Inovação em Modelos de Negócios
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Afinal, quando surgiu o conceito de modelo de negócio?

Afinal, quando surgiu o conceito de modelo de negócio? | Inovação em Modelos de Negócios | Scoop.it
Afinal, quando surgiu o conceito de modelo de negócio?
Maria Augusta Orofino (*)
Os anos noventa foram marcados pelo surgimento de um novo espaço conceitual decorrente da pulverização e acess...

Os anos noventa foram marcados pelo surgimento de um novo espaço conceitual decorrente da pulverização e acessibilidade à internet, disseminada pelo world wide web (www) que resultou em significativas transformações na sociedade, na forma de realizar negócios, no relacionamento entre as pessoas e na aproximação de mercados.

Esse novo espaço conceitual trouxe a exigência de mudanças na forma de organizar os negócios que surgiam e que precisavam ser modelados sob uma nova ótica uma vez que critérios adotados na era industrial já não podiam ser considerados nesta nova era do conhecimento.

Como resultante desse processo, houve o surgimento de empresas que iniciaram suas transações comerciais baseadas no ambiente virtual, denominadas de empresas ponto com também chamadas pelo termo em inglês dot com. O processo de comercialização das ações das empresas ponto com era feito através da NASDAQ (Acrônimo que significa em inglês National Association Securities Dealers Automated Quotation ou Pregão Automático da Associação Nacional dos Corretores), o primeiro mercado acionário eletrônico do mundo, criado em 1971 e que ganhou fama de mercado que negocia ações das empresas do futuro, ou seja, fabricantes de computadores, softwares, chips, cabos de fibra óptica, biotecnologia, etc.

As empresas ponto com, associadas às empresas de alta tecnologia, viram suas ações crescerem vertiginosamente em um curto espaço de tempo entre os anos de 1998 a 2001, pela oferta abundante de recursos e de investidores resultando em uma supervalorização das mesmas.

Em maio de 2001, a NASDAQ sofreu um colapso e muitas pequenas empresas virtuais que iniciavam seus negócios, quebraram. Tais empresas não precisavam de estratégia, nem de competências especiais e tampouco de clientes – bastava-lhes um modelo de negócio baseado na web com promessas de lucros fabulosos no futuro‖. Decorrente deste movimento surgiu o conceito de modelo de negócio como uma síntese para caracterizar a forma de como as empresasponto com‖ atuavam nesse novo mercado. Da mesma forma em que a internet passou a ter um significativo papel para impulsionar outros tipos de negócios, a partir desse movimento, o conceito de modelo de negócio passou a abranger qualquer tipo de empresa. Associado a este fato, a ampliação da disponibilidade dos meios de comunicação permitiu que as empresas implantassem outras possibilidades de negociação, gerando um novo conceito de valor para o cliente.

De acordo com Alex Osterwalder, modelo de negócio pode ser conceituado como a descrição da lógica de como uma organização cria, distribui e captura valor.

A inovação em modelos de negócio requer informações provenientes da gestão do conhecimento que se baseia na sinergia entre a capacidade de processamento das tecnologias da informação e a capacidade humana de tomada de decisão. Modelos de negócio e processos de gestão do conhecimento estão relacionados e variam em função da filosofia de gestão e da cultura organizacional, fazendo com que um seja alterado em função do outro.

Por gestão do conhecimento, define-se a ação sistemática e intencional de captura, armazenamento e comunicação de informações essenciais aos negócios de uma empresa, visando à melhoria contínua dos processos, da atuação dos seus integrantes objetivando uma vantagem competitiva. Isso não se restringe a uma determinada tecnologia ou fonte de informação.

Nas organizações, a gestão do conhecimento cumpre um papel relevante na elaboração de modelos de negócio. O conhecimento explícito é exigido na descrição do modelo, que se origina na externalização do conhecimento, apresentando a vantagem de poder ser visualizado, comunicado, compartilhado e utilizado no ambiente organizacional. Desta forma, o conceito de modelo de negócio ajuda a externalizar, mapear e armazenar o conhecimento sobre a lógica de criação de valor de uma empresa‖.

A inovação como condição de sobrevivência das empresas tem forçado a introdução de formas explícita de gestão do conhecimento obrigando as empresas a adotarem estratégias planejadas para a coleta e documentação de ideias e sugestões dos seus colaboradores. Os modelos de negócio relacionados à visão tradicional das organizações pautadas pela era industrial embasados pela visão da eficiência e otimização de processos têm se tornado inadequado às organizações do conhecimento, afetadas pelo ritmo crescente de mudanças radicais e imprevisíveis no ambiente empresarial. Essa reformulação da natureza do negócio e da natureza da própria organização caracteriza as mudanças de paradigma que são a marca da inovação do modelo de negócio.

Nas organizações, a origem do valor está na criação de conhecimento e na utilização do conhecimento dos clientes e colaboradores, que determinam o design da inovação do modelo de negócio. Em um mundo onde mercado, produtos, tecnologias, concorrentes e a própria sociedade mudam de forma tão ágil, a inovação contínua e o conhecimento tornaram-se uma vantagem competitiva sustentável para as organizações. Ações intensivas em conhecimento podem ser consideradas como uma classe de processos organizacionais que constituem uma ou mais atividades que apresentam exigências de conhecimentos significativos para sua atuação eficaz e atuam com os profissionais do conhecimento de quem são exigidos competência e conhecimento especializado, aprendizado contínuo e a transformação de informações implícitas ou explícitas no contexto organizacional.

Referências:

OROFINO, M.A. Técnicas de criação do conhecimento no desenvolvimento de modelos de negócio, Dissertação – UFSC, EGC, Florianópolis, 2011.
(*) sobre a autora:

Maria Augusta Orofino – Mestre em Gestão do Conhecimento pela UFSC. Especialista em Administração Pública e Marketing. Administradora de Empresa. Atua na InnovaService – programa baseado em abordagens práticas para capacitar organizações em inovação. É diretora da Frame Business Innovation – consultoria em inovação, design thinking, desenvolvimento de modelos de negócio e gestão do conhecimento. Consultora organizacional há + 20 anos de experiência, tendo atuado em empresas como: Tractebel Energia, Brasil Telecom (Oi), Portobello, Bunge, Itagres, Eletrosul, FIESC, Sebrae SC. Palestrante TEDx Curitiba (Jul/11) sobre Design Thinking. Professora da ESPM SP; Clear Educação e Inovação. Facilitadora da LabEchos/Design Echos para modelos de negócios. Autora do blogwww.mariaaugusta.com.br e co-autora de www.innovaservice.com.br

 


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