guerras. E também não há como oferecer serviços. A reação, nos Estados Unidos, é ver o bitcoin como uma ameaça. O FBI cita o risco de a moeda ser usada na lavagem de dinheiro. No Silk Road, um mercado on-line situado na "deep web" - endereços na internet que não aparecem nas buscas de serviços como o Google -, drogas são negociadas livremente. Os preços estão em bitcoin e as transações são anônimas. Bitcoins também são a forma de pagamento mais aceita nos sites que oferecem todo tipo de crimes: de senhas roubadas do PayPal a assassinatos por encomenda.

Os irmãos Cameron e Tyler Winklevoss, donos de presumidos US$ 11 milhões em bitcoins, pretendem instituir um fundo de investimentos lastreados na moeda virtual
"As redes internacionais estão infestadas de hackers e crackers e, assim como no mercado futuro de derivativos ou na área de saúde hospitalar, há 'lixo tóxico' no sistema", explica o professor Gilson Schwartz, da Escola de Comunicação e Artes da USP. Em sua opinião, governos deveriam combater os crimes sem combater o bitcoin, cujo caráter libertário elogia.

É o sinal dado pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC), dos EUA, que estuda aplicar regras ao bitcoin. Mesmo que um integrante da comissão tenha chamado a moeda de "dinheiro das sombras", a regulação seria uma forma de reconhecimento da importância do dinheiro digital e afastaria parte dos criminosos.

Ainda não se falou nos ladrões. Ataques a serviços de armazenamento de carteiras virtuais aumentam no ritmo da valorização dos bitcoins. Vírus, se instalados no computador, roubam as carteiras virtuais, transferindo-as para outras pessoas, que permanecem anônimas. É possível acompanhar essas transações, mas a identidade dos ladrões permanece desconhecida.

"Quando você tem uma moeda altamente valiosa, completamente virtual e impossível de rastrear, naturalmente haverá roubos", admite Mikko Hypponen, pesquisador-chefe da empresa F-Secure e especialista em segurança na internet. "Se eu roubo uma carteira de bitcoins, não há maneira de o dono recuperar seu dinheiro. É como roubar dinheiro vivo." As falhas de segurança, ele acredita, acabarão resolvidas. O importante é que o código bitcoin em si até hoje não foi quebrado. "Minha aposta é de que as criptomoedas serão um sucesso".

No fim de março, o Mercado Bitcoin, principal serviço brasileiro de armazenamento de bitcoins, registrou o primeiro roubo no país. A empresa, que conta com cerca de 2 mil clientes, só voltou a operar em 7 de junho. Garantiu a devolução dos bitcoins a seus donos e anunciou a entrada de novos sócios no negócio. Em geral, as corretoras devolvem apenas uma parte do dinheiro roubado.

Mesmo o anonimato das transações não é totalmente garantido. Em 2011, investigando um roubo de 25 mil bitcoins, Fergal Reid e Martin Harrigan, pesquisadores da Universidade College Dublin, cruzaram dados e descobriram o ladrão. Reid e Harrigan mapearam redes de usuários e de transações e, usando outras informações, como doações feitas em bitcoins a um grupo anarquista e ao site Wikileaks, descobriram que tanto o ladrão como a vítima faziam parte do mesmo fórum. "O bitcoin não é inerentemente anônimo. É possível fazer transações de modo a esconder identidades, mas em muitos casos usuários e suas transações podem ser identificados", garante Reid.

Recentemente, o investidor Warren Buffet disse que não poria um centavo de sua fortuna na moeda. Paul Krugman, ganhador do Nobel de Economia, assegura que o furor em torno do bitcoin serviu de lição sobre como as pessoas têm concepções equivocadas em relação ao dinheiro. "Em especial, sobre como se deixam enganar devido a seu desejo de divorciar o valor do dinheiro da sociedade à qual o dinheiro serve", escreveu em sua coluna no "New York Times".

Mesmo que venha a durar, o bitcoin pode simplesmente ser substituído por uma versão mais avançada. Ideias não faltam. Moedas como a litecoin e o ripple, criadas a partir do código bitcoin, resolvem alguns problemas, como a quantidade limitada da moeda. Mas até os críticos reconhecem: o bitcoin valer algo já é um sucesso.

12.07.13
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Confira a lista que preparamos com 49 ferramentas de marketing digital que vão facilitar seu trabalho no mundo digital! Acesse e descubra todas!
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Lo esencial de la educación basada en competencias no son, a mi modesto entender, las competencias en sí mismas, sino el enfoque global de la enseñanza que implica en diversas dimensiones críticas: el rol del profesor y el alumno; el aprendizaje dentro y fuera de la escuela; el papel esencial de la evaluación y, cómo no, el enfoque basado en el dominio o mastery learning. Para ver las relaciones entre estos aspectos, te sugiero estudiar esta entrada anterior del blog. También esta otra en la que reflexiono sobre las diferencias entre muchos de estos aspectos, en particular las diferencia entre estándares, objetivos, competencias y enseñanza para el dominio.


