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Criança, eu vi!

Andrada, o sofrido personagem do milésimo gol do Pelé, foi o melhor goleiro que vi atuar. Seu biótipo diferia do da maioria dos goleiros atuais. Não era alto, não era forte, mas compensava essas eventuais limitações físicas com qualidades extraordinárias: agilidade, intuição, saída do gol perfeita, tanto para fechar o ângulo do atacante que penetrava com a bola dominada quanto para cortar um cruzamento alto na área. Sua reposição de bola, feita com os pés, com rapidez e precisão, iniciava muitos contra-ataques e foi modelo para o que hoje os goleiros fazem com as mãos. Entretanto, dois jogadores sempre representaram um verdadeiro pesadelo para ele. Um jogava contra, o outro a favor.

O primeiro foi o Fio, o Fio Maravilha cantado por Jorge Benjor. Imprevisível, era capaz de produzir, alternadamente, jogadas de craque e de perna-de-pau. Mas seus chutes em direção ao gol do Andrada teimavam em encontrar um montinho artilheiro que produzia caminhos inusitados para as redes.

O outro foi René, zagueiro-zagueiro da época (uma mistura de Odvan com Junior Baiano) que sempre dava um jeito de fazer um gol-contra no Andrada, seja porque a bola chutada por algum adversário nele resvalava para enganar o goleiro, seja por seus próprios méritos, quando insistia em recuar pelo alto, bolas que o goleiro, já fora do gol para recebê-las, as via passar como um pássaro distante.

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A PERDA DA HEGEMONIA DO FUTEBOL BRASILEIRO - parte 2

Mas é esforço inconseqüente tentar comparar essas grandes equipes. Os tempos eram outros e os adversários, também. É tarefa mais simples garimpar o que parece ser matéria-prima comum a essas equipes de sucesso. Em primeiro lugar, como prova o nome mencionado ao lado de cada clube, a existência de pelo menos um jogador extraordinário (que é referência técnica e símbolo da equipe), em torno do qual gravitam os demais. Depois, uma forma de jogar única, diferenciada, inteligente e inovadora (ainda que, eventualmente, adotando esquemas táticos tradicionais), centrada nas soluções coletivas do jogo. O eventual brilho individual - até porque seria impossível que estrelas de tamanha grandeza não luzissem - representava apenas a cereja do bolo, a ponta do iceberg, o resultado midiático do desempenho coletivo.

Este atual time do Barcelona é assim. Não apenas um, mais diversos jogadores extraordinários, adotando uma forma de jogar única, diferenciada, inteligente e inovadora. Uma escola que ensina uma filosofia de futebol que é calcada, apenas, na essência do jogo. A inovação fica por conta da feliz conjugação de padrões vencedores adotados anteriormente. A base é o carrossel holandês (nos primórdios dessa criação catalã lá estavam os protagonistas da Laranja Mecânica), mas há um quê da Seleção Brasileira de 70 (Daniel Alves x Carlos Alberto, Villa x Jairzinho, a movimentação de Messi, Xavi, Iniesta e Fábregas x a movimentação de Pelé, tostão, Rivelino e Gerson), um quê do Santos das tabelinhas de Pelé e Coutinho. Todos, sem exceção sabem fazer, quase sempre, a melhor opção para a execução das jogadas. Infelizmente, tentar copiá-lo gerará apenas um sem numero de falsificações.

Uma máquina de futebol não é igual a uma máquina industrial. Para montá-la não há peças sobressalentes disponíveis ou que possam ser geradas com igual especificação. Como criar um novo Xavi, um novo Iniesta, um novo Messi? Parece que o único caminho seria a clonagem. Em verdade, é preciso recriar o Barcelona, ou seja, criar de novo. E nunca será igual ao original (poderá até ser melhor, quem sabe?). A dificuldade é grande. O original levou 30 anos para ficar pronto. Existe, aparentemente, uma única alternativa viável. E essa alternativa passa pela reaprendizagem do jogo.

A verdade é que conhecemos mas já não mais dominamos sua essência. E qual é a essência do futebol? A disputa permanente pela posse da bola. Quando está comigo não devo cede-la ao adversário; quando está com o adversário, devo tomá-la. Uma vez tendo a bola em minha posse devo, em aproximações sucessivas, tentar atingir um objetivo (goal em inglês) que é fazê-la ultrapassar determinada área demarcada por traves (também denominada goal ou meta). O mesmo objetivo terá meu adversário, caso a bola esteja em sua posse. Assim, em tese, quanto mais tempo de posse de bola eu tiver, maiores as chances terei de atingir o objetivo e menores oportunidades para tanto oferecerei a meu adversário. Simples, não?