Via Gumersindo Fernández, Wilmer Ramírez
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Cientificos estadouindenses crearon un pez rebótico denominado SoFi, que tiene por objetivo proteger la vida marina que corre peligro debido al cambio climático.

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Quick Capture, para capturar, subir, editar y compartir capturas de pantalla

Si trabajáis frente a un ordenador estaréis acostumbrados a tener que crear y enviar capturas de pantalla con frecuencia, algo que puede llegar a resultar pesado si no contamos con las herramientas necesarias. Recientemente nos ha llamado la atención Quick Capture, una sencilla extensión que nos permite capturar, subir, editar y compartir capturas de pantalla…

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10 gestores de referencias bibliográficas a tener en cuenta para tus trabajos

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Hoy quiero ir un poco más allá y mostraros algunos de los muchos gestores de referencias bibliográficas que debes tener en cuenta y que te pueden ser de muchísima utilidad para facilitar y agilizar tu trabajo en cuanto a la generación de citas.

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Plataforma para gravar aula apoia criação de trilhas de formação continuada

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Veja como a Kanttum pode ajudar a formação continuada e o trabalho de observação de aula
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Wakelet. Outil de curation pour collecter et partager du contenu

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Wakelet est un excellent outil de curation qui permet de collecter facilement tout type de contenu numérique, de l’éditer puis de le partager avec un groupe ou avec la terre entière.

Via Elena Pérez, Juergen Wagner
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Why Apple struggles to get more iPads in schools - CNN

Why Apple struggles to get more iPads in schools - CNN | Cibereducação | Scoop.it
Apple wants kids to be creative on iPads, but schools want keyboards and lower price tags.

Via Elaine J Roberts, Ph.D., John Evans, Juergen Wagner
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Elaine J Roberts, Ph.D.'s curator insight, March 30, 12:07 PM

 

". . .schools want keyboards and lower price tags." Yep, this article prompted this blog post: http://www.learning-next.com/2018/03/apple-ipad-challenges-more-than-cost.html

 

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April Pinterest Trends: What to Pin in April

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Wondering what to pin in April? Get all the scoop on April Pinterest trends so that you'll know what to pin this month on the Simple Pin Podcast

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Realidad Aumentada y Realidad Virtual en la educación

Realidad Aumentada y Realidad Virtual en la educación | Cibereducação | Scoop.it
Los conceptos de Realidad Aumentada (RA) y Realidad Virtual (RV) están siendo utilizados cada vez más en el campo de la educación. Aunque la implementación de estas tendencias es muy reciente dentro del sistema educativo, se ha comprobado los efectos positivos en el aprendizaje. Sin embargo, estamos en una etapa aún exploratoria y son más …

Via Javier Sánchez Bolado, Patricia Hidalgo Murciano
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31 Surprising Facts About Learning

31 Surprising Facts About Learning | Cibereducação | Scoop.it
31 Surprising Facts About Learning: simulations, video games, the role of play, informal learning

Via Ove Christensen
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6 top tips to design effective Instructional Videos

6 top tips to design effective Instructional Videos | Cibereducação | Scoop.it

There are a number of factors that contribute to the design and development of effective learning videos. In keeping with cognitive learning theories, video text, images, animation, and audio content should be designed to minimize cognitive load:

 

Segment (chunk) content carefully.When providing tutorials, use a first-person rather than a third-person perspective.Provide both spoken narration and related imagery/action. (However, for accessibility provide a means for the learner to access the text of the narration.) Use a conversational tone in the narration.Provide advance organizers and other visual and verbal cues to assist learners in schema creation.Associate content with emotion (positive or negative) to increase motivation and retention.Give the user control by including interactive tools for searching and navigation. Doing so improves both learner performance and satisfaction (Zhang, Zhou, Briggs, & Nunamaker, 2006).
Via Edumorfosis
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David W. Deeds's curator insight, March 25, 2:57 AM

Thanks to Jim Lerman.

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What's the difference between Artificial Intelligence, Machine Learning and Deep Learning?

What's the difference between Artificial Intelligence, Machine Learning and Deep Learning? | Cibereducação | Scoop.it

Artificial Intelligence, Machine Learning, Deep Learning… You hear these buzzwords almost every day but what is their actual meaning? Are these terms related and overlapping? What’s the technology behind it? And what are their applications in the geospatial industry?