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CONTINUAÇÃO 2

Os mesmos Brito e Fontana, em um jogo em São Januário contra o Campo Grande, enfrentaram um jovem atacante que dava muito trabalho. Apesar de não possuir técnica refinada tinha força, explosão e o gol como idéia fixa. Talvez para arrefecer seu ânimo, em mais uma jogada pela lateral do campo, a dupla de zaga vascaína correu ao encalço do adversário. O primeiro fez a alavanca; o segundo o empurrou em direção ao alambrado (que à época ficava a menos de um metro da linha lateral do campo). Eu estava próximo e não só vi como ouvi o barulho do corpo inteiro do atacante chocando-se contra a amarração de arames. Não soltou nem um ai. Passou a mão pelo corpo. Não havia sangue, nada quebrado. Voltou para o jogo e pediu um lançamento em profundidade. Não fosse seu peito de aço, provavelmente não iria, no futuro, marcar gols cabeceando bolas parado no ar, como um beija-flor.

 

Mas Fontana também teve seus dias de herói. O jogo era Vasco X Botafogo. Aos 30 minutos do segundo tempo o Botafogo vencia por 2x0 mas, estranhamente, a torcida vascaína não arredava pé do estádio. É verdade que o Vasco jogava bem, que o Nado (pontinha pernambucano que chegou a ser convocado para a seleção brasileira) criava inúmeras jogadas pela direita. O placar era injusto. Com ajuda da torcida, que não parava de apoiar o time, e a inspiração de Nado, ele mesmo marcando um gol, o time chegou a um fantástico empate. No último minuto de jogo, escanteio. Nado chuta uma bola alta que vai caindo como um balão apagado na cabeça do Fontana que nem precisou pular para cabecear. Parado estava, parado ficou enquanto o time do Vasco inteiro o abraçava. Só consegui ver seus braços estendidos para o alto e para a glória.

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A PERDA DA HEGEMONIA DO FUTEBOL BRASILEIRO -parte 3

Mas para que a bola esteja na posse do jogador é preciso saber, quando necessário, tomá-la do adversário e, então, dominá-la, colocá-la obediente ao seu alcance; é preciso saber protegê-la, de forma a que não seja facilmente recuperada pelo adversário; ainda, é preciso saber passá-la para outro integrante da equipe que esteja em melhores condições para dar continuidade, prosseguimento à jogada, aproximando-se cada vez mais do objetivo. Aqui temos quatro condicionantes para que a essência do futebol seja aprendida: a retomada, o domínio, a proteção e o passe.

 

Há, entretanto, um componente adicional, inato a seus praticantes, se bem que pode e deve ser sempre aperfeiçoado, que traz todo o encanto e transforma o futebol no mais apaixonante de todos os esportes: o drible, a capacidade de ludibriar os adversários, reduzir-lhes a possibilidade de recuperar a posse da bola, e alcançar com mais rapidez a meta adversário. Mas ainda falta algo para dominar a essência do futebol, denominado por alguns “leitura do jogo”, ou seja, o momento certo para exercitar a habilidade específica em prol do grupo. Eis o que é uma partida de futebol. Eis sua essência; são esses seus fundamentos inseparáveis. A ausência de qualquer um deles impedirá a excelência. Seria necessário, então, premissa indispensável para a formação das equipes de base nos diversos clubes de futebol, ensinar ou apurar os fundamentos e valorizá-los. Mas será que o fazemos?

 

O que valorizamos no futebol? O que nos encanta ao vermos uma criança jogando bola? Sua capacidade de driblar. E se ela estiver no time adversário? O menino capaz de impedir esses dribles, provavelmente impondo-se fisicamente. O que nos impulsiona é a busca da vitória. Viramos todos torcedores e deixamos de ser amantes do futebol. Como formar Iniestas e Xavis com a qualidade dos nossos campos onde a bola parece rolar como um dado? Como incutir determinados valores nos currículos de vida dos nossos jovens e promissores futebolistas se já possuem um tutor-empresário que só os educa, e na melhor das hipóteses, para o rápido ganho financeiro com transferências, preferencialmente para o exterior (poucos criam um elo de respeito e orgulho, de pertencimento a um grupo em seu clube de formação – não precisa beijar a camisa)? Como formar futuros profissionais se já na base o que importa é o resultado, e a todo custo? É perdendo que se aprende a ganhar? Então nos times da base é proibido aprender. As esperanças estão em um futuro que hoje não parece promissor.

 

O recente Campeonato Brasileiro sub-20 (parece que a Copa são Paulo vai pelo mesmo caminho) foi um circo de horrores, exatamente pela ausência de qualidade nos fundamentos. Dificuldade no domínio da bola, e em sua proteção (a bola passava de pé em pé, de adversário para adversário), infinitos erros de passes, tentativas frustradas de dribles, escolhas das jogadas erradas, times mal armados com espaços absurdos em suas linhas, jogadas violentas, reclamações acintosas, expulsões e, não menos importante, campos lamentáveis. Alguns poucos que mostravam mais qualidade dificilmente tinham com quem dialogar.

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A PERDA DA HEGEMONIA DO FUTEBOL BRASILEIRO - parte 1

A PERDA DA HEGEMONIA DO FUTEBOL BRASILEIRO - parte 1

 

Há uma grande diferença entre os torcedores e os amantes do futebol. Os primeiros são focados nos resultados. A eles importam tão somente as vitórias, ainda que obtidas de forma ilegal, circunstancial ou injusta. Já os verdadeiros amantes do futebol, ainda que sejam, é claro, também torcedores, transcendem o personagem e valorizam o jogo. Assim é que, além de acompanharem seu time de coração, se interessam também pelos grandes confrontos e, mais do que isto, pelos grandes times.

O que pode ser considerado um grande time? Grande time é aquele que dá espetáculo, não de firulas, mas de eficiência, que impõe sua superioridade técnica e tática e que obtém (nem sempre, é claro) o resultado como conseqüência dessa superioridade. Além disso, mantém esse nível de atuação, essa regularidade, por um razoável período de tempo. Não se confunde um grande time com um time que fez uma ou algumas grande exibições por um curto período de tempo.

Quais foram os grandes times da história? Há uma quase unanimidade entre os cronistas esportivos (apesar de a maioria deles jamais ter visto esses times jogarem): nos anos 50, o Real Madrid de Di Stefano; nos anos 60, o Santos de Pelé; nos anos 70 o Ajax (brevemente continuado pela Seleção da Holanda – a Laranja Mecânica - na Copa de 74) de Cruyff. A partir dos anos 80 não houve um time indiscutível. A Argentina, a Itália, a Inglaterra e a Espanha, além do Brasil produziram belos times, que talvez tenham encantado o mundo (o desenvolvimento tecnológico já permitia a preservação dessa memória), porém por breves instantes. Citar o Flamengo de Zico é válido, assim como a Seleção Brasileira das Copas de 70 e 82, mas por quantos jogos?. Então também seria justo citar o São Paulo de Raí e, em outros tempos, o Vasco de Jair da Rosa Pinto, o Botafogo de Garrincha, o Cruzeiro de Tostão, o Palmeiras de Ademir da Guia, times cujo prazo de validade foi maior, e isto só no Brasil.

Agora surge o Barcelona que, ao que tudo indica, pela beleza de seu jogo, pela qualidade de seus jogadores e pela longevidade de sua superioridade sobre os adversários, merece o titulo de um dos maiores times da história, talvez, o futuro dirá, o maior de todos.

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CRIANÇA, EU VI! CONTINUAÇÃO 1

O jogo era Vasco X Santos e, nesse dia, Renê fazia uma partida perfeita, anulando Pelé. Já adiantado o segundo tempo, com o jogo controlado pelo Vasco, Pelé tenta uma arrancada pelo lado esquerdo e ultrapassa seu marcador. Renê, que era quarto-zagueiro, vem na cobertura e consegue desarmar o Pelé, rente à linha lateral. Em um rasgo de ousadia, joga a bola entre as pernas do Rei e, antes que possa apanhá-la do outro lado, Pelé puxa sua camisa e a rasga ligeiramente. Falta! Renê vira para a torcida, mostra a camisa rasgada e abre os braços como quem diz: “Assim não é possível; não me deixam jogar bola!”.

 

Novamente o jogo era Vasco X Santos, só que anos antes. A zaga do Vasco era formada por Brito e Fontana, que seriam campeões do mundo em 70. O placar, aos 40 minutos do segundo tempo, apontava 2x0 para o Vasco. Fontana desarma Pelé e, com ar de deboche, pergunta a Brito: “Você viu algum rei por aqui? Rei p... nenhuma”. O tempo que restava foi suficiente para Pelé fazer dois gols e dizer a Fontana: “Quando você for para casa, avisa a sua família que você viu o rei”. Essa história (vi o jogo mas não pude, é claro, ouvir o diálogo) foi confirmada pelo próprio Fontana em resenha esportiva na antiga TV Rio.

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