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DriveMail: When Students Do Not Have Email

DriveMail: When Students Do Not Have Email | Cibereducação | Scoop.it
When students do not have Gmail account but are G Suite users how do you send them feedback comments? Try DriveMail to send to a Google Doc.

Via Skip Zalneraitis
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5 powerful video screen capture tools for teachers

5 powerful video screen capture tools for teachers | Cibereducação | Scoop.it
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Los robots ya trabajan en equipo

Los robots ya trabajan en equipo | Cibereducação | Scoop.it
Frente a las visiones de una industria totalmente automatizada, donde la mano de obra es desplazada por completo por las máquinas, empieza a imponerse una nueva tendencia en la que los robots salen de las zonas de producción donde estaban recluidos para trabajar en equipo con los humanos.

Via Fernando de la Cruz Naranjo Grisales
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5 razones para escribir mi tesis doctoral con Scrivener –

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En estos días estoy acabando el primer borrador de mi tesis. Si la cosa no cambia, me gustaría depositarla a finales de año para poder defenderla durante el primer trimestre de 2015. Un camino que,…

Via Ramon Aragon
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Melhor banco de imagens gratuito e pago: testamos 115 opções

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Procurando o melhor banco de imagens para o seu blog ou site? Veja uma lista com 115 opções e descubra qual o melhor entre os gratuitos e os pagos.
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Don’t forget, Instructional Design is about problem solving

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Can you fix my computer?" This simple question (or a similar one) has most likely been asked of every instructional designer (ID), indicating a misalignment about what IDs do and what others think they actually do. This confusion is nothing new, but what seems to be different now is that those of us in the field may have bought into the confusion — or are helping sustain the misunderstanding because we have lost our way or forgotten where we came from.

In this blog we offer a quick refresher on the origins of instructional design, which is especially valuable because the demand for what we do is increasing. As Kyle Peck reminds us, "a 'perfect storm' of forces both within and outside education are about to accelerate the evolution of learning and learning design, increasing the demand for well-prepared learning designers, learning-related tool builders, and learning-related researchers."


Via Edumorfosis, Javier Sánchez Bolado, juandoming
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Kristi Newgarden's curator insight, April 5, 10:41 AM

Faculty can use Instructional Designers to solve learning and teaching problems, while relying on IT to solve problems with technologies.

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Cómo descubrir todo lo que Facebook sabe sobre ti en tres sencillos pasos

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El escándalo que envuelve a Cambridge Analytica y Facebook a raíz de la utilización sin permiso de información de los usuarios despertó el interés por saber qué tipo de datos están almacenados en la red social.

Via Gumersindo Fernández
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Brands just can't seem to quit Facebook | Digital - Ad Age

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Of the top 1,000 ad spenders on Facebook, only seven ceased buying ads after reports of a massive privacy breach.

Via THE OFFICIAL ANDREASCY
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Use a Whiteboard in Skype Interviews via @rmbyrne

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Skype Interviews is a free Microsoft service that was developed for employers to use to interview potential employees. It wa

Via Tom D'Amico (@TDOttawa)
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Hay que formar a los estudiantes para un futuro diverso e incierto. 

Hay que formar a los estudiantes para un futuro diverso e incierto.  | Cibereducação | Scoop.it

La transformación de los sistemas educativos debe posibilitar al alumnado la adquisición de las habilidades necesarias para que, al incorporarse a la sociedad, pueda hacer frente a los cambios sociales y tecnológicos, cada vez, en las últimas décadas, más continuos e imparables, de una manera crítica y creativa. Insistiendo en la importancia, como decía A. Einstein, de “aprender de los hechos pero entrenando la mente para pensar.”


Via Marta Torán, Edumorfosis
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Marta Torán's curator insight, March 27, 1:57 PM

La tecnología es un medio, no un fin.


Debemos preparar a los alumnos de hoy a sortear los peligros que puede representar y a sacar provecho de sus beneficios.


Aprender a prepararse para el futuro, para el trabajo y para la vida.

Pablo Peñalver's curator insight, March 30, 3:09 AM

La tecnología es un medio, no un fin.


Debemos preparar a los alumnos de hoy a sortear los peligros que puede representar y a sacar provecho de sus beneficios.


Aprender a prepararse para el futuro, para el trabajo y para la vida.

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Library Genesis

Library Genesis is a scientific community targeting collection of books on natural science disciplines and engineering.
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The 11 Most Inspiring TED Talks for Modern Educators

The 11 Most Inspiring TED Talks for Modern Educators | Cibereducação | Scoop.it
Educator Lisa Goochee shares these 11 inspiring TED Talks that every educator should not only see, but also share with their students and PLN—so inspiring!

Via Juan Jesús Baño Egea
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